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Porto Alegre, 01 de agosto de 2018                                              Ano 12 - N° 2.790

Entressafra e resquício de greve fazem preço do leite ter forte alta

A entressafra do leite no Sudeste e Centro-Oeste do país, o ritmo mais fraco da captação de matéria-prima no Sul e os resquícios da paralisação dos caminhoneiros nos últimos dias de maio fizeram os preços ao produtor registrar forte alta, mais uma vez, em julho. Levantamento da Scot Consultoria mostra que no mês passado, os produtores receberam, em média, R$ 1,230 pelo litro do leite entregue em junho. O valor é 5,6% superior ao do pagamento anterior. Em junho, quando os efeitos da paralisação dos caminhoneiros foram mais sentidos, a alta já havia sido significativa, de 4,3%. A pesquisa de preços da Scot é realizada com agentes (como cooperativas e laticínios) em 18 Estados brasileiros. 

Segundo Rafael Ribeiro, analista da Scot, o ritmo de captação de leite no Sul do país está abaixo do esperado para esta época do ano. A razão é o tempo mais seco e os custos de produção maiores em decorrência da alta do milho. O Índice Scot de Captação de Leite mostra que em julho o volume de coletado no Rio Grande do Sul subiu 2% em relação a junho. Os dados são parciais, mas indicam um ritmo de captação bem inferior ao de julho de 2017, quando subiram 5,7% sobre o mês anterior. Na média nacional, houve queda na captação da matéria-prima na mesma comparação, de 1,3%, em função da entressafra no Sudeste e Centro-Oeste. Enquanto os preços de leite cru ao produtor seguiram firmes em julho, a cotação do longa vida no atacado recuou na segunda quinzena do mês, refletindo a demanda desaquecida e a dificuldade das indústrias de repassarem a alta.

 

Conforme o levantamento da Scot, a média na primeira quinzena de julho foi de R$ 3,16 por litro no atacado paulista. Na segunda quinzena, o preço caiu para R$ 3,12. No varejo, saiu de R$ 3,72 por litro para R$ 3,85 na mesma comparação. A expectativa, segundo Ribeiro, é que os preços ao produtor sigam em alta no curto prazo - embora num ritmo mais fraco -, especialmente nos Estados que estão no período de entressafra. 'Pesquisa da Scot sobre os preços do leite nos 18 Estados do país indica que 59% dos entrevistados esperam alta nos preços ao produtor em agosto, 38% acreditam em estabilidade e 3% em queda. (Valor Econômico) 

 

 

Temer critica proposta de rotulagem de alimentos e marca reunião com indústria

Rotulagem de alimentos - Em encontro com empresários ontem em São Paulo, o presidente Michel Temer manifestou contrariedade com uma proposta de rotular alimentos industrializados como forma de alertar para alta concentração de açúcar, sódio ou gorduras saturadas.

Ao participar de um almoço na Fiesp, Temer ouviu críticas a essa iniciativa feitas por Wilson Mello, presidente do conselho da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação. Melo disse em discurso que a ideia de colocar triângulos nas embalagens associaria os produtos a um perigo à saúde.

Temer, em sua fala, convocou o empresário para uma reunião na próxima quarta-feira (1º) em Brasília e pediu cautela nessa discussão.

"É importantíssimo. Essa coisa do triângulo, que você [Melo] mencionou, que é sinal de perigo, se não tomar cuidado daqui a pouco bota tarja preta no alimento. Vai prejudicar o setor."

A proposta da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é incluir nas embalagens uma advertência sobre a presença de alto teor de açúcar, gorduras saturadas e sódio. Um grupo de trabalho da agência constatou que o consumidor tem dificuldades para entender informações hoje presentes nos rótulos.

A proposta é inspirada em normas estabelecidas em outros países, como o Chile, que tornou obrigatórios, por exemplo, octógonos pretos informando o alto teor açúcar nas embalagens.

Mello havia dito em seu discurso que essa iniciativa pode causar desemprego na indústria da alimentação, "que é responsável por 10% do PIB brasileiro".

"Tudo passa por uma escolha que Vossa Excelência [Temer] tomará, que é a escolha do novo presidente da Anvisa. Isso acontecerá nos próximos meses. Nosso único pedido é que seja alguém que continue dialogando com a indústria", disse Mello. 

O representante do setor classificou a iniciativa como desproporcional e disse que detratores "criminalizam" essa indústria. (Bem Paraná)

Indústria prevê perdas com novos rótulos

A mudança no modelo de rotulagem de alimentos industrializados pode gerar um impacto negativo na economia de R$ 30 bilhões a R$ 98,8 bilhões por ano, segundo estudo realizado a pedido de fabricantes do setor. O levantamento foi feito pela GO Associados e encomendado pela Rede Rotulagem, formada por 22 entidades da área de alimentos e bebidas e encabeçada pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia atualmente duas propostas de rotulagem. Uma foi desenvolvida por um grupo que reúne o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Universidade Federal do Paraná e outras 19 entidades. Esse grupo propõe a adoção, na parte frontal da embalagem, de triângulos pretos, advertindo o consumidor sobre o excesso de ingredientes que podem fazer mal à saúde, como açúcar, sódio e gorduras.

 

As indústrias, por sua vez, propõem a inclusão, na parte frontal das embalagens, de um semáforo destacando informações sobre o volume de açúcar, gorduras saturadas e sódio. A quantidade pode ser classificada como "alta" (em vermelho), "média" (amarelo) ou "baixa" (verde). De acordo com o estudo da GO Associados, o modelo de rotulagem por semáforo pode gerar um impacto negativo na economia entre R$ 30 bilhões e R$ 50 bilhões. Já o modelo de advertência, sugerido pelo Idec, causaria a perda de quase R$ 100 bilhões.

Wilson Mello, presidente do conselho da Abia, considera que o modelo de advertência, com triângulos em preto, assustam o consumidor, que acaba deixando de comprar os produtos. Como consequência, o consumo de alimentos industrializados pode apresentar uma queda de 10,34%, gerando impacto negativo na indústria de R$ 24,4 bilhões. Segundo o estudo, o modelo de rotulagem proposto pelo Idec também causaria perda de R$ 32,4 bilhões no setor de serviços, devido à menor produção de insumos e à queda do consumo das famílias.

O setor agropecuário teria uma queda de R$ 13,6 bilhões. O estudo da GO indica ainda que a redução no consumo de alimentos, por causa da rotulagem de advertência, pode gerar uma perda de 1,9 milhão de empregos, reduzindo a massa salarial no país em R$ 14,4 bilhões. Do total de cortes de emprego, 808 mil vagas seriam na agropecuária, 723 mil no setor de serviços e 364 mil na indústria - sendo 163 mil apenas na indústria de alimentos e bebidas. O impacto negativo no setor industrial (excluindo as indústrias de alimentos e bebidas) seria de R$ 28,4 bilhões. E a arrecadação de tributos teria uma redução de R$ 8,9 bilhões por ano.

"A decisão sobre a rotulagem de alimentos não deve ter como premissa principal o aspecto econômico. Mas, considerando que os dois modelos de rotulagem apresentam as mesmas informações para o consumidor, acredito que o impacto econômico deva ser levado em conta", afirma Mello. O executivo acrescentou que a estimativa de perdas apresentada no estudo é conservadora. "No Chile, quando foi adotada a rotulagem de advertência, o consumo de alimentos chegou a cair 16%", diz. Mello vai se reunir hoje com o presidente da República, Michel Temer, para falar sobre o tema.

O modelo sugerido pelo Idec foi recomendado pela Anvisa para adoção no país, em relatório preliminar sobre o assunto divulgado em maio. No documento, a Anvisa ponderou que esse modelo é adotado de forma crescente no mercado internacional e ajudou a reduzir o consumo de produtos com níveis altos de açúcar, sódio ou gorduras. Já o modelo defendido pela indústria não trouxe impactos relevantes no consumo de alimentos com altos níveis de açúcares, gorduras e sódio, nos países onde foi implantado, segundo o órgão.

O relatório da Anvisa levou as indústrias a mudarem seu modelo, aumentando o tamanho das letras e números e incluindo a classificação alta, média ou baixa. As indústrias também encomendaram o estudo de possíveis perdas econômicas, para tentar reverter a avaliação do órgão sobre o modelo de semáforo. Para Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Idec, a rotulagem por semáforo confunde-se com as cores das embalagens e não geram entendimento para o consumidor sobre o risco de consumir o alimento.

"No Canadá, onde foi adotado o modelo de advertência, como o sugerido pelo Idec, a economia de gastos com saúde mais do que compensou eventuais perdas da indústria de alimentos", afirma. A nutricionista também considera "superestimado" o valor das perdas potenciais anunciadas pelas indústrias. A Anvisa discute com representantes do setor privado novas regras para a rotulagem de alimentos industrializados desde 2014. A intenção do órgão é incluir nas embalagens informações sobre a presença de altos teores de açúcares, sódio e gorduras saturadas para estimular a adoção de dietas mais saudáveis.

A discussão já passou por várias fases. Entre junho e julho, a Anvisa realizou uma tomada pública de subsídios para discutir o tema. A Anvisa recebeu pouco mais de 3 mil sugestões de consumidores e especialistas. O órgão informou que o próximo passo será a consolidação desses dados para a formulação do texto final sobre a rotulagem. "Se for necessário, o texto será reformulado e poderá passar por uma audiência pública", informa a Anvisa. Em seguida, o documento será encaminhado para deliberação da diretoria colegiada da Anvisa. Segundo o órgão, não há prazo definido para esse processo. Mas as entidades que debatem sobre o tema estimam que as nova regras de rotulagem de alimentos serão definidas até o fim deste ano, para que o novo modelo entre em vigor a partir de 2019. (As informações são do jornal Valor Econômico)

 

RS recebe lote nesta semana
O Rio Grande do Sul deve receber ainda esta semana um novo lote de tuberculina, antígeno utilizado para o teste de tuberculose bovina. Com isso, está mantida a exigência de exame negativo para a doença para a Expointer. O anúncio foi feito ontem, após reunião entre representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), Secretaria da Agricultura e entidades do setor produtivo. Segundo o superintendente do Mapa no Rio Grande do Sul, Bernardo Todeschini, o lote da substância já foi liberado pelo Lanagro e deve chegar ao Estado nos próximos dias. (Correio do Povo)

Porto Alegre, 31 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.789

Languiru impulsiona vendas com embalagens contendo código QR

O laticínio brasileiro Languiru impulsionou as vendas por meio de embalagens contendo código QR da SIG. Eles foram usados em todas as embalagens de leite da marca, incluindo o leite achocolatado (Chocolan), com mais de 12.000 códigos gerados a cada hora, conectando o consumidor com os dados do produto via smartphone.

Crescimento de 6%
A Languiru é uma das maiores companhias de lácteos do Rio Grande do Sul e a embalagem foi testada no sul do Brasil, levando a um crescimento de 6% nas vendas.

"Os códigos QR em nossas embalagens significam que os consumidores podem rastrear o produto desde o início do processo até a prateleira", afirmou Euclides Andrade, diretor gerente da Cooperativa Languiru. "Também nos beneficiamos do monitoramento detalhado do desempenho da cadeia de ponta a ponta, o que nos permite melhorar as operações e a logística", completou.

Brindes 
Os consumidores disseram que foi fácil baixar o aplicativo Languiru, desenvolvido pela SIG, e gostaram que o leite vinha da região. As crianças adoraram as almofadas de emoji que puderam ser resgatadas com cupons e as levaram para a escola a fim mostrá-las aos amigos e professores. Os que compraram maior volume de leite, ganharam mais do que almofadas e puderam concorrer a prêmios que incluíam bicicletas, smartphones e vales de compras.

De acordo com a SIG, 94% dos participantes eram usuários de telefones Android e 6% usuários de iPhone, com 71% dos que usaram o código sendo mulheres, incluindo 56% na faixa etária de 19-30 anos e 35% na faixa etária de 31 a 60 anos.

Siemens
A Languiru planeja usar o Connected Pack integrado, projetado pela SIG e pela Siemens, para dessa forma coletar dados de qualidade do produto em todas as etapas de sua jornada, armazenando as informações em um banco de dados. "Qualidade do início ao fim", foi o slogan usado pela companhia para envolver seus consumidores e agora a empresa vai buscar usar o código QR em seus outros produtos.
Outra vantagem da tecnologia é que ela está vinculada diretamente às linhas de produção da Languiru maximizando a eficiência da fábrica, isso, por meio de uma ferramenta de inteligência da informação conhecida como Power BI. Dirceu Bayer, presidente da Cooperativa Languiru, disse que a tecnologia abriu novas oportunidades para promoções sob medida com seus parceiros varejistas.

"A promoção do sorteio "Comprou, mirou, ganhou", atendeu plenamente às expectativas e melhorou nosso relacionamento com nossos clientes. Através do uso desta tecnologia, podemos aprender mais sobre nossos consumidores, fornecendo informações valiosas para nossas equipes comerciais e de marketing", concluiu Bayer. (As informações são do portal Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint)

 
Uruguai - preço do leite ao produtor aumentou 1,4% em pesos e caiu 1,2% em dólar
Preços/Uruguai - Em junho o preço médio do leite pago ao produtor foi de 10,39 pesos por litro, o que significa aumento de 1,4% m relação a maio, informou o Instituto Nacional do Leite (Inale). No entanto, em dólares, o preço ao produtor foi de US$ 0,33, registrando queda de 1,2% em relação ao mês anterior. A estimativa é de que preço de referência para o leite com 3,89% de matéria gorda e 3,47% de proteína, tenha o valor de 141,2 pesos por 100 quilos de sólidos, 2% a mais que a remuneração de maio. Em junho de 2018 o preço médio ao produtor aumentou 2,5% em pesos, em relação ao mesmo mês do ano anterior, no entanto, foi 7,2% menor que a apuração em dólar no mesmo mês. Poder de compra caiu em relação a dezembro de 2017 O Inale informou que o poder de compra dos produtores, em pesos, caiu 1,9% na comparação entre julho de 2018 e dezembro de 2017; que o preço do leite em pesos cresceu 10,4% na mesma comparação; e que os custos de produção, também em pesos, subiu 12,6% entre junho de 2018 e dezembro de 2017. (El Observador - Tradução livre: www.terraviva.com.br)
 
 

Subsídio de US$ 12 bilhões da USDA é bem recebido pela indústria de lácteos

No dia 24 de julho, o Secretário da Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, anunciou a implementação de um programa de mitigação tarifária em resposta às tarifas de retaliação que tiveram impactos generalizados na agricultura. Os produtos lácteos têm sido alvo de importantes parceiros comerciais como o México e a China na guerra comercial em curso. A Federação Nacional de Produtores de Leite (NMPF) estima que as tarifas custarão aos produtores de leite US$ 1,8 bilhão até o final de 2018.

"Apreciamos que o presidente está cumprindo sua promessa de que os produtores dos EUA não suportarão o peso das perdas econômicas geradas pelos atuais conflitos comerciais", disse Jim Mulhern, presidente e CEO da NMPF. "O anúncio reflete os pedidos que a nossa organização fez para que o USDA aliviasse parte da dor financeira que os produtores de leite estão sentindo devido à perda de oportunidades de exportação".

A medida foi importante para os produtores de leite, porque aproximadamente um dia de produção de leite a cada semana vai para o exterior, disse Michael Dykes, presidente e CEO da International Dairy Foods Association (IDFA).

"À medida que o governo avança uma agenda comercial proativa e agressiva, as tarifas retaliatórias de outros países, especialmente da China, têm impactado as exportações de produtos lácteos. A IDFA vê esse alívio como uma ponte temporária destinada a aliviar algumas das dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor agrícola, incluindo os lácteos, enquanto a administração trabalha para solidificar múltiplos acordos comerciais internacionais", diz Dykes.

Antes do anúncio desta semana, uma carta foi enviada pela FarmFirst Dairy Cooperative e por outros membros da Midwest Dairy Coalition para Perdue em 13 de julho, solicitando que o USDA utilizasse sua autoridade para prestar assistência aos produtores de leite.

"As exportações de produtos e ingredientes lácteos beneficiaram muito os produtores nos últimos anos e estão se tornando uma parte mais significativa do preço que recebem pelo leite. Eles não devem suportar o impacto desta guerra comercial", disse Jeff Lyon, Gerente Geral da FarmFirst Dairy Cooperative. "Agradecemos a resposta imediata que o USDA está dando em relação a esse problema e agradecemos às nossas organizações parceiras do setor em ecoar nossas preocupações ao Secretário Perdue, ao USDA e à administração Trump".

Detalhes sobre o programa de US$ 12 bilhões ainda estão sendo reunidos, mas mais informações devem estar disponíveis mais perto do Dia do Trabalho, quando o USDA planeja implementar o programa completamente. (As informações são do Farm Journal & MILK Magazine, traduzidas pela Equipe MilkPoint)

Preço avança 14% em julho
O preço líquido recebido pelos produtores pelo litro de leite atingiu R$ 1,4781 em julho, um recorde para o mês, de acordo com o Cepea/Esalq/USP. O valor, que corresponde à média do que é praticado em sete estados brasileiros, inclusive o Rio Grande do Sul, representa uma alta de 14% em relação a junho. Pela análise do Cepea, o aquecimento do preço se deu em razão da paralisação dos caminhoneiros e à tentativa do setor em normalizar suas atividades depois da greve. Desabastecidos, os laticínios acirraram a competição para a compra de leite no campo, com o objetivo de recompor estoques. (Correio do Povo)

Porto Alegre, 30 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.788

LEITE/CEPEA: Preço sobe em julho pelo 6º mês seguido e atinge recorde real para o período

Preço Cepea - O preço do leite recebido por produtores subiu em julho pelo sexto mês consecutivo e atingiu recorde real para o mês, de acordo com pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Já quando considerados todos os meses da série histórica, a média de julho é a maior desde outubro de 2016, também em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de jun/18). 

O valor líquido recebido em julho (referente à captação de junho) fechou a R$ 1,4781/litro na "Média Brasil" (inclui BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS e não contém frete e impostos), aumento de 14% em relação ao mês anterior. Desde o início do ano, a alta acumulada real é de expressivos 44%. Na comparação com julho/17, houve elevação de 15%, em termos reais. A média deste mês está abaixo da de outubro/16, quando foi de R$ 1,4817/litro.

A expressiva alta em julho esteve atrelada à paralisação dos caminhoneiros, ocorrida no final de maio, e à tentativa do setor em normalizar suas atividades no pós-greve. Desabastecidos, os laticínios acirraram a competição para a compra de leite no campo no correr de junho, com o objetivo de recompor estoques. Além disso, o avanço da entressafra no Sudeste e no Centro-Oeste e o "atraso" das pastagens de inverno no Sul do País seguiram limitando a captação em junho, influenciando a formação dos preços ao produtor em julho.

A valorização da matéria-prima também se refletiu em aumento das cotações dos derivados lácteos em junho. No entanto, em julho, o movimento altista não se sustentou. No acumulado da primeira quinzena de julho, o preço do UHT (leite longa vida) caiu 1,32% e, na segunda metade do mês (dados até 27/07), 9,4%, indicando a dificuldade do consumidor em absorver novas altas. Para agentes do setor, a queda dos preços reflete um novo equilíbrio do mercado, com a normalização dos estoques e com as cotações retornando a patamares condizentes com a demanda - ainda fragilizada por conta da estagnação econômica. 

Neste momento, é importante ficar atento aos preços do leite spot. Durante a primeira quinzena de julho, os valores em Minas Gerais subiram 28,1% em relação ao mês anterior, mas, na segunda metade do mês, houve queda de 6,6%, o que mostra que empresas têm tido dificuldades em manter o ritmo de valorização do leite no campo. 

O QUE ESPERAR PARA AGOSTO? - De acordo com agentes do setor, a oferta deve seguir limitada, fundamentados no clima adverso e no encarecimento dos grãos, o que deve impedir a mudança de tendência no mercado. Assim, a maioria dos colaboradores entrevistados pelo Cepea acredita em uma nova alta para o próximo mês. No entanto, uma parte dos colaboradores acredita em estabilidade nos valores em agosto, devido a dificuldades de consumidores em absorver novas valorizações dos lácteos. (Cepea)
 
Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de junho/18)
 
 
Tabela 1. Preços pagos pelos laticínios (brutos) e recebidos pelos produtores (líquido) em JULHO/18 referentes ao leite entregue em JUNHO/18
 
Fonte: Cepea-Esalq/USP.
Nota: em janeiro de 2017, o CESSR (ex-Funrural) foi reajustado para 1,5%.
 
Tabela 2. Preços em estados que não estão incluídos na "média Brasil" - RJ, MS, ES e CE
 
Fonte: Cepea-Esalq/USP.
Nota: em janeiro de 2017, o CESSR (ex-Funrural) foi reajustado para 1,5%.

 

Mapa completou 158 anos neste sábado

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), responsável pela gestão das políticas públicas de estímulo à agropecuária, pelo fomento do agronegócio e pela regulação e normatização de serviços vinculados ao setor, completou 158 anos neste sábado (28). Sua origem remonta ao tempo do Império, tendo sido criado pelo imperador Dom Pedro II, em 28 de julho de 1860, pelo decreto nº 1.067, ainda como Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.

Em 1892, com a proclamação da República e a secretaria transformada em Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, os assuntos de agricultura passaram a ser tratados por diretoria dessa pasta. E, em 1909, as atividades foram incorporadas ao, então criado, Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio".

Em 2017, as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 96,01 bilhões, registrando crescimento de 13% em relação a 2016. No período, o setor foi responsável por 44,1% do total das vendas externas do Brasil. Com o crescimento do valor exportado sobre o das importações, o saldo da balança do setor foi superavitário em US$ 81,86 bilhões, ante os US$ 71,31 bilhões do ano anterior. Foi o segundo maior saldo da balança do agronegócio da história, inferior apenas ao registrado em 2013 (R$ 82,91 bilhões).

O agronegócio no país compreende desde o pequeno até o grande produtor, reunindo atividades de fornecimento de bens e serviços à agricultura, produção agropecuária, processamento, transformação e distribuição de produtos de origem agropecuária até o consumidor final.

Sob sua gestão se encontram aspectos mercadológico, tecnológico, científico, ambiental e organizacional do setor produtivo e também dos setores de abastecimento, armazenagem e transporte de produtos das safras agrícolas, além da gestão da política econômica e financeira do agro.

Com a integração do desenvolvimento sustentável e da competitividade, o Mapa visa à garantia da segurança alimentar da população e a produção de excedentes para exportação,

O ministério conta com quatro secretarias, 27 superintendências estaduais, unidades locais, rede de seis laboratórios, além de duas vinculadas, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que abrigam cerca de 11 mil servidores espalhados por todo o Brasil.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) são empresas públicas que atuam sob ingerência e coordenação do Mapa. Também são entes descentralizados do ministério, organizados sobre a forma de sociedades de economia mista, as Centrais de Abastecimento de Minas Gerais S.A (Ceasa/MG), a Companhia de Armazéns, Silos de Minas Gerais (Casemg), Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). O ministério coordena ações e políticas de 28 Câmaras Setoriais e 8 Câmaras Temáticas relacionadas aos diversos setores produtivos do agronegócio brasileiro. (As informações são do Mapa)

 

Regulação: Portal permite acompanhar temas para 2018 

Agenda Regulatória - A nova página de acompanhamento da Agenda Regulatória 2017-2020 (AR 2017-2020) permite que qualquer cidadão conheça as atividades regulatórias da Anvisa, o que envolve cada tema e saiba o que estará acontecendo ao longo do ano no processo de regulação. 

O conteúdo no portal da Anvisa foi remodelado e apresenta, de maneira simples e objetiva um descritivo sobre o tema que está sendo regulado, os problemas inicialmente identificados e, dentro de cada processo de regulação, exibe o cronograma previsto para 2018, com as etapas e as atividades relacionadas ao fluxo regulatório.

Acompanhamento
A lista de 126 temas da Agenda Regulatória (AR) para o quadriênio 2017-2020 foi aprovada pela Diretoria Colegiada da Anvisa e publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 6 de dezembro de 2017 (confira a publicação na íntegra ou a lista de temas em PDF). A inserção de um tema na AR é a primeira etapa do processo de regulação. Durante o processo é incentivada a participação colaborativa de toda a população e por isso é importante ter transparência e permitir o acompanhamento dos temas da Agenda. Para conferir as informações disponíveis, basta acessar no menu do portal da Anvisa na área de Regulamentação/Agenda Regulatória/ Acompanhamento dos temas (http://portal.anvisa.gov.br/2017-2020/temas) e, no painel exibido, escolher a área de atuação do seu interesse entre os 15 macrotemas da Agenda Regulatória da Agência. Nesta área é apresentada a lista de temas que serão regulados, informações descritivas de cada um e, em seguida, os processos regulatórios relacionados e o cronograma previsto de atividades para este ano. Para mais informações é possível acessar o arquivo com a ficha de planejamento completa sobre o tema. 

A cada atualização, o indicativo da versão da ficha também será alterado. O conteúdo de alguns temas ainda está sendo trabalhado pelas gerências da Anvisa e, assim que for finalizado, as fichas serão incorporadas ao Portal. O objetivo é ampliar o acompanhamento da Agenda com monitoramentos semestrais e assim garantir ainda mais transparência e informações ao público sobre os temas em andamento, já concluídos ou mesmo com indicativo para arquivamento. (Anvisa) 

Argentina - Os produtores insistem em um preço de referência para o leite 
Produção/AR - Estiveram reunidos em Buenos Aires com os ministros das seis províncias que concentram a produção de leite da Argentina. Os produtores precisam construir um horizonte para o setor que se encontra estagnado há vários anos. Na reunião com os ministros das províncias, os produtores de leite reivindicaram preço de referência para o leite cru, políticas bem definidas para o setor lácteo e o compromisso de que as obras de infraestruturas seriam realizadas pelas províncias para melhorar o acesso às fazendas e as estradas das distintas bacias leiteiras. Na reunião, que foi realizada na Província de Santa Fe em Buenos Aires, "foram reiteradas reivindicações que são feitas pelos produtores de leite, há anos, como contar com um mercado mais transparente, com preços de referência e que sejam pagos por sólidos e não por litro de leite, que é uma forma de reconhecer a qualidade", contou ao Clarín rural, Roberto Tion, o secretário de pecuária de Santa Fe. A maioria das reivindicações foi resumida no trabalho apresentando pela Confederação Rural Argentina (CRA), que também vê a necessidade de estabelecer um projeto base para o setor lácteo. "As província também se comprometeram a resolver problemas pontuais em estrada, vias e infraestrutura", assegurou Tion. De imediato, a principal reclamação é em relação ao preço do leite fluido. Os produtores estão recebendo entre 6,70 e 7,00 pesos por litro, e asseguram que precisam de mais de 8 pesos para "cobrir" os custos de produção e tornar o empreendimento viável. (agrositio - Tradução Livre: www.terraviva.com.br)

Porto Alegre, 27 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.787

MENOS PESSOAS EM UM CAMPO MAIS MECANIZADO

Pela primeira vez, um censo agropecuário indicou menos de um milhão de pessoas ocupadas em estabelecimentos agropecuários no Rio Grande do Sul. Em 11 anos, o meio rural gaúcho perdeu mais de 248 mil trabalhadores, cerca de 20% do total - possivelmente atraídos por oportunidades na cidade. Os números divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) retratam uma realidade cada vez mais visível no campo: a intensificação da atividade, com o uso crescente de máquinas e equipamentos, e a migração urbana.

- O investimento em tecnologia requer menos mão de obra. Outro fator que explica a redução da ocupação é o fenômeno migratório, com cada vez menos pessoas dispostas a ficar na zona rural - afirma Cláudio Sant'Anna, coordenador técnico do Censo Agropecuário 2017 no Estado.

Os dados da pesquisa mostram que a diminuição dos postos de trabalho foi impactada pelo avanço da mecanização e de tecnologias. O número de tratores aumentou quase 50% no Estado, chegando a 242 mil unidades em 2017. No país, a variação foi semelhante, chegando a marca de 1,2 milhão de unidades. Entre 2006 e 2017, para cada trator adquirido no Estado, três empregos foram eliminados.

- A concentração do número de propriedades, diante da dificuldade dos pequenos competirem, também favoreceu a mecanização e, consequentemente, a menor necessidade de pessoas no campo - acrescenta Nicole Rennó, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), que faz acompanhamento trimestral da ocupação no agronegócio. A pesquisadora pondera que a queda do número de trabalhadores é maior dentro da porteira do que fora dela - onde se configura o agronegócio. Nas agroindústrias e nos agrosserviços, a tendência de redução de trabalhadores é bem inferior.

- A indústria e os serviços não tiveram uma mudança estrutural na atividade que dispensasse a necessidade de mão de obra, ou seja, a modernização foi menor - destaca a pesquisadora. O avanço da mecanização pode ser relacionado, ainda, com o aumento da produtividade da agropecuária brasileira, que cresce a taxas superiores ao restante da economia. (Zero Hora /Valor econômico)

 
 
 
 

Consultas públicas tratam de segurança alimentar

Segurança alimentar - A Anvisa abre hoje (25/7) o prazo para contribuições para duas consultas públicas. Uma delas, a CP 541, é uma proposta de texto da futura Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) que irá firmar os critérios microbiológicos para alimentos. A outra, a CP 542, é a Instrução Normativa (IN) que trará a lista de critérios estabelecidos.

Os critérios microbiológicos das futuras RDC e IN são aqueles utilizados para validar as medidas de controle adotadas durante a preparação dos alimentos e para definir a aceitabilidade do processo de produção e a segurança do produto final para quem o consome. Critérios microbiológicos servem de parâmetro de aceitação do produto nas ações de fiscalização das vigilâncias sanitárias dos estados e dos municípios, que junto com a Anvisa compõem o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), ou para verificar se as medidas de controle adotadas pelas empresas da cadeia produtiva de alimentos são efetivas.

RDC
A futura RDC será voltada à segurança alimentar e a minimizar o impacto de potenciais perigos alimentares na saúde dos consumidores. A nova norma irá atualizar a RDC 12/2001, que hoje regulamenta esse tema. Ela indica os microrganismos que devem ser avaliados e os limites de aceitação por categorias de alimentos. O que se propõe agora é atualizar a RDC 12/2011 porque os critérios microbiológicos precisam ser revistos ou complementados periodicamente, para atender aos progressos da ciência e da tecnologia de alimentos, às alterações da ocorrência dos micro-organismos patogênicos, às evidências epidemiológicas e ao perfil demográfico dos consumidores, bem como aos resultados de avaliações de risco.

A proposta de revisão da RDC 12/2001 foi elaborada considerando os critérios microbiológicos atualmente estabelecidos por organismos internacionalmente reconhecidos, como as normas adotadas pela União Europeia, Codex Alimentarius e International Commission on Microbiological Specificaons for Foods (ICMSF). As propostas que estão em consulta pública, a CP 541 e CP 542, foram previamente discutidas com diversos segmentos da sociedade, por meio de reuniões técnicas. (Anvisa)

Greve dos caminhoneiros no Brasil prejudicou vendas da Nestlé

A greve dos caminhoneiros no Brasil, no fim de maio deste ano, contribuiu para prejudicar o desempenho das vendas da suíça Nestlé no primeiro semestre de 2018. A companhia informou, em balanço divulgado nesta quinta-feira, 26, que as vendas no Brasil recuaram para 1,72 bilhão de francos suíços entre janeiro e junho, queda de cerca de 15,7% na comparação com os 2,04 bilhões de francos suíços em igual período de 2017.

De acordo com a empresa, a América Latina apresentou crescimento orgânico positivo, mas desacelerou em comparação com o ano anterior. A greve no Brasil "interrompeu as operações e a distribuição e reduziu o crescimento na região em cerca de 80 pontos-base no segundo trimestre". Mesmo assim, com ajuda das demais regiões, a companhia teve crescimento orgânico de 1% na zona geral das Américas. Analistas esperavam queda de 0,5%.

A greve dos caminhoneiros parou o País no fim de maio, com os motoristas protestando contra o aumento nos preços do diesel e exigindo o fim da política de ajuste diário de preços dos combustíveis da Petrobras. Após a paralisação, o então presidente da estatal, Pedro Parente, pediu demissão.

A Nestlé registrou lucro líquido de 5,8 bilhões de francos suíços (US$ 5,84 bilhões) no primeiro semestre de 2018, uma avanço de 18% na comparação com o reportado em igual intervalo do ano passado, de 4,9 bilhões de francos suíços. O resultado foi influenciado principalmente pela receita com alienações, impostos mais baixos e melhor desempenho operacional. O lucro por ação no período subiu 21,4%, para 1,92 franco suíço.

O desempenho superou as estimativas de analistas, que apostavam na estabilidade das vendas no semestre na comparação com igual semestre do ano anterior. Após a divulgação, as ações da companhia chegaram a subir pouco mais de 1%.

As vendas no primeiro semestre foram de 43,92 bilhões de francos suíços, aumento orgânico de 2,8%. De acordo com o CEO da Nestlé, Mark Schneider, a estimativa é aumentar ainda mais o crescimento orgânico no segundo semestre. "Esperamos melhoria das margens com novos benefícios de nossos programas de eficiência e preços mais favoráveis para as commodities", disse. (As informações são do portal Exame)

Alimentação na América Latina: maior parte da população almoça e janta em casa
Os latino-americanos gastam 8% de seu tempo - pelo menos duas horas por dia - preparando refeições para si e suas famílias, com as pessoas passando mais tempo diante do fogão no Equador e na Bolívia. Os dados foram apurados pela Kantar Worldpanel. Segundo o levantamento, os consumidores da região fazem refeições em média 4 vezes ao dia, sendo o almoço a mais importante para 54% dos domicílios, seguido pelo café da manhã, que aparece com 36% no ranking de relevância. Em toda a América Latina, 10% das pessoas preparam refeições que são adaptadas para uma dieta especial - tais como sem glúten, baixo teor de sal ou dietas sem açúcar. Este valor é mais alto entre consumidores com 50 anos ou mais (15%). Reduzir a quantidade de gordura também é importante para a população da região, com 7% escolhendo as refeições porque são leves ou com pouca gordura. Por exemplo, na França comer menos carne e menos produtos animais ganhou popularidade, com pelo menos um membro em mais de um terço (34%) das famílias seguindo esta tendência. Os latino-americanos exigem produtos frescos. A primeira coisa que eles olham na etiqueta do produto é a data de validade: 59% verificam primeiro, enquanto 13% estão preocupados com a quantidade de açúcar, 11% com a quantidade de gordura e 11% com a quantidade de sal. Por causa da preocupação com a saúde, 30% dos consumidores latino-americanos mudaram seus hábitos alimentares no ano passado. Eles aumentaram o consumo de frutas e vegetais e reduziram o sal (20%), açúcar, frituras e carne vermelha, sendo que 5% parou de comprar refrigerantes e 4% parou de beber álcool. Enquanto 7% dos lares reduziram a quantidade de produtos lácteos em sua dieta, 4% aumentaram para tirar partido dos benefícios de uma dieta rica em cálcio. (As informações são da Kantar Worldpanel)

Porto Alegre, 26 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.786

Receita das maiores de lácteos do mundo subiu 7,2% em 2017

O faturamento combinado das 20 maiores empresas de lácteos do mundo avançou 7,2% em dólar no último ano, segundo o levantamento "Global Dairy Top 20", divulgado ontem pelo banco holandês Rabobank. O estudo mostrou ainda uma mudança no segundo lugar da lista das 20 maiores do segmento, que passou a ser ocupado pela francesa Lactalis. Além disso, de acordo com o Rabobank, as operações de fusões e aquisições em lácteos no mundo cresceram de forma expressiva em 2017. O primeiro lugar no ranking do Rabobank continua com a suíça Nestlé, que teve receita de US$ 24,2 bilhões em 2017. Mas a segunda na lista passou a ser a Lactalis, com faturamento de US$ 19,9 bilhões. 

 

A empresa tomou o posto da também francesa Danone, que fechou o ano passado com receita de US$ 17,6 bilhões. O levantamento ressalta que a apesar de a Nestlé seguir "reinando" no ranking, a diferença entre ela e a número dois se estreitou. A Lactalis subiu para o segundo lugar impulsionada pelas aquisições dos negócios de iogurte das americanas Stonyfield e Siggi. Já a Danone perdeu a posição depois de desinvestir na Stonyfield após a compra da fabricante de alimentos orgânicos WhiteWave, de reduzir sua fatia na Yakult e de vender participação na Al Safi Danone, joint venture na Arábia Saudita. Além disso, na Índia, a Danone decidiu focar em produtos de nutrição e vendeu sua fábrica de lácteos a um player local. A cooperativa Fonterra, da Nova Zelândia, subiu para o quinto lugar no ranking da "Global Dairy Top 20", ligeiramente à frente da holandesa FrieslandCampina, que caiu para a sexta colocação. A escandinava Arla Foods permaneceu em sétimo, apesar da aquisição da joint venture com a SanCor e da nova sociedade com a Indofood.

De acordo com levantamento, a recuperação dos preços dos lácteos em 2017 permitiu o crescimento do faturamento combinado das 20 maiores de lácteos no mundo. E as operações de fusões a aquisições no setor cresceram estimuladas pela disponibilidade de capital barato, como também ocorreu em outras áreas. Contudo, destaca o banco, os "meganegócios" concretizados em 2017 - Danone/WhiteWave e Saputo/Murray Goulburn - tiveram impacto limitado no ranking do "Global Dairy Top 20". Como resultado, afirma o relatório, não há novos entrantes na lista das 20 maiores de lácteos pelo segundo ano consecutivo, o que indica dificuldade de romper o limite de US$ 5 bilhões (valor do faturamento da vigésima colocada na lista). Houve 127 negócios de fusões e aquisições no setor de lácteos no mundo em 2017, conforme o levantamento, ante 81 transações em 2016. Até a metade deste ano, segundo o Rabobank, o número de negócios no segmento está em 62, com quase metade ocorrendo na Europa. 

Em 2017, diz o banco, o valor das transações ficou abaixo do ano anterior devido ao menor número de grandes operações. Além disso, alguns dos maiores negócios no setor não incluíram empresas que fazem parte do Global Dairy Top 20, como a aquisição da brasileira Vigor pela mexicana Lala. A aquisição da Itambé pela Lactalis, que está entre as maiores, está sub judice. O banco prevê que nas próximas décadas o mercado global de lácteos vai crescer ao menos 30% em volume e valor, como resultado do crescimento populacional, do aumento da renda e da urbanização. A avaliação é que o crescimento orgânico e as aquisições vão direcionar esse avanço. (Valor Econômico)

 
Escassez deixa defesa sanitária preocupada

A escassez da tuberculina, substância utilizada no diagnóstico de tuberculose bovina, tem causado apreensão no setor de defesa sanitária. Uma das alternativas para a continuidade dos testes é a adoção de importações emergenciais, o que vem sendo discutido pelo segmento junto ao Ministério da Agricultura. Pecuária e Abastecimento (Mapa). Nesta modalidade, as aquisições para situações ligadas à exportação foram liberadas. As demais estão em estudo. O cenário preocupa tanto pelo combate à enfermidade quanto pela proximidade da Expointer, já que os animais devem obrigatoriamente apresentar exame negativo para a doença para participar da exposição, que começa daqui a um mês. O problema no abastecimento deve-se a uma demanda superior à oferta no país, segundo o superintendente do Mapa/RS, Bernardo Todeschini. Além disso, a produção da substância no país não teve nenhum incremento. 

Há apenas um laboratório produzindo o material, o Instituto Biológico de São Paulo, que prioriza o atendimento daquele estado. A expectativa é de que uma nova empresa, de origem argentina, comece a operar no país em setembro. "Isso deve começar a colocar tuberculina no mercado a partir de janeiro", aponta Todeschini. Com relação às importações emergenciais, o superintendente ressalta ser necessário que empresas com a intenção de executar a operação procurem o Mapa para manifestar interesse. O diretor de Defesa Agropecuária da Secretaria Estadual da Agricultura, Antonio Carlos de Quadros Ferreira Neto, destacou a necessidade de que o assunto seja solucionado o quanto antes, mas ressaltou que a intenção é trabalhar em conjunto com a Superintendência do Mapa no Rio Grande do Sul. (Correio do Povo)
 
 

Agroindústrias investem em caminhões

Alvo de duras críticas de produtores, agroindústrias e tradings, a tabela de preços mínimos de fretes rodoviários que aguarda sanção do presidente Michel Temer, estimula um número cada vez maior de projetos que preveem a criação ou o reforço de frotas próprias de caminhões para o escoamento das safras. Para cargas a granel como soja e milho, os valores de fretes para longas distâncias até agora propostos representam, em média, altas de cerca de 30% a 50% em relação aos que vinham sendo praticados, de acordo com estimativas. Maior exportadora de soja brasileira, a americana Cargill, que desde a primeira versão da tabela de fretes, usada por Brasília para encerrar definitivamente a recente greve dos caminhoneiros, posicionou-se veementemente contra o tabelamento, voltou a sinalizar que poderá investir em uma frota própria para entrar em operação já nesta safra 2018/19. "Com o tabelamento, indústrias e exportadores terão que repensar a forma como irão operar no Brasil", disse, em comunicado, Paulo Sousa, diretor de grãos e processamento da companhia para a América Latina. Segundo ele, a intervenção do governo no mercado de fretes cria "uma ruptura no funcionamento natural da cadeia de suprimentos e desequilibra os contratos, a ponto de comprometer a confiança na expansão sustentável do agronegócio", além de abrir caminho "para oportunistas trabalharem na informalidade". 

Nesse contexto, a Cargill reforçou que analisa para a safra 2018/19 adquirir frota própria de caminhões e contratar motoristas. A paranaense Coamo, maior cooperativa agrícola da América Latina e outra grande exportadora de grãos, tem sobre a mesa um projeto até mais avançado. O grupo, com sede no município de Campo Mourão, acaba de fechar a aquisição de 152 novos caminhões, que já havia sido aprovada para renovar sua frota própria de 280 veículos. Mas a Coamo só decidirá se de fato seguirá o roteiro previsto e venderá um número semelhante ao total adquirido, que estará à disposição até janeiro, depois que uma tabela definitiva de fretes entrar em vigor. Além dos caminhões próprios, a Coamo opera uma "frota dedicada" de cerca de 600 veículos que pertencem a transportadoras. 

A cooperativa, que movimenta mais de 10 milhões de toneladas de cargas a granel anualmente, também contrata junto a transportadoras serviços para agilizar o escoamento em picos de colheita e, eventualmente, recorre a fretes no mercado spot. A frota própria, composta basicamente por bitrens de sete eixos, responde por 15% da movimentação total de cargas a granel do grupo. Segundo Airton Galinari, superintendente de logística e operações da Coamo, os últimos valores apresentados pelo governo para os fretes chegam a representar aumentos de 80% a 100% em relação aos custos da frota própria - que normalmente opera em curtas distâncias, nas rotas que chegam às cerca de 60 lojas de insumos, peças e maquinários da cooperativa no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul - e de 50% na comparação com os custos da "frota dedicada" de 600 caminhões. Maior empresa de proteínas animais do país, a JBS também está se mexendo por causa do encarecimento dos fretes rodoviários. A companhia acaba de fechar a aquisição de 360 caminhões e estuda ampliar essas compras caso os fretes não sejam revistos, disse uma fonte próxima à empresa de carnes. A frota própria da JBS - que, procurada, preferiu não comentar o assunto - representa mais ou menos um terço do número total de caminhões utilizados em suas operações. Fontes do setor de agronegócios consultadas pela reportagem nos últimos dias afirmaram que é difícil encontrar produtores ou empresas que não estejam avaliando contar com transporte próprio para amenizar a alta dos fretes. Exemplo desse movimento são os laticínios, que reclamam do grande peso dos custos com transporte em suas contas.

 "O setor do leite trabalha exclusivamente com transporte rodoviário e não tem alternativa. Dessa forma, o impacto será mais expressivo no produto", afirmou Alexandre Guerra, presidente do Sindilat, que representa os laticínios gaúchos e defende a livre negociação dos fretes. "Não existe espaço para a adoção de tabelas de valores mínimos. Esse custo quem vai pagar é o consumidor", acrescentou ele em comunicado. O Sindilat confirmou que, para driblar a alta nos custos, algumas empresas do segmento estudam absorver a atividade de transporte ou pelo menos parte dela - alguns laticínios já são responsáveis pela captação do leite nas fazendas produtoras. Para o dirigente, o risco é que o encarecimento do frete leve à revisão de rotas de coleta de leite, o que poderia até acarretar abandono de áreas de pouco volume de produção da matéria-prima. Outra que se debruça sobre a equação dos custos de transporte é a Copersucar, maior comercializadora de açúcar e etanol do país. "Achamos que a chance do tabelamento dar certo é nenhuma. Mas, no limite, faríamos frotas próprias", afirmou Paulo Roberto de Souza, presidente da companhia, ao Valor. Segundo ele, a Copersucar é menos atingida pela medida porque 60% de sua movimentação já se dá por meio de ferrovias. Mas o restante é movimentado em rodovias e justificaria uma frota própria. (Valor Econômico)  

 

Safrinha prejudicada no PR
A estiagem provocou quebra de 22,7% na produção da segunda safra de milho no Paraná. A previsão para a colheita caiu de 12 milhões para 9,2 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. Mesmo assim não haverá escassez no país, que deve produzir quase 83 milhões de toneladas para um consumo próximo de 60 milhões de toneladas, segundo a Conab. O diretor executivo da Facoagro, Sérgio Feltraco, diz que a quebra paranaense tem influência para o comprador de milho, que paga mais pelo grão dependendo da distância e das condições mercadológicas específicas do lugar onde vai buscá-lo. (Correio do Povo)