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Porto Alegre, 11 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.586


Reguladores aprovam megacordo de compra entre Fonterra e Lactalis

A venda da divisão de consumo da Fonterra para a Lactalis foi aprovada pelas autoridades regulatórias e, agora, o acordo deve ser concluído ainda no primeiro trimestre deste ano. Essa movimentação consolida o objetivo da cooperativa da Nova Zelândia em focar nos seus serviços B2B.

O contrato de NZ$4,22 bilhões (US$2,5 bilhões) vende para a Lactalis maior parte dos negócios de consumo da Fonterra, além de parte de suas operações de foodservice e ingredientes na Austrália, Oceania, Oriente Médio, África e sudeste asiático.

A transação inclui um retorno de ações de NZ$2,00 e proporcionará aos acionistas agricultores um retorno total de capital de NZ$3,2 bilhões, equivalente a cerca de NZ$393.000 por fazenda.

Enquanto isso, a Fonterra espera distribuir os lucros gerados durante o último ano fiscal como dividendo especial, informou a cooperativa em fevereiro.

“Estamos finalizando nossas contas intermediárias e podemos indicar que esperamos que o dividendo especial do Mainland esteja na faixa de 14-18 centavos por ação, refletindo o desempenho operacional do negócio Mainland durante o primeiro semestre deste ano, impulsionado pela gestão contínua de custos e preços favoráveis de commodities de entrada”, disse o CEO Miles Hurrell.

“Isso permanece sujeito à data de liquidação da transação e à finalização de nossas demonstrações financeiras e processo de auditoria.”

O que vem a seguir para Fonterra e Lactalis?

Já se passaram quase dois anos desde que a Fonterra anunciou uma mudança estratégica significativa, buscando transferir seu foco de produtos lácteos como commodities para ingredientes de maior valor agregado e foodservice.

Esse movimento foi precedido por anos de consolidação no setor, culminando com a decisão de vender seu portfólio de negócios de consumo, foodservice e outras atividades auxiliares — conhecidos coletivamente como Mainland Group — para a Lactalis, a maior empresa global do setor lácteo em termos de faturamento.

O processo de venda foi acompanhado de perto pela indústria ao longo de 2025, e inicialmente a Fonterra avaliou tanto uma venda privada quanto um IPO.

A liderança da cooperativa visitou mercados selecionados na Austrália e Oceania para sondar investidores, apoiada por um forte desempenho fiscal do Mainland Group, antes de optar pela venda privada como a forma mais simples de se desfazer de todos os negócios colocados à venda de uma só vez.

A Lactalis acabou sendo a vencedora da disputa, depois que a multinacional francesa também havia adquirido, no início daquele verão, o negócio de iogurtes da General Mills nos Estados Unidos.

O acordo reforça significativamente a posição já dominante da Lactalis no mercado global de laticínios, dando à empresa uma presença mais forte em mercados onde antes tinha apenas participação marginal. Ao mesmo tempo, a empresa manterá sua relação de fornecimento com a Fonterra por meio de vários contratos de longo prazo, tornando-se um dos maiores clientes da cooperativa neozelandesa e ajudando a garantir estabilidade de fornecimento.

Enquanto isso, a Fonterra poderá concentrar seus esforços em manter o crescimento nas áreas de ingredientes e foodservice, incluindo investimentos para ampliar a capacidade produtiva e maior foco em produtos lácteos de alto valor agregado.

Essa estratégia já trouxe resultados fortes no último ano fiscal, quando o CEO Miles Hurrell anunciou um programa de investimentos de quatro anos voltado a ampliar a capacidade industrial.

Na ocasião, queijos e proteínas foram os principais destaques de desempenho. Com a demanda contínua sustentando o crescimento, a cooperativa agora está posicionada para direcionar ainda mais investimentos para esses motores de expansão, à medida que se transforma em uma empresa mais enxuta e focada em ingredientes.

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.


Chuvas intensas no final do verão e início antecipado do El Niño acendem alerta climático

Chuvas intensas, ondas de calor e mudanças no padrão climático podem marcar o ano de 2026 no Brasil. Alertas recentes e projeções meteorológicas indicam que a combinação entre a atuação da ZCAS e a possível chegada antecipada do El Niño pode trazer uma sequência de eventos extremos nos próximos meses.

Na última segunda-feira, 9 de março, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um alerta de perigo para chuvas intensas em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país, além de pontos da Amazônia e do oeste da Bahia. O aviso surge em um momento de atenção para o clima no país. 
Nas últimas semanas, tempestades e episódios de alagamento atingiram estados como Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo, reforçando a sensação de um fim de verão particularmente instável em 2026.

Especialistas atribuem parte das chuvas intensas registradas nas últimas semanas à atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Esse sistema meteorológico forma um corredor de nuvens que se estende da Amazônia até o Atlântico Sul, atravessando a faixa central do Brasil.

Quando esse corredor de umidade se encontra com temperaturas elevadas na superfície do oceano e na atmosfera, o ambiente torna-se favorável à formação de nuvens carregadas e episódios prolongados de precipitação. Esse tipo de configuração costuma provocar volumes expressivos de chuva em curto período, aumentando o risco de alagamentos e transtornos urbanos.

El Niño pode antecipar mudanças no padrão climático

Se as últimas semanas já chamam atenção pelo volume de chuva, o cenário climático para os próximos meses também merece monitoramento. Projeções indicam que os efeitos do El Niño podem começar a ser sentidos mais cedo do que o habitual em 2026, possivelmente já a partir de maio.

Segundo o meteorologista Vinicius Lucyrio, da Climatempo, as projeções atuais apontam para um evento climático com intensidade significativa.

“Possivelmente, o El Niño este ano terá um início acelerado, e a expectativa é de que seja, no mínimo, um evento climático com intensidade de moderada a forte”, afirma o meteorologista.

Uma das principais preocupações associadas ao fenômeno é o aumento da frequência de temporais severos. Com o ar e as águas do oceano mais quentes, cresce a disponibilidade de energia na atmosfera: um fator que pode intensificar eventos climáticos extremos.

Ondas de calor e tempestades no horizonte

As projeções indicam que o Brasil pode voltar a enfrentar um padrão semelhante ao observado em 2023, marcado por extremos climáticos mais frequentes.

De acordo com Lucyrio, a tendência é de que, a partir do final do inverno e ao longo da primavera de 2026, ocorram episódios prolongados de calor intenso e períodos de tempo seco em grande parte do interior do país. Ao mesmo tempo, outras regiões podem experimentar o efeito oposto.

No Sul, por exemplo, o inverno já pode apresentar aumento da instabilidade, com maior presença de nuvens e tempestades. Eventos de chuva abrangente, com potencial para enchentes, e sistemas convectivos intensos tendem a se tornar mais frequentes na primavera. Parte dessa instabilidade também pode alcançar estados como Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Um ano de extremos climáticos?

O conjunto dessas projeções sugere que 2026 pode ser marcado por uma alternância mais intensa entre eventos climáticos extremos, com episódios de chuva forte, ondas de calor prolongadas e períodos de seca em diferentes regiões do país.

Embora previsões climáticas sempre carreguem incertezas, o cenário atual reforça a necessidade de acompanhamento constante das condições meteorológicas. Em um contexto de oceanos cada vez mais quentes, a tendência é que fenômenos naturais como ZCAS e El Niño tenham impactos cada vez mais perceptíveis no cotidiano das cidades e das atividades econômicas.

As informações meteorológicas são do Instituto Nacional de Meteorologia e Climatempo, adaptadas pela equipe MilkPoint.

 

Sooro Renner recebe R$ 197,6 milhões do BNDES para ampliar produção de lactose e whey no Paraná

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 197,6 milhões para a Sooro Renner Nutrição S/A ampliar a produção de lactose e whey protein na sua unidade em Francisco Beltrão (PR). Os recursos serão usados na implantação de uma estação de tratamento de efluentes com produção de biogás para geração de energia térmica na empresa.

A medida reduz o consumo de biomassa e as emissões de gases de efeito estufa da unidade. Essa será a primeira indústria brasileira a produzir ingredientes lácteos com altíssimo padrão de qualidade e pureza exigidas para o segmento no mercado. Os itens são usados em fórmulas infantis e alimentos especiais, de acordo com o BNDES. A tecnologia empregada no projeto utiliza água de reúso, extraída da própria matéria-prima, o soro de leite, e gera uma economia de um milhão de litros de água por dia.

“Ao apoiar esse projeto o BNDES fomenta a modernização da produção de derivados de alto valor agregado, que é o caso da whey protein, a proteína do soro do leite, reduzindo a dependência de importações”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Os recursos são oriundos do Finem, BNDES Mais Inovação e Fundo Clima. O projeto também deverá gerar impactos positivos no mercado de trabalho e na economia regional. A iniciativa prevê a criação de cerca de 250 empregos diretos ao longo da execução, além de aproximadamente 1.250 vagas indiretas associadas às obras e à cadeia produtiva. (Globo Rural via Valor Econômico)


Jogo Rápido

Piracanjuba ProForce anuncia patrocínio estratégico à FURIA
A Piracanjuba ProForce oficializou uma parceria estratégica com a FURIA, um dos maiores clubes de esportes e entretenimento do mundo, assumindo o posto de patrocinadora oficial da organização. A iniciativa marca a entrada definitiva da marca de bebidas proteicas no universo dos esportes eletrônicos e das competições de alto rendimento, visando estreitar o diálogo com as novas gerações e comunidades conectadas ao cenário digital. Segundo Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba, a escolha é um passo estratégico para acompanhar as mudanças nos hábitos de consumo e nos estilos de vida dos jovens. Do lado da FURIA, o diretor comercial Pedro Lopes destacou que a chegada da ProForce reforça o momento de expansão da organização, que busca parceiros capazes de construir conexões reais com seu ecossistema, unindo os conceitos de performance e identidade. Reconhecida internacionalmente, a FURIA atua em diversas frentes, incluindo modalidades como Counter-Strike, VALORANT e League of Legends, além de competições físicas como o Futebol 7 e a Porsche Cup. Para a Piracanjuba, a associação consolida seu posicionamento em contextos que unem esporte e cultura, reforçando a premissa de que o movimento e o equilíbrio são fundamentais para a evolução constante, tanto dentro quanto fora dos jogos. (ASCOM Piracanjuba editado pelo Sindilat)


Porto Alegre, 10 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.586


Sindilat/RS marca presença em debates sobre produção, inovação e sustentabilidade na Expodireto

Nesta quinta-feira, 10/03, o Sindilat/RS esteve presente na Expodireto Cotrijal, representado pelo secretário-executivo Darlan Palharini, que participou de uma série de agendas voltadas ao setor produtivo. 

Pela manhã, Palharini participou do 36º Fórum Nacional da Soja, promovido conjuntamente pela FecoAgro/RS, Cotrijal e CCGL, com apoio do Sistema Ocergs/Sescoop-RS. O encontro debateu o cenário e a conjuntura do setor, reunindo lideranças e especialistas do agronegócio. O secretário-executivo também acompanhou o lançamento do programa Campo Inovador – Leite e Derivados. A iniciativa, desenvolvida pelo Sebrae RS e conduzida pela Regional Noroeste, é voltada à principal bacia leiteira do Estado e busca conectar desafios da cadeia produtiva a soluções desenvolvidas por jovens, universidades, escolas técnicas, produtores e startups. 

À tarde, o dirigente participou do 10º Fórum Estadual de Conservação do Solo e da Água. O encontro, realizado pela CCGL, Cotrijal, Rede Técnica Cooperativa (RTC) e Embrapa, reuniu especialistas, produtores e representantes do agronegócio para discutir práticas sustentáveis e a conservação dos recursos naturais no Rio Grande do Sul. Na sequência, esteve presente na reunião com o setor produtivo e no lançamento da Fase 3 do Programa Irriga + RS. Durante a tarde, também atendeu a demandas de agendas com a imprensa. A programação da Expodireto Cotrijal segue até a próxima sexta-feira, 13/03/2026. (As informações são do Sindilat/RS)


Petróleo puxa alta de etanol e açúcar, mas incertezas dominam a indústria

Entre agentes de mercado, expectativa é de que conflito no Oriente Médio leve Petrobras a reajustar gasolina, o que evitaria a queda de preços na nova safra

Ontem, depois que o preço do barril do petróleo rompeu a barreira de US$ 100, ganhou corpo entre agentes da indústria sucroenergética a leitura de que a Petrobras poderia reajustar o preço da gasolina, o que deu sustentação ao etanol no mercado interno e ao açúcar no front internacional. Porém, as perspectivas para esses mercados ainda são turvas dadas as declarações erráticas do presidente americano Donald Trump sobre o conflito no Oriente Médio, deflagrado após Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã, há pouco mais de uma semana.

Por ora, analistas dizem que o choque decorrente do conflito pode impedir que os preços de etanol e açúcar caiam nos próximos meses. Esse movimento das cotações iria no sentido oposto das expectativas iniciais.

No mercado interno, os preços do etanol, que caíram em fevereiro sob a expectativa de antecipação da moagem de cana-de-açúcar, passaram a subir neste mês. O indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado vendido pelas usinas de São Paulo (sem impostos) subiu 3,13% na semana de 2 a 6 de março, em relação à anterior, para R$ 2,9352 o litro.

O açúcar também reagiu ontem. Os contratos do demerara que vencem maio subiram 3,48% na bolsa de Nova York, a 14,59 centavos de dólar a libra-peso.

Para analistas, ainda é cedo para estimar o efeito no médio e longo prazos do conflito no Oriente Médio sobre os mercados de açúcar e etanol, uma vez que ainda não se sabe quando, e se, a Petrobras reajustará a gasolina. Se a estatal fizer alguma alteração, no mínimo isso deve impedir uma queda mais significativa do etanol nos próximos meses, como se esperava.

“Com o preço do petróleo a US$ 100, se a Petrobras fizer o repasse integral, isso praticamente anularia toda a queda que prevíamos [para o preço do etanol na safra]”, disse Cristian Quiles, analista da consultoria FG/A. Em suas projeções, se a Petrobras repassasse o US$ 100 por barril ao mercado interno, o preço da gasolina A, às distribuidoras, subiria cerca de R$ 1 o litro, e o efeito no preço médio do etanol hidratado da safra 2026/27 seria de uma alta de R$ 0,50 o litro.

Para Quiles, a tendência é que o preço do etanol se ajuste de forma a manter uma correlação de 64% a 65% em relação à gasolina ao longo da próxima safra, devido à alta oferta esperada. A FG/A estima que as usinas de cana vão produzir 4 bilhões de litros a mais do que na safra 2025/26, e as de milho, 1,7 bilhão de litros a mais.

Segundo Rafael Borges, analista da StoneX, o preço do etanol começou a cair em fevereiro — na contramão do que ocorre nessa época, quando a oferta recua —, diante da expectativa de que as usinas antecipassem a moagem para aproveitar os preços do biocombustível, mais favoráveis que o açúcar. “Com o conflito, os preços voltaram a subir”, disse.

Em fevereiro, os preços do etanol vendido pelas usinas de Ribeirão Preto saíram de R$ 3,75 o litro para R$ 3,45, segundo a StoneX. Já nos últimos dias, os preços voltaram a R$ 3,60 o litro, refletindo a expectativa de impacto da guerra — embora as incertezas tenham reduzido o volume de negócios.

Tendência
Para Borges, porém, a tendência para o etanol ainda é de queda na primeira metade da safra. “Mesmo que tenha reajuste [da Petrobras], a safra vai ter oferta recorde. Só de etanol de milho serão 2 bilhões de litros a mais”, afirmou. Em sua análise atual, o preço do etanol terá que cair para assegurar competitividade suficiente em relação à gasolina nas bombas e demanda para todo o etanol que for produzido.

Já as cotações do açúcar só reagiram ontem, após mais de uma semana de conflito. Para o analista da StoneX, o preço do açúcar deve se guiar pelo tamanho da safra de cana de 2026/27 no Centro-Sul e pelo mix — que, a princípio, deve ser menos açucareiro. “Se o etanol remunerar mais, o mix tende a ser menos açucareiro”, disse.

Mas os analistas ponderam que se trata ainda de um cenário muito volátil. Ontem, no fim da tarde, Trump declarou que a guerra estaria “praticamente concluída”, o que provocou uma reviravolta nos mercados. Os futuros do petróleo, que bateram os US$ 120 o barril no meio do pregão, caíram abaixo dos US$ 100 o barril no fim do dia.

“Não é uma volatilidade qualquer”, afirmou Tarcilo Rodrigues, sócio da Bioagência. Para ele, ainda que o cenário mude, “dificilmente” os preços do petróleo voltarão para onde estavam devido ao “prêmio de risco” — há um mês, o Brent estava em US$ 70 o barril. (Globo Rural)

 

Após escassez de diesel, postos enfrentam corte no fornecimento de gasolina

Origem do problema está na disparada de preços após o ataque ao Irã e a intensificação do conflito no Oriente Médio

O problema de escassez de diesel, principalmente nas lavouras, começa a chegar à gasolina. A coluna amanheceu nesta terça-feira (10) recebendo relatos de que distribuidoras estão suspendendo entrega do combustível aos postos. Em breve começará a falta na bomba ao consumidor se a situação não se resolver. Questionado, o sindicato que representa as revendas, o Sulpetro, diz que atualizará a situação ainda pela manhã com as distribuidoras, mas o presidente, João Carlos Dal'Aqua, afirma que ainda são casos pontuais e para postos que não têm convênio.

- Acho que a Petrobras vai se movimentar de alguma maneira. Ou vai importar ou vai flexibilizar preço (aumentar) para que os demais importem. Não há desabastecimento geral. As distribuidoras têm seus estoques para atender seus contratados, mas não este aumento de demanda - diz. 

Esse desajuste de mercado tem origem no preço. A coluna vem avisando dos sinais desde a metade da semana passada. Distribuidoras não querem importar diesel e gasolina porque os valores estão muito acima do que os cobrados pelas refinarias da Petrobras, que sinalizou no final da semana passada que não aumentaria agora com esta volatilidade. O setor diz que a estatal está limitando a venda em cotas. Há ainda a desconfiança de que distribuidoras estão retendo carga para vender com preço maior. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) diz que pedirá esclarecimentos — mas não diz quando —, pois a produção está suficiente. A Petrobras não comenta as cotas, mas diz estar entregando o que está programado. 

O preço do petróleo e do diesel disparou no mercado internacional após o fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã, por onde passa 20% da produção mundial. A situação crítica piorou com os ataques a refinarias e outras bases de produção, levando à redução da fabricação em países como Emirados Árabes Unidos e Kuwait. 

Na madrugada de segunda-feira (9), a cotação do petróleo saltou 30%. Só acalmou quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou antes do fechamento do mercado que a guerra está "praticamente concluída". Ainda que essa afirmação vá contra as anteriores do próprio Trump, fez o preço cair ao patamar do final da semana passada, mas não afasta a tensão e a volatilidade dos próximos dias. (Zero Hora)


Jogo Rápido

A FIERGS manifesta preocupação com as recentes informações sobre dificuldades na distribuição de combustíveis no Rio Grande do Sul
O abastecimento regular de diesel e de outros combustíveis é essencial para o funcionamento da indústria, da logística e das cadeias produtivas, especialmente em um momento estratégico para o agronegócio gaúcho. A situação exige atenção e monitoramento para possíveis impactos na economia do Estado. Seguiremos acompanhando a evolução do cenário e reforçamos a importância da atuação coordenada entre empresas do setor energético e autoridades públicas para assegurar a normalidade no abastecimento. Confira a nota completa no site da Fiergs, clicando aqui.


Porto Alegre, 09 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.585


Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto

Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP).

Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite.

No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.  

As inscrições com desconto podem ser feitas pelo link disponível no site do Sindilat, clicando aqui.


CONSELEITE MINAS GERAIS 

RESOLUÇÃO FEVEREIRO/2026 
 
 A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 25 de Fevereiro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: 
 
a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2025 a ser pago em Dezembro/2025 
b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Janeiro/2026 a ser pago em Fevereiro/2026 
c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Fevereiro/2026 a ser pago em Março/2026. 


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. 

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA 
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.

Lactalis aposta no colágeno para unir lácteos funcionais e longevidade

A nova bebida láctea pronta para beber com colágeno da Lactalis reforça uma tendência clara: a inovação em lácteos funcionais está cada vez mais conectada à saúde óssea e à mobilidade. Tradicionalmente associado à beleza e ao bem-estar, o colágeno ganha espaço em alimentos e bebidas com propostas mais amplas de cuidado com a saúde.

A nova bebida láctea pronta para beber com colágeno da Lactalis reforça uma tendência clara: a inovação em lácteos funcionais está cada vez mais conectada à saúde óssea e à mobilidade. Tradicionalmente associado à beleza e ao bem-estar, o colágeno ganha espaço em alimentos e bebidas com propostas mais amplas de cuidado com a saúde.
De cremes para café a barras proteicas e shots de bem-estar, o ingrediente vem sendo incorporado a diferentes categorias para agregar valor nutricional. Dados da Mintel mostram que, nos Estados Unidos, mais da metade dos lançamentos com colágeno destacam benefícios para pele, cabelo e unhas, enquanto mais de um quarto enfatizam seu teor proteico. Ao mesmo tempo, o ingrediente é fortemente associado à saúde óssea e articular, ampliando seu uso em produtos de nutrição esportiva e recuperação.

Nesse contexto, a Lactalis lançou na Espanha o Puleva Vita Calcio Colágeno, bebida láctea enriquecida com colágeno nativo tipo II e respaldo científico. Desenvolvido em parceria com a Bioiberica, o produto é o primeiro no mercado espanhol a trazer esse ingrediente em uma formulação pronta para beber, com dose diária de 40 mg — quantidade clinicamente associada a benefícios para as articulações.

Para Mónica Gómez Navarro, gerente de marketing da empresa, o diferencial está também no formato. Embora as cápsulas ainda sejam tradicionais, o consumidor tem migrado para opções mais práticas e agradáveis, como gomas, barras e shakes prontos. A busca por conveniência, somada ao maior interesse por saúde preventiva e ao envelhecimento populacional, impulsiona essa transformação.

Segundo ela, os avanços em tecnologia de alimentos e ciência da nutrição criam o cenário ideal para soluções funcionais inovadoras. A escolha da Espanha como mercado de lançamento também foi estratégica. A Europa lidera o consumo de lácteos, com média de 201 kg por pessoa ao ano, acima da América do Norte (181 kg). Além disso, a Espanha é o segundo maior produtor de leite fluido da União Europeia, respondendo por 15% da produção destinada ao consumo no bloco.

A marca já contava com o Puleva Calcio, posicionado para a saúde óssea. A inclusão do colágeno nativo tipo II surge, portanto, como uma extensão natural da linha, ampliando o foco para mobilidade e suporte às articulações.

Como o colágeno atua na saúde óssea e articular

O colágeno nativo tipo II e o colágeno hidrolisado são amplamente utilizados em formulações funcionais, mas atuam de formas distintas. Na forma nativa, a proteína mantém sua estrutura helicoidal tripla; já no colágeno hidrolisado, essa estrutura é fragmentada em aminoácidos e peptídeos.

Quando ingerido, o colágeno nativo tipo II age especificamente nas articulações, com mecanismo mediado pelo sistema imunológico ao nível da cartilagem, ajudando a modular a resposta do organismo ao colágeno endógeno. Sua especificidade permite eficácia com apenas 40 mg diários, enquanto o colágeno hidrolisado pode demandar doses de até 10 g por dia e apresenta atuação mais ampla, incluindo pele e ossos. Essa diferença torna o tipo II nativo mais versátil do ponto de vista de formulação.

Desafios na fortificação de lácteos

Apesar do potencial, incorporar colágeno a matrizes lácteas envolve desafios técnicos relevantes. Processos como o UHT expõem os ingredientes a temperaturas elevadas, o que pode comprometer estabilidade e funcionalidade. Fatores como pH, oxigênio, luz e interações com outros componentes do alimento também influenciam a manutenção da atividade biológica.

Além disso, podem ocorrer interações durante processamento e armazenamento que alterem a matriz do produto ou a estabilidade do composto bioativo. Por isso, métodos analíticos específicos são empregados para garantir a presença e a integridade do colágeno nativo tipo II no produto final.

O que esperar do mercado

De acordo com a Mordor Intelligence, o mercado global de colágeno deve crescer a uma taxa média anual de 7,25% até 2031. Um dos principais motores é justamente sua incorporação a categorias tradicionais de alimentos e bebidas como ingrediente de uso diário.

A busca por longevidade e mobilidade não se restringe a um único perfil. Mulheres na menopausa, adultos de meia-idade e atletas compartilham o interesse por soluções preventivas que sustentem a saúde no longo prazo. Em comum, está a valorização da conveniência e a percepção de que os diferentes aspectos da saúde são interligados.

Ao unir praticidade e proposta de suporte holístico à mobilidade, o Puleva Vita Calcio Colágeno se posiciona nesse cruzamento entre ciência, conveniência e bem-estar.

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

Novo comando
Até então diretor técnico, Claudinei Baldissera assumiu ontem a presidência da Emater. Ele substitui Luciano Schwerz, que estava no comando desde setembro de 2024. Baldissera afirmou à coluna que não acumulará as duas posições e que o novo nome para a área técnica será anunciado em breve. (Zero Hora)


Porto Alegre, 06 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.584


Balança comercial de lácteos mantém déficit em fevereiro

As importações somaram 176,4 milhões de litros em equivalente-leite, com leve aumento de 1,7% frente a janeiro. Apesar da alta mensal, o volume permanece 16% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, reforçando a tendência de desaceleração das compras externas que já havia sido observada na balança de janeiro.

A balança comercial brasileira de lácteos registrou déficit de 171,3 milhões de litros em equivalente-leite em fevereiro de 2026, resultado 1,1% mais negativo que o observado em janeiro. Na comparação com o mesmo mês de 2025, porém, o déficit apresenta recuo de 16%, indicando uma redução na dependência de lácteos importados ao longo do último ano.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As importações somaram 176,4 milhões de litros em equivalente-leite, com leve aumento de 1,7% frente a janeiro. Apesar da alta mensal, o volume permanece 16% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, reforçando a tendência de desaceleração das compras externas que já havia sido observada na balança de janeiro.

Gráfico 2. Importações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Do lado das vendas externas, as exportações totalizaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite, registrando crescimento expressivo de 27,4% em relação ao mês anterior. Ainda assim, o volume embarcado permanece 15% inferior ao observado em fevereiro de 2025, mostrando que, apesar da recuperação mensal, as exportações brasileiras ainda operam em patamar inferior ao do ano passado.

Em fevereiro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os principais produtos:

Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, voltou a registrar alta nos embarques, com aumento de 23% frente a janeiro, retomando a trajetória de crescimento após o recuo observado no mês anterior.

Manteigas: mais do que dobrando o volume exportado, a categoria apresentou alta de 125%, alcançando 574 mil quilos embarcados no mês.

Creme de leite: após a forte recuperação vista em janeiro, os embarques voltaram a recuar, registrando queda de 13% em relação ao último mês.

Leites em pó: o leite em pó integral apresentou aumento relevante nas exportações, ainda que os volumes embarcados permaneçam relativamente baixos na pauta exportadora.

No campo das importações, os principais movimentos observados foram:

Leite em pó integral (LPI): principal produto da pauta importadora brasileira, continuou a apresentar crescimento nos volumes. Em fevereiro, a alta foi de 12%, podendo indicar desaceleração frente ao avanço de 23% registrado em janeiro.

Leite em pó desnatado (LPD): segundo item mais relevante nas importações, apresentou leve recuo de 2% nos volumes, mantendo a tendência de estabilidade observada nos últimos meses.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de janeiro de 2026 e fevereiro de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em fevereiro de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

Para os próximos meses, a expectativa é de recuo no volume total de lácteos importados ao longo de 2026. A recuperação dos preços internacionais, aliada a uma produção brasileira ainda elevada, mesmo que com crescimento mais moderado, pode reduzir parte da atratividade das compras externas.

Outro fator importante é o câmbio. Nas últimas semanas, o dólar vinha operando em patamares mais baixos, o que sustentava a competitividade dos produtos importados no mercado brasileiro. No entanto, o aumento das tensões geopolíticas recentes pode trazer maior volatilidade cambial, influenciando diretamente as negociações internacionais de lácteos.

Nesse cenário, embora os preços dos lácteos no Mercosul já apresentem tendência de alta, o dólar mais baixo vinha funcionando como um fator de equilíbrio para as importações. Ainda assim, alguns produtos nacionais seguem com preços superiores aos equivalentes importados, o que mantém as compras externas ainda como uma alternativa competitiva para o mercado nacional. (Milkpoint)


Oferta elevada pressiona preços no mercado global de lácteos, aponta relatório do Rabobank

O mercado global de lácteos segue bem abastecido e com níveis elevados de produção, cenário que continua influenciando os preços internacionais da categoria. A avaliação faz parte de uma análise recente do relatório Global Dairy Quarterly, publicado pelo Rabobank, que acompanha as principais tendências do setor leiteiro no mundo.

Segundo o banco, a produção de leite continua crescendo nas principais regiões exportadoras — com exceção da Austrália. Esse avanço foi favorecido principalmente pelos custos relativamente baixos de alimentação animal, o que incentivou os produtores a ampliar o volume de produção e manter a oferta global em níveis elevados.

O aumento da disponibilidade de leite teve impacto direto sobre os preços internacionais dos lácteos. Os mercados de gordura foram os mais afetados, com quedas superiores a 40% entre setembro e fevereiro. O leite em pó integral seguiu movimento semelhante, acumulando recuo de cerca de 30% no mesmo período.

Já os produtos ricos em proteína apresentaram maior resiliência. Mercados como os de leite em pó desnatado, queijos e soro de leite registraram retrações mais moderadas, em torno de 15%. No caso do soro, os preços chegaram até a continuar em alta, sustentados pela forte demanda por produtos proteicos de maior valor agregado.

Mais recentemente, no entanto, o mercado começou a mostrar sinais iniciais de recuperação. Resultados positivos consecutivos nos leilões da Global Dairy Trade, além de desempenhos mais firmes nos eventos GDT Pulse, contribuíram para melhorar o sentimento entre os participantes do setor.

Apesar disso, os dados atuais de oferta ainda não indicam que essa recuperação seja estruturalmente sustentável. A produção de leite na União Europeia, nos Estados Unidos, na América do Sul e na Nova Zelândia permanece bem acima dos níveis registrados no ano passado. Embora o ritmo de crescimento esteja gradualmente voltando ao normal, o mercado global ainda apresenta grande disponibilidade de produtos lácteos.

Mesmo assim, após um período prolongado de queda nos preços, o movimento recente de recuperação é visto como um sinal positivo para o setor, ao mostrar que as cotações podem voltar a subir.

Nos próximos meses, a tendência é de um ajuste gradual do mercado. À medida que as margens nas fazendas enfrentam maior pressão e as comparações favoráveis com o ano anterior começam a desaparecer após o primeiro trimestre, a expectativa é de que o equilíbrio entre oferta e demanda se torne mais apertado.

A previsão do Rabobank é que a produção dos sete principais exportadores globais termine 2026 com crescimento de apenas 0,2% em relação ao ano anterior, após uma expansão de 2,6% registrada em 2025.

Esse cenário é explicado, em grande parte, pela desaceleração do crescimento da oferta em regiões como América do Sul, Austrália e China. Na Europa, a produção de leite deve recuar cerca de 0,9%, com impactos mais visíveis ao longo do ano, especialmente nos mercados de manteiga e leite em pó desnatado.

Nos Estados Unidos, por outro lado, as margens dos produtores seguem sustentadas pelos preços elevados da carne bovina, o que tende a manter o crescimento da produção de leite ao longo do ano. Nesse caso, a expansão deverá ser direcionada principalmente para a fabricação de queijos — especialmente muçarela e cheddar — além do soro de leite.

Do lado da demanda, as condições econômicas em regiões importadoras importantes, especialmente na Ásia, continuam favoráveis para a manutenção das compras de lácteos no mercado internacional. No entanto, o relatório destaca que a instabilidade geopolítica segue como um fator de risco relevante.

Tensões envolvendo países como Irã e Ucrânia, entre outras regiões, podem provocar interrupções temporárias no equilíbrio do comércio global. Como o Oriente Médio é um mercado relevante para importações de produtos como leite em pó, pós lácteos enriquecidos com gordura e leite evaporado, o setor acompanha de perto a evolução do cenário geopolítico e seus possíveis impactos sobre o fluxo internacional de lácteos.

As informações são do Rabobank, adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Informativo Conjuntural 1909 de 05 de março de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Observa-se que em função da menor disponibilidade de forragem, os produtores têm ampliado o uso de silagem, feno, pré-secado e ração no cocho para atender à demanda nutricional do rebanho. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, alguns produtores com açudes menores, que receberam precipitações pouco significativas nas últimas semanas, enfrentam dificuldades para atender à demanda de dessedentação animal. As temperaturas mais amenas proporcionaram maior conforto térmico, ampliando os períodos de acesso dos animais aos potreiros de pastagem. Em algumas propriedades com médio nível tecnológico, a produção apresentou leve reação.

Na de Caxias do Sul, os animais sofreram com o estresse térmico, mas não houve prejuízo na produção, que manteve volume e padrão de qualidade.  

Na de Frederico Westphalen, a produção apresentou leve queda, principalmente em função das altas temperaturas e da falta de chuvas. A sanidade do rebanho está adequada.

Na de Passo Fundo, ocorreu leve queda de produção.  

Na de Porto Alegre, houve conforto térmico para os rebanhos, e a condição corporal dos animais está adequada.  

Na de Santa Rosa, houve redução da quantidade e da qualidade do volumoso disponível. Nas propriedades sem irrigação ou com oferta limitada de sombra, estimaram-se perdas de até 15% na produtividade, associadas à menor disponibilidade de forragem e ao estresse térmico. 

As temperaturas elevadas da última semana intensificaram o desconforto dos animais, reduzindo o tempo de pastejo e o consumo de alimento, especialmente em raças europeias, mais sensíveis ao calor. Ainda assim, a qualidade do leite produzido está estável. (Emater editado pelo Sindilat)


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA
Na próxima semana, a aproximação de uma frente fria e a atuação de um sistema de baixa pressão voltarão a deixar o tempo instável em grande parte do Rio Grande do Sul. Nos dias 06/03 (sexta-feira) e 07/03 (sábado), o tempo permanecerá instável devido à atuação de um sistema de baixa pressão. Nesse período, há previsão de chuva em todas as regiões do Estado, e as temperaturas devem entrar em declínio. No dia 08/03 (domingo), o sistema começará a se afastar, e há previsão de chuva fraca isolada apenas na porção Nordeste. Nos dias 09/03 (segunda-feira) e 10/03 (terça-feira), o tempo voltará a ficar instável em parte do Estado, devido à atuação de outro sistema de baixa pressão nas proximidades da região. Assim, há previsão de chuva fraca a moderada na Metade Oeste no dia 09/03 e nas metades Leste e Norte no dia 10/03. No dia 11/03 (quarta-feira), o tempo voltará a ficar mais estável em parte do Estado, e há previsão de chuva apenas em pontos isolados. A partir do dia 09/03 (segunda-feira), as temperaturas deverão voltar a se elevar gradualmente. Os acumulados de precipitação deverão variar entre 5 e 100 mm ao longo da semana, e os maiores volumes estão previstos para a porção Central e Norte do Estado. Já na Metade Sul, os acumulados tendem a ser menores, com exceção do Litoral Sul, onde os volumes podem ser mais elevados. (Fonte: Simagro – Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos)


Porto Alegre, 05 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.583


CADE aprova aquisição da Básel Lácteos pelo Grupo Piracanjuba

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a aquisição da Básel Lácteos pelo Grupo Piracanjuba, concluindo o movimento anunciado em janeiro. Com o aval do órgão, a companhia finalizou, em 1º de março, a incorporação da indústria mineira especializada em queijos finos, localizada em Antônio Carlos, na Serra da Mantiqueira.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a aquisição da Básel Lácteos pelo Grupo Piracanjuba, concluindo o movimento anunciado em janeiro. Com o aval do órgão, a companhia finalizou, em 1º de março, a incorporação da indústria mineira especializada em queijos finos, localizada em Antônio Carlos, na Serra da Mantiqueira. 
Com a conclusão da transação, a empresa passa a contar com dez plantas industriais no Brasil e avança em sua estratégia de expansão no segmento de queijos especiais. Reconhecida pela produção de variedades como Emmental, Gruyère, Maasdam e Gouda, a Básel agrega ao portfólio itens de maior valor agregado, fortalecendo a presença da companhia em categorias premium. 

Situada em uma região de forte tradição leiteira, a fábrica está instalada em um município com pouco mais de 11 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Antônio Carlos é referência na produção de queijos nobres, impulsionada pela qualidade do leite local, favorecida pelo clima ameno, altitude e pastagens adequadas à atividade agropecuária. 

A diretriz inicial é manter a atual linha produtiva, preservando os atributos que consolidaram a reputação da empresa ao longo de décadas. A ampliação do mix e da capacidade instalada ocorrerá gradualmente. 

Hoje concentrada no estado do Rio de Janeiro, a distribuição deverá avançar para todo o território nacional, sob a marca Piracanjuba, ampliando o acesso dos consumidores aos queijos produzidos na Serra da Mantiqueira. 

O Grupo informa que a integração será conduzida com transparência e diálogo. A intenção é preservar os cerca de 100 empregos diretos, majoritariamente ligados às atividades fabris. Os produtores de leite que abastecem a planta também serão contatados individualmente. 

“Concluímos essa etapa com a convicção de que estamos incorporando tradição, qualidade e conhecimento técnico à nossa trajetória. Essa integração será conduzida com respeito às pessoas, à cultura local e às relações construídas ao longo do tempo. Esse cuidado está diretamente ligado ao nosso propósito de alimentar a vida, começando pelas relações humanas que sustentam o negócio”, afirma o presidente do Grupo Piracanjuba, Luiz Claudio Lorenzo. 

Nos próximos anos, estão previstos investimentos na modernização da unidade e no fortalecimento da estrutura produtiva. 

As informações são da Assessoria de Imprensa da Piracanjuba.


Campanha nos EUA quer ampliar consumo de lácteos e mostrar novos benefícios dos produtos

A ideia é mostrar novas possibilidades de consumo. "Se alguém pensa no leite apenas como algo para crianças, como ampliamos essa visão? Se o iogurte é visto apenas como alimento de café da manhã, como mostramos que ele também pode ser um lanche, uma opção de recuperação após exercício ou parte de uma refeição?".

Uma nova campanha nacional lançada nos Estados Unidos quer ampliar a presença dos lácteos no dia a dia dos consumidores. A iniciativa, chamada “Dairy Does More” (“Lácteos fazem mais”, em tradução livre), foi criada pelo Dairy Management Inc. (DMI), organização responsável por promover o consumo de leite e derivados no país.
A entidade faz parte do sistema conhecido como checkoff, um modelo no qual produtores de leite contribuem com recursos para financiar pesquisas, marketing e ações de comunicação voltadas a fortalecer a demanda por lácteos.

A campanha é uma evolução do movimento Undeniably Dairy (“Sem dúvida, lácteos”, em tradução livre) e busca atualizar a forma como os produtos lácteos são apresentados ao público.

Segundo Aris Georgiadis, vice-presidente sênior de comunicações de marketing da DMI, o objetivo é reposicionar os lácteos no imaginário do consumidor.

“Queremos reacender a relevância dos lácteos e abrir espaço para novo crescimento, ajudando as pessoas a enxergar esses produtos sob uma perspectiva diferente”, afirma. “A maioria dos consumidores já gosta de lácteos pelo sabor. Agora queremos mostrar todos os outros benefícios que eles oferecem e por que merecem um espaço ainda maior no cotidiano.”

De acordo com a DMI, a campanha também busca combater o que Georgiadis chama de “visão de túnel” do consumidor — a tendência de associar determinados alimentos a momentos muito específicos.

“Muitas pessoas colocam os alimentos em categorias fixas”, explica. “Leite é para crianças. Iogurte é para o café da manhã. Queijo é para o jantar. Nosso trabalho é quebrar essa lógica e ampliar a forma como os consumidores enxergam os lácteos.”

A ideia é mostrar novas possibilidades de consumo. “Se alguém pensa no leite apenas como algo para crianças, como ampliamos essa visão? Se o iogurte é visto apenas como alimento de café da manhã, como mostramos que ele também pode ser um lanche, uma opção de recuperação após exercício ou parte de uma refeição?”, questiona.

A campanha foi lançada nacionalmente com o slogan “So Many Reasons for Dairy” (“Tantos motivos para consumir lácteos”, em tradução livre). A iniciativa inclui três vídeos digitais de 30 segundos, ativações em redes sociais e programas em mercados locais.

Segundo a DMI, a comunicação aposta em um tom leve e criativo para destacar a versatilidade dos lácteos e seus benefícios nutricionais.

“Mostramos, por exemplo, a jovens atletas que os lácteos vão além da proteína; aos pais, que os benefícios vão muito além do cálcio; e aos adolescentes apaixonados por comida, falamos de nutrição de forma autêntica”, explica Georgiadis. “Quando combinamos um benefício conhecido com outro que surpreende, conseguimos quebrar essa visão limitada e incentivar novos hábitos.”

Um dos objetivos centrais é incentivar o consumo de lácteos em mais momentos ao longo do dia. Embora esses produtos continuem populares, muitos americanos ainda não atingem a recomendação de três porções diárias.

“Essa campanha busca gerar valor para produtores e importadores ao fortalecer o papel dos lácteos na vida das pessoas”, afirma Marilyn Hershey, produtora de leite da Pensilvânia e presidente da DMI. “Quando os consumidores entendem tudo o que os lácteos oferecem para a saúde, desempenho e prazer no dia a dia, a tendência é que escolham esses produtos com mais frequência.”

Georgiadis acrescenta que o objetivo final é posicionar os lácteos como alimentos nutritivos, prazerosos e presentes no cotidiano.

“Queremos ser uma parte inevitável e deliciosa da vida das pessoas”, diz. “Nosso papel é ser uma voz confiável e positiva, que torne a nutrição dos lácteos acessível e agradável.”

As informações são do portal Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

 

 

Senado aprova projeto que amplia a licença-paternidade para 20 dias

Além de ampliar o atual período de 5 dias, o projeto também cria o salário-paternidade; texto vai à sanção do presidente Lula

O Senado aprovou nesta quarta-feira (4) o projeto que altera a atual diretriz da licença-paternidade e amplia o período de 5 para 20 dias. O texto, que foi votado de maneira simbólica - sem o registro nominal de votos - agora segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Aprovado em novembro do ano passado pela Câmara dos Deputados, o projeto também institui o benefício salário-paternidade, pago pela Previdência Social. O custo do aumento do tempo de ausência será de cerca de R$ 5,4 bilhões até 2030.

Durante a aprovação no plenário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e diversos outros parlamentares presentes utilizaram adesivos em apoio ao projeto, com os dizeres “Lei do Pai Presente” e “Feminicídio Zero”.

Relatado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), o projeto define que o aumento da licença será gradual, aplicado nos seguintes moldes:

10 dias nos dois primeiros anos de vigência da lei;
15 dias no terceiro ano da lei;
20 dias a partir do quarto ano da lei.
"Ampliar a licença é uma medida que impacta diretamente a vida das mulheres e fortalece toda a família. Esse avanço é construir uma sociedade mais justa para as mulheres, porque a igualdade começa dentro de casa", afirmou a senadora.

O custo, que hoje é bancado pela empresa, passará a ser pago pela Previdência Social com a ampliação da licença. A mudança visa evitar resistências por parte do setor privado e igualar esse direito às condições da licença-maternidade, que já é paga pelo governo federal.

A mudança na licença-paternidade também se aplica aos pais adotivos de crianças ou adolescentes. O projeto ainda permite que os pais parcelem a licença, podendo tirar 50% do período após o nascimento do bebê ou a adoção, e o restante em até 180 dias.

Para casos excepcionais, como a morte da mãe da criança, o pai terá direito ao período relativo à licença-maternidade, de 120 dias. A remuneração para pais será integral durante o período de afastamento.

Pressão do Judiciário
Em dezembro de 2023, o STF (Supremo Tribunal Federal) definiu o período de 18 meses para que o Congresso Nacional se movimentasse acerca do assunto, considerando que o período de afastamento de 5 dias era insuficiente. O prazo expirou cerca de 4 meses atrás. (CNN)


Jogo Rápido

JORNADA DE 40 HORAS: Sul é mais afetado por redução
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou levantamento que aponta o Sul como mais afetado em caso de redução de jornada de trabalho para 40 horas semanais. A entidade calculou dois cenários: compensando a medida com horas extras ou com novas contratações. A Região Sul lidera os impactos em ambos os casos. No primeiro cenário com alta de 8,1% dos custos e no segundo, com alta de 5,4%. O Sudeste teria o maior aumento de custos, com estimados R$ 143,8 bilhões de impacto. (Correio do Povo)


Porto Alegre, 04 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.582


Agrotec Cotrisal destaca avanços na produção de leite com gestão e inovação 

A profissionalização do setor leiteiro e o processo avançado de sucessão nas propriedades ganharam destaque na Agrotec Cotrisal 2026, em Sarandi (RS). Conforme o secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini, são iniciativas que já se traduzem em resultados positivos no trabalho de mais de 100 propriedades acompanhadas por meio do sistema SmartCoop. 

No 2º Benchmarking do Leite, os dados apresentados com o acompanhamento da plataforma mostram o crescimento dos produtores leiteiros que têm gestão baseada em dados. “Desde o nascimento da bezerra até a produção de sólidos, passando por ganho médio diário, taxa de serviço e conversão alimentar, os números são acompanhados por equipe técnica especializada, com ranking de desempenho. É todo um conjunto de dados que garante assertividade e melhoria produtiva”, destaca. 

Outro aspecto é a entrada dos jovens, assumindo a produção e garantindo a sucessão familiar. “Isso mostra que a atividade leiteira tem futuro, ainda mais se ancorada em gestão, tecnologia e acompanhamento técnico”, assinala. “Quando produtor, cooperativa e assistência técnica trabalham de forma integrada, a produção de leite passa a ser um negócio estruturado, competitivo e sustentável”, indica Darlan.

O gerente de produção animal da Cotrisal, Frederico Trindade, reforça que o leite tem papel estratégico no desenvolvimento regional por gerar renda mensal, movimentar o comércio local e manter famílias no meio rural. “O leite precisa ser tratado como um negócio estruturado, baseado em dados, planejamento e visão de longo prazo. O benchmarking tira todos da zona de conforto e estimula a evolução contínua dos indicadores”, salienta. Segundo ele, ao reunir mais de 100 produtores para analisar desempenho técnico, qualidade, reprodução e rentabilidade, o evento fortalece a profissionalização e a inovação como pilares do crescimento da atividade. (Sindilat RS)


GDT 399: registra nova alta e consolida cenário de oferta mais ajustada

O 399º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) registrou nova valorização nos preços internacionais dos lácteos, marcando a quinta alta consecutiva do price index, que avançou 5,7% e atingiu a média de USD 4.301/tonelada. O resultado consolida o movimento de recuperação iniciado no começo do ano e indica um mercado internacional operando em patamares mais firmes.
Gráfico 1: Preço médio leilão GDT. 

Entre os produtos negociados, os destaques ficaram para o leite em pó desnatado (LPD), com alta de 9,1% (USD 3.243/tonelada), e para a muçarela, que avançou 7,9%, alcançando USD 4.189/tonelada. O leite em pó integral (LPI), principal produto comercializado, também manteve trajetória positiva, com valorização de 4,5%, sendo negociado a USD 3.863/tonelada.

Gráfico 2. Preço médio LPI. 

No segmento de gorduras, a manteiga subiu 6,1% (USD 6.728/tonelada) e a gordura anidra do leite avançou 5,7%, cotada a USD 7.147/tonelada, reforçando o bom momento desse complexo no comércio internacional. O cheddar apresentou alta de 4,3%, enquanto a lactose (-3,9%) e o leitelho em pó (-0,2%) registraram leves recuos. O movimento generalizado de altas confirma um ambiente de maior sustentação de preços, agora com maior participação também dos derivados industriais.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 03/03/2026. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado recua novamente

O volume total negociado no leilão somou 18.861 toneladas, representando queda de 15,2% frente ao evento anterior. Além disso, houve manutenção no número de participantes, indicando que a retração esteve concentrada na oferta, e não na demanda.

Esta é a 15ª sessão consecutiva em que o evento apresenta redução no volume ofertado, reforçando o movimento contínuo de ajuste na disponibilidade. Embora essa diminuição seja típica para o período, a combinação entre menor volume ofertado e demanda relativamente estável tem contribuído para sustentar o avanço dos preços.

Na comparação com o leilão equivalente de 2025, o volume negociado foi 10,1% inferior, evidenciando um cenário de menor excedente global de leite. Esse contexto ajuda a explicar tanto a sequência de altas recentes no GDT quanto o comportamento firme dos contratos futuros, que já precificam um ambiente de oferta mais ajustada ao longo de 2026.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

A evolução dos contratos futuros reforça essa leitura. As cotações para vencimentos entre março e junho de 2026 seguem em trajetória ascendente, com ganhos sucessivos nas últimas sessões.

O avanço das curvas futuras indica que o mercado precifica continuidade do cenário de oferta mais ajustada e crescimento moderado da produção global ao longo de 2026. Mesmo diante de ajustes pontuais entre as sessões, o viés permanece positivo.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures). 

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

Cenário internacional

Relatórios internacionais indicam que o mercado global de lácteos segue ajustado pelo lado da oferta. A Oceania avança para o período pós-pico de safra, reduzindo gradualmente a disponibilidade exportável da Nova Zelândia, o que contribui para um ambiente de menor excedente global. Paralelamente, as tensões geopolíticas no Oriente Médio — especialmente em torno do Estreito de Hormuz, importante corredor logístico mundial — elevam as incertezas sobre custos de transporte e cadeias de suprimento, adicionando um componente adicional de risco ao mercado internacional.

Do lado da demanda, os sinais permanecem positivos. Dados recentes mostram que o consumo internacional continua resiliente, como por exemplo, os dados mais recentes dos Estados Unidos, cujas exportações de lácteos seguem próximas de níveis recordes. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar a quinta alta consecutiva do índice do Global Dairy Trade (GDT), sinalizando que o mercado opera sob fundamentos mais consistentes do que os observados no segundo semestre do ano passado.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

Para o Mercosul, a continuidade das altas internacionais tende a manter suporte aos preços regionais, especialmente para leites em pó e muçarela. No caso do Brasil, o cenário externo mais firme já reduz parte do diferencial competitivo das importações.

Juntamente a isso, a recente valorização do dólar — influenciada pelo aumento das tensões internacionais — adiciona um novo elemento ao cenário doméstico. Com os preços internacionais em alta e o câmbio também mais elevado nesta última semana, a competitividade dos produtos importados diminui, o que pode trazer certo alívio aos preços nacionais e favorecer o processo de recomposição do mercado interno.

Dessa forma, o GDT 399 consolida um ciclo de recuperação consistente no mercado lácteo internacional, agora reforçado não apenas por fundamentos de oferta e demanda mais ajustados, mas também por um ambiente cambial que pode reduzir a pressão das importações sobre o Brasil ao longo do primeiro semestre de 2026. (Milkpoint)

 

 

 

Sistema FIERGS amplia diálogo para aprovação dos fundos constitucionais do Sul e Sudeste

Em encontro com coordenador da bancada federal gaúcha e presidente da Assembleia Legislativa, federação ressaltou importância do projeto para o desenvolvimento do RS

O Sistema FIERGS reforçou, nesta segunda-feira (2), a necessidade de aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2023, que prevê a criação de um fundo constitucional para o desenvolvimento econômico e social dos estados do Sul. O tema foi debatido durante reunião do Conselho de Articulação Política (Coap) da federação com a presença do presidente da Assembleia Legislativa, Sérgio Peres (Republicanos), e do deputado e coordenador da bancada federal gaúcha, Afonso Hamm (PP).

O coordenador do Coap, Diogo Bier, destacou que o diálogo institucional é fundamental para sensibilizar o governo e avançar na tramitação da proposta. Segundo Diogo, a relação com os Poderes, especialmente com os parlamentos, tem sido construída de forma sólida. “Plantamos, no ano passado, a semente do fundo constitucional, que hoje é uma bandeira da bancada federal. Colocamos como prioridade na agenda legislativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 2025 e foi uma conquista mantê-lo também em 2026", afirmou. 

A PEC 27/2023 propõe criar fundos constitucionais de financiamento para as regiões Sul e Sudeste, sem retirar recursos dos fundos já existentes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e aumentar a parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de 22,5% para 23,5% da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados, destinar 0,5 ponto percentual à segurança pública. "Se construirmos uma estratégia com habilidade política, tenho convicção de que avançaremos na Câmara e no Senado. Estamos inteiramente à disposição para contribuir”, complementou.

A diretora-geral do Sistema FIERGS, Ana Paula Werlang, também ressaltou que o fundo constitucional é uma das principais bandeiras da gestão do presidente Claudio Bier. “Pedimos apoio à indústria e ao fundo constitucional. Temos também outras pautas importantes, como irrigação. Trabalhando juntos, fortalecemos a indústria e consolidamos uma bancada forte nos âmbitos estadual e federal”, afirmou.

Coordenador da bancada federal, Hamm destacou que o fundo é importante para subsidiar programas de desenvolvimento nos estados do Sul. “Esses recursos fazem falta para equalizar programas e subsidiar iniciativas de desenvolvimento. Estamos trabalhando nessa pauta e precisaremos intensificar a interlocução”, pontuou. Além da própria PEC 27, o alongamento da dívida dos produtores gaúchos, afetados por estiagens e pelas enchentes de 2024, também é uma prioridade para este ano.

O presidente da Assembleia Legislativa reforçou o compromisso com projetos que fortaleçam a indústria e o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. “Estamos aqui para ouvir. Enfrentamos hoje desafios importantes, como a escassez de mão de obra. Precisamos ouvir quem investe e gera emprego, e pautar projetos importantes para o setor também no parlamento gaúcho”, afirmou Peres.

Uma audiência da comissão especial que trata da PEC 27 está prevista para o dia 24 de março, com a participação de federações empresariais das regiões Sul e Sudeste. O encontro deverá reunir representantes das federações e dos estados dessas regiões para fortalecer a articulação e a construção de uma política regional.

A discussão sobre a jornada de trabalho também foi tema na reunião. Diogo Bier alertou para os impactos da proposta de redução das horas de trabalho, em tramitação no Congresso Nacional, sobre a indústria e o comércio. “Quem vai arcar com o custo da redução das horas trabalhadas? Isso impacta o chamado Custo Brasil e pode comprometer a capacidade competitiva no médio prazo”, afirmou. (Fiergs)


Jogo Rápido

‘PER CAPITA’: RS tem terceiro maior rendimento 
O Rio Grande do Sul registrou rendimento domiciliar per capita de R$ 2.839 em 2025, valor 22,6% acima da média nacional estimada em R$ 2.316 no mesmo período. O resultado põe o estado em terceiro lugar entre as unidades da Federação, atrás de Distrito Federal (R$ 4.538) e São Paulo (R$ 2.956), segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. Os valores estão no levantamento anual elaborado com base na Pnad Contínua. No cálculo entram rendimentos do trabalho e outras fontes de renda, incluindo aposentadorias, pensões e benefícios sociais. Entre os estados com maior rendimento domiciliar per capita, o Sul concentra três das seis primeiras posições. Além do RS em terceira posição com R$ 2.839, Santa Catarina, em quarto lugar, registra R$ 2.809.  Em sexto lugar, o Paraná registra R$ 2.762. Já o Rio de Janeiro ocupa a quinta posição com rendimento médio de R$ 2.794 por pessoa. DF e São Paulo são os primeiros. (Correio do Povo)


Porto Alegre, 03 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.581


Sindilat defende mobilização do setor para garantir aprovação do PL do leite

O setor leiteiro brasileiro precisa estar unido e mobilizado para fazer avançar no Senado e garantir a sanção presidencial do Projeto de Lei 10.556/2018, que regulamenta a utilização da palavra "leite" nas embalagens e rótulos de alimentos. Esta foi a posição defendida pelo presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, na primeira reunião do ano da Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB). “Precisamos falar com uma só voz quando tratamos de questões estruturantes. Devemos permanecer alinhados na defesa do setor e da valorização do leite, do produtor à indústria, até o consumidor final”, assinalou. 

A matéria foi aprovada pelo Plenário da Câmara dos Deputados na madrugada desta terça-feira (03/03). “É uma excelente notícia a aprovação do projeto de autoria da ex-ministra de Agricultura, Tereza Cristina. Trata-se de uma pauta histórica”, acrescentou Ronei Volpi, coordenador geral da ALSB. 

Aprovado na forma de substitutivo, o projeto estabelece que, para o leite, apenas produtos de origem animal podem usar denominações como queijo, manteiga, leite condensado, requeijão, creme de leite, bebida láctea, doce de leite, iogurte, coalhada, entre outras. Produtos vegetais ainda deverão adotar embalagens com cores e imagens distintas, reforçando a diferenciação. “Este regramento fortalece a proteção do leite e assegura maior transparência ao consumidor. Foi necessária a mobilização do setor para defender a proibição do uso da palavra “leite” para itens não lácteos. Agora, o esforço se concentra na aprovação no Senado e na sanção presidencial”, reforçou Portella.

Outra missão para o setor levada ao encontro que reúne representantes das Secretarias de Estado e Federações da Agricultura, além dos Sindicatos das Indústrias de Laticínios dos estados produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul é a defesa do Programa Mais Leite Saudável como política pública estratégica. Conforme Portella, trata-se de uma das principais iniciativas para elevar a produtividade e qualidade do leite. “É preciso transformá-lo em prioridade mediante uma forte articulação setorial para defender sua continuidade”, afirmou.

Conforme o presidente do Sindilat/RS, o programa é também um dos pilares que pode sustentar a abertura das portas para o leite brasiliero no mercado internacional. Isso porque, para conseguir espaço como produto de exportação, precisa ter garantia de  competitividade através do preço. “Para exportar é indispensável ter preço se quisermos competir com Argentina, Uruguai, Nova Zelândia ou outros players globais”, enfatizou Portella. (Sindilat/RS)


GDT - Global Dairy Trade

Fonte: GDT editado pelo Sindilat

 

 

União Europeia anuncia aplicação provisória do acordo com o Mercosul

Comissão Europeia aplica provisoriamente pacto comercial que cria maior zona de livre comércio do mundo, apesar de resistências de países europeus

A União Europeia (UE) aplicará provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul, que cria a maior zona de livre comércio do mundo. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (27) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O tratado eliminará tarifas para mais de 90% do comércio entre os 27 Estados da UE e os fundadores do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Juntos, os dois blocos reúnem 30% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e mais de 700 milhões de consumidores.

Congelamento da ratificação
A ratificação do pacto, no entanto, estava congelada desde que o Parlamento Europeu o remeteu ao principal tribunal da UE. A corte deve analisar a legalidade do texto.

"Nas últimas semanas, tive conversas profundas sobre esta questão com os Estados membros e com os eurodeputados. Com base nisso, a Comissão vai proceder agora à aplicação provisória", anunciou a chefe do Executivo europeu em uma breve declaração à imprensa.

Benefícios e resistências

O pacto permitirá aos países do bloco europeu exportar para o Mercosul, em melhores condições, automóveis, máquinas, vinhos e outras bebidas alcoólicas. Por sua vez, os quatro países sul-americanos terão facilitada a venda para a Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja, entre outros produtos.

O tratado enfrenta resistência em vários países da Europa, liderados pela França. Isso se deve ao potencial impacto que a gigantesca zona de livre comércio pode ter para a agricultura e pecuária do continente.

O descontentamento levou os eurodeputados a remetê-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia. Esse trâmite pode congelar sua ratificação do texto por um ano e meio. A Comissão Europeia, no entanto, tinha a possibilidade de impor a aplicação do acordo de maneira provisória.

Críticas da França

A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, lamentou a decisão da UE. Segundo ela, a medida não respeita a posição apresentada pelo Parlamento Europeu e é "muito prejudicial para o funcionamento e o espírito das instituições europeias".

No fim de janeiro, a França afirmou que consideraria "uma violação democrática" caso o Executivo da União Europeia aplicasse provisoriamente o tratado.

Von der Leyen destacou que "a aplicação provisória é, por natureza, provisória". Ela assumiu o compromisso de seguir dialogando com as autoridades e representantes europeus nos próximos meses.

A Comissão, assim como a maioria dos Estados europeus, é favorável ao tratado de livre comércio. Todos destacavam a necessidade de implementar o acordo o mais rápido possível, em particular no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça impor novas tarifas contra a Europa.

No Mercosul, o tratado tem amplo apoio, apesar das ressalvas de alguns setores industriais e de outros, como os produtores de vinho. (Correio do Povo)


Jogo Rápido

Entrevista do Dia
Secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini. Ouça clicando aqui. (Rádio Caxias)


Porto Alegre, 02 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.580


21º Fórum Estadual do Leite vai debater sustentabilidade, gestão e competitividade na cadeia leiteira

Em um cenário cada vez mais desafiador para o setor leiteiro, pressão por sustentabilidade e a necessidade de ganhar competitividade no mercado internacional, o Rio Grande do Sul volta a colocar o tema no centro do debate técnico. Durante a Expodireto Cotrijal, produtores rurais, técnicos e lideranças da cadeia se reúnem no 21º Fórum Estadual do Leite, evento que propõe discutir soluções práticas para a atividade, com foco em gestão, desempenho produtivo e responsabilidade ambiental.

A iniciativa é da CCGL, em parceria com a Cotrijal, e ocorre na manhã do evento, com abertura às 8h30, consolidando-se como um dos principais espaços de atualização técnica do cooperativismo gaúcho.

Para o Gerente de Suprimento do Leite da CCGL, Jair da Silva Mello, a 21ª edição do Fórum representa um espaço de disseminação de informações e tecnologias. “Cada vez mais nesses momentos de crise da atividade leiteira, precisamos superar com tecnologia, informação, conhecimento e com gestão da atividade como um todo. E a CCGL, suas cooperativas e a FecoAgro trabalham forte a gestão nas propriedades com a plataforma SmartCoop, em todas as áreas da cadeia leiteira", pontuou. 

A programação começa com a palestra “Manejo sustentável de dejetos orgânicos dos bovinos de leite”, ministrada por Marcelo Henrique Otenio, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, trazendo alternativas para qualificar o manejo ambiental nas propriedades. Na sequência, o consultor Alejandro Galetto, da FEPALE e ex-pesquisador do INTA, apresenta o tema “Diferenciais competitivos dos produtores de leite no Mercosul”, com uma leitura regional do mercado e dos caminhos para ampliar eficiência e rentabilidade.

Encerrando os painéis técnicos, o médico-veterinário Matheus Balduino Moreira, da Rehagro, aborda “Gestão: O que os Melhores Produtores Fazem para Ganhar Dinheiro na Crise”, compartilhando práticas adotadas por propriedades de alto desempenho mesmo em cenários econômicos adversos. Após as apresentações, os temas serão debatidos com o público.

Para a CCGL, o Fórum integra uma estratégia permanente de fortalecimento da cadeia do leite por meio do acesso à informação, inovação e capacitação, apoiando o produtor rural na tomada de decisões e na busca por maior produtividade e sustentabilidade nas propriedades.

O 21º Fórum Estadual do Leite conta com patrocínio do Sindilat/RS, do Senar, do BRDE e da 3R Ribersolo, além do apoio do Sistema Ocergs, da RTC, da Smartcoop e da FecoAgro/RS. (As informações são da ASCOM CCGL)


FETAG-RS realiza solenidade de transição de presidência

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS) realizou, na sexta-feira (27), a solenidade de transição de presidência da entidade, marcando o encerramento da gestão de Carlos Joel da Silva e a posse de Eugênio Zanetti como novo presidente da Federação.

O ato reuniu lideranças sindicais, representantes de entidades, parlamentares e autoridades estaduais e federais, entre elas o governador do Estado do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A cerimônia reafirmou a continuidade institucional da FETAG-RS e o compromisso da entidade com a agricultura e a pecuária familiar gaúcha.

Encerramento de ciclo
Ao se despedir da presidência, Carlos Joel da Silva destacou o trabalho coletivo construído ao longo dos últimos anos e os desafios enfrentados pela agricultura familiar.

“Encerrar minha gestão à frente da FETAG-RS é um momento de gratidão e serenidade. Foram anos de trabalho intenso em defesa da agricultura e da pecuária familiar, sempre pautados pelo diálogo, pela responsabilidade institucional e pelo compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras rurais”, afirmou.

Joel ressaltou que a entidade esteve presente nos momentos mais desafiadores vividos pelo meio rural, especialmente diante das crises climáticas e econômicas, atuando na defesa de políticas públicas e no fortalecimento da representação sindical. Ele inicia uma nova etapa junto à AFUBRA, mantendo seu compromisso com o desenvolvimento do campo e com as famílias produtoras.

Durante a solenidade, o governador Eduardo Leite destacou a condução firme e posicionada da gestão de Carlos Joel da Silva, ressaltando os avanços construídos a partir da parceria institucional entre o Governo do Estado e a FETAG-RS. O governador também parabenizou Eugênio Zanetti pela assunção à presidência da entidade e afirmou que, pelo conhecimento de sua trajetória, a Federação seguirá realizando um trabalho exemplar em defesa da agricultura familiar.

Na ocasião, a FETAG-RS recebeu do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), uma caminhonete 4×4 destinada a apoiar feiras, visitas técnicas, ações de comercialização e iniciativas voltadas às agroindústrias familiares em todo o Estado. A entrega integra o Acordo de Cooperação firmado entre as instituições, reforçando a parceria e o compromisso com o fortalecimento da agricultura familiar.

Continuidade institucional
Ao assumir a presidência da FETAG-RS, Eugênio Zanetti reafirmou o compromisso com a continuidade do trabalho e com o fortalecimento das bases sindicais em todo o Estado.

“A FETAG-RS é construída por muitas lideranças. Nossa gestão será conduzida com união, ética e responsabilidade, como sempre foi a marca da entidade. Com esse princípio, inicia-se um novo ciclo participativo, técnico e estratégico, com planejamento e foco no fortalecimento do futuro dos agricultores e agricultoras familiares, em parceria com os sindicatos”, destacou.

A transição ocorreu de forma planejada e consensual, reafirmando a maturidade institucional da entidade e sua capacidade de renovação.

A FETAG-RS segue representando milhares de trabalhadores e trabalhadoras rurais em todo o Rio Grande do Sul, mantendo sua atuação na defesa da agricultura e da pecuária familiar. (FETAG)

 

 

Redução da jornada de trabalho pressiona economia e prejudica competitividade gaúcha, afirma Sistema Fiergs

No Rio Grande do Sul, conforme levantamento da Unidade de Estudos Econômicos do Sistema Fiergs, cerca de 67% dos trabalhadores formais têm jornada contratual entre 41 e 44 horas semanais. Na indústria, esse percentual é ainda maior: 91,7% dos empregados formais cumprem carga horária nesse intervalo. Já na Indústria de Transformação, segmento intensivo em mão de obra, 92,3% dos trabalhadores atuam com jornadas entre 41 e 44 horas por semana.

Ainda segundo a Fiergs, esse cenário se torna mais preocupante diante da estagnação da produtividade brasileira. Comparações internacionais indicam que a produtividade do trabalhador brasileiro corresponde a cerca de 25% da alcançada por um trabalhador norte-americano, ou seja, em média, um trabalhador dos Estados Unidos produz aproximadamente quatro vezes mais no mesmo período. Além disso, entre 1990 e 2024, a produtividade no Brasil cresceu apenas 0,9% ao ano, ritmo significativamente inferior ao observado em economias emergentes como China (8%), Índia (5,1%) e Coreia do Sul (4,2%).

“A evidência internacional sugere que países que conseguiram reduzir a jornada de trabalho de forma sustentável o fizeram apoiados em ganhos consistentes de produtividade, investimentos em educação, inovação e tecnologia”, destaca o estudo da Fiergs.

No entendimento de Bier, para discutir esse assunto, o Brasil precisaria apresentar aumento consistente na produtividade. A Coreia do Sul, por exemplo, reduziu a jornada de 44 para 40 horas semanais em um contexto de crescimento médio anual da produtividade de 4,2%. A Alemanha alcançou jornada média de 34,2 horas com crescimento de produtividade em torno de 1,4% ao ano. Em contraste, a experiência francesa, que reduziu a jornada de 39 para 35 horas, resultou em aumento de custos, perda de competitividade e desaceleração do crescimento da produtividade, que ficou em 0,9% ao ano. Leia a matéria na íntegra clicando aqui. (Jornal do Comércio)


Jogo Rápido

Fórum MilkPoint Mercado abordará desafios e oportunidades do setor leiteiro em 2026
Os desafios no curto prazo e as oportunidades a longo prazo da cadeia do leite em 2026 serão foco do Fórum MilkPoint Mercado que, este ano, acontece no dia 9 de abril, em Piracicaba (SP) , no chamado “Vale do Silício do Agro”, ninho de startups e grandes inovações do setor. Para participarem, associados do Sindilat/RS têm garantido 10% de desconto na inscrição, que pode ser feita no link disponível no site do Sindilat, clicando aqui. A programação do Fórum MilkPoint Mercado 2026 foi estruturada para oferecer uma visão completa e estratégica da cadeia láctea, combinando análises de mercado, qualidade do leite e performance financeira da indústria ao longo de um dia inteiro de debates e networking. (Sindilat)


Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.579


Indústrias temem risco do acordo Mercosul-UE para o setor leiteiro

Impactado por meses de baixa rentabilidade no campo e na indústria, o setor lácteo brasileiro teme os efeitos adversos do acordo que avança entre Mercosul e União Europeia. O texto prévio de tratado de incentivo comercial entre blocos econômicos foi aprovado esta semana na Câmara dos Deputados e segue para apreciação do Senado e foi tema da reunião de associados do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) na tarde desta quinta-feira (26/2), em Porto Alegre (RS).
 
Segundo o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, o risco é que o setor entre como moeda de troca internacional para a concessão de benefícios a outros segmentos. “Esse é um acordo que certamente aumentará a corrente de comércio entre os países, favorecendo a economia brasileira. No entanto, precisamos operar para resguardar setores sensíveis e estratégicos, como o do leite, como forma de garantir autonomia alimentar e a sobrevivência da produção leiteira”, completou.

Pelo acordo em tramitação, está prevista redução de tarifas de importação para diversos setores. A política em debate prevê desoneração entre países dos dois blocos econômicos por até 18 anos, prazo que variará de acordo com o produto. “O acordo é inevitável. Precisaremos que o governo crie salvaguardas como existem hoje na União Europeia, concedendo subsídios ao setor produtivo que favoreçam a competitividade local frente aos importados ao lado de ações já existentes como o Mais Leite Saudável”, sugeriu Palharini. (Assessoria de imprensa do Sindilat/RS)


CONSELEITE – SANTA  CATARINA 

RESOLUÇÃO Nº 2/2026 

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 27 de Fevereiro de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Janeiro de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Fevereiro de 2026.  

O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão. (Conseleite SC)

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1908 de 26 de fevereiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 

A produção de leite foi afetada pela oferta limitada de pastagens cultivadas e nativas, associada ao estresse térmico dos animais. Em algumas propriedades, foi necessário utilizar ventiladores e aspersores, em determinados períodos do dia, para mitigar o impacto do calor sobre as vacas em produção.  A qualidade do leite ficou dentro dos padrões adequados. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o volume de leite entregue para a indústria sofreu redução em Bagé, em Hulha Negra e em Manoel Viana. Na Fronteira Oeste, a silagem feita em janeiro foi disponibilizada às matrizes para diminuir custos com suplementação e evitar a perda de peso dos animais.    

Na de Caxias do Sul, a produção aumentou, favorecida pelo maior consumo de alimentos dos animais. 

Na de Erechim, a atividade apresentou desempenho geral satisfatório, com volumes diários de 4 a 6 mil litros nas propriedades com sistemas extensivos. 

Na de Ijuí, houve redução de volume coletado em comparação aos períodos anteriores, principalmente nos sistemas conduzidos a pasto. Alguns animais apresentaram peso abaixo do ideal, mas, de maneira geral, o escore corporal do rebanho está adequado.  

Na de Pelotas, o bem-estar dos animais foi favorecido pelas condições meteorológicas e pela melhor oferta de forragem. Em algumas propriedades, a população de carrapatos aumentou. 

Na de Santa Maria, a rentabilidade da atividade tem preocupado os produtores.  

Na de Santa Rosa, observou-se diminuição nos volumes de leite produzidos diariamente em razão das altas temperaturas, que impuseram estresse térmico aos animais. 

Na de Soledade, houve leve redução na produção, pois as altas temperaturas provocaram estresse térmico nos animais, que reduziram o consumo de alimentos. (As informações são da Emater/RS editadas pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Previsão é de tempo estável em todo o Rio Grande do Sul
A previsão do tempo indica estabilidade em decorrência da atuação predominante de um sistema de alta pressão que favorece a manutenção do tempo estável no Rio Grande do Sul. Para semana que vem, não há previsão de chuva expressiva em nenhuma região do Estado e as temperaturas devem seguir em elevação gradual, especialmente no período da tarde. As informações constam no Boletim Integrado Agrometeorológico 09/2026 produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Sábado (28/2) e domingo (1/3):  as condições meteorológicas devem permanecer predominantemente estáveis, sem a atuação de sistemas capazes de provocar instabilidade significativa. Ao longo desse período, não há previsão de chuva expressiva em nenhuma das regiões do Estado, e as temperaturas devem seguir em elevação gradual, especialmente durante o período da tarde. Segunda (2/3), terça (3/3) e quarta-feira (4/3): o padrão atmosférico deve se manter, com predomínio de tempo estável em todo o RS. Assim, não há indicativo de precipitação significativa e as temperaturas devem continuar em elevação gradual, mantendo a condição de calor em grande parte do território gaúcho. De maneira geral, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 e 10 milímetros (mm) ao longo da semana e devem ocorrer apenas em pontos isolados, com maiores acumulados sendo previstos para região da Fronteira Oeste (10 mm). Já na maioria das regiões, não deve ocorrer precipitação. O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.


Porto Alegre, 26 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.578


Preço de referência do leite é projetado em R$ 2,0966

O valor de referência do leite projetado para fevereiro no Rio Grande do Sul é de R$ 2,0966. O indicador, divulgado nesta quinta-feira (26/02) em reunião virtual do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite), posiciona-se 1,98% acima da projeção feita em janeiro (R$ 2,0560). O valor consolidado de janeiro fechou em R$ 2,0382, 2,64% maior do que o resultado de dezembro (R$ 1,9857).

Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, a expectativa é que esse leve aumento chegue ao campo com impacto positivo, auxiliando a margem de lucro da atividade. Segundo ele, o momento é de aprofundar o debate sobre a competitividade da cadeia frente a outros players do mercado lácteo mundial e avaliar os entraves logísticos que impactam o setor lácteo. “O custo da produção láctea no Brasil é alto em comparação a outros países como a Argentina. Temos uma perda importante de competitividade. Mas não podemos avaliar isso olhando apenas para o produtor. A margem é apertada e essa análise de competitividade do leite precisa ser feita de forma global”, ponderou Prestes.

Divulgados mensalmente, os valores de referência do leite são elaborados com base em cálculo elaborado pela UPF a partir de dados fornecidos pelas indústrias referentes à movimentação dos nos primeiros 20 dias do mês. (Jardine Comunicação)


CONSELEITE MINAS GERAIS - CONSELHO PARITÁRIO DE PRODUTORES E INDÚSTRIAS DE LEITE DE MINAS GERAIS 
 
RESOLUÇÃO FEVEREIRO/2026 
 
A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 25 de Fevereiro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: 
 
a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2025 a ser pago em Dezembro/2025 
b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Janeiro/2026 a ser pago em Fevereiro/2026 
c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Fevereiro/2026 a ser pago em Março/2026. 


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. 

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA 
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br. 

Produção de leite avança na Argentina em janeiro, mas rentabilidade segue desafiadora

De acordo com relatório do Observatorio de la Cadena Láctea Argentina (OCLA), com base em dados da Direção Nacional de Leite, os tambos argentinos produziram 966 milhões de litros em janeiro. O volume representa uma queda de 7,6% em relação a dezembro - movimento considerado sazonal -, mas um avanço de 9,7% frente a janeiro de 2025, quando a produção foi de 880,7 milhões de litros.

Após um 2025 de forte expansão, a produção de leite na Argentina começou 2026 mantendo ritmo no crescimento. De acordo com o relatório do Observatorio de la Cadena Láctea Argentina (OCLA), com base em dados da Direção Nacional de Leite, os tambos argentinos produziram 966 milhões de litros em janeiro.

O volume representa uma queda de 7,6% em relação a dezembro — movimento considerado sazonal —, mas um avanço de 9,7% frente a janeiro de 2025, quando a produção foi de 880,7 milhões de litros.

O desempenho de janeiro ficou muito próximo do recorde histórico para o mês, registrado em 2015, de 973,8 milhões de litros. O OCLA também destacou o aumento dos sólidos totais (gordura e proteína). O teor médio de sólidos passou de 7% em janeiro de 2025 para 7,10% em janeiro de 2026. 

Preços ainda pressionam a rentabilidade

Apesar do bom desempenho produtivo, os preços pagos ao produtor seguem em nível considerado baixo, com impacto direto sobre a rentabilidade da atividade.

Segundo o OCLA, o preço médio recebido em janeiro foi de $ 478,19 por litro (US$ 0,33), alta de 0,3% em relação a dezembro e de 7,7% frente a janeiro de 2025. No entanto, descontada a inflação, o valor representa queda real de 2,5% no comparativo mensal e de 18,7% na comparação anual. Em dólares, o recuo é de 22,5% frente ao mesmo mês do ano passado. (Milkpoint)


Jogo Rápido

Estudo mapeia desafios do setor agropecuário paranaense com possível alteração da carga horária semanal
No setor de laticínios, o acréscimo estimado é de R$ 570 milhões por ano, considerando a coleta diária e o processamento imediato do leite. Nas cadeias de cana, café, fumo e hortifruti, o impacto alcança R$ 910 milhões anuais, reflexo da forte dependência de mão de obra em períodos curtos de colheita e da necessidade de ampliar equipes para manter o ritmo produtivo. A proposta de redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com a diminuição da carga horária semanal de 44 para 36 horas, poderá gerar impacto estimado em R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária do Paraná. O levantamento foi realizado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP e analisou os possíveis efeitos da medida sobre a estrutura de custos e a necessidade de adequação da mão de obra nas principais cadeias produtivas do Estado. O estudo considera uma base de 645 mil postos de trabalho no setor agropecuário paranaense, com massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões, incluindo salários e encargos obrigatórios como FGTS, INSS patronal, provisão de férias e 13º salário. Com a redução da jornada, estima-se a necessidade de reposição de 16,6% da mão de obra, seja por meio de novas contratações ou pelo pagamento de horas adicionais, o que representa aproximadamente 107 mil novos postos para manutenção do atual nível de produção. O impacto varia conforme a cadeia produtiva. Na avicultura e suinocultura, o custo adicional anual estimado é de R$ 1,72 bilhão, em razão do manejo contínuo dos animais e das escalas ininterruptas nas plantas frigoríficas. Na cadeia de grãos — soja, milho e trigo —, a necessidade de adequação chega a R$ 900 milhões, com desafios concentrados no recebimento da safra e na logística de transporte durante os períodos de pico. No setor de laticínios, o acréscimo estimado é de R$ 570 milhões por ano, considerando a coleta diária e o processamento imediato do leite. Nas cadeias de cana, café, fumo e hortifruti, o impacto alcança R$ 910 milhões anuais, reflexo da forte dependência de mão de obra em períodos curtos de colheita e da necessidade de ampliar equipes para manter o ritmo produtivo. O estudo aponta que a eventual redução da jornada de trabalho demandará planejamento e adequação da força de trabalho para garantir a produtividade e o funcionamento das cadeias agropecuárias paranaenses. As informações são do Sistema FAEP, adaptadas pela equipe MilkPoint.