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11/06/2026

Porto Alegre, 11 de junho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.649


Senado aprova renegociação de dívidas rurais com juros a partir de 3,5% ao ano,

O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 5.122/2023, que institui uma linha especial de crédito para produtores rurais renegociarem dívidas acumuladas em decorrência de perdas climáticas recentes e juros elevados. Proposta originalmente pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE), a matéria retorna agora para análise da Câmara dos Deputados antes de seguir para a sanção presidencial. A aprovação foi viabilizada após negociações entre a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a relatoria e o Ministério da Fazenda, resultando na incorporação de critérios técnicos exigidos pelo Poder Executivo.

O programa abrange débitos de crédito rural, Cédulas de Produto Rural (CPR) e obrigações com cooperativas e fornecedores de insumos contraídas até 31 de dezembro de 2025, independentemente de já terem sido renegociadas anteriormente. Os saldos devedores serão recalculados com a exclusão de multas, juros de mora e outras penalidades por inadimplência. Os financiamentos serão operacionalizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com prazo de quitação de dez anos e carência de três anos. O limite de crédito foi fixado em até R$ 10 milhões por beneficiário individual e em até R$ 50 milhões para associações e cooperativas.

As taxas de juros anuais do refinanciamento foram escalonadas conforme o porte do produtor, sendo de 3,5% para os inscritos no Pronaf e pequenos produtores, 5,5% para o Pronamp e médios produtores, e 7,5% para os demais tomadores. Para acessar o benefício, os produtores precisarão comprovar prejuízos em pelo menos duas safras entre os anos de 2019 e 2025, com uma redução mínima de 30% na renda agropecuária esperada.

Existe divergência técnica sobre o impacto fiscal da medida. Enquanto o Ministério da Fazenda projeta um impacto potencial de até R$ 140 bilhões sobre a dívida pública caso haja adesão total dos endividados, a relatoria estima o custo real em R$ 120 bilhões ao longo de dez anos, sob a justificativa de que o texto restringe-se apenas aos passivos atrasados do setor. Os recursos para subsidiar a linha de crédito virão do Fundo Social do Pré-Sal. Durante a tramitação, o texto incorporou duas emendas que autorizam a União a ampliar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) para cobrir o risco das operações e estabelecem mecanismos de transparência para a divulgação dos dados das renegociações.

A urgência da proposta reflete a retração nos indicadores financeiros do campo. Dados do Ministério da Agricultura apontam que, entre julho de 2025 e maio de 2026, o volume de crédito concedido à agricultura empresarial somou R$ 433 bilhões, o que representa uma queda de 5% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. O recuo foi mais acentuado nos programas de investimento, que registraram queda de 28,1% no conjunto, com retrações de 56% no Proirriga e de 54% tanto no Prodecoop quanto no Moderfrota.

De acordo com os relatórios técnicos do governo, a execução abaixo do programado decorre de uma menor demanda por crédito devido ao encarecimento das operações, endividamento prévio e riscos climáticos acumulados, e não por falta de recursos nos bancos. A expectativa do setor é que o alívio financeiro do PL 5.122/2023 reduza o endividamento de produtores e cooperativas antes do início e da formatação do Plano Safra 2026/27.

As informações são da Forbes, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Importações e acordo com UE elevam pressão sobre indústria de lácteos

Produtos importados já representam cerca de 8% do mercado brasileiro e redução das tarifas para lácteos europeus pode ampliar concorrência sobre os queijos nacionais de maior valor agregado

A indústria brasileira de lácteos acompanha com preocupação o avanço das importações e os efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que deve ampliar a concorrência no mercado nacional nos próximos anos. A avaliação é de Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, que alerta para uma possível perda de competitividade da produção nacional de queijos de maior valor agregado.

Segundo Sartor, o setor já enfrenta uma pressão significativa provocada pela entrada de produtos importados, principalmente de países do Mercosul. Atualmente, as importações de leite em pó e queijos representam cerca de 8% do mercado brasileiro, percentual que, na avaliação do executivo, tem impacto direto sobre os preços praticados no mercado interno.

"O mercado tem sofrido significativamente em função das importações que têm continuado ao longo dos últimos anos, principalmente do Mercosul. Estamos falando de um volume que representa aproximadamente 8% da produção nacional", afirma.

De acordo com o executivo, a entrada desses produtos aumenta a oferta no mercado e contribui para uma redução dos preços recebidos pela indústria e pelos produtores rurais. A situação se tornou ainda mais delicada após a confirmação de práticas de dumping nas importações de leite em pó oriundas da Argentina e do Uruguai.

"Foi comprovado que existia dumping sendo realizado, mas o governo optou por não atuar. Existe um lado positivo, que é evitar aumento de preços para o consumidor final, mas o produtor brasileiro acaba sendo extremamente prejudicado na sua rentabilidade", diz.

A preocupação do setor se intensifica com o início da implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia. Desde maio, as tarifas de importação para diversos produtos lácteos europeus começaram a ser reduzidas gradualmente. No caso dos chamados queijos duros, a alíquota caiu de 28% para 25,2% e continuará diminuindo até chegar a zero dentro de dez anos.

Embora o prazo pareça longo, Sartor destaca que o horizonte preocupa as empresas que precisam planejar investimentos de longo prazo.

"Dez anos pode parecer muito tempo, mas para quem investe em uma planta industrial não é. Entre aprovar um projeto, construir e colocar uma unidade em operação, muitas vezes já se passaram três anos", afirma.

A principal preocupação está justamente no segmento em que a empresa atua. A empresa é especializada em produtos de maior valor agregado, como queijo tipo grana, manteigas especiais, creme de leite e outros derivados premium.

"Nós produzimos queijo tipo grana e outros produtos de valor agregado. Vamos sofrer uma concorrência muito mais acirrada com os produtos europeus. A produção deles acontece em volumes muito maiores e eles contam com subsídios importantes fornecidos pelos governos da União Europeia", afirma.

Segundo as estimativas da empresa, a retirada gradual das tarifas poderá gerar uma diferença expressiva de competitividade entre os produtos nacionais e os importados.

"A nossa estimativa é que o custo do produto chegando ao Brasil fique aproximadamente 20% inferior ao nosso custo de produção. Isso reduz bastante a nossa competitividade", destaca Sartor.

O executivo avalia que os maiores impactos devem ocorrer justamente nos segmentos de queijos especiais e vinhos, produtos nos quais a Europa possui tradição, escala produtiva e forte apoio governamental.

"O acordo foi muito benéfico para alguns setores, especialmente proteínas animais. Mas lácteos e vinhos talvez sejam os dois segmentos que mais sentirão os efeitos dessa abertura comercial."

Diante desse cenário, a estratégia da empresa tem sido concentrar esforços em produtos diferenciados e em consumidores que valorizam qualidade, origem e processos produtivos mais rigorosos.

"No segmento de laticínios, os investimentos têm sido reduzidos porque ainda temos uma pequena ociosidade industrial. Nossa prioridade é manter a estrutura existente e buscar eficiência", afirma. (CNN)

O remédio para diabetes que valorizou o soro do leite

Criados para tratar diabetes, medicamentos como Ozempic ajudaram a transformar o soro do leite em um dos ingredientes mais valorizados do mercado.

O soro do leite sempre viveu nos bastidores da indústria láctea.
Agora, impulsionado pela expansão do uso de medicamentos para diabetes e emagrecimento, tornou-se uma das matérias-primas mais valorizadas do mercado de alimentos.

A transformação começou longe das fazendas, das queijarias e até das academias. O avanço global de medicamentos como Ozempic, Wegovy e outros agonistas de GLP-1 criou um novo comportamento de consumo. À medida que milhões de pessoas passaram a utilizar esses tratamentos, médicos e nutricionistas reforçaram a importância da ingestão de proteínas para preservar a massa muscular durante a perda de peso.

Foi nesse momento que o whey protein iniciou uma mudança de identidade.

Durante anos, o suplemento esteve associado principalmente à musculação e ao público esportivo. Hoje, passou a fazer parte da rotina de consumidores muito mais amplos, interessados em saúde, bem-estar e emagrecimento. O que era um produto de nicho tornou-se um ingrediente cada vez mais presente no cotidiano.

A mudança foi rápida o suficiente para impactar os preços globais. Segundo dados da StoneX, o concentrado de whey protein com 80% de proteína, conhecido como WPC 80, registrou alta de até 105% nos últimos 12 meses. Nas primeiras semanas de maio, a tonelada alcançou € 22 mil na União Europeia.

Ao mesmo tempo, o whey deixou de aparecer apenas em potes de suplementos. A indústria passou a incorporá-lo em chocolates, pães e diversos alimentos enriquecidos com proteína, ampliando ainda mais sua presença no mercado.

Por trás dessa corrida está justamente o soro do leite, gerado durante a fabricação de queijos. Durante décadas, esse subproduto teve papel secundário dentro da cadeia. Hoje, tornou-se um insumo estratégico em um mercado que cresce mais rápido do que a capacidade global de produção.

Segundo especialistas, a oferta ainda não acompanha o ritmo da demanda. Novas unidades industriais capazes de ampliar a produção devem entrar em operação apenas entre o segundo e o terceiro trimestre de 2027, mantendo a pressão sobre os preços.

O cenário também afeta fabricantes de suplementos. Empresas relatam reajustes sucessivos e buscam alternativas para conter o impacto dos custos. Algumas passaram a oferecer produtos com menor concentração proteica ou embalagens menores para preservar a acessibilidade ao consumidor.

Mesmo que os preços encontrem algum equilíbrio nos próximos meses, a mudança parece mais profunda do que um simples ciclo de mercado. O whey protein deixou de ser um produto restrito às academias, enquanto o soro do leite abandonou o papel de coadjuvante. Ambos passaram a ocupar um espaço central em uma tendência que nasceu na medicina e acabou alcançando toda a cadeia alimentar.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Agora RN


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Liquidez se aquece neste começo de junho
Cepea, 8/06/2026 – Pesquisadores do Cepea apontam que a liquidez no mercado brasileiro de soja está elevada neste início de junho, influenciada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda aquecida por parte da indústria doméstica de processamento. Esse cenário, segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, limitou quedas mais expressivas nos preços da oleaginosa, mesmo diante da safra recorde colhida no Brasil e das perspectivas favoráveis para a oferta global, com o avanço da colheita na Argentina e a semeadura nos Estados Unidos. Os números das exportações evidenciam a força da demanda pela soja brasileira. Dados da Secex mostram que o Brasil exportou 14,82 milhões de toneladas do grão em maio. Embora o volume tenha recuado 11,5% em relação a abril, houve crescimento de 5,1% em relação ao de maio de 2025. De janeiro a maio, os embarques são recordes para o período. No campo, produtores brasileiros se preparam para o período de vazio sanitário da soja, medida fitossanitária destinada ao controle da ferrugem asiática. Nos Estados Unidos, o USDA informou que, até o encerramento de maio, a semeadura da safra 2026/27 alcançou 87% da área prevista, acima da média de 80% observada nos últimos cinco anos. Na Argentina, a Bolsa de Cereales indicou que a colheita da soja atingiu 91,7% da área cultivada. Diante da boa produtividade, a estimativa da safra argentina segue mantida em 50,1 milhões de toneladas. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)