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08/06/2026

Porto Alegre, 08 de junho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.646


Diesel sobe o triplo da inflação de um ano

Apesar do esforço da Petrobras e do governo federal para não repassar a alta nos preços dos combustíveis, o consumidor sentiu nas bombas os três meses do ataque ao Irã por Estados Unidos e Israel. O impacto maior foi no diesel. No Rio Grande do Sul, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) identificou, desde o início do confronto, alta de 11,3% no diesel comum (de R$ 6,09 a R$ 6,78) e de 12,7% no S10 (de R$ 6,15 a R$ 6,93). É quase o triplo da inflação do último ano inteiro.

A Petrobras até elevou o preço na refinaria, mas o governo federal compensou com redução de imposto e, agora, com subvenção. Porém, a estatal não consegue produzir todo o diesel que o país consome, então parte é comprada de refinarias privadas e outra maior é importada. Os preços no Exterior dispararam mais do que o desconto dado para compra do combustível de fora.

Já a gasolina subiu bem menos, 2,4%, embora seja, em três meses, a metade da inflação de um ano. O litro para o gaúcho subiu de R$ 6,24 para R$ 6,39, ainda bem longe do pico histórico de preço atingido em 2021. O Brasil importa menos gasolina, que é um combustível mais sensível para a inflação. A Petrobras aumentou há duas semanas, mas foi praticamente tudo compensado pela subvenção do governo federal. Os preços subiram pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, combustíveis prontos e gás natural. O barril saltou de US$ 70 a quase US$ 130, ainda que não tenha batido o recorde de quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Agora, gira em torno dos US$ 100 sem perspectiva de reabertura do canal no Oriente Médio. (Zero Hora)


Nova Zelândia: próxima temporada deve ter preço do leite e custos mais elevados, aponta Rabobank

Após um forte encerramento da temporada leiteira 2025/26 — marcado por altas no índice de preços do Global Dairy Trade (GDT) em oito dos últimos dez leilões — o Rabobank projeta um robusto preço inicial do leite entre NZ$ 0,79 e NZ$ 0,83 (US$ 0,46 e US$ 0,49) por quilo de leite para a temporada 2026/27. No entanto, o banco alerta que os impactos inflacionários causados pelas tensões geopolíticas provavelmente irão pressionar as margens dos produtores na nova temporada, tornando essencial um controle disciplinado de custos e o planejamento de diferentes cenários.

Em seu novo relatório sobre a indústria leiteira, “Altos preços do leite, custos mais altos: a equação das margens em 2026/27”, o banco especializado em agronegócio afirma que a temporada 2025/26, prestes a ser concluída, entregou rentabilidade excepcional, sustentada pelo forte desempenho do GDT e pela valorização generalizada dos produtos lácteos. “Durante a segunda metade da temporada, o índice GDT voltou a ganhar força, e esse movimento coordenado sustentou sucessivas revisões para cima na previsão do preço do leite da Fonterra, elevando o ponto médio para NZ$ 0,79 (US$ 0,46) por quilo de leite em fevereiro de 2026 e posteriormente para NZ$ 0,80 (US$ 0,47) por quilo de leite em março”, afirmou Emma Higgins, analista sênior da RaboResearch e autora do relatório.

“A atual previsão de preço ao produtor de NZ$ 0,80 (US$ 0,47) por quilo de leite para a temporada 2025/26 continua sendo altamente lucrativa para os produtores. E, para os fornecedores da Fonterra, os fortes retornos de capital e dividendos saudáveis oferecem uma base extraordinariamente sólida para entrar na próxima temporada. Para 2026/27, nossa expectativa é de um forte preço inicial ao produtor entre NZ$ 0,79 e NZ$ 0,83 (US$ 0,46 e US$ 0,49) por quilo de leite. Dada a contínua competição pela oferta de leite, a Fonterra pode novamente adotar uma postura agressiva em sua previsão inicial. Isso poderia elevar ainda mais o ponto médio da faixa para sustentar um valor de abertura mais forte, semelhante ao da temporada passada e mais alinhado aos sinais do mercado spot.”

Forte pressão sobre as margens

Embora a temporada leiteira 2026/27 também deva ser lucrativa, Higgins afirmou que os produtores da Nova Zelândia iniciarão a nova temporada em 1º de junho enfrentando uma pressão significativa sobre as margens, impulsionada pela inflação persistente e disseminada nos custos de produção. “O fechamento contínuo do Estreito de Ormuz — agora entrando em seu quarto mês — está criando condições semelhantes às de choques de estágio fracionários do passado. Os impactos iniciais, especialmente os preços mais altos da energia, já estão sendo repassados para importantes insumos da atividade leiteira, incluindo diesel, fertilizantes e bens industriais. Efeitos secundários também estão surgindo, com os custos elevados de energia alimentando expectativas inflacionárias mais amplas”, afirmou. A partir daqui, o cenário se torna significativamente mais incerto, exigindo planejamento baseado em diferentes cenários. A principal variável é a duração da interrupção: quanto mais tempo o fechamento persistir, mais lenta e desigual tende a ser a normalização dos mercados de energia e insumos.”

O relatório afirma que, embora o cenário-base da RaboResearch atualmente não considere um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, o risco de uma interrupção mais longa — além do que os mercados estão precificando — não pode ser ignorado. “As pressões inflacionárias e a piora da confiança do consumidor já estão testando a resiliência da demanda nos mercados lácteos, e esperamos que isso continue nos próximos meses. No entanto, também é possível que, em um cenário de interrupção prolongada, a demanda global por importação de alimentos aumente fortemente em busca de segurança alimentar, à medida que países importadores de energia tentem garantir suprimentos diante da deterioração dos termos de troca. Isso provavelmente sustentaria os preços dos lácteos, com o leite em pó podendo retornar aos picos do ciclo anterior e elevando os preços pagos ao produtor na Nova Zelândia no curto prazo. O ambiente operacional volátil em que os produtores se encontram agora reforça a necessidade de um planejamento de cenários mais amplo do que o habitual, tanto para custos quanto para receitas, além de cautela ao tratar picos de preços de commodities causados por choques geopolíticos como algo estrutural e não temporário.”

Desaceleração no crescimento da oferta global

O relatório afirma que a oferta global de leite continua abundante, embora o ritmo de crescimento esteja desacelerando. “Aqui na Nova Zelândia, a temporada de produção de leite 2025/26 está a caminho de ser a maior da história, com produção mais de 4% superior nos 11 meses até abril de 2026. A produção agora está bem posicionada para superar o recorde anual anterior, estabelecido na temporada 2020/21. A elevada oferta de leite da Nova Zelândia provavelmente continuará nos primeiros meses da temporada 2026/27; no entanto, o nível recorde esperado para 2025/26 será difícil de superar. Com base nos fundamentos atuais, a produção de leite da Nova Zelândia em 2026/27 pode crescer modestamente em até 1%. Mas, como sempre, as condições climáticas — especialmente o risco de desenvolvimento de um El Niño — terão papel importante no resultado final. Esta temporada pode sinalizar o início de uma nova fase estrutural para a produção leiteira da Nova Zelândia, caracterizada por um nível-base mais elevado de produção. Desde 2014, a produção vinha oscilando dentro de uma faixa relativamente estreita; porém, o desempenho da temporada 2025/26 sugere que o setor pode estar rompendo esse padrão", afirmou Higgins.

Em outras regiões, Higgins afirmou que já surgem sinais de uma desaceleração gradual da explosão de oferta de leite que caracterizou 2025. “Embora os primeiros dados indiquem forte crescimento anual da produção de leite na União Europeia durante o primeiro trimestre de 2026, essa expansão já demonstra sinais de moderação. Nos Estados Unidos, o crescimento também está desacelerando, mas provavelmente permanecerá relativamente elevado ao longo de 2026 em comparação com outros grandes exportadores. Enquanto isso, a Austrália mostra sinais de recuperação, com expectativa de melhorias modestas ao longo do ano. Nosso cenário-base continua sendo de pressão sobre as margens entre muitos dos sete maiores exportadores de lácteos do mundo (Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, União Europeia, Uruguai, Brasil e Argentina), o que pode limitar o crescimento da produção no final de 2026 e ajudar a sustentar os preços dos lácteos em níveis elevados.”

As informações são do Rabobank, adaptadas pela equipe MilkPoint.

MILHO/CEPEA: Movimento de queda prevalece no começo deste mês

Cepea, 8/06/2026 – Com compradores afastados do mercado spot, os valores do milho seguem em queda neste começo de junho na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.

Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, demandantes nacionais, além de possuírem estoques para o consumo no curto prazo, seguem atentos à colheita de segunda safra e às recentes quedas dos preços internacionais, que reduzem a paridade de exportação e, consequentemente, pressionam as cotações domésticas.

Do lado vendedor, os que não necessitam “fazer caixa” ou liberar espaços nos armazéns ainda limitam as negociações, apontam pesquisadores do Cepea. Neste caso, agentes aguardam sustentações nos valores, fundamentados na menor produção em 2025/26 e nos possíveis impactos na produtividade com a seca, principalmente em Goiás e em partes de Mato Grosso do Sul, além das geadas no Paraná.

No mercado externo, os preços registraram forte baixa no começo de junho, pressionados pela melhora das condições climáticas nas regiões produtoras dos Estados Unidos, pelo aumento da oferta na América do Sul, pela colheita da segunda temporada no Brasil e pela safra em bom volume na Argentina. Além disso, a queda nos preços do trigo também influenciou a desvalorização do milho.

Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


Jogo Rápido

Festival celebra a cadeia produtiva em Carlos Barbosa
O FestiQueijo chega à 34ª edição celebrando um marco histórico: 50 anos de comemorações na comunidade, desde a primeira Festa do Leite, passando pela Fefatle, até a consolidação do evento no formato atual. Para marcar esse momento, o festival, que ocorre de 26 de junho a 26 de julho, em Carlos Barbosa, apresenta uma proposta mais imersiva. O conceito da edição conduz o visitante por uma jornada pela cadeia produtiva do queijo, desde a produção familiar até o momento de celebração. O conceito destaca o tempo de cada processo e a preservação de saberes que atravessam gerações.Neste ano, a gastronomia estará no centro da experiência do público também na área externa. A Piazza FestiQueijo, na Rua Coberta, e o Mercato FestiQueijo, no Parque da Estaçãozinha, áreas de circulação gratuita, serão uma proposta unificada de experiências ao lado do Centro Cultural Mãe de Deus, local em que ocorre o evento."As estruturas foram projetadas para refletir o conceito do resgate das essências, tema que marca esta edição do FestiQueijo. Além de garantir conforto ao público, os espaços buscam proporcionar uma experiência que conecte os visitantes à história e ao legado construídos ao longo dos 50 anos do evento", afirma o arquiteto e diretor de Estruturas do 34º FestiQueijo, Guilherme Grutzmann.Serão cinco espaços gastronômicos com pratos típicos, em propostas mais elaboradas e complementares ao que é servido no salão principal, mantendo o queijo como protagonista da experiência. Além disso, o ambiente contará com mesas longas e compartilhadas, incentivando a interação entre os visitantes e reforçando o espírito comunitário que marca a história do festival. O diretor do 34º FestiQueijo, Francisco Guazzelli, ressalta que a proposta é festejar como a comunidade sempre fez ao longo desses 50 anos: em volta da mesa. (Correio do Povo)