Porto Alegre, 15 de junho de 2026 Ano 20 - N° 4.651
Associados do Sindilat/RS têm 10% de desconto no Interleite Brasil 2026
Os associados do Sindilat/RS contam com 10% de desconto na inscrição para participar do Interleite Brasil 2026. Com o tema “Capacitando e fortalecendo a produção de leite no Brasil”, o evento será realizado nos dias 18, 19 e 20 de agosto, no Gaudium Hall, em Uberlândia (MG), reunindo produtores, técnicos, gestores, pesquisadores e lideranças do setor para discutir os desafios e as oportunidades da atividade leiteira.
A edição de 2026 traz como tema “O futuro do leite passa por quem decide evoluir” e a programação contará com duas salas simultâneas de palestras, permitindo que os participantes escolham entre conteúdos voltados à tecnologia aplicada ou à gestão. Entre os temas abordados estão manejo e nutrição de bezerras, saúde animal, qualidade do leite, automação e robótica na ordenha, formulação de dietas, produção de volumosos, gestão econômica, gestão de pessoas, bioseguridade e estratégias para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.
Além das palestras, o Interleite Brasil promoverá debates, apresentação de estudos de caso, espaço para exposição de empresas e oportunidades de networking entre os diferentes elos do setor. A programação completa está disponível em https://www.interleite.com.br/.
Importações de lácteos são recorde em meio a impasse sobre antidumping
Setor produtivo cobra aplicação de tarifas contra exportadores da Argentina e do Uruguai
As importações de lácteos pelo Brasil aceleraram 3,5% em maio, para um volume equivalente a 220 milhões de litros de leite, e levaram as compras acumuladas no ano a um novo recorde: mais de 1 bilhão de litros em cinco meses. A alta ocorre em meio ao impasse sobre a aplicação de tarifas antidumping contra empresas da Argentina e Uruguai, de onde vêm mais de 80% do produto em pó importado.
De acordo com dados divulgados nessa semana pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e divulgados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as importações de lácteos em maio chegaram a US$ 102,8 milhões. O volume importado foi de 25,9 mil toneladas, principalmente de leite em pó e queijos. A conversão indica que a quantidade representa cerca de 220 milhões de litros.
As importações de maio representaram alta de 3,5% em relação a abril, mas houve um salto de quase 30% na comparação com maio de 2025. Segundo a CNA, as diferentes versões de leite em pó responderam por 68% do total mensal. Argentina e Uruguai forneceram 86% desse volume.
O novo recorde é para o acumulado das importações entre janeiro e maio, que chegaram a 1,02 bilhão de litros. A alta nas compras preocupa o setor em meio ao impasse do governo, com a decisão de suspender a aplicação de tarifas antidumping contra Argentina e Uruguai, e a baixa nos preços do leite aos produtores brasileiros no mês passado, de até 10% no caso do UHT.
Nessa semana, o governo publicou a decisão do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) sobre o antidumping. A investigação contra o leite em pó do Mercosul encontrou margens de dumping que variam entre 25% e 60% para a Argentina e entre 4% e 50% para o Uruguai. Também foram encontradas margens de subcotação entre 9,2% e 20,2%, ao se compararem os preços médios internalizados no Brasil com os do leite in natura e do leite em pó nacional, respectivamente.
A investigação atestou que as importações geraram prejuízos aos produtores brasileiros, com a deterioração do preço pago no mercado interno. O texto, publicado nessa semana, reconheceu as práticas desleais e estabeleceu a aplicação de direitos antidumping, por um prazo de até cinco anos, às importações brasileiras de leite em pó, integral ou desnatado, não fracionado, originárias da Argentina e do Uruguai.
Apesar do reconhecimento do dumping, a Camex decidiu suspender temporariamente a aplicação das medidas antidumping para avaliação de interesse público diante das preocupações com os indicadores de inflação aos consumidores brasileiros.
A CNA contesta essa avaliação. A entidade sustenta que o direito antidumping recai exclusivamente sobre o leite em pó não fracionado destinado ao uso industrial, comercializado em embalagens a granel e utilizado como insumo pela indústria alimentícia.
"Os produtos potencialmente afetados possuem peso reduzido no IPCA (0,26% na média dos últimos 5 anos), e ainda assim, o percentual de leite importado em sua composição é mínimo. Por outro lado, os principais itens da alimentação básica permanecem fora do escopo da medida, não sendo, portanto, afetados", diz a CNA.
Impactos
A resolução da Camex publicada nessa semana detalha a aplicação das tarifas antidumping. Para empresas não identificadas individualmente na investigação, a medida prevê a aplicação da alíquota de maior montante, para evitar que os exportadores criem novos registros e burlem medidas de defesa comercial.
No caso da Argentina, as terão tarifas variam entre US$ 167,31 por tonelada e US$ 903,50 por tonelada para empresas que participaram da investigação e responderam aos questionários enviados pelo governo brasileiro.
Já para outros exportadores conhecidos, mas que não responderam aos questionários, a tarifa foi estabelecida em US$ 1.707,08 por tonelada. Para novos exportadores a alíquota ficou em US$ 4.183,17 por tonelada.
Já para o Uruguai, as tarifas ficaram entre US$ 378,27 por tonelada e US$ 850,07 por tonelada. No caso de novos exportadores, a alíquota indicada é de US$ 4.196,72 por tonelada. (Valor Econômico)
Alerta no pasto: El Niño desafia a pecuária de leite no Brasil
Fenômeno traz estresse térmico no Centro-Sul e seca no Nordeste, mas avanço tecnológico e chuvas no Sul ajudam a equilibrar o volume nacional
O clima global se prepara para uma nova rodada de instabilidades com a confirmação da presença do El Niño pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês). Para a pecuária de leite, o fenômeno traz um cenário complexo e heterogêneo: enquanto algumas regiões se preparam para enfrentar secas e estresse térmico, outras podem registrar aumento na oferta de forragem.
Apesar do alerta ligado para a safra 2026/27, o impacto no volume total produzido depende de múltiplos fatores geográficos e estruturais.
A intensidade do El Niño ganhou contornos mais nítidos no segundo semestre. Modelos climáticos indicam uma probabilidade de 63% de o evento atingir uma intensidade muito forte entre os meses de novembro e janeiro.
Este período é considerado crítico por coincidir diretamente com o início e o desenvolvimento da estação chuvosa nas principais regiões produtoras do Brasil. “Este timing é uma fase decisiva para o plantio e o potencial produtivo”, alerta Juliana Torres Santiago, analista de inteligência de mercado da StoneX, em relatório técnico.
Segundo ela, “um El Niño forte tende a aumentar a variabilidade climática, com excesso de chuvas em algumas áreas e seca em outras”.
O mosaico de impactos nas regiões brasileiras
Como a produção de leite está presente em 99% dos municípios do país, o impacto acaba sendo fragmentado. Segundo o levantamento da StoneX, os efeitos variam drasticamente de acordo com a geografia nacional:
Nordeste sob risco: A região, que vinha expandindo sua participação de mercado por meio de novas tecnologias, enfrenta o maior risco de estiagem. Estados como Bahia, Sergipe e Alagoas são os mais expostos à escassez de chuva. O período mais crítico deve se concentrar em fevereiro e março, comprometendo diretamente a oferta de pastagens.
Irregularidade no Centro-Sul: Em grandes polos como Minas Gerais e Goiás, a tônica será a oscilação. Alternando meses mais secos (novembro, dezembro e março) com momentos de recuperação, a principal preocupação reside no estresse térmico. O rebanho sofre com as altas temperaturas, o que prejudica o conforto dos animais e ameaça a produção de silagem de milho.
Excesso de água no Sul: Na contramão do país, o Sul e o Mercosul (Argentina e Uruguai) devem registrar volumes de chuva acima da média. Se por um lado isso favorece o crescimento do pasto, por outro exige atenção. “O volume elevado de chuvas pode gerar problemas de manejo, comprometer a sanidade do rebanho, dificultar a logística de captação e prejudicar o plantio de forragens suplementares”, pontua a analista no documento.
Por que o impacto não é linear?
Historicamente, o comportamento do volume total de leite produzido no Brasil não apresenta uma relação direta com o El Niño ou a La Niña. Isso ocorre porque os efeitos tendem a se contrabalançar entre as regiões — o ganho produtivo impulsionado pelas chuvas no Sul costuma equilibrar as perdas causadas pela seca no Nordeste.
Além disso, fatores estruturais têm demonstrado maior peso do que as variáveis climáticas isoladas. “Mudanças como a adoção crescente de tecnologia, a migração para sistemas de confinamento, variações de preço, dinâmicas de demanda e o cenário internacional exercem influência mais determinante sobre a produção”, destaca Juliana.
Panorama global: Oceania sob a mesma dinâmica
Grandes players mundiais do mercado de lácteos, como a Nova Zelândia e a Austrália, também enfrentam previsões de heterogeneidade por operarem sistemas baseados em pastagens. Enquanto a Austrália tende a enfrentar um padrão mais quente e seco, a Nova Zelândia divide-se entre um oeste úmido e um leste seco.
Ainda assim, os dados históricos mostram ausência de correlação linear exata entre o índice climático e a produtividade final das pastagens locais. Para a safra 2026/27, a projeção de uma leve retração produtiva na Oceania decorre muito mais de uma base de comparação excepcionalmente alta em 2025/26 do que de danos diretos do fenômeno.
Perspectivas para os próximos meses
O ano de 2026 segue registrando uma tendência de desaceleração produtiva no Brasil, reflexo direto das margens de rentabilidade observadas pelo produtor nos últimos anos.
O grande ponto de atenção se desloca para 2027. Caso as previsões de um El Niño intenso e persistente se sustentem ao longo do primeiro semestre, o equilíbrio entre oferta e demanda global poderá sofrer alterações mais severas, exercendo pressão de alta sobre os preços praticados no mercado de lácteos. (Canal Rural)
Jogo Rápido
Sindilat/RS destaca qualificação e fortalecimento do setor leiteiro na abertura da 2ª Ferlach
O secretário executivo do Sindilat-RS, Darlan Palharini, participou da abertura da 2ª Feira Regional de Lácteos de Chapada (Ferlach), realizada no município de Chapada (RS). O evento reuniu produtores, técnicos, empresas, lideranças e representantes do setor para debater os desafios e as oportunidades da cadeia produtiva do leite. “Esse espaço de debate e capacitação é essencial para fortalecer a cadeia produtiva, estimular a profissionalização das propriedades e ampliar a competitividade da atividade leiteira”, destacou. A programação da 2ª Ferlach incluiu palestras técnicas, debates sobre gestão, bem-estar animal, nutrição e sustentabilidade, além de exposições e atividades voltadas aos produtores de leite da região entre os dias 11 e 14 de junho. Na oportunidade, Palharini também convidou os participantes para o lançamento do Milk Summit Mercosul, que será realizado em 14 de julho, em Ijuí (RS). (SINDILAT/RS)