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Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 27 de dezembro de 2022                                                  Ano 16 - N° 3.809


Pequena propriedade de jovem casal de pedras altas vira caso de sucesso estadual na produção leiteira

A manhã do sábado (17) foi de emoção para o jovem casal Gean e Alice Bellini – ele com 30 anos e ela com 27, moradores do assentamento Lago Azul, localizado a cerca de 40km da sede de Pedras Altas.

Ambos foram pegos de surpresa, quando receberam das mãos dos representantes na região da Cooperativa Central Gaúcha Ltda (CCGL), o troféu de 1º lugar como caso de sucesso entre todos os produtores de leite conveniados com a cooperativa no RS.

Quando se fala em surpresa, é isso mesmo, porque o casal não sabia que havia sido escolhido entre outras 20 regiões do Estado. A divulgação ocorreu no encontro anual realizado na quinta-feira (15), na sede da CCGL, em Cruz Alta, quando o zootecnista e assistente técnico de campo da CCGL para a região, Thiago Pereira Vieira, apresentou o caso de Gean e Alice. “Num ano muito difícil e desafiador para a produção leiteira, com muita seca no início do ano e um inverno rigoroso e chuvoso, terminarmos assim com esse prêmio, é muito gratificante”, assinala Thiago.

Para despistar e manter a surpresa, Gean e Alice foram convidados para uma ‘reunião’ na casa do pai dele, o ex-prefeito de Pedras Altas, Jair Bellini, no mesmo assentamento. A suposta reunião era com o atual prefeito do município, Volnei Oliveira, que também foi ‘cúmplice’ na surpresa e estava presente no momento da revelação, assim como a reportagem do TP.

SUCESSO – O casal começou com a produção leiteira em 2014, porém somente na primavera de 2018, o tambo passou a ser o primeiro gerenciado pelo sistema de assistência técnica da CCGL. Pouco antes, a Associação Municipal dos Produtores de Leite de Pedras Altas (Amplepa), da qual Gean é assistente técnico e tesoureiro, havia fechado contrato com a cooperativa para recolher a produção do município, dentro da parceria CCGL, Cooperativa Mista Aceguá Ltda (Camal) e Cooperativa Agropecuária Júlio de Castilhos (Cootrijuc).

Conforme explicou o assistente Thiago, logo após o primeiro planejamento forrageiro que fizeram, já em 2019, os resultados começaram a aparecer. “Um caso de sucesso é todo aquele em que os resultados, em qualquer segmento de atuação, são acima da média. E esta é a situação do Gean e da Alice”, comemora ele, lembrando que o sonho da Alice, em 2018, era a aquisição de uma máquina de lavar e hoje eles já adquiriram com a produção, além da máquina, um veículo de passeio, entre outras conquistas a mais do que o melhoramento das condições de produção.

De 2014 até 2022, o tambo do casal teve crescimento de 254% em quantidade de leite produzido e somente de 2018 até agora – após a assistência da CCGL, a produção cresceu 153%. A média de produção de litros de leite diários por vaca vem crescendo ano a ano, com 26 litros em 2020, 27,3 litros em 2021 e fechou em novembro de 2022 com média de 28,7 litros por animal. Além disso, dentro dos padrões das novas instruções normativas, implantadas a partir de 2018, o casal alcançou, segundo Thiago, médias anuais relevantes, como 18 mil de contagem bacteriana total (CBT) e 292 mil de contagem de células somáticas (CCS). “Lutamos para ter muitos Geans e Alices na região”, disse.

O casal produz num lote de assentamento com apenas 20 hectares. São 18 vacas em lactação e a atividade leiteira é o carro-chefe da propriedade. A produção diária em média é de 500 litros. “Passamos muitas dificuldades para chegarmos hoje e receber esse prêmio. Eu sempre gostei de tirar leite e como é bom ser reconhecido naquilo que se tem gosto em fazer. Espero que mais produtores possam confiar na assistência como confiei, pois seguindo as orientações o resultado vem”, destaca Jean, lembrando que tudo gira em torno da alimentação dos animais. “A qualidade do leite entra pela boca da vaca. Sem pastagem e silagem em abundância não se resultados”, alerta.

Emocionada, Alice assinalou que a existência da Amplepa é o grande incentivo, lembrando que a produção leiteira é penosa, quando se enfrenta o inverno do pampa e os calorões do verão. “Por isso também minha gratidão à família, que sempre nos incentivou a jamais desistir. Estamos muitos felizes”, agradeceu.

Ainda em tom de agradecimento, Gean lembrou do veterinário Toni Machado, que, conforme ele, foi fundamental no início da sua caminhada como produtor de leite.

AMPLEPA – Com 49 produtores sob sua responsabilidade, entre eles o casal premiado, a Associação Municipal dos Produtores de Leite de Pedras Altas (Amplepa), também é um caso de sucesso. Criada há mais de 20 anos, a entidade é que possibilita todo o suporte e também a superação dos obstáculos e dificuldades que a atividade impõe.

Presente no ato da entrega da premiação ao casal, o atual presidente, Leomir Savoldi, salientou o orgulho da associação pelo alcance da honraria. “Isso é a soma das parcerias que estabelecemos, o que reflete diretamente na qualidade do leite”, assinala, não deixando de citar o presidente anterior a ele, Evaldo Deoscar, que segundo Leomir foi fundamental na parceria com a CCGL/Camal/Cootrijuc.

Figura fundamental na cadeia produtiva, o associado da Amplepa e responsável pelo transporte diário da produção da associação, Ricardo Salvoldi, o Ricardinho, recordou os momentos de severas dificuldades para a retirada da produção das propriedades, enfrentando condições adversas e muito caminhão estragado. “Hoje seguimos com dificuldades, mas numa realidade bem melhor”, aponta.

PREFEITURA – A Prefeitura de Pedras Altas é também uma grande parceira da produção leiteira. Somente em 2022, conforme dados do termo de colaboração firmado com a Amplepa, além de diversos maquinários transferidos, como tratores, reboques, plantadeiras, ensiladeiras, entre outros, há um repasse mensal em dinheiro de R$ 33 mil, que somados aos equipamentos chega a um desembolso de mais de R$ 1,5 milhão no ano. Para 2023, haverá um incremento R$ 5 mil, passando o repasse mensal para R$ 38 mil.

TP POSTO DE LEITE – O posto de leite da CCGL/Camal/Cootrijuc, localizado em Aceguá, conforme o supervisor de produção Júlio Lemos, que também é vereador na cidade, recebe diariamente no forte da primavera, 102 mil litros, perfazendo mais de 3 milhões de litros por mês. Essa produção vem de oito municípios: Bagé, Hulha Negra, Candiota, Pedras Altas, Chuí, Santa Vitória do Palmar, Cerrito e São Lourenço do Sul. De Aceguá ela é transportada para Cruz Alta, na sede da CCGL, onde é processada.

Para Julio, o prêmio do casal representa uma superação, pois está se falando de pequenos produtores, oriundos de um assentamento. “Muitas vezes se olha apenas para os grandes. Isso é a prova que quando se tem a orientação correta e ela é seguida, os resultados aparecem, independente do tamanho da propriedade”, destacou. (Edairy)


A seca continua sendo uma preocupação na América do Sul

Leite/América do Sul – A seca continua sendo uma preocupação na América do Sul, principalmente no que se refere ao crescimento das culturas anuais, bem como a produção de leite no curto prazo. 

As pastagens estão se deteriorando. Continuam chegando relatos do Uruguai e da Argentina sobre os efeitos do fenômeno La Niña na região. Grandes áreas permaneceram quentes e secas durante a maior parte do ano. Outras áreas da América do Sul, ao contrário, relatam chuvas excessivas e inundações. As expectativas em relação à produção de leite no primeiro trimestre de 2023 são variadas. Mas, de um modo geral, as perspectivas são de queda na comparação anual. Os custos operacionais nas fazendas flutuaram este ano, e com poucas possibilidades de melhoria do clima de imediato, a previsão é de que os custos de ração e fertilizantes permanecerão estáveis e muito provavelmente aumentem em 2023.O comércio de leite em pó vem caindo de outubro para cá. O Brasil compensou o afastamento de três grandes parceiros comerciais da região, Argélia, China e Rússia, cujas compras diminuíram por diversos motivos. Contatos brasileiros dizem que as compras aumentaram por necessidade, devido às incertezas econômicas. Os vizinhos da América do Sul possuem grandes disponibilidades de queijo e leite em pó. (Fonte: Usda – Tradução Livre: Terra Viva)

Clima volta a afetar produção de grãos no Rio Grande do Sul

Estimativas para a colheita de milho de verão no Estado já diminuíram

O fenômeno La Niña, que pela terceira safra seguida influencia o regime de chuvas no Sul do Brasil, já trouxe o primeiro impacto negativo para a safra de grãos no Rio Grande do Sul neste ciclo 2022/23. Com os problemas, a consultoria StoneX reduziu para 4,5 milhões de toneladas sua estimativa de colheita de milho no verão no Estado, ante as 5,4 milhões projetados no início do mês.

Em agosto, a projeção da Emater-RS apontava para uma colheita de milho verão de 6,1 milhões de toneladas, ante 2,9 milhões na safra 2021/22, que foi castigada pela seca.

“A irregularidade das chuvas no Estado durante a segunda quinzena de novembro e ao longo das primeiras semanas de dezembro, momento crucial para a determinação do potencial produtivo, acabou acarretando em perdas de produtividade”, avaliou a StoneX, em boletim.

Para a soja, que está em fase final de plantio, a consultoria disse que o clima adverso ainda não trouxe riscos de queda de rendimento das lavouras. A Emater gaúcha espera uma colheita de 20,5 milhões de toneladas, ante as 9,1 milhões da prejudicada temporada 2021/22.

Ainda segundo a empresa, a ocorrência de chuvas ideais ainda poderá amenizar a situação das lavouras milho, mas novas perdas não estão descartadas. “Precisamos de chuvas regulares em janeiro e fevereiro. Não adianta chover 100 milímetros em um dia e não cair água nos próximos 30 dias. O cenário ideal seria um volume de precipitações de 20 milímetrosdiário, mas como estamos em época de La Niña, a irregularidade das chuvas deve prevalecer”. reforçou João Pedro Lopes, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Segundo o diretor técnico da Emater-RS, Alencar Rugeri, com exceção do nordeste do Estado, todas as demais áreas sofrem com a irregularidade das chuvas. Rugeri afirma que há relatos  relatos de perdas em pequenas áreas, e pondera que ainda é cedo para revisar as estimativas sobre a produção gaúcha. (Valor Econômico)


Jogo Rápido 

SONDAGEM FGV: Sobe confiança do consumidor 
A confiança do consumidor subiu 2,7 pontos em dezembro ante novembro após dois recuos seguidos, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) ficou em 88 pontos. Em médias móveis trimestrais o resultado caiu 0,3 ponto. “A melhora da confiança reflete um aumento do otimismo em relação aos próximos meses, principalmente das famílias de menor poder aquisitivo, que vêm se mantendo mais endividadas e sofrendo mais com os efeitos da inflação e taxa de juros elevada. As avaliações sobre o momento ainda se mantêm estáveis, mas com piora na percepção sobre o mercado de trabalho, o que gera cautela na intenção de compra”, avaliou a coordenadora de Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), Viviane Seda Bittencourt. Em dezembro, o Índice de Situação Atual subiu 0,1 ponto, para 70,9 pontos. O Índice de Expectativas avançou 4,3 pontos, para 100,3. “O ano fecha com saldo positivo e zera as perdas acumuladas nos últimos dois anos, mas é necessário um grande caminho para que a confiança volte a superar o nível neutro, estimulando o consumo”, concluiu a coordenadora. (Correio do Povo)


 
 
 

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Porto Alegre, 26 de dezembro de 2022                                                  Ano 16 - N° 3.808


Conseleite Minas Gerais

Na reunião do mês de novembro/2022, o Conselho aprovou os resultados dos estudos da Câmara Técnica relativos aos custos de produção de produtores e indústrias que resultam em novos valores de referência para os derivados lácteos considerados no modelo. Serão divulgados valores de referência com e sem revisão até o mês de dezembro e a partir de janeiro de 2.023, apenas valores com revisão. Para calculadora do Conseleite MG serão considerados apenas os valores COM revisão.

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 23 de Dezembro de 2022, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:

a) os valores de referência do leite padrão, maior e menor valor de referência para o produto entregue em Outubro/2022 a ser pago em Novembro/2022

b) os valores de referência do leite padrão, maior e menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2022 a ser pago em Dezembro/2022

c) os valores de referência do leite padrão, maior e menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2022 a ser pago em Dezembro/2022 e valores de referência projetados do leite padrão maior e menor valor de referência para o produto entregue em Dezembro/2022 a ser pago em Janeiro/2023.


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. 

O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite padrão, maior e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima.

Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br. (Conseleite MG)


Ronaldo Santini será secretário de Desenvolvimento Rural do governo Leite

O deputado estadual Ronaldo Santini (Podemos) será o secretário de Desenvolvimento Rural no novo governo de Eduardo Leite, que assume em 1º de janeiro. 

Santini adiantou ao AGROemDIA que o desafio na nova pasta, a ser criada por Leite, é fortalecer a agricultura, especialmente os setores que enfrentam maiores dificuldades, como a pecuária leiteira.

Santini foi deputado federal nos últimos dois anos. Sua atuação na Câmara Federal teve como umas das prioridades o atendimento das demandas do setor agropecuário e de áreas como saúde e educação.

O futuro secretário de Desenvolvimento Rural do RS criou uma forte relação com os produtores de leite, sendo visto pelo setor como o seu porta-voz na Câmara Federal. 

“Vamos dar continuidade ao trabalho de fortalecimento dos produtores de leite na Secretaria de Desenvolvimento Rural”, diz Santini. 

“A pecuária leiteira é uma atividade muito importante para a economia gaúcha e precisa ser incentivada por meio de políticas públicas que criem melhores condições para o seu desenvolvimento”, acrescenta Santini.

No governo passado de Eduardo Leite, o parlamentar foi secretário de Turismo. À frente da pasta, apoiou o fortalecimento do turismo rural. “Temos que aproveitar o potencial de nossa área rural como um ativo turístico para gerar emprego e renda no campo”, pontua.

Na avaliação de Santini, o turismo rural também pode ser explorado pela pecuária leiteira. “A pecuária leiteira precisa de políticas públicas mais equilibradas com o mercado e, ao mesmo tempo, aproveitar todo o seu potencial, como o turístico.” (Agro em dia)

Congresso aprova o Orçamento de 2023, com salário mínimo de R$ 1.320

Projeto garante a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600 e o acréscimo de um valor de R$ 150 para cada filho menor de 6 anos

O Congresso Nacional aprovou o Orçamento de 2023 (PLN 32/22), que garante a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600 e o acréscimo de um valor de R$ 150 para cada filho menor de 6 anos. Além disso, o salário mínimo deverá passar de R$ 1.212 para R$ 1.320, um reajuste de quase 9%, quando a inflação estimada para este ano é de 5,8%.

Os benefícios foram possíveis após a promulgação da Emenda Constitucional 126, que ampliou o teto de gastos em R$ 145 bilhões, além de retirar outros R$ 24 bilhões do mesmo teto. Pela regra do teto, criada em 2016, as despesas só podem ser corrigidas pela inflação de um ano para o outro; mas faltaram recursos para vários programas no projeto do Orçamento enviado pelo Executivo.

Déficit
O relator do Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI), disse que, com o aumento das despesas, o déficit previsto é de R$ 231,5 bilhões para o ano que vem. Em relação às emendas de relator, de R$ 19,4 bilhões, o relator destinou metade do total para 5 áreas: R$ 4,3 bilhões para Desenvolvimento Regional, R$ 3 bilhões para Saúde, R$ R$ 1,8 bilhões para Cidadania, R$ 416 milhões para Agricultura e R$ 169 milhões para Educação.

As emendas de relator foram derrubadas pelo Supremo Tribunal Federal. Com isso, o Congresso colocou na emenda constitucional 126 um dispositivo que determina que metade do valor destas emendas deveria ser redirecionado pelo relator do Orçamento para execução livre dos ministérios (classificação RP-2 no Orçamento). A outra metade elevou os recursos das emendas individuais. (Fonte: Agência Câmara de Notícias)


Jogo Rápido 

UE: setor de lácteos está cada vez mais intensivo
Ao longo dos anos, a produção de leite da União Europeia (UE) tornou-se altamente intensificada e especializada. Em 2020, cerca de 80% do leite da UE foi produzido em sistemas intensivos (mais de 1,4 cabeças de gado por hectare), enquanto mais de 93% veio de explorações especializadas, com menor proporção nos países do leste da UE (por exemplo, na República Tcheca 64%, Eslováquia 67%, Hungria 76% e Polónia 88%), de acordo com o relatório de previsões de médio prazo da Comissão Europeia para os setores agrícolas. Essa transformação foi ainda mais diferenciada pela disponibilidade de investimento de capital, dependência de ração comprada (mais de 30% dos custos totais da fazenda em média) e demanda reduzida por mão de obra contratada devido a processos mais rápidos, automatizados e maiores requisitos de mão de obra. Paralelamente, as fazendas leiteiras da UE tornaram-se maiores (58 vacas por fazenda em 2020, em comparação com 38 em 2010), dependem mais de alimentos compostos e são caracterizadas por condições de produção mais controladas (por exemplo, alimentação computadorizada, robôs de ordenha, medição do desempenho de cada vaca e saúde). Toda essa evolução levou a uma maior produtividade. Em 2020-2022, o rendimento médio na UE foi de 7.500 kg/vaca (20% acima de 2010-2012). Ao mesmo tempo, a diferença entre os países ocidentais e orientais da UE diminuiu, assim como o rebanho comunitário. Em 2020, a produção de leite orgânico foi de 4% e a produzida em sistemas extensivos foi de 20%. Em geral, o aumento da produção não pode compensar a redução do rebanho leiteiro, de modo que a produção total de leite na UE pode diminuir 0,2% ao ano até 2032. Essa queda provavelmente será impulsionada pelos países da UE-14 (6 milhões de t), enquanto o resto da UE poderia compensar metade. De acordo com as previsões do relatório, as restrições ambientais devem reduzir ainda mais o rebanho leiteiro (-10% em relação a 2020-2022), principalmente em sistemas intensivos, enquanto sistemas alternativos de produção podem crescer. Em termos de desempenho, espera-se um aumento, mas será apenas metade do que foi no passado (0,9%). (As informações são do Agrodigital, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


 
 
 

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Porto Alegre, 23 de dezembro de 2022                                                  Ano 16 - N° 3.807


O leite no país do futebol

OBSERVATÓRIO DO CONSUMIDOR - O Brasil é reconhecido mundialmente como o País do futebol. Desde a chegada do esporte no País, que ocorreu em 1894 por Charles Miller, o futebol se tornou uma ferramenta para amenizar tensões tanto políticas, quanto econômicas. 

E a Copa do Mundo já se configura como uma festa típica do calendário brasileiro. Neste contexto, o OC procurou avaliar o interesse dos usuários do Twitter sobre leite e derivados no período da Copa do Mundo de 2022. Entre 20 de novembro e 15 de dezembro, o OC analisou todos os tweets sobre leite e derivados no Brasil que mencionavam uma das seguintes palavras: campeonato, copa, futebol, jogo e mundial.

No período todo, os brasileiros publicaram apenas 4.237 tweets correlacionando lácteos e futebol. Isso corresponde a 1,55% do total de tweets sobre lácteos no mesmo período, o que sugere que para os consumidores não há grande associação entre o consumo de lácteos e os jogos da Copa do Mundo. 

No início do período avaliado, o termo mais citado nos tweets era "copa". Logo depois, foi "jogo". É interessante notar também que as menções a jogo se reduziram significativamente (30%) após a saída do Brasil do mundial. No geral, o conteúdo das postagens foi positivo. Apenas 17,8% das menções abordavam opiniões negativas sobre os lácteos.

Os estados que mais associaram lácteos com futebol no Twitter foram Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, nesta ordem (Figura 2). O leite foi o produto mais citado nessas postagens, estando presente em cerca de 31,7% dos tweets analisados (Figura 3).




A opinião dos torcedores e consumidores de lácteos no Twitter

A Figura 4 evidencia que durante o mundial de futebol, os usuários do Twitter falaram mais sobre o tamanho dos derivados do leite consumidos, seguido de textura e sabor. Já os acompanhamentos para os lácteos mais citados foram os produtos açucarados (Figura 5). Eles responderam sozinhos por 41% dos acompanhamentos mencionados juntamente com os lácteos durante a Copa do Mundo.

Por fim, o OC analisou a nuvem de palavras gerada com base nos tweets relacionando lácteos e Copa do Mundo no final de 2022. Conforme esperado, a nuvem de palavras traz muitas referências ao mundial de futebol, citando datas, times, comentaristas. Inclusive, uma comentarista muito citada, chamada Jojo Toddynho, precisou ser retirada da análise por estar viesando os resultados referentes à bebida láctea Toddynho.

No entanto, o conjunto das informações dos derivados lácteos mais citados, os atributos mais mencionados, os principais acompanhamentos e a nuvem de palavras sugerem uma busca por indulgência nos alimentos. Nas primeiras colocações no ranking de derivados lácteos mais citados estão queijos e sorvete. Apesar do apelo de saudabilidade dos queijos, na cultura brasileira, este produto também está muito associado ao prazer do consumo. Um dos atributos dos lácteos mais citados no Twitter foi o sabor. Os principais acompanhamentos dos lácteos citados no Twitter foram os produtos açucarados. E, por fim, a nuvem de palavras ressalta produtos e palavras ligados à indulgência: sorvete, condensado, pipoca, sobremesa. 

Conforme já mencionado em edições anteriores da Newsletter do OC, os brasileiros, assim como os povos latinos de um modo geral, apresentam forte tendência de busca por indulgência nos alimentos. Isso significa que eles tendem a buscar alimentos capazes de despertar um sentimento de clemência em quem os consome, privilegiando, assim, o prazer no consumo em detrimento de outros fatores, como aspectos nutricionais ou preço. Esse consumo tende a ser reforçado nas festividades e também nos períodos de crise e recessão.

Assim, as análises do OC reforçam os resultados de Siqueira (2018) no texto O consumo de leite e a Copa do Mundo, mostrando que mesmo não estando diretamente ligado à Copa do Mundo, o consumo de lácteos pode ser impactado positivamente nas festividades características do povo brasileiro para o mundial. 

Newsletter Observatório do Consumidor. Ano 1, nº 9 - Dezembro/2022
Coordenação: Kennya Beatriz Siqueira
Autores:Kennya Siqueira, Manuela Lana, Thallys Nogueira, Anna Letícia Monteiro, Darlan Silva, Ygor Guimarães 
Centro de Inteligência do Leite: www.cileite.com.br / Embrapa Gado de Leite: www.embrapa.br/gado-de-leite


2022 gerou grandes impactos na cadeia do leite

Leite - O ano de 2022 foi marcado por acontecimentos que impactaram a cadeia do leite do Brasil. O ano teve início com redução dos efeitos da pandemia: taxas de vacinação crescentes, redução de casos e mortes por Covid-19 e retomada da economia.Mas, logo em março, o início da guerra entre Rússia e Ucrânia abalou as economias do mundo todo. Por serem grandes fornecedores globais de insumos (grãos, fertilizantes e petróleo), a guerra provocou uma crise energética mundial trazendo, dentre outras consequências, uma inflação de custos de um modo geral. No Brasil, um aumento considerável dos custos de produção de leite, associado ao período de entressafra resultaram numa inflação de lácteos que retraiu o seu consumo. No segundo semestre, o cenário político gerou volatilidade cambial e aumentou o nível de incertezas. E a possibilidade de uma recessão mundial aumentou a insegurança nos mercados.

A notícia mais positiva refere-se a uma desaceleração do custo de produção, medido pelo ICPLeite da Embrapa, que apresentou queda de 1,7% em novembro, influenciado principalmente pelo recuo de 4,5% no custo do concentrado. Essa foi a terceira queda consecutiva no ICPLeite.

As estimativas do quarto trimestre do ano indicam que a produção de leite parece ter se recuperado, mantendo-se semelhante à oferta de leite do mesmo período em 2021. Após 4 anos de altas consecutivas na produção leiteira, o setor apresenta 2 anos de quedas significativas. Para 2022, estima-se recuo de 4,4% na produção formal, atingindo uma oferta de 23,9 bilhões de litros.

A estimativa da Embrapa é que o consumo aparente de leite no Brasil tenha caído para 163 litros/habitante, retomando a quantidade consumida em 2010, impactado por um nível menor na renda da população, além de perda de poder de compra devido a taxas mais a altas na inflação nos primeiros meses de 2022. Apesar disso,

quedas nos índices da inflação e do desemprego ao longo do segundo semestre, foram fatores favoráveis ao cenário de vendas de lácteos. De acordo com a Scanntech, em termos de vendas de alimentos, o mês de novembro foi o segundo melhor mês do ano, perdendo apenas para o mês de abril que foi impulsionado pela Páscoa. Na comparação com o ano passado, o valor de vendas de alimentos está 11% maior. Esse resultado pode ter sido impulsionado também pela ampliação do Auxílio Brasil e Copa do Mundo.

O mês de dezembro é, historicamente, um período de incremento nas vendas de alimentos por conta das festas de fim de ano. Esse ano, o pagamento do 13º. salário deve injetar na economia cerca de R$ 251,6 bilhões de reais, o que equivale a 6% a mais do valor de 2021, já descontada a inflação. De acordo com a CNC, há a expectativa de que os brasileiros priorizem o pagamento de dívidas. Mas, os supermercados devem ser os maiores impactados, recebendo cerca de R$ 15,55 bilhões. Nos produtos lácteos que estão incluídos nas cestas de produtos que apresentam grande incremento de vendas com o Natal, tem-se o leite condensado e o creme de leite. Para este ano, estima-se crescimento de 32% nas vendas de leite condensado e 31% para creme de leite em relação à média de venda do ano.

Em termos de tendências de mercado para o próximo ano, o setor deve se atentar para 3 macrotendências: saudabilidade, sustentabilidade e influenciabilidade. Nas duas primeiras, os produtos lácteos estão em desvantagem visto que está havendo uma migração de hábitos de consumo da fauna para a flora, em busca de maiores benefícios para a saúde e menores impactos para o meio ambiente. Já a macrotendência influenciabilidade refere-se ao impacto que os influencers e as redes sociais estão tendo na criação de novos hábitos de consumo. Isso indica que o setor deve estar mais atento e investir mais neste tipo de mídia. 

As informações são do Centro de Inteligência do Leite: www.cileite.com.br / Embrapa Gado de Leite: www.embrapa.br/gado-de-leite


Jogo Rápido 

Boletim Integrado Agrometeorológico No  50/2022 – SEAPDR 
Entre a quinta-feira (22) e o sábado (24), a presença de uma massa de ar seco manterá o tempo firme, com forte calor no período diurno em todo Estado. No domingo (25), o deslocamento de uma frente fria favorecerá o aumento da nebulosidade e deverão ocorrer pancadas de chuva e trovoadas, com possibilidade de temporais isolados. Na segunda (26), o ingresso de ar seco afastará a nebulosidade da maioria das regiões, mas ainda ocorrerão pancadas de chuva nos setores Leste, Nordeste e Norte. Na terça (27) e quarta-feira (28), o tempo seco e quente vai predominar em todo Estado. Os volumes previstos deverão ser inferiores a 10 mm na Campanha, Fronteira Oeste e Missões. No restante do Estado os valores deverão oscilar entre 15 e 30 mm, e poderão superar 40 mm em alguns municípios do Leste e Nordeste. O boletim também aborda a situação das culturas de trigo, soja, milho, milho silagem, arroz, bovinos de corte e matrizes bovinas leiteiras. Veja o boletim completo clicando aqui. (SEAPDR)


 
 
 

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Porto Alegre, 22 de dezembro de 2022                                                  Ano 16 - N° 3.806


 

Receita Federal arrecada R$ 172 milhões em tributos no mês de novembro

A Receita Federal arrecadou R$ 172 bilhões no mês de novembro. Já com a correção da inflação, um aumento real de 3,25% comparado com o mesmo período do ano passado. O melhor resultado de arrecadação de tributos desde 2013.No acumulado de janeiro a novembro de 2022, o valor passa de R$ 2 trilhões, um aumento de 8,8%, já incluída a inflação.
 
Claudemir Rodrigues Malaquias., coordenador do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal atribuiu o crescimento aos impostos cobrados sobre as aplicações financeiras, que lucraram mais com o aumento dos juros e o imposto sobre empresas, principalmente do setor de serviços.
 
Outro destaque está na arrecadação de impostos administrados por outros órgãos que não a Receita Federal, como os royalties do petróleo, por exemplo. Nesse caso, a arrecadação em novembro cresceu praticamente 26% na comparação com novembro do ano passado. O resultado está atrelado ao aumento dos preços dos combustíveis.
 
Para Claudemir, o desempenho das commodities vai ser determinante também para o resultado da arrecadação em 2023.A arrecadação de tributos cresceu mesmo com a redução de impostos, como os 35% no IPI, o imposto sobre produtos industrializados, os 20% nos impostos de produtos importados e o corte na CIDE, cobrada sobre os combustíveis. (Agência Brasil)

RS terá Secretaria do Desenvolvimento Rural

Pasta aprovada pelo Legislativo irá trabalhar políticas públicas e programas voltados para a agricultura familiar

Com 49 votos favoráveis e nenhum contrário, a Assembleia Legislativa aprovou na noite de terça-feira a criação da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). A pasta irá trabalhar políticas públicas e programas voltados para a agricultura familiar. A Secretaria foi extinta em 2018, e suas atribuições transferidas para a Secretaria da Agricultura.

A retomada da SDR era um pleito direto da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), tratada ainda durante o segundo turno da campanha eleitoral junto ao então candidato e agora governador reeleito Eduardo Leite. Por isso, a entidade comemorou o acolhimento da proposta pelos parlamentares.

“Precisamos de uma Secretaria que dê atenção às pautas da agricultura familiar. Uma pasta que cuide especialmente desse segmento, seus programas, como o Troca-Troca de Sementes, de forrageiras, de irrigação. Sabemos que a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural é ampla, tem outros compromissos, como fiscalização, exportação, defesa sanitária. Pedíamos uma pasta específica. A Fetag se colocou à disposição para sugerir e atuar diretamente na construção de pautas para o setor, disse o vice-presidente da entidade, Eugênio Zanetti.

A recriação do órgão teve no deputado estadual Elton Weber (PSB), presidente da Frente da Agropecuária Gaúcha do Parlamento, um dos principais articuladores junto à equipe de transição do governo eleito para os próximos quatro anos. Weber sempre foi favorável à manutenção da Secretaria, devido ao perfil diferenciado da agricultura familiar. O parlamentar avaliou que, a partir de agora, será possível fortalecer programas, criar novas ferramentas de fomento e garantir que a execução das políticas públicas chegue, de fato, ao meio rural. Segundo ele, não haverá aumento de despesas com a retomada da SDR, mas a pasta que tornará mais ágil e efetivo o trabalho junto aos agricultores e aos municípios.

“A agricultura familiar é um segmento responsável por mais de 70% dos alimentos consumidos pela população brasileira, responsável por grande parte do Produto Interno Bruto dos municípios gaúchos. Por sua importância social e econômica, requer políticas diferenciadas e espaço próprio”, concluiu Weber. (Jornal do Comércio)

 

Receita publica novas regras sobre créditos de PIS e Cofins

Uma das novidades, segundo especialistas, é a mudança de entendimento sobre ICMS

A Receita está agora, portanto, se alinhando ao posicionamento da procuradoria. A instrução normativa inclusive cita, no artigo 171, o Parecer PGFN/SEI nº 14.483. “Estão sanando essa discussão”, diz a advogada Adriana Stamato, do escritório Trench Rossi Watanabe.

Apesar de trazer avanços, frisam os especialistas, a instrução normativa da Receita Federal também tem pontos críticos e que devem gerar judicialização.

Douglas Campanini, da Athros Auditoria e Consultoria, cita uma alteração que atinge em cheio as empresas que adquirem mercadoria para revenda. Antes da publicação da instrução normativa, tinham direito a créditos de PIS e Cofins sobre o IPI pago nessas aquisições. Agora, não mais.

Campanini destaca que o tratamento, a partir de agora, passa a ser o mesmo que a Receita Federal já havia estabelecido, em normas anteriores, para contribuintes que adquirem mercadoria como matéria-prima.

Outro ponto negativo para as empresas, segundo o consultor, trata sobre o prazo de cinco anos para uso dos créditos de PIS e Cofins. “Não havia previsão a respeito. Não faz nenhum sentindo”, critica.

A Receita Federal está mantendo o impedimento, além disso, de empresas que recolhem ICMS pelo regime de substituição tributária - o ICMS-ST - se beneficiarem da “tese do século”. Esse tema está em análise no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e deve ter uma solução em 2023.

Os ministros julgam dois processos em caráter repetitivo. A decisão, quando proferida, portanto, terá efeito vinculante para todo o Judiciário. Esse julgamento teve início do mês passado e o único a votar foi o relator, ministro Gurgel de Faria. Ele se posicionou a favor dos contribuintes.

“Substituídos ou não, ocupam posições jurídicas idênticas de submissão à tributação pelo ICMS, sendo certo que a distinção encontra-se tão somente no mecanismo especial de recolhimento”, disse o ministro ao fazer a leitura do seu voto. Se o entendimento prevalecer, a previsão na instrução normativa cairá por terra.

Em outro ponto da instrução normativa, considerado ruim para os contribuintes, a Receita Federal deixa claro - pela primeira vez - que despesas determinadas em acordos e convenções coletivas trabalhistas (como plano de saúde e vale-alimentação) não se enquadram como imposição legal e não geram créditos de PIS e Cofins.

De acordo com o advogado Leo Lopes, sócio do escritório FAS Advogados, existe previsão na legislação trabalhista de que as convenções têm força de lei. Consta no artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“As empresas são obrigadas a pagar um valor mínimo de refeição, plano de saúde. Não tem qualquer margem de discricionariedade nesse ponto”, afirma o especialista. Não entram nessa cota de impedimento, no entanto, as despesas com vale-transporte ou contratação de fretados para o deslocamento de empregados que atuam no processo de produção de bens.

A Receita Federal publicou duas soluções de consulta, no ano passado, permitindo os créditos nesses casos e a instrução normativa traz essa previsão de forma expressa. Advogados veem como ponto positivo da instrução normativa.

Outra novidade importante para os contribuintes, diz o advogado Julio Janolio, do escritório Vinhas e Redenschi, beneficia exportadores que têm o direito de comprar matéria-prima com suspensão de PIS e Cofins.

Havia um imbróglio em relação ao frete. Normas anteriores da Receita Federal, segundo Janolio, previam o benefício somente para o frete rodoviário. A instrução normativa, agora, fala em frete rodoviário e marítimo.(Valor Economico)


Jogo Rápido 

Argentina – As indústrias pagam em média 61 pesos por litro de leite em dezembro
Preços/AR – Segundo dados do Departamento Nacional do Leite, o preço médio pago pelas fábricas de laticínios aos produtores, em dezembro, será de 61,59 pesos por litro. Este valor, se bem que representa um aumento mensal de 5,5% e interanual de 82,8%, é insuficiente para cobrir o aumento dos custos de produção. O litro de leite cru, segundo cálculo oficial, equivale a 35 centavos de dólar, deixando a Argentina como um dos países que menos paga a seus produtores, dentre as principais produtoras de leite. Por regiões, Santa Fe se encontra na média da tabela, com 61,50 pesos por litro, estando acima de Córdoba, mas abaixo de Buenos Aires, e inclusive da média nacional. A província que melhor paga o produtor continua sendo San Luís, com 64,86 pesos por litro, e o menor pagamento é em Salta, com 60,29 pesos por litro. (Fonte: Diario La Opinion – Tradução livre: www.terraviva.com.br)


 
 
 

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Porto Alegre, 21 de dezembro de 2022                                                  Ano 16 - N° 3.805


Verão começa nesta semana no Brasil, com impactos no início da safra 2022/2023

Na estação, as chuvas são mais frequentes em praticamente todo o país

O verão no Hemisfério Sul começa às 18h48 (horário de Brasília) de hoje (21/12) e termina no dia 20 de março de 2023 às 18h25. Devido às suas características climáticas, com grandes volumes de chuva, o verão no Brasil tem muita importância para atividades econômicas como a agropecuária, a geração de energia (por meio das hidrelétricas) e para a reposição hídrica e manutenção dos reservatórios de abastecimento de água em níveis satisfatórios.

O período reflete o aumento da temperatura em todo país em função da posição relativa da Terra em relação ao Sol mais ao sul, tornando os dias mais longos que as noites e com mudanças rápidas nas condições de tempo com condições favoráveis à chuva forte, queda de granizo, vento com intensidade variando de moderada à forte e descargas elétricas.

No verão, as chuvas são frequentes em praticamente todo o país, com exceção do extremo sul do Rio Grande do Sul, nordeste de Roraima e leste do Nordeste, onde geralmente os totais de chuvas são inferiores a 400 milímetros (mm).

Impactos das chuvas no início da safra 2022/2023

No Matopiba, região que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a efetivação da previsão de chuvas acima da média na região nos próximos meses, com exceção de áreas do sul de Tocantins e oeste da Bahia, principalmente em janeiro de 2023, podem auxiliar na manutenção da umidade no solo e favorecer as culturas na região, como a soja, milho primeira safra e algodão.

No Brasil Central, o retorno gradual das chuvas, que foi observado nos últimos meses, contribuiu para um aumento dos níveis de água no solo e tem sido importante para o estabelecimento das culturas de verão no campo, como a soja, milho, feijão e algodão. No entanto, as chuvas irregulares previstas para os próximos meses, além de um possível veranico, ou seja, chuvas abaixo da média, principalmente no mês de janeiro de 2023 em áreas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, podem impactar negativamente o armazenamento de água no solo e as culturas que se encontrarem em estágios fenológicos mais sensíveis.

Já na Região Sul, a redução das chuvas em grande parte da região influenciada principalmente pela persistência do fenômeno La Niña, em especial no Rio Grande do Sul, causou restrição hídrica nas fases iniciais dos cultivos de verão. Além disso, as chuvas previstas dentro ou abaixo da média podem reduzir os níveis de água no solo, principalmente em áreas do centro sul do Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina, e impactar negativamente as culturas agrícolas que se encontrarem em estádios fenológicos mais sensíveis como a soja, milho primeira safra e feijão. (MAPA)


 

Lodo de tratamento de água pode regenerar solos

Pesquisa feita pela Embrapa Clima Temperado em parceria com a Corsan permite o uso deste resíduo para melhorar a qualidade de terrenos arenosos, com baixa retenção hídrica, tornandos mais férteis e menos suscetíveis à estiagem

Um estudo pioneiro no Brasil, coordenado por pesquisadores da Embrapa Clima Temperado, estabeleceu procedimentos para o emprego seguro do Lodo de Estações de Tratamento de Água (Leta) em solos agrícolas do Rio Grande do Sul. De acordo com os resultados divulgados, esse produto − que neste momento gera custos às companhias de saneamento pois tem de ser destinado a aterros sanitários − pode se tornar parte da cadeia de suprimentos agrícolas e beneficiar produtores, empresas de tratamento de água e o Estado.

Segundo a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), financiadora da pesquisa, apenas as suas estações de tratamento de água geram 51 mil metros cúbicos de Letas anualmente, que representam custo extra à empresa. Dessa forma, a “Pesquisa e desenvolvimento do potencial do uso agrícola de lodos de estações de tratamento de água e de esgoto”, iniciada em 2015, buscou encontrar destinos mais eficiente e menos onerosos para essas substâncias, já tendo resultado em pelo menos duas experiências.

Ainda segundo Bamberg, coordenador da investigação, afirma que, em resumo, o processo realizado pelas Estações de Tratamento de Água (ETAs) para preparar a água bruta (normalmente proveniente de
rios e lagos) e depois entregá-la aos domicílios gera um produto conhecido como Leta (Lodo de Estação de Tratamento de Água). O pesquisador ressalta que os Letas não têm propriedade fertilizante, mas que tem outras características relevantes: podem condicionar solos muito arenosos e com baixa capacidade de retenção de hídrica, tornando-os mais agricultáveis e menos suscetíveis à estiagem e também podem ser usados como substrato para a germinação de plantas.

Ainda segundo Bamberg, a maior parte dos Letas é constituída por materiais inertes, principalmente, argila. Além disso, pode conter resíduos dos processos químicos utilizados para processar essa água. Então, para garantir o uso seguro deste material, a pesquisa também averiguou as quantidades confiáveis para uso destes químicos na agricultura e estabeleceu características rígidas que devem ser seguidas. Os apontamentos foram a base para a elaboração da Resolução Normativa nº 461/2022, do Conselho Estadual de Meio Ambiente (ConsemaRS).

O analista agropecuário de florestas da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR) e membro do Consema, Valdomiro Haas, afirma que o conselho chancelou a resolução porque
“não dava pra deixar passar essa oportunidade de permitir que tanto produtor, quanto a estação de tratamento de água e o Estado se beneficiem”. A resolução dá segurança jurídica para o uso deste tipo de produto, desde que seguindo os parâmetros nele presentes, em solos agrícolas do Rio Grande do Sul.

Adilson e Valdomiro imaginam que os Letas podem integrar o mercado agropecuário em um futuro próximo e possibilitar um destino mais eficiente e sustentável para o que hoje é considerado dejeto, onera o Estado ocupa espaço de outros resíduos em aterros. (Correio do Povo)

 

Leite/Europa

A produção de leite em muitos países da Europa Ocidental está no ponto mais baixo da temporada. Fontes da indústria de laticínios acreditam que os volumes tenderão a aumentar até o final do inverno.

Depois de um verão com produção abaixo das expectativas, a produção de leite voltou ao campo positivo na comparação interanual em alguns poucos países. De acordo com dados disponibilizados pelo site CLAL, as estatísticas provisórias sobre a captação de leite de vaca no mês de outubro de 2022 no Reino Unido (RU), indicam que o volume subiu 2,3% em relação a outubro de 2021. No acumulado do ano, até outubro de 2022, no entanto, houve queda de 1,1%. De acordo com a entidade britânica do setor rural, AHDB, as entregas conjuntas da Inglaterra, Escócia e País de Gales (Grã-Bretanha) subiram 3,8% na comparação com novembro de 2021.

Os analistas atribuem o crescimento da produção ao clima favorável de outono, que melhorou o desenvolvimento das pastagens e aumentou a produtividade animal. O elevado preço do leite fez com que os produtores mantivessem as vacas mais tempo em produção, postergando a secagem das vacas e fornecendo rações concentradas para otimizar a produção de leite.

Analistas projetam crescimento do leite em 2023.

Como a inflação de alimentos e bebidas não alcoólicas na Grã-Bretanha atingiu 14,6%, recente pesquisa forneceu dados sobre como novos aumentos de preços impactam nas compras de carne e laticínios pelos consumidores. O estudo dos dados feito pela AHDB desenvolveu um modelo para prever a perda potencial de compras com o aumento dos preços. Os resultados do estudo, divulgados recentemente, sugerem que o leite de vaca e o queijo são produtos básicos da alimentação e são os lácteos mais resilientes em relação a algumas outras categorias de lácteos.

No ano passado, o preço médio do leite de vaca aumentou 32% e o do queijo 14%. A aplicação do modelo desenvolvido sugere que um aumento médio adicional de 5% no preço do leite resultaria em perda de 8% de compradores. E um aumento médio de 5% no preço do queijo, faria com que 1% dos compradores de queijo deixassem de consumir o produto.

À medida que os consumidores tentam se ajustar aos novos preços, promoções podem ser uma ferramenta valiosa para ajudar a trazer os compradores de volta a algumas categorias de alimentos. A União Europeia (UE) concordou em limitar o preço do petróleo bruto russo embarcado fora da UE a US$ 60/barril e proibir o petróleo russo de entrar no bloco pelo mar. É a aplicação de mais pressão sobre a Rússia pela invasão da Ucrânia, que por sua vez critica o preço máximo, alegando que ainda é muito alto, e que proporciona boa margem para o petróleo russo.

Enquanto isso, no Leste Europeu, fontes da indústria de laticínios dizem que a produção de leite em agosto de 2022, na Ucrânia foi de aproximadamente 711.000 toneladas, contra as 845.000 toneladas produzidas em agosto de 2021. O conflito com a Rússia suspendeu as atividades normais de alguns setores, inclusive o de laticínios, e recentes ataques com mísseis deixaram várias fábricas sem energia. Como resultado, as instalações de processamento foram suspensas e o leite precisou ser transferido para outras fábricas. Se de um lado as indústrias procuram honrar o compromisso de manter a captação do leite dos produtores, de outro a demanda está limitada, e o preço do leite e produtos lácteos podem ser encontrados com valores de 20% a 40% menores do que os vendidos na UE. (Fonte: Usda – Tradução Livre: Terra Viva)


Jogo Rápido 

PL DO AUTOCONTROLE: Senado envia projeto à sanção

O projeto de lei N° 1293/2021, o PL do Autocontrole, foi aprovado ontem pelo plenário do Senado Federal e segue, agora, para sanção do presidente da República, Jair Bolsonaro. A matéria propõe um sistema de autocontrole sanitário, com inspeções periódicas na cadeia produtiva agropecuária. Também introduz o Programa de Incentivo à Conformidade e o Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária. (Correio do Povo)


 
 
 

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Porto Alegre, 20 de dezembro de 2022                                                  Ano 16 - N° 3.804


GDT - Global Dairy Trade
   
 
Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS​


Leite/América do Sul

A recente recuperação da produção de leite no Cone Sul foi impactada pelos efeitos do fenômeno La Niña, no último mês do ano, e também no 1º trimestre de 2023.A previsão é de que o evento climático continue no início do próximo ano. A estiagem prolongada, em particular, colocou em evidência o estresse hídrico provocado nas lavouras da região. Como consequência, a expectativa é de que haverá aumento dos custos operacionais ao nível das fazendas leiteiras.Como os preços oscilaram nos dois últimos anos, as expectativas de curto prazo não são necessariamente otimistas para os produtores da região.O ano passado foram fracas as importações de lácteos pelo Brasil, por diversos fatores, como defasagem cambial e inflação. Nos dois últimos trimestre de 2022, no entanto, houve uma recuperação da atividade no maior país da região. As remessas de leite em pó integral e de soro de leite no acumulado do ano aumentaram notavelmente em relação a 2021. (Fonte: Usda – Tradução Livre: Terra Viva)

 

 

Conseleite/PR

ATENÇÃO: Na reunião do mês de novembro/2022, o Conselho aprovou os resultados dos estudos da Câmara Técnica relativos aos custos de produção de produtores e indústrias que resultam em novos valores de referência para os derivados lácteos considerados no modelo. A diretoria do Conseleite-Paraná alerta que não há comparabilidade com os valores divulgados anteriormente. Serão divulgados valores de referência com e sem revisão até o mês de dezembro e a partir de janeiro de 2.023, apenas valores com  revisão.

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 20 de Dezembro de 2022 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Novembro de 2022 e a projeção dos valores de referência para o mês de Dezembro de 2022, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se refere ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml e 300 mil ufc/ml de  contagem bacteriana. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Dezembro de 2022 é de R$ 4,5568/litro.
Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite  conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o  cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores  de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O  simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitepr.com.br. (Fonte: Conseleite Paraná)


Jogo Rápido 

Piá firma convênio com Grupo Andreazza  
A Piá anunciou um importante benefício para todos os seus produtores de leite associados pertencentes ao polo de Marau. A partir de agora, eles poderão realizar suas compras no Vantajão Atacado, do Grupo Andreazza, e ter o valor descontado do pagamento do leite fornecido para a Cooperativa.  Presidente da Piá, Jeferson Smaniotto explica que será preciso fazer um cadastro. “Cada produtor terá um limite de acordo com o volume de leite fornecido”, destaca, e completa: “O valor gasto será descontado do pagamento do leite. O que ele gastar, por exemplo, entre os dias 15 e 30 de um mês, será descontado do pagamento do leite”. Atualmente, a Cooperativa Piá realiza a captação de leite em 104 municípios do Rio Grande do Sul, chegando a um volume de, aproximadamente, 9 milhões de litros/mês.  Já o Vantajão Atacado traz um novo conceito de compras, cujo compromisso é manter o preço baixo e proporcionar economia para os consumidores.  Possui lojas em Caxias do Sul, Farroupilha, Marau, Montenegro e Vacaria. (Assessoria de imprensa da PIA)

 
 
 

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Porto Alegre, 19 de dezembro de 2022                                                  Ano 16 - N° 3.803


Arte na Caixinha: Confirmados os vencedores da etapa Pelotas 
 
A comissão julgadora do Concurso Cultural Arte na Caixinha já definiu a lista dos estudantes vencedores da edição de Pelotas (RS). 
 
O Concurso Cultural Arte na Caixinha é uma iniciativa do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), com apoio da Tetra Pak, e realizado em parceria com a Secretaria de Educação de Pelotas. Nesta edição, estiveram em disputa 191 trabalhos, que foram realizados por crianças do Pré II ao 5º ano, sendo 63 deles na Infantil, 79 na Júnior e outros 49 na Juvenil. Para os vencedores e segundo colocados, será fornecido um ano de leite, certificado e medalha. O primeiro lugar ainda recebe um tablet Galaxy Tab A7. O professor responsável pela inscrição do melhor trabalho em cada categoria recebe um notebook, certificado e 12 meses de leite.
 
O concurso propõe a utilização de diferentes técnicas artesanais e artísticas em caixas de leite UHT explorando a temática “O leite na sua vida”. A ideia é fazer os estudantes soltarem a criatividade através da pintura, da colagem e do desenho, após terem participado ao longo do ano de outras iniciativas do Sindicato. “Estamos ansiosos pela chegada do momento da premiação. Os alunos de Pelotas que participaram do Projeto Na Fazenda Doce de Leite conseguiram transmitir tudo o que aprenderam em seus trabalhos no Concurso Cultural Arte na Caixinha”, destaca o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini.
 

Confira os vencedores:


Conseleite/SC

Na reunião do mês de novembro/2022, o Conselho aprovou os resultados dos estudos da Câmara Técnica relativos aos custos de produção de produtores e indústrias que resultam em novos valores de referência para os derivados lácteos considerados no modelo. A diretoria do Conseleite-Santa Catarina alerta que não há comparabilidade com os valores divulgados anteriormente. Serão divulgados valores de referência com e sem revisão até o mês de dezembro e a partir de janeiro de 2023, apenas valores com revisão.

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida no dia 16 de Dezembro de 2022 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Novembro de 2022 e a projeção dos valores de referência para o mês de Dezembro de 2022. Os valores divulgados compreendem os preços de referência para o leite padrão, bem como o maior e menor valor de referência, de acordo com os parâmetros de ágio e deságio em relação ao Leite Padrão, calculados segundo metodologia definida pelo Conseleite-Santa Catarina.


O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão. (Conseleite/SC)

Trigo, uma safra para ficar na história

O trigo representa 30% da produção mundial de grãos, sendo o segundo grão mais consumido pela humanidade. O Brasil é o 8º maior importador de trigo do mundo, mas esta posição pode mudar nos próximos anos. Nos últimos cinco anos, a produção brasileira cresceu 76%. Os resultados de 2022 mostram a maior safra de trigo da história do Brasil, chegando aos 9,5 milhões de toneladas de grãos.

Quando foram intensificadas as pesquisas com o trigo no Brasil, na década de 1970, a produção tritícola nacional era incipiente, com cultivares de baixo rendimento e inexistência de tecnologias agrícolas apropriadas. Nessa evolução, a média de produtividade das lavouras brasileiras saiu de 800 quilos por hectares (kg/ha) em 1970 para um rendimento superior a 3000 kg/ha em 2022. Entre 1977 e 2022, o crescimento na produtividade foi, em média, de 3,5% ao ano (série histórica CONAB).

Evolução para garantir o abastecimento

O trigo é o segundo alimento mais consumido no mundo, logo após o leite e derivados. A medida em que o desenvolvimento econômico evolui nos países, também aumenta a ingestão calórica. É neste cenário que, nos últimos cinco anos, o consumo de trigo cresceu 8% no mundo, enquanto a produção cresceu 4,6% no mesmo período (USDA).

No Brasil, nos últimos cinco anos, a produção de trigo cresceu 76%, enquanto a área cresceu 50% e o consumo cresceu 4,2% (CONAB). Ainda há espaço para crescer já que o consumo brasileiro de trigo é estimado em 53 kg por habitante ao ano, metade do consumo dos europeus, por exemplo (Abitrigo).

Na questão de aumento da área, novas fronteiras têm sido prospectadas pela pesquisa em diversos ambientes do País, de norte à sul, intensificando os sistemas de produção agropecuária já existentes, com o trigo na rotação de culturas, na alimentação animal e no melhor aproveitamento de áreas que ficam ociosas no inverno.

Em 2015, o Brasil colheu 5,5 milhões de toneladas (t.). Em 2020, a produção chegou a 6,2 milhões t. Em 2021, atingiu 7,7 milhões t. Em 2022, a safra encerrou com 9,5 milhões t., volume que atende 76% da demanda nacional. Projeções da Embrapa Trigo indicam que, caso a produção de trigo continue crescendo 10% ao ano, o Brasil poderá chegar aos 20 milhões de toneladas até 2030. Com o consumo interno estimado entre 12 e 14 milhões de t., o Brasil poderá exportar o superavit para o mundo,  saindo de grande importador para entrar na lista de países exportadores de trigo no mercado internacional.

Em 2022 (janeiro a novembro), o volume de exportações chegou a 2,5 milhões de toneladas, mais do que o dobro do volume exportado no ano anterior. Por outro lado, as importações brasileiras tiveram queda de 9,7% devido à maior oferta do cereal no mercado interno e aumento de preços internacionais (MDIC).

Para  Jorge Lemainski, chefe-geral da Embrapa Trigo, o trigo está seguindo o mesmo caminho que o milho e a soja percorreram no Brasil, é já começa a alterar a geopolítica de grãos no mundo. “O Brasil tem área, conhecimento e demanda aquecida. A expansão do trigo no País precisa assegurar tanto a oferta de alimento de qualidade ao consumidor, quanto a rentabilidade do produtor. Para isso é necessário diversificar mercados, internos e externos”, ressalta Lemainski.

Resultados animam o produtor

O trigo de sequeiro faz parte do sistema de produção nas propriedades da família Bortoncello em Cristalina (GO) e Paracatu (MG) desde o final dos anos 1990, na rotação com soja, milho, feijão e sorgo. A família já cultivava o cereal em Xanxerê (SC) e, com a migração para o Centro-oeste há 26 anos, o produtor Odacir Bortoncello precisou avaliar fatores como altitude, clima e logística para investir no trigo tropical no Cerrado.

“Há quatro anos, perdemos toda a lavoura para a brusone e, no ano seguinte, o prejuízo veio com déficit hídrico. Mas não desistimos, ajustamos o manejo e os bons resultados vieram na sequência, superando os 60 sacos por hectare nesta safra, o dobro da média do trigo em sequeiro na região”, conta o produtor.

A área, que em 2022 contou com 200 hectares de trigo, com três cultivares em cultivo de sequeiro, deverá ser triplicada na próxima safra. “Com investimento em fertilidade e bom manejo do solo, nosso rendimento passou dos 2 mil kg/ha para 3.650 kg/ha nesta safra, e a meta é chegar a 6 mil kg/ha no prazo de dois anos”, planeja Bortoncello, destacando que o caminho para o sucesso é buscar genética de qualidade e interação constante com instituições de pesquisa e assistência técnica. “Estou muito otimista com o trigo. A cultura está equiparando à rentabilidade da soja e com grande liquidez na região. Acredito que a área com trigo deverá crescer muito no Cerrado na próxima safra”, diz o produtor.

Em Passo Fundo (RS), a colheita do trigo avançou sobre o mês de dezembro na propriedade do Mauro Fabiani. Na região, ao norte do RS, chuvas intensas nos meses de junho e julho atrasaram a semeadura de inverno, mas o atraso acabou beneficiando o trigo, evitando problemas com geadas tardias e perda de fertilizantes no escoamento do solo. Na média final de rendimento da lavoura de 70 hectares foram contabilizados 76 sacos por hectare (sc/ha), mas nos talhões onde houve atraso na semeadura o rendimento chegou a 89 sc/ha.

Os grãos foram comercializados a R$ 94,00/sc de 60kg, rentabilidade e liquidez consideradas boas pelo produtor: “Como eu antecipei a compra dos fertilizantes, consegui bons preços antes da alta. Isso me garantiu uma boa rentabilidade nesta safra. Tivemos até oferta de contratos acima de R$ 100,00 a saca uns dois meses antes da colheita, mas os riscos com clima causam muita insegurança quanto às possíveis frustrações na qualidade”, explica Mauro, que vai aumentar a área com trigo em 15% na próxima safra. “Já estamos preparando as áreas para receber o trigo logo após a saída do milho. O planejamento começa agora, mal termina uma safra de inverno e já estamos preparando a próxima”.

“A expansão da triticultura no Brasil é uma conquista coletiva, que começou na pesquisa e ganhou espaço no campo e na indústria, num esforço convergente de diversos agentes para garantir a rentabilidade do produtor com liquidez dos grãos no mercado. O avanço do trigo é um caminho sem volta, que vai garantir a segurança alimentar dos brasileiros e gerar divisas para o País com as exportações”, conclui o chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski.

Assista o vídeo clicando aqui. (Embrapa Trigo)


Jogo Rápido 

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Produza seus queijos e maximize suas vendas com o Receituário Brasileiro de Queijos, um livro elaborado por Múcio Furtado, com mais de 50 receitas de queijos dos melhores produtores de todo o Brasil. Garanta seu livro até dia 20/12 pelos links: Pag Seguro ou Mercado Pago. Após o dia 20/12, você pode comprar por aqui: Pag Seguro  ou  Mercado Pago.

 
 
 

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Porto Alegre, 16 de dezembro de 2022                                                  Ano 16 - N° 3.802


PIB do RS volta a crescer e avança 1,3% no 3º trimestre

Após resultados negativos na primeira metade do ano, a economia do Rio Grande do Sul voltou a ficar no azul. O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado cresceu 1,3% no terceiro trimestre de 2022 na comparação com o segundo trimestre. Neste tipo de avaliação, os três principais setores da economia registraram desempenho positivo, com destaque para a agropecuária, que apresentou recuperação após tombo nos meses anteriores. Já ante igual período do ano passado, o PIB apresenta queda de 2,8%.
 
Os dados de julho a setembro apontam desempenho superior do Estado ante o Brasil (+0,4%), na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o Rio Grande do Sul apresenta performance pior do que a média nacional (-2,8% contra +3,6%). No acumulado do ano, até setembro, a queda no PIB do Estado é de 6,6%, enquanto no Brasil a alta é de 3,2%.
 
A alta mais acentuada na comparação entre os setores, no terceiro trimestre com o segundo, ficou por conta da agropecuária, com avanço de 41,8%, seguida da indústria e dos serviços. O campo havia recuado 38,3% no segundo trimestre em relação ao anterior.
 
- Esse movimento já mostra que muito provavelmente o pior momento de 2022 já passou, com a estiagem quase totalmente contabilizada - destacou o economista Martinho Lazzari, chefe da Divisão de Análise Econômica do DEE.
 
O economista-chefe da Federação da Agricultura (Farsul), Antônio da Luz, afirma que os números positivos nos abates de aves e suínos ajudaram o PIB do agronegócio gaúcho no terceiro trimestre. Luz também lembra que o resultado do terceiro trimestre tem peso menor no setor, porque essa época do ano não conta com os efeitos das principais culturas cultivadas no RS. Ele explica que o percentual expressivo em relação ao trimestre imediatamente anterior ocorre diante de uma base deprimida pela estiagem:
 
- Crescer contra o segundo trimestre é fácil. Teve um fosso no segundo trimestre com a safra que deveria entrar e não entrou.
 
Dentro da área fabril, a indústria de transformação, segmento mais representativo do setor no RS, registrou alta de 0,6% na comparação entre terceiro e segundo trimestres. O economista-chefe da Federação das Indústrias (Fiergs), André Nunes de Nunes, afirma que o desempenho do segmento ocorre diante da heterogeneidade entre ramos:
 
- Na indústria de transformação, vejo o segmento de máquinas e equipamentos e de veículos automotores se recuperando em relação aos outros anos por conta da normalização das cadeias de suprimento. Por outro lado, aqueles segmentos que se beneficiaram em outros momentos, como os de bens duráveis, de produtos de metal, móveis, têm apresentado resultado mais tímido.
 
Incerteza
O professor da UFRGS Maurício Weiss afirma que o cenário para os próximos meses é de incerteza e de desaceleração. Na parte de serviços, Weiss destaca que o setor tem menos espaço para recuperar em relação à primeira metade do ano. Já a indústria pode sofrer impactos da desaceleração da economia observada em diversos países:
 
- Tem de verificar a atividade econômica do Brasil como um todo. Se a PEC (da Transição) vai flexibilizar o teto de gastos. Se isso vai provocar maior estímulo pela demanda e aquecer comércio, serviços e até a indústria. É um cenário com predomínio de incerteza.
 
Na agropecuária, o economista-chefe da Farsul avalia que o quarto trimestre deve seguir com o setor apresentando recuperação, principalmente com a entrada da safra de trigo. Para 2023, Luz estima bons resultados, mas coloca uma dúvida nessa projeção. Como a agropecuária do Estado depende historicamente da frequência de chuva, destaca que há sinal de alerta em relação a esse ponto:
 
- Se tudo der certo, se o clima não nos atrapalhar de novo, deveremos ter um 2023 com um crescimento bom. Até por força da comparação, da base. (Zero Hora)


Reforma tributária deve ser pauta prioritária em 2023
 
Entre os desafios que o próximo governo do Brasil terá de enfrentar em 2023 na economia, está o de fazer avançar uma reforma tributária, pauta debatida no País há pelo menos duas décadas. Escolhido pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o Ministério da Fazenda, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, já sinalizou que essa será uma pauta prioritária da gestão que virá. “A determinação clara do presidente Lula é que nós possamos dar no início do próximo governo uma prioridade total à reforma tributária”, disse em evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no fim de novembro. 
 
Segundo Haddad, a intenção é aproveitar propostas que já tramitam no Congresso Nacional a respeito dos impostos indiretos, que incidem sobre o consumo –, como o IPI e o ICMS – para depois alterar o sistema dos tributos sobre renda e patrimônio, como o IR e o IPTU. Atualmente, tramitam no Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 110/19, idealizada pelo economista Luiz Carlos Hauly, e a PEC 45/19, desenhada pelo economista Bernard Appy. 
 
A principal convergência entre as duas propostas é a extinção de diversos tributos que incidem sobre bens e serviços. Eles seriam substituídos por um só imposto sobre valor agregado (IVA). A proposta da Câmara, a PEC 45, foi apresentada em 2019 pelo deputado Baleia Rossi (MDB). Em linhas gerais, prevê a substituição de cinco tributos (os federais PIS, Cofins e IPI, o estadual ICMS e o municipal ISS) por um imposto sobre bens e serviços (IBS), com arrecadação centralizada e gestão compartilhada, e um imposto seletivo sobre cigarros e bebidas. 
 
A alíquota seria a mesma para todos os bens e serviços. Além disso, o texto acaba com a maior parte dos benefícios fiscais. Versão semelhante dessa proposta é a PEC 110, do Senado, cuja versão atual é um relatório do senador Roberto Rocha (PSDB-MA). A proposta tem como diretriz principal a instituição de um modelo dual do Imposto de Valor Agregado (IVA), que, de um lado, reúne os impostos federais e, de outro, os estaduais e municipais. 
 
O IVA para a União seria chamado de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e unificaria o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O IVA para estados e municípios, por sua vez, seria chamado de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e substituiria os impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e sobre Serviços (ISS). A princípio, estados e municípios teriam autonomia para fixar suas alíquotas. 
 
O texto prevê também a criação de um imposto seletivo em substituição ao atual IPI e que incidiria em itens selecionados, como cigarros e bebidas alcoólicas. A PEC 110 está pronta para ser analisada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, enquanto a PEC 45 encontra-se parada na Câmara desde maio de 2021. “A PEC 110 está mais avançada e traz uma simplificação maior, pois são substituídos nove tributos, enquanto a PEC 45 propõe a unificação de cinco tributos”, avalia o especialista em reforma tributaria e professor da FGV Direito Rio Gabriel Quintanilha . Para Quintanilha, a aprovação folgada, em dois turnos, no Senado da chamada PEC da Transição é um indicativo positivo de que o governo teria apoio suficiente para o avanço de uma reforma tributária.
 
A proposta citada visa garantir recursos para programas sociais no Orçamento da União de 2023. “Com a votação da PEC da Transição, acredito que o governo eleito não terá grandes dificuldades para aprovar uma reforma tributária, caso dê prioridade a isso”, afirma. E completa: “o grande erro do atual governo, que sairá no próximo dia 31, foi não ter dado ênfase a essa pauta, pois o cenário era favorável, tanto que aprovou a reforma da previdência”, analisa. Ainda conforme o especialista, a reforma tributária será crucial para o futuro do País. “O sistema vigente é confuso, o que gera insegurança jurídica. Isso dificulta o crescimento econômico e a competitividade das empresas, afastando investimentos”, opina. (Jornal do Comércio)
 

Sudeste Asiático: grandes oportunidades para o setor lácteo

Os mercados combinados da Indonésia, Malásia, Cingapura, Filipinas, Tailândia e Vietnã estão experimentando um dos maiores crescimentos mundiais na demanda por produtos lácteos. A expectativa é que, até 2030, as importações nesses países cheguem a quase 19 milhões de toneladas de equivalentes de leite contra 12,9 milhões de toneladas em 2020, superando as da China. 
 
O aumento da renda per capita também determina a mudança na alimentação tradicional, com os consumidores preferindo cada vez mais os benefícios dos lácteos, que são considerados benéficos ao desenvolvimento das crianças e à saúde dos idosos. Isso leva a um aumento do consumo que os produtores locais não conseguem sustentar.
 
Os países da região são caracterizados por especificidades culturais e religiosas que devem ser cuidadosamente consideradas. No Sudeste Asiático, com Malásia e Indonésia liderando, existem mais de 240 milhões de muçulmanos e, portanto, a certificação halal torna-se importante ou mesmo indispensável na exportação de produtos lácteos.
 
Dada a proximidade geográfica, este destino está se tornando um mercado líder para os exportadores australianos que buscam expandir e diversificar. De fato, a certificação halal é um investimento que pode abrir mercados e ajudar a aumentar as oportunidades de comércio internacional, permitindo que os produtos australianos concorram com os de outras origens que atendem aos mercados muçulmanos.
Além disso, com uma forte reputação de produtos de qualidade e relacionamentos comerciais dinâmicos, eles estão bem posicionados para continuar crescendo e se diversificando na região na próxima década. 
 
Neste cenário, a Australian Trade and Investment Commission Austrade apoia as empresas por meio de uma rede de especialistas de mercado que aconselham sobre os regulamentos de exportação e conectam as empresas australianas com novos clientes, promovem a compreensão do mercado, investimentos e planejam a exportação. (As informações são do Observatório Argentino da Cadeia Láctea (OCLA), traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido 

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 49/2022 – SEAPDR
 A próxima semana deverá ter calor e pouca chuva no RS. Na quinta-feira (15), o deslocamento de uma frente fria no oceano favorecerá o aumento da nebulosidade e poderão ocorrer chuvas fracas e isoladas em algumas localidades. Na sexta (16) e sábado (17), o ingresso de uma massa de ar seco manterá o tempo firme na maioria das regiões e apenas no Leste e Nordeste ocorrerá maior variação de nuvens e há possibilidade de chuviscos e garoas isoladas. No domingo (18), a propagação de uma área de baixa pressão provocará pancadas de chuva e trovoadas, com risco de temporais isolados na Metade Norte. Entre a segunda (19) e quarta-feira (21), a presença de uma massa de ar quente favorecerá o aumento da temperatura em todo Estado e a combinação do calor e elevada taxa de umidade na atmosfera deverá provocar pancadas de chuva, típicas de verão, em algumas regiões. Os totais esperados deverão ser inferiores a 10 mm na imensa maioria das áreas do RS. Somente nos setores Norte Noroeste os volumes deverão oscilar entre 10 e 20 mm, e poderão superar 30 mm em algumas localidades do Alto Uruguai. Clique aqui e acesse os Boletins oficiais sobre clima e culturas elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Emater-RS e Irga. O documento conta com uma avaliação das condições meteorológicas da semana anterior, situação atualizada das culturas do período e a previsão meteorológica para a semana seguinte. (SEAPDR) 

 
 
 

Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 15 de dezembro de 2022                                                  Ano 16 - N° 3.801


Compra de marcas da Nestlé alimenta meta da Lactalis de dobrar participação no Brasil
 
O mercado brasileiro de leite ganhou uma nova configuração nesta semana com a aquisição da joint venture DPA, da Nestlé e da Fonterra, pela francesa Lactalis. O valor do negócio não foi divulgado, mas extraoficialmente a cifra apontada é de R$ 700 milhões. Com o movimento, a companhia que entrou no país em 2013, reforça a posição como a maior captadora e mira a meta de dobrar a sua fatia de participação de mercado. Em entrevista à coluna, o presidente da marca para o Brasil e para o Cone Sul, Patrick Sauvageot, falou sobre o movimento. 
 
Leia trechos da entrevista abaixo:
 
O que a Lactalis tem a ganhar com essa aquisição da DPA?
Faz parte da realização de um planejamento para ser a número 1 na aquisição de leite do Brasil. Em setores como o de frango, a produção está bastante organizada e concentrada. No leite, é muito baixo. Hoje, a Lactalis, sendo a número 1, tem menos de 12% de participação no mercado. Se somarmos as quatro primeiras empresas, são menos de 35%. Em países com a cadeia mais organizada, é cerca de 50%. Queremos fazer um trabalho para melhorar o setor, na qualidade do leite cru e no custo de produção, que é alto. Isso faz com que ninguém ganhe dinheiro. O produtor trabalha duro e não tem remuneração suficiente para poder motivar os filhos.
 
Para esses produtores que são fornecedores, o que essa compra pode trazer de benefícios? Nós explicamos aos nossos produtores que nós nunca vamos conseguir construir uma empresa forte e responsável no Brasil sem o apoio deles. Uma das principais preocupações nossas é como acompanhar o produtor no crescimento da sua produção e na melhoria da qualidade e da rentabilidade da fazenda. O primeiro compromisso com o nosso produtor é de tomar todo o leite que eles produzem, até em momento de pico de sazonalidade. Nós estamos interessados em desenvolver um relacionamento com o produtor a longo prazo. 
 
O senhor pontua ter maior concentração é a ponte para o fortalecimento do setor. Como fica a concorrência?
O consumidor tem razão de se preocupar quando se tem um ator que sozinho tem mais de 50%, 60% do mercado. Em um país como o Brasil, que precisa fazer investimentos para acompanhar os produtores, se você não tem atores grandes suficientes, não se faz esse investimento. E o setor não tem competitividade, e quando isso ocorre, o mercado deixa entrar produtos com custos mais competitivos e qualidade de leite melhor. E esse não pode ser um trabalho feito só por uma empresa. 
 
Por que fazia sentido ter essa aquisição específica e não outra?
Hoje, temos 12% do mercado, mas achamos que para ser um ator de progresso, temos de chegar entre 20% e 25%. Queremos duplicar nosso negócio. E dentro das aquisições possíveis, escolhemos essa joint venture por ser uma empresa de alta qualidade, com marcas fortes e produtos com história.
 
Tem novas aquisições a curto prazo no radar?
Temos um apetite razoável, mas vários pratos ao mesmo tempo não é saudável. Agora o nosso foco é ter a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Depois, preservar pontos fortes da empresa a ser integrada, a cultura, as marcas, mas também progressivamente integrar as pessoas dentro da cultura da Lactalis. Depois disso, depende muito das oportunidades. 
 
A ideia é manter as marcas conhecidas, como Chandelle e Chamyto?
Manter e continuar desenvolvendo. (Zero Hora)


RS busca neutralidade de carbono
 
O Rio Grande do Sul intensifica ações rumo à neutralidade de carbono. O objetivo é a implantação de um projeto para mensuração de emissões de gases de efeito estufa (GEEs) via satélite, que vem sendo tratada pelo Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul). Chamada de STARSS (Sensoriamento Remoto de Estados e Regiões, na sigla em inglês), a iniciativa é conduzida pela rede global de governos Under2 Coalition em parceria com a plataforma Climate TRACE, que usa inteligência artificial para interpretar dados de mais de 300 satélites e de 11 mil sensores em terra e mar pelo planeta. A titular da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Marjorie Kauffmann, explica que a tecnologia foi discutida durante a 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), realizada em novembro, no Egito. 
 
No evento, o governo gaúcho assinou um protocolo de intenções para possibilitar a execução de planos que contemplem ações de enfrentamento às mudanças climáticas. “E o Projeto STARSS se enquadra perfeitamente nesse protocolo”, diz. Atualmente, a falta de dados precisos sobre emissões e captura de carbono constitui um dos gargalos na execução de planos ambientais, segundo a secretária. “O STARSS é um projeto experimental que usa as imagens de satélite para mensurar as emissões de cada tipo de uso do solo. Há outras tecnologias que são mais utilizadas e aceitas, mas a imagem de satélite nos daria uma resposta mais rápida”, destaca Marjorie. As fontes de financiamento para o projeto devem ser debatidas na primeira quinzena de janeiro de 2023, na próxima reunião do Codesul, que inclui os estados do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso do Sul, do Paraná e de Santa Catarina. 
 
A secretária lembra que o programa Avançar Sustentabilidade prevê a destinação de R$ 193 milhões do Tesouro a projetos de sustentabilidade, dos quais R$ 115,3 milhões se referem a ações relacionadas ao clima. Mas o uso de recursos próprios não é a única alternativa. “O intuito da Under2 Coalition é usar fundos de investimento internacionais que precisam ser colocados nessas ações climáticas. Então temos uma forte perspectiva de fazer esse estudo sem custo inicial para os estados”, afirma Marjorie. Por essa razão, a discussão articulada no Codesul é considerada estratégica. “Isso faz com que tenhamos capacidade maior de captar recursos e nos torna mais interessantes para esses projetos, ainda em escala pequena e experimentais”, observa a secretária. (Correio do Povo)
 
 
UE – O setor lácteo da UE está cada vez mais intensivo

Ao longo dos anos, a produção de leite União Europeia (UE) foi se intensificando e especializando muito. Em 2020, 80% do leite da UE foi produzido em sistemas intensivos (mais de 1,4 cabeça animal por hectare), enquanto que mais de 93% vieram de fazendas especializadas, com uma proporção menor em países do Leste europeu, como por exemplo República Checa 64%, Eslováquia 67%, Hungria 76% e Polônia 88%), de acordo com o boletim de previsões de médio prazo dos setores agrários da Comissão Europeia.
 
Esta transformação foi acentuada ainda mais, pela disponibilidade de investimento de capital, a dependência de alimentos comprados (em média, mais de 30% dos custos totais das fazendas leiteiras), menor demanda de mão de obra contratada devido a processos mais automatizados e empregados cada vez mais especializados.
 
Paralelamente, as propriedades leiteiras da UE se tornaram maiores (58 vacas por fazenda em 2020, em comparação com 38 vacas em 2010), dependendo mais de alimentos compostos e que se caracterizam por condições de produção mais controladas (por exemplo, alimentação computadorizada, robôs de ordenha, medição do rendimento de cada vaca e controle da saúde animal).
 
Toda esta evolução levou à maior produtividade. Em 2020-2022, o rendimento médio na UE foi de 7.500 kg/vaca (20% acima de 2010-2012). Ao mesmo tempo, a lacuna entre os países da UE Ocidental e Oriental foi reduzida, assim como também houve redução do rebanho comunitário.
 
Em 2020, a produção de leite orgânico foi de 4% e a produção em sistemas extensivos de 20%.
 
De um modo geral, o aumento dos rendimentos pode não mais compensar a redução do rebanho leiteiro, levando a produção de leite da UE a ter queda anual de 0,2% até 2032.
 
É provável que esta queda seja impulsionada pelos países da UE-14 (6 milhões de toneladas), enquanto que o resto da UE pode compensar a metade.
 
O que acontecerá na próxima década?
De acordo com as previsões do relatório, é provável que as restrições ambientais reduzam ainda mais, o rebanho leiteiro (-10% em comparação com 2020-2022), principalmente em sistemas intensivos, enquanto os sistemas alternativos podem crescer. Quanto aos rendimentos, se prevê um aumento, mas será somente a metade do que foi no passado (0,9%). (Fonte: Agrodigital – Tradução livre: www.terraviva.com.br)


Jogo Rápido 

 Legislação - Inovação mais perto do campo
 O presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto de lei aprovado na Câmara e no Senado, que institui a Política Nacional de Incentivo à Agricultura e Pecuária de Precisão. De autoria do deputado Heitor Schuch (PSB/RS), a Lei 14.475 tem como principais diretrizes o apoio à inovação em todas as etapas de produção; a sustentabilidade ambiental e socioeconômica; o desenvolvimento tecnológico e sua difusão; e a ampliação de rede de pesquisa, desenvolvimento e inovação do setor. “É uma lei que construímos com as entidades do RS e do Brasil para que a nossa agricultura familiar tivesse condições de ter essas tecnologias”, destaca Schuch, para quem a lei também facilita atualização tecnológica do maquinário agrícola. (Correio do Povo)