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Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 09 de janeiro de 2024                                                        Ano 18 - N° 4.061


Balança comercial de lácteos: 2023 encerra com novo pico nas importações

O ano de 2023 encerrou e a balança comercial de lácteos seguiu o movimento já observado anteriormente, com o saldo atingindo uma nova queda.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o saldo registrado no mês de dezembro chegou a -214 milhões de litros em equivalente-leite, uma queda de 20 milhões em relação a novembro de 2023, conforme pode ser observado no gráfico 1.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.
 
As exportações encerraram o último mês de 2023 com um avanço de 23,8%, com um total de 5,62 milhões de litros em equivalente-leite exportados durante o mês. Apesar da variação mensal positiva, em relação a dezembro/22 as exportações do último mês registraram uma queda de 25%, como mostra o gráfico 2. Com este resultado, o ano de 2023 encerrou com 72 milhões de litros exportados, uma queda de 53% em relação ao resultado obtido em 2022.

Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.

As importações atingiram o maior volume de lácteos importados desde outubro de 2016 no último mês, com 219,3 milhões de litros em equivalente-leite importados em dezembro, registrando assim uma alta de 10,8% em relação ao mês anterior (+21,4 milhões de litros), como mostra o gráfico 3. Desta forma, o ano de 2023 encerrou com um aumento de 69% em relação as importações de 2022, com 2,18 bilhões de litros importados, sendo este o maior resultado da série histórica iniciada em 2000.
 
Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.

Dentro das categorias importadas, 3 produtos obtiveram destaques em seu volume importado no mês de dezembro, sendo um deles o leite em pó integral (LPI). O LPI, categoria de maior relevância dentro das importações, passou por um aumento de 27% em seu volume importado no último mês, sendo este o terceiro maior patamar de importações do produto em 2023, com mais de 17 toneladas importadas.

Outros produtos de destaque nas importações foram a manteiga e o soro de leite, com um aumento mensal de 33% e 31%, respectivamente. Apesar do importante aumento para estas categorias, é importante ressaltar que são produtos de baixa relevância dentro do volume total importado.

Por outro lado, a categoria de queijos apresentou uma queda em suas importações no mês de dezembro, registrando uma variação negativa de 17%, assim como o leite em pó desnatado, que também registrou um resultado negativo de -3% no último mês.

Dentro das categorias exportadas, a maior variação mensal percentual foi obtida pelos leites modificados, no entanto, em relação aos demais meses de 2023 o volume exportado em dezembro ficou abaixo do observado em abril, junho e setembro, por exemplo. Da mesma forma, o leite UHT também registrou um importante avanço mensal no volume exportado, porém, ficou aquém do registrado em outros meses de 2023.

O soro de leite e os queijos foram as categorias de maior relevância dentro das exportações que registraram avanços mensais em seus volumes exportados, em 71% e 56%, respectivamente, com os queijos atingindo o segundo maior patamar das exportações de 2023 no mês de dezembro.

O leite condensado, segunda categoria de maior relevância dentro das exportações, registrou uma queda em seu volume exportado no último mês de 2023, de -9%, atingindo o menor volume mensal nas exportações da categoria no último ano.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de dezembro e novembro de 2023.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em dezembro de 2023

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em novembro de 2023.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.

O que podemos esperar para os próximos meses?
Por conta de uma expectativa de aumentos nos preços internacionais dos lácteos ao longo de 2024, alguns compradores brasileiros anteciparam suas compras internacionais de lácteos, gerando este avanço observado nas importações do último mês.

Desta forma, 2024 deve iniciar com as importações ainda em um patamar elevado, porém, com tendência de queda devido justamente a esta tendência de valorização nos preços internacionais.

Portanto, devido as importações em nível bastante elevado ao longo de 2023, devemos observar uma menor disponibilidade de leite neste primeiro semestre de 2024, causada também por importações menos estimuladas quando comparadas ao ano anterior. (Milkpoint)


Poupança tem retirada líquida de R$ 87,8 bilhões

Pelo terceiro ano seguido, o saldo das cadernetas de poupança caiu, com o registro de mais saques do que depósitos em 2023, em um cenário de juros e endividamento ainda altos no país. No ano passado, as saídas superaram as entradas em R$ 87,82 bilhões, conforme relatório divulgado ontem pelo Banco Central (BC).

Em 2023, foram aplicados R$ 3,83 trilhões, contra saques de R$ 3,91 trilhões. Apenas os meses de junho, com R$ 2,59 bilhões, e dezembro, com R$ 13,77 bilhões, registraram saldo positivo, com mais depósitos do que saques. Nos demais meses do ano, houve saídas líquidas.

Os rendimentos creditados nas contas de poupança somaram R$ 73,08 bilhões em 2023. Agora, o estoque aplicado na poupança é de R$ 983,03 bilhões.

O saque de recurso das cadernetas acontece em um momento de alto endividamento no país. De acordo com o BC, o endividamento das famílias (relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses) em operações de crédito chegou a 47,6% em outubro do ano passado. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também apontam que o endividamento ainda alcança cerca de 76,6% das famílias brasileiras.

Os saques na poupança se dão também porque a manutenção da taxa básica de juro em patamar alto estimula a aplicação em investimentos com melhor desempenho. Isso porque o rendimento da poupança segue limitado.

O resultado negativo de 2023, entretanto, foi menor do que o verificado em 2022, quando a poupança teve fuga líquida (mais saques que depósitos) de R$ 103,24 bilhões. O resultado foi recorde, em um cenário de inflação e endividamento altos. Em 2021, a retirada líquida chegou a R$ 35,49 bilhões.

Já em 2020, a poupança tinha registrado captação líquida (mais depósitos que saques) recorde de R$ 166,31 bilhões. (Zero Hora)

Protesto de agricultores piora cenário econômico da Alemanha

A já debilitada economia da Alemanha começa o ano enfrentando novas dificuldades, com os agricultores bloqueando as estradas em protestos contra os planos do governo de cortar os subsídios ao diesel e a ameaça de greve dos maquinistas de trem devido a disputas salariais. Colunas de tratores movimentavam-se pelas cidades alemãs enquanto comboios de agricultores bloqueavam as estradas de acesso às rodovias, numa demonstração de força que alarmou o governo. A “semana de ação” dos agricultores surge em um momento que pesquisas mostram uma crescente desencanto com o governo do premiê Olaf Scholz e frustração com a estagnação econômica. A maior economia da Europa foi a que teve o pior desempenho entre os seus grandes pares da zona euro em 2023, como resultado dos elevados custos da energia, as fracas encomendas globais e das taxas de juro historicamente elevadas para conter a inflação. 

Comboios de tratores e caminhões bloquearam as estradas sob temperaturas abaixo de zero em quase todos os 16 Estados alemães, enquanto os manifestantes entravam em confronto com a polícia e os principais políticos alertavam que a agitação poderia ser cooptada por extremistas.

Os bloqueios afetaram os transportes de passageiros e as operações nas fábricas. Funcionários de uma fábrica da Volkswagen na cidade de Emden, no norte, não conseguiram chegar ao trabalho, e um complexo petroquímico no sul teve suas entregas de combustíveis interrompidas. Mais protestos estão planejados para os próximos dias, ainda assim, Scholz disse que o governo não fará novas concessões e que seguirá com o plano aprovado pelos três partidos da coalizão na semana passada. Em uma tentativa de apaziguar os ânimos, o governo concordou em reduzir o subsídio ao diesel de forma gradual, ao longo de três anos, mas mantiveram a retirada de uma isenção fiscal para caminhões e tratores agrícolas. “Essa é a nossa proposta e acredito que é correta e equilibrada”, disse Scholz ontem. Mas para os agricultores essas concessões não são suficiente.

Os protestos forçam o impopular governo de Scholz a buscar um difícil de tentar conter a agitação e ao mesmo tempo mantendo a disciplina fiscal depois de uma decisão do Tribunal Constitucional em novembro ter desorganizado os seus planos de gastos. Também atingem a Alemanha num momento difícil, uma vez que o país também se prepara para uma greve generalizada de três dias dos maquinistas de trens prevista para começar amanhã, que afetará tanto o transporte de passageiros como o de bens. Tanto Scholz como o ministro da Economia, Robert Habeck, defenderam o direito dos agricultores de protestar, mas num vídeo publicado no X, antigo Twitter, Habeck alertou sobre os esforços de grupos de extrema direita para sequestrar manifestações e desestabilizar o país.

O governo Scholz foi obrigado a rever os planos do orçamento, que incluiu os cortes contestados, depois que o Tribunal Constitucional anulou uma decisão anterior de reaproveitar 60 bilhões originalmente destinados a amortecer as consequências da pandemia de covid-19 para medidas para combater as mudanças climáticas e modernizar a economia. Com isso, o geverno teve de preencher uma lacuna de 17 bilhões no orçamento para cumprir a estrita regra que limita a dívida pública.

Esse rigor fiscal deverá pesar ainda mais no crescimento da Alemanha, já em recessão. Três importantes institutos econômicos alemães reduziram as suas previsões de crescimento para este ano, argumentando que a crise fiscal vai atrasar a recuperação. O Ifo espera agora que a Alemanha cresça 0,9% neste ano, em vez de 1,4%, enquanto o RWI reduziu a sua previsão de 1,1% para 0,8% e o DIW reduziu a sua previsão de 1,2% para 0,6%.? “A incerteza está no momento atrasando a recuperação econômica, uma vez que aumenta a propensão dos consumidores para poupar e reduz a vontade das empresas e das famílias para investir”, disse Timo Wollmershaeuser, analista do Ifo. (Valor Ecnômico)


Jogo Rápido

Sem DOC e TEC
Tradicionais meios de transferência bancária, o DOC (Documento de Ordem de Crédito) e a TEC (Transferência Especial de Crédito) vão acabar. Só poderão ser feitos até o dia 15. Conforme a Febraban, que anunciou a extinção, foram atropelados pelo Pix, e representam hoje 0,05% das transações bancárias. Atenção: outro tipo de transferência, a TED (Transferência Eletrônica Disponível), segue operando normalmente. (Zero Hora)


 
 

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Porto Alegre, 08 de janeiro de 2024                                                        Ano 18 - N° 4.060


Redução na área com proteção é maior no RS

A redução de área de lavouras protegidas contra intempéries foi verificada em todo o país, mas teve um percentual maior no Rio Grande do Sul em relação à média nacional. Os 6,25 milhões de hectares com o Programa de Subvenção do Seguro Rural no Brasil em 2023 representam um recuo de 12,21% sobre o ano anterior. No Estado, a queda foi de 27,81%. Há diminuição também em outros indicadores (veja abaixo). O alcance da ferramenta tem relação com os valores disponibilizados para a subvenção, que vêm encolhendo.

- A subvenção é um instrumento de mitigação de risco importantíssimo - pontuou Daniel Nascimento, vice-presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Estimativas apontam que seriam necessários R$ 2 bilhões, pelo menos, para dar conta da demanda no Brasil. Em 2023, o valor inicialmente previsto era de R$ 1,06 bilhão, mas cortes reduziram essa quantia para R$ 933,09 milhões. Na lei orçamentária sancionada para este ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o trecho que determinava a ressalva de recursos para o programa de subvenção do seguro rural. (Zero Hora)


Pesquisa revela promissora estratégia de biocontrole na produção de gado leiteiro

No universo desafiador da pecuária leiteira, onde a mastite bovina representa uma ameaça constante à produção, uma pesquisa inovadora liderada pelo prof. Alessandro Del'Duca, do Núcleo de Biologia do Campus JF do IF Sudeste MG, pode reverter esta realidade.

O artigo, publicado na renomada revista "Research in Veterinary Science" classificada com qualis A1 pela Capes, destaca a descoberta de bactérias endêmicas provenientes do sistema de produção de gado que se revelaram eficazes no controle do crescimento de patógenos associados à mastite.

A  mastite é uma doença infecciosa, causada por vários microorganismos, caracterizada por processo inflamatório que reduz a produção de leite. A pesquisa consistiu no isolamento de bactérias da serragem de compostagem em dois tipos de sistemas alimentação do gado e, posteriormente, testadas para verificar sua capacidade de controlar o crescimento de Staphylococcus aureus obtidos de bovinos com a enfermidade.

Os isolados bacterianos destes sistemas foram testados para verificar a capacidade de biocontrole, utilizando o método de dupla camada. Um total de 189 amostras foram obtidas, considerando a morfologia das diferentes colônias bacterianas, sendo que 30 apresentaram resultados positivos para o controle do crescimento de pelo menos uma cepa de S. aureus e 19 isolados demonstraram capacidade de controlar mais de um patógeno.

A capacidade dessas bactérias em apresentar um potencial significativo de inibição, segundo os pesquisadores, representa um avanço significativo na busca por microrganismos de biocontrole para a mastite bovina, sem a necessidade do uso de antibióticos. Os resultados obtidos apontam para uma variedade de bactérias com potencial inexplorado, capazes de se tornar aliadas valiosas na preservação da saúde do gado leiteiro.

O trabalho, desenvolvido em colaboração com a UFJF e a Embrapa Gado de Leite desde 2014, contou com a coautoria dos(as) pesquisadores (as) Gabriela Fernandes de Paiva Oliveira, Mariana de Andrade Faustino, Ludmila Abreu Borges, Emanuelle Salviano Sixel, Caléo Alecsander Silva Miranda, Edmo Montes Rodrigues, Julliane Dutra Medeiros, Alessandro de Sá Guimarães, Letícia Caldas Mendonça e Dionéia Evangelista Cesar. (As informações são do Instituto Federal, adaptadas pela equipe MilkPoint)

Seguro paramétrico indeniza assentado da Bahia

Assentado da reforma agrária no município de Canavieiras, no sul da Bahia, Edmundo Almeida é o primeiro agricultor familiar a receber uma indenização de seguro paramétrico no Brasil. A Newe Seguros pagará cerca de R$ 2,6 mil ao produtor de cacau. O desembolso poderá aumentar para R$ 3,7 mil de acordo com o volume de chuvas de dezembro, ainda em apuração.

O seguro paramétrico é baseado na definição de índices verificáveis por meio do uso de tecnologia, sem a necessidade de vistoria presencial de peritos como no seguro rural tradicional, o que reduz os custos e amplia a possibilidade de acesso por pequenos produtores. A modalidade permite a adoção de condições customizadas conforme cada atividade.

A indenização do produtor baiano será paga devido à falta de chuvas entre agosto e novembro. Na elaboração e contratação da apólice, foi apurada a média de precipitação na região desde 1981 e foram definidos os “gatilhos” para que a indenização fosse acionada e interrompida. Ou seja, se durante aqueles meses chovesse menos do que o “combinado” pelas partes, o cacauicultor teria direito à indenização.

O seguro foi feito para uma área de três hectares onde Edmundo Almeida planta cacau no sistema cabruca. A apólice custou R$ 400, já que ele teve subsídio de 40% do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

O valor máximo estipulado para a indenização foi de R$ 6 mil, considerando a possibilidade de falta de chuvas em três períodos distintos. Entre agosto e setembro, na fase de desenvolvimento da safra temporã, a média histórica de chuvas no local é de 186 milímetros. O gatilho foi definido em 125 milímetros, e cada milímetro a menos de chuva geraria pagamento de R$ 24 ao agricultor.

Foi definida a “saída” da indenização, de 25 milímetros no período, e a faixa indenizatória ficou em 100 milímetros, possibilitando o pagamento total de R$ 2,4 mil. Como entre agosto e setembro choveu 117 milímetros, houve indenização de R$ 188,86 ao produtor. Os dados meteorológicos são providos pela CHIRPS (Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Station), obtidos por imagens de satélite pela Universidade da Califórnia.

Para o período de outubro e novembro, fase de colheita da safra temporã e floração da principal, a média acumulada apurada foi de 295 milímetros, e o gatilho ficou em 186 milímetros. Nesses dois meses, houve redução no volume de chuvas na região, que ficou em 64 milímetros. Com isso, o produtor teve direito a receber o montante máximo de indenização para o período, de R$ 2,4 mil, que somado ao valor anterior fica próximo de R$ 2,6 mil.

“A atividade agrícola é muito arriscada e, a partir das mudanças do tempo, ficou ainda mais. Com o seguro, vou me arriscar mais, vou ousar, buscar uma renda maior, com equilíbrio ao meio ambiente, mas sem o temor que tinha antes sem ter o seguro”, diz, em nota, o produtor rural Edmundo Almeida.

Rodrigo Motroni, vice-presidente da Newe, afirma que o seguro paramétrico é a solução para quem nunca teve acesso facilitado a ferramentas de proteção e gestão de riscos. “Por meio de inovação e comprometimento com a adaptabilidade climática, conseguimos oferecer garantias a que essas comunidades produtivas nunca tiveram acesso”, observa.

O valor indenizado poderá aumentar por conta da apuração dos dados referentes a dezembro, que serão fechados no fim deste mês. A faixa de indenização nesse período é menor, de 37 milímetros, com pagamento de R$ 32,43 a cada milímetro a menos de chuva esperado. Com isso, a indenização máxima em dezembro de 2023, época de colheita da safra principal, pode chegar a R$ 1,2 mil, e o valor total a ser recebido por Almeida pode aumentar para R$ 3,7 mil. (Globo Rural)


Jogo Rápido

Carf permite deduzir da Cofins descontos a devedor
De acordo com o advogado Leandro Cabral, do Velloza Advogados, outros julgados do Carf sobre o tema envolvem bonificações de mercadorias, um tipo de desconto, mas com fundamentos distintos (processo nº 16682.720467/2013-19). A situação é relevante para os bancos e começa a aparecer em mais casos no Carf, diz Cabral. Por conta, acrescenta, do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da incidência de PIS e Cofins sobre receitas financeiras de instituições financeiras. Isso motivaria o setor a rever sua apuração, em especial para usufruir das deduções previstas na legislação. “Essa decisão do Carf é importante para sinalizar aos contribuintes que há espaço para pedirem a restituição ou compensação na esfera administrativa”, afirma Cabral. O processo, segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), é um precedente isolado, não constituindo indicativo de jurisprudência. A possibilidade de ser examinado pela Câmara Superior depende de identificação de divergência, diz o órgão, acrescentando que o conceito de receita operacional, assim como a definição de desconto incondicional, já foi objeto de diversos julgamentos no Carf e no Judiciário. (Valor Econômico, adaptado pelo Sindilat)


 
 

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Porto Alegre, 05 de janeiro de 2024                                                        Ano 18 - N° 4.059


Insatisfeitos com vetos à LDO, parlamentares cobram acordo

Insatisfeitos com a amplitude dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), parlamentares sinalizaram ao relator Danilo Forte (União-CE) que aguardarão uma sugestão que parta do Palácio do Planalto em busca de um acordo para evitar uma derrubada generalizada das decisões do petista em relação à proposta. No Executivo, ainda não há nenhum movimento, nem mesmo embrionário, que indique que um acordo será construído nas próximas semanas. Segundo apurou o Valor, Forte tem sido procurado por líderes partidários, que estariam preocupados com a forma como o governo conduziu os vetos à LDO. Isso porque, de acordo com parlamentares, muitos pontos do texto foram negociados e fechados em anuência com ministros de áreas específicas. Depois, porém, ministros da área política teriam “ignorado” essas costuras e dado aval aos vetos.

“Todo mundo está perplexo com a quantidade de vetos. O governo pode até recuar sobre eles, mas esse movimento tem que partir deles. Não somos nós quem devemos provocar essa solução”, disse um parlamentar que acompanhou as articulações. “Tudo foi muito conversado com os ministros e os vetos pegaram todo mundo de surpresa. Ignoraram os acordos e usaram a tesoura de forma aleatória”, completou. Apesar de congressistas demonstrarem disposição em ouvir o governo sobre uma possível revisão dos vetos, integrantes do Planalto desconhecem que uma iniciativa desta natureza esteja para ocorrer.

Um dos vetos que incomodaram os parlamentares é em relação ao uso de recursos destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para pagar despesas de transporte, alimentação e uniforme escolar. Isso teria sido alinhado com o ministro da Educação, Camilo Santana (PT). Deputados pontuam que o único veto que não os surpreendeu foi sobre o cronograma para a execução das emendas parlamentares, já que governistas demonstraram resistência ao tema durante o debate da matéria. (Valor Econômico)


A produção mundial de leite começa debilitada o ano novo

O declínio da oferta mundial de leite restringiu os mercados globais de laticínios e contribuiu para alguns ganhos recentes de preço, como o recente aumento do índice Global Dairy Trade.

De acordo com Monica Ganley, analista do Daily Dairy Report e diretora da Quarterra, uma empresa de consultoria agrícola de Buenos Aires, “a produção de leite vem caindo nas principais regiões e países exportadores de laticínios do mundo, à medida que as pressões sobre as margens, os desafios climáticos e os encargos regulatórios pesam sobre os volumes”.

Em outubro, a produção combinada dos cinco principais exportadores de laticínios do mundo caiu 1,2% em relação aos níveis do ano anterior, marcando o terceiro mês consecutivo de contração e a maior perda anual desde maio de 2022. As perdas absolutas mais graves ocorreram na Europa, disse Ganley. Na União Europeia e no Reino Unido juntos, a produção de leite caiu 1,7% em outubro, uma queda de 224.000 toneladas métricas (MT).

“A redução na oferta de leite da UE e do Reino Unido representou 70% do declínio total observado em todos os principais exportadores. As partes interessadas do setor sugerem que a queda dos preços do leite no outono passado prejudicou a lucratividade e, com a intensificação das expectativas de um ambiente regulatório cada vez mais restritivo na Europa, muitos produtores optaram por sair do negócio permanentemente”, disse Ganley.

As perdas também foram observadas do outro lado do Atlântico. Por exemplo, nos Estados Unidos, as margens reduzidas e o declínio do rebanho leiteiro fizeram com que a produção anual caísse 0,7% ou 61.000 toneladas. A produção de leite caiu mais 0,6% em novembro, em comparação com o ano anterior, marcando o quinto mês consecutivo de quedas ano a ano nos Estados Unidos. Em novembro, o rebanho de vacas leiteiras dos EUA diminuiu para o nível mais baixo em três anos, preparando o terreno para uma contração sustentada na produção de leite do país.

Enquanto isso, na Argentina, onde um novo governo criou um choque econômico, a produção caiu 4,3%, ou 49.000 toneladas. O novo presidente da Argentina, Javier Milei, prometeu restaurar a economia em dificuldades do país cortando os gastos do governo e implementando reformas radicais. Muitas das reformas propostas têm implicações profundas para os setores agrícola e de laticínios, informou Ganley. Na primeira semana após sua posse, Milei anunciou uma desvalorização de mais de 50% da taxa de câmbio oficial, o que terá vários impactos para o setor de laticínios, disse ela.

“Para os exportadores, isso aumentará a quantidade de dinheiro que chega às suas contas bancárias, já que as exportações são pagas pela taxa oficial. No entanto, isso também tornará os insumos denominados em dólares mais caros para o setor em termos de peso”, disse ela. “Outra iniciativa importante é a implementação de um imposto de exportação de 15% para quase todos os produtos. No entanto, o setor de laticínios da Argentina conseguiu garantir uma isenção dessa regra. Como resultado, as exportações de laticínios da Argentina se tornarão mais competitivas nos mercados internacionais, pois os impostos de exportação serão de 0%, em vez dos 4,5% a 9% cobrados nos últimos anos.”

Na Oceania, a produção da Nova Zelândia caiu modestos 0,3% em outubro, enquanto na Austrália, o único exportador importante que registrou aumento nos volumes, a produção cresceu 2,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, acrescentando cerca de 19.000 toneladas de leite ao total global.

“Olhando para o futuro, a situação continua precária”, disse Ganley. “Embora a maioria dos fatores que têm pressionado a produção de leite para baixo provavelmente persista, a demanda global continua fraca, sugerindo que mais perdas na produção de leite podem ser necessárias antes que os preços do leite e dos produtos lácteos possam subir muito mais.” (Fonte: eDairyNews)

EUA: 8 fatores que moldarão a economia rural em 2024, segundo o CoBank

O CoBank lançou seu relatório de perspectivas para 2024, que analisa os principais temas que a organização espera que moldem a agricultura e a economia rural no próximo ano. O Diretor de Intercâmbio de Conhecimento do CoBank, Rob Fox, compartilha que, embora a economia dos EUA ainda esteja em boa forma em geral, espera-se que os preços altos continuem a cobrar seu preço.

Aqui estão os oito principais fatores a serem observados em 2024.

1. Desaceleração global
O crescimento global em 2023 está estimado em 2,5%, o que representa menos da metade do crescimento médio entre 2000 e 2018. Espera-se que essa tendência continue no próximo ano. O CoBank recomenda levar em conta o crescimento econômico global permanentemente mais lento em seu plano de negócios daqui para frente.

2. Os preços continuam elevados
Embora a inflação e a taxa de desemprego estejam em baixa, os preços mais altos parecem estar se mantendo. De acordo com o relatório, o preço dos alimentos em casa aumentou 25% nos últimos três anos e, como resultado, afetou o comportamento de compras do consumidor. Os gastos no varejo caíram em todos os meses do ano passado, com exceção de dois, o que deve continuar. "Os consumidores estão sentindo cada vez mais o impacto dos preços mais altos de alimentos, moradia e outros bens essenciais. As pessoas têm expectativas mentais ancoradas sobre o que os preços deveriam ser e essas âncoras levam muito tempo para se mover", diz Fox. "Os consumidores estão começando a perceber que alguns preços não voltarão a ser os mesmos de três anos atrás e estão mudando seus comportamentos de compra para reduzir os gastos. Isso criará ventos contrários mais fortes para a economia dos EUA em 2024."

3.  O progresso lento do governo continua
Com pequenas maiorias na Câmara e no Senado, os prazos de paralisação continuam se aproximando. Pouco progresso foi feito em legislações importantes, como a Farm Bill. Embora o CoBank compartilhe que o trabalho já realizado na Farm Bill poderia incentivar os comitês a aprová-la antes de 2025, a eleição de um novo presidente do Senado e a inexperiência de muitos membros do Congresso podem limitar o progresso.

4. Menor lucratividade resultante de vários fatores
Os preços das commodities sofreram o efeito das altas taxas de juros, de um dólar americano forte e da resiliência da economia dos EUA. E, apesar da queda nos preços dos fertilizantes, o custo de produção das commodities agrícolas continua alto. O CoBank prevê que as commodities agrícolas se beneficiem de um risco de preço mais alto do que baixo em 2024, devido aos estoques apertados e a um forte padrão climático de El Niño durante a estação de crescimento.

5. Aumento dos hectares de soja plantados
Espera-se uma expansão da área plantada de soja por dois motivos: a menor colheita de soja em 2023 nos EUA e um aumento na demanda por biocombustíveis. A divulgação antecipada do USDA de suas Projeções Agrícolas para 2033 aponta que a área plantada de soja aumentará 4% em relação ao ano anterior, chegando a 35 milhões de hectares nesta primavera. Os atuais preços futuros para 2024 sugerem uma queda nos preços do setor, mas a perspectiva depende muito do valor do dólar americano, das condições do trigo na Rússia e das safras de milho e soja da América do Sul. 

6. Planos de crescimento da pecuária suspensos
Os custos mais baixos da ração e a demanda doméstica devem ajudar um pouco a lucratividade no setor pecuário, mas os custos ainda são altos. O CoBank espera que o setor se concentre fortemente em eficiência, tecnologia e gestão de riscos.

7. Incerteza no setor de lácteos
O aumento dos preços para os consumidores pode manter o crescimento das vendas em um ritmo lento, embora ainda se espere que elas cresçam. A demanda internacional desempenhará um papel importante na lucratividade e os custos mais baixos de ração, aliados à melhoria da produtividade das vacas, devem aumentar a produção de leite para atender à necessidade.

8. Os setores de eletricidade, energia e banda larga enfrentam obstáculos
Os conflitos globais criam incertezas nos mercados de commodities e nos preços de energia. Embora os preços do petróleo tenham caído 5% no quarto trimestre, o CoBank não prevê que esse ambiente perdure.

Quanto à banda larga, o investimento continua fluindo para o setor. No entanto, isso não ocorrerá sem desafios devido a um mercado de trabalho apertado, condições de crédito restritas e um processo de licenciamento difícil. (As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido


Calor e chuvas de verão estão previstos para os próximos dias no RS
Os próximos sete dias serão quentes, com pancadas de chuva de verão no Rio Grande do Sul.  É o que prevê o Boletim Integrado Agrometeorológico 01/2024, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Irga. Na sexta-feira (5/1) e no sábado (6/1), o tempo firme, com sol e temperaturas elevadas, predominará em todo o Estado. No domingo (7/1), a presença do ar quente manterá o forte calor, e haverá pancadas de chuva no decorrer do dia na maioria das regiões. Na segunda-feira (8/1), o deslocamento de uma área de baixa pressão provocará chuva, em todo o Estado, com possibilidade de temporais isolados, especialmente nos setores Oeste e Noroeste. Na terça (9/1), o tempo permanecerá seco com temperaturas em gradativa elevação. Na quarta-feira (10/1), o deslocamento de uma nova frente fria deverá provocar chuva em todo o Rio Grande do Sul. Os totais esperados deverão oscilar entre 10 e 20 mm na maioria das localidades do Estado. Na Zona Sul, Litoral e nos Campos de Cima da Serra, os valores deverão alcançar 35 mm. O boletim também aborda a situação de diversas culturas e criações de animais pelo Estado. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em  www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (SEAPI)


 
 

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Porto Alegre, 04 de janeiro de 2024                                                        Ano 18 - N° 4.058


Em 2024, valor da Unidade Padrão Fiscal será de R$ 25,9097 alterando as taxas de repasses para o Fundesa e Fundoleite

O valor da Unidade Padrão Fiscal (UPF-RS) em 2024 está fixado em R$ 25,9097. O indexador está em vigor desde o dia 1º de janeiro, seguindo determinação da publicação de Instrução Normativa da Receita Estadual (IN RE) 098/23 do Governo do Estado. Em relação ao praticado em 2023,  que era de R$ 24,7419, representa um aumento de 4,72% .

Com isso, haverá alteração no recolhimento para o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa) e Fundoleite pela cadeia produtiva da bovinocultura de leite.  O total passa a ser de R$ 0,000803 por litro produzido com 50% descontado na nota de compra de leite pago aos produtores (R$ 0,0004015) e 50% pago pelas indústrias (R$ 0,0004015). Os valores têm como destino a indenização dos proprietários de animais com zoonoses, como tuberculose, assim como para a promoção de ações de prevenção contra doenças infectocontagiosas reconhecidas nos programas de sanidade animal.  

Ao todo, dez entidades integram o Fundesa, entre elas, o Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS). Juntas, atuam na articulação de ações que promovam a melhoria da produtividade do leite gaúcho. “O fundo é relevante para o crescimento do setor lácteo pois trabalha no sistema preventivo e, além disso, com benefícios indenizatórios garantidos aos produtores de leite que ficam protegidos em casos de baixas nos rebanhos por tuberculose”, assinala Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindilat/RS. (Assessoria de Imprensa Sindilat)


Como veto do governo no orçamento deve afetar o seguro rural em 2024

O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024 que blindava os recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) de cortes ou contingenciamentos pode agravar o cenário de imprevisibilidade do mercado segurador no país e dificultar a expansão de área segurada e de produtores atendidos neste ano. De acordo com Esteves Colnago, diretor de Relações Legislativas da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a medida gera insegurança para o setor e fragiliza ainda mais o mercado de seguro agrícola. Em 2023, o orçamento inicial do PSR, de R$ 1,06 bilhão, sofreu dois cortes e foi reduzido para R$ 933 milhões, o que limitou seu alcance. Apesar das promessas do governo e de sucessivas tentativas do Ministério da Agricultura, não houve suplementação de verba para o programa. 

“Retirar a subvenção do seguro rural da possibilidade de não ser contingenciado sempre traz mais insegurança para o setor. Em termos de previsibilidade, de segurança para as empresas seguradoras, para o setor e para os próprios agricultores, isso fragiliza”, afirmou Colnago à reportagem. Segundo ele, as seguradoras defendem que o orçamento do PSR seja ampliado para R$ 2 bilhões há alguns anos para atender à demanda do campo. Na contramão do que pede o mercado, o recurso aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA), que ainda aguarda sanção, foi de R$ 964,5 milhões. A verba deverá atender 69,1 mil produtores, conforme a estimativa relatada na versão final do projeto aprovado pelo Congresso Nacional na última sessão de 2023. O número é inferior aos 70 mil agricultores e pecuaristas atendidos no ano passado. “O volume de orçamento, menor do que R$ 1 bilhão e ainda passível de contingenciamento como vem acontecendo nos últimos anos, cria uma insegurança para a programa, que é uma política pública importante para o país”, disse Colnago. 

Daniel Nascimento, vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), lembrou que a demanda do mercado pela preservação dos recursos do PSR no orçamento tem sido negada de forma recorrente ao longo dos anos. Sem a segurança de aplicação total da verba da subvenção, o desafio das seguradoras é massificar, pulverizar e diversificar o risco para que não haja uma nova baixa nesse setor. Não foi só a falta de subvenção que ocasionou a retração no mercado segurador, disse Nascimento. A alta sinistralidade das últimas safras tirou o apetite de algumas seguradoras e resseguradoras. Outras empresas elevaram preços. A previsão da FenSeg é que a demanda por seguro rural em 2024 será capaz de consumir R$ 2 bilhões em subvenção — mais que o dobro do orçamento aprovado na LOA. “Algo menor do que isso em disponibilidade de recursos atrapalha expansão do setor”, afirmou. Mesmo assim, ele disse que espera a volta de seguradoras que saíram momentaneamente do mercado em 2023, e com apetite maior. A provável volta do La Niña na safra de verão de 2024/25, com menos chuvas no Sul do país, é um dos fatores considerados para isso. “O incentivo governamental é fundamental”, indicou Nascimento. 

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) prometeu derrubar o veto para garantir a proteção à verba do seguro. “O recurso já é insuficiente e agora muito mais agravado pela questão climática, razão pela qual consideramos que isso deva ser preservado”, afirmou o vice-presidente da bancada ruralista, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP). “Trabalharemos para derrubar os vetos em relação a esses itens”, completou. A “proteção” ao orçamento do seguro rural havia sido incluída na lei por meio de emenda da FPA. Além do PSR, a lista contemplava os recursos destinados à pesquisa e desenvolvimento e transferência de tecnologias para a agropecuária sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as despesas com defesa agropecuária, o orçamento para a assistência técnica e extensão rural, a subvenção econômica nas aquisições do governo federal e na formação de estoques reguladores e estratégicos e a subvenção econômica para garantia e sustentação de preços na comercialização de produtos agropecuários. Menu Política Sindilat Procurado, o Ministério da Agricultura não respondeu até o fechamento da reportagem. (Globo Rural)

 
É vital que as fazendas se preparem para os impactos do clima

As fazendas leiteiras devem planejar sua estratégia de resiliência climática da mesma forma que as "grandes empresas", a fim de enfrentar o impacto dos riscos climáticos, afirma um novo relatório publicado pela consultoria de sustentabilidade britânica Kite Consulting.

Preparado pelo chefe de sustentabilidade Hayley Campbell-Gibbons para a Asda, uma das quatro principais cadeias de supermercados do Reino Unido, o relatório investiga como o uso da Força-Tarefa do Conselho de Estabilidade Financeira sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD) poderia ajudar produtores individuais, processadores, varejistas, reguladores e credores na tomada de decisões.

A TCFD, que foi amplamente adotada pelo governo do Reino Unido como base para a implementação de divulgações financeiras obrigatórias relacionadas ao clima, é considerada a estrutura mais eficaz para as empresas analisarem, entenderem e divulgarem informações financeiras relacionadas ao clima.

Campbell-Gibbons adverte que, apesar do impacto da mudança climática na agricultura do Reino Unido, não há ferramentas que os produtores possam usar para avaliar os riscos climáticos em nível de fazenda e calcular a resiliência dos negócios. "Atualmente, o único meio identificado para rastrear e compreender os riscos ambientais emergentes que afetam a cadeia de suprimento de alimentos é o serviço climático do Met Office financiado pelo Defra sobre Alimentos, Agricultura e Meio Ambiente Natural", afirmou o autor. "Esse serviço se concentra nos impactos das mudanças climáticas na agricultura, com o objetivo de informar os formuladores de políticas sobre a futura adaptação necessária no setor agrícola."

Os processadores de leite, por exemplo, precisam considerar estratégias de mitigação em caso de choques ou mudanças significativas no fornecimento das principais commodities de laticínios.

e qualquer forma, três questões fundamentais devem ser consideradas por qualquer empresa agrícola que pretenda melhorar sua resiliência climática:

Quais são os riscos que a mudança climática representa para o meu negócio agrícola agora e nos próximos 5 anos?
 
Qual seria o impacto desse risco na área, nos animais e nos negócios da minha fazenda?
 
Que adaptações e soluções poderiam mitigar os impactos ou reduzir o risco?
 
"Para deixar claro, não se trata de medir as pegadas de carbono ou reduzir as emissões na fazenda", escreveu Campbell-Gibbons. "Trata-se de compreender as vulnerabilidades de uma fazenda, as ameaças que as mudanças climáticas podem apresentar e, em última análise, preparar um negócio agrícola para a realidade de mais extremos climáticos."

O relatório continua aplicando o TCFD no nível da fazenda leiteira, desde os desafios para quantificar o impacto econômico de eventos relacionados ao clima até as principais métricas que poderiam ser usadas para avaliar os riscos. Vários "riscos prioritários" são destacados, incluindo doenças animais, estresse por calor e frio, a perda de recursos do solo e o impacto de pragas. Uma amostra de um teste de estresse em uma fazenda leiteira também está incluída no relatório.

A pesquisa destaca que os produtores orgânicos podem estar mais expostos aos impactos climáticos relacionados à terra, pois eles podem afetar os períodos de pastagem e a disponibilidade de forragem.  "Existe um caso para aplicar os princípios de divulgação financeira relacionada ao clima em nível de fazenda? Simplesmente, sim", concluiu Campbell-Gibbons. "Conforme demonstrado neste relatório, existem riscos físicos e transitórios múltiplos e bem comprovados que os impactos das mudanças climáticas representam para uma fazenda leiteira típica.

"A agricultura é particularmente sensível às condições climáticas e sofrerá impactos profundos na produtividade e na viabilidade econômica em resposta às mudanças relacionadas ao clima. Há vantagens comerciais e competitivas potencialmente significativas a serem obtidas pelas empresas que estão enfrentando os desafios. A abordagem dos riscos relacionados ao clima e à produtividade não deve ser deixada de lado ou considerada um exercício estratégico apenas para grandes empresas. É uma falsa economia para uma empresa de qualquer tamanho não entender e lidar com eles." (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

Salário urbano cai e expõe China à deflação
Os salários oferecidos aos chineses nas grandes cidades tiveram a maior queda já registrada, enfatizando a persistência de pressões deflacionárias e a pouca confiança dos consumidores na segunda maior economia do mundo. Os salários médios oferecidos por empresas para novas contratações em 38 das principais cidades da China caíram 1,3%, para 10.420 yuans (US$ 1.458), no quarto trimestre de 2023, na comparação ao mesmo período de 2022. É a pior queda desde pelo menos 2016, segundo dados compilados pela Bloomberg a partir da plataforma de recrutamento digital Zhaopin. Também é o terceiro trimestre consecutivo de queda, o período mais longo desde que os dados sobre as variações anuais passaram a ser disponibilizados, em 2016. Em Pequim, os salários caíram 2,7%, comparados ao mesmo período do ano anterior, no quarto trimestre consecutivo de contração. Os salários na metrópole de Guangzhou, no sul, caíram 4,5%. Os dados realçam os riscos crescentes de deflação com que a China se depara em 2024, que têm um impacto sobre as perspectivas de crescimento. Um mercado de trabalho desanimado significa que os moradores tendem a reduzir os gastos, o pressionando para baixo os preços ao consumidor. (Valor Econômico)


 
 
 

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Porto Alegre, 03 de janeiro de 2024                                                        Ano 18 - N° 4.057


O que esperar do mercado de leite em 2024?

Em relação à disponibilidade de leite, 2024 deve começar com o mercado em situação exatamente oposta ao que foi observado no primeiro semestre de 2023; no primeiro semestre de 2023 a produção brasileira de leite começou em queda (-1,2% no primeiro trimestre em relação mesmo período de 2022) e acelerou fortemente no segundo trimestre (+4,0% de crescimento vs 2022).

Naquele momento, aos volumes crescentes de produção local foram agregados volumes extremamente elevados de leite importado – observando agora os volumes importados de leite no primeiro semestre de 2023, claramente pode-se dizer que foram pouco coerentes com a situação de oferta de leite naquele momento. No primeiro semestre de 2023, tivemos meses de crescimento da disponibilidade per capita da ordem de 11 a 12% em relação a 2022.

O ano de 2024 deve começar com a produção em desaceleração, fruto da forte queda de rentabilidade experimentada pelo produtor de leite durante 2023 (observe, no gráfico 1, o indicador Receita Menos Custo da Alimentação – RMCA e os patamares bastante diferentes no primeiro e no segundo semestre do ano)

Gráfico 1. Evolução do Receita Menos Custo da Alimentação (RMCA).

Fonte: MilkPoint Mercado.
 
Além da perda de rentabilidade, evidenciada pela evolução do RMCA ao longo de 2023, fatores estruturais (como redução no número de produtores e no número de vacas em produção) devem comprometer os volumes produzidos no início de 2024.

Adicionalmente, o forte El Niño pelo qual passa o país tende a trazer desafios de produção no sul do país (milho plantado para silagem com alguns problemas de qualidade) e na oferta de milho grão em todo o mercado (atrasos no plantio da safra de verão atrasando/reduzindo a segunda safra, de milho, no Centro Oeste).

Em relação às importações, os volumes no primeiro semestre de 2024 tendem a ser menores do que os do mesmo período de 2023, ainda que permaneçam em patamares elevados. Vários fatores associados às condições de produção no Uruguai e na Argentina e, principalmente, aos aspectos econômicos da cadeia láctea na Argentina, trazem uma série de incertezas sobre o cenário de exportações ao Brasil em 2024 (a figura 1 apresenta um resumo destes fatores)

Figura 1. Fatores que podem fazer crescer ou decrescer o volume de importações lácteas no Brasil em 2024.

Fonte: MilkPoint Mercado.
 
Assim, em resumo, teremos menor produção e (possivelmente) menores importações de lácteos no primeiro semestre de 2024 (em relação ao mesmo período de 2023), que resultarão numa disponibilidade per capita menor do que em 2023.

Ao mesmo tempo, teremos um cenário de demanda também oposto ao do início de 2023. Os preços dos lácteos no varejo começarão 2024 mais baixos do que em 2023 (quando iniciamos o ano com inflação de 2 dígitos nos lácteos). A figura 2 mostra os preços no varejo da cidade de São Paulo para o leite UHT e para a Muçarela e as variações pontuais de preços em relação ao ano anterior.

Figura 2. Preços do leite UHT e da Muçarela no varejo da cidade de São Paulo.

Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IPC da FIPE.
 
Além disso, o ambiente econômico entra 2024 com indicadores favoráveis, como menores taxas de juros, menor taxa de desemprego entre outros.
Este cenário de preços e ambiente econômico reflete nos volumes de venda de lácteos no varejo. Enquanto 2023 começou com queda de 5% a 7% em relação a 2022 (segundo dados da Scanntech), os volumes de venda de muitas categorias lácteas vêm apresentando recuperação, que deve seguir no início de 2024.

Assim, começamos o ano com menos leite e demanda em recuperação. Neste cenário, é razoável esperar uma reação mais rápida de preços de leite ao produtor (que, de fato, segundo o Cepea, já começou no pagamento de dezembro/2023, pelo leite de novembro/2023, efeito que raramente se observa no pagamento de dezembro).

Obviamente, muitos desafios devem permear o mercado durante o ano, como o limite de subida de preços (ponto a partir do qual o consumo começa a recuar) e o cenário de importações (sujeito a todos os fatores que mencionados neste artigo e a eventuais novas variáveis que venham influenciar o mercado internacional, os mercados no Mercosul e a competitividade/disponibilidade de leite importado).

Ao mesmo tempo, não podemos deixar de ser otimistas em relação a um ano de 2024, que entra com a perspectiva de recuperação de consumo de lácteos (lembremos que desde 2015 andamos “de lado” ou na “marcha ré” em relação aos volumes consumidos de lácteos no mercado brasileiro). (Valter Galan/Milkpoint Mercado)


Gastos federais e perda de incentivos no Estado são alertas para o Cooperativismo

“O ano de 2023 foi razoável no que diz respeito ao desempenho do governo federal. Tivemos a aprovação da reforma tributária, mas isso não é uma pauta exclusiva do governo, mas dos estados brasileiros e do Congresso Nacional. Evidentemente, o governo ajudou também. É uma reivindicação de 30 anos. Mesmo não sendo a reforma ideal, era um anseio desobstruir todo esse emaranhado tributário. A preocupação para o ano de 2024 em relação ao governo federal são os gastos. O governo quer investir mais do que o orçamento comporta, e o déficit zero tem que ser uma das metas que teríamos de buscar. 

No nível do governo do Rio Grande do Sul, nossa preocupação é fundamentalmente sobre o aumento de tributos que agora virou a caça à redução dos incentivos fiscais. Isso nos preocupa muito porque temos muitas empresas que fizeram seus projetos de viabilidade econômica em cima desses incentivos. Era a regra estabelecida e clara, e agora nós temos que trabalhar para mitigar isso.

Nós, cooperativas, vamos nos organizar para buscar entendimento com o governo estadual, para que possamos reduzir a zero ou pelo menos ao mínimo possível esses decretos que o governo estabeleceu. Para o ano que vai se iniciar, a questão dos tributos gera preocupação, porque o Rio Grande do Sul pode perder a sua competitividade. Quando digo Estado, estou me referindo às empresas frente a outras de outros estados. Temos que fazer uma avaliação quanto ao impacto disso. 

No setor cooperativista, temos uma expectativa muito boa e acreditamos em um grande ano para o cooperativismo em 2024. A safra tem se mostrado bastante promissora e acreditamos que vamos ter um ano bastante forte, porque se o agro cresce e produz todos os outros ramos da nossa economia também acompanham esse processo de crescimento. Temos crescimento vertiginoso nas áreas dedicadas ao crédito, à saúde e à infraestrutura. Também os ramos do transporte, da saúde e do trabalho têm crescido.” (Darci Hartmann, Presidente do Sistema Ocergs/Correio do Povo)

Taxa de desemprego cai para 7,5%

A taxa de desocupação no trimestre encerrado em novembro foi de 7,5%. Éomenor índice desde fevereiro de 2015. Especificamente para trimestres terminados em novembro, o índice é o menor desde 2014, quando alcançou 6,6%. O número de desocupados chegou a 8,2 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada na sexta-feira pelo IBGE. No trimestre encerrado em agosto, a taxa estava em 7,8%. Já o o trimestre encerrado em agosto de 2022 marcava 8,1%. O resultado foi influenciado pelo número de pessoas ocupadas, estimado em 100,5 milhões, o maior desde que a série histórica foi iniciada, em 2012. O número representa crescimento de 0,9% em 3 meses. 

A quantidade de desempregados ficou estável, com 8,3 milhões de pessoas. Esse é o menor contingente desde o trimestre encerrado em abril de 2015, quando havia 8,15 milhões de brasileiros procurando trabalho. A proporção de pessoas ocupadas em idade de trabalhar subiu 0,4 ponto percentual (p.p.) ante o trimestre móvel anterior, alcançando 57%. Das 853 mil pessoas incluídas nesse universo, a maioria, 515 mil, foi contratada com carteira assinada. Com o reforço, o contingente de trabalhadores com carteira assinada soma 37,7 milhões, o segundo maior patamar da série histórica, perdendo apenas para o trimestre encerrado em junho de 2014, quando eram 37,8 milhões. 

O número de empregados sem carteira foi de 13,4 milhões. Apesar de ter ficado estável no período, é o maior apurado na série histórica. Das dez atividades econômicas analisadas pelo IBGE, houve aumento no número de ocupados apenas na indústria, 369 mil pessoas, e na construção, 199 mil. As demais atividades permaneceram estáveis. “A expansão da atividade de construção ocorreu principalmente por meio da informalidade, com o aumento do emprego sem carteira assinada e por conta própria sem CNPJ, enquanto a indústria impulsionou os trabalhos formais”, disse a coordenadora de Pnad do IBGE, Adriana Beringuy. No trimestre, a taxa de informalidade foi de 39,2% da população ocupada, o que representa 39,4 milhões de trabalhadores informais. Nos três meses anteriores, a taxa tinha sido de 39,1%. O rendimento médio real do trabalhador chegou a R$ 3.034, aumento de 2,3% no trimestre. Em relação ao ano passado,a elevação foi de 3,8%. (Correio do Povo)


Jogo Rápido

Preço do painel solar cai 
A queda média de 40% no preço dos painéis solares em 2023 no Brasil elevou ainda mais a confiança dos consumidores brasileiros e a atratividade da instalação de sistemas fotovoltaicos em telhados, mesmo com a entrada em vigor das novas regras de cobrança pelo uso da rede elétrica na geração distribuída. A análise é do Portal Solar, franqueadora com mais de 200 unidades espalhadas pelo País e 20 mil sistemas fotovoltaicos instalados. (Jornal do Comércio)


 
 
 

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Porto Alegre, 02 de janeiro de 2024                                                        Ano 18 - N° 4.056


GDT - 02/01/2024

(Fonte: GDT)


Caravana da Rede ILPF irá capacitar produtor gaúcho

O Rio Grande do Sul deve receber, neste ano, a Caravana ILPF. A ação itinerante é promovida pela Rede ILPF, parceria público-privada que busca aumentar a adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta no Brasil. “A caravana (…) já passou por vários estados brasileiros, reunindo técnicos e pesquisadores da Embrapa para desenvolver ações de capacitação, transferência de tecnologia, além de identificar os gargalos e construir parcerias e projetos locais para alavancar a adoção da ILPF”, disse o gerente técnico da Rede ILPF Felipe Martini, durante a apresentação do balanço do comitê gestor estadual do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC+RS), em dezembro. 

“Entendemos que estamos bastante alinhados com as demandas apresentadas pelo comitê gestor, no sentido de promover mais capacitações para agentes públicos e privados, bem como para os produtores rurais”. pontuou Martini. Integrado por 17 órgãos e entidades, o ABC+RS, vinculado à Secretaria da Agricultura (Seapi), encerrou 2023 com uma atuação considerada positiva pelos participantes. Somente a Emater/RS-Ascar capacitou cerca de 80 mil produtores no período, segundo a Seapi. Já o Senar-RS, reuniu e treinou em torno de 40 mil produtores gaúchos. (Correio do Povo)

 
Argentina: cai a produção de leite em novembro

A produção de leite na Argentina em novembro foi de 1,004 bilhão de litros, registrando uma queda de 2,7% em relação aos litros produzidos em outubro. Da mesma forma, em termos anuais, a queda foi de 4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Enquanto isso, a produção no período de janeiro a novembro deste ano foi 1,5% menor do que no mesmo período de 2022. 

Com relação às exportações, entre janeiro e outubro, houve queda de 18,3% em comparação com o ano anterior. O volume representou 281.432 toneladas, gerando receitas de US$ 1,0895 bilhões. Os produtos lácteos mais vendidos pela Argentina continuam sendo o leite em pó integral (30%) e o soro de leite (18%). Também se destacam a mussarela (13%), os queijos semiduros (7%) e outros produtos (17%). Os principais destinos são o Brasil, com mais de 130 mil toneladas, registrando um aumento de mais de 32% em relação ao ano anterior. O Chile, com 21.825 toneladas, 23% a menos, a China, com 18.596 toneladas, representando 1% a mais do que no ano passado e, finalmente, a Argélia, com 17.048 toneladas, 79% a menos. 

Quanto às vendas no mercado interno, o leite fluido apresentou uma pequena queda de 0,2% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Da mesma forma, o leite em pó apresentou um aumento de 14%, enquanto o queijo e outros produtos apresentaram um aumento de 3,1% e 2,5%, respectivamente. (As informações são do Cadena de Valor, adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

Bolsa fecha 2023 com alta de 22%
O saldo anual do Ibovespa foi bastante positivo e o principal índice da Bolsa (B3) manteve o patamar recorde de 134 mil pontos. Quanto ao dólar, em 2023 foi registrada a maior desvalorização anual da moeda norte-americana em relação ao real desde 2016. O Ibovespa fechou 2023 com alta de mais de 22%, revertendo com folga os temores do início do ano, quando o índice chegou a descer a 97 mil pontos em março, no pior momento. No último pregão de 2022 a B3 havia fechado em 109.734 pontos. Entre todos os papéis da bolsa, os que mais subiram em 2023 foram os dos setores de construção e incorporação e varejo, favorecidos pela queda dos juros no segundo semestre e, no caso do setor de construção, pela perspectiva de reaquecimento do mercado via programa Minha Casa Minha Vida do governo federal. Depois da nova máxima histórica, existe a possibilidade de realizações de lucro em 2024. Fabio Perina, estrategista de Ações do Itaú BBA, destaca que não houve nenhuma realização desde o início de novembro, quando o Ibovespa começou a disparar, o que pode acontecer nas próximas semanas. “Em um cenário de realização de lucros no curto prazo”, diz. (Correio do Povo)


 
 
 

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Porto Alegre, 29 de dezembro de 2023                                               Ano 17 - N° 4.055


Empresas anteciparam compras após medida contra lácteo estrangeiro

Medida tributária do governo federal entrará em vigor em janeiro

A medida tributária do governo federal para frear as importações de lácteos fez mais mal do que bem ao produtor brasileiro, avalia Valter Galan, sócio da Milkpoint. O ritmo das compras internacionais deveria ter caído neste trimestre, mas se manteve firme após o anúncio da medida.
“Em função dessa medida, muitas empresas anteciparam as suas compras para fugir da desvantagem lá na frente. No curtíssimo prazo, [a medida] foi até pior para o setor”, afirma.

Por decreto, o governo estabeleceu que agroindústrias, cooperativas e laticínios que querem ter direito ao aproveitamento de 50% do crédito presumido dos impostos federais precisam estar habilitados no Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do Ministério da Agricultura. Além disso, essas empresas não poderão fabricar produtos a partir do leite em pó, que é a maior parte do leite importado.

A medida, que entra em vigor em meados de janeiro, terá pouco efeito prático, avalia o diretor da Lactalis do Brasil, Guilherme Portella, que também preside o Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat/RS). Segundo ele, quem importa o leite em pó não são os laticínios.
“Mais de 80% do volume vai para indústrias de chocolate, panificadoras e empresas de sorvete, que antes compravam o leite em pó da indústria brasileira”, afirma. Portella acrescenta que a decisão também vai prejudicar os pequenos laticínios que importam pequenos volumes de leite em pó para aproveitar oportunidades de mercado.
“O governo federal não conversou com a indústria no primeiro momento. Agora, tem nos procurado e está tentando encontrar alternativas para agregar competitividade ao mercado nacional”, afirma.

O presidente do Sindilat/RS defende a ampliação do PMLS, que seria um caminho para aumentar a competitividade do produtor de leite brasileiro. Ele observa que a produtividade média no Brasil é de 2,6 mil litros por vaca ao ano, enquanto na Argentina chega a quase 7,6 mil litros. “A gente precisa achar formas de ser competitivo com o mercado internacional. Assim, eles não conseguirão exportar leite para o Brasil”, reforça. (Globo Rural)


Informativo Conjuntural 1795 de 28 de dezembro de 2023

BOVINOCULTURA DE LEITE

O recente período de temperaturas elevadas causou estresse térmico nos animais,impactando negativamente a produção leiteira e o manejo reprodutivo. A necessidade de água e sombra continua sendo crucial para melhorar as condições de bem-estar dos animais. As infestações por carrapatos também aumentaram, levando os produtores a adotarem tratamentos mais frequentes. Apesar do calor, em muitos locais, as inseminações artificiais estão em andamento, beneficiadas pelas boas condições corporais das matrizes.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as temperaturas foram mais amenas, facilitando o acesso dos animais às pastagens. Ainda há diversos locais com presença de barro. 

Na de Caxias do Sul, medidas para enfrentar o calor foram adotadas em sistemas confinados, enquanto produtores do sistema a pasto buscaram estratégias, como sombra e ajuste de horários de pastoreio. 

Na de Erechim, apesar do retorno do sol e do aumento das temperaturas, a escassez de forragem persistiu em virtude da falta de umidade no solo após muitos dias sem chuvas. 

Na de Ijuí, o manejo dos animais foi facilitado pela melhoria nas condições do solo, como a redução do acúmulo de barro. 

Na de Pelotas, ainda ocorre o plantio de lavouras de milho destinadas à silagem. Em Jaguarão, a produção leiteira está em ascensão, impulsionada por práticas alimentares adequadas. 

Na de Santa Rosa, os tratamentos contra ectoparasitas continuaram devido à proliferação persistente de mosca, berne e carrapato. (Emater adaptado pelo SINDILAT/RS)

Governo propõe reoneração gradual da folha de pagamento e redução de cota patronal em salários mais baixos

Medidas apresentadas nesta quinta-feira (28) também preveem o limite a compensações tributárias de empresas e o encerramento de programa de incentivo a setor de eventos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concedeu coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (28) para apresentar medidas de recomposição da arrecadação do governo federal, com o fim de atingir a meta de zerar o déficit fiscal. O anúncio tem relação, principalmente, com a necessidade de compensar a desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia, estendida pelo Congresso até o fim de 2027.

Haddad disse que o governo vai propor a reoneração gradual da folha. Segundo o ministro, houve análise de cada setor beneficiado e nem todos retornarão ao patamar de alíquota anterior à desoneração.

Além disso, Haddad disse que será proposta uma medida que reduz o custo para o empresário, principalmente, de salários mais baixos, com redução progressiva da cota patronal, de acordo com a remuneração do trabalhador. Para o empregado que recebe um salário mínimo — R$ 1.412 em 2024 — o abatimento seria maior, percentualmente, mas haveria desoneração para todas as faixas salariais.

O ministro chegou a anunciar que haveria abatimento total da cota sobre um salário mínimo, mas em seguida o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, que participava da coletiva, explicou que os índices de redução serão definidos de acordo com o perfil da empresa.

— Entendemos que pode ser um caminho interessante para formalização da força de trabalho e empregabilidade, sobretudo da população de baixa renda — avaliou Haddad.

— Pode ser um piloto da reforma sobre a renda — acrescentou o ministro.

Barreirinhas explicou que a proposta não abrange somente as empresas já beneficiadas pela desoneração da folha em vigor atualmente:

— Pode ter (a inclusão de novas) empresas, inclusive que não optaram pela sistemática (atual). Ela segue opcional. Agora tem um compromisso de manutenção de emprego: a empresa agora só terá o benefício se ela se comprometer a manter o mesmo patamar de emprego verificado em 1º de janeiro de cada exercício. Se ela não conseguir manter, não tem direito ao benefício.

A medida se refere somente ao setor privado. O governo vai discutir junto aos municípios uma alternativa à redução da contribuição previdenciária das prefeituras, considerada inconstitucional pelo Executivo.

Revisão de incentivo a setor de eventos
O ministro Fernando Haddad anunciou que enviará uma proposta ao Congresso para revisão do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). Prorrogada no final do governo Jair Bolsonaro por cinco anos, a medida gerou, segundo Haddad, R$ 16 bilhões em renúncia fiscal neste ano — o projeto que criou o programa previa gasto de R$ 4 bilhões ao ano. O governo quer retomar a cobrança ao menos de parte dos impostos, porque considera excessivo o benefício.

— Não podemos ter renúncia de R$ 20 bilhões por ano, isso daria R$ 100 bilhões em cinco anos. No Congresso houve acordo de que seria feita reavaliação no primeiro ano de vigência — justificou.

Haddad estima que, ao encerrar o Perse, a retomada da arrecadação de aproximadamente R$ 6 bilhões compensará as perdas com a desoneração — que foi prorrogada até 2027 após o Congresso derrubar o veto do presidente Lula.

Limite a compensações
Outra medida anunciada pelo ministro irá propor uma limitação anual para o abatimento de impostos por empresas que receberam decisões judiciais favoráveis. O limite seria de 30% do imposto devido. A medida valerá para decisões judiciais acima de R$ 10 milhões, com prazo máximo de cinco anos.

— Vamos adotar critério similar à compensação de prejuízo das empresas. Abater nos anos subsequentes limitado a um percentual. Isso dará à Receita condições de acompanhar o processo e se planejar — disse.

Haddad ressaltou que as medidas visam equilibrar o orçamento, sem propor nova fonte de receita.

— São medidas que repõem aquilo que entendemos que não vai se confirmar (no orçamento de 2024), ou por decisão do Congresso ou por uma frustração, no caso das compensações de receita. Estamos procurando manter o orçamento equilibrado, repondo uma renúncia nova, que não está consignada na peça orçamentária. Então, não há previsão de uma receita adicional ao que está na peça orçamentária. Isso é bom dizer, senão alguém terá ideias a partir disso — afirmou, entre risos. (GZH)


Jogo Rápido

Últimos dias do ano devem ter chuva forte em várias regiões do Estado
Os últimos dias do ano poderão ter chuva forte em diversas regiões do Rio Grande do Sul. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico 52 2023, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Irga. Nesta sexta-feira (29/12), o deslocamento da frente fria provocará chuva em todo o Estado, com possibilidade de temporais isolados. No sábado (30/12) e domingo (31/12), o ingresso de ar seco manterá o tempo firme na maioria das regiões, e apenas nas regiões Norte e Nordeste poderão ocorrer pancadas isoladas de chuva. Entre segunda (1º/1) e quarta-feira (3/1), o tempo permanecerá seco, com temperaturas em gradativa elevação. Os valores de precipitação previstos deverão oscilar entre 25 e 50 mm na maior parte do Estado. Na Fronteira Oeste, Missões e parte da Região Central, os totais deverão ser entre 50 e 70 mm, e poderão alcançar 80 mm em algumas localidades. O boletim também aborda a situação de diversas culturas e criações de animais pelo Estado. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em  www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.


 

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Porto Alegre, 28 de dezembro de 2023                                               Ano 17 - N° 4.054


Salário mínimo será de R$ 1.412 em 2024; entenda o que muda e como o valor foi calculado

Nova legislação prevê que mínimo suba de acordo com a inflação e a alta do PIB. Reajuste de quase 7% já vale para salário e benefícios de janeiro, que serão pagos no início de fevereiro.

O salário mínimo nacional será de R$ 1.412 a partir de 1º de janeiro de 2024 – R$ 92 a mais que os R$ 1.320 em vigor atualmente.

O cálculo tinha sido antecipado pelo g1 e inserido como previsão no Orçamento de 2024. Segundo o Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o decreto assinado antes de viajar para o recesso de fim de ano.

Não há data marcada para a publicação do documento, que pode acontecer até o próximo domingo (31).

O novo valor do salário mínimo entra em vigor em 1º de janeiro. Ou seja: quem recebe o salário mínimo (ou múltiplos dele) ou benefícios vinculados a esse valor, como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), já recebe o total reajustado no início de fevereiro.

Como funciona o salário mínimo?
Como o nome já indica, o salário mínimo é a menor remuneração que um trabalhador formal pode receber no país.

A Constituição diz que trabalhadores urbanos e rurais têm direito a um "salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim".

Ou seja: pela Constituição, o salário mínimo tem que ser reajustado ao menos pela inflação, para garantir a manutenção do chamado "poder de compra". Se a inflação é de 10%, o salário tem de subir pelo menos 10% para garantir que seja possível comprar, na média, os mesmos produtos.

De acordo com informações divulgadas em maio pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 54 milhões de pessoas no Brasil – um em cada quatro brasileiros.

O Dieese calcula ainda que 22,7 milhões de pessoas são diretamente atingidas no bolso pelo patamar do salário mínimo.

Além dos trabalhadores que, por contrato, recebem um salário mínimo (ou múltiplos do mínimo), há também as aposentadorias e benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) vinculados ao mesmo valor.

O salário mínimo também gera impactos indiretos na economia, como o aumento do "salário médio" dos brasileiros e a elevação do poder de compra do trabalhador.

As informações são do G1.


Bovinocultura de leite registra VBP de R$ 62,2 bilhões em 2023

O cenário positivo da bovinocultura de leite não reflete apenas a eficiência operacional e o comprometimento dos produtores, mas também sinaliza um futuro promissor para um setor essencial que desempenha um papel crucial na economia brasileira.

A bovinocultura de leite desponta como uma força expressiva no cenário agropecuário brasileiro, evidenciando um notável aumento no Valor Bruto da Produção (VBP), que alcançou R$ 62,2 bilhões em 2023. A expectativa com os números foi divulgada em novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Esse avanço marcante representa uma ascensão significativa em comparação aos R$ 56,1 bilhões registrados em 2022, consolidando-se como um setor fundamental que contribui com 5,4% do VBP total do país.

Na composição do VBP total, o leite assume uma posição de destaque como o sexto item mais relevante, ficando atrás apenas de soja, milho, bovinos de corte, cana-de-açúcar e frango. Esse feito não apenas reforça a importância da produção de leite, mas também destaca sua contribuição substancial para a diversidade e estabilidade do agronegócio brasileiro.

Maiores produtores
Minas Gerais, mais uma vez, reafirma sua liderança absoluta na produção de leite, registrando um VBP de R$ 16,2 bilhões em 2023, avançando acima dos R$ 16,1 bilhões do ano anterior. O Paraná dispara em segundo lugar, evidenciando um crescimento notável, passando de R$ 8,3 bilhões em 2022 para R$ 9 bilhões em 2023.

Santa Catarina assumiu a terceira posição, ultrapassando o Rio Grande do Sul. O VBP do leite catarinense atingiu R$ 7,8 bilhões em 2023, um avanço significativo em relação aos R$ 6,8 bilhões do ano anterior. Por sua vez, os gaúchos também registraram um aumento, passando de R$ 7,3 bilhões em 2022 para R$ 7,7 bilhões em 2023.

Outros estados também desempenham um papel crucial na produção de leite, com São Paulo alcançando um VBP de R$ 6,5 bilhões e Goiás contribuindo com R$ 5,6 bilhões. Bahia, Rondônia e Rio de Janeiro também brilham na pecuária leiteira, todos ultrapassando a marca de R$ 1 bilhão em faturamento em 2023.

O cenário positivo da bovinocultura de leite não reflete apenas a eficiência operacional e o comprometimento dos produtores, mas também sinaliza um futuro promissor para um setor essencial que desempenha um papel crucial na economia brasileira.

Para conferir o desempenho das principais atividades agropecuárias de 2023 e as expectativas para 2024 acesse a versão on-line do Anuário do Agronegócio Brasileiro clicando aqui. Fonte: O Presente Rural

 

PRODUÇÃO DE LATICÍNIOS | LEVE QUEDA NA PRODUÇÃO DE LATICÍNIOS DA CHINA

Nos últimos 11 meses, as compras da China no setor de laticínios – medidas em litros de leite equivalente – caíram 19,9%, subtraindo cerca de 5 pontos percentuais da demanda mundial, que foi confrontada com o crescimento da produção mundial em cerca de 1%.

Isso representa a principal causa da queda nos preços durante 2023, de acordo com o Observatório da Cadeia Láctea Argentina (Ocla).

A menor demanda da China no mercado internacional responde ao aumento da produção local, aos altos estoques gerados em grandes compras em 2021, às dificuldades logísticas que envolveram o fechamento de algumas cidades por surtos de Covid-19, aos efeitos colaterais da guerra na Ucrânia e ao processo inflacionário que vem ocorrendo em todas as economias mundiais com impacto recessivo na demanda.

A análise da Ocloa lembrou que se esperava que a situação se revertesse no segundo semestre deste ano, mas isso não aconteceu e a maioria dos relatórios atuais de especialistas não indica recuperação no início de 2024.

A China é o principal importador de leite em pó integral e seu principal fornecedor é a Nova Zelândia, que tem uma participação de 88% desse produto no gigante asiático até o momento em 2023, a mesma participação de 2022.

No mês passado, houve uma grande dispersão entre aumentos e reduções nas importações, onde o mais relevante foi que todos os produtos de maior volume (leites em pó e fluido) caíram, o soro de leite praticamente se manteve e os de menor importância relativa apresentaram crescimento (queijos em geral, sorvetes, outros produtos fermentados e cremes).

Em termos cumulativos, as compras de leite em pó (normalmente um terço do valor total importado) caíram 22,4% em volume e 30,4% em valor, destacou Ocla.

O Rabobank, por sua vez, estimou um crescimento do consumo de lácteos de 2,8% em relação ao ano anterior para 2023 e acredita que a produção de leite na China desacelerará (pelo menos 2%), favorecendo as importações. (El País via Edairy News)


Jogo Rápido

Assista a entrevista do Secretário Executivo do SINDILAT/RS para a primeira edição desta quinta-feira (28) do Jornal Terraviva, no YouTube do Canal Terraviva. Clique aqui. (Terra Viva via Youtube)


 

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Porto Alegre, 26 de dezembro de 2023                                               Ano 17 - N° 4.052


Integração com a floresta para amenizar emissões

 Pecuarista de Augusto Pestana começou a adotar sistema silvipastoril há quatro anos,quando introduziu eucalipto em área de 18 hectares destinada à produção de leite, beneficiando os animais e mitigando os gases de efeito estufa
 
Uma das modalidades da chamada integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), os sistemas silvipastoris partem do princípio de que combinar árvores com áreas de pastagem se traduz em mais renda para as propriedades leiteiras. Os animais têm sombra no verão, ficam protegidos do vento no inverno e produzem mais. O meio ambiente também sai ganhando, pois as florestas fixam o dióxido de carbono, um dos vilões do efeito estufa, compensando ou neutralizando as emissões de metano liberadas pelo gado. O pecuarista Ederson Gehrcke, de Augusto Pestana, começou a implantar a técnica há quatro anos, com a introdução do eucalipto na área de 18 hectares destinada à produção de leite na fazenda. Foi a estratégia encontrada pela família para fazer frente aos custos crescentes da atividade.
 
“Ou a gente investia em um galpão de gado confinado ou abandonaria a profissão, porque não estava mais tendo lucro na propriedade”, relata Gehrcke. A fazenda, que abriga um rebanho de 85 bovinos da raça Jersey, entre os quais 42 vacas em lactação, produz 860 litros de leite por dia. No modelo agroflorestal, os animais, antes criados à base de silagem, hoje são alimentados com capim tifton e consomem menos concentrados. “Tínhamos uma produção média de 21 litros por dia por animal e as vacas estão produzindo a mesma coisa com o pasto, porém com um custo muito mais baixo. A gente vem notando uma diferença enorme na qualidade de saúde dos animais”, diz o produtor.
 
Para o futuro, Gehrcke planeja diversificar a renda do empreendimento rural com a instalação de uma queijaria na propriedade, além da produção de madeira e toras a partir da floresta plantada, hoje com mais de 1,8 mil árvores. Os bons resultados trazidos pelo sistema silvipastoril, afirma, tambémsão um incentivo para que as filhas Jaine Isabel Gehrcke, de 18 anos, e Nubia Kananda, 15 anos, permaneçam no campo. “Nossa mão de obra é muito menor, a gente consegue uma vida melhor para a nossa família”, afirma o pecuarista.
 
Nos últimos seis anos, o Rio Grande do Sul ampliou em 57% a área coberta por técnicas de ILPF, atingindo 2,2 milhões de hectares, de acordo com dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi-RS).Onúmero posiciona o Estado como o terceiro do país em áreas manejadas sob esses sistemas. “Mas somos o primeiro em proporção da área, porque o RS tem 31% das áreas com agricultura em sistemas integrados”, observa o zootecnista e professor Paulo César de Faccio Carvalho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Esse protagonismo, segundo Carvalho, está fortemente ligado à variedade de cultivos de verão e inverno desenvolvidos na região, o que possibilita uma ampla gama de combinações de integração, e às ações de pesquisa e difusão de conhecimento sobre o tema.
 
Entre essas iniciativas decisivas, Carvalho destaca o programa Juntos para Competir, conduzido pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul), pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RS) com o apoio da UFRGS. A parceria aplica no Rio Grande do Sul o Programa de Produção Integrada em Sistemas Agropecuários (PISA), voltado à pecuária leiteira, e o Integração Lavoura-Pecuária (ILP), focado na bovinocultura de corte.
 
Desde 2014, foram avaliadas 1,4 mil propriedades rurais participantes do projeto, após receberem consultoria técnica do programa de extensão da universidade ao longo de quatro anos. “E 95% delas, depois desse processo, estão entre os níveis bom e ótimo de sustentabilidade em todas as dimensões”, afirma Carvalho.
 
Para o professor, o programa ajuda a derrubar uma das grandes barreiras à implantação dos sistemas de integração, que é a falta de suporte adequado aos produtores. “A trajetória agrícola, não só no Brasil, como também no mundo todo, é de especialização. O técnico entende de arroz – ou soja – ou gado, mas não entende dos dois. (O sistema de integração) é mais complexo para montar, demanda muito conhecimento, e técnicos que transitem bem nas duas partes, que têm essa visão sistêmica, são raros”, observa. (Correio do Povo)
 



Boas práticas que favorecem a produção

Tecnologias aplicadas pelas fazendas, como o tratamento de resíduos, trazem economia a produtores e ampliam a capacidade do agronegócio de reduzir emissões de gases de efeito estufa e tornar-se cada vez mais sustentável

Se, para muitos pecuaristas, o esterco produzido pelos bovinos representa um dilema, para algumas propriedades leiteiras do Estado é sinônimo de eficiência ambiental e renda extra. Nessas fazendas, um processo chamado biodigestão transforma os dejetos em energia elétrica e térmica e ainda garante biofertilizante para a lavoura. Em atividade há duas décadas no município de Farroupilha, a Fazenda Trevisan é referência em reaproveitamento de resíduos da criação animal. Focada na raça Holandesa, a propriedade de 150 hectares reúne cerca de 750 animais, entre os quais 320 vacas em lactação, e produz 13 mil litros de leite por dia. A maior parte é processada na agroindústria de iogurtes e creme de leite que leva seu nome, e o excedente – em torno de 8 mil litros semanais – é destinado a outro laticínio da região.

O produtor Jean Carlos Trevisan, que administra o empreendimento rural com a família, conta que os primeiros biodigestores foram construídos há cerca de 13 anos. Hoje, três equipamentos do tipo geram 25% da energia elétrica consumida na fazenda e na sua indústria de lácteos, além de produzir fertilizante para as plantações de trigo, milho e aveia que fornecem a matéria-prima usada na alimentação do rebanho. “No início, a gente tinha criação a pasto. Com a chegada do inverno, muito rigoroso, os animais ficavam no meio do barro, a gente optou por construir um galpão e confinar. Depois, fez uma sala de ordenha nova, ampliou o número de animais e também o sistema de biodigestores, para comportar o crescimento”, detalha Jean.

Com a meta de duplicar a produção de leite e de derivados nos próximos três anos, a propriedade já planeja a aquisição de um quarto biodigestor, segundo o pecuarista. A quem deseja investir em um projeto semelhante, ele recomenda a opção por equipamentos que operem de forma autônoma e não exijam mão de obra especializada. “Não é algo tão complexo gerar biogás. Mas, para gerar energia elétrica, acaba tendo (a necessidade de) mais compressores, secadores de gás, gerador, vários equipamentos”, justifica. O investimento, garante Jean, é compensador no longo prazo. “O que é bonito de a gente olhar são os números, a parte que dá retorno de forma direta. A parte ambiental é difícil de monetizar, mas acaba sendo algo bem significativo”, avalia.

O manejo de resíduos da produção animal que dá visibilidade à propriedade de Farroupilha está entre as oito tecnologias propostas no Plano ABC+, programa do governo federal lançado em 2021 que visa estimular a chamada agropecuária de baixo carbono. Para reduzir as emissões de gases do efeito estufa do setor em 1,1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2eq) até 2030, a iniciativa prevê a adoção de abordagens sustentáveis em 72,68 milhões de hectares no Brasil – no Rio Grande do Sul, serão mitigadas 75 milhões de toneladas de CO2eq em 4,6 milhões de hectares no período.

Embora não sejam novidades, essas técnicas ganham relevância ainda maior ao final de um ano marcado por impactos das mudanças climáticas que, nas últimas décadas, foram antecipados em tom de profecia alarmante pelos cientistas. De norte a sul do país, as enchentes dramáticas no Rio Grande do Sul, a estiagem recorde na Amazônia e a onda de calor que em novembro fez a sensação térmica na cidade do Rio de Janeiro subir a 59,3 graus °C geraram o temor de que os fenômenos extremos se tornem o “novo normal”, evidenciando a urgência urgentíssima de uma reconfiguração das atividades humanas. A agropecuária é peça fundamental nesse contexto, pois carrega parte do peso das emissões com processos como a liberação de metano e resíduos pelos animais e o uso da terra.

Coordenador do Comitê Gestor Estadual d o Plano ABC+RS, o engenheiro florestal Jackson Brilhante, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), diz que o setor agropecuário tem um vasto potencial para a captura de gases causadores do aquecimento global e mitigação das emissões. Ele lembra que o Rio Grande do Sul foi pioneiro em ações de conservação do solo, como o sistema de plantio direto, outro dos pilares do programa federal. “Tivemos problemas com estiagem na safra de verão e, no inverno, o excesso de chuva na cultura do trigo, com várias doenças atacando (as plantas). 

Então, é de interesse da agricultura auxiliar nessa redução de emissões, porque o setor é também altamente vulnerável às mudanças climáticas”, destaca Brilhante. O coordenador da Comissão do Meio Ambiente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Domingos Velho Lopes, observa que o tema esteve no centro dos debates da COP 28, a cúpula do clima da Organização das Nações Unidas realizada no mês passado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e concorda que as técnicas precisam avançar mais. Para Lopes, o momento atual sinaliza uma “grande oportunidade” ao agronegócio. “De todas as atividades econômicas, só o setor primário pode sequestrar carbono”, afirma.

As boas práticas, segundo Lopes, já estão no dia a dia do produtor rural, independentemente da cadeia produtiva a que está vinculado ou do seu porte. “Só que agora nós temos metodologia para quantificar isso. Temos de mostrar, principalmente para a população urbana, que nós somos a grande fonte mitigadora”, enfatiza. (Correio do Povo)

Leite/América do Sul
Tempestades extremas no Uruguai e na Argentina interromperam a atividade portuária em algumas regiões no último final e início de semana. Alguns estados brasileiros continuam a enfrentar condições extremas de seca. Os agricultores do Cone Sul se deparam com eventos climáticos desafiadores a nível regional. Se de um lado o Brasil tenta expandir sua produção interna de leite e fabricação de lácteos, de outro, as projeções sobre o rendimento das colheitas continuam caindo, fazendo com que o custo da alimentação animal vá para o sentido oposto, à medida que o verão se aproxima.

O comércio de produtos lácteos na região está mais fraco, como projetado para as últimas semanas do ano. Os compradores já estão abastecidos, mas a atividade comercial deverá retornar nas primeiras semanas de 2024.

Relatórios recentes sugerem que o interesse do Brasil por commodities lácteas da região, especialmente da Argentina, continuaram aumentando ao longo de 2023. Os mercados globais mostram variações, dependendo da commodity, mas, regionalmente, a limitação da produção de leite decorrente das situações de inclemências climáticas continua a influenciar as tendências do mercado regional. Fonte: Usda – Tradução Livre: Terra Viva


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Jogo Rápido

Câmara aprova projeto que regulamenta o mercado de carbono no Brasil
Carbono no Brasil - A Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que regulamenta o mercado de carbono no Brasil (PL 2148/15). O texto cria o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), que estabelece limites para emissões e um mercado de venda de títulos. O relator, deputado Aliel Machado (PV-PR), propôs um texto que une projetos discutidos na Câmara a uma proposta já aprovada pelo Senado (PL 412/22). O projeto retorna ao Senado para análise das mudanças feitas pelos deputados. O texto faz parte da pauta verde aprovada neste ano, que inclui a exploração de energia eólica no mar (PL 11247/18) e a produção de hidrogênio verde (PL 2308/23). (Agência Câmara)


 

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Porto Alegre, 22 de dezembro de 2023                                               Ano 17 - N° 4.051


Linha de crédito especial para produtores de leite do Brasil é aprovada

Aprovado nesta quinta-feira (21), pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a linha de crédito especial com subvenção federal específica para cooperativas de produtores de leite com repasse de mais de R$ 700 milhões. A proposta foi apresentada pelos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

A inciativa tem objetivo de possibilitar às cooperativas de produção de lácteos a obtenção de recursos financeiros que as permitam ajudar os produtores a regularizarem sua situação e outros compromissos em relação aos insumos adquiridos na cooperativa e das dificuldades pelas quais os produtores de leite tivessem.

“É Desenrola Leite! Ao longo de todo o ano estamos trabalhando em uma série de ações, tanto emergenciais, quanto estruturantes. Estamos focados na busca de soluções. Agora, esta nova linha de crédito vai dar um fôlego para as cooperativas e, consequentemente, aos produtores, não apenas seus cooperados, mas todos aqueles que contam com esses serviços”, explicou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

As condições especiais definidas são para o financiamento de capital de giro, no âmbito do Crédito de Investimento para Agregação de Renda (Pronaf Agroindústria) e do Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro). O valor, proveniente de recursos do Plano Safra 2023/24 não aplicados e devolvidos por instituições financeiras, será repassado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Banco do Brasil.

Os financiamentos terão juros de 8% ao ano e uma taxa especial – de 4% ao ano - para a agricultura familiar. Os beneficiários ainda poderão contar com 24 meses de carência e 60 meses para o pagamento.

Secretário substituto de Política Agrícola do Mapa, Wilson Vaz, destacou que a iniciativa irá contribuir com a melhoria da liquidez dos produtores dando-lhes mais competitividade.

Além disso, no próximo mês entra em vigor a aplicação dos créditos tributários do novo Programa Mais Leite Saudável, que visa fomentar a produção de leite in natura e promover o desenvolvimento da cadeia produtiva leiteira do Brasil.

A produção anual de leite no Brasil está estimada em 35 bilhões de litros. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, existe 1,18 milhão de propriedades rurais produtoras de leite, o que representa redução de 174 mil propriedades em relação ao censo anterior. Em cerca de 93% das propriedades, a produção é de até 200 litros por dia, o que demonstra a abrangência da atividade produtora de leite no país e que se trata de atividade majoritariamente conduzida por pequenos e médios produtores rurais.

O setor lácteo no Brasil possui relevante papel socioeconômico, tanto pela capacidade de geração de renda e empregos, quanto pela importância do leite e seus derivados no fortalecimento da segurança alimentar. De acordo com o MDA, a renda obtida pelos pequenos produtores é utilizada essencialmente no consumo local, com impacto na criação e manutenção de empregos nos setores de comércio e serviços, principalmente nas pequenas e média cidades do interior do País.

As informações são do Mapa


Desconforto térmico e eventos climáticos extremos indicam queda na produção de leite durante a primavera

Elevada umidade relativa do ar e grandes amplitudes térmicas registradas durante a primavera indicam possível queda na produção de leite do Rio Grande do Sul, pelo desconforto térmico causado aos animais. Também houve prejuízos advindos dos eventos climáticos extremos ocorridos na estação.Estes são os resultados das análises de dados publicadas no Comunicado Agrometeorológico 63 - Especial Biometeorológico Primavera 2023, editado pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi).

O Comunicado analisa as condições meteorológicas ocorridas no período, como precipitação pluvial, temperatura e umidade do ar. Utilizando o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), a publicação documenta e identifica as faixas de conforto/desconforto térmico às quais os animais foram submetidos, estimando os efeitos na produção de leite. Além disso, apresenta mapas com a espacialização dos ITUs médio e máximo, com estimativa da queda de produção de leite em oito níveis, que vão de cinco a 40 quilos por dia.

O trimestre avaliado registrou temperaturas médias do ar elevadas, alta umidade do ar e grandes amplitudes térmicas entre as temperaturas absolutas do ar máximas e mínimas, principalmente nos meses de setembro e novembro.

“A primavera propiciou a ocorrência de situação de estresse térmico, levando à estimativa de queda de produção de leite nas dez regiões ecoclimáticas do Estado avaliadas. Os eventos climáticos extremos ocorridos durante a estação também trouxeram consequências à produção leiteira”, analisa a pesquisadora Adriana Kroef Tarouco, uma das autoras do Comunicado.

As regiões Serra do Sudeste e Grandes Lagos tiveram os maiores períodos em conforto térmico. Já o Vale do Uruguai e Baixo Vale do Uruguai registraram períodos mais elevados de estresse térmico aos animais durante a primavera. Os municípios de Itaqui e São Borja (Baixo Vale do Uruguai) e Porto Vera Cruz (Vale do Uruguai) são os locais onde se registrou maior situação de estresse térmico no mês de novembro.

A publicação é uma iniciativa do Grupo de Estudos em Biometeorologia, constituído por pesquisadores e bolsistas das áreas da Agrometeorologia e Produção Animal. 

O Comunicado Agrometeorológico Especial - Biometeorológico tem publicação trimestral e está disponível na seção de Agrometeorologia da Seapi: www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia

As informações são da SEAPI

Comitê Gestor do Plano ABC+RS apresenta balanço das ações no RS

A última reunião do Comitê Gestor Estadual do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC+RS) de 2023 ocorreu nesta quarta-feira (20/12) de forma híbrida. Na pauta, o balanço das ações no Rio Grande do Sul: número de capacitações, programas de desenvolvimento sustentável nas propriedades rurais, financiamentos para políticas de baixo carbono e metas a serem alcançadas. Foram apresentados os resultados das atividades da Emater/RS-Ascar, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS)  e do Sebrae RS.

Os engenheiros agrônomos da Emater/RS-Ascar, Elder dal Pra e Celio Colle, apresentaram o “Projeto ABC+ Emater/RS – Desenvolvimento Rural e Agricultura de Baixo Carbono”. Conforme dal Pra, o público da entidade é composto de agricultores empresariais, agricultores familiares, assentados, indígenas, pecuaristas familiares, pescadores artesanais e quilombolas.

Ele falou que, em 2023, em relação às ações voltadas ao Plano ABC+, a Emater fez um levantamento de informações para o Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi) com objetivo de estimar o balanço de gases de efeito estufa em áreas de produção de trigo e de florestas plantadas. “Também fizemos a instalação e o acompanhamento de três Unidades de Referência Tecnológica (URT) nos temas correlacionados ao Plano”, destacou dal Pra.

De acordo com o engenheiro agrônomo, é objetivo do projeto da Emater reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes das atividades agrícolas, ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade e a renda dos agricultores. “As capacitações de produtores e técnicos sobre tecnologias do Plano ABC+, em 2023, atingiram cerca de 80 mil produtores”, afirmou.

Os analistas do Senar-RS, Patrícia Goergen e Henrique Padilha apresentaram as ações realizadas pela instituição e salientaram que, em 2023, suas capacitações sobre tecnologias do Plano ABC+ atingiram aproximadamente 40 mil produtores.

Por sua vez, o analista de Agronegócios do Sebrae RS, André Bordignon, falou sobre a atuação da instituição em 2023 relacionada ao tema da agricultura de baixo carbono.  Ele destacou que o Sebrae, desde 2021, é signatário do Pacto Global, da ONU. “Criamos um painel de sustentabilidade, onde fazemos o monitoramento e controle das nossas ações nas nove regionais do Estado, que abrangem todos os municípios gaúchos, até chegarmos ao relatório de emissão de gases de efeito estufa”.

Segundo Bordignon, o painel traz os dados de consumo de energia, água, papel, resíduos e emissões de CO2 (gás carbônico) das estruturas do Sebrae na capital e nas regionais. “A ideia é divulgar as informações e conscientizar os colaboradores sobre o consumo sustentável nessas esferas, bem como acompanhar a evolução, para que possamos intervir eventualmente em algum pico, sempre que necessário”.

O analista contou também que o Sebrae montou uma estratégia estadual em relação à agricultura de baixo carbono. “O objetivo é compreender o funcionamento do mercado de carbono e as possibilidades de pagamentos por serviços ambientais no setor do agronegócio do Rio Grande do Sul, além de apontar caminhos para a sua monetização em propriedades rurais”, disse Bordignon. “Queremos levar o conhecimento do mercado de carbono como uma grande oportunidade de apoiar os produtores rurais a superarem os desafios de produzir alimentos sob o viés cada vez mais crescente da sustentabilidade”.

O coordenador do Comitê Gestor, Jackson Brilhante, destacou a importância das entidades de extensão rural, que têm o papel de levar a tecnologia para o produtor, o apoio às boas práticas. “A gente fica muito satisfeito, porque a Emater, o Senar e o Sebrae são agentes fundamentais na difusão e implementação dessas tecnologias no  Estado”.

Caravana ILPF

Outro ponto abordado no encontro foi a recente inclusão da Rede ILPF como membro do Comitê Gestor. “Ficamos muito honrados em poder participar pela primeira vez da reunião do Comitê”, afirmou o gerente técnico Felipe Martini. “Para 2024 a Rede irá realizar a Caravana ILPF no estado do Rio Grande do Sul. A caravana é uma ação itinerante que já passou por vários estados brasileiros, reunindo técnicos e pesquisadores da Embrapa para desenvolver ações de capacitação, transferência de tecnologia, além de identificar os gargalos e construir parcerias e projetos locais para alavancar a adoção da ILPF”, pontuou.

Para Martini, o papel da Rede ILPF é acelerar a adoção dos sistemas ILPF, uma das tecnologias do Plano ABC+. “Entendemos que estamos bastante alinhados com as demandas apresentadas pelo Comitê Gestor, no sentido de promover mais capacitações para agentes públicos e privados, bem como para os produtores rurais. Além disso, a Rede está comprometida com o monitoramento das áreas de ILPF no país, cuja informação é primordial para o acompanhamento do atingimento das metas estaduais do Plano ABC+”.

Conforme Brilhante, a Rede LPF difunde os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. “Com eles no Comitê, será possível difundir cada vez mais os sistemas integrados no Estado, os quais permitem a diversificação para o produtor. Essa parceria fortalece o cumprimento das metas do Plano”, concluiu. (SEAPI)

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Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA SEAPI PARA OS PRÓXIMOS DIAS
A próxima semana permanecerá com umidade e chuva no RS. Entre a quinta-feira (21) e o domingo (24), a presença de uma massa de ar quente e úmido manterá as temperaturas elevadas, com valores acima de 30°C e possibilidade de pancadas de chuva, típicas de verão na maioria das regiões. Na segunda-feira (25), feriado de Natal, a aproximação de uma área de baixa pressão manterá a nebulosidade e vai provocar chuva em todo Estado. Na terça (26), o tempo permanecerá seco, com ligeira elevação das temperaturas. Na quarta-feira (27), a propagação de uma frente fria vai provocar chuva em todo Estado, com possibilidade de novas tempestades na maioria das regiões.Os volumes esperados deverão oscilar entre 15 e 35 mm na Metade Sul. No restante do Estado os totais esperados deverão oscilar entre 50 e 70 mm, e poderão alcançar 80 mm nas Missões e Alto Uruguai. (SEAPI)