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Porto Alegre, 15 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.611


INOVAÇÃO: Cadeia leiteira busca mais e ciência e competitividade

A busca por mais eficiência, qualidade e competitividade tem impulsionado a inovação na cadeia leiteira de Ijuí e região, movimento que reflete uma tendência mais ampla, que acontece em todo o Rio Grande do Sul. Para o JM, o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) e vice-coordenador do Conseleite RS, Darlan Palharini, explica que houveram diversos 
avanços tecnológicos importantes nos últimos anos no setor, que vive um processo contínuo de transformação.

Na avaliação de Palharini, o nível de inovação da cadeia leiteira gaúcha é muito positivo, mas ainda existem diversas desigualdades no que diz respeito ao acesso e aplicação prática de novas tecnologias. 

Segundo o secretário, a grande maioria das propriedades médias e grandes do Estado já incorporaram tecnologias e equipamentos mais modernos. No entanto, por outro lado, um número significativo de pequenas propriedades ainda enfrenta dificuldades para implementar estes recursos, principalmente por causa das limitações financeiras.

A garantia de acesso às novas tecnologias para os pequenos produtores é um dos principais pontos de atenção para o futuro. Nesse contexto, Palharini destaca que, embora ainda existam desafios a serem superados, o avanço, nos últimos anos, tem ocorrido de forma gradual e constante. “Ainda estão faltando algumas outras questões para que possamos nos comparar a países de primeiro mundo em questão de inovação, mas é um caminho que, apesar de ser lento, é contínuo”, afirma.

Entre as áreas que mais demandam investimentos atualmente, Palharini destaca o melhoramento genético do rebanho como um dos principais caminhos para aumentar a produtividade da cadeia leiteira do Rio Grande do Sul. “E essa produtividade é realmente fundamental para que a gente possa ser mais competitivo”, diz. Segundo ele, a qualidade do leite, com maior teor de sólidos e gordura, impacta diretamente o retorno financeiro obtido pelo produtor e a eficiência industrial. 

Outra demanda interessante diz respeito à sucessão no meio rural. O secretário destaca que diversos produtores têm investido em novos equipamentos e tecnologias para reduzir o desgaste físico associado à atividade. Para ele, essa maior facilidade no trabalho é um importante fator que motiva filhos de produtores a permanecerem no meio, garantindo a continuidade dos negócios.

Por fim, apesar dos benefícios que a implementação de novas tecnologias traz ao campo, o secretário explica que ainda existem diversos desafios que são enfrentados pelos produtores que desejam inovar. O principal deles, segundo Palharini, diz respeito à questão financeira, mais especificamente ao alto custo do crédito. 

“Nós temos um custo financeiro, hoje, em torno de 18% a 20% ao ano para investimentos maiores, já que a nossa taxa Selic está em 14,75%. Isso acaba gerando muita dificuldade para que os produtores realizem grandes investimentos, já que eles precisarão ter uma taxa de retorno muito boa para conseguir pagar os fi nanciamentos”, explica. Este poder financeiro reduzido dos produtores também impacta a indústria do ramo, que acaba diminuindo seus investimentos na pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos. (Jornal da Manhã)


FAO alerta para risco de inflação de alimentos

Os navios que transportam insumos agrícolas terão que começar a atravessar o Estreito de Ormuz o mais rápido possível para evitar o risco de uma disparada na inflação global dos alimentos ainda neste ano, o que poderia desencadear uma série de efeitos semelhantes aos da crise da pandemia de covid-19. O alerta foi feito por representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“O tempo está se esgotando, e os calendários de safras colocam os países mais pobres em maior risco de escassez e alto custo de fertilizantes e insumos energéticos”, afirmou o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, em um podcast produzido pela entidade.

Entre 20% e 45% das exportações de insumos usados na agricultura no mundo passam pelo Estreito de Ormuz, segundo a FAO.

“A última coisa que queremos é uma menor produtividade agrícola e preços mais altos das commodities e inflação de alimentos no próximo ano”, acrescentou Torero, observando que a continuidade do bloqueio forçaria os países a implementar políticas para reduzir os preços dos alimentos. Isso acarretaria aumento das taxas de juros e, consequentemente, um potencial crescimento econômico mais lento em todo o mundo.

O último Índice de Preços de Alimentos da FAO, referente a março, mostrou-se relativamente estável graças à ampla oferta da maioria das commodities alimentares, especialmente cereais.

Porém a FAO alertou que a pressão sobre o índice está aumentando em abril e se intensificará em maio, à medida que os agricultores tomarem decisões sobre se devem ou não mudar as opções de plantio para se adaptarem à disponibilidade de fertilizantes. Ou se devem alocar mais terras e recursos para biocombustíveis para se beneficiarem dos preços mais altos do petróleo, mas restringindo a oferta global de alimentos.

“Estamos em uma crise de insumos; não queremos que se torne uma catástrofe”, disse David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, que participou do podcast.

Segundo a FAO, os riscos para a produção de alimentos são consideravelmente maiores do que em 2022, e as condições estão presentes para uma “tempestade perfeita” caso a situação atual seja também afetada por um El Niño forte, que rivalize ou supere a crise da pandemia. (Valor Econômico)

 

FIERGS critica proposta do governo e cobra responsabilidade no debate sobre jornada de trabalho

O governo federal formalizou, em regime de urgência constitucional, o envio ao Congresso Nacional do Projeto de Lei n° 1.838/2026, que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, assegura dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial — medida que, na prática, extingue a escala 6x1.

A FIERGS manifesta profunda preocupação com a forma e o momento em que a proposta foi apresentada. Trata-se de uma mudança estrutural nas relações de trabalho, com impactos amplos e duradouros sobre a economia, que está sendo encaminhada de forma açodada, sem o devido debate com a sociedade e o setor produtivo — especialmente em um contexto de ano eleitoral.

Não é de hoje que alertamos para os efeitos negativos de uma medida dessa magnitude. Estimativas indicam que a redução da jornada para 40 horas pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com trabalhadores formais no país, o que representa um aumento de até 7%. Na indústria, o impacto seria ainda mais severo, com crescimento de aproximadamente 11% nas despesas — o equivalente a R$ 88 bilhões. Estudos do IBRE/FGV apontam, ainda, risco de queda de até 11,3% no PIB.

Cabe destacar que o Brasil já opera, na prática, com uma média de aproximadamente 39 horas semanais de trabalho, resultado de negociações coletivas, especificidades setoriais e estratégias empresariais. O atual limite legal de 44 horas oferece a flexibilidade necessária para acomodar as diferentes realidades econômicas do país — algo que a proposta do governo ignora completamente.

Além disso, a legislação vigente já permite a redução e reorganização da jornada por meio de negociação coletiva, respeitando as particularidades de cada setor, região e atividade econômica. Ao impor uma regra uniforme, o governo desconsidera essa diversidade e compromete a capacidade de adaptação das empresas.

A FIERGS alerta que medidas dessa natureza tendem a pressionar o custo de produção, impactar preços de bens e serviços, gerar efeitos inflacionários e, sobretudo, prejudicar a geração e manutenção de empregos formais.

Diante disso, é inaceitável que um tema tão sensível e complexo seja tratado com tamanha pressa. O país precisa de um debate sério, técnico e responsável, baseado em evidências e com ampla participação da sociedade — e não de decisões precipitadas que colocam em risco a competitividade da economia brasileira. (FIERGS)


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Indicador segue estável, na casa dos R$ 69/sc
Os preços do milho permaneceram na casa dos R$ 69,00 por saca de 60 kg em quase todo este mês, mesmo registrando pequenas quedas no mercado interno nos últimos dias. Segundo pesquisadores do Cepea, os recuos foram influenciados pelo baixo interesse de compradores, que se mantiveram cautelosos nas negociações. Parte desses agentes relata ter estoques, além de aguardar baixas mais expressivas nos próximos dias. Já vendedores, atentos à demanda enfraquecida, apresentaram maior interesse nas negociações, chegando, em alguns momentos, a reduzir os valores ofertados. De acordo com o Cepea, isso é reflexo da queda cambial, que reduz a paridade de exportação, do avanço da colheita de safra verão e do retorno das chuvas em partes das regiões produtoras de segunda safra, que devem beneficiar o desenvolvimento das lavouras. (CEPEA VIA TERRA VIVA)


Porto Alegre, 14 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.610


Embutidos e produção de laticínios são referência na Serra Gaúcha

A tradição do queijo e do salame da Serra Gaúcha tem um dos seus símbolos na Cooperativa Santa Clara, que completa 115 anos em 2026, em Carlos Barbosa. De acordo com o diretor administrativo e financeiro da cooperativa, Alexandre Guerra, mesmo com a produção hoje espalhada entre as principais bacias leiteiras e de suínos do Rio Grande do Sul, especialmente no Alto Uruguai e Alto Jacuí, a Serra ainda é a referência para os produtos considerados mais nobres na linha de laticínios e embutidos da cooperativa, uma questão de tradição e proteção aos produtores.

Segundo Guerra, saem da fábrica de Carlos Barbosa os chamados queijos de massa dura, requeijões, fondues e cremes. Na fábrica de embutidos e cozidos, como salames, a cooperativa investe para dobrar a capacidade de produção neste ano. 

A aposta nos chamados produtos nobres é uma das fórmulas da cooperativa para enfrentar um cenário já desafiador e que pode se tornar ainda mais nebuloso com o acordo entre Mercosul e União Europeia. 

“Chegamos a 360 milhões de litros produzidos em 2025 e temos um mercado interno no Brasil ainda muito grande. O problema é que este mercado brasileiro não oferece as melhores condições a quem produz aqui. Neste último ano, conseguimos aumentar em 14% a produção leiteira e em 50 novos produtores associados à cooperativa, no entanto, nos últimos 10 anos, a cadeia produtiva achatou de 80 mil para 30 mil famílias no Rio Grande do Sul. 

Precisamos de apoio e proteção governamental a esse produtor, porque ele investe e já garante um padrão de qualidade da União Europeia, mas em condições de competitividade, desiguais em relação ao Mercosul”, aponta Guerra. Segundo ele, até a metade do último ano a produção leiteira rentabiliza para o produtor. Desde então, porém, o cenário ficou mais desafiador, especialmente pelos preços baixos com que entram no mercado brasileiro os produtos lácteos dos países vizinhos. 

Ao mesmo tempo em que a cadeia produtiva do leite reduziu a menos da metade no Estado, a entrada de produtos do Mercosul saltou de 4% para até 10% de todo o disponível no País. (Jornal do Comércio)


Mais vacas, menos fazendas: o novo retrato do leite na Argentina

Os dados mais recentes do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), com base em registros do Senasa, mostram um movimento que vem se repetindo ao longo dos últimos anos: o número de fazendas leiteiras continua em queda, enquanto o total de vacas segue em crescimento.

Os dados mais recentes do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), com base em registros do Senasa, mostram um movimento que vem se repetindo ao longo dos últimos anos: o número de fazendas leiteiras no país continua em queda, enquanto o total de vacas segue em crescimento.

Em março de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve uma redução de 2,57% nas unidades produtivas. No mesmo intervalo, o número de vacas aumentou 1,14%, o equivalente a mais de 17 mil cabeças em um ano. O dado revela um descompasso entre a quantidade de fazendas e o tamanho do rebanho, indicando que a atividade está sendo sustentada por estruturas produtivas maiores.

Tabela 01 - Número de animais total

Tabela 02 - Número de animais

Esse movimento também aparece quando se observa a média de animais por fazenda. Atualmente, cada unidade conta com cerca de 170 vacas, número superior ao registrado no ano anterior. Ainda que o relatório não proponha interpretações, os dados mostram que, mesmo com menos unidades em operação, o volume de animais por propriedade segue aumentando.

Tabela 03 - Número médio de animais por fazenda

Ao longo dos últimos meses, a trajetória do número de vacas em ordenha vinha acompanhando a redução das fazendas. No entanto, em março deste ano, houve um incremento expressivo, com mais de 50 mil vacas em relação ao mês anterior. Trata-se de um ponto fora do padrão recente, cuja continuidade ainda dependerá da evolução dos próximos dados.

A distribuição das vacas entre as fazendas reforça essa dinâmica de forma ainda mais clara. As propriedades com mais de 500 vacas representam apenas 6,6% do total, mas concentram 28,3% de todo o rebanho e respondem por mais de um terço da produção de leite do país. No outro extremo, as fazendas com menos de 100 vacas somam 33,2% das unidades, mas têm apenas 8,6% das vacas e participam com menos de 10% da produção total.

A concentração também se observa no aspecto geográfico. A chamada Região Central — formada por Santa Fé, Córdoba, Buenos Aires e Entre Ríos — reúne a grande maioria das fazendas e praticamente todo o rebanho em produção no país, consolidando-se como o principal polo leiteiro argentino.

Os dados do OCLA, portanto, desenham um cenário consistente: menos fazendas, mais vacas e um aumento no número médio de animais por unidade produtiva. Trata-se de uma mudança estrutural que se evidencia ao longo do tempo e que redefine o perfil da produção de leite na Argentina.

As informações são do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint e pelo Sindilat/RS. 

Justiça Federal suspende multas da ANTT relacionadas ao preço mínimo de frete

A Justiça Federal de São Paulo suspendeu, a pedido de uma transportadora e uma fabricante de produtos de higiene e limpeza, autos de infração e a cobrança de multas relacionadas ao preço mínimo de frete. Trata-se, segundo especialistas, da primeira decisão no país a apreciar as alterações trazidas pela Medida Provisória (MP) nº 1.343, editada em março.

A MP instituiu um novo sistema de multas e sanções e ampliou a fiscalização do piso do frete rodoviário. A norma prevê multas elevadas, de até R$ 10 milhões por operação, e a possibilidade de suspensão ou cancelamento do registro de transportadora.

A decisão (tutela de urgência) foi proferida pelo juiz Carlos Alberto Loverra, da 1ª Vara Federal de São Bernardo do Campo (SP). Para ele, o risco de dano é evidente, uma vez que as empresas acumulam 247 autuações desde outubro de 2025, que somam cerca de R$ 129 mil. (Valor)


Jogo Rápido

Produção de leite concentrada: número de produtores está caindo, mas a captação aumentando
Confira a entrevista do Pesquisador da Embrapa, Paulo Martins para o canal DBO clicando aqui. (DBO via youtube)


Porto Alegre, 13 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.609


Márcio Madalena assume como secretário da Agricultura do Estado

O gestor ocupava o cargo de secretário-adjunto desde 2023

O médico veterinário Márcio Madalena assume o cargo de secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). O anúncio foi feito pelo governador Eduardo Leite nesta segunda-feira (13/4). Madalena exercia, desde 2023, a função de secretário-adjunto da Pasta. 

O novo secretário destacou que assume a Pasta com o compromisso de dar continuidade ao trabalho que vem sendo construído desde 2023, com diálogo, responsabilidade e foco em resultados. “Ao longo desse período, avançamos em diversas frentes importantes para o fortalecimento do setor agropecuário gaúcho, sempre em parceria com produtores, entidades e demais instituições. Nosso objetivo é manter esse ritmo, consolidando as políticas públicas já em andamento e buscando novos avanços que garantam mais competitividade, sustentabilidade e desenvolvimento para o campo”, enfatizou Madalena.

Quem é Márcio Madalena

Natural de Osório, Márcio Madalena é médico veterinário formado pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e possui MBA em Gestão do Agronegócio pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Desde 2023, ocupava o cargo de secretário-adjunto da Seapi. Ao longo de sua trajetória profissional, atuou como coordenador regional na Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, foi delegado federal do Desenvolvimento Agrário no Estado e exerceu funções no governo federal, como diretor de Cooperativismo e Acesso a Mercados e chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). (SEAPI)


Perspectiva econômica global piora em meio a guerra com Irã

Chefes de bancos centrais e economistas avaliarão impactos do conflito em reunião em Washington

O Fundo Monetário Internacional (FMI) deve revisar para baixo as projeções para a economia global nesta semana, quando autoridades de todo o mundo se reunião para avaliar os custos cada vez maiores da guerra de EUA e Israel contra o Irã.

Bancos centrais e autoridades econômicas das maiores economias participarão do primeiro de dois encontros anuais do FMI e do Banco Mundial em Washington, nesta semana. Analistas alertam que, mesmo que o atual cessar-fogo se mantenha, os danos econômicos provocados pelo conflito tendem a persistir.

A economia global sofreu um “desvio de rota” e o conflito “quase certamente fará a inflação disparar”, diz Eswar Prasad, da Brookings Institution.

Levantamento feito pelo grupo de pesquisa para o FT indica que antes do início do atual conflito, a economia global registrava seu ritmo mais forte desde o período pós-pandemia.

O índice Tiger (Tracking Indexes for the Global Economic Recovery), desenvolvido em parceria entre a Brookings e o FT, compara indicadores de atividade real, mercados financeiros e confiança dos investidores com suas médias históricas, tanto no âmbito global quanto por país.

Os dados anteriores à guerra mostravam que “a economia mundial parecia resiliente e caminhava para um ano de crescimento razoável”. Além disso, “os mercados financeiros estavam aquecidos em muitos países e a confiança do setor privado vinha se recuperando”, disse Prasad

“A duração da guerra determinará se o crescimento será significativamente afetado”, acrescentou ele. “A falta de uma solução nas próximas semanas e a possibilidade de o conflito se expandir ainda mais pelo Oriente Médio representam um risco relevante para a economia global.”

Prasad disse que os bancos centrais também “estão em uma posição difícil”. Segundo ele, “as contas públicas de muitas das principais economias desenvolvidas já estão sob pressão, com altos níveis de déficit e dívida deixando pouco espaço de manobra”.

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou no início da semana que o fundo teria elevado suas projeções para a economia global não fosse o conflito. Ontem, ela reiterou que que levará tempo até que os preços globais retornem aos níveis anteriores aos do início da guerra.

Mas agora, devido aos danos à infraestrutura, interrupções nas cadeias de suprimento, perda de confiança e outros efeitos, “mesmo o cenário mais otimista prevê uma revisão para baixo do crescimento”, disse.

Ajay Rajadhyaksha, chefe global de pesquisa do Barclays, destacou em nota a clientes que os preços mais altos do petróleo, a postura mais dura dos bancos centrais ocidentais e uma “margem de segurança menor” para os consumidores são alguns dos custos duradouros do conflito.

“Mesmo que a guerra realmente termine, a fatura precisará ser paga e o valor final ainda está sendo calculado”, afirmou. (Valor Econômico)

Tesouro: carga tributária bruta do Governo Geral cresce a 32,40% do PIB em 2025, maior da série

A carga tributária bruta do Governo Geral (Governo Central, Estados e municípios) cresceu de 32,22% para 32,40% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2024 e 2025, segundo estimativas publicadas nesta sexta-feira (10), pelo Tesouro Nacional. É o maior nível da série histórica disponibilizada pelo órgão, que vai de 2010 até o ano passado.

O aumento geral foi puxado pelo Governo Central, cuja carga tributária bruta cresceu de 21,34% para 21,60% do PIB no período, uma alta de 0,26 ponto porcentual. Também é o maior nível da série. A carga tributária dos Estados diminuiu 0,10 ponto do PIB, de 8,48% para 8,38%, e a dos municípios cresceu 0,03 ponto, de 2,40% para 2,43%.

Segundo o Tesouro, a alta da carga tributária do Governo Central foi puxada principalmente por um acréscimo de 0,23 ponto do PIB no imposto de renda retido na fonte, por causa do aumento da massa salarial.

"Em relação aos impostos sobre bens e serviços, é importante mencionar o aumento de 0,10 ponto do PIB nos Impostos sobre operações financeiras (IOF), resultado decorrente de operações relativas à saída de moeda estrangeira e da elevação das alíquotas incidentes sobre operações de câmbio e crédito", diz o Tesouro, no relatório de estimativa de carga tributária.

A arrecadação das contribuições para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) cresceu o equivalente a 0,12 ponto do PIB, impulsionada pela reoneração escalonada da contribuição patronal e da folha de pagamentos e pelo crescimento da massa salarial e do emprego, segundo o órgão.

Nos Estados, a queda da carga tributária foi puxada por uma redução de 0,09 ponto do PIB na arrecadação de ICMS, que cresceu abaixo da economia. "Esse movimento também reflete a composição do crescimento econômico em 2025, concentrado em setores sobre os quais não há incidência do ICMS, ou sua incidência é reduzida", diz o Tesouro.

O principal destaque nos municípios foi o aumento de 0,02 ponto do PIB na arrecadação do Imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS), puxado pelo crescimento do setor de serviços no ano passado, segundo o Tesouro. (Jornal do Comércio)


Jogo Rápido

Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.  As inscrições podem ser feitas clicando aqui. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 10 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.608


Lácteos são protagonistas na saúde metabólica

Fonte de proteínas de alto valor biológico, cálcio e outros nutrientes essenciais, o leite e os produtos lácteos são alimentos completos e estratégicos dentro de uma dieta equilibrada. “O leite reúne proteínas, gorduras e micronutrientes fundamentais para o organismo. É um alimento extremamente nutritivo, que pode contribuir tanto na prevenção quanto no tratamento de diversas condições metabólicas”, defende o médico e mestre em nutrição humana, Paulo Henkin.

Idealizador do Curso de Capacitação Nutro-Endócrino 2026, realizado nos dias 10 e 11 de abril, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre (RS), Henkin também enfatiza a necessidade de combater mitos e desinformações sobre o consumo de lácteos. Segundo o médico, muitas percepções negativas não encontram respaldo na ciência. “A alimentação precisa ser tratada com base em evidências. O leite, muitas vezes, é alvo de preconceitos que não se sustentam do ponto de vista científico”, explicou.

Henkin ressalta que restrições ao consumo de leite devem ser avaliadas de forma individualizada e sempre com base em diagnóstico clínico, evitando generalizações que têm se tornado comuns. Segundo ele, a disseminação de informações equivocadas, muitas vezes impulsionadas por redes sociais e discursos sem embasamento científico, tem contribuído para a criação de mitos como a ideia de que o leite é inflamatório ou prejudicial à saúde de forma generalizada.

O mestre em nutrição também alerta para os impactos dessas crenças na saúde pública, especialmente no que diz respeito à ingestão insuficiente de cálcio, nutriente essencial para a saúde óssea e prevenção de doenças como a osteoporose. “Existem casos específicos, como intolerância à lactose ou alergias, mas são situações pontuais e que exigem diagnóstico. O problema é quando opiniões ou modismos passam a substituir a ciência. Alimentação é ciência, não opinião”, reforça.

Apoiador da iniciativa que reuniu médicos e especialistas para discutir, com base científica, o papel da alimentação na prevenção e no tratamento de doenças como obesidade e síndrome metabólica, o Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat/RS) participou com a oferta de produtos lácteos.

Para o secretário executivo do sindicato, Darlan Palharini, a presença no curso reforça o compromisso da entidade com a qualificação da informação sobre alimentação. “O leite tem papel relevante na saúde da população e precisa ser compreendido dentro de uma abordagem equilibrada e baseada em evidências. Estar próximo da comunidade médica é fundamental para fortalecer esse entendimento”, destacou. (As informações são do Sindilat/RS)


Um setor em virada: os bastidores e tendências revelados no Fórum MilkPoint Mercado

Segundo Valter Galan, Sócio da MilkPoint Ventures, o principal driver das oscilações de preço tem sido o desequilíbrio entre oferta e demanda. Após um período mais equilibrado, o início de 2026 já apresenta sinais de escassez de leite, com reação rápida nos preços spot.

Realizado em 9 de abril, em Piracicaba (SP), no Pecege, o Fórum MilkPoint Mercado abriu sua programação com um forte tom de integração e troca de conhecimento, reunindo lideranças e especialistas para discutir os rumos da cadeia láctea em um cenário de forte volatilidade.

Na abertura, Ricardo Shirota, presidente do Pecege, destacou a honra de receber o evento e reforçou a importância de iniciativas que promovam conexão entre os diferentes elos do setor. Na sequência, Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da MilkPoint Ventures, deu o tom estratégico do encontro ao enfatizar a necessidade de fortalecer essas conexões em um momento de mudanças relevantes no mercado. Ele agradeceu a presença do público, apresentou os diferentes braços da MilkPoint Ventures e ressaltou o papel da iniciativa como plataforma de conteúdo, inteligência e relacionamento. Ao final, reforçou a expectativa de um dia intenso, marcado por discussões relevantes e trocas capazes de gerar valor prático para toda a cadeia do leite.

O primeiro bloco, dedicado aos cenários de mercado — com oferecimento de Spade e Agroforte — trouxe uma leitura ampla e estratégica sobre produção, comércio global, consumo e crédito na cadeia láctea.

Andres Padilla, do Rabobank Brasil, iniciou discutindo o crescimento da produção de leite no mundo e no Brasil. Para 2026, a expectativa é de baixo crescimento da oferta global. A China, que nos últimos anos teve papel expressivo na expansão, já mostra recuo desde 2024, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade de seu modelo altamente intensivo e concentrado em megafazendas. Apesar dos ganhos rápidos em produtividade, a rentabilidade não acompanhou, levando inclusive ao fechamento de unidades.

Nos Estados Unidos, a produção deve ganhar ainda mais protagonismo global, sustentada por ganhos de eficiência e aumento de produtividade por vaca, mesmo com rebanho estagnado. O país consolidou um modelo maduro, fortemente orientado à exportação. Ainda assim, as margens seguem voláteis — com queda significativa desde meados de 2024 — exigindo gestão sofisticada por parte do produtor.

Um dos destaques recentes é a estratégia de beef-on-dairy. A valorização da carne elevou a participação dessa receita nas fazendas leiteiras, que passou de níveis históricos de 1% a 3% para até 20% em alguns casos. Essa diversificação tem sido fundamental para sustentar margens positivas mesmo em cenários de preços mais baixos do leite.

No Brasil, o crescimento da produção é heterogêneo e fortemente dependente do perfil do produtor. Pequenos e médios ainda apresentam maior volatilidade, enquanto produtores maiores ganham eficiência e melhor retorno sobre o capital investido. O processo de consolidação tende a se intensificar nos próximos anos. Um ponto de atenção levantado foi a pressão estrutural de custos: para se manter viável, a atividade leiteira exige crescimento constante — uma lógica já observada nos Estados Unidos e cada vez mais aplicável à realidade brasileira.

A mensagem central foi direta: produtores que não conseguem crescer com margens positivas tendem a ficar mais expostos à volatilidade e com dificuldade de se manter no longo prazo.

Na sequência, Rodolfo Daldegan e Tim Taylor, da Spade, trouxeram uma visão sobre o futuro da cadeia, baseada na integração de dados. Segundo eles, o setor lácteo ainda opera com baixa gestão de informações, apesar do grande volume gerado nas fazendas. A conexão desses dados ao longo da cadeia — da produção ao consumidor — é apontada como chave para destravar eficiência, previsibilidade e melhores decisões. A proposta é sair de um modelo reativo para um modelo preditivo, com inteligência integrada e maior visibilidade em tempo real.

O mercado internacional também esteve no radar. Vitor Vieira, do Grupo Interfood, destacou que o cenário atual já precifica uma queda nos preços globais, com demanda estável, porém com mudanças importantes na dinâmica geográfica. A China segue relevante, mas com comportamento de compra mais moderado, enquanto o Sudeste Asiático ganha protagonismo.

Fatores geopolíticos adicionam incerteza ao cenário. A guerra no Oriente Médio já impacta rotas logísticas estratégicas, como o estreito de Ormuz, o que pode afetar grandes importadores. Nesse contexto, Argentina e Uruguai tendem a ganhar espaço como fornecedores, especialmente diante da sazonalidade da Nova Zelândia, que entrará, em meados de junho e julho, em período de menor oferta de sólidos. Por conta da entressafra.

A expectativa é de maior demanda vinda do Oriente Médio e Norte da África, com custos logísticos mais elevados e redistribuição dos fluxos comerciais globais.

Ricardo Cotta, da R3 Consultoria, chamou atenção para o avanço consistente do food service no Brasil, que cresce a taxas reais de cerca de 8% ao ano — acima do varejo tradicional — e já movimenta mais de R$ 500 bilhões em faturamento. Segundo ele, trata-se de um dos principais vetores de expansão para os lácteos, com destaque para categorias como queijos, requeijões, leite condensado e creme de leite, amplamente demandadas no consumo fora do lar. Apesar do potencial, Cotta destacou que o segmento ainda exige maior nível de profissionalização por parte da indústria. Mais do que volume, o food service demanda soluções: produtos pensados para performance, padronização e rendimento, além de consistência de qualidade e excelência no serviço. “Não basta adaptar o que já existe — é preciso desenvolver com foco na aplicação”, indicou.

Ele também reforçou a importância de uma atuação mais próxima do cliente, com equipes capacitadas para falar a linguagem da cozinha, além de estratégias de marketing e relacionamento direcionadas, como parcerias com chefs, ações com influenciadores e iniciativas práticas, como workshops culinários. Para Cotta, as empresas que entenderem essa lógica e estruturarem melhor sua atuação no canal tendem a capturar de forma mais consistente o crescimento desse mercado.

Outro ponto estratégico abordado foi o papel do crédito na cadeia leiteira. Lucas Nogueira Rezende, da Agroforte, destacou que o crédito deve ser visto como ferramenta estratégica, e não apenas financeira. Quando bem estruturado, ele viabiliza o acesso à tecnologia e impulsiona ganhos reais de produtividade e qualidade. Por outro lado, crédito mal alocado pode comprometer resultados.

Dados apresentados mostram impactos concretos: aumento da produção, melhoria da qualidade do leite e redução de emissões por litro. Nesse contexto, a indústria pode desempenhar papel central ao facilitar o acesso ao crédito, aproveitando sua proximidade com o produtor e fortalecendo o ecossistema como um todo.

Encerrando o bloco, Valter Galan, Sócio da MilkPoint Ventures, trouxe uma análise sobre o comportamento recente do mercado e as perspectivas para o restante de 2026. Segundo ele, o principal driver das oscilações de preço tem sido o desequilíbrio entre oferta e demanda. Após um período mais equilibrado, o início de 2026 já apresenta sinais de escassez de leite, com reação rápida nos preços spot. A rentabilidade pressionada ao longo de 2025 ainda deve impactar a produção em 2026, com recuperação mais consistente apenas no segundo semestre. Ao mesmo tempo, fatores externos, como possíveis efeitos da guerra sobre custos de energia e fertilizantes, seguem no radar.

Do lado da demanda, há sinais positivos, com destaque para o crescimento no consumo de queijos, possivelmente impulsionado pela busca por proteínas. No entanto, o cenário internacional, com maior competitividade do Mercosul, pode pressionar importações e influenciar o equilíbrio interno.

No geral, a leitura é de um mercado que inicia 2026 com preços em alta devido ao desbalanceamento de curto prazo, mas ainda cercado por incertezas relevantes — tanto do lado da produção quanto da demanda. (Milkpoint)

EMATER/RS: Informativo Conjuntural nº 1914 – 09 abr. 2026 

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção continua em declínio, evidenciando a entrada do vazio forrageiro outonal. Em Hulha Negra, apesar do uso de silagem de milho da safra atual, de feno de azevém com trevo e de pastejo por curtos períodos em áreas de sorgo forrageiro em final de ciclo, os produtores relatam médias reduzidas de produção por matriz. Em razão do estresse hídrico em algumas lavouras, a silagem apresenta baixa participação de grãos, além de menor digestibilidade, em função da senescência precoce de parte das folhas, o que impacta negativamente a capacidade de consumo pelos animais. A irregularidade das chuvas nas últimas semanas pode atrasar o início da utilização das pastagens de aveia e azevém para o mês de maio, prolongando o período de baixas médias por vaca em lactação, devido à menor participação de forragem verde de qualidade nas dietas. 

Na de Erechim, os animais sofreram estresse térmico por altas temperaturas, não afetando, de maneira significativa, a produção. 

Na de Frederico Westphalen, a produção apresentou redução em decorrência das altas temperaturas, registradas na última semana, e da irregularidade das chuvas. Os produtores têm adotado práticas voltadas ao bem-estar do rebanho. 

Na de Ijuí, a produção segue estável de maneira geral, com pequena redução nos sistemas de produção a pasto. Observa-se aumento no fornecimento de forragem conservada para a manutenção da dieta dos animais, bem como leve diminuição no uso de concentrados, visando à diminuição dos custos de produção. 

Na de Porto Alegre, o rebanho apresenta boas condições gerais e estado nutricional adequado, mesmo com o início do vazio forrageiro, devido ao uso de suplementação e à adequada condição das pastagens. Alguns produtores relataram aumento na infestação por carrapatos e ocorrência de óbitos com suspeita de tristeza parasitária, o que reforça a atenção em relação ao manejo sanitário. 

Na de Santa Maria, em função do vazio forrageiro outonal, observou-se queda na produção, redução do escore corporal, e/ou aumento dos custos nos sistemas que adotam suplementação estratégica para suprir a deficiência de forragem. Os produtores seguem monitorando a ocorrência de moscas e carrapatos e adotando estratégias de controle. 

Na de Santa Rosa, devido às chuvas e das temperaturas dentro da média para o período, observou-se melhora nas condições de ambiência animal, favorecendo o conforto térmico e o desempenho produtivo. Os produtores relatam aumento no tempo de pastejo em virtude da menor ocorrência e duração de temperaturas extremas ao longo do dia. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Previsão do tempo: Boletim Integrado Agrometeorológico 15-2026 
Na próxima semana, o tempo deverá variar entre condições estáveis e instáveis em grande parte do território gaúcho. Nos dias 10/04 (sexta-feira) e 11/04 (sábado), o tempo voltará a ficar estável em praticamente todo o estado, sem previsão de  chuva significativa. Em 12/04 (domingo), o transporte de umidade associado aos efeitos de circulação deverá favorecer a ocorrência de chuva fraca a moderada, principalmente nas metades oeste e sul do estado. Em 13/04 (segunda-feira), a redução do transporte de umidade deverá favorecer o retorno da estabilidade na maior parte das regiões. Dessa forma, há previsão de chuva fraca apenas em pontos bem isolados. Nos dias 14/04 (terça-feira) e 15/04 (quarta-feira), a atuação de um sistema de baixa pressão poderá provocar chuva fraca a moderada, localmente forte, em diversas regiões do estado. A partir do dia 13/04, as temperaturas deverão apresentar leve elevação. (Seapi)


Porto Alegre, 09 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.607


Tetra Pak renova Centro de Inovação ao Cliente no Brasil e amplia personalização e cocriação de novos produtos

O Centro de Inovação ao Cliente (CIC) da Tetra Pak, líder mundial em soluções para processamento e embalagens de alimentos e bebidas, em Monte Mor/SP, foi reinaugurado nesta semana, reforçando o compromisso da empresa como parceira da indústria.

A atualização do espaço de 620m² recebeu um investimento de R$ 10 milhões e faz parte de uma estratégia global da Tetra Pak de modernização e expansão de seus CICs e Centros de Desenvolvimento de Produtos (PDCs), com foco em acelerar a inovação oferecendo maior flexibilidade, novas tecnologias e experiências mais personalizadas para os clientes.  

Observa-se, hoje, uma forte demanda por produtos alimentícios e bebidas de maior valor agregado e mais inovadores. Para competir regional e globalmente, os fabricantes precisam de ciclos de validação mais rápidos, desenvolvimento mais eficiente e a capacidade de escalar com confiança. O CIC e o CDP oferecem essa plataforma – unindo as capacidades da Tetra Pak em inovação de produtos e excelência em processamento, atuando como um hub de inovação em alimentos. Isso ajudará os fabricantes a acelerarem o desenvolvimento de produtos e a apoiar um crescimento mais sustentável em todo o setor. 

“Com a modernização do CIC no Brasil, a Tetra Pak reforça seu papel como parceira de ponta a ponta na produção e inovação da indústria de alimentos e bebidas, oferecendo um ambiente cada vez mais tecnológico e colaborativo. Com o CIC, oferecemos a nossos parceiros a possibilidade de explorar tendências, identificar oportunidades e cocriar soluções a partir das demandas dos consumidores. Depois, em nossos PDCs, transformamos essas ideias em produtos reais, com testes e validações”, explica Tiago Cardoso, presidente da Tetra Pak Brasil.

Com investimento de R$ 40 milhões, o CIC foi inaugurado no Brasil em 2017, em Monte Mor, cidade que abriga uma das fábricas da Tetra Pak no país, e desde então, foram quase 300 lançamentos de novos produtos. O Centro de Inovação ao cliente é voltado à cocriação, discussão de ideias, desenvolvimento de conceitos, aprimoramento de produtos existentes, além de apoiar a introdução de novas categorias no mercado, para empresas parceiras que vão de grandes fabricantes a startups.

Agora, em 2026, como parte do plano global de inovação e expansão dos CICs, o espaço passa a oferecer uma jornada ainda mais interativa e orientada por dados, com soluções digitais que tornam as interações mais dinâmicas. Por meio de ferramentas interativas, como mesas inteligentes, é possível personalizar apresentações e alinhar expectativas de forma mais eficiente ao longo do processo. As melhorias também incluem ampliação do espaço e maior flexibilidade para receber desde pequenos grupos até grandes equipes de clientes.

Composto por diferentes ambientes – sala de produtos, sala de ideias, planta piloto e centro de treinamento técnico –, o CIC oferece aos clientes um amplo usufruto de todos os seus recursos que convida as empresas a enxergarem o panorama completo de seus negócios, explorar insights de consumo e cocriar soluções inovadoras em sessões colaborativas. No CIC, a jornada se estrutura em quatro etapas essenciais: visão, criação, entrega e crescimento. Já nos PDCs, essas ideias ganham forma por meio de desenvolvimento de formulações, testes em planta piloto e validação para produção em escala, garantindo uma jornada completa, do conceito ao mercado.

A evolução do CIC em Monte Mor, que agora conta com 20 funcionários diretos, reflete o compromisso global da Tetra Pak com a transformação da indústria de alimentos e bebidas. A empresa busca impulsionar o desenvolvimento e o lançamento de novos produtos com mais agilidade, combinando inovação, colaboração e inteligência de dados. Ao integrar tecnologia, expertise e cocriação em um único ambiente, a Tetra Pak amplia seu papel como parceira estratégica dos clientes na construção do futuro da alimentação.

As informações são da Assessoria de Imprensa da Tetra Pak


CNA debate cenário atual do setor lácteo

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na terça (7), da reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Jônadan Ma, o vice-presidente, Allan Tormen, e o assessor técnico Guilherme Dias, estiveram no encontro.

Na reunião foi apresentada uma análise da Embrapa Gado de Leite sobre o cenário do mercado lácteo atual. Foram destacados fatores internos, como a economia doméstica, e externos, como o aumento das importações de lácteos, especialmente de países do Mercosul, que vêm influenciando as cotações pagas ao produtor.

Nos últimos três meses, a atividade leiteira tem apresentado margens negativas, influenciadas pelos elevados volumes de importações, mas as perspectivas no médio prazo indicam que a sazonalidade da produção poderá contribuir para a necessária recuperação dos preços ao produtor. No fechamento de 2025, as cotações acumularam queda de 25%, com os valores pagos em dezembro representando os menores desde fevereiro de 2018.

Outro tema discutido foi a revisão dos regulamentos técnicos de identidade e qualidade (RTQ) de produtos como requeijão e doce de leite, além da elaboração de regulamentos para o soro de leite.

Os integrantes da reunião também discutiram possíveis impactos do fim da escala de trabalho 6x1, tabelamento de frete e o cenário atual do setor lácteo.

Sobre a questão trabalhista, os membros ressaltaram a importância de que qualquer alteração legislativa seja baseada em estudos técnicos consistentes. Ma ressaltou que o setor agropecuário, incluindo a cadeia leiteira, já enfrenta desafios relacionados à escassez de mão de obra no campo.

“Há preocupação de que mudanças no regime de trabalho possam agravar esse cenário e resultar em aumento no preço dos alimentos ao consumidor”.

O consultor jurídico da CNA, Rodrigo Kaufman, fez um histórico das discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o a constitucionalidade do tabelamento do frete.

Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

RS: temperaturas elevadas trouxeram estresse térmico a rebanhos de leite durante verão 2025/2026

As temperaturas do ar médias elevadas do verão apresentaram um desafio para o manejo dos rebanhos bovinos de leite no Rio Grande do Sul, especialmente durante o mês de fevereiro.  Estes são os resultados das análises de dados publicadas no Comunicado Agrometeorológico 101 - Especial Biometeorologico Verão 2025/2026, editado pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi).

O Comunicado analisa as condições meteorológicas ocorridas no período, como precipitação pluvial, temperatura e umidade do ar. Utilizando o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), a publicação documenta e identifica as faixas de conforto/desconforto térmico calórico às quais os animais foram submetidos, estimando os efeitos na produção de leite. 

Em dezembro de 2025, 52,6% dos municípios gaúchos apresentaram ITU médio indicativo de estresse térmico leve a moderado, com valores máximos absolutos superiores a 80% em mais da metade dos locais. Em média, os bovinos foram expostos a estresse térmico em 53,3% das horas avaliadas. O mês de janeiro de 2026 registrou ITU médio semelhante ao de dezembro, com aumento do percentual de horas em estresse severo e crítico, atingindo valores máximos absolutos de até 88,1 em Porto Vera Cruz. O estresse térmico ocorreu em 51% das horas avaliadas. 

Já fevereiro apresentou o ambiente mais desafiador no manejo dos rebanhos, com 57% das horas permanecendo em estresse térmico e ITU médio de 72,2%. “Onze municípios atingiram estresse crítico em algumas horas, com percentuais de períodos em estresse severo e crítico superiores aos meses anteriores, especialmente no Vale do Uruguai e Região Missioneira”, detalha a pesquisadora Ivonete Tazzo, uma das autoras do comunicado.

Vacas de maior produção de leite são mais vulneráveis ao estresse térmico calórico. “As estimativas de declínio da produção diária de leite devido ao estresse térmico no verão 2025/2026 variaram de 16,25% a 34%, dependendo da região do estado”, complementa a pesquisadora.

Para reduzir os impactos negativos do clima na produção leiteira, é preciso adotar estratégias de manejo nos períodos mais críticos de estresse térmico. “Algumas das estratégias adotadas são: disponibilizar áreas com sombreamento natural ou artificial para evitar exposição direta ao sol; garantir acesso livre e contínuo a água de boa qualidade; promover circulação de ar e resfriamento evaporativo, com ventiladores, aspersores, painéis evaporativos; ajustar dietas para reduzir o aporte calórico; e selecionar animais mais adaptados a ambientes quentes”, enumera.

As informações são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul


Jogo Rápido

Criadores de gado Holandês têm até 30 de abril para se inscrever na Fenasul Expoleite
Criadores da raça Holandesa já podem se inscrever para participar da 19ª Fenasul e da 46ª Expoleite, que serão realizadas de 13 a 17 de maio, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). O prazo para garantir presença na Exposição Morfológica e no Concurso Leiteiro encerra em 30 de abril, dentro do cronograma oficial da organização. Promovido pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), o evento é etapa obrigatória do Circuito Exceleite, reunindo criadores de diferentes regiões do Estado. A programação contempla avaliações técnicas e produtivas, com foco na qualidade genética dos animais e no desempenho dentro dos sistemas de produção.O presidente da Gadolando, Marcos Tang, ressalta a tradição da feira dentro da pecuária leiteira gaúcha e sua ligação histórica com o calendário do setor. “A exposição tem origem no gado leiteiro e acompanha a própria história da Expointer, sendo realizada há décadas no Estado, sempre no período de outono”, afirma. (Terra Viva)


Porto Alegre, 08 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.606


Balança comercial registra aumento das importações no mês de março

O mês de março foi marcado por um aumento expressivo no volume total das importações, que somaram 235,1 milhões de litros em equivalente-leite - alta de 33,3% em relação ao mês anterior e de 31,4% frente a março de 2025.

O mês de março foi marcado por um aumento expressivo no volume total das importações, que somaram 235,1 milhões de litros em equivalente-leite — alta de 33,3% em relação ao mês anterior e de 31,4% frente a março de 2025. Esse movimento reflete, em grande medida, a maior competitividade dos produtos importados em relação aos nacionais, com preços mais atrativos no mercado externo, o que tem incentivado as compras internacionais. No mercado interno, a elevação dos preços de derivados, especialmente da muçarela ao longo de março, contribuiu para ampliar esse diferencial, reforçando a atratividade da importação como alternativa de abastecimento.

Gráfico 1. Importações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Os principais movimentos observados nas importações foram:

Leite em pó integral (LPI): produto de grande relevância na pauta, apresentou aumento de 29% no volume importado frente a fevereiro;

Leite em pó desnatado (LPD): registrou crescimento expressivo, com alta de 51% em relação ao mês anterior;

Queijos: apresentaram avanço de 25% no volume importado na comparação mensal;

Muçarela: apresentou aumento de 67% frente ao mês anterior.

O mês de março registrou déficit de 229,5 milhões de litros em equivalente-leite na balança comercial de lácteos, resultado 34% mais negativo tanto na comparação com o mesmo período de 2025 quanto frente a fevereiro de 2026.

Gráfico 2. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Do lado das exportações, houve avanço de 8,9% em relação a fevereiro. No entanto, na comparação anual, os embarques recuaram 26,6%, totalizando 5,6 milhões de litros em equivalente-leite, o que reforça uma menor competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Nas exportações de março, foram observados movimentos distintos entre os principais produtos:

Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, voltou a apresentar retração, com recuo de 26% no volume embarcado frente a fevereiro;

Leite condensado: registrou forte avanço nas exportações, com aumento de 54% no período;

Manteiga: apresentou queda de 14% nos embarques em relação ao mês anterior;

Iogurtes e outros derivados lácteos: apesar da baixa participação no total exportado, demonstraram crescimento relevante no volume embarcado em março.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de fevereiro de 2026 e março de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em março de 2026

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em fevereiro de 2026

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

Diferente do esperado para o período, as importações apresentaram avanço relevante em março, movimento explicado, em grande parte, pela maior competitividade dos produtos importados frente aos nacionais, em um contexto de preços externos mais atrativos e maior movimentação do mercado diante das expectativas de alta.

No curto prazo, a tendência é de manutenção das importações em níveis elevados, sustentadas pela recente acomodação dos preços internacionais e por um ambiente de câmbio mais favorável, que segue incentivando a entrada de produtos no país.

Por outro lado, ao longo de 2026, a expectativa é de redução no volume importado em relação ao ano anterior. Esse movimento deve ser influenciado principalmente pela manutenção de uma produção interna ainda elevada — em linha com o observado em 2025 — reduzindo a necessidade de complementação via mercado externo. (Milkpoint)


GDT 401º recua e reforça movimento de correção após ciclo de altas

O 401º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou queda de 3,4% no price index, com a média dos produtos comercializados atingindo USD 4.228/tonelada. O movimento marca uma inflexão após a sequência recente de valorizações, indicando um ajuste mais claro nos preços internacionais dos lácteos.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT.  Fonte: Global Dairy Trade (GDT). 

Entre os derivados, o comportamento foi majoritariamente negativo. A gordura anidra do leite apresentou a maior queda do leilão, recuando 7,1% e sendo negociada a USD 7.027/tonelada, refletindo uma acomodação após fortes valorizações anteriores. 

O leite em pó desnatado (LPD) também registrou queda de 1,6%, cotado a USD 3.381/tonelada. Já o leite em pó integral (LPI) - principal produto negociado - apresentou leve recuo de 0,7%, sendo comercializado a USD 3.687/tonelada, sinalizando maior estabilidade relativa frente aos demais produtos.

Gráfico 2. Preço médio LPI. 

Entre os queijos, a muçarela teve queda mais expressiva, de 6,2%, sendo negociada a USD 3.945/tonelada, enquanto o cheddar recuou 3,1%, cotado a USD 4.766/tonelada. A lactose também apresentou leve retração de 0,6%, fechando em USD 1.454/tonelada. A tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 07/04/2026. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026. 

Volume negociado recua de forma relevante

O volume total negociado no leilão somou 16.497 toneladas, representando queda de 15,4% frente ao evento anterior. Como observado no gráfico 3, esse movimento de redução da oferta está relacionado à sazonalidade, já presente nos últimos meses, e refletindo ajustes típicos para este período do ano. Na comparação com o mesmo leilão de 2025, o recuo foi de 6,5%.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) indicam um mercado no curto prazo mais estável, com os contratos atuais de abril, maio e junho praticamente alinhados. Esse movimento reflete uma revisão nas expectativas após especulações de altas observadas nos últimos meses, influenciada por sinais de acomodação da demanda internacional.

Apesar da estabilidade entre os vencimentos, houve um recuo importante frente aos contratos cotados na última semana de março. Esta mudança da curva recente reforça um cenário mais cauteloso no curto prazo para o mercado global de lácteos

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures). Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

Para o Brasil, o recuo do GDT traz um sinal importante de curto prazo: o mercado internacional começa a mostrar maior cautela, o que pode limitar novas altas nos preços globais e gerar reflexos no mercado do Mercosul - com potenciais impactos também sobre os preços nacionais.

Em conjunto, o cenário aponta para um momento de transição: após uma recuperação rápida, os preços internacionais agora começam a dar sinais de ajuste. Esse movimento ocorre em um contexto em que a demanda segue relativamente estável, sem sinais de enfraquecimento relevante, enquanto a oferta apresenta comportamento sazonal, com a desaceleração da produção em importantes regiões exportadoras.

No mercado brasileiro, a dinâmica recente foi semelhante, com recuperação e avanço nos preços ao longo das últimas semanas. No entanto, o cenário doméstico ainda apresenta sustentação mais consistente, impulsionado principalmente pela menor disponibilidade de leite com a entressafra. Nesse contexto, a correção observada no mercado internacional pode ou não se refletir integralmente no Brasil no curto prazo, a depender, sobretudo, da intensidade da oferta interna e das condições de importação, mas já sinaliza um ambiente de maior cautela para os próximos movimentos de preços. (Milkpoint)

 

 

Senar lança trilha com especialistas para qualificar profissionais da bovinocultura de leite na ATeG

Nova capacitação da Academia ATeG oferece 150h de conteúdo técnico e prático para técnicos, instrutores e supervisores de campo 

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) lançou uma nova Trilha com Especialistas para capacitação dos profissionais que atuam na cadeia da bovinocultura de leite, incluindo técnicos de campo, instrutores e supervisores da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

A trilha faz parte da Academia ATeG, iniciativa que foca no desenvolvimento do conhecimento técnico no campo, por meio de aulas apresentadas por especialistas de diversas áreas. São 150 horas divididas em seis módulos disponíveis na modalidade a distância com recursos interativos como videoaulas, podcasts, áudios e atividades avaliativas ao final de cada módulo.

O avanço no curso é sequencial, ou seja, o participante só pode acessar o módulo seguinte após concluir o anterior. Além disso, o aluno pode realizar as aulas no seu ritmo, sem prazo fixo para conclusão. Cada módulo tem certificação individual e para a aprovação, é necessário alcançar nota mínima de 7,0. Ao final, o participante recebe o certificado geral como especialista na trilha.

“O conteúdo foi estruturado para oferecer um nível mais aprofundado de conhecimento, considerando que os profissionais já possuem formação prévia. A proposta é integrar a base técnica com a experiência prática de campo, trazendo orientações que auxiliem na tomada de decisões e na gestão das propriedades”, explica o assessor técnico do Senar, Pollaco Oliveira.

O material das trilhas é desenvolvido a partir da definição dos temas prioritários e da colaboração com especialistas como pesquisadores, consultores e técnicos com experiência prática. Entre os temas abordados na bovinocultura de leite estão reprodução e genética, sanidade e instalações, qualidade do leite - cria e recria, planejamento forrageiro, nutrição e gestão econômica. 

A capacitação permanece disponível de forma contínua na plataforma de Educação Corporativa do Senar, permitindo o acesso tanto de profissionais que já atuam na bovinocultura de leite quanto de novos técnicos.

Oliveira ressalta que a expectativa é alcançar a maior parte dos profissionais da cadeia produtiva, que reúne atualmente mais de 100 mil produtores rurais em atendimento.

Além da trilha em bovinocultura de leite, a Academia ATeG também disponibiliza outras trilhas com o mesmo formato de 150 horas/aula.

A próxima trilha, que está em desenvolvimento, será voltada à cadeia da fruticultura, e deverá abordar temas como irrigação, manejo de pragas, rastreabilidade e produção de frutas tropicais e temperadas.

“A expectativa é que as capacitações contribuam para o fortalecimento da atuação técnica no campo, ampliando a capacidade de recomendação dos profissionais e impactando diretamente os resultados dos produtores, melhorando a gestão da propriedade, a qualidade da produção e a rentabilidade do negócio”, finaliza Pollaco Oliveira.

Para saber mais sobre a Academia ATeG e nas Trilhas devem acessar clicando aqui.

Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)


Jogo Rápido

CCGL distribui mais de R$ 30 milhões para produtores de leite associados
A Cooperativa Central Gaúcha (CCGL) distribuiu mais de R$ 30 milhões entre todos os produtores associados que forneceram leite de forma ininterrupta ao longo do ano de 2025. O pagamento da bonificação, que estava previsto para 20 de abril, foi antecipado para esta segunda-feira (6/4). O presidente da CCGL, Caio Vianna, explica que esta medida reafirma o compromisso da cooperativa, que desde a implantação da indústria sempre distribui sobras diretamente aos produtores. Atualmente, a CCGL possui 2,6 mil associados, que produziram 565 milhões de litros de leite em 2025. Para obter informações adicionais sobre o processo de distribuição, os produtores devem entrar em contato com suas cooperativas. (Globo Rural)


Porto Alegre, 07 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.605


Sindilat/RS fortalece debate sobre papel dos lácteos na alimentação

Reforçando sua atuação na promoção de uma alimentação equilibrada e baseada em evidências, o Sindilat/RS está entre os apoiadores do Curso de Capacitação Nutro-Endócrino 2026, que será realizado nos dias 10 e 11 de abril, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre (RS). A iniciativa reunirá médicos e especialistas para uma imersão prática e atualizada no tratamento do sobrepeso, obesidade e síndrome metabólica.

Como parte do apoio institucional, o sindicato também realizará o envio de produtos lácteos para o evento, evidenciando, na prática, a relevância desses alimentos dentro de estratégias nutricionais voltadas à saúde metabólica. “Estamos inseridos no debate de temas extremamente atuais e relevantes. Os lácteos têm papel importante na alimentação com uma fonte rica e segura de proteínas de alto valor para as estratégias nutricionais”, destaca Darlan Palharini, secretário executivo.

A programação, dividida em dois módulos, propõe uma formação que abrange desde o diagnóstico até a aplicação prática com a culinária terapêutica, proporcionando aos participantes uma experiência que conecta teoria, qualidade nutricional e adesão alimentar. 

Idealizado pelo médico Paulo Henkin, o curso reúne especialistas de diferentes áreas e se consolida como uma oportunidade de atualização para profissionais da saúde. A programação completa pode ser acessada aqui. (Sindilat/RS)


GDT - Global Dairy Trade

Fonte: GDT editado pelo Sindilat/RS

China reformula compras de produtos lácteos: menos leite em pó, mais derivados

Em 2025, a produção de leite bovino na China atingiu 40,9 milhões de toneladas (+0,28% em relação ao ano anterior), confirmando o fortalecimento estrutural do setor no país asiático. A abundância de leite contribuiu para manter os preços internos sob pressão: em fevereiro de 2026, o leite cru foi cotado a 304 CNY (cerca de 40,50 US$/100 kg), reduzindo a competitividade do leite importado.

Nos primeiros dois meses de 2026, o quadro do comércio revela dinâmicas opostas: caem as importações de leite em pó, enquanto crescem os produtos processados. As importações de leite em pó desnatado somaram 31.566 toneladas (-37,5% na comparação anual) e as de leite em pó integral 76.927 toneladas (-26%), também em função da redução das compras da Nova Zelândia. Por outro lado, houve forte crescimento nas importações de queijos (38.651 toneladas, +30,8%) e de iogurte (+17,7%), com aumento dos fluxos provenientes da União Europeia e da Oceania.

A queda nas importações de leite em pó reflete o aumento estrutural da disponibilidade de leite cru para a produção doméstica: a China atingiu elevados níveis de autossuficiência (cerca de 85% em 2025), segundo o USDA, também graças às megafazendas, que representam mais de 68% da produção.

Nesse contexto, os fluxos da Nova Zelândia, principal fornecedora de leite em pó integral também estão mudando: além da desaceleração da demanda chinesa, as tensões no Oriente Médio estão tornando mais complexos e caros os fluxos comerciais para mercados-chave como os Emirados Árabes Unidos.

Surge, assim, um mercado em transformação: a China reduz sua dependência de commodities, enquanto os exportadores precisam se adaptar a uma demanda mais seletiva e a um cenário global mais incerto.

As informações são do CLAL News, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

Anvisa lança canal oficial no WhatsApp
Nesta quarta-feira (1º/4), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lança seu canal oficial no WhatsApp, mais um recurso da instituição para combater a desinformação que afeta o trabalho da regulação no Brasil. Produzidos em linguagem simples, conteúdos, enquetes, GIFs e figurinhas do canal vão abordar as novidades da Anvisa que impactam diretamente a população. E a rotulagem de conteúdos encaminhados - como originalmente publicados pela Agência - é uma funcionalidade que auxilia o combate às notícias falsas em conversas e grupos da plataforma. O canal oficial da Anvisa funciona como uma lista de transmissão, em que apenas a Agência envia os conteúdos, passíveis de compartilhamento, cliques (no caso das enquetes) e avaliações por meio das reações 👍❤️😂😯😢🙏. É público, ilimitado e protege a privacidade, os dados e a visibilidade de quem o segue. Saiba mais sobre o canal oficial da Anvisa no WhatsApp clicando aqui.  O canal também tem o objetivo de aproximar a Vigilância Sanitária da sociedade, por meio da publicação de notícias e alertas relevantes que se aproximam do dia a dia das pessoas, e vai divulgar conteúdos exclusivos. Siga agora e ative o sino para receber em primeira mãos os novos conteúdos. (Anvisa)


Porto Alegre, 06 de abril de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.604


Iniciativa do Sistema FIERGS esclarece pontos e alerta para riscos da redução da jornada de trabalho

O Sistema FIERGS está iniciando uma ação de esclarecimento sobre os principais pontos de projetos em tramitação no Congresso que alteram jornada e escala de trabalho. A iniciativa busca conscientizar a população sobre os possíveis impactos de eventual diminuição da carga semanal de 44 horas para 40 ou 36 horas, sem redução de salários.

Uma cartilha foi elaborada pelo Conselho de Relações do Trabalho (Contrab) com objetivo de esclarecer pontos centrais do debate, como a possibilidade já existente de redução da jornada por meio de negociação coletiva. O material será distribuído para sindicatos industriais e empresas e também está disponível online. A entidade também destaca que o fim da escala 6x1 não implica, necessariamente, diminuição da carga horária total. É possível manter jornadas de 44 horas sem esse modelo, assim como adotar a escala com menos horas semanais.

O Sistema FIERGS ressalta que eventuais mudanças devem ser conduzidas com base técnica e cautela. Segundo a entidade, se uma empresa mantém 100% do salário para uma jornada de 44 horas e passa a pagar o mesmo valor por 36 horas, o custo de mão de obra pode aumentar entre 12% e 15% de forma abrupta. Esse cenário pode afetar a produtividade e a saúde financeira das empresas, especialmente as de menor porte.

Na prática, os efeitos podem atingir tanto o setor produtivo quanto a população. Entre os riscos apontados estão aumento de preços, redução de contratações, cortes de gastos e investimentos, além da ampliação da informalidade. A possibilidade de geração de empregos, por sua vez, dependeria de um ambiente econômico aquecido e da manutenção dos níveis de produção.

A cartilha também observa que, embora a redução da jornada com manutenção de salários seja um desejo legítimo, a produtividade no Brasil ainda é considerada baixa para sustentar essa mudança. O avanço nesse sentido exigiria investimentos em tecnologia, qualificação profissional e ganhos de eficiência. Alterações abruptas, na avaliação do Sistema FIERGS, podem pressionar custos e colocar empregos em risco.

ESTUDO NACIONAL
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (1º), reforça esse cenário. De acordo com o estudo, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode elevar, em média, os preços ao consumidor em 6,2%. Os dados indicam pressão generalizada sobre diferentes segmentos. As compras em supermercados podem ficar 5,7% mais caras, com alta de cerca de 4% nos produtos agropecuários e de 6% nos industrializados. No caso de roupas e calçados, a elevação pode chegar a 6,6%. Já no setor de serviços, os preços podem subir até 6,5%, afetando atividades como manicure, cabeleireiro e pintura residencial. A fatura de internet pode ter aumento ainda mais expressivo, de até 7,2%.

Acesse o conteúdo da cartilha neste link. (Fiergs)


Emater/RS: Informativo Conjuntural 1913

BOVINOCULTURA DE LEITE

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção apresentou leve melhoria onde ocorreram chuvas volumosas nas últimas duas semanas. Houve incremento de forragem verde na dieta das matrizes, decorrente da contribuição de potreiros de campo nativo e de anuais de verão em final de ciclo.

Em São Gabriel, nos sistemas menos intensivos, a produção está praticamente estável. Já nas propriedades com maior nível tecnológico, cujas médias normalmente são mais elevadas, houve redução na produção em função do amadurecimento das pastagens e da chegada do período de vazio forrageiro.

Na de Caxias do Sul, as temperaturas elevadas causaram estresse térmico aos animais. Os casos de mastite foram controlados com o uso de antibióticos. A qualidade do leite, medida pela Contagem de Células Somáticas (CCS) e pela Contagem Padrão em Placas (CPP), está dentro dos limites exigidos pelo MAPA.

Na de Frederico Westphalen, a produção se reduziu, influenciada pelas altas temperaturas e pela irregularidade das chuvas. Embora os produtores estejam adotando práticas para melhorar o bem-estar do rebanho, essa queda é superior ao esperado. A sanidade do rebanho está satisfatória. Contudo, houve aumento na infestação por moscas, especialmente mosca-dos-chifres, além de alguns relatos de presença de carrapatos.

Na de Ijuí, a produção ficou estável em relação ao período anterior. Houve aumento da incidência de ectoparasitas, principalmente nos locais de descanso dos animais.

Na de Pelotas, devido ao início do vazio forrageiro, houve queda na produção e maior dependência de silagem e suplementação alimentar. Persistem desafios relevantes, como o estresse térmico dos animais e problemas pontuais relacionados à disponibilidade de água.

Na de Porto Alegre, em razão do início do vazio forrageiro, foi necessário aumentar a suplementação alimentar para manter a condição corporal e a produção. (Emater editado pelo Sindilat/RS)

 

Piracanjuba leva informação sobre autismo às embalagens de leite e amplia alcance do tema no Brasil

Parceria entre Piracanjuba e Autistas Brasil transforma produto do dia a dia em ferramenta de informação e inclusão para milhões de brasileiros.

Em um país onde o Transtorno do Espectro Autista ainda é cercado por desinformação, uma nova iniciativa busca usar um canal pouco convencional para ampliar o acesso a conteúdo confiável: as embalagens de leite.
A partir de abril — mês marcado pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo — caixas de leite UHT da Piracanjuba passam a circular com mensagens educativas sobre o autismo. A proposta é aproveitar a capilaridade desses produtos, presentes na rotina de milhões de brasileiros, para inserir informação qualificada em contextos cotidianos, como o café da manhã.

A iniciativa parte do reconhecimento de que a falta de informação ainda é uma das principais barreiras para a inclusão. Muitas famílias têm pouco ou nenhum acesso a conteúdos confiáveis sobre o tema, especialmente fora dos grandes centros ou em regiões com menor conectividade digital.

Informação simples para um tema complexo

Na primeira fase, as embalagens trazem mensagens curtas que abordam dúvidas comuns e ajudam a combater equívocos recorrentes. Entre elas estão afirmações como “autismo não é doença”, “cada pessoa autista é única” e “o espectro é amplo e diverso”.

A escolha por frases diretas reflete um esforço de simplificação de um tema complexo, sem perder precisão. O objetivo é oferecer um primeiro contato com informações básicas, capazes de despertar curiosidade e, ao mesmo tempo, corrigir percepções equivocadas ainda bastante disseminadas.

Além disso, as embalagens incluem um QR Code que direciona para conteúdos mais aprofundados produzidos pela Autistas Brasil, organização da sociedade civil que atua na defesa de direitos e na promoção da inclusão. A entidade participou da construção das mensagens, contribuindo com orientação técnica e validação das informações.

Alcance offline como estratégia

Um dos pontos centrais da ação é justamente o uso de um meio físico e de grande alcance para disseminação de informação. Com milhões de unidades distribuídas mensalmente, a iniciativa aposta em chegar a públicos que, muitas vezes, não são alcançados por campanhas digitais.

A lógica é simples: se o acesso à informação ainda é desigual, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil, faz sentido levar conteúdo relevante para onde as pessoas já estão — inclusive fora do ambiente online.

Design e acessibilidade

Outro aspecto considerado no projeto foi a forma como a informação é apresentada. As embalagens adotam um layout mais limpo e organizado, com foco em legibilidade e clareza. A proposta é tornar o conteúdo mais acessível, inclusive para pessoas com diferentes perfis de processamento cognitivo.

O uso do símbolo do infinito colorido — cada vez mais associado à neurodiversidade — também contribui para ampliar o reconhecimento desse ícone no país.

Um debate que ainda precisa avançar

Apesar de avanços nos últimos anos, o autismo ainda é pouco compreendido por grande parte da população. Mitos persistem — como a ideia de que se trata de uma doença ou de que haveria uma causa única — e impactam diretamente o acesso a diagnóstico, apoio e inclusão.

Nesse contexto, ampliar o acesso à informação básica, correta e acessível continua sendo um desafio central. Iniciativas que conseguem inserir esse conteúdo no cotidiano podem contribuir para reduzir o estigma e ampliar o entendimento sobre o tema.

A campanha deve ser implementada em fases ao longo do ano, com possibilidade de expansão para outros produtos. Mais do que uma ação pontual, a proposta aponta para um movimento mais amplo: o uso de canais de consumo massivo como plataformas de comunicação sobre temas de interesse público.

As informações são da Assessoria de Imprensa da Piracanjuba


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Indicador volta a se sustentar
O atual ambiente externo incerto, a atual volatilidade do petróleo e o encarecimento dos fretes no Brasil mantiveram vendedores de milho afastados do mercado spot ao longo da semana passada, apontam pesquisadores do Cepea. Diante disso, as negociações envolvendo o cereal foram limitadas, e os preços registraram apenas pequenas variações. Em Campinas (SP), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, que havia recuado na semana anterior, voltou a se sustentar na semana passada. No campo, o clima favoreceu o avanço da colheita do milho primeira safra nas principais regiões e também a semeadura da segunda temporada. Já no mercado externo, os valores do milho caíram na semana passada. Segundo pesquisadores do Cepea, especulações em relação ao possível encerramento do conflito militar no Irã pressionaram os valores do petróleo e, consequentemente, os do milho, especialmente na quarta-feira, 1º. (CEPEA)


Porto Alegre, 02 de abril de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.603


Como a proteína de soro de leite está redefinindo a economia global de laticínios

O que antes era considerado um apenas um subproduto da fabricação de queijos, muitas vezes descartado ou destinado à alimentação animal, tornou-se atualmente a commodity mais valorizada do setor. Esse fenômeno é impulsionado por uma demanda sem precedentes, vinda não apenas de entusiastas do fitness, mas também de usuários de medicamentos GLP-1 (as famosas canetas emagrecedoras) que buscam aumentar a ingestão de proteínas.

Os preços do soro de leite de alta qualidade atingiram níveis recordes, chegando a cerca de onze dólares por libra, um salto significativo em relação aos valores inferiores a quatro dólares registrados em 2023. Essa valorização contrasta com a volatilidade e os baixos preços enfrentados por outros produtos lácteos, como manteiga e queijo, cujos mercados sofreram com o excesso de produção global. Como resultado direto dessa mudança, muitas fábricas de queijo estão agora lucrando mais com o processamento do soro do que com o próprio queijo.

Esse novo cenário econômico está gerando uma onda de investimentos globais bilionários em infraestrutura. Grandes empresas como Fonterra, FrieslandCampina e Tirlán anunciaram expansões significativas em suas capacidades de processamento de soro. Na Índia, a Amul está dobrando sua capacidade de produção de proteína, enquanto nos Estados Unidos estima-se que onze bilhões de dólares tenham sido destinados à construção ou ampliação de mais de cinquenta fábricas de laticínios até 2028.

Apesar do otimismo, especialistas alertam para riscos potenciais decorrentes dessa expansão acelerada. Um dos principais desafios é a possibilidade de um excesso de oferta de queijo no mercado mundial, já que o aumento na produção de soro implica obrigatoriamente em uma maior fabricação de queijo. Além disso, surge a preocupação sobre a disponibilidade de leite cru para abastecer todas essas novas instalações, o que pode acirrar a concorrência entre os processadores e elevar os custos de matéria-prima.

Paralelamente, outras inovações estão ajudando a sustentar a viabilidade das fazendas leiteiras, como a técnica de cruzamento de gado de corte com gado leiteiro, que gera bezerros mais valiosos para a indústria de carne. Essa diversificação de receitas, somada à alta do soro de leite, está criando uma transformação histórica na indústria de laticínios, movendo o setor de um período de margens apertadas para uma fase de rentabilidade potencial sustentada para produtores e processadores.

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.


Fonterra conclui venda de divisão de consumo para a Lactalis

A gigante neozelandesa Fonterra Co-operative Group concluiu a venda de seus negócios globais de consumo — conhecidos como Mainland Group — para a multinacional francesa Lactalis.
O movimento acompanha uma tendência cada vez mais clara na indústria de alimentos e bebidas: empresas estão enxugando seus portfólios para priorizar áreas com maior margem e capacidade de escala. No caso da Fonterra, isso significa reforçar o foco em ingredientes e foodservice, segmentos voltados a clientes industriais e profissionais ao redor do mundo.

Segundo o CEO Miles Hurrell, a companhia passa a direcionar capital e inovação justamente para essas frentes, com destaque para suas marcas globais NZMP e Anchor Food Professionals. “Esses negócios geram os melhores retornos para o leite dos produtores”, afirmou Hurrell, reforçando a estratégia baseada em eficiência, desenvolvimento de produtos e na crescente demanda global por ingredientes lácteos.

Além da venda, o acordo também reposiciona a Lactalis como parceira estratégica de longo prazo. Pelos novos contratos, a Fonterra fornecerá leite cru por pelo menos dez anos, além de ingredientes — como queijos a granel — por um período mínimo de seis anos. Ambos os acordos incluem cláusulas de renovação automática.

Esse papel duplo, como fornecedora e parceira, reflete um modelo cada vez mais comum no setor lácteo, em que a colaboração ao longo da cadeia ganha protagonismo para garantir acesso a matéria-prima e lidar com a volatilidade da demanda global.

Como parte da operação, a Fonterra anunciou que retornará NZD 3,2 bilhões (cerca de US$ 1,83 bilhão) aos produtores acionistas e detentores de unidades, por meio de um pagamento de NZD 2,00 por ação.

Com a reestruturação, a atuação da companhia se torna mais concentrada, tanto geograficamente quanto operacionalmente. Apesar de deixar diversos mercados voltados ao consumidor final, a Fonterra mantém sua presença de consumo na grande China, incluindo a marca Anchor na região.

A transação reforça uma transformação mais ampla na indústria global de lácteos: escala, especialização e disciplina na alocação de capital estão se tornando fatores decisivos de competitividade.

Ao sair de negócios de consumo com marca própria e fortalecer sua atuação B2B, a Fonterra se posiciona de forma mais alinhada à demanda por ingredientes lácteos de alto valor agregado e soluções para foodservice — segmentos impulsionados pelo crescimento populacional e pelas mudanças nos padrões de consumo.

As informações são do Foodbev.com, traduzidas pela Equipe MilkPoint.

 

Novo ministro da Agricultura promete rigor técnico e visão estratégica para o setor

André de Paula substitui Carlos Fávaro, que saiu do posto para cumprir o prazo que lhe permite concorrer nas próximas eleições

André de Paula, assumiu, nesta quarta-feira (1/4), o cargo de ministro da Agricultura, em cerimônia na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília. Ele substitui Carlos Fávaro, que retomou o mandato no Senado, e saiu do posto para cumprir o prazo que lhe permite concorrer nas próximas eleições.

André de Paula elogiou o desempenho do antecessor e afirmou que dará continuidade às ações para a conclusão do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Tenho a exata dimensão dessa função e do quão estratégica é para esse país”, afirmou em discurso na cerimônia de transmissão de cargo. “Estou reafirmando os compromissos que o ministro Carlos Fávaro assumiu. São compromissos que não têm CPF. Eles têm CNPJ. São do Ministério da Agricultura e do presidente Lula”, acrescentou.

Ele disse que atuará com visão estratégica para garantir previsibilidade para o setor e convidou lideranças setoriais para parcerias de trabalho. O auditório estava lotado, com cerca de 350 pessoas, entre elas dirigentes de entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

André de Paula disse que o convite de Lula para assumir a Agricultura, há cerca de um mês, representa o maior desafio da sua vida pública de mais de 40 anos. “É o passo mais largo da minha trajetória profissional e pessoal.”

No discurso, destacou a importância de políticas como o Plano Safra, o Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) e o seguro rural.

André de Paula defendeu ainda que a Embrapa precisa ser “ainda mais fortalecida”, assim como a defesa agropecuária. E indicou necessidade de o setor seguir atento às transformações tecnológicas.

O ministro ressaltou a importância do agronegócio para a economia brasileira e a pluralidade do setor.

“É um setor essencial para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento sustentável do país”, disse. “Atuaremos com rigor técnico e visão estratégica para qualidade, segurança e sustentabilidade. O espírito de diálogo vai conduzir minha atuação em plena sintonia com as diretrizes do governo Lula. O Brasil que produz com responsabilidade cresce com justiça”, acrescentou.

Secretários
O novo ministro da Agricultura confirmou que o secretário-executivo da Pasta será Cléber Soares. Ele substituirá Irajá Lacerda, que deixa o posto para cumprir o prazo de desincompatibilização e poder concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados por Mato Grosso nas eleições de outubro.

Em 2023, André de Paula foi indicado pelo PSD para liderar a recriação do Ministério da Pesca. Antes, foi secretário de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco e secretário das Cidades no Estado. Também foi vereador em Recife entre 1989 e 1991 e deputado estadual em duas legislaturas, entre 1991 e 1999. (Canal Rural via Valor Econômico)


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA (02 A 05 DE ABRIL)
Na próxima semana, o tempo deverá variar entre condições estáveis e instáveis em grande parte do território gaúcho. Na quinta-feira (02/04) e na sexta-feira (03/04), o tempo permanecerá predominantemente estável na maior parte do estado do Rio Grande do Sul. Ainda assim, há previsão de chuva fraca a moderada isolada apenas em pontos da metade norte, associada aos efeitos da circulação e ao transporte de umidade para essa região. No sábado (04/04) e no domingo (05/04), o avanço de um sistema de baixa pressão próximo ao estado deverá favorecer o aumento da instabilidade, com previsão de chuva em grande parte das regiões. Os volumes esperados variam entre fracos e moderados, pontualmente fortes, principalmente nas metades sul e leste do estado. No dia 05/04, as temperaturas deverão apresentar leve declínio. Na segunda-feira (06/04) e na terça-feira (07/04), a passagem de uma frente fria manterá o tempo instável em todo o estado, com previsão de chuva em todas as regiões ao longo desses dias. Na quarta-feira (08/04), o sistema continuará avançando e perderá gradualmente sua influência sobre o território gaúcho. Dessa forma, a precipitação deverá ficar restrita a pontos isolados, principalmente na metade norte. Nos dias 07/04 e 08/04, as temperaturas deverão apresentar leve declínio. De forma geral, a figura mostra que os acumulados de precipitação deverão variar entre 2 e 50 milímetros ao longo da semana, com alguns pontos isolados nas regiões da Fronteira Oeste e Missões que podem ultrapassar esse valor. (SEAPI)