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Porto Alegre, 01 de outubro de 2026                                                     Ano 20 - N° 5.026


Tecnologia reduz custos e é caminho da longevidade dos tambos

A adesão de tecnologias e projetos de inovação na rotina dos tambos leiteiros é o caminho base para reduzir custos da atividade e manter as novas gerações conectadas com o campo. Projetos sustentáveis de reuso de materiais, adoção de biodigestores que convertem dejetos em energia e a gestão de áreas verdes para assegurar o bem-estar animal são ações práticas que serão apresentadas pelo engenheiro florestal Jackson Brilhante durante palestra no dia 15 de outubro, no Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS).

Coordenador do Plano ABC+,  programa que reúne oito tecnologias voltadas à produção de baixa emissão de carbono no Rio Grande do Sul, Brilhante defende que manejos sustentáveis e mais eficientes são a forma de manter o campo atrativo para os filhos de produtores, garantindo assim uma sucessão tranquila. 

Novidades que ganham força em tempos de desafios climáticos, aumento do custo de mão de obra e alta concorrência no mercado. Optar por reforço tecnológico na propriedade tem sido o caminho adotado por quem decide se manter na atividade mesmo em um período caracterizado por alta evasão.

Segundo dados do Relatórios Socioeconômicos da Cadeia Produtiva do Leite da Emater/RS-Ascar, 55.253 famílias deixaram de produzir leite entre 2015 e 2025, passando de 84.199 produtores para 28.946. Por outro lado, a produção estadual se manteve relativamente estável em aproximadamente 4 bilhões de litros/ano, o que sinaliza que há menos produtores operando no Rio Grande do Sul mas com produção maior por unidade.

“A cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul atravessa um processo de reconfiguração estrutural marcado pela intensificação tecnológica, pela maior exposição à concorrência externa e pelo aumento da vulnerabilidade climática”, diz o assistente técnico da Emater, Jaime Ries, que também fará apresentação de estudo de campo durante o Milk Summit. 

Apesar de o aumento na eficiência ser positivo, Ries menciona que manter o produtor no campo e estimular a atividade leiteira também é uma forma de pulverizar a renda no campo e movimentar a economia de inúmeros municípios.

“É um processo multifatorial de transformação. “A permanência na atividade não depende exclusivamente da estrutura produtiva ou da capacidade tecnológica da propriedade. Ela também está relacionada à disponibilidade de pessoas e à disposição da família para manter uma atividade que exige trabalho contínuo e presença cotidiana”.

Mas a escolha da tecnologia empregada em cada propriedade rural não é receita pronta. Segundo Brilhante, a adoção de tecnologias precisa estar associada às características de cada propriedade. Medidas que podem ir da instalação de complexas usinas de geração de energia ao simples plantio de árvores.

“Os bovinos de leite são muito sensíveis às altas temperaturas. Adotar algumas linhas de eucalipto pode melhorar o conforto térmico, e isso interfere diretamente na produção de leite”, exemplifica.

CARBONO
Outro assunto a ser abordado durante o Milk Summit é a medição de carbono. O Plano ABC+ RS dispõe de equipamentos capazes de avaliar gases de efeito estufa e a quantidade de carbono estabilizada no solo, permitindo realizar o balanço de carbono das propriedades.

Tema que, segundo Brilhante, vem ganhando destaque em um momento em que a tecnologia é ferramenta para conciliar produção e conservação dos recursos naturais.

“O Plano ABC+ RS é uma política de Estado em que buscamos reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor agropecuário do Rio Grande do Sul, trazendo mais eficiência e resiliência para o produtor rural. Ou seja, ter também a produção e a conservação dos recursos naturais caminhando lado a lado”, completa.

Oito bases do Plano ABC+ RS 
1. Práticas de recuperação de pastagens degradadas
2. Sistemas agroflorestais
3. Bioinsumos
4. Integração lavoura-pecuária-floresta
5. Florestas plantadas
6. Manejos de resíduos da produção animal 
7. Sistemas irrigados
8. Terminação intensiva

O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.

O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Laticínios Frizzo e Apoio: Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil.


IBGE: Pesquisa Pecuária Municipal

O rebanho bovino diminuiu 1,7% em 2025, na comparação com 2024, na segunda queda anual consecutiva. A quantidade de bovinos reduziu para 234,3 milhões de cabeças, a menor desde 2022, quando o efetivo era de 234,9 milhões de cabeças.

Leite de vaca é recorde de produção e produtividade pelo terceiro ano seguido

A produção de leite de vaca cresceu pelo terceiro ano seguido, com alta de 2,7% na passagem de 2024 para 2025 e recorde de 36,7 bilhões de litros. O resultado foi alcançado mesmo com a queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas nesse período. Foram 14,7 milhões de vacas ordenhadas em 2025, a menor quantidade desde 1979 na série iniciada em 1974.

Esses dados explicam também o aumento recorde de 5,6% na produtividade, a terceira alta seguida, chegando a 2.498,7 litros de leite por vaca por ano. O resultado reflete condições climáticas favoráveis e investimento em aprimoramento genético e manejo do rebanho, aliado a um processo de otimização e reorganização da base produtiva.

O município de Castro (PR) liderou o ranking com 532,8 milhões de litros, alta de 10,0% em relação a 2024. Carambeí (PR) manteve a segunda posição, com 306,8 milhões de litros, e Patos de Minas (MG) ocupou a terceira posição, com 249,2 milhões de litros.

A região Sul liderou em produtividade e reassumiu a primeira posição na produção de leite com 12,5 bilhões de litros, correspondendo a 34,0% da produção nacional, com um crescimento de 4,4% em relação a 2024. O Sudeste vem na sequência, com crescimento de 2,3% e 12,3 bilhões de litros de leite, o equivalente a 33,5% do total nacional. 

Já o Nordeste manteve a terceira colocação, com 6,6 bilhões de litros e um aumento de 2,7%, respondendo por 18,0% da produção. O Centro-Oeste chegou a 3,6 bilhões, queda de 1,0%, e contribuiu com 9,8% da produção leiteira nacional. Já o Norte apresentou a menor contribuição da produção (4,6%), e teve aumento de 1,4%, com produção de 1,7 bilhão.
Fonte: IBGE / Adaptado pelo Sindilat

 
Mudança nas contribuições, Medida é válida para bovinos e bubalinos

O que exatamente mudou na cobrança do Fundesa para bovinos e búfalos?
A principal mudança é o momento da contribuição. Antes, o recolhimento dos produtores era realizado apenas no momento do abate. A partir de 2026, a contribuição passa a ser calculada e recolhida após o final do prazo da Declaração Anual de Rebanho, pela existência de animais.

Por que o modelo de cobrança mudou?
A mudança foi proposta pelos setores da pecuária de corte e leite em 2021, após a retirada da vacinação contra a febre aftosa, para garantir um fundo mais robusto para o atendimento ao rebanho gaúcho. O objetivo é tornar o sistema mais justo para todos os integrantes da cadeia. Como a contribuição passa a ser feita sobre o rebanho existente na propriedade, o fundo fica mais forte e distribuído de forma justa entre todos os produtores, independentemente de terem enviado animais para o abate naquele período.

O que acontece se eu não fizer o pagamento ou a declaração?
A Declaração Anual de Rebanho é uma obrigação sanitária, exigência do Ministério da Agricultura. Já manter-se em dia com o Fundesa-RS garante que a sua propriedade esteja elegível para receber as indenizações em caso de necessidade de sacrifício sanitário e terá a cobertura do seguro pecuário relacionado à febre aftosa..

Quanto vou pagar?
O valor para bovinos e búfalos de corte ou leite é de R$ 1,33 por animal, uma vez ao ano.

Como foi calculado o valor do boleto?
O valor foi calculado com base no saldo existente no dia em que se encerrou o prazo para a Declaração Anual de Rebanho, neste ano, em 10 de julho.

O valor está diferente do que eu declarei
É que o valor é calculado sobre a existência de animais após o último dia da Declaração Anual de Rebanho, que neste ano teve o prazo encerrado em 10 de julho. Você pode consultar o saldo existente no Produtor Online ou na Inspetoria de Defesa Agropecuária.

Outra possibilidade é de os animais estarem concentrados em outro CPF cadastrado no agronegócio. Verifique com seus familiares se os animais existentes podem estar em outro CPF.

O Fundesa-RS não é responsável pelo número de animais informado para a geração dos boletos, apenas recebeu a informação da Secretaria da Agricultura via Procergs.
Se ainda assim houver divergência, envie e-mail para fundesa@fundesa.net.

Como o fortalecimento do fundo beneficia o meu bolso diretamente?
A maior vantagem é a segurança. Se houver um surto sanitário, o Fundesa garante a indenização rápida ao produtor que precisar sacrificar animais. Sem o fundo, o produtor teria que arcar com o prejuízo total sozinho. Além disso, a sanidade controlada abre portas para que a carne gaúcha continue sendo valorizada e exportada.

Onde posso emitir a guia para o pagamento?
Se o seu cadastro junto ao Sistema de Defesa Agropecuária estiver atualizado, você receberá o link para a emissão do boleto por e-mail. O endereço que irá enviar essa mensagem é comunicados@comunicados.guiasfundesa.com.br e o CNPJ emissor do boleto deve ser 07.355.749/0001-09.

E se eu não receber o e-mail?
Caso não receba por e-mail (ou não utilize e-mail no dia a dia), você poderá acessar o site fundesa.com.br e clicar no banner que diz “Emissão de boletos para contribuição de bovinos e búfalos” e digitar o seu CPF ou CNPJ que o boleto será gerado automaticamente de acordo com o número de animais existentes após a Declaração Anual de Rebanho. Se você não tiver acesso a um computador ou telefone celular, pode procurar o Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais ou Inspetoria de Defesa Agropecuária da sua cidade para gerar a guia para pagamento.

Até quando posso pagar o boleto?
Neste ano, 2026, para estar em dia com o Fundesa-RS, o boleto deve ser pago até o dia 30 de outubro, excepcionalmente.

Vou continuar pagando a contribuição no abate?
Não. A partir de agora o pagamento do rebanho bovino e bubalino de corte será somente uma vez ao ano, sobre o saldo de animais existentes após a Declaração Anual de Rebanho.

Se não receber o e-mail ou não conseguir emitir o boleto pelo site do Fundesa-RS, o que devo fazer?
Entre em contato com o Fundesa-RS pelo Whatsapp oficial 51 40421901 informando seu CPF ou envie e-mail para fundesa@fundesa.net.

Sou produtor de leite. Eu também vou pagar essa taxa pela existência?
Sim, os produtores de leite seguem pagando a contribuição sobre a produção entregue ao laticínio, para serem elegíveis à indenização por abate sanitário em razão de brucelose e tuberculose. Agora pagam também o valor por animal existente uma vez ao ano para cobertura do seguro para febre aftosa.

Se eu não pagar o boleto até a data de vencimento, o que acontece?
Após o vencimento, sobre o valor do boleto vai incidir multa de 2% e juros de 4% ao mês.

Minha propriedade pode ficar bloqueada pela falta de pagamento?
Não, o bloqueio da propriedade pode ocorrer apenas pela falta da Declaração Anual de Rebanho ou de outra obrigação sanitária.

E se eu não quiser pagar a taxa?
A contribuição de R$1,33 é uma obrigação tributária. Se o produtor não cumprir esta obrigação na forma de contribuição ao Fundesa, não terá direito, por parte do fundo, à indenização no caso de um evento sanitário.

Ao contribuir ao Fundesa, o produtor, além contar com seguro e indenização ágil, estará contribuindo para a estruturação do Serviço Veterinário, garantindo o apoio à manutenção e avanço do status sanitário do estado.

Vale lembrar que a taxa existe desde o ano 2000 e foi condição para a evolução de status sanitário do rebanho gaúcho. A partir de 2005, o produtor passou a poder optar pelo Fundesa e sua gestão privada, com a aplicação dos recursos somente para as atividades das cadeias produtivas e o fortalecimento da defesa sanitária animal. Fonte: FUNDESA 

 

Jogo Rápido

LEITE/CEPEA: Leite ao produtor fica estável em agosto; para setembro, oferta maior deve pressionar valores
Cepea, 30/09/2026 – Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que o preço médio do leite cru captado por laticínios ficou praticamente estável em agosto. Na “Média Brasil” líquida, o preço alcançou R$ 2,8869/litro, altas de 0,7% frente a julho/26 e de 9,18% em relação a agosto/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de agosto/26). A estabilidade ocorreu mesmo diante do avanço da oferta em algumas regiões. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) cresceu 3,86% de julho para agosto na “Média Brasil”, evidenciando que a produção vem se recuperando, especialmente no Sul do País. Por outro lado, a sustentação dos preços de alguns derivados e a demanda ainda relativamente firme limitaram movimentos mais intensos de baixa no período. Após dois meses de relativa estabilidade, os custos de produção da pecuária leiteira voltaram a subir em agosto. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,63% na “Média Brasil”, refletindo, principalmente, o encarecimento dos insumos utilizados na alimentação do rebanho. As valorizações do milho e da soja no mês anterior foram repassadas aos concentrados, que subiram 1,2% em agosto. Clique aqui e acesse a matéria na íntegra 
Fonte: CEPEA / Adaptado pelo Sindilat
 

 

Porto Alegre, 30 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.025


ANTT reajusta tabela do frete mínimo com diesel a R$ 7,33; novos valores valem a partir de quarta-feira

Nova tabela entra em vigor em 30 de setembro e altera o valor mínimo que deve ser pago aos caminhoneiros, conforme o tipo de carga, a distância percorrida, o número de eixos e a modalidade de contratação.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reajustou os valores da tabela de pisos mínimos de frete do transporte rodoviário de cargas. A medida consta da Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro de 2026, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União desta terça-feira (29).

Os novos valores entram em vigor nesta quarta-feira, 30 de setembro, e devem ser considerados nas operações de transporte sujeitas à tabela de frete mínimo.

A atualização utiliza o preço médio nacional do diesel S10 de R$ 7,33 por litro, registrado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre 20 e 26 de setembro.

O novo preço de referência substitui o valor de R$ 6,97 utilizado na atualização de julho. A mudança afeta os coeficientes empregados no cálculo do valor mínimo de transporte, conforme as características de cada viagem.

O que muda para os transportadores e caminhoneiros?
Na prática, os transportadores precisam consultar os novos valores antes de contratar viagens abrangidas pela tabela.

A ANTT atualizou os coeficientes de quatro modalidades de transporte:

Tabela A: transporte de carga lotação com contratação do caminhão completo ou da composição veicular.=

Tabela B: transporte de carga lotação com contratação somente do cavalo-mecânico.

Tabela C: operações de carga lotação de alto desempenho com contratação do veículo completo.
Tabela D: operações de alto desempenho com contratação apenas do cavalo-mecânico.

Os valores variam conforme o tipo de carga, o número de eixos carregados e a modalidade de contratação.

O reajuste contempla diferentes mercadorias, incluindo cargas gerais, frigorificadas, conteinerizadas, granéis sólidos e líquidos, produtos perigosos e cargas a granel pressurizadas. 

Fonte: Setcesp / Leia na íntegra


'Robôs queijeiros' viram, limpam e cuidam de queijos no RS

(Ao mesmo tempo que mantém a tradição da receita italiana, a RAR Gastronomia, unidade de negócios da RAR Agro & Indústria, de Vacaria (RS), usa robôs importados da Itália para padronizar a produção dos queijos tipo Grana. Em atividade desde 1999, os “robôs queijeiros” autônomos trabalham nas câmaras de maturação ao lado dos funcionários e realizam a movimentação e a limpeza das 32 mil formas durante o processo.

De acordo com Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, as máquinas auxiliam uma vez que cada peça sai da fábrica pesando 40 quilos e, ao longo desse período, perde peso com a redução da umidade. Além disso, atuam no processo de padronização dos produtos.

Da tradição italiana às prateleiras do Rio Grande do Sul
Sartor conta que, assim como o modo de produção, os equipamentos também vieram da Itália. Quando o projeto começou em Vacaria, no Rio Grande do Sul, não havia leite com as características necessárias para fabricar o produto nem uma estrutura capaz de reproduzir o padrão de produção italiano.

“Foi uma questão de empreendedorismo do Raul Randon. Alguém o convenceu de que poderia produzir um Grana Padano, o primeiro produzido fora da Itália, aqui em Vacaria”, conta o CEO.

Por questões de denominação de origem, Sartor explica que o produto brasileiro não pode usar o mesmo nome do italiano e, por isso, recebeu a denominação de “queijo tipo Grana”. Segundo ele, desde o início, o processo buscou reproduzir as características do produto italiano.

Para viabilizar a produção, Randon precisou começar pela criação do gado. Ele viajou até Ohio, nos Estados Unidos, e trouxe dois aviões de vacas prenhas para o Rio Grande do Sul. A partir daí, também foi necessário estruturar a alimentação dos animais que, para esse tipo de queijo, não pode incluir pasto verde, já que isso alteraria as características do produto.

A alimentação precisa permanecer igual ao longo de todo o ano para garantir a padronização do queijo. Segundo Sartor, isso permite que uma forma produzida em janeiro tenha as mesmas características de outra fabricada em junho ou setembro, inclusive na coloração.

Para isso, foram construídos galpões de confinamento, além da estrutura de ordenha e do próprio laticínio. Como esse modelo de produção ainda não existia no Brasil, os equipamentos necessários também seguiram o padrão utilizado na Itália.

O robô na missão de padronizar a produção
Sartor explica que os robôs queijeiros fazem parte do processo desde o início da produção do queijo tipo Grana no Brasil. A tecnologia ajuda a não só manter o padrão de fabricação, mas também a qualidade inspirado no modelo italiano.

A produção ocorre diariamente. Como o queijo é feito com leite cru, o CEO explica que o leite não pode ser armazenado nem pasteurizado antes da fabricação. Por isso, a produção acompanha diariamente a disponibilidade do leite.

A maturação também exige cuidados específicos. As formas ficam apoiadas em prateleiras de madeira de pinho ou araucária, que não podem ter nós para não marcar o queijo. As peças permanecem nessa posição durante, no mínimo, 12 meses, e a madeira faz parte dos detalhes do processo de fabricação.

Ao todo, sete robôs atuam na movimentação e na manutenção das formas. Dois colocam os queijos nas prateleiras, enquanto os outros cinco retiram as peças para realizar o processo de manutenção. Os equipamentos escovam tanto o queijo quanto a tábua onde ele está apoiado e, em seguida, viram a forma antes de recolocá-la na prateleira.

A frequência das viradas varia conforme o estágio de maturação. Até o quarto mês, os queijos passam pelo processo praticamente uma vez por semana. Entre o quarto e o oitavo mês, a frequência cai para cerca de duas vezes por semana. A partir do oitavo mês, as viradas ocorrem aproximadamente a cada 20 dias.
Sartor conta ainda que cada robô dos modelos mais novos consegue virar duas formas ao mesmo tempo.

“Antigamente, quando iniciamos os robôs, cada um virava um queijo. Agora, o mesmo vira, ao mesmo tempo, dois queijos. Ele pega um na prateleira de cima e outro de baixo”, afirma
No ritmo da produção, o executivo estima cerca de 1,5 milhão de viradas de queijo por ano. “Então, um robô faz o trabalho de dois. A própria tecnologia vai evoluindo e dando mais agilidade ao processo”, diz.

A legislação brasileira e a manutenção
Além da padronização, Sartor afirma que os robôs também ajudam a atender às exigências da legislação de ergonomia. As prateleiras que armazenam os queijos são altas, enquanto cada forma recém-produzida pesa cerca de 40 quilos. Com a perda de umidade durante a maturação, o peso chega a aproximadamente 35 quilos.

“O trabalhador tem limitações de carga. No caso do homem, são 23 quilos que um homem pode carregar. Então, o robô faz esse papel, que é fundamental até para atender à legislação trabalhista que nós temos hoje, dentro do Ministério do Trabalho”, explica
As máquinas mais antigas continuam em funcionamento, embora apresentem produtividade menor em comparação com os modelos novos. Segundo o CEO, a manutenção e as adaptações permitem preservar a performance de cada equipamento dentro das limitações de seu modelo.

Parte das adaptações também ocorreu para atender às exigências da legislação trabalhista brasileira. Sartor afirma que, em algumas atividades, as regras no Brasil são mais rigorosas do que na Europa. Segundo ele, isso aumenta a proteção e a segurança dos trabalhadores.

Enquanto as máquinas mais antigas conseguem virar uma forma de queijo por vez, os equipamentos novos são capazes de movimentar duas simultaneamente, o que aumenta a agilidade do processo.

A expectativa, segundo Sartor, é que novos modelos sejam desenvolvidos no futuro com capacidade para virar três formas ao mesmo tempo, ampliando a agilidade da produção.
Fonte: Globo Rural

 
Uruguai vincula cota de carne a conflito sobre leite em pó no BrasilO conflito em torno das exportações de leite em pó do Uruguai para o Brasil ganhou um novo elemento, desta vez ligado ao comércio de carne bovina com a China.

O secretário da Presidência do Uruguai, Alejandro Sánchez, afirmou que a disposição do país em permitir que o Brasil gerencie o acesso a parte do volume da cota de carne uruguaia que, de outra forma, ficaria sem uso, pode ser comparada à intervenção política do Brasil durante o processo antidumping sobre produtos lácteos.

A explicação gerou debate no Uruguai, enquanto o procedimento comercial relativo ao leite em pó permanece em aberto no Brasil.

O que o leite em pó tem a ver com a quota de carne?
A China concedeu ao Uruguai uma quota de 324.000 toneladas de carne bovina para 2026 , com acesso sob condições tarifárias preferenciais.

O governo uruguaio acredita que a indústria não conseguirá concluir esse volume antes do final do ano. Brasil e Austrália manifestaram interesse em utilizar parte do restante da oferta.

Sánchez apresentou a disposição em relação ao Brasil como um gesto dentro da relação bilateral e a relacionou às ações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva durante o conflito sobre as importações brasileiras de leite em pó.

No entanto, o Uruguai não pode transferir essa cota unilateralmente . Qualquer realocação depende de uma decisão do Ministério do Comércio da China, e nenhuma autorização final foi concedida até o momento.

O Brasil estabeleceu taxas antidumping, mas não as está cobrando.
O precedente no setor lácteo começou com uma investigação brasileira sobre a importação de leite em pó do Uruguai e da Argentina.

A Resolução nº 907 da Gecex, publicada em junho, estabeleceu direitos antidumping definitivos sobre certas importações de leite em pó integral e desnatado de ambos os países.

Para a Conaprole, o Brasil fixou uma taxa de US$ 613,32 por tonelada . Para outras empresas uruguaias, os valores estabelecidos foram diferentes.

A mesma resolução, no entanto, ordenou a suspensão imediata da aplicação desses direitos por razões de interesse público , pelo que não estão atualmente a ser cobrados.

O Brasil mantém um processo aberto de avaliação do interesse público antes de adotar uma definição mais precisa.

O Uruguai questiona a investigação brasileira.
A existência de uma determinação antidumping brasileira não significa que o Uruguai a aceite.

Na última reunião do Grupo do Mercado Comum do Mercosul, Uruguai e Argentina questionaram tanto a magnitude dos direitos estabelecidos quanto aspectos do procedimento utilizado pelo Brasil.

A Conaprole também sustentou que a investigação foi irregular e levantou objeções quanto à sua compatibilidade com as normas do comércio internacional. Esses são argumentos das partes uruguaias , enquanto a autoridade brasileira mantém formalmente a resolução que estabeleceu as tarifas, embora sua aplicação esteja suspensa.

Portanto, não se pode afirmar com certeza que o Uruguai pratica dumping, mas também não se pode afirmar que a investigação tenha concluído o contrário.

O debate que agora transcende os setores da carne e dos laticínios.
A coluna publicada pelo jornal Todo El Campo questionou a vinculação feita pelo governo entre os dois assuntos e argumentou que a competitividade da pecuária leiteira uruguaia se deve à sua eficiência produtiva.

O governo, por outro lado, apresentou a possível disponibilidade da cota de carne como parte de uma lógica de cooperação com o Brasil.

A discussão surge num momento em que a quota chinesa permanece sem uma realocação aprovada e o processo antidumping sobre o leite em pó também não foi encerrado .

Para a indústria de laticínios uruguaia, a questão central continua sendo o Brasil: embora a aplicação da Resolução 907 permaneça suspensa, as exportações podem continuar sem a cobrança de tarifas adicionais, mas persiste a incerteza quanto às futuras condições comerciais.

Fonte: Todo El Campo tradução livre Sindilat/RS


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Menor oferta mantém preços firmes no mercado interno
Cepea, 28/09/2026 – Os preços da soja seguem firmes no mercado brasileiro, sustentados pela menor oferta. Segundo o Cepea, produtores estão resistentes a negociar grandes volumes tanto para entrega imediata, remanescentes da safra 2025/26, quanto para contratos a termo da temporada 2026/27. Pesquisadores do Cepea destacam que, além disso, preocupações quanto ao clima e aos possíveis impactos do El Niño no desenvolvimento da nova safra e a valorização do dólar frente ao Real também sustentaram os valores. No cenário internacional, de acordo com o Cepea, especulações sobre acordos entre a China e os Estados Unidos elevaram as cotações da soja nos últimos dias, e a valorização do farelo também contribuiu para dar suporte à oleaginosa. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)
 

 

Porto Alegre, 29 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.024


Conseleite/RS projeta valor de referência do leite em R$ 2,3910 para setembro

O valor de referência projetado para o leite no Rio Grande do Sul em setembro de 2026 é de R$ 2,3910 por litro. A previsão, divulgada nesta terça-feira (29/09) pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS), representa redução de 0,90% em relação ao projetado para agosto, de R$ 2,4128. A projeção considera os dados dos primeiros 20 dias de setembro.

O valor consolidado de agosto ficou em R$ 2,4189 por litro, queda de 1,39% frente a julho, quando a referência foi de R$ 2,4529. Os indicadores são elaborados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base em dados de comercialização fornecidos pelas indústrias lácteas. A partir deste mês, os valores passam a utilizar oficialmente os parâmetros atualizados em 2025 pela Câmara Técnica (Camatec).

“O que preocupa neste momento não é apenas a redução do preço do leite, mas a compressão das margens ao longo da cadeia. Temos aumento da oferta de leite no campo, importações elevadas e preços dos derivados sinalizando queda, enquanto os fatores climáticos também impactam a produção e a logística”, afirma Kaliton Prestes, coordenador do Conseleite.

A reunião também abordou os impactos dos temporais recentes sobre a produção e a logística, com danos em lavouras e infraestrutura e dificuldades de acesso às propriedades e de transporte do leite. A disponibilidade e o custo do diesel também foram citados como fatores de pressão sobre os custos da cadeia.

Flexibilização
Diante das dificuldades de acesso às propriedades em função do temporal, o Conseleite decidiu buscar junto ao Mapa uma flexibilização temporária das regras referentes ao prazo de 48 horas para a coleta. Atualmente, empresas que realizam a coleta do leite fora desse prazo, para evitar perdas nas propriedades afetadas pelas condições climáticas, estão sujeitas a multas. O Sindilat já vem tratando da flexibilização da regra junto ao Mapa. O conselho deverá solicitar uma medida excepcional semelhante à adotada em 2024.

Fonte: Jardine Comunicação


CONSELEITE SANTA CATARINA
RESOLUÇÃO Nº 9/2026
 
A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 25 de Setembro de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Agosto de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Setembro de 2026. 
 

 

Períodos de apuração
Mês de Agosto/2026: De 03/08/2026 a 30/08/2026
Parcial Setembro/2026: De 31/08/2026 a 20/09/2026

O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão. As informações são do Conseleite/SC

 

“As proteínas do leite terão um papel cada vez mais importante”, projeta analista

Com forte peso na economia gaúcha, o setor do leite acompanha de perto os movimentos do mercado, do consumo e das condições de produção. Para discutir os cenários que se desenham para o setor, o analista sênior de mercado do Rabobank Andrés Padilha, um dos palestrantes do evento, falou sobre as perspectivas para produtores e indústria para o Campo e Lavoura da Rádio Gaúcha. 

Qual a perspectiva para o setor de lácteos?
No médio e longo prazo, muito positiva. É uma atividade que continuará crescendo. O consumo está apontando que há potencial grande ainda para ampliar as vendas de lácteos, e o Rio Grande do Sul seguirá sendo um dos polos principais de produção no país. 

O consumo de itens como o whey protein aparece como tendência. De que forma isso deve impactar a atividade?

Sem dúvida, essa é uma direção da nutrição. As pessoas estão procurando maior densidade de alimentação, de calorias, mas com proteína e qualidade.

E toda a teoria científica e de nutrição está indo nessa direção, falando que se precisa de alimentos densos em proteína e que consigam entregar uma saciedade maior ao consumidor.

Nesse sentido, as proteínas do leite terão um papel cada vez mais importante. Olhando a indústria de alimentos, a inovação de muitos produtos está indo nessa direção.

A predominância, no entanto, segue sendo do leite longa vida?
Das vendas de lácteos, cerca de 70% é de leite UHT e queijo muçarela, que seriam "as commodities".

Os 30% restantes estão nos outros produtos. Até por um tema de renda e capacidade de compra, esses produtos continuarão sendo muito importantes no volume, mas a aposta é de que o consumidor, aos poucos, vai migrando para produtos de maior valor agregado, que entreguem essa nutrição a mais. Até porque as tendências demográficas também estão mudando.

O brasileiro está ficando mais velho, as famílias tendo menos filhos, tem muita gente morando sozinha e, tudo isso, aponta a um consumo menor, por exemplo, de leite UHT ou até de, aos poucos, outros produtos que dependem desse consumo massivo familiar, como seria o queijo muçarela.

E as pessoas começam a procurar produtos que entregam uma nutrição mais específica, de proteína, de vitaminas, de nutrição, de cálcio e com uma funcionalidade maior, né? É uma mudança gradativa, mas que já está acontecendo.

Como avalia o momento atual, depois de um 2025 de quedas expressivas no preço ao produtor?
Em termos gerais, o consumidor brasileiro está passando por um momento com alguns desafios. Apesar dos dados mostrarem que o desemprego está nas mínimas históricas dos últimos 20 anos, a capacidade de compra tem sido impactada por alguns fatores. Por um lado, temos endividamento das famílias perto de patamares recordes. As bets têm tirado, infelizmente, renda e poder de compra.

Por outro lado, temos uma inflação que é relevante, mas muitos itens como educação, alimentação no domicílio, crescem a velocidades maiores. Então, a realidade do consumidor brasileiro é de que a maioria está empregado, mas com poder de compra comprometido. Então, tem dificuldades para aumentar o consumo de alimentos e a qualidade na alimentação.

Nesse cenário, a tendência de produtos de maior valor agregado não parece contraditória?
Esperamos que a inflação comece a se acomodar nos próximos seis a 12 meses. É gradativo, mas poderia ajudar. O fato é que o consumidor começa a fazer essas escolhas dependendo da necessidade dele.

Começa a perceber que precisa de alimentos mais densos em nutrição, em proteína, e aí vai procurar mais esses lácteos.

Mesmo que a renda real não apresente um crescimento tão relevante, o comportamento do consumidor deveria ou já está indo nessa direção aos poucos. É lógico que em momentos de crescimento econômico forte, de inflação moderada, aí sim poderemos ver um aumento mais forte da demanda.

Quais são os desafios dessas transições de demanda que estão vindo do mercado?
O produtor de leite mostra muita resiliência nos últimos anos e, em regiões que foram mais impactadas pelo clima, como no Rio Grande do Sul, merece um reconhecimento por isso.

De fato, estamos vendo que quem está investindo mais em eficiência, tecnologia, são os que estão crescendo e se consolidando mais na atividade. Alguns desafios que apontaria são, por exemplo, o custo da mão-de-obra, da alimentação dos animais.

E como devem ficar os preços?
Houve uma alta bem relevante ao longo deste ano e voltamos a um patamar próximo do que tínhamos em meados de 2025. Hoje, vemos um equilíbrio um pouco maior entre oferta e demanda.

O produtor diminuiu o ritmo de crescimento, sem dúvida, ao longo deste ano. Mas tem possibilidade de algumas quedas adicionais nos próximos meses, também porque o Brasil entra neste momento de maior produção no final do ano. E, claro, vamos ver os impactos do El Nino também. 

Fonte: Gaúcha Zero Hora, Campo e Lavoura (Clique aqui para escutar o podcast na íntegra)


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Cotações têm leves ajustes em meio à cautela de agentes
Cepea, 28/09/2026 – Os preços do milho no mercado brasileiro registraram apenas pequenos ajustes na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea nos últimos dias. De modo geral, compradores e vendedores vêm mantendo postura cautelosa. De acordo com o Centro de Pesquisas, após chuvas excessivas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, agricultores têm avançado com a semeadura, ao mesmo tempo em que seguem preocupados com o clima para os próximos meses, devido aos possíveis impactos do El Niño. Neste contexto, produtores limitam a oferta para negociações no spot. Pesquisadores do Cepea destacam que, no entanto, a demanda é pontual, pois consumidores relatam ter estoques para o curto prazo. Além disso, eles acreditam que, com a maior disponibilidade atual, a exportação em ritmo lento e os trabalhos de campo avançando nas áreas brasileiras e nos Estados Unidos, produtores possam ter necessidade de venda nas próximas semanas. Consequentemente, isso poderia aumentar o volume de mercadoria disponível para negociações e pressionar os valores. 
Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)
 

 

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Porto Alegre, 28 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.023


Rabobank prevê crescimento mais lento do mercado de leite e pressão sobre os preços dos produtos lácteos.

O mercado internacional de laticínios poderá entrar numa fase de crescimento mais lento da produção de leite, após um período de expansão da oferta nas principais regiões exportadoras.

De acordo com o último relatório trimestral da RaboResearch, divisão de pesquisa do Rabobank, a produção de leite nas sete principais regiões exportadoras deverá aumentar apenas 0,5% em relação ao ano anterior durante o segundo semestre de 2026.

Para o primeiro semestre de 2027, o banco projeta um volume praticamente estável. Caso esse cenário se concretize, o crescimento mais lento da oferta poderá contribuir para sustentar os preços internacionais dos laticínios.

Os custos reduzem as margens de lucro dos produtores.
O Rabobank identifica a deterioração das margens como um dos fatores que podem limitar a expansão da produção.

Embora os preços do leite permaneçam favoráveis ​​em diversas regiões, o aumento dos custos com ração, energia, fertilizantes e transporte reduziu a rentabilidade em comparação com o início do ano.

Segundo a análise, essa situação pode levar os produtores a adiarem investimentos ou a adotarem uma postura mais cautelosa em relação à expansão de seus rebanhos.

O impacto não será uniforme. A Europa enfrenta restrições estruturais ao aumento da sua produção, enquanto no Hemisfério Sul, os padrões climáticos desempenharam um papel significativo nos próximos meses.

O fenômeno El Niño aumenta a incerteza no fornecimento de leite.
O relatório indica que o fenômeno El Niño representa um risco para a produção leiteira no hemisfério sul devido aos seus potenciais efeitos na disponibilidade de água, ração e condições das fazendas.

O Rabobank alerta que, se as condições climáticas afetarem as colheitas e as margens dos produtores continuarem a deteriorar-se, o crescimento da oferta poderá desacelerar mais do que o previsto.

Nesse caso, a menor disponibilidade de matérias-primas poderia gerar um mercado mais restrito e exercer pressão ascendente sobre os preços internacionais dos laticínios durante 2027.

Este é um cenário condicional: o relatório não afirma que a produção cairá em todas as regiões ou que todos os produtos lácteos registraram aumentos de preço.

A Ásia e as proteínas lácteas sustentam as perspectivas de demanda.
Do lado da demanda, a RaboResearch vê perspectivas favoráveis ​​para o leite em pó e as proteínas lácteas, com o mercado asiático como um dos principais focos de atenção.

O banco observa que a China está mostrando sinais de estabilização, enquanto o consumo no Sudeste Asiático mantém um ritmo de crescimento.

O estudo também identificou um maior interesse por alimentos ricos em proteínas, associado a mudanças nas preferências nutricionais e nos hábitos de consumo.

Essa tendência pode favorecer os produtos lácteos com maior teor de proteína, embora seu impacto comercial dependa da evolução da demanda em cada mercado e da capacidade dos consumidores de arcar com os preços.

O que poderá acontecer aos preços dos laticínios em 2027?
Segundo o Rabobank, a evolução do mercado será determinada pela combinação da oferta de leite, custos de produção, clima e demanda internacional.

Um crescimento mais lento da produção nas principais regiões exportadoras pode limitar os volumes disponíveis para o comércio e sustentar os preços. No entanto, uma demanda mais fraca ou uma recuperação da oferta podem alterar esse cenário.

O relatório sugere, portanto, uma transição de um período de expansão da produção para um de maior incerteza, no qual as decisões dos produtores e as condições climáticas desempenharam um papel central.
Fonte: Ámbito - tradução livre Sindilat/RS


Leite em pó: Uruguai e Argentina exigem que o Brasil encerre o processo antidumping

As exportações de leite em pó do Uruguai e da Argentina para o Brasil permanecem sujeitas a um procedimento comercial cujo resultado ainda não foi definido, embora a cobrança de direitos antidumping continue suspensa.

O Uruguai manifestou suas preocupações durante a reunião do Grupo do Mercado Comum do Mercosul, realizada nos dias 9 e 10 de setembro em Montevidéu. A delegação argentina apoiou a reivindicação e salientou que a ausência de uma resolução definitiva gera incerteza para as empresas exportadoras.

A questão envolve a indústria de laticínios em ambos os países. No Uruguai, uma das empresas alvo da investigação é a Conaprol, para a qual o Brasil representa um mercado significativo de leite em pó.

O Brasil suspendeu os direitos, mas o processo continua.
A Resolução Gecex nº 907, de 3 de junho de 2026, estabeleceu direitos antidumping definitivos sobre certas importações brasileiras de leite em pó integral e desnatado, não fracionado, provenientes do Uruguai e da Argentina.

No entanto, a mesma resolução suspendeu sua aplicação por razões de interesse público. Isso significa que as taxas foram estabelecidas, mas não estão sendo cobradas enquanto a suspensão estiver em vigor.

Posteriormente, o Brasil iniciou uma avaliação de interesse público para determinar como essas medidas continuarão a ser implementadas. Portanto, a suspensão da cobrança não equivale ao encerramento definitivo do caso.

Uruguai e Argentina pedem uma solução definitiva.
Durante a reunião do Mercosul, o Uruguai solicitou ao Brasil esclarecimentos sobre os prazos para a avaliação e a elaboração dos relatórios técnicos necessários para avançar rumo a uma decisão.

A Argentina apoiou a proposta. Ambas as delegações questionaram as taxas estabelecidas, tanto em termos de seus valores quanto de aspectos do procedimento de investigação, segundo a ata citada pela Búsqueda. Essas objeções foram levantadas pelos países exportadores, e não se tratava de uma anulação das medidas pelo Brasil.

O Uruguai também destacou a continuidade do diálogo com as autoridades brasileiras e expressou sua intenção de chegar a uma solução duradoura para o comércio de leite em pó.

Outubro terá duas datas importantes.
De acordo com o cronograma comunicado pelo Brasil durante a reunião, a avaliação de interesse público inclui as seguintes etapas:

2 de outubro de 2026: conclusão da fase probatória.

26 de outubro de 2026: Data limite para o envio das contribuições finais das partes interessadas.

O Departamento de Defesa Comercial terá então 20 dias, prorrogáveis ​​por mais 20, para preparar sua nota técnica. A Secretaria de Comércio Exterior terá então cinco dias, também prorrogáveis, para apresentar sua recomendação ao órgão competente.

Esses prazos não constituem uma data confirmada para a resolução final, visto que a deliberação correspondente ainda estará pendente.

O que está em jogo para a indústria de laticínios?
O Brasil é um destino fundamental para as exportações de leite em pó do Mercosul. A possibilidade de tarifas adicionais é um fator que as empresas devem considerar ao planejar suas operações comerciais.

Embora a suspensão permaneça em vigor, os direitos antidumping estabelecidos na Resolução 907 não estão sendo cobrados. No entanto, exportadores uruguaios e argentinos buscam esclarecimentos sobre as condições comerciais sob as quais poderão operar a longo prazo.

A próxima etapa da avaliação brasileira será crucial para determinar se a suspensão será mantida, modificada ou se outra decisão será tomada em relação às medidas.

Fontes: Búsqueda - tradução livre Sindilat/RS

CONSELEITE MINAS GERAIS CONSELHO PARITÁRIO DE PRODUTORES E INDÚSTRIAS DE LEITE DE MINAS GERAIS  

RESOLUÇÃO SETEMBRO/2026 

 A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 25 de Setembro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: 

a) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Agosto/2026 a ser pago em Setembro/2026.

b) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Setembro/2026 a ser pago em Outubro/2026. 

Nota Técnica:
O Valor Base de Referência corresponde à capacidade de pagamento da indústria pelo leite,
considerando os seguintes parâmetros de volume e qualidade: produção de 160 litros/dia,
Contagem de Células Somáticas (CCS) de 400 mil células/mL, Contagem Padrão em Placas (CPP) de 100 mil UFC/mL, teor de gordura de 3,30% e teor de proteína de 3,10%.

Atenção:
A Câmara Técnica do Conseleite MG está conduzindo a revisão dos parâmetros que compõem
os valores de referência do Conseleite MG, com conclusão prevista para breve.

Após a conclusão desse processo, o Valor Base de Referência deixará de ser publicado pelo
Conseleite MG, permanecendo inalterada a divulgação das demais categorias da tabela de valores de referência.

 

Períodos de apuração:
Mês de Agosto/2026: De 01/08/2026 a 31/08/2026
Parcial de Setembro/2026: De 01/09/2026 a 20/09/2026

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada
leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil
células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% do Funrural.

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA

O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio
e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima.

Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o
volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.

 

Jogo Rápido

Associados do Sindilat RS têm 10% de desconto no Dairy Vision
Associados do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) têm 10% de desconto na inscrição para o Dairy Vision. Marcado para acontecer nos dias 27 e 28 de outubro, em Atibaia (SP), no Bourbon Resort, o evento reúne profissionais, especialistas e representantes de empresas do setor de lácteos para discutir tendências, desafios e oportunidades para o segmento.  A programação da iniciativa aborda temas relacionados à inovação, gestão, mercado, tecnologia e às transformações da cadeia leiteira, promovendo um espaço para atualização e troca de conhecimentos entre os participantes. Para garantir o desconto exclusivo, os associados devem realizar a inscrição clicando aqui. Criado em 2015 pela MilkPoint Ventures, é um dos principais fóruns de discussão, tendências e estratégia da cadeia láctea no Brasil e no mundo. Líderes de vários países se reúnem para antecipar movimentos, qualificar decisões e implementar estratégias para o setor. Fonte: Jardine Comunicação


 

Porto Alegre, 25 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.022


Propriedades precisam trabalhar com gestão de risco

Gerenciar riscos de forma profissional é o caminho para a estabilidade financeira nas propriedades leiteiras. Suscetível às imprevisibilidades climáticas, de preços, e oscilações de custos de produção, produtores precisam de estratégias capazes de proteger suas margens. O tema será o foco da palestra da analista de mercado da Stone x, Marianne Tufani, que participará do Milk Summit, no dia 14 de outubro, em Ijuí. 

Segundo ela, a proposta não é tentar antecipar exatamente as imprevisibilidades do mercado, mas trabalhar com diferentes possibilidades e, principalmente, considerar os cenários que poderiam trazer maiores impactos financeiros. “Meu objetivo não é tentar adivinhar o mercado, mas pensar no pior cenário possível. porque é ele que acaba prejudicando a margem de pecuarista”, explica. Nesta entrevista, Marianne Tufani explica um pouco mais sobre como implementar um projeto de gestão de risco nos tambos leiteiros.

Quais caminhos o produtor rural deve adotar na prática para proteger sua produção?
Marianne Tufani - O primeiro passo é ter previsibilidade. Isso significa conhecer seus custos e definir margens alvo. A partir daí, o produtor pode utilizar ferramentas de proteção de custos e preços, como contratos futuros, que são instrumentos de hedge, para travar parte da sua produção quando as margens forem consideradas atrativas.

É importante lembrar que gerenciamento de risco não significa acertar o melhor preço do mercado, mas reduzir incertezas e garantir maior segurança para o planejamento, os investimentos e a sustentabilidade do negócio no longo prazo. Essa mudança de mentalidade, de parar de especular e começar a planejar, é o que normalmente diferencia os produtores mais resilientes dos demais.

Quais as potencialidades para o produtor de leite usar o mercado futuro para proteger suas operações? Há como fazer isso com o leite fluído ou apenas com a compra de insumos?
Marianne Tufani - Uma das grandes evoluções do mercado brasileiro é justamente permitir que o produtor de leite passe a gerenciar risco de preço da mesma forma que já acontece com diversas outras commodities. 

Hoje, a proteção não precisa ficar restrita apenas aos insumos. Com os contratos futuros de leite ao produtor, já é possível realizar hedge e reduzir a exposição às oscilações do mercado. Isso permite ao produtor construir uma margem mais previsível, especialmente em momentos de maior volatilidade.

Além da proteção da receita, também existe espaço para gerenciar os custos da atividade. Muitos produtores já acompanham e, em alguns casos, protegem preços de milho, farelo de soja e outros insumos que compõem a alimentação animal. Quando olhamos receita e custos em conjunto, passamos a falar de proteção de margem, que é uma abordagem ainda mais completa de gestão de risco.

Ao seu ver, qual o futuro para a gestão das propriedades rurais que operam com leite no Brasil?

Marianne Tufani - Em relação ao futuro da gestão das propriedades leiteiras no Brasil, caminhamos para uma profissionalização cada vez maior. As fazendas tendem a ser administradas com foco crescente em indicadores econômicos, planejamento financeiro, gestão de riscos e uso de dados para tomada de decisão. 

Assim como grandes indústrias e cooperativas já utilizam ferramentas para controlar a exposição a preços, vejo os produtores incorporando gradualmente essas práticas ao seu dia a dia.

O produtor do futuro não será apenas um excelente técnico na produção de leite. Ele também precisará atuar como gestor, acompanhando custos, margens, produtividade e estratégias de comercialização. Nesse cenário, ferramentas de proteção de preços ganham cada vez mais relevância, contribuindo para a sustentabilidade e a competitividade da atividade no longo prazo.

O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí. 

O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Laticínios Frizzo e Apoio: Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil.
Fonte:Sindilat/RS


Lactalis: Itambé prepara lançamento de doce de leite zero açúcar e zero lactose

A Itambé, marca pertencente à Lactalis, prepara a chegada de uma nova versão de seu tradicional doce de leite ao mercado. Publicações recentes de colaboradores da companhia no LinkedIn revelaram imagens do Itambé Zero, produto que amplia o portfólio da marca na categoria de doces de leite.

De acordo com as informações apresentadas nas publicações, o lançamento combina zero adição de açúcares, zero lactose e 40% menos calorias em comparação com o doce de leite de colher convencional da Itambé. A proposta reúne, assim, atributos voltados a consumidores que buscam reduzir o consumo de açúcar e calorias ou que têm restrição à lactose.

As imagens divulgadas mostram o produto em embalagem própria e indicam que a novidade deve chegar ao varejo em breve. A companhia, no entanto, ainda não divulgou oficialmente detalhes sobre a data de lançamento, distribuição ou posicionamento comercial do produto.

A novidade acompanha um movimento de ampliação das opções disponíveis na categoria de doce de leite, com produtos que incorporam diferentes apelos nutricionais para atender a demandas específicas dos consumidores. No caso do Itambé Zero, a combinação de zero adição de açúcares e zero lactose diferencia a nova versão dentro do portfólio atual da marca. Fonte:Milkpoint

Informativo Conjuntural 1938 de 24 de setembro de 2026BOVINOCULTURA DE LEITE

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Campanha, o vendaval ocorrido na noite de 20/09 (domingo) comprometeu as atividades de ordenha e de resfriamento do leite em algumas propriedades que não dispõem de geradores de energia. Até a tarde de 22/09 (terça-feira), muitas propriedades ainda estavam sem energia elétrica em Aceguá. Os volumes elevados de chuva também afetaram as condições dos corredores e os acessos às salas de ordenha e às áreas de alimentação. 

Na Fronteira Oeste, os volumes de precipitação foram menos significativos, sem maiores transtornos relacionados ao acúmulo de barro. 

Em Manoel Viana, após algumas semanas de queda de produção por redução na oferta e na qualidade das pastagens de aveia e azevém, há expectativa de estabilização. 

Na de Erechim e Frederico Westphalen, o excesso de umidade e o acúmulo de barro elevaram o risco de mastite e de problemas de casco, reforçando a necessidade de cuidados com a higiene na ordenha.  

Na de Ijuí, observa-se pequena redução na produção de leite. Nos sistemas confinados, a produtividade não apresentou alterações.  

Na de Pelotas, os agricultores intensificaram o uso de silagem, de concentrados e de outras estratégias de suplementação alimentar. Os produtores estão alertas à ocorrência de mastite e a outros problemas associados às condições ambientais, as quais também têm favorecido a incidência de carrapatos e de casos de tristeza parasitária bovina, exigindo maior acompanhamento e adoção de medidas de controle.  

Na de Santa Maria, a condição nutricional dos rebanhos leiteiros está regular. As matrizes têm sido manejadas em áreas de pastagens de inverno, que, devido ao final de ciclo, sofrem redução gradual de valor nutricional e de capacidade de atender às exigências das vacas em lactação. Esse cenário aumenta a necessidade de atenção à oferta e à qualidade da alimentação, especialmente durante a transição para o período de menor disponibilidade de forragem. 

Na de Santa Rosa, os produtores seguem realizando suplementação alimentar com silagem e concentrados, especialmente para vacas em pico de lactação.  
Fonte: Emater/RS

 

Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA (DE 24 A 27 DE SETEMBRO)
Na próxima semana, o tempo deverá oscilar entre condições estáveis e instáveis em todo o território gaúcho. A partir do dia 25/09, as temperaturas deverão apresentar elevação em todo o Rio Grande do Sul. Entre 26/09 (sábado) e 27/09 (domingo), os efeitos da circulação atmosférica ajudarão a transportar umidade e favorecer condições de instabilidade e aumento da nebulosidade sobre o território gaúcho, com previsão de chuva principalmente na Metade Sul. Entre 28 (segunda-feira) e 29/09 (terça-feira), a passagem de uma nova frente fria deverá manter as condições de instabilidade sobre o Rio Grande do Sul, com previsão de chuva em todas as regiões do Estado. Entre 27 e 29/09, também há possibilidade de ocorrência de rajadas de vento em algumas localidades. No dia 30/09 (quarta-feira), o sistema começará a se afastar, e o tempo deverá voltar a ficar estável em todo o Rio Grande do Sul, sem previsão de chuva significativa e com queda nas temperaturas. Fonte: Emater/RS (Adaptado pelo Sindilat/RS)


 

Porto Alegre, 24 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.021


Mercado para todos: Pequeno, regional, produtivo e muito lucrativo

O mercado lácteo brasileiro tem lugar para todos. É possível produzir em pequena escala  para atender ao consumo regional e, mesmo assim, ser competitivo e construir um negócio muito lucrativo.

O conceito é a tônica da palestra do economista e pesquisador, Paulo do Carmo Martins. Ex-diretor da Embrapa, ele abordará os rumos da competitividade no setor lácteo, independentemente do porte ou tamanho da propriedade na palestra “O futuro do leite chegou, e agora?”, prevista para ocorrer no dia 14 de outubro durante o Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS). 

Para se diferenciar mesmo com um porte menor, é preciso reduzir custos e aumentar produtividade, mantendo foco na excelência de processos e qualidade.

“Não dá para ser um produtor sem negociar, muito se fala da produção e pouco dos negócios”, pontuou o especialista. Durante sua palestra em Ijuí, ele contará a história de dois jovens, Antônio e João. Eles são da mesma idade, mesma escolaridade e moram no mesmo município.

Ambos resolvem empreender. Antônio quer fazer a vida como produtor de leite. Já João, como dono de laticínios.

A história avança, as dificuldades vêm e ao final, o consultor promete uma conclusão inusitada. “Os produtores estão evoluindo a olhos vistos. Conversam entre si, buscam informações técnicas e econômicas”, frisou. 

Setorialmente, diz Paulo Martins, é preciso desatrelar as vendas do leite do mercado de commodity e buscar maior valor agregado. “Os produtores precisam ser melhor remunerados, o setor precisa encontrar novas estratégias de comercialização”, disse, reforçando que encontros como o Milk Summit são importantes para unir produtor e indústria em um único objetivo. E disse mais: “Precisamos de experiências externas para resolver os problemas. Apresentar visões diferentes vindas de outros países traz muita riqueza”, recomendou.

O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.

O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Laticínios Frizzo e Apoio: Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil. Fonte: Sindilat/RS


Episódios de chuva mais frequentes são previstos para a primavera no RS

Boletim de Agrometeorologia prevê os efeitos do El Niño sobre o Estado pode trazer tempestades, rajadas de vento forte e queda de granizo

A primavera começou oficialmente na terça-feira (22) no Hemisfério Sul e termina no dia 21 de dezembro. O período será marcado pela forte influência do El Niño na região Sul do Brasil, segundo o Boletim 79 do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs). O documento, coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), indica condições favoráveis ao excesso de chuvas.

Os maiores volumes são previstos para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde os acumulados podem superar a média histórica do trimestre em até 200 milímetros.O RS deve registrar temperaturas próximas da média, com a região Sul do Estado podendo apresentar anomalias negativas de até 0,5°C.

El Niño
Neste ano, segundo o Boletim, a estação ocorre sob influência do El Niño, que deverá atingir intensidade muito forte, fenômeno que historicamente favorece chuvas bem acima da média no Rio Grande do Sul, especialmente durante a primavera. Seus efeitos costumam ser mais evidentes em outubro e novembro, período em que o sinal do fenômeno sobre a precipitação é climatologicamente mais forte no Estado, ocorrendo também, de forma mais irregular, nos meses de verão.

“Esse padrão está associado ao fortalecimento do jato subtropical e dos jatos de baixos níveis, que intensificam o transporte de calor e umidade da região amazônica em direção aos subtrópicos”, informou o documento.

Culturas
Ao longo do trimestre, são esperados episódios de chuva mais frequentes e, por vezes, intensos em todo o Estado, com maior destaque para as regiões norte e oeste. Também podem ocorrer períodos de tempestades, rajadas de vento forte e queda de granizo, associados à atuação de áreas de instabilidade, frentes frias, sistemas de baixa pressão e ciclones extratropicais.

Em algumas situações, sistemas frontais podem apresentar deslocamento lento ou permanecer semiestacionários entre a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e o Sul do Brasil, favorecendo precipitações persistentes e acumulados elevados.

A condição de chuvas frequentes e, por vezes, volumosas, associada a temperaturas próximas à média e acima dela, tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de verão. Além da produção de grãos, as pastagens também poderão ser beneficiadas, desde que apresentem condições adequadas de nutrição, favorecendo o rebrote e a disponibilidade de massa verde para a alimentação dos animais, ainda segundo análise do Boletim de Agrometeorologia.

Menor radiação
Contudo, a menor incidência de radiação ao longo do período poderá trazer desafios para o planejamento do plantio da safra 2026/27. A ocorrência de chuvas frequentes reduz os intervalos favoráveis para o manejo das lavouras e dificulta a entrada de máquinas nas áreas agrícolas. Esse cenário tende a comprometer a uniformidade de emergência das plantas e reduzir o estande das lavouras de soja e milho de primeira safra, fator importante para a produtividade final dessas culturas.

Nas áreas de cultivo de arroz irrigado, as condições tendem a ser mais desafiadoras, principalmente devido à existência de áreas com drenagem deficiente. A combinação de solos com menor capacidade de drenagem e elevados acumulados de chuva poderá provocar excesso de água no solo e comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das lavouras.

Indicações Técnicas
Manter o solo coberto, evitando ao máximo períodos sem plantas mantendo-o sempre protegido, seja com culturas para produção de grãos, plantas de serviço ou de cobertura, espécies forrageiras e/ou mix de espécies, a fim de evitar a erosão e perda de solo e nutrientes.

Mesmo com prognósticos de El Niño e previsões de chuvas acima da média, dada a alta variabilidade espacial e temporal da distribuição hídrica, e a menor influência do fenômeno prevista para o período de verão quando a demanda evaporativa é mais elevada, recomenda-se aproveitar o período para melhorar a capacidade de armazenamento de água no solo e realizar a reserva hídrica.
Fonte: Correio Do povo

Argentina aumenta produção de leite e busca recuperar capacidade da indústria

O crescimento da produção de leite na Argentina está colocando outro desafio no centro das atenções: garantir capacidade industrial suficiente para processar uma oferta maior de matéria-prima. A expectativa é que a produção leiteira argentina termine 2026 com crescimento entre 0,4% e 0,6%, segundo Sebastián Alconada, que ocupa a Direção Nacional de Lechería da Argentina, órgão da estrutura do Ministério da Economia.

A projeção, no entanto, ainda está condicionada ao comportamento do clima e, principalmente, aos possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre as fazendas e a disponibilidade de alimentos. Com a aproximação da primavera, período em que normalmente ocorre aumento sazonal da produção de leite no país, a atenção também se volta para a capacidade das indústrias de receber e processar esse volume adicional.

Plantas voltam a operar

Uma das estratégias mencionadas por Alconada é recuperar instalações industriais que estavam paralisadas. O diretor citou o caso da Sudamericana Láctea como exemplo de retomada de uma estrutura que permaneceu inativa.

A preocupação é que o aumento da oferta de leite encontre capacidade suficiente de processamento, evitando que a indústria se transforme em uma limitação para o crescimento da produção. Segundo Alconada, algumas dessas plantas que retomaram suas atividades já estão buscando ampliar a captação de matéria-prima. “Agora estamos ajudando-os a conseguir leite para processar, porque são plantas que querem crescer”, afirmou o diretor.

SanCor e Verónica entram na discussão

A situação de duas conhecidas empresas do setor leiteiro argentino também faz parte desse movimento. Segundo Alconada, a Secretaria de Agricultura mantém reuniões com diferentes atores para buscar alternativas relacionadas às plantas da SanCor e Verónica. O objetivo declarado é recuperar parte da capacidade industrial disponível e impedir que limitações no processamento dificultem a expansão da produção. As negociações envolvem empresas privadas e representantes dos trabalhadores, além de articulações para garantir fornecimento de leite às unidades que retomam e ampliam suas atividades.

Mais produção na primavera aumenta o desafio

A questão ganha importância justamente neste momento do ano. Com a chegada da primavera argentina, a produção de leite tende a aumentar sazonalmente, elevando também a necessidade de processamento industrial. Por isso, produção e capacidade industrial aparecem como dois desafios interligados para os últimos meses de 2026. Enquanto as condições climáticas podem determinar quanto leite chegará aos tanques, a disponibilidade das plantas ajudará a definir a capacidade da cadeia de absorver essa matéria-prima.

Tecnologia também avança dentro das fazendas

Ao mesmo tempo em que tenta recuperar capacidade industrial, a cadeia leiteira argentina registra investimentos em modernização dentro das propriedades. As declarações de Alconada foram feitas durante a inauguração da Jersey+, propriedade da família Dalmasso, localizada em María Juana, na província de Santa Fe.

O estabelecimento tornou-se a primeira fazenda robotizada da raça Jersey na Argentina. A propriedade utiliza sistemas de ordenha robotizada e instalações do tipo freestall. Para Alconada, experiências desse tipo também colocam em evidência outro desafio para o setor: ampliar o acesso ao financiamento para que produtores de diferentes escalas consigam investir em tecnologia. O governo argentino analisa instrumentos voltados a pequenos e médios investimentos capazes de melhorar tanto a eficiência produtiva quanto as condições de trabalho nas propriedades leiteiras.

Produzir mais é apenas parte da equação

A Argentina chega aos últimos meses de 2026 com perspectiva de crescimento da produção, mas o cenário apresentado por Alconada mostra que ampliar a oferta de leite é apenas uma parte da equação. Indústria disponível para processar a matéria-prima, financiamento para modernizar as propriedades e condições climáticas favoráveis serão fatores importantes para determinar como o setor atravessará o período de maior produção da primavera.

Nesse contexto, a recuperação de plantas industriais paralisadas ganha uma função estratégica: criar capacidade para que o crescimento da produção não encontre um gargalo justamente depois que o leite sai da fazenda.

As informações são do El Litoral, adaptadas pela equipe MilkPoint.

 

Jogo Rápido

Parmalat amplia portfólio proteico e funcional com Fit Bites
A Parmalat ampliou seu portfólio de produtos proteicos no Brasil com o lançamento do Parmalat Fit Bites Morango, opção que combina iogurte cremoso e bites crocantes de whey protein em uma embalagem de dois compartimentos. Com 130 g, o produto reúne iogurte sabor morango, que fornece 3 g de proteínas, e bites de whey protein sabor baunilha, responsáveis por outros 7 g. A combinação totaliza 10 g de proteínas por unidade, além de apresentar zero adição de açúcares e baixo teor de gorduras totais. A configuração da embalagem permite que os dois componentes sejam mantidos separados até o momento do consumo. Dessa forma, o consumidor pode adicionar os bites ao iogurte e ajustar a proporção entre cremosidade e crocância de acordo com sua preferência. A novidade também reforça a aposta da Parmalat em formatos que associam aporte proteico, conveniência e diferentes experiências de textura, acompanhando a expansão dos alimentos proteicos para ocasiões de consumo além da suplementação esportiva tradicional. Com a chegada do Fit Bites, a marca amplia a atuação da linha Parmalat Fit e incorpora o whey protein a um formato de snack refrigerado voltado ao consumo prático no dia a dia. Fonte: Milkpoint

 

 

Porto Alegre, 23 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.020


Mercado para todos: Pequeno, regional, produtivo e muito lucrativo

O mercado lácteo brasileiro tem lugar para todos. É possível produzir em pequena escala  para atender ao consumo regional e, mesmo assim, ser competitivo e construir um negócio muito lucrativo.

O conceito é a tônica da palestra do economista e pesquisador, Paulo do Carmo Martins. Ex-diretor da Embrapa, ele abordará os rumos da competitividade no setor lácteo, independentemente do porte ou tamanho da propriedade na palestra “O futuro do leite chegou, e agora?”, prevista para ocorrer no dia 14 de outubro durante o Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS). 

Para se diferenciar mesmo com um porte menor, é preciso reduzir custos e aumentar produtividade, mantendo foco na excelência de processos e qualidade.

“Não dá para ser um produtor sem negociar, muito se fala da produção e pouco dos negócios”, pontuou o especialista. Durante sua palestra em Ijuí, ele contará a história de dois jovens, Antônio e João. Eles são da mesma idade, mesma escolaridade e moram no mesmo município.

Ambos resolvem empreender. Antônio quer fazer a vida como produtor de leite. Já João, como dono de laticínios.

A história avança, as dificuldades vêm e ao final, o consultor promete uma conclusão inusitada. “Os produtores estão evoluindo a olhos vistos. Conversam entre si, buscam informações técnicas e econômicas”, frisou. 

Setorialmente, diz Paulo Martins, é preciso desatrelar as vendas do leite do mercado de commodity e buscar maior valor agregado. “Os produtores precisam ser melhor remunerados, o setor precisa encontrar novas estratégias de comercialização”, disse, reforçando que encontros como o Milk Summit são importantes para unir produtor e indústria em um único objetivo. E disse mais: “Precisamos de experiências externas para resolver os problemas. Apresentar visões diferentes vindas de outros países traz muita riqueza”, recomendou.

O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.

O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Laticínios Frizzo e Apoio: Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil. Fonte: Sindilat/RS


Whey protein provoca transformação na indústria de lácteos

Impulsionada por uma mudança de hábitos do consumidor, a demanda por produtos com alto teor de proteínas provoca uma transformação na indústria de lácteos. O soro, subproduto da fabricação de queijo, que até alguns anos era pouco valorizado, virou um ativo valioso para a produção de whey.

Embora seja um grande consumidor, o Brasil ainda depende em boa parte da importação de ingredientes lácteos feitos a partir do soro, como o WPC (Whey Protein Concentrado) e o WPI (Whey Protein Isolado). Mas, segundo especialistas e fontes do segmento, isso deve mudar com novos investimentos na produção.

A demanda fez os preços desses ingredientes dispararem no mercado internacional e no Brasil. Quanto mais sofisticado e proteico o ingrediente, maior a valorização. Segundo levantamento da consultoria StoneX, o preço do WPC80 (concentrado de proteína do soro do leite a 80%) quase triplicou nos EUA.

A tonelada custava cerca de US$ 10 mil no início de 2025 e em agosto deste ano estava em US$ 28 mil. O WPI, que tem pelo menos 90% de proteína, subiu 47% no período, chegando a US$ 32 mil a tonelada. O WPC34, de menor concentração, teve alta de 40%.

 
 
A procura por produtos considerados mais saudáveis tem crescido desde a pandemia, mas a demanda ganhou força com o advento de medicamentos injetáveis que ajudam no controle do apetite (as canetas emagrecedoras).

Hoje as proteínas de alto valor estão presentes não apenas em barras e bebidas lácteas, mas também em snacks, chocolates, pães e até em vinhos e cervejas. No entanto, a indústria não conseguiu dar conta da demanda, já que os investimentos na ampliação da produção demandam um certo tempo.

“Foi uma combinação entre uma demanda que se acelerou e uma oferta que não conseguiu acompanhar esse aumento”, afirma Juliana Torres Santiago, analista de inteligência de mercado da StoneX. Segundo a consultoria, o WPC80 dos EUA chega ao Brasil custando em torno de R$ 160 mil a tonelada, já considerando impostos e custos de importação.

Cerca de 70% do WPC80 e do WPI consumidos no Brasil são importados. O país é um grande produtor de leite: são mais de 35 bilhões de litros por ano, segundo o IBGE. Mas a capacidade de processar o soro de leite e transformá-lo em ingredientes proteicos de maior valor agregado é limitada.

“Há um descompasso entre o crescimento da demanda por proteína concentrada de soro e o crescimento da disponibilidade de soro como subproduto da produção de queijo”, diz Marcel de Barros, CEO da Tirolez, uma das principais fabricantes de queijos do país. “Esse descompasso gera uma pressão de demanda, que leva a toda essa alta. É um fenômeno mundial”, acrescenta.

O mercado do soro no país não é exatamente uma novidade. A própria Tirolez comercializava esse subproduto para empresas que convertiam o ingrediente para uso na alimentação humana. Segundo Barros, a empresa busca “parcerias estratégicas de longo prazo” para ampliar a relevância do negócio dentro do grupo. No momento, a Tirolez fornece matéria-prima para empresas que usam whey na formulação de produtos.

A empresa adquiriu recentemente a planta do grupo Barbosa & Marques, em recuperação judicial, em Governador Valadares (MG).

A capacidade de processamento e secagem é de 480 mil litros de soro por dia. Barros diz que a unidade opera na capacidade máxima. A Tirolez está arrendando a planta desde 1 de julho, mas a aquisição definitiva depende do processo de recuperação judicial.

Uma das poucas empresas que produzem essas proteínas de alta concentração no Brasil, a Sooro Renner tem unidades em Marechal Cândido Rondon (PR) e Estação (RS). A produção anual é de 8 mil toneladas de WPC80 e cerca de 2 mil toneladas de WPI. A empresa atua no B2B e vende os ingredientes a outras indústrias.

Após a fusão com a Relat, do grupo Renner Hermann, em 2019, a empresa traçou o plano de dobrar a capacidade de produção de proteínas. Em 2024, a Sooro decidiu construir uma nova planta em Francisco Beltrão (PR).

A previsão é iniciar a produção no segundo semestre de 2027. A nova unidade, com investimento de mais de R$ 1 bilhão, deverá dobrar a capacidade atual de produção de WPC80 e WPI.

A indústria também terá formulações para nutrição infantil e público sênior. “Antigamente, o whey era considerado um produto só para ‘marombados’, as pessoas que viviam na musculação. Mas notamos que a pessoa que queria ter um estilo de vida mais saudável, seja correr, pedalar, fazer crossfit, também precisaria consumir mais proteína”, afirma o CEO da Sooro Renner, Eduardo Serra.

A empresa compra o soro de laticínios da região Sul. Segundo Serra, o custo da matéria-prima dobrou no último ano em meio à oferta restrita e ao aumento da demanda por proteínas. “Houve uma valorização de toda a cadeia. O meu fornecedor está recebendo mais, mas eu estou vendendo também mais caro”, afirma.

Diferentemente de outras empresas que precisam comprar soro de leite de terceiros, a francesa Lactalis tem uma fábrica de WPC integrada à de queijos, em Três de Maio (RS). O soro é levado por uma tubulação, em circuito fechado, diretamente para a produção de whey.

“O consumo per capita de proteína do leite nos Estados Unidos ou em outros mercados com economia mais madura ainda é bem maior que o do Brasil. Então acreditamos que aqui esse mercado vai continuar crescendo”, observa Guilherme Portella, diretor de comunicação, assuntos regulatórios e corporativos da Lactalis Brasil.

O mercado de bebidas proteicas movimenta atualmente cerca de 80 milhões de litros por ano, de acordo com consultoria MilkPoint. A título de comparação, bebidas UHT mais tradicionais chegam a quase 500 milhões de litros. Embora representem um volume pequeno, as bebidas proteicas apresentam crescimento acima de um dígito nos últimos anos, segundo Valter Galan, sócio da MilkPoint.

Ele observa que, como não existe soro suficiente para atender o mercado, há hoje projetos de unidades de queijo saindo já com plantas de proteína de soro acopladas.

Um dos projetos com esse perfil é do Grupo Piracanjuba, um dos maiores do ramo de laticínios do Brasil, que investiu mais de R$ 500 milhões na construção de complexo industrial em São Jorge d’Oeste (PR) com produção planejada e integrada de queijo, manteiga, whey protein e lactose em pó.

A fábrica está em construção. A expectativa é produzir até 6 mil toneladas anuais de whey protein. Procurada, a empresa não deu entrevista.
Fonte: Valor Econômico

 
 
CONSELHO PARITÁRIO PRODUTORES/INDÚSTRIAS DE LEITE DO ESTADO
DO PARANÁ – CONSELEITE–PARANÁ 

RESOLUÇÃO Nº 09/2026 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 26 de agosto de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Julho de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Agosto de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

 
 
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia.

Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. 

Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução.

Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Setembro de 2026 é de R$ 4,3501/litro.

Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/. 

 

Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Participação do farelo na 'crush margin' aumenta no BR e nos EUA
Cepea, 21/09/2026 – A cotação do farelo de soja segue em alta no Brasil e nos Estados Unidos, diante da forte demanda global pelo derivado. Segundo o Cepea, a participação do farelo na margem de processamento das indústrias voltou a aumentar nos últimos dias, atingindo novas máximas. O Centro de Pesquisas destaca que, entre julho e agosto, a Conab disponibilizou algumas unidades de armazenamento de farelo de soja em certos estados brasileiros, o que pode ter limitado o interesse de venda das indústrias. Neste cenário, com base nos preços da soja, do farelo e do óleo de soja negociados na região de São Paulo, a participação do farelo de soja na “crush margin” foi o maior desde outubro de 2024, conforme apontamento do Cepea.
Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


 

Porto Alegre, 22 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.019


Sindilat/RS lança 12º Prêmio de Jornalismo com novas categorias e premiações

O 12º Prêmio Sindilat de Jornalismo abre inscrições neste dia 23 de setembro com novidades. Neste ano, a tradicional premiação promovida pelo Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) para reconhecer o trabalho dos profissionais de imprensa, chega com novas categorias e premiações. Além de avaliação de trabalhos em jornalismo Eletrônico, Impresso e Online, a disputa homenageará aqueles que se dedicam à Mídia Corporativa.

 

Outra novidade é o prêmio Editor do Ano, que contemplará aqueles profissionais que trabalham nos bastidores e no dia a dia da cobertura jornalística.

“Entendemos que era tempo de renovar as categorias de forma a contemplar novas atribuições sem abrir mão do foco na boa reportagem”, salientou o presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella.  

As premiações também tiveram mudanças em 2026. Os grandes campeões nas cinco categorias receberão troféus e viagens para diferentes destinos, incluindo Paris, Nova Iorque, Santiago do Chile e Rio de Janeiro. “Inovamos para oferecer aos premiados uma experiência enriquecedora por meio de viagens a diferentes destinos”, contemplou o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini. 

As inscrições para o 12º Prêmio Sindilat de Jornalismo estão abertas até 23 de novembro. Os finalistas devem ser anunciados até 4 de dezembro e os grandes vencedores conhecidos na Festa de Final de Anos do Sindilat no mês de dezembro.
Os trabalhos deverão ter sido publicados ou veiculados entre 2 de novembro de 2025 e 1 de novembro de 2026 e abordar aspectos relacionados ao setor lácteo do Rio Grande do Sul.

 

Podem participar jornalistas regularmente registrados e grupos de profissionais, desde que pelo menos um dos integrantes seja jornalista formalmente regularizado. Não há limite para o número de trabalhos inscritos por candidato. 

A avaliação dos trabalhos inscritos ficará a cargo de Comissão Julgadora formada por profissionais da comunicação social, representantes do Sindilat/RS e instituições ligadas ao agronegócio e ao setor lácteo. 

A inscrição deverá ser feita por meio de formulário específico disponibilizado no site do Sindilat/RS, com uma inscrição para cada trabalho submetido.  Entre os documentos solicitados estão o trabalho inscrito, documento de identidade, registro profissional e, quando necessário, comprovantes de autoria e de data de veiculação. Acesse o regulamento e link de inscrição clicando aqui.

Serviço: 
12º Prêmio Sindilat de Jornalismo
Inscrições: 23/09/2026 a 23/11/2026
Finalistas: até 4/12/2026
Vencedores: dezembro de 2026
Categorias: Eletrônico, Impresso, Editor do Ano, Online e Mídia Corporativa 


Inscrições gratuitas abertas para o Milk Summit Mercosul 2026

As inscrições para o Milk Summit Mercosul 2026 já estão abertas. A participação no evento é gratuita, mas é obrigatória a inscrição prévia para garantir o acesso à programação. Nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí (RS), durante a ExpoFest Ijuí, o evento reunirá especialistas nacionais e internacionais, produtores, indústrias, cooperativas, pesquisadores, empresas e lideranças para debater os principais desafios e oportunidades da cadeia leiteira.

Com uma programação voltada à inovação, competitividade, sustentabilidade, mercado, gestão e políticas públicas, o Milk Summit Mercosul consolida-se como um dos principais encontros do setor no Brasil e no Mercosul.

A participação é gratuita, mas as vagas devem ser garantidas por meio de inscrição antecipada. Inscreva-se clicando aqui: https://milksummitbrazil.com/inscricao/. (Sindilat/RS)

O consumidor não parou de comprar lácteos: veja o que mudou de fato segundo o Radar do Consumo

Dados mostram alta na variedade de lácteos vendidos em 2026, enquanto a inflação do leite UHT retém o volume total.

O mercado de lácteos no Brasil tem apresentado sinais de recuperação gradual ao longo de 2026, embora ainda acumule uma retração no volume total no ano. Segundo dados do Radar do Consumo, publicado pelo Observatório do Consumidor da Embrapa, o desempenho registrado em agosto apontou não apenas um crescimento no volume pontual, mas uma expansão mais bem distribuída entre os diferentes segmentos do setor, indicando uma reação ampla da demanda.

Enquanto nos primeiros meses do ano o crescimento observado ficou restrito a poucas categorias de grande porte, o cenário em agosto mostrou uma mudança relevante de dinâmica.

Para medir a abrangência dessa recuperação, avalia-se a proporção de linhas de produtos em alta por meio do Índice de Difusão do Consumo Lácteo, calculado com metodologia similar aos índices de difusão de produção do IBGE e de preços do Banco Central. Das 43 linhas de produtos acompanhadas, 26 registraram avanço nas vendas em agosto em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Essa taxa de 60,4% representa o maior resultado do ano e a única leitura acima da marca de 50%. A comparação com março evidencia a diferença do momento atual: embora 8 das 13 grandes categorias agregadas mostrassem alta naquele mês, no detalhamento por produto a taxa de difusão foi de apenas 46,5%.

Essa distinção é decisiva para o setor, pois uma alta concentrada em poucas categorias costuma ser vulnerável e passageira, enquanto uma expansão disseminada indica que a demanda reagiu em várias frentes de forma simultânea, sugerindo um movimento estrutural e não apenas um efeito isolado de promoção, preço ou sazonalidade.

Apesar da melhoria na amplitude do crescimento, o volume acumulado de consumo de lácteos ainda apresenta queda de 3,3% entre janeiro e agosto de 2026, em um cenário onde o preço real praticamente não se moveu, registrando variação de -0,5%.

No entanto, o fator central para entender esse número acumulado está no desempenho isolado do leite longa vida. Por responder por 57,1% de todo o volume vendido do segmento, o leite UHT sozinho é responsável por 92% de toda a perda de volume acumulada no ano, pressionado por um preço que subiu 15,6% em doze meses.

Ao retirar o leite longa vida do cálculo geral, o restante do mercado de lácteos fecha agosto com crescimento de 3,1% no volume vendido em relação ao mesmo mês do ano anterior, marcando o melhor resultado em doze meses e demonstrando que os demais derivados vêm em trajetória de recuperação consistente.

As oscilações de consumo entre as diferentes linhas apontam para reorganizações claras no orçamento e nas escolhas das famílias. O leite em pó, por exemplo, registrou alta de 28,3% no mês, impulsionado por um preço 6,6% menor em doze meses e por um ganho de preferência junto ao público voltado para saúde e esportes.

Já os iogurtes e bebidas lácteas vêm crescendo puxados por nichos específicos, como as opções proteicas e sem lactose, em vez de uma alta generalizada de toda a categoria. Na ponta oposta, produtos como a mistura láctea condensada registraram queda de 21,8% em agosto. Em vez de migrar para os substitutos mais econômicos, o consumidor pressionado optou por reduzir a frequência de compra do produto tradicional.

O comportamento do segmento sem lactose também ilustra como a demanda tem se transformado. Depois de quatro anos como a categoria de maior crescimento contínuo, o leite líquido sem lactose acumulou queda de 1,8% no volume no ano, acompanhado pelo maior aumento de preço de todo o painel, próximo a 20%. Isso não significa que o consumidor abandonou o atributo, mas sim que a busca por ele mudou de categoria.

Em agosto, enquanto o queijo sem lactose recuou 8,5%, o iogurte sem lactose cresceu 48,9% e a versão grega sem lactose avançou 35,5%. Esse movimento revela dois perfis distintos de compra: o consumidor por restrição médica, que depende do leite líquido e reduz o volume quando o preço sobe, e o consumidor por preferência ou estilo de vida, que busca valor agregado e decide trocar de item dentro do mesmo atributo, migrando do leite para categorias onde percebe maior benefício, como os iogurtes.

O panorama geral indica que o consumidor não está simplesmente abandonando o consumo de lácteos, mas reorganizando ativamente suas escolhas. Ele altera formatos quando o preço do item básico encarece, transfere a busca por atributos funcionais para outros tipos de derivados e sustenta o crescimento do setor nos pontos do portfólio onde percebe maior valor real.

As informações são do Observatório do Consumidor, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Cotações recuam em SP, mas sobem em outras regiões
Cepea, 21/09/2026 – Os valores do milho registram movimentos distintos dentre as regiões acompanhadas pelo Cepea. Em São Paulo, as negociações estão limitadas, e os preços recuaram, enquanto em algumas regiões produtoras as cotações subiram nos últimos dias. De acordo com pesquisadores do Cepea, em São Paulo, compradores priorizaram o consumo dos estoques nos últimos dias, em detrimento de realizarem novas aquisições no mercado spot. O Centro de Pesquisas destaca que, apesar da demanda enfraquecida, produtores também têm limitado parte dos lotes para negociação, visto que parte deles está focada nos trabalhos de campo, atenta às previsões climáticas e à possibilidade de efeitos negativos na produtividade das lavouras.Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


 

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Porto Alegre, 21 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.018


Alerta no campo: como novas chuvas podem afetar a produção de leite no Rio Grande do Sul

Novas tempestades ameaçam agravar o excesso de umidade no solo, dificultando o manejo, o acesso às pastagens e aumentando riscos sanitários no rebanho.

A previsão de uma onda de tempestades no Rio Grande do Sul nesta semana pode agravar a situação nas áreas rurais que já apresentam excesso de umidade e formação de barro. O último Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar na última semana, indicou que há dificuldades para o acesso às pastagens na bovinocultura de leite, além do aumento dos riscos de mastite e de doenças no casco em determinadas regiões.

Em algumas propriedades da região de Santa Rosa, o excesso de umidade das semanas anteriores ocasionou danos pontuais por pisoteio e dificultou o manejo, mas não comprometeu a alimentação dos animais. Segundo a Emater/RS-Ascar, os produtores seguem realizando suplementação alimentar com silagem e concentrados, especialmente para vacas em pico de lactação.

O informativo mostrou pequena redução na produção de leite nos sistemas de produção a pasto na região de Ijuí. Já nos sistemas confinados, não houve alterações. Nos sistemas estabulados, persiste a dificuldade para reduzir a umidade da cama dos animais, embora o conforto térmico esteja satisfatório.

Por outro lado, a redução do encharcamento em algumas áreas têm favorecido a movimentação dos animais e o acesso às forrageiras. Na região de Bagé, por exemplo, as vacas alimentadas em campo nativo apresentam recuperação da condição corporal. Esse cenário marca o retorno dos produtores sazonais à atividade e o aumento da produção dos que efetuam a entrega de leite durante todo o ano, mas não realizam investimentos significativos em pastagens de inverno ou na suplementação com fenos e silagens. (As informações são do Correio do Povo)


Argentina e Uruguai ampliam espaço e já concentram 4,3% do comércio mundial de lácteos

O mapa do comércio mundial de lácteos está mudando, e Argentina e Uruguai estão entre os países que ganharam participação nos últimos anos.

O mapa do comércio mundial de lácteos está mudando, e Argentina e Uruguai estão entre os países que ganharam participação nos últimos anos. Juntos, os dois passaram de representar cerca de 3% do mercado mundial de lácteos em 2017 para 4,3% em 2025, segundo o World Dairy Map 2026, elaborado pelo RaboResearch.

O avanço ocorreu dentro de um mercado que também se expandiu. O comércio internacional passou de 91,1 milhões de toneladas equivalentes de leite líquido em 2017 para 101,2 milhões em 2025, um crescimento acumulado de 11%.

Por trás dessa expansão, porém, também houve uma redistribuição entre os principais exportadores. Enquanto Estados Unidos, Argentina e Uruguai ganharam espaço, a União Europeia reduziu sua participação. Ao mesmo tempo, a China perdeu parte do protagonismo que havia alcançado como grande impulsionadora da demanda mundial.

Argentina e Uruguai passam de 3% para 4,3%
O crescimento sul-americano é especialmente significativo porque ocorreu enquanto alguns dos grandes participantes tradicionais encontraram maiores limitações para expandir sua produção. A União Europeia continua sendo o principal bloco exportador, com 27,5 milhões de toneladas equivalentes de leite comercializadas em 2025, excluindo o comércio entre os próprios países-membros. Sua participação mundial, no entanto, caiu de 30% em 2017 para 27% em 2025.

A Nova Zelândia continua sendo o maior exportador quando considerados países individualmente, respondendo por cerca de 22% do comércio global. Os Estados Unidos também avançaram de forma significativa: sua participação aumentou de 11,3% para 13,5%. Atrás desses gigantes aparece o crescimento dos exportadores do Mercosul. Argentina e Uruguai elevaram conjuntamente sua participação em 1,3 ponto percentual em oito anos.

Queijo se torna o grande motor do comércio
Nem todos os produtos lácteos tiveram o mesmo desempenho nesse período. O grande destaque foi o queijo, cujo comércio mundial aumentou aproximadamente 40% desde 2017, alcançando 8,96 milhões de toneladas em 2025.

A Argentina aparece novamente entre os países que mais avançaram. Segundo o RaboResearch, Argentina e Estados Unidos duplicaram suas exportações de queijo desde 2017. A tendência também revela uma transformação nas estratégias da indústria.

A União Europeia, por exemplo, aumentou sua produção de leite em apenas 5% desde 2017, mas ampliou em 9% a fabricação de queijo e em 12% as exportações do produto. O movimento reflete uma orientação crescente para produtos de maior valor agregado, em comparação com categorias mais tradicionais, como os leites em pó.

Menos leite em pó integral europeu abre espaço para outros exportadores

No mercado de leite em pó integral, o comportamento foi diferente. A Nova Zelândia mantém uma posição dominante, com aproximadamente 53% do mercado mundial. A Europa, por outro lado, reduziu suas exportações do produto em mais de 50% desde 2017, passando de cerca de 387 mil para 172 mil toneladas.

Parte do leite europeu foi direcionada para a fabricação de queijo, manteiga e outros produtos, enquanto Argentina e Reino Unido ocuparam parte do espaço deixado pela redução das exportações europeias. No leite em pó desnatado, o crescimento mundial foi bem mais moderado, com avanço de apenas 0,5% em 2025.

China perde participação e exportadores buscam novos compradores

Outra grande transformação está acontecendo do lado da demanda. A China continua sendo a maior importadora mundial de produtos lácteos, mas suas compras se afastaram dos níveis máximos registrados em 2021. O RaboResearch associa parte dessa redução ao crescimento da produção doméstica chinesa, que diminuiu a necessidade de importação de determinadas categorias de lácteos.

Essa mudança está levando os grandes exportadores a diversificar seus mercados. Oriente Médio e Sudeste Asiático aparecem entre as regiões que ganham importância, enquanto o Brasil também aumentou significativamente suas compras.

As importações brasileiras passaram de 1,3 milhão para 2,3 milhões de toneladas equivalentes de leite desde 2022, impulsionadas principalmente por queijos e leites em pó. Para Argentina e Uruguai, a evolução das compras brasileiras é especialmente relevante devido à proximidade geográfica e à importância histórica do Brasil como destino das exportações da região.

Argentina aparece entre os países com maior potencial de expansão

Um dos pontos de destaque do World Dairy Map 2026 está nas perspectivas para a oferta mundial. O RaboResearch considera que Estados Unidos e Argentina estão entre os países melhor posicionados para ampliar a produção destinada ao mercado internacional nos próximos anos.

A Europa enfrenta maiores restrições regulatórias, uma população de produtores envelhecida e níveis de produtividade que já estão entre os mais elevados do mundo. A Argentina, por sua vez, vem apresentando recuperação da produção.

Depois de uma queda acumulada de 8% entre 2022 e 2024, a produção argentina cresceu 10% em 2025 e mais 7% na comparação anual durante o primeiro trimestre de 2026, segundo os dados reunidos pelo RaboResearch. O relatório considera que o contexto para a atividade se tornou mais favorável, embora também destaque a volatilidade do cenário político e econômico argentino.

Estados Unidos também aceleram

Outro país apontado como candidato a ampliar significativamente a oferta mundial são os Estados Unidos. O país possui um rebanho leiteiro de 9,65 milhões de cabeças, custos competitivos e uma forte expansão da infraestrutura industrial.

Somente em 2025, sua capacidade de processamento de queijo aumentou aproximadamente 6%. Os Estados Unidos também ganharam participação no mercado de manteiga. As exportações praticamente triplicaram, passando de cerca de 45 mil para 123 mil toneladas.

Um comércio mundial de lácteos em redistribuição

Os dados mostram um mercado internacional que continua crescendo, mas com motores diferentes daqueles observados há uma década. A Europa permanece determinante, mas perde participação. A China continua sendo a maior compradora, porém já não impulsiona a demanda com a mesma intensidade. Os Estados Unidos ampliam sua presença e o queijo ganha espaço em relação a categorias tradicionais.

Nesse cenário, Argentina e Uruguai conseguiram elevar de 3% para 4,3% sua participação conjunta no comércio mundial de lácteos. Para a Argentina, o sinal é ainda mais relevante: o RaboResearch identifica o país entre aqueles que apresentam condições para ampliar a oferta exportável em um mercado no qual vários dos grandes produtores tradicionais enfrentam limitações crescentes para expandir a produção. (As informações  são do Diário Lechero, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)

Consumo dos 40+ cresce 5,3% enquanto compras dos mais jovens recuam

Presentes em 63% dos lares analisados, eles aumentaram em 5,3% as unidades compradas para consumo dentro de casa no segundo trimestre de 2026.

Os consumidores com 40 anos ou mais despontam como uma importante oportunidade de crescimento para o mercado de bens de consumo massivo no Brasil. Presentes em 63% dos lares analisados, eles aumentaram em 5,3% as unidades compradas para consumo dentro de casa no segundo trimestre de 2026. Entre consumidores de até 39 anos, houve retração de 4,9%. O estudo identifica três caminhos principais para marcas que buscam capturar esse crescimento: saudabilidade aliada a sabor, praticidade sem perda de qualidade e soluções capazes de acompanhar as mudanças de hábitos dentro das famílias.

Para os consumidores maduros, saudabilidade não significa apenas restrição. O estudo aponta oportunidades para produtos que combinem benefícios nutricionais e experiência de consumo, incluindo propostas clean label, redução de gordura e sódio e alternativas funcionais sem lactose ou açúcar. Essa busca ocorre em um contexto no qual autocuidado e bem-estar ganham relevância nas escolhas dos brasileiros. Entre as categorias associadas a esse universo estão bebidas funcionais, alternativas aos laticínios, beleza, alimentos saudáveis e produtos premium para cuidados com a casa.

Outro caminho está na conveniência. Para o público 40+, o Consumer Insights aponta oportunidades para soluções de preparo rápido, entre 10 e 30 minutos, adaptadas a equipamentos como air fryer e forno, mas que preservem a percepção de qualidade. Mais do que oferecer rapidez, portanto, o desafio para as marcas está em combinar praticidade com atributos relevantes para um consumidor que busca otimizar sua rotina sem necessariamente abrir mão de qualidade, sabor e bem-estar.

Escolhas que repercutem na família

A influência dos consumidores maduros também pode ultrapassar suas próprias escolhas. Entre shoppers 40+ com filhos, o estudo identifica que hábitos relacionados à saudabilidade e à alimentação podem repercutir na rotina dos filhos, ampliando o impacto desse público sobre o consumo familiar.

Mudanças de comportamento também aparecem fora de casa. Entre consumidores de 50 anos ou mais, o estudo observa uma revisão dos hábitos relacionados a bebidas, com migração de consumidores de cerveja para refrigerantes — movimento que também aparece entre os mais jovens, de até 29 anos.

“O crescimento do público 40+ mostra por que idade, sozinha, já não é suficiente para explicar o comportamento de consumo. Estamos falando de shoppers que ganham relevância no mercado, mas que também têm expectativas específicas sobre saudabilidade, conveniência e qualidade. Para as marcas, a oportunidade está em entender essas necessidades e traduzi-las em portfólio, comunicação e experiências adequadas à rotina desse consumidor”, afirma Daniel Horai, Diretor de Novos Clientes da Worldpanel by Numerator.

Os dados reforçam que o consumidor maduro não deve ser tratado apenas como um recorte demográfico. Em um mercado pressionado, o grupo apresenta crescimento tanto dentro quanto fora de casa e abre oportunidades para marcas capazes de responder a novas necessidades de alimentação, bem-estar e praticidade. (As informações são da Worldpanel by Numerator via Milkpoint)


Jogo Rápido

Cepea/Leite: Preço do leite ao produtor sobe 4,65% em julho, mas mercado já sinaliza acomodação
O preço médio do leite cru captado por laticínios seguiu em alta em julho. Na “Média Brasil” líquida, o valor alcançou R$2,8761/litro, avanço de 4,65% frente a junho. Na comparação com julho do ano passado, o preço está 4,96% maior em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de julho). O mercado de lácteos se estabiliza em agosto, mas perde força na parcial de setembro: Levantamento do Cepea, com apoio da OCB, mostra que o mercado de lácteos no atacado paulista apresentou movimentos distintos entre os produtos acompanhados em agosto. Para o leite UHT, o preço médio avançou 0,45% em agosto, para R$4,89/litro. O movimento esteve atrelado à valorização da matéria-prima: em julho, o preço médio do leite cru pago ao produtor, considerando a "Média Brasil" do Cepea, foi de R$2,87/litro, alta de 4,65% frente a junho.  BR aumenta embarques de queijos, mas exportações totais de lácteos recuam: As exportações brasileiras de queijos aumentaram entre julho e agosto, embora os embarques totais de produtos lácteos tenham recuado no período. Segundo dados da Secex, as vendas externas de queijos avançaram expressivos 39,54%, alcançando 2,47 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL), com participação de 47% no volume total de produtos lácteos enviados pelo Brasil em agosto. Frente ao mesmo mês de 2025, por outro lado, os embarques de queijos registraram redução de 4,6%. Altas do concentrado e da suplementação mineral elevam custos em agosto: Os custos da pecuária leiteira apresentaram leve alta em agosto, influenciados pelos aumentos nos preços do concentrado e nos de suplementação mineral. O Custo Operacional Efetivo (COE) registrou elevação de 0,63% na “Média Brasil” de julho para agosto. Dentre as praças acompanhadas pelo Cepea, o Rio Grande do Sul registrou o avanço mais expressivo do COE no período, de 1,38%. (As informações são do CEPEA)