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23/07/2026

Porto Alegre, 23 de julho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.677


Ainda fazenda leiteira ou já empresa?

Produzir leite nunca exigiu apenas conhecimento sobre vacas. Mas, nos últimos anos, a complexidade da atividade elevou a gestão a um novo patamar.

Produzir leite nunca exigiu apenas conhecimento sobre vacas. Mas, nos últimos anos, a complexidade da atividade elevou a gestão a um novo patamar. Em propriedades cada vez maiores, com equipes mais numerosas, tecnologias embarcadas e margens pressionadas, produzir bem passou a depender da capacidade de organizar pessoas, padronizar processos, controlar recursos e tomar decisões com base em indicadores.
É essa transformação que será o foco da palestra de Allan André Tormen, produtor de leite, presidente do Sindicato Rural de Erechim (RS) e Coordenador da Comissão de Leite e Derivados da Federação da Agricultura, da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) e vice-presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA , durante o Interleite Brasil 2026, que acontece entre os dias 18 e 20 de agosto, em Uberlândia (MG), com o tema "Capacitando e fortalecendo a produção de leite no Brasil".

À frente da Agropecuária Tormen, referência em produção de leite de alta produtividade, Allan construiu uma trajetória que une a prática diária dentro da fazenda à participação ativa nas principais discussões sobre o futuro da cadeia leiteira brasileira. Para ele, essa dupla atuação permite compreender os desafios do setor sob uma perspectiva rara: a de quem vive a realidade da produção e, ao mesmo tempo, participa das decisões que impactam milhares de produtores.

"Quando a gente senta na cadeira do representante da classe sem entender como se produz, não tem propriedade para falar. Eu vivo da atividade. O leite não é mais um negócio para mim, ele é o meu negócio."

Sua relação com a atividade começou cedo. Formado em escola agrícola, Allan iniciou a produção de leite aos 16 anos e acompanhou, na prática, os desafios de crescer, investir e enfrentar as oscilações do mercado. Essa vivência, segundo ele, é o que permite levar às discussões institucionais a realidade de quem está dentro da porteira. "Eu consigo levar para a representação a dor real do produtor, entender onde aperta o sapato, quais são os gargalos da atividade e o que realmente é possível fazer."

Produtividade é consequência, não ponto de partida

Embora a Agropecuária Tormen seja reconhecida pelos elevados índices produtivos, Allan faz questão de inverter uma lógica bastante comum no setor. Na sua visão, produtividade não deve ser perseguida de forma isolada. Ela surge como consequência de uma série de decisões bem executadas.

O primeiro pilar é garantir a saúde ruminal dos animais, por meio de um manejo alimentar consistente e de uma nutrição equilibrada. O segundo está relacionado à saúde da glândula mamária, reduzindo a contagem de células somáticas (CCS), a incidência de mastite e, consequentemente, perdas produtivas e reprodutivas. Há ainda um terceiro componente que, segundo ele, vem ganhando importância nas propriedades mais eficientes: a gestão ambiental.

Na Agropecuária Tormen, os dejetos deixaram de ser encarados apenas como um resíduo para se tornarem fonte de valor. Eles são utilizados na produção de biofertilizantes, fertirrigação e até na reposição da cama utilizada no sistema de compost barn, fechando ciclos produtivos e reduzindo desperdícios. "O dejeto precisa deixar de ser um passivo e se transformar em um ativo."

O quarto pilar está no período de transição das vacas

Segundo Allan, garantir partos bem conduzidos, com vacas em bom escore corporal e produção adequada de colostro, influencia diretamente o desempenho das bezerras, o início da lactação, a reprodução e toda a produtividade futura do rebanho. Para ele, quando esses fatores caminham juntos, a sustentabilidade econômica aparece naturalmente — e, com ela, a sustentabilidade ambiental.

Quem coloca o leite no tanque são as pessoas

Se manejo e nutrição explicam parte dos resultados, Allan acredita que existe outro fator ainda mais decisivo para o sucesso de uma fazenda. As pessoas. "O que determina o tamanho de uma fazenda não é a quantidade de vacas. É a quantidade de pessoas que trabalham ali e entregam valor para o negócio." Por isso, desenvolver equipes tornou-se prioridade dentro da Agropecuária Tormen.

Atrair bons profissionais, investir em capacitação e criar condições para que permaneçam na empresa faz parte da estratégia de crescimento da propriedade tanto quanto investir em máquinas ou instalações. Mas, para Allan, pessoas só conseguem entregar resultados consistentes quando existe uma cultura organizacional sólida.

Ele defende que toda empresa precisa desenvolver uma cultura baseada na melhoria contínua, em que cada colaborador compreenda que sempre existe uma oportunidade de aperfeiçoar processos, reduzir desperdícios e gerar mais valor.

Outro princípio que procura reforçar dentro da equipe é que uma empresa não deve funcionar como uma família, mas como uma comunidade. Enquanto famílias costumam depender de pessoas específicas, comunidades se fortalecem justamente pela capacidade de compartilhar responsabilidades. "A fazenda não pode depender de uma pessoa. Ela precisa depender da equipe."

Crescer exige cuidar do dinheiro

Entre os assuntos que mais preocupam os produtores atualmente estão o aumento dos custos, os juros elevados e a volatilidade do mercado. Na avaliação de Allan, porém, existe um equívoco frequente dentro das propriedades. Muitos produtores dedicam enorme esforço para calcular o custo de produção, mas deixam em segundo plano um indicador ainda mais importante. "O custo de produção não paga a conta. O que paga a conta é a liquidez."

Segundo ele, construir um negócio robusto significa gerar caixa suficiente para atravessar períodos de baixa sem comprometer investimentos nem recorrer excessivamente ao crédito.

Ferramentas como irrigação também fazem parte dessa estratégia, funcionando como instrumentos de mitigação de risco ao garantir maior estabilidade na produção de forragens. Para Allan, crescer continua sendo importante, mas esse crescimento precisa acontecer de forma equilibrada. Não basta aumentar a produção. É necessário aumentar também a eficiência operacional, reduzir desperdícios, fortalecer o caixa e preservar a capacidade de investimento da propriedade.

O futuro da cadeia passa por relações mais maduras

Além da gestão dentro das fazendas, Allan acompanha de perto outro desafio considerado decisivo para a competitividade do leite brasileiro: o relacionamento entre produtores e indústrias. Na sua avaliação, ambos ainda precisam amadurecer a forma como enxergam essa relação.

O produtor deve compreender a indústria como seu cliente, enquanto a indústria precisa reconhecer o produtor como um fornecedor estratégico, capaz de entregar qualidade, previsibilidade e regularidade. "Não tem como o produtor ir bem e a indústria ir mal. Também não tem como a indústria ir mal e o produtor ir bem."

Ele acredita que maior transparência nas informações de mercado e um relacionamento baseado em confiança permitirão ganhos de eficiência para toda a cadeia leiteira. Também defende que o produtor amplie sua visão para além da porteira. "Se ele não entender o que acontece da porteira para fora, não consegue gerenciar o negócio."

Uma nova forma de enxergar a fazenda

Durante sua participação no Interleite Brasil, Allan pretende compartilhar justamente essa mudança de mentalidade que vem orientando a evolução da Agropecuária Tormen. Para ele, as propriedades leiteiras passaram por uma transformação profunda. "As nossas fazendas deixaram de ser fazendas. Elas se transformaram em indústrias de produção de leite."

Isso significa trabalhar com processos padronizados, procedimentos operacionais bem definidos, redução constante de desperdícios e melhoria contínua da qualidade entregue à indústria. Mais do que implantar ferramentas de gestão, Allan acredita que o grande desafio é construir uma cultura capaz de evoluir continuamente. "Implementar um sistema de gestão robusto não é fazer um projeto. É iniciar uma jornada. Todo dia existe algo para melhorar."

É justamente essa experiência — construída ao longo dos últimos anos e inspirada em metodologias de gestão aplicadas à produção de leite — que ele pretende dividir com o público durante o evento.

Participe do Interleite Brasil 2026

A trajetória da Agropecuária Tormen mostra que os desafios da produção de leite vão muito além do manejo dos animais. Produzir com eficiência exige gestão, cultura organizacional, equipes preparadas, disciplina financeira e disposição para melhorar continuamente.

Esses e muitos outros aprendizados estarão em debate no Interleite Brasil 2026, de 18 a 20 de agosto, em Uberlândia (MG). Durante três dias, produtores, técnicos, consultores, pesquisadores e lideranças da cadeia leiteira se reunirão para discutir soluções práticas capazes de aumentar a eficiência, a competitividade e a sustentabilidade da produção de leite no Brasil.

Garanta sua participação com 15% de desconto e venha fazer parte das conversas que estão ajudando a construir o futuro da pecuária leiteira brasileira. (Milkpoint)


Inadimplência cresce 0,28% em junho no País e chega aos 83,7 milhões de brasileiros negativados

A inadimplência no País voltou a crescer em junho, depois da desaceleração vista no mês anterior. O número de brasileiros negativados avançou 0,28%, o que representa 234 mil novos CPFs e 83,7 milhões de inadimplentes no total. Apenas sete, das 27 unidades federativas, apresentaram queda no volume de consumidores negativados, com o Rio Grande do Sul entre elas. No Estado, o número de inadimplentes caiu 0,1% ante o mês anterior, totalizando 4,1 milhões de gaúchos endividados. O levantamento foi feito pela Serasa Experian e divulgado este mês.

O economista e professor da PUC-RS, Rafael Diomedi, observa a redução de inadimplentes vista no Estado como um resultado de fatores específicos da economia gaúcha. “Após os eventos climáticos extremos ocorridos em 2024 e as consequências ao longo de 2025, diversos programas de renegociação de dívidas, linhas especiais de crédito, postergação de pagamentos e medidas de reconstrução contribuíram para reduzir temporariamente a pressão financeira sobre parte da população”, explica Diomedi.

Os cachos negativados se mantêm em 17,9 milhões de dívidas em aberto, ultrapassando os R$ 33,6 bilhões. As dívidas com bancos e cartões lideram a inadimplência (27,08%), seguidas pelas impostas financeiras (18,09%) e de serviços (14,04%). Os bancos e instituições financeiras também lideram o ranking nacional, respondendo por 46,9% do total. A especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, aponta que esse fator está ligado ao comportamento do brasileiro em utilizar o crédito, muitas vezes, para contas básicas do dia a dia, como água, luz, gás e supermercado.

“Por isso a gente tem muito do crédito tomado com responsabilidade e com consciência, no crédito tem que ser visto como um aliado e não como uma eterna solução da renda. O crédito é para que a pessoa consiga se organizar, ter uma ruptura e colocar as contas em dia”, destaca a especialista.

Em nível nacional, os brasileiros acumulam 345,5 milhões de débitos que somam mais de R$ 975,5 bilhões. O valor médio devido por consumidor chegou a R$ 6.290,23, o que indica que cada inadimplente deve, em média, 4 vezes mais que o salário mínimo. No Rio Grande do Sul o tíquete médio é o quinto maior no Brasil, com cada inadimplente devendo em média R$ 13,25.

Diomedi ressalta que, para a economia estadual, o elevado contingente de inadimplentes representa a capacidade de expansão da demanda interna e limita o potencial de crescimento econômico do Estado. Ele afirma que, quando uma parcela expressiva da população possui restrições de crédito, ocorre redução do consumo de bens duráveis, menor oferta de serviços e postergação de investimentos familiares. Esse comportamento afeta diretamente o comércio, os serviços e parte da indústria voltada ao mercado interno. Setores ligados às exportações ou ao agronegócio tendem a apresentar menor sensibilidade imediata à inadimplência das famílias, pois dependem menos do mercado consumidor interno.

Entre a população adulta, 50,9% dos brasileiros estão com o nome negativado. Já no Rio Grande do Sul, esse percentual é menor, de 46,5%. Em relação ao perfil dos inadimplentes, a distribuição por gênero é praticamente equilibrada: no Estado, homens e mulheres representam 50% cada, enquanto no cenário nacional, as mulheres têm uma participação ligeiramente maior, com 50,5%, ante 49,5% dos homens.

Apesar do crescimento do índice no País representar o dobro de maio, que foi de 0,14%, junho ainda representa o segundo menor índice do ano.

“O que a gente tem visto é essa busca por educação financeira, inserção do consumidor em busca de renegociar e encontrar formas de poder quitar essas dívidas”, explica Aline Vieira.

“Cada vez mais a gente tem feito ações, como os nossos mutirões de renegociação de dívida para que os brasileiros consigam entrar em contato com esses bancos e negociar suas dívidas com mais desconto”, afirma.

Diomedi agrega a discussão ao elaborar que a manutenção do emprego formal e o crescimento da renda real são fundamentais para ampliar a capacidade de pagamento das famílias.

“Outro fator relevante é a trajetória dos juros. Caso ocorra a continuidade do processo de redução das taxas de juros ao longo dos próximos meses, haverá melhora das condições de renegociação do crédito e do fluxo de recursos no sistema. Também será importante acompanhar a inflação”, defende. Um dos desafios é ampliar o acesso ao crédito para despejar a necessidade. (Jornal do Comércio)

Lactalis compra seção de queijos finos de cooperativa canadense Agropur

A cooperativa canadense de laticínios Agropur concordou em vender seu negócio de queijos finos à Lactalis, em um movimento estratégico para simplificar suas operações e concentrar investimentos em suas principais atividades de valor agregado. A transação proposta inclui as unidades de produção da Agropur em Oka e Saint-Hyacinthe, juntamente com as marcas associadas ao seu portfólio de queijos finos. Os termos financeiros do acordo não foram divulgados.

Segundo a Agropur, a transação faz parte de uma estratégia mais ampla para simplificar suas operações e fortalecer sua competitividade de longo prazo, concentrando-se em áreas do negócio com maior potencial de crescimento. Roger Massicotte, presidente da Agropur, afirmou: “Esta decisão foi cuidadosamente considerada e tem como objetivo fortalecer a competitividade de longo prazo da cooperativa e garantir sua sustentabilidade. Embora lucrativo, o negócio de queijos finos representa apenas uma pequena parcela de nossas operações, respondendo por aproximadamente 2% de nossa receita consolidada e 2% do leite processado em nossas unidades no Canadá.”

Após a conclusão da transação, a Agropur informou que priorizará investimentos em categorias estratégicas de produtos. Émile Cordeau, CEO da Agropur, afirmou: “Nos próximos anos, a Agropur concentrará seus esforços e investimentos em atividades estratégicas que gerem o maior valor para seus produtores de leite associados, especificamente a produção de leite fluido, incluindo leite de maior valor agregado, queijo industrial, manteiga e ingredientes lácteos.” Ele acrescentou que a medida fortaleceria a posição da cooperativa como fornecedora preferencial de produtos lácteos para a indústria de alimentos, ao mesmo tempo em que permitiria que ela continuasse desenvolvendo produtos de alta qualidade alinhados às mudanças na demanda dos clientes.

A Agropur também reconheceu a tradição de seu negócio de queijos finos, que inclui a icônica marca Oka, e afirmou que trabalhará em conjunto com a Lactalis para garantir uma transição tranquila para funcionários e parceiros comerciais. Olivier Gardère, presidente da categoria de queijos no Canadá, afirmou: “A Agropur reconhece a importância histórica de seu negócio de queijos finos em Québec e deseja destacar a experiência e a dedicação dos funcionários que contribuíram para esse setor. A Agropur trabalhará em estreita colaboração com a Lactalis até que a transação seja concluída, a fim de garantir uma transição organizada para funcionários e parceiros.”

A Agropur é a maior cooperativa de laticínios do Canadá, operando 28 unidades de produção no Canadá e nos Estados Unidos. Em 2025, a cooperativa gerou receita de 8,9 bilhões de dólares canadenses (US$ 6,32 bilhões) e processou 6,7 bilhões de litros de leite em nome de seus 2.700 produtores de leite associados. A transação permanece sujeita à aprovação regulatória.

As informações são do FoodBev.com, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

Vídeo oficial mostra os principais momentos do lançamento do Milk Summit Mercosul 2026
O vídeo oficial do lançamento do Milk Summit Mercosul 2026 já está disponível e reúne os principais momentos do evento que marcou a abertura das inscrições e o início da contagem regressiva para a segunda edição do principal encontro da cadeia leiteira do Mercosul. Realizado em Ijuí (RS), o lançamento reuniu cerca de 200 participantes, entre produtores, indústrias, cooperativas, pesquisadores, estudantes, empresas e lideranças do setor, em uma programação voltada à inovação, competitividade, mercado, gestão de riscos, sustentabilidade e perspectivas para a cadeia leiteira. Agora, a expectativa é para os dias 14 e 15 de outubro, quando o Milk Summit Mercosul 2026 reunirá especialistas nacionais e internacionais durante a ExpoFest Ijuí, promovendo dois dias de conteúdo técnico, networking e oportunidades de negócios. Assista ao vídeo oficial do lançamento clicando aqui.  Garanta sua participação no Milk Summit Mercosul 2026. Inscreva-se clicando aqui.