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20/07/2026

Porto Alegre, 20 de julho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.674


Parceria garante a produção de leite

Organizações fazem a coleta, o processamento e a distribuição, auxiliando na manutenção da atividade no Estado

A maior parte do leite consumido no Rio Grande do Sul, seja na forma fluida ou de derivados, vem de pequenas propriedades rurais. De acordo com pesquisa da Emater/RS-Ascar, dos 28,9 mil pecuaristas que fornecem leite cru a indústrias, cooperativas e queijarias ou processam a produção em agroindústrias próprias formais, 93% são classificados como agricultores familiares. A pecuária leiteira é uma das frentes do agronegócio fornecedor de alimentos em que mais se percebe o papel crucial do cooperativismo.

Presentes em todas as regiões do Estado, as organizações do setor coletam leite diariamente em milhares de estabelecimentos rurais de pequeno porte — muitas vezes localizados em áreas remotas ou de difícil acesso —, fazem o processamento e garantem a distribuição aos pontos de venda. Elas também ajudaram a tornar as propriedades leiteiras mais eficientes diante das mudanças do mercado na última década, período em que muitos pecuaristas, desanimados com as baixas margens de lucro, acabaram migrando para outras atividades.

O presidente da cooperativa CCGL, Caio Vianna, diz que a concentração da produção de leite em um número cada vez mais reduzido de propriedades é uma tendência irreversível em termos mundiais.

“O simples fato de que mais pessoas querem consumir com garantia de qualidade, segurança alimentar e preço mais baixo obriga o campo a se modificar. Nós (as cooperativas) temos procurado (oferecer) ferramentas”, observa Vianna. “Esse produtor não pode ficar 20 anos nos bancos escolares sendo treinado nas questões agronômicas, dos manejos culturais, de genética. Ele tem que receber essa informação, colocá-la em prática e usufruir, senão não sobrevive.”

Entre 2023 e 2025, o número de criadores de gado leiteiro no RS caiu 12,3%, para 28,9 mil. Já a quantidade de vacas leiteiras recuou de 769,8 mil para 742,5 mil no mesmo período, segundo dados da Emater/RS-Ascar.

Infraestrutura e logística

Uma das principais processadoras de laticínios do Estado, a CCGL recebe 2 milhões de litros de leite por dia por meio de suas 25 cooperativas associadas. Dos 2,4 mil produtores de leite vinculados à organização, 75% são pequenos, mas a dimensão das propriedades não limita o volume da coleta.

“Temos produtores de 16, de 20 hectares que são superprodutivos. Através do cooperativismo, tendo acesso à tecnologia e assistência, muitos produzem 2 mil, 3 mil litros (de leite por dia) em uma pequena área”, exemplifica Vianna.

Os agricultores familiares também conectam as cooperativas no escoamento da produção de leite e lácteos, levando-a inclusive a outros estados.

“O Rio Grande do Sul exporta 70% do leite que produz, a população gaúcha só consegue consumir 30%”, observa Vianna.

Para o pecuarista Vanderlei Carlos Goin, de Nova Prata, o cooperativismo significou não apenas mais renda, mas sobretudo a permanência na atividade leiteira. Filho de produtores rurais, ele administra um rebanho de 50 vacas, das quais 28 atualmente em lactação, em uma área própria de 13 hectares e outra parte na propriedade dos pais.

Segundo Goin, a família trabalhava em parceria com a Cooperativa Agrícola Mista Ibiraiaras (Coopibi) e, desde 2001, vinha elevando a produção. Há uma década, com o suporte direto da CCGL, o resultado no tambo mais que dobrou. Hoje, dependendo da época do ano, ele coleta até 32 litros diários por vaca, com uma média de 25 mil a 30 mil litros por mês.

Para chegar a esse desempenho, o pecuarista conta que passou a adotar o sistema de piquetes (ou pastejo rotacionado).

“Antes, não se tinha o manejo correto, simplesmente se largava a vaca no pasto. Eles orientaram a piquetear, a colocar as vacas para pastarem no turno da noite. Foi o diferencial”, afirma.

Outra mudança que fez diferença foi a estratégia mais eficiente para a produção de pasto, garantindo forragem de ciclo mais longo para os animais.

“Hoje se usa azevém tetraploide, que dura de abril a novembro. Tu tens uma produção melhor e reduz o custo. Os técnicos nos ajudam também na questão do solo”, acrescenta Goin.

Todos esses avanços são recompensados pelos programas de bonificação das indústrias de laticínios, que oferecem incentivos financeiros na entrega de leite com maior qualidade. Em 2025, a CCGL distribuiu mais de R$ 30 milhões entre os produtores associados que forneceram leite de forma ininterrupta ao longo do ano — um retorno de R$ 0,0548 por litro entregue.

Segundo Goin, a renda extra permite ao pecuarista fazer investimentos na fazenda, mas tão importante quanto isso é a segurança proporcionada pela relação com a cooperativa.

“Tu entregas (o leite) e sabes que vais receber. E a segurança na compra de insumos, como comprar sementes, adubos: tu tens certeza que tem coisa boa. Eu sempre gostei de cooperativismo e não me vejo fora disso”, diz.  (Correio do Povo adaptado pelo Sindilat/RS)


Secretário da Agricultura acompanha inauguração do primeiro Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa

O secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena, participou, em Buenos Aires, da inauguração do primeiro Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. A iniciativa representa um importante avanço na estrutura de prevenção e enfrentamento de eventuais emergências sanitárias envolvendo a doença.

Durante a agenda, o secretário acompanhou de perto a implantação de um investimento considerado estratégico para a sanidade animal brasileira. O banco de antígenos amplia a capacidade de resposta do país em situações de risco, contribuindo para a proteção do rebanho nacional e para a manutenção da credibilidade da proteína animal brasileira nos mercados internacionais.

A participação do Rio Grande do Sul na cerimônia reforça o compromisso do Estado com a defesa sanitária. Em 2026, o Estado completa cinco anos do reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um trabalho contínuo desenvolvido pelo serviço veterinário oficial em conjunto com os produtores rurais e toda a cadeia pecuária.

O Banco Brasileiro de Antígenos é fruto da parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó. A iniciativa fortalece a estrutura nacional de prevenção e resposta à febre aftosa, contribuindo para preservar o status sanitário do país e ampliar a segurança da agropecuária brasileira diante de possíveis emergências. (As informações são do Instagram adaptadas pelo Sindilat/RS)

 

Novas tecnologias contribuem para o sucesso do setor

Há 16 anos no comando da Fazenda São Domingos, em Espumoso, o pecuarista Ederson Parisotto é um dos pequenos produtores mais bem-sucedidos entre os ligados a cooperativas filiadas ao grupo CCGL. Associado à Cotriel, o produtor revela que, antes da pandemia de Covid-19, ele e os pais cogitaram abandonar a produção de leite e cultivar soja.

“Era menos trabalhoso. Mas não íamos ter aquele giro (financeiro) todo mês”, afirma.

A família persistiu, e o leite hoje é o carro-chefe da fazenda, que em 30 hectares concentra 128 vacas, a maior parte da raça holandesa, das quais quase 40 estão em ordenha. Sob a orientação das duas cooperativas parceiras, Parisotto diz que sua média diária de coleta, antes de 20 a 25 litros por vaca, saltou para 30 litros diários por animal. A produção mensal da fazenda fica entre 28 mil e 35 mil litros.

O segredo desse desempenho, segundo o pecuarista, está no acesso a tecnologias capazes de deflagrar pequenas revoluções no campo. Ele cita o SmartCoop, aplicativo de gestão idealizado pela CCGL e lançado em um projeto coordenado pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro/RS) em 2021. Pela plataforma digital, os pecuaristas podem gerenciar rebanhos, finanças, talhões (lavouras), prever o tempo e gerar ordens de venda. Produtores de leite que fazem uso contínuo do sistema podem receber bonificações de R$ 0,03 por litro de leite.

“Conseguimos colocar os animais em teto produtivo, secar os animais nas datas certas. A gente saiu do papel para entrar na tecnologia. Está sempre disponível para nós”, destaca Parisotto.

O tambo também respondeu com mais eficiência à instalação de medidores de fluxo na propriedade, para coletar amostras de leite e fazer o controle da chamada CCS, ou contagem de células somáticas, um dos principais indicadores da qualidade do leite. Esse monitoramento ajuda na detecção precoce de mastite das vacas.

“As cooperativas disponibilizam essas ferramentas que nos auxiliam diariamente. A gente vê o retorno ali no dia a dia: animais melhores, produzindo mais”, diz Parisotto. (Correio do Povo)


Jogo Rápido

INOVAÇÃO AGROINDUSTRIAL: Fiergs e Embrapa firmam parceria
A Fiergs firmou um termo de cooperação entre o Centro de Excelência em Agricultura Digital (Cedra) e a Embrapa para criar soluções tecnológicas para a agroindústria, especialmente as pequenas e médias. Na prática, o acordo permitirá que pesquisadores da Embrapa, especialistas do Senai/RS e empresas desenvolvam projetos conjuntos para acelerar o desenvolvimento, a validação e a transferência de tecnologias destinadas à agricultura digital e à agroindústria por meio do projeto Semear Digital.Segundo o coordenador do Cedra, Victor Gomes, a parceria permitirá compreender as necessidades do campo. "Essa aproximação fortalece as empresas que desenvolvem tecnologia, permitindo criar soluções mais aderentes às demandas do campo, tanto para desafios atuais quanto para inovações capazes de transformar mercados e gerar valor para toda a cadeia produtiva", explicou. (Jornal do Comércio)