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Porto Alegre, 10 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.774

Dados mostram mudanças no hábito de consumo dos lácteos

Enquanto as vendas de leite comum estão em declínio há anos e a produção de iogurte dos EUA caiu após o pico em 2014, novos dados mostram o crescimento contínuo do consumo de queijos, manteiga, café pronto para beber, iogurtes de beber e bebidas proteicas com produtos lácteos. Isso sugere que o crescente interesse por produtos de origem vegetal não levou a uma 'fuga em massa' dos consumidores de lácteos, mas que os hábitos de consumo estão mudando.

De acordo com dados do IRI para o ano civil de 2017, as vendas varejistas nos EUA de leite fluído caíram 2,4% nos canais medidos, enquanto as vendas de alternativas vegetais subiram 4%. No entanto, as vendas de leite aromatizado cresceram 1,8%, as vendas de leite sem lactose aumentaram 13,6%, as vendas de iogurtes subiram 19,2% e as vendas de café refrigerado pronto para consumo - que muitas vezes é misturado com leite - aumentaram 22,8%.

"De manhã, enquanto as pessoas podem não estar mais colocando leite junto dos cereais, elas estão obtendo leite de diferentes maneiras", disse Paul Ziemnisky, vice-presidente executivo de parcerias globais de inovação da Dairy Management, uma organização financiada pelos produtores de leite dos Estados Unidos e importadores e responsável pelo direcionamento do consumo. 

"Talvez eles estejam tomando iogurte grego com granola, latte da Starbucks, Dunkin Donuts com 70-80% de leite, frappé do McDonalds McCafé ou um leite com proteínas de sabor chocolate ou morango. Vale destacar que quando falamos em leite, muitos consumidores pensam em fonte de cálcio, mas, há uma grande oportunidade para a indústria lembrá-los que o produto também possui proteína de alta qualidade. É interessante pensar em maneiras de como o leite pode ser disponibilizado, pois já estamos vendo dados sugerindo que o leite com sabor, por exemplo, está direcionando o consumo de leite nas escolas".

Produtos integrais estão ganhando força
Os produtos lácteos integrais também vêm ganhando força, já que os compradores buscam opções de 4% de gordura láctea nas categorias leite, iogurte, requeijão, queijo natural, queijo cottage, creme azedo e novidades congeladas, segundo dados do IRI, com participação percentual no total de leite aumentando de 33% em 2012 para mais de 40% nos primeiros cinco meses de 2018. Isso é um possível sinal de que provavelmente as vendas de leite desnatado e com baixo teor de gorduras estão 'perdendo terreno'.

O setor de lácteos também tem investido em campanhas que promovam os lácteos como alimentos pouco processados comparado por exemplo, com as opções vegetais. No corredor dos spreads(produtos cremosos, como o requeijão e a manteiga, por exemplo), o posicionamento como 'comida de verdade' está realmente destacando a manteiga, que continuou ganhando força sobre as margarinas à base de óleo vegetal. A opção está sendo vista como mais natural e menos processada. Também, apresenta um rótulo mais simples e limpo, fato que - para os consumidores - também está associado à saúde. Segundo Ziemnisky, os lácteos com mais gorduras estão ganhando força visto que o paladar é mais agradável e eles saciam mais.  Na categoria de sorvetes, marcas como Halo Top, Enlightened e Arctic Zero estão se destacando devido a menor lista de ingredientes e menos calorias.
"Tudo isso serve como um lembrete de que os consumidores têm diferentes preocupações dependendo da categoria e dependendo da ocasião de uso, e que gosto, estados de necessidade emocional e outros fatores são tão importantes quanto a nutrição e a sustentabilidade na tomada de decisões", disse Ziemnisky.

Outras categorias
As vendas de leite com chocolate estão crescendo tanto por causa do sabor, como também, por várias marcas disponibilizarem opções para recuperação esportiva, como a Fairlife. Ela atende a demanda por mais proteínas e menos açúcar e atingiu US$ 250 milhões em vendas no ano passado.

Em vez de se concentrar obstinadamente em cessar o declínio das vendas de leite comum, a nova campanha "Undeniably Dairy", nos Estados Unidos, abrange uma ampla gama de categorias de lácteos que refletem a mudança nos padrões alimentares. "Há muito mais opções ao leite do que apenas o galão branco. Por isso, estamos realmente empenhados em atender aos estilos de vida em evolução dos consumidores".

Lácteos versus bebidas vegetais
Questionado sobre os desafios específicos na categoria de leite fluido, onde o leite está perdendo terreno para as bebidas de amêndoas, caju, coco e outras alternativas à base de plantas, o diretor científico da National Dairy Council, Greg Miller, disse: "Há muita desinformação na internet sobre nutrição e saúde e as vozes mais altas parecem estar vindo do setor vegano. Isso é lamentável, porque os consumidores não percebem que um copo de leite tem 8g de proteína, enquanto um copo de leite de amêndoa tem 1g. A soja tem mais proteína, mas suas vendas estão diminuindo. O leite também contém outros nutrientes que as bebidas à base de plantas não têm, e mesmo quando as fortificam, apenas adicionam cálcio e vitamina D, enquanto o leite contém potássio, iodo, fósforo e vitaminas B2 e B12, além de cálcio [encontrado naturalmente no leite] e a vitamina D [que é adicionada ao leite]. Também sabemos que o cálcio nas bebidas à base de plantas não é tão bem absorvido".

Segundo Greg,  as recomendações atuais de proteína se baseiam em necessidades mínimas, mas dados mais recentes indicam que as pessoas necessitam de uma ingestão mais alta, especialmente à medida que envelhecem e começam a perder massa corporal magra. "Portanto, a ingestão ótima é maior do que a recomendada atualmente. A outra coisa que eu diria é que a qualidade da proteína em bebidas à base de vegetais não é a mesma proteína completa que se obtém no leite de vaca".

Crianças e leite de vaca
Quanto às crianças, disse ele, alguns especialistas em nutrição infantil, como a Canadian Pediatric Society, também começaram a alertar os pais que nem todas as opções de leite à base de plantas são equivalentes ao leite. "Os profissionais de saúde continuam recomendando que as crianças recebam leite suficiente em suas dietas e a Academia Americana de Pediatria está impulsionando e disseminando o consumo do produto nas refeições". (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e resumidas pela Equipe MilkPoint)

 
 

Perspectivas do USDA sobre o mercado lácteo da Europa- Relatório 27 de 05/07/2018

Leite/Europa - De um modo geral o aumento da produção de leite da União Europeia (UE) no primeiro semestre de 2018 foi destinada à produção de leite. A expectativa é de que a produção de queijo irá permanecer em níveis elevados porque os mercados estão absorvendo queijos a preços atraentes, e as indústrias acreditam que podem vender mais.

A produção de manteiga é a segunda prioridade. Existe alguma incerteza em relação aos preços da manteiga em um futuro imediato. A produção de leite na UE de janeiro a abril subiu 2% de acordo com a Eucolait. A produção de queijo de janeiro a abril foi 2,4% maior. A média do preço do leite pago aos produtores na UE é de 32,8 €/100 kg, conforme informação apresentada no dia 28 de junho pela Eucolait à Comissão de Economia do Observatório do Mercado Lácteo.

Os Estados Membros da Europa Ocidental acreditam que obtiveram sucesso substancial no desenvolvimento e manutenção de mercados exportadores para vários produtos lácteos. Fontes da UE observam que o sucesso veio depois de muitos anos na construção e manutenção de relações com clientes e Nações. Os exportadores da UE comentam que a estabilidade é um importante fator para manutenção de relações comerciais. Agora, com as recentes medidas, que resultaram na imposição pela China de tarifas sobre as importações de produtos norte-americanos, comerciantes e indústrias da UE estão trabalhando para expandir o alcance das exportações de lácteos. Levando em consideração que as relações comerciais, uma vez rompidas, depois não se unem facilmente, muitos operadores procuram preencher o espaço aberto com a interrupção das exportações de lácteos dos Estados Unidos.

Algumas fontes da UE receberam informações de que a União dos Emirados Árabes (UAE) estão planejando introduzir requisitos de avaliação de conformidade para as importações de produtos lácteos. Isso em decorrência de um decreto que proposto, para que haja avaliação do leite e de produtos lácteos importados para a UAE. Se o decreto for aprovado, deve resultar em mais requisitos de certificação, o que pode elevar os custos de exportação. (Usda - Tradução Livre: Terra Viva)

 
 
 
 

CRÍTICAS POR TABELA
Entidades do agronegócio assinaram ontem nota conjunta contra o tabelamento de frete. Medida provisória que pode ser votada amanhã no plenário da Câmara é alvo de crítica por parte de 39 entidades, entre as quais a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que divulgou vídeo nas redes sociais. Diversos prejuízos são citados e há alerta sobre o impacto na inflação. Segundo o documento, as exportações de milho serão afetadas - a estimativa é de queda de 10% no volume, em razão do represamento da produção. O texto aponta, também, que produtores rurais não compraram fertilizantes para a safra 2018/2019 no prazo correto por causa da tabela do frete. Eles devem adquirir o insumo a preços mais altos, o que pode acarretar maior custo de produção na próxima temporada e aumento dos preços dos alimentos. Também há tendência, dizem as representações, de a produção cair em razão dos mesmos fatores. (Zero Hora)
 

 

Porto Alegre, 09 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.773

Sindilat participa do Encontro Nacional da Indústria 
 
O presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, integrou comitiva da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) no 11º Encontro Nacional da Indústria (ENAI), convenção anual do setor industrial brasileiro realizada em Brasília nos dias 3 e 4 de julho. Organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) desde 2006, o evento reuniu empresários, sindicatos e federações de indústrias para alinhas e validar posicionamentos sobre ações que visam a defesa da indústria nacional.
O encontro levou para o palco candidatos à presidência da República - onde cada um pode se manifestar por tempo determinado. Após os presidenciáveis responderem a três questionamentos feitos pelos representantes das federações presentes, a plateia teve a oportunidade de eleger a pergunta de maior interesse do setor industrial. Para Guerra, iniciativas como essas são importantes para aproximar os presidenciáveis sobre a realidade do setor industrial brasileiro. "Mostramos a preocupação da indústria com o cenário político-econômico e pontuamos as ações necessárias para o setor voltar a crescer", destacou Guerra. O presidente do Sindilat informou ainda que os representantes da indústria entregaram aos candidatos uma agenda com pontos que precisam de atenção do governo, para que no futuro venha a integrar o plano de governo do novo (a) presidente (a). (Assessoria de Imprensa Sindilat)
 
Foto: José Paulo Lacerda/CNI (Assessoria de Imprensa Sindilat)
 
 

Sindilat é homenageado nos 25 anos da Embrapa Clima Temperado

O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat) foi homenageado nos festejos dos 25 anos da Embrapa Clima Temperado, instituição federal de pesquisa e fomento à agropecuária com sede em Pelotas/RS.  Ao lado de outras 13 entidades que representam o setor primário, o Sindilat foi o destaque na categoria Cadeia Produtiva, reconhecimento pelo apoio e parceria na construção e divulgação de conhecimento e soluções tecnológicas e inovadoras em prol do desenvolvimento regional.

O presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, recebeu a placa durante a cerimônia realizada no dia 6 de julho, no auditório Ailton Raseira, na sede da Embrapa.  Na oportunidade, o Sindilat também entregou placa alusiva aos 25 anos da empresa de pesquisa reconhecida nacionalmente pela larga história de contribuições para a região de clima temperado brasileira. A Embrapa Clima Temperado desenvolve atividades nas áreas de recursos naturais, meio ambiente, grãos, fruticultura, olerícolas, sistemas de pecuária com ênfase para gado e agricultura de base familiar. (Assessoria de Imprensa Sindilat) 

RESTRIÇÃO DA OFERTA FAZ LEITE SUBIR 28%

A menor oferta de leite levou ao aumento de 28% nos preços pagos ao produtor no primeiro semestre do ano. Apesar da alta, o preço ainda está abaixo do registrado em igual período do ano passado, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.

- Todo ano é consequência do anterior. Em 2017, houve amplitude de preços, com o primeiro semestre de valorização e o segundo de queda significativa. A receita do produtor ficou muito volátil - pondera Natália Grigol, pesquisadora do Cepea/Esalq.

O consumo em baixa, pelo menor poder aquisitivo da população, influenciou a formação de preços. O resultado foi o abandono da atividade por muitas famílias e um início de 2018 de preços abaixo de R$ 1. Além disso, a produção está abaixo do esperado.

- A safra não veio como era para vir - detalha Alexandre Guerra, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Derivados do Estado (Sindilat-RS).

Para julho, a estimativa da indústria é de que haja manutenção dos preços, tanto para os produtores quanto para os consumidores. (Zero Hora)

 
 

Perspectivas do USDA sobre o mercado lácteo da América do Sul - Relatório 27 de 05/07/2018

Leite/América do Sul - A produção de leite nas fazendas continua forte e melhorando continuamente na América do Sul, especialmente no Cone Sul. As condições climáticas favoráveis das últimas duas semanas melhoraram o conforto animal, e consequentemente a produção de leite. 

De um modo geral, o volume de leite produzido no momento, está acima dos níveis registrados no ano passado. Além disso, o preço nominal do leite ao produtor permanece relativamente alto, incentivando os produtores a maximizar a entrega de leite. Entretanto, os custos operacionais estão relativamente elevados em decorrência dos efeitos da seca na safra de grãos no primeiro trimestre do ano. A oferta de leite e creme está atendendo as necessidades da indústria. O processamento deve crescer nos próximos dias, já que começam as férias de inverno na maioria das escolas. No varejo as vendas de alguns produtos lácteos, como queijo, manteiga e leite condensado estão muito ativas, principalmente por causa da Copa do Mundo. Em termos de produção de leite, o Uruguai começa a recuperação desde as últimas inundações e excesso de umidade ocorridas duas semanas atrás. No Brasil, a indústria se recupera da greve dos caminhoneiros do final de maio, que paralisou a economia do país por 11 dias. O governo do Brasil estima as perdas econômicas em US$ 2,5 bilhões durante a greve. No entanto, a indústria de laticínios do país já apresenta sinais de normalização. (Usda - Tradução Livre: Terra Viva)

 
 
 
 

Por que os produtores não doam o leite em vez de jogarem fora quando são impedidos de entregarem à indústria? Responde: Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS)
O leite é um produto vivo e, exatamente por isso, sujeito a rígidas regras de controle de produção. Assim que as vacas são ordenhadas, o alimento é armazenado em tanques resfriadores para que cheguem o mais rápido possível a 4ºC de temperatura. O leite é transportado em tanques isotérmicos até as fábricas, processo que não pode levar mais de 48 horas. Na indústria, o produto cru é analisado e, somente após atestada sua qualidade, é descarregado para ser pasteurizado. Esse processo é obrigatório por lei, pois somente ele garante a destruição dos microrganismos patogênicos que podem estar presentes no alimento. Os produtores que tiveram sua produção retida, o que ocorreu durante a greve dos caminhoneiros, não puderam doar o leite armazenado na propriedade porque ele extrapolou o prazo de 48 horas nos resfriadores e não havia transporte adequado para carregar esse produto de maneira segura. Com os tanques lotados devido à interrupção das rotas por vários dias, os criadores também não tinham resfriador para armazenar o produto. Além das dificuldades dos tambos, é importante alertar que, para ser distribuído para o consumo humano, o leite precisa ser transportado, industrializado e envasado corretamente. (Zero Hora)
 
 

 

 

 

Porto Alegre, 06 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.772

Alimentos têm queda

A tensão gerada pela política comercial protecionista dos EUA fez os preços dos alimentos caírem pela primeira vez desde o início deste ano no mercado internacional. O índice medido pela Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que acompanha uma cesta de produtos no mercado internacional, caiu 1,3% em junho, na comparação com maio, para 173,7 pontos. A maior pressão veio das cotações de trigo, milho e óleos vegetais, incluídos os de soja. 

 

O indicador para os cereais caiu 3,7% na comparação mensal, para 166,2 pontos. "Apesar da piora geral das perspectivas de produção, os preços do trigo e do milho caíram em junho, seguindo tendências similares observadas na maioria das commodities decorrentes do aumento das tensões comerciais. Por outro lado, os preços internacionais do arroz aumentaram", diz relatório da FAO. O indicador de óleos vegetais ficou em 146,1 pontos, com queda de 3% e atingindo a menor pontuação em 29 meses. Houve declínio nos preços de soja, girassol e palma, com o dólar exercendo pressão de baixa. A soja também vem sendo pressionada pela decisão da China de taxar a oleaginosa dos EUA em retaliação às políticas protecionistas do governo Trump. Os lácteos recuaram 0,9% na comparação mensal, com queda nos preços dos queijos compensando a alta do leite em pó desnatado. 

 
A manteiga e o leite em pó integral ficaram estáveis. No caso das carnes, os preços médios internacionais subiram 0,3%, para 169,8 pontos, em função de uma pequena alta nas carnes de ovinos e de suínos, enquanto a bovina e a de frango caíram. "O grande volume de exportações da Austrália explica o declínio na carne bovina, enquanto a ampla oferta de exportação, especialmente do Brasil, em meio à fraca demanda de importação, pressionou os preços das aves". O índice para o açúcar também subiu em junho, 1,2% sobre maio, com as preocupações acerca da queda na produção brasileira. (Valor Economico) 
 
 

Volume importado de leite cai 19% em junho

Segundo os dados mais recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as importações de leite caíram 19% em junho na comparação com maio (em equivalente leite). Em comparação com junho de 2017, a queda foi de 34,4%, consolidando o primeiro semestre de 2018 como o de menor volume importado nos últimos anos. Dessa forma, o déficit da balança comercial láctea no Brasil está aproximadamente 190 milhões de litros em equivalente leite menor no 1º semestre de 2018 frente ao mesmo período de 2017, e mais de 250 milhões de litros menor frente ao 1º semestre de 2016; indicando uma menor "dependência" do leite importado no Brasil. Observe o gráfico 1.

Gráfico 1. Saldo semestral da balança comercial brasileira de lácteos. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados da Secex.

 

Analisando a queda mensal de 19% em junho, grande parte foi por conta da redução no volume importado de leite em pó integral. Com 3,6 mil toneladas, a redução mensal foi de 45% em relação às 6,5 mil toneladas internalizadas no mês anterior. Já no leite em pó desnatado, observou-se um aumento de 5%, sendo importadas 2,2 mil toneladas nesse mês, quando em maio foram importadas 2,1 de leite em pó desnatado.

Para os queijos, as 2,7 mil toneladas representam um aumento de 20% na importação do produto em relação a maio, quando importamos 2,2 toneladas. Nas manteigas, as 0,436 mil toneladas importadas representam estabilidade, variação de 2% frente às 0,428 mil toneladas em maio. Confira os dados da balança comercial láctea na tabela 1:

Tabela 1. Balança comercial láctea em maio de 2018. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados da Secex.
 

Para verificarmos a quantidade de leite em pó importada nesse primeiro semestre, fizemos uma análise da soma de quantas mil toneladas (MTon) internalizamos por mês de leite em pó integral e desnatado. Pudemos observar quais estão sendo os efeitos da desvalorização do real frente ao dólar que ocorreu nos últimos meses. O acumulado no ano de 2018 de 38 MTon foi 41% menor do que o acumulado de 2017. Confira a evolução no gráfico 2: (MilkPoint)

Gráfico 2. Acumulado de importações de leite em pó. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados da Secex.
 

Brasileiro conhece pouco sobre coleta e reciclagem


(Jornal do Comércio)

 

A EMBRAPA Clima Temperado, com sede em Pelotas, realizou hoje cerimônia especial para celebrar os 25 anos de atuação. A estrutura surgiu da fusão, em 1993, do Centro Nacional de Pesquisas de Fruteiras de Clima Temperado com o Centro Nacional de Pesquisas de Terras Baixas. (Zero Hora) 
 

 

Porto Alegre, 05 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.771

Projeto de lei que limita importações de leite é aprovado por Comissão

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) aprovou, nesta quarta, dia 4, o Projeto de Lei 9044 de 2017, que obriga a adoção de medidas de restrição às importações de leite in natura, leite em pó e soro do leite em pó. O relator, deputado federal Celso Maldaner (MDB-SC), afirmou que 2017 o Brasil importou 1.257 milhões de litros, um volume menor do que as excepcionais importações de 2016, de 1.845 milhões de litros. 

Entretanto, segundo Maldaner, 2017 registrou a segunda maior compra de lácteos, desde o ano de 2001, com o volume importado equivalente a 5,2% do leite adquirido pelas indústrias naquele ano. O produto mais importado foi o leite em pó (61%), seguido pelos queijos (26%), com maior concentração na Argentina e Uruguai. "Sendo assim, é fundamental a aprovação deste projeto, visando além da proteção do meio ambiente, um equilíbrio do comércio internacional de produtos lácteos" explicou o deputado.

Sobre a lei
A proposta é de autoria do deputado Evair de Melo (PV-ES) e autoriza a Câmara de Comércio Exterior (Camex) a adotar medidas de restrição às importações de bens de origem agropecuária ou florestal produzidos em países que não observem normas e padrões de proteção do meio ambiente, compatíveis com as estabelecidas pela legislação brasileira. O PL tem co-autoria dos deputados Sérgio Souza (PMDB-PR) e Zé Silva (SD-MG).

"A legislação brasileira é complexa e rigorosa no que tange à proteção do meio ambiente. Mas, ao mesmo tempo, reforça que essas mesmas regras submetem os produtores à condições que podem ser desvantajosas frente aos concorrentes estrangeiros, em termos de custo de produção e competitividade brasileiros", defende o deputado Evair. 

Na apresentação do PL, no ano passado, Melo afirmou que as commodities agrícolas têm papel de destaque nas exportações do País, mas, com frequência, o produtor brasileiro fica em condição desigual em relação àqueles que têm seus empreendimentos sediados em países que estabelecem menores exigências. 

Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e já foi aprovada pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços e de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; faltando apenas de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Canal Rural)   

Quarta edição do Seminário Regional do Leite é realizada em Ronda Alta

Seminário do Leite/RS - Para fomentar e qualificar a cadeia produtiva do leite na região, a Emater/RS-Ascar, a Prefeitura de Ronda Alta e a Câmara Setorial Regional do Leite promoveram, na terça-feira (03/07), a quarta edição do Seminário Regional do Leite. O município de Ronda Alta sediou o evento e recebeu cerca de 300 participantes no Salão do Esporte Clube Brasil, entre produtores, autoridades e lideranças envolvidas no setor dos 42 municípios das regiões Médio Alto Uruguai e Rio da Várzea.

Nesses 42 municípios da região, a atividade leiteira envolve mais de sete mil famílias de agricultores e desempenha importante papel no desenvolvimento econômico e social das famílias rurais. Por essa razão, o objetivo do Seminário foi proporcionar um espaço para discussão de temas relacionados à atividade leiteira, tanto no aspecto técnico, que envolve a produção de alimento e bem-estar animal, quanto em relação à legislação e ao cenário da atividade, no que diz respeito ao preço e à comercialização. A busca de melhores resultados na produção de leite a partir da intensificação de pastagens foi tema do primeiro painel apresentado no Seminário. O assunto foi ministrado pelo pesquisador da Embrapa Trigo de Passo Fundo, Renato Fontaneli, que apresentou possibilidades de forrageiras, variedades consorciadas e exemplos que podem ser alternativas para os produtores nos períodos de vazios, para manter a produção e a oferta de alimento aos animais.

De acordo com Fontanelli, a produção média de leite produzida na região ainda é muito baixa. Segundo ele, é possível alcançar produtividade maior, a partir do planejamento forrageiro, e do manejo adequado de cada variedade, por meio da intensificação do uso das pastagens de forma sustentável. Com Assistência Técnica é possível manter boas pastagens durante o ano todo. Quanto mais forrageiras de boa qualidade na dieta, menor será o custo de produção. Não existe receita, o planejamento varia de propriedade para propriedade, em função dos recursos humanos e materiais, afirmou o pesquisador.

Outra temática que contribuiu com a programação destacou o conforto e o bem-estar animal através da implantação de sombra nos piquetes, manejadas por meio do Sistema Silvipastoril, e os benefícios que geram. Segundo o pesquisador da Embrapa Florestas, Vanderley Porfírio da Silva, alguns aspectos estão relacionados ao bem-estar animal, como a água, alimento, a proteção, o movimento, os tratos sociais saudáveis, piso confortável e o conforto térmico. Considerando apenas um desses aspectos, o conforto térmico, o pesquisador trouxe o Sistema Silvipastoril como uma possibilidade de produção que contribui para o bem-estar dos animais e agrega novas oportunidades ao produtor. O Sistema Silvipastoril é uma opção tecnológica para a produção animal e madeireira. Consiste da combinação intencional de árvores, pastagens e gado, numa mesma área e ao mesmo tempo. O sistema requer menos energia para a manutenção dos animais, não reduz a ingestão diária dos alimentos e tem maior eficiência na conversão de alimentos. Além disso, a produção de madeira proveniente desse sistema gera renda ao produtor e é um mercado com potencial de expansão a ser explorado, comentou Porfirio.

Dois painéis foram apresentados durante a tarde. A médica veterinária da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), Luana D´Avila, tratou sobre o controle da brucelose e tuberculose, destacando o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose, e sobre as vacinas obrigatórias que os produtores devem realizar, entre outros cuidados com essas zoonoses. Na sequência, o zootecnista da CCGL, André Hubert, falou da Instrução Normativa nº62/2011 e a última revisão pela qual passou a IN 62, especialmente das Portarias 38 e 39 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que referem-se ao regulamento técnico de identidade e qualidade do leite cru refrigerado. Por fim, uma explanação coletiva envolvendo representantes da CCGL, da Fetraf, da Coopac e da Emater/RS-Ascar fez referência ao cenário e às perspectivas da cadeia produtiva do leite. Autoridades e lideranças participaram do Seminário Regional do Leite, entre elas o prefeito de Ronda Alta, Miguel Gasparetto, o gerente Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Clairto Dal Forno, o assistente técnico estadual de Leite, Jaime Ries, o assistente técnico regional de Sistemas de Produção Animal, Valdir Sangaletti, extensionistas rurais da Emater/RS-Ascar dos 42 municípios da região e demais representantes de entidades ligadas à cadeia produtiva do leite. (Emater/RS)

 

Comissão do Congresso aprova parecer de relator da MP do frete

Em menos de cinco minutos, a comissão mista do Congresso que discute a Medida Provisória 832, que estabelece um preço mínimo para frete rodoviário, aprovou ontem o parecer do deputado Osmar Terra (MDB-RS), que é favorável ao tabelamento, mas com modificações. O texto seguirá para votação no plenário da Câmara. Vice-presidente da comissão, o deputado Darcísio Perondi (MDB-RS) aproveitou que a sessão de terça-feira tinha sido apenas suspensa, após um pedido de vista do parecer feito pelo deputado Evandro Gussi (PV-SP), e reabriu a reunião ontem, mesmo com o plenário esvaziado. A aprovação ocorreu rapidamente, sem discussão do texto. A intenção dos parlamentares era tentar votar a MP na Câmara ainda ontem, mas esse cenário era visto como improvável: outras três medidas provisórias tinham preferência na pauta e o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), pretendia aprovar antes projetos que considera prioritários. A sessão ainda não tinha acabado até o fechamento desta edição, mas o mais provável é que a votação fique para a próxima semana. O prazo preocupa aliados do governo. O Congresso entra em recesso na próxima semana, que já pode ser encurtada, caso o Brasil passe para a semifinal da Copa do Mundo - o jogo seria na terça-feira. A MP ainda precisa passar pelo aval do Senado. 

O Legislativo só retoma os trabalhos em agosto (quando ainda são incertas as votações por causa da eleição) e a tabela tem causado problemas para os fretes. Pela proposta de Terra, a tabela não será um valor mínimo do frete (que, em tese, incorporaria um valor referente ao lucro do caminhoneiro), mas um custo mínimo, que englobaria os gastos como combustível, desgaste do veículo e pedágios. Os valores serão definidos pela ANTT após consulta aos caminhoneiros autônomos, transportadoras e contratantes do serviço a cada seis meses. Quando o óleo diesel tiver variação superior a 10%, a planilha será ajustada. A indústria e o agronegócio, contudo, estão contra esse tabelamento, dizendo que isso fere a livre iniciativa e a lei da oferta e da demanda. Representantes desses setores já entraram com ações judiciais contra a MP e tentam impedir a aprovação pelo Congresso Nacional. Já os caminhoneiros ameaçam uma nova paralisação, se a proposta não for aprovada. (Valor Econômico) 

RS: em Carlos Barbosa, FestiQueijo 2018 apresenta o 4º Concurso Estadual de Queijos
FestiQueijo - Buscando resgatar a riqueza gastronômica, histórica e cultural do Rio Grande do Sul, além de incentivar o consumo de queijo, a Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do RS (Apil/RS) e Associação Gaúcha de Laticinistas (AGL) realizam o 4º Concurso Estadual de Queijos, na cidade de Carlos Barbosa (RS). O evento, agendado para o dia 6 de julho, acontece dentro da programação do FestiQueijo, festival tradicional da serra gaúcha que se estende de 29 de junho até 29 de julho. O FestiQueijo chega a sua 29ª edição como um dos principais eventos gastronômicos do Rio Grande do Sul, trazendo as riquezas produzidas pelas empresas locais. Além do Concurso, acontece também o Curso de Juízes de Queijos. O evento, promovido pela Apil/RS e AGL acontece no Auditório da Tramontina, no centro da cidade. A comissão julgadora será composta, além de especialistas brasileiros, por técnicos internacionais. Farão parte da mesa o coordenador do júri Sergio Borbonet (ex Conaprole, Latu) e Álvaro Urrutia (ex Conaprole), ambos do Uruguai; os argentinos Marcelo Lioi (Ministério da Agricultura da Argentina) e Oscar Piñeyro (ex La Serenissima); vindo do Chile, o consultor internacional Fernando Mayora e o equatoriano Ernesto Toalombo, que é consultor internacional na área de queijos. Representando o Brasil no corpo de jurados, Fábio Scarcelli, presidente da Abiq (Associação Brasileira das Indústrias de Queijo), Luiz Girao, presidente do grupo Betânia Lácteos; Alexandre Leal, Ministério da Agricultura/RS e a Prof. Dra. Neila Richards, da Universidade Federal de Santa Maria. O concurso ainda tem por objetivo continuar incentivando o caminho da integração do setor público e privado, na inovação da avaliação sensorial dos queijos, e desta forma a melhorar continuamente os processos de produção dos mais variados queijos, de variados sabores e formas. Os interessados em participar do concurso, podem entrar em contato com a AGL pelo telefone 54 3227 8645 ou pelo e-mail agl.poa.rs@gmail.com (Página Rural)
 

 

 

 

Porto Alegre, 04 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.770

  Projeções indicam que Brasil deve seguir avançando no comércio global

As projeções da OCDE e da FAO por produtos ilustram como o Brasil continuará como ganhador no comércio agrícola global nos próximos anos. Para as carnes, por exemplo, a previsão do relatório é que em 2027, a produção mundial deverá ter aumentado 15% em relação aos últimos dez anos. Essa produção suplementar virá em 76% dos países em desenvolvimento, com alta significativa da produção de frango. Consumidores nos países em desenvolvimento deverão elevar e diversificar o consumo, podendo escolher em alguns casos carnes mais caras, como de bovinos e de ovinos.

Os principais exportadores, o Brasil e os EUA, deverão pesar ainda mais nesse segmento e representar 45% das vendas globais de carnes. A demanda continuará forte na Ásia, sobretudo nas Filipinas e no Vietnã. Os grandes importadores incluem a China, Coreia do Sul e Arábia Saudita. Até 2027, o preço de carnes deverá aumentar progressivamente em termos nominais, mas declinar em termos reais.

Para o açúcar, a projeção é de que a produção à base de cana e de beterraba deverá crescer menos rapidamente do que na última década. O Brasil deve se manter como o maior produtor, e Índia, China e Tailândia têm boas perspectivas. O consumo por habitante estagnará nos países desenvolvidos, mas poderá crescer na Ásia e na África. O Brasil continuará a assegurar 45% das exportações mundiais. O preço do açúcar deverá ter ligeira alta em valor nominal, mas também recuar em termos reais.

No caso das oleaginosas, a projeção é que produção mundial aumentará cerca de 1,5% ao ano, num ritmo menor que na última década. O Brasil e os EUA serão os principais produtores com volumes comparáveis. Os preços deverão igualmente declinar em valor real. Para os cereais, a previsão é que a produção mundial deverá crescer 13% entre hoje e o ano de 2027, graças a ganhos de produtividade. A Rússia vai estar mais presente no mercado internacional de trigo — o país já superou a União Europeia na exportação do cereal. A fatia de Brasil, Argentina e Rússia no mercado de milho deverá aumentar e a dos EUA diminuir. Tailândia, Índia e Vietnã seguirão como principais fornecedores de arroz no mercado internacional.

No caso dos lácteos, a projeção é de aumento de 22% na produção mundial entre 2018-2027, graças principalmente ao Paquistão e à Índia. Os dois vão representar 32% da produção mundial de leite em 2027. O essencial da produção suplementar será consumida internamente. A parte da União Europeia nas exportações de lácteos deverá passar de 27% a 29%. Com exceção de leite em pó, os preços do lácteos deverão baixar em termos reais.

Em relação aos pescados, as projeções da FAO/OCDEA indicam que a produção mundial continuará aumentando, mas num ritmo menor. Na China, deve haver uma desaceleração da produção. Os países asiáticos representarão 71% da alta do consumo de pescado. (As informações são do jornal Valor Econômico)
 
 

Chances de El Niño ameno no radar de meteorologistas

O fenômeno climático El Niño, que na safra 2015/16 prejudicou diversas culturas agrícolas no país, entre elas milho e soja, pode se formar no Oceano Pacífico novamente este ano. Mas, segundo meteorologistas, se o fenômeno se confirmar, não deverá ocorrer com a mesma intensidade que a vista há cerca de três anos. "A fase fria do Oceano Pacífico equatorial já acabou e, no lugar de águas frias, a gente já observa no Pacífico central áreas com águas aquecidas, com anomalia [de temperaturas] positivas", explica Paulo Etchichury, sócio-diretor da Somar Meteorologia, descrevendo uma das características do fenômeno climático. Segundo o boletim do escritório de meteorologia da Austrália, a probabilidade de o Oceano Pacífico equatorial apresentar aquecimento anormal durante a primavera e o verão é de 50% - o dobro do observado nesta época do ano em condições normais, segundo o próprio instituto. 

Nos EUA, o centro de previsões climáticas local (CPC, na sigla em inglês) aponta 50% de chances de formação de El Nino no outono do Hemisfério Norte (primavera no Hemisfério Sul), elevando para 65% durante o inverno (verão no Hemisfério Sul). "A presença do oceano aquecido e a indicação de El Niño é favorável para as lavouras [da região] Sul, porque diminui o risco de estiagem prolongada. Para o Centro Oeste e Sudeste, o principal impacto são chuvas de verão mais irregulares", afirma Etchichury. Os meteorologistas ouvidos pelo Valor, contudo, são unânimes em dizer que ainda é cedo para traçar previsões para a formação do El Niño, mas caso o fenômeno se confirme, não deve ser tão severo quanto o de 2015 - o mais forte em 18 anos. "Se ele aparecer, será mais para o fim do ano ou durante o verão de 2019, mas ainda é muito cedo para qualquer opinião, principalmente porque a grande dúvida seria seus efeitos em fevereiro", afirma Ludmila Camparotto, meteorologista da Rural Clima. No Brasil, os efeitos do aquecimento do Pacífico e de um possível El Niño serão sentidos com mais intensidade no Nordeste do país, sobretudo na região do Matopiba (confluência entre os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). "Se pegarmos as últimas safras, fica clara a influência desses fenômenos na região", ressalta Etchichury. Com o La Niña no fim do ano passado e início de 2018, as áreas de produção do Matopiba apresentaram chuvas regulares na safra 2017/18 após a seca severa de 2015/16 seguida de leve melhora em 2016/17, ano de neutralidade. "Estatisticamente falando, nossas comparações levaram a um ano parecido com 2006/07, mas ainda estamos trabalhando com padrão neutro de viés positivo. 

Se houver El Nino, ainda será de fraca intensidade, e a tendência é de que, se ele aparecer, seja mais pro verão mesmo", aponta Ludmila. No curto prazo, o aquecimento do Pacífico deve exigir mais atenção dos produtores brasileiros com o plantio da safra 2018/19 diante do atraso na regularização das chuvas no Brasil. Paulo Etchichury, da Somar, afirma que, entre outubro e novembro, essas condições devem impedir o avanço de frentes frias sobre o Sul do Brasil. De acordo com o meteorologista, uma ou outra frente fria pode avançar durante a mudança de estação, "mas é preciso tomar cuidado porque, mesmo com chuvas significativas, podemos enfrentar de 10 a 15 dias de seca e temperaturas elevadas", prejudicando o plantio. "Não quer dizer que teremos um janeiro tão seco como naquele ano [2015], mas é um cenário de chuvas abaixo da média. O produtor tem que fazer uma estratégia pra mitigar os efeitos desse risco climático já que teremos uma condição para a próxima safra diferente da anterior", alerta. Na safra 2015/16, afetada pelo El Niño, a colheita de milho no país caiu para 66,5 milhões de toneladas, ante 84,6 milhões de toneladas na safra anterior. Já a produção de soja ficou em 95,4 milhões de toneladas, abaixo das 96,3 milhões do ciclo precedente. A produção de café conilon no Espírito Santo também sofreu com a seca e só agora começa a se recuperar. (Valor Econômico) 

Uruguai – Em dólares o preço do leite ao produtor caiu 5,3%

Preço/Uruguai – O maior preço ao produtor no ano de 10,25 pesos, [R$ 1,27/litro] e 0,34 dólares, significa aumento de 2,2% em pesos e queda de 5,3% em dólares. Em maio o preço médio ao produtor chegou a 10,25 pesos registrando um aumento de 2,2% comparado com abril. 

Mas, se a comparação for feita com os 34 centavos de dólares, houve queda de 5,3% em relação ao mês anterior. Estima-se que o teor de matéria gorda foi de 3,88% e de proteína 3,44%, o que leva a que o preço por cada 100 kg de sólidos seja de 140 pesos, valor 2% superior ao de abril. Em maio de 2018 o preço médio ao produtor ficou no mesmo nível em relação ao ano anterior em pesos. Entretanto, caiu 7,8% e dólares, estimou o Instituto Nacional de la Leche (Inale) (TodoElCampo – Tradução livre: www.terraviva.com.br)

Evolução dos valores em 2018.

 

BNDES oficializa linha de R$ 1,5 bi para empresas de proteína animal

Após reunião com o presidente Michel Temer, o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, anunciou uma nova linha de capital de giro de R$ 1,5 bilhão para empresas de proteína animal afetadas pela greve dos caminhoneiros. "Houve perdas muito importantes de animais e prejuízo na cadeia e essas empresas necessitam repor esses estoques", afirmou.

Segundo Dyogo, a linha de capital de giro terá o prazo de 60 meses para pagamento, sendo 24 meses de carência. As taxas serão compostas por TLP mais o spread de risco e o spread básico do banco, que varia conforme a empresa. "Isso deve fazer chegar ao tomador final algo em torno de 10% ou 11% ao ano, que é uma taxa bastante atrativa para capital de giro com prazo tão longo", avaliou. O presidente do BNDES disse que o presidente solicitou que ele tornasse pública a decisão do banco. Na semana passada, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já havia comemorado a liberação da linha de crédito do banco estatal.

Dyogo disse que conversou com Temer também sobre a linha de crédito para colocar energia solar nas empresas e residências. "É uma linha com condições muito boas, com juros de até 4% ao ano com prazo de 12 anos e carência entre 3 a 24 meses. São condições que permitem que a parcelas sejam até inferior ao custo da energia pago pelo consumidor", disse.

Segundo ele, é possível com a linha reduzir o preço da conta de luz e o acesso à linha será feito pelos bancos repassadores do BNDES, inicialmente os bancos públicos. "Estamos preparando uma nova linha que seria distribuída pelos bancos privados". Dyogo disse ainda que o seu trabalho à frente do banco de fomento visa deixar para trás uma história que "era baseada em juros baixos e taxa subsidiadas" e que foram objetos de críticas. "O banco está se organizando de forma direta e disponibilizando recursos para pequenas e médias empresas e com isso estamos fazendo esse processo de transformação", afirmou, destacando que neste processo a digitalização "será a palavra- chave". (As informações são do jornal Valor Econômico)

 

Imunização chega a 98,9%
A primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa – que se estendeu de 1º de maio a 15 de junho – imunizou 98,99% das 13,2 milhões de cabeças de bovinos e bubalinos do rebanho gaúcho. O resultado, divulgado ontem pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, foi considerado “excelente” pela veterinária do Programa de Febre Aftosa da pasta, Grazziane Rigon, já que a comprovação da vacinação ultrapassou a meta de 90% do rebanho. Para Grazziane, o alto índice de registro deve-se ao maior prazo que os produtores tiveram para imunizar os animais, já que a campanha foi prorrogada em 15 dias em função da paralisação dos caminhoneiros, à conscientização dos proprietários em relação à prevenção da doença e à atualização do cadastro de animais e georreferenciamento de propriedades rurais, que resulta em um número mais preciso de bovinos e bubalinos no Estado. A segunda etapa da campanha vai imunizar animais com até dois anos de idade em novembro. A primeira vacinou animais de todas as idades. (Correio do Povo)
 

 

Porto Alegre, 03 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.769

GDT
 
Fonte(GDT)
 
 

Após forte alta em junho, mercado de leite começa a voltar ao normal

A paralisação dos caminhoneiros nos últimos 10 dias de maio fez os preços do leite pagos aos produtores do país dispararem no mês passado. De acordo com levantamento da Scot Consultoria, em junho, os produtores brasileiros receberam, em média, R$ 1,165 pelo litro do leite entregue no mês anterior, uma alta mensal de 4,3%. O percentual de valorização superou o visto nos meses anteriores. O movimento dos caminhoneiros interrompeu a captação de leite pelos laticínios e cerca de 600 milhões de litros de leite cru foram descartados no país por produtores em decorrência da falta de meios para transportar a matéria-prima das propriedades até as empresas. Segundo o Índice Scot de Captação de Leite, em maio o volume coletado pelos laticínios do país diminuiu 7,6%, na média nacional, em comparação com abril deste ano por causa paralisação. 

Dados parciais apontam para uma queda de 3,5% na captação em junho. Rafael Ribeiro, analista da Scot, afirma que o período de entressafra no Sudeste e Centro-Oeste do país também explica a queda na captação de leite pelas empresas. Ele observa que a paralisação levou a uma forte alta dos preços do leite no spot (negociação entre laticínios) em junho. Conforme a Scot, em São Paulo, a média no mês ficou em R$ 1,839 por litro, ante R$ 1,531 em maio. Como reflexo da paralisação, também houve alta expressiva nos preços do leite longa vida no atacado, sobretudo na primeira quinzena de junho, afirma Ribeiro. Na média mensal, o litro do leite saiu de R$ 2,38 em maio no atacado paulista para R$ 3,13 em junho, segundo a consultoria. 

De acordo com Ribeiro, o mercado já dá sinais de normalização, uma vez que a demanda por lácteos "não está aquecida". Além disso, a produção de leite já está subindo nos Estados do Sul do país com o início da safra na região. Mas pesquisa da Scot em 18 Estados do país com 158 agentes, como laticínios e cooperativas, ainda indica que 92% esperam alta nos preços ao produtor no próximo pagamento enquanto 8% acreditam em estabilidade. (Valor Econômico) 

O SIGNIFICADO DA ALTA DE 28% NO LEITE

À primeira vista, a alta de 28% verificada no preço do leite pago ao produtor no acumulado do primeiro semestre pode assustar o consumidor e ser motivo de alívio para o criador. Mas é preciso entender o que realmente significa esse aumento apontado por levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP. Primeiro, mostra cenário de recuperação de preços em 2018. Janeiro começou com valores inferiores a R$ 1 (veja abaixo). Ainda assim, o preço ainda está aquém do registrado em igual período do ano passado.

- Todo ano é consequência do anterior. Em 2017, houve grande amplitude de preços, com o primeiro semestre de valorização e o segundo de queda significativa. A receita do produtor ficou muito volátil - pondera Natália Grigol, pesquisadora do Cepea/Esalq.

O consumo em baixa - resultado da deterioração do poder aquisitivo da população - estava "mandando" na balança de formação de preços, compara Natália. O resultado foi o abandono da atividade por muitas famílias e um início de 2018 de preços reduzidos. Neste momento, a demanda ainda está fraca. Mas a restrição da oferta está pesando mais, impulsionando a valorização. O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Derivados do Estado (Sindilat-RS), Alexandre Guerra, acrescenta que o baixo crescimento da produção em junho e o vazio no mercado causado pela greve dos caminhoneiros ajudam a explicar o momento atual. Para julho, a estimativa da indústria é de manutenção dos preços, para produtores e consumidores. (Zero Hora)  

Mapa mantém padrão de contagem bacteriana e de células somáticas do leite

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou nesta segunda-feira (2) a Instrução Normativa 31, que prorroga por mais um ano, os padrões de Contagem Bacteriana Total e Contagem de Células Somáticas presentes no leite cru refrigerado. Com isso, ficam mantidas as 500.000 cel/ml e 300.000 UFC/ml para Contagem de Células Somáticas e Contagem Bacteriana Total, respectivamente, para a produção leiteira das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste.

No dia 10 de janeiro, foi instituído Grupo de Trabalho responsável por revisar e apresentar propostas de melhorias para os regulamentos técnicos que fixam a identidade e as características de qualidade que devem apresentar o leite cru refrigerado, o leite pasteurizado e o leite tipo A. Também cabe ao grupo apresentar sugestões à proposta de nova Instrução Normativa estabelecendo critérios e procedimentos para a produção, acondicionamento, conservação, transporte, seleção e recepção do leite cru em estabelecimentos registrados no serviço de inspeção federal. O prazo de consulta pública encerrou em 25 de junho e os integrantes do GT estão avaliando as propostas encaminhadas. Assim que as novas normas forem publicadas, esta IN 31 e as demais referentes ao assunto serão revogadas. (MAPA)

Iniciada a venda antecipada de ingressos para evento gastronômico de Teutônia
Serão três dias de programação, de 17 a 19 de agosto. Uma verdadeira experiência gastronômica, com produtos especialmente preparados, valorizando a cadeia produtiva teutoniense e o turismo local. Essa é a expectativa para a 2ª Teutofrangofest, que ocorre nos dias 17, 18 e 19 de agosto, na Associação dos Funcionários da Languiru. A programação também conta com palestra técnica e atrações artístico-culturais. A 2ª Teutofrangofest é uma realização da CIC Teutônia, com patrocínio máster de Cooperativa Languiru e Sicredi Ouro Branco, e apoio da Prefeitura de Teutônia (Lei no. 13.019). Mais informações pelo fone (51) 3762-1233, na página do evento no Facebook - facebook.com/teutofrangofest - e nos sites www.teutofrangofest.com.br e www.cicteutonia.com.br. (CIC Teutônia)

 

 

 

Porto Alegre, 02 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.768

Brasil busca mercados em países da África para produtos lácteos

Pela primeira vez, uma missão comercial de prospecção brasileira está nas cidades de Johannesburgo (África do Sul), Gaborone (Botsuana) e Windohoek (Namíbia) com objetivo de promover produtos do agronegócio com foco, principalmente, em lácteos (leite em pó, queijos, iogurtes, requeijão) para ampliar as exportações.

Delegação, formada por representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e de cooperativas agropecuárias do Mercosul, participa de reuniões com órgãos do governo e de rodada de negócios com associações e empresas importadoras. A missão se encerra neste domingo (1º de julho).

De acordo com o secretário de Mobilidade Social, Produtor Rural e Coooperativismo do Mapa, José Doria, a missão visa ampliar exportações, aproveitando acordo de comércio entre os dois blocos, e traçar estratégias para ação conjunta na região. Acordo Mercosul - Sacu (União Aduaneira formada pela África do Sul, Namíbia, Botsuana, Lesoto e Suazilândia) assegura preferências tarifárias a produtos brasileiros, possibilitando acesso a um mercado de cerca de 65 milhões de consumidores.

A delegação brasileira participou na última segunda-feira (25) da Feira Africa's Big 7/ Saitex, em Joanesburgo. Com participação de 36 países, a feira comercial de alimentos e bebidas, reuniu fornecedores e compradores de vários segmentos de atividades de todo o continente africano. Os principais produtos agrícolas exportados pelo Brasil para a região são soja, milho, sorgo, arroz, carnes de aves, fumo não faturado, açúcar, entre outros. (MAPA)

 
Pesquisa voltada para a sociedade há 25 anos

O desenvolvimento da agricultura na região Sul do país tem forte relação com a atuação da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, que é uma das unidades descentralizadas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e completou 25 anos ontem. Para marcar o aniversário, nesta sexta-feira (6), haverá lançamento do livro técnico "Morangueiro", sobre o cultivo de morango, assinatura de convênios e homenagens. Em 25 anos, a Embrapa Clima Temperado construiu um legado em forma de pesquisas que geraram conhecimento e soluções tecnológicas para grandes e, principalmente, pequenos agricultores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. "Metade do PIB gaúcho tem origem na agricultura, e isso se deve à contribuição da pesquisa agropecuária, não só da Embrapa, mas do esforço conjunto com diversos parceiros", destaca o chefe-geral da unidade, Clenio Pillon.

 A Embrapa Clima Temperado foca seus trabalhos em diversas cadeias produtivas, como é o caso do arroz, leite, batata e frutas de clima temperado, e atua com temas considerados estratégicos, como a produção orgânica e agroecológica de alimentos, mudanças de clima, sistemas integrados de produção, desenvolvimento de novos insumos, agregação de valor aos alimentos e energias renováveis. Pillon diz que entre os direcionamentos da entidade estão as tendências apontadas pela sociedade, como a busca por melhor qualidade de vida por meio da produção de alimentos de qualidade, agregação de valor aos produtos e articulação para elaboração de políticas públicas.

No dia 6, a Embrapa assina, na sua sede, convênio de cooperação com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Embora já exista parceria entre as instituições, será formalizado o fortalecimento da atuação dos profissionais da Embrapa dentro do Programa de Pós-Graduação da Universidade, pelo prazo de cinco anos. Outra parceria técnica será firmada com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), para desenvolver tecnologias para a sustentabilidade e competitividade da cadeia produtiva das oliveiras. A Embrapa também fará entrega de placas comemorativas a parceiros e, no dia 9, receberá homenagem conjunta das Câmaras Municipais de Pelotas e Capão do Leão. (Correio do Povo)

 Parceria entre Banrisul e Piá vai  oferecer juro zero ao produtor rural

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zou uma importante parceria com o Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A. - Banrisul, na última quinta-feira, dia 28 de junho, em Pinhal Alto, Nova Petrópolis. Durante o encontro, que reuniu mais de 100 pessoas, entre elas o presidente e a diretoria da Cooperativa, diretores da instituição financeira, produtores e representantes locais, foi apresentado o projeto Banriagro Piá.  

Na ocasião, o Banrisul confirmou, ainda, a liberação de R$ 40 milhões para a Piá realizar investimentos no fomento da produção. O convênio vai oferecer aos associados de leites e de frutas da Cooperativa, neste primeiro momento, empréstimos com taxas de juros mais baixas que as do mercado para a compra de insumos que também terão preços mais competitivos. No caso de produtores com Declaração de Aptidão ao Pronaf - DAP ativa e válida, não serão aplicados juros em parcelamentos de até oito meses. "Uma das facilidades é que a parcela poderá ser descontada da conta do leite ou de frutas que o produtor recebe mensalmente. Tudo isso através do Banrisul e com apoio da Piá", destaca o presidente da empresa, Jeferson Smaniotto.

De acordo com Smaniotto, através do formato do Banriagro Piá, o agricultor conseguirá se planejar melhor, reduzir custos de produção e, ainda, pagar os insumos com a própria produção. "A partir desta importante iniciativa, a Cooperativa vai fortalecer seus associados, além de tornar a atuação no mercado agropecuário da região muito mais forte nos próximos períodos", finalizou com positivismo o presidente. 

Para participar do programa, o produtor deve ser associado e entregar sua produção a Piá, estar com cadastro atualizado no Banco e em dia com as operações na Cooperativa e na instituição financeira. (Assessoria de Imprensa Piá)

O leite em realidade virtual
Cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, leva uma experiência diferente aos supermercados neste mês. Os consumidores que visitarem os pontos de venda programados poderão conhecer o Caminho do Leite em 360°. A atividade passará por quatro lojas de Bento Gonçalves: Apolo L'América, Grepar, Caitá e Apolo Shopping Bento. E estará no Festiqueijo, de sua cidade-sede. O Caminho do Leite demonstra todo o processo desde o cuidado com os animais ainda na propriedade associada, coleta da matéria-prima e transporte à indústria, análises de qualidade e envase. Os óculos de realidade virtual permitem que a pessoa vivencie a experiência como se estivesse fisicamente nos locais observando todo o processo. (Jornal do Comércio)
 

 

 

Porto Alegre, 29 de junho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.767

    Mercado em ebulição

 
A produção de leite, que vinha em desaceleração desde meados do ano passado (forte queda de preços e aumento dos preços dos concentrados), seguiu na mesma “toada” neste início de ano. Segundo o IBGE, o volume captado pelas empresas (leite formal) cresceu 2,4% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2017 (para se ter ideia da desaceleração dos volumes, em junho/2017 o crescimento foi de 11,6% em relação ao mesmo mês de 2016).
 
No final de maio, em função da greve dos caminhoneiros, houve significativa redução dos volumes disponíveis para as empresas: além da perda dos volumes já coletados (caminhões presos nas barreiras), não foi realizada a coleta do leite produzido em parte significativa das principais bacias leiteiras. Adicionalmente, empobreceu-se a dieta das vacas em produção (efeito que ainda impacta a retomada da produção em algumas bacias leiteiras).
 
Para se ter uma ideia da ruptura ocorrida, avaliando os volumes comercializados pelos produtores participantes do MilkPoint Radar, entre os meses de abril e maio do ano passado houve crescimento da ordem de 8%; neste ano, entre os dois meses, a queda nos volumes foi de 16,7% (avaliando somente os volumes dos produtores que inseriram suas informações nos dois períodos); o mercado estima que a perda de volumes de leite fresco com a greve foi de 350 a 450 milhões de litros em maio, algo entre 19% e 22% da produção do mês (considerando, em abril, crescimento de volume de 1,5% em relação a abril/2017).
 
Agrega-se, neste cenário, a queda do volume de importações lácteas – entre janeiro e maio deste ano, foram cerca de 220 milhões de litros de leite equivalente a menos de “oferta” externa no nosso mercado. Como resultado deste cenário de oferta, a disponibilidade per capita que vinha razoavelmente equilibrada até abril (-0,6% em relação a 2017), teve uma forte queda em maio – o gráfico 1 mostra os dados mensais.
 
Gráfico 1. Brasil - Disponibilidade per capita mensal de leite e variação 2018 vs 2017. Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com dados do IBGE e do MDIC.
Observações:
• Disponibilidade per capita = (Produção + Importações – Exportações)/População;
• Estimado crescimento da produção de leite de 1,5% em abril e maio (em relação a abril e maio de 2017);
• Perda estimada de leite em maio no mercado formal em função da greve: 400 milhões de litros.
Em função desta ruptura, no acumulado janeiro a maio, estima-se uma disponibilidade 4,4% menor que no mesmo período de 2017 e, em maio, quase 20% menor. Com uma demanda que, apesar da cambaleante situação econômica, vem em recuperação, este desequilíbrio bastou para “acender” o estopim e fazer “explodir” o mercado.
 
Assim, desde o final da greve e do retorno das negociações no mercado, o atacado do leite UHT subiu R$ 0,92/litro e a muçarela cerca de R$ 2,9/kg. Como consequência, o leite spot também foi às nuvens, acumulando alta de R$ 0,54/litro nas duas últimas quinzenas (média Brasil). E, em relação ao leite ao produtor, borbulham especulações, mensagens em redes sociais relatando promessas de preços recebidas e especulações de que a subida nos preços pagos deve ser grande pelo leite fornecido em junho.
 
Alguns fatores reforçam este cenário altista. O principal deles diz respeito à safra do sul do país, que já viria atrasada em função do atraso das chuvas e o plantio tardio das forrageiras de inverno. Como efeito da greve, o cenário mais provável é de que efetivamente atrasará e virá menor do que a projeção anterior. Outros fatores sugerem cautela no curto prazo. O principal deles vem da ponta consumidora, onde não se sabe exatamente qual será a reação do consumo e dos volumes comprados quando estes fortes aumentos chegarem às gôndolas dos supermercados.
 
Ao mesmo tempo e, apesar da desvalorização da taxa de câmbio, o aumento de preços internos “renova” a competitividade das importações lácteas – é melhor comprar um leite spot a R$ 2,25/litro ou um importado a, equivalente, R$ 1,40/litro?
(Fonte: Valter Galan, analista do MilkPoint Mercado e sócio do MilkPoint Inteligência)
 
 
FrieslandCampina
 
O preço garantido do leite cru pela FrieslandCampina para o mês de julho de 2018 é de € 35,75 por 100 quilos de leite, [R$ 1,63/litro]. Houve aumento de 1,50 €/100 kg em comparação com junho de 2018 (34,25 €/100 kg). Todas as companhias de referência estão com a expectativa de haverá aumento nas cotações das commodities lácteas.     
 
 
O preço garantido do leite orgânico para julho de 2018 é de € 46,75 por 100 quilos, [R$ 2.13/litro], aumentando € 1,25 em comparação com o preço de junho. O valor inclui correção de 1,31 €/100 toneladas para compensar estimativas menores dos preços em meses anteriores.  
 
 
O preço garantido é aplicado a 100 quilos de leite que contenha 3,47% de proteína, 4,41% de matéria gorda e 4,51% de lactose, sem o imposto de valor agregado (IVA). O preço é garantido a produtores que entreguem acima de 800.000 quilos de leite por ano, (nos anos anteriores o volume era de 600.000 quilos). O volume base do prêmio e o esquema da sazonalidade foi descontinuado, iniciando novos parâmetros em 2017. (FrieslandCampina – Tradução livre: Terra Viva)
 
 
Supremo mantém contribuição sindical voluntária
 
O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, por 6 votos a 3, o caráter voluntário da contribuição sindical, conforme instituído pela reforma trabalhista. Por maioria, o plenário julgou improcedentes as 19 ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) propostas por entidades sindicais de diversos Estados. A decisão servirá de baliza para processos semelhantes que tramitam em instâncias inferiores da Justiça. O pagamento é referente a um dia de trabalho e, antes, era recolhido a cada mês de março. A reforma trabalhista (Lei nº 13.467), em vigor desde novembro, acabou com a obrigatoriedade da contribuição. 
 
Saiu vencedora a corrente aberta pelo ministro Luiz Fux, segundo o qual cabe à lei dispor sobre a contribuição sindical, não havendo qualquer comando na Constituição que determine a obrigatoriedade da cobrança. "Não se pode tomar capital para financiar sindicato sem o consentimento do empregado", disse. Acompanharam esse entendimento os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia. "Sindicatos, assim como os partidos, viraram um `business´ privado e isso não é um modelo que se queira. Milhares se beneficiam de um sistema que é bom para os sindicalistas e não para os trabalhadores", votou Barroso. Em sentido contrário, ficou vencido o relator, ministro Edson Fachin, acompanhado apenas por Rosa Weber e Dias Toffoli. Segundo eles, a Constituição ancora o sistema sindical brasileiro em um tripé: unidade sindical, representatividade obrigatória e contribuição sindical. Ao se excluir um deles - no caso, a contribuição -, esse sistema se desestabiliza. "Não podemos mexer em parte do sistema sob pena de uma desarmonia que atenta contra os comandos constitucionais", disse Rosa. 
 
Esta manhã, Cármen Lúcia, presidente da Corte, foi a última a votar. Ela acompanhou o entendimento do ministro Marco Aurélio e foi favorável à contribuição sindical ser facultativa, como estabelecido pela reforma trabalhista. "Não há nenhuma agressão ao que a Constituição Federal estabelece", disse em seu voto. O ministro Celso de Mello não votou porque está de licença médica. O ministro Ricardo Lewandowski estava ausente. (Valor Econômico)
 
 
CNA pede ao STF julgamento urgente do pedido liminar de ação contra o tabelamento do frete
 
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reiterou nesta quinta (28) a necessidade de urgência na apreciação da liminar para que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspenda o tabelamento dos preços mínimos do frete, na ação protocolada pela própria entidade na Suprema Corte há duas semanas. A medida foi tomada em razão da falta de acordo na audiência realizada com o ministro Luiz Fux, com a participação de caminhoneiros e do setor produtivo, para uma nova tentativa de buscar o consenso, o que não ocorreu. Desta forma, a CNA defende, o quanto antes, que a liminar seja analisada para suspender o tabelamento do governo. “É uma situação insustentável, que clama por imediata intervenção do Poder Judiciário”, diz a CNA na ação. “Não tivemos acordo e insistimos com o Ministro a necessidade de se avaliar a liminar de forma rápida porque já está tendo impacto gigante na cesta básica, ou seja, na mesa da população brasileira”, ressaltou o chefe da Assessoria Jurídica da CNA, Rudy Maia Ferraz. 
 
Com o tabelamento, a CNA projeta uma alta de 12,1% no preço dos produtos da cesta básica até julho, impactando produtos como arroz, carnes, feijão, leite, ovos, tubérculos, frutas e legumes. Esses produtos representam 90,4% da cesta básica de alimentos. Desta forma, as famílias brasileiras, principalmente as mais carentes, vão gastar mais de 50% da renda com os alimentos.  O Ministro Fux, relator das ações que questionam o tabelamento do frete no STF, vai realizar audiência pública no dia 27 de agosto para discutir o tema e só depois vai tomar uma decisão. Contudo, a CNA defende que a liminar seja concedida ainda nesta semana, uma vez que o Judiciário terá recesso no mês de julho. O tabelamento do frete começou a valer há um mês com a edição da Medida Provisória (MP) 832, que tramita no Legislativo. “É imperioso e urgente o deferimento da medida cautelar pelo relator para suspender a eficácia da Medida Provisória 832”, diz outro trecho do pedido de concessão da liminar apresentado pela CNA. (As informações são da CNA)
 

A ANVISA abriu Tomada Pública de Subsídios (TPS) para obter aporte técnico e científico sobre modelo de rotulagem a ser adotado no Brasil. A TPS está aberta até o dia 9 de julho de 2018 a representantes de empresas e entidades, pesquisadores, profissionais de saúde e à população em geral.  Para maiores informações acesse www.rederotulagem.com.br (CNI)
 
 

Porto Alegre, 28 de junho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.766

    Nestlé prepara oferta de leite orgânico ao mercado em 2019

A gigante Nestlé prepara-se para lançar sua primeira linha de leites orgânicos produzidos no Brasil até junho de 2019. A inovação é resultado de projeto piloto inédito iniciado pelo Brasil com 35 produtores na região de Araraquara, interior de São Paulo. A ação foi detalhada pelo especialista de região leiteira da Nestlé Brasil, Agaciel Fiorentin, na oficina Produção Orgânica de Leite e Laticínios, realizada na tarde desta terça-feira (26/6), durante o 6º Fórum Itinerante do Leite, em Santa Rosa. Os tambos selecionados para o projeto operam, juntos, com 30 mil litros de leite/dia e recebem de 70% a 80% a mais pelo litro em relação ao produto convencional. O pagamento diferenciado é regido por contrato de 24 meses e ocorre desde o momento em que o produtor ingressa no programa de migração. A atual legislação prevê que o processo de conversão do solo da propriedade e do rebanho leve 18 meses, mas já há previsão de reduzir esse prazo para 12 meses.

Segundo Fiorentin, o leite orgânico foi um desafio lançado pela Nestlé a suas subsidiárias de forma a atender à crescente demanda por alimentos mais saudáveis e sustentáveis. Há pouco mais de um ano, o Brasil aceitou a provocação e vem desenvolvendo o projeto, que atende à rigorosa legislação que rege os produtos orgânicos no Brasil. Para ser considerado orgânico, o leite deve vir de animais alimentados com pastagens sem o uso de adubos químicos ou agrotóxicos. É permitida alimentação no cocho desde que seja composta por insumos orgânicos, com tolerância de até 15% de grãos convencionais desde que não transgênicos. Os animais devem ser tratados basicamente com homeopatia e produtos fitoterápicos, e não é permitida a criação em confinamento. “Não é fácil fazer orgânico. É claro que, com o apoio da indústria e da área técnica, vai ficando mais fácil”, disse. Segundo Fiorentin, um dos limitadores da expansão da produção orgânica de leite é a oferta de milho e farelo de soja orgânicos. Mediante o avanço do projeto, a empresa deve estudar sua ampliação a outras áreas onde atua no país.

Como não existe teste capaz de indicar se o leite é ou não orgânico, o importante é escolher bem os produtores que se integrarão ao sistema e serão auditados. “Quem só pensa em ganhar mais com o leite orgânico não se enquadra no perfil porque entendemos que esse criador vai desistir na primeira dificuldade. A escolha dos produtores é feita com base em seus projetos e consciência ambiental”, afirmou Fiorentin.

Atualmente, a Nestlé opera com produtos orgânicos no exterior. Até o lançamento em 2019, a produção do projeto paulista segue sendo adicionada às linhas convencionais de Molico e Ninho. “Que por meio desse projeto a gente possa desenvolver mais a cadeia láctea. O país e os consumidores só têm a ganhar, com produtos cada vez mais sustentáveis”, destacou Fiorentin.

Durante a oficina em Santa Rosa, também foi apresentado o case do produtor Eliseu Pelenz, que vem migrando sua produção para o sistema orgânico em Santo Cristo (RS). Na propriedade de 24 hectares, dez destinados ao tambo, ele tem 15 vacas que rendem 7 mil litros por mês. O conceito é o de cultivar o solo com responsabilidade, em vez de explorá-lo. “Não uso veneno há mais de 15 anos”, frisou o produtor, que entrega seu leite para o laticínio Doceoli. Para caminhar em direção ao tambo orgânico, Pelenz usa homeopatia para tratar alguns males do rebanho e até para afastar o carrapato, um trabalho que é acompanhado de perto pelo técnico Ademir Amaral. O criador só não atingiu a migração completa porque ainda utiliza alguns adubos químicos para fortalecer as pastagens, o que, segundo ele, pode ser facilmente substituído por adubo orgânico, mas ainda é caro.  

OFICINAS – A programação da tarde do 6º Fórum Itinerante do Leite incluiu outros três grupos de debates setorizados. Um dos mais concorridos foi “A atividade leiteira sob o olhar das mulheres”, no qual agricultoras apresentaram os dilemas de seu dia a dia. Outro debate que chamou atenção foi “O clima e o bem-estar das vacas leiteiras”. Por fim, a agenda ainda incluiu “Reunião Técnica sobre Tuberculose e Brucelose”, que alinhou procedimentos operacionais a serem realizados para o controle das enfermidades no rebanho bovino gaúcho. (Assessoria de Imprensa Sindilat)
 

Na foto:  Agaciel Fiorentin em palestra no 6º Fórum Itinerante do Leite
Crédito: Divulgação/ Sindilat
 
 

Capital brasileira do leite cresce com clima temperado

O Paraná consolidou sua posição de segundo maior produtor de leite do país nos últimos dez anos, contribuindo em quase um quarto para o crescimento da produção brasileira e elevando sua participação de 10,65%, em 2006, para 14,07%, em 2016, dado mais recente aferido pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). Segundo Fábio Peixoto Mezzadri, veterinário e técnico de pecuária de corte e leite do Deral, a produção no Estado saltou de 2,704 bilhões para 4,730 bilhões de litros no período, crescendo 75%, diante de uma variação de 32,4% em todo o país. O Estado abriga ainda 242 laticínios, dos quais em torno de 70% são pequenos e médios.

O valor bruto da produção leiteira, calculado pelo departamento, aproximou-se de R$ 6 bilhões em 2016, variando 19,8% sobre 2015 em números atualizados pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI), acumulando elevação real de 78% desde 2007. As regiões sudoeste e oeste do Estado concentram as maiores bacias leiteiras, com produção anual de 1,114 bilhão e 1,065 bilhão de litros, pela ordem, conforme Mezzadri, com destaque para Francisco Beltrão e Pato Branco, no primeiro caso, e Cascavel, Toledo e Marechal Cândido Rondon no segundo.

A terceira em importância, na região centro oriental paranaense, reúne Castro, Carambeí, Ponta Grossa, Arapoti e Palmeira, e registra os melhores indicadores de produtividade, entre outros fatores, pela maior aceitação de novas tecnologias entre os produtores, diz Eduardo Marqueze Ribas, gerente de negócios leite da Castrolanda Cooperativa Agroindustrial.

Na média paranaense, aponta Wilson Thiesen, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite), a produção anual de leite por vaca cresceu mais de 45% em 10 anos, saindo de menos de 2 mil para 2.916 litros, cerca de 70% acima da média brasileira (pouco mais de 1,7 mil litros por animal ao ano). A produção tem crescido apesar de uma tendência persistente de queda no número de produtores, reduzidos de 118 mil há uma década para algo próximo a 60 mil atualmente, conforme Thiesen.

Em Carambeí, Arapoti e Castro, considerada a capital brasileira do leite, a produtividade por animal em lactação varia de 6.356 a 7.478 litros por vaca, afirma o presidente do Sindileite. A maior eficiência dos produtores naquelas áreas, na maioria de origem alemã e holandesa, a alta genética dos animais, predominantemente de raça holandesa, com alguns exemplares de linhagem Jersey, o clima temperado e as terras de boa qualidade, que permitem o cultivo de forragens de alto valor nutritivo, observa Mezzadri, explicam os melhores resultados da região, além do desembarque de novas tecnologias.

Coordenador de pecuária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Alexandre Lobo Blanco registra uma intensificação das técnicas de confinamento nos últimos dois ou três anos, com novos produtores passando a investir nesta área. "O uso de extratores automáticos de teteiras, que controlam a ordenha por meio de sensores, evitando lesões nas tetas e acelerando o processo, também tem se disseminado", destaca. Blanco informa ainda que pelo menos seis plantas de ordenha robotizada estão em construção nas regiões de Castro, Carambeí e Arapoti.

Pioneiro no uso de robôs na ordenha no Brasil, Armando Rabbers, dono da Genética ARM, começou a formar seu plantel de gado leiteiro em 2010, quando construiu, em sua fazenda, na região de Castro, um galpão coberto, mais conhecido no meio como "free stall", com camas de serragem individuais para confinamento das vacas em lactação.

As duas linhas de ordenha robótica, importadas da Suécia, foram instaladas em outubro de 2012 e atualmente produzem 5,4 mil litros de leite por dia, ordenhando 140 animais, que alcançam produtividade média em torno de 38 litros diários por fêmea. No ano que vem, a depender da situação no país, Rabbers tem planos para investir em mais dois robôs. "A meta é ter seis conjuntos de ordenha robótica no futuro, o que vai permitir a produção de 15,0 mil a 16,0 mil litros por dia", projeta.

Com rebanho de 3.008 cabeças, incluindo 1,5 mil vacas em lactação, Diogo Vriesman, sócio diretor da Melkstad Agropecuária Ltda, de Carambeí, investiu, desde 2015, em um sistema de ordenha rotatória, em sistema de carrossel. Sua produção da fazenda de 18 hectares gira em torno de 58,0 mil litros por dia, com produtividade diária próxima a 38 litros por vaca.

Os animais em lactação são mantidos em regime de confinamento, com uso também de free stall, mas com camas de areia para as vacas. "Com o mesmo pessoal e o mesmo custo fixo, produzo mais leite por hora, com a ordenha de 315 animais nesse intervalo", diz Vriesman. Numa conta rápida, são quase 12 mil litros por hora.

O produtor e zootecnista por formação investiu perto de R$ 12 milhões, incluindo equipamentos, todas as instalações e infraestrutura, com financiamento do programa Inovagro e recursos do Banco do Brasil. Apesar dos juros fixos e mais baixos, o prazo de 10 anos, afirma, "não é compatível com a atividade. São 12 a 15 anos para recuperar o investimento", acrescenta Vriesman. Ele espera estabilizar o rebanho por volta de 2020, quando deverá ocupar toda a capacidade do módulo já instalado, o que significa manter 2,3 mil vacas em confinamento. "Mais adiante, espero replicar esse módulo, mantendo o mesmo modelo de negócio", planeja Vriesman, que projeta elevar a produção para mais de 80 mil litros diários.

A Castrolanda espera manter a média de crescimento dos últimos anos, aumentando sua produção em 10% neste ano, de acordo com seu gerente comercial Egídio Maffei. Na ponta da captação, onde a cooperativa opera em conjunto com as cooperativas Frisia, Capal, Agrária, Bom Jesus, Coamig e Witmarsum, isso significaria elevar os volumes captados de quase 1,5 mil produtores de 1,75 milhão para 1,80 milhão a 1,90 milhão de litros por dia. Toda a produção é destinada às plantas industriais de Castro e Ponta Grossa, no Paraná, e Itapetininga, em São Paulo, operadas em conjunto, por sua vez, pela própria Castrolanda, Frisia e Capal. "Atuamos num mesmo raio geográfico e preferimos unir forças para disputar o mercado, ganhando escala, mas preservando a identidade e a operação de cada cooperativa", diz Maffei. (As informações são do jornal Valor Econômico)

O consumo de leite e a Copa do Mundo

Todo mundo associa Copa do Mundo com aumento de consumo de cervejas e televisores. Mas, outros produtos também têm sua demanda aumentada durante o período. No caso dos aparelhos de televisão, a indústria se preparou com antecedência para um aumento do consumo. Dados da produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção de bens de consumo duráveis cresceu 16% sobre fevereiro de 2016. O aumento da produção da chamada linha marrom do setor de eletrodomésticos, que inclui televisores, aparelhos de som e similares, foi ainda maior, de 41% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado, indicando um setor realmente otimista em relação ao impacto da Copa nas vendas.

Estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que 33% dos micro e pequenos empresários dos ramos do comércio e serviços estimam que as vendas aumentem no período dos jogos. No entanto, pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revela que apenas 24% das pessoas têm intenções de consumo relacionadas ao Mundial de Futebol 2018. Cerca de 23% dos entrevistados deve gastar até R$ 100,00; outros 22% até R$ 200,00; mas a maioria (41%) pretende gastar mais de R$ 300,00. Neste âmbito, os produtos mais procurados pelos consumidores são itens de vestuário masculino, feminino e infantil (9,4%), alimentos e bebidas (8,2%) e aparelhos televisores (7,4%). Além disso, quase 70% dos consumidores afirmaram que pretendem assistir aos jogos em casa, contra 17% que pretendem frequentar bares e restaurantes.

De acordo com a consultoria TNS, as categorias de alimentos que devem ter melhor desempenho de vendas durante os jogos da Copa do Mundo são: pipocas (expectativa de crescimento de consumo de 58%), salgadinhos (49%), pizzas (36%) e lanches do tipo snacks, como por exemplo, batatas fritas industrializadas e amendoim (33). Dentre as bebidas, os refrigerantes se destacam com 62% de intenção de consumo, seguido por sucos (52%), água (48%) e cervejas (44%).

O fato de nenhuma das pesquisas apresentadas anteriormente ter mencionado o leite e seus derivados pode ser explicado por estes não serem produtos diretamente relacionados ao Mundial. No entanto, dados históricos mostram que, pelo menos nas últimas cinco copas do mundo, o consumo de leite e derivados cresceu no País.

Figura 1. Consumo aparente total e sua taxa de crescimento de 1996 a 2017. Fonte: Cileite/Embrapa (2018).


 
Pela Figura 1, observa-se que o crescimento do consumo foi maior na Copa de 2002 (7,7%), ano em que o País foi campeão e foi menor (0,7%) em 2014, ano do maior fiasco do Brasil nas copas. Taxas de crescimento significativas também foram verificadas em 2010 (5,4%) e em 2006 (3,7%). Coincidência ou não, o fato é que a Copa do Mundo movimenta a economia brasileira, o que se reflete em setores que, como os lácteos, não estão diretamente ligados aos jogos. Isso pode ser explicado pelo modelo de Gains (1994), o qual mostra que o comportamento alimentar é determinado por três fatores: o alimento em si, o consumidor e o contexto ou situação em que o ato alimentar acontece (Figura 2).

Figura 2. Modelo de Gains. Fonte: Gains (1994). 

Em síntese, o modelo de Gains afirma que as características do contexto do consumo (momento, estação do ano, lugar, acompanhantes, etc.) influenciam diretamente no consumo de alimentos. Neste sentido, o fato das pessoas se reunirem para assistir jogos durante a Copa do Mundo ou mesmo por passarem mais tempo em casa assistindo os jogos pela televisão, tem impacto positivo sobre o consumo de alimentos, de um modo geral. Neste ano, como a intenção da maioria das pessoas é assistir aos jogos em casa, comidinhas caseiras que envolvem leite e derivados como ingredientes acabam por ser consumidas.

Produtos caracterizados como snacks, como os queijos, por exemplo, também devem ter seu consumo ampliado no período. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Queijos (Abiq), o consumo de queijos no País deve aumentar 2,5% este ano. Vale ressaltar que a Copa do Mundo aqui no Brasil coincide com o inverno e época de festividades juninas, fatores estes já relacionados com o incremento de consumo de queijos e derivados.

Por fim, é importante mencionar que os marqueteiros do setor estão perdendo uma ótima oportunidade de divulgar os benefícios do leite, assim como fez a Parmalat com a campanha Mamíferos na Copa de 1998. Estudos recentes mostram que o leite tem apresentado melhor desempenho como bebida esportiva recuperadora do que água e outras bebidas esportivas, por propiciar uma recuperação mais rápida e eficaz, além de um treino mais longo após o consumo de leite. Portanto, a Copa do Mundo seria uma ótima oportunidade de massificar essa informação para os consumidores, de forma a elevar o status do leite na cadeia alimentar e ampliar o consumo.

Então, quem disse que leite e Copa do Mundo não estão relacionados está um pouco enganado. Que tal um copo de leite nesta Copa? (POR KENNYA SIQUEIRA/Milkpoint)

 

Leite UHT
O leite UHT e o queijo muçarela continuam valorizados nesta segunda quinzena de junho, seguindo o mesmo movimento observado no início do mês, desencadeado pela greve dos caminhoneiros, de acordo com pesquisadores do Cepea. No entanto, depois de altas muito expressivas, as variações observadas nesta quinzena foram menores. De 17 a 23 de junho, o leite UHT negociado entre indústria e atacado do estado de São Paulo registrou média de R$ 2,235/litro, aumento de 3,08% em relação à semana anterior. O preço do queijo muçarela apresentou, no mesmo período, elevação de 2,15%, fechando a R$ 20,01/kg. Segundo colaboradores do Cepea, o aumento dos preços dos derivados está atrelado à menor oferta e ao consequente encarecimento do leite no campo. A menor disponibilidade de matéria-prima também limita a reposição dos estoques das indústrias e dos canais de distribuição, que se esvaziaram durante a greve dos caminhoneiros. (Cepea)