Porto Alegre, 02 de abril de 2026 Ano 20 - N° 4.603
Como a proteína de soro de leite está redefinindo a economia global de laticínios
O que antes era considerado um apenas um subproduto da fabricação de queijos, muitas vezes descartado ou destinado à alimentação animal, tornou-se atualmente a commodity mais valorizada do setor. Esse fenômeno é impulsionado por uma demanda sem precedentes, vinda não apenas de entusiastas do fitness, mas também de usuários de medicamentos GLP-1 (as famosas canetas emagrecedoras) que buscam aumentar a ingestão de proteínas.
Os preços do soro de leite de alta qualidade atingiram níveis recordes, chegando a cerca de onze dólares por libra, um salto significativo em relação aos valores inferiores a quatro dólares registrados em 2023. Essa valorização contrasta com a volatilidade e os baixos preços enfrentados por outros produtos lácteos, como manteiga e queijo, cujos mercados sofreram com o excesso de produção global. Como resultado direto dessa mudança, muitas fábricas de queijo estão agora lucrando mais com o processamento do soro do que com o próprio queijo.
Esse novo cenário econômico está gerando uma onda de investimentos globais bilionários em infraestrutura. Grandes empresas como Fonterra, FrieslandCampina e Tirlán anunciaram expansões significativas em suas capacidades de processamento de soro. Na Índia, a Amul está dobrando sua capacidade de produção de proteína, enquanto nos Estados Unidos estima-se que onze bilhões de dólares tenham sido destinados à construção ou ampliação de mais de cinquenta fábricas de laticínios até 2028.
Apesar do otimismo, especialistas alertam para riscos potenciais decorrentes dessa expansão acelerada. Um dos principais desafios é a possibilidade de um excesso de oferta de queijo no mercado mundial, já que o aumento na produção de soro implica obrigatoriamente em uma maior fabricação de queijo. Além disso, surge a preocupação sobre a disponibilidade de leite cru para abastecer todas essas novas instalações, o que pode acirrar a concorrência entre os processadores e elevar os custos de matéria-prima.
Paralelamente, outras inovações estão ajudando a sustentar a viabilidade das fazendas leiteiras, como a técnica de cruzamento de gado de corte com gado leiteiro, que gera bezerros mais valiosos para a indústria de carne. Essa diversificação de receitas, somada à alta do soro de leite, está criando uma transformação histórica na indústria de laticínios, movendo o setor de um período de margens apertadas para uma fase de rentabilidade potencial sustentada para produtores e processadores.
As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
Fonterra conclui venda de divisão de consumo para a Lactalis
A gigante neozelandesa Fonterra Co-operative Group concluiu a venda de seus negócios globais de consumo — conhecidos como Mainland Group — para a multinacional francesa Lactalis.
O movimento acompanha uma tendência cada vez mais clara na indústria de alimentos e bebidas: empresas estão enxugando seus portfólios para priorizar áreas com maior margem e capacidade de escala. No caso da Fonterra, isso significa reforçar o foco em ingredientes e foodservice, segmentos voltados a clientes industriais e profissionais ao redor do mundo.
Segundo o CEO Miles Hurrell, a companhia passa a direcionar capital e inovação justamente para essas frentes, com destaque para suas marcas globais NZMP e Anchor Food Professionals. “Esses negócios geram os melhores retornos para o leite dos produtores”, afirmou Hurrell, reforçando a estratégia baseada em eficiência, desenvolvimento de produtos e na crescente demanda global por ingredientes lácteos.
Além da venda, o acordo também reposiciona a Lactalis como parceira estratégica de longo prazo. Pelos novos contratos, a Fonterra fornecerá leite cru por pelo menos dez anos, além de ingredientes — como queijos a granel — por um período mínimo de seis anos. Ambos os acordos incluem cláusulas de renovação automática.
Esse papel duplo, como fornecedora e parceira, reflete um modelo cada vez mais comum no setor lácteo, em que a colaboração ao longo da cadeia ganha protagonismo para garantir acesso a matéria-prima e lidar com a volatilidade da demanda global.
Como parte da operação, a Fonterra anunciou que retornará NZD 3,2 bilhões (cerca de US$ 1,83 bilhão) aos produtores acionistas e detentores de unidades, por meio de um pagamento de NZD 2,00 por ação.
Com a reestruturação, a atuação da companhia se torna mais concentrada, tanto geograficamente quanto operacionalmente. Apesar de deixar diversos mercados voltados ao consumidor final, a Fonterra mantém sua presença de consumo na grande China, incluindo a marca Anchor na região.
A transação reforça uma transformação mais ampla na indústria global de lácteos: escala, especialização e disciplina na alocação de capital estão se tornando fatores decisivos de competitividade.
Ao sair de negócios de consumo com marca própria e fortalecer sua atuação B2B, a Fonterra se posiciona de forma mais alinhada à demanda por ingredientes lácteos de alto valor agregado e soluções para foodservice — segmentos impulsionados pelo crescimento populacional e pelas mudanças nos padrões de consumo.
As informações são do Foodbev.com, traduzidas pela Equipe MilkPoint.
Novo ministro da Agricultura promete rigor técnico e visão estratégica para o setor
André de Paula substitui Carlos Fávaro, que saiu do posto para cumprir o prazo que lhe permite concorrer nas próximas eleições
André de Paula, assumiu, nesta quarta-feira (1/4), o cargo de ministro da Agricultura, em cerimônia na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília. Ele substitui Carlos Fávaro, que retomou o mandato no Senado, e saiu do posto para cumprir o prazo que lhe permite concorrer nas próximas eleições.
André de Paula elogiou o desempenho do antecessor e afirmou que dará continuidade às ações para a conclusão do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Tenho a exata dimensão dessa função e do quão estratégica é para esse país”, afirmou em discurso na cerimônia de transmissão de cargo. “Estou reafirmando os compromissos que o ministro Carlos Fávaro assumiu. São compromissos que não têm CPF. Eles têm CNPJ. São do Ministério da Agricultura e do presidente Lula”, acrescentou.
Ele disse que atuará com visão estratégica para garantir previsibilidade para o setor e convidou lideranças setoriais para parcerias de trabalho. O auditório estava lotado, com cerca de 350 pessoas, entre elas dirigentes de entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
André de Paula disse que o convite de Lula para assumir a Agricultura, há cerca de um mês, representa o maior desafio da sua vida pública de mais de 40 anos. “É o passo mais largo da minha trajetória profissional e pessoal.”
No discurso, destacou a importância de políticas como o Plano Safra, o Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) e o seguro rural.
André de Paula defendeu ainda que a Embrapa precisa ser “ainda mais fortalecida”, assim como a defesa agropecuária. E indicou necessidade de o setor seguir atento às transformações tecnológicas.
O ministro ressaltou a importância do agronegócio para a economia brasileira e a pluralidade do setor.
“É um setor essencial para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento sustentável do país”, disse. “Atuaremos com rigor técnico e visão estratégica para qualidade, segurança e sustentabilidade. O espírito de diálogo vai conduzir minha atuação em plena sintonia com as diretrizes do governo Lula. O Brasil que produz com responsabilidade cresce com justiça”, acrescentou.
Secretários
O novo ministro da Agricultura confirmou que o secretário-executivo da Pasta será Cléber Soares. Ele substituirá Irajá Lacerda, que deixa o posto para cumprir o prazo de desincompatibilização e poder concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados por Mato Grosso nas eleições de outubro.
Em 2023, André de Paula foi indicado pelo PSD para liderar a recriação do Ministério da Pesca. Antes, foi secretário de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco e secretário das Cidades no Estado. Também foi vereador em Recife entre 1989 e 1991 e deputado estadual em duas legislaturas, entre 1991 e 1999. (Canal Rural via Valor Econômico)
Jogo Rápido
PREVISÃO METEOROLÓGICA (02 A 05 DE ABRIL)
Na próxima semana, o tempo deverá variar entre condições estáveis e instáveis em grande parte do território gaúcho. Na quinta-feira (02/04) e na sexta-feira (03/04), o tempo permanecerá predominantemente estável na maior parte do estado do Rio Grande do Sul. Ainda assim, há previsão de chuva fraca a moderada isolada apenas em pontos da metade norte, associada aos efeitos da circulação e ao transporte de umidade para essa região. No sábado (04/04) e no domingo (05/04), o avanço de um sistema de baixa pressão próximo ao estado deverá favorecer o aumento da instabilidade, com previsão de chuva em grande parte das regiões. Os volumes esperados variam entre fracos e moderados, pontualmente fortes, principalmente nas metades sul e leste do estado. No dia 05/04, as temperaturas deverão apresentar leve declínio. Na segunda-feira (06/04) e na terça-feira (07/04), a passagem de uma frente fria manterá o tempo instável em todo o estado, com previsão de chuva em todas as regiões ao longo desses dias. Na quarta-feira (08/04), o sistema continuará avançando e perderá gradualmente sua influência sobre o território gaúcho. Dessa forma, a precipitação deverá ficar restrita a pontos isolados, principalmente na metade norte. Nos dias 07/04 e 08/04, as temperaturas deverão apresentar leve declínio. De forma geral, a figura mostra que os acumulados de precipitação deverão variar entre 2 e 50 milímetros ao longo da semana, com alguns pontos isolados nas regiões da Fronteira Oeste e Missões que podem ultrapassar esse valor. (SEAPI)