Porto Alegre, 06 de abril de 2026 Ano 20 - N° 4.604
Iniciativa do Sistema FIERGS esclarece pontos e alerta para riscos da redução da jornada de trabalho
O Sistema FIERGS está iniciando uma ação de esclarecimento sobre os principais pontos de projetos em tramitação no Congresso que alteram jornada e escala de trabalho. A iniciativa busca conscientizar a população sobre os possíveis impactos de eventual diminuição da carga semanal de 44 horas para 40 ou 36 horas, sem redução de salários.
Uma cartilha foi elaborada pelo Conselho de Relações do Trabalho (Contrab) com objetivo de esclarecer pontos centrais do debate, como a possibilidade já existente de redução da jornada por meio de negociação coletiva. O material será distribuído para sindicatos industriais e empresas e também está disponível online. A entidade também destaca que o fim da escala 6x1 não implica, necessariamente, diminuição da carga horária total. É possível manter jornadas de 44 horas sem esse modelo, assim como adotar a escala com menos horas semanais.
O Sistema FIERGS ressalta que eventuais mudanças devem ser conduzidas com base técnica e cautela. Segundo a entidade, se uma empresa mantém 100% do salário para uma jornada de 44 horas e passa a pagar o mesmo valor por 36 horas, o custo de mão de obra pode aumentar entre 12% e 15% de forma abrupta. Esse cenário pode afetar a produtividade e a saúde financeira das empresas, especialmente as de menor porte.
Na prática, os efeitos podem atingir tanto o setor produtivo quanto a população. Entre os riscos apontados estão aumento de preços, redução de contratações, cortes de gastos e investimentos, além da ampliação da informalidade. A possibilidade de geração de empregos, por sua vez, dependeria de um ambiente econômico aquecido e da manutenção dos níveis de produção.
A cartilha também observa que, embora a redução da jornada com manutenção de salários seja um desejo legítimo, a produtividade no Brasil ainda é considerada baixa para sustentar essa mudança. O avanço nesse sentido exigiria investimentos em tecnologia, qualificação profissional e ganhos de eficiência. Alterações abruptas, na avaliação do Sistema FIERGS, podem pressionar custos e colocar empregos em risco.
ESTUDO NACIONAL
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (1º), reforça esse cenário. De acordo com o estudo, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode elevar, em média, os preços ao consumidor em 6,2%. Os dados indicam pressão generalizada sobre diferentes segmentos. As compras em supermercados podem ficar 5,7% mais caras, com alta de cerca de 4% nos produtos agropecuários e de 6% nos industrializados. No caso de roupas e calçados, a elevação pode chegar a 6,6%. Já no setor de serviços, os preços podem subir até 6,5%, afetando atividades como manicure, cabeleireiro e pintura residencial. A fatura de internet pode ter aumento ainda mais expressivo, de até 7,2%.
Acesse o conteúdo da cartilha neste link. (Fiergs)
Emater/RS: Informativo Conjuntural 1913
BOVINOCULTURA DE LEITE
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção apresentou leve melhoria onde ocorreram chuvas volumosas nas últimas duas semanas. Houve incremento de forragem verde na dieta das matrizes, decorrente da contribuição de potreiros de campo nativo e de anuais de verão em final de ciclo.
Em São Gabriel, nos sistemas menos intensivos, a produção está praticamente estável. Já nas propriedades com maior nível tecnológico, cujas médias normalmente são mais elevadas, houve redução na produção em função do amadurecimento das pastagens e da chegada do período de vazio forrageiro.
Na de Caxias do Sul, as temperaturas elevadas causaram estresse térmico aos animais. Os casos de mastite foram controlados com o uso de antibióticos. A qualidade do leite, medida pela Contagem de Células Somáticas (CCS) e pela Contagem Padrão em Placas (CPP), está dentro dos limites exigidos pelo MAPA.
Na de Frederico Westphalen, a produção se reduziu, influenciada pelas altas temperaturas e pela irregularidade das chuvas. Embora os produtores estejam adotando práticas para melhorar o bem-estar do rebanho, essa queda é superior ao esperado. A sanidade do rebanho está satisfatória. Contudo, houve aumento na infestação por moscas, especialmente mosca-dos-chifres, além de alguns relatos de presença de carrapatos.
Na de Ijuí, a produção ficou estável em relação ao período anterior. Houve aumento da incidência de ectoparasitas, principalmente nos locais de descanso dos animais.
Na de Pelotas, devido ao início do vazio forrageiro, houve queda na produção e maior dependência de silagem e suplementação alimentar. Persistem desafios relevantes, como o estresse térmico dos animais e problemas pontuais relacionados à disponibilidade de água.
Na de Porto Alegre, em razão do início do vazio forrageiro, foi necessário aumentar a suplementação alimentar para manter a condição corporal e a produção. (Emater editado pelo Sindilat/RS)
Piracanjuba leva informação sobre autismo às embalagens de leite e amplia alcance do tema no Brasil
Parceria entre Piracanjuba e Autistas Brasil transforma produto do dia a dia em ferramenta de informação e inclusão para milhões de brasileiros.
Em um país onde o Transtorno do Espectro Autista ainda é cercado por desinformação, uma nova iniciativa busca usar um canal pouco convencional para ampliar o acesso a conteúdo confiável: as embalagens de leite.
A partir de abril — mês marcado pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo — caixas de leite UHT da Piracanjuba passam a circular com mensagens educativas sobre o autismo. A proposta é aproveitar a capilaridade desses produtos, presentes na rotina de milhões de brasileiros, para inserir informação qualificada em contextos cotidianos, como o café da manhã.
A iniciativa parte do reconhecimento de que a falta de informação ainda é uma das principais barreiras para a inclusão. Muitas famílias têm pouco ou nenhum acesso a conteúdos confiáveis sobre o tema, especialmente fora dos grandes centros ou em regiões com menor conectividade digital.
Informação simples para um tema complexo
Na primeira fase, as embalagens trazem mensagens curtas que abordam dúvidas comuns e ajudam a combater equívocos recorrentes. Entre elas estão afirmações como “autismo não é doença”, “cada pessoa autista é única” e “o espectro é amplo e diverso”.
A escolha por frases diretas reflete um esforço de simplificação de um tema complexo, sem perder precisão. O objetivo é oferecer um primeiro contato com informações básicas, capazes de despertar curiosidade e, ao mesmo tempo, corrigir percepções equivocadas ainda bastante disseminadas.
Além disso, as embalagens incluem um QR Code que direciona para conteúdos mais aprofundados produzidos pela Autistas Brasil, organização da sociedade civil que atua na defesa de direitos e na promoção da inclusão. A entidade participou da construção das mensagens, contribuindo com orientação técnica e validação das informações.
Alcance offline como estratégia
Um dos pontos centrais da ação é justamente o uso de um meio físico e de grande alcance para disseminação de informação. Com milhões de unidades distribuídas mensalmente, a iniciativa aposta em chegar a públicos que, muitas vezes, não são alcançados por campanhas digitais.
A lógica é simples: se o acesso à informação ainda é desigual, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil, faz sentido levar conteúdo relevante para onde as pessoas já estão — inclusive fora do ambiente online.
Design e acessibilidade
Outro aspecto considerado no projeto foi a forma como a informação é apresentada. As embalagens adotam um layout mais limpo e organizado, com foco em legibilidade e clareza. A proposta é tornar o conteúdo mais acessível, inclusive para pessoas com diferentes perfis de processamento cognitivo.
O uso do símbolo do infinito colorido — cada vez mais associado à neurodiversidade — também contribui para ampliar o reconhecimento desse ícone no país.
Um debate que ainda precisa avançar
Apesar de avanços nos últimos anos, o autismo ainda é pouco compreendido por grande parte da população. Mitos persistem — como a ideia de que se trata de uma doença ou de que haveria uma causa única — e impactam diretamente o acesso a diagnóstico, apoio e inclusão.
Nesse contexto, ampliar o acesso à informação básica, correta e acessível continua sendo um desafio central. Iniciativas que conseguem inserir esse conteúdo no cotidiano podem contribuir para reduzir o estigma e ampliar o entendimento sobre o tema.
A campanha deve ser implementada em fases ao longo do ano, com possibilidade de expansão para outros produtos. Mais do que uma ação pontual, a proposta aponta para um movimento mais amplo: o uso de canais de consumo massivo como plataformas de comunicação sobre temas de interesse público.
As informações são da Assessoria de Imprensa da Piracanjuba
Jogo Rápido
MILHO/CEPEA: Indicador volta a se sustentar
O atual ambiente externo incerto, a atual volatilidade do petróleo e o encarecimento dos fretes no Brasil mantiveram vendedores de milho afastados do mercado spot ao longo da semana passada, apontam pesquisadores do Cepea. Diante disso, as negociações envolvendo o cereal foram limitadas, e os preços registraram apenas pequenas variações. Em Campinas (SP), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, que havia recuado na semana anterior, voltou a se sustentar na semana passada. No campo, o clima favoreceu o avanço da colheita do milho primeira safra nas principais regiões e também a semeadura da segunda temporada. Já no mercado externo, os valores do milho caíram na semana passada. Segundo pesquisadores do Cepea, especulações em relação ao possível encerramento do conflito militar no Irã pressionaram os valores do petróleo e, consequentemente, os do milho, especialmente na quarta-feira, 1º. (CEPEA)