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Porto Alegre, 24 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.825

Conseleite SC

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida no dia 20 de Setembro de 2018 na cidade de Joaçaba, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os preços de referência da matéria-prima leite, realizado no mês de Agosto de 2018 e a projeção dos preços de referência para o mês de Setembro de 2018. Os valores divulgados compreendem os preços de referência para o leite padrão, bem como o maior e menor valor de referência, de acordo com os parâmetros de ágio e deságio em relação ao Leite Padrão, calculados segundo metodologia definida pelo Conseleite-Santa Catarina. (Faesc)

 
 
 

Preço do leite longa vida recua 13% em agosto

Leite longa vida - Após meses em alta, o preço do leite UHT recuou 13% de julho para agosto, fechando o mês com média de R$ 2,7761/litro. Quanto ao queijo muçarela, as cotações caíram 5% na mesma comparação, para a média de R$ 18,84/kg em agosto.  As desvalorizações de ambos os produtos estão atreladas ao baixo consumo e aos elevados estoques no atacado paulista.

Se comparados ao mesmo período do ano passado, porém, os valores do UHT subiram 19,8% e os do queijo muçarela, 23,2%, permanecendo em patamares elevados - no acumulado do ano, as altas são de 39,5% e de 28,3%, respectivamente. Na segunda quinzena de setembro, as cotações no mercado spot de leite (comercialização entre indústrias) seguem praticamente estáveis em São Paulo (+0,7% frente à primeira quinzena do mês), mas registram alta em Minas Gerais - 2,9%, na mesma comparação - e queda em Goiás (2,7%) e no Paraná (6%). Já os preços do leite UHT e da muçarela registraram quedas de 5,6% e de 2,5%, respectivamente, no acumulado da primeira quinzena de setembro, fechando o período com médias de R$ 2,6238/litro e de R$ 18,3963/kg. A pesquisa diária de preços realizada pelo Cepea no atacado de São Paulo tem o apoio financeiro da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). (Cepea)

 

 
 

Tecnologia move avanço da pecuária leiteira holandesa

Tecnologia - Robôs programados para cuidar de vacas compõem um cenário digno de filmes de ficção científica do fim dos anos 1980. Mas na Holanda aquele "futuro" já transpôs as telas há anos, o que permite que o país produza cerca de 14 bilhões de litros de leite ao ano, segundo o Instituto Central de Estatística holandês.  Esse volume corresponde a quase 60% do que o Brasil produziu em 2017 - 24 bilhões de litros -, sendo que o território do país europeu representa apenas 0,48% do brasileiro. Em den Eelder, fazenda de gado leiteiro localizada em Poeldijk, pequena cidade de Westland, os robôs fazem parte da paisagem desde 2000, e sem eles o negócio da família Van der Schans estaria fadado ao fracasso. "Não tínhamos pessoas suficientes. Era muito difícil conseguir trabalhadores", afirma Ernst Van der Schans, patriarca da família e que está no negócio de pecuária leiteira desde 1983.

A fazenda abriga cerca de 500 vacas em lactação e 300 bezerros. Cada vaca produz, em média, 36,2 litros de leite por dia. Em uma fazenda sem robôs, com funcionários responsáveis pela ordenha das vacas, a produção é de cerca de 32 litros por dia. Na Holanda, uma em cada cinco fazendas leiteiras já é automatizada. Para se ter uma ideia, no Brasil, a produção média é de pouco mais de 6 litros por vaca/dia, uma vez que ainda há muita pecuária de subsistência.

"O segredo ]da automação] é que a vaca é ordenhada quando quer, e a média é de ordenha de quase três vezes ao dia por vaca", diz Evert Niemeijer, gerente de contas de laticínios da Lely, empresa holandesa, também de origem familiar, responsável pela produção de toda a estrutura robotizada da den Eelder. A Lely registrou receita de € 506 milhões em 2017 e tem escritórios espalhados por diversos países.

Um desses escritórios está em Carambeí, no Paraná. No mercado brasileiro, diz Niemeijer, já há 30 robôs da Lely sendo usados em ordenha. Na semana passada, representantes da cooperativa paranaense Frísia Agroindustrial estiveram em den Eelder para conhecer o processo automatizado.

Em den Eelder, a ordenha das vacas é feita sem nenhum contato humano - estimulados por comida, os animais vão voluntariamente para o aparelho para serem ordenhadas. Cada animal recebe 7 quilos de alimentos por dia. Para comer mais, a vaca tem que ir até o aparelho de ordenha e receber mais uma pequena quantidade. Enquanto ela come, cada teta é higienizada pelo robô e, logo depois, um laser identifica o local exato para instalar o aparelho de ordenha.
"Enquanto o leite é retirado, o robô capta, por meio de uma antena, as informações registradas nos colares dos animais. É avaliado se ela está em boa saúde, se já é o melhor momento para inseminá-la e qual a temperatura do leite produzido", diz Niemeijer. As informações sobre o momento ideal para inseminar a vaca ajudam na redução de custos, reforça o gerente da Lely. O número de aplicações de sêmen cai de quatro, em média, para duas por vaca. "Você reduz custos. Há sêmen de todos os preços, mas para a inseminação de vacas leiteiras o valor é, em geral, de € 12,50 por ampola", completa.

O equipamento para a automatização não é nada barato, e na Holanda não é diferente. "Aqui, além de pagar pelos nossos robôs, a empresa paga caro para construir a estrutura do galpão. Qualquer construção aqui vai demandar pilastras de 24 metros de concreto para serem instaladas embaixo do solo. É uma exigência do governo", diz Niemeijer. Os galpões da den Eelder tiveram um custo médio de € 1,6 milhão para serem construídos. Uma fazenda automatizada também demanda muita energia elétrica. Na propriedade visitada esta semana pelo Valor, foi instalada uma estação de energia movida a biogás para tornar a produção mais sustentável e autossuficiente. A eletricidade é gerada a partir do esterco produzido pelas vacas.

Os 70 quilos de esterco que cada animal produz por dia viram luz em den Eelder. Ainda fresca, a "matéria-prima" vai para câmara de biogás, onde se extrai todo o gás, e o que sobra vai para uma outra câmara que produz fertilizante. Somente esse sistema de produção de energia custou cerca de € 1 milhão. Mas mesmo com tantos gastos, garante Ernst Van der Schans, é possível lucrar. "Não temos muita escolha: não dá para manter a nossa produção sem os robôs. Conseguir braços para o trabalho não é fácil. Meus custos são, em média, cerca de 20% menores por causa da automatização. Mas ainda não estamos tão eficientes e há espaço para melhorar", afirma ele. Van der Schans não revela qual a receita anual da fazenda. "Não se consegue fazer muito dinheiro com leite aqui na Holanda, mas estamos bem", brinca. "Temos um lucro de € 0,05 por litro". Atualmente, um litro de leite na Holanda é vendido por € 0,37.

A fazenda precisa, diariamente, adquirir quase 16 mil litros de leite de terceiros para sustentar a produção de iogurtes, leite in natura e manteiga. "A nossa produção vai para todo o país e exportamos para outros mercados da Europa", afirma Van der Schans. Na propriedade também são produzidos derivados de leite de cabra - negócio de um dos irmãos de Van der Schans. No total, há 35 pessoas trabalhando na fazenda den Eelder. A jornalista viajou a convite da Agência de Investimentos Estrangeiros da Holanda. (Valor Econômico)

 

Margem positiva em 2018 favorece saúde financeira de propriedades

Custo de produção - O ano de 2018 tem apresentado margens mais favoráveis ao produtor de leite, o que indica que este pode ser um bom momento para que muitos reestabeleçam a saúde financeira de suas propriedades.  Vale lembrar que, em 2017, alguns pecuaristas acumularam dívidas de custeio da atividade, devido à forte queda nos preços do leite no campo. No correr deste ano, ainda que os custos de produção estejam em alta, os aumentos na receita (preço do leite) ocorrem em intensidade muito maior. No acumulado de 2018 (até agosto), o COE (Custo Operacional Efetivo, que considera os gastos correntes da propriedade) da pecuária leiteira na "média Brasil" (estados da BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP) registra alta de 6,53%, praticamente a mesma variação observada no IGP-DI, de 6,63%. Já o preço do leite pago ao produtor subiu expressivos 54,4% no mesmo período. Em agosto, especificamente, os custos de produção da pecuária leiteira recuaram, após 10 meses de altas consecutivas. Por outro lado, o preço médio do leite seguiu em alta, atingindo, inclusive, o maior patamar nominal desde setembro/16.

Sobre os custos, a queda de julho para agosto esteve atrelada à desvalorização de alguns insumos, como concentrado e medicamentos. Na "média Brasil", a queda foi 0,20% para o COE e de 0,18% para o COT (Custo Operacional Total, que, além do COE, considera o pró-labore e depreciações). A ligeira retração nos valores do milho em julho em algumas regiões, reflexo da colheita da segunda safra, teve efeito sobre os valores dos concentrados nas casas agropecuárias em agosto. Na "média Brasil", o grupo dos concentrados se desvalorizou 0,3%. Essa queda nacional, por sua vez, foi influenciada principalmente pelo recuo nos preços do insumo em Minas Gerais e em São Paulo, onde as desvalorizações foram de 0,70% e de 0,35%, respectivamente. Os preços de alguns medicamentos também registraram queda em agosto, como vitaminas, hormônios e antitóxicos que, juntos, se desvalorizaram 0,64%. (Cepea)

ANÁLISE PRECISA
Uma das principais bacias leiteiras no Estado, a Região Noroeste ganhou neste mês um laboratório de diagnóstico de doenças bovinas. Instalado no Hospital Veterinário da Universidade de Cruz Alta (Unicruz), o empreendimento recebeu investimento de R$ 1,2 milhão do Banco Mundial, repassados ao Polo Tecnológico do Alto Jacuí, por meio do governo do Estado. O serviço era uma antiga reivindicação de produtores, que mandavam amostras biológicas para Santa Maria ou Porto Alegre. - A ausência de um laboratório era uma queixa recorrente, pois onerava os produtores, a maioria familiares - conta a professora Patrícia Wolkmer, coordenadora do laboratório. Com o diagnóstico mais próximo e rápido, a intenção de um grupo de sete veterinários da Unicruz é investigar as causas das doenças que acometem os animais - afetando principalmente a reprodução. - O laboratório servirá também para pesquisa e extensão de professores e alunos, buscando soluções e levando apoio técnico à pecuária leiteira na região - detalha Patrícia. Com a abertura do laboratório, serão intensificados os cursos de treinamento de produtores para coleta correta de materiais biológicos no campo - como sangue, placenta e feto, quando for o caso de aborto. No futuro, a ideia é ampliar os diagnósticos para doenças suínas, de aves e de cães. (Zero Hora)

 

Porto Alegre, 19 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.824

Situação mundial dos lácteos: preços estáveis com crescimento lento da oferta de leite

A rede International Farm Comparison Network -  IFCN realizou nesta semana a sua conferencia anual para seus parceiros da indústria, em Parma, Itália. Os temas dos representantes de 80 empresas foram as perspectivas dos lácteos no longo prazo e o Big Data como fator de mudança da pecuária leiteira e da cadeia de abastecimento no futuro.

Perspectivas para 2019
No âmbito do setor lácteo mundial, após a última crise em 2016, a indicador IFCN para o preço típico do leite ao produtor se manteve ao redor dos US$ 35/100 kg de leite ao longo dos últimos dois anos (Figura 1), indicando estabilização. A média histórica é de US$ 37/100 kg, para os últimos dez anos. Convertidos e corrigidos mensalmente pelo IPCA para ago/18, a média do indicador de preços global equivale a R$ 1,10/litro, enquanto que a média dos preços corrigidos do Brasil é R$ 1,27/litro, cerca de 15% maior.

A estabilização de preço pode ser uma indicação de que atualmente a demanda esteja crescendo mais rapidamente que a produção de leite no mundo. Uma rápida desaceleração do crescimento da oferta de leite no mundo, ao redor de 1,6% em agosto versus 3,1% em janeiro de 2018, vem colaborando para a estabilização de preço no patamar de US$ 35/100 kg ECM (corrigido para 3,3% proteína e 4% de gordura). Para 2019, espera-se que a demanda tenha um crescimento um pouco mais robusto, o que tende a sustentar os preços.

Big data na pecuária de leite
Em decorrência da crescente utilização das tecnologias emergentes, tais como sensores e câmeras, o volume de dados gerados nas fazendas é crescente. Os dados podem revelar informações valiosas se bem utilizados, pois possibilitam revelar padrões, tendências e associações, especialmente relativos ao comportamento e interações entre indicadores. Combinados com plataformas avançadas estes dados podem criar novos valores para os agricultores, processadores e consumidores.

Constata-se uma disponibilidade de informações que podem melhorar a produtividade animal e o seu conforto durante o manejo, além de valor incremental e maior transparência em termos de informação para toda a cadeia de abastecimento de produtos lácteos.

À medida que os custos dessas tecnologias vão diminuindo, cria-se uma situação em que várias fontes de informações e insights podem ser integrados, correlacionadas e analisadas para solução de problemas complexos em tempo hábil.

Perspectivas de longo prazo
O IFCN estima que haja um crescimento para a demanda de lácteos para 2030 equivalente a 304 milhões de toneladas/ano. Isso representa o equivalente a três vezes a produção de leite dos Estados Unidos atualmente. Para ativar essa produção os especialistas que compõe a Rede pressupõe-se um preço do leite mundial ao redor de US$ 40/100 kg. Portanto, um preço superior à média histórica. (As informações são da Embrapa. (Artigo de Lorildo A. Stock e Sergio R. Teixeira))              
 
 Figura 1 - Indicador IFCN para o preço global do leite ao produtor.
 

 

Embrapa seguirá sob comando de pesquisador

O Conselho de Administração da Embrapa escolheu Sebastião Barbosa, pesquisador de carreira aposentado, como novo presidente da estatal, apurou o Valor com uma fonte graduada do governo. A indicação ainda precisa passar por análise da Casa Civil, mas sua nomeação deve ser publicada até 10 de outubro. Na disputa com Barbosa estavam o pesquisador Cléber Soares, atual diretor da Embrapa e que chefiou a unidade Gado de Corte em Campo Grande (MS), e o ex-ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, o único candidato de fora da empresa. Todos foram entrevistados na última segunda-feira.

O Valor apurou que seus concorrentes sofreram resistência interna de servidores da estatal na reta final. Enquanto Soares foi considerado jovem para o cargo, Guedes foi alvo de críticas por parte de segmentos do agronegócio por sua atuação em cargos no governo, na Conab e no Banco do Brasil. O processo de seleção atendeu às novas regras impostas pela Lei das Estatais, que preza pela transparência e busca blindar as empresas públicas de indicações meramente políticas. Nas últimas três décadas, todos os presidentes da estatal foram servidores de carreira. Os 16 candidatos na primeira fase foram divulgados pela estatal e tiveram que justificar por que desejavam se inscrever para o cargo. Antes, o conselho apenas enviava uma lista tríplice para o presidente da República, que nomeava o presidente da Embrapa.

Com o currículo mais bem avaliado pela Embrapa entre os postulantes ao cargo, Sebastião Barbosa é agrônomo de formação com grande experiência como pesquisador nas áreas de defesa fitossanitária e controle de pragas, já tendo representado a FAO, Agência para Agricultura e Alimentação da ONU, em foros internacionais sobre esses temas. Essa experiência internacional pesou para sua escolha. Também foi chefe-geral da Embrapa Algodão, em Campina Grande (PB), entre 2014 até este ano. Nos últimos anos, Barbosa também vinha liderando um movimento para criar condições de retomada da produção do algodão no semiárido nordestino, região que já teve destaque nessa área na década de 1970. O processo seletivo para a presidência da estatal não escapou de críticas do setor do agronegócio. Em carta ao ministro Blairo Maggi, o Instituto Pensar Agro (IPA), que reúne as 40 principais entidades do segmento agropecuário e é o braço técnico da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), questionou o critério de seleção por currículo, recomendando que os candidatos apresentassem um plano estratégico com metas e iniciativas para a estatal.

Se referendado pelo Planalto, Sebastião Barbosa assumirá a Embrapa em meio a um dos maiores desafios recentes da estatal. A empresa, que passa por uma reestruturação, vem sendo cobrada por segmentos do agronegócio para que tenha maior protagonismo e se modernize. Em tese, a seleção ocorreria até o fim deste ano, porém Maggi resolveu antecipar o processo. A decisão também foi questionada por pessoas da própria Embrapa e do segmento agropecuário, por acontecer antes da eleição do próximo presidente da República. (As informações são do jornal Valor Econômico)

Curiosidades: robôs fazendeiros cuidam da inseminação das vacas à produção de leite

Ernst van der Schans, de 62 anos, transformou uma fazenda familiar, especializada em produção de leite, em uma das maiores propriedades do gênero na Holanda. Mas, em vez de as contratações crescerem ao longo dos anos, ocorreu o contrário. O produtor rural optou por se associar à tecnologia para melhorar seus ganhos e seguir em expansão. Dono da den Eelder, especializada em produção de leite e derivados, vendidos para grandes redes de supermercado da Holanda, mas também, em menor volume (1%) para a Espanha e Curaçao, Schans trocou parte do trabalho feito por humanos pela robotização de sua operação. Os robôs atuam em várias frentes, desde o empacotamento do feno que será usado para a alimentação animal até na linha de envaze e de fechamento das caixas com leites, iogurtes e manteiga que seguirão para o varejo. Schans assumiu a atividade agrícola em 1983, pouco depois da morte do pai, que também era fazendeiro. Foi um período difícil e ele decidiu investir com a expectativa de conseguir suprir as necessidades financeiras da família. Depois, o empreendedor se casou e teve três filhos. Todos fizeram faculdade e hoje trabalham, direta ou indiretamente, na den Eelder.

Falta de pessoal
Os primeiros robôs chegaram à den Eelder há seis anos. A decisão foi tomada porque o empreendedor sentiu dificuldades na contratação de mão-de-obra para a ordenha. Com 500 vacas e 300 bezerros, a fazenda é considerada grande para os padrões holandeses, onde predominam propriedades menores, com menos animais. Hoje, só na parte de ordenha, estão em operação oito robôs. Cada um, acoplado a computadores que apontam em tempo real as características do animal, custa 1,5 milhão de euros (algo como R$ 7,2 milhões). O equipamento mais recente chegou há um ano e foi instalado em uma segunda área para os animais, com investimento total de 1,6 milhão de euros. A tecnologia foi financiada em um prazo de dez anos. A produtividade é 10% maior do que no caso da ordenha manual. Todo o processo para a retirada do leite não precisa de contato manual. O equipamento desinfeta as tetas da vaca, identifica por meio de luzes de infravermelho onde os sugadores devem se fixar e faz a extração do líquido. Os animais ficam tão tranquilos com a operação de ordenha mecânica que fazem fila para passar pelo ritual - claro, são agradados com ração e por uma máquina que relaxa os bovinos com uma grande escova que faz uma espécie de massagem nas costas.

Ganhos
Mas os robôs da fazenda de Schans fazem mais do que ordenhar os animais. Por meio do auxílio de transmissão de dados por antenas, eles conseguem ler informações de colares eletrônicos instalados nos pescoços dos bovinos e saber se a temperatura do leite é a adequada - tem de ser de 37 graus para obter as melhores características -, e até qual é o ápice do período fértil da vaca, que dura no máximo quatro horas. Com isso, as tentativas de fertilização caem de três a quatro para uma a duas por animal. Parece apenas um detalhe, mas na ponta do lápis essa assertividade vai resultar em economia. Cada amostra de sêmen custa, em média, 12 euros. Com 500 vacas leiteiras, os ganhos podem ser relevantes no total da operação da fazenda. Assim como no Brasil, o lucro na produção de leite é baixo, em média de 5 centavos de euro por litro. A produção da unidade rural é de 16 toneladas de leite por dia (ou algo como 15,5 mil litros). Em uma conta superficial, por dia a fazenda rende a Schans em torno de 777 mil euros. Apesar da quantidade de animais e da fábrica de laticínios, a propriedade gera poucos empregos. Ao todo, são 35 funcionários -- apenas sete trabalham na fazenda. Durante a visita, a reportagem não viu nenhum funcionário nas duas áreas de confinamento dos animais, nem mesmo no controle dos computadores. A operação é 100% autônoma.

Visita ao Brasil 
Em 2016, Schans conheceu o Brasil, acompanhado de um grupo de produtores rurais. Além de São Paulo, o fazendeiro visitou Holambra - cidade no interior paulista onde vive uma grande comunidade de holandeses, especializados no cultivo de flores e plantas, que abastecem o varejo de todo o país. "Foi muito interessante ouvir as histórias de quando eles desembarcaram no Brasil e quantas dificuldades enfrentaram no começo", lembra. Schans prefere não definir uma data, mas diz que pretende aumentar a mecanização de sua fazenda de leite. "Isso tem ajudado no bem-estar das vacas", garante o empreendedor. Novos robôs também deverão ser acrescentados à fábrica de laticínios, que começou a produzir em 1999.

Robôs no Brasil
A Lely, fabricante dos robôs usados por Schans na ordenha das vacas, também tem negócios na América do Sul, em particular no Brasil, segundo Evert Niemeijer, gerente da companhia. De acordo com o executivo, um dos produtores brasileiros adquiriu quatro equipamentos. Também há robôs no Chile e no Uruguai - são 30 em território sul-americano.

A Lely tem um escritório de representação em Carambeí, no Paraná. Além dos desenvolvimentos robóticos, feitos na Holanda, também investe em softwares de gestão de fazendas produtoras de leite. No ano passado, essas duas áreas de atuação apresentaram um crescimento de 12%. O desempenho foi graças principalmente aos mercados da América do Norte e Japão. Em 2018, a companhia chega aos 70 anos de fundação e pretende manter os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para aumentar a oferta de produtos e de inovações. A estimativa é colocar 6% da receita em P&D. O principal argumento, segundo o executivo, é a queda do preço do leite. Mas, segundo Niemeijer, outro apelo cada vez mais relevante é o tratamento mais amigável dado aos bovinos com o uso de robôs. "O mercado pede por esse tipo de cuidado e respeito e está disposto a pagar por isso", garante.

Em 2017, de acordo com Niemeijer, foram comercializados pela companhia 300 robôs como os que Schans tem em sua fazenda. Crítico dos produtores chineses, que conseguem exportar leite e derivados a preços mais competitivos porque usam mão de obra remunerada segundo os padrões do país asiático, o executivo da Lely garante que equipamentos como o que vende são à prova de contaminação. "Ninguém acredita na produção leiteira dos chineses, que é manual. Com o tempo, os robôs também serão a solução para eles", avalia. Para Niemeijer, a mecanização deverá avançar cada vez mais nesse segmento, tanto por causa das exigências sanitárias cada vez mais rigorosas quanto por conta da necessidade de buscar ganho de produtividade. Mas essa aposta do executivo da Lely pode esbarrar, em mercados como o brasileiro, na insuficiência de linhas de crédito para o financiamento dos robôs. Ainda mais quando se trata de um mercado dominado por pequenos produtores, quase sempre com dificuldades de obtenção de recursos nos bancos. (As informações são do portal Correio Brasiliense)

Argentina - Em meio à crise, a produção cresce
Produção/AR - O setor lácteo argentino atravessa uma crise crônica que vem resultando no aumento do abandono da atividade leiteira no campo. Apesar disso, as estatísticas de produção mostraram crescimento de 6% na produção de agosto em relação a julho, e de 4% quando comparado com o mesmo mês de 2017. As fazendas de leite entregaram para a indústria 948 milhões de litros, o maior volume de 2018. Desta forma, os primeiros oito meses do ano acumulam alta de 6%. Mais preço - O levantamento oficial indica, além disso, que o preço pago ao produtor subiu em média 4% em relação ao mês anterior, e ficando 32% acima do valor de agosto de 2017. São 7,41 pesos pagos, [R$ 0,77/litro], em média, pela indústria ao nível nacional. Em Córdoba o valor médio foi menor: 7,31 pesos, [R$ 0,76/litro]. De qualquer forma, este aumento não consegue compensar a elevação dos custos de produção. Um mês atrás os produtores precisavam de oito pesos, e isto antes do dólar disparar e chegar a 40 pesos. O cálculo da Câmara dos Produtores de Leite de Córdoba (Caprolec) diz que são necessários 30 centavos de dólar, [R$ 1,24/litro] por litro de leite para que a atividade seja sustentável. (Agrovoz - Tradução livre: www.terraviva.com.br)

 

Porto Alegre, 18 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.823

Conseleite /PR 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 18 de Setembro de 2018 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Agosto de 2018 e a projeção dos valores de referência para o mês de Setembro de 2018, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada "Leite Padrão", se refere ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml e 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Setembro de 2018 é de R$ 2,5608/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitepr.com.br. (Conseleite Paraná) 

GDT

Brasil inaugura fundo 'sustentável' de ONU e Rabobank

O fundo de US$ 1 bilhão criado pela ONU Meio Ambiente, com apoio do Rabobank, para financiar projetos e práticas de agricultura sustentável, anunciado no ano passado, começará a ter seus primeiros desembolsos no próximo mês. "O primeiro projeto beneficiado deverá do segmento sucroalcooleiro do Brasil", afirmou o diretor global de sustentabilidade do banco holandês, Bas Rüter, durante a Conferência Global de Ações Climáticas (GCAS, na sigla em inglês), realizada em San Francisco, na Califórnia.

"Os recursos do fundo vão financiar a ampliação de uma usina, o aumento da produtividade e projetos de conversão de áreas agrícolas degradadas e de reflorestamento", detalhou Rüter ao Valor. Ele não revelou qual empresa será beneficiada nem qual será o valor do aporte, mas afirmou que a companhia em questão faz parte da iniciativa Bonsucro, uma certificação de sustentabilidade. "É um projeto que pretende combinar os benefícios ambientais com a melhora da situação dos trabalhadores no campo", disse.

Batizado de Kickstart Food, o fundo da ONU foi criado no ano passado para contribuir com iniciativas que ajudem a reduzir as emissões de gases de efeito estufa na agricultura por meio do aumento da produtividade e do fortalecimento da resiliência das lavouras. O fato de a primeira iniciativa apoiada pelo fundo ser direcionada para um projeto brasileiro está alinhada com a prioridade dada ao país e à Indonésia, nesses aportes, segundo Rüter. O fundo conta com um aporte de US$ 700 milhões do Rabobank. Os demais US$ 300 milhões estão sendo negociados com outras instituições e bancos públicos. Apelos a financiamentos dos governos deverão ocorrer apenas quando os produtores não conseguirem tomar empréstimo a taxas regulares e dentro das linhas normais dos bancos.

Como o fundo está focado no apoio a projetos de sustentabilidade, os prazos de pagamento serão longos. "Os prazos serão definidos caso a caso. Por exemplo, para projetos de reflorestamento, podem ser necessários mais de dez anos. Para projetos em áreas degradadas, o prazo pode ser menor", afirmou o diretor.  Nesse horizonte, disse, já deverá ser possível colaborar para a redução das emissões de gases de efeito estufa dentro dos prazos estabelecidos pelo Acordo de Paris para a limitação do aumento da temperatura global. Segundo Rüter, há especial atenção a projetos de reflorestamento, uma vez que metade das emissões do setor agrícola está relacionada ao desmatamento.

Além do setor sucroalcooleiro no Brasil, também está na mira do fundo o apoio a projetos de integração lavoura-pecuária-floresta no país em áreas hoje voltadas à produção de soja no Cerrado. Projetos de agricultura sustentável de produtores rurais de pequeno e médio porte também poderão ser favorecidos. Nesses casos, os recursos serão repassados pelo Rabobank a cooperativas financeiras rurais, que por sua vez operarão os financiamentos, afirmou Rüter. Além de Brasil e Indonésia, outros países do Sudeste Asiático, regiões da África e das Américas do Sul e Central também têm potencial para incentivo a soluções "inteligentes" na agricultura. Rüter ressaltou que as ações na África serão mais cautelosas, por causa do risco elevado. Os primeiros projetos na África deverão ser financiados por meio de grandes companhias que têm intenção de estabelecer uma relação de longo prazo com os agricultores africanos de pequeno porte e pequenas cooperativas. "Queremos garantir que os primeiros projetos ocorrerão em regiões que são relativamente estáveis", assegurou. (As informações são do jornal Valor Econômico)

Tetra Pak investe em novas soluções para a indústria de queijos

Tetra Pak - O mercado de queijos no Brasil passará por transformações importantes ao longo dos próximos anos, o que demandará da indústria investimentos em serviços e soluções de automação que respondam às mudanças no mercado consumidor, indica projeção da Tetra Pak.  Em resposta às mudanças, a companhia tem investido em aquisições e na ampliação de seu portfólio de produtos e serviços para a categoria, com soluções que abrangem diferentes tipos de queijo (duros, semiduros, frescos e muçarela). Diante da evolução do mercado, uma das principais novidades introduzidas ao portfólio da Tetra Pak foi a oferta de serviços de automação que elevem o controle dos equipamentos em operação no cliente. O maior controle é fundamental para o desenvolvimento de formulações com alto valor agregado e para a padronização de alguns tipos de queijo (processo que garante o mesmo sabor e consistência ao produto, independentemente de lotes, variações climáticas ou outros fatores externos).

Em paralelo, a empresa também tem investido no desenvolvimento de variações ou novas opções de receita junto aos seus clientes. Em Monte Mor, no interior de São Paulo, a Tetra Pak mantém em operação uma planta piloto para a realização de testes e avaliações de formulações. A estrutura opera dentro do Centro de Inovação ao Cliente (CIC), desenvolvido para suportar clientes de ponta a ponta na criação e aprimoramento de produtos e serviços.
"O consumidor tem diversificado a sua dieta e buscado produtos com alto valor agregado - por exemplo, com menor quantidade de sal e gordura ou mesmo com a ausência de lactose. Essa é uma realidade que também será refletida na indústria queijeira e que será melhor endereçada com maior controle e automação das linhas de produção", explica Rodrigo Godoi, diretor de Processamento da Tetra Pak.

Em outra frente, a empresa tem direcionado esforços em aquisições que complementem o seu portfólio de soluções em processamento. Em 2017, a Tetra Pak adquiriu, globalmente, a companhia norte-americana Johnson Industries International, especializada no desenvolvimento e fabricação de equipamentos para produção de queijos de massa filada, como a muçarela. Atualmente, o produto é mais vendido no Brasil, com penetração em mais de 70% dos lares brasileiros. Em movimento similar, em 2015 a Tetra Pak realizou a aquisição da fabricante polonesa OBRAM. Fundada em 1976, a marca do leste europeu se especializou no fornecimento de soluções para a produção de queijo fresco, queijo cottage e aplicações de queijos semiduros. A marca também foi a primeira a desenvolver solução inovadora que dispensa o uso de moldes para a produção de queijo fresco: o Tetra Pak Cheeseformer.

Indústria queijeira em números
Em 2016, a produção brasileira de queijo alcançou 1.133 mil toneladas, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Queijos (ABIQ), sendo que em 2021 o ritmo de produção deverá subir para 1.326 mil toneladas, representando crescimento de 17% em cinco anos. Somente em 2017, a produção brasileira de queijo contabilizou 1.274 toneladas, sendo que o consumo per capita no mesmo ano registrou 5,5 quilos (evolução de quase 10% em 5 anos).

"O consumo per capita tem crescido, o que elevará o nível de produção da indústria brasileira. Junto a isto, notamos a mudança no perfil do consumidor e em seus hábitos de consumo, o que tem aberto oportunidades interessantes para os fabricantes brasileiros", revela Godoi.

As oportunidades, segundo o executivo, se dão em todas as categorias, mas em especial para queijos duros e semiduros, que mais têm registrado inovações nos últimos anos. Segundo estudo encomendado pela Tetra Pak à agência de Inteligência de mercado Mintel, a categoria foi a que mais apresentou lançamentos nos últimos cinco anos: salto de 14,2% em 2013 para 27,7% em 2017. Adicionalmente, a oferta de queijos com sabor (adição de temperos e ingredientes que acentuem o gosto do produto) e de snacks em sabor queijo (de diferentes tipos) também deverá crescer nos próximos anos. Dentre os consumidores entrevistados pela pesquisa conduzida pela Mintel, 79% e 72%, respectivamente, declararam estar abertos a experimentar as inovações. Em complemento, nos próximos anos também deverá aumentar a oferta de porções sortidas de queijos, um formato mais atraente, principalmente, para consumidores interessados em experimentar variações pagando valores acessíveis. (Tetra Pak)

Grandes disparidades mundiais no preço dos lácteos
Preços - Os preços dos produtos lácteos registraram grandes diferenças ao nível mundial no mês de agosto. Enquanto que os preços na União Europeia (UE) e Estados Unidos aumentaram, os da Oceania caíram. A elevação na UE foi impulsionada pelas incertezas em relação à oferta no mercado comunitário, enquanto que a redução na Oceania foi em consequência do otimismo da próxima temporada na Nova Zelândia, que pressiona os preços, de acordo com a avaliação da associação inglesa, AHDB. Na UE, o mercado está dominado pela maior demanda depois que os consumidores retornaram das férias e previsão de oferta restrita como consequência do verão quente e seco. Neste contexto favoreceu o aumento dos preços. A produção de leite em pó desnatado foi escassa e a maior parte do que foi fabricado já está comprometido. No caso do leite em pó integral, os operadores estão buscando fechar operações para assegurar os contratos do ano. Nos Estados Unidos, o início do ano escolar gerou maior demanda de leite fluido, reduzindo a oferta de leite e creme para produção de manteiga e queijo. Os preços da manteiga subiram em agosto em relação a julho. Apesar das elevações, os preços da manteiga e do leite em pó desnatado em agosto foram menores do que um ano antes. A produção de queijo foi baixa no início do mês de agosto, mas, foi aumentando ao longo das semanas. A menor produção refletiu nos preços, que subiram. Na Oceania, o início da nova temporada foi caracterizado por uma produção baixa, mas, existe otimismo para os próximos meses. Portanto, ainda que a oferta esteja sazonalmente pequena, alguns compradores suspenderam, temporariamente, a assinatura de contratos a espera de que a maior produção prevista reduza os preços. Esta suspensão, por sua vez, amorteceu os preços em agosto. O preço do queijo aumento em agosto quando comparado com julho, mas, o otimismo de uma oferta maior, limitou este aumento a apenas 0,5%. (Agrodigital - Tradução livre: www.terraviva.com.br)

Porto Alegre, 17 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.822

Parceira do Sindilat com a UFRGS visa certificação de propriedades na pecuária leiteira

O Sindicato da Indústria de Laticínios (Sindilat) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) estão unindo esforços para dar maior celeridade à certificação de propriedades livres de tuberculose e brucelose nos rebanhos leiteiros gaúchos. O tema foi tratado no AIM Day - Conectando membros da Cadeia Produtiva do Leite à UFRGS, evento realizado em Porto Alegre.

Um dos focos de trabalho será conscientizar os integrantes da cadeia produtiva leiteira (produtores, indústrias, prefeituras, governo do Estado e governo Federal) sobre a importância da certificação, apesar de a pasteurização do leite ser obrigatória antes da destinação para produtos acabados, afastando qualquer risco de proliferação das doenças. O trabalho será realizado por meio de palestras e eventos sobre a erradicação das zoonoses tanto no gado, como nos trabalhadores que lidam diretamente com os animais. "Trabalhamos muito para que os produtores realizem os testes necessários para a certificação das propriedades rurais. Neste sentido, o Fundo da Pecuária de Leite, no Fundesa, é importante para dar essa segurança ao produtor de leite do RS", afirmou o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini.

Os ganhos dos produtores de leite com a certificação do rebanho também foram alvo de debate. Palharini pontuou que a propriedade certificada garante um mercado além das fronteiras brasileiras, o que deverá se reverter em maior lucratividade ao setor. As discussões ainda trataram sobre a necessidade de trazer novas tecnologias para a área sanitária do leite. (Assessoria de Imprensa Sindilat) 

 
 

Entidades divergem  sobre impacto no campo

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) favorável à terceirização em todas as etapas do processo produtivo, seja meio ou fim, tem provocado visões opostas entre entidades do setor agropecuário. Para o presidente da Comissão de Assuntos Jurídicos da Farsul, Nestor Hein, a decisão não ameaça o emprego dos trabalhadores assalariados do campo. Segundo ele, o posicionamento da Corte no julgamento, ocorrido no final de agosto, é "altamente positivo", porque dá segurança jurídica aos empregadores rurais ao reforçar o que já tinha sido permitido pela reforma trabalhista. Antes da reforma, o empregador rural não podia terceirizar as atividades-fim, como a colheita de frutas, por exemplo. Esta atividade cabia ao produtor ou a funcionários contratados diretamente pela propriedade. Somente era permitida a terceirização de serviços acessórios como a vigilância da fazenda e a manutenção do maquinário. Após a reforma e a votação no STF, ficou autorizada a contratação de terceirizados sem restrição. 

Para Hein, esta novidade apenas abrirá a possibilidade de os produtores terceirizarem tarefas em períodos sazonais, em caso de necessidade. "Não acredito que vá haver demissão de funcionários até porque a mão de obra já é escassa no campo e os produtores dependem de trabalhadores capacitados, que tenham uma relação de dia a dia com aquela atividade", argumenta Hein. O vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e especialista em Direito Agrário, Francisco de Godoy Bueno, afirma que a competitividade do setor depende da liberdade para o setor se organizar da maneira que achar mais conveniente. "A distinção entre atividades-meio e atividades-fim já não se aplicava à dinâmica de trabalho no agronegócio", comenta Bueno. Já o assessor jurídico da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (Contar), Carlos Eduardo Chaves Silva, considera a terceirização irrestrita um "risco real" para o trabalhador. Alguns números, segundo ele, explicam a preocupação. "Um trabalhador terceirizado ganha cerca de dois terços do salário de uma pessoa contratada diretamente, 90% dos casos de trabalho escravo no Brasil são flagrados em empresas intermediárias entre o trabalhador e o contratante e os acidentes de trabalho prevalecem entre os trabalhadores terceirizados", argumenta. Silva acredita que mesmo que não haja demissões no primeiro momento, vai pesar a "conta matemática". "As empresas argumentam que a terceirização gera economia, então o grau de estabilidade é baixíssimo", diz. (Correio do Povo) 

 
 

Mestrado profissional em Alimentos de Origem Animal abre seleção

Mestrado - O Programa de Pós-graduação em Alimentos de Origem Animal (PPGAOA) está com inscrições abertas para o processo seletivo de mestrado profissional em Alimentos de Origem Animal. 

São oferecidas até 10 vagas, com ingresso no primeiro semestre de 2019. As inscrições podem ser realizadas até 17 de novembro por meio do site do programa. As informações relativas ao processo seletivo estão divulgadas no site do Programa de Pós-Graduação.

O processo de seleção inclui prova escrita e entrevista individual, com realização no dia 29 de novembro. As linhas de pesquisa envolvem produção e inovação, avaliação e controle, e inspeção na área de alimentos de origem animal.

O edital e informações relativas ao processo seletivo podem ser obtidos na página do PPGAOA. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (51) 3308.6122 e pelo e-mail ppgaoaveterinaria@ufrgs.br. (UFRGS)

Leite: Emater/RS-Ascar e Unijuí capacitam extensionistas para melhorar eficiência da produção

Capacitação/RS - Extensionistas da Emater/RS-Ascar participaram, na sexta-feira(14/09), em Augusto Pestana, de capacitação para melhorar a eficiência da produção de leite. A ação envolveu nove laboratórios do Centro de Inovação Tecnológica em produção e Saúde Animal da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí).  "A Emater e a Unijui têm um convênio que busca uma estratégia para aumentar a utilização destes serviços, que a Unijuí presta por meio dos seus laboratórios", disse o médico veterinário da Emater/RS-Ascar, Oldemar Weiller. 

Contudo, o maior beneficiado, segundo Weiller, é o produtor de leite. "Para o agricultor, com certeza, vão surgir elementos muito importantes para aumentar a eficiência nos sistemas de produção de leite", disse o médico veterinário. Práticas -  A capacitação, realizada no Instituto Regional de Desenvolvimento Rural (Irder), priorizou os seguintes temas: qualidade da silagem técnica de coleta, armazenagem e transporte ao laboratório; qualidade das forrageiras; coleta de leite para análise microbiológica; e coleta de sangue para exame das principais doenças do rebanho leiteiro.(Emater/RS)

 

Custo de produção cresceu 2,77% em agosto
ICPLeite/Embrapa - Após a queda de -0,30% observada no último mês, em agosto o Índice de Custo de Produção de Leite – ICPLeite / Embrapa registrou uma expressiva elevação: 2,77%. Com um peso significativo, o grupo Concentrado foi o que apresentou maior aumento nos preços, 5,58%. Na mesma direção vieram os grupos Produção e compra de volumosos – segundo maior peso da composição do índice – 2,77% , Sal mineral , 0,58% e Sanidade 0,53%. De maneiro oposta, o grupo Qualidade do leite, que no mês passado teve a maior variação, apresentou neste mês a maior queda de -2,12%, seguido por Energia e combustível, -0,32%, que seguiu em declínio com a normalização dos preços dos combustíveis – principalmente os fósseis – após a greve que afetou o Brasil em maio. Os grupos Mão de obra e Reprodução não apresentaram variação de preços este mês. (Embrapa)

Porto Alegre, 14 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.821

Perspectivas do USDA sobre o mercado lácteo da América do Sul - Relatório 37 de 13/09/2018

Leite/América do Sul - Em toda a América do Sul, especialmente no Cone Sul, a produção de leite continua melhorando à medida que as temperaturas ficam mais confortáveis proporcionando melhoria de rendimento das vacas. 
Dentro deste contexto, a oferta de leite é muito alta, enquanto as indústrias estão mantendo ativos os pedidos de leite para produção de queijo, leite condensado, iogurte e leite fluido. A disponibilidade de creme continua melhorando sazonalmente. A demanda de leite fluido e UHT para as escolas e vários programas públicos é grande. A produção de queijo, principalmente muçarela, está intensa para atender os grandes pedidos de restaurantes, pizzarias e varejistas. A manteiga está sendo produzida equilibrada com a demanda justa dos setores de atacado e de varejo. (Usda - Tradução Livre: Terra Viva)

 
 

Fonterra busca melhoria após registrar perda de NZ$ 196 milhões

A cooperativa de lácteos da Nova Zelândia, Fonterra, anunciou seus resultados anuais para o ano fiscal de 2018, o plano para melhorar o desempenho dos negócios e as perspectivas para o ano fiscal de 2019, incluindo uma revisão de seu investimento com a empresa chinesa Beingmate. A cooperativa reportou uma perda líquida após impostos de NZ$ 196 milhões (US$ 128 milhões), com o EBIT normalizado caindo 22%, para NZ$ 902 milhões (US$ 591 milhões). O índice de alavancagem da cooperativa subiu de 44,3% no ano passado para 48,4% e o retorno sobre o capital foi de 6,3%, abaixo dos 8,3%. O CEO da Fonterra, Miles Hurrell, afirma que o desempenho dos negócios da cooperativa precisa melhorar.

"Esses resultados não atendem aos padrões que precisamos seguir. No ano fiscal de 2018, não cumprimos as promessas que fizemos aos produtores e aos acionistas. Em nossos resultados provisórios, esperávamos que nosso desempenho fosse ponderado para o segundo semestre do ano. Precisávamos entregar um excelente terceiro e quarto trimestres, depois de um segundo trimestre extremamente forte de vendas e ganhos, mas isso ainda não aconteceu", disse Hurrell.

Razões para o desempenho
Hurrell disse que, além do pagamento anteriormente anunciado de NZ$ 232 milhões (US$ 151,54 milhões) para a Danone relacionado à arbitragem e NZ$ 439 milhões (US$ 286,75 milhões) do investimento da Fonterra na Beingmate, houve quatro razões principais para os maus resultados do desempenho da cooperativa.

"Primeiro, a previsão nunca é fácil, mas a nossa provou ser muito otimista. Em segundo lugar, os preços da manteiga impactaram nossos volumes e margens de vendas. Em terceiro lugar, o aumento na previsão do preço do leite ao produtor no final da estação, embora boa para os produtores, pressionou nossas margens. E, em quarto lugar, as despesas operacionais aumentaram em algumas partes do negócio e, embora isso tenha sido planejado, também impactou nos nossos lucros". Ele ainda acrescentou: "Enquanto o volume de vendas caiu 3% no ano fiscal de 2018, uma proporção maior de leite foi vendida através do Consumer and Foodservice e do Advanced Ingredients. De fato, 45% de nossos volumes de vendas foram obtidos por meio desses negócios e isso representa um aumento de 42% no ano fiscal de 2017, apesar do ambiente de preço de insumos mais alto". Ele comentou que os negócios de consumo e food service cresceram em todas as regiões, exceto na Oceania, com o maior crescimento na Grande China.

"Nosso negócio de consumo na China alcançou o break even (sem perdas nem ganhos) este ano, dois anos antes do previsto. Um grande contribuinte para esse sucesso é a popularidade da Anchor, que agora é a marca número um de leite UHT importado nas vendas on-line e off-line na China. Apesar desse progresso, o desempenho em toda a cooperativa ficou abaixo das nossas expectativas. Com base nisso, o conselho decidiu limitar nosso dividendo aos 10 centavos pagos em abril e confirmou o preço final do leite para a estação de 2017/18 em NZ$ 6,69 (US$ 4,36) por quilo de sólidos do leite - equivalente a NZ$ 0,56 (US$ 0,36) por quilo de leite".

Planos para melhoria
Hurrell destacou que a Fonterra está colocando em prática um plano claro para elevar o desempenho da empresa. "Há pessoas que dependem de nós - produtores, acionistas e funcionários que querem fazer parte de uma cooperativa de sucesso". 

O conselho e a administração da Fonterra delinearam um plano baseado em três ações imediatas. A Fonterra reavaliará todos os investimentos, grandes ativos e parcerias para garantir que eles ainda atendam às necessidades da cooperativa. Isso envolverá uma análise minuciosa sobre se eles apoiam diretamente a estratégia, se estão atingindo o objetivo de retorno sobre capital e se ela pode ampliá-los a aumentar o valor nos próximos dois a três anos. Isso começará com uma revisão estratégica do investimento da cooperativa na Beingmate. A Fonterra disse que quer "acertar o básico" e já começou a agir e consertar os negócios que não estão funcionando. O nível de disciplina financeira será elevado em toda a cooperativa para que a dívida possa ser reduzida e o retorno sobre o capital melhorado. A cooperativa também prometeu garantir uma previsão mais precisa - o negócio será executado com previsões mais realistas, com uma visão clara das oportunidades em potencial, bem como dos riscos. Isso também ficará claro em suas premissas, de modo que os produtores e acionistas saibam exatamente onde estão e possam tomar as decisões certas para eles e seus negócios.

Perspectivas para 2019
O presidente John Monaghan frisou que a cooperativa está sendo clara com os produtores e acionistas sobre o que será necessário para alcançar a previsão de ganhos. "Estamos analisando de perto o portfólio atual e a direção da cooperativa para ver onde é necessário fazer mudanças para agilizar, reduzir custos e gerar retornos mais altos em nossos investimentos de capital. Isso inclui uma avaliação de todos os investimentos, principais ativos e parcerias da cooperativa em relação à nossa estratégia e meta de retorno de capital. Os envolvidos podem aguardar uma disciplina rigorosa em relação ao controle de custos e ao respeito pelo capital investido dos produtores e investidores. Essa será a nossa prioridade". (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e resumidas pela Equipe MilkPoint)

Fazenda de leite amplia renda com uso de biodigestores

Missão técnica do leite - Numa atividade em que cada centavo faz diferença, o corte de despesas - sem prejuízos ao desempenho - é mais do que bem vindo. Melhor ainda quando a mesma solução que reduz gastos, também ajuda a potencializar os resultados. E foi isso que um produtor de leite em Gameleira de Goiás conseguiu fazer. A Granja Sol Dourado é hoje um modelo na atividade. Com 50 alqueires (cerca de 120 hectares) dedicados à produção de leite, a propriedade tem hoje 185 vacas holandesas em lactação. Juntas, rendem diariamente cerca de 5 mil litros de leite tipo A integral, o que representa uma produtividade média entre 25 e 27 litros diários por animal. Além da qualidade do produto, também chamam atenção os resultados decorrentes do investimento em biodigestores no local.

Além de resolver uma dor de cabeça na fazenda - que era o destino dado aos dejetos do rebanho - o investimento também permitiu reduções significativas nos custos da propriedade. Segundo o produtor Alessandro Pedroso, dono da propriedade, a primeira mudança foi na conta de energia, já que os gases que saem dos biodigestores permitem a geração própria da eletricidade usada na propriedade. Outra vantagem é a redução da dependência do uso de adubos químicos. Como dos biodigestores sai o "fertilizante orgânico", que é despejado nas lavouras de soja e milho cultivadas na fazenda, as despesas com fertilizantes caíram pela metade, como explica o produtor. A aposta na estratégia sustentável chamou a atenção dos integrantes da Missão Técnica do Leite, realizada pelo Sistema Famato. O produtor Vitor Junqueira destacou que o trabalho desenvolvido na propriedade é um exemplo a ser seguido.

A Granja Sol Dourado foi a quarta propriedade visitada pelo grupo de produtores e técnicos de Mato Grosso que estão em Goiás para conhecer iniciativas que possam ajudar no avanço da bacia leiteira mato-grossense. Antes, os integrantes da missão passaram pela Fazenda São Caetano (referência na produção de leite à pasto irrigado), Fazenda Brasilândia (que elevou a produtividade investindo em genética e bem-estar animal) e pela Estância Tamburil, referência em genética das raças Gir e Girolando. Aliás, a propriedade localizada em Bela Vista, é apontada como uma das que possui o maior banco genético destas raças em toda América do Sul. Lá, os integrantes da missão ficaram impressionados com desempenho do rebanho leiteiro. Algumas vacas, chegam a produzir até 80 litros por dia, segundo o proprietário Amarildo Pires. Outro destaque na propriedade é o foco na produção do leite "A2A2", indicado para pessoas com alergia à lactose, como explica o Amarildo. Para Marcos Carvalho, analista de pecuária da Famato, o trabalho realizado na Estância Tamburil é uma prova de que o investimento em genética é um dos caminhos mais fundamentais para o sucesso na pecuária leiteira. Vídeo (Canal Rural)

Conseleite/MG
A Câmara Técnica finalizou o cálculo do custo de produção dos sistemas de produção de leite no Estado. O presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite, Eduardo Pena, disse que foi definido o fator de qualidade do leite padrão (gordura, proteína, CBT e CCS) e também o ágio e deságio com relação ao volume de leite produzido.  "A cada dia, estamos consolidando a criação do Conseleite MG e caminhando para mais uma conquista de fundamental importância para o setor lácteo mineiro. Estamos ansiosos para que o funcionamento comece em janeiro de 2019." (Faemg)

Porto Alegre, 13 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.820

Tabela do frete e aumento de custos devem frear alta na produção de leite

Em um cenário de custos de produção elevados após a greve dos caminhoneiros, a Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos) reduziu a perspectiva de aumento na produção de leite no Brasil para este ano, de 3,3% para 1,5% a 2%. No ano passado, a captação de leite foi de aproximadamente 33 bilhões de litros. De acordo com o presidente da associação, Marcelo Martins, a greve gerou prejuízos de R$ 1 bilhão e causou desde a falta de produtos para higienizar máquinas até a perda de leite que deixou de ser entregue aos laticínios durante e no período imediatamente após a paralisação. No Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor de leite do País, 56 milhões de litros deixaram de ser entregues às indústrias em razão da greve.

"Hoje, todas as empresas estão trabalhando com margens muito curtas e com pouca disposição para investir", diz Martins.

Ele explica que a indústria ficou sem estoques na sequência da greve, o que também deixou o varejo com menor oferta. O resultado foi o aumento dos preços do leite pagos ao produtor, que foram repassados ao consumidor nas gôndolas dos supermercados. "Isso gera uma demora para que o brasileiro volte a consumir os produtos nos volumes em que estava habituado antes do reajuste". Segundo a Viva Lácteos, outro custo que subiu foi o do frete, que está três vezes mais caro para o transporte de leite por trecho com o tabelamento do frete. Por se tratar de uma carga dedicada, não ocorre o chamado "frete de retorno" por questões sanitárias. "O impacto desse tabelamento pode chegar a 6% no valor final do produto ao consumidor."

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em 2017 a variação entre o preço mínimo e máximo cobrado pelo leite UHT, no varejo, foi de 31,4%. Neste ano, a variação já alcança 55%. De acordo com o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), a nova tabela publicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 5 de setembro apresenta "fragilidades de ordem jurídica e econômica." Na avaliação da associação, o frete de produtos com controle sanitário, como lácteos, deve ter uma tabela diferenciada, segundo a Lei n° 13.703/2018.

"Por ser um produto vivo, entendemos que a tabela atual não se aplica ao transporte da matéria-prima do produtor até a indústria nem na distribuição dos protos, pois leite estaria subordinado a um tabelamento diferenciado e ainda não detalhado pela ANTT", afirmou o diretor da entidade, Darlan Palharini.

Por outro lado, todos os insumos que chegam para as indústrias, como embalagens, terão que obedecer a nova tabela, o que deve ampliar os custos das indústrias. Palharini ressalta que o setor está trabalhando com livre negociação com as transportadoras e que não foram cumpridas as tabelas anteriores.

Trégua
Para o produtor, a greve foi uma oportunidade de repor perdas depois de dois anos difíceis com preços de milho elevado em 2016 e baixa remuneração, o que levou a um menor investimento na atividade. "Especialmente para o produtor mais tecnificado, foi um momento de retomar o fôlego", avalia a pesquisadora do Cepea, Natália Grigol. Os preços pagos pelo litro ao produtor acumulam elevação de 50,2% de janeiro a agosto, enquanto no mesmo período do ano passado a queda foi de 4,5%. "Essa valorização é crucial, já que o produtor está desestimulado e há preços de milho em elevação", explica. A valorização do leite ocorre devido à entressafra no Sudeste e no Centro-Oeste, que deve se estender até outubro, mas também está relacionada à greve dos caminhoneiros, que acirrou a disputa pelo produto e levou as indústrias a firmarem contratos de três meses com os produtores para garantir a matéria-prima, o que deu sustentação aos preços. A partir deste mês, a perspectiva é de que a cotação ao produtor recue com o aumento da produção. "Ainda não sabemos a intensidade dessa queda, mas a limitação da oferta pode impedir que seja grande", avalia Natália. (DCI)

 

Greve afetou abates de aves e coleta de leite no 2º tri

A paralisação dos caminhoneiros no fim de maio afetou os abates de frango e a aquisição de leite pelos laticínios do país no segundo trimestre deste ano, conforme a Pesquisa Trimestral de Abate do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. No período, os abates de frangos somaram 1,38 bilhão de cabeças, 4% menos que no mesmo trimestre de 2017. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, a queda foi ainda maior, de 6,9%. De acordo com o IBGE, o recuo nos abates se deveu à paralisação dos caminhoneiros que impediu uma normal circulação de produtos e insumos pelo país, prejudicando toda cadeia produtiva até a destinação do produto final. 

Os abates de bovinos e suínos no país no período não foram afetados. Conforme o IBGE, foram abatidas 7,72 milhões de cabeças de bovinos no segundo trimestre, alta de 4% na comparação com igual trimestre de 2017. No caso dos suínos, foram 10,82 milhões de cabeças, alta de 1,9% ante o mesmo intervalo de 2017. O resultado foi o melhor para segundos trimestres desde o início da pesquisa, em 1997. Mas a aquisição de leite cru também foi afetada pela paralisação de maio. Conforme o IBGE, a coleta por estabelecimentos com inspeção sanitária caiu 3,2% no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, para 5,47 bilhões de litros. (Valor Econômico) 

USDEC: descobertos novos benefícios de proteínas do soro do leite

Continuam crescendo novas evidências científicas que apoiam os benefícios para a saúde referentes às proteínas do soro do leite, tanto para homens quanto para mulheres. Como parte de seus esforços contínuos para mostrar os benefícios das proteínas lácteas ao longo da vida, o Conselho de Exportação de Lácteos dos EUA (USDEC) está compartilhando novas atualizações sobre como as proteínas do soro de leite podem ajudar consumidores a alcançar as metas de saúde em suas vidas cotidianas.

"Embora pesquisas tenham demonstrado a capacidade única das proteínas lácteas de ajudar a melhorar a composição corporal durante a perda de peso, aumentar a massa muscular combinada com o treinamento de resistência e ajudar na recuperação muscular após exercícios de resistência, as pessoas muitas vezes imaginam esses benefícios como reservados para atletas jovens e competitivos", disse Matt Pikosky, vice-presidente da Nutrition Science & Partnerships no Conselho Nacional de Lácteos dos Estados Unidos. "Novas pesquisas indicam que as proteínas lácteas têm grandes benefícios para as mulheres - sem aumentar o peso - bem como para indivíduos de idade mais avançada".

Os benefícios da suplementação proteica do soro do leite são bem demonstrados em homens, mas menos estudados em mulheres. Uma nova pesquisa publicada na Nutrition Reviews sugere que a proteína do soro de leite também produz resultados positivos em mulheres. Nesta revisão sistemática e meta-análise de 13 ensaios clínicos aleatórios, totalizando cerca de 500 mulheres adultas, os pesquisadores descobriram que a adição de proteína do soro de leite a uma dieta diária melhorou a composição corporal por aumentos modestos na massa magra sem influenciar as mudanças na massa gorda. Além disso, as melhorias na composição corporal foram ainda maiores durante dietas hipocalóricas, o que sugere que a proteína do soro de leite pode ser especialmente útil para preservar a massa muscular magra durante os períodos de perda de peso.

Outro artigo recentemente publicado no Advances in Nutrition apoia o papel da proteína, particularmente o aminoácido leucina, na prevenção da perda muscular relacionada com o avanço da idade. A evidência disponível apoia que a leucina, quando consumida como parte de uma dieta rica em proteínas, pode ser especialmente benéfica para preservar a massa muscular, pois desempenha um papel fundamental na estimulação da síntese de proteína muscular. Assim, uma atenção especial deve ser dada ao consumo deste aminoácido. Uma das melhores fontes de leucina é a proteína do soro de leite. Com base em suas descobertas, os autores recomendam que os indivíduos mais velhos consumam um mínimo de 1,2 gramas de proteína por quilo de peso corporal - quantidade 50% maior que a ingestão atual recomendada para adultos saudáveis. Recomendações adicionais sugerem um espaçamento uniforme na ingestão de proteínas ao longo do dia para maximizar a síntese de proteína muscular. Estes são apenas dois de um número crescente de estudos que apoiam os benefícios da incorporação da proteína do soro de leite nos planos alimentares diários. A proteína do soro de leite é um ingrediente versátil que pode ser adicionado aos alimentos, como smoothies, iogurtes, aveia ou manteigas, como uma maneira conveniente de aumentar o consumo de proteínas ao longo do dia. Para oferecer aos consumidores mais opções, os fabricantes de alimentos estão desenvolvendo produtos inovadores que incorporam as proteínas do soro em vários lanches, barras nutricionais, misturas de panificação, bebidas e muito mais.

"Nem todas as fontes de proteínas podem ter esses benefícios, dadas as diferenças na qualidade das proteínas", disse Kara McDonald, vice-presidente de Comunicações Globais de Marketing da USDEC. "Como a maior produtora mundial de leite de vaca e ingredientes de soro de leite, a indústria de lácteos dos EUA está posicionada de forma única para ajudar os formuladores a atender a demanda dos consumidores por ingredientes produzidos de forma sustentável, nutritivos, funcionais, versáteis e seguros".

Vale destacar que a indústria de lácteos dos EUA oferece hoje um portfólio sustentável de ingredientes lácteos nutritivos e funcionais de alta qualidade, facilitando para os fabricantes locais de alimentos e bebidas capitalizar essas tendências de mercado e criar novos produtos relevantes. (As informações são do Conselho de Exportação de Lácteos dos Estados Unidos - USDEC) 

Consumir queijo e manteiga todo dia ligado à longevidade
Queijo e manteiga - Consumir três porções de produtos lácteos por dia conduz a menor risco de doenças coronárias, sugere estudo. Depois de analisar a dieta de mais de 130.000 pessoas em pelo menos doze países, cientistas descobriram que consumir o equivalente a uma porção (244 gramas) de leite integral ou iogurte, uma fatia de queijo de 15 gramas ou uma colher de chá de manteiga pode ser benéfico à saúde. A descoberta, publicada no The Lancet, contraria recomendações dietéticas que desaconselham o consumo de produtos lácteos com alto teor de gordura. As diretrizes dietéticas dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças para 2015 a 2020, por exemplo, sugerem a ingestão de laticínios sem gordura ou com baixo teor de gordura em suas principais recomendações. (News week - Tradução livre: Terra Viva)

Porto Alegre, 12 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.819

Recepção de leite no 2º trimestre de 2018

Recepção - No 2º trimestre de 2018, a aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária - seja ela Federal, Estadual ou Municipal - foi de 5,47 bilhões de litros, representando uma queda de 3,2% em relação à quantidade adquirida no 2º trimestre de 2017. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, esse volume foi 8,9% menor. Os dados foram publicados pelo IBGE. Relatório IBGE  (IBGE/Terra Viva)

Sustentabilidade na pecuária leiteira é tema em dia de campo

Sustentabilidade - A produção de leite com sustentabilidade econômica, social e ambiental será foco do IV Dia de Campo Integração Lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que vai acontecer no dia 18 de setembro, na Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS. A realização é da Embrapa, Emater/RS-Ascar, Sebrae e Rede ILPF.
Mapa do leite 
O Brasil é o quarto maior produtor mundial de leite, com 35,1 bilhões de litros/ano e média anual de 1.780/litros/vaca. Conforme dados do Censo Agropecuário, em 2006 o Brasil contava com 1,35 milhões de propriedades leiteiras, envolvendo cerca de 2,7 milhões de trabalhadores. O estado líder no leite é Minas Gerais, com quase 9 bilhões de litros por ano, 27% do total nacional, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Com média estimada de 3.049 litros/vaca/ano, quase o dobro da média brasileira, a Região Sul puxa a produtividade na pecuária leiteira. No ano passado, cerca de 38% do volume total de leite produzido no País veio da Região Sul. A produtividade animal aumentou 43,5% na última década. A expectativa, registrada no Anuário do Leite 2018, é que a Região Sul deverá ultrapassar a Região Sudeste ainda no próximo ano e, até 2025, a Região Sul deverá produzir mais da metade de todo o leite brasileiro. 

De acordo com o Centro de Inteligência do Leite, regiões como sudoeste do Paraná, oeste de Santa Catarina e noroeste do Rio Grande do Sul formam a nova "Meca" do leite no Brasil, apresentando o maior crescimento na produção e atraindo investimentos da indústria de laticínios. O maior destaque em produtividade é o município de Castro, no Paraná, que ganhou o título de Capital Nacional do Leite, conferido em lei federal em 2017, onde a média chega a 7.478 litros/vaca/ano. Já Santa Catarina apresentou crescimento de 92% na produção nos últimos 11 anos. A maior média de produtividade anual é no Rio Grande do Sul, com 3.240 litros/vaca.

A atividade leiteira na Região Sul envolve cerca de 300 mil produtores, a maioria agricultores familiares que dependem da diversificação para manutenção da renda. A atividade leiteira nos estabelecimentos familiares é estratégica como fonte regular de renda no campo, muitas vezes associada à produção de grãos. São sistemas de integração lavoura-pecuária que, muitas vezes, se complementam utilizando a área de lavoura como base para a alimentação do rebanho através de pastagens, alimento conservado (feno e silagem) e grãos utilizados na formulação de rações.

Oferta de alimento
Para o pesquisador da Embrapa Trigo, Renato Fontaneli, entre as explicações para as melhores produtividades na Região Sul estão a experiência do produtor, o investimento em genética e, principalmente, a diversidade de forrageiras/pastagens adaptadas ao ambiente e com potencial de rentabilidade: "A Região Sul está numa área de transição entre a zona tropical e a zona temperada, possibilitando o cultivo tanto de forrageiras de clima temperado, como espécies típicas de regiões tropicais quentes e úmidas. Assim, dispomos de opções de pastagens que oferecem alimento a menor custo durante todo o ano", afirma Fontaneli.

Contudo, o produtor de leite ainda enfrenta períodos críticos na oferta de pasto aos animais, são os vazios forrageiros outonal (março a maio) e primaveril (setembro a novembro), um período intermediário entre a semeadura ou rebrote das novas pastagens. Segundo a Embrapa, o adequado planejamento forrageiro e o investimento em adubação podem sanar a baixa oferta de alimento: "O produtor de leite da Região Sul está acostumado a limitar o pasto em aveia preta e azevém, comum, no inverno, e milheto ou capim sudão no verão, que geralmente são manejados e adubados de forma insuficiente, permitindo forragear os animais apenas por seis a oito meses ao ano", explica o pesquisador Renato Fontaneli. Para minimizar a escassez, o pesquisador recomenda utilizar espécies anuais de inverno, escolhendo cultivares mais produtivas e de ciclo conhecido, de aveias, centeio, triticale, trigo, cevada, azevém, ervilha, ervilhacas e trevos, compondo sistemas com as forrageiras anuais de verão, como sorgo pastejo e silageiros, capim sudão e cultivares modernas de milheto e milho grão, recém colhido em com alta densidade (150 a 250 mil sementes por hectare). 

De acordo com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Sérgio Juchem, entre 40 e 60% do custo do leite está na alimentação das vacas. A unidade energética (energia metabolizável) obtida com o uso de feno ou silagem custa o dobro da obtida com pastagens, enquanto que o uso de concentrado eleva o custo da unidade energética em quatro a cinco vezes a obtida na pastagem. "A produção de forragem por pasto é a maneira mais econômica de se produzir leite. Por isso, é importante que a pastagem seja bem manejada e que o produtor saiba explorar o potencial produtivo de cada forragem para fazer a melhor escolha", afirma Juchem.

Conservação do Solo
A cobertura do solo com espécies forrageiras também pode fazer parte das estratégias para descompactação, com uso das raízes das gramíneas e a palhada atuando na recuperação de áreas degradadas. Nas áreas com animais, o cuidado está com o limite da carga animal (lotação) e a maior oferta de pasto para evitar reduzir a movimentação dos animais na área. Ainda, evitar soltar as vacas após vários dias de chuva ou em baixa oferta de forragem (pasto rapado) pode garantir a qualidade do solo, com fertilidade capaz de favorecer a lavoura de grãos em integração lavoura-pecuária. "O maior problema dos sistemas integrados é quando o produtor de grãos simplesmente solta os animais na área ociosa, com baixa cobertura de solo ou faz o inverso, semeando direto após retirar o plantel, com baixa quantidade de resíduo de pasto", alerta o pesquisador da Embrapa Trigo, Henrique Pereira dos Santos. 

Estudos da Embrapa mostram que os sistemas que integram pastagens com produção de grãos (verão e inverno) são mais lucrativas do que áreas destinadas somente à produção de grãos. Além de promover a melhor ciclagem de nutriente e aporte de carbono no solo, os sistemas integrados de produção agropecuária (ILPF) ainda permitem a diversificação da renda, distribuindo o ganho do leite em receita líquida mensal, ou engorda de novilhos, somada ao retorno com a colheita de grãos ou forragem conservada.

IV Dia de Campo Integração Lavoura-pecuária-floresta
Dia: 18 de setembro de 2018
Horários: turno da manhã (8h às 12h) ou turno da tarde (13h30 às 17h). 
Local: vitrine da Embrapa Trigo, Passo Fundo/RS, BR 285, km 294
Estações: 
- Solos: compactação e espécies de cobertura
- Conservação de forragem
- Custos de alimentação
- Planejamento forrageiro
Realização: Rede ILPF, Embrapa, Sebrae e Emater/RS; apoio Boqueirão, PivotAgro e UPF.
Informações: 54-3316-5800. (Embrapa)

 
 

TRIBUTOS AGRO SOB CONTROLE

Planejamento tributário é a aposta da startup Essent Agro, de Tucunduva, no Noroeste, para mudar a forma como o agricultor visualiza seus gastos e planeja investimentos. Para reduzir o tempo gasto para reunir notas fiscais a cada declaração de imposto de renda, a empresa propõe um sistema que importa e organiza os documentos da produção, com base no número do CPF. Por meio de um aplicativo de smartphone, o cliente tem acesso, ao fim de cada mês, ao cálculo da prévia do imposto de renda a ser pago no ano seguinte. Segundo o presidente da Essent Agro, Giandrei Basso, a startup também pensa maneiras para o produtor reinvestir o seu dinheiro: 

- A ideia é sugerir formais legais para pagar melhor o imposto de renda. Isso pode ser feito de diversas maneiras, pela antecipação de compra de insumos ou de pagamento de contas, por exemplo. Há um ano no mercado, a startup já tem parcerias importantes. Recentemente, acertou com a multinacional Bayer a inclusão do aplicativo em sua plataforma. A semeadura do milho chegou a 13% da área estimada para a safra, segundo a Emater. (Zero Hora)

RS: leite vem dando renda ao produtor, mas cenário pode mudar
O preço pago ao produtor de leite cresceu por meses seguidos desde o início de 2018, segundo indicadores do Cepea. No Rio Grande do Sul, pecuaristas também ganharam mais neste ano, mas já sabem que um novo recuo está por vir. Assista o vídeo. (Canal Rural) 

 

Porto Alegre, 11 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.818

Rotulagem: TPS aponta necessidade de mudança

Rotulagem - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) consolidou os resultados preliminares de uma Tomada Pública de Subsídios (TPS) sobre rotulagem nutricional de alimentos, que contou com ampla participação dos setores afetados pelo tema. De acordo com o órgão, mais de 33 mil contribuições foram recebidas durante a consulta aberta ao público. As sugestões foram enviadas por um total de 3.579 participantes, com destaque para os consumidores, que representaram 63% desse total. Os dados revelam que, para 88% dos participantes, a rotulagem nutricional não ajuda a identificar facilmente o valor nutricional do alimento; 91% entendem que a forma de apresentação das informações nutricionais deveria ser alterada. A participação internacional na TPS também foi expressiva - foram recebidos comentários de 101 representantes de 27 países, especialmente de instituições de ensino, consumidores, setor produtivo e sociedade civil. 

Inovação
Realizada entre os dias 25/05 e 24/07 deste ano, a TPS nº 1/2018 buscou coletar informações ou evidências sobre o Relatório Preliminar de Análise de Impacto Regulatório (AIR) sobre Rotulagem Nutricional. Esse mecanismo de consulta aberta ao público é uma inovação recente adotada pela Agência na condução de temas regulatórios, em alinhamento às diretrizes de Boas Práticas Regulatórias da Anvisa e as recomendações da Casa Civil.

Logo após o encerramento do período de 60 dias de consulta, a Anvisa disponibilizou a planilha de contribuições da TPS nº 1/2018 com os dados brutos das contribuições recebidas. Além disso, foi iniciado o processo técnico de análise e consolidação dessas contribuições.

Após o tratamento inicial dos dados, que incluiu a identificação de contribuições duplicadas, a Anvisa elaborou um documento com os resultados preliminares da participação social na TPS. A Anvisa continuará com o processo de análise das contribuições e, em momento oportuno, divulgará o Relatório de Consolidação das Contribuições da TPS. Ao mesmo tempo, a análise dos resultados trará os insumos necessários para a conclusão do Relatório de AIR submetido a contribuições, e a versão final deste documento será o subsídio para a futura decisão regulatório acerca do tema.

A divulgação dos dados da TPS reforça o compromisso da Anvisa com a condução transparente desse processo. Maiores informações sobre o assunto e os resultados iniciais da participação social podem ser acessadas na página específica da TPS. (Anvisa)

 

Leite em pó se destaca no consumo dos brasileiros e conquista novos lares compradores

Estudo elaborado pela Kantar Worldpanel e que analisa o consumo de leite no Brasil aponta que o segmento em pó foi o único a crescer de janeiro a junho deste ano. O produto ganhou penetração (3,9pp) em quase todas as regiões do país - exceto Grande São Paulo e Sul -, o que significa que mais de 2 milhões de lares passaram a comprar leite em pó.
Já o UHT se manteve estável, crescendo em volume na Grande São Paulo e na região Leste + Interior do Rio de Janeiro - nas demais, houve retração. O levantamento revela ainda que no Nordeste o UHT vem sendo substituído pelo leite em pó.

Analisando o período de paralisação dos caminhoneiros, que afetou o país em maio passado, a Kantar Worldpanel apurou que não houve queda no consumo de leites no período, mas que o impacto foi sentido no preço médio.

Ainda segundo a empresa, os leites especiais (enriquecidos ou fortificados, por exemplo) seguem como grandes apostas da indústria, no entanto, ainda deixam os consumidores em dúvida em relação aos benefícios proporcionados. (As informações são da Kantar Worldpanel)

EUA: centros de pesquisa universitários fornecem base para futura mão de obra na cadeia láctea

Os programas do DMI National Dairy Foods Research Center em universidades dos EUA formaram futuros trabalhadores e impulsionaram a inovação em produtos lácteos por mais de 30 anos. Dairy Checkoffs (programa americano de promoção de produtos lácteos) nacionais e locais, financiam os programas em universidades de todo o país, e cada um deles tem seus próprios pontos fortes. Os alunos aprendem coisas como especialização em segurança alimentar e produção de queijos de especialistas técnicos, para melhorar o setor e introduzir produtos no mercado.

Os programas existem nas determinadas faculdades:
Universidade de Minnesota;
Universidade Estadual de Iowa;
Universidade do Estado de Kansas;
Universidade de Missouri;
Universidade de Nebraska;
Universidade de Cal Poly;
Universidade de Cornell;
Universidade Estadual de Utah;
Universidade Brigham Young;
Universidade Estadual de Oregon , Texas A & M;
Universidade de Idaho;
Universidade Estadual de Weber;
Universidade de Wisconsin-Madison.

Cada programa escolar colabora com organizações fundadas por agricultores, como o National Dairy Council, o Innovation Center for Dairy  e o US Dairy Export Council, além de processadores e fabricantes locais.

Êxito no mercado de trabalho
Diretores de programa e educadores disseram ter visto grande sucesso entre os estudantes após a graduação, fornecendo ao mercado trabalhadores qualificados que imediatamente encontram emprego na produção de laticínios, fabricação e ciência de alimentos. A South Dakota State University (SDSU), em particular, produziu várias inovações no setor de queijos. Por exemplo, o queijo Jack Daniels e queijo de bacon, criados recentemente pelos alunos da instituição.

Vikram Mistry, chefe do Departamento de Dairy and Food Science da SDSU, disse que o programa além de educativo, é único. "Por essa razão, os graduados têm uma incrível oportunidade de colocação; na verdade, 100% de colocação. Eu estou aqui desde 1986 e vi que a maioria dos alunos se formam e recebem entre uma a cinco ofertas de emprego dentro da indústria".  A indústria de lácteos tem visto muitas mudanças nos 30 anos em que o programa está sendo executado. A agricultura em geral sofreu um declínio, o consumo de lácteos está caindo e a tecnologia reformulou completamente a maneira como a fabricação e o processamento acontecem.

Sistemas sofisticados
Ainda assim, muitas categorias de empregos na indústria de lácteos permaneceram praticamente as mesmas. De acordo com Bill Graves, vice-presidente sênior de pesquisa de produtos do National Dairy Council, a tecnologia permitiu que os empregos no setor leiteiro fossem mais sofisticados do que nunca. "Os centros de pesquisa de laticínios são um ótimo recurso para ajudar a indústria mais ampla a se adaptar aos avanços tecnológicos e a se manter no topo dessas novas sofisticações", comentou o vice-presidente. Laticínios modernos têm coisas como sistemas avançados de filtragem em plantas de processamento, fermentação e bioconversão como parte do local de trabalho diário da indústria e avanços em reprodução, drones e robótica.

"O que há de tão importante nessa rede são os resultados de pesquisa que estão ajudando a impulsionar a inovação, além do fluxo de líderes e defensores de produtos lácteos desenvolvidos por esses centros. Essa é a sua futura força de trabalho", finalizou. (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint)

 

O que o queijo 'mais velho' do mundo revela sobre a intolerância à lactose em humanos

Intolerância a lactose - A história do queijo, essa iguaria que é consumida por todo o mundo, pode ter suas origens no que hoje é a Croácia. Cientistas do Instituto Heriot-Watt, em Edimburgo, na Escócia, e da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, revelaram nesta semana a descoberta de vestígios de queijos feitos há 7,2 mil anos, os mais antigos conhecidos até agora. Mas não se trata de cheddar ou brie, mas, sim, de vestígios de ácidos graxos encontrados em fragmentos de porcelana localizados perto da cidade de Pokrovnik, no litoral da Croácia. Com o material, os cientistas concluíram que as peças de cerâmica eram usadas para retirar o queijo dos recipientes nos quais eram produzidos. Os achados foram publicadas no periódico científico PLOS ONE, da Biblioteca Pública de Ciência dos EUA.

Embora antigos vestígios de gordura do leite já tenham sido encontrados no passado, o estudo utilizou o carbono 14 para determinar que as amostras encontradas em Pokrovnik eram provenientes do processo de fabricação de queijos. O carbono 14 é o meio mais usado para a datação, pois é absorvido por todos os vegetais e animais. E o resultado da pesquisa surpreendeu: as amostras indicam que começamos a produzir queijo 2 mil anos antes do que se acreditava até agora. Ou seja, durante o Período Neolítico - anteriormente, se pensava que o processo tinha começado na Idade do Bronze. A fabricação de queijo foi uma inovação que transformou a humanidade. Como era mais durável e "portátil" do que o leite, o queijo permitiu que os homens percorressem distâncias cada vez maiores e que a agricultura se espalhasse para as áreas mais frias do centro e do norte do continente.

Além disso, permitiu que muita gente que até então não conseguia consumir leite tivesse acesso à proteína. Estudos em genética indicam que a intolerância à lactose era comum entre os adultos que viviam na região do Mediterrâneo. O processo de fermentação envolvido na produção do queijo reduziu o nível de lactose e, assim, apresentou àquelas populações uma fonte de alimento nutritiva e saborosa.

Redução da mortalidade infantil
Para Calyton Magill, um dos cientistas que participaram da descoberta, a revelação "é incrível e deliciosa".

"Sabemos que o consumo de leite e outros produtos derivados teve muitas vantagens para as primeiras populações de agricultores, porque o leite, iogurte e queijo eram uma boa fonte de calorias e gordura", diz ele.

"E poderia ser um alimento fundamental entre as colheitas ou durante as secas e fomes", acrescenta.

Descobertas arqueológicas anteriores já davam pistas de que humanos produziam queijo no Período Neolítico.

Alguns objetos encontrados que pertenciam a esse período foram identificados como "escorredores ou raladores" de queijo, mas essa é a primeira vez que traços de leite fermentado são encontrados neles.

Intolerância à lactose
Sarah McClure, professora da Universidade da Pensilvânia, diz que, enquanto as crianças daquela época podiam beber leite, muitos adultos eram intolerantes à lactose. A fabricação de queijo diminuiu essa restrição, porque os adultos conseguiam digeri-lo sem desconforto gastrointestinal.

"Encontramos indícios de que a produção de queijo e leite entre os primeiros agricultores da Europa conseguiu reduzir a mortalidade infantil e ajudou a estimular deslocamentos demográficos, impulsionando o movimento de famílias inteiras para o centro e norte do continente", explica McClure. Mas ainda não se sabe como o queijo foi produzido pela primeira vez. Uma das teorias é que antes de a cerâmica ser desenvolvida, o leite era armazenado em baldes feitos com os estômagos dos animais. Essa combinação teria facilitado a fermentação natural do leite, dando origem ao queijo. (BBC Brasil) 

LEITE/CEPEA: consumo enfraquecido pressiona valores
Consumo de lácteos - As cotações dos produtos lácteos continuam em queda no mercado doméstico, refletindo o baixo consumo e a menor demanda por parte de atacadistas, que afirmam ter estoques confortáveis, segundo colaboradores do Cepea.  Entre 3 e 6 de setembro, o preço do leite UHT recuou 2,35% frente ao da semana anterior, fechando com média de R$ 2,63/litro. Quanto ao queijo muçarela, os valores caíram 1,03% na mesma comparação, fechando a semana de 3 a 6 com preço médio de R$ 18,48/kg. (Cepea)

 

Porto Alegre, 10 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.817

Perspectivas sobre preço do leite é tema de debate na Feaagri Missões

As causas e alternativas para amenizar a instabilidade no preço do leite foram tema de discussão no Seminário sobre o Leite, na manhã desta quinta-feira (06/09), na Feira da Agroindústria e Agricultura Familiar das Missões (Feaagri Missões). Durante o evento, o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, sugeriu aos produtores que busquem aumentar a produtividade das vacas, reduzindo custos o máximo possível. "Nós aconselhamos que o produtor busque fazer com que os animais produzam no mínimo de 25 a 30 litros de leite por dia. Assim, esperamos que ele consiga ter margem pequena, mas terá resultado pelo volume o garantirá a sua manutenção e outros investimentos", ressalta.

Palharini ainda afirmou que o preço do leite está mais estável em 2018 do que em 2017, mas que ainda apresenta declínio. "Ano passado, a variação do custo do leite foi muito grande. Este ano, a queda de produção ocorreu devido à greve dos caminhoneiros, o que fez equilibrar a oferta e procura do leite, e à alta do dólar, o que dificulta as importações, tornando a produção interna mais competitiva. Esperamos que 2019 seja menos turbulento", destaca. Na ocasião, o assistente técnico da Emater-RS Jaime Eduardo Ries também ressaltou a importância de incentivos à produção na busca por maior estabilidade.

O evento foi realizado no Centro de Eventos Iglenho Araújo Burtet, em Santo Ângelo, e reuniu cerca de cem participantes, entre profissionais técnicos, produtores e acadêmicos. A Feaagri Missões é promovida pela Associação dos Produtores da Agroindústria Familiar e Sindicato dos Trabalhadores Rurais com apoio da Prefeitura. (Assessoria de Imprensa Sindilat)  

 

RUMOS

A Instrução Normativa 62, que compõe o regramento e os procedimentos para qualidade do leite, desde a propriedade rural até a indústria, vem sendo um desafio para toda a cadeia láctea. Os indicadores de qualidade, como contagem bacteriana total e contagem de células somáticas, vêm evoluindo timidamente desde a sua implantação em2011. Agora, estamos diante de duas portarias governamentais(38 e 39), que estabelecem regulamentos técnicos, critérios e procedimentos, todas voltadas à melhoria da qualidade da matéria-prima leite(especialmente a 39). Uma comissão de técnicos do Ministério da Agricultura elaborou proposta de instrução normativa que foi submetida à consulta pública, inclusive com reuniões no Rio Grande do Sul. A medida está em fase de negociação e de finalização, e entrará em vigor 180 dias a partir da data da publicação. É possível que isso aconteça no apagar das luzes de 2018. A partir da vigência, teremos um novo patamar de exigências para a cadeia do leite, e o setor passará a ter critérios mínimos de qualidade para exportação, assim como já fizeram os produtores de aves e suínos. 

Alguns dos pontos relacionados à propriedade rural são a redução da temperatura do leite de 7°C para 4°C na coleta do leite, contagem bacteriana total de no máximo 300 mil unidades formadoras de colônia por mililitro (média geométrica no trimestre), contagem padrão em placas de no máximo de 500 mil unidades formadoras de colônia/ml (média geométrica no trimestre), sanidade e o estabelecimento de boas práticas agropecuárias. No laticínio, a temperatura no recebimento do leite reduzirá de 10 °C para 7°C, a contagem padrão em placas nos silos deverá ficar em até900 mil unidades formadoras de colônia/ml, imediatamente antes do seu processamento no estabelecimento. Também deverá ser adotado um plano de qualificação de fornecedores, entre outras determinações. As principais lideranças da cadeia são a favor das portarias, mas salientam que, para determinadas exigências, deve haver uma fase de preparação.

 Claro que tudo isso é um desafio coletivo. Vai desde o produtor, logística, recebimento, industrialização, distribuição e chega no consumidor. Se não tiver qualidade, não terá novos mercados, não agregará valor e aí não tem preço. O foco de todos esses aperfeiçoamentos tem de ser o consumidor. Afinal, há muito espaço para melhorar. EVERTON CARBON - Engenheiro Agrônomo, do time de qualidade da Cooperativa Piá (Zero Hora) 

 

Lactalis prepara novo ciclo de investimentos

A francesa Lactalis se prepara para um novo ciclo de investimentos na produção no Brasil, onde é segunda em processamento de leite. O Rio Grande do Sul, estado em que a companhia global tem a sua maior base de captação com 10 mil produtores e de fabricação de derivados, estará no plano, afirma o diretor-presidente da Lactalis do Brasil, André Salles. 

O montante dos aportes, que devem ser implementados em 2019, ainda não foi fechado. A cifra no Estado deve repetir o nível dos R$ 100 milhões anunciados no fim de 2016, pelo presidente mundial da Lactalis, Daniel Jaouen, em Paris. E deve ter planta gaúcha com capacidade duplicada devido à grande demanda em queijos. Hoje as fábricas de Ijuí e Três de Maio produzem prato e muçarela. 

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o CEO, que assumiu o posto há um ano, com passagens anteriores pela Kirin e Vonpar, comenta quanto a demanda por produtos vem surpreendendo a gigante francesa, chegando ao ponto de não dar conta dos pedidos. Outro tema que ganha espaço na atuação da gigante de lácteos no Brasil é a premiunização do consumo de queijo, com porções e preços mais acessíveis dos tipos finos. 

Jornal do Comércio - Como está a operação e o desempenho em 2018? 
André Salles - Mesmo com a crise econômica e a greve dos caminhoneiros, que parou nossas 14 fábricas por 10 dias - tivemos de jogar leite fora -, vamos crescer este ano um dígito. Também estamos superfelizes com os resultados obtidos com os investimentos desde 2016 e com a receptividade da garrafa pet de leite (UHT), inaugurada em fevereiro em Teutônia. Temos até que limitar a oferta porque não conseguimos expandir para atender todo o mercado. Outra estratégia acertada foi produzir a receita da manteiga francesa da marca Président, com preço mais acessível, e a venda explodiu! Recentemente, lançamos seis novos queijos especiais da marca feitos no Brasil e porções de peso fixo, que também são um sucesso. Com isso, mais uma vez batemos nos limites de capacidade. Os queijos finos são produzidos em Minas Gerais. Conseguimos nestes segmentos trazer todo a expertise francesa de fabricação de lácteos, além de encontrar soluções para tornar o produto acessível. Sempre acreditamos no potencial de premiunização da categoria de queijos. O consumo no Brasil hoje é básico (muçarela e prato) e com volume de cinco quilos per capita ao ano. Mas o queijo ainda é um ingrediente, usado na pizza, no pão etc. Da mesma forma que ocorreu com a cerveja e o café, que tiveram um movimento de diversificação para ampliar as alternativas e experiências sensoriais ao consumidor, agora é o momento do queijo passar por essa mudança.

JC - Qual é a faixa de renda que se mira? 
Salles - É a classe C. À medida que se apresenta o produto com fração menor, com peso fixo e com preço acessível, tem todo um segmento da população que começa a consumir. Duas razões que fazem as pessoas não comprarem (queijos finos) é o preço mais caro e desconhecimento. O que fizemos foi encontrar uma fração com preço fixo adequado para ser a porta de entrada a esses consumidores. Cabe a nós oferecer essas opções para que a população conheça a diversidade entre estes tipos, entre um mais moderado e mais forte, por exemplo.

JC - O que é a premiunização?
 Salles - É criar condições para o consumidor acessar o produto premium. Foi o que ocorreu com as cervejas, com a oferta de mais variedades, além da pilsen, que domina 96% do volume e se abriu espaço para desenvolver cervejas artesanais etc. Com o queijo, busca-se o mesmo. Com quatro elementos - leite, sal, fermento e coalho -, faz-se milhares de tipos diferentes do produto. Por que não abrir este universo para o consumidor? 

JC - Como está sendo ajustada a capacidade produtiva com essa demanda em alta? 
Salles - A Lactalis desde que entrou no Brasil tem investido mais de R$ 100 milhões desde 2016. Agora vamos ter um novo ciclo de investimentos, que deve ser bastante direcionado para aumentar a capacidade de produção de queijos, de maturação, fatiamento e fracionamento para suportar essa grande avenida de crescimento que visualizamos na categoria. 

JC - O que já tem definido em investimentos? 
Salles - Estamos ainda concluindo as análises e vamos anunciar logo que finalizarmos os planos, que deve ser até dezembro. Fomos bastante surpreendidos pela demanda, desde o lançamento dos queijos especiais há um mês e meio, cuja demanda cresce mais em São Paulo e Rio de Janeiro.

JC - A demanda maior antecipa a definição sobre investimentos? 
Salles - Os investimentos serão na indústria para aumentar a eficiência e capacidade de produção e no campo, para melhorar a qualidade e produtividade dos produtores dentro do Lactaleite, que é o programa que já é desenvolvido com as propriedades. Diante da reação positiva aos novos produtos, estamos reavaliando para investir ainda mais e potencializar o crescimento da Lactalis no Brasil para 2019. A tendência é manter o nível de aportes de R$ 100 milhões ao ano. Dependendo do tipo do queijo, precisa dobrar a capacidade de produção. No Rio Grande do Sul, as duas queijarias ficam em Ijuí e Três de Maio, que fazem o queijo prato e muçarela.

JC - Os planos incluem implantar novas unidades? 
Salles - Não, mas ampliação e aquisição de novos equipamentos para novas linhas para ampliar a capacidade em Ijuí, Três de Maio e Santa Rosa, onde produzimos requeijão.  

JC - As unidade gaúchas já atingiram a capacidade instalada?  
Salles - Já operam próximas à capacidade existente. É preciso ampliar as estruturas e trazer novas linhas. 

JC - O Rio Grande do Sul poderá ampliar os tipos de produtos que fabrica, como ter queijos finos? 
Salles - No curto prazo, não, pois há toda uma instalação voltada a esses segmentos em Minas Gerais. O volume também de muçarela é muito maior que os demais. As fábricas de altíssima eficiência e grandes volumes estão todas aqui no Sul.  

JC - Qual é o impacto da nova tabela do frete para a operação?  
Salles - Devido às margens apertadas do setor, o aumento do frete pode inviabilizar alguns negócios. Isso precisa ser repensado com muito cuidado, pois é um absurdo o impacto que a implementação da tabela pode gerar. Temos analisado alternativas. Devemos avançar na ideia de adotar algo semelhante ao clube do produtor, que confere benefícios na compra de insumos para a produção, para os transportadores, principalmente aqueles de primeiro percurso (transporte do leite da propriedade), que são autônomos. Seria um clube do transportador. A ideia é buscar formas de reduzir custos e ganhar mais escala na compra de pneus, lubrificantes e combustíveis. Já temos isso na França. Estamos começando a aplicar em caráter experimental.

JC - Os planos incluem a compra de novas unidades?
Salles - A prioridade é concluir a aquisição da Itambé, que ainda depende da discussão na câmara arbitral, mas já teve a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). (Jornal do Comércio)

Pressão de Custos com Nova Tabela 
A tabela de frete publicada na última quarta-feira pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recebeu críticas do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou em nota que o reajuste "prejudica ainda mais o crescimento da economia e agrava as incertezas já existentes". A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também criticou o aumento de preços. A entidade identificou altas de 3,15% a 6,82% para o frete de cargas geral, granel e frigorificada. O Sindicato da Indústria e Laticínios do RS (Sindilat) encaminhou para avaliação jurídica a tabela e alerta que há pontos não-regulamentados, como o frete com controle sanitário. Outro segmento que relata estar acumulando prejuízos com o tabelamento é o de grãos. Vicente Barbiero, presidente da Associação das Empresas Cerealistas do RS, diz que o mercado futuro de soja está totalmente travado: - Os custos das lavouras estão sendo feitos com dólar acima de R$ 4. Corremos o risco de, quando vender, estar com dólar na casa de R$ 3,50. Fica difícil saber quanto pagar ao produtor se não sei qual margem terei - pontua Barbiero. (Zero Hora)

Porto Alegre, 06 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.816

Sindilat avalia nova tabela de frete

O Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) informa que, tendo em vista a publicação da tabela de frete nesta quarta-feira (5/9), submeteu os indexadores a uma consultoria jurídica a fim de avaliar sua aplicabilidade ao setor laticinista. O Sindicato entende que a referida tabela apresenta fragilidades de ordem jurídica e econômica. Um dos pontos que ainda não foi regulamentado diz respeito ao frete de produtos com controle sanitário, como ocorre no transporte de produtos lácteos, em relação aos quais a Lei n° 13.703/2018, art. 4°, § 5° prevê a necessidade de tabela diferenciada. Por ser um produto vivo, entende o Sindilat, que o leite estaria subordinado a um tabelamento diferenciado ainda não detalhado pela ANTT. Desta forma, os valores publicados na data de hoje ainda poderão ser questionados pelo setor.

O Sindilat é contrário a qualquer tabelamento do frete porque entende que esse posicionamento fere a lei de livre mercado. O Sindicato não descarta levar o tema à Justiça, se necessário. (Assessoria de Imprensa Sindilat) 

 

Dólar afeta importações, mas cenário ainda é incerto

De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o Brasil importou, em agosto, cerca de 105,6 milhões de litros em equivalente leite. Uma redução de 11,2% se comparado ao mês anterior, e, levemente maior em relação ao mesmo período do ano passado (+1,3%), o que ajudou a reduzir o déficit da balança comercial de lácteos, agora negativa em 94 milhões de litros, frente aos -113 milhões de litros de julho, como mostra o gráfico 1.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados da Secex.
 

Apesar da valorização do dólar frente ao real, o volume importado de leite em pó integral cresceu cerca de 29% e 37% em relação a jul/18 e ago/17 respectivamente. Sustentados pelas exportações de Uruguai e Argentina, onde o leite ao produtor vem se mostrando mais competitivo em relação ao pago no Brasil, e, pelo preço médio do produto que vinha caindo nos últimos meses (US$0,26 mai/18, US$0,23 jun/18, US$0,22 jul/18), o leite em pó integral acumulou mais um mês de aumento no volume internalizado. Olhar tabelas 1 e 2. Outro produto que teve maior volume internalizado, comparado ao mês anterior, foi o soro de leite, que apresentou crescimento de 70% e ainda assim, menor do que o volume importado no mesmo período do ano passado (-33%). Os demais produtos, influenciados pelo real desvalorizado, tiveram níveis de importação menores em relação a jul/18. (MilkPoint) 

Tabela 1. Câmbio (R$/Dólar) x Preço do leite em pó integral - Origem: Mercosul. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do GDT e BCB.

Tabela 2. Balança comercial láctea em julho de 2018. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados da Secex.

 

'Verão sufocante' europeu prejudica produtores

Os famosos pastos verdejantes e o clima ameno na Irlanda compõem o ambiente perfeito para o gado leiteiro. Mas não neste ano. O verão sufocante "tingiu" os campos de marrom e levou a uma escassez de forragem para as milhões de vacas no país. Os meses secos e quentes causaram problemas em toda a União Europeia. Produtores rurais da Irlanda à Alemanha tiveram de reduzir rebanhos ou interromper a ordenha meses mais cedo. Para a indústria leiteira europeia, um complexo de US$ 12 bilhões, os campos secos fizeram aumentar os custos de alimentação animal, estrangulando os lucros dos pecuaristas. A Autoridade Irlandesa para o  Desenvolvimento da Agricultura e Alimentação, equivalente ao Ministério da Agricultura no Brasil, estima que os produtores devem receber em 2018 apenas metade do que haviam ganhado no ano passado. A situação do abastecimento pode se tornar crítica e a produção de leite cair nos próximos meses, segundo a Arla Foods, maior companhia leiteira do Norte da Europa.

"Em julho, nós consumimos a forragem que deveria ter durado o inverno  todo", afirma Pat McCormack, que tem um rebanho de 100 vacas leiteiras no Condado de Tipperary, na Irlanda, onde trabalha há mais de 20 anos. "Para um produtor sem grama, silagem, dinheiro e com os filhos indo para a faculdade, isso é um grande desafio mental."

As coisas têm ido tão mal que a cooperativa Arla afirmou recentemente que planeja dar um passo sem precedentes: repassar todo o seu lucro aos produtores que enfrentam a pressão provocada pela estiagem. A União Europeia também tem se mexido para socorrer os pecuaristas em dificuldades, acelerando pagamentos ou aliviando a legislação. Na Irlanda, a neve no começo do ano encharcou os pastos de tal maneira que os produtores começaram a recorrer às reservas de forragem antes que a seca tivesse prejudicado o crescimento dos pastos, fazendo com que eles consumissem neste verão os estoques que seriam para o próximo inverno. Alguns tiveram que buscar alimento para o gado fora da porteira, com custos extras, pois não tinham colheita própria para alimentar os animais.

Aqueles que não tinham condições para isso foram obrigados a reduzir o rebanho. Desde junho, o número de vacas abatidas por semana aumentou 16% na comparação com o ano passado, de acordo com o departamento de agricultura da Irlanda. Na Alemanha, os abates estão 50% acima do observado em 2017, conforme o grupo DBV (um grupo de produtores da Alemanha - Deutscher Bauernverband). A produção de leite não tem sido diretamente proporcional ao tamanho do plantel, mas, por enquanto, ainda é cedo para afirmar com segurança o real impacto à cadeia. O DBV avalia que as entregas na região Leste da Alemanha podem cair 10% no comparativo com o ano anterior. Um produtor irlandês acredita que as perdas totais cheguem a US$ 11,70 por vaca. O calor também tem afetado as produtividades. Normalmente, na região, uma vaca produz cerca de 40 litros de leite por dia. Com o tempo mais quente, porém, o rendimento pode cair pela metade e os animais levam mais tempo para se recuperar, explica Peter Paul Coppes, analista sênior do Rabobank em Utrecht, na Holanda. Pecuaristas tiveram que gastar mais com suprimentos alimentares para impulsionar a produção.

Os custos adicionais e a redução produtiva chegam num momento em que os preços do leite na Europa vinham em queda de 4%, de um ano para cá. Na Dinamarca, que reponde por 8% da cadeia leiteira europeia, o impacto da onda de calor pode ter chegado a US$ 1 bilhão, devendo levar a um aumento no preço do leite nos próximos seis meses, segundo o grupo dinamarquês SEGES (departamento que trabalha com todas as questões agrícolas do país).  A indústria pode enfrentar mais problemas, mesmo que as condições climáticas melhorem daqui em diante, pois o calor interfere na fertilidade do gado. "Os resultados ainda são nebulosos pelos próximos nove meses", pontua Chris Gooderham, especialista da Câmara de Desenvolvimento Agropecuário do Reino Unido.

"Isso tudo deve levar a uma crise financeira no setor de pecuária leiteira da Irlanda, a menos que haja um aumento expressivo nos preços", complementa John Robinson, produtor de leite com um rebanho de 130 vacas no Sudeste do país. "O Natal deve ser bem desolador." (As informações são do The Washington Post, publicadas na Gazeta do Povo)


Os indicadores são favoráveis à elevação do preço do leite
Preços/UE - Todos os indicadores detectados no mercado são favoráveis à elevação do preço do leite, mas, a realidade não é assim. Esta é a queixa da Federação Francesa de Produtores de Leite (FNPL) publicado esta semana. Lembraram que a seca limitou o crescimento da produção na União Europeia (UE), que o preço da manteiga continua subindo e que a tendência da economia é positiva. Com este panorama, o preço ao produtor deveria subir. Thierry Roquefeuil, presidente da FNPL, adiantou que a cooperativa Sodiaal (dona da marca Yoplait) paga entre 320 e 340 €/tonelada e lembrou, que antigamente nenhuma indústria pagava menos do que esse preço, mas agora, ninguém respeita essa linha vermelha. Segundo Roquefeuil, a Lactalis revisou seus preços deixando-os em torno de 310 €/tonelada, o mesmo que a cooperativa Agrial. Estes preços estão abaixo dos custos de produção, que a FNPL estima em 320 €/tonelada. Nos últimos meses, o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, promoveu através dos Estados Gerais de Alimentação, que o preço final do produto é uma sucessão dos incrementos dos preços da cadeia de produção e que em cada elo deve ser levado em conta a situação do mercado. Macron conseguiu o consenso entre as partes, inclusive com documentos e fotos. A FNPL lamenta que aqueles que assinaram os acordos agora não os cumpram e não crê que realmente os esforços de Macron tenham frutos. A indústria e a distribuição culpam um ao outro de ser os responsáveis pelos baixos preços ao produtor. A situação não parece muito diferente da Espanha. (Agrodigital - Tradução livre: www.terraviva.com.br)