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08/09/2026

Porto Alegre, 08 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.009


Expointer fatura R$ 6,18 bi e ameniza perdas de 2025

Máquinas puxam alta de 40% nos negócios, enquanto agricultura familiar bate recorde e pecuária mantém sequência de alta

A 49ª Expointer encerrou neste domingo com R$ 6,18 bilhões em negócios, alta de 40% sobre os R$ 4,42 bilhões registrados em 2025. O resultado recompõe parte da forte queda do ano passado, mas ainda não devolve à feira o patamar de 2024. Naquele ano, a comercialização chegou a R$ 8,1 bilhões.

A reação foi puxada principalmente por máquinas e implementos agrícolas. O segmento alcançou R$ 5,44 bilhões, crescimento de 44,5% frente aos R$ 3,77 bilhões de 2025. O resultado surpreendeu até mesmo o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), depois de uma semana marcada por relatos de movimentação fraca, produtores cautelosos e menor procura por financiamento para investimentos.

A surpresa ganha dimensão porque ocorreu mesmo com uma redução importante no número de fabricantes presentes na área de máquinas, reflexo das incertezas que antecederam a feira. “A gente também se surpreendeu com as vendas das máquinas”, admitiu a diretora-executiva da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Ana Paula Verlanga, na apresentação do balanço.

A comparação com 2024, porém, mostra os limites da recuperação. Naquele edição, máquinas haviam movimentado R$ 7,39 bilhões. Em 2025, o segmento havia perdido praticamente metade do faturamento na Expointer.

Parte da explicação para a diferença entre a percepção ao longo da feira e o resultado final está fora do Rio Grande do Sul. Ana Paula ressaltou que apenas uma parcela das máquinas negociadas na Expointer fica no Estado – nesta edição, cerca de 5%. Enquanto produtores visitam, tiram dúvidas e eventualmente têm dificuldades para acessar crédito, outras regiões do País vêm de safras melhores e também compram na feira.

A executiva apontou ainda a realização da Expointer logo depois da abertura do novo Plano Safra.

Para o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, os números indicam que “o fundo do poço já passou”. Ele avaliou que o resultado poderia ter sido maior caso o problema do endividamento já estivesse equacionado.

A reação não ficou restrita às máquinas. A agroindústria familiar alcançou novo recorde, com R$ 14,4 milhões em vendas. O valor supera em 5,6% o faturamento de 2025 e em 32,4% o de 2024. A pecuária também terminou a feira acima dos dois anos anteriores. A comercialização de animais atingiu R$ 21,9 milhões, alta de 21% sobre 2025 e de 5,8% frente a 2024.

O desempenho acompanha a recuperação das commodities pecuárias e das proteínas animais, destacada pelas entidades durante a feira. O movimento apareceu também na presença de animais: foram 7.926 inscritos, entre rústicos e de argola.

Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, o cenário favorece a continuidade de investimentos em genética. “A genética é um contínuo”.

A 49ª Expointer será de 28 de agosto a 5 de setembro de 2027. (Jornal do Comercio)


Parceria entre American Nutrients e Lactalis é destaque na 49ª Expointer

A parceria entre a American Nutrients e a Lactalis do Brasil foi reconhecida nesta quarta-feira (2) como uma das iniciativas de destaque do agronegócio brasileiro. O case conjunto recebeu o Troféu Três Porteiras, durante a 49ª Expointer, em Esteio, e foi o vencedor da categoria Antes da Porte ira na 14ª edição do Prêmio Vencedores do Agronegócio, promovido pela Federasul. A solenidade ocorreu durante almoço realizado na feira, com a entrega dos troféus aos vencedores das três categorias da premiação.

O reconhecimento é resultado do trabalho desenvolvido pelas duas empresas em torno do Muucare Nature, aditivo alimentar desenvolvido pela American Nutrients e utilizado pela Lactalis junto aos produtores de leite. A tecnologia tem como proposta contribuir para a redução das emissões de metano pelos bovinos e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência alimentar e a produtividade dos rebanhos.

Para o representante da American Nutrients, Klaus Kterman, o prêmio representa o reconhecimento de um projeto inovador e pode contribuir para ampliar a credibilidade da empresa no mercado.

“A gente se sente lisonjeado em ser reconhecido pela Federasul como um projeto ou desenvolvimento de um produto inovador para o agronegócio”, afirmou.

Segundo Kterman, o produto é utilizado pela Lactalis junto aos seus produtores com o objetivo de produzir um leite mais saudável, associado à redução de metano e ao aumento da eficiência alimentar dos plantéis.

Parceria como estratégia
A conquista também é vista pela Lactalis como resultado de uma parceria construída ao longo do tempo. Patrícia Fontoura, representante da empresa, destacou o relacionamento com a American Nutrients e a convergência entre a iniciativa e os compromissos da companhia com sustentabilidade e desenvolvimento da cadeia leiteira.

“A nossa parceria com a American é de mais tempo. É um grande parceiro da Lactalis que apoia o agro e está junto com a gente nesse projeto especialmente inovador”, ressaltou.

Para Patrícia, a tecnologia permite atuar diretamente sobre desafios enfrentados pelos produtores, buscando maior eficiência dos rebanhos e uma produção mais sustentável.

A executiva também destacou a importância de aproximar diferentes elos da cadeia produtiva, como indústrias, produtores, cooperativas e universidades, na construção de soluções para o agronegócio.

“Que a gente possa junto colaborar, que a gente possa crescer junto. Isso é o que valoriza”, afirmou.

A parceria, segundo ela, reforça a necessidade de que indústria e produtores avancem conjuntamente. “Eles são a base do nosso negócio. Sem eles nós não somos nada”, completou.

Reconhecimento amplia visibilidade
Além de representar uma conquista para as duas empresas, o prêmio pode ajudar a dar maior visibilidade à tecnologia desenvolvida pela American Nutrients. Para Kterman, reconhecimentos desse tipo têm impacto direto na percepção do mercado.

“Sem dúvida nenhuma, toda vez que você é reconhecido, isso impacta positivamente o mercado, mostrando também confiabilidade e credibilidade ao produtor”, afirmou.

A premiação ocorre em um momento em que sustentabilidade, eficiência produtiva e redução das emissões de gases de efeito estufa ganham espaço nas discussões sobre o futuro da produção agropecuária. Nesse contexto, a parceria entre as empresas busca transformar inovação tecnológica em uma ferramenta aplicada diretamente na propriedade rural.

Associativismo e resiliência
A solenidade também serviu para discutir os desafios enfrentados pelo agronegócio gaúcho. O presidente da Federasul destacou a capacidade de recuperação do setor diante da sequência de eventos climáticos extremos dos últimos anos e defendeu uma postura menos reativa por parte dos produtores.

Segundo ele, as enchentes e estiagens provocaram perdas de capacidade produtiva e aumento do endividamento, mas os exemplos apresentados pelo Prêmio Vencedores do Agronegócio demonstram que criatividade, planejamento e atuação conjunta podem ajudar a superar períodos de crise.

A avaliação é de que o pior momento recente do setor pode ter ficado para trás. Com alguma recuperação nos preços de produtos como arroz, soja, carne e leite e uma redução nos custos de produção, a expectativa é de um cenário mais favorável para 2027.

Nesse contexto, o presidente da entidade defendeu que os produtores aproveitem o período para fazer uma gestão mais estratégica, reduzindo custos, identificando oportunidades e aumentando a resiliência das propriedades diante de novos eventos climáticos extremos.

A mensagem também foi ampliada para o cenário internacional. Para a Federasul, o Brasil deve preservar uma postura de diplomacia comercial neutra e pacífica e utilizar sua capacidade de produção agrícola, energética e mineral para se consolidar como parceiro confiável no mercado global.

A defesa é de que o país mantenha relações comerciais equilibradas com grandes mercados, como China, Estados Unidos, Europa e demais regiões, utilizando a força do agronegócio brasileiro para contribuir com a segurança alimentar e energética mundial.

Troféu Três Porteiras
O Prêmio Vencedores do Agronegócio chega à 14ª edição como uma das iniciativas de reconhecimento ao empreendedorismo e à inovação no setor. A premiação é dividida em três categorias que representam diferentes etapas da cadeia produtiva: Antes da Porteira, Dentro da Porteira e Depois da Porteira.

Na edição de 2026, a American Nutrients e a Lactalis conquistaram o destaque na categoria Antes da Porteira, justamente por uma iniciativa que atua na oferta de tecnologia e soluções para aumentar a eficiência e a sustentabilidade da produção leiteira.

Bets retiram R$ 143 bi da economia

Avanço das apostas contribui, segundo entidades empresariais, para a crise que atinge comércio e varejo

O “dreno” de dinheiro para as apostas é apontado pelas entidades de comércio e varejo do Estado como um dos principais componentes da “tempestade perfeita” que atinge o setor. O vice-presidente de Integração da Federação das Associações Empresariais do RS (Federasul), Rafael Joelizer, estima que as bets retirem algo em torno de R$ 30 bilhões por mês da economia tradicional do país, números corroborados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “São valores que poderiam estar circulando como um todo, mas acabam indo para países que detêm as sedes dessas empresas e não são vinculados ao Brasil”, avalia.

A CNC traz números ainda mais impactantes: as apostas online podem ter levado 270 mil famílias à situação de inadimplência severa. De janeiro de 2023 a março de 2026, as bets retiraram R$ 143 bi do comércio varejista, volume equivalente às vendas dos Natais de 2024 e 2025, segundo a entidade nacional.

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) já havia emitido notas reafirmando “seu total apoio às iniciativas destinadas a apurar eventuais e comprovadas práticas em não conformidade com a legislação vigente” e que “eventuais mudanças nas regras de publicidade devem ser discutidas no âmbito federal, preservando a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória de quem decidiu investir no mercado regulado brasileiro”.

Mesmo diante desses fatores de preocupação, há um cenário otimista, que passa, na visão das entidades comerciais, pela adaptação do comércio de rua, pelo uso responsável e criativo das ferramentas tecnológicas, sem esquecer o fator humano, e ainda pela busca de um diferencial competitivo por parte de quem empreende. Apesar dos desafios regulatórios e, no caso do Rio Grande do Sul, climáticos, a palavra-chave é persistência.

“O empreendedor brasileiro é extremamente resiliente. Nós temos empresários inteligentes, flexíveis e inovadores. Isso é uma saída”, comentou Joelizer.

“O empresário precisa fazer sua parte. Precisa também conhecer profundamente o consumidor, utilizar tecnologia, inteligência artificial, dados, canais digitais e transformar atendimento em vantagem competitiva”, entende o presidente da Federação das Câmaras de Comércio e de Serviços (FCDS-RS), Vitor Augusto Koch.

Já a Fecomércio-RS, que representa os setores de comércio de bens e serviços no Estado, prevê um cenário econômico “extremamente desafiador”. Segundo a entidade, as empresas gaúchas “têm passado por dificuldades sérias”, com juros elevados causados pelo “desequilíbrio das contas públicas”, além de haver “insegurança jurídica” e “aumento da já elevada carga tributária interna e tratamento favorecido para importações cross-border”, estabelecendo “uma injustiça concorrencial inacreditável”. (Correio do Povo)


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Alta dos preços ganha força no início de setembro
Cepea, 8/09/2026 – A valorização da soja observada em agosto ganhou força neste início de setembro, sustentada pelas incertezas sobre os possíveis impactos do El Niño sobre a safra 2026/27, pela maior demanda asiática pela soja norte-americana e pela intensificação dos conflitos no Oriente Médio. Além disso, de acordo com o Cepea, produtores brasileiros aguardam um volume maior de chuvas para iniciar as atividades de campo da temporada 2026/27, cenário que os retraiu das negociações envolvendo grandes volumes. Segundo o Centro de Pesquisas, a alta no mercado nacional foi limitada pela diminuição da demanda externa pela soja brasileira, o que é comum para este período de aproximação da entrada da safra norte-americana. Ainda assim, na parcial deste ano (de janeiro a agosto), o Brasil exportou 89,86 milhões de toneladas de soja em grão, um recorde para o período. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)