Porto Alegre, 09 de setembro de 2026 Ano 20 - N° 5.010
Do whey protein à cerveja: como a proteína virou protagonista de uma nova onda de consumo
Com a perda rápida de peso, provocada pelas canetas emagrecedoras e a busca pelo envelhecimento saudável, cresce a preocupação em preservar a massa muscular. E um mercado inteiro avança junto - antes restrita a academias e atletas de alta performance, a proteína de soro de leite, o whey protein, ganha um público cada vez maior.
No primeiro trimestre de 2026, a categoria de alimentos com proteína adicionada, que movimenta R$ 2 bilhões ao ano no Brasil, registrou alta de 12% no faturamento, na comparação com o mesmo período de 2025, ritmo duas vezes mais rápido que o das proteínas convencionais, como as de origem animal, aponta a Worldpanel by Numerator.
Produtos historicamente ligados à indulgência, como cerveja e achocolatados, são anunciados com uma narrativa de funcionalidade. Somem-se a estes, os lácteos tradicionais e que aparecem nas prateleiras dos supermercados com adição de whey protein na fórmula. E ainda há espaço para startups como a Mineral Pro, que lançou em fevereiro deste ano a primeira bebida proteica do país, com apenas dois ingredientes: água mineral e whey protein.
Roosevelt Junior, presidente no Brasil da líder mundial em laticínios Lactalis, tem números que ajudam a dimensionar o ritmo da tendência. Os produtos da gigante francesa com whey protein já respondem por 4,8% do faturamento da empresa no país. “Em 2023, esse percentual era de 2,4% e a nossa expectativa é chegar a 7% em 2028”, diz Roosevelt Jr.
Ainda assim, o executivo lembra que o Brasil está longe do patamar americano: 52% do mercado de iogurtes dos Estados Unidos tem alta concentração de proteína. No Brasil, apenas 3%. “O Brasil ainda está engatinhando, temos uma avenida muito grande de oportunidades”, diz. O executivo observa que um dado está ajudando a reforçar o avanço da categoria: as novas diretrizes do Guia Alimentar dos EUA 2025-2030, lançado em janeiro deste ano pelo governo estadunidense.
Proteína está atrelada também a uma questão de beleza física”
Segundo o guia, o indicado é consumir de 1,2 g a 1,6 g de proteína por quilo corporal diariamente - era 0,8 g antes. “Estamos vendo um crescimento de dois dígitos ano a ano no consumo de produtos com proteína nos EUA que deve continuar forte não apenas nos EUA como no mundo todo”, diz Roosevelt Jr.
A disputa pela proteína perdida (seja pela redução de peso ou pelo aumento da idade) entrou em um território que impacta as linhas de produção das indústrias de alimentos e bebidas e discurso do marketing. A narrativa de funcionalidade e saudabilidade ganha força e traz a reboque, não abertamente, a promessa da estética. Poucos assumem isso de forma tão direta quanto Bernardo Melo Bloisi, sócio-fundador da Mineral Pro: “Proteína virou sinônimo de saúde. E, muitas vezes, este consumo não está necessariamente atrelado à saúde, mas a uma questão de beleza física”.
Lançada em fevereiro deste ano, a Mineral Pro se apresenta como a primeira bebida proteica do Brasil com apenas dois ingredientes: água mineral e proteína do soro do leite (desenvolvida na Dinamarca). A proteína usada segue o conceito de “clear whey”, uma formulação mais leve e solúvel, adequada para bebidas transparentes. Com 10 g de proteína a cada 250 ml, a formulação, sem corantes, aromatizantes, açúcar ou carboidratos, é o argumento central da marca.
“O fato de a proteína estar ali pode fazer você consumir um produto que muitas vezes não é saudável, que é cheio de açúcar, extremamente calórico, achando que está consumindo algo saudável porque vai ter PRO e FIT [no rótulo]”, afirma Bloisi. O resultado inicial da Mineral Pro, que pode ser adquirida pelo site oficial da marca ou em grandes plataformas de e-commerce, surpreendeu os próprios fundadores: em pouco mais de seis meses, a empresa vendeu entre 200 e 250 mil unidades e já está no quarto lote de produção, prestes a iniciar o quinto. “A expectativa inicial era terminar o primeiro lote em julho”, diz ele.
Se uma startup com um produto de apenas dois ingredientes já mostra a força dessa demanda, o tamanho do movimento fica ainda mais evidente quando ele chega a um território improvável: a cerveja. A Spaten Pro, lançada pela Ambev em julho deste ano, nasce desse movimento ao oferecer 10 g de proteína a cada lata de 350 ml. É a primeira versão de cerveja sem álcool e com proteína de toda AB InBev e foi desenvolvida pelo centro dei inovação e tecnologia da Ambev, no Rio de Janeiro.
“Quando vemos uma parcela relevante das pessoas mudando seus hábitos e buscando novos atributos, é naturalmente para lá que direcionamos nosso olhar de inovação”, diz Gabriela Gallo, diretora de inovação da Ambev. A Spaten Pro foi a cerveja oficial da Spaten Fight Night 3, evento que reúne boxe, judô e jiu-jitsu e promovido pela marca em gosto.
Na Ambev, o movimento é recente e concentrado em um único lançamento. Na Nestlé, porém, a proteína está se espalhando por boa parte do portfólio. Segundo Gisele Pavin, diretora de nutrição, saúde e bem-estar da Nestlé Brasil, a discussão sobre proteína saiu da bolha dos profissionais de saúde e passou a ocupar as redes sociais, inclusive entre pessoas que usam medicamentos para emagrecer e que buscam opções de fácil digestão e consumo.
A empresa, que até 2024 tinha apenas uma categoria dedicada à proteína, dobrou essa presença no ano seguinte, com lançamentos como o Nescau Protein RTD (15 g de proteína, zero açúcar adicionado e zero lactose), a Nestlé Aveia Farelo com Proteína, o Nescafé Pré-Energy com proteína e novos sabores de whey protein (manga e maracujá) da marca Puravida, adquirida pela companhia há quatro anos. Segundo pesquisa da Nestlé, realizada entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025 com 500 pessoas de 18 a 54 anos, 71% já consomem produtos com proteína. O plano da empresa é dobrar o número de categorias proteicas do portfólio até 2028.
A Nestlé também aposta na proteína como parte de uma estratégia de longevidade. Em março de 2026, com investimento de mais de R$ 200 milhões em pesquisa, a Nestlé lançou no Brasil a marca Nestlé Vital, voltada à promoção do envelhecimento saudável a partir dos 40 anos,. O país foi escolhido como o primeiro do mundo para o lançamento, com expansão prevista para Europa e Ásia, com campanha estrelada pela atriz Grazi Massafera.
A proteína, no entanto, não fica restrita a um recorte etário. Segundo Karina Dal Sasso, diretora de marketing da Vigor, o mercado de saudabilidade era marcado por restrição e suplementação pouco palatável, mas o consumidor passou a entender a proteína como parte importante da alimentação diária. A marca acaba de lançar a linha Vigor Grego Protein, um iogurte grego que traz 10 g de proteínas, zero adição de açúcares e zero lactose.
“Estamos acompanhando o caminho percorrido pelo consumidor, que está em busca de mais funcionalidade alimentar”, afirma Dal Sasso. Segundo ela, a proteína atende a esse consumidor intergeracional e “veio para ficar”. Enquanto os 40+ querem manter os músculos em função da sarcopenia (perda da massa muscular em função do envelhecimento), os jovens fazem mais exercícios e estão em busca de uma vida mais saudável.
No ano passado, a Vigor entrou no território da proteína pela indulgência ao lançar o Chips de Parmesão Faixa Azul, marca de queijos do grupo, feito de parmesão desidratado, com 16 g de proteína por pacote.
As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
CONSELEITE MINAS GERAIS
CONSELHO PARITÁRIO DE PRODUTORES E INDÚSTRIAS DE LEITE DE MINAS GERAIS
RESOLUÇÃO DE FECHAMENTO DO MÊS DE AGOSTO/2026
A diretoria do Conseleite Minas Gerais no dia 08 de Setembro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:
a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Junho/2026 a ser pago em Julho/2026
b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Julho/2026 a ser pago em Agosto/2026
c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Agosto/2026 a ser pago em Setembro/2026.



Nota Técnica:
O Valor Base de Referência corresponde à capacidade de pagamento da indústria pelo leite, considerando os seguintes parâmetros de volume e qualidade: produção de 160 litros/dia, Contagem de Células somáticas (CCS) de 400 mil células/mL, Contagem Padrão em Placas (CPP) de 100 mil UFC/mL, teor de gordura de 3,30% e teor de proteína de 3,10%.
Atenção:
A Câmara Técnica do Conseleite MG está conduzindo a revisão dos parâmetros que compõem os valores de referência do Conseleite MG, com conclusão prevista para setembro de 2026.
Após a conclusão desse processo, o Valor Base de Referência deixará de ser publicado pelo Conseleite MG, permanecendo inalterada a divulgação das demais categorias da tabela de valores de referência.

Períodos de apuração:
Mês de Junho/2026: De 01/06/2025 a 30/06/2026
Mês de Julho/2026: De 01/07/2025 a 31/07/2026
Mês de Agosto/2026: De 01/08/2025 a 31/08/2026

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia.
Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.
CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima.
Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária.
O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.
Belo Horizonte, 08 de Setembro de 2026
Cabanha Santa Clara vence Circuito Exceleite e leva uma picape para casa
A Cabanha Santa Clara, de Humaitá (RS), venceu o Circuito Exceleite e leva da Expointer 2025 uma picape 0KM para casa.
A premiação, entregue pela Lactalis Brasil e Gadolando nesta sexta-feira (5/9), coroa um trabalho de 70 anos de melhoramento dos rebanhos da raça Holandesa.
Emocionada, a produtora Clara Bickel Padilha comemorou a vitória ao lado da família e garantiu: o veículo será muito bem usado na lida.
Apaixonada pelos animais, ela afirma que produzir leite é uma atividade de amor ao campo e aos rebanhos.
“O segredo é ter dedicação. Isso nos permite colher os frutos de décadas de trabalho”, frisou ao lado da vaca Bickel 633 Glunu Wind Kingboy, que venceu a disputa após o somatório de 1.322 pontos ao longo do ano. A propriedade trabalha com criação em sistema de free stall em confinamento e entrega leite para Lactalis Brasil. “É um serviço que vem de décadas, fazendo melhoramento genético. São várias gerações de pessoas envolvidas na atividade”.
A premiação deste ano ainda contemplou a vaca recordista na produção de sólidos. A maior produção da Expointer foi da vaca Pia C. Spada Berenice 252 Halifax, de Elias André Spada, da Spada Agropecuária, de Ibiraiaras (RS). Ela produziu 93,31 quilos de leite, sendo 9,855 quilos de sólidos.
“É uma premiação nova que será continuada nos próximos anos porque está alinhada aos projetos da Lactalis, que buscam melhoria de produtividade”, frisou o diretor de Comunicação e CSR de Assuntos Regulatórios da Lactalis Brasil, Guilherme Portella.
A Lactalis também garantiu a continuidade da parceria com a Gadolando para 2026 e a manutenção da premiação do Exceleite. Durante a solenidade, a empresa ainda anunciou que implementará esse mês a nova tabela de pagamento por qualidade aos produtores gaúchos.

fonte: Jardine comunicação
Crédito da Foto: Nataly Porto
Jogo Rápido
MILHO/CEPEA: Preço segue em alta; safra de verão começa no Sul
As cotações do milho seguem em patamares elevados na maior parte das regiões produtoras. Segundo o Cepea, a colheita da segunda safra está na reta final, enquanto a semeadura da safra de verão 2026/27 se iniciou no Sul do País, mas vendedores estão retraídos, limitando o volume de lotes para negociação, atentos aos possíveis impactos do El Niño para a próxima temporada. Por outro lado, ainda de acordo com o Centro de Pesquisas, uma parcela de compradores tem optado por consumir os lotes comercializados antecipadamente em vez de negociar em patamares mais elevados, o que tem limitado as altas.