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04/09/2026

Porto Alegre, 04 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.008


RS mantém produção de leite mesmo após perder  produtores 

O leite está ficando pelo caminho em muitas propriedades gaúchas. Na última Expointer, a Emater divulgou que mais de 55,2 mil famílias deixaram de produzir a matéria-prima no Rio Grande do Sul nos últimos 10 anos. Ontem, a instituição apresentou os motivos que ajudam a explicar a debandada. Entre eles, o preço baixo e a falta de previsibilidade, o custo dos insumos, o peso do trabalho e a dificuldade de sucessão familiar foram fatores que pesaram na decisão de cada um.

O levantamento, que ouviu, em julho deste ano, 1% de todos os produtores que abandonaram a atividade leiteira no período, revela que 30,8% tinham entre 21 e 30 anos de trajetória na produção de leite. A média era de 25 anos de dedicação.

“Dados que mostram que são famílias com tradição que estão abandonando a atividade”, frisa Jaime Ries, zootecnista e assistente técnico estadual em Bovinocultura de Leite da Emater.

A maior parte da mão de obra dessas propriedades, 93,2%, era predominantemente familiar.

Segundo ele, quando perguntados sobre os fatores externos que contribuíram para a saída, os produtores apontaram principalmente a baixa remuneração do leite e a falta de estabilidade e previsibilidade nos preços, citadas por 79,3% dos entrevistados. Na sequência aparecem o custo de aquisição dos insumos, com 66,7%, e a dificuldade de contratar mão de obra, mencionada por 30,3%. No estudo, vale lembrar, eram aceitas múltiplas respostas.

O dinheiro, porém, não explica tudo. Entre os fatores internos, 66,4% citaram a penosidade da atividade. A falta de mão de obra apareceu para 61,3%, enquanto 37,8% apontaram o desinteresse dos filhos.

Outro dado chama atenção. A saída da atividade não parece estar diretamente relacionada à falta de estrutura produtiva. A maior parte das propriedades utilizava entre cinco e 10 hectares, com média de 12,5 hectares.

Além disso, a produção média era de 18,7 litros de leite por vaca por dia, com aproximadamente 21,6 vacas por propriedade e uma produção média de 402 litros por dia.

E isso não significa necessariamente que o produtor tenha abandonado o campo. Quando perguntados sobre o destino da área, 59,4% passaram a produzir grãos e 35,2% migraram para a pecuária de corte.

O secretário executivo do Sindilat, Darlan Palharini, se mostrou preocupado com o resultado de estudo apresentado pela Emater-RS/Ascar. Isto porque, em 10 anos, o número de produtores de leite reduziu 65% no Rio Grande do Sul. Em 2015, eram aproximadamente 84,2 mil e, em 2025, cerca de 28,9 mil em 2025.

“Na prática, 55,3 mil famílias abandonaram a produção leiteira, mas não afetou a produção. A decisão envolve uma questão social e acompanha um movimento mundial”, comparou, acrescentando que a Argentina tinha 30 mil produtores de leite há 20 anos e hoje restam 9,5 mil.

Para estancar o abandono, Palharini defende a necessidade do setor avançar em nível de competitividade, por meio da criação de fundos setoriais, além de políticas governamentais. “O Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, mas não possui políticas de proteção para produtores e indústrias”, frisou.

Lembrou que, recentemente, uma indústria brasileira foi impedida de exportar whey protein (suplemento alimentar em pó feito a partir da proteína extraída do soro do leite) para a Austrália e outro de enviar queijo para a Rússia em razão da inexistência, no país, de tratados bilaterais e normas de defesa agropecuária que regulam a produção, a circulação e a exportação de leite e derivados.

“Esses acordos garantem que os produtos brasileiros atendam aos critérios de segurança alimentar, livre de doenças e contaminantes”, enfatizou.

Palharini também destacou que após o sucesso de sua primeira edição, o Milk Summit evolui e passa a ser Milk Summit Mercosul, ampliando seu alcance e relevância. “A edição de 2026 vai consolidar o evento como o principal ambiente de conhecimento, integração e networking da cadeia do leite na América do Sul, reunindo lideranças do Brasil e países vizinhos.” Com programação nos dias 14 e 15 de outubro, o evento será realizado em Ijuí durante a Expofest. (Jornal da Manhã editado pelo Sindilat/RS)


CCGL recebe o Troféu Senar-O Sul 2026 na categoria "Liderança Gaúcha"

A premiação destaca o impacto da inovação no campo e a dedicação dos produtores rurais que impulsionam o setor.

Em noite especial de abertura da Expointer, o presidente da CCGL, Sr. Caio Vianna recebeu a homenagem promovida pelo Senar-RS, O Sul e pela Rede Pampa na categoria "Liderança Gaúcha".

A cerimônia da 21ª edição do prêmio ocorreu no dia 30 de agosto, às 20h, na Associação Leopoldina Juvenil, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). O evento reuniu grandes nomes do setor, autoridades e convidados sob a liderança do presidente da Rede Pampa de Comunicação, Alexandre Gadret, e do vice-presidente, Paulo Sérgio Pinto — reafirmando o compromisso do grupo com a informação de qualidade e o desenvolvimento socioeconômico do estado.

Caio Vianna pontua que a homenagem é “um reconhecimento muito importante do que representa o sistema cooperativo agropecuário no agro gaúcho, principalmente nas ações de pesquisa e difusão via RTC (Rede Técnica Cooperativa) e na plataforma SmartCoop, desenvolvida pelas cooperativas da Fecoagro/RS, além da nossa atuação na captação e industrialização de leite, bem como na atividade logística no Porto de Rio Grande através das empresas coligadas Termasa e Tergrasa”.

O Troféu Senar-O Sul é uma premiação promovida pela Rede Pampa de Comunicação e pelo Jornal O Sul, em parceria com o Senar-RS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), para valorizar líderes, empresas e instituições que fazem a diferença no agro. 

Com patrocínio do Senar, Icatu e Rio Grande, o evento contou com ampla cobertura multiplataforma. A transmissão ao vivo foi realizada pelo canal da TV Pampa no YouTube, com apresentação especial do comunicador Evandro Leboutte, além da veiculação de um caderno especial no Jornal O Sul. (CCGL)

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1935 de 03 de setembro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em Manoel Viana, a produção de leite apresenta recuperação gradual, favorecida pela maior disponibilidade de pastagens de aveia e azevém. Em São Gabriel, começa a se estabilizar a condição corporal das vacas alimentadas predominantemente com campo nativo, com leve aumento da produção de leite. 

Na de Caxias do Sul, a qualidade do leite, avaliada pelos indicadores de contagem de células somáticas (CCS) e contagem padrão em placas (CPP), segue dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação brasileira. Não foram registrados relatos de exclusão de propriedades por laticínios ou cooperativas em decorrência de problemas relacionados à qualidade do leite, nem rejeição de cargas por indústrias e laticínios devido à presença de resíduos de antibióticos. 

Na de Ijuí, a produção de leite apresentou leve aumento em relação ao volume coletado na semana anterior. A menor umidade do solo levou à diminuição do acúmulo de barro nas áreas de circulação. Entretanto, a incidência de doenças do úbere está elevada como reflexo do período prolongado de alta umidade e do contato dos úberes com o barro. Nos sistemas de manejo estabulado, a redução da umidade dos materiais utilizados nas camas também contribuiu para a melhoria do bem-estar animal. 

Na de Pelotas, em Arroio Grande e Santa Vitória do Palmar, as estradas rurais se encontram bastante prejudicadas, dificultando o deslocamento dos produtores, o acesso a insumos e, principalmente, a coleta e o escoamento do leite. Em algumas situações, foi necessário utilizar tratores para auxiliar o deslocamento dos caminhões de coleta. Houve inclusive perdas de produção em propriedades onde não foi possível realizar a coleta. 

Na de Santa Rosa, o estado sanitário dos rebanhos segue dentro da normalidade, e os produtores realizam o controle da mastite e o monitoramento das principais enfermidades nas terneiras recém-nascidas, especialmente pneumonias e diarréias. A qualidade do leite está adequada, e os índices de Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem Padrão em Placas (CPP) se encontram dentro dos limites estabelecidos pela legislação. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA DE 03 A 09/09/2026 
Na próxima semana, o frio voltará a atingir o território gaúcho, podendo favorecer a ocorrência de geadas em algumas localidades. Entre 03 (quinta-feira) e 04/09 (sexta-feira), o avanço de uma frente fria pelo oceano trará instabilidade principalmente para o Litoral Gaúcho, com probabilidade de chuva fraca a moderada em pontos isolados. Nas demais regiões, não há previsão de chuva significativa. Já entre 05 (sábado) e 08/09 (terça-feira), um sistema de alta pressão de origem polar deverá trazer estabilidade e provocar queda das temperaturas. Assim, ao longo desses dias, não há previsão de chuva significativa, mas há possibilidade de geada principalmente em alguns pontos das regiões da Campanha, Serra e Campos de Cima da Serra. Em 09/09 (quarta-feira), os efeitos da circulação atmosférica poderão favorecer o transporte de umidade, principalmente para a Metade Norte e o Litoral, onde há previsão de chuva; na Metade Sul, o tempo ainda deverá permanecer estável. De forma geral, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 mm e 20 mm ao longo da semana. (Fonte: Simagro – Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos)


 

1 comentário em “04/09/2026

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