Porto Alegre, 04 de agosto de 2026 Ano 20 - N° 4.685
Preço do leite avança em junho e encerra semestre com valorização de 33%
O preço médio do leite cru captado por laticínios voltou a subir em junho, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. A "Média Brasil" líquida atingiu R$ 2,7464/litro, alta de 3,02% em relação a maio. Na comparação com junho de 2025, porém, houve queda real de 0,86%, considerando os valores deflacionados pelo IPCA de junho de 2026.
Com esse resultado, o preço do leite acumula valorização de 33,1% no primeiro semestre, com média de R$ 2,4659/litro. Ainda assim, esse patamar permanece 14% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo o Cepea, a alta foi sustentada pela firmeza do mercado de derivados e pelo crescimento da captação abaixo do esperado em algumas regiões. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) avançou 2,76% entre maio e junho na Média Brasil, mas ainda acumula queda de 11,4% no ano.
Já o Custo Operacional Efetivo (COE) permaneceu praticamente estável em junho, com leve alta de 0,24%, reflexo da redução nos preços das matérias-primas para ração, parcialmente compensada pelo aumento da demanda. No acumulado do primeiro semestre, o indicador registra alta de 2,04%.
Para os próximos meses, o Cepea avalia que os estoques reduzidos e o ritmo mais lento da captação mantêm elevada a concorrência pela matéria-prima, adiando um movimento de acomodação dos preços. A expectativa é de estabilidade, com viés de alta, até que o aumento gradual da oferta, previsto para o terceiro trimestre, contribua para equilibrar o mercado.
As informações são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
Global Dairy Trade - GDT
Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS
Mais leite, menos lucro: o paradoxo atual da pecuária uruguaia
Enquanto a produção de leite cresce 11,6% no Uruguai, a queda nos preços reduz o poder de compra do produtor, entenda.
A cadeia leiteira uruguaia continua registrando crescimento expressivo na produção em 2026, mas o aumento da oferta ocorre em um cenário de redução dos preços pagos ao produtor e de maior pressão dos custos de produção.
Dados divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (INALE) mostram que a remessa de leite às indústrias alcançou 196 milhões de litros em junho, volume 11,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, já foram entregues 1,025 bilhão de litros, alta de 10,3%, enquanto o acumulado dos últimos doze meses soma 2,307 bilhões de litros, crescimento de 10,1%.
Além do maior volume de leite, houve também avanço na produção de sólidos (gordura e proteína), que cresceu 12,9% em junho frente ao mesmo período do ano anterior, reforçando o bom desempenho produtivo do setor.
Preço ao produtor recua
Apesar da expansão da produção, o preço recebido pelos produtores apresentou queda. Em junho, o valor médio pago pelo leite foi de 16,9 pesos uruguaios por litro, equivalente a US$ 0,42 por litro. Na comparação com junho de 2025, isso representa redução de 5,2% em pesos por litro; 3,8% em dólares por litro e 6,3% no preço por quilo de sólidos.
Na comparação mensal, entre maio e junho, os preços em pesos e dólares também recuaram cerca de 2%, movimento associado principalmente à redução do teor de sólidos do leite entregue às indústrias, enquanto o valor pago por quilo de sólidos permaneceu praticamente estável.
Custos crescem mais rápido que a receita
A combinação entre preços menores e custos maiores reduziu o chamado poder de compra da atividade leiteira, indicador calculado pelo INALE que compara a evolução dos preços recebidos pelos produtores com os custos de produção.
Segundo o instituto, o índice ficou 10,8% abaixo do registrado em junho de 2025. O resultado decorre de uma queda de 5% no índice de preços do leite e de um aumento de 6,5% no índice de custos. Na comparação com maio, o poder de compra permaneceu praticamente estável (-0,2%), uma vez que tanto preços quanto custos apresentaram pequenas reduções próximas de 1%.
Rentabilidade segue pressionada
O indicador de poder de compra ficou em 79 pontos, permanecendo 21% abaixo da base de referência utilizada pelo INALE. O instituto ressalta que o índice utiliza uma cesta fixa de insumos baseada na pesquisa de 2019, atualizando mensalmente apenas os preços dos componentes, sem considerar eventuais ajustes feitos pelos produtores em suas estratégias produtivas.
Oferta cresce em ritmo acelerado
Os números mostram que a pecuária leiteira uruguaia vive um momento de forte expansão produtiva. Nos primeiros seis meses de 2026, a produção acumulada supera em mais de 10% o mesmo período do ano anterior, indicando recuperação consistente da oferta nacional.
Por outro lado, o aumento da disponibilidade de leite ocorre justamente em um contexto de preços mais baixos e custos elevados, o que reduz a margem econômica das propriedades. Esse cenário evidencia um desafio comum às cadeias exportadoras de leite: produzir mais nem sempre significa maior rentabilidade quando o mercado internacional apresenta preços menos favoráveis e os custos continuam elevados. Essa conclusão decorre da combinação dos indicadores apresentados pelo INALE sobre produção, preços e poder de compra.
As informações são do INALE, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
Jogo Rápido
DAIRY TALKS 2026 — INSCRIÇÕES ABERTAS!
No dia 25 de agosto, a Universidade Federal de Juiz de Fora receberá o workshop internacional: Milk Protein Ingredients: From Physicochemical Fundamentals to Innovative Applications. O evento será conduzido pelo Prof. Thom Huppertz, referência internacional em ciência e tecnologia de proteínas lácteas. Ao longo do dia, serão discutidos temas como: Produção e fracionamento de ingredientes protéicos do leite e do soro; Bebidas com alto teor de proteínas; Barras proteicas; Produtos lácteos fermentados; Estrutura, textura, estabilidade e inovação. A programação também contará com Brazilian Research Spotlights, com apresentações curtas de pesquisadores do nosso grupo, além de sessões de pôsteres e momentos de interação entre estudantes, pesquisadores e profissionais da indústria. Inscrições e mais informações: https://www.inovaleite.com/dairy-talks. (Inova Leite)