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05/08/2026

Porto Alegre, 05 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.686


Seminário do Leite reúne especialistas para debater tendências, inovação e o futuro da cadeia leiteira no Agroleite 2026

O segundo dia do Agroleite 2026 foi marcado por uma programação intensa na Arena Conexão - Plenária Principal do Parque Tecnológico Agroleite, com o Seminário Internacional do Leite reunindo especialistas nacionais e internacionais para discutir os desafios, oportunidades e as perspectivas para a pecuária leiteira.

Durante toda a manhã, a Arena Conexão reuniu aproximadamente 600 pessoas para uma programação que trouxe reflexões sobre o futuro da produção, as tendências do mercado mundial e a relação entre sustentabilidade e agronegócio com nomes consolidados como José Luiz Bellini, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite; Lucas Souto, Líder Global de Categoria de Ruminantes da Cargill e Richard Rasmussen, biólogo, apresentador e ambientalista.

A programação do Agroleite 2026 segue até sexta-feira (7), reunindo 404 expositores, fóruns técnicos, palestras, painéis, julgamentos de animais, dinâmica de máquinas, Trilha do Leite, Rota do Leite, torneio leiteiro, apresentações culturais e rodadas de negócios.

Potencial da cadeia leiteira

Abrindo o seminário, José Luiz Bellini apresentou a palestra ‘Estrutura, dinâmica e futuro da pecuária leiteira brasileira’. O pesquisador destacou que a cadeia leiteira nacional tem potencial para ampliar sua participação no mercado global, desde que continue investindo em inovação, tecnologia e parcerias.

Segundo Bellini, o Agroleite é o ambiente ideal para esse debate por reunir conhecimento, pesquisa e produtores comprometidos com a evolução do setor. “Aqui é um local onde se sonha e se constrói. A pecuária leiteira brasileira tem grande potencial para ser um importante player mundial, e esse é o espaço para discutirmos essa visão de futuro”, afirmou.

O chefe-geral da Embrapa também ressaltou a aproximação da instituição com a Castrolanda e o Parque Tecnológico Agroleite para ampliar o desenvolvimento de pesquisas, tecnologias e estratégias voltadas ao aumento da produção e da produtividade nas propriedades leiteiras.

Tendências do Mercado do Leite

Na sequência, Lucas Souto conduziu a palestra ‘O que está mudando no mercado do leite no mundo e o que isso muda na sua fazenda amanhã?’. O especialista, que mora no Canadá, apresentou tendências observadas em diferentes países e mostrou como elas podem contribuir para elevar a competividade das propriedades brasileiras.

De acordo com Souto, o trabalho desenvolvido pela empresa busca analisar as fazendas de forma integrada, identificando oportunidades para aumentar a produtividade de acordo com a realidade de cada produtor. “Falamos um pouco da realidade de outros países, das tendências de mercado, associando isso ao cenário brasileiro para gerar insights que possam ser implementados aqui”, explicou.

Ao comparar o cenário internacional com o Paraná, o especialista destacou o alto nível tecnológico da produção leiteira regional. “O nível do Brasil, especialmente do Paraná, é muito bom. Temos propriedades altamente tecnificadas e produtivas que não ficam atrás das grandes referências mundiais”, disse.

Aproximação com o agro

Encerrando o seminário, o biólogo e comunicador Richard Rasmussen, convidado pela patrocinadora diamante Biofarm, apresentou a palestra ‘A Trajetória de um Biólogo no Agro Brasileiro’. Em sua fala, Rasmussen compartilhou a transformação de sua visão sobre o agronegócio após conhecer de perto a realidade dos produtores rurais.

Segundo Rasmussen, o Brasil reúne tecnologia, produção de alimentos e conservação ambiental de forma única no mundo. “O produtor brasileiro é um dos mais tecnológicos do mundo e ainda conserva áreas de vegetação. Isso precisa ser reconhecido”, comenta.
O biólogo contou que sua aproximação com o agro começou há cerca de sete anos, quando passou a produzir conteúdos para entender como funcionavam a pecuária e, posteriormente, a agricultura. “Eu estava disposto a aprender. Hoje quero colaborar para que mais pessoas tenham essa mesma oportunidade de compreender o agro brasileiro”.

Ao comentar sobre a região de Castro, Rasmussen ressaltou a importância da cadeia leiteira para o país. “Castro é a Capital Nacional do Leite. Basta olhar este evento para entender a força do setor. O agro é responsável por alimentar o mundo e isso merece reconhecimento”, comentou. (Agroleite)


GDT 409º registra estabilidade e indica maior equilíbrio no mercado internacional

O resultado indica um cenário de acomodação nas cotações internacionais dos lácteos.

O 409º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou estabilidade de 0,1% no GDT Price Index, com preço médio de USD 3.778/tonelada. O resultado indica um cenário de acomodação nas cotações internacionais dos lácteos, após os ajustes observados nos leilões anteriores, sugerindo um ambiente mais equilibrado entre oferta e demanda.
Gráfico 1. Preço médio leilão GDT. Fonte: Global Dairy Trade (GDT). 

Nos leites em pó, o movimento foi positivo, com destaque para o leite em pó desnatado (LPD), que liderou os aumentos do segmento ao avançar 1,2%, sendo negociado a USD 3.261/tonelada. Já o leite em pó integral (LPI) registrou estabilidade, com leve alta de 0,2%, atingindo USD 3.483/tonelada. O avanço recorrente do LPD pode seguir refletindo uma demanda mais aquecida por ingredientes proteicos, contribuindo para maior sustentação do produto.

Gráfico 2. Preço médio LPI. Fonte: Global Dairy Trade (GDT). 

Entre queijos e manteiga, o movimento foi diverso. A muçarela avançou 1,0%, sendo negociada a USD 3.992/tonelada. O cheddar, em lado com a muçarela, apresentou recuperação após as quedas observadas nos últimos leilões, com alta de 3,8%, atingindo USD 3.723/tonelada. A manteiga foi negociada a USD 5.225/tonelada, com queda de 2,3%, enquanto a gordura anidra do leite apresentou relativa estabilidade, com leve recuo de 0,8%, para USD 6.367/tonelada.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 04/08/2026. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado avança em meio à maior oferta sazonal

O volume negociado totalizou 40.504 toneladas, aumento de 50,6% em relação ao leilão anterior. O movimento está associado ao avanço sazonal da produção na Oceania, que amplia a disponibilidade de leite e derivados no mercado internacional. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume também apresentou alta, de 9,4%.

O resultado chama atenção pelo patamar elevado de produto negociado, superando níveis observados em 2024 e se aproximando dos volumes registrados em 2025. Mesmo diante desse aumento expressivo da oferta, os preços dos produtos registraram aumento nas cotações, indicando que o mercado segue aquecido e absorvendo os volumes disponíveis.

Além disso, o leilão registrou novamente o maior número de participantes recentes, totalizando 170 compradores. Esse movimento sugere uma demanda mais aquecida, que contribuiu para compensar o aumento do volume ofertado e sustentar as cotações em um patamar de maior equilíbrio.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, o mercado futuro de leite em pó integral (WMP) registrou estabilidade, mas com viés de alta nas negociações mais recentes. Os contratos seguem indicando um cenário de maior equilíbrio para os próximos meses, refletindo a estabilidade observada no GDT e a capacidade do mercado de absorver o aumento sazonal da oferta.

A continuidade da safra na Oceania e o ritmo da demanda internacional permanecem como fatores determinantes para definir se os preços futuros conseguirão sustentar esse viés positivo ou voltarão a apresentar ajustes.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures). Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 409º indica um mercado internacional mais estável, especialmente nos leites em pó. A leve alta do LPI e o novo avanço do LPD reforçam uma leitura de maior equilíbrio nas referências externas de preços, após a sequência de ajustes observada nos leilões anteriores.

No Brasil, esse cenário pode contribuir para uma percepção menos pressionada no mercado de leite em pó integral, que vinha acompanhando parcialmente os movimentos do mercado internacional. Ainda assim, a dinâmica das importações dos leites em pó segue como ponto central de atenção, já que os volumes importados continuam relevantes e influenciam diretamente as negociações internas.

Mesmo com a estabilidade dos preços internacionais, a competitividade do produto importado permanece condicionada ao comportamento do câmbio. Caso o real se valorize, os produtos externos podem seguir ganhando espaço no mercado brasileiro, limitando uma sustentação mais consistente das cotações domésticas. Dessa forma, o mercado brasileiro deve acompanhar a evolução dos próximos leilões, o comportamento dos contratos futuros e o ritmo das importações, que seguem relevantes para a formação de preços no mercado interno. (Milkpoint)

Conhecer o shopper é o novo diferencial para a indústria de lácteos, destacam especialistas em podcast

Em conversa promovida pela Rock Encantech, representantes da indústria, do varejo e da MilkPoint Ventures discutiram como a hipersegmentação, a inteligência de dados e a mudança no comportamento do consumidor estão redefinindo estratégias no setor.
O comportamento do consumidor está mudando em ritmo acelerado e, com ele, também precisam evoluir as estratégias da indústria de alimentos. Esse foi o tema central do podcast promovido pela Rock Encantech, que reuniu Eduardo Donoso, da equipe de Marketing da empresa, Rafael Matos, diretor Comercial de Indústria da Rock Encantech, Vinícius Nardy, sócio e COO da MilkPoint Ventures, e Valter Galan, diretor técnico da MilkPoint Ventures.

Ao longo da conversa, os participantes defenderam que o acesso aos dados deixou de ser um diferencial competitivo. O verdadeiro valor, segundo eles, está na capacidade de interpretar essas informações para compreender quem é o shopper, quais são seus hábitos de consumo e como transformar esse conhecimento em decisões mais assertivas para indústria e varejo.

Um dos pontos centrais do debate foi a crescente necessidade de especialização dos portfólios. Com mercados mais competitivos e margens pressionadas, a diferenciação passa pela criação de produtos voltados para públicos específicos.

Os produtos enfrentam cada vez mais concorrência e margens mais apertadas. A saída é encontrar novos caminhos, desenvolvendo nichos e categorias de maior valor agregado. Mais do que uma oportunidade, essa adaptação passa a ser uma necessidade para a indústria.

Os participantes destacaram que esse movimento acompanha uma mudança global no consumo. O leite fluido perde espaço relativo enquanto cresce a demanda por produtos com maior valor percebido, como queijos especiais, iogurtes, bebidas proteicas e ingredientes lácteos voltados à nutrição. Nesse contexto, compreender o consumidor torna-se decisivo para orientar desde o desenvolvimento de novos produtos até os investimentos em marketing e distribuição.

Outro conceito discutido foi o da hipersegmentação. Em vez de campanhas amplas e genéricas, a tendência é que as empresas passem a construir estratégias muito mais direcionadas, considerando diferentes perfis de consumidores, ocasiões de consumo e preferências específicas.

Os especialistas ressaltaram que essa lógica também influencia a inovação. Antes de lançar um produto, torna-se cada vez mais importante identificar para quem ele foi pensado, em quais momentos será consumido e quais necessidades efetivamente atende.

A ampliação dos portfólios também apareceu como uma tendência consolidada. Segundo os participantes, diversas empresas têm investido em novas categorias e até em collabs com outras marcas para ampliar sua presença junto ao consumidor. No entanto, essas iniciativas só fazem sentido quando são baseadas em um conhecimento aprofundado do shopper.

Outro aspecto abordado foi o papel crescente da inteligência artificial nesse processo. A tecnologia pode acelerar a interpretação de grandes volumes de dados, permitindo análises mais personalizadas para cada empresa e apoiando decisões sobre comunicação, desenvolvimento de produtos e alocação de investimentos.

Ao longo da conversa, os especialistas reforçaram que o consumidor atual está mais conectado, exposto a inúmeros estímulos e com expectativas cada vez mais específicas. Nesse cenário, entender sua jornada e antecipar seus movimentos deixa de ser apenas uma vantagem competitiva e passa a ser um requisito para expandir mercados e construir marcas relevantes.

O episódio completo está disponível no canal da Rock Encantech no YouTube. Confira clicando aqui. (Milkpoint)


Jogo Rápido

Piracanjuba investe em bebida proteica e ativação no Rock in Rio
A marca de lácteos Piracanjuba decidiu patrocinar festivais de música para conquistar um público mais jovem e ampliar a faixa etária dos consumidores -- que hoje está concentrada entre 30 e 45 anos. A estratégia começou no ano passado com The Town, em São Paulo, e o próximo evento será o Rock in Rio, que vai acontecer na capital fluminense no mês que vem. A diretora de marketing do Grupo Piracanjuba, Lisiane Campos, não revela o valor do investimento, mas diz que a iniciativa contempla a exclusividade na oferta de bebidas proteicas durante o festival, além de anúncios na TV e em aeroportos, metrô e rodoviárias (OOH, na sigla em inglês), e conteúdo em redes sociais. Parte dos recursos também foi direcionada à realização de uma corrida proprietária no Rio de Janeiro, no último domingo, 2 de agosto. Na ocasião, foram apresentados os lançamentos da linha ProForce, como creatina monohidratada, gel de carboidrato, pré-treino, barra de proteína, whey protein concentrado e as embalagens temáticas do Rock in Rio. Segundo a executiva, a ideia é mostrar que a marca está ampliando seu posicionamento para além da nutrição esportiva e passando a ocupar também os territórios de música, entretenimento e estilo de vida. "Os produtos não estão direcionados apenas à alta performance, é para quem precisa de proteína no dia a dia, e é aí que entra o festival", afirma. O trabalho de construção de marca é feito pelas agências Samba (que pertence à Holding Clube), CS Produções e Eventos e AlmapBBDO. Além disso, a empresa contratou, neste ano, um instituto de pesquisa para avaliar o retorno da iniciativa no Rock in Rio e sugerir melhorias para as próximas edições. Segundo Campos, o objetivo da estratégia é chegar à liderança de mercado das bebidas proteicas. Para isso, a empresa não só investiu em marketing, mas também na aquisição de novos maquinários para ampliar a capacidade de produção. "Como toda a fabricação é própria, conseguimos manter um controle mais rigoroso sobre o padrão de qualidade. Em vez de terceirizarmos a produção, a estratégia foi expandir a capacidade interna", explica, referindo-se à nova fábrica em São Jorge d'Oeste, no Paraná. A Piracanjuba, assim como outras companhias, aposta no crescimento do mercado de proteínas. De acordo com levantamento da consultoria Bain & Company, o mercado brasileiro de concentrados e isolados proteicos (whey protein) cresceu de US$ 165 milhões em 2021 para US$ 360 milhões em 2025. Para os próximos cinco anos, a expectativa é de crescimento de cerca de 7% ao ano em volume, sustentado pela preocupação com saúde e longevidade e pelo avanço do uso de GLP-1 (classe de medicamentos para perda de peso e diabetes) no Brasil. A consultoria estima que 11% da população brasileira já usou ou usa essas medicações no país. (Valor Economico via Globo Rural)