Porto Alegre, 29 de julho de 2026 Ano 20 - N° 4.681
Para julho, Conseleite projeta leite a R$ 2,5005
O valor de referência do leite para julho de 2026 divulgado pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) ficou projetado em R$ 2,5005 por litro. O índice representa uma alta de 2,98% em relação ao valor projetado para junho, de R$ 2,4281, correspondendo a um acréscimo de R$ 0,0724 por litro. Também divulgou nesta terça-feira (28/07), o valor consolidado de junho, que encerrou o mês em R$ 2,4320, levemente acima do valor consolidado de maio (R$ 2,4302), com diferença positiva de R$ 0,0017, 0,07%.
Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, os valores têm se mantido estáveis e próximos da média histórica, acompanhando a tendência observada nos principais estados produtores. "Temos uma estabilidade nos preços e uma sustentação dos valores pagos ao produtor neste primeiro semestre do ano”, assinala. Durante a reunião online, representantes dos produtores e da indústria manifestaram preocupação com os impactos do alto volume de chuva. Se persistir, pode afetar o desenvolvimento das pastagens de inverno e comprometer as de verão, incidindo na formação de silagem e oferta de alimentos nas propriedades rurais.
Os indicadores do Conseleite são elaborados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base em informações fornecidas pelas indústrias participantes. A projeção mensal considera a movimentação dos 20 primeiros dias do mês, enquanto o valor consolidado é calculado após o encerramento do período. Durante a reunião, a Câmara Técnica e Econômica (Camatec) também apresentou a atualização dos parâmetros utilizados no cálculo do preço de referência do leite. Eles passarão a ser adotados nas planilhas de cálculo a partir da próxima rodada de aferição. (Conseleite/RS)
O que pode mudar o cenário da falta de mão de obra
Para o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini, a sucessão rural está diretamente ligada à transformação da atividade. Segundo ele, a produção leiteira possui uma característica que dificulta a permanência dos jovens no campo. “Atividade leiteira tradicional, ela tem bastante aplicação de esforço físico”, diz. Assim, uma possível solução seria a implementação de tecnologias,visando não apenas a automação da produção, mas servindo como um atrativo para os jovens.“Eu acredito muito nessa questão da dificuldade da sucessão ou até para que possa manter o jovem na atividade, porque essa geração não quer acordar às 5h da manhã para ordenhar os animais. Então, o robô tem essa característica. É claro que os investimentos são altos, então você precisa ter um nível de produtividade significativo ou mesmo outros sistemas de ordenha que são mais automatizados.”
A mudança no modelo de produção também é apontada por Palharini como uma alternativa para incentivar a permanência das novas gerações no campo. “O que tem ocorrido que acaba segurando o jovem é mudar o modelo de produção de leite, de ser a pasto. Grande parte das propriedades hoje, com volume maior, elas têm trabalhado com gado confinado,então isso também diminui a mão de obra, mas de outro lado tem um aumento de custo de produção, claro que você acaba tendo uma produtividade maior por animal. Então, é desafiador, não é uma questão de uma solução fácil e isso não é uma situação só no Rio Grande do Sul, no Brasil todo, diria que até no mundo todo tem essa dificuldade, por justamente a atividade leiteira ter essa questão de compromisso diário, e que de certa forma ameniza com a aquisição ou a implantação do sistema robotizado na ordenha”, observa o dirigente.
Dentro do setor, empresas e cooperativas têm desenvolvido programas voltados especificamente para os sucessores rurais,como explica o secretário-executivo. “Muitas cooperativas têm esse trabalho na questão da formação de novos líderes.O jovem acaba atraído a ficar na atividade leiteira se efetivamente ele conseguir ter um gerenciamento”, esclarece.
O secretário explica que, desde o ano passado, a produção tem aumentado, mesmo com a saída de produtores. “Diferente de 2025, mesmo que a gente pegue de janeiro a abril de 2025, e compare com janeiro, abril de 2024, a produção de 2025 é superior. Então, ela vem num crescente, que também, em 2024 e até o início do segundo semestre de 2025, tinha uma situação de preço bastante favorável. Então, estava o cenário perfeito, aumento de produção, e preço remuneratório bom para o produtor. Esse cenário acabou mudando, a partir de agosto e setembro de 2025. Ele foi até janeiro de 2026, em questão de preço, mas, mesmo assim, a produção não diminuiu, como em anos anteriores, quando baixava o preço, a gente tinha sempre uma queda de produção bastante significativa.
Então, isso mostra a questão da profissionalização do setor,importante nesse sentido. Mas o mercado está, dessa maneira, muito afetado com o aumento de importação que tem da Argentina e do Uruguai. Isso acaba influenciando no preço dos derivados, principalmente do leite em pó. As indústrias de chocolate, grandes indústrias de bolachas, acabam comprando leite em pó importado e não nacional”, salienta ele. A perspectiva para os próximos meses do ano é o equilíbrio dos preços,em que as margens de resultado para produtores e indústrias é ajustada, com foco na eficiência produtiva dos rebanhos, como prevê Palharini. “Então é esse aspecto de torcer para que efetivamente nós não tenhamos um impacto forte de El Niño que o pessoal tem comentado, que isso acaba botando mais uma dificuldade dentro do processo, mas a sinalização que agente tem, a média a longo prazo da atividade é positiva.” n A sucessão no setor leiteiro gaúcho não depende apenas da vontade dos filhos de produtores. Ela está ligada à rentabilidade da atividade, ao acesso à tecnologia, à qualidade de vida no campo e à capacidade de profissionalização. (Correio do Povo)
RS teve a menor expansão em 20 anos, revela estudo
O Rio Grande do Sul registrou o menor crescimento econômico entre todos os estados brasileiros entre 2002 e 2023. O dado integra os “Estudos em Crescimento Econômico e Produtividade”, série produzida pelo Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (Ifep-RS), que busca identificar os fatores que explicam a trajetória da economia gaúcha nas últimas duas décadas e apontar caminhos para a retomada do crescimento da renda e da produtividade no Estado. A primeira nota da série apresenta um diagnóstico comparativo do desempenho do Rio Grande do Sul em relação aos estados brasileiros, com destaque para os vizinhos da Região Sul, e em relação ao Brasil como um todo.
O levantamento mostra que, no período analisado, o PIB gaúcho cresceu 34%, resultado inferior à média nacional (58%), ao Paraná (55%) e a Santa Catarina (65%). Segundo o estudo, o baixo desempenho não se limita ao crescimento agregado da economia. Quando a análise considera o PIB per capita, indicador que mede a renda média por habitante, o Rio Grande do Sul também aparece entre os piores resultados do país, com crescimento de apenas 24% no período, à frente apenas de Santa Catarina, que registrou alta de 19%. O Paraná apresentou o melhor desempenho do Sul, com crescimento de 31%.
O crescimento econômico e da renda por habitante refletem dinâmicas distintas. Enquanto Santa Catarina ampliou significativamente o tamanho de sua economia impulsionada pelo crescimento populacional, o Paraná conseguiu converter melhor o crescimento econômico em ganhos de renda por habitante por meio de avanços de produtividade. Já o Rio Grande do Sul não se destacou em nenhum desses dois canais. Outro aspecto analisado pelo Ifep-RS foi a composição do crescimento econômico. No Paraná, cerca de 73% da expansão do PIB per capita decorreu de ganhos de produtividade do trabalho. Em Santa Catarina, o crescimento foi dividido entre produtividade e expansão da população ocupada. No Rio Grande do Sul, embora a produtividade tenha respondido pela maior parte do crescimento da renda, o estado apresentou dependência relativamente maior da expansão do emprego, um mecanismo que tende a perder força diante do envelhecimento populacional.
O estudo aponta ainda que a vantagem relativa de produtividade que o Rio Grande do Sul possuía em relação à média nacional no início dos anos 2000 praticamente desapareceu ao longo das últimas duas décadas. Entre 2002 e 2023, a produtividade do trabalho gaúcha cresceu, em média, 0,65% ao ano, abaixo da média brasileira. (Jornal do Comércio)
Jogo Rápido
Petróleo fecha em queda com pausa de ataques Estados Unidos-Irã
O petróleo fechou em queda de 4% ontem com o WTI voltando a operar abaixo de US$ 80 por barril, em meio a sinais de avanços diplomáticos no Oriente Médio. O Irã conversou hoje com Arábia Saudita e Omã sobre a situação no Estreito de Ormuz. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro fechou em queda de 4,06% (US$ 3,35), a US$ 79,26 o barril. O petróleo Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 4,41% (US$ 3,79), a US$ 82,08 o barril. A pausa nos ataques entre os Estados Unidos e o Irã se manteve nesta terça, elevando as esperanças de negociações no conflito do Oriente Médio, que desorganizou o setor de energia. O governo do Irã informou que o país perdeu cerca de 230 milhões de metros cúbicos de capacidade de produção de gás em consequência dos ataques sofridos durante a guerra. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que este é “um bom momento” para o Irã fechar um acordo nuclear com Washington. Em entrevista à Fox News, Trump disse que Teerã “essencialmente concordou” em não desenvolver armas nucleares, mas ressaltou que o compromisso ainda precisa ser formalizado. (Jornal do Comércio)