Porto Alegre, 05 de junho de 2026 Ano 20 - N° 4.645
Lácteos registram aumento nas importações e nas exportações em maio
O mês de maio foi marcado por avanço no volume total das importações e das exportações de lácteos. As importações somaram 220,3 milhões de litros em equivalente-leite, enquanto as exportações atingiram 5,8 milhões de litros em equivalente-leite. Apesar do aumento nas exportações, o saldo da balança comercial de lácteos permaneceu negativo. Em maio, o déficit foi de 214,6 milhões de litros em equivalente-leite, resultado mais deficitário do que o observado em abril, acompanhando o crescimento do volume importado no período.
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
As importações registraram aumento de 3,5% em relação ao mês anterior e de 28,2% na comparação com maio do ano passado. O resultado reforça que os volumes importados seguem em patamares relevantes, sustentados pela competitividade dos produtos externos frente aos nacionais. O câmbio também segue como um fator importante nessa dinâmica, já que o dólar em patamares mais baixos contribui para tornar os produtos importados mais atrativos no mercado brasileiro.
Gráfico 2. Importações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
Os principais movimentos observados nas importações foram:
Iogurtes: apresentaram avanço expressivo, com aumento de 100% no volume importado, vindo principalmente do Mercosul;
Queijos: registraram alta de 2% no volume importado. O movimento foi puxado principalmente por países da Europa, como França, Itália e Holanda, em um cenário favorecido pelo câmbio e pelas discussões em torno do acordo Mercosul-União Europeia;
Soro de leite: apresentou retração de 6% no volume importado em relação ao mês anterior;
Leite em pó integral (LPI): produto de grande relevância na cesta de importações, registrou aumento de 1% frente a abril;
Leite em pó desnatado (LPD): apresentou avanço de 12% nas importações, representando 14% do total importado de lácteos no mês.
Já em relação às exportações, maio apresentou aumento de 46% frente ao mês anterior, passando de 3,9 milhões de litros em equivalente-leite em abril para 5,8 milhões de litros em equivalente-leite. Apesar da recuperação mensal, o volume exportado ainda ficou 20% abaixo do registrado em maio do ano passado, quando as exportações somaram 7,2 milhões de litros em equivalente-leite. Esse movimento mostra uma melhora pontual nos embarques, mas ainda dentro de um cenário de baixa competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.
Nas exportações de maio, foram observados os seguintes movimentos entre os principais produtos:
Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou aumento de 37% no volume embarcado e representou 35% das exportações de lácteos;
Manteiga: registrou avanço de 72% nos embarques, representando 12% da cesta de exportações;
Leite condensado: apresentou crescimento de 74% em relação ao mês anterior, respondendo por 17% das exportações brasileiras de lácteos.
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de maio de 2026 e abril de 2026.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em maio de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em abril de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
O que podemos esperar para os próximos meses?
Em maio, as importações voltaram a avançar e permaneceram em patamares elevados, reforçando a competitividade dos produtos externos no mercado brasileiro. O movimento segue associado ao câmbio mais favorável, aos preços internacionais e à atratividade de alguns produtos importados frente aos nacionais.
No curto prazo, caso o dólar permaneça em níveis mais baixos e os preços internacionais sigam competitivos, as importações tendem a continuar em volumes relevantes. Esse cenário pode manter a entrada de derivados no país e limitar movimentos mais intensos de valorização no mercado interno, especialmente em produtos com maior participação na pauta importadora, como os leites em pó e os queijos.
Apesar da recuperação mensal das exportações, os embarques brasileiros ainda permanecem abaixo dos volumes observados no ano anterior, indicando que o país segue com menor competitividade no mercado internacional. Dessa forma, os próximos meses exigem atenção à evolução do câmbio, dos preços internacionais, do ritmo de importações e da resposta da produção doméstica. (Milkpoint)
As cidades gaúchas que lideram o consumo em 2026
Porto Alegre lidera o potencial de consumo para 2026 no Rio Grande do Sul, com uma estimativa de R$84,4 bilhões. Não surpreende, já que é a Capital. O ranking é do IPC Maps (ouça a análise no podcast acima). No país, a cidade fica em 8º lugar.
Apenas R$95,7 mil é o consumo previsto para a área rural de Porto Alegre. O restante é consumo urbano.
A habitação lidera, com mais de R$20 bilhões. Além de outras despesas, o veículo também terá um grande gasto, de R$ 10,6 bilhões, um pouco acima de alimentação.
Os gastos dos porto-alegrenses:
Habitação: R$ 20,124 bilhões
Outras Despesas: R$ 17,224 bilhões
Veículo Próprio: R$ 10,635 bilhões
Alimentação no Domicílio: R$ 7,025 bilhões
Alimentação fora do Domicílio: R$ 4,016 bilhões
Materiais de Construção: R$ 3,203 bilhões
Medicamentos: R$ 2,958 bilhões
Plano Saúde / Trat. Médico Dentário: R$ 2,816 bilhões
Higiene e Cuidados Pessoais: R$ 2,345 bilhões
Vestuário Confeccionado: R$ 2,071 bilhões
Educação: R$ 2,018 bilhões
Recreação e Cultura: R$ 1,843 bilhão
Mobiliários e Artigos do Lar: R$ 1,402 bilhão
Eletroeletrônicos: R$ 1,268 bilhão
Bebidas: R$ 1,130 bilhão
Viagens: R$ 1,096 bilhão
Transportes Urbanos: R$ 1,026 bilhão
Calçados: R$ 826 milhões
Fumo: R$ 482 milhões
Artigos de Limpeza: R$ 430 milhões
Livros e Material Escolar: R$ 330 milhões
Joias, Bijuterias e Armarinhos: R$ 132 milhões
As informações são da Zero Hora
EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1922 de 03 de junho de 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
A suplementação alimentar com silagem, feno, pré-secado e concentrados tem sido intensificada em diversas regiões para garantir a manutenção da condição corporal dos rebanhos e dos níveis de produção. Porém, essa estratégia aumenta os custos da atividade.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em São Gabriel, as geadas de forte intensidade, registradas ao longo do mês de maio, aumentaram os desafios para a atividade leiteira. Parte dos produtores, especialmente aqueles com menor nível tecnológico, optou por secar todas as vacas, prevendo o retorno da entrega de leite somente a partir da primavera. Os produtores que mantêm a produção durante o outono e o inverno enfrentam elevação dos custos com a alimentação, principalmente ração e silagem, para manter o estado corporal das matrizes e os níveis de produção satisfatórios.
Nas de Caxias do Sul, Erechim e Porto Alegre, foram utilizadas forragens conservadas e suplementação alimentar para compensar a menor disponibilidade de pastagens. Os rebanhos apresentam boa condição corporal, mas alguns produtores têm intensificado o fornecimento de silagem e de outros alimentos volumosos.
Na de Ijuí, as temperaturas baixas, a elevada umidade e as chuvas no início do período favoreceram o bem-estar animal, especialmente das raças de origem europeia, mas dificultam o manejo dos rebanhos. Em alguns municípios, os volumes acumulados alcançaram 40 mm, aumentando a formação de barro nas instalações e corredores. Foi observada melhora na qualidade do leite, com redução dos índices de CCS em relação aos meses anteriores.
Na de Pelotas, continua intenso o uso de silagem e de ração concentrada em Canguçu, Cerrito, Chuí, Morro Redondo, Pedras Altas, Pedro Osório e Rio Grande. Contudo, as limitações nutricionais, observadas em Morro Redondo, vêm impactando negativamente a qualidade do leite; em Capão do Leão e Jaguarão, foi registrada redução na produtividade. Em relação à sanidade, em Pelotas, há preocupação com a persistência de carrapatos nos rebanhos, sendo recomendada atenção aos sinais iniciais de tristeza parasitária bovina para evitar perdas de animais produtivos e jovens.
Em Turuçu, as ações técnicas estão voltadas ao monitoramento da vacinação contra a raiva, ao uso de homeopatia para o controle de mamite e à implantação de programas de gestão das propriedades.
Na de Santa Maria, o vazio forrageiro outonal tem provocado redução da produção e do escore corporal dos animais, além de aumento dos custos com suplementação. De modo geral, as condições nutricionais dos rebanhos estão abaixo do ideal.
Na de Santa Rosa, houve leve melhora na atividade, favorecida pelas condições meteorológicas mais amenas, que diminuíram o estresse térmico. A produção tem sido mantida com o uso de silagem, feno, pré-secado e concentrados, aliada ao acesso gradual às pastagens cultivadas. Os rebanhos, de modo geral, apresentam escore corporal adequado. (Emater/RS)
Jogo Rápido
Frente fria deve trazer chuva ao Estado na próxima semana
Na próxima semana, a passagem de uma frente fria deverá trazer de volta as chuvas para o território do Rio Grande do Sul. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico nº 23/2026, elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Até Sábado (6/6): o tempo ainda deverá se manter estável em praticamente todo o Rio Grande do Sul. Por conseguinte, não há previsão de chuva significativa na maioria das regiões, e as temperaturas estarão em ascensão. Entre Domingo (7/6) e Terça-feira (9/6): o deslocamento de um sistema de baixa pressão, que posteriormente evoluirá para uma frente fria, irá trazer instabilidade para todo o estado. Dessa forma, há previsão de chuva em praticamente todas as regiões do Rio Grande do Sul. Quarta-feira (10/6): o sistema deverá se afastar gradualmente, diminuindo sua influência sobre o estado. Dessa forma, não há previsão de chuva significativa, e as temperaturas estarão em leve declínio. Os acumulados de precipitação deverão variar entre 0 mm e 50 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados da metade sul que podem passar desse valor. O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (Seapi)