Porto Alegre, 15 de abril de 2026 Ano 20 - N° 4.611
INOVAÇÃO: Cadeia leiteira busca mais e ciência e competitividade
A busca por mais eficiência, qualidade e competitividade tem impulsionado a inovação na cadeia leiteira de Ijuí e região, movimento que reflete uma tendência mais ampla, que acontece em todo o Rio Grande do Sul. Para o JM, o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) e vice-coordenador do Conseleite RS, Darlan Palharini, explica que houveram diversos
avanços tecnológicos importantes nos últimos anos no setor, que vive um processo contínuo de transformação.
Na avaliação de Palharini, o nível de inovação da cadeia leiteira gaúcha é muito positivo, mas ainda existem diversas desigualdades no que diz respeito ao acesso e aplicação prática de novas tecnologias.
Segundo o secretário, a grande maioria das propriedades médias e grandes do Estado já incorporaram tecnologias e equipamentos mais modernos. No entanto, por outro lado, um número significativo de pequenas propriedades ainda enfrenta dificuldades para implementar estes recursos, principalmente por causa das limitações financeiras.
A garantia de acesso às novas tecnologias para os pequenos produtores é um dos principais pontos de atenção para o futuro. Nesse contexto, Palharini destaca que, embora ainda existam desafios a serem superados, o avanço, nos últimos anos, tem ocorrido de forma gradual e constante. “Ainda estão faltando algumas outras questões para que possamos nos comparar a países de primeiro mundo em questão de inovação, mas é um caminho que, apesar de ser lento, é contínuo”, afirma.
Entre as áreas que mais demandam investimentos atualmente, Palharini destaca o melhoramento genético do rebanho como um dos principais caminhos para aumentar a produtividade da cadeia leiteira do Rio Grande do Sul. “E essa produtividade é realmente fundamental para que a gente possa ser mais competitivo”, diz. Segundo ele, a qualidade do leite, com maior teor de sólidos e gordura, impacta diretamente o retorno financeiro obtido pelo produtor e a eficiência industrial.
Outra demanda interessante diz respeito à sucessão no meio rural. O secretário destaca que diversos produtores têm investido em novos equipamentos e tecnologias para reduzir o desgaste físico associado à atividade. Para ele, essa maior facilidade no trabalho é um importante fator que motiva filhos de produtores a permanecerem no meio, garantindo a continuidade dos negócios.
Por fim, apesar dos benefícios que a implementação de novas tecnologias traz ao campo, o secretário explica que ainda existem diversos desafios que são enfrentados pelos produtores que desejam inovar. O principal deles, segundo Palharini, diz respeito à questão financeira, mais especificamente ao alto custo do crédito.
“Nós temos um custo financeiro, hoje, em torno de 18% a 20% ao ano para investimentos maiores, já que a nossa taxa Selic está em 14,75%. Isso acaba gerando muita dificuldade para que os produtores realizem grandes investimentos, já que eles precisarão ter uma taxa de retorno muito boa para conseguir pagar os fi nanciamentos”, explica. Este poder financeiro reduzido dos produtores também impacta a indústria do ramo, que acaba diminuindo seus investimentos na pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos. (Jornal da Manhã)
FAO alerta para risco de inflação de alimentos
Os navios que transportam insumos agrícolas terão que começar a atravessar o Estreito de Ormuz o mais rápido possível para evitar o risco de uma disparada na inflação global dos alimentos ainda neste ano, o que poderia desencadear uma série de efeitos semelhantes aos da crise da pandemia de covid-19. O alerta foi feito por representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
“O tempo está se esgotando, e os calendários de safras colocam os países mais pobres em maior risco de escassez e alto custo de fertilizantes e insumos energéticos”, afirmou o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, em um podcast produzido pela entidade.
Entre 20% e 45% das exportações de insumos usados na agricultura no mundo passam pelo Estreito de Ormuz, segundo a FAO.
“A última coisa que queremos é uma menor produtividade agrícola e preços mais altos das commodities e inflação de alimentos no próximo ano”, acrescentou Torero, observando que a continuidade do bloqueio forçaria os países a implementar políticas para reduzir os preços dos alimentos. Isso acarretaria aumento das taxas de juros e, consequentemente, um potencial crescimento econômico mais lento em todo o mundo.
O último Índice de Preços de Alimentos da FAO, referente a março, mostrou-se relativamente estável graças à ampla oferta da maioria das commodities alimentares, especialmente cereais.
Porém a FAO alertou que a pressão sobre o índice está aumentando em abril e se intensificará em maio, à medida que os agricultores tomarem decisões sobre se devem ou não mudar as opções de plantio para se adaptarem à disponibilidade de fertilizantes. Ou se devem alocar mais terras e recursos para biocombustíveis para se beneficiarem dos preços mais altos do petróleo, mas restringindo a oferta global de alimentos.
“Estamos em uma crise de insumos; não queremos que se torne uma catástrofe”, disse David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, que participou do podcast.
Segundo a FAO, os riscos para a produção de alimentos são consideravelmente maiores do que em 2022, e as condições estão presentes para uma “tempestade perfeita” caso a situação atual seja também afetada por um El Niño forte, que rivalize ou supere a crise da pandemia. (Valor Econômico)
FIERGS critica proposta do governo e cobra responsabilidade no debate sobre jornada de trabalho
O governo federal formalizou, em regime de urgência constitucional, o envio ao Congresso Nacional do Projeto de Lei n° 1.838/2026, que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, assegura dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial — medida que, na prática, extingue a escala 6x1.
A FIERGS manifesta profunda preocupação com a forma e o momento em que a proposta foi apresentada. Trata-se de uma mudança estrutural nas relações de trabalho, com impactos amplos e duradouros sobre a economia, que está sendo encaminhada de forma açodada, sem o devido debate com a sociedade e o setor produtivo — especialmente em um contexto de ano eleitoral.
Não é de hoje que alertamos para os efeitos negativos de uma medida dessa magnitude. Estimativas indicam que a redução da jornada para 40 horas pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com trabalhadores formais no país, o que representa um aumento de até 7%. Na indústria, o impacto seria ainda mais severo, com crescimento de aproximadamente 11% nas despesas — o equivalente a R$ 88 bilhões. Estudos do IBRE/FGV apontam, ainda, risco de queda de até 11,3% no PIB.
Cabe destacar que o Brasil já opera, na prática, com uma média de aproximadamente 39 horas semanais de trabalho, resultado de negociações coletivas, especificidades setoriais e estratégias empresariais. O atual limite legal de 44 horas oferece a flexibilidade necessária para acomodar as diferentes realidades econômicas do país — algo que a proposta do governo ignora completamente.
Além disso, a legislação vigente já permite a redução e reorganização da jornada por meio de negociação coletiva, respeitando as particularidades de cada setor, região e atividade econômica. Ao impor uma regra uniforme, o governo desconsidera essa diversidade e compromete a capacidade de adaptação das empresas.
A FIERGS alerta que medidas dessa natureza tendem a pressionar o custo de produção, impactar preços de bens e serviços, gerar efeitos inflacionários e, sobretudo, prejudicar a geração e manutenção de empregos formais.
Diante disso, é inaceitável que um tema tão sensível e complexo seja tratado com tamanha pressa. O país precisa de um debate sério, técnico e responsável, baseado em evidências e com ampla participação da sociedade — e não de decisões precipitadas que colocam em risco a competitividade da economia brasileira. (FIERGS)
Jogo Rápido
MILHO/CEPEA: Indicador segue estável, na casa dos R$ 69/sc
Os preços do milho permaneceram na casa dos R$ 69,00 por saca de 60 kg em quase todo este mês, mesmo registrando pequenas quedas no mercado interno nos últimos dias. Segundo pesquisadores do Cepea, os recuos foram influenciados pelo baixo interesse de compradores, que se mantiveram cautelosos nas negociações. Parte desses agentes relata ter estoques, além de aguardar baixas mais expressivas nos próximos dias. Já vendedores, atentos à demanda enfraquecida, apresentaram maior interesse nas negociações, chegando, em alguns momentos, a reduzir os valores ofertados. De acordo com o Cepea, isso é reflexo da queda cambial, que reduz a paridade de exportação, do avanço da colheita de safra verão e do retorno das chuvas em partes das regiões produtoras de segunda safra, que devem beneficiar o desenvolvimento das lavouras. (CEPEA VIA TERRA VIVA)