Porto Alegre, 16 de abril de 2026 Ano 20 - N° 4.612
Alta do combustível e colheita da safra puxam aumento no valor do frete
Repasse da alta do petróleo ainda é parcial, mas volatilidade mantém defasagem em valores cobrados por caminhoneiros
O frete rodoviário aumentou cerca de 5% em março, de acordo com o Índice Frete.com de Preços, o IFP, depois de um período de queda no início do ano.
De acordo com Charles Monteux, executivo da Frete.com, os números são reflexo de uma combinação de fatores: aumento do preço do diesel, reajuste na tabela NTT de frete e safra agrícola.
Apesar de dizer que ainda é cedo para afirmar o grau de influência da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã no preço do frete, Roberto Jr, gerente de Inteligência de Negócios da Frete.com, analisa que o aumento do petróleo já impacta o óleo diesel, “mas o repasse ainda está sendo parcial e depende do time de reajuste nas bombas, da safra e do equilíbrio entre oferta e demanda”.
O preço do diesel apresentou variação significativa nas últimas semanas, com 13,9% de aumento em março segundo o IBGE. Alan Medeiros, assessor institucional da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA),diz que as medidas recentes do governo, como zerar o PIS/Cofins, atenuarem a situação, mas a volatilidade no preço do combustível mantém defasado o valor cobrado por caminhoneiros.
O relatório aponta concentração regional de caminhões. O Sudeste lidera com um volume de 38,68% de fretes, seguido pela região Centro-Oeste, com 26,90%, em crescimento de 61,7% em relação ao último trimestre de 2025, devido ao período de colheita da safra.
O levantamento aponta que o agronegócio brasileiro lidera o aumento do frete no país, com alta de 5,8% na comparação anual entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. A indústria vem em seguida, com alta de 4,7%, à frente da construção civil (4,3%).
O estudo alerta para o estrangulamento logístico ocasionado pela deficiência da malha rodoviária brasileira. Lauro Valdivia, assessor técnico da NTC&Logística, afirma que mesmo existindo outras maneiras de transportar as cargas e produtos, esses gargalos logísticos afetam o desempenho de todo os setor de transporte. “De qualquer jeito, mesmo que você use uma ferrovia, use uma hidrovia ou até um avião, você depende do caminhão para fazer ou a primeira ou a última milha”, afirma.
Outro problema enfrentado pelo setor de transporte rodoviário é a falta de mão de obra, já que, segundo Valdivia, existem hoje mais cargas do que motoristas disponíveis no mercado. Esse fator impacta diretamente no preço do frete, provocando aumentos pela falta de oferta.
Diante desse cenário, a expetativa é que “o preço do frete não baixe tão cedo”, de acordo com o coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, Vladimir Maciel. Segundo o economista, vivemos hoje um momento de incertezas no Oriente Médio, o que interfere diretamente no preço do petróleo e, consequentemente, no preço do diesel, utilizado pelos motoristas. Espera-se que mesmo com os problemas logísticos e a falta de mão de obra que acentuam o custo Brasil, o setor continue aquecido nos próximos meses, principalmente graças às boas safras da agricultura. (Valor Econômico)
EMBRAPA/CILEITE: Boletim de Preços Mercado de Leite e Derivados - Março de 2026
Os preços de leite e derivados seguiram em recuperação ao longo de março de 2026. O mercado de leite spot registrou nova alta nas duas quinzenas do mês, refletindo menor oferta de leite cru e continuidade do movimento de repasse no mercado atacadista. Os preços de leite UHT, queijo muçarela e leite em pó avançaram em relação ao mês anterior, em um ambiente de mercado mais firme e remarcações de preços no atacado. Isso acabou sustentando repasses no campo, em um momento de entressafra do leite brasileiro. No entanto, o volume importações segue elevado e o ambiente internacional é de incertezas neste ambiente de conflito EUA-Irã, o que demanda atenção e cautela nos próximos meses.
As sinalizações dos Conseleites apontaram variações positivas em todos os estados analisados. O movimento indica continuidade da recuperação de preços ao produtor, com projeções de alta mais expressivas do que as observadas no mês anterior. Paraná apresentou a valorização mais forte, seguido por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais.
Em março de 2026, o mercado pecuário manteve a trajetória de valorização nos preços. A alta na arroba do boi foi sustentada pela oferta restrita de animais para abate e pela demanda firme, com exportações em bom ritmo. No mercado de reposição, os preços do bezerro seguiram em alta, refletindo a menor disponibilidade de animais. O milho também apresentou valorização em março, em um contexto de preocupações com a segunda safra. Já o farelo de soja recuou ao longo do mês, em um ambiente de maior oferta e valorização do real frente ao dólar. No cenário macroeconômico, a taxa de câmbio permaneceu bem abaixo da observado no mesmo período do ano passado, enquanto as expectativas para o PIB de 2026 seguiram em leve melhora ao longo do mês.
Informativo mensal produzido pelo Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite.
Autores: Glauco R. Carvalho, Luiz A. Aguiar de Oliveira e Samuel José de M. Oliveira.
Colaboração: Henrique Sales Terror e Caio Prado Villar de Azevedo (graduandos da UFJF).
Nota: as variações mostradas acima nos gráficos são do preço de fechamento do mês contra o período citado.
Startup de SC é eleita Global Winner no South Summit Brazil 2026
Há algo de profundamente simbólico quando uma startup nascida no interior de Santa Catarina atravessa o mundo e volta com o maior reconhecimento possível.
Não apenas pelo troféu em si, mas pelo que ele representa. Maturidade de ecossistema, consistência de propósito e, principalmente, clareza sobre o que realmente importa.
Pra minha felicidade, e orgulho ainda maior, essa história vem da Serra Catarinense, de Lages, minha terra natal.
A Scienco Biotech fez exatamente isso ao conquistar o título de Global Winner no South Summit Brazil 2026, um dos maiores encontros de inovação do planeta, com mais de 2.378 startups participantes. Um feito que, nas palavras da própria CEO, carrega tanto surpresa quanto convicção.
“Foi uma surpresa enorme, mas também uma felicidade e um reconhecimento muito significativo. Ser escolhida como Global Winner nos deixou extremamente lisonjeados e reforçou que estamos no caminho certo”, afirma Maria de Lourdes Borba Magalhães.
Mas o que parece um salto internacional começa, na verdade, com raízes muito bem fincadas.
A história da empresa remonta a 2016, dentro do Centro de Ciências Agroveterinárias da UDESC, num momento em que o ecossistema de inovação catarinense ainda estruturava suas primeiras engrenagens. Não havia glamour. Havia edital, tentativa e, principalmente, construção.
“O primeiro edital que conhecemos foi o Sinapse da Inovação, que foi fundamental nesse processo. Foi através dele, com a iniciativa da FAPESC, que a empresa de fato surgiu”, relembra Maria.
Sem laboratório próprio, a Scienco nasceu na intersecção entre universidade, parque tecnológico e vontade de fazer acontecer. A parceria com o Orion Parque Tecnológico foi decisiva para transformar ideia em experimento e experimento em produto.
Ao longo dos anos, novos fomentos permitiram algo essencial. Autonomia. A criação do próprio laboratório dentro do parque tecnológico não foi apenas um avanço estrutural, foi um marco de independência científica.
E há um detalhe que diz muito sobre o DNA da empresa.
“Hoje, a empresa é composta por cinco colaboradoras, todas mulheres, além dos sócios. Isso reforça o protagonismo feminino dentro da ciência e do empreendedorismo.”
Programas como o Mulheres Mais Tech, da FAPESC, e reconhecimentos como o prêmio da FINEP ajudaram a viabilizar não só a estrutura, mas uma cultura onde ciência, diversidade e execução caminham juntas.
Em 2021, a criação da spin-off DairyTech, ao lado do professor Gustavo Felippe da Silva, marca uma inflexão clara. Sair da pesquisa e entrar definitivamente no jogo de mercado.
O resultado veio rápido.
Em 2022, nasce o MilkTest A2, uma tecnologia que resolve um problema complexo com uma simplicidade quase desconcertante.
Enquanto a identificação do leite A2 tradicionalmente depende de genotipagem, cara, demorada e inacessível para muitos produtores, o teste desenvolvido pela Scienco entrega o resultado em minutos, a partir de poucas gotas.
“Muitas vezes, a inovação está na simplicidade. Resolver uma dor real de mercado, de forma prática e acessível, pode gerar um impacto enorme tanto na saúde quanto na economia.”
Essa frase não é só reflexão. É estratégia.
A tecnologia não demorou a cruzar fronteiras. Hoje, a Scienco exporta para países como Nova Zelândia, Portugal, Coreia do Sul e Colômbia. Mercados exigentes, maduros e altamente competitivos.
Na Nova Zelândia, há um símbolo ainda mais forte. A parceria com a The A2 Milk Company, referência global no segmento.
Estar dentro da cadeia de um player que praticamente criou a categoria A2 não é apenas validação técnica. É chancela de mercado.
Apesar da expansão internacional, o olhar da empresa continua voltado para casa.
“Nosso grande sonho é tornar Santa Catarina o primeiro estado 100% A2 do Brasil, utilizando uma tecnologia desenvolvida dentro do próprio ecossistema de inovação catarinense.”
É aqui que a história ganha profundidade. Porque não se trata apenas de vender um produto, mas de transformar uma cadeia produtiva inteira. Do produtor à indústria. Da saúde ao consumo.
Ganhar o South Summit não é o ponto final. É um espelho.
Um reflexo de um ecossistema que funciona, de instituições como a UDESC que formam e conectam, e de uma região que começa a se consolidar como polo de geração de tecnologia aplicada.
E, talvez mais importante, um lembrete incômodo para muita gente no mercado.
Inovação não é, necessariamente, sobre complexidade.
Às vezes, é sobre enxergar o óbvio que ninguém resolveu ainda e ter coragem de fazer simples, bem feito e escalável.
A Scienco Biotech entendeu isso.
E o mundo, agora, também. (Economia SC)
Jogo Rápido
SOJA/CEPEA: Farelo e grão seguem firmes no exterior; óleo opera em queda
A demanda internacional aquecida sustentou os preços externos do farelo e da soja em grão ao longo da última semana. Já o óleo apresentou desvalorização no mercado internacional, influenciado pela queda na cotação do petróleo. No Brasil, de acordo com o Cepea, os valores de todo o complexo soja registraram pequenas quedas na semana passada, pressionados pela maior oferta e pela desvalorização do dólar frente ao Real, contexto que reduz a competitividade das exportações nacionais. Por ora, dados da Secex indicam que o Brasil exportou 14,51 milhões de toneladas de soja em grão em março, mais que o dobro (+105,29%) do volume de fevereiro, mas leve queda de 0,96% frente a março/25. Para o farelo, as exportações seguem intensas. Segundo a Secex, foram embarcadas 1,92 milhão de toneladas em março, um recorde para o mês. Quanto ao óleo, os embarques somaram 176,91 mil toneladas em março, queda de 13,02% em relação ao mês anterior – pesquisadores do Cepea apontam que esse cenário é reflexo da menor demanda de países como Índia e Uruguai, além da ausência da China.(CEPEA VIA TERRA VIVA)