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14/04/2026

Porto Alegre, 14 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.610


Embutidos e produção de laticínios são referência na Serra Gaúcha

A tradição do queijo e do salame da Serra Gaúcha tem um dos seus símbolos na Cooperativa Santa Clara, que completa 115 anos em 2026, em Carlos Barbosa. De acordo com o diretor administrativo e financeiro da cooperativa, Alexandre Guerra, mesmo com a produção hoje espalhada entre as principais bacias leiteiras e de suínos do Rio Grande do Sul, especialmente no Alto Uruguai e Alto Jacuí, a Serra ainda é a referência para os produtos considerados mais nobres na linha de laticínios e embutidos da cooperativa, uma questão de tradição e proteção aos produtores.

Segundo Guerra, saem da fábrica de Carlos Barbosa os chamados queijos de massa dura, requeijões, fondues e cremes. Na fábrica de embutidos e cozidos, como salames, a cooperativa investe para dobrar a capacidade de produção neste ano. 

A aposta nos chamados produtos nobres é uma das fórmulas da cooperativa para enfrentar um cenário já desafiador e que pode se tornar ainda mais nebuloso com o acordo entre Mercosul e União Europeia. 

“Chegamos a 360 milhões de litros produzidos em 2025 e temos um mercado interno no Brasil ainda muito grande. O problema é que este mercado brasileiro não oferece as melhores condições a quem produz aqui. Neste último ano, conseguimos aumentar em 14% a produção leiteira e em 50 novos produtores associados à cooperativa, no entanto, nos últimos 10 anos, a cadeia produtiva achatou de 80 mil para 30 mil famílias no Rio Grande do Sul. 

Precisamos de apoio e proteção governamental a esse produtor, porque ele investe e já garante um padrão de qualidade da União Europeia, mas em condições de competitividade, desiguais em relação ao Mercosul”, aponta Guerra. Segundo ele, até a metade do último ano a produção leiteira rentabiliza para o produtor. Desde então, porém, o cenário ficou mais desafiador, especialmente pelos preços baixos com que entram no mercado brasileiro os produtos lácteos dos países vizinhos. 

Ao mesmo tempo em que a cadeia produtiva do leite reduziu a menos da metade no Estado, a entrada de produtos do Mercosul saltou de 4% para até 10% de todo o disponível no País. (Jornal do Comércio)


Mais vacas, menos fazendas: o novo retrato do leite na Argentina

Os dados mais recentes do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), com base em registros do Senasa, mostram um movimento que vem se repetindo ao longo dos últimos anos: o número de fazendas leiteiras continua em queda, enquanto o total de vacas segue em crescimento.

Os dados mais recentes do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), com base em registros do Senasa, mostram um movimento que vem se repetindo ao longo dos últimos anos: o número de fazendas leiteiras no país continua em queda, enquanto o total de vacas segue em crescimento.

Em março de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve uma redução de 2,57% nas unidades produtivas. No mesmo intervalo, o número de vacas aumentou 1,14%, o equivalente a mais de 17 mil cabeças em um ano. O dado revela um descompasso entre a quantidade de fazendas e o tamanho do rebanho, indicando que a atividade está sendo sustentada por estruturas produtivas maiores.

Tabela 01 - Número de animais total

Tabela 02 - Número de animais

Esse movimento também aparece quando se observa a média de animais por fazenda. Atualmente, cada unidade conta com cerca de 170 vacas, número superior ao registrado no ano anterior. Ainda que o relatório não proponha interpretações, os dados mostram que, mesmo com menos unidades em operação, o volume de animais por propriedade segue aumentando.

Tabela 03 - Número médio de animais por fazenda

Ao longo dos últimos meses, a trajetória do número de vacas em ordenha vinha acompanhando a redução das fazendas. No entanto, em março deste ano, houve um incremento expressivo, com mais de 50 mil vacas em relação ao mês anterior. Trata-se de um ponto fora do padrão recente, cuja continuidade ainda dependerá da evolução dos próximos dados.

A distribuição das vacas entre as fazendas reforça essa dinâmica de forma ainda mais clara. As propriedades com mais de 500 vacas representam apenas 6,6% do total, mas concentram 28,3% de todo o rebanho e respondem por mais de um terço da produção de leite do país. No outro extremo, as fazendas com menos de 100 vacas somam 33,2% das unidades, mas têm apenas 8,6% das vacas e participam com menos de 10% da produção total.

A concentração também se observa no aspecto geográfico. A chamada Região Central — formada por Santa Fé, Córdoba, Buenos Aires e Entre Ríos — reúne a grande maioria das fazendas e praticamente todo o rebanho em produção no país, consolidando-se como o principal polo leiteiro argentino.

Os dados do OCLA, portanto, desenham um cenário consistente: menos fazendas, mais vacas e um aumento no número médio de animais por unidade produtiva. Trata-se de uma mudança estrutural que se evidencia ao longo do tempo e que redefine o perfil da produção de leite na Argentina.

As informações são do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint e pelo Sindilat/RS. 

Justiça Federal suspende multas da ANTT relacionadas ao preço mínimo de frete

A Justiça Federal de São Paulo suspendeu, a pedido de uma transportadora e uma fabricante de produtos de higiene e limpeza, autos de infração e a cobrança de multas relacionadas ao preço mínimo de frete. Trata-se, segundo especialistas, da primeira decisão no país a apreciar as alterações trazidas pela Medida Provisória (MP) nº 1.343, editada em março.

A MP instituiu um novo sistema de multas e sanções e ampliou a fiscalização do piso do frete rodoviário. A norma prevê multas elevadas, de até R$ 10 milhões por operação, e a possibilidade de suspensão ou cancelamento do registro de transportadora.

A decisão (tutela de urgência) foi proferida pelo juiz Carlos Alberto Loverra, da 1ª Vara Federal de São Bernardo do Campo (SP). Para ele, o risco de dano é evidente, uma vez que as empresas acumulam 247 autuações desde outubro de 2025, que somam cerca de R$ 129 mil. (Valor)


Jogo Rápido

Produção de leite concentrada: número de produtores está caindo, mas a captação aumentando
Confira a entrevista do Pesquisador da Embrapa, Paulo Martins para o canal DBO clicando aqui. (DBO via youtube)