Pular para o conteúdo

01/08/2022

Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 01 de agosto de 2022                                                        Ano 16 - N° 3.714


Produção de queijo ganha força em solo gaúcho
 
A Pesquisa de Orçamentos Familiares feita periodicamente pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE) indica que 10% dos laticínios consumidos pelos brasileiros correspondem aos queijos. O mais consumido é o queijo muçarela, principalmente em regiões como Sudeste e Sul, com alta influência da colonização italiana. 
 
Mais recentemente, entretanto, o olhar do brasileiro tem se ampliado para os queijos especiais e até mesmo para um paladar gourmet deste alimento. O consumo per capita nacional ainda está distante daquilo que a indústria considera ideal, mas tem espaço para o crescimento. Em média, conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq), o cidadão brasileiro consome de 5 quilos a 5,5 quilos de queijo por ano. Este volume é bem menor do que o apurado em países do Mercosul, como a Argentina, onde chega a 12 quilos, e o Uruguai, onde está entre 7 e 8 quilos. 
 
O diretor de comunicação externa da Lactalis do Brasil, Guilherme Portella, avalia que o paladar nacional começa a despertar para os queijos de alta qualidade e especiais. O grupo é líder na captação de leite no Brasil, com 19 unidades produtivas em oito estados, incluindo o Rio Grande do Sul. A marca principal da Lactalis no Brasil é a francesa Président, tanto nos queijos commodities (muçarela e prato), como em produtos especiais como o camembert, o brie e o holandês maasdam. “Estamos trabalhando para ambientar o brasileiro com novos paladares, porque aqui o queijo mais preferido é o muçarela, ao contrário dos países da Europa, onde o olhar é mais aberto para outros tipos”, comenta Portella.
 
O executivo, que também, é presidente do Sindicato dos Laticínios e Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), explica que a estratégia para esta “ambientação” está no porcionamento dos queijos diferenciados para serem comercializados nas grandes redes de varejo. “O porcionamento tem permitido ao consumidor o acesso a queijos que em peça inteira são muito caros. São os chamados tamanhos mágicos, em que o consumidor pode adquirir fatias de bons queijos, como o emental, por exemplo, a partir de R$ 15,00”, observa. No Rio Grande do Sul, particularmente, a produção de queijo acordou o interesse da indústria. 
 
A Cooperativa Languiru mantém projeto de estudo para a instalação de uma queijaria ao longo dos exercícios de 2022 e 2023, anexa à unidade industrial de processamento de leite, em Teutônia. O investimento será de mais de R$ 30 milhões, com capacidade inicial de processamento de 200 mil litros/dia, dando origem a queijos tradicionais (muçarela, prato, colonial, requeijão e queijo coalho). A Dália inaugurou no mês de junho, no município de Arroio do Meio, sua unidade de produção de queijos, na qual pode processar até 12 toneladas/dia do alimento, a partir do recebimento de 120 litros de leite. 
 
O secretário executivo do Sindilat, Darlan Palharini, reconhece que o interesse pela produção de queijos no Rio Grande do Sul aumentou não apenas na forma de pequenas e médias queijarias, atividade muito arraigada à cultura gaúcha, mas, no interesse de empresas e cooperativas com potencial para produção do alimento em escala. Tradicionalmente, diz o dirigente, a industrialização do leite produzido no Estado esteve voltada para o leite UHT e o leite em pó, ficando a produção de queijo concentrada nas agroindústrias de menor parte. Segundo Palharini, este perfil vem mudando nos últimos 10 anos e, especialmente, nos últimos dois anos, em que se viveu a pandemia. Entre as razões enumeradas pelo secretário executivo para este movimento estão o melhor conhecimento do mercado dos queijos, as vantagens competitivas da atividade e a possibilidade de valorização do produtor. 
 
No que diz respeito ao mercado, Palharini indica que ele é promissor tanto nacional quanto internacionalmente. "Desde os queijos fatiados, como o muçarela, até os especiais, há consumo para absorver a produção dentro do Estado, na venda para o restante do Brasil e para os países nossos vizinhos, Argentina e Uruguai, onde o consumo é maior", analisa. 
 
Darlan Palharini aponta que, na cadeia produtiva do leite, a fabricação de queijo tem benefícios inegáveis, como a possibilidade de melhor remunerar o produtor (o leite usado com este fim tem de apresentar melhor qualidade, com índices de sólidos e gorduras diferenciados, o que torna o produtor candidato à bonificação) e de aproveitamento de um subproduto de grande valor de mercado: o soro do queijo, apto para diversas aplicações, das bebidas lácteas à alimentação animal. 
 
Queijaria mais antiga do Rio Grande do Sul, a Cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, com mais de um século de existência, aposta na tendência de crescimento. O diretor da cooperativa, Alexandre Guerra, lembra que a pandemia do Covid-19 consolidou novos hábitos entre os consumidores. “Ele (o consumidor) habituou-se a cozinhar mais em casa, mas está disposto a pratos fáceis de preparar e práticos”, comenta Guerra, ao exemplificar que pesquisa Kantar/Ibope indicou que o consumidor quer investir cerca de 20 minutos na preparação de uma refeição. O levantamento, diz ainda, demonstra que na pandemia o consumo de sanduíches cresceu 34% e isso acabou tornando-se uma rotina, dando espaço para o consumo de queijos fatiados, salames, temper cheese, requeijão e outros ingredientes. (Correio do Povo)


Aumento da renda deve estimular gasto com lácteos
 
Uma projeção que soma dados sobre a evolução da renda dos brasileiros ao comportamento de compra indica que o gasto das famílias com alimentos no país poderá crescer 8% entre 2022 e 2027, chegando R$ 770 bilhões. Paralelamente, o desembolso com produtos lácteos também deverá aumentar, mas em um menor ritmo.

O levantamento do economista Daniel Duque, especialista em renda do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV), elaborado para o Valor, mostra que o gasto com lácteos entre este ano e 2027 poderá subir 5,6%, para R$ 55 bilhões. O gasto com alimentos cresce à medida que o poder de compra aumenta. Segundo a projeção, que usa dados atuais do Fundo Monetário Internacional (FMI), a renda média anual per capita no Brasil em 2022 é de US$ 14,799 mil, quase 1% a mais do que no ano passado. Para 2027, o avanço da renda média pode ser de 5,6%, alcançando US$ 15,634 mil. 

Em geral, a cada ponto porcentual a mais na renda média, há acréscimo de 0,8 ao que já era gasto em alimentação. Hipoteticamente, portanto, se a renda sobe 10%, de R$ 2 mil para R$ 2,2, os gastos com alimentação saem de R$ 500 para R$ 540. O comportamento de compra é um retrato obtido com ajuda da Pesquisa de Orçamento Familiar, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “A projeção sobre a relação de renda e do consumo de alimentos costuma ser estável. O ponto chave é a projeção do PIB per capta. 

Tudo pode acontecer com a renda no Brasil nos próximos anos”, diz Duque. Migração de marcas De acordo com o retrato, a participação do segmento de laticínios nos desembolsos com alimentos no período pode cair de 7,24% para 7,13%. Vale dizer que o levantamento considera constante de preços, com base de 2022, e portanto retrata avanço de poder de compra, que pode resultar em aumento de volume de produtos ou mudança de qualidade - migração de marcas. Diante do horizonte nublado para a renda, os laticínios têm uma série de desafios ao longo dos próximos anos. Essas empresas trabalham de olho no potencial do consumo de leite per capita, mesmo que os avanços tenham sido fracos na última década - e com um cenário de inflação atual que esfria o consumo. O brasileiro consome cerca de 172 litros de leite por ano, indica pesquisa recente do Departamento de Agronegócio da Fiesp, volume ainda bem inferior ao absorvido no mercado americano, de 327 litros a cada ano. Na Europa, são 233 litros ao ano e, na Argentina, 265 litros. 

Grandes indústrias, como o Laticínio Bela Vista, dono da marca Piracanjuba, líder em captação de leite no país, estão mantendo as estratégias de olho em médio e longo prazos. Entre as apostas da companhia estão os queijos, bebidas proteicas e itens de nutrição infantil. Uma nova fábrica em construção no Paraná vai possibilitar que a companhia leve os queijos da marca a regiões onde a comercialização do item é ainda incipiente, como o mercado paulista por exemplo, diz Lisiane Campos, gerente de marketing da Bela Vista. 

A nova unidade deverá ficar pronta em 2024. Por ora, os queijos Piracanjuba são vendidos em regiões do Centro Oeste, a partir da fábrica de Bela Vista de Goiás (GO). “Não temos condições ainda de expandir a atuação porque esses produtos exigem logística refrigerada”, explica. A intenção é atender o mercado nacional. Como o leite líquido é commodity, a Piracanjuba, com receita de R$ 6,4 bilhões em 2021, vem diversificando bastante nos últimos anos para ganhar espaço e valor agregado. Nesse segmento, quanto mais variado for o portfólio que agrade o consumidor, melhor. Em meio ao extenso portfólio setorial, os queijos são aposta já citada por outras companhias porque vêm ganhando fôlego, apesar dos preços. Trata-se do derivado que, na década passada, mais ampliou sua participação no volume de derivadosproduzido pela indústria e no valor faturado por esse elo da cadeia com as categorias de lácteos. Segundo a pesquisa da Fiesp, em volume, a participação de queijos cresceu de 27,8%, em 2010, para 38,7% em 2019, enquanto em valor saiu de 21% para 27%. A Abiq, que reúne as indústrias do setor, já projetou que o consumo per capita pode sair de 6 quilos para 7,5 quilos em dez anos. (Valor Econômico)

Festiqueijo termina com público histórico de mais de 100 mil visitantes, em Carlos Barbosa

A 31ª edição do Festiqueijo chegou ao fim neste domingo (31), em Carlos Barbosa, com números históricos. Realizada nos cinco finais de semana de julho, a festividade atraiu mais de 100 mil pessoas — um recorde. Do público, mais de 32 mil foram pagantes, em que aproveitaram o cardápio do Salão Paroquial da Igreja Matriz, e outros 70 mil passaram pela Vila das Etnias, novidade desta edição, com entrada gratuita. 
 
— Este foi o Festiqueijo dos reencontros e da inovação. Conseguimos levar o Festiqueijo para a rua com a realização de atrações paralelas gratuitas, o que trouxe um público ainda maior para a cidade — comemora o presidente do festival, Cláudio Chies. 
 
O evento também conseguiu números históricos no consumo. Além de 5,1 mil quilos de queijo, os visitantes que passaram pelo Salão Paroquial da Igreja Matriz de Carlos Barbosa consumiram 2,1 mil quilos de galeto, 631 quilos de salsichão e 35 mil pastéis, além de mais de 34 mil garrafas de espumantes e 12,5 mil garrafas de vinhos. 
 
 — Nós superamos muito a previsão. Foi além da nossa expectativa. Ultrapassamos muito a previsão de consumo — conta o secretário municipal de Desenvolvimento Turístico, Indústria e Comércio de Carlos Barbosa, Fabio Rogerio Basso.
 
Um destaque da edição de 2022 foram as excursões. O festival da Serra recebeu mais de 300 grupos de turistas de outras regiões do Rio Grande do Sul, além de estados como Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
 
O 31º Festiqueijo contou com 24 expositores, considerando 10 queijarias, nove vinícolas e espaços variados, que ofereceram uma seleção de seus melhores produtos, tudo à disposição do visitante. O cardápio incluiu mais de 40 tipos de queijos e suas variações, 30 rótulos de vinhos e 25 de espumantes, sucos de uva, água, refrigerante, café, sorvetes e quatro mesas de buffet com 11 pratos. Além da gastronomia, o evento trouxe mais de 90 atrações artísticas e culturais. 
 
Vila das Etnias permanece após Festiqueijo
A edição de 2022 também foi de ações inéditas, o que trouxe o grande resultado do público. Uma atração bastante elogiada foi a Vila das Etnias. Com 11 casas temáticas e acesso gratuito, a atração homenageou os povos que ajudaram a desenvolver a cidade e a região, como italianos, alemães e poloneses. 
 
Com o sucesso da estrutura, o prefeito de Carlos Barbosa, Everson Kirch, oficializou que a Vila das Etnias permanecerá na Rua Coberta até 6 de janeiro de 2023. Assim, turistas poderão continuar visitando o espaço nos finais de semana. Uma comissão foi criada para coordenar uma programação com diferentes culturas para cada final de semana. 
 
Além de se tornar uma atração da cidade, a Vila das Etnias volta para a próxima edição do Festiqueijo. 
 — Para o ano que vem, pensamos em melhorar toda estrutura que tivemos. Como a inovação da Vila das Etnias, que foi um grande sucesso. A atração fez a diferença neste ano  — destaca Basso. 
Outra atração externa gratuita e paralela ao Festiqueijo foi o Feito em Barbosa. A feira com 28 expositores foi instalada ao lado da Rua Coberta. Lá, visitantes encontraram produtos exclusivamente locais, que contemplaram os setores do vestuário, acessórios, papelaria, brinquedos, artesanato, alimentação, entre outras opções. 
 
O 32º Festiqueijo está confirmado para o período de 30 de junho a 30 de julho de 2023, de sextas a domingos. (O Pioneiro)


Jogo Rápido 

No radar
Assim como no Rio Grande do Sul, no Brasil as cooperativas agropecuárias ajudaram a puxar os resultados do cooperativismo em 2021, que chegaram a R$ 524,8 bilhões, segundo o relatório das Cooperativas do Brasil (OCB). Só no ramo agro, foram R$ 239,3 bilhões, em linha com a combinação de safra farta e preços remuneradores. (Zero Hora)


 
 
 
 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.