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Porto Alegre, 08 de maio de 2017.                                               Ano 11- N° 2.494

 

 Fenasul terá PUB do Queijo

A Fenasul 2017 oferecerá uma nova atração gastronômica ao público que for ao Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. É o PUB do Queijo, uma iniciativa do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) que conta com apoio da Apil, Farsul e Ocergs. A novidade foi lançada oficialmente na manhã desta segunda-feira (08/05), no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, com a presença do governador do Rio Grande do Sul José Ivo Sartori e dos secretários Ernani Polo (Agricultura), Fábio Branco (Casa Civil) e Tarcísio Minetto (Desenvolvimento Rural). O lançamento da Fenasul ainda contou com o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, do secretário-executivo do sindicato, Darlan Palharini, e dirigentes das principais indústrias gaúchas e entidades do agronegócio.

O PUB do Queijo será montado na varanda da Farsul e ofertará os mais diferentes tipos de queijos produzidos pelas indústrias gaúchas. Para completar o menu, os visitantes poderão saborear pratos à base de lácteos elaborados com a grife do chef Joaquim Aita. O objetivo do projeto, explica Guerra, é apresentar ao público toda a diversidade da produção. "Temos produtos de sabor diferenciado e com potencialidades nutricionais e funcionais que muitas pessoas sequer imaginam que existe", ressaltou. Os queijos ofertados serão harmonizados com diferentes bebidas de forma a potencializar seu sabor. O ticket para ingresso no PUB do Queijo dá direito à degustação livre de queijos, embutidos e pratos quentes. O evento ficará aberto de quinta a domingo (25 a 28 /5) das 11h às 22h.

Durante o lançamento da Fenasul nesta manhã, Polo destacou a nova configuração da feira, que chama diversas entidades para a organização de forma efetiva. "Procuramos o envolvimento delas para, além de conhecer ainda mais os benefícios do leite, também valorizar os seus derivados", afirmou, lembrando que o PUB do Queijo é uma inovação e uma tentativa de consolidar a promoção da qualidade dos derivados lácteos produzidos no Estado. O governador Sartori fez referência ao papel do leite na formação da renda dos produtores rurais como uma espécie de "salário mensal". E ainda destacou o empenho do setor em desenvolver o Estado e a qualidade da produção. "O leite de maior qualidade que está sendo produzido no Brasil é do Rio Grande do Sul", ressaltou. Segundo ele, apesar da dificuldade por que passa o RS, a Fenasul é símbolo da união do poder público e da iniciativa privada para levar a exposição a um novo patamar. "É um evento que mostra o Rio Grande que dá certo", concluiu. Ao final do lançamento, os representantes fizeram o tradicional brinde do leite no jardim do Palácio Piratini, no Centro Histórico de Porto Alegre. (Assessoria de Imprensa Sindilat)

 
Foto: Carolina Jardine 
 

 
Produção leiteira no RS registra números positivos no 1º trimestre 

O primeiro trimestre de 2017 foi positivo para a atividade leiteira no Rio Grande do Sul. Pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que a margem bruta unitária (receita subtraída do Custo Operacional Efetivo - COE, que considera todos os desembolsos) do produtor gaúcho quase dobrou - alta de 91% - quando comparado o primeiro trimestre deste ano ao mesmo período de 2016.

Segundo cálculos do Cepea/CNA, a margem bruta unitária das propriedades típicas do Rio Grande do Sul passou de R$ 0, 26 por litro de leite na média de janeiro a março/2016 para R$ 0,50 de litro de leite no primeiro trimestre de 2017. Essa pesquisa leva em consideração as propriedades típicas - que compreendem o modelo de produção que mais se repete dentro de uma determinada região - das bacias leiteiras sul-rio-grandenses de Cruz Alta, Palmeira das Missões, Pelotas e Três de Maio.

Esse resultado positivo ao produtor está atrelado à alta no preço do leite bem mais intensa que a verificada para os custos de produção. Para o leite, os valores têm se sustentado em elevados patamares desde o ano passado, devido ao avanço do período de entressafra no sudeste e centro-oeste do Brasil. No primeiro trimestre deste ano frente ao mesmo período de 2016, o preço do leite pago ao produtor subiu 25,7%. Quanto aos custos, o COE da atividade leiteira subiu apenas 2,3%. No geral, a alta dos custos foi contida pela desvalorização da ração (que tem como base especialmente o farelo de soja e o milho), insumo que mais onera a atividade.

E até quando esse cenário continuará favorável ao produtor? De acordo com perspectivas de agentes do setor, as cotações do leite cru estão em patamares elevados, o que dificulta o repasse desses reajustes da indústria para o consumidor, uma vez que a demanda por lácteos está enfraquecida, em um cenário de menor poder de compra do brasileiro. Desse modo, a valorização do leite cru pode atingir o teto em abril e apresentar estabilidade nos próximos meses.

Por outro lado, os custos de produção podem cair, já que a expectativa é de safra recorde de grãos. Assim, mesmo com estabilidade da receita, as margens podem continuar positivas. Vale ressaltar que as cotações mais atrativas dos concentrados podem, por sua vez, incentivar a maior alimentação do rebanho e reduzir os efeitos da entressafra. Para o produtor gaúcho, que investe em pastagens de inverno neste período, acompanhar a movimentação do mercado de grãos e dimensionar estrategicamente sua produção são fatores importantes para aproveitar o momento positivo e assegurar margens. (por Sergio De Zen, Professor Dr. da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), e pesquisador responsável pela área de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea e Natália Salaro Grigol, Mestre pelo Cena-Esalq/USP e pesquisadora da Equipe Leite do Cepea/Zero Hora)

Custos de produção da pecuária leiteira têm nova queda em abril
 
Os custos de produção da pecuária leiteira caíram em abril. Foi o terceiro mês consecutivo de queda. As quedas nas cotações dos alimentos concentrados energéticos, com destaque para o milho, dos suplementos minerais, dos combustíveis/lubrificantes e dos concentrados proteicos puxaram a redução do custo.

Na comparação com abril do ano passado, os custos de produção da atividade caíram 6,1%. A queda nos custos de produção somada as altas no preço do leite ao produtor melhoraram a margem da atividade desde o começo deste ano (figura 1). (Fonte: Scot Consultoria)

Figura 1. Preço do leite ao produtor versus custos de produção da pecuária leiteira, base 100= janeiro de 2013.

 

 
 

 
Fonterra 
A Fonterra, exportadora de lácteos, confirma sua estratégia a longo prazo no mercado brasileiro e concentra sua atuação em três áreas prioritárias: o desenvolvimento de novos produtos e conceitos; na criação de estratégias de arbitragem de matéria-prima e a otimização de formulações para redução de custos; e na estabilidade do fornecimento, via disponibilidade de estoque local, e na redução da volatilidade de preços por meio de ferramentas de gestão de riscos. Segundo a companhia, esses atributos fazem com que a Fonterra tenha perspectivas otimistas em relação ao Brasil. A unidade brasileira é responsável pelos mercados da Argentina, Uruguai e Paraguai. "O Brasil está entre os quatro países mais promissores do mundo para a companhia. Por esse motivo, reestruturamos a nossa equipe e posicionamento estratégico para expandir nossa atividade aqui, no longo prazo, especialmente com a venda mais especializada e o atendimento ao cliente no setor de inovações", explica Guilherme Nascimento, gerente geral da Fonterra Brasil. (Giro News)
 

Porto Alegre, 05 de maio de 2017.                                               Ano 11- N° 2.493

 

Importações em desaceleração

A balança comercial de lácteos teve um déficit de 11,8 mil toneladas em abril, 12% maior que o apresentado no mês anterior. Em valores, o déficit da balança de lácteos foi de US$ 41,6 milhões.

Gráfico 1. Exportações e importações por categoria de produto. Fonte: MDIC. 
 

Neste mês, novamente as importações de lácteos apresentaram queda, tanto em volume quanto em valor. Em toneladas, a queda foi de 13%, totalizando 13,6 mil toneladas comercializadas e, em valor, queda de 9,7%, com total de US$ 46,9 milhões. Ao analisar em equivalente-leite, o decréscimo das importações foi de 15%, sendo comercializado 99,7 milhões de litros. Com esse cenário, o ritmo de crescimento das importações em relação ao ano passado vem diminuindo, sendo no acumulado janeiro a abril de 17% acima do mesmo período do ano passado. 

O volume importado de leite em pó integral praticamente se manteve em relação ao mês de março. Foram adquiridas 7,6 mil toneladas do produto, valor somente 2% superior ao último registrado. O leite em pó desnatado, por sua vez, teve menor quantidade importada, com expressiva diminuição de 46% e um total de 1,4 mil toneladas, possivelmente explicada pelos altos níveis de estoques no mercado nacional.

Também foram registrados volumes inferiores de manteiga. Neste mês, foram adquiridas 255 toneladas de manteiga, valor 56% menor frente ao de março, sem importações do Uruguai. 

As exportações também foram inferiores às verificadas em março. Em toneladas, o montante total foi de 1,8 mil toneladas, com queda de 64% em relação ao mês passado. (MilkPoint)

 

 
Fenasul/Expoleite será lançada na segunda-feira

A Feira Nacional de Agronegóciosdo Sul (Fenasul/Expoleite)terá o seu lançamento oficial realizadona próxima segunda-feira,às 8h30min, no galpão crioulo do Palácio Piratini. Esta 13ª edição da feira tem um novo formato, com mais atrações, além da realização da 40ª edição da Expoleite, que segue apresentando o melhor da produção leiteira gaúcha e dos seus derivados. Foi criada uma comissão executiva para a organização da feira, que, neste ano, é coordenada pela Federação da Agricultura do Rio  Grande do Sul (Farsul). 

 
O objetivo é tornar a feira mais ampla, para levar mais público ao parque, buscando uma consolidação como um evento múltiplo, sem perder também o caráter de divulgação das ações da cadeia leiteira gaúcha." Temos convicção de que a feira, agora com um novo formato, terá uma valorização ainda maior, com a participação de entidades parceiras, cada uma com sua contribuição, dando uma conotação moderna à Fenasul, com o objetivo de promover os produtos derivados o leite, sem perder o foco na produção. Nossa meta é consolidar um novo evento também de grande porte no Parque de Exposições Assis Brasil, levando mais público a esta que é uma das grandes feiras agropecuárias do Estado", ressalta o secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo. Uma das novidades da Fenasul neste ano será através de ação do Instituto Rio Grandense do Arroz(Irga), que pretende bater um recorde inusitado. A autarquia está planejando produzir o maior arroz de leite do Brasil.
Neste ano também haverá a participação de bovinos, caprinos, equinos, feira de agricultura familiar, festival de queijos, feira de terneiros e vaquilhonas, feira de pequenos animais, realização de seminários técnicos, máquinas e equipamentos agrícolas, praça de alimentação e também a realização do Rodeio Fenasul, organizado pela Federação Gaúcha de Laço, além de shows especiais. (Jornal do Comércio)

 Demanda global impulsiona comércio de queijos

As exportações de queijo pelos quatro maiores fornecedores globais de leite do mundo (Austrália, União Europeia, Nova Zelândia e EUA) cresceram 5% para 1,59 bilhão de quilos em 2016 em relação ao ano anterior. Esses 5% representam um adicional de 76,2 milhões de quilos de queijo, cerca de 725,74 milhões de quilos de leite. É muito cedo para afirmar definitivamente que o crescimento do ano passado se repetirá em 2017, mas as tendências de demanda sugerem que números sólidos de comércio de vendas são prováveis por algum tempo ainda.

demanda por queijos no mundo 
Os mercados em desenvolvimento estão no centro da oportunidade. Diversos mercados emergentes estão alcançando o ponto em que o queijo progride de uma novidade para um alimento conhecido, aceito e preferido. Os consumidores, cada vez mais familiarizados com as aplicações e os gostos do queijo, estão buscando o produto com mais frequência. Chefs e restaurantes estão ajudando nisso através da criação de pratos que incorporam queijo.

Restaurantes e varejistas estão mudando as filosofias de compra para garantir fornecimento consistente, compra por contrato, ao invés de mercados spot. A expansão contínua das cadeias de serviços alimentícios ocidentais com seus cardápios cheios de queijo continua disseminando as oportunidades de comer queijo nas áreas mais populosas.

A evolução é clara nos dados comerciais de queijos a longo prazo: as exportações de queijo dos quatro principais fornecedores de leite aumentaram 50% desde 2005. Até 2021, o Conselho de Exportações de Lácteos dos Estados Unidos (USDEC) projeta que a demanda impulsione o comércio de queijos em quase 500 milhões de quilos (498,95 milhões de quilos) - em média, um adicional de 99,79 milhões de quilos anualmente. Essa é uma das razões pelas quais o USDEC acredita que o aumento total das exportações de lácteos dos EUA é uma meta viável.

No ano passado, a alta demanda impulsionou fortes vendas de queijos para China/Hong Kong, Sudeste da Ásia, México e Oriente Médio. Os fornecedores de queijos norte-americanos tiveram dificuldades em participar no crescimento das exportações durante boa parte do ano, já que os produtos norte-americanos tinham preços premiums elevados em comparação com o mercado mundial. Mas a demanda interna dos EUA também se manteve forte, oferecendo uma alternativa de exportação conveniente, e os fornecedores dos EUA fecharam 2016 com um aumento de 14% nos embarques de queijo no quarto trimestre.

A concorrência está bem ciente da oportunidade. A Nova Zelândia está investindo para aumentar a participação dos queijos em seu mix de produtos com foco na China. No ano passado, a UE direcionou mais do seu fornecimento de leite para a produção de queijos, mesmo quando a produção de leite se contraiu. No seu último relatório de perspectivas a curto prazo, a Comissão Europeia previu que a produção de queijo aumentará 2% em 2017 e as exportações aumentarão 3%.

Este ano teve um bom começo para os EUA e para a Europa. As exportações dos EUA aumentaram 6% nos dois primeiros meses, e as exportações de queijo da UE em janeiro aumentaram 13%.

Ao mesmo tempo, os preços do cheddar nos Estados Unidos e no mercado internacional continuam caindo, em 10-17% com relação aos picos recentes, um desenvolvimento positivo para a demanda global. O cheddar dos Estados Unidos detém agora uma vantagem de preços em relação à UE e à Oceania, o que é bom para os fornecedores dos EUA que buscam aproveitar a crescente demanda por queijos. (As informações são do http://www.milkbusiness.com, traduzidas pela Equipe MilkPoint)

 

 
Emprego com saldo positivo
O agronegócio gaúcho criou 7.309 postos de trabalho com carteira assinada, número resultante da diferença entre as 24.052 admissões e 16.743 desligamentos ocorridos no mês. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação de Economia e Estatística. O coordenador do Núcleo de Estudos do Agronegócio, Rodrigo Feix, disse que os primeiros meses do ano, que mobilizam mão de obra para a safra, costumam apresentar saldos positivos. (Correio do Povo)
 
 

Porto Alegre, 04 de maio de 2017.                                               Ano 11- N° 2.492

 

Modernização dos serviços de inspeção é pauta de audiência pública

Entidades do setor agropecuário deverão levar ao secretário da Agricultura do Estado, Ernani Polo, questões referentes à modernização dos serviços de inspeção e fiscalização de produtos de origem animal, que foram debatidas durante audiência pública, na manhã dessa quinta-feira (04/05), na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. Vários tópicos foram apontados no encontro da Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado, por proposição dos deputados Zé Nunes (PT), Jeferson Fernandes (PT) e Pedro Ruas (PSOL). 

Representando Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) no evento, o 2º vice-presidente, Raul Amaral, acredita que a modernização é necessária, mas precisa ser debatida com mais profundidade com toda a cadeira. "Precisamos melhorar a participação dos municípios no processo e reduzir a burocracia da fiscalização. O debate foi muito esclarecedor, mas a questão precisa de mais reavaliações". Dentro deste debate, o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, considera importante o diálogo para que sejam encontradas as melhores soluções. "Assim, teremos a velocidade necessária nas fiscalizações dos processos produtivos que não podem parar, pois trabalhamos com produtos perecíveis e de consumo diário", apontou Guerra.

Na reunião, alguns representantes se manifestaram contra a terceirização do serviço, levando em conta o conflito de interesses que supostamente existiria nesse sistema. O deputado Zé Nunes argumentou que é contraditório um agente fiscalizador ser pago por quem ele fiscaliza. "É muito difícil que essa atividade seja efetiva e adequada", afirmou. A colocação foi compartilhada pela presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários do Estado do Rio Grande do Sul (Afagro RS), Angela Antunes, que destacou que o serviço de inspeção do Estado, um dos melhores do Brasil. "Quando falamos em fiscalização agropecuária, falamos em saúde pública, obrigação do Estado e da União", pontuou Angela. 

Reiterando as obrigações públicas, o superintendente do Ministério da Agricultura do RS (Mapa), Roberto Schroeder, lembrou que o novo Regulamento de Inspeção Industrial de Produtos de Origem Animal (Riispoa) define a atividade como exclusiva do fiscal federal agropecuário. "Precisa ser um servidor público independente para fazer essa fiscalização", explicou ele, usando o sucesso da Operação Leite Compen$ado como exemplo de força conjunta de entidades do Estado. "Potencializamos, assim, a segurança a ser levada aos consumidores", concluiu Schroeder. 

Contrapondo as afirmações, o diretor do Departamento de Defesa Agropecuária (DDA) da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapi), Antônio Ferreira Neto, reiterou a necessidade de renovação do sistema gaúcho. "Queremos trazer pro Estado a forma mais moderna para que se possa trabalhar a área de inspeção e a área sanitária animal", assinalou Neto, lembrando que a prioridade atual da Seapi é dobrar o número de municípios atendidos pelo Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf). 

O coordenador técnico da Federação de Associações de Municípios do RS (Famurs RS), Mário Nascimento, alertou que é necessária a maior contratação de médicos veterinários para atuação, lembrando que a entidade não é contra a proposta. "Podemos discutir melhor, mas precisamos nos atualizar", concluiu. Uma nota de repúdio foi entregue à mesa da audiência, assinada por fiscais agropecuários e apoiada pela Afagro. A data da reunião a ser realizada com o secretário de Agricultura do Estado será divulgada posteriormente. (Assessoria de Imprensa Sindilat)

 
Foto: Guerreiro | Agência ALRS
 

 
Incertezas com relação ao NAFTA impulsionam México a buscar novos parceiros comerciais

Em meio às incertezas em torno do futuro do NAFTA o México tem procurado diversificar seus parceiros comerciais. O professor de economia agrícola da Escola Dyson de Economia Aplicada e Gestão da Universidade Cornell, Andrew M. Novaković, PhD, disse que a ação do México de buscar outros parceiros comerciais além dos EUA não é uma ação surpreendente. "A parte assustadora é que o México, com toda essa retórica econômica mais a imigração, está explorando fornecedores alternativos em toda a fronteira e os lácteos são importantes para nós", destacou Andrew. 

Desde que o NAFTA se tornou lei em 1994, as exportações de produtos lácteos dos EUA para o México mais do que quadruplicaram, para US $ 1,2 bilhões, tornando o México o principal mercado de exportação dos Estados Unidos. Isso representou quase um quarto de todas as exportações de lácteos no ano passado, de acordo com dados do Conselho de Exportações de Lácteos do país (USDEC).

No mês passado, os líderes de lácteos dos EUA viajaram para a Cidade do México para reafirmar o valor que veem na manutenção do México como parceiro comercial, ao mesmo tempo em que aconselham o país a ser cauteloso na busca de novos acordos comerciais com outras nações. "Acredito que o México precisa ser esperto em abrir seu mercado para outros fornecedores de lácteos que estão mais interessados em vendas spot do que em uma parceria de longo prazo", disse o presidente e CEO do USDEC, Tom Vilsack, aos líderes mexicanos do setor de lácteos que participaram do National Dairy Forum na Cidade do México.

Argentina é o próximo parceiro comercial
Entretanto, o México trabalhou para finalizar um acordo comercial com a Argentina até o final do ano, disse o vice-ministro de Comércio Exterior do México, Juan Carlos Baker. O presidente da Argentina, Mauricio Macri, também prometeu abrir a economia e o comércio do país latino-americano para o México até o final de 2017. "O potencial está lá. Os exportadores argentinos poderiam encontrar condições atrativas no México". Baker disse que o México não voltará a pagar um imposto de exportação se as exportações aos EUA ficarem restritas. (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint)

EUA: indústria de lácteos aprova apoio ao retorno do leite no lanche escolar

Líderes da indústria de lácteos dos Estados Unidos agradeceram ao recém-confirmado secretário de Agricultura, Sonny Perdue, por reconhecer o importante papel que o leite escolar desempenha em garantir que as crianças recebam a nutrição que precisam. Em uma de suas primeiras ações como secretário de Agricultura, Perdue visitou a Catoctin Elementary School em Leesburg, Virgínia, para anunciar que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) irá implementar regulamentos para permitir que as escolas ofereçam novamente leite com sabor e desnatado (1% de gordura) como parte dos programas de lanche e café da manhã na escola - National School Lunch e School Breakfast. Sob a administração de Obama, o USDA eliminou o leite desnatado com sabor como uma opção de lanche escolar e em programas à la carte. Desde então, o consumo de leite escolar diminuiu, assim como a participação geral no programa de lanche escolar.

"Apenas nos dois primeiros anos após o leite ter sido removido do programa, 1,1 milhão de alunos a menos bebiam leite com seu lanche", disse Jim Mulhern, presidente e CEO da Federação Nacional de Produtores de Leite (NMPF). "A ação do secretário Perdue hoje reconhece que uma variedade de leites e outros alimentos lácteos saudáveis são parte integrante dos programas de nutrição infantil nas escolas".

"Hoje, o secretário Perdue deu um passo importante para trazer de volta os produtos favoritos da lancheira - o leite desnatado com sabor chocolate e sabor morango - que os alunos tinham perdido", disse J. David Carlin, vice-presidente sênior de assuntos legislativos e política econômica para a Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA). "Quando as crianças não bebem leite, é extremamente difícil para elas obter as quantidades adequadas de cálcio, potássio, vitamina D e outros nutrientes que os lácteos fornecem." O USDA publicará uma medida provisória para cobrir as mudanças regulatórias necessárias para permitir o leite com baixo teor de gordura nas escolas. Não está claro quando a mudança será implementada. (As informações são da IDFA, traduzidas pela Equipe MilkPoint)
 

Exportações/AR 
As exportações totais de grãos da Argentina somaram aproximadamente US$ 6,6 bilhões no ano, de acordo com dados do Centro de Exportadores de Cereais da Argentina divulgados pelo Blog AgroSouth News. O resultado é reflexo direto da política de valorização do agronegócio implementada pelo governo Macri, que entre outras medidas acabou com as chamadas "retenciones" (impostos sobre vendas externas). Somente na última semana, as exportações desses produtos alcançou US$ 599,59 milhões, que é 25,15% maior que o mesmo período do ano passado. Portanto, depois de duas semanas de forte retração, as vendas aumentaram. Isso também se deve a uma tendência de valorização do Peso Argentino frente ao Dólar norte-americano. Cerca de 53% das vendas neste ano foram por preços mais altos que no ano passado. Por outro lado, o volume vendido ainda é menor que o do ano passado. (Agrolink)
 

Porto Alegre, 03 de maio de 2017.                                               Ano 11- N° 2.491

 

Atualizações do Riispoa são tema de reunião no Mapa
 
Estabelecimentos terão até um ano para adequar-se a questões que surgiram com o novo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa). Dados sobre o novo decreto, publicado no Diário Oficial da União, no dia 30 de março desse ano, foram apresentados em reunião na manhã dessa quarta-feira (03/05), no auditório da Superintendência do Ministério da Agricultura no Estado (Mapa), em Porto Alegre. O fiscal federal agropecuário e chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal do RS (Sipoa), Leonardo Isolan, e a auditora fiscal federal agropecuária e assessora técnica do Sipoa, Milene Cristine Cé, esclareceram as dúvidas dos 72 representantes de indústrias e de entidades, como Secretaria da Agricultura (SEAPI), a Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios (Apil) e a Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios (AGL).

O presidente do Sindicato das Indústrias dos Laticínios do RS (Sindilat/RS), Alexandre Guerra, e o secretário-executivo, Darlan Palharini, acompanharam os debates no encontro. Guerra ressaltou a relevância da reunião para discutir a modernização do Riispoa, que determina questões importantes para o setor das indústrias lácteas. "É o momento de tirarmos dúvidas com os órgãos competentes para podermos continuar fazendo o nosso melhor trabalho", pontua. 

Para a melhor aplicabilidade do novo Riispoa serão necessárias aproximadamente  120 novas regulamentações que determinam, entre outros, questões referentes aos produtos regidos pelo Sistema de Inspeção Federal (SIF). "É uma novidade não só para os que serão fiscalizados, mas para nós, fiscalizadores, também", afirma Leonardo Isolan. O decreto está dividido em 12 títulos, abordando desde disposições preliminares, no âmbito da aplicação, até as execuções finais e transitórias. De acordo com o fiscal, o antigo decreto estava defasado. "Necessitava-se de algo que pudesse acompanhar uma dinâmica de processo de fabricação de proteína animal", ressalta Isolan, que reforça ainda o fato de que todo estabelecimento que tem SIF está habilitado para exportação aos países que aderem aos critérios brasileiros. "A empresa que deseja exportar deve requerer certificação para a atividade", conclui.

As ações fiscais, como autos infracionais, interdição total ou parcial de processo, apreensão de produto, condenação de produto, suspensão de atividades, entre outras, também foram atualizadas. As infrações são listadas como leves, moderadas, graves e gravíssimas, levando em consideração situações agravantes e atenuantes. Os valores das multas para os autos infracionais vão de R$ 50 mil, no caso das leves, e chegam a R$ 500 mil, quando forem gravíssimas. O decreto antigo tinha limite de valor de multa em R$ 15 mil. A empresa que cometer três desvios gravíssimos dentro do período de um ano sofrerá a cassação do selo SIF.

Um dos pontos destacados por Isolan é a necessidade de regulamentações e aprovações prévias sobre o uso de tecnologias, produtos ou embalagens novas. As empresas devem submeter qualquer item novo às análises laboratoriais e aprovação da fiscalização para, então, registrá-los. Sobre os programas de autocontrole sanitário, o fiscal esclareceu que a responsabilidade de empregá-los será exclusivamente das empresas. "Cabe ao fiscal verificar os procedimentos da empresa, as aplicações e tomar as ações necessárias", finaliza.

Sobre a produção de queijos, Milene Cé esclareceu que, agora, as peças submetidas à maturação deverão conter a data de fabricação na peça, e não mais nas prateleiras ou em outros locais. Essa determinação assegura o controle da data de fabricação e controle de maturação. De acordo com os fiscais, o Sipoa, em conjunto com o Mapa, está elaborando uma cartilha de perguntas e respostas específicas, como questões de transvase, leite cru, e demais orientações, para o melhor entendimento das atualizações do regulamento. O documento será disponibilizado aos associados e o Sindilat ajudará na sua divulgação.  (Assessoria de Imprensa Sindilat)


Crédito da foto: Vitorya Paulo

 

 
Fórum Itinerante do Leite ocorrerá em Palmeira das Missões

Palmeira das Missões (RS) será palco de discussão sobre os mitos e as verdades atribuídas ao consumo e a produção de leite no 4º Fórum Itinerante do Leite. O evento será realizado no dia 1º de junho, na Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato, em celebração ao Dia Mundial do Leite. O lançamento oficial ocorreu na tarde de terça-feira (2/5), na Câmara Municipal de Vereadores. Na ocasião, o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, afirmou que esta edição do fórum será a maior já realizada, com expectativa de 1,5 mil participantes. "Será uma ótima oportunidade de aproximar os produtores, a indústria e a universidade."

O 4º Fórum Itinerante do Leite terá início às 9h, com o painel "Mercado, consumo e inovação". Em seguida, palestrantes e debatedores vão discutir "Gestão, produção e renda". Durante a tarde, a partir das 13h45min, serão disponibilizadas seis oficinas técnicas. As inscrições estarão disponíveis a partir desta quinta-feira (4/5) no site do Sindilat (www.sindilat.com.br). O evento será transmitido ao vivo pelo Canal Rural.

O prefeito de Palmeiras das Missões, Eduardo Freire, que participou do lançamento, acredita que a realização do fórum será importante para a região que, apesar de ser conhecida pela produção de grãos, deve expandir a produção láctea. "Estamos trabalhando em projetos que serão lançados em breve para incentivar a produção de leite e a conscientização dos produtores sobre a importância social do setor", pontuou. Também estiveram presentes o diretor da Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato, Luiz Carlos Cosmam, o secretário de Agricultura de Palmeira das Missões, Olavo José Borges, o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) João Pedro Velho, e da chefe do Escritório da Emater/Palmeira das Missões, Zuleica Magalhães Malheiros.
 
O evento será organizado pelo Sindilat, Farsul, Fetag, Secretaria da Agricultura (Seapi), Ministério da Agricultura (Mapa), Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato e Canal Rural, e terá apoio do Fundesa. Poderão participar produtores, indústrias, instituições, estudantes, acadêmicos e o público em geral. (Assessoria de Imprensa Sindilat)


Crédito: Camila Schmitt/ASC/Câmara de Vereadores de Palmeira das Missões   

 
Mais um ano de avanço "tímido" para o longa vida

Após registrar um crescimento de 1,5% no consumo no país em 2016 ¬ abaixo da previsão inicial de 2% ¬, o segmento de leite longa vida espera mais um ano de avanço tímido, nas palavras de Laércio Barbosa, diretor do Laticínios Jussara, que voltou à presidência da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV). No ano passado, o consumo no Brasil alcançou 6,830 bilhões de litros, e a expectativa da entidade, que reúne empresas do segmento, é de aumento de 2% em 2017. Embora pequeno, o crescimento em 2016 ocorreu, em plena crise, a despeito da forte alta dos preços do leite longa vida em meados do ano em função da queda da oferta de matéria-prima. Essa retração da disponibilidade, aliás, acabou estimulando as importações de lácteos (ver infográfico). 

 
 
Segundo Barbosa, uma explicação para o aumento das vendas é que, justamente em decorrência da crise, as pessoas consumiram mais alimentos em casa. Além disso, ainda que o preço tenha subido, o leite longa vida é um produto de valor relativamente baixo, e seu consumo foi menos afetado que o de produtos de maior valor, como iogurtes e queijos. "Produtos mais baratos tiveram melhor resultado na crise", afirma ele. Mas o leite longa vida não passou incólume, admite a ABLV. A alta dos preços do produto no ano passado fez com que alguns consumidores voltassem a comprar o leite pasteurizado. No entanto, a distribuição do pasteurizado é muito menor atualmente do que a que existia no passado. Enquanto o consumo de longa vida cresceu apenas 1,5%, o faturamento no setor subiu expressivos 17,7%, saindo de R$ 15,3 bilhões em 2015 para R$ 18 bilhões ano passado no Brasil. "O preço subiu mais por isso o faturamento do setor cresceu", observa o presidente da ABLV, que reúne 29 associadas no país. 

A estimativa inicial era de um incremento de 15% em 2016. A expectativa para este ano é de que o faturamento nesse mercado "não seja muito diferente" do de 2016, afirma Laércio Barbosa. A razão é que em 2017 os preços estão mais estáveis, uma vez que a oferta de matéria-prima dá sinais de recuperação ¬ em parte, graças aos menores custos de produção e à melhora das cotações ao produtor¬, após dois anos de queda na oferta. Segundo o IBGE, em 2016, a produção inspecionada recuou 3,7%, para 23,169 bilhões de litros. O presidente da ABLV avalia que "a crise piorou" no país, o que afeta o consumo, mas conta com uma recuperação a partir do segundo semestre deste ano. De acordo com ele, o mercado brasileiro de longa vida teve volumes estáveis no primeiro trimestre. E como não há expectativa de escassez de oferta, como em 2016, os preços médios estão mais estáveis, com viés de baixa, o que "deve ajudar na recuperação". Um estímulo para o consumo, acredita o dirigente, deve vir dos recursos das contas inativas do FGTS, que estão chegando aos bolsos dos consumidores. "A expectativa é de que o mercado comece a melhorar com o dinheiro do FGTS, que deve ir para o consumo", aposta ele. (Valor Econômico)

 
Com Emmi, Laticínios Porto Alegre acelera seus planos de crescimento

A entrada da suíça Emmi no capital da Laticínios Porto Alegre Indústria e Comércio S/A vai permitir à empresa mineira, que tem sede em Ponte Nova, acelerar seus planos de crescimento no país, disse ao Valor, João Lúcio Barreto Carneiro, presidente e um dos fundadores da companhia brasileira. Na sexta¬feira, a Emmi, um dos maiores grupos de lácteos da Suíça, com ações na bolsa de Zurique, anunciou a aquisição de 40% de participação no Laticínios Porto Alegre, por um valor não revelado. Em nota, a empresa suíça disse que "ao realizar esta aquisição no Brasil, reforça sua presença num país que cobiça há muitos anos". Carneiro, que fundou a Porto Alegre em 1991 com seu irmão José Afonso, disse que, com a chegada da Emmi, os recursos para investimentos no crescimento da companhia "estão garantidos". "A empresa fica mais forte, menos dependente de bancos", observou. O projeto de crescimento da Porto Alegre prevê investimentos de R$ 150 milhões em quatro anos. Agora, o montante a ser aplicado será dividido proporcionalmente entre os sócios. 

Com os investimentos, a empresa, que faturou R$ 580 milhões brutos em 2016, espera dobrar sua capacidade de produção e receita em cinco anos. Segundo Carneiro, os planos para o mercado brasileiro foram um dos motivos que contribuíram para o interesse da Emmi. O avanço da empresa mineira nos últimos anos também foi um fator de atração. Em 2012, o laticínio havia faturado R$ 200 milhões. A parceria com a companhia suíça prevê transferência de tecnologia e know¬how para a Porto Alegre, de acordo com Carneiro. Sem dar detalhes sobre produtos, o presidente da empresa disse que a chegada da Emmi permitirá "complementar o portfólio" da Porto Alegre. Hoje, a empresa mineira produz queijos, queijo fresco, requeijão, leite longa vida e manteiga, leite em pó e soro de leite pó para a indústria de alimentos. A Emmi, por sua vez, só exporta queijos finos ao Brasil atualmente. A companhia, que tem 25 unidades de produção na Suíça, fabrica, além de queijos, iogurtes, leite pasteurizado, bebidas lácteas, entre outros. Segundo Carneiro, a Porto Alegre "pode vir a distribuir produtos" da Emmi no país, mas ainda não há definição sobre o assunto. 

Um dos primeiros movimentos que a Porto Alegre fará com a sócia é o aporte na construção de uma nova unidade em Barbacena, onde comprou uma fábrica de queijo frescal no fim de 2016. Inicialmente, disse o CEO, as linhas de produção de ricota, cottage e frescal da unidade de Ponte Nova serão transferidas para Barbacena. Com isso, será possível ampliar a produção de outros itens em Ponte Nova. Então, no fim deste ano, a empresa começará a construção da nova fábrica em Barbacena, ao lado da existente hoje. A previsão é que a planta comece a operar no início de 2019, segundo ele. A Porto Alegre também tem fábrica em Mutum, onde produz queijos, como mozzarela e parmesão, e soro de leite em pó. O principal mercado da Porto Alegre é Minas Gerais, mas seus produtos também são comercializados no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo ¬ a empresa planeja ampliar sua presença nos dois últimos. As negociações entre a Emmi e a Porto Alegre começaram em setembro do ano passado, de acordo com João Lúcio Carneiro, que também preside o conselho de administração do laticínio. A Porto Alegre tem três membros no conselho, assim como a Emmi. Questionado se o grupo suíço teria interesse de, no futuro, adquirir o controle da Porto Alegre, Carneiro afirmou que o "objetivo deles é ter parceiro no Brasil e não a aquisição total da empresa". A Emmi, que teve receita líquida de 3,259 bilhões de francos suíços em 2016 (US$ 3,306 bilhões), tentava há anos entrar no Brasil. No fim de 2015 chegou a negociar a aquisição do paulista Laticínios Shefa, mas a transação não vingou. Conforme apurou o Valor, a suíça também negociou, sem sucesso, com a catarinense Tirol, em 2014. (Valor Econômico) 

  

Leite: de olho na Ásia, Rio Grande do Sul investe em sanidade
Sanidade - Apostando na possível abertura de mercado asiático, o setor leiteiro do Rio Grande do Sul quer reforçar a sanidade do rebanho. A ausência de doenças importantes, como tuberculose e brucelose, é fundamental para garantir a participação Boa parte do leite produzido no estado vai para o Rio de Janeiro, São Paulo e outros mercados internos.  Mas as indústrias gaúchas de laticínios querem ir mais longe. Com a abertura do mercado internacional, é preciso ter a certificação de que as propriedades estão isentas de doenças. "A exemplo de países como a Rússia, os mercados asiáticos que estão focando o Brasil, e o Rio Grande do Sul em especial, porque somos grandes produtores", diz o vice-¬presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Raul Amaral. O governo federal busca diminuir a incidência de doenças em bacias leiteiras por meio do programa Mais Leite Saudável, lançado em 2015. No Rio Grande do Sul, quase 20 mil produtores já foram atendidos na primeira fase. Segundo o fiscal agropecuário Roberto Lucena, estão previstas mais de 3,5 mil certificações de propriedades como isentas de tuberculose e brucelose. Ele afirma que essa é uma questão muito delicada na atividade, e a responsabilidade de fazer os testes sempre ficou a cargo do produtor, o que está mudando com o programa. A segunda fase do programa no estado quer ampliar o número de produtores e indústrias, que hoje abrange 51 laticínios. Lucena afirma que o Mais Leite Saudável está levando assistência técnica para melhorar a qualidade do leite e o gerenciamento das propriedades e proporcionar a adoção de boas práticas agropecuárias. "É voltado diretamente ao produtor rural, o que entendemos que seja o ponto mais positivo", diz. Vídeo. (Canal Rural)
 

 

Porto Alegre, 02 de maio de 2017.                                               Ano 11- N° 2.490

 

  Seminário discute rumos da produção leiteira

Discutir a conjuntura atual da cadeia do leite no Rio Grande do Sul foi o objetivo do encontro promovido e coordenado na 9ª Fenii pelo Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat) com o apoio da Farsul, Fetag, Emater, Unijui, Fundesa e Lactalis. O presidente Alexandre Guerra destacou em entrevista ao GrupoJM que o evento foi importante ao colocar em discussão a situação láctea no Estado. "A atividade desenvolvida em Ijuí serviu para debater o tema e elucidar dúvidas visando derrubar as barreiras criadas em cima do leite, a partir de fatos ocorridos há alguns meses", disse. 

Segundo Guerra, o seminário promoveu também uma discussão com o público participante e profissionais da área sobre os benefícios do leite não só como alimento, mas como uso medicinal. "É importante frisar que atualmente a indústria láctea oferece produtos de acordo com a demanda do público consumidor", ressalta o presidente do Sindilat, salientando ainda que várias ações foram realizadas pelas indústrias e laboratórios no sentido de se equiparem ainda mais para ter a rastreabilidade total da produção leiteira gaúcha. O encontro falou ainda sobre a Lei do leite (14.835/16), criada para dar mais segurança para a indústria e o consumidor, fazendo com que, o segmento não ficasse mais refém, por exemplo, do transporte, setor que originou muitos problemas à cadeia leiteira estadual. 

Conforme Guerra a intenção do Sindilat com os debates que vem sendo realizados, é ter o reconhecimento a nível nacional da qualidade do leite produzido no Estado. No Rio Grande do Sul cerca de 90 mil famílias atuam na atividade leiteira produzindo por dia cerca de 12 milhões de litros de leite. "Hoje representamos 13% da produção no Brasil e fizemos mais de 40% dos testes de nível nacional em laboratórios oficiais o que significa que o produto oriundo do leite gaúcho é controlado e altamente seguro", concluiu Alexandre Guerra. O diretor técnico do Sindilat Darlan Palharini que também participou do encontro referiu a importância de se discutir a competitividade no setor. Segundo ele, o debate precisa iniciar pela logística enfatizando que este setor, além de onerar os custos para o produtor já causou outros problemas de ordem qualitativa à produção. Palharini salientou ainda que o fomento ao trabalho integrado entre produtor e indústria leiteira é fundamental para melhorar a produção e também a renda no campo. (Jornal da Manhã/Ijuí)
 

 
 
Mudanças nas regras ainda geram dúvidas
A pontada como uma forma de aumentar a pena contra fraudes e resgatar a confiança do consumidor, a atualização do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), assinada há um mês pelo presidente Michel Temer, ainda é alvo de dúvidas entre entidades do setor. Mais enxuto, o texto passou de mais de 900 artigos para 550. Destes, 126 são novas regulamentações, o que prevê um período de transição para aplicação na prática. Entidades ligadas à área de produção animal pretendem conversar com técnicos da Superintendência do Ministério da Agricultura do RS (Mapa/RS), nos próximos dias, para esclarecer alguns pontos. Uma das entidades que buscam esclarecimentos, o Sindilat tem um encontro marcado com o Mapa/RS na próxima quarta-feira. 

Segundo o presidente da entidade, Alexandre Guerra, entre as principais dúvidas está a questão do transvase. O novo Riispoa autoriza a ação nos caminhões modelo "Romeu e Julieta". Outra dúvida é com relação ao destino dado à matéria-prima que apresenta variações características do clima e tipo de alimentação dos animais. Representantes dos setores de aves e suínos também pretendem se reunir com o Mapa/RS. O vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Rui Eduardo Vargas, afirma que uma das principais dúvidas é a forma como será feita a transição da legislação antiga para a nova. "Em muitas partes do texto fica a dúvida se aqueles artigos estão abrindo a permissão de fazer aquela operação, utilizar aquela ferramenta, ou se necessita de normas complementares", explica. 

A mudança do Riispoa decorre da necessidade de atualização frente ao avanço registrado nos últimos anos pelo setor de produtos de origem animal. O texto até então em vigor datava de 1952 e levava a assinatura do presidente Getúlio Vargas. Segundo o chefe do serviço de inspeção federal da Superintendência do Mapa/RS, Leonardo Isolan, o novo decreto define mais claramente o que são desvios, alimentos impróprios para consumos, e classifica as infrações em diferentes graus, conforme a gravidade. O valor das multas pode chegar a R$ 500 mil. (Correio do Povo)

 
Leilão GDT apresenta nova alta

O leilão GDT, que ocorreu nesta terça-feira (02/05), registrou nova alta. O preço médio do lácteos ficou em US$3.166/tonelada (+3,6%). Este aumento foi sentido por todos os produtos comercializados no leilão, com exceção do leite em pó desnatado, que apresentou leve queda de 0,9% com preço médio de US$1.982/tonelada. O leite em pó integral apresentou a alta mais significativa (+5,2%), fechando a US$3.233/tonelada. 

 
O queijo cheddar teve alta de 4,6%, chegando a US$3.666/tonelada. A manteiga, por sua vez, registrou aumento de 1,1%, com preço de US$4,911/tonelada. Os contratos futuros de leite em pó integral acompanharam o movimento de alta de preços. As projeções de preço médio para os próximos cinco meses oscilam entre US$ 3.110 a US$ 3.332. (GDT/Milkpoint)
 

 
Acordo poderá sair neste ano
Negociadores apostam em acordo para Mercosul e União Europeia já em 2017. O anúncio deve ocorrer em dezembro na reunião da Organização Mundial do Comércio em Buenos Aires. "Será o primeiro acordo do Mercosul com países desenvolvidos", diz o diretor de Negociações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Alexandre Lobo. "A última rodada foi positiva", avalia Welber Barral, sócio da Barral M.Jorge Consultores. Do lado europeu, prevê, o período após a eleição francesa será favorável. (Correio do Povo)
 

 

Porto Alegre, 28 de abril de 2017.                                               Ano 11- N° 2.489

 

Espanha: fazenda experimental de produção leiteira abre na Catalunha

Uma nova fazenda experimental foi inaugurada na Espanha. A Monells Cattle Farm (EVAM) do IRTA está localizada em Monells (Girona). O IRTA é um Instituto de Pesquisa de propriedade do Governo da Catalunha. A EVAM pretende ser uma ferramenta para servir aos interesses da indústria e da região catalã, e ser uma plataforma de pesquisa, experimentação e transferência.

Objetivos do EVAM
A fazenda combina conhecimentos de climatologia, agronomia, produção de plantas, manejo de água e excrementos, manejo de animais, melhoramento genético e reprodutivo e bem-estar e saúde animal, para melhorar a competitividade e a sustentabilidade em toda a indústria leiteira. O objetivo da EVAM é que a indústria leiteira se beneficie da aplicação de novas ferramentas para melhoramento genético e de saúde, novos modelos alimentares, manejo de animais, melhora na eficiência produtiva e redução do impacto ambiental. A fazenda também trabalhará com a indústria para desenvolver novas tecnologias para ajudar a criar e comercializar produtos lácteos.

Expansão possível
O projeto envolveu um investimento de 2,4 milhões de euros (US$ 2,61 milhões) em edifícios e equipamentos, aos quais contribuíram igualmente o Conselho Provincial de Girona, o Fundo Regional de Desenvolvimento Europeu (FEDER), o Ministério da Economia e Competitividade e o IRTA. A fazenda tem atualmente 60 vacas, mas expandirá para até 120. A EVAM baseia-se num conceito de pesquisa abrangente, à medida que procura integrar todos os elementos que influenciam a produção de leite, desde a produção de forragens até a gestão de excrementos, a informação aos consumidores e ao público em geral.

Assistência à indústria de lácteos
Os serviços da EVAM deverão ajudar a indústria de lácteos de várias maneiras. O objetivo é avaliar, testar e aplicar novas ferramentas, estratégias, técnicas e produtos, para melhorar a eficiência e a sustentabilidade das fazendas. A EVAM também divulgará novas melhorias no manejo de campo, no manuseio de animais e seus excrementos e nas últimas tecnologias aplicadas à obtenção de produtos lácteos.

Será também um ponto de encontro para dialogar com as diferentes partes interessadas, para promover projetos de pesquisa, desenvolvimento e transferência de projetos do produtor ao consumidor. A fazenda deverá ser uma instalação onde novos produtores e empreendedores na indústria de lácteos são treinados nos aspectos técnicos da produção agrícola e do processo de produção de lácteos. A EVAM também interagirá com o público para explicar elementos da produção de leite.

EVAM - enfrentando três desafios:
1. Pesquisa direcionada à geração de novos conhecimentos, para ajudar a resolver os desafios tecnológicos e de inovação na indústria;

2. Transferência de resultados, para contribuir para a melhoria da competitividade da indústria, visando aumentar a eficiência produtiva, a saúde e o bem-estar dos animais, bem como na qualidade, diferencial e valor agregado dos lácteos e derivados;

3. Informar ao público sobre o processo produtivo do leite e seu tratamento até seu consumo, mediante a implementação de ações informativas e promocionais proativas.

Em 27/04/17 - 1 Euro = US$ 1,09101
0,916462,61 Euro = US$ 1 (Fonte: Oanda.com) (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint)

 
 
Ministério pede R$ 192,5 bi para Plano Safra 2017/18

Se depender do Ministério da Agricultura, o próximo Plano Safra 2017/18 vai ofertar um volume global de crédito rural da ordem de R$ 192,5 bilhões à agricultura empresarial, e os juros das linhas ficarão entre 6,5% a 10,5% ao ano. O montante ¬ que ainda precisa ser aprovado pela área econômica do governo e vem sendo negociado com a equipe do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles ¬ é 4,8% superior ao total de recursos disponibilizados no atual ciclo, o 2016/17. Esse aumento, proposto pela Pasta comandada Blairo Maggi, pode ser considerado modesto tendo em vista a evolução recente do pacote oferecido pelo governo para o plantio da safra. Mas não deixa de ser robusto levando¬se em conta a crise econômica. 

 

Até o Plano Safra 2016/17 ¬ ainda em vigor e que se encerra no dia 30 de junho ¬, o governo vinha anunciando planos com recursos normalmente 20% superiores aos do ciclo anterior. O Plano 2016/17 foi o primeiro em décadas a trazer um número menor que o da temporada anterior (R$ 183,8 bilhões). Em 2015/16, foram ofertados R$ 187,7 bilhões. Maggi disse ontem que dentro de duas semanas Fazenda e Agricultura deverão definir o esqueleto central do próximo plano para lança-lo até fim de maio. As condições que serão definidas entrarão em vigor em 1º de julho. Ainda que Agricultura defenda um corte dos juros, técnicos da Fazenda defendem que os juros continuem nos atuais patamares, entre 8,5% e 12% ao ano. Atrelar esses juros à Selic, como queria a equipe econômica inicialmente, está cada vez mais distante. "Resolvemos propor um limite de recursos que não fosse tão superior ao da safra passada, mesmo porque vemos que a demanda por crédito não deve aumentar muito", disse ao Valor o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller. 

Nessa configuração desenhada pelo Ministério da Agricultura, os recursos para custeio e comercialização ¬ que sempre concentram a maior parte da demanda de agricultores e pecuaristas por financiamento bancário ¬ contará com R$ 152,6 bilhões em 2017/18, uma alta de 2% em relação ao atual ciclo. E juros de 7,5% ao ano, abaixo dos atuais 9,5% ao ano, como já mostrou o Valor. Por outro lado, a tendência de recuperação dos investimentos no campo, marcante na safra 2016/17, levou o ministério a propor um incremento expressivo de 18% para as linhas de crédito destinadas a essa finalidade no ciclo 2017/18, o que significa R$ 40,2 bilhões. Nesse bojo, o Moderfrota, voltado para maquinário agrícola, ficaria com R$ 9 bilhões, mesmo patamar da atual temporada, após aportes adicionais feitos pelo governo diante de uma demanda aquecida por esses financiamentos que superou os R$ 5 bilhões iniciais. 

 
Outra linha de crédito para investimento que o Ministério da Agricultura pretende ampliar é o Programa de Crédito para Armazenagem (PCA). Nesta safra, foram disponibilizados R$ 1,4 bilhão. O objetivo é elevar para R$ 1,8 bilhão no ciclo 2017/18. Em outra frente, a política de incentivar as operações de crédito rural a partir das captações de Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), título isento de Imposto de Renda, continua. Dentro desse plano, os financiamentos com base nas LCAs alcançam R$ 27 bilhões, com destaque para as operações com taxa controlada, que contarão com R$ 13,6 bilhões contra R$ 9 bilhões da temporada passada. (Valor econômico) 

Captação do primeiro trimestre segue para números positivos

Produção/Uruguai - Depois que o Inale revisar para mais os volumes da captação de leite em janeiro e fevereiro de 2017, e publicar os dados de março, a tendência da persistente retração mês a mês, verificada desde julho de 2015, deverá será interrompida, mostrando mudança de rumos. 

De concreto, a produção nas fábricas em janeiro deste ano totalizou 152,5 milhões e cresceu 2,3% em relação a igual mês do ano anterior, o mesmo ocorrendo em fevereiro, com o volume de 116,6 milhões de litros (+1,5%). A tendência de alta foi suspensa em março, mas, com retração de apenas 0,9%, que representou 126,1 milhões de litros. Não obstante, o trimestre janeiro-março encerrou com captação acumulada de 39,5s milhões de litros, um crescimento interanual de 1%. Tudo isto indica que em abril voltará a superar o volume do ano passado, quando houve excesso de chuvas, e o volume atingiu apenas 117,9 milhões de litros de leite, representando queda de 15% em relação a 2015. (Tardaguila - Tradução livre: Terra Viva)

 

 

 
Alta do preço do leite no mercado spot em abril
No mercado spot, ou seja, o leite comercializado entre as indústrias, os preços subiram na primeira quinzena de abril.
 Segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, os negócios ocorreram, em média, em R$1,579 por litro, posto na plataforma. Os maiores valores chegaram a R$1,60 por litro. Houve alta de 3,4% na comparação com a quinzena anterior.
 Em Minas Gerais e em Goiás, os preços médios ficaram em R$1,575 e R$1,415 por litro, respectivamente. A produção nacional em queda aumenta a concorrência por matéria-prima pelos laticínios. Em curto e médio prazos, a expectativa é de alta do leite no mercado spot. Porém, os incrementos deverão ser menores na comparação com as quinzenas anteriores. Algumas indústrias já falam em manutenção das cotações no mercado spot. Apesar da produção caindo, alguns fatores chamam a atenção e podem limitar as altas também para o produtor em curto e médio prazo. São eles: as importações em alta, a produção aumentando no Sul do país a partir de abril/maio e a demanda interna patinando. (A Scot Consultoria)
 

 

Porto Alegre, 27 de abril de 2017.                                               Ano 11- N° 2.488

 

Laticínios esclarecem dúvidas sobre Programa Mais Leite Saudável 
 
Indústrias do setor lácteo esclareceram suas dúvidas referente ao Programa Mais Leite Saudável, criado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), em reunião nessa quinta-feira (27/4). O encontro, promovido pelo Mapa, Sindicato das Indústrias dos Laticínios do RS (Sindilat) e com o apoio do Fundesa, foi realizado no auditório da superintendência do Mapa, em Porto Alegre (RS). O fiscal federal agropecuário Roberto Lucena e o auditor fiscal federal Bruno Leite, representando o ministério, divulgaram os últimos relatórios da iniciativa e apresentaram as etapas obrigatórias para a execução dos projetos. 
 
O presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, ressaltou a importância do controle sanitário das propriedades rurais e das indústrias. "Se quisermos transformar nosso Estado em exportador, temos que estar com a sanidade controlada", disse Guerra, lembrando que todos os associados são motivados a investir partes dos seus recursos contra brucelose e tuberculose. O secretário-executivo do sindicato, Darlan Palharini, destacou a relevância do programa. "Deve ser levado a sério, pois melhora a qualidade dos produtos e amplifica a competitividade da indústria no estado", concluiu.
 
Conforme apontou Lucena, o encontro é propício, já que o programa completou um ano de andamento. "Entendemos que esse é a hora de trabalhar a qualificação e aprimoramento de projetos para potencializar resultados", afirma. Em um ano, só no RS, já foram movimentados mais de R$ 32,6 milhões, com 51 projetos apresentados e 20 mil produtores impactados direta e indiretamente pela iniciativa. Uma das preocupações, agora, é angariar mais indústrias para participar do programa. 
 
Outro ponto destacado por Lucena é a necessidade de cumprimento do prazo para os ajustes nos projetos das indústrias.  Os laticínios devem encaminhar o projeto ao Mapa, que protocola a documentação e concede habilitações provisórias às empresas, verifica possíveis irregularidades nas solicitações e publica um parecer técnico no Diário Oficial da União (DOU), do Mapa. Diante disso, há 30 dias para realizar mudanças apontadas no relatório e enviar para a publicação no DOU da Receita Federal, que concede a habilitação definitiva para o andamento do projeto.
 
As questões referentes à coordenação de boas práticas e bem-estar animal envolvidas foram explicadas pelo auditor Bruno Leite. Ele frisou que a assistência técnica deve ser direcionada, principalmente, aos produtores que não têm esse benefício, e complementar aqueles que já são assistidos em outras áreas de atuação, como a sanidade animal e o melhoramento genético. Outro ponto levantado é a comunicação entre os laticínios e o Ministério, que deve ser constante e antecipada. "Se uma propriedade notar que um antígeno vai faltar, deve nos notificar antes desse problema ocorrer, e não depois", exemplificou. 
 
Dúvidas sobre os recursos financeiros, tributos e prazos foram esclarecidos ao final da reunião com empresas presentes. O advogado Eduardo Plastina, que presta assistência jurídica aos associados em nome do Sindilat, também ajudou nos esclarecimentos sobre legislação. Na ocasião, uma reunião foi pré-agendada para tratar sobre o novo Regulamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Riispoa), na próxima quarta-feira (3/5), também no auditório do Mapa. (Assessoria de Imprensa Sindilat)


Foto: Vitórya da Cruz
 

 
Alteração de créditos no radar da indústria do RS

A preocupação de empresas do agronegócio do Rio Grande do Sul com a possibilidade da redução de créditos presumidos teve alívio de um lado, mas não de outro. Nesta semana, deputados estaduais aprovaram a retirada do regime de urgência do projeto de lei 214 (prevê a diminuição em até 30% do benefício fiscal). Ou seja, não tranca mais a pauta. Na prática, ganha-se tempo para voltar a apreciar o tema.

Por outro lado, a proposta de lei complementar 343, que tramita na esfera federal, instituindo o regime de recuperação fiscal dos Estados e cobrando como contrapartida redução de 10% de créditos fiscais, segue tramitando no Congresso.

- A retirada de urgência do PL 214 fica sem efeito perante o 343. Mas não existe espaço para a indústria de leite ter redução de crédito presumido. Até porque o Estado vem perdendo a capacidade competitiva - argumenta Alexandre Guerra, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do RS (Sindilat-RS).

O dirigente lembra que a participação gaúcha vem encolhendo no cenário nacional. O Estado deixou de ser o segundo maior produtor de leite, posição agora do Paraná.

Os paranaenses também são apontados como um dos principais concorrentes na produção de suínos e de aves. Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado (Sips), lembra que eles têm "um tratamento diferenciado em tributos".

- Não entendemos o crédito presumido como um benefício. É uma equalização da carga tributária com outros Estados. É a recomposição, de forma precária, da isonomia de impostos - completa Kerber.

Da mesma forma, as empresas de aves manifestam inquietação com o tema.

- A redução dos benefícios aumenta a carga tributária. E tira a nossa competitividade. Os setores estão se movimentando para que isso não aconteça - afirma José Eduardo dos Santos, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav). (Zero Hora)

 
Consumidores asiáticos compreendem cada vez mais os benefícios das proteínas

O entendimento do consumidor sobre os benefícios nutricionais da proteína está crescendo na Ásia, de acordo com a pesquisa da NZMP, a marca de ingredientes da Fonterra, da Nova Zelândia. A NZMP realizou pesquisas comparativas em cinco mercados: Indonésia, China, Japão, Reino Unido e EUA. "Queríamos entender como podemos operar neste mercado altamente fragmentado que a proteína está entrando", disse Roshena de Leon, gerente global de insights da NZMP.

Consumo de proteínas - Ásia 
Ela apresentou as principais descobertas da pesquisa da NZMP no recente evento da indústria, Protein Now, que a empresa realizou em Cingapura. Dos cinco mercados pesquisados, a Indonésia registrou o maior nível de conscientização sobre proteínas, com 91%, seguida por Reino Unido, com 87%, Japão, com 85%, Estados Unidos, com 84% e China, com 75%.

De Leon atribuiu a alta conscientização sobre proteína da Indonésia aos programas de nutrição do governo, que destacam a importância da proteína para a saúde. Ela ressaltou que 47% dos entrevistados entendiam a importância da proteína na manutenção do bem-estar corporal.

Na China, por outro lado, embora a proteína seja considerada positiva, ao lado de vitaminas e minerais, os participantes do estudo apresentaram visões fragmentadas sobre como ela beneficiava a saúde geral. Por exemplo, 20% disseram que a proteína deu energia e resistência ao corpo, enquanto 14% disseram que a proteína era boa para manter o bem-estar corporal. Outras percepções da proteína incluíram tornar os corpos mais fortes (13%), os bons nutrientes que oferece (11%) e impulsionar o sistema imune (9%).

No Japão, no Reino Unido e nos EUA, a proteína está fortemente ligada à nutrição esportiva, e os consumidores a percebem como um nutriente crucial para fortalecer os músculos. Por último, o estudo constatou que a maioria dos consumidores de todos os cinco mercados acreditava que a melhor fonte de proteína é oriunda de animais - seja por meio de carne, lácteos ou ovos.

"A robustez da proteína animal atrai consumidores", disse de Leon. A textura e o sabor da proteína animal também foram preferidos. A demanda asiática por produtos de proteína também deverá aumentar 11% até 2021. (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint)

 
  

 
FUNRURAL - Frente prepara ação política
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) anunciou ontem que vai utilizar todos os instrumentos legais, constitucionais e políticos para resolver a questão das dívidas passadas e também o futuro do Funrural, que teve a constitucionalidade de sua cobrança reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em março. Em nota divulgada à imprensa, a entidade revelou que está articulando uma ação política que pode se encaminhar para a apresentação de um projeto de lei que trate do assunto. "Lembramos que o próprio relatório da Reforma Previdenciária já extingue o Funrural, ao que somos favoráveis", destaca um dos trechos do texto. (Correio do Povo)
 

 

Porto Alegre, 26 de abril de 2017.                                               Ano 11- N° 2.487

 

  Cartilha vai informar sobre procedimentos de sanidade e manuseio de produtos
 
Entidades ligada à proteína animal e varejistas se reuniram na tarde de terça-feira (25/4), em Porto Alegre (RS), para reformular cartilha apresentada pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) com perguntas e respostas sobre os procedimentos de sanidade e de manuseio de produtos de origem animal, sobretudo em fiambrerias e açougues. A ideia do documento é auxiliar os interessados sobre as mudanças estabelecidas pela Portaria nº 146, sancionada em março deste ano no Rio Grande do Sul, que estabelece os requisitos e exigências para o funcionamento, fiscalização e controle dos estabelecimentos.
 
O setor lácteo já está se adequando às mudanças previstas pela Portaria e pelo Decreto nº 53.304, que prevê que supermercados e açougues devem adotar sistema de controle de identificação de origem e de procedimentos operacionais padrões, conforme afirma o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini. "O fracionamento é muito importante para a indústria, porque agrega valor ao produto, mas é necessário que os consumidores saibam a marca, o que ajuda também na fidelização dos clientes com as empresas", salienta, destacando a importância de se apontar a marca e o lote de produção no rótulo dos produtos à granel. 

Após a sua conclusão, a cartilha será encaminhada à Secretaria Estadual de Saúde e ao Ministério Público. Para uniformizar os procedimentos também nas vigilâncias municipais, a Agas, que organizou o encontro, irá entregar o documento à Secretaria de Agricultura, que será responsável por distribuir para as prefeituras. Estiveram presentes também na reunião representantes do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do Rio Grande do Sul ( Sips), do Sindicato da Industria de Carnes e Derivados (Sicadergs) e da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav). (Assessoria de Imprensa Sindilat)

 
Crédito: Laura Berrutti
   
 
Deputados aprovam reajuste de 6,48% para o piso regional

Depois de mais de duas horas de discussões sobre o índice de reajuste, os deputados estaduais aprovaram ontem, por 46 votos a favor e dois contrários, o reajuste do piso regional. Votaram contra Marcel Van Hattem (PP) e João Reinelli (PV). O aumento será de 6,48%, como proposto no texto enviado pelo governo. Os novos valores das cinco faixas passam a variar de R$ 1.175,15 a R$ 1.489,24 assim que o projeto for sancionado pelo governador José Ivo Sartori. Como a data- base do piso é 1º de fevereiro, empregadores deverão pagar as diferenças mensais aos trabalhadores na próxima folha salarial.

- É um índice que, imaginamos, manterá o poder aquisitivo dos trabalhadores sem retirar a capacidade de pagamento dos empresários - disse o líder do Executivo na Assembleia, Gabriel Souza (PMDB). O piso regional é referência para cerca de 1,3 milhão de trabalhadores informais ou que pertencem a categorias não contempladas em acordos coletivos ou convenções.

Na última semana, o temor de não conseguir derrubar uma emenda que elevava o reajuste para 8% fez com que parlamentares da base aliada interrompessem a sessão para que a votação fosse adiada. A justificativa dos deputados ligados a sindicatos para a proposta foi oferecer a inflação acumulada em 2017, calculada em 1,5%. Ontem, o quadro foi diferente e a modificação no texto original foi derrotada.

O percentual definido pelo Executivo em 6,48%, igual percentual aplicado sobre o salário mínimo nacional, baseado na inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor ( INPC) do ano passado, desagradou aos principais grupos envolvidos na negociação.

Empresários, que são contrários ao piso, não apresentaram proposta de aumento. Presente à votação, o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, voltou a defender a extinção do piso. As centrais sindicais pediram 10,45%. Um grupo de sindicalistas esteve presente nas galerias, com faixas e bandeiras, para pressionar os deputados. (Zero Hora)

Mercado lácteo

De acordo com o Centre National Interprofessionnel de l'Economie Laitière (CNIEL), a demanda por produtos lácteos deverá crescer sensivelmente em muitos países do mundo. Mesmo na França, o mercado poderá aumentar de 5 a 10% nos próximos dez anos, ainda que os franceses continuarem a beber menos leite. 

O mercado mundial de produtos lácteos corre o risco de cair nos próximos dez anos, acompanhando o mercado francês de leite de consumo? "Não", respondem os analistas do setor da Federação das Indústrias de Laticínios. É certo que o mercado de leite de consumo na França vem sofrendo erosão constante. E a tendência deverá perdurar. Daqui a 2027, os franceses deverão beber cada vez menos o leite fluido e o mercado deverá cair mais de 10%. Mas, sempre na França, o mercado mais global dos lácteos, com destaque para os queijos, a manteiga e diversos produtos industriais, deverá crescer de 5 a 10%. No mundo, o crescimento da demanda por produtos láteos será desigual. Com o crescimento da população e, sobretudo, o aumento do nível de vida, a China deverá observar sua demanda por produtos lácteos aumentar em mais de 10% nos próximos dez anos. O Império do Meio demandará, sobretudo, produtos de qualidade, muito específicos, como os leites infantis, produzidos, principalmente, pela Sodiaal em Carhaix ou pela Cooperativa Maîtres Laitiers de Cotentin na nova fábrica de Carentan. Além da China, a demanda canadense e sul africana deverá também crescer sensivelmente.

 
O consumo de produtos lácteos em outros países também deverá aumentar. O CNIEL prevê crescimento de a 1 a 5% nos Estados Unidos, na Argentina, ou na Austrália. A evolução será maior, de 5 a 10% no Chile, no México, e, sobretudo, na Índia. (Web-agri - Tradução Livre: Terra Viva)

 
SP: setor laticinista aumenta exportações em 12,7% no primeiro trimestre de 2017, diz Viva Lácteos

Mesmo com a balança comercial com um saldo negativo de US$ 125,3 milhões, os sinais dos primeiros meses de 2017 mostram um aumento das exportações e a continuidade da redução das importações. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), as exportações de lácteos no primeiro trimestre deste ano mostram um desempenho 12,7% melhor que o mesmo período de 2016. Os embarques totalizaram US$ 38,9 milhões, enquanto que de janeiro a março do ano passado foram US$ 34,6 milhões.

Nos três primeiros meses de 2016, os 10 principais compradores foram responsáveis por 86% do total embarcado. Já neste ano, os top 10 respondem por 76%. A Venezuela continua sendo o principal destino, contudo sua participação caiu de 55% do total para 21%.

Outra mudança substancial diz respeito ao principal produto comercializado no mercado externo. Para o período analisado em 2016, embarcou-se mais leite em pó integral (54%), ao passo que neste ano foi o leite condensado (43%). À exceção do grupo do soro, todos os demais têm um desempenho melhor em 2017 em relação ao ano passado, com destaque para os queijos e o leite modificado. Por sinal, o bom desempenho dos queijos, quando comparado aos demais lácteos, já é observado desde o ano passado. Não por acaso, os principais destinos dos queijos brasileiros foram Rússia (US$ 1.125 mil), Chile (US$ 856,4 mil), Argentina (US$ 825,3 mil) e Taiwan (US$ 587,0 mil), correspondendo a 78% do total.

"A diversificação de mercados e produtos exportados são metas do setor que deverão ser fortalecidas nos próximos anos. Esperamos que o avanço do projeto Apex neste contexto contribua para este incremento", destaca Marcelo Martins, diretor executivo da Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos).

Importações
Do lado das importações, mesmo havendo um aumento em relação ao início do ano passado, a tendência de queda, observada desde o final de 2016, persiste. Em março as compras no mercado externo somaram quase US$ 52 milhões, enquanto em fevereiro foram US$ 53,5 milhões, e janeiro US$ 58,8 milhões.

No acumulado do ano já são US$ 164 milhões, sendo 68% deste valor proveniente da compra de leite em pó, US$ 111,8 milhões, correspondentes a 35,4 mil toneladas. Somente dos países do Mercosul foram 32,1 mil toneladas, sendo 12,9 mil toneladas da Argentina, 18,8 mil toneladas do Uruguai e 400 toneladas do Paraguai. Outro grupo de produtos que contribuiu com grande parte das importações foi o de queijos. Nos primeiros meses deste ano foram US$ 33,6 milhões, correspondentes a 7,9 mil toneladas. (Viva Lácteos) 

 

 

Exportações/AR
As exportações da Argentina tiveram crescimento de 2,3% em março, na comparação com igual mês de 2016, enquanto as importações registraram avanço bem maior na mesma comparação, de 16,4%. As exportações argentinas ficaram em US$ 4,527 bilhões em março e as importações, em US$ 5,468 bilhões, o que resultou em um déficit comercial de US$ 941 milhões para o país.O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) informou que o aumento do déficit em março é resultado principalmente da queda das exportações de produtos primários, principalmente cereais, e do forte aumento das importações de materiais de transporte, principalmente equipamentos de transporte industrial e veículos automotores de passageiros.Os principais sócios comerciais da Argentina em março foram Brasil, China e Estados Unidos, nesta ordem. As exportações argentinas ao Brasil ficaram em US$ 798 milhões e as importações do País ficaram em US$ 1,557 bilhão. A Argentina teve, portanto, um déficit comercial com o Brasil de US$ 759 milhões no mês analisado, segundo o Indec. (Estadão)
 

 

Porto Alegre, 25 de abril de 2017.                                               Ano 11- N° 2.486

 

Falta de gordura afeta produção de manteiga

É visível nas prateleiras refrigeradas dos supermercados. Nos últimos meses, os tabletes e potes de manteiga que disputam espaço com as margarinas se tornaram artigo de luxo. Não só porque estão bem mais caros, mas também porque estão mais difíceis de encontrar. A menor oferta do produto pode ser explicada por um conjunto de fatores, mas o mais importante deles é a falta de matéria gorda no país para a fabricação de manteiga, segundo indústrias e analistas do setor de lácteos. Nesse cenário, os preços da manteiga negociada entre empresas subiram 27% (já em valores deflacionados) em 12 meses. No varejo, a alta foi de 19% no período (ver infográfico). A matéria-prima para a produção da manteiga é a gordura do leite. Quando o leite é retirado da vaca tem, em geral, um teor de 3,5% de gordura. A produção de leite desnatado gera um excedente de gordura, que é usado para a fabricação de manteiga, creme de leite, requeijão e cream cheese. Mesmo a produção de leite longa vida integral gera gordura, uma vez que há uma padronização do produto, que fica com teor de gordura de 3%, explica Valter Galan, especialista da MilkPoint, consultoria especializada no mercado de lácteos. 

 
 
No entanto, o país produz volumes pequenos de leite desnatado. "Aqui no Brasil, 75% do leite [longa vida] consumido é integral", observa Guilherme Portella, diretor de relações institucionais da Lactalis no Brasil. No país, a empresa francesa fabrica manteiga com as marcas Batavo e Elegê. Como a produção de leite desnatado é pequena, a oferta de matéria gorda para fabricação de manteiga e outros itens é restrita. Ademais, o país está produzindo menos leite em pó desnatado, que é uma "grande fonte de gordura", observa Ricardo Cotta, diretor de relações institucionais e novos negócios da Itambé. Gustavo Beduschi, assessor técnico da Viva Lácteos, que reúne empresas do setor, afirma que há uma disputa por matéria gorda pelas indústrias de laticínios para a produção dos diferentes itens, mas a oferta de gordura não cresceu, daí o atual quadro. O fato de a produção de leite ter caído nos dois últimos anos no país também pode ter agravado a situação. "Há uma demanda por matéria gorda muito maior do que se consegue suprir", diz. O aumento da demanda por manteiga também é uma das razões apontadas por analistas e indústrias para a oferta mais restrita. De acordo com Galan, assim como na Europa e nos EUA, nos últimos três anos, tem havido no Brasil uma migração das gorduras vegetais para as gorduras lácteas. Isso decorre da mudança de percepção em relação aos efeitos da manteiga para a saúde. "A demanda é maior porque a ideia de que a manteiga faria mal à saúde está sendo desmistificada", observa Cotta, da Itambé. "Até uns três anos atrás, a manteiga era vilã. Mas houve uma mudança no padrão de consumo", concorda Portella, da Lactalis. Dados da empresa de pesquisa de mercado Kantar WorldPanel mostram que em 2016, o consumo de manteiga cresceu 1%, para 29.978 toneladas, um mercado de R$ 721,581 milhões. 
 
A pesquisa da Kantar é realizada numa amostra de 11.300 domicílios, que representam um universo de 52 milhões de lares, responsáveis por 91% do potencial de consumo do país. Entre 2015 e 2014, o consumo de manteiga já havia subido 5,4%. Danielle Rossi, gerente de contas da Kantar Worldpanel, afirma que o crescimento "mais tímido" do consumo do que o visto em anos anteriores ¬ quando mudou a percepção sobre o efeito da manteiga para a saúde ¬ é um reflexo da recessão no país, que leva consumidores a migrarem para produtos de menor valor. No caso da manteiga, o principal substituto é a margarina. Dados da consultoria Euromonitor, referentes a vendas de manteiga no varejo no país, mostram um volume de 77,7 mil toneladas em 2016, pouco abaixo das 77,9 mil toneladas de 2015. Tanto Itambé quanto Lactalis informam que poderiam estar produzindo mais manteiga do que o fazem atualmente se houvesse matéria¬prima porque há demanda, apesar dos preços mais altos. "O que produzimos, estamos vendendo", afirma Cotta. Guilherme Portella, da Lactalis, diz que a empresa chegou a produzir mais leite em pó desnatado para poder gerar matéria gorda para a produção de manteiga. "Temos mais demanda do que conseguimos produzir", acrescenta o executivo. Beduschi e Galan lembram que a recessão também levou a uma redução do consumo fora de casa, o que acabou estimulando muitas pessoas a cozinharem, demandando mais manteiga. Outro sinal de que a oferta doméstica de manteiga é restrita é o aumento das importações do produto. No primeiro trimestre deste ano, as compras no exterior somaram 1.500 toneladas, 68% acima das 890 toneladas de igual período de 2016, de acordo com dados da Secex compilados pela MilkPoint. Como observa Laércio Barbosa, diretor do Laticínios Jussara, a falta de matéria¬prima para produção de manteiga não se restringe ao Brasil. "Está faltando no mundo", afirma. Segundo ele, estimativas indicam que os estoques de leite em pó desnatado estão mais altos na Europa e nos EUA ¬ assim, os países estão produzindo menos, o que leva à falta de matéria gorda (Valor Econômico)
   
 
Importações de lácteos perdem fôlego, mas déficit na balança do país persiste

O Brasil encerrou março com um déficit de US$ 38,5 milhões na balança comercial de lácteos. O valor ainda é expressivo, mas vem caindo desde o início do ano. Em março, as importações custaram US$ 51,979 milhões (alta de 21,2%) e as exportações renderam US$ 13,432 milhões (aumento de 149%), conforme dados da Secex, compilados pela Viva Lácteos, que representa empresas do setor. Em volume, houve uma queda de 7,3% nas importações em março na comparação com igual mês de 2016, para 15,719 mil toneladas. Já as exportações subiram 86,8%, para 5,192 mil toneladas. "As importações estão caindo há cinco meses", observa Gustavo Beduschi, assessor técnico da Viva Lácteos. Em novembro de 2016, custaram US$ 62,4 milhões e em dezembro ficaram em US$ 61,8 milhões. (ver gráfico) Para ele, uma das razões para essa queda das compras é a valorização, ainda que pequena, dos preços internacionais dos lácteos. Afora isso, a produção de leite também começa a reagir no mercado brasileiro, afirma. 

 
No primeiro trimestre do ano, o Brasil importou 51, 287 mil toneladas de lácteos, um aumento de 54,2% sobre igual período de 2016. Os gastos com as compras de lácteos no exterior subiram 91% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, para US$ 164,310 milhões. No mesmo período, as exportações de lácteos totalizaram 13,367 mil toneladas, com alta de 12,8% sobre os três primeiros meses de 2016. A receita com as vendas externas teve aumento semelhante, de 12,6%, para US$ 38,963 milhões. Um destaque nas exportações em março, segundo Beduschi, foram os queijos. 

As vendas cresceram 66,5%, para 342,6 toneladas. A receita com os embarques de queijo subiu 111,8%, para US$ 1,660 milhões. Ainda que os volumes de queijo exportados sejam pequenos são importantes porque fazem parte da estratégia de diversificação das exportações pelo setor, que ainda dependem bastante dos embarques de leite em pó e condensado. Os exportadores também tentam diversificar os destinos para reduzir a "venezuelodependência", que é verdade, diminuiu em decorrência da crise no país vizinho. Em 2015, as importações do país absorviam 75% das exportações brasileiras de lácteos em valor. No ano passado, essa participação caiu para 48%, segundo Beduschi. No primeiro trimestre deste ano, ficou em 21%. De acordo com o assessor técnico da Viva Lácteos, o Brasil tem conseguido ampliar suas exportações para países árabes e também na América Latina. (Valor Econômico)

 
México

Em meio às incertezas do futuro do NAFTA com o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, prometendo encerrar a parceria comercial, o México procura diversificar seus parceiros. O professor de economia agrícola da Escola de Economia e Administração Aplicada da Cornell University, Andrew M. Novakovic, PhD, disse ao DairyReporter que o México procurar parcerias fora dos EUA não é um movimento surpreendente. "O mais assustador é que com a retórica econômica e de imigração, o México explora fornecedores alternativos para todos os produtos, e os lácteos são muito importantes pra nós", disse Novakovic. Desde que o NAFTA foi criado, em 1994, as exportações de lácteos dos EUA para o México mais que quadruplicaram, chegando a 1,2 bilhões de dólares, fazendo com que o mercado mexicano seja o número 1. 

No último ano, as exportações para o México foram quase um quarto de todos os lácteos exportados pelos EUA, de acordo com o USDEC. "Muitas pessoas dirão que o México procura diversificar suas fontes de suprimento mesmo que nada tenha mudado ainda, porque eles estão preocupados com a retórica e não querem ser pegos de surpresa", acrescentou. "De certa forma os danos já começaram a ocorrer". No último mês, Os líderes do setor de laticínios dos EUA foram à Cidade do México para reafirmarem a importância de manutenção da parceria comercial, e ao mesmo tempo recomendaram cautela em relação a novos acordos comerciais com outras nações. "Eu acredito que o México precisa ser cuidadoso ao abrir seu mercado para outros fornecedores de lácteos que estejam mais interessados em vendas no mercado spot do que parcerias de longo prazo", disse o presidente do USDEC, Tom Vilsack, durante o Fórum Nacional de Lácteos realizado na cidade do México.
 
A Argentina será o próximo parceiro comercial 
No entanto, o México estará finalizando um tratado comercial com a Argentina até o final do ano, disse o Ministro de Comércio Exterior, Juan Carlos Baker, em entrevista à Reuters. O Presidente da Argentina, Mauricio Macri, também prometeu abrir a economia e o comércio de seu país para o México, até o final de 2017. "Existe grande potencial lá", disse Baker. "A Argentina poderá exportar em condições atrativas para o México". Baker falou à Reuters México que seu país não voltaria a pagar impostos de exportações se os EUA restringirem suas vendas. (Dairy Reporter - Tradução Livre: Terra Viva)

 

Preço ao produtor, em março, foi o mais alto em três anos
Preços/Uruguai - O preço médio do leite que receberam os produtores no mês de março foi o mais alto dos últimos três anos. Segundo o Instituto Nacional do Leite (INALE), o valor estimado foi de 9,91 pesos, [R$ 1,10/litro], sendo o maior valor desde julho de 2014, quando o preço médio foi de 10,08 pesos. O dado representa um aumento mensal de 3%, considerando que em fevereiro, o preço médio do litro foi de 9,58 pesos, [R$ 1,06/litro]. Comparando com março de 2016, o preço foi reajustado em 26%, quando o valor pago foi de 7,86 pesos. Em dólares, o preço do litro de leite ao produtor em março atingiu US$ 0,35, [R$ 1,10/litro], e neste caso, é o maior valor médio desde março de 2015. A diferença é muito grande quando se compara com março de 2016. Naquele mês, o valor do litro de leite, era de US$ 0,24. A elevação anual alcançou 43%. Na comparação em dólares é importante levar em consideração a variação cambial no período. Em março, o valor médio do dólar foi de 28,42 pesos, sofrendo uma queda de 11% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o valor foi de 31,16 pesos.  (El Observador - Tradução Livre: Terra Viva)
 
 

 

Porto Alegre, 24 de abril de 2017.                                               Ano 11- N° 2.485

 

   Importações/China 

As importações de produtos lácteos pela China continuarão subindo nos próximos 10 anos, embora em um ritmo mais lento. Este ano, a expectativa é de que serão compradas 14,2 milhões de toneladas, aumento de 11% em relação ao último ano, de acordo com o relatório, Perspectivas Agrícolas da China (2017-26), que foi elaborado pelo Ministério da Agricultura. Impulsionadas por fatores diversos, como o crescimento da demanda e os elevados custos da produção doméstica, as importações de lácteos devem superar 19 milhões de toneladas em 2026, um aumento de 50% em relação a 2016, diz o relatório. Na década passada, as importações cresceram 14% anual, em média. A produção doméstica deve atingir 44,7 milhões de toneladas em 2026, crescendo 19% em relação a 2016, prevê o relatório. 

A demanda por leite em pó e leite fluido na China - produção doméstica e no exterior - deverá dar um salto diante da expectativa no aumento do número de nascimentos que virá em decorrência da política do segundo filho, e o crescimento da população com mais de 60 anos. A demanda por leite em pó importado pode aumentar em taxas menores porque o governo chinês está incentivando a recuperação da indústria de laticínios doméstica, diz o relatório. A previsão é de que haja aumento constante na produção de outros produtos agrícolas na China nos próximos anos, incluindo trigo, legumes, frutas, e produtos aquáticos. A importação de leite em pó ocupava um terço do mercado da China em 2007, mas, atingiu 60% em 2012, de acordo com o relatório. 

As autoridades tomaram muitas medidas para restabelecer a confiança no mercado doméstico de leite, depois do escândalo da melamina adicionada às fórmulas infantis, que causaram a morte de pelos menos seis crianças, e intoxicaram seriamente outras 300.000, em 2008. A Lei de Segurança Alimentar foi revisada em 2015, passando a exigir inspeção dos lotes de alimentos para bebês, antes de serem comercializados. No ano passado o Departamento de Fiscalização de Alimentos e Drogas da China inspecionou 2.532 lotes de fórmulas para bebês, e apenas 1,3% ficaram fora dos padrões estabelecidos, disse Bi Jingquan, chefe da Administração de Alimentos e Medicamentos da China, em fevereiro. (The Dairy Site - Tradução Livre: Terra Viva)

 
 
 
Produção de leite
A produção brasileira de leite mais que dobrou nas últimas duas décadas, ao saltar de 15,7 bilhões de litros em 1994, para 35 bilhões, em 2014, conforme dados mais recentes da Pesquisa Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho da produção nacional de leite, ainda assim, fica bem aquém em comparação à média mundial: 1,6 mil litros contra 3,5 mil litros por vaca ao ano. Nos Estados Unidos, de acordo com o Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), algumas fêmeas bovinas alcançam uma média anual de 10,4 mil litros.

Conforme Renata Magalhães Schneider Simone, analista de Inteligência do SIS/Sebrae, em entrevista à equipe SNA/RJ, essa discrepância se deve a fatores relacionados ao clima e às raças mais produtivas, mas principalmente à alimentação. "A quantidade de leite produzido por vaca está diretamente relacionada com as condições as quais o animal está submetido, ou seja, fatores como a alimentação, clima ou até mesmo a tecnologia no manejo influenciam a produtividade", comenta a especialista.

Diretor da Sociedade Nacional de Agricultura e representante da SNA na Câmara Setorial do Leite e Derivados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Alberto Figueiredo ressalta que a "maior parte do rebanho bovino nacional não tem especialização genética para produção de leite". "Também não são observados os requisitos mínimos de conforto animal e alimentação adequada, sendo essas as principais causas da baixa produtividade média". Segundo Figueiredo, que também é secretário Municipal de Agricultura de Resende (RJ), "pelo fato de essas tecnologias exigirem maior comprometimento financeiro por parte do produtor, aumentam os riscos de insucesso, se não forem observados conceitos técnicos indispensáveis, o que leva uma grande maioria de produtores a submeter seus rebanhos a condições inadequadas de alimentação, trazendo, como consequência, a redução da produção média". A analista de Inteligência do SIS/Sebrae reforça que o "Brasil é um país extenso, com regiões bastantes distintas uma das outras". "Por conta disso, alguns Estados possuem características mais ou menos propícias à produção de leite", comenta Renata.

Ela cita que no Sul do país, por exemplo, estão os maiores produtores de leite, "provavelmente pelo fato de lá existir um clima mais adequado para a atividade". "Já na região Sudeste, principalmente acima do Estado de São Paulo, o animal sofre um estresse térmico que prejudica a produção de leite." A analista comenta que também "é importante ressaltar que a média brasileira de produção de leite considera produtores rurais que não investem o suficiente na modernidade do campo e, consequentemente, possuem baixo nível técnico e controle de custos, logo, possuem baixa produtividade". Conforme Renata, "mesmo  com condições climáticas atípicas, é possível aumentar a produção de leite investindo na alimentação do animal, fornecendo uma nutrição específica, de acordo com a fase em que ele se encontra".

DIETAS
A alimentação bovina representa o maior custo da produção leiteira e, por isso, o desenvolvimento de dietas adequadas é primordial para que os pecuaristas reduzam esses custos e possam ampliar suas margens de lucros. Esse é o foco do relatório "Dieta para bovinos leiteiros: a importância da alimentação" do SIS/Sebrae, que ainda apresenta fatores que impactam na dieta, tecnologias e cases de sucesso para orientar produtores rurais. Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 1,3 milhão de pecuaristas de leite, atuando em fazendas que, por sua vez, são responsáveis pela ordenha de 23 milhões de vacas. Para a formulação de rações para as vacas leiteiras, o país utiliza o modelo do National Research Council (NRC), com foco na melhoria da eficiência alimentar, por meio da avaliação da dieta dos bovinos.

"Em 2001, o Conselho Nacional de Pesquisas (dos EUA) apresentou um estudo, com informações suficientes para gerar cálculos de exigência nutricional e de avaliação de alimentos, além de um software que permite formular rações baseadas nesses cálculos", conta Renata. Segundo a analista de Inteligência do SIS/Sebrae, por causa da simplicidade e praticidade, esse modelo é o mais utilizado no mundo para formular rações para vacas leiteiras: "Ele é referência no Brasil e, inclusive, outros softwares foram criados baseados nos cálculos do modelo NRC - 2001". "O modelo NRC é o mais utilizado no mundo, mas com o avanço da tecnologia existem diversos outros modelos no mercado, que podem ser tão bons quanto ele. O indicado é avaliar, testar e analisar quais opções atendem melhor à necessidade do negócio", diz Renata. A analista acrescenta que "alguns modelos são mais complexos e exigem mais informações do usuário, enquanto outros são mais simples e fáceis de utilizar, e isso deve ser levado em consideração na avaliação".

MODELO NRC
Diretor da SNA, Alberto Figueiredo explica que "o NRC é um compêndio de acreditação mundial, que registra as necessidades nutricionais dos animais em cada fase da vida e em cada condição de produção". "A maioria dos formuladores de ração adota esses dados para o cálculo das necessidades nutricionais dos animais. No entanto, na hora de escolher as opções de ingredientes, a serem utilizados para a dieta, são usadas informações de pesquisas nacionais, sendo que alguns produtores já utilizam a análise laboratorial dos vegetais e grãos da própria propriedade, com o objetivo de fazer com que esse cálculo fique o mais próximo possível da realidade", relata Figueiredo.

Por conta de exaustivas pesquisas, continua o diretor da SNA, "o NRC apresenta as necessidades nutricionais absolutamente confiáveis e confirmadas nas pesquisas nacionais". "A diferença dos níveis de produção de leite entre outros países e o Brasil está mais relacionada ao custo da terra, que é maior lá fora, portanto, precisa ter maior produtividade para que o negócio seja econômico, menor contingente de pessoas envolvidas com as atividades produtivas, necessitando ter maior produtividade por homem ocupado, além dos programas de subsídios ainda presentes em parte dos países que estimulam o processo produtivo", cita Figueiredo.

TECNOLOGIAS
Algumas tecnologias associadas à atividade leiteira podem contribuir para o aumento da produção, como softwares de gestão de rebanhos. "Sem sombra de dúvida, o controle sobre os resultados, tanto de índices de produtividade quanto, principalmente, de custos, é fundamental para o constante aprimoramento do processo produtivo. Nesse caso, os softwares existentes no mercado, e/ou produzidos nas próprias propriedades, com base em planilhas simples, são fundamentais, uma vez que o número de dados a ser considerado dificulta esse controle por métodos manuais", salienta o diretor da SNA.

Segundo Figueiredo, que apresenta ampla experiência como pecuarista, "o problema é que a maioria dos produtores sequer anota as informações diárias, chegando ao ponto de não saber a data prevista para o parto ou a necessidade de encerramento de lactação". "As cinco prioridades para o aumento da produção de leite são: 1. alimentação adequada; 2. alimentação adequada; 3. alimentação adequada; 4. alimentação adequada; 5. alimentação adequada. Depois que se consegue esse parâmetro, pode-se pensar em conforto animal e em genética, para melhorar as condições de produção dos animais", sentencia.

NANOTECNOLOGIA E APPS
Conforme a analista de Inteligência do SIS/Sebrae a utilização de tecnologias mais avançadas na pecuária veio para ficar. "A nanotecnologia, por exemplo, pode ser utilizada para enfrentar diversos desafios na atividade leiteira, como na identificação de doenças, por meio de nanossensores capazes de permitir mais acurácia nos diagnósticos laboratoriais; e no tratamento contra a mastite, inflamação que pode reduzir a qualidade e a produção de leite, por meio de nanocápsulas que direcionam o antibiótico no interior da glândula mamária", informa Renata Magalhães. Segundo a analista, os aplicativos rurais também auxiliam - e muito - a atividade, podendo ser utilizados para monitorar animais, gerenciar rebanhos, avaliar a qualidade do leite, avaliar a produtividade individual do animal, controlar a vacinação, analisar os dados da saúde, gerenciar custos e lucros, entre outros.

"A tecnologia também está presente na inovação de técnicas, máquinas e equipamentos utilizados na atividade." De acordo com o SIS/Sebrae, são diversas as tecnologias associadas à atividade leiteira que podem contribuir para o aumento da produção. 
* Software de gestão de rebanhos: existem softwares no mercado que contribuem para que o produtor obtenha informações sobre rendimento e desempenho técnico. Esses softwares emitem relatórios e fornecem estatísticas para melhor gerenciamento.
* Software de formulação de dietas: existem programas que formulam dietas, concentrados e suplementos para vacas leiteiras. Alguns, inclusive, oferecem a opção de desenvolver dietas tropicalizadas.
* Novos equipamentos: são diversos os equipamentos necessários para a manutenção e melhoria da atividade leiteira. Por exemplo, cocho, bebedouro, equipamento para mistura do alimento, dentre outros. (SNA)

Custos/Alemanha 

De acordo com o último estudo elaborado pelo Departamento Alemão para Agricultura e Sociologia Rural, em janeiro de 2017, o preço médio do leite ao produtor de 33,76 centavos de euros por quilo de leite cobre apenas 77% dos custos de produção (43,74 centavos). O estudo, em parceria com o Comitê Europeu de Laticínios (EMB) e do Comitê do Leite da Alemanha (MEG), calculou os custos correntes da produção de leite a partir de dados da produção da União Europeia (UE) e publicados em uma base trimestral. Considerando que a situação dos custos na Alemanha alterou apenas ligeiramente nos últimos meses, e os preços em toda a UE aumentaram ligeiramente, "o programa voluntário de redução da oferta de leite da UE reduziu o crescimento do leite excedente, interrompendo a tendência de queda dos preços", disse Romuald Schaber, presidente da EMB. Por exemplo, quando os preços do leite na Alemanha ainda estavam abaixo de 25 centavos, em julho do ano passado, a situação em outros países era muito mais dramática. Em julho de 2016, os preços na Lituânia ficaram abaixo de 17 centavos e em torno de 22 centavos na Bélgica. Mas, é pouco provável que a recuperação atual, de 30 e 34 centavos, respectivamente, no início de 2017 graças à redução voluntária de produção que ocorreu no último trimestre de 2016, se mantenha por muito tempo. 

Sinais de queda prolongada já estão sendo observados, embora novos aumentos de preços sejam essenciais. De acordo com Schaber, "é importante que se estabeleça, rapidamente, normas na UE que permitam aos agricultores produzirem com responsabilidade". Sem isto, a situação crítica fará com que os produtores tenham que intensificar a produção, prejudicando todo o mercado. A EMB solicita ao Comissário Europeu, Phil Hogan, e aos Ministros da Agricultura dos países membros, que introduzam instrumentos de crise do mercado do leite, com base no Programa de Responsabilidade do Mercado (MRP). Schaber disse: "nos últimos anos os agricultores e as autoridades perceberam que um mercado com leite excedente é extremamente prejudicial para muitas áreas". Com um instrumento de crise, que libera, automaticamente, medidas estabilizadoras, como restrição voluntária de produção em momentos de turbulências no mercado, a UE pode finalmente lidar com as crises crônicas do mercado de leite. (The Dairy Site - Tradução Livre: Terra Viva)

 
 
 

 
Alta do preço do leite no mercado spot em abril
 No mercado spot, ou seja, o leite comercializado entre as indústrias, os preços subiram na primeira quinzena de abril. Segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, os negócios ocorreram, em média, em R$1,579 por litro, posto na plataforma. Os maiores valores chegaram a R$1,60 por litro. Houve alta de 3,4% na comparação com a quinzena anterior. Em Minas Gerais e em Goiás, os preços médios ficaram em R$1,575 e R$1,415 por litro, respectivamente. A produção nacional em queda aumenta a concorrência por matéria-prima pelos laticínios. Em curto e médio prazos, a expectativa é de alta do leite no mercado spot. Porém, os incrementos deverão ser menores na comparação com as quinzenas anteriores. Algumas indústrias já falam em manutenção das cotações no mercado spot. Apesar da produção caindo, alguns fatores chamam a atenção e podem limitar as altas também para o produtor em curto e médio prazos. São eles: as importações em alta, a produção aumentando no Sul do país a partir de abril/maio e a demanda interna patinando. (Fonte: Scot Consultoria)