Pular para o conteúdo

Porto Alegre, 20 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.577


Mercado de trabalho na indústria de laticínios: desafios e novas demandas até 2026

A transformação tecnológica e regulatória da cadeia do leite avança em ritmo acelerado - mas a qualificação da mão de obra não acompanha na mesma velocidade. O descompasso entre as competências exigidas e as disponíveis já impacta operações, custos e eficiência.

A indústria de laticínios vive um momento de transição estrutural. Ao mesmo tempo em que enfrenta margens pressionadas, maior exigência regulatória e demandas crescentes por sustentabilidade, o setor se depara com um desafio cada vez mais evidente: a dificuldade de formar, atrair e reter profissionais qualificados ao longo de toda a cadeia do leite.

Esse cenário não é exclusivo do Brasil. Tendências globais indicam que, até 2026, o mercado de trabalho da indústria láctea será fortemente impactado por mudanças tecnológicas, demográficas e organizacionais. Para produtores, cooperativas e indústrias, compreender esse movimento deixou de ser apenas uma questão de recursos humanos e passou a ser um fator estratégico de competitividade.

A importância do setor e o peso do emprego na cadeia do leite

A cadeia do leite é reconhecida internacionalmente como uma das mais relevantes na geração de empregos no meio rural e agroindustrial. Segundo a FAO, poucas cadeias agroalimentares apresentam tamanho efeito multiplicador sobre o emprego, conectando produção primária, indústria, logística, qualidade e comercialização.

No Brasil, dados do CEPEA/USP mostram que o agronegócio responde por mais de um quarto das ocupações no país, com a agroindústria de alimentos — incluindo laticínios — exercendo papel central na absorção de mão de obra fora da porteira. A estrutura do setor é heterogênea: pequenas indústrias regionais convivem com cooperativas e grandes grupos industriais, cada qual com demandas específicas de qualificação profissional.

Essa diversidade, embora seja uma força do setor, também amplia os desafios de gestão de pessoas e formação técnica.

O lado dos candidatos: por que faltam profissionais?

Um dos principais gargalos do mercado de trabalho na indústria de laticínios é o descompasso entre as competências disponíveis e aquelas exigidas pelas operações modernas.

Estudos sobre a organização do trabalho no setor mostram que grande parte da mão de obra ainda é formada predominantemente na prática, com pouca formação técnica formal. Esse modelo funcionou durante décadas, mas se torna cada vez menos suficiente diante da automação, da digitalização dos processos e da complexidade regulatória atual.

Além disso, a indústria enfrenta dificuldade crescente em atrair jovens profissionais. Relatórios da FAO e da OECD apontam o envelhecimento da força de trabalho no meio rural e agroindustrial como uma tendência global. Muitos jovens não percebem o setor lácteo como uma carreira atrativa, especialmente quando comparado a outros segmentos industriais ou tecnológicos.

A ausência de planos de carreira claros, de comunicação sobre oportunidades técnicas e gerenciais e de ambientes de trabalho mais estruturados contribui para essa percepção.

O lado das empresas: escassez, rotatividade e pressão por qualificação

Para as empresas, o desafio vai além de preencher vagas. Há uma escassez estrutural de profissionais com competências técnicas intermediárias e avançadas, especialmente em áreas como:

operação e manutenção de processos automatizados;
controle e garantia da qualidade;
gestão de produção;
sustentabilidade e conformidade regulatória.
Relatórios da OECD indicam que setores industriais de processo contínuo, como laticínios, estão entre os mais impactados pelo chamado skills shortage. No Brasil, esse cenário é agravado por limitações regionais de oferta de formação técnica e pela concorrência com outros setores industriais.

Outro ponto crítico é a pressão regulatória. Exigências relacionadas à segurança de alimentos, rastreabilidade, bem-estar animal e sustentabilidade demandam equipes mais qualificadas e atualizadas. A FAO destaca que muitas empresas enfrentam dificuldades para acompanhar essas mudanças apenas com treinamentos pontuais, o que aumenta riscos operacionais e custos de não conformidade.

Organização do trabalho e bem-estar: um tema cada vez mais estratégico

Pesquisas científicas recentes mostram que a forma como o trabalho é organizado na cadeia do leite impacta diretamente a produtividade, a retenção de pessoas e a sustentabilidade do negócio.

Estudos publicados no periódico Animal indicam que melhorias na organização do trabalho — como divisão clara de funções, melhor gestão de turnos e uso adequado de tecnologia — estão associadas a maior eficiência operacional e maior satisfação dos trabalhadores em sistemas leiteiros modernos.

Esse tema ganha relevância em um contexto de escassez de mão de obra: reter pessoas passa a ser tão importante quanto contratar.

O que muda até 2026: novas demandas do mercado de trabalho

As tendências apontam que, até 2026, o setor lácteo demandará profissionais com um perfil diferente do tradicional.

A digitalização avança rapidamente, com maior uso de sensores, sistemas de controle em tempo real e análise de dados. Isso aumenta a demanda por técnicos e profissionais capazes de interpretar informações, operar sistemas integrados e tomar decisões baseadas em dados.

Outro eixo central é a sustentabilidade. A pressão por redução de impactos ambientais, eficiência no uso de recursos e conformidade com padrões internacionais cria espaço para profissionais que consigam integrar produção, meio ambiente e gestão.

Nesse contexto, cooperativas ganham protagonismo. Estudos da OECD mostram que modelos cooperativos bem estruturados conseguem diluir custos de capacitação e criar programas coletivos de formação, beneficiando produtores e indústrias simultaneamente.

Reflexões finais

O mercado de trabalho na indústria de laticínios passa por uma transformação silenciosa, mas profunda. A escassez de mão de obra qualificada, o envelhecimento da força de trabalho e o aumento da complexidade operacional não são desafios conjunturais, mas estruturais.

Para produtores, cooperativas e indústrias, investir em qualificação técnica, repensar a organização do trabalho e fortalecer a conexão com instituições de ensino deixa de ser uma opção e passa a ser um fator decisivo de competitividade.

Até 2026, a capacidade de atrair, desenvolver e reter pessoas será tão estratégica quanto a eficiência produtiva ou a gestão de custos na cadeia do leite (Milkpoint)


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1907 de 19 de fevereiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
A condição corporal geral dos rebanhos está satisfatória. No entanto, as altas temperaturas impuseram desafios ao sistema produtivo, exigindo ajustes no manejo para mitigar o estresse térmico das vacas em lactação, além de afetarem a produção em algumas regiões. Para mitigar os efeitos das condições meteorológicas, foram utilizados ventiladores e aspersores, adequados os horários de pastejo e oferecido mais sombra e água. Em algumas propriedades, intensificou-se o fornecimento de silagem durante o dia para assegurar consumo ideal de matéria seca. O tempo seco favoreceu a higiene dos úberes e das áreas de ordenha, contribuindo para a manutenção da qualidade do leite. Ainda assim, as estratégias adotadas elevaram os custos de produção e demandaram maior tempo de mão de obra. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, foi realizada rodada de revisão nos animais que participarão da 8ª Expofeira e do Trator Fest diretamente nas propriedades, com discussão de critérios técnicos para escolha dos exemplares e de outros temas relevantes à bovinocultura de leite. As condições climáticas têm afetado o bem-estar e o desempenho das matrizes em lactação, com reflexos negativos sobre a produção. Ainda assim, as vacas apresentam, de modo geral, boa condição corporal. 

Na de Caxias do Sul, o uso de forragens conservadas, como feno, pré-secado e silagem de milho, foi intensificado como estratégia para compensar a menor oferta de pasto e manter o aporte nutricional do rebanho. 

Na de Frederico Westphalen, a produção apresentou pequena retração, associada às altas temperaturas registradas na última semana e à irregularidade das chuvas na região.  

Na de Passo Fundo, o escore corporal das vacas está apropriado, e a produtividade em patamares satisfatórios.  

Na de Pelotas, registrou-se a ocorrência de estresse térmico, redução no consumo de matéria seca e queda na produção em diversas localidades. As precipitações recentes contribuíram para uma leve recuperação das pastagens. Contudo, em parte das áreas, os volumes ainda são insuficientes para restabelecer plenamente a oferta de forragem e a estabilidade produtiva. 

Na de Porto Alegre, como forma de amenizar o estresse causado pelo calor intenso, foram necessários ajustes nos horários de pastejo. 

Na de Santa Rosa, houve redução significativa no número de inseminações artificiais realizadas, associada ao aumento do índice de retorno ao cio, estimado em torno de 30%, o que indica menor taxa de concepção no período. (Emater editado pelo Sindilat)

Fim de semana deve ser de tempo estável em grande parte do Estado

Já a previsão para a próxima semana indica previsão de chuva na maior parte do Rio Grande do Sul

Para o final de semana, a previsão é de tempo estável em grande parte do RS com incidência de chuvas isoladas na metade Oeste. Em algumas localidades da metade Sul, as temperaturas podem apresentar leve declínio no domingo (22/2). Já para a próxima semana, a previsão do tempo indica chuva em grande parte do território gaúcho.

As informações constam no Boletim Integrado Agrometeorológico 08/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Sexta-feira (20/2): a instabilidade deve se concentrar em pontos da metade Norte, também com previsão de chuva fraca a moderada, pontualmente forte.

Sábado (21/2) e domingo (22/2): a atuação de um cavado (área alongada de baixa pressão) a Oeste do RS pode provocar chuva na metade Oeste do Rio Grande do Sul. Nesses dois dias, a precipitação deve ocorrer de forma isolada nessa região, enquanto nas demais localidades o tempo permanecerá estável, sem previsão de chuva significativa.

Segunda (23/2) e Terça-feira (24/2): o sistema deve se aproximar e intensificar a instabilidade, com previsão de chuva em grande parte do território gaúcho.

Quarta-feira (25/2): os efeitos de circulação associados ao transporte de umidade podem provocar chuva no litoral gaúcho e em regiões adjacentes, onde há previsão de precipitação fraca a moderada. Nas demais regiões, o tempo deve permanecer estável, sem previsão de chuva significativa. Na metade Norte do RS, deve ocorrer uma leve oscilação nas temperaturas e posterior retomada gradual dos valores de calor. 

Assim, os acumulados de precipitação devem variar entre 5 e 100 milímetros (mm) ao longo da semana, com maiores acumulados sendo previstos para a região da Fronteira Oeste, Missões, Alto Uruguai e Norte. Nas demais regiões, os acumulados previstos são um pouco menores e devem ficar entre 5 e 50 mm.

O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (SEAPI)


Jogo Rápido

No programa Pampa Debates do dia 19 de fevereiro de 2026, o público acompanhou uma discussão qualificada sobre temas de interesse regional e econômico, com a participação de Guilherme Portella, presidente do Sindilat/RS, ao lado de Anderson Mantei, prefeito de Santa Rosa, do deputado estadual Ernani Polo, de Cicão Chies, sócio-fundador da DC Set Group, e do empresário Gilmar Veloz, reunindo diferentes visões do setor público e privado em um debate direto e esclarecedor. Assista aqui. (Pampa Debates via youtube)


Porto Alegre, 19 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.576


Por que empresas líderes do setor lácteo argentino, como SanCor, Verónica ou La Paulina, estão falindo ou encolhendo?

Em um contexto marcado por vendas geralmente baixas no setor alimentício, o segmento de laticínios atravessa o primeiro semestre do ano com um vento contrário que se intensificou progressivamente, especialmente desde 2025.

A perspectiva para o setor é caracterizada por uma queda nas vendas, como relatado recentemente pelo Observatório da Cadeia Láctea (OCLA), embora a organização também tenha reconhecido que dezembro passado apresentou alguma melhora.

No entanto, a tempestade persiste: algumas organizações que representam pequenos e médios produtores de laticínios no interior do país relatam que as vendas de produtos lácteos caíram pelo menos 18% em janeiro.

Ressalta-se também, dentro do setor, que mais de 1.000 fazendas leiteiras fecharam as portas na Argentina nos últimos dois anos , e que a combinação desses fatores explica a precária situação operacional e financeira enfrentada por empresas como Lácteos Verónica , Luz Azul e a própria SanCor.

Ou então, força a saída de gigantes como a Saputo, que acaba de vender 80% de seu negócio de laticínios na Argentina para a holding peruana Gloria Foods, incluindo a transferência de marcas como La Paulina, Ricrem e Molfino.

Embora os representantes do setor lácteo reconheçam que a produção de matéria-prima aumentou mais de 9% em 2025, também apontam que a queda no consumo ao longo de vários meses, combinada com o aumento dos custos operacionais e a falta de novos financiamentos para sanar a dívida acumulada da maioria das grandes empresas do setor, deixou praticamente todo o setor em situação crítica.

Por outro lado, o aumento da produção leiteira não se traduziu em retornos lucrativos para toda a cadeia de abastecimento.

Assim, organizações como a CONINAGRO e a FECOFE alertaram recentemente que o setor "está atravessando uma fase negativa marcada pela estagnação dos preços, fechamento de fazendas leiteiras e concentração da produção ".

Leia a matéria completa clicando aqui. (iProfissional)


GDT 398 mantém trajetória de alta e sustenta expectativas para 2026

O índice médio alcançou USD 4.028/tonelada, marcando a quarta alta consecutiva e reforçando o movimento de recuperação iniciado em 2026. Confira os detalhes!

O 398º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 17 de fevereiro, registrou nova valorização nos preços internacionais dos lácteos, consolidando o quarto evento consecutivo de alta no price index. O índice médio dos produtos comercializados avançou 3,6%, alcançando USD 4.028/tonelada, reforçando o movimento de recuperação observado desde o início do ano.

Gráfico 1. Preço médio leilão GDT

Entre os derivados negociados, o movimento foi majoritariamente positivo. O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado na plataforma, subiu 2,5%, sendo negociado a USD 3.706/tonelada. O leite em pó desnatado (LPD) registrou valorização de 3,0%, chegando a USD 2.973/tonelada.

Gráfico 2. Preço médio LPI

A manteiga apresentou alta de 10,7%, sendo a maior alta do evento, cotada a USD 6.347/tonelada, enquanto a gordura anidra do leite avançou 3,8%, atingindo USD 6.751/tonelada. 

A muçarela apresentou alta de 5,0%, alcançando USD 3.879/tonelada, enquanto a lactose avançou 7,8%. O cheddar foi o único produto a registrar leve recuo, com queda de 1,0%, cotado a USD 4.736/tonelada.

Embora as altas tenham sido generalizadas, o ritmo de valorização foi mais moderado do que o observado no leilão anterior, sinalizando um mercado ainda firme, porém em processo de acomodação após as fortes elevações recentes.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 17/02/2026.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado recua novamente

O volume total negociado no leilão somou 22.240 toneladas, representando queda de 7,5% frente ao evento anterior e recuo de 1,8% na comparação com o leilão equivalente de 2025. Além disso, houve menor participação de compradores em relação ao evento passado.

A Nova Zelândia entra gradualmente em fase de desaceleração sazonal da produção, após o pico da safra. Com isso, a disponibilidade exportável tende a se tornar mais limitada nos meses seguintes. Esse ajuste natural de oferta contribui para um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda no comércio internacional, sustentando as valorizações observadas no GDT, mesmo com volumes negociados menores.

Portanto, o resultado do GDT 398 parece refletir menos uma retração estrutural de demanda e mais um momento de transição sazonal na oferta da Oceania.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Desde o último leilão do GDT, os contratos futuros de leite em pó integral negociados na NZX seguem apresentando valorização, reforçando a percepção de um cenário de menor excedente global de leite. O mercado já prevê uma desaceleração sazonal da oferta nos próximos meses, além de um crescimento menos acelerado da produção mundial ao longo de 2026.

Em meados de fevereiro, observou-se uma retração pontual nos preços dos contratos futuros, associada a movimentos de realização de lucros e ajustes de posições no curto prazo, o que gerou momentaneamente dúvidas quanto à sustentação das cotações no horizonte mais longo. No entanto, esse movimento foi rapidamente revertido, e os preços voltaram a apresentar viés altista, indicando que os fundamentos seguem dando suporte ao mercado.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

Com quatro altas consecutivas no price index do Global Dairy Trade (GDT), o mercado internacional de lácteos consolida um ciclo de recuperação iniciado no começo de 2026. Esse movimento encontra respaldo em fatores estruturais, como o ajuste sazonal da produção na Oceania, a expectativa de crescimento mais contido da produção global neste ano e a manutenção de uma demanda internacional resiliente, mesmo diante de preços mais elevados.

Para o Brasil, esse ambiente externo mais firme tende a manter suporte aos preços praticados no Mercosul, especialmente para derivados como leites em pó e muçarela, principais produtos do comércio regional. A continuidade das valorizações internacionais pode reduzir o diferencial de preços entre mercado externo e interno, diminuindo o estímulo às importações, sobretudo se combinada a uma oferta doméstica consistente ao longo do primeiro semestre.

Ainda assim, o câmbio permanece como variável-chave nessa equação. Um dólar em patamares mais baixos pode aumentar a competitividade dos produtos importados, atenuando parte dos efeitos da alta internacional sobre o mercado brasileiro.

Em síntese, o resultado do GDT 398 reforça um cenário internacional mais ajustado e potencialmente mais sustentado ao longo de 2026, com impactos diretos sobre a dinâmica de preços e importações no mercado brasileiro. (Milkpoint)

 

 

Vencedores Bebem Leite: a Cena Mais Icônica das 500 Milhas de Indianápolis

Conheça a história da celebração no pódio que se transformou em uma das estratégias mais duradouras e bem-sucedidas do marketing da agroindústria

Uma das celebrações mais icônicas de todo o esporte acontece quando o piloto vencedor das 500 Milhas de Indianápolis recebe uma garrafa de leite bem gelado na Victory Lane. A tradição começou em 1936, quando Louis Meyer se tornou o primeiro piloto a vencer a famosa prova de 500 milhas, o que ocorreu três vezes ao longo da carreira.

Após um dia longo e quente sob o sol de Indiana no Memorial Day de 1936, Meyer pediu uma garrafa de buttermilk para matar a sede. 

Conta a história que um executivo da indústria de laticínios viu as imagens do cinejornal daquele momento icônico e solicitou que, a partir de então, o leite fosse oferecido ao vencedor de cada edição das 500 Milhas de Indianápolis.

Assim nasceu uma grande tradição que continua até hoje, embora nos tempos mais recentes os vencedores da Indy 500 tenham mais jogado o leite sobre si do que, de fato, bebido.

Vencedores bebem leite e os fãs da Indy 500 também
Neste ano, a 110ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, apresentada pela Gainbridge, está marcada para domingo, 24 de maio. Por meio de uma ação promocional criativa envolvendo o Indianapolis Motor Speedway, a American Dairy Association Indiana e o grupo Prairie Farms Family of Companies, os fãs da Indy 500 também podem ter sua própria celebração em estilo Victory Lane. A ação é uma aula de marketing da agroindústria. A parceria leva ao público garrafas e caixinhas individuais de leite com a marca das 500 Milhas de Indianápolis, distribuídas em 20 estados.

Mais de 25 mil varejistas na Dakota do Norte, Dakota do Sul, Nebraska, Kansas, Oklahoma, Texas, Minnesota, Iowa, Missouri, Arkansas, Louisiana, Wisconsin, Illinois, Michigan, Indiana, Ohio, Kentucky, Tennessee, Mississippi e Alabama terão à venda embalagens individuais de leite celebrando cinco vencedores do “Maior Espetáculo do Automobilismo”. As garrafas comemorativas estarão disponíveis nas marcas Prairie Farms e Hiland, conforme o mercado. Os estilos das embalagens variam de acordo com a região.

“Assim como as corridas, a produção de leite é construída sobre madrugadas, precisão e resiliência, valores enraizados em uma busca comum pela excelência, que tornam as 500 Milhas de Indianápolis e sua icônica celebração com leite uma combinação natural”, afirmou Jenni

Browning, CEO da American Dairy Association Indiana, entidade que representa os produtores de leite do estado."

Cada tipo de leite traz a imagem de um vencedor diferente da Indy 500, permitindo que os fãs colecionarem todas as versões. Quem juntou garrafas no ano passado vai notar novos designs e novos pilotos destacados.

Por exemplo, o leite semidesnatado com 2% de gordura traz o bicampeão consecutivo Josef Newgarden (2023 e 2024); o leite integral com vitamina D destaca o atual campeão Alex Palou (2025); o leite achocolatado premium homenageia o vencedor de 2016 Alexander Rossi; o leite achocolatado com 1% de gordura traz o vencedor de 2008 Scott Dixon; e o leite sabor morango premium celebra o tetracampeão Helio Castroneves (2001, 2002, 2009 e 2021).

Essas garrafas individuais começam a chegar ao varejo dos EUA em 1º de março. “Os fãs adoraram as garrafas comemorativas de leite no ano passado, e muitos tentaram colecionar todas as cinco”, disse J. Douglas Boles, presidente da IndyCar e do IMS. “Essas garrafas e caixinhas permitem que nossos fãs façam parte da empolgação do dia da corrida e comemorem como um vencedor da Indy 500, com uma bebida gelada de leite.”

Celebração do leite da Indy 500 chega às escolas
Além das garrafas colecionáveis individuais, cerca de 200 milhões de caixinhas de meio pint, decoradas com uma arte celebrando o slogan Winners Drink Milk, estão sendo distribuídas a escolas nos mesmos estados. “A Prairie Farms Family of Companies tem orgulho de ser parceira do IMS e da ADAI novamente neste ano”, afirmou Matt McClelland, CEO e vice-presidente executivo da Prairie Farms Dairy. “Essa parceria não só nos permite celebrar essa tradição icônica em lojas e escolas, como também reconhecer o compromisso e a dedicação de nossos produtores associados.”

Atualmente, o buttermilk não é mais oferecido como opção. Todos os 33 pilotos inscritos nas 500 Milhas de Indianápolis apresentadas pela Gainbridge informam que o leite integral é a escolha mais popular, embora alguns pilotos ainda peçam buttermilk em homenagem a Meyer. Independentemente de quem vença a prova, a tradição de entregar uma garrafa de leite ao campeão na Victory Lane permanece como uma das mais famosas, e mais simbólicas, de qualquer grande evento esportivo. (Forbes)


Jogo Rápido

Dólar sobe e bolsa cai na volta do Carnaval
O retorno dos mercados brasileiros após o feriado prolongado de Carnaval foi majoritariamente negativo nesta quarta-feira. Em um pregão encurtado que começou apenas às 13h, o dólar comercial avançou, seguindo a tendência de fortalecimento da moeda americana no exterior, ao passo em que o Ibovespa recuou, pressionado, especialmente, pelas ações da Vale. No mercado à vista, o dólar subiu 0,21%, a R$ 5,2401, apagando ao longo do dia a queda que se observou no começo da sessão. Logo nos primeiros minutos de negociações, o dólar chegou a encostar na mínima de R$ 5,1935.O movimento inicial foi visto por operadores como um ajuste, já que na sexta-feira pré-Carnaval o real acabou ficando entre as moedas mais desvalorizadas do dia, possivelmente por conta de posições mais defensivas montadas pelos investidores em véspera de feriado prolongado. (Valor Econômico)


Porto Alegre, 18 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.575


“É um gargalo que precisamos enfrentar”

Gustavo Paim assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Rural. Com longa trajetória política, terá pela frente a missão de conduzir a pasta dedicada aos produtores familiares no ano final da atual gestão. Também produtor de leite em Campestre da Serra, conversou com a coluna sobre desafios e metas. Confira trechos.

● A secretaria tem recebido relatos de danos por falta de chuva?

Estamos vivendo uma onda de calor muito grande e isso tem reflexo na safra em algumas regiões. Não é algo, digamos, generalizado. Esse é um dos grandes gargalos que precisamos enfrentar. O governador anunciou, no lançamento da Expodireto, a ideia de um grande programa de irrigação (a partir da prorrogação da suspensão do pagamento da dívida com a União). Porque discutimos a questão climática, nos últimos seis anos são quatro estiagens severas e isso tem impacto, segundo a Farsul, de R$ 17 bilhões. Estamos falando mais do que um orçamento do Estado no período 2024 em razão das estiagens.

● Acha viável o projeto em ano de restrições eleitorais e polarização política?

Embora a dificuldade política vivida hoje, há que se compreender que um mandato de quatro anos não pode ser a cada dois interrompido em razão de questões eleitorais. Não há dúvida que há restrições da legislação, mas tem de se pensar sempre no Estado, não como um governo, e sim, como programas de Estado. Um plano desses se desenvolve ao longo de um certo tempo. É algo que será demandado ao longo de alguns anos, para termos a capacidade para chegar no investimento necessário para uma cobertura maior de irrigação. Não estamos pedindo perdão ou para deixar de pagar a dívida, mas permitir que esse recurso possamos reverter em investimentos.

● Como produtor de leite, que ações entende necessárias para os problemas da atividade?

Sou produtor de leite em Campestre da Serra, e sei das dificuldades para fechar as contas. Lembro que na Expointer foi até mencionado na abertura que era uma das atividades com o melhor resultado naquele momento. De lá para cá, mês a mês, analisando o índice Cepea, vemos o preço do leite caindo, e os custos para a produção não acompanham essa curva descendente. Temos o programa do Bônus Mais Leite, que permite uma subvenção de valores, a um orçamento de R$ 30 milhões, para custeio e investimento. Talvez um dos grandes desafios é fazer a mensuração desses programas, o quanto esse recurso reproduz em rendimento, aumento de produtividade e otimização da produção, para conseguir medir os resultados dessas políticas públicas.

● A pasta cuida das agroindústrias familiares, um sucesso...

Em 2025, foram 139 feiras e um investimento de R$ 14 milhões, com mais de R$ 46 milhões em vendas. Estamos falando de quase quatro vezes o valor de investimentos. Tenho desejo de fazer algo puxando aqui para os grandes centros também para realizar um evento que possa ser quase um lançamento do que vemos na Expointer, para unir um pouco mais a cidade e o campo. (Zero Hora)


GDT - GLOBAL DAIRY TRADE

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS

 

 

Fundesa-RS: Conselho Técnico propõe nova tabela de indenizações da pecuária leiteira

Valores serão apreciados no dia 10 de março em reunião do Conselho Deliberativo do fundo

Em reunião híbrida realizada na Casa do Fundesa-RS nesta sexta-feira (13), integrantes do Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira (CTOPL) do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS, aprovaram a nova tabela de indenizações para produtores de leite que tiverem a determinação de sacrifício ou abate sanitário de animais diagnosticados com brucelose e tuberculose. Os valores serão reajustados em 8% sobre a tabela vigente, sendo que o menor valor, pago para animais sem registro de zero a 12 meses será de R$ 1.636,00 e o maior valor, pago sobre animais com registro puro de origem de 25 a 36 meses será de R$ 4.548,00. Após a consolidação da nova tabela, os valores irão para apreciação do Conselho Deliberativo do fundo, que terá reunião no dia 10 de março.

Conforme a vice-presidente do CTOPL, Ana Groff, o percentual sugerido é superior ao reajuste da UPF (Unidade Padrão Fiscal) do Rio Grande do Sul, critério adotado no anos anteriores, e também maior do que a inflação no período. Os conselheiros não descartam uma revisão dos valores após avaliação da implantação da tabela atualizada. Os novos valores têm o objetivo de trazer mais robustez ao fundo que tem se destacado em alto aporte para a indenização de produtores ao longo de sua existência. “Desde o início das indenizações, o Fundesa já indenizou produtores em mais de R$53 milhões”, afirma o presidente do Fundesa, Rogério Kerber. A medida visa dar mais segurança ao produtor e estimular os testes e a eliminação de animais doentes.

Todo o trabalho do Fundesa segue o recomendado pelo Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), que estabelece protocolos obrigatórios para garantir a sanidade do rebanho e a segurança dos alimentos. Para ter direito às indenizações, o pecuarista deve estar em dia com suas contribuições e apresentar o laudo oficial emitido pelo médico veterinário habilitado e a comprovação do abate em estabelecimento com inspeção oficial. A contribuição do setor leiteiro é recolhida pela indústria.

Fórum vai debater sanidade para acesso a mercados

Outro tema abordado na reunião do CTOPL foi a realização de um evento durante a Expoleite Fenasul para abordar a responsabilidade compartilhada para o controle das duas doenças no rebanho leiteiro gaúcho. O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul é reconhecido como atuante no trabalho junto aos produtores para reduzir a presença de brucelose e tuberculose na produção e o evento deverá ter na pauta as exigências para acesso a novos mercados, medida que será importante para melhorar as condições de preço e liquidez ao produtor.

Conforme o presidente do CTOPL, Marcos Tang, também presidente da Gadolando, o evento tem o foco no papel das indústrias no estímulo à prevenção. O evento será realizado no dia 14 de maio, das 13h30 às 17h, na casa do Fundesa, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A Expoleite Fenasul será realizada de 13 a 17 de maio.

As informações são do Fundesa


Jogo Rápido

Estudos apontam efeito de consumo de leite na pressão arterial
O leite voltou ao centro do debate científico sobre saúde cardiovascular, desta vez com evidências consistentes que associam seu consumo à redução da pressão arterial e a um menor risco de hipertensão. A relação entre leite, derivados lácteos e saúde do coração tem sido amplamente estudada nas últimas décadas, e os dados mais recentes ajudam a separar mitos de achados sustentados por pesquisa. Estudos populacionais de grande escala indicam que pessoas que consomem leite e produtos lácteos regularmente tendem a apresentar níveis mais baixos de pressão arterial. Uma meta-análise de estudos prospectivos publicada no Journal of Human Hypertension observou uma redução de aproximadamente 13% no risco de hipertensão entre indivíduos com maior consumo de lácteos, em comparação aos que consomem pouco ou nenhum. Parte dessa associação é explicada pelo perfil nutricional do leite. O alimento é fonte relevante de cálcio, mineral envolvido na regulação da contração e do relaxamento dos vasos sanguíneos. Também fornece potássio, nutriente que ajuda a contrabalançar os efeitos do sódio e favorece sua excreção urinária, além de magnésio, associado ao controle da pressão arterial e à função vascular. A gordura do leite também tem sido reavaliada. Ácidos graxos como o oleico, conhecido por suas propriedades antiaterogênicas, e o ácido linoleico conjugado (CLA) têm sido associados à melhora da função endotelial e a perfis lipídicos mais favoráveis em alguns grupos populacionais. Esses achados ajudam a explicar por que estudos recentes não confirmam uma associação direta entre consumo moderado de gordura láctea e maior risco cardiovascular. Evidências de ensaios clínicos reforçam essa leitura. Uma meta-análise publicada no American Journal of Clinical Nutrition, que reuniu 29 estudos randomizados, identificou reduções estatisticamente significativas da pressão arterial sistólica e diastólica associadas ao consumo de produtos lácteos. O efeito foi mais pronunciado em indivíduos já diagnosticados com hipertensão. Resultados semelhantes foram observados no estudo de coorte EPIC-Norfolk, que acompanhou mais de 25 mil pessoas por cerca de 12 anos. Os participantes com consumo regular de lácteos apresentaram um risco 16% menor de desenvolver hipertensão ao longo do período analisado. Quando se comparam diferentes tipos de leite, os benefícios não parecem restritos ao produto integral. Um estudo publicado no Journal of Dairy Science mostrou que o consumo de leite desnatado também contribuiu para a redução da pressão arterial, sem aumento dos níveis de colesterol, indicando que parte dos efeitos positivos está ligada aos micronutrientes e proteínas do leite. Em um cenário marcado por modismos alimentares e informações conflitantes, o conjunto dessas evidências reposiciona o leite como um alimento funcional, capaz de integrar uma dieta equilibrada voltada à saúde cardiovascular. Para o público em geral, a mensagem é simples: o consumo moderado de leite, dentro de um padrão alimentar saudável, pode ser um aliado adicional no controle da pressão arterial. Autora:  Valeria Hamann para o eDairyNews, com informações de American Journal of Clinical Nutrition


Porto Alegre, 13 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.574


Prévia do IBGE: ano recorde na captação redefine expectativas para 2026

A captação formal de leite alcançou o maior volume da série histórica em 2025, com crescimento de 8% sobre 2024. No entanto, os dados do último trimestre mostram perda gradual de ritmo, em meio à compressão das margens e ao descompasso entre oferta e demanda. Entenda!

A divulgação dos dados parciais da Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE, confirmou o movimento que já vinha sendo sinalizado ao longo do ano: 2025 se consolidou como o ano de maior captação da série histórica. O volume formal registrado ficou 8% acima de 2024, enquanto o quarto trimestre avançou 8,2% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, reforçando o ritmo consistente de expansão da oferta visto em 2025.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, outubro apresentou o maior crescimento do trimestre (12,5%). Já em novembro, o avanço foi mais modesto (7,9%), finalizando dezembro com uma desaceleração ainda maior (4,5%).

Gráfico 2. Volume e variação da captação em período equivalente no ano anterior
 

Apesar do crescimento expressivo no acumulado do ano (8,01%), esses dados parciais do último trimestre já indicam uma redução no ritmo de captação. Após um longo período de expansão da oferta, criou-se um descompasso entre produção e demanda, que pressionou gradualmente os preços ao produtor ao longo de 2025 e influiu diretamente nessa desaceleração observada.

Para o início de 2026, é provável que ainda observemos um primeiro momento de captação sustentada, reflexo direto do ano altamente produtivo que se encerrou. Contudo, considerando o patamar atual de rentabilidade, o crescimento deve ocorrer em ritmo mais moderado do que o registrado em 2025, à medida que o setor busca um novo ponto de equilíbrio entre oferta e demanda. (Milkpoint editado pelo Sindilat)


LC 224/2025 no setor de laticínios: menos benefício, mais atenção na formação de preço (e nas escolhas do regime)

A CBS/IBS pode manter alíquota zero para lácteos essenciais, mas a LC 224 reduz os incentivos paralelos que ajudavam a fechar a conta. O resultado aparece no DRE: margem mais sensível e necessidade de recalibrar planilhas para 2026.

A Lei Complementar 224, sancionada em 26 de dezembro de 2025, mudou o pano de fundo com que a gente calcula tributos e planeja preço. Ela não extingue o que existe; aperta. Em português claro: a LC 224 impõe redução transversal dos benefícios e incentivos federais (tributários, financeiros e creditícios) e cria regras mais duras para conceder, ampliar ou prorrogar vantagens no futuro.

O espírito da lei é gastar menos com renúncia e exigir mais transparência e compensação. Para quem toca laticínio, isso significa recalibrar planilhas: menos “amortecedor” vindo de incentivo e mais dependência de processo bem-feito (creditamento, classificação fiscal, documentação e regime certo).

Primeiro, a lei aumentou o IR na fonte sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15% para 17,5% a partir de 2026. Segundo, ela trouxe uma progressividade no Lucro Presumido: a parcela da receita bruta anual que ultrapassar R$ 5 milhões sofre um acréscimo de 10% nos percentuais de presunção do IRPJ e da CSLL — o que puxa a carga efetiva para cima nessa “faixa excedente”. Isso não proíbe o uso do presumido; só o torna menos confortável para quem fatura acima do piso e tem margem apertada. Na gestão, a consequência é direta: refazer o comparativo Presumido x Real para 2026 em diante, com números do seu mix e do seu creditamento, em vez de repetir a escolha do ano passado. Por fim, reduziu benefícios e incentivos fiscais criando um adicional de 10% sobre a carga atual.

A lógica da LC 224 não é “proibir”, e sim reduzir a intensidade. Vários materiais técnicos e comunicados oficiais vêm explicando que o corte é linear/padrão sobre benefícios federais (PIS/Cofins, IRPJ, CSLL, IPI etc.), com detalhamento via regulamentação. Traduzindo para o seu dia a dia: onde havia um redutor, o redutor encolhe; onde havia crédito outorgado, o percentual tende a cair; onde havia mecanismo financeiro de estímulo, o efeito é menor. Por isso, projeções 2026 precisam revisar cada incentivo que entra na sua conta — não só “se existe”, mas quanto está efetivamente aliviando sua apuração após a LC 224.

Em relação a produtos isentos, com alíquota zero ou com base/alíquota reduzida, vale uma observação. O tratamento setorial dos lácteos nos novos tributos sobre consumo (CBS/IBS) — como a alíquota zero e as reduções desenhadas para itens essenciais — não nasce nem morre na LC 224; ele vem de leis da própria reforma (e seus regulamentos) e continua existindo. Todavia, quanto à PIS e COFINS, mesmo mantendo isenção/zero/redução nos seus produtos, o “colchão” federal de benefícios paralelos que ajudava a segurar a carga fica mais fino com a LC 224.

Em termos práticos, um queijo que segue com alíquota zero na CBS/IBS continua com zero, mas perde parte das vantagens federais acessórias que você talvez embutia na formação de preço. É por isso que o gestor precisa separar as camadas:

a alíquota nominal do produto (isenção/zero/redução, que permanece conforme a legislação da reforma); e

os incentivos federais transversais que a LC 224 reduziu e que alteram sua alíquota efetiva.

Insta esclarecer que isto não se aplica a produtos destinados à cesta básica, que mantém a integralidade dos benefícios fiscais concedidos a eles.

No bolso do laticínio, a conversa fica muito concreta quando a gente coloca dois “desenhos” lado a lado. Pense em bebidas lácteas e queijos básicos. As bebidas costumam carregar insumos tributados (açúcar, aromas, embalagens específicas), fazem giro alto e vivem de centavos por litro. Se você, até 2025, contava com um pacote de benefícios federais para “fechar” a conta, a LC 224 encolhe esse pacote e empurra a responsabilidade para creditamento limpo (PIS/Cofins, CBS/IBS quando aplicável), nota fiscal redonda e compras de fornecedores que gerem crédito cheio.

Já nos queijos com alíquota zero/redução na nova cesta de essenciais, a etiqueta ao consumidor tende a não saltar por causa da CBS/IBS, mas a alíquota efetiva do seu DRE pode subir alguns décimos porque os incentivos federais colaterais ficaram menores. O produto continua “favorecido” no consumo; o custo de produzir pode não ser tão favorecido quanto era antes.

Agora, traga isso para decisões típicas de gestão. JCP: se sua empresa usava JCP para equilibrar sociedade e caixa, a mordida de 17,5% no IRRF exige orçamento novo — ou você reduz JCP e reforça dividendos/retenção, ou mantém JCP e acha eficiência em outro lugar (compras, perdas, energia). Lucro Presumido: cruzou R$ 5 milhões no ano? A faixa excedente ganha 10% nos percentuais de presunção; refaça a conta, principalmente se você tem bom crédito de insumos (Real pode voltar ao radar). Incentivos federais: onde havia benefício, recalcule o efeito líquido pós-LC 224 antes de renovar contrato com varejo; aquele 0,5–1,0 ponto que “sumiu” de incentivo pode precisar aparecer em ganho de processo.

Para ninguém ficar só no conceitual, dois exemplos. Imagine um laticínio no Lucro Presumido que fatura R$ 30 milhões/ano. Até R$ 5 milhões, aplica os percentuais normais de presunção de IRPJ/CSLL; acima disso, aplica os mesmos percentuais acrescidos de 10%. Se o setor usa, por hipótese, 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), a parte excedente vira 8,8% e 13,2% de base. Multiplique pelas alíquotas e veja: a carga sobe nessa faixa — o suficiente para comer uma troca de soprador ou obrigar um repasse que você não queria fazer agora. Em outro cenário, um queijo essencial com alíquota zero de CBS/IBS segue zero no consumo, mas a empresa perdeu parte do “plus” que vinha de algum benefício federal reduzido pela LC 224; o preço ao consumidor pode ficar estável, enquanto a margem contábil pede compensação com crédito técnico bem capturado, regime de compras e logística no destino.

A LC 224 não derruba o tratamento setorial dos lácteos na CBS/IBS, mas aperta os parafusos dos incentivos paralelos e encarece JCP e a “faixa alta” do Presumido. Quem reagir com dado e processo — mapa de NCM por SKU, higiene de notas, fornecedor que gera crédito cheio, simulação Presumido x Real com 2026 na mesa — atravessa a virada com preço mais previsível e margem menos volátil. Quem adiar e seguir como em 2025 vai sentir o aperto na hora errada: no giro de caixa e na negociação com o varejo. A lei já está valendo; a diferença, agora, está em como cada laticínio ajusta a conta e protege o seu preço. (Milkpoint)

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1906 de 12 de fevereiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
As temperaturas elevadas têm imposto restrições à manutenção dos animais, exigindo a reorganização do manejo, especialmente quanto aos horários de pastejo e de fornecimento de alimento. As categorias de maior exigência nutricional, em especial às vacas secas e às terneiras, recebem atenção diferenciada, como ajustes no manejo alimentar. Ainda assim, os dias de intenso calor, associados à redução na disponibilidade e na qualidade da forragem, têm afetado o bem-estar e o desempenho das matrizes em lactação, refletindo na diminuição da produção. Observam-se, também, prejuízos nos índices reprodutivos de alguns rebanhos. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a suplementação com silagem e com ração foi intensificada com o objetivo de estimular a produção das matrizes de cria nova e compensar as limitações na oferta de alimento. Em função do baixo volume de chuvas, estima-se perda média de aproximadamente 12% na produção de alimentos volumosos nos últimos meses. Caso as precipitações permaneçam abaixo da normalidade, há risco de ampliação dessas perdas. 

Na de Erechim, foram necessários ajustes no manejo quanto ao acesso à sombra para evitar estresse térmico aos animais. O tempo seco possibilitou controle mais eficiente de mastites e possibilitou pastejos. 

Na de Pelotas, as temperaturas elevadas ao longo da maior parte do período provocaram estresse térmico nos animais, comprometendo o bem-estar, reduzindo o consumo de matéria seca e impactando negativamente a produção de leite. Observa-se, ainda, queda de produtividade, além de escassez de água para os animais. Em determinadas propriedades, as reduções na produção diária. 

Na de Santa Rosa, houve redução dos índices de prenhez e dificuldades de manutenção do volume de produção de leite em função das temperaturas elevadas, que causaram estresse térmico nos animais.  

Na de Soledade, em razão da a recente melhoria na oferta de pastagens em algumas localidades, os animais receberam forragem de qualidade e em quantidade suficiente para reduzir os custos com suplementação alimentar. (Emater editado pelo Sindilat)


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA DE ATÉ 18/02/2026 
Na próxima semana, a passagem de uma frente fria manterá o tempo instável em grande parte do Rio Grande do Sul. No dia 13/02 (sexta-feira), a instabilidade se intensifica com a passagem da frente fria, favorecendo a ocorrência de chuva em todas as regiões, com volumes mais expressivos em áreas isoladas. No dia 14/02 (sábado), o avanço do sistema deslocará a instabilidade para a Metade Norte, onde há possibilidade de chuva fraca a moderada, localmente forte. Nos dias 15/02 (domingo) e 16/02 (segunda-feira), os efeitos da circulação e o transporte de umidade manterão a condição de instabilidade em parte do Estado, com maiores volumes previstos para as regiões Norte e Oeste. Nos dias 17/02 (terça-feira) e 18/02 (quarta-feira), a estabilidade voltará a predominar, e há previsão de chuva fraca apenas em pontos isolados do litoral gaúcho. Entre os dias 12/02 (quinta-feira) e 14/02 (sábado), as temperaturas deverão entrar em declínio. A partir do dia 15/02 (domingo), os valores voltarão a se elevar gradualmente, acompanhando a reorganização do padrão atmosférico. Os acumulados de precipitação devem variar entre 5 e 100 mm ao longo da semana. No Norte, em várias localidades, os acumulados podem se aproximar dos 100 mm.  (Boletim Agrometeorológico da SEAPI)


Porto Alegre, 12 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.573


Carnaval e consumo fora da rotina: como a folia reorganiza a demanda por lácteos?
 
Datas de exceção ajudam a entender como o consumidor reage fora do padrão habitual. No Carnaval, atributos como praticidade, versatilidade e consumo coletivo ganham força. Esses movimentos ampliam a leitura sobre inovação, portfólio e estratégia. Confira!
 
O Carnaval é um dos períodos mais interessantes do calendário para observar como o consumo se reorganiza quando a rotina desaparece. Em poucos dias, refeições planejadas dão lugar a encontros informais, churrascos improvisados, consumo fora de casa e decisões de compra mais imediatas.
 
Para a indústria láctea, esse deslocamento não representa apenas um pico pontual, mas um ambiente privilegiado de leitura de comportamento. É nesse contexto que alguns produtos ganham protagonismo, não pela frequência cotidiana, mas pela adequação a ocasiões específicas de lazer, socialização e conveniência.
 
Mais do que uma data festiva, o Carnaval funciona como um laboratório de sazonalidade, revelando quais categorias conseguem capturar valor quando o consumo sai do padrão habitual.
 
Queijo coalho e churrasco: quando o contexto define a demanda
 
Entre os lácteos mais associados ao período está o queijo coalho, fortemente conectado a churrascos, praia e consumo ao ar livre. À medida que o Carnaval se aproxima, a dinâmica de compra tende a se intensificar, especialmente em regiões turísticas e cidades com forte tradição de festas populares.
 
Esse protagonismo está menos ligado ao produto em si e mais ao contexto de uso, sustentado por três características-chave:
 

  • consumo coletivo e compartilhado;
  • preparo simples e rápido;
  • bom desempenho em ambientes externos e altas temperaturas

 
Para a indústria, esse movimento exige atenção redobrada ao planejamento produtivo e à distribuição. Em períodos de alta concentração de demanda, falhas logísticas não apenas reduzem vendas, mas comprometem a presença da marca em momentos de alto giro no varejo tradicional, atacarejos e pontos de venda temporários.
 
Além do queijo coalho, manteiga e queijos de uso culinário também se beneficiam do aumento de refeições compartilhadas, reforçando o papel do lácteo como base alimentar em momentos de lazer e convivência.
 
Novas leituras de uso
 
Outro deslocamento típico do Carnaval está no uso de leite condensado e creme de leite, que passam a integrar batidas, drinks e sobremesas de preparo rápido. Nesse período, esses produtos deixam de ocupar apenas o papel de ingredientes culinários tradicionais e passam a compor experiências de consumo ligadas ao entretenimento.
 
O que se observa é uma valorização de atributos como:
 

  • indulgência;
  • praticidade;
  • versatilidade de uso.

 
Esse uso “fora da função original” amplia o olhar da indústria sobre oportunidades de inovação, comunicação e desenvolvimento de embalagens mais alinhadas a ocasiões específicas. O Carnaval, nesse sentido, ajuda a revelar novas leituras de uso para categorias já consolidadas.
 
O Carnaval como leitura estratégica para a indústria láctea
 
Mais do que volumes concentrados em poucos dias, o Carnaval oferece aprendizados estratégicos relevantes. Ele evidencia como o consumidor responde a contextos de exceção e quais produtos conseguem manter relevância mesmo fora do consumo tradicional.
 
Do ponto de vista industrial, o período ajuda a estruturar reflexões importantes:
 

  • Quais categorias demonstram maior sensibilidade a mudanças de ocasião?
  • Onde surgem os principais gargalos operacionais e logísticos?
  • Quais canais ganham protagonismo no curto prazo?

 
Essas leituras ganham ainda mais importância em um cenário de margens pressionadas, no qual eficiência operacional e inteligência de mercado fazem diferença real.
 
O que observar no comportamento de vendas no Carnaval
 
Para indústria e varejo, alguns indicadores ajudam a qualificar essa leitura sazonal:
 

  • Desempenho por categoria: variação no giro de produtos como queijo coalho, manteiga, leite condensado e creme de leite.
  • Concentração regional: diferenças de comportamento entre cidades turísticas, capitais e polos de festa.
  • Canal de venda: maior relevância de mercados de bairro, atacarejos e pontos temporários.
  • Tamanho de embalagem: preferência por formatos familiares ou multipacks.
  • Ruptura e reposição: impacto da logística em períodos de demanda concentrada.
  • Consumo por ocasião: aumento da compra imediata e ajuste do estoque doméstico no pós-evento.

 
Essas observações ajudam a calibrar decisões futuras, não apenas para o Carnaval, mas para outras datas sazonais ao longo do ano.
 
Um aprendizado que vai além da folia
 
Ao observar o Carnaval sob a lente do comportamento de consumo, fica claro que o setor lácteo mantém sua relevância mesmo quando a rotina alimentar se transforma. Produtos que entregam conveniência, versatilidade e conexão cultural tendem a ganhar espaço — da grelha ao copo.
 
Para a indústria, entender esses movimentos não é apenas reagir à sazonalidade, mas antecipar tendências, fortalecer portfólios e construir estratégias alinhadas aos diferentes momentos de consumo ao longo do ano.
 
Entender movimentos sazonais como o Carnaval é parte de uma agenda maior: ler o consumidor, antecipar tendências e tomar decisões cada vez mais estratégicas em um mercado em transformação. (Milkpoint)


Produção de leite brasileira tem menor emissão por litro de leite produzido que a média global

Pesquisa conduzida em 28 fazendas brasileiras mostra que a emissão por litro de leite no país é significativamente inferior à média mundial. A maior produtividade das vacas é um dos principais fatores que explicam esse desempenho.

A pecuária leiteira brasileira emite, em média, menos da metade dos gases de efeito estufa registrados na produção mundial quando se considera o volume produzido. A pegada de carbono no Brasil foi estimada em 1,19 kg de CO² equivalente (CO²eq) por quilo de leite, enquanto a média global é de 2,5 kg de CO²eq por quilo.

Os dados são de um estudo conduzido por pesquisadores da USP e da Embrapa Gado de Leite, com apoio da Cargill, que avaliou 28 fazendas em sete estados brasileiros. O levantamento envolveu 24,3 mil animais, responsáveis por uma produção anual de 162,1 milhões de litros — cerca de 0,45% da produção nacional.

Para permitir comparações internacionais, o cálculo considerou o leite corrigido para gordura e proteína, metodologia adotada globalmente.

A principal variável associada à menor intensidade de emissões no Brasil é a produtividade animal. Quanto maior a produção por vaca, menor tende a ser a emissão por litro de leite. Propriedades com produção superior a 25 litros por vaca por dia, por exemplo, apresentaram pegada média de 0,9 kg de CO²eq por quilo de leite — aproximadamente 25% abaixo da média nacional.

A relação é direta: sistemas mais eficientes diluem as emissões totais ao longo de um volume maior de produção, reduzindo a intensidade de carbono do produto final.

O estudo também identificou variações entre biomas. O Pampa apresentou a menor pegada média (0,99 kg de CO²eq/kg de leite), seguido pelo Cerrado (1,12 kg de CO²eq/kg de leite), Mata Atlântica (1,19 kg de CO²eq/kg de leite) e Caatinga (1,5 kg de CO²eq/kg de leite).

A análise considerou todas as etapas da cadeia produtiva, desde a produção de grãos utilizados na ração até o manejo de resíduos, metodologia conhecida como Análise de Ciclo de Vida (ACV).

Do total de emissões associadas à atividade, 47% são provenientes da fermentação entérica — processo digestivo natural dos ruminantes. A produção de alimentos para ração responde por 36,8%, enquanto o manejo de dejetos representa 8,1% das emissões totais.

“A mensuração precisa das emissões de gases de efeito estufa permite que produtores busquem práticas e tecnologias baseadas em ciência, para aumento da eficiência e redução da pegada de carbono do leite, melhorar a competitividade do setor e alinhar-se a compromissos de mitigação das emissões”, afirma Vanessa de Paula, analista da Embrapa Gado de Leite.

Ferramentas de modelagem nutricional têm sido utilizadas para formular dietas mais precisas, com potencial de reduzir a produção de metano entérico. Estratégias de micronutrição também contribuem para melhorar o status sanitário dos animais, elevando produtividade e bem-estar — fatores que impactam diretamente na redução da intensidade de emissões por litro produzido.

As informações são do Globo Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.

Cartão de crédito vira termômetro fiscal da Receita Federal

O cartão de crédito, que antes era visto apenas como um facilitador do consumo, afinal, permitia parcelar despesas e ganhar tempo para organizar a vida financeira, hoje mantém essas funções, mas assume também um novo papel: o de verdadeiro termômetro fiscal.

Com a digitalização dos pagamentos, a Receita Federal passou a operar em outro patamar. A concentração está no cruzamento inteligente de dados, que compara renda declarada, faturamento informado, notas fiscais emitidas, movimentação bancária e o uso do cartão de crédito.

Existe uma percepção comum de que a Receita “apertou o cerco”. Na prática, o que mudou foi a capacidade de leitura dos dados. Com menos uso de dinheiro em espécie e mais pagamentos rastreáveis, o Fisco passou a enxergar aquilo que antes ficava disperso.

E aqui vale um ponto importante: a Receita não olha compras isoladas, nem está interessada no cafezinho do dia a dia. O que chama atenção é o conjunto da obra. Quando o padrão de consumo não conversa com a renda oficialmente declarada, o sistema acende o alerta.

Existe um discurso recorrente de que “só os grandes são fiscalizados”. Na teoria, parece fácil. Na prática, não é bem assim. Quem mais sente os efeitos desse modelo são MEIs, autônomos, trabalhadores informais e pequenos empreendedores. Especialmente aqueles que misturam finanças pessoais com as do negócio, não emitem nota de tudo ou usam o cartão pessoal para bancar despesas profissionais.

Por coincidência, ou talvez não, conversei recentemente com um prestador de serviços que atuava como MEI, mas não declarava a totalidade da sua receita. O desenquadramento de sua inscrição como MEI veio justamente a partir desses cruzamentos: movimentação no cartão, valores entrando na conta, faturamento declarado incompatível com a realidade. Resultado? Exclusão do regime e cobrança retroativa de impostos.

Outro hábito comum que merece atenção é emprestar o cartão de crédito a terceiros. Para a Receita, não existe “foi meu irmão”, “foi um amigo” ou “depois ele me pagou”. A despesa sempre recai sobre o CPF do titular.

Se os gastos superarem a renda declarada, cabe ao contribuinte provar que houve reembolso. Sem documentação, o valor pode ser tratado como renda não declarada. É um detalhe que parece pequeno, mas que pode virar um problemão.

Não, isso não é perseguição, nem fiscalização abusiva. É consequência direta de um sistema que se tornou mais digital, integrado e automático. Organização, divisão de contas, emissão de notas e registro de reembolsos não são “excesso de zelo”, são uma necessidade básica.

No fim das contas, o recado é simples e até meio irônico: nunca foi tão difícil esconder informações. E, diferentemente de antes, não porque o fiscal está olhando, mas porque os dados estão mostrando. E dados não esquecem, não se confundem e não aceitam desculpas que não estão documentadas. (Jornal do Comércio)


Jogo Rápido

Termo “leite” em embalagens
O plenário da Câmara dos Deputados pode votar nas próximas sessões o Projeto de Lei 10.556/2018, que proíbe o uso da palavra “leite” em embalagens e rótulos de alimentos que não tenham origem animal. A proposta também reserva exclusivamente para derivados lácteos termos como queijo, manteiga, requeijão, creme de leite e bebida láctea. A matéria tramita em regime de urgência e, por isso, pode ser analisada diretamente no plenário, sem passar pelas comissões permanentes da Casa.(Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 11 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.572


Preços do leite cru nos principais países/blocos

Preço do leite ao produtor, em dólares por litro:

Fontes: DNL-SAGyP, INALE, ODEPA, CEPEA/ESALQ USP, EMMO, AHDB Dairy, USDA e CLAL, respectivamente.

Preços em reais, euros e dólares neozelandeses, convertidos para dólares à taxa de câmbio oficial, bem como preços por 100 libras americanas, divididos por 45.359.

Não é correto comparar o leite em si, já que estamos comparando "produtos diferentes". Embora não possuam todos os atributos de composição e qualidade higiênica aos quais esses preços diferentes se referem, fizemos pelo menos os ajustes necessários em relação à composição.

Exemplo: o preço do leite da Argentina corresponde a uma composição de 7,07% de Sólidos Úteis (3,71% de Gordura Total + 3,36% de Proteína), enquanto o preço do leite da Nova Zelândia corresponde a um leite padrão com 7,60% de Sólidos Úteis (4,20% de Gordura Total + 3,40% de Proteína).

A série de preços da Argentina compara o preço SIGLeA em dólares com a Referência de Comunicação em Dólares no Atacado do BCRA “A” 3500.

Preço do leite ao produtor em dólares por litro, ajustado para sólidos úteis (gordura do leite + proteína):

Preço do leite ao produtor em dólares por litro, ajustado para sólidos úteis (gordura do leite + proteína):

Neste último gráfico, são apresentados os preços do segundo gráfico (corrigidos para valores sólidos úteis) e ajustados com o Índice Bilateral de Taxa de Câmbio Real que a Argentina mantém com cada um desses países/bloco.

Índice Multilateral e Bilateral de Taxas de Câmbio Reais (ITCRM)

Este índice mede o preço relativo de bens e serviços na economia argentina em comparação com os dos 12 principais parceiros comerciais do país, com base no fluxo de comércio de produtos manufaturados.

É obtido a partir de uma média ponderada das taxas de câmbio reais bilaterais dos principais parceiros comerciais do país. Considera a evolução dos preços de cestas de consumo representativas dos parceiros comerciais, expressos em moeda local, em relação ao valor da cesta de consumo local, constituindo assim uma das amplas medidas (baseadas em preços) de competitividade.

O ITCRM é preparado e publicado diariamente, com base nas cotações cambiais das 15h de cada dia, e inclui um mecanismo para estimativa e replicação diárias dos dados mais recentes de índices de preços representativos para informações ainda não conhecidas.

Preparado pela OCLA com informações de diversas fontes.


Governador Eduardo Leite anuncia Gustavo Paim como novo titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural

Escolha reforça compromisso do governo com a economia rural e a reconstrução do Estado

O governador Eduardo Leite anunciou, neste sábado (7/2), que Gustavo Paim será o novo titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural. Ele assume a pasta com a missão de fortalecer as políticas públicas voltadas ao meio rural, aos produtores e ao desenvolvimento sustentável, em um momento estratégico para a economia e a reconstrução do Estado.

Ao confirmar o nome para a Pasta, o governador destacou a qualificação técnica e a trajetória pública do novo secretário. “Paim é produtor de leite e reúne formação técnica sólida, experiência na gestão pública e capacidade de articulação, atributos fundamentais para liderar uma secretaria essencial ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Tenho certeza de que fará um trabalho comprometido com quem produz, gera renda e sustenta o crescimento do nosso Estado”, afirmou Leite.

Leite agradeceu Vilson Covatti pelo trabalho à frente da SDR, ressaltando o empenho e a dedicação no período em que esteve no comando da secretaria.

Perfil do novo secretário

Gustavo Paim atuava como secretário adjunto da Casa Civil, órgão responsável pela articulação política do governo, e reúne uma trajetória sólida e altamente qualificada, que combina formação acadêmica, experiência na gestão pública e vivência direta no meio rural.

Produtor familiar de leite em Campestre da Serra, conhece a realidade de quem trabalha no campo, os desafios da produção, os custos, as dificuldades e as oportunidades do setor. Na vida pública, foi vice-prefeito de Porto Alegre entre 2017 e 2020. Integra a Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), o Instituto Gaúcho de Direito Eleitoral (Igade) e a Associação Brasileira de Ciências Políticas, e foi membro titular da Comissão de Reforma Política do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

É pós-doutor em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade de Lisboa, doutor em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutorando em Ciência Política também pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e especialista em Gestão Pública. Atualmente, é doutorando em Ciência Política pela UFRGS.

Professor de Direito Eleitoral, Direito Processual e Ciência Política da Unisinos, também atua em cursos de especialização nas áreas de Direito Eleitoral e Direito Processual. É autor dos livros A Crise da Democracia na Era das Redes Sociais, Direito Eleitoral e Segurança Jurídica e Estabilização da Tutela Antecipada. (Governo do RS)

 

Previsão da produção de leite para 2026 | Rabobank: Maior produção de leite em 2026 pressionará os preços globais.

O relatório do banco internacional prevê um aumento na oferta de leite e uma possível queda nos preços nos mercados globais.

Uma nova análise do Rabobank prevê que a produção global de leite continuará a crescer em 2026 , impulsionada por aumentos em países importantes como a União Europeia, os Estados Unidos, a Nova Zelândia e a Argentina. Esse aumento projetado na oferta, segundo uma das principais empresas de análise agroalimentar, sugere que os mercados de laticínios podem enfrentar pressão de baixa nos preços de produtos como leite em pó, queijo e manteiga ao longo deste ano.
O relatório destaca que o aumento nos volumes de leite cru e derivados é resultado de uma combinação de fatores: recuperação do rebanho após eventos climáticos adversos, melhorias tecnológicas nas fazendas leiteiras e uma resposta favorável da produção em comparação com os níveis de rentabilidade anteriores. Esse contexto de expansão da oferta é agravado por um mercado onde a demanda, embora sólida, não cresce no mesmo ritmo , criando um desequilíbrio relativo entre oferta e demanda que pode levar a ajustes de preços.

Nos mercados internacionais de laticínios, como o leite em pó integral e desnatado , as margens têm apresentado volatilidade nos últimos trimestres. O Rabobank alerta que, se o crescimento da produção superar a absorção do mercado — incluindo os fluxos de exportação —, os preços provavelmente permanecerão sob pressão ou até mesmo sofrerão uma queda temporária até que haja sinais claros de aumento da demanda ou redução dos estoques.

Do ponto de vista da cadeia de suprimentos global de laticínios , essa expectativa tem implicações significativas. Para os produtores de leite cru , o aumento da oferta e a queda dos preços dos produtos lácteos podem resultar em pagamentos mais restritos aos produtores, exigindo estratégias de eficiência na produção e gestão de custos para manter a lucratividade. Para as indústrias de processamento, a pressão sobre os preços pode limitar as margens de lucro ou incentivar a busca por nichos de valor agregado para compensar os ajustes nos preços básicos.

O documento também destaca as diferenças regionais: enquanto algumas áreas produtoras consolidam um crescimento sustentável, outras enfrentam altos custos de produção ou barreiras logísticas , o que pode limitar sua contribuição para o crescimento global projetado. Isso implica que a pressão sobre os preços não será uniforme, gerando oportunidades e desafios diferenciados dependendo da região e da estrutura produtiva de cada mercado.

No curto prazo, esse cenário de aumento da produção pode se traduzir em uma concorrência mais acirrada entre os exportadores de laticínios, com potenciais impactos nos fluxos comerciais e nos contratos internacionais. No médio prazo, analistas do Rabobank sugerem que ajustes de preços podem facilitar a rotatividade de estoques e corrigir o excesso de oferta , desde que a demanda global seja capaz de absorver os volumes adicionais gerados pela expansão da produção.

Fonte: Blasina y Asociados – Rabobank projeta crescimento da produção em 2026, o que pressionará os preços dos laticínios


Jogo Rápido

Ruralistas querem proteção a leite, vinho e outras cadeias sensíveis no acordo Mercosul-UE
Durante reunião da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) nesta terça-feira (10/2) no Senado Federal, integrantes da bancada ruralistas alertaram que as salvaguardas negociadas com os europeus podem restringir ganhos imediatos e exigir ajustes internos para preservar a competitividade do setor agropecuário brasileiro no âmbito do acordo entre os blocos da América do Sul e da Europa. A principal preocupação é com segmentos mais sensíveis no Brasil, que podem ser impactados com o aumento das importações de produtos europeus, como as cadeias de lácteos e vinhos. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) prega cautela em relação às salvaguardas aprovadas na Europa. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) ressaltou que as cláusulas de proteção negociadas com a UE exigem atenção. "Todo acordo envolve concessões, mas algumas salvaguardas limitam o crescimento de setores estratégicos. Precisamos acompanhar de perto para que isso não reduza a competitividade do agro brasileiro", afirmou na reunião. Para a senadora, mecanismos que impõem restrições graduais a produtos como carnes e açúcar podem afetar o ritmo de expansão das exportações. "É fundamental garantir reciprocidade e demonstrar, com dados e transparência, a sustentabilidade do nosso sistema produtivo", disse. A deputada Ana Paula Leão (PP-MG) chamou a atenção para a situação da cadeia leiteira. "O problema não é apenas o volume importado, mas o preço. Produtos subsidiados podem pressionar o mercado interno e afetar diretamente o produtor brasileiro", afirmou. A parlamentar defendeu o uso de instrumentos de defesa comercial e o acompanhamento rigoroso das cotas previstas no tratado. A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul adiou a votação do parecer sobre o acordo após pedido de vista do deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE). O texto, relatado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), retornará à pauta em 24 de fevereiro. Se aprovado, será transformado em projeto de decreto legislativo e seguirá, em regime de urgência, para análise da Câmara e do Senado. (Globo Rural via Valor Econômico)


Porto Alegre, 10 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.571


Estudo traça sistemas típicos da pequena produção de leite no Rio Grande do Sul em 2025

Levantamento realizado em workshop com especialistas detalha a realidade de dois sistemas típicos da agricultura familiar e aponta tendências de concentração no setor.

No Rio Grande do Sul, a produção anual de leite tem se mantido estável, na casa dos 4 bilhões de litros nos anos recentes. No entanto, a estrutura por trás desses números está mudando: há uma redução expressiva do número de produtores, acompanhada pelo aumento da produtividade por vaca e do número médio de animais por estabelecimento.

Para compreender essas transformações, foi realizado em dezembro de 2025 um workshop em Cruz Alta (RS) reunindo especialistas¹, pesquisadores e técnicos. O encontro levantou indicadores de eficiência de cinco sistemas produtivos. Os dois modelos de menor escala são o foco desta análise: fazem uso de mão de obra familiar e a produção é a base de pasto, e que juntos representam 80% dos estabelecimentos e um quarto da produção total do estado.

Abaixo, detalhamos o raio-X desses dois sistemas, identificados pelos códigos RS15-150 (menor escala) e RS30-500 (escala intermediária).

Sistema de produção RS 15-150:

Esse sistema é representativo para 62% dos estabelecimentos do estado, concentrando 33% do rebanho de vacas e são responsáveis por 11% da produção total de leite;

A produção total diária é de 150 litros, equivalente a 12,5 litros de leite por vaca em lactação, de um total de 12 animais. Considerando o rebanho total de 15 vacas, a produção média por animal é de 10 litros/dia. O valor de mercado para uma vaca no início da lactação é estimado em R$ 6.000;

Ocupa 16 ha de terra, sendo 90% em pastagens, dos quais 9 ha são anuais e 4 ha em perenes. As perenes têm um custo de manutenção de R$ 400 por ha/ano, possibilitando uma taxa de lotação de 2,0 UA por ha. Destinam-se ainda 2 ha de milho para produção de silagem. 

A idade da novilha ao primeiro parto é de 30 meses;

Uso exclusivo da mão de obra familiar, na base de 0,8 pessoas, que resulta em uma produtividade de 200 litros de leite por dia trabalhado, ao custo equivalente a um salário bruto de R$ 3.982 por mês, para um salário líquido de R$ 3.000 por mês por unidade de trabalho.

Tabela 1 ATIVIDADE LEITEIRA – Características técnicas, estrutura da produção e produtividade de dois sistemas típicos da produção de leite à pasto em base familiar do RS, 2025.

(*) Identificado por: UF; total de vacas; L/ faz./dia.
(**) Valores monetários em R$/Dez 2025.
Fonte: Dados de levantamento em Workshop realizado em dezembro de 2025, em Cruz Alta, RS. 

Sistema de produção RS 30-500:

Representativo de sistema típico de um quarto dos produtores gaúchos que, no agregado respondem por 15% da produção estadual de leite;

A produção diária é de 500 litros, em média 19,2 litros com 26 vacas em lactação. Considerando o total de 30 vacas, a produção média é de 16,7 litros por dia.  O valor de mercado estimado para uma vaca no início da lactação é de R$ 8.000;

Ocupa 33 ha de terra, com dois terços destinados a pastagens, sendo a metade em pastagens anuais (16 ha), a um custo médio de manutenção de R$ 3.000 por ha/ano. As perenes ocupam 6 ha, com um custo de manutenção de R$ 1.200 por ha/ano, possibilitando taxa de lotação de 3,0 UA por ha. A produção de silagem de milho ocupa 11 ha.

A idade da novilha no primeiro parto é de 28 meses;

Uso de 2 unidades de mão de obra familiar, com produtividade de 276 litros por dia trabalhado. O custo dessa mão de obra é equivalente a um salário bruto de R$ 3.982 por mês, para um salário líquido de R$ 3.000 por mês por unidade de trabalho.

Receitas e custos do leite

Para entender a saúde financeira desses sistemas, o estudo analisou os custos de produção considerando apenas a produção de leite. A lógica usada pelos especialistas foi transformar o preço líquido recebido pelo leite na "Receita Total" (100%) e avaliar quanto cada despesa consome dessa renda.

A análise divide as despesas em dois grupos:

Custo Operacional Efetivo (COE): é o dinheiro que realmente sai do bolso do produtor para pagar insumos e serviços a preços de mercado.

Custo Operacional Total (COT): é a soma do item anterior com custos que não envolvem desembolso imediato, mas são reais: a depreciação (o desgaste das máquinas e instalações) e o valor da mão de obra familiar.

Tabela 2 - Estimativas da renda total e despesas anuais em relação à renda total de dois sistemas típicos da produção de leite à pasto em base familiar do RS, 2025.

(*) Identificado por: UF; total de vacas; L/ faz./dia.
(**) Valores monetários em R$/Dez 2025.
Fonte: Dados de levantamento em Workshop realizado em dezembro de 2025, em Cruz Alta, RS.

Gastos diretos são parecidos quando olhamos apenas para o dinheiro que sai do caixa (Custo Operacional Efetivo), os dois sistemas são muito parecidos. No sistema menor (RS15-150), esses gastos consomem 58% da receita, enquanto no maior (RS30-500), consomem 54%.

O peso da alimentação das vacas é idêntico proporcionalmente: em ambos os casos, a ração (concentrado) "come" 25%  da renda do leite, e o volumoso (pasto/silagem) representa 7%.

O peso "invisível" da mão de obra e depreciação 

As grandes diferenças aparecem quando calculamos o Custo Total. O sistema menor sofre mais com o peso da mão de obra familiar e da depreciação, pois tem menos leite para pagar essas contas.

Somando depreciação e mão de obra, essa fatura representa:

41% da receita no sistema pequeno (sendo 12% de depreciação e 29% de mão de obra).
31% da receita no sistema maior (sendo 10% de depreciação e 21% de mão de obra).
Em resumo, a menor produtividade por vaca e o baixo volume diário tiram a competitividade do pequeno produtor, tornando sua estrutura proporcionalmente mais cara. O resultado final mostra a fragilidade do sistema menor. O RS 15-150 consegue pagar seu Custo Total (que atinge 99% da receita), mas sobra uma margem líquida de apenas 1%, uma folga financeira perigosamente limitada. Já no sistema RS30-500, a eficiência dilui os custos, garantindo uma margem líquida de 15%.

Receitas e custos da atividade leiteira

O estudo também colocou na ponta do lápis os custos para criar as novilhas (as futuras vacas leiteiras). Embora calculados separadamente, esses valores compõem o resultado geral da propriedade. A boa notícia é que, em ambos os modelos, a criação de animais trouxe retorno positivo.

Custo de reposição

No sistema menor (RS15-150): A novilha tem o primeiro parto mais tarde, aos 32 meses. O custo total para criá-la é de R$ 4.684. Isso representa 78% do seu valor de mercado (estimado em R$ 6.000).

No sistema maior (RS30-500): A novilha é mais precoce, parindo aos 30 meses. O custo de criação é maior, R$ 5.788, mas como o animal é mais valorizado (R$ 8.000), esse custo compromete uma fatia menor do valor final: 72%.

Tabela 3 - ATIVIDADE LEITEIRA – Estimativa da renda líquida anual de dois sistemas típicos da produção de leite à pasto em base familiar do RS, 2025.

(*) Identificado por: UF; total de vacas; L/ faz./dia.
(**) Valores monetários em R$/Dez 2025.
Fonte: Dados de levantamento em Workshop realizado em dezembro de 2025, em Cruz Alta, RS.

Para concluir, o levantamento consolidou todas as rendas (leite + venda de animais) e descontou todos os custos anuais:

Sistema RS15-150: no limite do reinvestimento.

Este modelo gera uma receita anual total de R$ 135 mil. Depois de pagar todas as contas do dia a dia e descontar a depreciação, o que sobra para remunerar a mão de obra da família é R$ 38 mil por ano.

Isso equivale a um salário de R$ 3.200 mensais por pessoa (já considerando encargos como 13º, férias e FGTS).
A "sobra líquida" real, ou seja, o dinheiro livre para a propriedade reinvestir e crescer, é de apenas R$ 4 mil por ano.  
Sistema RS30-500: viabilidade a longo prazo.

A escala maior movimenta uma receita bruta de R$ 475 mil por ano. Após deduzir custos operacionais e depreciação (R$ 292 mil), a remuneração para as duas pessoas da família que trabalham no local é de R$ 95 mil por ano (cerca de R$ 8 mil mensais).

A renda líquida anual da atividade fecha em R$ 86 mil (18% da receita bruta).
Esse resultado permite uma remuneração de 2,2% ao ano sobre o capital investido, classificando esses empreendimentos como viáveis financeiramente no longo prazo.

Escala e produtividade

Os indicadores mostram que sistemas com menor produtividade por vaca e com menor volume de produção têm custos relativos mais altos e percebem preços líquidos inferiores à média estadual, reduzindo sua competitividade. Nesse contexto, estudos da Emater-RS de 2023 reforçam essa tendência e indicam que a categoria dos estabelecimentos acima de 500 litros por dia foi a única que apresentou crescimento em número de produtores, cerca de 1% ao ano. Portanto, o Rio Grande do Sul está em uma dinâmica de concentração da produção: menos propriedades, porém com maior escala, produtividade animal e eficiência por área.

Desafios para permanecer na atividade

A redução do número de produtores, principalmente aqueles com menores escalas, também é observada em outras regiões do Brasil. A permanência desses produtores na atividade é um desafio para a cadeia de lácteos, seus atores sociais e para os formuladores de políticas públicas e para o setor privado. A política brasileira de pagamento pelo leite, com elevada bonificação por volume, tem papel fundamental no direcionamento da atividade.

O aumento do volume de produção e produtividade requer apropriação de novas tecnologias e melhorias estruturais, que dependem de investimentos que nem sempre estão ao alcance dos produtores com menores escalas. Entretanto, para um produtor, com o sistema RS15-150, passar para o outro patamar, precisaria, por exemplo, ampliar o rebanho em pelo menos 15 vacas para justificar o uso de uma unidade de mão de obra adicional. Esse salto esbarra não apenas na limitação de capital, mas também na dificuldade de encontrar mão de obra qualificada e disposta a trabalhar no meio rural. Portanto, a mudança de escala implica na ampliação adequada de todos os recursos da atividade: terra, capital, trabalho, rebanho e gestão.

¹Participantes: Alberto Petiz – CCGL; Alessandra Bridi – Pesquisadora RTC/CCGL; Darlan Palharini – SINDILAT; Éder Motta – CCGL; Jarlan Nascimento – CCGL; Michel Kraemer – CCGL; Natália Bastos – CCGL; Nícolas Petry – CCGL; Oldemar Weiller – EMATER/RS; Renan Faccio – CCGL; e Silvana Trindade – CCGL.


Indice FAO | Excesso de gordura derruba preços globais dos lácteos

Preços globais dos lácteos entram em fase de ajuste: gordura perde valor e proteínas sustentam o comércio em regiões deficitárias.

Preços globais dos lácteos entraram em trajetória de queda em janeiro, refletindo um cenário de disponibilidade confortável para exportação nas principais regiões produtoras.
O movimento ocorreu em paralelo à quinta retração consecutiva do Índice de Preços de Alimentos da FAO, que atingiu média de 123,9 pontos — 0,4% abaixo do mês anterior e 0,6% inferior ao registrado um ano antes.

Entre os componentes do índice, os lácteos apresentaram o ajuste mais intenso. O indicador específico do setor caiu 5,0% frente a dezembro, em um ambiente no qual a oferta superou a demanda sazonal. Para operadores do mercado, o dado reforça uma mudança de curto prazo: o equilíbrio deixou de ser determinado por escassez e passou a ser moldado pela abundância.

Queijo e manteiga lideraram as perdas. A maior disponibilidade exportável reduziu o poder de sustentação dos preços, especialmente em produtos com alto teor de gordura. O comportamento sugere que estoques adequados — ou até superiores ao necessário — estão limitando reações de alta mesmo em períodos tradicionalmente mais firmes para o consumo.

Na direção oposta, o leite em pó desnatado registrou valorização. A FAO atribui o avanço à retomada das importações por países do Oriente Próximo, Norte da África e partes da Ásia. O fluxo indica que ingredientes proteicos seguem estratégicos para mercados com déficit estrutural de produção, mantendo um vetor de demanda relativamente resiliente.

Esse descolamento entre gordura e proteína ajuda a explicar a atual configuração do comércio internacional. Enquanto derivados mais energéticos enfrentam pressão, ingredientes voltados à formulação industrial continuam encontrando compradores. Para empresas com portfólio diversificado, a leitura é clara: mix de produtos pode ser determinante para atravessar ciclos de preços mais baixos.

O ajuste nos lácteos também ocorreu dentro de um quadro mais amplo de commodities. Carnes e açúcar recuaram no mesmo período, ao passo que os óleos vegetais subiram impulsionados por restrições de oferta e pela demanda ligada a biocombustíveis. O contraste evidencia que, embora os alimentos compartilhem fatores macroeconômicos, cada cadeia responde a fundamentos próprios.

No campo das projeções, a FAO estima que a produção global de cereais alcance um recorde de 3,023 bilhões de toneladas em 2025. O resultado seria sustentado por maiores colheitas de trigo na Argentina, Canadá e União Europeia, além da expansão do milho na China e nos Estados Unidos. Uma base robusta de grãos tende a favorecer a estabilidade dos preços alimentares, reduzindo riscos inflacionários ao longo da cadeia.

Para o setor leiteiro, o momento é descrito como uma fase de conforto pelo lado da oferta, e não de tensão pela demanda. Países importadores se beneficiam de condições mais previsíveis, potencialmente ampliando sua capacidade de compra.

Já para exportadores — sobretudo aqueles com custos de produção elevados — o cenário pode significar compressão das margens e maior pressão sobre os preços pagos ao produtor. Em termos estratégicos, o sinal não é apenas conjuntural: indica um mercado mais sensível ao volume disponível do que à urgência por abastecimento.

A leitura central para tomadores de decisão é objetiva: quando a oferta dita o ritmo, eficiência operacional, gestão de custos e posicionamento comercial deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos para competir. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy News Today)

Câmara deve votar em maio PEC que acaba com a escala 6x1, diz Motta

Presidente da Câmara diz que essa é a 'expectativa' da Câmara para a proposta, que deve ser tratada como uma das prioridades dos deputados para este ano.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (10) que a expectativa é votar, em maio, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6x1.

"O mundo evoluiu, as tecnologias se desenvolveram e o Brasil não pode ficar pra trás. Vamos capitanear a discussão ouvindo a sociedade e o setor produtivo, com a expectativa de votação em maio", disse o presidente da Casa, em uma rede social.

Na segunda-feira (9), Motta anunciou o envio do texto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Segundo o parlamentar, após a análise do texto pelo colegiado, a proposta será encaminhada para debate em uma comissão especial da Câmara.

Caso seja aprovada pela CCJ e pela comissão especial, a PEC segue para votação no plenário. O que deve ocorrer no mês de maio, conforme a previsão de Motta. Leia a matéria completa clicando aqui (G1)


Jogo Rápido

Agronegócio responde por mais de um quarto dos empregos no Brasil
O agronegócio brasileiro empregou 28,58 milhões de pessoas no terceiro trimestre de 2025, um crescimento de 2,0% em relação ao mesmo período de 2024 — o equivalente a quase 569 mil novos postos de trabalho. Os dados são de pesquisas do Cepea, da Esalq/USP, em parceria com a CNA, e representam o maior contingente já registrado para um trimestre desde o início da série histórica, em 2012. No mercado de trabalho brasileiro como um todo, o avanço foi de 1,3% na mesma comparação, com cerca de 1,37 milhão de trabalhadores a mais. Com isso, a participação do agronegócio no total de ocupações do país chegou a 26,35% no terceiro trimestre de 2025, acima dos 26,15% observados um ano antes. No segmento de insumos, o número de pessoas ocupadas cresceu 1,5% na comparação anual. Com exceção das indústrias de rações, todas as atividades do segmento registraram expansão, com destaque para as indústrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários e máquinas agrícolas. Esse avanço reflete o fortalecimento econômico das atividades agropecuárias e a crescente demanda por insumos ao longo dos últimos anos. Nas atividades dentro da porteira, o contingente de trabalhadores aumentou 0,7%, impulsionado tanto pela agricultura quanto pela pecuária. Já na agroindústria, o crescimento foi de 1%. Entre as agroindústrias de base agrícola, contribuíram para esse resultado os segmentos de vestuário e acessórios, bebidas, móveis de madeira e etanol. No caso das agroindústrias de base pecuária, o desempenho positivo veio principalmente dos setores de abate de animais e laticínios. O maior avanço, porém, foi observado nos agrosserviços, com crescimento de 4,5% em relação ao terceiro trimestre de 2024. Esse movimento reflete tanto o cenário econômico nacional quanto o aumento da relevância dos serviços ligados ao agronegócio. A retomada das atividades agroindustriais, aliada às expectativas de safras recordes e à manutenção de elevados níveis de abate, ampliou a demanda por mão de obra nos serviços que sustentam essas cadeias, contribuindo para aquecer o mercado de trabalho. As informações são do Cepea, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Porto Alegre, 09 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.570


Sooro Renner celebra 25 anos de história, inovação e compromisso com o futuro

Investimento em tecnologia, produtividade, valorização do capital humano e sustentabilidade são nossos pilares e marcam a trajetória de crescimento da empresa. 

Uma história que começou em 2001, com apenas 13 pessoas acreditando em um propósito, segue 25 anos depois com mais de 750 colaboradores movidos pela mesma força do início. No dia 1º de fevereiro de 2026, a Sooro Renner celebra uma trajetória construída a muitas mãos, marcada pelo trabalho coletivo, pela confiança e pelo compromisso com um propósito que atravessa gerações. Fundada em Marechal Cândido Rondon (PR) com o desafio de transformar o soro de leite em soluções de alto valor agregado, a empresa encontrou nas pessoas o seu principal diferencial competitivo — profissionais que, diariamente, acreditam, entregam e fazem acontecer. 

Desde os primeiros passos até a consolidação como uma das principais referências brasileiras em ingredientes lácteos, cada avanço foi resultado do empenho, do conhecimento e da dedicação dos colaboradores. São eles que sustentam a cultura da empresa, fortalecem a operação e tornam possível crescer sem perder a essência. 

Ao longo dessa trajetória, a Sooro Renner construiu relações sólidas com fornecedores, clientes e parceiros estratégicos do setor de laticínios. Relações que se mantêm ao longo do tempo porque compartilham valores como confiança, transparência e compromisso com o desenvolvimento de toda a cadeia do leite. 

Com o passar dos anos, a empresa expandiu sua presença e estruturou uma operação industrial e logística robusta. Atualmente, conta com planta industrial em Marechal Cândido Rondon (PR), unidade em Estação (RS), centro de distribuição em Campinas (SP), área de reflorestamento ambiental em Cafezal do Sul (PR) e uma nova indústria em fase final de implantação em Francisco Beltrão (PR). 

Esse crescimento reflete a capacidade da Sooro Renner de evoluir e se reinventar, mantendo como base aquilo que nunca mudou: o respeito às pessoas, a valorização do trabalho em equipe e a crença de que resultados consistentes são construídos de forma coletiva. 

Inovação, portfólio e excelência operacional

Pioneira no Brasil no processamento de soro de leite, a inovação também esteve sempre no centro da estratégia da Sooro Renner. Ao longo de sua história, a empresa desenvolveu um portfólio diversificado de ingredientes lácteos, sustentado por investimentos contínuos em tecnologia, eficiência produtiva e rigorosos padrões de qualidade e segurança dos alimentos. Essa estrutura permite atender diferentes segmentos da indústria — como sports nutrition, ingredientes alimentícios e nutrição animal — com alto desempenho, confiabilidade e padronização. Mais do que tecnologia, esse avanço é impulsionado pelo conhecimento técnico e pelo comprometimento dos times, que atuam diariamente com foco em melhoria contínua. 

O futuro em construção 
O futuro da Sooro Renner segue sendo construído com responsabilidade, inovação e geração de valor para as regiões onde a empresa está presente. Um dos principais marcos desse novo ciclo é a implantação da nova planta industrial em Francisco Beltrão (PR), com previsão de início de operação no final de 2026. 

Além de impulsionar a economia local e gerar empregos, a nova unidade ampliará o portfólio da companhia, com a produção de whey protein concentrado e lactose grau infantil, fortalecendo a presença da Sooro Renner em mercados estratégicos e de alto valor agregado. 

Ao celebrar seus 25 anos, a Sooro Renner reafirma que sua história não é feita apenas de números, estruturas ou investimentos — ela é construída por pessoas e para pessoas. A dedicação, o comprometimento, a entrega diária e a crença no propósito comum dos nossos colaboradores são os verdadeiros responsáveis por essa trajetória de crescimento. 

Uma história escrita por muitas mãos, movida pela mesma essência desde o primeiro dia e preparada para seguir crescendo, inovando e conectando pessoas, indústria e futuro. (As informações são da Base para a Sooro Renner) 


CONSELEITE MINAS GERAIS 

RESOLUÇÃO DE FECHAMENTO DO MÊS DE JANEIRO/2026 

A diretoria do Conseleite Minas Gerais no dia 05 de Fevereiro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: 

a) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o 
produto entregue em Janeiro/2026 a ser pago em Fevereiro/2026. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. 

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA 
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. 

Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.  (Conseleite MG)

 

Propriedade gaúcha aposta na seleção genética para produzir leite A2, tipo ideal para quem é sensível à proteína

Fazenda de Vila Lângaro investiu em vacas leiteiras com variação específica no DNA. Objetivo é industrializar produção e possibilitar que mais pessoas consumam o alimento

Um novo ramo na produção de leite pode ser a solução para pessoas que têm maior sensibilidade ao alimento: trata-se do leite A2, tipo que contém uma variação específica na proteína que auxilia na digestão da bebida. No norte gaúcho, uma propriedade de Vila Lângaro, município de 2,1 mil habitantes, apostou na seleção genética das vacas leiteiras para produzir o alimento. 

A diferença do leite A2 para o leite A1A1 (tradicional) é o fato de que o tipo A1A1 produz substâncias que podem ser mal digeridas por algumas pessoas, gerando sintomas como distensão abdominal, dores e alterações no hábito intestinal.

— O leite tipo A2A2 não está relacionado à lactose, mas à caseína, que é a proteína do leite. É essa caseína que apresenta uma diferença de digestão — explica a nutricionista Natália Piovesan. 

Para produzir esse leite, é essencial que as vacas leiteiras carreguem em seu DNA uma característica única: o genótipo A2A2. A testagem é realizada com uma amostra do pelo do bovino e o resultado é disponibilizado em até 30 dias.

Foi pensando nisso que João Vitor Secco, produtor da localidade de Colônia Nova, na zona rural de Vila Lângaro, começou o processo de seleção há cinco anos. Agora, cerca de 90% do rebanho está comprovado. A expectativa é que todas as vacas estejam selecionadas até o final de 2026, para que possam iniciar em definitivo a produção de leite tipo A2.

— Tínhamos o objetivo de entregar algo diferente. Foi assim que encontramos o leite A2, que estava iniciando em 2018 no Brasil. Traçamos a meta de transformar nosso rebanho em A2 com o propósito de, futuramente, industrializar a produção na propriedade e, também, com o objetivo social de proporcionar oportunidade para que mais pessoas possam consumir leite — conta Secco.

O manejo e a alimentação desses animais são idênticos aos dos demais bovinos. A única distinção reside no genótipo da espécie. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no Rio Grande do Sul existe apenas um estabelecimento com registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF) e certificação para a produção de leite A2, localizado em Farroupilha, na Serra.

Qual a diferença entre os leites?
Existem duas variações da beta-caseína, uma das principais proteínas do leite: A1 e A2. Enquanto o leite comum contém a proteína beta-caseína A1, que pode liberar um peptídeo causador de desconfortos intestinais em algumas pessoas, o leite A2 possui a variação beta-caseína A2, que não libera essa substância. Isso o torna uma opção viável para pessoas sensíveis a essa proteína.

Maria Eduarda Wlodarkievicz, estudante de 28 anos, descobriu na infância ter reações alérgicas ao leite comum, manifestando dores de estômago e inchaço. Somente na vida adulta, por orientação nutricional, ela encontrou no leite tipo A2 a possibilidade de consumir o alimento novamente. 

— Existem diferentes graus de alergia, mas no meu caso consegui consumir sem ter nenhum efeito colateral. Antes, eu consumia sempre o bebida vegetal. Para mim, consumir novamente o leite de vaca é maravilhoso porque o gosto e as possibilidades são diferentes — relata.

Agora, a variação do leite comum abre novas oportunidades, permitindo que pessoas como Maria Eduarda voltem a consumir a bebida. 

— Agora as receitas são todas com leite A2. Existem outras variações de produtos, como creme de leite, que já estão no mercado. Agora não falta mais leite aqui em casa — celebra. (Zero Hora editado pelo Sindilat RS)


Jogo Rápido

Fórum MilkPoint Mercado abordará desafios e oportunidades do setor leiteiro em 2026
Os desafios no curto prazo e as oportunidades a longo prazo da cadeia do leite em 2026 serão foco do Fórum MilkPoint Mercado que, este ano, acontece no dia 9 de abril, em Piracicaba (SP) , no chamado “Vale do Silício do Agro”, ninho de startups e grandes inovações do setor. Para participarem, associados do Sindilat/RS têm garantido 10% de desconto na inscrição, que pode ser feita no link disponível no site do Sindilat, clicando aqui. O primeiro lote está disponível até o dia 06 de fevereiro. A programação do Fórum MilkPoint Mercado 2026 foi estruturada para oferecer uma visão completa e estratégica da cadeia láctea, combinando análises de mercado, qualidade do leite e performance financeira da indústria ao longo de um dia inteiro de debates e networking. (Sindilat)


Porto Alegre, 06 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.569


Balança de lácteos: janeiro registra aumento mensal do déficit, mas melhora no ano a ano

Janeiro marcou um aumento do déficit da balança de lácteos frente a dezembro, mas com sinais de menor pressão no comparativo anual. O cenário reforça a importância do câmbio, da oferta interna e do mercado internacional para 2026.

O saldo da balança comercial de lácteos iniciou o ano atingindo um déficit de 169,2 milhões de litros em equivalente-leite, o que representa um aumento de 9% no déficit frente ao mês de dezembro de 2025. Na comparação com janeiro de 2025, no entanto, observa-se um recuo de 14% no saldo negativo.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As exportações de lácteos totalizaram 4,2 milhões de litros em equivalente-leite no mês, registrando queda de 16,4% em relação a dezembro e ficando 11% abaixo do volume exportado em janeiro do ano passado.

Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Já as importações avançaram 8,1% frente ao último mês de 2025, alcançando 173,4 milhões de litros, embora ainda apresentem retração de 14% na comparação anual.

Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Em janeiro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os principais produtos:

Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou recuo de 31% no volume exportado, interrompendo uma sequência de altas observada nos meses anteriores;

Leite condensado: após meses de crescimento, registrou queda de 11% nos embarques;

Creme de leite: após sucessivos recuos, apresentou forte recuperação, com aumento de 52% nas exportações frente a dezembro;

Leite em pó desnatado e leite evaporado: ainda com participação reduzida no total exportado, mas com crescimento percentual relevante no volume embarcado no mês.

No campo das importações, os principais movimentos observados foram:

Leite em pó integral (LPI): após dois meses consecutivos de queda, voltou a apresentar crescimento, com avanço de 23% no volume importado frente a dezembro;

Leite em pó desnatado (LPD): segundo principal produto da pauta de importações, manteve a tendência de retração e registrou queda de 22% no volume importado em janeiro.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em dezembro de 2025

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?
O mercado brasileiro de lácteos tende a operar ao longo de 2026 com boa disponibilidade interna de produto, refletindo a expectativa de manutenção de uma produção elevada no país. Esse cenário pode contribuir para reduzir o ritmo das importações ao longo do ano e, em alguns momentos, abrir espaço para o avanço das exportações, ainda que de forma pontual e concentrada em alguns produtos. (Milkpoint)


Sistema FIERGS inclui projetos prioritários para a indústria gaúcha em agenda legislativa da CNI

O Seminário de Construção da Agenda Legislativa da Indústria 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), definiu as prioridades legislativas da indústria para este ano. O Sistema FIERGS participou do encontro, com coordenadores e equipes técnicas dos conselhos temáticos, nesta terça (3) e quarta-feira (4), na sede da entidade.

Ao longo do seminário, foram apreciadas 572 preposições de interesse da indústria, das quais 147 foram incluídas e debatidas em seminário realizado pela CNI, com a presença de 27 federações estaduais e 112 associações setoriais. A configuração da Agenda Legislativa da Indústria 2026 ainda será submetida à deliberação da diretoria da CNI, responsável também pela definição da Pauta Mínima, que concentra as matérias consideradas estratégicas para a atuação do setor na defesa da indústria no âmbito do Legislativo federal.

A diretora-executiva e de Relações Institucionais do Sistema FIERGS, Ana Paula Werlang, destacou que “o objetivo é dar continuidade ao trabalho iniciado, consolidando o que foi construído no último ano e colocando em prática o que foi planejado”. Já o coordenador do Conselho de Articulação Política (Coap) do Sistema FIERGS, Diego Bier, parabenizou pelo trabalho realizado pela entidade na proposição de projetos de interesse, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2023, que cria o Fundo Constitucional do Sul e do Sudeste. “A PEC 27 foi uma conquista nossa e demandou muito esforço. Não podemos perder essa prerrogativa de continuidade”, ressaltou Bier.

PROJETOS DEBATIDOS
A participação do Sistema FIERGS no seminário resultou na inclusão e manutenção de projetos estratégicos para o setor produtivo na Agenda Legislativa da Indústria. Por meio do Coap e do Conselho de Assuntos Tributários, Legais e Cíveis (Contec), foi mantida a PEC 27/2023, que institui os fundos constitucionais do Sul e do Sudeste. A proposta, de iniciativa do Sistema FIERGS em conjunto com as federações do Paraná e de Santa Catarina, prevê destinar, da arrecadação federal de Imposto de Renda e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 1% para cada uma das regiões e para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e 0,5% para segurança pública em todos os estados.

Outra conquista relevante foi a permanência do Projeto de Lei 2168/2021, que declara como de utilidade pública as obras de infraestrutura de irrigação e dessedentação animal. A medida facilita os processos de licenciamento ambiental, especialmente em contextos de adversidades climáticas.

Também foi mantido na Agenda o Projeto de Lei 1321/2023, que altera as regras do vale-pedágio. A proposta, apresentada pela deputada federal Any Ortiz (Cidadania/RS), a pedido do Sistema FIERGS, busca corrigir dispositivos da legislação que instituiu o vale-pedágio obrigatório.

OUTROS PLEITOS
Na área trabalhista, o Sistema FIERGS atuou em relação ao PLP 28/2015, de autoria do deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS). Embora o projeto tenha tido deliberação majoritária pela retirada da Agenda Legislativa, a entidade conseguiu manter no documento, considerando que o texto determina a prevalência do piso salarial legal sobre o negociado coletivamente, o que restringe a autonomia de empregadores e trabalhadores para ajustar condições de trabalho conforme a realidade econômica.

Destaca-se ainda a articulação da entidade para o acompanhamento da PEC 8/2025, de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP), que propõe a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias e 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias. Com posicionamento contrário, o Sistema FIERGS defendeu a inclusão da proposta na Agenda para monitoramento permanente, por entender que a legislação atual já permite flexibilidade suficiente para negociação de jornadas por meio de instrumentos coletivos.

Com atuação da FIERGS, foi incluído na Agenda Legislativa o Projeto de Lei 4459/2025, apresentado pelo deputado Marcelo Moraes (PL/RS), que trata da flexibilização de cláusulas de manutenção ou ampliação de empregos em financiamentos emergenciais. A proposta atende a uma demanda da base industrial surgida após as enchentes.

A Agenda Legislativa da Indústria 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com os projetos de lei que integrarão o documento base da atuação legislativa (pauta mínima), será lançada em 24 de março, em sessão solene na Câmara dos Deputados, em Brasília. (FIERGS)

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1905 de 5 de fevereiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

As temperaturas elevadas contribuíram com o aumento da incidência de ectoparasitas, especialmente carrapatos, e com os casos de tristeza parasitária bovina. O estresse térmico causado por essas condições impactou o bem-estar e, em alguns casos, resultou em redução da produção, exigindo ajustes no manejo dos rebanhos. Entre as medidas adotadas, destacam-se a condução dos animais, nas horas mais quentes do dia, para locais com sombra e disponibilidade de água, o uso de estratégias de resfriamento, como aspersão e ventilação, além da intensificação da suplementação alimentar.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as temperaturas elevadas afetaram o bem-estar e o desempenho das matrizes em lactação.

Em Hulha Negra, alguns produtores avaliam se será realizado corte antecipado de parte das lavouras de milho destinadas à produção de silagem para fornecimento no cocho como forma de complementar a dieta dos animais.

Na de Caxias do Sul, as altas temperaturas provocaram estresse térmico nos animais, mas, devido à suplementação alimentar e à qualidade da forragem, a produtividade e a qualidade do leite estão estáveis.

Na de Erechim, a produção está estável. As condições gerais dos rebanhos estão apropriadas, e são feitas adequações, como aumento da disponibilidade de sombra e de água, devido às temperaturas elevadas. Foi utilizada suplementação alimentar.

Na de Passo Fundo, o volume de produção está elevado, impulsionado pelas pastagens e por suplementação alimentar.

Na de Pelotas, as temperaturas elevadas causaram estresse térmico nos animais, com impactos negativos sobre o bem-estar, o consumo de matéria seca e a produção.

Na de Porto Alegre, a produção está elevada em função das adequadas condições corporais e nutricionais do rebanho, associadas à oferta de forragem de qualidade, o que possibilitou a redução do uso de concentrados e de silagem.

Na de Santa Rosa, as temperaturas elevadas provocaram estresse térmico nos animais, e houve redução do tempo de pastejo, do consumo alimentar e da produtividade, além de prejuízos ao desempenho reprodutivo das vacas leiteiras (diminuição das taxas de concepção e maior retorno ao cio). Os criadores ajustaram o manejo, priorizando o pastejo noturno e o fornecimento de alimentos conservados. (Emater adaptado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO Nº 06/2026 – SEAPI 
Na próxima semana, a atuação predominante de um sistema de alta pressão favorecerá a manutenção do tempo estável em grande parte do estado do Rio Grande do Sul. Em 06/02 (sexta-feira), as condições de tempo estável ainda deverão predominar na maior parte do estado, exceto nas regiões da Campanha e do Litoral Sul, onde há possibilidade de chuva fraca a moderada em pontos isolados. As temperaturas seguirão em elevação, podendo se aproximar dos 40 °C, ou até superar esse valor em pontos isolados do estado. Em 07/02 (sábado), a atuação de um sistema de baixa pressão nas proximidades do estado poderá trazer instabilidade para a metade norte do Rio Grande do Sul. Assim, há previsão de chuva fraca a moderada, localmente forte, nessa região. Nas demais áreas, não há previsão de chuva significativa. Ao longo desse período, as temperaturas deverão entrar em declínio. Em 08/02 (domingo), o tempo deverá voltar a ficar estável, sem previsão de chuva significativa na maior parte do estado, e as temperaturas voltarão a se elevar. Em 09/02 (segunda-feira) e em 10/02 (terça-feira), a manutenção do padrão atmosférico do dia anterior favorecerá a continuidade do tempo estável em grande parte do Rio Grande do Sul, sem previsão de chuva significativa, e com elevação das temperaturas. Em 11/02 (quarta-feira), a aproximação de um sistema frontal poderá trazer instabilidade para a metade sul, bem como para pontos isolados da metade norte do estado. Dessa forma, há previsão de chuva nessas localidades. De forma geral, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 e 50 milímetros ao longo da semana. Na metade oeste e sul, encontram-se os menores valores previstos; assim, os volumes de chuva não deverão ultrapassar 20 milímetros. Já os maiores volumes são esperados na metade norte do estado, principalmente na região dos Campos de Cima da Serra, onde, em pontos isolados, os acumulados podem ultrapassar 50 milímetros. (Seapi adaptado pelo Sindilat/RS)


Porto Alegre, 05 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.568


Acordo Mercosul–UE reacende debate sobre competitividade do leite brasileiro e pressiona cadeia por eficiência e dados

Após 26 anos de negociações, tratado abre cotas para lácteos europeus, é judicializado e expõe gargalos históricos do setor no Brasil; especialistas apontam gestão, informação e valor agregado como chaves para enfrentar o novo cenário

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), assinado após mais de duas décadas de negociações e já judicializado, voltou a colocar o setor lácteo brasileiro em estado de alerta. Embora a redução de tarifas dentro de cotas para produtos como queijos e leite em pó europeus gere apreensão entre produtores, especialistas ouvidos avaliam que os maiores desafios não estão, necessariamente, na concorrência externa, mas em problemas estruturais da própria cadeia do leite no Brasil.

Do ponto de vista da prestação de serviço ao produtor rural e ao mercado, o consenso é que o acordo escancara dificuldades antigas: custos elevados, margens apertadas, volatilidade de preços, falta de dados confiáveis e baixa eficiência produtiva e industrial.
Gestão ineficiente pesa mais que tarifa, diz Embrapa.

Para o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Dr. Paulo Martins, a narrativa de que o produtor brasileiro será automaticamente prejudicado pela entrada de lácteos europeus precisa ser relativizada. Segundo ele, o principal entrave à competitividade do leite nacional está na gestão deficiente, tanto na produção primária quanto nos laticínios.

“O principal problema brasileiro é a baixa qualidade de gestão no setor primário e nos laticínios. Isso faz com que os nossos produtos sejam mais caros”, afirma. Para o pesquisador, reconhecer essa realidade é condição básica para avançar em eficiência e redução de custos.

Dr. Paulo Martins destaca ainda que é fundamental aprofundar estudos sobre os subsídios recebidos pelos produtores europeus, especialmente transferências diretas e possíveis incentivos a insumos. Caso esses subsídios sejam confirmados, caberia ao Brasil discutir medidas compensatórias. Ainda assim, ele avalia que há tempo suficiente para ajustes internos antes que o acordo produza efeitos mais concretos no mercado.“O que não dá é para não fazer o acordo. Ele será bom para o Brasil no seu conjunto”, resume.

Outro ponto sensível para o produtor é o receio de que a previsibilidade de importações europeias seja usada como argumento para pressionar o preço do leite pago ao campo. Para o pesquisador da Embrapa, essa leitura simplifica excessivamente a dinâmica do mercado.
“A indústria não é a vilã do setor”, afirma Martins. Segundo ele, quem mais captura valor na cadeia são os supermercados e as indústrias que utilizam leite como matéria-prima para outros alimentos, como biscoitos, doces e chocolates. Esses elos têm maior poder de barganha e influenciam os preços pagos aos laticínios, que acabam repassando essa pressão ao produtor.

Além disso, o grande número de laticínios no país faz com que o preço do leite seja resultado direto da oferta e demanda. Quando há escassez, como em 2022, com retração de cerca de 10% na produção, os preços sobem. Em momentos de excesso de oferta, como no cenário atual,  influenciado pelo crescimento da produção e pelas importações, os preços tendem a cair.

Na avaliação de Paulo Martins, a elevada volatilidade de preços não é fruto apenas de disputas entre produtores e indústria, mas da ausência de dados confiáveis ao longo da cadeia. A falta de informações sobre produção primária e industrial cria um ambiente de incerteza, no qual ninguém consegue prever, com segurança, os preços praticados em horizontes de médio prazo.

“Isso mostra imaturidade e desorganização da indústria”, afirma. Para ele, a coleta e divulgação de dados consistentes são essenciais para reduzir a instabilidade e permitir decisões mais racionais por parte de produtores, laticínios e investidores.
Europa não muda o jogo da oferta, avalia indústria.

Do lado da indústria, o CEO da Cia do Leite, que atua como assistência técnica e gerencial de produtor de leite, Ronaldo Carvalho, adota um tom ainda mais cauteloso ao avaliar riscos e ganhos do acordo para o setor. Segundo ele, o tratado não altera de forma relevante a dinâmica de oferta no curto e médio prazo.

“Eu não vejo nem risco e nem ganho”, afirma. Carvalho destaca que os principais fornecedores externos de leite em pó para o Brasil já são Argentina e Uruguai, países com custos de produção mais competitivos, moeda mais fraca e logística mais favorável do que a europeia. Nesse contexto, a entrada de produtos da UE não mudaria de forma significativa o volume ofertado no mercado brasileiro.
Para ele, mesmo com subsídios, o custo da terra na Europa, a limitação de área produtiva e a força da moeda tornam o leite europeu menos competitivo frente aos vizinhos do Mercosul.

Se por um lado o acordo não deve inundar o mercado brasileiro com lácteos europeus, por outro pode abrir oportunidades pontuais para produtos brasileiros de maior valor agregado. Carvalho avalia que a exportação de commodities lácteas para a Europa é pouco viável, mas vê espaço para nichos específicos.

“Alguns produtos de valor agregado nosso podem, sim, entrar no mercado europeu”, afirma, com destaque para produtos proteicos, que vêm ganhando força no mercado interno e poderiam avançar também no exterior.

Ainda assim, ele pondera que a cadeia produtiva do leite no Brasil é conservadora e tende a reagir lentamente. Investimentos e mudanças estratégicas só devem ocorrer após a consolidação efetiva do acordo e o mapeamento claro das oportunidades.

Barreiras sanitárias e ESG entram no radar. Apesar do potencial, os entraves técnicos e sanitários são considerados reais. Segundo Carvalho, é natural que a UE busque criar barreiras sanitárias e ambientais como forma de conter a entrada de produtos brasileiros, especialmente se a balança comercial passar a favorecer o Brasil.

Nesse cenário, estados do Sul aparecem em vantagem. De acordo com o executivo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão há mais de uma década à frente de outras regiões na adequação a exigências sanitárias, certificações e práticas ligadas à sustentabilidade.

Para acessar o mercado europeu, ele avalia que será indispensável investir em ESG, rastreabilidade, certificações e, sobretudo, em uma narrativa consistente. “O europeu agrega valor contando uma boa história”, afirma, citando o apelo ambiental, familiar e emocional dos produtos lácteos vendidos na Europa.

No fim das contas, tanto a pesquisa quanto a indústria concordam em um ponto central: o acordo Mercosul–UE não cria, por si só, uma crise para o leite brasileiro, mas expõe fragilidades históricas da cadeia. Competitividade, acesso a crédito, eficiência produtiva, organização de dados, sanidade e estratégia de mercado seguem sendo os verdadeiros desafios para atender tanto o mercado interno quanto possíveis oportunidades externas.

Para o produtor rural, a mensagem é clara: mais do que temer o produto europeu, será necessário olhar para dentro da porteira e da indústria, profissionalizar a gestão e se preparar para um mercado cada vez mais exigente e volátil. (Notícias Agrícolas)


GDT 397: consolidação de preços sinaliza transição para um novo ciclo no mercado lácteo internacional

O 397º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 03 de fevereiro, apresentou um movimento de novas e expressivas altas, reforçando o processo de recuperação dos preços internacionais de lácteos. Em meio à valorização generalizada entre os produtos negociados, o preço médio dos lácteos comercializados (price index) registrou forte avanço de 6,7%, atingindo USD 3.830/tonelada.

Gráfico 1. Preço médio leilão GDT

O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado na plataforma, voltou a apresentar alta significativa, com valorização de 5,3%, alcançando o preço médio de USD 3.614/tonelada. O movimento reforça a retomada dos preços dos lácteos no mercado internacional, ainda que os valores permaneçam abaixo dos patamares observados no início de 2025.

O grande destaque do leilão foi o leite em pó desnatado (LPD), que registrou a maior alta percentual do evento, com valorização de 10,6%, sendo cotado a USD 2.874/tonelada. Com esse resultado, o produto retorna a níveis de preços observados em abril de 2025, o patamar mais elevado registrado na série recente. 

Gráfico 2. Preço médio LPI

Outro destaque relevante foi a muçarela, que, assim como o LPD, apresentou valorização de 10,6%, atingindo o preço médio de USD 3.694/tonelada. Apesar da forte recuperação neste leilão, o produto ainda opera em níveis inferiores aos observados no início do ano passado, em função da sequência prolongada de quedas registrada ao longo de 2025. 

A manteiga também manteve o movimento de recuperação, com alta de 8,8%, dando continuidade ao processo de recomposição de preços após um período prolongado de desvalorizações no mercado internacional.

Nenhum dos produtos negociados apresentou variação negativa no evento, e todos os derivados ofertados foram integralmente comercializados. 

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 03/02/2026.

Volume negociado recua novamente

O volume total negociado no leilão somou cerca de 24,0 mil toneladas, representando queda de 13,6% em relação ao evento anterior. Ainda assim, frente ao mesmo período do ano passado, o volume permaneceu praticamente inalterado, indicando que a redução observada tem caráter sazonal. A participação de 175 compradores — número superior ao registrado no leilão anterior — reforça a leitura de demanda consistente, o que, combinado ao menor volume ofertado, contribuiu para a forte valorização dos preços no evento.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Impacto nos contratos futuros

Desde o último leilão do GDT, os contratos futuros de leite em pó integral negociados na NZX continuam apresentando valorização. O movimento reforça um cenário de maior equilíbrio entre oferta e demanda, sustentado pela expectativa de crescimento mais contido da produção em 2026 e por uma demanda já ajustada ao volume disponível no mercado global. Com isso, os preços futuros vêm registrando altas sucessivas entre as sessões.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

A expectativa de menor crescimento da produção mundial de leite em 2026, associada a uma demanda global mais firme, tem favorecido a recuperação dos preços internacionais de lácteos. Esse movimento já começa a se refletir regionalmente no Mercosul, onde, segundo as pesquisas semanais do MilkPoint Mercado, os derivados vêm apresentando recuperação de preços.

Ainda assim, informantes do mercado regional relatam dificuldades pontuais de vendas ao Brasil, em função dos preços domésticos ainda operarem em patamares relativamente baixos, apesar do movimento recente de recuperação. Nesse contexto, a combinação de preços internacionais mais elevados e ampla oferta interna pode reduzir a atratividade das importações de lácteos, contribuindo para o processo de recomposição dos preços no mercado nacional.

Por outro lado, o câmbio segue como fator de atenção. A valorização do real frente ao dólar pode aumentar a competitividade dos produtos importados, atenuando parte dos efeitos positivos da alta internacional sobre o mercado doméstico.

Em síntese, o resultado do 397º leilão do GDT reforça o cenário de recuperação dos preços internacionais de lácteos, com impactos crescentes no Mercosul e potenciais efeitos positivos para o equilíbrio do mercado brasileiro ao longo de 2026. (Milkpoint)

 

 

 

China vive ponto de virada no setor de lácteos

A expansão acelerada da oferta de leite mudou o equilíbrio do mercado chinês. Menos importações, preços pressionados e os primeiros passos do país como exportador marcam esse novo cenário.

O setor de lácteos da China atravessa um período de profunda transformação. Ao longo da última década, o país intensificou políticas voltadas à autossuficiência em produtos lácteos, movimento que ganhou ainda mais força durante a pandemia, quando a segurança alimentar passou a ocupar posição central na agenda nacional. Como resultado, a produção doméstica de leite cresceu de forma acelerada.

No centro dessa estratégia está a expansão das grandes fazendas leiteiras industriais. Essas unidades, frequentemente chamadas de “mega fazendas”, operam com genética avançada, vacas de alta produtividade importadas e sistemas automatizados de ordenha. Esse modelo permitiu que a produção nacional de leite alcançasse quase 42 milhões de toneladas em 2023, superando as metas oficiais antes do previsto. Em paralelo, as pequenas fazendas familiares perderam espaço, à medida que as grandes operações passaram a dominar o setor.

Apesar do avanço da oferta, a demanda não acompanhou o mesmo ritmo. Nos últimos anos, o consumo per capita de lácteos na China recuou. O enfraquecimento da economia reduziu os gastos das famílias, enquanto mudanças nos hábitos alimentares limitaram o crescimento do consumo de leite líquido. Somam-se a esse cenário fatores demográficos, como taxas de natalidade historicamente baixas, que impactaram a demanda por produtos como fórmulas infantis.

O descompasso entre oferta e demanda resultou em um excedente estrutural de leite. Em diversas regiões, os preços do leite cru passaram a ficar abaixo dos custos de produção. Diante desse contexto, produtores menores e menos eficientes vêm se consolidando ou deixando a atividade.

O excesso de oferta também reduziu a necessidade de importações. Em 2023, as compras totais de lácteos pela China caíram cerca de 12%, com destaque para o leite em pó integral, cujas importações recuaram aproximadamente 38%. Esse movimento afetou diretamente exportadores tradicionais, como Nova Zelândia, União Europeia e Austrália, que registraram queda nos volumes destinados ao mercado chinês.

Ao mesmo tempo, a China começa a explorar seu potencial como exportadora de lácteos. Embora os volumes ainda sejam limitados, as exportações vêm crescendo de forma gradual. Em 2024, o país deve embarcar cerca de 70 mil toneladas de produtos lácteos, principalmente leite em pó, com destino a mercados do Sudeste Asiático, África, Oriente Médio e Ásia Central.

De forma geral, a indústria chinesa de lácteos chega a um ponto de inflexão. O forte crescimento da produção elevou a autossuficiência, mas a fraqueza da demanda interna alterou os fluxos comerciais. Caso essa tendência se mantenha, a China tende a assumir um papel mais ativo nos mercados regionais de exportação de lácteos nos próximos anos.

As informações são do Dairy Dimension, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Em queda, Indicador volta à casa dos R$ 65/sc
Cepea, 02/02/2026 – No encerramento de janeiro, o Indicador do milho ESALQ/BM&FBovespa seguiu em queda e voltou a operar na casa dos R$ 65 por saca de 60 kg, patamar que não era verificado desde o final de outubro de 2025. Segundo pesquisadores do Cepea, a liquidez esteve baixa no período, tendo em vista que compradores priorizaram o consumo de estoques negociados antecipadamente e realizaram aquisições apenas de forma pontual. Do lado da oferta, parte dos produtores com receio de novas desvalorizações e com necessidade de liberação de armazéns esteve mais flexível nos valores. Pesquisadores do Cepea ressaltam que, tipicamente, a colheita da soja e a maior demanda por fretes para a oleaginosa chegam a sustentar os valores de milho durante as primeiras semanas do ano. No entanto, em 2026, um dos fatores que tem impedido reações nos preços é o fato de os estoques de milho estarem muito elevados – são estimados em 12 milhões de toneladas neste início de temporada, contra 1,8 milhão de toneladas em 2025, e acima da média das últimas cinco safras, de 9,2 milhões de toneladas. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)