Porto Alegre, 03 de setembro de 2026 Ano 20 - N° 5.007
Livro sobre ordenha mecânica propõe visão integrada para aumentar qualidade e produtividade no leite
A ordenha como ponto decisivo para transformar investimentos em produtividade e qualidade é o foco do livro Ordenhadeira Mecânica 360°, de autoria de Carlos Alberto Della Favera Machado, lançado no dia 3 de setembro, durante a Expointer 2026. A publicação tem apoio do Sindilat/RS e reúne mais de cinco décadas de experiência do autor na cadeia produtiva do leite.
A proposta da obra é ampliar a forma como a ordenha mecânica é compreendida dentro da propriedade leiteira. Para Machado, seu desempenho deve ser entendido como parte de um sistema que envolve equipamento, animal, operador, instalações, higiene, qualidade, normas, gestão e conhecimento. “A ordenha é a hora da verdade. É a função onde podem ocorrer problemas que comprometem todos os investimentos anteriores e, ao mesmo tempo, é o coroamento do trabalho realizado em uma propriedade leiteira”, destaca.
Para o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, a disseminação de informações técnicas está alinhada ao compromisso da entidade com a divulgacao de conhecimento para o fortalecimento da cadeia leiteira. “A experiência reunida por Machado ao longo de mais de cinco décadas traz uma contribuição importante para produtores, técnicos e profissionais do setor, ao mostrar que a ordenha precisa ser compreendida de forma integrada. O Sindilat/RS tem satisfação em apoiar essa iniciativa e contribuir para aproximar esse conhecimento de quem atua no dia a dia da atividade leiteira”, afirma.
Machado trabalha com ordenhadeiras mecânicas desde os anos 1970. Também foi fabricante de equipamentos por mais de duas décadas, participou de grupos técnicos da ABNT e atua como coordenador da Comissão das Indústrias de Equipamentos para Pecuária de Leite (CEPEL), do Simers. Entre os trabalhos desenvolvidos por Machado está a criação de um selo de qualidade e conformidade para ordenhadeiras mecânicas, em parceria com o LabELO, do Inmetro.
Ordenhadeira como “colheitadeira” do leite
Um dos conceitos apresentados pelo autor compara a ordenhadeira a uma colheitadeira. Enquanto uma máquina agrícola desregulada pode provocar perdas em uma safra, os efeitos de uma ordenhadeira inadequadamente regulada podem se repetir diariamente e afetar diretamente o animal e a produção. “É uma colheitadeira que está conectada duas a três vezes por dia, o ano inteiro, a um ser vivo. Essa conexão pode gerar danos na fonte da qual ela colhe”, explica.
A preocupação está relacionada à saúde do úbere, à mastite e à qualidade do leite. Machado ressalta que parte dos problemas provocados durante a ordenha não é percebida imediatamente e pode se acumular ao longo do tempo, comprometendo o desempenho do rebanho e o retorno dos investimentos realizados pelo produtor.

Fonte: Sindilat/RS
Milk Summit Mercosul movimentará Ijuí entre os dias 14 e 15 de outubro
Após o sucesso de sua primeira edição, o Milk Summit evolui e passa a ser Milk Summit Mercosul, ampliando seu alcance e relevância. “A edição de 2026 vai consolidar o evento como o principal ambiente de conhecimento, integração e networking da cadeia do leite na América do Sul, reunindo lideranças do Brasil e de países vizinhos”, afirmou nesta quarta-feira o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul, (Sindilat), Darlan Palharini, em visita à Casa do Correio do Povo na Expointer.
Com programação nos dias 14 e 15 de outubro, o evento será realizado em ijuí, com mais de 16 horas de conteúdo técnico e estratégico, com palestras de alto impacto. Entre os nomes esperados estão representantes das principais indústrias de laticínios, além de especialistas como Paulo Martins e Glauco Carvalho (Embrapa), Marianne Tufani (StoneX), Valter Galan (MilkPoint), Marcos Veiga (Qualileite/USP) e participação internacional de Andrés Padilla (Rabobank).
“A expectativa é reunir mais de 700 participantes presenciais por dia, incluindo cerca de 400 produtores de leite, além de representantes de indústrias, cooperativas, técnicos, estudantes, pesquisadores e representantes do Mercosul, promovendo troca de experiências e construção de estratégias para o setor”, observou Palhari, que foi recebido pelo diretor-presidente do Correio do Povo, Marcelo Dantas.
Atividade leiteira
Palharini especialmente se mostrou preocupado com o resultado de estudo apresentado pela Emater-RS/Ascar, na Expointer 2026, em Esteio, na terça-feira. Isto porque, em 10 anos, o número de produtores de leite reduziu 65% no Rio Grande do Sul. Em 2015, eram aproximadamente 84,2 mil e, em 2025, cerca de 28,9 mil em 2025.
“Na prática, 55,3 mil famílias abandonaram a produção leiteira, mas não afetou a produção. A decisão envolve uma questão social e acompanha um movimento mundial”, comparou, acrescentando que a Argentina tinha 30 mil produtores de leite há 20 anos e hoje restam 9,5 mil.
Para estancar o abandono, Palharini defende a necessidade do setor avançar em nível de competitividade, por meio da criação de fundos setoriais, além de políticas governamentais. “O Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, mas não possui políticas de proteção para produtores e indústrias”, frisou.
Lembrou que, recentemente, uma indústria brasileira foi impedida de exportar whey protein (suplemento alimentar em pó feito a partir da proteína extraída do soro do leite) para a Austrália e outro de enviar queijo para a Rússia em razão da inexistência, no país, de tratados bilaterais e normas de defesa agropecuária que regulam a produção, a circulação e a exportação de leite e derivados.
"Esses acordos garantem que os produtos brasileiros atendam aos critérios de segurança alimentar, livre de doenças e contaminantes”, enfatizou.
Fonte: Correio do povo
Modelo de assistência técnica virtual para o agro gaúcho
Uma parceria entre Banrisul, CCGL e FecoAgro/RS levará orientação especializada, conhecimento e gestão a propriedades rurais gaúchas. O novo Centro de Consultoria AgroDigital atenderá até 250 produtores, por meio de um modelo de assistência técnica virtual. O lançamento ocorreu na Casa do Banrisul, durante a 49ª Expointer, em Esteio.
Ao longo de 18 meses, os participantes terão acompanhamento remoto de consultores, com diagnósticos, recomendações de manejo, capacitações e identificação de oportunidades de melhoria. O trabalho será realizado por meio da SmartCoop, plataforma criada no meio acadêmico e implantada junto às cooperativas da FecoAgro/RS. Atualmente, a plataforma reúne produtores das cooperativas e do Sistema Senar e é gerida pela CCGL.
Entre as ferramentas disponíveis, estão o acompanhamento das lavouras, o monitoramento por satélite, indicadores climáticos, informações da cadeia produtiva, cotações, gestão financeira e apoio à tomada de decisão.
“Em vez de o produtor aguardar uma visita, talvez por mês, ele vai ter quatro visitas por mês, só que virtuais”, explicou o vice-presidente da CCGL, Guilhermo Dawson Jr.
Entre as soluções apresentadas durante o lançamento, está a Ana, ferramenta de inteligência artificial integrada ao ecossistema da SmartCoop. Ela auxilia nas orientações relacionadas à atividade rural.
Para o Banrisul, o projeto-piloto permitirá ampliar o conhecimento sobre as necessidades dos produtores. “Temos convicção absoluta de que, daqui cinco anos, todo o crédito rural do Banrisul vai ser concedido por aqui. Provavelmente, o crédito do Brasil inteiro vai ser concedido por aqui ou por uma plataforma muito similar a esta”, projetou o presidente do Banrisul, Fernando Lemos. Os atendimentos devem começar entre janeiro e fevereiro de 2027.
Fonte: Correio do Povo
Jogo Rápido
Cade aprova compra de ativos da A.R.C. pela Italac, incluindo marcas Líder e Tânia
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição, pela Italac, de ativos da A.R.C. Logística e Alimentos. O negócio havia sido anunciado no início de agosto, e envolve as unidades industriais de Presidente Prudente (SP), Lobato (PR) e Guaraçaí (SP), além de postos de captação de leite localizados em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. O acordo inclui ainda a aquisição das marcas de lácteos Líder e Tânia, controladas pela A.R.C. O valor da transação não foi divulgado. A Italac informou que a aquisição tem como objetivo ampliar sua capacidade produtiva, expandir o portfólio de produtos e fortalecer sua presença no mercado nacional. Já a A.R.C. disse que a venda está alinhada a uma estratégia de reorganização de investimentos de seus acionistas. As marcas Shefa e Gold permanecerão sob controle da A.R.C. e não fazem parte da operação. O Cade avaliou impactos concorrenciais nos mercados de captação de leite in natura, leite UHT, bebidas lácteas, creme de leite, manteiga, queijos e leite em pó. De acordo com o órgão, a participação conjunta das empresas permanece abaixo dos níveis que indicariam risco concorrencial relevante, motivo pelo qual o negócio foi enquadrado no rito sumário e aprovado sem restrições. As informações são do Globo Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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