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02/09/2026

Porto Alegre, 02 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.006


Sindilat realiza seminário sobre competitividade do leite

O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) realizou durante a Expointer 2026, o Seminário Competitividade do Leite Gaúcho.

O encontro ocorreu na Casa da Rede Pampa e reuniu os associados para discutir temas relacionados à produção, produtividade, mercado e competitividade da cadeia leiteira.

A programação contou com a participação do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, e de Wagner Beskow, Ph.D. e sócio-diretor da Transpondo. (Sindilat/RS)


Por que tantos produtores estão deixando a atividade do leite no RS

O leite está ficando pelo caminho em muitas propriedades gaúchas. Na última Expointer, a Emater divulgou que mais de 55,2 mil famílias deixaram de produzir a matéria-prima no Rio Grande do Sul nos últimos 10 anos. Agora, nesta terça-feira (1°), a instituição apresentou os motivos que ajudam a explicar a debandada. Entre eles, o preço baixo e a falta de previsibilidade, o custo dos insumos, o peso do trabalho e a dificuldade de sucessão familiar foram fatores que pesaram na decisão de cada um.

O levantamento, que ouviu, em julho deste ano, 1% de todos os produtores que abandonaram a atividade leiteira no período, revela que 30,8% tinham entre 21 e 30 anos de trajetória na produção de leite. A média era de 25 anos de dedicação.

— Dados que mostram que são famílias com tradição que estão abandonando a atividade — frisa Jaime Ries, zootecnista e assistente técnico estadual em Bovinocultura de Leite da Emater.

A maior parte da mão de obra dessas propriedades, 93,2%, era predominantemente familiar.

Os motivos
Quando perguntados sobre os fatores externos que contribuíram para a saída, os produtores apontaram principalmente a baixa remuneração do leite e a falta de estabilidade e previsibilidade nos preços, citadas por 79,3% dos entrevistados. Na sequência aparecem o custo de aquisição dos insumos, com 66,7%, e a dificuldade de contratar mão de obra, mencionada por 30,3%. No estudo, vale lembrar, eram aceitas múltiplas respotas.

O dinheiro, porém, não explica tudo. Entre os fatores internos, 66,4% citaram a penosidade da atividade. A falta de mão de obra apareceu para 61,3%, enquanto 37,8% apontaram o desinteresse dos filhos.

Outro dado chama atenção. A saída da atividade não parece estar diretamente relacionada à falta de estrutura produtiva. A maior parte das propriedades utilizava entre cinco e 10 hectares, com média de 12,5 hectares. 

Além disso, a produção média era de 18,7 litros de leite por vaca por dia, com aproximadamente 21,6 vacas por propriedade e uma produção média de 402 litros por dia.

E isso não significa necessariamente que o produtor tenha abandonado o campo. Quando perguntados sobre o destino da área, 59,4% passaram a produzir grãos e 35,2% migraram para a pecuária de corte.

Para Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), o importante agora é que esses números não aumentem:

— Precisamos pensar em um planejamento, já que se sabe que aquele produtor que abandona a atividade dificilmente retorna.

Ainda segundo o estudo, 79,8% dos entrevistados afirmaram que não pretendem retornar à produção de leite.

GDT 411º registra estabilidade mesmo com novo recorde de volume negociado

O 411º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou leve avanço de 0,9% no GDT Price Index, com preço médio negociado de USD 3.910/tonelada. O resultado mantém as cotações próximas da estabilidade, após a valorização mais intensa observada no leilão anterior, indicando um cenário de maior acomodação dos preços no mercado internacional.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos leites em pó, o movimento foi misto. O leite em pó desnatado (LPD) apresentou a principal valorização entre os produtos, com alta de 5,3%, atingindo USD 3.695/tonelada. O LPD vem demonstrando alta à quatro leilões consecutivos, resultado de uma maior procura por derivados proteicos, já que o produto pode servir como substituto para o Whey Protein Concentrate (WPC) em algumas formulações.  Já o leite em pó integral (LPI) permaneceu praticamente estável, com leve recuo de 0,1%, sendo negociado a USD 3.585/tonelada. O comportamento distinto entre os produtos mostra uma maior sustentação do LPD, enquanto o LPI mantém as cotações próximas aos patamares observados nas últimas negociações.

Gráfico 2. Preço médio LPI

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Entre os demais derivados, a muçarela apresentou estabilidade, com alta de 0,3%, atingindo USD 4.244/tonelada. A manteiga registrou queda de 0,8%, para USD 5.028/tonelada, enquanto a gordura anidra do leite recuou 1,3%, sendo negociada a USD 5.917/tonelada.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 01/09/2026 

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado segue em patamares elevados

O volume negociado totalizou 43.976 toneladas, aumento de 7,1% frente ao leilão anterior e de 6,1% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado representa um novo recorde de volume negociado em 2026, superando os patamares registrados em 2024 e 2025.

Mesmo com o avanço da oferta disponível consequente da safra da Nova Zelândia, o GDT Price Index permaneceu próximo da estabilidade, indicando que o mercado conseguiu absorver o maior volume comercializado sem gerar uma pressão significativa sobre as cotações.

Por outro lado, o número de participantes recuou 10,8%, totalizando 157 compradores, após atingir 176 no leilão anterior. O movimento indica uma redução no número de agentes ativos nesta edição, embora o volume elevado de produtos tenha sido escoado sem pressão dos preços.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os preços futuros de leite em pó integral (WMP) apresentam novos movimentos de valorização, sinalizando uma melhora nas expectativas para os próximos meses. O comportamento dos contratos indica maior sustentação das referências internacionais, mesmo diante dos elevados níveis de oferta na Nova Zelândia observados nos últimos leilões.

Esse movimento sugere uma percepção mais positiva dos agentes em relação à trajetória futura dos preços, embora o comportamento da demanda internacional permaneça determinante para a continuidade dessa valorização.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 411º reforça um cenário internacional de maior estabilidade, com destaque para a valorização do LPD e a manutenção do LPI em patamar praticamente inalterado. No entanto, a recuperação observada no mercado externo ainda encontra um cenário doméstico mais acomodado.

No Brasil, os preços dos derivados seguem estáveis, enquanto a disponibilidade de produtos importados continua limitando movimentos de valorização mais consistentes. Assim, mesmo com sinais mais positivos vindos dos contratos futuros, a transmissão para o mercado brasileiro tende a ser de maior estabilidade e gradual.

Nesse contexto, o câmbio e o ritmo das importações permanecem como pontos importantes de atenção, especialmente para os leites em pó. A combinação entre preços internacionais, competitividade dos produtos externos e disponibilidade no mercado doméstico continuará sendo determinante para a formação das cotações brasileiras nas próximas semanas.


Jogo Rápido

Sindilat/RS doa mil litros de leite em ação alusiva ao Concurso Leiteiro da Expointer
O Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (SINDILAT/RS) doou mil litros de leite UHT ao programa Criança Feliz, da Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (SMCDH) de Esteio. A ação foi realizada em parceria com a Gadolando e integrou a programação do Concurso Leiteiro das raças Holandesa e Jersey da Expointer 2026. A entrega simbólica ocorreu nesta terça-feira (1º/09), no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A iniciativa associou a realização do tradicional concurso a uma ação social destinada a famílias atendidas pelo programa no município. Na competição, a vaca Pitoca, da Granja Ferrabolli, de Anta Gorda, conquistou o tricampeonato entre os animais adultos da raça Holandesa. O animal produziu 85,3 quilos de leite em três ordenhas. Na categoria jovem, a vencedora foi uma vaca da Granja Bruchez, de Barão, no Vale do Caí, que alcançou a produção de 93,1 quilos, também em três ordenhas. A doação reforça a contribuição da cadeia leiteira para a alimentação e amplia o alcance social de uma das atividades tradicionais da Expointer. (Sindilat/RS com informações de Zero Hora e Gadolando)