Porto Alegre, 24 de setembro de 2026 Ano 20 - N° 5.021
Mercado para todos: Pequeno, regional, produtivo e muito lucrativo
O mercado lácteo brasileiro tem lugar para todos. É possível produzir em pequena escala para atender ao consumo regional e, mesmo assim, ser competitivo e construir um negócio muito lucrativo.
O conceito é a tônica da palestra do economista e pesquisador, Paulo do Carmo Martins. Ex-diretor da Embrapa, ele abordará os rumos da competitividade no setor lácteo, independentemente do porte ou tamanho da propriedade na palestra “O futuro do leite chegou, e agora?”, prevista para ocorrer no dia 14 de outubro durante o Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS).
Para se diferenciar mesmo com um porte menor, é preciso reduzir custos e aumentar produtividade, mantendo foco na excelência de processos e qualidade.
“Não dá para ser um produtor sem negociar, muito se fala da produção e pouco dos negócios”, pontuou o especialista. Durante sua palestra em Ijuí, ele contará a história de dois jovens, Antônio e João. Eles são da mesma idade, mesma escolaridade e moram no mesmo município.
Ambos resolvem empreender. Antônio quer fazer a vida como produtor de leite. Já João, como dono de laticínios.
A história avança, as dificuldades vêm e ao final, o consultor promete uma conclusão inusitada. “Os produtores estão evoluindo a olhos vistos. Conversam entre si, buscam informações técnicas e econômicas”, frisou.
Setorialmente, diz Paulo Martins, é preciso desatrelar as vendas do leite do mercado de commodity e buscar maior valor agregado. “Os produtores precisam ser melhor remunerados, o setor precisa encontrar novas estratégias de comercialização”, disse, reforçando que encontros como o Milk Summit são importantes para unir produtor e indústria em um único objetivo. E disse mais: “Precisamos de experiências externas para resolver os problemas. Apresentar visões diferentes vindas de outros países traz muita riqueza”, recomendou.
O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.
O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Laticínios Frizzo e Apoio: Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil. Fonte: Sindilat/RS
Boletim de Agrometeorologia prevê os efeitos do El Niño sobre o Estado pode trazer tempestades, rajadas de vento forte e queda de granizo
A primavera começou oficialmente na terça-feira (22) no Hemisfério Sul e termina no dia 21 de dezembro. O período será marcado pela forte influência do El Niño na região Sul do Brasil, segundo o Boletim 79 do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs). O documento, coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), indica condições favoráveis ao excesso de chuvas.
Os maiores volumes são previstos para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde os acumulados podem superar a média histórica do trimestre em até 200 milímetros.O RS deve registrar temperaturas próximas da média, com a região Sul do Estado podendo apresentar anomalias negativas de até 0,5°C.
El Niño
Neste ano, segundo o Boletim, a estação ocorre sob influência do El Niño, que deverá atingir intensidade muito forte, fenômeno que historicamente favorece chuvas bem acima da média no Rio Grande do Sul, especialmente durante a primavera. Seus efeitos costumam ser mais evidentes em outubro e novembro, período em que o sinal do fenômeno sobre a precipitação é climatologicamente mais forte no Estado, ocorrendo também, de forma mais irregular, nos meses de verão.
“Esse padrão está associado ao fortalecimento do jato subtropical e dos jatos de baixos níveis, que intensificam o transporte de calor e umidade da região amazônica em direção aos subtrópicos”, informou o documento.
Culturas
Ao longo do trimestre, são esperados episódios de chuva mais frequentes e, por vezes, intensos em todo o Estado, com maior destaque para as regiões norte e oeste. Também podem ocorrer períodos de tempestades, rajadas de vento forte e queda de granizo, associados à atuação de áreas de instabilidade, frentes frias, sistemas de baixa pressão e ciclones extratropicais.
Em algumas situações, sistemas frontais podem apresentar deslocamento lento ou permanecer semiestacionários entre a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e o Sul do Brasil, favorecendo precipitações persistentes e acumulados elevados.
A condição de chuvas frequentes e, por vezes, volumosas, associada a temperaturas próximas à média e acima dela, tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de verão. Além da produção de grãos, as pastagens também poderão ser beneficiadas, desde que apresentem condições adequadas de nutrição, favorecendo o rebrote e a disponibilidade de massa verde para a alimentação dos animais, ainda segundo análise do Boletim de Agrometeorologia.
Menor radiação
Contudo, a menor incidência de radiação ao longo do período poderá trazer desafios para o planejamento do plantio da safra 2026/27. A ocorrência de chuvas frequentes reduz os intervalos favoráveis para o manejo das lavouras e dificulta a entrada de máquinas nas áreas agrícolas. Esse cenário tende a comprometer a uniformidade de emergência das plantas e reduzir o estande das lavouras de soja e milho de primeira safra, fator importante para a produtividade final dessas culturas.
Nas áreas de cultivo de arroz irrigado, as condições tendem a ser mais desafiadoras, principalmente devido à existência de áreas com drenagem deficiente. A combinação de solos com menor capacidade de drenagem e elevados acumulados de chuva poderá provocar excesso de água no solo e comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das lavouras.
Indicações Técnicas
Manter o solo coberto, evitando ao máximo períodos sem plantas mantendo-o sempre protegido, seja com culturas para produção de grãos, plantas de serviço ou de cobertura, espécies forrageiras e/ou mix de espécies, a fim de evitar a erosão e perda de solo e nutrientes.
Mesmo com prognósticos de El Niño e previsões de chuvas acima da média, dada a alta variabilidade espacial e temporal da distribuição hídrica, e a menor influência do fenômeno prevista para o período de verão quando a demanda evaporativa é mais elevada, recomenda-se aproveitar o período para melhorar a capacidade de armazenamento de água no solo e realizar a reserva hídrica.
Fonte: Correio Do povo
Argentina aumenta produção de leite e busca recuperar capacidade da indústria
O crescimento da produção de leite na Argentina está colocando outro desafio no centro das atenções: garantir capacidade industrial suficiente para processar uma oferta maior de matéria-prima. A expectativa é que a produção leiteira argentina termine 2026 com crescimento entre 0,4% e 0,6%, segundo Sebastián Alconada, que ocupa a Direção Nacional de Lechería da Argentina, órgão da estrutura do Ministério da Economia.
A projeção, no entanto, ainda está condicionada ao comportamento do clima e, principalmente, aos possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre as fazendas e a disponibilidade de alimentos. Com a aproximação da primavera, período em que normalmente ocorre aumento sazonal da produção de leite no país, a atenção também se volta para a capacidade das indústrias de receber e processar esse volume adicional.
Plantas voltam a operar
Uma das estratégias mencionadas por Alconada é recuperar instalações industriais que estavam paralisadas. O diretor citou o caso da Sudamericana Láctea como exemplo de retomada de uma estrutura que permaneceu inativa.
A preocupação é que o aumento da oferta de leite encontre capacidade suficiente de processamento, evitando que a indústria se transforme em uma limitação para o crescimento da produção. Segundo Alconada, algumas dessas plantas que retomaram suas atividades já estão buscando ampliar a captação de matéria-prima. “Agora estamos ajudando-os a conseguir leite para processar, porque são plantas que querem crescer”, afirmou o diretor.
SanCor e Verónica entram na discussão
A situação de duas conhecidas empresas do setor leiteiro argentino também faz parte desse movimento. Segundo Alconada, a Secretaria de Agricultura mantém reuniões com diferentes atores para buscar alternativas relacionadas às plantas da SanCor e Verónica. O objetivo declarado é recuperar parte da capacidade industrial disponível e impedir que limitações no processamento dificultem a expansão da produção. As negociações envolvem empresas privadas e representantes dos trabalhadores, além de articulações para garantir fornecimento de leite às unidades que retomam e ampliam suas atividades.
Mais produção na primavera aumenta o desafio
A questão ganha importância justamente neste momento do ano. Com a chegada da primavera argentina, a produção de leite tende a aumentar sazonalmente, elevando também a necessidade de processamento industrial. Por isso, produção e capacidade industrial aparecem como dois desafios interligados para os últimos meses de 2026. Enquanto as condições climáticas podem determinar quanto leite chegará aos tanques, a disponibilidade das plantas ajudará a definir a capacidade da cadeia de absorver essa matéria-prima.
Tecnologia também avança dentro das fazendas
Ao mesmo tempo em que tenta recuperar capacidade industrial, a cadeia leiteira argentina registra investimentos em modernização dentro das propriedades. As declarações de Alconada foram feitas durante a inauguração da Jersey+, propriedade da família Dalmasso, localizada em María Juana, na província de Santa Fe.
O estabelecimento tornou-se a primeira fazenda robotizada da raça Jersey na Argentina. A propriedade utiliza sistemas de ordenha robotizada e instalações do tipo freestall. Para Alconada, experiências desse tipo também colocam em evidência outro desafio para o setor: ampliar o acesso ao financiamento para que produtores de diferentes escalas consigam investir em tecnologia. O governo argentino analisa instrumentos voltados a pequenos e médios investimentos capazes de melhorar tanto a eficiência produtiva quanto as condições de trabalho nas propriedades leiteiras.
Produzir mais é apenas parte da equação
Nesse contexto, a recuperação de plantas industriais paralisadas ganha uma função estratégica: criar capacidade para que o crescimento da produção não encontre um gargalo justamente depois que o leite sai da fazenda.
As informações são do El Litoral, adaptadas pela equipe MilkPoint.
Jogo Rápido
Parmalat amplia portfólio proteico e funcional com Fit Bites
A Parmalat ampliou seu portfólio de produtos proteicos no Brasil com o lançamento do Parmalat Fit Bites Morango, opção que combina iogurte cremoso e bites crocantes de whey protein em uma embalagem de dois compartimentos. Com 130 g, o produto reúne iogurte sabor morango, que fornece 3 g de proteínas, e bites de whey protein sabor baunilha, responsáveis por outros 7 g. A combinação totaliza 10 g de proteínas por unidade, além de apresentar zero adição de açúcares e baixo teor de gorduras totais. A configuração da embalagem permite que os dois componentes sejam mantidos separados até o momento do consumo. Dessa forma, o consumidor pode adicionar os bites ao iogurte e ajustar a proporção entre cremosidade e crocância de acordo com sua preferência. A novidade também reforça a aposta da Parmalat em formatos que associam aporte proteico, conveniência e diferentes experiências de textura, acompanhando a expansão dos alimentos proteicos para ocasiões de consumo além da suplementação esportiva tradicional. Com a chegada do Fit Bites, a marca amplia a atuação da linha Parmalat Fit e incorpora o whey protein a um formato de snack refrigerado voltado ao consumo prático no dia a dia. Fonte: Milkpoint