Porto Alegre, 23 de setembro de 2026 Ano 20 - N° 5.020
Mercado para todos: Pequeno, regional, produtivo e muito lucrativo
O mercado lácteo brasileiro tem lugar para todos. É possível produzir em pequena escala para atender ao consumo regional e, mesmo assim, ser competitivo e construir um negócio muito lucrativo.
O conceito é a tônica da palestra do economista e pesquisador, Paulo do Carmo Martins. Ex-diretor da Embrapa, ele abordará os rumos da competitividade no setor lácteo, independentemente do porte ou tamanho da propriedade na palestra “O futuro do leite chegou, e agora?”, prevista para ocorrer no dia 14 de outubro durante o Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS).
Para se diferenciar mesmo com um porte menor, é preciso reduzir custos e aumentar produtividade, mantendo foco na excelência de processos e qualidade.
“Não dá para ser um produtor sem negociar, muito se fala da produção e pouco dos negócios”, pontuou o especialista. Durante sua palestra em Ijuí, ele contará a história de dois jovens, Antônio e João. Eles são da mesma idade, mesma escolaridade e moram no mesmo município.
Ambos resolvem empreender. Antônio quer fazer a vida como produtor de leite. Já João, como dono de laticínios.
A história avança, as dificuldades vêm e ao final, o consultor promete uma conclusão inusitada. “Os produtores estão evoluindo a olhos vistos. Conversam entre si, buscam informações técnicas e econômicas”, frisou.
Setorialmente, diz Paulo Martins, é preciso desatrelar as vendas do leite do mercado de commodity e buscar maior valor agregado. “Os produtores precisam ser melhor remunerados, o setor precisa encontrar novas estratégias de comercialização”, disse, reforçando que encontros como o Milk Summit são importantes para unir produtor e indústria em um único objetivo. E disse mais: “Precisamos de experiências externas para resolver os problemas. Apresentar visões diferentes vindas de outros países traz muita riqueza”, recomendou.
O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.
O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Laticínios Frizzo e Apoio: Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil. Fonte: Sindilat/RS
Impulsionada por uma mudança de hábitos do consumidor, a demanda por produtos com alto teor de proteínas provoca uma transformação na indústria de lácteos. O soro, subproduto da fabricação de queijo, que até alguns anos era pouco valorizado, virou um ativo valioso para a produção de whey.
Embora seja um grande consumidor, o Brasil ainda depende em boa parte da importação de ingredientes lácteos feitos a partir do soro, como o WPC (Whey Protein Concentrado) e o WPI (Whey Protein Isolado). Mas, segundo especialistas e fontes do segmento, isso deve mudar com novos investimentos na produção.
A demanda fez os preços desses ingredientes dispararem no mercado internacional e no Brasil. Quanto mais sofisticado e proteico o ingrediente, maior a valorização. Segundo levantamento da consultoria StoneX, o preço do WPC80 (concentrado de proteína do soro do leite a 80%) quase triplicou nos EUA.
A tonelada custava cerca de US$ 10 mil no início de 2025 e em agosto deste ano estava em US$ 28 mil. O WPI, que tem pelo menos 90% de proteína, subiu 47% no período, chegando a US$ 32 mil a tonelada. O WPC34, de menor concentração, teve alta de 40%.

Hoje as proteínas de alto valor estão presentes não apenas em barras e bebidas lácteas, mas também em snacks, chocolates, pães e até em vinhos e cervejas. No entanto, a indústria não conseguiu dar conta da demanda, já que os investimentos na ampliação da produção demandam um certo tempo.
“Foi uma combinação entre uma demanda que se acelerou e uma oferta que não conseguiu acompanhar esse aumento”, afirma Juliana Torres Santiago, analista de inteligência de mercado da StoneX. Segundo a consultoria, o WPC80 dos EUA chega ao Brasil custando em torno de R$ 160 mil a tonelada, já considerando impostos e custos de importação.
Cerca de 70% do WPC80 e do WPI consumidos no Brasil são importados. O país é um grande produtor de leite: são mais de 35 bilhões de litros por ano, segundo o IBGE. Mas a capacidade de processar o soro de leite e transformá-lo em ingredientes proteicos de maior valor agregado é limitada.
“Há um descompasso entre o crescimento da demanda por proteína concentrada de soro e o crescimento da disponibilidade de soro como subproduto da produção de queijo”, diz Marcel de Barros, CEO da Tirolez, uma das principais fabricantes de queijos do país. “Esse descompasso gera uma pressão de demanda, que leva a toda essa alta. É um fenômeno mundial”, acrescenta.
O mercado do soro no país não é exatamente uma novidade. A própria Tirolez comercializava esse subproduto para empresas que convertiam o ingrediente para uso na alimentação humana. Segundo Barros, a empresa busca “parcerias estratégicas de longo prazo” para ampliar a relevância do negócio dentro do grupo. No momento, a Tirolez fornece matéria-prima para empresas que usam whey na formulação de produtos.
A empresa adquiriu recentemente a planta do grupo Barbosa & Marques, em recuperação judicial, em Governador Valadares (MG).
A capacidade de processamento e secagem é de 480 mil litros de soro por dia. Barros diz que a unidade opera na capacidade máxima. A Tirolez está arrendando a planta desde 1 de julho, mas a aquisição definitiva depende do processo de recuperação judicial.
Uma das poucas empresas que produzem essas proteínas de alta concentração no Brasil, a Sooro Renner tem unidades em Marechal Cândido Rondon (PR) e Estação (RS). A produção anual é de 8 mil toneladas de WPC80 e cerca de 2 mil toneladas de WPI. A empresa atua no B2B e vende os ingredientes a outras indústrias.
Após a fusão com a Relat, do grupo Renner Hermann, em 2019, a empresa traçou o plano de dobrar a capacidade de produção de proteínas. Em 2024, a Sooro decidiu construir uma nova planta em Francisco Beltrão (PR).
A previsão é iniciar a produção no segundo semestre de 2027. A nova unidade, com investimento de mais de R$ 1 bilhão, deverá dobrar a capacidade atual de produção de WPC80 e WPI.
A indústria também terá formulações para nutrição infantil e público sênior. “Antigamente, o whey era considerado um produto só para ‘marombados’, as pessoas que viviam na musculação. Mas notamos que a pessoa que queria ter um estilo de vida mais saudável, seja correr, pedalar, fazer crossfit, também precisaria consumir mais proteína”, afirma o CEO da Sooro Renner, Eduardo Serra.
A empresa compra o soro de laticínios da região Sul. Segundo Serra, o custo da matéria-prima dobrou no último ano em meio à oferta restrita e ao aumento da demanda por proteínas. “Houve uma valorização de toda a cadeia. O meu fornecedor está recebendo mais, mas eu estou vendendo também mais caro”, afirma.
Diferentemente de outras empresas que precisam comprar soro de leite de terceiros, a francesa Lactalis tem uma fábrica de WPC integrada à de queijos, em Três de Maio (RS). O soro é levado por uma tubulação, em circuito fechado, diretamente para a produção de whey.
“O consumo per capita de proteína do leite nos Estados Unidos ou em outros mercados com economia mais madura ainda é bem maior que o do Brasil. Então acreditamos que aqui esse mercado vai continuar crescendo”, observa Guilherme Portella, diretor de comunicação, assuntos regulatórios e corporativos da Lactalis Brasil.
O mercado de bebidas proteicas movimenta atualmente cerca de 80 milhões de litros por ano, de acordo com consultoria MilkPoint. A título de comparação, bebidas UHT mais tradicionais chegam a quase 500 milhões de litros. Embora representem um volume pequeno, as bebidas proteicas apresentam crescimento acima de um dígito nos últimos anos, segundo Valter Galan, sócio da MilkPoint.
Ele observa que, como não existe soro suficiente para atender o mercado, há hoje projetos de unidades de queijo saindo já com plantas de proteína de soro acopladas.
Um dos projetos com esse perfil é do Grupo Piracanjuba, um dos maiores do ramo de laticínios do Brasil, que investiu mais de R$ 500 milhões na construção de complexo industrial em São Jorge d’Oeste (PR) com produção planejada e integrada de queijo, manteiga, whey protein e lactose em pó.
A fábrica está em construção. A expectativa é produzir até 6 mil toneladas anuais de whey protein. Procurada, a empresa não deu entrevista.
Fonte: Valor Econômico
DO PARANÁ – CONSELEITE–PARANÁ
RESOLUÇÃO Nº 09/2026
A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 26 de agosto de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Julho de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Agosto de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.

Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia.
Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução.
Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Setembro de 2026 é de R$ 4,3501/litro.
Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/.
Jogo Rápido
SOJA/CEPEA: Participação do farelo na 'crush margin' aumenta no BR e nos EUA
Cepea, 21/09/2026 – A cotação do farelo de soja segue em alta no Brasil e nos Estados Unidos, diante da forte demanda global pelo derivado. Segundo o Cepea, a participação do farelo na margem de processamento das indústrias voltou a aumentar nos últimos dias, atingindo novas máximas. O Centro de Pesquisas destaca que, entre julho e agosto, a Conab disponibilizou algumas unidades de armazenamento de farelo de soja em certos estados brasileiros, o que pode ter limitado o interesse de venda das indústrias. Neste cenário, com base nos preços da soja, do farelo e do óleo de soja negociados na região de São Paulo, a participação do farelo de soja na “crush margin” foi o maior desde outubro de 2024, conforme apontamento do Cepea.
Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)