Porto Alegre, 16 de setembro de 2026 Ano 20 - N° 5.015
Brasil é o 2º país que mais cresce em proteína do leite no mundo
O Brasil acaba de conquistar uma posição que poucos esperavam há alguns anos: é o segundo país do mundo em crescimento absoluto de lançamentos de produtos com proteína do leite, atrás apenas dos Estados Unidos.
Os dados são da Innova Market Insights e mostram que, em 2025, o país somou 119 lançamentos a mais do que em 2024 nessa categoria — um avanço de quase 16% que também garantiu ao Brasil a 10ª colocação no ranking mundial geral de lançamentos com proteína láctea (MPC/MPI). No mesmo período, o crescimento global desses lançamentos superou 8%, um recorde histórico para o setor.
Por trás desses números está uma mudança de comportamento que interessa diretamente a quem produz e industrializa leite no país: a proteína láctea deixou de ser um ingrediente de nicho, associado apenas à nutrição esportiva, para se espalhar por praticamente todas as categorias de alimentos e bebidas.
Da quantidade para a qualidade
Durante um seminário promovido pelo USDEC (U.S. Dairy Export Council) em São Paulo, que reuniu mais de 52 compradores, equipes de P&D e profissionais da indústria de alimentos e bebidas, especialistas destacaram que o consumidor mudou a pergunta que faz na hora da compra. Não se trata mais de saber quantos gramas de proteína um produto tem, mas o que essa proteína realmente faz pelo organismo — suporte imunológico, saúde cerebral e síntese muscular estão entre os benefícios que hoje pesam na decisão de compra.
Nem toda proteína, porém, entrega o mesmo resultado. “Nem todas as proteínas são iguais”, afirmou Eduardo Reis, nutricionista esportivo, membro da ABNE e consultor da IFBB Academy Brasil e da CBF Academy, durante o evento. Segundo ele, as proteínas lácteas estão entre as de mais alta qualidade e servem como referência de comparação nas principais publicações científicas, graças à maior concentração de aminoácidos essenciais como a leucina e à sua elevada digestibilidade e biodisponibilidade.
Essa vantagem é mensurável: pelo escore DIAAS (Digestible Indispensable Amino Acid Score), os índices de digestibilidade das proteínas lácteas superam os do ovo e das proteínas vegetais, como soja e ervilha, garantindo maior absorção de aminoácidos essenciais por grama consumida.
Dois públicos que estão redesenhando a demanda
A leucina, presente em alta concentração no leite e no soro, tem papel direto na síntese proteica muscular — e isso projeta a proteína láctea para além do público esportivo. Adultos acima de 65 anos, que enfrentam resistência anabólica, podem precisar de até o dobro de leucina por refeição em comparação a adultos jovens, o que torna esse ingrediente estratégico para o mercado de envelhecimento saudável e prevenção da sarcopenia.
Outro fator vem reforçando essa demanda de forma estrutural: o uso crescente de medicamentos análogos de GLP-1 para perda de peso. Como esses usuários perdem massa muscular rapidamente, o aporte de proteína de qualidade se torna essencial durante o tratamento. Como a obesidade é uma condição crônica, a tendência é que essa demanda não seja passageira.
Onde a proteína láctea está aparecendo
Para Keith Meyer, Diretor de Marketing Global de Ingredientes do USDEC, o avanço no Brasil reflete uma versatilidade que vai muito além das prateleiras de suplementos: os fabricantes têm incorporado ingredientes lácteos a produtos de panificação, snacks, sobremesas congeladas, iogurtes, confeitos e refeições prontas para consumo.
Esse movimento dialoga diretamente com quatro das dez principais tendências de alimentos e bebidas mapeadas pela Innova Market Insights para 2026: a priorização de proteínas de qualidade sobre quantidade; a exigência por sabor e textura mesmo em produtos saudáveis; o crescimento de bebidas com proteína associadas à redução de açúcar; e a demanda por formatos adaptados a diferentes momentos de consumo, das porções individuais para quem mora sozinho às embalagens pensadas para compartilhar.
A oferta que sustenta o crescimento
Do lado da oferta, os Estados Unidos vêm investindo em novas plantas industriais para produção de proteínas de alto valor e ingredientes lácteos funcionais, apoiados no maior rebanho leiteiro do país em 33 anos. Essa produção chega ao Brasil como complemento à indústria local, por meio de concentrados e isolados de proteína do soro de leite e do leite (WPC/WPI), voltados a fabricantes que buscam desenvolver produtos de maior valor agregado. O USDEC soma a isso inteligência de mercado, suporte técnico e consultoria em formulação para fabricantes brasileiros.
Com demanda em expansão, base científica consolidada e um mercado interno em aceleração, a indústria brasileira de alimentos e bebidas tem hoje um cenário raro: dados concretos que apontam para onde investir.
Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por BHB Food
GDT 412º indica ajuste negativo após série de valorização nos leilões anteriores
O 412º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou queda de 1,1% no GDT Price Index, com preço médio negociado de USD 3.868/tonelada. O resultado representa um pequeno ajuste nas cotações internacionais após as valorizações observadas nos últimos leilões.
Gráfico 1: Preço médio leilão GDT
Fonte: Global Dairy Trade (GDT)
Nos leites em pó, o movimento foi de estabilidade. O leite em pó desnatado (LPD) apresentou leve alta de 0,1%, atingindo USD 3.689/tonelada, enquanto o leite em pó integral (LPI) recuou 0,8%, sendo negociado a USD 3.565/tonelada.
A recente valorização do leite em pó desnatado, impulsionada pela maior demanda por ingredientes proteicos, provocou uma inflexão na relação entre as cotações do LPI e do LPD. Com o movimento, o preço do LPD superou o do LPI pela primeira vez na série histórica.
Gráfico 2. Preço médio LPI vs LPD
Fonte: Global Dairy Trade (GDT)
Entre os demais derivados, o movimento foi predominantemente negativo. A muçarela apresentou queda de 6,0%, atingindo USD 3.992/tonelada, enquanto a manteiga recuou 5,7%, para USD 4.760/tonelada.
A gordura anidra do leite também apresentou reajustes, de 3,0%, sendo negociada a USD 5.739/tonelada. Em sentido contrário, o cheddar registrou forte valorização de 16,5%, atingindo USD 4.075/tonelada, sendo a maior valorização registrada no leilão.
Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 15/09/2026

Fonte: Equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026. Clique aqui para acessar a matéria na íntegra.
Estudo da USP propõem mudanças no piso do frete
O transporte rodoviário de cargas vive, em 2026, uma nova fase de fiscalização eletrônica integrada, ao mesmo tempo em que estudos sobre a metodologia de cálculo dos pisos mínimos do frete colocam em debate os parâmetros utilizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
As recentes mudanças envolvendo o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) ampliaram significativamente o nível de controle automático sobre as operações do setor, enquanto uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) aponta que os atuais critérios de cálculo do frete mínimo podem estar superestimando os custos da atividade.
Um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da USP, propõe uma série de alterações na metodologia utilizada pela ANTT para calcular os pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A pesquisa apresenta 17 mudanças e conclui que os parâmetros atuais tendem a superestimar os custos regulatórios, sobretudo em operações de maior produtividade e de menor distância.
Segundo os autores, algumas das alterações sugeridas poderiam reduzir os valores da tabela mínima do frete em até 11% em determinadas operações. De acordo com a pesquisa, o modelo atualmente em vigor tende a “superestimar de forma sistemática os custos regulatórios, sobretudo em operações de maior produtividade e de menor distância”.
Uma das principais propostas envolve a revisão da carga horária mensal considerada no cálculo do piso. A metodologia da ANTT adota 181 horas de trabalho por mês. O estudo sustenta que esse parâmetro subestima a utilização efetiva dos veículos e dos motoristas e sugere sua elevação para 220 horas.
Segundo a simulação da USP, a alteração resultaria em uma redução média de aproximadamente 7,6% nos valores calculados para o piso de frete. No transporte de grãos, a queda poderia variar entre 6,38% e 11,04%, a depender da distância percorrida e da configuração do veículo.
Outra recomendação trata da depreciação dos caminhões e da remuneração do capital investido. A metodologia atual considera uma vida econômica de sete anos para a composição veicular, parâmetro utilizado para calcular a perda de valor dos ativos e o retorno esperado sobre o investimento. O estudo argumenta, porém, que a referência está distante da realidade da frota brasileira.
Os pesquisadores citam dados da própria ANTT que apontam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração em circulação no País. Na avaliação do grupo, a utilização de parâmetros mais próximos dessa realidade reduziria os custos estimados pela metodologia.
Na prática, as discussões sobre os pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas ocorrem em um ambiente de controle cada vez mais integrado. Informações fiscais, regulatórias e operacionais passam a ser cruzadas automaticamente pelos sistemas. Nesse cenário, inconsistências podem gerar impedimentos documentais, autuações e outros impactos capazes de comprometer a realização da operação.
A principal transformação está relacionada ao CIOT. Com a Medida Provisória nº 1.343/2026 e as regulamentações posteriores da ANTT, a obrigatoriedade do código foi ampliada para praticamente todas as operações de transporte realizadas por terceiros e mediante remuneração, incluindo contratações entre embarcadores e empresas transportadoras, além das subcontratações entre transportadoras.
Dessa forma, o CIOT passou a desempenhar papel estratégico no acompanhamento das viagens e na verificação do cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
Paralelamente, o setor também vem convivendo com mudanças recentes no MDF-e. Desde outubro de 2025, novas exigências ampliaram o conjunto de informações obrigatórias do documento e fortaleceram o monitoramento das operações pela ANTT.
Com as regras atuais, operações que informem valores de frete inferiores aos pisos mínimos podem ter a geração do CIOT impedida pelos sistemas de validação, criando reflexos diretos sobre a regularidade documental do transporte.
Para complementar esse conjunto de mudanças, desde 1º de junho de 2026 passou a valer, no estado de São Paulo, a exigência de emissão de um MDF-e distinto para cada Unidade da Federação (UF) onde houver descarregamento da carga.
A medida se soma às recentes alterações relacionadas ao CIOT e ao próprio MDF-e e evidencia uma transformação mais ampla no ambiente regulatório do transporte rodoviário de cargas.
Para a Federação das Empresas do Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), o cenário amplia a complexidade operacional das transportadoras, exigindo maior integração tecnológica, revisão de processos internos e reforço da governança documental.
“O transporte já opera em um ambiente altamente regulado. O desafio é garantir equilíbrio entre fiscalização, segurança jurídica e viabilidade operacional para que as empresas consigam se adaptar sem comprometer produtividade e eficiência logística”, destaca o presidente da entidade, Carlos Panzan.
O cenário ganhou ainda mais relevância nos últimos dias após a própria ANTT divulgar que o novo sistema do CIOT registrou 534.908 operações entre os dias 24 e 29 de maio, poucos dias após a entrada em vigor das novas regras.
Nesse período, segundo a agência, foram também foram registradas 469.883 operações declaradas, 53.038 encerradas e 11.932 canceladas, em um ambiente que ainda enfrentava relatos de instabilidades sistêmicas e dificuldades operacionais nos primeiros dias de implementação.
Segundo a FETCESP, embora o avanço da fiscalização eletrônica e da rastreabilidade seja importante para ampliar a formalização e o controle das operações, é fundamental que esse processo ocorra com estabilidade sistêmica, orientação técnica adequada e previsibilidade regulatória.
“O transporte rodoviário de cargas reconhece a importância da formalização, da rastreabilidade e do combate às irregularidades. Porém, é fundamental que esse processo venha acompanhado de estabilidade dos sistemas, orientação técnica adequada e condições viáveis de adaptação.
Estamos falando de uma atividade essencial para o abastecimento do país, que não pode conviver com insegurança operacional ou risco de paralisações por falhas sistêmicas”, finaliza o presidente da FETCESP. (Fonte: Jornal do comércio)
Jogo Rápido
Grupo Piracanjuba conquista certificação GPTW pelo segundo ano consecutivo
O Grupo Piracanjuba foi reconhecido, pelo segundo ano consecutivo, com a certificação Great Place to Work (GPTW), concedida a partir de pesquisa de clima organizacional realizada pela consultoria global. Em 2026, a participação dos colaboradores na pesquisa cresceu cerca de 12%, enquanto a pontuação da companhia avançou aproximadamente 7%. Segundo a empresa, os resultados refletem iniciativas voltadas ao desenvolvimento, reconhecimento e bem-estar das pessoas.“A certificação GPTW vem coroar as práticas da empresa voltadas para o cuidado e valorização do nosso ativo principal: as pessoas”, destaca o presidente do Grupo Piracanjuba, Luiz Claudio Lorenzo. Com operações em nove estados, o Grupo conta com 12 unidades fabris, 16 postos de resfriamento de leite e cerca de 5 mil colaboradores. Entre os principais fatores de motivação apontados na pesquisa estão aprendizado, desenvolvimento profissional e resultados coletivos. A empresa também oferece benefícios como plano de saúde, consultas psicológicas gratuitas e convênio com o Welhub para atividades físicas e bem-estar. Fonte: Piracanjuba adaptado pelo Sindilat/RS