Porto Alegre, 27 de agosto de 2026 Ano 20 - N° 5.002
Para agosto, Conseleite projeta leite a R$ 2,4754
O valor de referência do leite para agosto de 2026, projetado pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS), ficou em R$ 2,4754 por litro. O valor representa uma leve redução de R$ 0,0252 por litro (-1,01%) em relação a julho, quando a referência havia sido fixada em R$ 2,5005. Já o valor consolidado de julho encerrou em R$ 2,5236 por litro, alta de R$ 0,0917 (3,77%) frente a junho, que havia ficado em R$ 2,4320.
A partir da atualização dos estudos da Câmara Técnica (Camatec), o Conseleite/RS passou a apresentar também os valores calculados com novos parâmetros. Nesse modelo, o valor de referência consolidado para julho ficou em R$ 2,4529 por litro, enquanto a projeção para agosto é de R$ 2,4128. Os dois conjuntos de referências serão divulgados até outubro.
As projeções foram divulgadas em reunião on-line na manhã desta quinta-feira (27/08) e elaboradas com base nos dados coletados nos primeiros 20 dias de agosto. Conforme o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes, o segundo semestre costuma apresentar aumento da oferta de leite, colocando no radar fatores que podem pressionar os preços. “Temos o aumento da oferta doméstica, a entrada do leite em pó importado, que são aspectos que precisam ser acompanhados, assim como o potencial de impacto sobre a produção do El Niño, o que também pode afetar a produção e a oferta de leite”, destaca.
Na avaliação do vice-coordenador do conselho, Darlan Palharini, existem fatores que já causam preocupação no Rio Grande do Sul, como o atraso de mais de 30 dias no plantio do milho em quase 50% das áreas cultiváveis, o que pode prejudicar a produção de silagem. “A referência projetada reforça o momento de cautela de produtores e indústria com relação aos seus custos de produção e novos investimentos”, argumenta o secretário-executivo do Sindilat/RS.
Representação
Na próxima semana, o Conseleite/RS participa, em Brasília (DF), da oficina “Diagnóstico, Desafios e Perspectivas da Cadeia Produtiva do Leite para a Agricultura Familiar”, nos dias 1º e 2 de setembro. Representando a entidade, o coordenador Kaliton Prestes participa da oficina de escuta do setor produtivo, que vai reunir contribuições sobre os principais problemas e desafios da agricultura familiar na cadeia do leite. A iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia, busca reunir subsídios para a elaboração da proposta do Plano Nacional da Cadeia do Leite.
Conseleite/MG projeta aumento de 1,2% no leite que será pago em setembro,
A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 26 de Agosto de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:
a) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Julho/2026 a ser pago em Agosto/2026.
b) a os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Agosto/2026 a ser pago em Setembro/2026.

VALORES DA MATÉRIA PRIMA POSTO PROPRIEDADE EM JUL/26 E PROJETADOS PARA AGO/26

Nota Técnica: O Valor Base de Referência corresponde à capacidade de pagamento da indústria pelo leite, considerando os seguintes parâmetros de volume e qualidade: produção de 160 litros/dia, Contagem de Células Somáticas (CCS) de 400 mil células/mL, Contagem Padrão em Placas (CPP) de 100 mil UFC/mL, teor de gordura de 3,30% e teor de proteína de 3,10%.
Atenção:
A Câmara Técnica do Conseleite MG está conduzindo a revisão dos parâmetros que compõem os valores de referência do Conseleite MG, com conclusão prevista para breve. Após a conclusão desse processo, o Valor Base de Referência deixará de ser publicado pelo Conseleite MG, permanecendo inalterada a divulgação das demais categorias da tabela de valores de referência.
Variações nos preços de venda dos derivados pela indústrias participantes do Conseleite MG

Períodos de apuração:
Mês de Julho/2026: De 01/07/2026 a 31/07/2026
Parcial de Agosto/2026: De 01/08/2026 a 20/08/2026
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.
As informações são do Conseleite/MG.
Representantes do agronegócio do leite se reúnem em Juiz de Fora para debater os desafios do setor
A Embrapa Gado de Leite reuniu, nos dias 25 e 26 de agosto, em Juiz de Fora (MG), 212 participantes de 16 estados brasileiros para o Workshop "Desafios para o Leite Brasileiro nos Próximos Dez Anos". O evento integra o calendário comemorativo dos 50 anos da Unidade e reuniu produtores rurais, lideranças cooperativistas, indústrias laticinistas, setor de máquinas e equipamentos, produtores de sementes, empresas de assistência técnica e extensão rural (Ater), gestores governamentais e representantes da comunidade acadêmica e científica.
Ao todo, cerca de 50 instituições ligadas à cadeia produtiva do leite estiveram representadas, além de representantes de 13 Unidades Descentralizadas da Embrapa, espalhadas pelas cinco regiões do país. O encontro contou ainda com a presença do diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clênio Pillon, e da diretora de Inovação Social e Transferência de Tecnologia, Ana Margarida Euler, que participaram da abertura dos trabalhos.
Em sua fala na abertura do evento, Clênio Pillon destacou o caráter estratégico da discussão para o conjunto de públicos que hoje dialogam com a Embrapa: "Esta é uma agenda estratégica pra todos nós porque temos procurado dialogar fortemente com todos os nossos públicos, que vão além do agricultor, da assistência técnica e da extensão rural. Atendemos agroindústria, as empresas de rastreabilidade de certificação, os formuladores e executores de políticas públicas, o sistema de financiamento da produção agrícola e pecuária, as empresas que trabalham com seguro agrícola”. Segundo Pillon, os diversos setores que compõem o agronegócio estão ávidos pelas entregas feitas pela Embrapa.
Debates – O primeiro dia do evento foi dedicado ao tema "Visão de Futuro: onde estará a pecuária leiteira em 2035?", o consultor Airton Spies (Spiesagro) abriu os trabalhos com a palestra magna "O mundo do leite em 2035: tendências globais e impactos para o Brasil". Na sequência, produtores, indústria, pesquisa e cooperativismo debateram os principais desafios da próxima década, com a participação de Maurício Silveira Coelho (Fazenda Santa Luzia), Gustavo Silva Almeida e Bruno Castanheira (Laticínios Tirolez), Glauco Rodrigues Carvalho (Embrapa Gado de Leite) e Sebastião Vilanova (Cooperoeste-SC), sob mediação do chefe-adjunto de P&D da Embrapa Gado de Leite Bruno Campos de Carvalho.
À tarde, teve início a dinâmica de construção de cenários, com a apresentação da consulta pública realizada entre junho e julho — que mapeou 24 desafios do setor em cinco eixos temáticos — e o início dos trabalhos em grupo.
No segundo dia, Marcelo Pereira de Carvalho (MilkPoint Ventures) provocou os participantes com a pergunta "O que está mudando no leite enquanto estamos ocupados com o dia a dia?", antes da continuidade das atividades em grupo. À tarde, os participantes sintetizaram as discussões e priorizaram os temas mais urgentes, culminando no lançamento da proposta de criação da Rede de Pesquisa, Desenvolvimento e Transferência de Tecnologia em Leite, apresentada pelo chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite Rui da Silva Verneque.
Cinco desafios prioritários
O resultado das discussões dos grupos de trabalhos foram submetidos à análise PEST (política, econômica, social e tecnológica) e à Matriz GUT (gravidade, urgência e tendência), os dez temas mais debatidos no workshop foram reduzidos a cinco Desafios Prioritários Nacionais para a cadeia do leite na próxima década, que compõem a Carta de Juiz de Fora*:
1 – Elevados custos de produção e baixa rentabilidade da atividade leiteira;
2 – Escassez de mão-de-obra qualificada e dificuldade de retenção de trabalhadores;
3 – Degradação de pastagens, com baixa taxa de lotação e redução do valor nutritivo do pasto;
4 – Falta de planejamento forrageiro, insegurança alimentar do rebanho e sazonalidade da produção de forragens;
5 – Uso ineficiente dos recursos hídricos e risco crescente de escassez de água nos sistemas de produção.
(*Leia uma síntese da Carta de Juiz de Fora ao fim dessa reportagem.)
Além da Carta de Juiz de Fora, um dos principais desdobramentos do workshop foi o lançamento formal da Rede Leite, iniciativa interinstitucional que pretende conectar competências e estruturar projetos cooperativos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). A rede será conduzida por um Comitê Gestor paritário, com representantes das cinco regiões do país — Embrapa Clima Temperado (Sul), Embrapa Pecuária Sudeste (Sudeste), Embrapa Cerrados (Centro-Oeste), Embrapa Semiárido (Nordeste) e Embrapa Amazônia Oriental (Norte) —, além de coordenação central formada pela Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DEPD) e pela Embrapa Gado de Leite, responsável por organizar uma secretaria de apoio à iniciativa.
Entre as frentes iniciais de atuação estão a harmonização de bancos de dados da cadeia leiteira, o mapeamento de competências institucionais, o levantamento contínuo de demandas regionais e a promoção mensal de debates técnicos virtuais sobre temas estratégicos.
Carta de Juiz de Fora: os compromissos assumidos
Como síntese de dois dias de trabalho, os participantes aprovaram e assinaram a “Carta de Juiz de Fora”, manifesto de compromisso da Embrapa Gado de Leite e de lideranças setoriais com os desafios estratégicos da cadeia produtiva do leite entre 2026 e 2036. O documento foi lido na sessão de encerramento pelo chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, José Luiz Bellini Leite.
Entre os compromissos assumidos estão:
• Estruturar e operacionalizar a Rede Leite, com a instituição do primeiro Comitê Gestor regionalizado;
• Elaborar e difundir um Documento Síntese Setorial, consolidando os diagnósticos e vetores de solução identificados no workshop;
• Promover o compartilhamento de dados abertos, com repositórios integrados de informações científicas, indicadores econômicos e métricas de sustentabilidade;
• Fortalecer a comunicação e a integração entre produtores, indústria, governo e academia;
• Fomentar parcerias pré-competitivas entre o setor público e o privado para o desenvolvimento de tecnologias de base;
• Apresentar a proposta da Rede à Diretoria da Embrapa para aprimoramento, além de discutir quatro projetos comissionados pela Diretoria em articulação com a Plataforma do Leite, proposta pelo diretor Clênio Pillon.
Ao encerrar o evento, Bellini avaliou positivamente os resultados dos dois dias de trabalho: "O workshop foi um grande sucesso e é importante que eventos como esse ocorram periodicamente para que possamos manter a cadeia produtiva unida frente aos grandes desafios do setor."
Com a Carta de Juiz de Fora assinada, a Embrapa Gado de Leite e as instituições parceiras passam agora a estruturar a Rede Leite e a consolidar o Documento Síntese Setorial, que deve servir de referência para políticas públicas e investimentos privados voltados à pecuária leiteira nacional na próxima década.
As informações são da Embrapa.
Jogo Rápido
MILHO/CEPEA: Retração vendedora e cenário externo sustentam preços
Cepea, 24/08/2026 – O milho segue em valorização no mercado brasileiro, mesmo com o avanço da colheita da segunda safra. Segundo o Cepea, as altas no mercado internacional e as preocupações com o clima nos próximos meses influenciam os avanços dos preços no Brasil. Neste contexto, de acordo com o Centro de Pesquisas, produtores reduziram o interesse em negociar tanto no spot quanto para entrega futura e exportação. Nos Estados Unidos, expectativas de queda na produtividade das lavouras, o que pode reduzir a oferta global do cereal, elevaram expressivamente as cotações internacionais. As perspectivas desfavoráveis para a produção na União Europeia e as incertezas sobre o conflito no Mar Negro também dão suporte aos preços futuros. Pesquisadores do Cepea ressaltam ainda que, refletindo as preocupações com a oferta nas próximas semanas e aguardando valorizações mais expressivas, vendedores limitam o volume de mercadoria para negociações, enquanto compradores indicam necessidade de aumentar os valores para compra, no intuito de recompor estoques. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)