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07/07/2026

Porto Alegre, 07 de julho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.665


Muito além do rótulo: como as embalagens viraram plataformas para o marketing de causa

Os espaços nas embalagens, inclusive dos lácteos, vêm sendo usados para aproximar causas sociais do consumidor, saiba mais.

Caixas de leite e até etiquetas deixaram de servir apenas para informar composição, validade e modo de uso. Esses espaços vêm sendo usados, cada vez mais, para disseminar mensagens de conscientização e aproximar causas sociais e ambientais da rotina do consumidor - um movimento que ganha força à medida que cresce a expectativa de que as marcas assumam um papel mais ativo não apenas no debate público, mas também na promoção de mudanças concretas na sociedade.

Uma das empresas que apostam nessa estratégia é a Piracanjuba. Desde 2024, a marca de laticínios utiliza suas embalagens de leite para divulgar fotos de pessoas desaparecidas em parceria com a ONG Mães da Sé. Recentemente, a companhia decidiu ampliar o escopo da iniciativa social e desde abril passou a estampar mensagens de conscientização sobre o transtorno do espectro autista (TEA) nas caixinhas distribuídas por todo o país.

As frases curtas e diretas, como “autismo não é doença” e “cada pessoa autista é única”, foram elaboradas em parceria com a organização Autistas Brasil. “O Brasil é hoje um dos maiores polos de desinformação sobre autismo. Então, pensamos em mensagens curtas, com respaldo científico, mas que fossem compreensíveis para qualquer pessoa”, afirmou ao Valor, o presidente da entidade, Guilherme de Almeida.

Segundo o executivo, trata-se de uma das maiores campanhas com essa temática no mundo, por causa do alcance dos produtos da Piracanjuba, que distribui cerca de 50 milhões de litros de leite por mês em todo o país. A diretora de marketing do grupo de laticínio, Lisiane Campos, conta que houve adesão de supermercados, que voluntariamente - e sem custos - passaram a veicular informações sobre autismo nos telões e encartes. “Estamos vendo um enorme engajamento espontâneo”, disse.

As campanhas se tornarão recorrentes. Em agosto, as embalagens voltam a trazer rostos de desaparecidos; e em abril, será a vez novamente das mensagens sobre autismo. Para a diretora-presidente (CEO) da agência Ampfy, Andrea Siqueira, a estratégia vai além de uma ação pontual de comunicação. “A embalagem virou uma plataforma de conscientização. A ideia é usar essa capilaridade para falar de temas urgentes da sociedade”, disse ela, que também é responsável pelo projeto.

A iniciativa vai ao encontro do que os consumidores entendem como papel social das companhias. Estudo da consultoria Ipsos aponta que 85% dos brasileiros acreditam que as empresas têm o dever de contribuir com a sociedade; no mundo, esse indicador é de 82%. Segundo o gerente sênior de reputação corporativa e opinião pública da Ipsos, Rafael Pisetta, isso acontece porque existe uma percepção crescente de que apenas ações individuais não são suficientes para enfrentar problemas como mudanças climáticas, desigualdade ou inclusão social.

Além das questões sociais, os temas ambientais estão no radar das empresas, em linha com a demanda dos consumidores. Levantamento da Kantar indica que mudanças climáticas (44%), conflitos internacionais (39%), uso de recursos naturais (35%) e temas sociais (29%) estão entre as principais preocupações dos brasileiros na atualidade.

Ainda assim, o executivo de marketing da Kantar Brasil, Rafael Farias Teixeira, diz que há uma contradição entre discurso e prática. Embora 87% dos brasileiros afirmem desejar escolhas mais sustentáveis, apenas 35% dizem ter efetivamente mudado hábitos de consumo. O principal freio continua sendo o preço: 35% acreditam que produtos sustentáveis custam mais caro, enquanto 33% dizem não ter informação suficiente sobre as ações das empresas.

Essa necessidade de transparência aparece também nos estudos da Ipsos. Mais da metade dos entrevistados afirmam que existe pouca informação disponível sobre projetos de sustentabilidade e que as empresas deveriam comunicar melhor suas iniciativas.

O Grupo Boticário busca tornar as suas iniciativas ambientais mais palpáveis para os consumidores. Um exemplo disso é o programa Boti Recicla, que coleta embalagens vazias de cosméticos de qualquer marca desde 2006. O projeto, que nasceu antes mesmo de existir regulamentação sobre logística reversa no setor de beleza, conta com cerca de 4 mil pontos de coleta no Brasil e em Portugal. Segundo o diretor de ESG do Grupo Boticário, Luis Meyer, a ideia era ampliar a responsabilidade da empresa em relação ao produto em si e incluir o pós-consumo das embalagens.

Em 2025, o programa montou uma loja temporária em São Paulo, a Boti Recicla Store, na qual os consumidores podiam “comprar” produtos da marca usando resíduos recicláveis como moeda de troca. A ação reuniu mais de 680 participantes e arrecadou acima de uma tonelada de resíduos em apenas três dias. Uma balança interativa mostrava, em tempo real, a estimativa de CO2 evitado a cada descarte realizado. Segundo a empresa, não há data para novas empreitadas como essa.

Além do impacto ambiental, a companhia diz que o programa também fortalece cooperativas de reciclagem e amplia a conscientização sobre descarte correto. “Hoje, sustentabilidade não pode ser tratada como diferencial, mas como prática contínua”, diz Meyer.

Para Pisetta, da Ipsos, iniciativas como essas tendem a ganhar força - mas precisarão cada vez mais mostrar resultados concretos ao consumidor. O estudo da consultoria informa que confiança virou elemento central para o marketing de causa: 62% preferem comprar produtos ligados a ONGs reconhecidas, enquanto 71% afirmam priorizar marcas em que confiam.

Ao mesmo tempo, cresce o receio de “greenwashing” e “social washing” - quando o discurso de marketing não está calcado em iniciativas concretas que beneficiam o meio ambiente nem a sociedade, respectivamente. Segundo a Ipsos, o consumidor quer “impacto visível”: entender quanto mudou, para quem mudou e quais resultados foram alcançados. Na avaliação de Pisetta, a própria embalagem pode ajudar a tornar esse impacto mais tangível. QR Codes com vídeos, fotos e indicadores de impacto social ou ambiental podem ganhar espaço nos próximos anos, aproximando o consumidor das ações realizadas pelas marcas. “O brasileiro não é indiferente às causas. Ele quer participar, mas espera transparência, clareza e que isso não aumente o custo de vida”, resume.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint.


GDT - GLOBAL DAIRY TRADE

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS

Fundesa-RS altera modelo de arrecadação para bovinos e búfalos a partir de julho

A cadeia produtiva de bovinos e búfalos de corte e leite no Rio Grande do Sul passa a adotar um novo modelo de contribuição ao Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa-RS), vinculado aos dados da Declaração Anual de Rebanho. A mudança encerra o recolhimento realizado no momento do abate, transferindo a cobrança para a base do rebanho declarado, com pagamento feito diretamente pelo produtor.

A medida deveria valer a partir de 1º de julho, mas em função da prorrogação do prazo para a Declaração Anual de Rebanho até o dia 10 de julho, a emissão do boleto poderá ser realizada a partir do dia 15 deste mês. Com a alteração, todos os criadores passam a participar da manutenção do fundo proporcionalmente ao número de animais declarados, independentemente da destinação para o abate.

Cada pecuarista com propriedade cadastrada no Sistema de Defesa Agropecuária (SDA) da Secretaria da Agricultura, e que tiver o cadastro atualizado, receberá, por e-mail, o link para geração do boleto. Caso a mensagem não seja recebida, o produtor deverá acessar o site do Fundesa, clicando no banner que será disponibilizado a partir do dia 15. O valor corresponde a R$ 1,33 por animal declarado. A saída definitiva de animais vivos para outros estados ou países também pagará R$ 1,33 por cabeça. Já animais que retornam ao Rio Grande do Sul após participação em eventos e exposições não sofrem nova taxação, conforme o regulamento do fundo.

Para animais com valor genético, reprodutores, o pagamento é de R$ 2,67, porém a emissão deverá ser realizada como antes, via site guiasfundesa.com.br.

Procedimentos para pagamento

O pagamento da contribuição deve ser efetuado até o último dia útil de julho. Devido à prorrogação do prazo da Declaração Anual de Rebanho em 2026, o prazo para quitação sem incidência de juros ou multas foi estendido até 31 de agosto. Os produtores com cadastro atualizado no Sistema de Defesa Agropecuária (SDA) receberão o link para emissão do boleto via e-mail, pelo remetente comunicados@comunicados.guiasfundesa.com.br. Caso a notificação não seja recebida, o contribuinte deve acessar o site oficial do Fundesa-RS (fundesa.com.br), selecionar o banner específico para bovinos e búfalos que será disponibilizado a partir do dia 15 de julho, e inserir CPF ou CNPJ para gerar a guia.

Em caso de divergências ou dificuldades na emissão, o Fundesa-RS disponibiliza atendimento via WhatsApp pelo número (51) 4042-1901.

Finalidade do fundo

O Fundesa-RS é um fundo privado, constituído por entidades representativas de produtores e agroindústrias das cadeias de aves, suínos e bovinos de corte e leite. Os recursos arrecadados se destinam a indenizações ágeis e transparentes de produtores em casos de focos de doenças como a febre aftosa. O Fundo também atua, através de um Plano de Ação elaborado junto à Secretaria da Agricultura, para o custeio de equipamentos, treinamentos e tecnologias voltados à defesa agropecuária.

A manutenção da regularidade junto ao Fundesa é condição para que a propriedade seja elegível ao recebimento de indenizações por sacrifício sanitário. (FUNDESA)


Jogo Rápido

Programa Bônus Mais Leite consolida novo modelo de apoio aos produtores de leite
Lançado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural [SDR], em novembro de 2025, o Programa Bônus Mais Leite encerrou o Plano Safra 2025/2026, em 30 de junho de 2026, consolidando-se como uma política pública inédita de apoio à cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul. Ao longo de sete meses, o programa recebeu 3,4 mil solicitações de enquadramento. Após análise técnica, foram aprovados 3.072 projetos de crédito, permitindo aos produtores acessar a subvenção estadual prevista pelo programa.  A iniciativa movimentou R$ 181,9 milhões em financiamentos rurais e beneficiou mais de 2,8 mil famílias da agricultura familiar.O programa foi criado em um momento de dificuldades enfrentadas pelo setor, marcado principalmente pela redução do preço pago ao produtor, pelos elevados custos de produção e pelos prejuízos acumulados em decorrência dos eventos meteorológicos extremos registrados nos últimos anos.O secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, destacou que a iniciativa representa um marco nas políticas públicas do Rio Grande do Sul ao instituir, pela primeira vez, um modelo de subvenção ao crédito rural destinado aos produtores de leite da agricultura familiar, por meio da amortização direta de financiamentos do Pronaf.  "O Estado não contava com um mecanismo dessa natureza, capaz de transferir recursos diretamente aos produtores", afirmou.Do total de operações aprovadas, 1.085 correspondem a financiamentos para investimentos e 1.987 a operações de custeio, totalizando R$181,9 milhões em crédito rural. Com isso,o governo do Estado concede R$29,8 milhões em subvenção. (Jornal do Comércio)