Porto Alegre, 26 de maio de 2026 Ano 20 - N° 4.638
Conseleite RS projeta leite a R$ 2,4478 em maio
O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) projeta valor de referência do leite em maio em R$ 2,4478, 3,38% abaixo do projetado no mês anterior (R$ 2,5333). A redução é a primeira após meses de elevação e acompanha um movimento nacional, sinalizou o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes. “É um momento que pede atenção do setor leiteiro, que vinha conseguindo repor parte de suas perdas nos últimos meses. Estamos preocupados, mas não surpresos”, ponderou Prestes, justificando que o indicativo confirma o que já vinha sendo visualizado no mercado nas últimas semanas. O fato agrava-se principalmente ao analisar o ingresso desmedido de leite em pó e queijos vindos da Argentina e do Uruguai, que “entram no Brasil em um momento extremamente delicado”, alertou Prestes.
Em alerta com as importações que vêm inundando o mercado brasileiro com o leite do Prata, o Conseleite vem demandando apoio do governo brasileiro. Em maio, o colegiado enviou ofício ao Mapa, MDA e Mdic alertando sobre a situação. Paralelo a isso, o segmento prepara dossiê comprobatório dos impasses comerciais que atingem a cadeia produtiva. A ideia das entidades que compõem o colegiado é enviar um novo documento aos ministérios e à Presidência da República cobrando que a votação na Camex seja pela aplicação de medidas antidumping de forma a proteger o mercado brasileiro.
A preocupação adicional do setor lácteo para as próximas semanas é com o impacto do clima na produção leiteira do Rio Grande do Sul, tendo em vista a projeção de frio intenso e redução das pastagens, fatos que, geralmente, reduzem a captação por animal no campo. Durante a reunião realizada na manhã desta terça-feira (26/05), o Conseleite também divulgou o consolidado do leite em abril, que fechou em R$ 2,5664, 8,19% acima do valor de referência final de março (R$ 2,3721). Os dados divulgados pelo Conseleite são elaborados pela UPF com base em informações fornecidas pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês. (Sindilat/RS)
O consumo brasileiro entre forças opostas
O consumo no Brasil vive hoje uma dinâmica paradoxal. Ao mesmo tempo que Nunca tivemos um mercado de trabalho aparentemente tão forte, mas, ao mesmo tempo, o varejo e diversos segmentos de consumo seguem apresentando uma performance abaixo do esperado. O desemprego em mínimas históricas e o crescimento real da renda deveriam impulsionar o consumo, mas, na prática, o consumidor continua pressionado, seletivo e com baixa capacidade de expansão de gasto.
Esse cenário mostra que olhar apenas para os indicadores tradicionais já não é suficiente para entender o comportamento do mercado e as dinâmicas de consumo têm se tornado cada vez mais complexas.
O emprego cresce, mas a percepção do consumidor não acompanha
A taxa de desemprego no Brasil está na mínima histórica e alcançou o patamar de pleno emprego, situação em que as pessoas que querem trabalhar encontram vagas disponíveis. Esse dado, isoladamente, sugeriria um ambiente extremamente positivo para o consumo. Porém, é importante observar com atenção a metodologia da pesquisa do IBGE e as mudanças estruturais no mercado de trabalho.
Pela metodologia atual, é considerada ocupada qualquer pessoa que tenha realizado pelo menos uma hora remunerada na semana anterior à pesquisa, método que não considera o subaproveitamento do trabalho. Há ainda um outro componente pouco discutido, que é o receio da perda de benefícios sociais, já que parte da população evita a formalização ou a declaração de atividades remuneradas por medo de deixar de acessar programas de assistência. mbora não seja possível medir quantitativamente o impacto dessa variável nos indicadores, ela também não pode ser desconsiderada.
Outro dado amplamente divulgado é o crescimento real da massa salarial. O indicador aponta que a renda total das famílias cresceu cerca de 9,3%, já descontada a inflação, na comparação entre o primeiro trimestre móvel de 2025 e o mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 374,8 bilhões.
Entretanto, o cálculo do ganho real da renda utiliza como referência a inflação medida pelo IPCA, o que pode gerar uma desconexão importante entre os indicadores econômicos e a percepção do consumidor. Isso porque a inflação percebida pelas famílias, especialmente das classes média e baixa, muitas vezes, é significativamente maior.
Itens essenciais como alimentos, transporte, moradia, energia, saúde e serviços básicos têm um peso emocional e financeiro superior no orçamento real das famílias. Como resultado, na prática, o consumidor não sente um aumento de renda proporcional ao divulgado nos indicadores macroeconômicos.
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Arrecadação soma R$ 278,823 bi em abril; alta real é de 7,82% ante igual mês de 2025
A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 278,823 bilhões em abril, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (21). As estimativas do mercado financeiro iam de R$ 270,0 bilhões a R$ 280,4 bilhões.
O resultado de abril representa uma alta de 7,82% na comparação com o mesmo mês de 2025, descontada a inflação do período. Segundo a Receita, é o maior resultado para meses de abril desde 2000, o início da série histórica.
O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) totalizaram uma arrecadação de R$ 64,893 bilhões, representando crescimento real de 7,73%. Esse resultado pode ser explicado pelos aumentos reais de 4,84% na arrecadação com a estimativa mensal, de 7,22% na arrecadação do balanço trimestral, e de 6,34% na arrecadação do lucro presumido.
A receita previdenciária somou R$ 62,749 bilhões, crescimento real de 4,83% frente a abril de 2025.
Segundo a Receita, o resultado foi puxado pela alta real de 3,61% da massa salarial em abril de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, além da expansão de 9,18% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário em abril de 2026 em relação a abril de 2025.
Além disso, houve crescimento de 18,66% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a abril de 2025. Houve, também, a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, a partir de janeiro do ano passado.
O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 13,262 bilhões, representando crescimento real de 25,45%. Esse desempenho decorre dos aumentos nominais de 28,40% na arrecadação do item "Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)" e de 94,74% na arrecadação do item "Juros sobre Capital Próprio".
As receitas com o IOF, por sua vez, aumentaram 30,26% acima da inflação frente a abril de 2025, e atingiram R$ 8,046 bilhões. A arrecadação de abril de 2026 com esse imposto foi influenciada, principalmente, pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira e de crédito, especialmente em decorrência de alterações legislativas implementadas em junho de 2025.
Acumulado
A arrecadação de impostos e contribuições federais em 2026 até abril somou R$ 1,056 trilhão, informou a Receita Federal nesta quinta-feira. O montante representa alta de 5,41% na comparação com o mesmo período de 2025, descontada a inflação do período. Segundo o órgão, é a maior arrecadação no quadrimestre desde 2000.
No relatório de divulgação, o Fisco atribui o desempenho da arrecadação em 2026 à receita previdenciária, de R$ 251,352 bilhões, com crescimento real de 5,23%. Esse resultado decorreu, segundo o órgão, do crescimento real de 3,35% da massa salarial e de 5,66% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário de abril de 2026 em relação a abril de 2025.
Além disso, houve crescimento de 18,50% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a abril de 2025. Houve, também, a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, a partir de janeiro de 2025.
O PIS/Pasep e a Cofins totalizaram uma arrecadação de R$ 205,578 bilhões, representando crescimento real de 5,54%. Esse resultado decorre, principalmente, do aumento de 2,14% no volume de vendas (PMC-IBGE) e de 2,63% no volume de serviços (PMS-IBGE) entre dezembro de 2025 e março de 2026, em relação ao período compreendido entre dezembro de 2024 e março de 2025, à recuperação da arrecadação relativa a setores inseridos no Perse e ao setor de combustíveis; e ao desempenho positivo do setor de eletricidade e gás, dos serviços financeiros e do Simples Nacional.
O IOF apresentou uma arrecadação de R$ 33,469 bilhões, um crescimento real de 40,77%. O desempenho vem de operações relativas a crédito, seguros e à saída de moeda estrangeira.
O governo aumentou a alíquota do IOF em junho de 2025 depois de uma série de impasses com o Congresso. A mudança tem turbinado a arrecadação dessa rubrica.
O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 50,687 bilhões, representando crescimento real de 21,68%. O resultado do período pode ser justificado, principalmente, pelos aumentos nominais de 37,64% na arrecadação do item "Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)", de 42,35% na arrecadação do item "Juros sobre Capital Próprio (JCP)" e de 11,79% na arrecadação do item "Fundos de Renda Fixa".
No fim do ano passado, o Congresso aprovou aumentos nas alíquotas de fintechs e bets e de JCP, junto com um projeto que reduz os benefícios fiscais em 10%.
O texto eleva a CSLL incidente sobre fintechs de maneira escalonada. A alíquota subiria de 9% para 12%, nível em que ficaria até o fim de 2027, antes de se acomodar em 15% a partir de 2028. Os bancos pagam 20% de CSLL, mas o imposto efetivo sobre financeiras não bancárias tende a ser maior, em parte por conta da rentabilidade mais alta. (Jornal do Comércio)
Jogo Rápido
MILHO/CEPEA: Atenção se volta ao desenvolvimento da 2ª safra
Em meio à perspectiva de oferta elevada, a segunda safra vem apresentando desenvolvimento satisfatório na maior parte das regiões produtoras, com exceção de regiões pontuais em Goiás, no Paraná e em Mato Grosso do Sul, onde as condições climáticas (geadas e tempo seco) preocupam quanto à produtividade. Segundo o Cepea, uma parte dos vendedores tem apresentado cautela em negociar diante dos possíveis impactos da adversidade climática na safra e, assim, se mantêm firmes nos valores. Por outro lado, alguns desses agentes estão flexíveis, com o intuito de liberar armazéns e de fazer caixa. Compradores, por sua vez, comercializam apenas pontualmente, nos momentos de valores mais baixos, visto que têm estoques para as próximas semanas. (CEPEA via Terra Viva)