Porto Alegre, 11 de maio de 2026 Ano 20 - N° 4.627
Lácteos registram queda nas importações e nas exportações em abril
O mercado lácteo brasileiro vive um momento de recuperação nos preços após o forte impacto do período de pressão causado pelo aumento da oferta de leite em 2025. A avaliação é do Secretário-Executivo do Sindilat e vice-coordenador do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite), Darlan Palharini, em entrevista ao JM.
Segundo ele, o segundo semestre de 2025 foi marcado por preços baixos em razão do crescimento da produção no Rio Grande do Sul, no Brasil e também em países da América Latina. A expectativa do setor era de recuperação gradual a partir de março deste ano, mas a reação do mercado ocorreu de forma mais intensa do que o previsto.
De acordo com Palharini, os atuais valores começam a permitir resultado positivo ao produtor, embora o principal desafio seja manter os preços em patamares sustentáveis e controlar os custos de produção. “A grande preocupação da atividade leiteira continua sendo a gestão de custos”, afirmou.
Entre os fatores que pressionam o setor estão os reflexos de conflitos internacionais sobre insumos como ureia e diesel, que tiveram reajustes recentes. Conforme o dirigente, o aumento desses custos pode comprometer os ganhos obtidos com a recuperação dos preços do leite.
Palharini destacou ainda que produtores e indústrias precisam buscar eficiência para enfrentar a concorrência internacional. Segundo ele, mesmo com discussões envolvendo importações e processos de antidumping, não houve mudanças significativas nas políticas federal e estadual para o setor leiteiro.
O dirigente ressaltou que o Brasil segue convivendo com forte entrada de produtos lácteos importados, especialmente queijos. Apenas nos meses de março e abril, o país registrou recordes de importação. “A atividade precisa trabalhar por si mesma, com eficiência e gestão de custos, para competir com o mercado internacional”, observou.
Outro ponto apontado como desafio é a elevada taxa de juros no país. Com a Selic em 14,5% ao ano, linhas de crédito para investimento podem superar 20% ao ano, o que, segundo Palharini, dificulta a modernização das propriedades e compromete a competitividade frente a países que subsidiam a produção leiteira.
Ao comentar o acordo entre Mercosul e União Europeia, Palharini avaliou que o cenário também traz desafios ao leite brasileiro. Isso porque os produtores europeus recebem subsídios e contam com mecanismos de proteção comercial, dificultando a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu. Em contrapartida, há risco de aumento da concorrência de produtos europeus no Brasil. (Jornal da Manhã)
Investimento em terminal renovado da CCGL em Rio Grande chegará a R$ 700 milhões
São cinco frentes de trabalho ativas da cooperativa CCGL para concluir até outubro deste ano a reformulação do Termasa, um dos terminais operados pela cooperativa no Porto de Rio Grande, que sofreu sérios danos durante a cheia de 2024. De acordo com o presidente da CCGL, Caio Vianna, ao todo, o projeto deverá chegar a R$ 700 milhões em investimentos, dos quais, R$ 600 milhões em desembolsos ao longo deste ano.
"É o nosso único investimento significativo neste ano, e é estratégico para garantirmos mais competitividade ao produtor rural gaúcho, com a desvalorização dos grãos", explica Vianna.
A cooperativa, que centraliza operações de diversas outras entidades cooperativas, de acordo com o dirigente, responde por 70% de toda a soja exportada pelo Rio Grande do Sul, e por 52% de todas as exportações do agro gaúcho. Operação que atualmente está limitada ao terminal Tergrasa.
Com o projeto de renovação do Termasa, a capacidade estática chegará a mil toneladas de grãos, mas os aportes vão além da infraestrutura de armazenagem. O píer passa por transformação, e também há aumento da capacidade operacional de carga e descarga de caminhões e trens, novas balanças e uma nova subestação de energia.
"Neste ano, teremos uma safra, depois de anos acumulados de quebras, considerado normal. Não é uma supersafra, mas a projeção pode ser considerada razoável. Nossa estimativa é receber até 20 milhões de toneladas", aponta Caio Vianna.
Representará uma alta de 43% em relação às 14 milhões de toneladas recebidas em 2025. O problema, explica o presidente da CCGL, está na baixa remuneração aos produtores.
"Há um achatamento que tem reduzido muito a possibilidade de investimento dos produtores. E na CCGL, temos muita preocupação com as pessoas em toda a nossa cadeia de produção", comenta.
Uma alternativa de renda extra, e principalmente de uma segunda safra com bom rendimento, tem sido a canola, considerada por Caio Vianna a "soja do inverno". A partir dos campos experimentais da CCGL, há o desenvolvimento de cultivares, a assessoria e a distribuição às cooperativas associadas.
A estimativa é de que a área cultivada com canola chegue a 500 mil hectares neste ano no Estado, mais do que o dobro do ano passado. Com rendimento bem superior ao da soja no fornecimento de óleo à indústria, especialmente com o aquecimento do mercado de biocombustíveis, a tendência é de que o grão veio para ficar.
FICHA TÉCNICA
Investimento: R$ 600 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Cooperativa CCGL
Cidade: Rio Grande
Área: Infraestrutura
Investimento em 2025: R$ 100 milhões
As informações são do Jornal do Comércio
Jogo Rápido
Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior. As inscrições podem ser feitas clicando aqui. (Sindilat/RS)