Porto Alegre, 08 de maio de 2026 Ano 20 - N° 4.626
Prêmio Top RS Leite de Verdade consagra pecuária leiteira
Cerimônia reconhece 11 produtores gaúchos que se destacaram em produtividade, eficiência e inovação na Fenasoja
A Fenasoja, que celebra os 60 anos da maior feira multissetorial do país, foi palco de uma das mais aguardadas premiações do setor agropecuário: o Prêmio Top RS Leite de Verdade, promovido pela CCGL. A cerimônia, realizada no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, destacou o empenho técnico e os resultados operacionais das propriedades leiteiras que são referência no Rio Grande do Sul.
Ao todo, 11 produtores foram premiados, entre 26 finalistas, em categorias que abrangem desde produtividade da terra até eficiência econômica e desempenho reprodutivo. O reconhecimento evidencia o vigor do sistema cooperativo gaúcho e a capacidade de inovação da pecuária leiteira.
O presidente da CCGL, Caio Vianna, ressaltou que o prêmio é, acima de tudo, uma homenagem ao esforço humano por trás dos números. “A homenagem desta noite é para o produtor de leite, para os técnicos da CCGL e das cooperativas, que fazem as coisas acontecerem sempre da melhor forma. Entregar esse prêmio é reforçar que a pecuária leiteira é rentável e pode remunerar adequadamente o produtor. O produtor de leite é um trabalhador exemplar, que produz um alimento essencial para a humanidade”, afirmou.
O secretário da Agricultura do Estado, Márcio Madalena, destacou o papel transformador das cooperativas e a relevância da plataforma Smartcoop no suporte ao produtor. “Essa premiação, com certeza, vai ser a grande balizadora da qualidade da produção leiteira no Rio Grande do Sul. O governo assumiu o compromisso de difundir a plataforma como grande aliada da atividade no estado”, disse.
Para o presidente da Fenasoja, Marcos Servat, a premiação consolida a união da feira com o setor produtivo. “Em 2022 iniciamos um projeto novo que foi abraçado pela CCGL e estamos muito felizes por fazer parte desse movimento. O trabalho desenvolvido pelo sistema cooperativo é fundamental para a nossa cadeia produtiva”, destacou. Já Natália Marins Bastos, coordenadora de projetos da CCGL, sublinhou o fator pessoal envolvido no sucesso das propriedades: “A abdicação e a dedicação integral dos produtores de leite são determinantes para o alcance de resultados de elite”.
O Prêmio Top RS Leite de Verdade consolida-se como referência na pecuária leiteira gaúcha, valorizando não apenas índices técnicos, mas também a dedicação pessoal dos produtores. Ao reconhecer diferentes sistemas produtivos — confinados e não confinados — a iniciativa reforça a diversidade da cadeia leiteira e a importância da gestão eficiente.
Mais do que uma celebração, a premiação é um instrumento de estímulo à competitividade e à inovação, alinhando cooperativas, produtores e governo em torno de um objetivo comum: fortalecer a pecuária leiteira como atividade rentável, sustentável e essencial para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
Os resultados mostram que o setor vive um momento de profissionalização crescente, em que tecnologia, gestão e cooperação se tornam pilares da produtividade. O reconhecimento público reforça que o futuro da pecuária leiteira depende da integração entre conhecimento técnico, políticas públicas e dedicação humana — uma tríade cada vez mais estratégica para o agronegócio brasileiro.
Vencedores do Prêmio Top RS Leite de Verdade
Produtividade da Terra – Região Norte
Confinado: Camila Frantz (Cooperoque) – Técnico Regis Luiz Sturm Lenz
Não Confinado: José Librelotto (Cotribá) – Técnica Debora Schroeder
Produtividade da Terra – Região Sul
Confinado: Devalci Cogo (Cotribá) – Técnico Leonardo Manzoni
Não Confinado: Acemar Quatrin (Cotrijuc) – Técnica Andreia Beck
Eficiência Produtiva de Sólidos no Leite
Confinado: Adriana Machado (Cotrisal) – Técnica Amanda Stefania Tormes Godoy
Não Confinado: Edson Tiemann (Cotrijal) – Técnico Eduardo Feltrin
Desempenho Reprodutivo
Confinado: André Gobbi (Cotripal) – Técnica Patricia Simon
Não Confinado: Luciano Mattei (Cotrisal) – Técnica Paula Eli de Cesaro Pena
Eficiência Econômica
Confinado: Levino Guilherme Huppenthal (Cotribá) – Técnica Debora Schroeder
Não Confinado: Valdir Jacoby (Cotrisoja) – Técnico Guilherme Afonso Müller Rodrigues
Prêmio Master
Confinado: Luiz Carlos Reisdorfer (Cotrisal) – Técnica Paula Eli de Cesaro Pena (Por Gisele flores)
As informações são do Jornal O Sul
Rio Grande do Sul: fórum aborda brucelose e tuberculose bovina durante a Fenasoja
Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública.
A brucelose e a tuberculose bovina, doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos, foram tema de um fórum realizado durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, Rio Grande do Sul. Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública. O fórum foi promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária e Animal (Fundesa).
Ações do Serviço Veterinário Oficial
O fiscal estadual agropecuário Felipe Lopes Campos, coordenador de Educação Sanitária na Seapi, apresentou dados sobre o programa sanitário de Brucelose e Tuberculose bovina, apontando que, embora a testagem tenha aumentado significativamente ao longo dos últimos 15 anos, os números de animais positivos vêm caindo. Em 2025, foram realizados mais de 392 mil testes para tuberculose bovina e mais de 251 mil para brucelose, com índices de animais positivos em 0,36% e 0,08% dos casos, respectivamente. “Os dados mostram um trabalho coordenado do Serviço Veterinário Oficial com os produtores”, avaliou.
Levantamento realizado sobre ações de educação sanitária da Secretaria em 2025 mostrou que a tuberculose bovina e a brucelose estiveram entre os principais assuntos abordados. “O programa sanitário da brucelose e tuberculose está entre os cinco principais programas que abordamos no ano passado. Se elencarmos por enfermidade, a brucelose é a segunda com mais ações educativas, com a tuberculose em quarto lugar”, informou Campos.
Para Felipe, a defesa agropecuária deve ser vista como um escudo que protege o campo e garante a segurança do consumidor final. O objetivo da fiscalização não é a punição, mas atuar como um garantidor de qualidade para os produtos de origem animal. “Fiscalização é um pilar, não uma cobrança. É um processo de co-participação para a preservação da saúde da sociedade”, pontuou.
Visão da indústria
O gerente de suprimento de leite da CCGL, Jair de Mello, ressaltou que a sanidade é um dos quatro pilares fundamentais da indústria, ao lado da padronização de processos, a qualidade do leite e a rastreabilidade. “É preciso garantir transparência em todos os processos, com digitalização, acompanhamento, gestão. Isso vai permitir a qualificação e a competitividade do leite nacional no mercado externo, uma fronteira que temos ainda a conquistar”, pontuou.
Com relação à brucelose e à tuberculose bovina, a CCGL mantém um programa de certificação desde 2015 entre seus cooperados, abrangendo hoje mais de mil propriedades e 90 mil animais. “Somos o primeiro laticínio do Brasil a entrar no programa de certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose da Organização Mundial de Saúde Animal”, destacou.
Relato de um recomeço
A produtora rural Ana Cláudia Kamm dos Santos, de Três de Maio, compartilhou a jornada de sua propriedade, a Granja Progresso, que em 2017 enfrentou um surto de tuberculose. O impacto foi severo, com o abate imediato de 121 animais e a imposição de um vazio sanitário de um ano.
"Ficamos sem chão", relatou Ana Cláudia, que detalhou como a família superou a crise por meio do apoio técnico e das indenizações do Fundesa e do Ministério da Agricultura. A produtora explicou que aproveitou a oportunidade de recomeço para planejar a retomada da produção com a aquisição de rebanho de propriedades certificadas.
Hoje, a Granja Progresso está certificada como livre de brucelose e tuberculose desde 2021, com um rebanho 100% da raça Jersey. Ana Cláudia pontuou que um dos novos desafios que se apresentam é a sucessão, sendo ela mesma filha de produtores rurais. "Tenho três filhos. A nossa ideia é aumentar a produção, agroindustrializar e, quem sabe, que todos eles permaneçam na atividade conosco", contou.
O papel estratégico do Fundesa
O presidente do Fundesa, Rogério Kerber, detalhou a importância do fundo privado e destacou que a atuação do Fundesa vai além do pagamento das indenizações aos produtores. “O Fundesa foi inicialmente pensado para o pagamento de indenizações. Mas, ainda antes de sua fundação, a orientação veio no sentido de agir preventivamente, evitando que ocorressem esses eventos sanitários que resultariam nas indenizações. É uma medida para proteger o produtor, a indústria e a sociedade em geral”, explicou.
Neste sentido, o fundo investiu mais de R$ 52 milhões em infraestrutura para a defesa sanitária animal do estado, com a informatização das inspetorias de defesa agropecuária, criação do SDA, reforma e revitalização de inspetorias, convênios com universidades para desenvolvimento de sistemas de informação específicos, compra de materiais de emergência para contenção de focos e apoio ao setor diagnóstico, entre outras ações. Kerber enfatizou que o produtor é o elo mais importante da defesa sanitária. "O alerta primeiro tem que vir da propriedade. Sem esse alerta, não tem reação", ressaltou.
As informações são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, adaptadas pela equipe MilkPoint.
EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1918 de 07 de maio de 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
O vazio forrageiro tem intensificado o uso de suplementação, especialmente com silagem, para manter a produção na maioria das regiões. Porém, essa estratégia eleva o custo de produção. As chuvas contribuíram para o crescimento de pastagens de inverno e possibilitaram o início de pastejo pelas vacas.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, após um período de baixa significativa em abril, a produção de leite na Campanha já apresenta leve recuperação, relacionada à ampliação da oferta de pastagens de aveia, que agregam volume e qualidade para a dieta das matrizes. Assim, está sendo possível reduzir, em alguma proporção, a quantidade de silagem ofertada, considerando que as reservas do volumoso foram consumidas em abril e ainda serão muito necessárias nos próximos meses. A chuva em 01/05 (sexta-feira) não causou formação de barro. Os parâmetros de qualidade do leite estão satisfatórios em razão das condições ambientais favoráveis para a obtenção de baixa contagem bacteriana (CBT), e a concentração de sólidos vem se mantendo em patamares adequados.
Na de Caxias do Sul, a produção de leite está estável devido à suplementação de volumoso com silagem de milho. As condições corporais dos animais estão boas, e o bem estar das vacas foi favorecido pelas temperaturas mais baixas. O estado sanitário está adequado, mas há alguns casos de mastite e presença de ectoparasitas, sendo controlados. Nos sistemas confinados e semiconfinados, as vacas de leite receberam feno, pré-secado e silagem de milho. As propriedades que produzem leite à base de pasto, utilizaram silagem de milho para a suplementação de volumosos. A qualidade do leite produzido, medida pela contagem de células (CCS) e contagem padrão em placas (CPP), ficou dentro dos limites exigidos pelo MAPA.
Na de Erechim, as condições gerais dos rebanhos seguem satisfatórias. Os produtores têm reduzido o acesso dos animais e aumentado a oferta de conservados (silagem de milho) e concentrado (milho, farelo de soja, rações, etc). Em sistema confinado, há maior conforto térmico, mas no free stall há maior ocorrência de problemas de casco e lesões musculares em relação ao compost barn. O aumento da umidade proporcionou maiores desafios nesses sistemas de produção, trazendo riscos de mastite, lesões em membros e no casco.
Na de Frederico Westphalen, as condições das pastagens variam: em alguns casos é preocupante, e em outros há boa oferta, beneficiada pelo bom regime de chuva, favorecendo a alimentação. As condições climáticas mais amenas contribuíram para o bem-estar animal.
Na de Ijuí, a produção está estável. A alta umidade causou aumento de barro e dificultou a higiene dos animais na sala de ordenha.
Na de Passo Fundo, os produtores intensificaram a oferta de silagem para preservar as condições dos animais em razão da redução na oferta de pasto. O rebanho apresenta boa condição corporal e volumes de produção de leite. Diminuiu a incidência de moscas e carrapatos. Inicia o pastoreio das espécies de inverno, com destaque para a aveia e azevém.
Na de Pelotas, há tendência de leve queda ou estabilidade na produção de leite devido ao vazio forrageiro e às condições sazonais. Em relação à sanidade animal, há incidência de carrapatos, moscas e riscos de tristeza parasitária bovina.
Na de Porto Alegre, os rebanhos apresentam, no geral, boas condições e estado nutricional, sustentado pelo uso de suplementação alimentar nesta fase de vazio forrageiro de outono. No entanto, do ponto de vista sanitário, persiste elevada a infestação por carrapatos, o que demanda atenção contínua dos produtores.
Na de Santa Maria, as condições nutricionais estão dentro do esperado. Entretanto, em função do final do ciclo das pastagens anuais de verão (milheto, sorgo, sudão), ocorre queda na produção e diminuição do escore corporal, o que pode aumentar os custos nos casos em que é feita a suplementação alimentar. Os produtores seguem monitorando e controlando moscas e carrapatos.
Na de Santa Rosa, aumentou o fornecimento de silagem de milho, feno, pré-secado e concentrados para manter os níveis de produção e evitar quedas na produtividade. Referente ao aspecto sanitário, continua o controle de carrapatos e a prevenção de tristeza parasitária bovina.
Em relação à qualidade do leite, a maioria das propriedades apresenta valores de Contagem Bacteriana Total (CBT) dentro dos índices esperados. Porém, há maior dificuldade em manter a Contagem de Células Somáticas (CCS) dentro dos limites recomendados, exigindo atenção redobrada ao manejo, à sanidade e às rotinas de ordenha. De modo geral, as condições climáticas foram favoráveis ao bem-estar animal, mas o período de transição de pastagem aumenta o custo de produção. (As informações são da Emater/RS editadas pelo Sindilat/RS)
Jogo Rápido
Queda na temperatura e possibilidade de geadas previstas para os próximos dias no RS
A próxima semana deverá apresentar queda nas temperaturas e possibilidade de geadas no Rio Grande do Sul. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico nº 19/2026, elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Sábado (9/5) e domingo (10/5): uma massa de ar polar irá provocar queda nas temperaturas por todo o território gaúcho. Há possibilidade de ocorrência de geada, principalmente na metade sul e região serrana, e não há previsão de chuva significativa durante esses dias. Segunda-feira (11/5) a quarta-feira (13/5): o tempo ainda permanecerá estável, com temperaturas mais baixas ao longo do estado. Não há previsão de chuva significativa durante esses dias. Os acumulados de precipitação deverão variar entre 2 mm e 50 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados da metade sul que podem ultrapassar esse valor. O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (Seapi)