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23/04/2026

Porto Alegre, 23 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.616


Como esta empresa gaúcha quer faturar R$ 1 bilhão com maçãs, queijos e vinhos de luxo

Grupo reorganiza estrutura de gestão enquanto expande portfólio que vai do campo à mesa — e aposta em qualidade para crescer sem entrar na guerra de volume

No alto da Serra Gaúcha, fica um negócio que não se contentou em fazer apenas uma coisa bem feita.

Começou com maçãs — quando o Brasil ainda importava quase tudo que consumia — e, ao longo de cinco décadas, virou um portfólio que inclui queijos tipo grana, vinhos, embutidos e até azeite.

Hoje, a RAR, fundada por Raul Anselmo Randon - o mesmo fundador da bilionária Randoncorp - fatura cerca de 550 milhões de reais. E quer mais: a meta é chegar a R$1 bilhão até 2034.

Para isso, a empresa decidiu fazer um movimento típico de companhias que entram em um novo ciclo: reorganizar a casa.

“Alcançamos avanços importantes nos últimos anos e, para sustentar esse ritmo e seguir em direção à nossa visão de R$ 1 bilhão, entendemos que este é o momento de fortalecer a governança e ampliar a capacidade de gestão do negócio”, diz Sérgio Martins Barbosa, presidente da RAR

A mudança inclui a promoção de executivos formados dentro da própria empresa, como Jiovani Foiatto, que assume a diretoria da unidade de gastronomia, e Raquel Manfredi Pandolfo, que passa a liderar a que passa a liderar a diretoria executiva.

Mais do que uma troca de cargos, é uma tentativa de preparar a operação para uma escala maior, sem perder o controle sobre a qualidade.

Qual é a história da RAR

A história da RAR começa na década de 1970, quando o Brasil dependia de importações para abastecer o mercado de maçãs. “Naquela época, praticamente 97% do consumo vinha de fora", diz Barbosa.

Foi nesse contexto que Raul Randon decidiu plantar os primeiros 70 hectares em Vacaria, cidade a cerca de 120 quilômetros de Caxias do Sul.

O início não foi simples. Antes mesmo da primeira colheita, vieram uma chuva de granizo e uma seca intensa. Ainda assim, o resultado foi suficiente para convencer o fundador a seguir adiante.

O plantio cresceu — hoje são cerca de 1.500 hectares — e a maçã se tornou o principal negócio da companhia, responsável por quase metade da receita.

Mas o que diferencia a RAR não é a origem na fruticultura. É o que veio depois.

“Inquieto”, como descreve o atual presidente, Raul Randon decidiu diversificar. A entrada nos queijos nasceu quase por acaso, a partir de um haras que incluía uma pequena produção de leite. A virada veio com a ambição de fazer algo diferente do padrão nacional.

“A ideia não era fazer mais um queijo. Era fazer um queijo premium, um tipo grana”, diz Barbosa.

Para isso, a empresa buscou tecnologia na Itália e trouxe especialistas ao Brasil. O desafio, porém, era outro: a qualidade do leite. Como o produto seria feito com leite cru, era necessário um padrão que praticamente não existia no país.

A solução foi radical. A RAR importou vacas dos Estados Unidos e estruturou sua própria produção. “Hoje, são cerca de 50 mil litros de leite por dia, e 100% disso vai para o nosso queijo”, afirma o executivo.

Crescer sem entrar na guerra de volume

A diversificação continuou. Vieram os vinhos, inicialmente produzidos para uma comemoração familiar e que depois se transformaram em linha comercial. Hoje, a empresa tem dezenas de rótulos, incluindo vinhos, espumantes e importados.

Depois, entraram os embutidos e o azeite. Nem todos os movimentos deram certo — como a tentativa de produção própria de oliva em escala maior —, mas a lógica se manteve: construir um portfólio coerente, ancorado em qualidade.

Essa estratégia passa, necessariamente, por uma escolha clara: não competir por volume. “A gente escala a empresa dentro do nosso segmento, que é o premium. A gente não vai para o lado do ‘bastantão’, porque aí a disputa é muito grande e exige muito investimento”, diz Barbosa.

Na prática, isso significa crescer de forma mais lenta — e mais controlada. Em vez de buscar grandes contratos ou massificar a produção, a RAR aposta na expansão gradual da distribuição.

“Tem pontos no Brasil onde a gente ainda não chegou. Então a gente vai abrindo mercado com estrutura. Não adianta chegar hoje e não conseguir abastecer amanhã”, afirma.

Essa expansão inclui desde grandes centros até destinos turísticos. “Você vai para o litoral, para o Norte, para lugares como Fernando de Noronha, e encontra nossos produtos. Isso é fruto de distribuição bem feita”, diz.

Exportação, resiliência e o Brasil como desafio

A lógica de diversificação também aparece na atuação internacional. A RAR exporta maçãs para mais de 20 países e mantém uma estratégia de presença contínua — mesmo quando as margens não são ideais. “O mercado brasileiro sobe e desce. A exportação é uma forma de equilibrar. Mesmo quando não está tão bom, a gente continua, nem que seja com volumes menores”, afirma Barbosa.

Hoje, a empresa projeta exportar cerca de 10 mil toneladas de maçã, com presença em mercados como Europa e Ásia. Ao mesmo tempo, o ambiente doméstico impõe desafios. Juros altos, inadimplência e custos crescentes afetam o consumo, inclusive no segmento premium.

“A gente sentiu, claro. Seria mentira dizer que não. Mas, com canais bem estruturados e produtos diferenciados, a gente consegue atravessar esses momentos”, diz.

O executivo também aponta dificuldades estruturais do país, especialmente na cadeia do leite. “No Brasil, o produtor é um herói. Em outros países, como na Itália, há incentivo direto. Aqui, a gente precisa se virar”, afirma.

O próximo salto

Para chegar ao R$1 bilhão, a RAR aposta em um planejamento de longo prazo, algo natural em um negócio agrícola, onde ciclos podem levar anos.

“No queijo, por exemplo, estamos falando de até 24 meses entre produção e venda. Na maçã, leva anos para o pomar atingir o potencial. Então tudo é planejado com muita antecedência”, diz Barbosa.

No caso da RAR, esse equilíbrio começa no campo, e termina, cada vez mais, em produtos que querem ocupar um espaço específico na mesa do brasileiro: menos volume, mais valor. (Exame)


GDT 402º registra nova queda e indica continuidade do ajuste nos preços globais

O resultado do GDT 402º reforça um mercado mais cauteloso após a sequência recente de altas, indicando um movimento mais claro de ajuste nos preços internacionais dos lácteos.

O 402º leilão da Global Dairy Trade (GDT) apresentou recuo de 2,7% no price index, com o preço médio dos produtos negociados atingindo USD 4.143/tonelada. O resultado reforça um mercado mais cauteloso após a sequência recente de altas, indicando um movimento mais claro de ajuste nos preços internacionais dos lácteos.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Entre os derivados, o leilão concentrou quedas nas cotações. A gordura anidra do leite registrou o recuo mais expressivo do evento, com queda de 9,6%, sendo negociada a USD 6.357/tonelada, indicando um ajuste após patamares mais elevados. A manteiga também apresentou retração relevante, de 7,9%, com preço médio de USD 5.702/tonelada.

Nos leites em pó, o comportamento foi misto. O leite em pó integral (LPI) registrou estabilidade, com leve recuo de 0,6%, cotado a USD 3.666/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) avançou 3,2%, atingindo USD 3.448/tonelada, refletindo dinâmicas distintas de oferta e demanda entre os produtos.

Gráfico 2. Preço médio LPI

Entre os queijos, a muçarela apresentou queda de 3,1%, sendo negociada a USD 3.850/tonelada, enquanto o cheddar registrou leve alta de 1,1%, com preço médio de USD 4.798/tonelada. Já a lactose se destacou positivamente, com valorização de 7,2%, atingindo USD 1.573/tonelada, sendo o derivado com maior avanço no leilão.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 21/04/2026

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Em relação ao volume negociado, o leilão registrou retração frente à edição anterior, com queda de 9,1%, totalizando 14.993 toneladas comercializadas. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume também foi inferior, com recuo de 10,3%, refletindo uma menor disponibilidade de produtos no mercado internacional e  um cenário de negociações mais moderadas. Do lado da demanda, o número de participantes foi de 160 no último leilão para 147, mostrando uma certa desaceleração da demanda. 

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) voltaram a se valorizar no final de abril. Os contratos com vencimento entre maio e julho apresentaram recuperação nos preços após os recuos observados nas últimas sessões.

Esse movimento reflete, por um lado, a continuidade de um cenário de oferta internacional mais ajustada, o que dá suporte às cotações. Por outro, a pressão no curto prazo vinha sendo influenciada por um ambiente global de maior incerteza, associado às tensões geopolíticas. Com sinais recentes de trégua entre os países envolvidos, observa-se uma redução dessa pressão, contribuindo para a retomada dos preços futuros.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

A sequência recente de recuos no GDT indica um momento de maior cautela no mercado internacional, após o ciclo de altas observado anteriormente. Esse movimento reduz a sustentação dos preços globais, especialmente para o leite em pó, e tende a aumentar a competitividade do produto importado no Mercosul, com reflexos nas negociações no Brasil.

No cenário global, a combinação entre ajuste sazonal da oferta em importantes regiões exportadoras e uma postura mais cautelosa dos compradores, em meio às incertezas geopolíticas, tem contribuído para um ambiente de preços mais pressionados. Ainda assim, os sinais observados nos contratos futuros indicam que esse movimento pode ser transitório, com possibilidade de recomposição no curto prazo.

No Brasil, os derivados começam a refletir esse contexto, com sinais de correção após semanas consecutivas de alta. Apesar disso, o mercado doméstico ainda encontra suporte na menor disponibilidade de leite típica da entressafra, o que tende a suavizar quedas mais intensas.

Por fim, o câmbio adiciona um fator relevante a essa dinâmica. Com o dólar em patamares mais baixos, a competitividade dos produtos importados aumenta, podendo reforçar o fluxo de importações e limitar avanços nos preços internos. Dessa forma, o mercado brasileiro deve seguir em um ambiente mais equilibrado no curto prazo, com movimentos condicionados à evolução do cenário internacional, da oferta doméstica e das condições de importação. (Milkpoint)

Emissão de certidões e certificados de Alimentos registrados e notificados já pode ser feita pelo Solicita

Documentos podem ser obtidos diretamente via autosserviço

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dá mais um passo estratégico em sua transformação digital. A partir de agora, a emissão de certidões e certificados para alimentos registrados e notificados pode ser realizada via autosserviço, diretamente pelo sistema Solicita.

A nova funcionalidade utiliza a base de dados da Agência para gerar documentos eletrônicos de forma automática. Com isso, o próprio usuário gera o documento instantaneamente, eliminando a necessidade de análise ou intervenção dos técnicos da Anvisa.

A nova certidão substitui a Certidão de Venda Livre para Exportação de Alimentos (CVLEA) emitida pela Anvisa quando o objetivo do documento for apenas comprovar a vigência do registro sanitário.

Para a emissão da CVLEA para atender requisitos sanitários específicos do país de destino, o fluxo permanece o mesmo: a solicitação deve ser feita via Portal Gov.BR, direcionada ao órgão do SNVS responsável pelo licenciamento do estabelecimento fabricante.

A emissão é  feita de maneira totalmente automática, por meio de uma nova opção do sistema Solicita. 

Entenda o passo a passo clicando aqui. 

As informações são da Anvisa


Jogo Rápido

PAÍSES BAIXOS: pagarão € 1.606 por vaca leiteira para reduzir o rebanho.15/04/2026
A Comissão Europeia aprovou um plano de 615,7 milhões de euros que incentiva os agricultores holandeses a reduzirem voluntariamente a sua população de vacas leiteiras ao longo de três anos, com compensação direta e condições rigorosas de manutenção das pastagens. Compensação pela redução estrutural: Os agricultores participantes deverão manter entre 10% e 20% menos vacas leiteiras do que a média de 2025. Em contrapartida, receberão uma compensação de € 1.606 por vaca por ano pela perda de rendimento e a renúncia aos seus direitos de exploração de fosfato — que expirarão permanentemente. Além disso, os bancos holandeses oferecerão aos participantes taxas de juro reduzidas nos seus investimentos sustentáveis. O programa estará aberto de 1º de junho a 29 de julho , com as inscrições sendo processadas por ordem de chegada. Os animais devem ser removidos em até quatro semanas após a aprovação. Embora as obrigações permaneçam em vigor por três anos, após esse período os produtores poderão aumentar seus rebanhos novamente, desde que arrendem ou comprem novos direitos de exploração de fosfato. Restrições e objetivos ambientais: Como condição adicional, a área de pastagens não pode diminuir durante os três anos de vigência do programa . Além disso, a posse de animais adicionais — vacas jovens, ovelhas, cabras ou cavalos — é proibida. O Ministério holandês planeja reduzir a população de animais em, no máximo, 64.000 vacas, o equivalente a 4% do rebanho leiteiro nacional , com um orçamento total de € 627 milhões.( Agrodigital via Ocla)