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22/04/2026

Porto Alegre, 22 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.615


Escala 6x1: representantes do agro criticam mudanças no campo

Associações afirmam que o PL pode aumentar custos e prejudicar a competitividade do setor

O Projeto de Lei 1838/2026, que propõe a redução da jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas e a ampliação para dois dias de descanso semanal remunerado, voltou a ser debatido nesta semana por diferentes setores. Na terça-feira (14/4), o presidente Lula assinou uma mensagem presidencial formalizando o envio do PL ao Congresso Nacional, com urgência constitucional.

Diante disso, diferentes entidades do agronegócio se posicionaram sobre as mudanças no sistema de trabalho. Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), caso a proposta seja promulgada, os impactos sobre o setor podem superar a média nacional. Áreas como agropecuária, construção e comércio podem ter um custo adicional que varia entre 7,8% e 8,6%, de acordo com estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgado no mês passado.

O Sistema Faep, composto pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e pelos sindicatos rurais, encaminhou, nesta sexta-feira (17/4), um ofício aos deputados federais e senadores solicitando a não aprovação da proposta.

Segundo a entidade, a mudança compromete a eficiência produtiva, eleva os custos e afeta a competitividade do setor. Além disso, a redução da jornada no meio rural geraria um impacto de R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária do Paraná, considerando uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, conforme levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

A entidade afirma ainda que, com a aprovação do PL, será necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional” e defende que a decisão seja baseada em critérios técnicos, com análise dos impactos econômicos e sociais, e não em motivações eleitoreiras.

Outras entidades ligadas ao agronegócio também se manifestaram sobre o fim da escala 6x1. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) afirmou reconhecer a legitimidade do debate, especialmente no que diz respeito à modernização e à qualidade do trabalho e da vida dos trabalhadores. Ainda assim, assim como o Sistema Faep, defende que qualquer mudança seja baseada em análises técnicas, respeite um período de transição e considere as diferenças entre os setores, de modo a minimizar impactos negativos sobre emprego, renda e custo de vida.

“Alterações que pressionem custos e desorganizem cadeias produtivas de bens essenciais tendem a afetar diretamente o acesso aos alimentos e a segurança alimentar, penalizando de forma mais intensa as famílias de menor renda”, afirmou a ABIA, em nota.

A Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também se reuniu na tarde desta quinta-feira (16/4) para discutir o tema e a segurança trabalhista no campo.

O presidente da comissão, Humberto Miranda, destacou a importância do diálogo com a sociedade sobre propostas que alteram o modelo atual de jornada e escala de trabalho. Já o representante de Relações do Trabalho da CNA, Rodrigo Hugueney, defendeu que eventuais mudanças considerem a realidade dos diferentes setores produtivos.

De acordo com Paula Montagner, subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, o custo médio da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais na economia geral é de 4,7% sobre a massa de rendimentos do país. No entanto, alguns setores devem ser impactados de forma distinta.

Os dados fazem parte de um estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, apresentado no mês passado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, durante audiência pública que debateu a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221 de 2019. (Globo Rural)


GDT - Global Dairy Trade

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS

Leite A2 avança no Brasil e atrai gigantes do setor

A produção de leite A2 ganha espaço no país, devido à maior facilidade de digestão em comparação com o leite mais comum. Grandes laticínios, como Piracanjuba, Xandô e Italac, reforçaram suas linhas de produto nesse nicho de mercado, que atualmente representa menos de 1% da produção nacional.

Débora Ribeiro Gomide, pesquisadora de bovinocultura de leite no Campo Experimental de Três Pontas (CETP) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), explica que o leite A2 é produzido por vacas com a genética A2A2, que produzem leite com a proteína betacaseína A2. As caseínas representam a maior parte da proteína no leite. Durante a digestão, a betacaseína A1 libera um peptídeo chamado beta-casomorfina-7 (BCM-7), que, em pessoas sensíveis, causa desconforto gastrointestinal. A caseína A2 não leva à formação de BCM-7. As vacas A1A1 produzem o leite A1 e as vacas A1A2 produzem os dois tipos.

A identificação é feita por teste genético. Para garantir que a produção é exclusivamente de leite A2, as fazendas passam por um processo de certificação e rastreabilidade do produto. “É um nicho pequeno do mercado, representa menos de 1%, mas o grande chamariz é que as pessoas querem um controle melhor de qualidade, saber a procedência do produto, e o leite A2 oferece isso por causa da certificação”, avalia Gomide. A pesquisadora acrescenta que vacas de todas as raças podem produzir o leite A2. Mas, geralmente, os genes A2 são mais frequentes em raças zebuínas, como nelore e gir.

A Fazenda Colorado, de Araras (SP), dona da marca Xandô, é a que possui maior número de produtos com leite A2 no país atualmente. São sete linhas de produtos, sendo quatro leites - integral, desnatado, semidesnatado e semidesnatado zero lactose - e três queijos (minas frescal, minas padrão e coalho).

Eduardo Jakus, diretor geral da Xandô, diz que, hoje, 65% das vendas da marca já são de produtos com leite A2. “Essas linhas vêm ganhando uma importância muito grande, estão com crescimento muito acelerado. A gente cresce a duplo dígito, puxado pela linha de A2, que cresce bem acima do mercado”, afirma Jakus. Ele observou que o volume total do mercado de leite cresceu 2% em 2025, mas categoria de leite fresco cresceu 11%. A Xandô é líder na categoria de leite fresco refrigerado em São Paulo, com 40,4% do volume e 44,5% da receita, segundo a Scanntech.

Jakus diz que o leite A2 é captado e processado separado do restante. A produção é feita 100% na Fazenda Colorado, com ordenha, resfriamento, pasteurização e embalagem feitos sem contato manual. A fazenda conta com mais de 2,1 mil vacas holandesas em lactação, que chegam a produzir 96 toneladas de leite por dia.

O Grupo Piracanjuba informou que suas vendas de produtos com leite A2 também crescem dois dígitos por ano. A diferença de preço em relação aos outros tipos de leite varia de 25% a 35%. “A diferença já foi maior, mas conforme o volume de produção aumenta, os custos fixos diluem e a gente repassa para o varejo. O leite A2 segue a mesma trajetória do leite zero lactose”, afirma Gustavo Afonso de Almeida, diretor comercial do Grupo Piracanjuba.

Atualmente, a Piracanjuba produz leite A2 em pó integral, leite integral, semidesnatado e semidesnatado zero lactose. A produção vem de fazendas certificadas, e o processamento é feito em tanques específicos nas unidades industriais de Goiânia e Araraquara (SP). “O custo é mais alto, tem que certificar a fazenda, fazer a seleção do gado, fazer o processamento separado”, observa Almeida. O executivo disse que o desenvolvimento de novas linhas vai depender da evolução do consumo do leite A2 no país.

O Laticínio Muai, que pertence à Fazenda Bom Retiro, em Pouso Alto (MG), produz atualmente leite integral em versões de 1 litro e 500 mililitros, queijo minas frescal e ricota fresca com leite A2. Rodrigo Nilo, diretor executivo do Laticínio Muai, diz que vai ampliar o portfólio neste ano com a introdução de leite desnatado, semidesnatado e zero lactose. “É um mercado incipiente, mas cresce de maneira sólida. A gente acredita que vai ganhar cada vez mais escala”, diz Nilo.

A Muai produz atualmente 15 mil litros por dia de leite A2 e prevê um aumento de 25% neste ano. “A nossa capacidade diária de produção é de até 55 mil litros de leite A2 por dia, mas produzimos menos porque é feito sob demanda”, afirma Nilo. A empresa vende para redes de varejo que atendem principalmente a Região Sudeste. A Fazenda Bom Retiro conta com 1,3 mil vacas, das quais 1,2 mil são A2A2. “A fazenda faz a separação das vacas, ordenha primeiro as vacas que produzem o leite A2 e depois o leite A1”, diz o diretor.

As informações são do Valor Econômico


Jogo Rápido

Já estão disponíveis materiais do diálogo setorial sobre rotulagem de alimentos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da Gerência-Geral de Alimentos (GGALI) realizou, na última quarta-feira (16/4), um diálogo setorial virtual para discutir propostas regulatórias relacionadas à rotulagem de alimentos. O evento contou com a participação de aproximadamente 1.115 representantes de diferentes setores da sociedade. O encontro teve como objetivos apresentar os fundamentos técnicos das propostas sobre DQI, uso de tecnologias para transmissão de informações na rotulagem e rotulagem de alimentos irradiados, além de esclarecer dúvidas e coletar percepções dos interessados para subsidiar a elaboração de futura consulta pública. Durante a apresentação, a Anvisa destacou que as três iniciativas integram a Agenda Regulatória 2026-2027 e possuem objetivos convergentes, voltados ao aprimoramento da transparência, da qualidade e da acessibilidade das informações ao consumidor, bem como à promoção de maior alinhamento com as diretrizes do Codex Alimentarius. Também foi apresentada a estratégia regulatória da GGALI, que prevê a condução coordenada dos temas, com proposta de consulta pública única e busca de implementação integrada, de modo a reduzir custos de adequação e evitar sucessivas alterações nos rótulos de alimentos. Adicionalmente, foi esclarecido que o planejamento regulatório da GGALI é dinâmico e que, embora a intenção institucional seja avançar de forma conjunta sempre que possível, eventuais alterações de estratégia poderão ser adotadas caso se mostrem necessárias, hipótese em que os atores envolvidos serão informados. Para consulta e acompanhamento do tema, estão disponíveis os materiais clicando aqui. (Anvisa)