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11/04/2023

Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 11 de abril de 2023                                                            Ano 17 - N° 3.878


Sindilat/RS e Embrapa Pecuária Sul avançam na construção de projetos para medição de carbono em propriedades leiteiras

O avanço da pecuária leiteira como atividade estratégica nos sistemas produtivos sustentáveis e o balanço da emissão de carbono em sistemas agropecuários estão no foco do trabalho que vem sendo desenvolvido em conjunto pelo Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) e pela Embrapa Pecuária Sul. Juntas, as entidades darão início a elaboração de uma estratégia com vista à captação de R$ 4 milhões, valor necessário para a aquisição de um conjunto de quatro medidores com os quais será possível iniciar as aferições em rebanhos gaúchos. “Para viabilizar a compra, vamos trabalhar para apresentar uma proposta ao Fundoleite e também levá-la aos parlamentares gaúchos, visando a destinação de recursos através de emendas”, detalha Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindilat/RS. 

Segundo o chefe-geral e pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, os equipamentos buscados para dar início ao processo medem os gases metano (CH4), dióxido de carbono (CO2) e, opcionalmente, oxigênio (O2) e hidrogênio (H2) de animais individuais. De acordo com o especialista, também é possível agregar dados de emissões e determinar médias de rebanho. “A atuação conjunta das instituições para a descarbonização da produção de leite no RS, tem como base a expertise já existente no centro de pesquisa com a avaliação do balanço de carbono em bovinos de corte É um passo inicial para realizarmos pesquisas que gerem protocolos para redução das emissões por unidade de leite produzida”, disse. 

Durante a reunião, realizada dia 05/04 na sede da Embrapa em Bagé, a pesquisadora Cristina Genro também apresentou a Prova de Emissão de Gases (PEG), metodologia que vem sendo utilizada nas pesquisas pelo instituto e que buscam mensurar a emissão de gás metano (CH4) por reprodutores bovinos. Segundo ela, o teste visa identificar os animais que têm menor emissão de metano em se considerando cada quilo de alimento consumido e o quilo de peso vivo produzido. “A Embrapa pode contribuir na avaliação dos sistemas de produção leiteira quanto à emissão de Gases de Efeito Estufa, na formação de Unidades de Referência Tecnológica com as boas práticas para se conseguir uma produção de leite com sustentabilidade, de baixo carbono, assim como na capacitação e transferência de tecnologia para os produtores de leite gaúchos”, destaca.

Outra ação prevista, conforme o chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sul, Gustavo Martins, é a realização durante a Expointer 2023 de um seminário sobre pesquisa e métodos de medição de carbono em propriedades leiteiras, efetuado por Sindilat/RS e Embrapa. 

 A produção de leite com menor impacto ambiental é uma preocupação que deve dar o tom das linhas de investimentos nos próximos anos. Conforme Palharini, atento a isso, o setor lácteo gaúcho foi um dos primeiros a abrir debate junto ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul sobre a qualificação e a monetização dos créditos de carbono, tema que foi abordado em reunião, no dia 28/02, do Sindilat/RS, com a presença do presidente Guilherme Portella, com a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann.


Balança comercial de lácteos: importações voltam a crescer em março

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o mês de março encerrou com um novo recuo no saldo da balança comercial de lácteos.Com uma queda de cerca de 53,1 milhões de litros, o último mês obteve um saldo de -198,1 milhões de litros em equivalente-leite. Quando comparado com o resultado obtido em março de 2022, o recuo observado é ainda mais acentuado, visto que no mesmo período no ano passado o saldo obtido ficou em -51,5 milhões de litros.Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos.

As exportações inverteram o movimento do mês anterior e encerraram março com uma queda de aproximadamente 22%, obtendo um total de 5,1 milhões de litros exportados em equivalente-leite. Na variação anual a queda observada foi um pouco superior, ficando em -32,8% em relação aos 7,6 milhões de litros em equivalente-leite que foram exportados em março 2022. Com isso, o resultado de mar/23 foi o menor para as exportações de 2023, até o momento.

Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.

Já para as importações, o volume total passou por um avanço de 34,1%, encerrando o mês com 203,2 milhões de litros em equivalente-leite sendo importados para o Brasil. Quando comparado com o resultado obtido em março de 2022 houve um avanço de 243% no volume importado no mês.

Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.

Assim como em fevereiro, os preços internacionais se mantendo em patamares baixos, o aumento dos preços dos derivados no mercado interno (no final de 2022 e início de 2023) e a elevação do preço do leite matéria-prima nos últimos meses contribuíram para formar esse cenário de elevação das importações

Dentre os produtos importados, o destaque obtido foi para o leite em pó integral, leite em pó desnatado, queijos e soro de leite, que somaram cerca de 93% de todo o volume importado no mês. Referente a essas categorias, todas obtiveram uma variação mensal positiva, com os queijos obtendo o maior avanço percentual observado, em 44%, seguido do leite em pó integral (+35%), leite em pó desnatado (+20%) e soro de leite (+5,4%).

Enquanto em relação às exportações, a maior participação, de 86%, seguiu sendo composta pelo leite condensado, leite UHT, creme de leite e queijos. De um lado, o leite condensado e os queijos passaram por um recuo em seu volume total exportado, de 25% e 50%, respectivamente, ao passo que o leite UHT obteve uma variação mensal positiva de 67% e o creme de leite de 25%.

A tabela 1 mostra as principais movimentações do comércio internacional de lácteos no mês de março deste ano.

Tabela 1. Balança comercial láctea em março de 2023.

O que podemos esperar para o próximo mês?

Apesar do período da entressafra do leite no Brasil estar se acentuando, a expectativa para o próximo mês é de que as importações passem por recuo em relação ao resultado obtido em março.

Outro ponto de atenção em relação às importações e sua expectativa de queda é referente a diminuição na produção de leite na Argentina e no Uruguai, os principais fornecedores brasileiros, que enfrentam dificuldades para produção de leite diante das secas causadas pelo La Nina.

Entretanto, levando em consideração o câmbio e os preços internacionais, os preços do produto importado ainda segues competitivos frente aos nacionais, o que tende a manter as importações em patamares elevados.

Para exportações, com preços internacionais ainda em baixos patamares e a entressafra do leite no Brasil se iniciando, não se projeta uma janela exportadora para os lácteos brasileiros no curto prazo. Assim sendo, nos próximos meses deveremos observar menor volatilidade nos resultados de importações, exportações e saldo final da balança comercial. (Milkpoint)

Espanha – Importância dos lácteos em todas as fases da vida

Lácteos – Quais são as chaves para manter uma alimentação saudável? Qual o papel de lácteos como o leite, o queijo e o iogurte? A médica Rosaura Leis, reconhecida pediatra com décadas de experiência profissional no Hospital Clínico Universitário de Santiago de Compostela, professora da Faculdade de Medicina da cidade e assessora do Comitê de Sustentabilidade Láctea do InLac, não tem dúvidas de que os lácteos devem compor a base de uma pirâmide alimentar saudável.

Leis recomenda tomá-los todos os dias – pelo menos três porções – para garantir a ingestão de macro e micronutrientes essenciais para nossa saúde.

Leis é pesquisadora principal do grupo de Nutrição Pediátrica do Instituto de Pesquisa Sanitária de Santiago; membro do Ciber de Obesidad; presidenta da Fundação Espanhola de Nutrição (FEN) e do Comitê de Nutrição e Amamentação da Associação Espanhola de Pediatria. Sua tese de doutorado analisou a prevalência da má absorção e intolerância à lactose na Galícia. Mais de 20 anos de experiência, quase duzentos artigos científicos e múltiplos trabalhos de pesquisa sobre boa alimentação e menor risco metabólico em crianças e adolescentes a credenciam.

Em sua opinião, não se entenderiam as dietas mediterrânea e atlântica sem alimentos tão ligados ao território como laticínios. Entre seus benefícios estão: fonte principal de cálcio, vitaminas lipossolúveis e proteínas. Sem esquecer as gorduras, já que cada vez mais pesquisas científicas a associam com menor risco de certas doenças.

Os lácteos nas diferentes etapas da vida

A médica considera imprescindível o consumo de lácteos para a mulher durante a gestação e a amamentação, e para a criança até o final da adolescência, que é quando se alcança o pico máximo de massa óssea. Leis destaca que a mulher gestante deve estar consciente de que tomar leite nesta etapa da vida, dentro de um contexto de boa alimentação e estilo de vida, não somente favorecerá sua saúde, mas também a do seu filho no curto, médio e longo prazo. Os primeiros 1000 dias de vida, incluindo o período fetal, constitui uma janela de oportunidades para prevenir doenças das crianças, de adultos e idosos.

“Não podemos esquecer que uma das doenças mais prevalentes e degenerativas durante a fase adulta é a osteoporose. Com uma ingestão adequada de lácteos, podemos alcançar um pico máximo de massa óssea no final da adolescência, embora tenhamos que manter o seu consumo ao longo de toda a vida”, diz a doutora.

Ela também insiste que a infância é fundamental para a formação dos ossos. “Tudo que armazenamos é garantia da saúde óssea no curto, médio e longo prazo e prevenção da osteoporose”.

Na opinião de Leis e outros especialistas de referência, uma dieta equilibrada inclui de 2 a 3 porções de lácteos por dia para crianças e adultos e de 3 a 4 porções em certas etapas da vida. Uma porção de leite corresponde a 200 ou 250 mililitros e a de iogurte representa 250 gramas (2 iogurtes). A porção de queijo meia cura ou curado equivale a 30 gramas. Se o queijo for fresco, 60 gramas. (Fonte: Portalechero – Tradução livre: www.terraviva.com.br)


Jogo Rápido 

China: importações de lácteos caíram 30% nos primeiros dois meses
As importações de lácteos da China registraram uma nova queda em fevereiro, de 6,5% com relação ao ano anterior, em volume. Essa é mais uma queda após a redução de 43% no primeiro mês do ano. Nos dois primeiros meses houve quedas tanto em volume quanto em valor, segundo dados da Alfândega processados pelo site especializado CLAL e divulgados pelo portal argentino OCLA. As importações de lácteos da China foram de 538.944 toneladas, 30% abaixo das 773.621 toneladas do mesmo período de 2022. Em valor, a queda foi de 18%. O preço médio da tonelada importada foi de US$ 4.537.Estas reduções nas compras da China, explica a OCLA, devem-se sobretudo à maior produção local, aos elevados estoques gerados nas grandes compras de 2021, às dificuldades logísticas que implicaram o fechamento de algumas cidades devido a surtos de Covid, aos efeitos colaterais da guerra na Ucrânia e ao processo inflacionário que vem ocorrendo em todas as economias mundiais. Se observada por produtos, no leite em pó integral a queda em relação ao ano anterior foi de 68%. As compras externas passaram de 300.520 toneladas em janeiro/fevereiro de 2022 para 95.557 no início deste ano. Em fevereiro a queda desse produto foi de 31%. O Uruguai, o segundo maior fornecedor de leite em pó integral da China, registrou um forte declínio de 95% em relação ao ano anterior nas exportações em janeiro e fevereiro. A maioria dos fornecedores de lácteos para a China registrou quedas. As informações são do Blasina y Asociados, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint. 

 
 

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