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Porto Alegre, 04 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.622


Lactalis dá largada na ampliação produtiva da planta de Teutônia

Com o objetivo de elevar a produção de lácteos no Rio Grande do Sul, das atuais 304 mil toneladas para 453 mil toneladas até 2028, a Lactalis Brasil deu a largada rumo à meta, com ampliação das linhas produtivas de manteiga e whey fit, ambas na planta do município de Teutônia. As duas iniciativas fazem parte do pacote de investimentos de R$ 400 milhões que serão realizados em cinco unidades industriais no Estado, anunciados pela multinacional francesa em agosto de 2025. “Os aportes serão fracionados: começamos com a manteiga que ainda está em rampa de crescimento, mas chegará a 1.500 toneladas ao mês, e de whey fit, que saltará para 3 mil toneladas ao mês. Investimentos já finalizados ainda em 2025”, afirma o diretor de comunicação, assuntos corporativos e regulatórios da Lactalis Brasil, Guilherme Portella.

Além de Teutônia, estão em fase de operacionalização os aportes para incremento produtivo de requeijão, na planta de Santa Rosa, de whey protein e mussarela, em Três de Maio, e também de queijo prato, em Ijuí. “Todos com previsão de crescimento em produção, mas ainda não foram realizados, pois teremos prazo maior para concretização”, diz Portella. A intenção é obter ganho substancial no processamento de queijos e, até o final de 2028, produzir 100 mil toneladas por ano, 70% mais do que as atuais 58 mil toneladas.

O executivo afirma que a efetivação de todos os projetos depende da compra de novas máquinas, contratação de mão de obra, definição de layout das fábricas e incremento gradual na captação de leite pela empresa no Estado, cujo aumento foi de 8%, em 2025. “É uma iniciativa de fomento agropecuário para melhoramento genético e, consequentemente, uma melhor qualidade e produtividade no campo. Foi um ano em que o setor todo e a produção cresceram no Brasil e no Rio Grande do Sul. E a Lactalis acompanhou”, avaliou.

Portella preferiu não projetar o percentual de captação para 2026, mas apostou na continuação de uma curva ascendente no Estado. “A intenção é de aumento, pois seguimos em processo de expansão geral da produção. Temos uma ideia de, até 2030, captar no Brasil cerca de 4 bilhões de litros de leite. Vamos fechar o ano com 2,9 bilhões de litros de leite.” Para chegar nesse patamar, o executivo diz que a base será a aplicação de novas tecnologias e incremento na contratação de mão de obra.

Dentro dos R$ 400 milhões em investimentos, também estão previstas as expansões de dois centros de distribuição localizados nos municípios de Ijuí e Teutônia, e conforme Portella, ambos ainda não foram iniciados.

Ficha Técnica
Investimento: R$ 400 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Lactalis Brasil
Cidade: Teutônia
Área: Indústria

As informações são do Jornal do Comércio


LEITE/CEPEA: Com oferta limitada, preço do leite sobe 10,5% em março

Cepea, 30/04/2026 – O preço do leite pago ao produtor subiu em março/26 pelo terceiro mês consecutivo, cumprindo a expectativa dos agentes de mercado de que a redução na oferta puxaria para cima as cotações em intensidade superior que a observada nos meses anteriores. De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta foi de 10,5% frente a fevereiro, levando a “Média Brasil” a R$ 2,3924/litro. O preço, contudo, ainda está 18,7% abaixo do registrado em março/25, em termos reais. No primeiro trimestre de 2026, a elevação acumulada é de 17,6% e a média, de R$ 2,2038/l, sendo 23,6% menor que a registrada no mesmo período do ano passado (os valores foram deflacionados pelo IPCA de março/26).

O movimento de alta seguiu sendo explicado pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru, já que a oferta seguiu restrita. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,9% de fevereiro para março na Média Brasil, acumulando queda de 11,1% neste primeiro trimestre. O recuo na produção ocorre devido à sazonalidade (que afeta negativamente a oferta de pastagem e eleva o custo com a nutrição animal) e à maior cautela de investimentos na atividade diante de margens mais estreitas ao longo de 2025. Segundo a pesquisa do Cepea, em março/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 0,46% na “Média Brasil” – acumulando avanço de 2,11% no primeiro trimestre. 

Com a menor disponibilidade de leite, a produção de lácteos também ficou mais limitada, e os preços de derivados seguiram aumentando em março. Levantamento realizado pelo Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostra que o leite UHT se valorizou 18,3% e a muçarela, 6,1%, de fevereiro para março, em termos reais. Os preços seguiram tendência altista até a primeira quinzena de abril, mas, a partir de então, as negociações já ficaram mais travadas e os valores passaram a se enfraquecer. 

Ao mesmo tempo, as importações cresceram 33% em março, somando, no primeiro trimestre de 2026, uma aquisição de 604 milhões de litros em equivalente leite (EqL) – apenas 0,9% menor do que no mesmo período do ano passado.

A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização em abril, mas esse movimento deve perder intensidade a partir de maio. Isso porque o consumo mostra resistência aos preços mais altos na gôndola, afetando as cotações dos derivados. Ao mesmo tempo, importações seguem sustentadas e existe expectativa de reação da produção – o que eleva a cautela da indústria em realizar novos repasses ao campo entre maio e junho.

As informações são do Cepea

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1917 de 30 de abril de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 

Os rebanhos apresentam escore de condição corporal adequado, e houve aumento no uso de suplementação, especialmente com silagem, para sustentar os níveis de produção. Referente ao aspecto sanitário, as condições estão sob controle na maior parte das propriedades. As condições meteorológicas mais amenas têm favorecido o conforto térmico dos animais. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção segue em queda em função da limitação na oferta de forragem verde de boa qualidade. Neste período, ainda é insignificante a disponibilidade de pastagens de aveia em condições adequadas de uso. Os produtores com reservas de silagem e feno, de modo geral, enfrentam menores perdas, assim como aqueles que ainda dispõem de forrageiras perenes de verão. 

Na de Caxias do Sul, a condição corporal e a sanidade dos animais estão ideias, e não houve restrição alimentar. O bem-estar das vacas foi favorecido pelas temperaturas mais amenas ao longo da semana. 

Na de Erechim, as condições gerais dos rebanhos estão satisfatórias, e há boa disponibilidade de água e sanidade.  

Na de Ijuí, a produção seguiu estável em relação ao período anterior e o tempo mais úmido provocou aumento de barro nos locais de descanso e de ordenha dos animais, dificultando a higiene das operações. 

Nas de Passo Fundo e Santa Maria, o cenário é de estabilidade produtiva. Os rebanhos apresentam bom escore corporal, embora a transição para as pastagens de inverno tenha exigido maior aporte de silagem na dieta.   

Na de Santa Rosa, as condições meteorológicas mais amenas melhoraram o conforto térmico dos animais, favorecendo a produção de leite, a manutenção dos teores de sólidos, a maior expressão de cio e eficiência na sua detecção, com reflexos positivos nas taxas de prenhez. Os produtores intensificaram a suplementação com silagem. Seguem as ações de controle de carrapatos e prevenção de tristeza parasitária bovina. A contagem bacteriana total está, em geral, dentro dos padrões, mas há maior dificuldade em manter a contagem de células somáticas nos níveis recomendados.

As informações são da Emater/RS editadas pelo Sindilat/RS


Jogo Rápido

Boletim Agrometeorológico da Seapi
O Boletim Integrado Agrometeorológico 18/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) aponta que na segunda-feira (4/5), a atuação da massa de ar seco e frio deverá manter o tempo estável em grande parte do território gaúcho. Na terça-feira (5/5) e na quarta-feira (6/5), o padrão de circulação atmosférica deverá ajudar a transportar umidade para algumas localidades do estado. Dessa forma, há previsão de chuva em diferentes áreas, e as temperaturas deverão voltar a apresentar leve elevação. No dia 5/5, a chuva deverá ser fraca e ocorrer apenas em pontos isolados da metade norte. Já no dia 6/5, poderá variar de fraca a moderada e ocorrer principalmente na metade sul. Nas demais regiões, não há previsão de chuva significativa. De forma geral, os acumulados de precipitação deverão variar entre 5 mm e 100 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados a leste que podem ultrapassar esse valor. O Boletim Agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (As informações são da SEAPI)


Porto Alegre, 30 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.621


Assinado o decreto de promulgação do acordo entre Mercosul e União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto de promulgação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), que entra em vigor provisoriamente nesta sexta-feira, 1 de maio de 2026. O pacto entre os blocos avançou após mais de 25 anos de negociações.

Durante a cerimônia, Lula defendeu relações multilaterais entre as nações: “Se o Brasil aprender a se respeitar, vamos negociar igualdade de condições com qualquer país”, disse. Segundo ele, o país adotará a mesma postura em futuros acordos, como fez nas tratativas com a União Europeia.

Em relação ao cenário global recente, marcado pelo aumento de tarifas promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que Brasil e União Europeia deram uma resposta ao mundo de que “não existe nada melhor” do que acreditar na democracia, no multilateralismo e nas relações cordiais entre as nações. “Não existe saída individual para nenhum país nesse mundo de comércio”, reforçou.

Outros acordos comerciais

O presidente também encaminhou duas mensagens ao Congresso Nacional referentes aos acordos de Mercosul com Singapura e Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA. Lula afirmou que o Brasil trabalha para concluir o tratado comercial com o Canadá.

Como mostrou o Valor em março, o acordo entre Mercosul e Canadá ainda tem temas sensíveis a serem alinhados, como o acesso a carne, lácteos, frango e ovos, além de divergências sobre regras de indicação geográfica. Ainda assim, essas questões não devem impedir a conclusão do tratado, prevista para este ano.

Incorporação da Colômbia ao Mercosul

Lula declarou ainda que o Brasil articula a incorporação da Colômbia ao Mercosul — atualmente formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão — e sinalizou que outros países também podem vir a integrar o bloco.

O presidente também mencionou o que classificou como “problema” relacionado ao excesso de produção e à importação de leite do Uruguai e da Argentina. Ele defendeu a necessidade de equilíbrio “para que todos se sintam confortáveis”.

A importação de leite e derivados pelo Brasil tem gerado pressão sobre o mercado nacional em 2026. Isso fez com que, em março, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) protocolasse proposta na Câmara dos Deputados para investigar os impactos dessas compras externas sobre a renda de produtores nacionais. Grande parte desses produtos estão vindo da Argentina e Uruguai.

Acordo Mercosul-UE

O acordo comercial reúne países que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões, além de estabelecer uma zona de livre comércio entre o Mercosul (composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e os 27 países da União Europeia. Atualmente, a UE é o segundo principal parceiro comercial do Brasil.

O tratado deve eliminar de forma progressiva tarifas em cerca de 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% pela União Europeia. A redução ocorrerá de forma gradual, com prazos que variam entre quatro e quinze anos. O texto também prevê uma série de regras para salvaguardas comerciais, especialmente em setores considerados sensíveis.

A nova etapa do acordo ocorre após o Brasil notificar oficialmente a Comissão Europeia, em 18 de março, sobre a conclusão dos procedimentos internos de ratificação. A União Europeia, por sua vez, notificou o Brasil em 24 de março. Com isso, foram cumpridos os requisitos para a entrada em vigor provisória do acordo a partir de 1º de maio.

Apesar de já ter sido aprovado nos parlamentos do Mercosul e da União Europeia, o acordo ainda passa por avaliação jurídica no bloco europeu. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu submeter o texto a uma revisão pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o que pode atrasar a entrada em vigor plena do tratado. A emissão de um parecer desse tipo costuma levar em média entre 18 e 24 meses.

No dia 23 de abril, Lula classificou como “coisa de gente ciumenta” a decisão dos eurodeputados de acionar o TJUE para questionar o pacto comercial. Segundo ele, a ação não seria um entrave para os avanços das negociações entre Mercosul e UE. Ele ainda reiterou que o Brasil não pretende “destruir” os produtos europeus, mas construir uma política de complementaridade entre os blocos.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Banco Central reduz taxa Selic para 14,5% ao ano

Resultado já era projetado por analistas de mercado, que apontavam a segunda diminuição seguida de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (29), reduzir a taxa básica de juro em 0,25 ponto percentual. Assim, a Selic fica em 14,5% ao ano. 

A leve redução já era projetada por analistas de mercado, que apontavam a segunda diminuição seguida de juros. Em março, o Copom reduziu o juro também em 0,25 ponto percentual, após uma sequência de reuniões que optaram pela manutenção da taxa Selic em 15% ao ano.

Segundo comunicado do Copom, a diminuição contida é reflexo do ambiente externo que "permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio". 

O cenário global, conforme o Comitê, "exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities".

Ao comunicar a queda da taxa básica de juro, o colegiado disse que a "decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante". Também afirmou que a decisão não gera prejuízo na estabilidade de preços.

O que é taxa Selic?
A Selic é utilizada para balizar o mercado de crédito geral. Ela serve de parâmetro para todas as outras taxas de juros das mais diversas operações, sejam elas de aplicações e investimentos ou de financiamento imobiliário, por exemplo.

Junto à inflação oficial medida pelo IPCA, a taxa Selic serve para aquecer e garantir a estabilidade da atividade econômica brasileira. Em patamares baixos, possibilita maior tomada de crédito e financiamentos.

Em patamares elevados, ajuda a conter o avanço da variação de preços, já que limita o consumo e, consequentemente, freia a inflação. (Zero Hora)

Sistema FIERGS alerta para riscos do fim da escala 6x1 sobre emprego e economia

Retração no emprego, aumento da informalidade e queda no Produto Interno Bruto (PIB) estão entre os possíveis impactos da redução jornada de trabalho e extinção da escala 6x1, conforme alertou o Sistema FIERGS durante reunião-almoço na sede da entidade, em Porto Alegre, nesta segunda-feira (27). A matéria está em tramitação no Congresso Nacional por meio de propostas de emenda à Constituição (PECs). Recentemente, o governo federal também encaminhou um projeto de lei (PL) sobre o tema. O deputado federal Lucas Redecker foi convidado para esclarecer pontos da tramitação e conhecer os pontos de vista da indústria gaúcha.

O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, afirmou que a pauta exige responsabilidade e equilíbrio. “Trata-se de uma mudança estrutural. Assim, não pode avançar sem um debate amplo e responsável com a sociedade, especialmente em um ano eleitoral. Os impactos são relevantes”, destacou. Segundo estimativas, a redução de jornada para 40 horas semanais pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com trabalhadores formais. Na indústria, esse aumento pode chegar a R$ 88 bilhões. “Há, ainda, projeções de queda no PIB. A FIERGS acompanha de perto a realidade do chão de fábrica das micro e pequenas empresas. No cotidiano, junto aos trabalhadores, o sentimento não é de reivindicações por mudanças repentinas, mas de preocupação com a preservação de empregos e geração de renda”, acrescentou. 

O deputado Lucas Redecker explicou a tramitação das PECs no Congresso, enfatizando que a comissão especial da Câmara dos Deputados será o espaço para discutir ajustes e possíveis compensações ao setor produtivo. Ele também reforçou que a população em geral precisa estar informada de todos os riscos que a medida pode trazer. “Os prejuízos ao gerador de empregos irão impactar o consumidor e o empregado. Isso pode aumentar a informalidade no país. Por isso, não se trata de ser favorável ou contrário, mas de buscar meios de compensação. Como vamos trabalhar na redução dos impactos?”, questionou.  

Entre as possíveis medidas compensatórias, que devem ser construídas juntamente com o setor produtivo, estão uma transição adequada para a nova jornada e a desoneração da folha de pagamento para os segmentos. Durante o encontro, também foi citada a PEC do Jovem Aprendiz, formulada com contribuições técnicas do Sistema FIERGS, que permite que jovens menores de 18 anos atuem em atividades enquadradas pela legislação como insalubres ou perigosas, sob condições de emancipação ou formação técnica. “É uma forma de tentar diminuir os danos. Aumenta a mão de obra de jovens formados pelo Senai, por exemplo, e que, muitas vezes, ficam num limbo de dois anos”, disse o coordenador do Conselho das Relações do Trabalho (Contrab) do Sistema FIERGS, Guilherme Scozziero. Ele também enfatizou que é preciso separar escala e jornada de trabalho. “As escalas devem ser tratadas nas negociações. A jornada máxima é que será estipulada pela Constituição”, ponderou.

Coordenador do Conselho de Articulação Política (Coap) do Sistema FIERGS, Diogo Paz Bier destacou a mobilização da federação junto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e afirmou que o Brasil pode estar perdendo competitividade. “Por um lado, temos o acordo entre Mercosul e União Europeia, que amplia nossas oportunidades de mercado. Mas, por outro, estamos perdendo a oportunidade de sermos competitivos com essa pauta da redução de jornada, ao aumentar o custo de quem produz no país”, refletiu. (Fiergs)


Jogo Rápido

Fenasoja terá fóruns sobre suinocultura, brucelose e tuberculose
A Fenasoja, que ocorre de 1º a 10 de maio em Santa Rosa, terá um dia dedicado à sanidade animal, com a realização de dois fóruns na quarta-feira (6/5): o 2º Fórum Estadual de Sanidade Suína, às 10h, e o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina, às 14h. Os encontros são organizados pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). O 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina vai discutir a importância da prevenção e do controle dessas enfermidades. A programação contará com palestras com experiência nas suas áreas, com a visão da Indústria de Laticínios, do produtor rural, do Fundo de Apoio – Fundesa, e do Serviço Veterinário Oficial Estadual. “Santa Rosa está inserida numa das principais regiões produtoras de leite do estado. Sediar o Fórum na Fenasoja tem como finalidade mobilizar e sensibilizar a cadeia de produção em relação ao tema”, explica a fiscal estadual agropecuária Ana Cláudia Groff, do Programa de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal da Seapi. Os dois fóruns ocorrerão no Palco Semear, na Exporural. (SEAPI adaptado pelo Sindilat/RS)


Porto Alegre, 29 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.620


Governo libera R$ 450 mi para o Pronaf Mais Leite

O governo federal anunciou  a liberação de R$450 milhões em crédito rural subsidiado para o programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Leite (Pronaf Mais Leite). 

O anúncio tem o objetivo de ampliar a produtividade da pecuária leiteira entre agricultores familiares em todo o país. A iniciativa busca financiar melhorias genéticas do rebanho, incluindo a transferência de embriões, além da aquisição de infraestrutura como ordenhadeiras e tanques de resfriamento. 

A expectativa é viabilizar até 300 mil embriões e elevar a produção de leite por animal, que pode passar de uma média atual de 3 a 8 litros por dia para até 15 a 30 litros diários. De acordo com o governo, cerca de 40 mil produtores familiares devem ser beneficiados. 

Os recursos poderão ser utilizados na compra de matrizes com alto valor genético, sêmen, óvulos e embriões, além de serviços de inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV). Também estão previstos investimentos em manejo, alimentação e infraestrutura produtiva. ara acessar o crédito, os produtores precisam ter o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo e apresentar um projeto técnico que comprove a viabilidade do investimento. 

O financiamento será operacionalizado por instituições como o Banco do Brasil, Sicredi, Cresol, Sicoob e Banrisul. O programa também contará com apoio da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para orientação técnica aos produtores. Além disso, foram disponibilizadas linhas de crédito com juros de 3% ao ano para cooperativas da agricultura familiar e de 8,5% ao ano para outras cooperativas do setor leiteiro, por meio do programa Renovagro. 

O pacote inclui ainda R$15 milhões para a construção de uma fábrica de leite em pó em São Paulo e R$28 milhões destinados à assistência técnica e extensão rural. O secretário-executivo do Sindilat e vice-coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, avalia que o aporte é positivo, embora considere o volume de recursos ainda limitado diante do tamanho da cadeia leiteira brasileira. “Acaba atendendo justamente um dos pontos de perda de competitividade do leite brasileiro, principalmente na inseminação e na assistência técnica, que é fundamental”, afirma em entrevista ao JM.

Palharini destaca que a falta de assistência técnica é um dos principais fatores que levam ao abandono da atividade leiteira. Ele também ressalta que, no Rio Grande do Sul, a produtividade média já supera 18 litros por animal ao dia, mas ainda é considerada insuficiente para competir com produtos importados, especialmente da Argentina. A expectativa do setor é que os novos recursos anunciados sejam ampliados e transformados em política permanente, garantindo maior estabilidade e competitividade para a produção leiteira nacional nos próximos anos. (Jornal da Manhã editado pelo Sindilat)


Conseleite Paraná

RESOLUÇÃO Nº 04/2026 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 29 de abril de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Março de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Abril de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. 

Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Abril de 2026 é de R$ 4,4471/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no 
seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/.

Fonte: Conseleite Paraná 


Produtores de leite argentinos recebem os preços mais baixos do mundo, apontam especialistas

Na Argentina, nos últimos meses, observa-se uma perda sustentada de valor do litro de leite em moeda constante, segundo destacam os especialistas. Os aumentos de preço recebidos pelo produtor de leite estão muito distantes da taxa de inflação geral. Isso é consequência do aumento da produção interna verificado em 2025 e da alta produção mundial registrada há vários anos. 

Assim, o preço do leite recebido pelos produtores argentinos é o mais baixo, tanto em comparação com os países vizinhos quanto com os principais produtores e exportadores mundiais. Por exemplo, em dezembro de 2025, o preço na fazenda ficou em US$ 0,32 por litro, frente aos US$ 0,42 do Uruguai, US$ 0,36 do Brasil, US$ 0,58 da União Europeia, US$ 0,41 dos Estados Unidos, US$ 0,39 da Nova Zelândia e US$ 0,43 da China, segundo cálculos do consultor Mauro Gorgerino.

Outra forma de evidenciar a deterioração do preço recebido pelos produtores é observar sua evolução em termos reais. Em janeiro de 2026, o valor de 478 pesos argentinos (US$ 0,45) por litro ficou 19% abaixo dos 588 pesos argentinos  (US$ 0,55) constantes de janeiro de 2025 e dos 596 pesos argentinos  (US$ 0,56) de janeiro de 2024. Esse comportamento é resultado do baixo reajuste registrado durante 2025, período em que o preço do leite aumentou apenas 7,7%, frente a um Índice de Preços ao Consumidor de 32,4%.

Em contraste, outros custos relevantes do sistema produtivo leiteiro registraram aumentos significativamente superiores durante 2025: a implantação de pastagem com alfafa aumentou 29,8%; a ração concentrada, 39%; o milho, 35,3%; e a soja, 65,5%. Como consequência, a relação leite/milho foi muito desfavorável para o produtor.

Em janeiro de 2026, com um litro de leite era possível comprar 1,72 kg de milho, frente a uma média histórica de 2 kg. A relação de compra do leite em relação à soja também se deteriorou; em janeiro de 2026, um litro de leite permitia comprar 900 gramas de soja, frente a uma média histórica entre 1,1 e 1,2 kg. Situações semelhantes são observadas em outros insumos: o poder de compra da ração concentrada caiu 22,8% na comparação anual. O único fator favorável durante o último ano foi o aumento do valor da vaca de descarte, cujo preço cresceu 41,4% em relação ao ano anterior.

Problemas

Como resultado do cenário anterior, após três trimestres de 2025 com rentabilidade positiva — que tiveram média de 4% — no último trimestre ela despencou e se tornou negativa em uma fazenda leiteira média, segundo dados de Gorgerino. Esse valor contrasta com a média histórica da série (1,8%) e com seu máximo registrado (8,4%).

A crise enfrentada pelos produtores também está sendo sentida pela indústria. De fato, a variação anual de janeiro de 2026 em relação a janeiro de 2025 mostrou um aumento de 16,9% no preço dos produtos lácteos, frente a uma inflação de alimentos e bebidas de 29,3%. Por essa razão, a capacidade da indústria de melhorar o preço pago ao produtor é bastante limitada.

Em dezembro de 2025, os produtores receberam 476 pesos argentinos (US$0,45) por litro de leite, enquanto a indústria conseguia pagar 492 pesos argentinos  (US$0,46) por litro. Ambos os valores ficaram abaixo do custo de produção da fazenda leiteira, estimado em 563 pesos argentinos (US$0,53) por litro.

Como mencionado no início, além da superprodução interna, há abundância de leite no mundo. “Os principais produtores em nível mundial são a América do Sul — Brasil, Argentina e Uruguai —, a União Europeia, a Oceania e os Estados Unidos”, afirmou Gorgerino, durante uma reunião organizada pela Select Debernardi. A China também é um grande player, mas sua produção é direcionada principalmente ao mercado interno.

Durante o período entre janeiro e dezembro de 2025, a produção mundial de leite registrou um aumento médio de 2,25%, mantendo a tendência de alta dos últimos anos. Nesse período, a Argentina foi o país com maior crescimento, com aumento de 9,7% no volume entregue às indústrias de laticínios e à exportação. Também aumentaram sua produção o Brasil (7%), o Uruguai (5,7%), a União Europeia (1,5%) e outros países.

Enquanto isso, na Argentina, em 2025, houve uma redução de 2,5% na quantidade de fazendas leiteiras, passando de 9100 para 8887 entre janeiro e dezembro. Gorgerino lembrou que em 2002 existiam 15 mil fazendas leiteiras.

A produção média por fazenda leiteira durante o ano passado foi de 3506 litros diários, com uma média de 165 vacas por propriedade. Isso posiciona a Argentina como o quinto país do mundo em quantidade de vacas leiteiras por estabelecimento.

O número total de vacas leiteiras na Argentina não variou significativamente nos últimos anos e somou 1.497.480 cabeças em 2025, o que implica aumento do tamanho médio de cada unidade produtiva. As vacas das fazendas leiteiras que fecharam não foram para o abate, mas sim compradas por propriedades maiores.

Em relação à estratificação produtiva, as fazendas leiteiras que produzem menos de 1000 litros diários representam 26,8% do total, mas respondem por apenas 4,2% da produção, com média de 549 litros diários. Em contrapartida, aquelas que produzem mais de 6000 litros diários representam 13,2% das propriedades, mas geram 47,4% da produção total.

Olhando para o futuro, os produtores de leite deverão continuar lutando por uma melhora no preço do leite, mas simultaneamente precisarão trabalhar “da porteira para dentro”, analisando os parâmetros de eficiência do sistema de produção, com indicadores que monitorem as variáveis de maior impacto no resultado final, como a produtividade medida em litros de leite por hectare e por vaca total. Nesse sentido, Gorgerino ressaltou que “uma empresa pode continuar deficitária mesmo com preços elevados se apresentar ineficiências internas como, por exemplo, altas taxas de mortalidade de bezerros”.

Ele aconselhou que “os produtores controlem permanentemente os custos operacionais, permaneçam abertos à incorporação de novas tecnologias, reforcem o monitoramento da gestão interna e acompanhem continuamente um orçamento econômico e financeiro adequado à empresa para enfrentar o cenário adverso”. (As informações são do La Nación, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Oferta sustenta liquidez; preço se estabiliza
A elevada oferta de soja em grão no Brasil tem sustentado a liquidez no mercado spot. Por outro lado, esse cenário de maior disponibilidade tem evitado que os preços da oleaginosa subam de modo expressivo. Segundo pesquisadores do Cepea, mesmo com a demanda firme, a perspectiva de safra recorde mantém o equilíbrio do mercado. Assim, os preços estão relativamente estáveis. No campo, a colheita brasileira alcançou 88,1% da área, com ritmos distintos entre as regiões, de acordo com a Conab. No Hemisfério Norte, as condições climáticas seguem no radar, aponta o Centro de Pesquisas. Apesar da preocupação com a baixa umidade do solo, previsões de chuvas podem amenizar o cenário. Nos Estados Unidos, a semeadura atingiu 12% da área esperada até 19 de abril, superando tanto o ritmo do ano passado quanto a média dos últimos cinco anos, segundo o USDA. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


Porto Alegre, 28 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.619


Conseleite sinaliza recuperação e valor projetado para o leite é de R$ 2,5333 em abril

O valor de referência projetado para o leite no Rio Grande do Sul em abril é de R$ 2,5333. A previsão, divulgada nesta terça-feira (28/04) pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS), representa alta de 10,47% em relação ao projetado para o mês de março, que foi de R$ 2,2932. O encontro reuniu representantes da cadeia produtiva na sede da Federação da Agricultura do RS (Farsul), integrando produtores, indústrias e lideranças das entidades do setor.

O Conseleite/RS também divulgou o valor consolidado do litro em março de 2026 em R$ 2,3721, 11,67% acima do dado final de fevereiro (R$ 2,1243). Os indicadores divulgados pelo Conseleite são elaborados pela UPF com base em dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês.

Os dados indicam recuperação real do mercado do leite no Rio Grande do Sul depois de um período longo de queda e de dificuldades de remuneração no campo e na indústria. A sinalização de alta veio nos primeiros meses do ano de forma mais tímida e se consolida com os dados apresentados nesta terça-feira. Otimista, o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes (Fetag), pontuou a força e a legitimidade do Conseleite para apaziguar as relações no segmento. “Quando o mercado está em baixa, se bate na metodologia e nos cálculos. Este momento é ideal para reforçar a importância desse colegiado e sua legitimidade. Temos a prova real dessa metodologia que são os demais Conseleites do Brasil. Estamos realmente captando a tendência do mercado”, garantiu Prestes. Posição compartilhada pelo vice-coordenador do Conseleite, Darlan Palharini (Sindilat). “Estamos em um bom momento. Precisamos trabalhar agora para manter esses preços por mais tempo, e isso passa por garantir o escoamento do leite brasileiro para diferentes mercados. Apesar de o poder de compra do brasileiro ser baixo e do alto endividamento das famílias, o ano eleitoral deve ajudar a injeção de recursos na economia com a antecipação dos 13º salários dos aposentados e liberação de recursos do FGTS”, salientou. Contudo, Palharini alertou que a produção no campo deve se recuperar nos próximos meses no mercado doméstico. Sugeriu ainda que as entidades participantes do Conseleite fiquem atentas para coibir o aumento das importações de leite da Argentina, tendo em vista a alta produção daquele país.

Durante a reunião, o Conseleite também deliberou pelo envio de ofício aos Ministérios da Agricultura e Pecuária, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar como forma de alerta ao governo federal sobre a crise decorrente do excesso de importações de leite pelo Brasil. Prestes frisou que é essencial manter o tema na pauta dos ministros para garantir o enfrentamento constante da situação.


O futuro da produção de leite: relatório McKinsey revela quais devem ser as prioridades do setor

A pesquisa anual da empresa de consultoria McKinsey & Company, realizada com executivos de laticínios na América do Norte e Europa, mostra uma indústria que enfrenta intensa pressão de custos e margens, mesmo com o crescimento da demanda. Entenda a agenda de liderança para o próximo ano.

Nos primeiros meses de 2026, os laticínios nos Estados Unidos e na Europa encontram-se operando em um ambiente desafiador: definido por inflação de custos persistente, restrições de mão de obra, volatilidade de insumos e incerteza crescente em relação ao comércio e regulamentação, particularmente na Europa. Ao mesmo tempo, os riscos do lado da oferta estão aumentando à medida que os produtores lidam com questões de saúde animal (como a gripe aviária altamente patogênica, a larva-varejeira do Novo Mundo e a língua azul), além de interrupções relacionadas ao clima e restrições estruturais no crescimento da oferta de leite em diversos mercados europeus.

Ainda assim, a demanda principal permanece resiliente. Os consumidores continuam a priorizar os laticínios como uma fonte primária de nutrição, sustentando o crescimento em categorias-chave mesmo em um cenário macroeconômico mais cauteloso. Para os executivos, essas correntes cruzadas se traduzem em um imperativo claro: proteger as margens e a execução no curto prazo, enquanto investem seletivamente em temas de crescimento duradouros — mais notavelmente, a inovação liderada por proteínas.

Sobre a pesquisa

Foram entrevistados, conjuntamente, 204 executivos do setor de laticínios (116 nos EUA e 88 na Europa) e conduziram entrevistas com 41 executivos. Os participantes vieram de diversos tipos de empresas — incluindo processadores, varejistas e empresas de embalagens. A maioria das empresas participantes tem sede nos EUA e na Europa (Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Espanha e Reino Unido).

Quais são as principais prioridades dos executivos de laticínios?

Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, a gestão de custos e o crescimento de volume estão entre as principais prioridades estratégicas. As prioridades dos executivos americanos são amplamente semelhantes às do ano passado. O talento está no topo da agenda dos líderes dos EUA, mas é menos prioritário na Europa. A sustentabilidade, por outro lado, continua sendo uma prioridade máxima na Europa, mas não nos Estados Unidos.

Disciplina de custos e margens

Em todas as regiões, a inflação de custos e a volatilidade dos preços das commodities continuam a comprimir as margens. Aproximadamente 65% dos entrevistados nos EUA classificam a gestão de custos entre suas três principais prioridades — em linha com 2024 (69%) e acima de 2023 (48%) — refletindo aumentos sustentados nos custos de matérias-primas e logística. Os líderes europeus relatam pressão semelhante.

Essas pressões são evidentes nos resultados das margens. Nos EUA, quase 70% das empresas de laticínios pesquisadas relataram margens estagnadas ou decrescentes em 2025. A Europa mostra uma dinâmica comparável, com 57% relatando o mesmo cenário. "Os altos custos de matérias-primas e logística espremeram nossas margens, forçando-nos a buscar eficiências em outras áreas do negócio.", apontou um executivo de laticínios da América do Norte.

Crescimento de receita e volume

Em ambos os mercados, o crescimento de receita e volume continua sendo prioridade estratégica. Cerca de 55% dos processadores americanos e 65% dos europeus classificam o crescimento de volume como prioridade máxima. Os líderes europeus são mais contidos: cerca de 40% esperam que seus volumes permaneçam estáveis ou diminuam, possivelmente refletindo preocupações com restrições de oferta. O otimismo quanto à receita é compartilhado: 87% dos entrevistados americanos e 84% dos europeus antecipam aumentos de receita nos próximos três anos, impulsionados pela demanda por proteína.

Talentos e mão de obra

Este é um ponto de grande divergência. Nos EUA, 61% citam o talento como prioridade máxima, enfrentando desafios na retenção de mão de obra fabril e operacional. Na Europa, apenas 18% citam o talento como prioridade estratégica no nível do processador, embora a escassez de mão de obra seja uma preocupação nas fazendas.

Iniciativas de sustentabilidade

Na Europa, 53% dos executivos classificam a sustentabilidade entre suas três principais prioridades, contra apenas 16% nos EUA. O foco mudou de narrativas amplas de ESG para uma execução pragmática: conformidade regulatória, redução de emissões e eficiência operacional (como redução de metano e otimização de água e energia).

"As pessoas podem dizer que querem alimentos sustentáveis, mas, no momento, os consumidores não estão preparados para pagar por isso." — Executivo de laticínios europeu.

As preocupações dos líderes são consistentes com suas prioridades?

Nos EUA, as preocupações (lucratividade e economia doméstica) estão alinhadas com as prioridades. Já na Europa, há uma desconexão: os líderes citam a segurança de suprimento (45%) e a escassez de mão de obra (37%) como maiores preocupações, à frente da lucratividade. Isso reflete um ambiente onde restrições estruturais e regulamentações ambientais mais rigorosas moldam o que é viável.

O envelhecimento da população agrícola agrava essas pressões. 64% dos executivos expressam preocupação com a sucessão nas fazendas, notando que o número de agricultores diminui mais rápido do que o volume de leite, sinalizando uma fragilidade estrutural.

O papel da inteligência artificial e da tecnologia

Embora os líderes reconheçam o potencial de produtividade da inteligência artificial, a adoção é seletiva. Cerca de 70% das organizações estão em fases piloto. Barreiras incluem preocupações com segurança, falta de expertise e ROI (retorno sobre investimento) incerto.

No entanto, a McKinsey nota um fosso de desempenho: líderes digitais em mercados de consumo e agrícolas geraram retornos totais aos acionistas significativamente maiores entre 2019 e 2024 do que seus pares, sugerindo que o investimento digital será um diferencial competitivo crucial.

Conclusões

O sucesso para os líderes de laticínios em 2026 exige foco e determinação, fundamentando-se em um manual estratégico que prioriza a proteção das margens por meio de uma gestão de custos rigorosa e disciplina operacional. De acordo com a consultoria, as empresas devem buscar a expansão lucrativa de volume ancorada na inovação de proteínas, ao mesmo tempo em que estabilizam seus pipelines de talentos, especialmente em funções operacionais qualificadas para capturar a próxima onda de crescimento.

Esse caminho envolve ainda a priorização de uma sustentabilidade pragmática, capaz de entregar impacto mensurável e valor ao negócio, além de investimentos deliberados em inteligência artificial com casos de uso claros e responsabilidade econômica. Em última análise, os líderes que combinarem essa execução disciplinada com aportes sustentados nas capacidades essenciais estarão melhor posicionados para enfrentar a volatilidade e prosperar no setor.

As informações são da McKinsey & Company, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2% em 2025

Avanço foi sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro avançou 12,2% em 2025 sobre o ano anterior, sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional, que também impulsionou os agrosserviços. Os números, divulgados ontem, foram calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Segundo o Cepea/CNA, o PIB do agronegócio alcançou R$ 3,20 trilhões no ano passado, sendo aproximadamente R$ 2,06 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão no ramo pecuário, a preços do quarto trimestre.

Com esse resultado, a participação do agronegócio na economia brasileira foi de 25,13% em 2025, acima dos 22,9% registrados no ano anterior.

A CNA destacou que, apesar da expressiva expansão registrada no acumulado do ano, o resultado foi impulsionado, principalmente, pela elevação dos preços reais ao longo do período.

“Com a incorporação dos dados referentes ao último trimestre do ano, o desempenho do PIB do agronegócio foi relativamente mais contido do que aquele projetado pelas análises parciais. Mesmo assim, o resultado mostrou um crescimento importante, sustentado tanto pelo aumento da produção quanto pela manutenção de preços reais em patamares superiores aos observados em 2024”, afirmou a entidade em comunicado.

Entre os segmentos do agro, o PIB dos insumos cresceu 5,37%, impulsionado pelos insumos agrícolas, especialmente fertilizantes, defensivos e máquinas. Já os insumos de base pecuária recuaram, influenciados pela queda no valor da produção da indústria de rações.

No segmento primário, o crescimento foi expressivo (17,06%), segundo os cálculos, sustentado tanto pelo aumento da produção agrícola, com destaque para milho e café, quanto pela combinação de preços mais elevados e maior produção na pecuária.

Na agroindústria, o desempenho foi heterogêneo: as atividades de base agrícola recuaram 3,33%, pressionadas pela queda dos preços industriais, enquanto as de base pecuária avançaram 36,54%, influenciadas pela valorização dos preços e pela expansão da produção.

Os agrosserviços também tiveram avanço significativo no ano passado (13,76%), “refletindo principalmente o dinamismo da pecuária”, de acordo com os cálculos do Cepea/CNA. (Valor Econômico)


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MILHO/CEPEA: Agentes voltam as atenções ao clima
A colheita da safra verão do milho está na reta final e a semeadura da segunda safra está praticamente finalizada. Assim, agentes do setor consultados pelo Cepea voltam as atenções ao clima quente e seco e aos possíveis impactos desse cenário sobre o desenvolvimento destas lavouras. Segundo pesquisadores do Cepea, até o momento, a produção da segunda safra 2025/26 segue estimada para ser levemente inferior à temporada 2024/25, mas ainda será elevada. Entretanto, a irregularidade das chuvas nos últimos dias e a previsão de volume ainda pequeno, além das altas temperaturas em parte de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná, deixam produtores em alerta. No spot, as negociações envolvendo o milho ainda seguem limitadas, devido à demanda enfraquecida – consumidores priorizam o uso dos estoques e adquirem novos lotes apenas de forma pontual, apontam pesquisadores do Cepea. Compradores também estão de olho nos bons volumes dos estoques de passagem da temporada 2024/25 e na maior colheita da safra verão 2025/26 e, com isso, mantêm expectativas de preços menores nas próximas semanas. Muitos vendedores, contudo, voltaram a limitar o volume no spot, à espera de reação nos valores, fundamentados nas atuais especulações climáticas. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


Porto Alegre, 27 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.618


RAR Agro & Indústria lança app para leitura de rótulos e inova em acessibilidade e inclusão

A solução tecnológica foi desenvolvida para facilitar o acesso à informação por pessoas com dificuldades de leitura, promovendo mais autonomia para idosos, pessoas com dislexia, não alfabetizadas ou com deficiência visual.

A RAR Agro & Indústria integrou, em parte de seus produtos, uma nova solução tecnológica em formato de aplicativo visando a inclusão e responsabilidade social de pessoas com dificuldades de leitura. A iniciativa promove mais autonomia para idosos, pessoas com dislexia, não alfabetizadas ou com deficiência visual.

“Acreditamos que a inovação deve caminhar junto com a inclusão. Ao integrar nossos produtos ao aplicativo, reforçamos o compromisso de tornar a experiência de consumo mais acessível e democrática, garantindo que mais pessoas possam acessar informações de forma autônoma e segura”, destaca Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria.

Por meio da câmera do celular, o aplicativo é capaz de descrever informações presentes em rótulos, além de identificar lugares, pessoas e objetos. A navegação é organizada em uma interface segmentada, permitindo que o usuário selecione exatamente o tipo de informação que deseja consultar.

Neste primeiro momento, três produtos da marca passam a contar com a funcionalidade: Gran Formaggio Rar fracionado 200g, Gran Formaggio Rar fracionado 300g e Gran Formaggio Rar lascas 150g, ampliando o acesso à informação e tornando a experiência de consumo mais inclusiva para diferentes perfis de público.

As informações são da RAR Agro & Indústria, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Conseleite/MG divulga projeção do valor de referência do leite a ser pago em maio/26

O Conseleite/MG divulga a projeção do valor de referência do leite entregue em abril a ser pago em maio. Confira!

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 24 de Abril de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:

a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Fevereiro/2026 a ser pago em Março/2026.

b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Março/2026 a ser pago em Abril/2026.

c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Abril/2026 a ser pago em Maio/2026.


Períodos de apuração:

Mês de fevereiro/2026: de 01/02/2026 a 28/02/2026
Mês de março/2026: de 01/03/2026 a 31/03/2026
Parcial de abril/2026: de 01/04/2026 a 20/04/2026

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

As informações são do Conseleite/MG.

 

 

Renda para consumo do brasileiro é a menor em mais de uma década, diz consultoria

Sobra após gastos essenciais, pagamento de dívida e imposto fica menor em 2026, indica Tendências

Tem sobrado menos dinheiro no fim do mês para as famílias brasileiras gastarem com consumo que não seja de itens básicos e o pagamento de impostos e dívidas. Isso pode ajudar a explicar o desconforto do eleitorado com o cenário econômico e a piora na avaliação do governo federal, apesar do emprego e da renda com o trabalho pujantes no país. O tema, inclusive, entrou no radar das campanhas presidenciais.

A renda disponível das famílias após gastos com itens essenciais, impostos e serviços da dívida está no nível mais baixo desde 2011, quando começa a série da Tendências Consultoria. 

Em fevereiro, a “sobra” da massa de renda ampliada das famílias depois de arcar com essas despesas era de 21%, segundo a consultoria. No início de 2024, era de 23,6%. É uma deterioração bastante expressiva em pouco tempo, observa Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de macroeconomia e análise setorial. O pico do indicador foi atingido em março de 2011 (27,2%) e, depois, em junho de 2020 (27%).

O indicador parte da massa de renda ampliada das famílias, que considera o salário, mas também outras fontes, como previdência, benefícios sociais, aluguéis e dividendos. Do total é retirada a inflação de itens essenciais em habitação (aluguel e taxas; combustíveis e energia, como gás de botijão e conta de luz), transportes (transporte público; combustível veicular), saúde e cuidados pessoais (produtos farmacêuticos e óticos; serviços de saúde), comunicação, educação e alimentação no domicílio. São considerados as variações e os pesos do IPCA. 

Também é abatido o pagamento de juro e principal das dívidas, considerando a média das linhas de crédito do Banco Central. Mas a Tendências faz adaptações, por exemplo, ao enquadrar também como crédito o parcelamento de compras no cartão. Por fim, são usados dados da Receita para descontar Imposto de Renda e contribuições previdenciárias. “É um indicador do que sobra para outros tipos de consumo”, diz Ribeiro. (Valor Econômico)


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CEPEA: O Boletim do Leite de abril
A pesquisa do Cepea, da Esalq/USP, mostra que a “Média Brasil” do leite ao produtor subiu 5,43% em fevereiro/26 e fechou a R$2,1464/litro, registrando a segunda alta mensal consecutiva. O preço, contudo, ainda está 25,45% abaixo do registrado em fevereiro/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de fevereiro/26). Os preços dos derivados lácteos seguiram em alta em março, conforme indicam pesquisas do Cepea, realizadas com o apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). Esse movimento esteve atrelado à valorização do leite cru, que, por sua vez, foi impulsionada pela redução da oferta no campo – reflexo da sazonalidade e da moderação dos investimentos na atividade –, o que intensificou a competição da indústria pela matéria-prima. Tanto as importações quanto as exportações brasileiras de lácteos aumentaram em março, e as aquisições avançaram de forma mais expressiva. Segundo dados da Secex analisados pelo Cepea, as importações subiram 33,3% frente a fevereiro, chegando a 242,65 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL). Os embarques, por sua vez, registraram alta mais modesta, de 11,2%, somando 5,6 milhões de litros EqL. Apesar da estabilidade no preço da ração, a elevação das despesas relacionadas às operações agrícolas impulsionou um aumento de 0,46% no Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira na “Média Brasil” em março. Com o resultado, o primeiro trimestre encerrou-se com uma alta acumulada de 2,11% no COE. Acesse o boletim na íntegra clicando aqui. (CEPEA editado pelo Sindilat)


Porto Alegre, 24 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.617


Nota fiscal em papel não poderá mais ser utilizada por produtores rurais do Rio Grande do Sul a partir de maio

Esta é a etapa final do processo que ocorre desde 2021, quando teve início a substituição da nota em papel pela nota eletrônica

O governo do Estado, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), informa que os produtores rurais do Rio Grande do Sul devem ficar atentos às novas alterações na documentação fiscal. A partir de 1º de maio, a nota fiscal em papel, conhecida como “talão do produtor”, não poderá mais ser utilizada. Será preciso emitir a nota eletrônica.

A documentação eletrônica já era obrigatória desde janeiro para os mais de 800 mil produtores rurais que atuam no território gaúcho. No entanto, a Sefaz, por meio da Receita Estadual, havia autorizado que talões já impressos pudessem seguir sendo utilizados até o mês de abril. A partir de maio, caso as notas eletrônicas não sejam emitidas, as transações ficam sem documentação fiscal, o que é considerado descumprimento da legislação tributária.

Produtores rurais poderão usar notas fiscais em papel remanescentes até 30 de abril

“Esta é a etapa final de um processo que vem acontecendo desde 2021, que é a substituição gradual da nota em papel pela nota eletrônica. Desde lá, temos dialogado com os produtores para garantir tempo para adaptação e para oferecer recursos que os ajudem a seguir em conformidade”, explica o subsecretário adjunto da Receita Estadual Luís Fernando Crivelaro.

A obrigatoriedade da nota eletrônica segue norma definida pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e está sendo colocada em prática em outros estados brasileiros. A modernização traz mais agilidade e segurança na emissão de notas, reduzindo burocracias, minimizando falhas no preenchimento dos dados e evitando o risco da perda de documentos. A mudança também antecipa a realidade após a Reforma Tributária, quando notas em papel devem ser completamente retiradas de circulação.

Como emitir nota eletrônica

A alternativa recomendada pela Sefaz para a emissão de nota eletrônica é o aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), disponível gratuitamente para download em celulares. Em quatro meses, o número de produtores rurais cadastrados no app cresceu 64,6% - são 214,8 mil hoje, sendo que, em dezembro de 2025, eram 130,4 mil. No último mês, 276 mil notas fiscais foram emitidas pela ferramenta.

Receita Estadual alerta cerca de 3,4 mil empresas gaúchas que podem ser excluídas do Simples Nacional

O NFF é considerado de uso simples e intuitivo, de forma que toda a complexidade tributária fica a cargo da Receita Estadual. Ele conta com uma funcionalidade de uso off-line para atender profissionais que trabalham no campo, muitas vezes sem internet.

Para ajudar os produtores a usar a ferramenta com propriedade, a Sefaz produziu um manual e três tutoriais em vídeo, com instruções sobre diferentes recursos. Acesse os tutoriais clicando aqui.

Mudança escalonada
A obrigatoriedade da nota eletrônica foi implantada aos poucos, buscando garantir aos produtores rurais tempo para se adaptar à novidade. A mudança começou em 2021 pela faixa dos que têm maior faturamento e, então, foi expandida para pequenos produtores.

A Receita Estadual tem dialogado com o setor sobre a implementação da norma. Em diversos momentos, atendendo a pedidos de entidades rurais, a entrada em vigor foi adiada. Isso ocorreu, inclusive, após as enchentes de 2024, que causaram prejuízos para profissionais da área.

Receita Estadual inicia envio de comunicados prévios para estimular regularização de débitos de ICMS antes do ajuizamento

Apesar de o NFF ser a principal ferramenta para emissão de notas eletrônicas, sendo recomendada pela Sefaz, há outras. Uma delas é a Nota Fiscal Avulsa (NFA-e), também gratuita e indicada para operações mais complexas, como, por exemplo, as de exportação.

Há ainda soluções oferecidas por associações e por cooperativas, e é permitido o desenvolvimento de modelos próprios. (Seapi)


Conseleite Santa Catarina

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 24 de Abril de 2026 
atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Março de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Abril de 2026. 

O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão. (Conseleite SC)

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1916 de 23 de abril de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 

As condições meteorológicas favoreceram o bem-estar dos animais. Porém, a disponibilidade e a qualidade das pastagens ainda são limitantes em parte das propriedades, exigindo o uso de suplementação com silagem e concentrados. Observou-se aumento na incidência de ectoparasitas, como carrapatos e moscas, em algumas regiões, o que demanda maior atenção ao manejo sanitário. As atividades seguem dentro da rotina produtiva, com ajustes nutricionais e manejo das áreas de pastagem, além de ações voltadas à sanidade e à gestão de dejetos. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, o bem-estar dos animais foi favorecido pelas temperaturas mais amenas. Foi utilizada silagem de milho para a suplementação de volumosos, e aguarda-se a altura mínima para o pastoreio das vacas. Houve necessidade de tratamento de alguns casos de mastite.  

Na de Ijuí, a produção está estável em relação ao período anterior. No município sede, aumentou a procura por materiais para a confecção de esterqueiras e correta destinação dos dejetos animais. A infestação por carrapatos diminuiu, e a sanidade do rebanho está adequada.  

Na de Pelotas, em algumas propriedades, os produtores têm intensificado o uso das pastagens em parte das áreas, apesar das limitações na oferta e na qualidade da forragem. Houve aumento na incidência de carrapatos e moscas, demandando maior atenção ao manejo sanitário. 

Nas de Santa Maria e Santa Rosa, os indicadores produtivos estão dentro da normalidade esperada para o período. Em algumas propriedades, houve necessidade de suplementação alimentar.  (Emater editado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Previsão indica chuva para o fim de semana em várias regiões do Estado
Para o final de semana, a previsão é de instabilidade em várias regiões do Rio Grande do Sul. O tempo deve oscilar entre condições instáveis e estáveis em grande parte do território gaúcho. Os acumulados de chuva podem variar entre fracos e moderados, sendo pontualmente fortes.  No domingo (26/4), o tempo ainda deve ficar instável em algumas regiões e a estabilidade tem previsão de volta a partir de segunda-feira (27/4) em praticamente todo território do RS. As informações constam no Boletim Integrado Agrometeorológico 17/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Segunda (27/4), terça (28/4) e quarta-feira (29/4): o tempo deve voltar a ficar estável em praticamente todo o território gaúcho. Não há previsão de chuva significativa e as temperaturas devem entrar em declínio. Assim, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 e 100 milímetros (mm) ao longo da semana, com alguns pontos isolados que podem ultrapassar esse valor. Na metade Sul, os acumulados podem ser menores, não ultrapassando os 20 mm. O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.


Porto Alegre, 23 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.616


Como esta empresa gaúcha quer faturar R$ 1 bilhão com maçãs, queijos e vinhos de luxo

Grupo reorganiza estrutura de gestão enquanto expande portfólio que vai do campo à mesa — e aposta em qualidade para crescer sem entrar na guerra de volume

No alto da Serra Gaúcha, fica um negócio que não se contentou em fazer apenas uma coisa bem feita.

Começou com maçãs — quando o Brasil ainda importava quase tudo que consumia — e, ao longo de cinco décadas, virou um portfólio que inclui queijos tipo grana, vinhos, embutidos e até azeite.

Hoje, a RAR, fundada por Raul Anselmo Randon - o mesmo fundador da bilionária Randoncorp - fatura cerca de 550 milhões de reais. E quer mais: a meta é chegar a R$1 bilhão até 2034.

Para isso, a empresa decidiu fazer um movimento típico de companhias que entram em um novo ciclo: reorganizar a casa.

“Alcançamos avanços importantes nos últimos anos e, para sustentar esse ritmo e seguir em direção à nossa visão de R$ 1 bilhão, entendemos que este é o momento de fortalecer a governança e ampliar a capacidade de gestão do negócio”, diz Sérgio Martins Barbosa, presidente da RAR

A mudança inclui a promoção de executivos formados dentro da própria empresa, como Jiovani Foiatto, que assume a diretoria da unidade de gastronomia, e Raquel Manfredi Pandolfo, que passa a liderar a que passa a liderar a diretoria executiva.

Mais do que uma troca de cargos, é uma tentativa de preparar a operação para uma escala maior, sem perder o controle sobre a qualidade.

Qual é a história da RAR

A história da RAR começa na década de 1970, quando o Brasil dependia de importações para abastecer o mercado de maçãs. “Naquela época, praticamente 97% do consumo vinha de fora", diz Barbosa.

Foi nesse contexto que Raul Randon decidiu plantar os primeiros 70 hectares em Vacaria, cidade a cerca de 120 quilômetros de Caxias do Sul.

O início não foi simples. Antes mesmo da primeira colheita, vieram uma chuva de granizo e uma seca intensa. Ainda assim, o resultado foi suficiente para convencer o fundador a seguir adiante.

O plantio cresceu — hoje são cerca de 1.500 hectares — e a maçã se tornou o principal negócio da companhia, responsável por quase metade da receita.

Mas o que diferencia a RAR não é a origem na fruticultura. É o que veio depois.

“Inquieto”, como descreve o atual presidente, Raul Randon decidiu diversificar. A entrada nos queijos nasceu quase por acaso, a partir de um haras que incluía uma pequena produção de leite. A virada veio com a ambição de fazer algo diferente do padrão nacional.

“A ideia não era fazer mais um queijo. Era fazer um queijo premium, um tipo grana”, diz Barbosa.

Para isso, a empresa buscou tecnologia na Itália e trouxe especialistas ao Brasil. O desafio, porém, era outro: a qualidade do leite. Como o produto seria feito com leite cru, era necessário um padrão que praticamente não existia no país.

A solução foi radical. A RAR importou vacas dos Estados Unidos e estruturou sua própria produção. “Hoje, são cerca de 50 mil litros de leite por dia, e 100% disso vai para o nosso queijo”, afirma o executivo.

Crescer sem entrar na guerra de volume

A diversificação continuou. Vieram os vinhos, inicialmente produzidos para uma comemoração familiar e que depois se transformaram em linha comercial. Hoje, a empresa tem dezenas de rótulos, incluindo vinhos, espumantes e importados.

Depois, entraram os embutidos e o azeite. Nem todos os movimentos deram certo — como a tentativa de produção própria de oliva em escala maior —, mas a lógica se manteve: construir um portfólio coerente, ancorado em qualidade.

Essa estratégia passa, necessariamente, por uma escolha clara: não competir por volume. “A gente escala a empresa dentro do nosso segmento, que é o premium. A gente não vai para o lado do ‘bastantão’, porque aí a disputa é muito grande e exige muito investimento”, diz Barbosa.

Na prática, isso significa crescer de forma mais lenta — e mais controlada. Em vez de buscar grandes contratos ou massificar a produção, a RAR aposta na expansão gradual da distribuição.

“Tem pontos no Brasil onde a gente ainda não chegou. Então a gente vai abrindo mercado com estrutura. Não adianta chegar hoje e não conseguir abastecer amanhã”, afirma.

Essa expansão inclui desde grandes centros até destinos turísticos. “Você vai para o litoral, para o Norte, para lugares como Fernando de Noronha, e encontra nossos produtos. Isso é fruto de distribuição bem feita”, diz.

Exportação, resiliência e o Brasil como desafio

A lógica de diversificação também aparece na atuação internacional. A RAR exporta maçãs para mais de 20 países e mantém uma estratégia de presença contínua — mesmo quando as margens não são ideais. “O mercado brasileiro sobe e desce. A exportação é uma forma de equilibrar. Mesmo quando não está tão bom, a gente continua, nem que seja com volumes menores”, afirma Barbosa.

Hoje, a empresa projeta exportar cerca de 10 mil toneladas de maçã, com presença em mercados como Europa e Ásia. Ao mesmo tempo, o ambiente doméstico impõe desafios. Juros altos, inadimplência e custos crescentes afetam o consumo, inclusive no segmento premium.

“A gente sentiu, claro. Seria mentira dizer que não. Mas, com canais bem estruturados e produtos diferenciados, a gente consegue atravessar esses momentos”, diz.

O executivo também aponta dificuldades estruturais do país, especialmente na cadeia do leite. “No Brasil, o produtor é um herói. Em outros países, como na Itália, há incentivo direto. Aqui, a gente precisa se virar”, afirma.

O próximo salto

Para chegar ao R$1 bilhão, a RAR aposta em um planejamento de longo prazo, algo natural em um negócio agrícola, onde ciclos podem levar anos.

“No queijo, por exemplo, estamos falando de até 24 meses entre produção e venda. Na maçã, leva anos para o pomar atingir o potencial. Então tudo é planejado com muita antecedência”, diz Barbosa.

No caso da RAR, esse equilíbrio começa no campo, e termina, cada vez mais, em produtos que querem ocupar um espaço específico na mesa do brasileiro: menos volume, mais valor. (Exame)


GDT 402º registra nova queda e indica continuidade do ajuste nos preços globais

O resultado do GDT 402º reforça um mercado mais cauteloso após a sequência recente de altas, indicando um movimento mais claro de ajuste nos preços internacionais dos lácteos.

O 402º leilão da Global Dairy Trade (GDT) apresentou recuo de 2,7% no price index, com o preço médio dos produtos negociados atingindo USD 4.143/tonelada. O resultado reforça um mercado mais cauteloso após a sequência recente de altas, indicando um movimento mais claro de ajuste nos preços internacionais dos lácteos.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Entre os derivados, o leilão concentrou quedas nas cotações. A gordura anidra do leite registrou o recuo mais expressivo do evento, com queda de 9,6%, sendo negociada a USD 6.357/tonelada, indicando um ajuste após patamares mais elevados. A manteiga também apresentou retração relevante, de 7,9%, com preço médio de USD 5.702/tonelada.

Nos leites em pó, o comportamento foi misto. O leite em pó integral (LPI) registrou estabilidade, com leve recuo de 0,6%, cotado a USD 3.666/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) avançou 3,2%, atingindo USD 3.448/tonelada, refletindo dinâmicas distintas de oferta e demanda entre os produtos.

Gráfico 2. Preço médio LPI

Entre os queijos, a muçarela apresentou queda de 3,1%, sendo negociada a USD 3.850/tonelada, enquanto o cheddar registrou leve alta de 1,1%, com preço médio de USD 4.798/tonelada. Já a lactose se destacou positivamente, com valorização de 7,2%, atingindo USD 1.573/tonelada, sendo o derivado com maior avanço no leilão.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 21/04/2026

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Em relação ao volume negociado, o leilão registrou retração frente à edição anterior, com queda de 9,1%, totalizando 14.993 toneladas comercializadas. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume também foi inferior, com recuo de 10,3%, refletindo uma menor disponibilidade de produtos no mercado internacional e  um cenário de negociações mais moderadas. Do lado da demanda, o número de participantes foi de 160 no último leilão para 147, mostrando uma certa desaceleração da demanda. 

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) voltaram a se valorizar no final de abril. Os contratos com vencimento entre maio e julho apresentaram recuperação nos preços após os recuos observados nas últimas sessões.

Esse movimento reflete, por um lado, a continuidade de um cenário de oferta internacional mais ajustada, o que dá suporte às cotações. Por outro, a pressão no curto prazo vinha sendo influenciada por um ambiente global de maior incerteza, associado às tensões geopolíticas. Com sinais recentes de trégua entre os países envolvidos, observa-se uma redução dessa pressão, contribuindo para a retomada dos preços futuros.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

A sequência recente de recuos no GDT indica um momento de maior cautela no mercado internacional, após o ciclo de altas observado anteriormente. Esse movimento reduz a sustentação dos preços globais, especialmente para o leite em pó, e tende a aumentar a competitividade do produto importado no Mercosul, com reflexos nas negociações no Brasil.

No cenário global, a combinação entre ajuste sazonal da oferta em importantes regiões exportadoras e uma postura mais cautelosa dos compradores, em meio às incertezas geopolíticas, tem contribuído para um ambiente de preços mais pressionados. Ainda assim, os sinais observados nos contratos futuros indicam que esse movimento pode ser transitório, com possibilidade de recomposição no curto prazo.

No Brasil, os derivados começam a refletir esse contexto, com sinais de correção após semanas consecutivas de alta. Apesar disso, o mercado doméstico ainda encontra suporte na menor disponibilidade de leite típica da entressafra, o que tende a suavizar quedas mais intensas.

Por fim, o câmbio adiciona um fator relevante a essa dinâmica. Com o dólar em patamares mais baixos, a competitividade dos produtos importados aumenta, podendo reforçar o fluxo de importações e limitar avanços nos preços internos. Dessa forma, o mercado brasileiro deve seguir em um ambiente mais equilibrado no curto prazo, com movimentos condicionados à evolução do cenário internacional, da oferta doméstica e das condições de importação. (Milkpoint)

Emissão de certidões e certificados de Alimentos registrados e notificados já pode ser feita pelo Solicita

Documentos podem ser obtidos diretamente via autosserviço

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dá mais um passo estratégico em sua transformação digital. A partir de agora, a emissão de certidões e certificados para alimentos registrados e notificados pode ser realizada via autosserviço, diretamente pelo sistema Solicita.

A nova funcionalidade utiliza a base de dados da Agência para gerar documentos eletrônicos de forma automática. Com isso, o próprio usuário gera o documento instantaneamente, eliminando a necessidade de análise ou intervenção dos técnicos da Anvisa.

A nova certidão substitui a Certidão de Venda Livre para Exportação de Alimentos (CVLEA) emitida pela Anvisa quando o objetivo do documento for apenas comprovar a vigência do registro sanitário.

Para a emissão da CVLEA para atender requisitos sanitários específicos do país de destino, o fluxo permanece o mesmo: a solicitação deve ser feita via Portal Gov.BR, direcionada ao órgão do SNVS responsável pelo licenciamento do estabelecimento fabricante.

A emissão é  feita de maneira totalmente automática, por meio de uma nova opção do sistema Solicita. 

Entenda o passo a passo clicando aqui. 

As informações são da Anvisa


Jogo Rápido

PAÍSES BAIXOS: pagarão € 1.606 por vaca leiteira para reduzir o rebanho.15/04/2026
A Comissão Europeia aprovou um plano de 615,7 milhões de euros que incentiva os agricultores holandeses a reduzirem voluntariamente a sua população de vacas leiteiras ao longo de três anos, com compensação direta e condições rigorosas de manutenção das pastagens. Compensação pela redução estrutural: Os agricultores participantes deverão manter entre 10% e 20% menos vacas leiteiras do que a média de 2025. Em contrapartida, receberão uma compensação de € 1.606 por vaca por ano pela perda de rendimento e a renúncia aos seus direitos de exploração de fosfato — que expirarão permanentemente. Além disso, os bancos holandeses oferecerão aos participantes taxas de juro reduzidas nos seus investimentos sustentáveis. O programa estará aberto de 1º de junho a 29 de julho , com as inscrições sendo processadas por ordem de chegada. Os animais devem ser removidos em até quatro semanas após a aprovação. Embora as obrigações permaneçam em vigor por três anos, após esse período os produtores poderão aumentar seus rebanhos novamente, desde que arrendem ou comprem novos direitos de exploração de fosfato. Restrições e objetivos ambientais: Como condição adicional, a área de pastagens não pode diminuir durante os três anos de vigência do programa . Além disso, a posse de animais adicionais — vacas jovens, ovelhas, cabras ou cavalos — é proibida. O Ministério holandês planeja reduzir a população de animais em, no máximo, 64.000 vacas, o equivalente a 4% do rebanho leiteiro nacional , com um orçamento total de € 627 milhões.( Agrodigital via Ocla)


Porto Alegre, 22 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.615


Escala 6x1: representantes do agro criticam mudanças no campo

Associações afirmam que o PL pode aumentar custos e prejudicar a competitividade do setor

O Projeto de Lei 1838/2026, que propõe a redução da jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas e a ampliação para dois dias de descanso semanal remunerado, voltou a ser debatido nesta semana por diferentes setores. Na terça-feira (14/4), o presidente Lula assinou uma mensagem presidencial formalizando o envio do PL ao Congresso Nacional, com urgência constitucional.

Diante disso, diferentes entidades do agronegócio se posicionaram sobre as mudanças no sistema de trabalho. Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), caso a proposta seja promulgada, os impactos sobre o setor podem superar a média nacional. Áreas como agropecuária, construção e comércio podem ter um custo adicional que varia entre 7,8% e 8,6%, de acordo com estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgado no mês passado.

O Sistema Faep, composto pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e pelos sindicatos rurais, encaminhou, nesta sexta-feira (17/4), um ofício aos deputados federais e senadores solicitando a não aprovação da proposta.

Segundo a entidade, a mudança compromete a eficiência produtiva, eleva os custos e afeta a competitividade do setor. Além disso, a redução da jornada no meio rural geraria um impacto de R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária do Paraná, considerando uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, conforme levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

A entidade afirma ainda que, com a aprovação do PL, será necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional” e defende que a decisão seja baseada em critérios técnicos, com análise dos impactos econômicos e sociais, e não em motivações eleitoreiras.

Outras entidades ligadas ao agronegócio também se manifestaram sobre o fim da escala 6x1. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) afirmou reconhecer a legitimidade do debate, especialmente no que diz respeito à modernização e à qualidade do trabalho e da vida dos trabalhadores. Ainda assim, assim como o Sistema Faep, defende que qualquer mudança seja baseada em análises técnicas, respeite um período de transição e considere as diferenças entre os setores, de modo a minimizar impactos negativos sobre emprego, renda e custo de vida.

“Alterações que pressionem custos e desorganizem cadeias produtivas de bens essenciais tendem a afetar diretamente o acesso aos alimentos e a segurança alimentar, penalizando de forma mais intensa as famílias de menor renda”, afirmou a ABIA, em nota.

A Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também se reuniu na tarde desta quinta-feira (16/4) para discutir o tema e a segurança trabalhista no campo.

O presidente da comissão, Humberto Miranda, destacou a importância do diálogo com a sociedade sobre propostas que alteram o modelo atual de jornada e escala de trabalho. Já o representante de Relações do Trabalho da CNA, Rodrigo Hugueney, defendeu que eventuais mudanças considerem a realidade dos diferentes setores produtivos.

De acordo com Paula Montagner, subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, o custo médio da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais na economia geral é de 4,7% sobre a massa de rendimentos do país. No entanto, alguns setores devem ser impactados de forma distinta.

Os dados fazem parte de um estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, apresentado no mês passado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, durante audiência pública que debateu a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221 de 2019. (Globo Rural)


GDT - Global Dairy Trade

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS

Leite A2 avança no Brasil e atrai gigantes do setor

A produção de leite A2 ganha espaço no país, devido à maior facilidade de digestão em comparação com o leite mais comum. Grandes laticínios, como Piracanjuba, Xandô e Italac, reforçaram suas linhas de produto nesse nicho de mercado, que atualmente representa menos de 1% da produção nacional.

Débora Ribeiro Gomide, pesquisadora de bovinocultura de leite no Campo Experimental de Três Pontas (CETP) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), explica que o leite A2 é produzido por vacas com a genética A2A2, que produzem leite com a proteína betacaseína A2. As caseínas representam a maior parte da proteína no leite. Durante a digestão, a betacaseína A1 libera um peptídeo chamado beta-casomorfina-7 (BCM-7), que, em pessoas sensíveis, causa desconforto gastrointestinal. A caseína A2 não leva à formação de BCM-7. As vacas A1A1 produzem o leite A1 e as vacas A1A2 produzem os dois tipos.

A identificação é feita por teste genético. Para garantir que a produção é exclusivamente de leite A2, as fazendas passam por um processo de certificação e rastreabilidade do produto. “É um nicho pequeno do mercado, representa menos de 1%, mas o grande chamariz é que as pessoas querem um controle melhor de qualidade, saber a procedência do produto, e o leite A2 oferece isso por causa da certificação”, avalia Gomide. A pesquisadora acrescenta que vacas de todas as raças podem produzir o leite A2. Mas, geralmente, os genes A2 são mais frequentes em raças zebuínas, como nelore e gir.

A Fazenda Colorado, de Araras (SP), dona da marca Xandô, é a que possui maior número de produtos com leite A2 no país atualmente. São sete linhas de produtos, sendo quatro leites - integral, desnatado, semidesnatado e semidesnatado zero lactose - e três queijos (minas frescal, minas padrão e coalho).

Eduardo Jakus, diretor geral da Xandô, diz que, hoje, 65% das vendas da marca já são de produtos com leite A2. “Essas linhas vêm ganhando uma importância muito grande, estão com crescimento muito acelerado. A gente cresce a duplo dígito, puxado pela linha de A2, que cresce bem acima do mercado”, afirma Jakus. Ele observou que o volume total do mercado de leite cresceu 2% em 2025, mas categoria de leite fresco cresceu 11%. A Xandô é líder na categoria de leite fresco refrigerado em São Paulo, com 40,4% do volume e 44,5% da receita, segundo a Scanntech.

Jakus diz que o leite A2 é captado e processado separado do restante. A produção é feita 100% na Fazenda Colorado, com ordenha, resfriamento, pasteurização e embalagem feitos sem contato manual. A fazenda conta com mais de 2,1 mil vacas holandesas em lactação, que chegam a produzir 96 toneladas de leite por dia.

O Grupo Piracanjuba informou que suas vendas de produtos com leite A2 também crescem dois dígitos por ano. A diferença de preço em relação aos outros tipos de leite varia de 25% a 35%. “A diferença já foi maior, mas conforme o volume de produção aumenta, os custos fixos diluem e a gente repassa para o varejo. O leite A2 segue a mesma trajetória do leite zero lactose”, afirma Gustavo Afonso de Almeida, diretor comercial do Grupo Piracanjuba.

Atualmente, a Piracanjuba produz leite A2 em pó integral, leite integral, semidesnatado e semidesnatado zero lactose. A produção vem de fazendas certificadas, e o processamento é feito em tanques específicos nas unidades industriais de Goiânia e Araraquara (SP). “O custo é mais alto, tem que certificar a fazenda, fazer a seleção do gado, fazer o processamento separado”, observa Almeida. O executivo disse que o desenvolvimento de novas linhas vai depender da evolução do consumo do leite A2 no país.

O Laticínio Muai, que pertence à Fazenda Bom Retiro, em Pouso Alto (MG), produz atualmente leite integral em versões de 1 litro e 500 mililitros, queijo minas frescal e ricota fresca com leite A2. Rodrigo Nilo, diretor executivo do Laticínio Muai, diz que vai ampliar o portfólio neste ano com a introdução de leite desnatado, semidesnatado e zero lactose. “É um mercado incipiente, mas cresce de maneira sólida. A gente acredita que vai ganhar cada vez mais escala”, diz Nilo.

A Muai produz atualmente 15 mil litros por dia de leite A2 e prevê um aumento de 25% neste ano. “A nossa capacidade diária de produção é de até 55 mil litros de leite A2 por dia, mas produzimos menos porque é feito sob demanda”, afirma Nilo. A empresa vende para redes de varejo que atendem principalmente a Região Sudeste. A Fazenda Bom Retiro conta com 1,3 mil vacas, das quais 1,2 mil são A2A2. “A fazenda faz a separação das vacas, ordenha primeiro as vacas que produzem o leite A2 e depois o leite A1”, diz o diretor.

As informações são do Valor Econômico


Jogo Rápido

Já estão disponíveis materiais do diálogo setorial sobre rotulagem de alimentos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da Gerência-Geral de Alimentos (GGALI) realizou, na última quarta-feira (16/4), um diálogo setorial virtual para discutir propostas regulatórias relacionadas à rotulagem de alimentos. O evento contou com a participação de aproximadamente 1.115 representantes de diferentes setores da sociedade. O encontro teve como objetivos apresentar os fundamentos técnicos das propostas sobre DQI, uso de tecnologias para transmissão de informações na rotulagem e rotulagem de alimentos irradiados, além de esclarecer dúvidas e coletar percepções dos interessados para subsidiar a elaboração de futura consulta pública. Durante a apresentação, a Anvisa destacou que as três iniciativas integram a Agenda Regulatória 2026-2027 e possuem objetivos convergentes, voltados ao aprimoramento da transparência, da qualidade e da acessibilidade das informações ao consumidor, bem como à promoção de maior alinhamento com as diretrizes do Codex Alimentarius. Também foi apresentada a estratégia regulatória da GGALI, que prevê a condução coordenada dos temas, com proposta de consulta pública única e busca de implementação integrada, de modo a reduzir custos de adequação e evitar sucessivas alterações nos rótulos de alimentos. Adicionalmente, foi esclarecido que o planejamento regulatório da GGALI é dinâmico e que, embora a intenção institucional seja avançar de forma conjunta sempre que possível, eventuais alterações de estratégia poderão ser adotadas caso se mostrem necessárias, hipótese em que os atores envolvidos serão informados. Para consulta e acompanhamento do tema, estão disponíveis os materiais clicando aqui. (Anvisa)


Porto Alegre, 20 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.614


Inadimplência sobe e chega a 4,1 milhões de pessoas no Estado

Percentual de pessoas com dívidas em atraso chegou a 46,47% em março e soma R$ 31,9 bilhões, com destaque para bancos e cartões de crédito, que concentram mais de um quarto do total. Custo de vida elevado e juros altos dificultam equilíbrio financeiro

A inadimplência no Rio Grande do Sul segue renovando patamares históricos. Quase metade da população adulta gaúcha tinha dívidas em atraso em março, atingindo o índice recorde de 46,47%, ou 4,1 milhões de pessoas com o nome negativado.

São mais de 587 mil inadimplentes somente em Porto Alegre, que devem R$ 4,9 bilhões. Juntas, as dívidas no Estado somam R$ 31,9 bilhões, com destaque para bancos e cartões de crédito, que concentram mais de um quarto do valor total.

O dado calculado pela Serasa indica que o endividamento vem crescendo mesmo após períodos de recuperação econômica. Apesar da inflação em patamares baixos e do desemprego em queda, o custo de vida elevado e os juros altos seguem pesando no bolso.

Para a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, esse conjunto acaba dificultando o equilíbrio financeiro no dia a dia.

- Na prática, mostra como o crédito, quando não bem planejado, pode acabar comprometendo uma parte importante da renda das famílias - comenta Aline.

No país, as taxas de comprometimento financeiro também são históricas. Mais de 82,8 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em março deste ano, com um total de 338 milhões de dívidas. Em fevereiro, eram 81,7 milhões de pessoas.

Endividado é qualquer pessoa com contas a pagar, como parcelas de cartão de crédito, financiamentos ou empréstimos.

Inadimplente é quem tem dívidas em atraso, ou seja, que não conseguiu pagar o valor devido no prazo.

A especialista da Serasa reforça a importância de os consumidores avaliarem as suas contas e buscarem, sempre que possível, uma renegociação do que está em atraso. Em muitos casos, os consumidores conseguem acessar suas dívidas de forma digital e encontrar ali mesmo condições com descontos e opções de pagamentos acessíveis:

- O mais importante é não adiar o movimento de quitação dos débitos. O quanto antes a pessoa entender a situação e buscar alternativas para a sua realidade financeira, maiores são as chances de se reorganizar e manter contas em dia. 

Outro recorte da pesquisa mostra que seis em cada 10 brasileiros já cederam o seu CPF para conhecidos fazerem compras. Apesar de comum, a prática pode ser perigosa: 34% dos que emprestaram seu nome acabaram endividados após o não pagamento das contas assumidas.

O levantamento também mostra que 29% das pessoas que já emprestaram o nome se arrependeram da decisão e não fariam novamente. Além disso, a prática acontece principalmente com pessoas consideradas de confiança.

Em 60% dos casos, o empréstimo foi feito para familiares: 31% para amigos; 14% para colegas de trabalho; 11% para parceiros; e 3% para outras pessoas. _

"O crédito, quando não bem planejado, pode acabar comprometendo uma parte importante da renda das famílias. (Zero Hora)


Pesquisa mostra que modernizar linhas de processamento de laticínios pode reduzir emissões

Um novo estudo da Tetra Pak aponta que a modernização de equipamentos existentes de processamento de laticínios pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 40% a 49%, dependendo do tipo de linha. A pesquisa também mostra que a melhoria de linhas de equipamentos em uso pode levar a reduções significativas nos custos operacionais. Os resultados ressaltam que a redução não exige necessariamente uma reformulação completa das linhas e que pode ser feita com soluções já disponíveis no mercado.

A nova Avaliação de Impacto do Processamento de Laticínios, revisada de forma independente pela Carbon Trust, utiliza uma metodologia alinhada com as principais referências internacionais de emissões que devem ser evitadas. Essa análise quantifica os possíveis ganhos com a atualização de linhas existentes de processamento de lácteos líquidos. O estudo compara as linhas com melhores práticas de 2019 com potenciais economias de emissões que se baseiam em um modelo de implementação global de linhas modernizadas em 2025.  

“Para muitos produtores de laticínios, melhorar a eficiência enquanto gerenciam custos é um desafio diário. Nosso estudo mostra que melhorias práticas nas linhas em uso podem reduzir o consumo de energia, água e as perdas de produto, ajudando os clientes a melhorarem seu desempenho e reduzir o custo total de propriedade sem grandes interrupções”, explica Rodrigo Godoi, Vice-Presidente de Gestão de Portfólio de Processamento da Tetra Pak.  

O setor global de laticínios desempenha um papel crítico nos sistemas alimentares mundiais por meio dos alimentos e bebidas que fornece e dos meios de subsistência que sustenta em todo o mundo. Ao mesmo tempo, é um grande consumidor de água e energia e foi responsável por 2,7% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) em 2021.  

Apesar disso, esse contexto abre uma oportunidade significativa: ao otimizar linhas de processamento existentes com soluções já disponíveis no mercado, os produtores podem aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar o desempenho ambiental sem precisar esperar por novas tecnologias ou realizar substituições completas de linhas. Essas melhorias comprovadas oferecem um caminho prático e imediato para operações de laticínios mais resilientes e eficientes no uso de recursos. 

O estudo da Tetra Pak mostra que a modernização de equipamentos existentes gera ganhos substanciais de eficiência, com reduções médias de 47% nas emissões de gases de efeito estufa, 45% no uso de água e 57% nas perdas de produto. Se essas modernizações fossem implementadas em toda a produção global de laticínios, isso poderia resultar em uma economia global de carbono de até 12,7 MtCO²e, o equivalente a retirar três milhões de carros das ruas. A implementação de soluções de economia e recuperação de água – por exemplo, sistemas de filtrações por membranas avançados e limpeza no local (clean in place, na sigla em inglês) – poderia reduzir o uso de água nas linhas de produção de laticínios em até 455 milhões de m³ por ano globalmente. 

“As melhorias, com o auxílio de estruturas regulatórias favoráveis e acesso a incentivos financeiros direcionados, podem ser ampliadas ainda mais, ajudando os produtores a superarem barreiras de investimento inicial e acelerando o progresso em todo o setor de laticínios”, completa Rodrigo Godoi.  

Os resultados da avaliação destacam a contribuição que melhorias em linhas de processamento existentes podem trazer para sistemas alimentares mais estáveis e resilientes. Essas reduções podem ser apoiadas pela Tetra Pak por meio de um conjunto de atualizações já disponíveis no mercado para linhas existentes, como: 

Bombas de calor elétricas, substituindo ou reduzindo o uso de energia de origem fósseis em caldeiras e chillers, com o objetivo de diminuir o consumo de combustível e reduzir emissões relacionadas ao calor. 

Eficiência integrada de processos, possibilitada pela tecnologia OneStep para leite UHT e iogurte, que combina múltiplas etapas do processo em um único conceito mais eficiente, gerando economia de eletricidade e vapor. 

Soluções de filtração por membranas e recuperação, que incluem filtração por membranas, recuperação em sistemas de CIP e estações de filtração de água que recuperam perdas de produto e água de fluxos de processo e limpeza. 

“Nossos sistemas alimentares oferecem oportunidades de descarbonização significativas. Avaliar emissões que podem ser evitadas é uma maneira importante de entender as economias de carbono que essas soluções podem proporcionar”, comenta Veronika Thieme, Diretora Associada para a Europa na Carbon Trust. “Ao quantificar as emissões evitadas por novas soluções que podem ajudar a descarbonização da indústria agrícola, criamos a base de evidências necessária para escalá-las”.  (As informações são da Tetra Pak)

 

Argentina SanCor pede falência: dívidas são estimadas em US$ 120 milhões e 8 meses de salários

A cooperativa de lácteos argentina SanCor, que enfrenta um processo de recuperação judicial desde fevereiro do ano passado e que carrega uma dívida em torno de US$ 120 milhões, pediu na quarta-feira, 17 de abril, sua própria falência à Justiça de Santa Fé, Argentina.

A Associação dos Trabalhadores da Indústria Leiteira (Atilra) adiantou a decisão da empresa, confirmada pelo Juizado de Primeira Instância do Distrito 5 em matéria Cível e Comercial da Quarta Vara de Rafaela, sob responsabilidade do juiz Marcelo Gelcich, que conduz o caso. “A recuperanda SanCor solicitou sua própria falência no processo em que tramita a recuperação judicial (falência indireta), por ela iniciado em fevereiro de 2025. O pedido se baseia em uma decisão do Conselho de Administração da Cooperativa, que convocou uma assembleia para ratificá-lo no próximo 30 de abril”, indicou o tribunal em seu site que acompanha o caso. Segundo informaram no juizado, “agora caberá ao Tribunal decidir se aceita — e em que termos — ou rejeita o pedido de falência própria”.

A SanCor carrega uma dívida de US$ 120 milhões. Isso foi determinado pelo juizado a partir da análise de 1.519 pedidos de verificação, sobre um total de 2.702 credores no âmbito do processo. Esse valor é composto por US$ 90 milhões e 40 bilhões de pesos (US$ 29,5 milhões), tendo como principais credores a Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA) e fundos financeiros internacionais.

Além disso, foi constatada uma dívida próxima de 6,35 bilhões de pesos (US$ 4,68 milhões) posterior ao início da recuperação judicial. “Após os relatórios apresentados pela administração judicial, pelo Comitê Provisório de Controle e pela coadministradora designada pelo Juizado, todos coincidentes em comprovar o estado de cessação de pagamentos, incapacidade e insolvência patrimonial geral e definitiva da recuperanda, a SanCor CUL acaba de solicitar sua própria falência”, afirmou um comunicado assinado pelo secretário-geral da Atilra, Etín Ponce.

Embora ainda não haja um comunicado oficial por parte da empresa, nas últimas horas veio à tona a convocação para uma assembleia extraordinária na quinta-feira, 30 de abril, em Sunchales, onde fica a sede central da cooperativa. No item três da pauta da assembleia será tratada a “confirmação da decisão do Conselho de Administração de apresentar o pedido de falência da SanCor”.

Na visão do sindicato, esse pedido “não acrescenta nem tira nada, sendo a essa altura um gesto irrelevante que coloca fim a uma postura teimosa que negava a realidade” e acrescentaram: “Isso demonstra que a SanCor CUL vinha se sustentando com o patrimônio dos trabalhadores, aos quais deve 8 meses de salários mais o décimo terceiro”.

“Tanto para os trabalhadores quanto para nossa entidade que os representa, a decretação da falência não constitui um fim, mas sim o início de uma nova etapa em que a marca SanCor, despojada da estrutura que a levou à beira da extinção, deve voltar a florescer impulsionada pela qualidade dos produtos que as trabalhadoras e os trabalhadores da Atilra produzem”, conclui o texto.

Fontes da indústria consideraram a situação como “uma crônica de uma morte anunciada. É a própria empresa que acaba pedindo. Não havia saída”. Um industrial do setor avaliou que “foi tempo demais operando, mas com um modelo totalmente inviável”, ao considerar que “poderia ter sido evitada a sangria que ocorreu nesses últimos meses”. A partir desse passo, “é provável que apareçam interessados por algumas plantas”, afirmou.

No fim do ano passado, o juiz Gelcich, responsável pelo processo da empresa láctea, havia decidido pela intervenção na cooperativa diante dos constantes descumprimentos por parte da empresa, tanto no pagamento de salários quanto na falta de informações detalhadas solicitadas pela Justiça.

Nesse sentido, Gelcich destacou três problemas graves apontados pela administração judicial e pelo Comitê de Controle. Entre eles, a “resistência em fornecer informações”, já que “a empresa não apresentou documentação clara sobre como estão operando suas plantas nem sobre seus contratos com outras empresas, quanto produz, como comercializa, quanto recebe e o que faz com o que recebe”.

O segundo ponto dizia respeito à “crise trabalhista e previdenciária” enfrentada pela SanCor. O Comitê Provisório de Controle informou que a cooperativa deve salários desde junho de 2025 e o décimo terceiro integral deste ano. “Além disso, foi denunciado o uso de contracheques com dados supostamente falsos para evitar contribuições à seguridade social”, acrescenta o documento.

SanCor e sua queda

A SanCor foi fundada em 1938 como uma cooperativa de produtores de leite e chegou a ser líder incontestável do setor. Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), em 1994 processava 4,6 milhões de litros por dia, liderando a indústria nacional.

No entanto, ao longo dos anos foi perdendo participação: 15 anos depois, em 2009, processava 3 milhões de litros e caiu para a segunda posição, enquanto em 2022 desceu para o 12º lugar do ranking, com pouco mais de 533 mil litros diários.

Atualmente, e segundo fontes do setor, a cooperativa processa cerca de 700 mil litros por dia, entre produção própria e de terceiros, em seis plantas localizadas em Santa Fé e Córdoba, muito abaixo dos volumes históricos que a posicionaram como referência de mercado.

As seis plantas estão operando, mas com volume variável em cada uma. O leite próprio é destinado aos produtos de maior rentabilidade no mercado, enquanto, paralelamente, mantêm vários acordos com diferentes empresas para fabricar produtos específicos, alguns por encomenda, outros com participação nos resultados e outros com remuneração por custo.

A situação se agravou entre 2023 e 2024 com conflitos sindicais prolongados com a Atilra, que provocaram bloqueios nas plantas e atrasos salariais, cenário que acabou levando a SanCor à recuperação judicial, apresentada em fevereiro de 2025.

Outro fator que levou a tradicional empresa láctea ao colapso foi o conflito comercial com a Venezuela, originado a partir dos acordos bilaterais firmados desde 2006 entre os governos de Hugo Chávez e Néstor Kirchner.

A SanCor participou do Fundo Fiduciário Bilateral entre Argentina e Venezuela, um mecanismo financeiro destinado à troca de combustível venezuelano por produtos argentinos. Além disso, realizou vendas adicionais desse produto para empresas controladas pelo Estado venezuelano.

O problema surgiu quando a Venezuela entrou em default em 2017 e deixou de cumprir os pagamentos. Segundo fontes próximas à cooperativa, a dívida chegou a ultrapassar os US$ 30 milhões. Com o passar do tempo, parte desse valor foi quitada, mas ainda restam cerca de US$ 18 milhões, com chances praticamente nulas de recuperação.

A empresa realizou diversas tentativas junto a diferentes governos argentinos para recuperar esses recursos e conseguir uma intervenção oficial que destravasse a cobrança, mas nenhuma dessas iniciativas teve sucesso. (As informações são do Clarín, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.  As inscrições podem ser feitas clicando aqui. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 17 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.613


Fenasul Expoleite é lançada com foco nos desafios e avanços da cadeia leiteira

Com o tradicional brinde de leite e com o desafio de promover avanços para o setor, foi lançada na manhã desta quinta-feira (16/04) a Fenasul Expoleite 2026. No evento “Leite com Café”, realizado no Pavilhão do Gado Leiteiro, no Parque de Exposições Assis Brasil, o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Guilherme Portella, destacou que o encontro permite ao setor revisitar suas escolhas e debater gargalos que ainda limitam o crescimento. “São questões que vão desde a manutenção e o fortalecimento do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) até desafios ligados à melhoria e ao aumento da produção, através do melhoramento genético e da produtividade. Vemos com ótimos olhos esse espaço que a feira proporciona, impulsionando o debate e a construção de novos caminhos para o segmento”, afirma.

Para o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, a feira, ao concentrar em Esteio (RS) grande parte da produção leiteira gaúcha, também é uma oportunidade de atualização e compreensão do cenário da cadeia produtiva, especialmente diante das perspectivas de avanços na sanidade dos rebanhos em nível nacional, na erradicação de brucelose e tuberculose. “Será tema de uma mesa redonda durante a Expoleite, sendo que o Rio Grande do Sul já faz este controle de maneira bem avançada”, destaca.

Com expectativa de público superior a 200 mil pessoas, a Fenasul Expoleite tem entrada gratuita e será realizada de 13 a 17 de maio. Considerada a segunda maior feira do Parque de Exposições Assis Brasil, atrás apenas da Expointer, a programação inclui julgamentos, rodeios, shows culturais e exposições. (Sindilat/RS)


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1915 de 16 de abril de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Em parte das regiões, houve redução de produção nos sistemas mais dependentes de pastagens em função da transição entre ciclos forrageiros e da queda na qualidade do pasto. As condições meteorológicas, especialmente temperaturas elevadas associadas à irregularidade das chuvas, têm intensificado o estresse térmico e impactado o desempenho dos animais. Por essa razão, tem sido intensificado o uso de alimentos conservados e ajustes na dieta. 

Em Itacurubi, a produção se encontra em declínio em função do encerramento do ciclo das pastagens anuais de verão. Nessas áreas, muitas propriedades têm utilizado como base forrageira os potreiros de campo nativo, atualmente em recuperação em função das chuvas, assim como silagem de milho para complementar a alimentação no cocho. 

Na de Caxias do Sul, a sanidade dos animais está estável, mas há necessidade de controle dos ectoparasitas.  

Na de Frederico Westphalen, a produção está com volume abaixo do esperado devido às altas temperaturas e à irregularidade de chuvas. 

Na de Ijuí, a produção está estável em relação ao período anterior. 

Na de Passo Fundo, a produtividade variou de normal e regular como reflexo da diminuição na oferta de pasto. 

Na de Pelotas, intensificou-se o uso de silagem como estratégia alimentar. As chuvas do período e a queda de temperatura têm favorecido o bem-estar animal. A produção está relativamente estável, embora haja redução em algumas regiões em função do vazio forrageiro.

Em Rio Grande, foi realizada, no último fim de semana, a Mostra da Terneira Jersey e Holandesa – edição 2026, com participação de 30 animais. O evento contou ainda com palestras técnicas e programação artística. 

Na de Santa Maria, os indicadores produtivos estão dentro da normalidade esperada para o período. No entanto, a transição entre ciclos das pastagens tem resultado em redução da oferta de forragem e consequentemente da produção animal, demandando a adoção de suplementação estratégica para suprir a lacuna alimentar. 

Na de Santa Rosa, as chuvas ao longo do período resultaram na formação de barro nas áreas próximas às instalações, exigindo maior cuidado no manejo e na higiene. Além disso, as temperaturas elevadas em alguns períodos do dia geraram desconforto térmico nos animais, que passaram a buscar sombra com maior frequência, limitando o tempo de pastejo, o que impactou seu desempenho. Foram realizados ajustes nas dietas, como aumento da oferta de silagem e melhoria na qualidade das rações. Esse cenário tem sido favorecido pela excelente qualidade nutricional da silagem de milho desta safra, que está superior à dos anos anteriores, o que tem permitido reduzir a dependência de concentrados na alimentação dos animais. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)

Previsão é de tempo estável para o fim de semana no Rio Grande do Sul

Para o final de semana, a previsão é de estabilidade em grande parte do Rio Grande do Sul. Há possibilidade de rajadas de vento no litoral Sul. Na próxima semana, a atuação de uma frente fria deve favorecer o tempo instável com chuvas fracas a moderadas.  A estabilidade no tempo deve retornar ao território gaúcho a partir de quarta-feira (22/4) com a atuação de uma massa de ar polar, provocando queda nas temperaturas.

As informações constam no Boletim Integrado Agrometeorológico 16/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
 

Sexta-feira (17/4): o sistema de baixa pressão que vinha se deslocando pelo continente nos dias anteriores deve avançar para o oceano e evoluir para uma frente fria que, associada a um ciclone extratropical, pode provocar aumento da nebulosidade e ocorrência de chuva em algumas regiões, com possibilidade de rajadas de vento em pontos do litoral Sul.

Sábado (18/4) e domingo (19/4): o afastamento do sistema frontal deve favorecer o retorno da estabilidade em grande parte do RS, sem previsão de chuva significativa. Ainda assim, permanece a possibilidade de rajadas de vento no litoral Sul no sábado (18/4). Nesse período, as temperaturas devem entrar em declínio, com mínimas previstas próximas aos 10 °C.

Segunda-feira (20/4) e terça-feira (21/4): o deslocamento de uma frente fria deve deixar o tempo instável. Há previsão de chuva fraca a moderada, pontualmente forte, em praticamente todas as regiões.

Quarta-feira (22/4): a atuação de uma massa de ar polar pós-frontal deve restabelecer a estabilidade e provocar queda acentuada das temperaturas. Não há previsão de chuva significativa e as temperaturas permanecerão em declínio.

O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.


Jogo Rápido

COOPERATIVISMO: Ocergs reconduz Darci Hartmann
A Ocergs realizou, nesta quinta-feira, a Assembleia Geral Ordinária que reelegeu Darci Hartmann como presidente e elegeu Márcio Port como vice para a gestão 2026/2030. No evento, foram renovados os conselhos de Administração e Fiscal da organização, e também tomaram posse os conselheiros do Sescoop/RS. (Correio do Povo)