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Porto Alegre, 20 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.634


Empresas associadas ao Sindilat participam da APAS Show 2026

As empresas associadas ao Sindilat/RS: CCGL, Italac, Lactalis, Piracanjuba, RAR e Scala, estão na APAS Show 2026 com estandes próprios. Na maior feira supermercadista do Brasil, realizada em São Paulo (SP), as indústrias apresentam produtos, fortalecem marcas e ampliam conexões comerciais com o varejo nacional e internacional. Além das expositoras, outras empresas associadas ao Sindilat também estiveram presentes realizando visitas, reuniões e prospecção de negócios.

Para o presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, a participação das associadas entre os dias 18 e 21 de maio evidencia a competitividade da indústria láctea e a capacidade do setor em atender às exigências do varejo nacional. “A APAS é um ambiente estratégico para geração de negócios, posicionamento de marcas e ampliação de mercado. A presença das indústrias permite fortalecer relacionamento com grandes redes, apresentar lançamentos e demonstrar a qualidade, a escala produtiva e a eficiência das empresas de laticínios no atendimento às demandas do consumo”, destaca. (SINDILAT/RS)


GDT 404º apresenta estabilidade e sugere mercado internacional mais equilibrado

O 404º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou variação de 0,6% no GDT Price Index, com preço médio dos produtos negociados de USD 4.198/tonelada. Apesar do avanço do índice, o resultado ainda indica um cenário de estabilidade para o mercado internacional de lácteos, após as oscilações mais intensas observadas nas últimas negociações. Além disso, o menor volume comercializado sugere um ambiente de menor intensidade nas negociações globais. 

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos produtos em pó, o comportamento permaneceu relativamente estável. O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado no evento, registrou alta de 1,2%, fechando em USD 3.772/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) avançou 0,2%, para USD 3.552/tonelada. As variações mais contidas sugerem redução na intensidade dos movimentos de correção observados anteriormente. 

Gráfico 2. Preço médio LPI

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

O desempenho dos outros derivados foi distribuído entre altas e baixas, sem movimentos expressivos em grande parte dos produtos. Entre as gorduras, a manteiga apresentou valorização de 2,5%, atingindo USD 5.674/tonelada, enquanto a gordura anidra do leite recuou 1,6%, sendo negociada a USD 6.344/tonelada. O comportamento indica ajustes pontuais após a volatilidade registrada nas últimas edições. 

Já entre os queijos, a muçarela registrou uma das maiores valorizações do evento, com alta de 2,9%, alcançando USD 4.127/tonelada. Em direção oposta, o cheddar recuou 1,3%, sendo negociado a USD 4.560/tonelada. A lactose apresentou leve avanço de 0,5%, encerrando o leilão em USD 1.529/tonelada. 

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 19/05/2026 

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado segue recuando

Em relação ao volume negociado, o leilão totalizou 12.972 toneladas comercializadas, com participação de 154 compradores no evento. O resultado representa retração de 5,6% frente ao leilão anterior, embora o número de participantes tenha aumentado em relação ao evento anterior, que contou com 147 compradores. O movimento ocorre em um contexto de desaceleração sazonal da produção em importantes regiões exportadoras, como a Nova Zelândia, contribuindo para um menor volume disponibilizado ao mercado.  

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) seguem indicando um ambiente mais equilibrado para os próximos meses. Os contratos entre junho e setembro permaneceram relativamente próximos entre si, sugerindo uma curva mais estável entre os vencimentos. Além disso, as negociações mais recentes apresentaram recuperação em relação aos níveis observados no início de maio, especialmente nos contratos de julho e agosto.

Esse comportamento indica uma revisão mais moderada das expectativas do mercado, reduzindo sinais de pressões adicionais sobre os preços internacionais no curto prazo. A menor diferença entre os vencimentos também sugere que os agentes não esperam mudanças abruptas nas cotações nos próximos meses, reforçando a percepção de maior estabilidade observada.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 404º traz uma leitura de maior estabilidade para o mercado. O comportamento mais moderado dos principais produtos negociados, especialmente dos leites em pó, reduz sinais de mudanças mais bruscas nas referências internacionais e sugere menor intensidade nos movimentos do mercado global no curto prazo. 

Para o Brasil, a manutenção dos preços internacionais em patamares relativamente estáveis tende a limitar mudanças mais relevantes na competitividade dos produtos importados. Além disso, o câmbio continua exercendo papel importante nessa dinâmica, influenciando diretamente o custo de internalização dos derivados lácteos.

No mercado doméstico, o ambiente recente segue marcado por negociações mais cautelosas entre indústria e varejo, com os derivados passando por ajustes após as altas observadas anteriormente. Dessa forma, a evolução dos preços internos continuará relacionada ao comportamento do mercado internacional, à dinâmica cambial e às condições do mercado brasileiro nas próximas semanas. (MILKPOINT)

Captação de leite bate recorde no 1º trimestre, mas avanço desacelera, aponta prévia do IBGE

Segundo os dados preliminares da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE, a captação formal de leite no Brasil totalizou 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026. O volume representa crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. 

Gráfico 1: variação anual da captação de leite (%)

Com esse resultado, o primeiro trimestre de 2026 registrou o maior volume captado para o período em toda a série histórica iniciada em 1997, superando o recorde anterior observado em 2021, quando a captação havia alcançado 6,57 bilhões de litros. Apesar do avanço, o ritmo de crescimento mostra desaceleração frente ao observado no primeiro trimestre de 2025, quando a alta anual havia sido de 4,5%.

Fonte: Pesquisa Trimestral do Leite - IBGE

Esse crescimento ainda reflete, em parte, o forte movimento de expansão da produção observado em 2025. Naquele período, a rentabilidade mais favorável ao produtor estimulou investimentos na atividade e sustentou maior oferta de leite. Parte desse efeito residual ainda contribuiu para os volumes captados no início de 2026. 

No entanto, quando a análise é feita na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o cenário muda. A captação do primeiro trimestre de 2026 recuou 7,9% frente ao quarto trimestre de 2025. Parte desse movimento é esperada devido à sazonalidade da produção em algumas regiões brasileiras, que tradicionalmente apresentam menor volume no início do ano. Ainda assim, a intensidade da queda chama atenção, por estar entre as maiores retrações percentuais da série histórica para essa comparação. 

Gráfico 3: Variação trimestral da captação (%)

Fonte: Pesquisa trimestral do Leite

Esse movimento também está relacionado à piora da rentabilidade ao produtor ao longo dos últimos meses. O forte crescimento da oferta em 2025 pressionou os preços pagos no campo e reduziu as margens da atividade, levando parte dos produtores a diminuir investimentos em produção.

Gráfico 4: Rentabilidade ao produtor menos custo de alimentação 

Fonte: MilkPoint Mercado

Além da redução dos investimentos, as relações de troca também passaram a indicar um cenário menos atrativo para a produção de leite. Um exemplo é a relação entre litros de leite necessários para a compra de uma arroba de boi gordo. Quando essa relação aumenta, a atividade leiteira se torna relativamente menos vantajosa, podendo estimular o descarte de animais menos eficientes como estratégia para reduzir custos e ajustar a produção. 

Gráfico 5: Relação de troca entre litros de leite por arroba bovina

Fonte: CEPEA, adaptado por MilkPoint Mercado.

Desempenho mensal

Na análise mensal, janeiro foi o mês de maior captação do trimestre, como tradicionalmente ocorre, com 2,43 bilhões de litros captados. Em fevereiro, houve uma queda expressiva frente a janeiro, de 13,5%, o maior recuo entre esses dois meses em toda a série histórica.

Mesmo com essa queda mensal, fevereiro ainda apresentou crescimento de 3,0% em relação ao mesmo mês de 2025. Em março, a captação voltou a avançar frente a fevereiro, com alta mensal de 6,7%, mas o crescimento anual foi mais moderado, de 2,3% frente a março de 2025.

Tabela 1. Captação total mensal de leite no Brasil (Prévia)

Fonte: IBGE - elaborado pelo MilkPoint Mercado

Conclusão

De modo geral, os dados mostram que a produção formal de leite segue crescendo no Brasil, mas em ritmo menos intenso do que o observado ao longo de 2025. A rentabilidade ao produtor e o comportamento da demanda devem continuar sendo os principais fatores para definir a velocidade desse crescimento nos próximos meses.

Além disso, o cenário climático merece atenção. As projeções mais recentes indicam elevada probabilidade de formação de El Niño ao longo de 2026, fenômeno que pode alterar o regime de chuvas em diferentes regiões do país. Para a cadeia leiteira, os principais pontos de atenção estão nos possíveis impactos sobre a produção de leite no Sul, em caso de excesso de chuvas, e sobre o clima no Centro-Norte, podendo ocasionar pressão sobre a oferta e os preços dos grãos.

Assim, embora o primeiro trimestre tenha confirmado um novo recorde de captação para o período, os dados também reforçam um sinal importante: a expansão da oferta tende a depender cada vez mais da recomposição das margens no campo e da capacidade do mercado consumidor de absorver maiores volumes de leite e derivados ao longo de 2026. (MILKPOINT)


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Expectativa de maior demanda global aquece mercado
A valorização do dólar e as projeções de ampliação da participação brasileira no abastecimento mundial de soja impulsionaram as negociações e sustentaram os preços da oleaginosa no mercado interno na semana passada, de acordo com o Cepea. Ao mesmo tempo, as expectativas de forte demanda global por farelo e óleo de soja mantêm firmes as cotações internacionais da soja, mesmo diante da pressão sobre os embarques dos Estados Unidos. Relatório divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no último dia 12 aponta que a produção mundial de soja deve atingir um novo recorde na safra 2026/27, passando de 427,6 milhões para 441,5 milhões de toneladas. O Brasil deve manter-se como o principal produtor global, com participação estimada de 42,1% da produção mundial, elevando sua colheita de 180 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 186 milhões de toneladas em 2026/27. No mercado doméstico, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) também projeta crescimento da produção brasileira, a 180,13 milhões de toneladas na atual temporada (2025/26), volume 0,5% superior ao projetado em abril e 5% acima da safra anterior.  (Cepea)


Porto Alegre, 19 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.633


Unibom promove eventos com Juliano Alarcon Fabrício, o Doutor Pastagem

Nos dias 12 e 13 a UNIBOM promoveu dois eventos que reuniram centenas de produtores nos municípios de Água Santa e Centenário, superando as expectativas de público e debate sobre o conteúdo apresentado.

Na oportunidade, produtores de leite com sistema de produção a pasto receberam Treinamento Intensivo com Juliano Alarcon Fabrício, o Doutor Pastagem, profissional renomado e referência no Brasil neste sistema, com trabalho direcionado a produtores familiares que atuam na atividade leiteira.

Para a UNIBOM, estes eventos fortalecem o relacionamento e a parceria com produtores de leite e principalmente, cria um ambiente de troca de informações e conhecimentos fundamentais para uma atividade mais lucrativa. Participaram produtores de 33 municípios da região.

Conforme Ideno Pietrobelli, Gerente de Política Leiteira da UNIBOM, no Rio Grande do Sul, a grande maioria das propriedades leiteiras ainda trabalha com produção baseada em pastagens, porém essas propriedades respondem por uma parcela menor de volume total captado, visto que o sistema confinado vem ganhando força nos últimos anos.

A UNIBOM possui uma bacia leiteira distribuída em mais de 60 municípios da Região Norte do RS, com aproximadamente 500 famílias fidelizadas, sendo que metade do volume captado é oriundo de propriedades com sistema a pasto. Em 2025 foram pagos cerca de 120 milhões, valores que movimentam a economia regional nos seus diversos elos da cadeia láctea. (Rádio Tapejara)


GDT - Global Dairy Trade

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS

Câmara do Leite da Seapi debate inovação tecnológica sustentável para o controle do carrapato bovino

Inovação tecnológica sustentável para o controle do carrapato bovino. Esse foi um dos temas debatidos na reunião híbrida da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), que ocorreu nesta sexta-feira (15/5) na casa do Fundesa na Fenasul Expoleite 2026 em Esteio. O secretário da Agricultura, Márcio Madalena, esteve presente.

O pesquisador e diretor do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF) da Seapi, José Reck, apresentou um estudo sobre a aplicação a campo de um produto biológico inédito para o controle do carrapato bovino, com aplicação direta nas pastagens por meio de drones. "Essa é uma das estratégias de controle não químico, ou seja, independente do uso de carrapaticidas, que estamos desenvolvendo e validando em campo", explicou. "A ideia é poder associar essa estratégia ao controle tradicional. Em outras palavras, não abandonar totalmente o uso dos químicos, mas sim integrá-lo a outros métodos de manejo ambiental para que a gente faça menos uso dos carrapaticidas químicos", esclareceu Reck.

O projeto desenvolvido pelo IPVDF propõe que, em vez de tratar o animal com produtos químicos, seja aplicado um produto biológico no ambiente onde o carrapato passa a maior parte do seu ciclo de vida. "O estudo utiliza micro-organismos presentes no solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de atingir o carrapato sem causar danos aos bovinos, aos seres humanos ou ao ambiente. Esses agentes biológicos são concentrados em uma formulação e aplicados diretamente no campo, com apoio de drones, o que amplia a escala e a eficiência da operação", destacou.

Reck apresentou também, durante a reunião, um sistema de manejo de rotação e vazio de piquetes, que pode ser feito em um esquema de associação, de integração lavoura-pecuária. "Principalmente em integração com culturas como arroz ou soja, que tem uma questão de época do ano muito favorável da colheita para um momento que a gente pode aproveitar a resteva pós-colheita para deslocar os animais. E é um período importantíssimo da gente ter esse vazio no campo para poder diminuir a população de carrapatos", afirmou o pesquisador.

"É bom lembrar da dificuldade de termos hoje carrapaticidas que possam ser usados em vacas leiteiras, pois a maioria não tem indicação para vacas em lactação", comentou Reck. "A gente tem uma absoluta dificuldade de fazer uma recomendação de controle químico em vacas em lactação. Por isso, queremos ressaltar a importância do produtor de leite ter outras estratégias de controle, para que não dependam exclusivamente dos carrapaticidas químicos".

Programa Mapa Conecta

O "Programa Mapa Conecta: Diagnóstico Estadual da Inovação Agropecuária" foi abordado pelo engenheiro florestal e consultor de Inovação Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Jhonitan Matiello.

Ele contou que o Diagnóstico já iniciou em 17 estados, entre eles o Rio Grande do Sul, os quais fazem parte da Rede Mapa Conecta. "A rede aloca os consultores em cada estado, para estimular o ecossistema de inovação agropecuária e fazer a conexão entre os atores da agropecuária desses estados", explicou Matiello.

"Mas o diagnóstico oficial mesmo, mais detalhado e focado na inovação em si da agropecuária, está planejado para ser entregue ainda este ano", adiantou o engenheiro.

Matiello falou ainda sobre os desafios e a situação atual da inovação nas cadeias produtivas do Rio Grande do Sul e também sobre a questão de ambientes de inovação que o Estado possui. "Queremos saber quantas pessoas estão trabalhando nessa área no Estado, como é a questão de assistência técnica, infraestrutura, tudo com o recorte da inovação agropecuária", enfatizou. "Para isso, precisamos ouvir o pessoal mais na ponta,como o das câmaras setoriais e temáticas".

Transmissão de cargo

Durante a reunião, foi realizada a transferência de cargo de coordenador da Câmara. O novo coordenador, Marcos Tang, que é presidente da Gadolando e da Febrac, ficará na gestão pelos próximos dois anos.

Na ocasião, o secretário Madalena entregou uma placa em homenagem à Eugênio Zanetti, que deixa a coordenação, pelo trabalho realizado de 2024 até o momento.

Importação de Leite no Mercosul

O engenheiro agrônomo e consultor da Aliança Láctea Sul Brasileira, Airton Spies, abordou os problemas de importação de lácteos do Mercosul e mostrou um plano de incentivos para a exportação. "Está claro que o leite brasileiro não pode depender de apenas um mercado, o interno, para ter uma estrutura de crescimento sustentável no longo prazo. Estamos falando aqui de um setor que produziu 27 bilhões de litros de leite em 2025 e importou 2,1 bilhões de litros do Mercosul, que dá cerca de 8% do nosso consumo. E nós conseguimos exportar da nossa produção formal apenas 0,25% no ano passado", disse Spies.

"Então, para crescer atualmente, nós precisamos retirar produtores da atividade, e que é lamentável", afirmou o agrônomo. "Nesse sentido, o plano apresentado pela Aliança Láctea Sul Brasileira busca criar um ambiente favorável para que os produtores e as indústrias possam produzir leite para exportação", destacou Spies. Segundo ele, a Aliança está tratando com o BRDE, Codesul, federações de produtores de leites, entidades governamentais, assistência técnica e defesa agropecuária estratégias para tirar os gargalos que hoje impedem que o leite brasieliro seja competitivo. "Ou seja, o que torna o nosso leite mais caro do que o leite dos principais países exportadores", pontuou.

De acordo com Spies, essa agenda é importante para os três estados da região Sul, porque eles produzem 41% do leite industrializado do Brasil e só têm 14% dos consumidores. "Precisamos de uma estratégia para conseguir aumentar a produção e vender para consumidores em outros locais do mundo; e conseguir rechaçar as importações por competitividade, porque o nosso leite vai ser tão barato ou tão competitivo quanto o argentino e o uruguaio que chegam aqui, e o grande beneficiado vai ser o consumidor".

Conforme o agrônomo, o importante é entender que o leite sul-brasileiro tem vantagens comparativas que podem ser transformadas em vantagem competitiva. "Nós temos mais sol, mais chuva, mais água, nós temos terra, gente trabalhadora, agricultura familiar. Tudo isso é favorável ao aumento da produção de leite e, com isso, o leite é candidato a ser mais uma estrela do nosso agronegócio. Mas ele precisa de dois mercados, o interno e o externo, para poder crescer de forma sustentável", finalizou Spies.

Por sua vez, o auditor fiscal federal agropecuário do Serviço de Fiscalização de Insumos e Saúde Animal na Superintendência Federal de Agricultura do Mapa no Rio Grande do Sul, Rodrigo Pereira, esclareceu o posicionamento a respeito da importação de commodities lácteas para o Brasil. Segundo ele, a importação ocorre porque há demanda dos produtos no mercado brasileiro. "O valor médio do leite ao produtor é superior aos valores de outros países. Nosso leite é mais caro devido à nossa ineficiência", declarou Pereira.

"Só poderíamos rechaçar o produto importado se fosse evidenciado dumping ou por restrições sanitárias. Nenhuma dessas duas condições estão estabelecidas", garantiu o auditor fiscal. "Logo, não há motivos para rechaços. E uma eventual ação nesse sentido poderia comprometer as exportações de outras cadeias produtivas", alertou Pereira.

De acordo com ele, são necessárias ações de toda a cadeia produtiva, a fim de tentar aumentar o consumo de lácteos no mercado interno, dos 180 litros per capita ao ano para 200. (Seapi)


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Compradores seguem retraídos com aumento na estimativa de produção
Novas estimativas para a temporada 2025/26 divulgadas na semana passada pela Conab apontam aumento na produção de milho entre os relatórios de abril e maio. Assim, pesquisadores do Cepea relatam que parte dos compradores, que indica ter estoques confortáveis para as próximas semanas, aguarda recuos mais expressivos e segue retraída do mercado. Segundo dados da Conab, a primeira safra 2025/26 agora está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e ainda 2% acima do relatório divulgado em abril. Essas altas refletem aumentos em área e produtividade na maior parte das regiões produtoras. Pesquisadores do Cepea destacam que, neste ano, os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores dos últimos anos, o que já permitia certa tranquilidade a consumidores. Deste modo, segundo o Centro de Pesquisas, vendedores, atentos às recentes quedas nos preços e aos armazéns parcialmente cheios com as safras remanescentes e com a atual colheita da safra verão de soja e milho, seguem flexíveis nas negociações, seja nos preços ou prazos de pagamentos. (CEPEA)


Porto Alegre, 18 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.632


MAPA prorroga prazo para adequação ao RTIQ de Bebida Láctea até junho de 2027

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Ministério da Agricultura e Pecuária) publicou no Diário Oficial da União da última sexta-feira (15/05) a Portaria SDA/MAPA nº 1.628/2026, que prorroga o prazo para adequação das indústrias ao Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) de Bebida Láctea.

A nova norma altera a Portaria SDA/MAPA nº 1.174/2024 e estabelece que os estabelecimentos registrados no Ministério terão até 1º de junho de 2027 para atender integralmente às exigências previstas no regulamento.

A decisão atende a uma solicitação do setor lácteo, que vinha pleiteando mais tempo para realizar as adaptações necessárias nos processos produtivos, rotulagem e especificações técnicas dos produtos.

Com a prorrogação, as indústrias ganham um prazo adicional para promover os ajustes exigidos pela regulamentação, garantindo conformidade com as normas e maior segurança jurídica para o segmento.

O Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Bebida Láctea define os padrões que devem ser observados na fabricação desses produtos, incluindo composição, características e critérios de rotulagem, com o objetivo de assegurar a qualidade e a padronização no mercado brasileiro. (SINDILAT/RS)


Fenasul Expoleite encerra com 200 mil visitantes e desfile dos campeões

Com público visitante estimado em 200 mil pessoas nos cinco dias de atividades, a 19ª Fenasul e 46ª Expoleite foram encerradas com o desfile dos animais campeões das diversas espécies participantes do evento. A feira ocorreu de 13 a 17 de maio, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. As informações são da assessoria de imprensa do evento.

No total, foram mais de 1,4 mil exemplares das diversas espécies, entre bovinos de leite, bubalinos, ovinos, caprinos, equinos e pequenos animais, como coelhos, aves e chinchilas, que estiveram presentes nas feiras. Além disso, a 38ª Fenovinos foi realizada junto com a Fenasul Expoleite, trazendo para o parque cerca de 500 animais de 13 raças.

O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, destacou o orgulho de receber na pista da Fenasul Expoleite a representação da pecuária gaúcha, da pujança zootécnica e genética do Estado do Rio Grande do Sul. "Por parte do Estado, sempre teremos um trabalho incansável não só de reconhecimento, mas também de enaltecer a produção agropecuária. Também foi muito bom ter recebido a Fenovinos junto com a feira. A Região Metropolitana recebe a feira e devolve ao interior. No ano que vem, será em São Borja, com muito orgulho de ter sediado essa edição", afirmou. Madalena também lembrou que o governo do Estado está atento aos movimentos em Brasília para a renegociação das dívidas dos produtores rurais e acompanha a tramitação do PL 5122.

O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) e da Federação Brasileira das Associações dos Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, em seu discurso, enalteceu os produtores. "Os animais aqui perfilados, produtoras e produtores, o nosso respeito tem que ser enorme. Vocês, representando todos que ficaram no galpão, todos da agricultura, da pecuária, que não importa o tamanho, de um hectare a mil hectares, trabalhadores incansáveis, vocês são e representam o Brasil que dá certo", afirmou.

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, iniciou sua fala destacando a importância de feiras como a Fenasul Expoleite para divulgar o trabalho do produtor. "Gostaria de parabenizar o trabalho aqui apresentado pelos senhores e senhoras cabanheiros. Nós não devemos nada para nenhum lugar do mundo", afirmou.

Domingos também destacou a necessidade de mostrar para a população urbana a qualidade que é produzida no Estado. "Nós somos extremamente eficientes dentro das nossas porteiras, mas precisamos mostrar que somos uma potência produtora mundial. O mundo depende de nós, e precisamos colocar isso em evidência", declarou.

Durante sua fala, o prefeito de Esteio Felipe Costella destacou a importância da Fenasul Expoleite e da Multifeira para o fortalecimento do agronegócio e da exposição do potencial produtivo do Rio Grande do Sul. Ele ressaltou o orgulho da cidade de sediar uma das maiores feiras do primeiro semestre do Estado no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil. "Mesmo sendo a menor cidade do Rio Grande do Sul em território, com apenas 27 quilômetros quadrados, Esteio recebe uma das maiores feiras do Estado e mostra sua capacidade de acolher grandes eventos", afirmou.

O prefeito também destacou a grande participação do público ao longo da programação. Segundo ele, a expectativa é de que mais de 200 mil pessoas tenham passado pelo parque durante os dias de evento, acompanhando as exposições, competições e atrações da feira. "Esse é o objetivo de uma feira como essa. Mostrar aquilo que produzimos, criamos e desenvolvemos para todo o Rio Grande do Sul e para o Brasil", disse.

Ao encerrar sua manifestação, Felipe agradeceu a presença dos expositores e reforçou a expectativa de uma edição ainda maior em 2027. "Espero sinceramente que todos tenham sido recebidos da forma que merecem e que a gente possa seguir fortalecendo essa feira, mostrando o potencial do nosso Estado, da nossa cidade e principalmente de cada produtor e criador que esteve aqui expondo seus animais", concluiu. (Jornal do Comércio)

Tecnologias para reduzir gases do efeito estufa na cadeia leiteira ganham destaque na Fenasul Expoleite

As tecnologias voltadas à mitigação de gases de efeito estufa (GEE) na cadeia leiteira gaúcha foram debatidas na manhã desta sexta-feira (15/5), no espaço do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A atividade integrou a programação técnica da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) durante a Fenasul Expoleite 2026, evento que segue até domingo (17/5).

O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, participou da abertura do evento e destacou a relevância do tema para o setor agropecuário. “Ao longo dos anos, fomos muito reativos em relação às exigências e às pautas internacionais. Por isso, esta é uma iniciativa propositiva e louvável. Tenho convicção de que temos grande potencial para nos tornarmos, cada vez mais, uma potência agrícola sustentável. Precisamos ampliar debates como este, em vez de sermos pautados por agentes externos”, afirmou.

Com o tema “Tecnologias para mitigação de gases do efeito estufa na cadeia leiteira”, o painel foi coordenado pelo engenheiro florestal Jackson Brilhante, responsável pelo Plano ABC+RS na Seapi. Durante o encontro, representantes de diferentes instituições apresentaram estudos, experiências e estratégias voltadas à construção de uma produção leiteira mais sustentável, conciliando produtividade, eficiência econômica e redução dos impactos ambientais.

Brilhante destacou que o Rio Grande do Sul vem avançando na adoção de práticas sustentáveis no meio rural, especialmente por meio do Plano ABC+RS, que incentiva tecnologias de baixa emissão de carbono. Segundo ele, o setor leiteiro possui papel estratégico nesse processo, tanto pela relevância econômica quanto pelo potencial de adoção de sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis.

“Sustentabilidade tem relação direta com sanidade animal, eficiência produtiva e permanência do produtor no campo. O Rio Grande do Sul vem avançando em políticas públicas voltadas à produção sustentável, e o setor leiteiro reúne grande potencial para ampliar a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono”, ressaltou Brilhante.

Alternativas debatidas

Entre as alternativas apresentadas estiveram os biodigestores, apontados como solução para o tratamento de resíduos orgânicos, com potencial para reduzir a emissão de gases e gerar subprodutos de valor econômico e ambiental. O processo também produz o biodigestato, biofertilizante que pode ser utilizado em pastagens e lavouras, contribuindo para diminuir o uso de fertilizantes químicos.

Pesquisador da Embrapa Clima Temperado apresentou estudos sobre o aproveitamento de resíduos da produção animal em lavouras e pastagens, especialmente na cadeia leiteira. Em sistemas de produção confinados, a gestão adequada dos resíduos é considerada fundamental para reduzir a emissão de metano, um dos principais gases relacionados ao efeito estufa.

A reciclagem dos dejetos de origem animal traz ganhos econômicos e ambientais, destacou o pesquisador da Embrapa Clima Temperado Rodrigo Nicoloso. “Os fertilizantes representam de 40% a 60% do custo de produção de grãos, por exemplo. Então, faz todo sentido utilizar esses dejetos como adubos. Vejo os resíduos como uma verdadeira fábrica de fertilizantes dentro da propriedade”, afirmou.

Pesquisadoras da Universidade do Vale do Taquari (Univates) apresentaram um projeto voltado ao aproveitamento de resíduos da região. O trabalho reúne dados sobre resíduos animais, industriais e urbanos que podem ser utilizados na produção de biogás. A pesquisadora e engenheira ambiental da Univates Camila Giovanella enfatizou que o principal objetivo é transformar esses resíduos em fontes de bioenergia e criar um ciclo sustentável, com potencial para geração de energia renovável e redução de impactos ambientais.

O painel também apresentou iniciativas desenvolvidas pela Lactalis Brasil, entre elas o programa “Leite Baixo Carbono”, voltado à redução das emissões na cadeia produtiva. A representante da empresa Patrícia Fontoura destacou que o bem-estar animal é um dos pontos centrais da estratégia. “Tudo começa com alimentação adequada, acesso à água e sombra. Vacas felizes também produzem mais”, resumiu.

O painel foi encerrado com a apresentação de um estudo de caso envolvendo um produtor rural de laticínios. O produtor Jean Trevisan, que possui cerca de mil vacas leiteiras na fazenda em Farroupilha, compartilhou experiências relacionadas ao uso de tecnologias na propriedade, incluindo o aproveitamento do biogás para aquecimento térmico, geração de energia elétrica e potencial utilização como combustível na forma de biometano.

Também relatou os resultados obtidos com a aplicação de biofertilizante derivado dos resíduos da produção leiteira. “Hoje, cerca de 30% da energia usada na fazenda vem dos resíduos dos animais.”

A atividade reuniu técnicos, pesquisadores, produtores rurais, representantes de entidades e estudantes ligados ao setor agropecuário. (SEAPI)


Jogo Rápido

Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.   As inscrições podem ser feitas pela plataforma oficial do evento, clicando aqui. (SINDILAT/RS)


Porto Alegre, 15 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.631


Competitividade e sanidade são desafios para a exportação de lácteos brasileiros

Competitividade e sanidade animal combinadas com políticas públicas serão decisivas para ampliar a presença do leite brasileiro no mercado internacional, defende o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Guilherme Portella. “Sanidade é condição para exportar, mas competitividade é o que define permanência no mercado”, disse no Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira - Caminhos para a Exportação, realizado nesta quinta-feira (14/05).

Na Fenasul/Expoleite, em Esteio (RS), o dirigente ressaltou que o Brasil possui potencial produtivo para estar entre os grandes players, mas precisa enfrentar gargalos estruturais. “Exportar exige competitividade sistêmica. O futuro do leite brasileiro depende da integração entre produtores, indústria, entidades e governos”, destacou. Portella lembrou que o Rio Grande do Sul é estratégico sendo a terceira maior bacia leiteira do Brasil, com crescimento produtivo anual. Entre 2004 e 2024, a produção gaúcha foi de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros por ano, o equivalente a 11,28% da produção nacional e 2,81% do PIB gaúcho, movimentando aproximadamente R$ 19,86 bilhões.

Representando o setor da indústria, Portella salientou que é preciso superar desafios como custo logístico, a complexidade tributária, a oscilação cambial, e a necessidade de avanços em escala, tecnologia e assistência técnica, com resposta urgente da União sobre o futuro do Programa Mais Leite Saudável. “Política pública eficiente não é custo, é investimento que se transforma em competitividade”, afirmou, ao chamar atenção ainda para a necessidade de medidas imediatas de proteção do mercado interno frente ao avanço das importações do Mercosul, especialmente de Argentina e Uruguai. Somente entre janeiro e abril de 2026, ingressaram aproximadamente 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo, volume equivalente a cerca de 709 milhões de litros de leite e a 60 dias da produção gaúcha.

O Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira foi realizado no auditório da Casa da Sanidade Animal do Fundesa, no Parque de Exposições Assis Brasil, reunindo representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), setor produtivo, indústria e entidades do segmento lácteo. (SINDILAT/RS)


Sindilat destaca desafios do leite no 2º Simpósio Elo da Pecuária

O avanço da produção mundial, a pressão das importações, a volatilidade do mercado internacional e os desafios relacionados à qualidade do leite foram alguns dos principais pontos abordados pelo secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Darlan Palharini, durante a palestra “Cenários Lácteos”, realizada nesta quinta-feira (14), no 2º Simpósio Elo da Pecuária, promovido na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Campus Capão do Leão (RS).

Ao longo da apresentação, Palharini trouxe uma análise sobre os movimentos que vêm transformando a cadeia leiteira global e os reflexos para produtores e indústrias brasileiras. “Hoje o setor leiteiro convive com um ambiente muito mais volátil e conectado ao mercado internacional. O crescimento da produção global, os custos logísticos, a oscilação do dólar e o avanço das importações impactam diretamente a formação de preços e a sustentabilidade da cadeia”, afirmou.

Entre os dados apresentados, o dirigente destacou que o Rio Grande do Sul ampliou em mais de 70% sua produção de leite entre 2004 e 2024, passando de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros anuais, consolidando-se como o terceiro maior produtor do país. Atualmente, a cadeia láctea representa 2,81% do PIB gaúcho, movimentando cerca de R$ 19,86 bilhões por ano.

Outro eixo da palestra foi a qualidade do leite e os impactos econômicos associados à matéria-prima. Palharini ressaltou que a melhoria contínua dos indicadores sanitários e produtivos é determinante para aumentar a competitividade da indústria e garantir maior rentabilidade ao produtor. “A qualidade do leite deixou de ser apenas um diferencial. Quem não investir em eficiência e qualidade terá cada vez mais dificuldade de permanecer competitivo”, destacou.

No cenário internacional, Palharini destacou perspectivas de oportunidades para o leite brasileiro em mercados como Oriente Médio, Norte da África e Sudeste Asiático, impulsionadas pelo aumento da demanda global. Por outro lado, alertou para a pressão no mercado interno do leite em pó vindo dos países vizinhos do Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai. “Quando há aumento da oferta desses países com maior competitividade no mercado internacional, o Brasil sente diretamente os reflexos, principalmente no leite em pó, pressionando preços e desafiando ainda mais a indústria e o produtor nacional”, afirmou.

O 2º Simpósio Elo da Pecuária reuniu produtores, estudantes, pesquisadores, técnicos e profissionais ligados ao setor leiteiro para debater temas relacionados à produtividade, bem-estar animal, gestão e tendências de mercado ao longo de toda a programação realizada no auditório da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM/UFPel). (SINDILAT/RS)

SINDILAT/RS doa 1.020 litros de leite para famílias em vulnerabilidade social durante a Fenasul Expoleite 2026

O SINDILAT/RS realizou a doação de 1.020 litros de leite UHT à Prefeitura Municipal de Esteio, que fará a distribuição do produto para famílias em situação de vulnerabilidade social no município.

A entrega ocorreu nesta quinta-feira (14), durante o tradicional Banho de Leite promovido pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul, no âmbito da Fenasul Expoleite, realizada no Parque de Exposições Assis Brasil.

A ação integra as atividades do Concurso Leiteiro da raça Holandesa, um dos momentos mais tradicionais da feira, e simboliza a conexão entre a excelência da produção leiteira e o compromisso social da indústria de laticínios gaúcha.

Segundo o presidente do SINDILAT/RS, Guilherme Portella, a iniciativa reforça o papel do setor na promoção do desenvolvimento e do bem-estar da população.

“Ao mesmo tempo em que premiamos aqueles que se destacam na produção, também temos a oportunidade de ajudar com a doação de leite.”

A doação foi realizada em parceria com a Gadolando e destaca a importância do leite como alimento essencial, além de evidenciar o engajamento do setor lácteo com ações de responsabilidade social. (SINDILAT/RS)


Jogo Rápido

EMATER/RS: Informativo Conjuntural - Bovinocultura de leite
A atividade está em estabilidade produtiva de maneira geral, e os rebanhos apresentam condições corporais e sanitárias satisfatórias. As temperaturas mais baixas favoreceram o bem-estar animal, ao mesmo tempo que demandaram maior atenção ao manejo alimentar, com aumento da utilização de suplementação por meio de silagem, feno, pré-secado e concentrados. Também seguiram os cuidados relacionados à higiene de ordenha e ao controle sanitário dos rebanhos. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, os animais dependeram bastante de suplementação com ração e das reservas de silagem de milho, fenos e pré secados, uma vez que as pastagens de inverno ainda não estão condições ideais de utilização. Em Santana do Livramento, ocorreu falta de energia elétrica após o temporal no dia 07/05 (quinta-feira), o qual afetou diretamente as atividades de ordenha e de resfriamento do leite nas propriedades que não possuem gerador ou placas solares com baterias. Nas de Caxias do Sul e Frederico Westphalen, a produção está estável. As temperaturas mais baixas favoreceram o bem-estar das vacas no final do período. Nas de Passo Fundo e Porto Alegre, as rotinas da atividade continuaram normalmente em todas as categorias animais. No entanto, é necessária atenção ao manejo alimentar neste período de transição e vazio outonal. Na de Pelotas, continuam os desafios sanitários, como o aumento da incidência de carrapatos, possíveis casos de tristeza parasitária bovina e problemas relacionados à qualidade do leite em algumas propriedades. De forma geral, há estabilidade produtiva na atividade leiteira e expectativa moderadamente positiva para os próximos meses, sustentada pela melhora das pastagens e pela gradual reação dos preços pagos ao produtor. Na de Santa Rosa, em razão do retorno das chuvas, os produtores aumentaram os cuidados com a higiene de ordenha. Também ocorreram inseminações artificiais e aplicações estratégicas de produtos para o controle de parasitas internos, além da realização da Declaração Anual do Rebanho. Em algumas propriedades, iniciaram os primeiros pastejos outonais. Ainda assim, os rebanhos continuam recebendo principalmente silagem, feno e ração, cenário semelhante ao observado na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, onde houve aumento da utilização de suplementação com volumosos conservados e concentrados devido à reduzida disponibilidade de pastagens nos sistemas de produção a pasto. (Emater/RS)


Porto Alegre, 14 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.630


​Fenasul Expoleite 2026 é aberta em Esteio e destaca importância da cadeia produtiva do leite na economia gaúcha

O governador em exercício Gabriel Souza abriu oficialmente, nesta quarta-feira (13/5), a 19ª Fenasul e a 46ª Expoleite, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A expectativa para o evento é de ampliação do público visitante, fortalecimento dos negócios e valorização da produção agropecuária gaúcha. O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, também participou da cerimônia de abertura.

A edição de 2026 reúne cerca de 1,5 mil animais inscritos — crescimento de 4,76% em relação ao ano passado — e conta com concursos leiteiros, julgamentos de animais, provas e rodeios, feira da agricultura familiar, multifeira, seminários técnicos, atrações culturais e programação gastronômica.

Durante a cerimônia, Gabriel e Madalena destacaram a importância estratégica do setor leiteiro para o Rio Grande do Sul e a diversidade que a feira oferece. Gabriel ressaltou que a cadeia produtiva do leite possui papel fundamental na economia gaúcha, especialmente pelo forte vínculo com a agricultura familiar, já que mais de 90% dos produtores de leite do Estado pertencem a esse segmento.

O governador em exercício também afirmou que o fortalecimento da atividade depende da criação de condições estruturais e competitivas para quem produz no campo. “A atividade leiteira precisa ser valorizada não só pelo produto de alta qualidade que produz, mas também pela característica árdua, suada e diária do trabalho dos produtores. Essa é uma atividade que gera muito emprego e renda no campo. Temos no Rio Grande do Sul a terceira maior bacia leiteira do Brasil, que produz milhões de litros de leite que geram produtos variados de alta qualidade que chegam ao consumidor.”

“Aproveitamos esse momento de abertura da feira também para discutir assuntos inerentes ao setor, como o grave endividamento dos produtores causado pelos eventos meteorológicos e que deve ser votado no Senado. Também temos a questão do ingresso de leite estrangeiro no Estado a partir de acordos do Mercosul em um sistema que gera competição desleal e prejudica o produtor gaúcho, que defendemos de todas as formas possíveis”, disse Gabriel.

Melhorias na infraestrutura e na organização da feira
Neste ano, o governo do Estado está investindo cerca de R$ 1 milhão na realização da feira, com melhorias na infraestrutura, na organização e na qualificação dos espaços destinados a expositores, criadores e visitantes.

Madalena ressaltou que essa é a maior feira de 2026 no primeiro semestre do Rio Grande do Sul. “Este é um marco importante para o setor agropecuário e para todos os envolvidos na organização do evento. Além disso, damos início a um novo modelo de feiras e exposições no Parque Assis Brasil, com a realização inédita da Fenovinos em Esteio. É um passo estratégico para ampliar oportunidades, fortalecer as cadeias produtivas e consolidar ainda mais o parque como referência nacional na realização de grandes eventos do setor”, afirmou o titular da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

As demais autoridades presentes também ressaltaram a relevância da feira para o desenvolvimento da agropecuária gaúcha, especialmente das cadeias leiteira e da pecuária de corte, além do papel estratégico do evento na valorização genética, tecnológica e econômica do setor.

Crescimento da Fenasul Expoleite
Considerada a segunda maior feira agropecuária realizada anualmente no Parque Assis Brasil (atrás apenas da Expointer), a Fenasul Expoleite vem registrando crescimento nos últimos anos e consolidando-se como espaço de exposição de animais, difusão de conhecimento técnico, qualificação genética e geração de negócios.

A feira ocorre de 13 a 17 de maio, com entrada gratuita para pedestres e veículos. O acesso de pedestres ocorre pelos portões 3 e 7, enquanto os estacionamentos para visitantes estão disponíveis nos portões 5 e 10.

A Fenasul Expoleite é realizada pela Seapi e pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), com copromoção da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e da prefeitura de Esteio. (SEAPI)


Governo anuncia subvenção para reduzir preço da gasolina e nova subvenção para o diesel

Anúncio ocorre enquanto Petrobras, que fixa os preços, sofre forte pressão. Setor calcula defasagem de 39% no diesel e de 73% na gasolina em relação aos preços internacionais.

O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (13), mais uma medida provisória (MP) com ações para conter a alta dos combustíveis, mais especificamente a gasolina e o diesel, produzidos no Brasil ou importados.

A MP prevê um benefício tributário na Cide e do PIS/Cofins, tributos federais que incidem sobre os combustíveis. A nova subvenção terá início pela gasolina, que ainda não foi alvo de nenhuma medida para conter o aumento de preço, mas, de acordo com o governo, pode se estender ao diesel. 

O desconto no imposto não poderá ultrapassar o teto dos tributos federais. Atualmente, esses valores são:

R$ 0,89 por litro na gasolina, o que inclui PIS/Cofins e Cide; e
R$ 0,35 de PIS/Cofins por litro de óleo diesel, que já teve sua tributação suspensa em março por uma outra MP. 

A medida anunciada nesta quarta pode valer para o diesel quando a MP de março, com duração prevista para abril e maio, deixar de ser aplicada.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a medida tem neutralidade fiscal, ou seja, não pressiona os cofres públicos. Ele calcula que o custo da medida ficará entre R$2,7 bilhões a R$3 bilhões por mês, somando os valores da gasolina e diesel.

Segundo Moretti, um ato do Ministério da Fazenda, que será publicado nos próximos dias, trará os valores da subvenção. Para a gasolina, o ministro estima que o valor deve ficar entre R$0,40 a R$0,45. O do diesel deve ser de R$0,35.

"Como a receita da União por meio de dividendos, royalties e participação tem crescido com o aumento da cotação do petróleo no mercado internacional, a medida será neutra do ponto de vista fiscal", justificou o governo. 

Com as mudanças, o governo pretende diminuir o impacto do aumento do preço do petróleo a cinco meses das eleições de outubro, que disparou após o início do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã, no custo dos combustíveis.

Medidas provisórias têm força de lei assim que são publicadas no "Diário Oficial da União", com validade por 60 dias, podendo ser prorrogadas por igual período. Para continuar valendo, precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional.

O valor será pago aos produtores e importadores por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A medida funcionará como um cashback para amortizar eventuais aumentos de preços pela retirada do tributo.  (Jornal do Comércio)

Setor leiteiro lança ferramenta para enfrentar volatilidade de preços

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sediou, na quarta-feira (13), o lançamento de uma nova ferramenta de proteção de preços voltada ao setor lácteo brasileiro. Desenvolvida pela StoneX Leite Brasil, com apoio da CNA e parceria do Cepea, a iniciativa busca introduzir no país mecanismos de gestão de risco já consolidados em mercados mais maduros. A proposta chega em um momento em que a cadeia leiteira ainda enfrenta um problema estrutural: a baixa previsibilidade de preços e margens em um ambiente de alta volatilidade.

Na abertura do evento, o vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, destacou a evolução do agronegócio brasileiro nas últimas décadas e o papel da eficiência produtiva nesse avanço. Segundo ele, a cadeia do reúne aproximadamente 1,2 milhão de produtores e registrou crescimento de 50% nos últimos 20 anos, mesmo com redução de 25% no rebanho. Para Pereira, a adoção de ferramentas que aumentem a previsibilidade é um passo necessário para a continuidade desse desenvolvimento, especialmente em um cenário de sucessão no campo e maior digitalização das propriedades.

O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA e um dos maiores produtores de leite do Brasil, Jonadan Ma, classificou o lançamento como um marco para o setor. Segundo ele, a falta de previsibilidade sempre foi um dos principais gargalos da atividade. “O Brasil é um dos poucos países em que o produtor trabalha o mês inteiro sem saber exatamente quanto vai receber pelo leite”, afirmou.

Ele também chamou atenção para os impactos diretos dessa dinâmica no fluxo de caixa, apontando que a instabilidade de receitas compromete a sustentabilidade financeira da produção. Nesse contexto, a ferramenta surge como uma tentativa de estruturar melhor a gestão e reduzir a exposição às oscilações de mercado. Apesar do tom otimista, o próprio dirigente reconheceu que se trata de um ponto de partida: “Entramos em campo. Ainda precisamos ajustar o jogo, mas pode ser um divisor de águas”.

O CEO da StoneX no Brasil, Glauco Monte, destacou a trajetória da empresa no agronegócio e a experiência internacional na atuação com gestão de risco. Segundo ele, a companhia já atua há cerca de duas décadas no agro brasileiro e acompanha de perto a dinâmica dos mercados em que está inserida, com presença em diferentes regiões do país. Na mesma linha, o diretor da StoneX, Caio Toledo, afirmou que a entrada no setor lácteo responde a uma lacuna identificada pela empresa. De acordo com ele, a ausência de instrumentos estruturados de gestão de risco no leite colocava o Brasil como uma peça ainda não integrada ao modelo já aplicado em outros mercados.

Um mercado que ainda opera no curto prazo

A pesquisadora do Cepea, Nathalia Grigol, trouxe uma leitura mais estrutural sobre os desafios da cadeia. Segundo ela, o setor leiteiro brasileiro ainda opera excessivamente focado no curto prazo, o que limita os ganhos de competitividade no longo prazo.

De acordo com a pesquisadora, essa dinâmica incentiva comportamentos oportunistas e reduz a capacidade de planejamento dos agentes, especialmente em uma atividade de ciclo produtivo longo como a leiteira. “O produtor fica exposto à volatilidade e, com isso, sua margem também se torna volátil. Isso gera instabilidade nos investimentos e acaba comprometendo o desenvolvimento do setor”, explicou. Na avaliação dela, a ausência de instrumentos de gestão de risco contribui para gargalos importantes, como a menor competitividade internacional e a dificuldade de avançar rumo à autossuficiência.

A introdução de ferramentas de hedge, nesse sentido, pode ajudar a deslocar o foco do curto para o longo prazo, criando condições mais estáveis para investimentos, produção e formação de preços, com reflexos que chegam até o consumidor final. É importante destacar que hedge é uma estratégia para reduzir o risco de variação de preço, fazendo uma operação no mercado financeiro que anda no sentido oposto da sua exposição principal. Em outras palavras: você cria uma “proteção” para que oscilações de preço afetem menos o seu resultado.

Como funciona a ferramenta

Responsável pela operação, Marianne Tufani, Manager da StoneX Leite Brasil, explicou que a solução não envolve negociação em bolsa, funcionando em um modelo de balcão. Na prática, há um comprador e um vendedor, com a StoneX atuando como intermediadora financeira da operação. “O objetivo não é ganhar dinheiro com a ferramenta, mas proteger margem”, ressaltou.

O mecanismo permite que produtores, indústrias e cooperativas fixem preços futuros para seus produtos, reduzindo a exposição às oscilações do mercado. Caso o preço caia, o agente recebe a diferença na conta da corretora; se subir, ele paga essa diferença. Independentemente do movimento, o preço efetivo da operação permanece travado. A operação é exclusivamente financeira, sem entrega física obrigatória. 

A ferramenta contempla quatro produtos:

Leite UHT (40 mil litros)
Leite ao produtor (40 mil litros)
Queijo muçarela (4 mil quilos)
Leite em pó integral (5 toneladas)

Segundo Tufani, os volumes foram definidos com base na experiência internacional da empresa, buscando atender desde pequenos até grandes agentes da cadeia. Apesar do tamanho padrão dos contratos, há possibilidade de fracionamento, o que, em tese, amplia o acesso. A entrada na operação exige abertura de conta na corretora, e as ordens podem ser feitas por canais diretos, como e-mail, telefone ou WhatsApp.

Um dos pontos mais enfatizados por Tufani foi a necessidade de entendimento correto da ferramenta. Segundo ela, o hedge só cumpre seu papel quando utilizado como instrumento de proteção, e não como tentativa de antecipação de ganhos. “O produtor precisa saber qual margem faz sentido para ele. A partir disso, ele trava o preço. Se usar a ferramenta para tentar ganhar com o mercado, já é outra lógica”, explicou.

Ela também destacou que o uso adequado pode facilitar o acesso a crédito, uma vez que a previsibilidade de receitas reduz o risco percebido pelas instituições financeiras.

Liquidez e construção de mercado

Um dos desafios apontados é a construção de liquidez. Como se trata de um mercado novo no Brasil, a própria StoneX terá o papel de articular compradores e vendedores. As contrapartes não são divulgadas, seguindo padrão comum em operações financeiras desse tipo. Segundo Tufani, a experiência internacional mostra que esse processo é gradual. “Há anos, estávamos nesse mesmo estágio na Europa. Hoje, a grande maioria do mercado já utiliza hedge”, afirmou.

Custo e percepção na cadeia

Questionada sobre o receio de que a ferramenta represente mais um intermediário e, consequentemente, mais custo, Tufani afirmou que a proposta não é onerar a cadeia, mas reduzir perdas já existentes. “Hoje, muitos agentes perdem dinheiro com a volatilidade. A ideia é justamente evitar isso”, disse, reconhecendo, no entanto, a existência de custos de corretagem.

O evento foi encerrado com uma operação simbólica de venda realizada por Jonadan Ma, marcando o início das atividades da ferramenta no país.

Mais do que uma solução imediata, o lançamento representa uma tentativa de mudança estrutural na forma como o setor leiteiro brasileiro lida com preços, risco e planejamento, um movimento que ainda dependerá de adesão, entendimento e adaptação dos diferentes elos da cadeia. (Milkpoint)


Jogo Rápido

Président convida público a cozinhar em campanha inspirada nos musicais franceses
A Président, marca francesa de queijos e manteigas pertencente à Lactalis, apresenta sua nova plataforma de comunicação “Bora Cozinhar com Président”, que transforma a cozinha em um palco inspirado nos grandes musicais franceses. A campanha une entretenimento, gastronomia e storytelling para convidar o público a redescobrir o prazer de cozinhar em casa. Embalada pelo clássico ritmo do Can Can, a produção dá vida aos produtos da marca, como queijos fatiados, parmesão e manteigas Président, em uma narrativa visual lúdica e bem-humorada. Segundo Raul Sanches, diretor de marketing da Président, o movimento busca ampliar as ocasiões de consumo de queijo no Brasil e incentivar novas experiências gastronômicas dentro de casa. “Apesar de sua magnitude, o mercado brasileiro de queijos possui um enorme potencial de expansão. Nosso consumo per capita atual é de 5,6 kg anuais, muito abaixo de vizinhos como Argentina e Chile. A proposta da Président chega justamente para quebrar essa barreira e ampliar o repertório, fazendo um convite para que o brasileiro leve o queijo para o centro da culinária”, afirma o executivo. A inspiração criativa da campanha nasceu da linguagem clássica dos musicais, trazendo personalidade para ingredientes e utensílios de cozinha em uma atmosfera cinematográfica. “A nossa inspiração veio da magia narrativa dos grandes musicais, onde é possível dar vida e personalidade aos objetos de cena, criando um universo lúdico e memorável. Queremos ativar essa memória afetiva e levar a marca ao topo da lembrança dos consumidores sempre que o palco for a cozinha”, explica Gustavo Victorino. Além do filme principal, a estratégia inclui a websérie “Cozinha de Chef em 15 minutos”, estrelada pelo chef francês Claude Troisgros. Produzida especialmente para o ambiente digital, a série apresenta receitas práticas e acessíveis finalizadas em até 15 minutos, reforçando a proposta de transformar refeições cotidianas em experiências gastronômicas. A campanha também aposta em uma presença multiplataforma, com conteúdos adaptados para Instagram, TikTok e YouTube Shorts, além de veiculação nas principais emissoras do país. Com a nova fase, a Président reforça sua estratégia de aproximar a marca da rotina dos consumidores por meio de experiências, entretenimento e da valorização do ato de cozinhar. As informações são do Adnews, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Porto Alegre, 13 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.629


​Conseleite cobra política de apoio e diálogo com setor lácteo

Frente ao avanço constante das importações de lácteos pelo Brasil, o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) enviou, nesta terça-feira (12/05), ofício ao governo federal cobrando medidas emergenciais e estreitamento do diálogo com o setor produtivo. O ofício foi endereçado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, o momento é de preocupação com o aumento das cargas vindas de países do Mercosul, em especial Argentina e Uruguai. O setor busca medidas efetivas que permitam redução de custo de produção no Brasil, apoio à sanidade dos rebanhos e melhoramento da competitividade no campo e na indústria. “Queremos uma política clara que nos traga igualdade de condições para competir com os produtores no Uruguai e Argentina”, pontuou.

Em um primeiro momento, cita Prestes, a ideia é intensificar o diálogo entre o governo e as entidades do setor. "O Estado brasileiro assiste de braços cruzados à redução no número de produtores de leite e ao fechamento de propriedades, como apontam os dados oficiais do IBGE e da ASCAR/Emater-RS. Até agora, nenhuma das políticas anunciadas foi efetiva para contornar esse problema”, lamentou. E disse mais: “Enquanto não atacarmos a raiz dessa questão, que é a entrada de leite importado, estudando salvaguardas, continuaremos em crise".

O documento argumenta que o Brasil está entre os maiores produtores de leite do mundo, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros. Conforme dados do IBGE e da Embrapa, a atividade leiteira está presente em mais de um milhão de propriedades rurais brasileiras, especialmente na agricultura familiar. Nos últimos anos, entretanto, os produtores, cooperativas e indústrias brasileiras passaram a enfrentar forte pressão econômica em um cenário agravado pelo crescimento das importações de leite em pó, queijo e outros derivados lácteos dos países pertencentes ao Mercosul.

“Os preços praticados para vendas dessas cargas ao Brasil vêm colocando produtos importados no mercado brasileiro abaixo do custo médio de produção nacional, gerando forte desequilíbrio concorrencial”, frisa Prestes. Além disso, argumentam as entidades representadas pelo colegiado, o setor produtivo nacional é penalizado pela existência de diferenças sanitárias, tributárias, ambientais e regulatórias. “O que temos hoje são condições desiguais de competitividade que favorecem nossos vizinhos a posicionarem sua produção no mercado brasileiro. Precisamos de equidade para competir com esses países”.

Somente entre janeiro e abril de 2026, ingressaram no Brasil aproximadamente 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo. O volume representa o equivalente a cerca de 709 milhões de litros de leite e corresponde a onze dias da produção nacional e, no caso de estados como o Rio Grande do Sul, a 60 dias de produção. (Conseleite/RS)


Conseleite Minas Gerais

RESOLUÇÃO DE FECHAMENTO DO MÊS DE ABRIL/2026 

A diretoria do Conseleite Minas Gerais no dia 08 de Maio de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados 
lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: 

a) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Abril/2026 a ser pago em Maio/2026. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. 

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA 
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br. (Conseleite MG)

Estratégia empresarial | Lactalis e Danone expõem dois caminhos para crescer no lácteo

Lactalis e Danone ajudam a explicar uma transformação silenciosa dentro da indústria global de alimentos: faturamentos semelhantes já não significam modelos de negócio parecidos.
A comparação entre os dois grupos franceses revela estruturas operacionais, composição de portfólio e estratégias de rentabilidade cada vez mais distintas dentro do setor lácteo.

A Lactalis registrou faturamento de 30,8 bilhões de euros, enquanto a Danone alcançou 27,4 bilhões de euros. Apesar da proximidade dos números, os indicadores financeiros mostram uma diferença importante na lógica de geração de resultado.

O modelo da Lactalis continua profundamente ligado ao leite, aos queijos, às commodities lácteas e à operação industrial em larga escala. Cerca de 45% da receita do grupo vem de produtos lácteos frescos, enquanto aproximadamente 30% está concentrado em queijos. As margens estimadas aparecem entre 1% e 3%.

A estrutura apresentada reforça um modelo baseado em integração industrial, aquisições e domínio de volumes globais. A presença em mais de 100 países e o peso operacional da companhia evidenciam uma estratégia sustentada por escala, capilaridade e eficiência industrial.

Na Danone, o desenho é diferente. O grupo distribui sua receita entre categorias com perfis de margem mais elevados e menor dependência das commodities lácteas tradicionais.

A divisão de nutrição especializada representa cerca de 33% do faturamento e concentra margens estimadas entre 20% e 25%. O segmento de águas responde por aproximadamente 18% da receita, com margens entre 15% e 20%. Já a divisão Essential Dairy & Plant-Based reúne cerca de 49% do faturamento, com margens estimadas entre 5% e 8%.

Na prática, o mix de produtos altera completamente a leitura da rentabilidade. Enquanto a Lactalis depende mais do volume industrial e da dinâmica do leite como commodity, a Danone amplia exposição a categorias associadas à nutrição especializada, saúde, marcas premium e maior capacidade global de precificação.

O contraste também aparece na margem operacional corrente. O material aponta 13% para a Danone, enquanto as estimativas para a Lactalis permanecem significativamente inferiores.

Mais do que uma comparação financeira entre empresas, os números mostram duas formas distintas de posicionamento dentro da cadeia global de alimentos.

De um lado, a lógica industrial focada em escala, integração e volumes. Do outro, uma estratégia orientada à captura de valor, diferenciação e categorias de maior rentabilidade.

A discussão, portanto, deixa de ser apenas sobre quem fatura mais ou quem entrega maior margem no presente. O ponto central passa a ser qual modelo terá maior capacidade de sustentar competitividade, crescimento e resiliência nos próximos anos.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de LinkedIn


Jogo Rápido

Fenasul Expoleite 2026 começa nesta quarta-feira (13/5), com entrada gratuita
Concursos de ordenha, julgamento de animais, provas e rodeios, feira da agricultura familiar e multifeira, seminários técnicos, atrações culturais e gastronomia. A Fenasul Expoleite 2026 inicia nesta quarta-feira (13/5), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, com programação para todos os gostos e entrada gratuita. Pedestres poderão ingressar pelos portões 3 e 7, e haverá vagas de estacionamento para visitantes nos portões 5 e 10. Os portões ficarão abertos das 8h às 00h. A Fenasul Expoleite 2026 terá a participação de 1.453 animais, entre bovinos leiteiros, bubalinos, equinos, coelhos, chinchilas, pássaros, caprinos e ovinos. O concurso de ordenha das raças Holandesa e Jersey ocorrerá nos dias 13 e 14, encerrando com o tradicional banho de leite às 17h da quinta-feira (14/5). Pela primeira vez na história, a Feira Nacional dos Ovinos (Fenovinos) será realizada junto com a Fenasul Expoleite, com a presença de 483 animais. Haverá julgamento de animais, Campeonato Cabanheiro do Futuro e leilão multi raças. (Seapi)


Porto Alegre, 12 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.628


O parmesão virou aliado fitness? O que diz Tim Spector

Especialista em microbiota afirma que o parmesão concentra creatina graças ao longo processo de maturação do queijo.

A creatina no parmesão virou um dos temas mais curiosos da semana entre especialistas em alimentação, esportistas e amantes de queijo. E não foi por acaso.
O responsável pela discussão foi Tim Spector, que trouxe um olhar diferente para um produto tradicional que já ocupa espaço fixo nas cozinhas do mundo inteiro.

Em um vídeo recente, o professor do King’s College London afirmou que o parmesão é “uma das fontes mais ricas de creatina no mundo dos laticínios”. A declaração rapidamente ganhou repercussão porque a creatina costuma ser associada quase exclusivamente à carne vermelha, aves, peixes e suplementos esportivos.

Segundo Spector, o segredo está no próprio processo de fabricação do queijo. Durante a produção do parmesão, grande parte da água é removida. O resultado é uma concentração muito maior dos nutrientes naturalmente presentes no leite, incluindo proteínas, minerais e pequenas quantidades de creatina.

E o parmesão tem uma característica extra: a longa maturação. Quanto mais duro e envelhecido o queijo, maior tende a ser a concentração desses compostos. Isso ajuda a explicar por que o produto ganhou atenção entre consumidores interessados em desempenho físico, envelhecimento saudável e alimentação natural.

O especialista, porém, faz questão de colocar o tema em perspectiva. Uma dose comum de suplementação de creatina gira em torno de cinco gramas por dia. Para atingir esse volume apenas com parmesão, seria necessário consumir uma quantidade muito elevada do queijo, algo pouco compatível com uma dieta equilibrada.

Ainda assim, Spector defende que “tudo soma”. Em vez de buscar milagres nutricionais em um único alimento, o professor sugere valorizar produtos tradicionais, fermentados e menos ultraprocessados. Nesse contexto, o parmesão aparece mais como um complemento interessante do que como substituto da carne, do peixe ou da suplementação.

O debate também reacende uma tendência importante para a indústria de alimentos: consumidores cada vez mais atentos à densidade nutricional dos produtos e ao valor agregado de alimentos naturais e maturados. Queijos artesanais e ingredientes fermentados voltam a ganhar espaço não apenas pelo sabor, mas também pela percepção de funcionalidade.

No fim, o parmesão talvez não vire suplemento de academia. Mas conseguiu algo raro: colocar um queijo centenário no centro das conversas sobre nutrição moderna.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de AS.com


Três de Maio promove programação especial no Dia Mundial do Leite em 1º de junho
 
Evento será realizado no Parque de Exposições Germano Dockhorn com painéis técnicos, lançamento de projetos e almoço festivo.
 
O município de Três de Maio/RS, promove no dia 1º de junho de 2026 a programação especial do Dia Mundial do Leite, no Parque de Exposições Germano Dockhorn.
 
O evento será realizado ao longo de todo o dia e contará com recepção a partir das 8h, com café da manhã e produtos lácteos gratuitos para os participantes inscritos previamente.
 
A abertura oficial está marcada para as 9h. Na sequência, às 9h10, será realizado o lançamento do concurso Produtor de Leite Destaque Amufron.
 
A partir das 9h20, terão início os painéis técnicos. O primeiro abordará a perspectiva do setor leiteiro com o tema “Leite do Futuro”, com mediação de Darlan Palharini, secretário executivo do Sindilat, e participação do pesquisador Samuel Oliveira, da Embrapa Gado de Leite.
 
Às 10h25, o segundo painel tratará da sucessão familiar no campo com o tema “Produtor do Futuro”, mediado por Fernando Zimmermann, presidente da APIL, e com participação de Célio Alberto Colle, assessor especial da Emater/RS-Ascar.
 
O terceiro painel, às 11h30, terá como tema “Leite Fronteira Noroeste – Alimentando o Brasil”, com mediação de Izabel Cristina Dalemolle e participação da médica veterinária Fabiane Niedermeyer, gestora de projetos do agronegócio do Sebrae.
 
Às 12h35, será realizado o lançamento da programação da Expo Terneira 2026. O encerramento acontece às 13h com almoço festivo gratuito, também mediante inscrição antecipada.
 
A organização informa que a inscrição prévia é obrigatória para garantir acesso gratuito ao café da manhã e ao almoço. O prazo para inscrições vai de 27 de abril a 20 de maio de 2026.
 
As bebidas consumidas durante o evento serão cobradas separadamente.
 
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (55) 99943-1338. (Jornal Noroeste)
 
 
 

Produção Mundial de Leite

As tendências na oferta global de leite influenciam os preços. As entregas nas seis principais regiões exportadoras são monitoradas para fornecer uma visão geral dos níveis de produção atuais e das tendências na oferta global de leite.
 
As regiões produtoras de leite incluídas são:
 
• União Europeia-27
• Reino Unido
• Argentina
• Austrália
• Nova Zelândia
• EUA
 
Juntos, eles representam mais de 65% da produção mundial de leite de vaca e cerca de 80% das exportações mundiais de laticínios.
Resumo
A distribuição global de leite atingiu uma média de 849 milhões de litros por dia em fevereiro , um aumento de 35,2 milhões de litros por dia (+4,3%) nas regiões selecionadas , em comparação com o mesmo período do ano passado.
 
A distribuição de leite na União Europeia atingiu uma média de 399,7 milhões de litros por dia em fevereiro, um aumento significativo de 20,6 milhões de litros por dia (+5,4%) em comparação com o mesmo mês do ano passado, e o melhor fevereiro de sempre. O aumento da produção foi impulsionado por margens anteriormente elevadas, custos de alimentação mais baixos e maior produtividade, embora os preços pagos aos produtores tenham diminuído.
 
Analisando mais detalhadamente os números da UE, vemos o maior aumento anual em volume na Alemanha, com 164 milhões de litros (+7%) em fevereiro, seguida pela França, com 141 milhões de litros (+8%), e pela Itália, com 89 milhões de litros (+9%).
 
No Reino Unido , as entregas diárias atingiram uma média de 43,5 milhões de litros em fevereiro, um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior . O fluxo de leite continuou a atingir novos recordes. O aumento do uso de ração concentrada impulsionou a produção por vaca. As entregas de leite em abril mostram uma estabilização.
 
A produção de leite nos EUA aumentou em 8,4 milhões de litros por dia (+3%) em relação ao ano anterior , atingindo uma média de 287,3 milhões de litros por dia em fevereiro. As margens de lucro das fazendas leiteiras diminuíram em relação aos seus níveis elevados, mas permanecem positivas, sustentadas pela receita da produção de leite e carne bovina.
 
A Austrália registrou um aumento anual de 0,1 milhão de litros por dia (0,6%) em comparação com o ano anterior , atingindo uma média de 20,6 milhões de litros por dia. Apesar do aumento dos custos de produção e do crescente risco de seca, os preços do leite permaneceram estáveis.
 
As entregas na Nova Zelândia aumentaram em 3,9 milhões de litros por dia (+6%) em relação ao ano anterior , atingindo uma média de 68,6 milhões de litros por dia em fevereiro. A confiança dos produtores foi impulsionada pelos altos preços do leite e pelas condições climáticas favoráveis, que aumentaram o fluxo de leite.
 
As entregas na Argentina continuaram a crescer, aumentando em 2,8 milhões de litros por dia (+10,6%) em fevereiro em comparação com o ano anterior. O investimento no setor lácteo, as condições climáticas favoráveis e a sólida situação econômica dos produtores impulsionaram esse aumento de produtividade. No entanto, a queda nos preços do leite reduziu a rentabilidade, levando a uma projeção de crescimento menor para 2026. (Ocla)

Jogo Rápido

Novo comercial da Piracanjuba reforça presença da marca no CA-FÉ-DA-MA-NHÃ dos brasileiros
Criada pela AlmapBBDO, campanha aposta em humor e linguagem do dia a dia para destacar o portfólio da marca. Goiânia, 12 de maio de 2026 – A Piracanjuba lança um novo filme de sua campanha nacional, desta vez com foco em um dos momentos mais tradicionais do dia: o café da manhã. Leve e bem-humorado, o comercial evidencia a diversidade de produtos da marca presentes na rotina dos brasileiros. O roteiro parte de um insight simples: situações cotidianas podem ganhar um novo significado quando associadas à marca. Na campanha, a expressão “ca-fé-da-ma-nhã” surge de forma espontânea e reforça, de maneira criativa, a presença da Piracanjuba nesse momento de consumo. A ideia se conecta a um dos elementos mais reconhecidos da marca: a forma como o nome “Pi-ra-can-ju-ba” é naturalmente repetido pelo público, com a divisão silábica. Mais do que um recurso criativo, a abordagem resgata um ativo importante da identidade da marca e reforça sua presença na mesa dos brasileiros. Hoje presente em nove de cada dez lares, a Piracanjuba consolidou uma relação de proximidade construída ao longo do tempo. “O novo filme reforça a presença da Piracanjuba no café da manhã dos brasileiros, um momento em que a marca já faz parte da rotina de muitas famílias. A campanha resgata um ativo proprietário muito forte e traduz isso de forma leve e bem-humorada, conectando a marca ao dia a dia das pessoas”, afirma Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba. A iniciativa integra o planejamento de marketing da companhia para 2026, estruturado em três pilares: rejuvenescimento da marca, regionalização e reposicionamento. A proposta combina memória afetiva, linguagem popular e uma abordagem contemporânea da comunicação. A veiculação contempla TV aberta, plataformas digitais, redes sociais e mídia out of home, com ações de alcance nacional e regional. Conheça o novo filme da campanha (Para o dia começar bem: ca-fé da ma-nhã) clicando aqui. (Piracanjuba)


Porto Alegre, 11 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.627


Lácteos registram queda nas importações e nas exportações em abril

O mês de abril foi marcado por retração no volume total das importações e das exportações, que somaram 212,9 milhões de litros em equivalente-leite e 3,9 milhões de litros em equivalente-leite, respectivamente.
 
O mês de abril foi marcado por retração no volume total das importações e das exportações, que somaram 212,9 milhões de litros em equivalente-leite e 3,9 milhões de litros em equivalente-leite, respectivamente. 
Apesar do recuo frente a março, os volumes importados permanecem em patamares relevantes, refletindo a competitividade dos produtos importados frente aos nacionais. A recente queda do dólar também contribui para favorecer a entrada de lácteos no país, ao tornar os preços dos produtos externos mais atrativos.
 
Em relação ao saldo total, o mês registrou déficit de 209 milhões de litros em equivalente-leite na balança comercial de lácteos. Embora o saldo seja negativo, o resultado foi menos deficitário do que o observado em março, acompanhando a redução no volume total importado no período.
 
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
 
As importações registraram queda de 10% em relação ao mês anterior, porém na comparação anual, houve aumento de 34,3%. Ou seja, as importações seguem em linha crescente quando observado num longo período. 
 
Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
 
Os principais movimentos observados nas importações foram:
 
Queijos: apresentaram avanço expressivo, com alta de 49% no volume importado frente a março;
 
Entre os queijos, a muçarela se destacou como o principal produto negociado. O mês de abril registrou um aumento de 98% da importação total de muçarela em relação ao mês de março.
 
Leite em pó integral (LPI): produto de maior relevância na cesta de importação, apresentou queda de 16% no volume frente ao mês anterior;
 
Leite em pó desnatado (LPD): registrou retração de 38% em relação a março.
 
Já em relação às exportações, houve queda tanto na comparação mensal quanto anual, abril registrou queda de 19% em relação a março, e -13,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. O movimento reforça a baixa competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
 
Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.
 
Nas exportações de março, foram observados movimentos distintos entre os principais produtos:
 
Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou queda de 7% no volume embarcado frente a março, representando 35% da cesta de exportações;
 
Cremes de leite: registraram avanço de 36% no período;
 
Manteiga: apresentou forte retração, com queda de 51% nos embarques em relação ao mês anterior;
 
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de março de 2026 e abril de 2026.
 
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em abril de 2026
 
 
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em março de 2026
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 
 
O que podemos esperar para os próximos meses?
 
Em abril, tanto as importações quanto as exportações apresentaram queda em relação ao mês anterior. No caso das importações, apesar da retração mensal, os volumes ainda permanecem em níveis elevados, sustentados pela competitividade dos produtos externos frente às observadas vistas no mercado nacional causada pela sazonalidade e pelo câmbio mais favorável, com a recente queda do dólar contribuindo para tornar os lácteos importados mais atrativos no mercado brasileiro.
 
No curto prazo, caso o câmbio permaneça em níveis mais baixos e os preços internacionais sigam competitivos frente aos produtos nacionais, as importações tendem a se manter em patamares relevantes. Esse cenário pode favorecer a entrada de derivados no país.
 
Diante desse contexto, os próximos meses exigem atenção à evolução dos preços internacionais, ao comportamento do câmbio e à resposta da produção doméstica. Há também necessidade de atenção às políticas internas, com as ações antidumping para o leite em pó vindo do Mercosul no foco das negociações. A combinação desses fatores será decisiva para definir o ritmo das importações, o espaço dos produtos brasileiros no mercado externo e os possíveis efeitos sobre a formação de preços no mercado interno. (Milkpoint)
 

Recuperação no preço do leite anima setor

O mercado lácteo brasileiro vive um momento de recuperação nos preços após o forte impacto do período de pressão causado pelo aumento da oferta de leite em 2025. A avaliação é do Secretário-Executivo do Sindilat e vice-coordenador do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite), Darlan Palharini, em entrevista ao JM.
 

Segundo ele, o segundo semestre de 2025 foi marcado por preços baixos em razão do crescimento da produção no Rio Grande do Sul, no Brasil e também em países da América Latina. A expectativa do setor era de recuperação gradual a partir de março deste ano, mas a reação do mercado ocorreu de forma mais intensa do que o previsto.

De acordo com Palharini, os atuais valores começam a permitir resultado positivo ao produtor, embora o principal desafio seja manter os preços em patamares sustentáveis e controlar os custos de produção. “A grande preocupação da atividade leiteira continua sendo a gestão de custos”, afirmou.

Entre os fatores que pressionam o setor estão os reflexos de conflitos internacionais sobre insumos como ureia e diesel, que tiveram reajustes recentes. Conforme o dirigente, o aumento desses custos pode comprometer os ganhos obtidos com a recuperação dos preços do leite.

Palharini destacou ainda que produtores e indústrias precisam buscar eficiência para enfrentar a concorrência internacional. Segundo ele, mesmo com discussões envolvendo importações e processos de antidumping, não houve mudanças significativas nas políticas federal e estadual para o setor leiteiro.

O dirigente ressaltou que o Brasil segue convivendo com forte entrada de produtos lácteos importados, especialmente queijos. Apenas nos meses de março e abril, o país registrou recordes de importação. “A atividade precisa trabalhar por si mesma, com eficiência e gestão de custos, para competir com o mercado internacional”, observou.

Outro ponto apontado como desafio é a elevada taxa de juros no país. Com a Selic em 14,5% ao ano, linhas de crédito para investimento podem superar 20% ao ano, o que, segundo Palharini, dificulta a modernização das propriedades e compromete a competitividade frente a países que subsidiam a produção leiteira.

Ao comentar o acordo entre Mercosul e União Europeia, Palharini avaliou que o cenário também traz desafios ao leite brasileiro. Isso porque os produtores europeus recebem subsídios e contam com mecanismos de proteção comercial, dificultando a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu. Em contrapartida, há risco de aumento da concorrência de produtos europeus no Brasil. (Jornal da Manhã)

Investimento em terminal renovado da CCGL em Rio Grande chegará a R$ 700 milhões

São cinco frentes de trabalho ativas da cooperativa CCGL para concluir até outubro deste ano a reformulação do Termasa, um dos terminais operados pela cooperativa no Porto de Rio Grande, que sofreu sérios danos durante a cheia de 2024. De acordo com o presidente da CCGL, Caio Vianna, ao todo, o projeto deverá chegar a R$ 700 milhões em investimentos, dos quais, R$ 600 milhões em desembolsos ao longo deste ano.

"É o nosso único investimento significativo neste ano, e é estratégico para garantirmos mais competitividade ao produtor rural gaúcho, com a desvalorização dos grãos", explica Vianna.

A cooperativa, que centraliza operações de diversas outras entidades cooperativas, de acordo com o dirigente, responde por 70% de toda a soja exportada pelo Rio Grande do Sul, e por 52% de todas as exportações do agro gaúcho. Operação que atualmente está limitada ao terminal Tergrasa.

Com o projeto de renovação do Termasa, a capacidade estática chegará a mil toneladas de grãos, mas os aportes vão além da infraestrutura de armazenagem. O píer passa por transformação, e também há aumento da capacidade operacional de carga e descarga de caminhões e trens, novas balanças e uma nova subestação de energia.

"Neste ano, teremos uma safra, depois de anos acumulados de quebras, considerado normal. Não é uma supersafra, mas a projeção pode ser considerada razoável. Nossa estimativa é receber até 20 milhões de toneladas", aponta Caio Vianna.

Representará uma alta de 43% em relação às 14 milhões de toneladas recebidas em 2025. O problema, explica o presidente da CCGL, está na baixa remuneração aos produtores.

"Há um achatamento que tem reduzido muito a possibilidade de investimento dos produtores. E na CCGL, temos muita preocupação com as pessoas em toda a nossa cadeia de produção", comenta.
Uma alternativa de renda extra, e principalmente de uma segunda safra com bom rendimento, tem sido a canola, considerada por Caio Vianna a "soja do inverno". A partir dos campos experimentais da CCGL, há o desenvolvimento de cultivares, a assessoria e a distribuição às cooperativas associadas.

A estimativa é de que a área cultivada com canola chegue a 500 mil hectares neste ano no Estado, mais do que o dobro do ano passado. Com rendimento bem superior ao da soja no fornecimento de óleo à indústria, especialmente com o aquecimento do mercado de biocombustíveis, a tendência é de que o grão veio para ficar.

FICHA TÉCNICA
Investimento: R$ 600 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Cooperativa CCGL
Cidade: Rio Grande
Área: Infraestrutura
Investimento em 2025: R$ 100 milhões

As informações são do Jornal do Comércio


Jogo Rápido

Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.  As inscrições podem ser feitas clicando aqui. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 08 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.626


Prêmio Top RS Leite de Verdade consagra pecuária leiteira 

Cerimônia reconhece 11 produtores gaúchos que se destacaram em produtividade, eficiência e inovação na Fenasoja

A Fenasoja, que celebra os 60 anos da maior feira multissetorial do país, foi palco de uma das mais aguardadas premiações do setor agropecuário: o Prêmio Top RS Leite de Verdade, promovido pela CCGL. A cerimônia, realizada no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, destacou o empenho técnico e os resultados operacionais das propriedades leiteiras que são referência no Rio Grande do Sul.

Ao todo, 11 produtores foram premiados, entre 26 finalistas, em categorias que abrangem desde produtividade da terra até eficiência econômica e desempenho reprodutivo. O reconhecimento evidencia o vigor do sistema cooperativo gaúcho e a capacidade de inovação da pecuária leiteira.

O presidente da CCGL, Caio Vianna, ressaltou que o prêmio é, acima de tudo, uma homenagem ao esforço humano por trás dos números. “A homenagem desta noite é para o produtor de leite, para os técnicos da CCGL e das cooperativas, que fazem as coisas acontecerem sempre da melhor forma. Entregar esse prêmio é reforçar que a pecuária leiteira é rentável e pode remunerar adequadamente o produtor. O produtor de leite é um trabalhador exemplar, que produz um alimento essencial para a humanidade”, afirmou.

O secretário da Agricultura do Estado, Márcio Madalena, destacou o papel transformador das cooperativas e a relevância da plataforma Smartcoop no suporte ao produtor. “Essa premiação, com certeza, vai ser a grande balizadora da qualidade da produção leiteira no Rio Grande do Sul. O governo assumiu o compromisso de difundir a plataforma como grande aliada da atividade no estado”, disse.

Para o presidente da Fenasoja, Marcos Servat, a premiação consolida a união da feira com o setor produtivo. “Em 2022 iniciamos um projeto novo que foi abraçado pela CCGL e estamos muito felizes por fazer parte desse movimento. O trabalho desenvolvido pelo sistema cooperativo é fundamental para a nossa cadeia produtiva”, destacou. Já Natália Marins Bastos, coordenadora de projetos da CCGL, sublinhou o fator pessoal envolvido no sucesso das propriedades: “A abdicação e a dedicação integral dos produtores de leite são determinantes para o alcance de resultados de elite”.

O Prêmio Top RS Leite de Verdade consolida-se como referência na pecuária leiteira gaúcha, valorizando não apenas índices técnicos, mas também a dedicação pessoal dos produtores. Ao reconhecer diferentes sistemas produtivos — confinados e não confinados — a iniciativa reforça a diversidade da cadeia leiteira e a importância da gestão eficiente.

Mais do que uma celebração, a premiação é um instrumento de estímulo à competitividade e à inovação, alinhando cooperativas, produtores e governo em torno de um objetivo comum: fortalecer a pecuária leiteira como atividade rentável, sustentável e essencial para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

Os resultados mostram que o setor vive um momento de profissionalização crescente, em que tecnologia, gestão e cooperação se tornam pilares da produtividade. O reconhecimento público reforça que o futuro da pecuária leiteira depende da integração entre conhecimento técnico, políticas públicas e dedicação humana — uma tríade cada vez mais estratégica para o agronegócio brasileiro.

Vencedores do Prêmio Top RS Leite de Verdade

Produtividade da Terra – Região Norte

Confinado: Camila Frantz (Cooperoque) – Técnico Regis Luiz Sturm Lenz
Não Confinado: José Librelotto (Cotribá) – Técnica Debora Schroeder
Produtividade da Terra – Região Sul

Confinado: Devalci Cogo (Cotribá) – Técnico Leonardo Manzoni
Não Confinado: Acemar Quatrin (Cotrijuc) – Técnica Andreia Beck
Eficiência Produtiva de Sólidos no Leite

Confinado: Adriana Machado (Cotrisal) – Técnica Amanda Stefania Tormes Godoy
Não Confinado: Edson Tiemann (Cotrijal) – Técnico Eduardo Feltrin
Desempenho Reprodutivo

Confinado: André Gobbi (Cotripal) – Técnica Patricia Simon
Não Confinado: Luciano Mattei (Cotrisal) – Técnica Paula Eli de Cesaro Pena
Eficiência Econômica

Confinado: Levino Guilherme Huppenthal (Cotribá) – Técnica Debora Schroeder
Não Confinado: Valdir Jacoby (Cotrisoja) – Técnico Guilherme Afonso Müller Rodrigues
Prêmio Master

Confinado: Luiz Carlos Reisdorfer (Cotrisal) – Técnica Paula Eli de Cesaro Pena (Por Gisele flores)

As informações são do Jornal O Sul


Rio Grande do Sul: fórum aborda brucelose e tuberculose bovina durante a Fenasoja

Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública.

A brucelose e a tuberculose bovina, doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos, foram tema de um fórum realizado durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, Rio Grande do Sul. Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública. O fórum foi promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária e Animal (Fundesa).

Ações do Serviço Veterinário Oficial

O fiscal estadual agropecuário Felipe Lopes Campos, coordenador de Educação Sanitária na Seapi, apresentou dados sobre o programa sanitário de Brucelose e Tuberculose bovina, apontando que, embora a testagem tenha aumentado significativamente ao longo dos últimos 15 anos, os números de animais positivos vêm caindo. Em 2025, foram realizados mais de 392 mil testes para tuberculose bovina e mais de 251 mil para brucelose, com índices de animais positivos em 0,36% e 0,08% dos casos, respectivamente. “Os dados mostram um trabalho coordenado do Serviço Veterinário Oficial com os produtores”, avaliou.

Levantamento realizado sobre ações de educação sanitária da Secretaria em 2025 mostrou que a tuberculose bovina e a brucelose estiveram entre os principais assuntos abordados. “O programa sanitário da brucelose e tuberculose está entre os cinco principais programas que abordamos no ano passado. Se elencarmos por enfermidade, a brucelose é a segunda com mais ações educativas, com a tuberculose em quarto lugar”, informou Campos.

Para Felipe, a defesa agropecuária deve ser vista como um escudo que protege o campo e garante a segurança do consumidor final. O objetivo da fiscalização não é a punição, mas atuar como um garantidor de qualidade para os produtos de origem animal. “Fiscalização é um pilar, não uma cobrança. É um processo de co-participação para a preservação da saúde da sociedade”, pontuou.

Visão da indústria

O gerente de suprimento de leite da CCGL, Jair de Mello, ressaltou que a sanidade é um dos quatro pilares fundamentais da indústria, ao lado da padronização de processos, a qualidade do leite e a rastreabilidade. “É preciso garantir transparência em todos os processos, com digitalização, acompanhamento, gestão. Isso vai permitir a qualificação e a competitividade do leite nacional no mercado externo, uma fronteira que temos ainda a conquistar”, pontuou.

Com relação à brucelose e à tuberculose bovina, a CCGL mantém um programa de certificação desde 2015 entre seus cooperados, abrangendo hoje mais de mil propriedades e 90 mil animais. “Somos o primeiro laticínio do Brasil a entrar no programa de certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose da Organização Mundial de Saúde Animal”, destacou. 

Relato de um recomeço

A produtora rural Ana Cláudia Kamm dos Santos, de Três de Maio, compartilhou a jornada de sua propriedade, a Granja Progresso, que em 2017 enfrentou um surto de tuberculose. O impacto foi severo, com o abate imediato de 121 animais e a imposição de um vazio sanitário de um ano.

"Ficamos sem chão", relatou Ana Cláudia, que detalhou como a família superou a crise por meio do apoio técnico e das indenizações do Fundesa e do Ministério da Agricultura. A produtora explicou que aproveitou a oportunidade de recomeço para planejar a retomada da produção com a aquisição de rebanho de propriedades certificadas.

Hoje, a Granja Progresso está certificada como livre de brucelose e tuberculose desde 2021, com um rebanho 100% da raça Jersey. Ana Cláudia pontuou que um dos novos desafios que se apresentam é a sucessão, sendo ela mesma filha de produtores rurais. "Tenho três filhos. A nossa ideia é aumentar a produção, agroindustrializar e, quem sabe, que todos eles permaneçam na atividade conosco", contou.

O papel estratégico do Fundesa

O presidente do Fundesa, Rogério Kerber, detalhou a importância do fundo privado e destacou que a atuação do Fundesa vai além do pagamento das indenizações aos produtores. “O Fundesa foi inicialmente pensado para o pagamento de indenizações. Mas, ainda antes de sua fundação, a orientação veio no sentido de agir preventivamente, evitando que ocorressem esses eventos sanitários que resultariam nas indenizações. É uma medida para proteger o produtor, a indústria e a sociedade em geral”, explicou.

Neste sentido, o fundo investiu mais de R$ 52 milhões em infraestrutura para a defesa sanitária animal do estado, com a informatização das inspetorias de defesa agropecuária, criação do SDA, reforma e revitalização de inspetorias, convênios com universidades para desenvolvimento de sistemas de informação específicos, compra de materiais de emergência para contenção de focos e apoio ao setor diagnóstico, entre outras ações. Kerber enfatizou que o produtor é o elo mais importante da defesa sanitária. "O alerta primeiro tem que vir da propriedade. Sem esse alerta, não tem reação", ressaltou.

As informações são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, adaptadas pela equipe MilkPoint.

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1918 de 07 de maio de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
O vazio forrageiro tem intensificado o uso de suplementação, especialmente com silagem, para manter a produção na maioria das regiões. Porém, essa estratégia eleva o custo de produção. As chuvas contribuíram para o crescimento de pastagens de inverno e possibilitaram o início de pastejo pelas vacas. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, após um período de baixa significativa em abril, a produção de leite na Campanha já apresenta leve recuperação, relacionada à ampliação da oferta de pastagens de aveia, que agregam volume e qualidade para a dieta das matrizes. Assim, está sendo possível reduzir, em alguma proporção, a quantidade de silagem ofertada, considerando que as reservas do volumoso foram consumidas em abril e ainda serão muito necessárias nos próximos meses. A chuva em 01/05 (sexta-feira) não causou formação de barro. Os parâmetros de qualidade do leite estão satisfatórios em razão das condições ambientais favoráveis para a obtenção de baixa contagem bacteriana (CBT), e a concentração de sólidos vem se mantendo em patamares adequados. 

Na de Caxias do Sul, a produção de leite está estável devido à suplementação de volumoso com silagem de milho. As condições corporais dos animais estão boas, e o bem estar das vacas foi favorecido pelas temperaturas mais baixas. O estado sanitário está adequado, mas há alguns casos de mastite e presença de ectoparasitas, sendo controlados. Nos sistemas confinados e semiconfinados, as vacas de leite receberam feno, pré-secado e silagem de milho. As propriedades que produzem leite à base de pasto, utilizaram silagem de milho para a suplementação de volumosos. A qualidade do leite produzido, medida pela contagem de células (CCS) e contagem padrão em placas (CPP), ficou dentro dos limites exigidos pelo MAPA.  

Na de Erechim, as condições gerais dos rebanhos seguem satisfatórias. Os produtores têm reduzido o acesso dos animais e aumentado a oferta de conservados (silagem de milho) e concentrado (milho, farelo de soja, rações, etc). Em sistema confinado, há maior conforto térmico, mas no free stall há maior ocorrência de problemas de casco e lesões musculares em relação ao compost barn. O aumento da umidade proporcionou maiores desafios nesses sistemas de produção, trazendo riscos de mastite, lesões em membros e no casco. 

Na de Frederico Westphalen, as condições das pastagens variam: em alguns casos é preocupante, e em outros há boa oferta, beneficiada pelo bom regime de chuva, favorecendo a alimentação. As condições climáticas mais amenas contribuíram para o bem-estar animal. 

Na de Ijuí, a produção está estável. A alta umidade causou aumento de barro e dificultou a higiene dos animais na sala de ordenha. 

Na de Passo Fundo, os produtores intensificaram a oferta de silagem para preservar as condições dos animais em razão da redução na oferta de pasto. O rebanho apresenta boa condição corporal e volumes de produção de leite. Diminuiu a incidência de moscas e carrapatos. Inicia o pastoreio das espécies de inverno, com destaque para a aveia e azevém. 

Na de Pelotas, há tendência de leve queda ou estabilidade na produção de leite devido ao vazio forrageiro e às condições sazonais. Em relação à sanidade animal, há incidência de carrapatos, moscas e riscos de tristeza parasitária bovina. 

Na de Porto Alegre, os rebanhos apresentam, no geral, boas condições e estado nutricional, sustentado pelo uso de suplementação alimentar nesta fase de vazio forrageiro de outono. No entanto, do ponto de vista sanitário, persiste elevada a infestação por carrapatos, o que demanda atenção contínua dos produtores.  

Na de Santa Maria, as condições nutricionais estão dentro do esperado. Entretanto, em função do final do ciclo das pastagens anuais de verão (milheto, sorgo, sudão), ocorre queda na produção e diminuição do escore corporal, o que pode aumentar os custos nos casos em que é feita a suplementação alimentar. Os produtores seguem monitorando e controlando moscas e carrapatos. 

Na de Santa Rosa, aumentou o fornecimento de silagem de milho, feno, pré-secado e concentrados para manter os níveis de produção e evitar quedas na produtividade. Referente ao aspecto sanitário, continua o controle de carrapatos e a prevenção de tristeza parasitária bovina. 

Em relação à qualidade do leite, a maioria das propriedades apresenta valores de Contagem Bacteriana Total (CBT) dentro dos índices esperados. Porém, há maior dificuldade em manter a Contagem de Células Somáticas (CCS) dentro dos limites recomendados, exigindo atenção redobrada ao manejo, à sanidade e às rotinas de ordenha. De modo geral, as condições climáticas foram favoráveis ao bem-estar animal, mas o período de transição de pastagem aumenta o custo de produção.  (As informações são da Emater/RS editadas pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Queda na temperatura e possibilidade de geadas previstas para os próximos dias no RS
A próxima semana deverá apresentar queda nas temperaturas e possibilidade de geadas no Rio Grande do Sul. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico nº 19/2026, elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).  Sábado (9/5) e domingo (10/5): uma massa de ar polar irá provocar queda nas temperaturas por todo o território gaúcho. Há possibilidade de ocorrência de geada, principalmente na metade sul e região serrana, e não há previsão de chuva significativa durante esses dias. Segunda-feira (11/5) a quarta-feira (13/5): o tempo ainda permanecerá estável, com temperaturas mais baixas ao longo do estado. Não há previsão de chuva significativa durante esses dias.  Os acumulados de precipitação deverão variar entre 2 mm e 50 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados da metade sul que podem ultrapassar esse valor.  O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (Seapi)


Porto Alegre, 07 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.625


CNA protocola manifestação final na investigação de dumping contra leite em pó importado do Mercosul

Conclusão da investigação está prevista para o final do mês

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, na segunda (4), a manifestação final sobre a investigação de dumping contra o leite em pó importado do Mercosul.

A nota faz parte do processo de investigação da prática de dumping e resume todos os argumentos apresentados pela CNA, as origens investigadas e partes interessadas, além de comentários do Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Decom/MDIC) sobre os resultados da investigação.

No documento, foram relatados avanços importantes, como a retomada do entendimento anterior sobre a similaridade entre leite em pó e leite in natura, o reconhecimento da prática de dumping por ambas as origens e a indicação de que as importações causaram os prejuízos à produção de leite brasileira.

Segundo os cálculos do Decom, após as respostas aos questionários realizadas por quatro exportadores argentinos e três uruguaios, foram encontradas margens de dumping que chegaram a superar 60%.

Apesar de ser um documento preliminar, a nota técnica com fatos essenciais traduz o que o setor produtivo vem argumentando desde 2022: as importações a preços de dumping têm prejudicado as propriedades rurais brasileiras.

A CNA destaca o trabalho conduzido pelo Departamento, principalmente após a entidade ter apresentado novas provas, mantendo o rigor técnico no processo legal estabelecido pelas normas nacionais e internacionais.

Ainda em abril, o DECOM também defendeu a investigação em reunião do Comitê de Práticas Antidumping da OMC, fórum no qual as origens investigadas pediram esclarecimentos sobre o processo conduzido pelo Brasil, sem apresentar novos argumentos além dos já respondidos durante o processo. Cabe destacar que não se trata de contestação internacional ou pedido formal de solução de controvérsias.

A investigação entra agora em fase final e o próximo passo é o envio do Parecer de Determinação Final ao Comitê de Defesa Comercial da Câmara de Comércio Exterior (CDC/Camex), que fará a avaliação técnica da investigação.

O tema será debatido na reunião do Grupo Gestor da Camex (Gecex), composto pelo Ministro do MDIC e Secretários Executivos dos dez ministérios que integram o colegiado.

Com a reunião prevista para o final de maio, a expectativa é que o Gecex reconheça os prejuízos trazidos pelas importações a preços de dumping e sejam aprovadas medidas antidumping para corrigir essa prática desleal de comércio.

A CNA segue firme na articulação junto ao poder Executivo em defesa da produção nacional de leite, sempre com o apoio dos representantes nas Frentes Parlamentares da Agropecuária e em Apoio ao Produtor de Leite.  (CNA)


Danilo Zorzan, da Tetra Pak: "empresas que sobrevivem se reinventam em ciclos cada vez mais curtos"

Modernização de centro de inovação em Monte Mor reforça estratégia da companhia para acelerar novas categorias, cocriação e crescimento no setor de alimentos e bebidas

Durante uma press trip realizada nesta quarta-feira (6), em Monte Mor (SP), a Tetra Pak apresentou à imprensa a modernização do seu Centro de Inovação ao Cliente (CIC), espaço voltado ao desenvolvimento e cocriação de produtos para a indústria de alimentos e bebidas. O MilkPoint participou do encontro, que reuniu profissionais de diferentes veículos do país para acompanhar as estratégias da companhia para inovação, sustentabilidade e expansão de novas categorias.

A atualização do espaço recebeu investimento de R$ 10 milhões e faz parte de um movimento global da Tetra Pak para ampliar a flexibilidade, a personalização e o uso de tecnologias digitais em seus centros de inovação ao redor do mundo.

“O alimento bom merece ser protegido”, afirmou Tiago Cardoso, Presidente da Tetra Pak Brasil, ao abrir o evento. Segundo ele, o propósito da companhia vai muito além das embalagens, envolvendo tecnologias, processamento e soluções voltadas à segurança alimentar e à eficiência operacional da indústria. 

A Tetra Pak está presente em mais de 160 países, conta com 24,6 mil funcionários globalmente e registrou vendas líquidas de 12,4 bilhões de euros. No Brasil desde 1957, possui fábricas em Monte Mor (SP) e Ponta Grossa (PR), além de sete regionais de vendas e mais de 1,5 mil funcionários.

Somente em 2025, segundo a empresa, foram comercializadas mais de 12,6 bilhões de embalagens no país. A companhia também destacou iniciativas ligadas à economia circular, incluindo 104 mil toneladas de embalagens pós-consumo recicladas e parceria com 20 recicladoras.

Cardoso reforçou que sustentabilidade é tratada como um eixo estratégico da companhia e destacou que o principal objetivo é gerar valor em toda a cadeia. “No fim do dia queremos fortalecer as parcerias com os nossos clientes e toda vez que eles crescem, nós comemoramos junto”, afirmou.

Estratégia para 2030

Durante a apresentação, a Tetra Pak detalhou pilares estratégicos que devem nortear sua atuação até 2030. Entre eles estão a garantia de alimentos seguros e de alta qualidade, liderança na transformação sustentável, integração das operações dos clientes e inovação voltada ao crescimento.

Segundo Cardoso, a companhia busca atuar de ponta a ponta dentro da cadeia de alimentos e bebidas — desde o desenvolvimento de produtos até produção, automação industrial e melhoria contínua das operações.

A empresa também reforçou sua presença crescente em novas categorias, incluindo bebidas proteicas, funcionais, produtos vegetais, chás, refrescos e pet food. “A nossa visão é tornar os alimentos seguros em qualquer lugar, fortalecendo sistemas alimentares sustentáveis e resilientes em parceria com clientes, governo e stakeholders”, disse.

“Revisar o futuro”

Danilo Zorzan, Diretor de Marketing da Tetra Pak Brasil, trouxe um olhar mais estratégico sobre o momento vivido pela indústria de alimentos e bebidas. “Estamos em um momento de revolucionar categorias. O mundo está cada vez mais complexo e mais difícil de acompanhar. O hoje é o melhor momento para revisar o futuro que a gente almeja”, afirmou.

Segundo ele, as empresas que conseguirão se perpetuar serão justamente aquelas capazes de se reinventar continuamente. “As empresas que vão sobreviver são as que se reinventam em ciclos cada vez mais curtos”, destacou. 

Durante a apresentação, Zorzan trouxe uma reflexão baseada no conceito de “modernidade líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman. “A transformação exige que sejamos fluidos como a água, adquirindo o contorno conforme o meio em que estamos inseridos”, citou. A partir dessa lógica, o executivo apresentou o conceito de “ambidestria” dentro da estratégia da Tetra Pak: sustentar os negócios atuais enquanto se constrói o futuro.

Hoje, categorias consideradas tradicionais — como leite, creme de leite, leite condensado, leite aromatizado, sucos e néctares — ainda representam cerca de 75% do negócio da companhia. Porém, categorias adjacentes vêm ganhando força rapidamente. Entre elas estão refrescos, bebidas proteicas, bebidas funcionais, chás, leites fermentados e produtos prontos para consumo. “A categoria de adjacentes está alavancando o crescimento”, afirmou Zorzan. Segundo ele, essa classe adicionou mais de 1 bilhão de embalagens nos últimos seis anos, com crescimento de 88% no período.

O executivo afirmou ainda que, no futuro, as categorias adjacentes podem até ganhar mais relevância do que as tradicionais.

Inovação de ponta a ponta

Para apoiar esse movimento, a Tetra Pak estruturou uma estratégia baseada em cinco pilares: definição de categorias prioritárias e adjacentes, criação de uma área focada em novos negócios, aplicação de inteligência de mercado, desenvolvimento colaborativo de produtos e construção de uma rede de parceiros terceirizados.

Segundo Zorzan, a proposta da companhia é atuar “de ponta a ponta” junto aos clientes. “Trouxemos os clientes para dentro desse processo justamente para criarmos juntos”, explicou. É nesse contexto que o Centro de Inovação ao Cliente ganha protagonismo. Inaugurado originalmente em 2017 com investimento de R$ 40 milhões, o CIC de Monte Mor já participou de quase 300 lançamentos de produtos.

Com a modernização, o espaço passa a oferecer uma jornada mais digital e interativa, incluindo ferramentas inteligentes para apresentações, sessões colaborativas e desenvolvimento de soluções personalizadas. O ambiente reúne sala de ideias, sala de produtos, planta piloto e centro de treinamento técnico, permitindo desde a identificação de tendências até testes industriais e validação em escala. Segundo a companhia, o espaço atende empresas de diferentes portes — de grandes fabricantes a startups.

Zorzan destacou ainda que 2025 marcou a entrada da companhia em novas categorias e modelos de negócios, incluindo quatro novas marcas de bebidas de baixo teor alcoólico, três marcas de pet food e uma nova marca endossada pelo jogador Neymar. (Milkpoint)

Soja e milho recuam em Chicago após forte queda do petróleo

Oscilação do petróleo tem cada vez mais peso no mercado de grãos internacional, segundo analista

As oscilações do petróleo no mercado internacional direcionaram os preços dos grãos para baixo na bolsa de Chicago nesta quarta-feira (6/5). No caso da soja, os contratos para julho fecharam em queda de 1,38%, a US$ 11,9475 o bushel.

De acordo com Ronaldo Fernandes, diante de uma demanda cada vez maior por biocombustíveis nos EUA, o petróleo tem cada vez mais impacto para os valores dos grãos na bolsa americana. Hoje, o barril do fóssil caiu mais de 7%, e ainda influenciou o fechamento do milho. Os lotes com entrega para maio fecharam em baixa de 2,40%, a US$ 4,6850 o bushel.

“O consumo de soja e milho entre os americanos para a produção de biocombustíveis é o maior da história. Então faz sentido imaginar que as oscilações dos grãos estão muito mais relacionadas com o petróleo do que com outros fatores, como o clima”, disse.

Fernandes lembra que desde março o mercado sente os efeitos da mudança da política dos biocombustíveis americana. Naquele mês, os EUA consumiram 6,1 milhões de toneladas de soja, em comparação com as 5,2 milhões registradas um ano antes. Os americanos utilizam o óleo de soja para a produção de biodiesel, enquanto o milho é a principal matéria-prima do etanol no país.

No curto prazo, há dois fatores de atenção para o mercado, segundo o analista. O primeiro deles as questões de demanda, que podem voltar a impulsionar as cotações. Já pelo lado da oferta, com um ritmo de plantio acelerado nos EUA, e manutenção de clima favorável, as altas tanto para soja quanto para o milho são limitadas.

Trigo
O trigo também fechou a sessão com preços em queda. Os contratos do cereal para julho recuaram 1,67%, negociados a US$ 6,1725 o bushel.

Segundo Ronaldo Fernandes, o trigo respondeu a leve melhora nas condições de clima nas Grandes Planícies, maior região produtora do cereal nos EUA. (Globo Rural via Valor Econômico).


Jogo Rápido

1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina
Confira a transmissão completa do evento realizado durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, reunindo especialistas, produtores, indústria e autoridades para discutir os desafios e avanços no controle da brucelose e tuberculose bovina no Rio Grande do Sul.  Assista na íntegra: https://www.youtube.com/live/EvrFyDiTxyM (Sindilat/RS)