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Porto Alegre, 04 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.008


RS mantém produção de leite mesmo após perder  produtores 

O leite está ficando pelo caminho em muitas propriedades gaúchas. Na última Expointer, a Emater divulgou que mais de 55,2 mil famílias deixaram de produzir a matéria-prima no Rio Grande do Sul nos últimos 10 anos. Ontem, a instituição apresentou os motivos que ajudam a explicar a debandada. Entre eles, o preço baixo e a falta de previsibilidade, o custo dos insumos, o peso do trabalho e a dificuldade de sucessão familiar foram fatores que pesaram na decisão de cada um.

O levantamento, que ouviu, em julho deste ano, 1% de todos os produtores que abandonaram a atividade leiteira no período, revela que 30,8% tinham entre 21 e 30 anos de trajetória na produção de leite. A média era de 25 anos de dedicação.

“Dados que mostram que são famílias com tradição que estão abandonando a atividade”, frisa Jaime Ries, zootecnista e assistente técnico estadual em Bovinocultura de Leite da Emater.

A maior parte da mão de obra dessas propriedades, 93,2%, era predominantemente familiar.

Segundo ele, quando perguntados sobre os fatores externos que contribuíram para a saída, os produtores apontaram principalmente a baixa remuneração do leite e a falta de estabilidade e previsibilidade nos preços, citadas por 79,3% dos entrevistados. Na sequência aparecem o custo de aquisição dos insumos, com 66,7%, e a dificuldade de contratar mão de obra, mencionada por 30,3%. No estudo, vale lembrar, eram aceitas múltiplas respostas.

O dinheiro, porém, não explica tudo. Entre os fatores internos, 66,4% citaram a penosidade da atividade. A falta de mão de obra apareceu para 61,3%, enquanto 37,8% apontaram o desinteresse dos filhos.

Outro dado chama atenção. A saída da atividade não parece estar diretamente relacionada à falta de estrutura produtiva. A maior parte das propriedades utilizava entre cinco e 10 hectares, com média de 12,5 hectares.

Além disso, a produção média era de 18,7 litros de leite por vaca por dia, com aproximadamente 21,6 vacas por propriedade e uma produção média de 402 litros por dia.

E isso não significa necessariamente que o produtor tenha abandonado o campo. Quando perguntados sobre o destino da área, 59,4% passaram a produzir grãos e 35,2% migraram para a pecuária de corte.

O secretário executivo do Sindilat, Darlan Palharini, se mostrou preocupado com o resultado de estudo apresentado pela Emater-RS/Ascar. Isto porque, em 10 anos, o número de produtores de leite reduziu 65% no Rio Grande do Sul. Em 2015, eram aproximadamente 84,2 mil e, em 2025, cerca de 28,9 mil em 2025.

“Na prática, 55,3 mil famílias abandonaram a produção leiteira, mas não afetou a produção. A decisão envolve uma questão social e acompanha um movimento mundial”, comparou, acrescentando que a Argentina tinha 30 mil produtores de leite há 20 anos e hoje restam 9,5 mil.

Para estancar o abandono, Palharini defende a necessidade do setor avançar em nível de competitividade, por meio da criação de fundos setoriais, além de políticas governamentais. “O Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, mas não possui políticas de proteção para produtores e indústrias”, frisou.

Lembrou que, recentemente, uma indústria brasileira foi impedida de exportar whey protein (suplemento alimentar em pó feito a partir da proteína extraída do soro do leite) para a Austrália e outro de enviar queijo para a Rússia em razão da inexistência, no país, de tratados bilaterais e normas de defesa agropecuária que regulam a produção, a circulação e a exportação de leite e derivados.

“Esses acordos garantem que os produtos brasileiros atendam aos critérios de segurança alimentar, livre de doenças e contaminantes”, enfatizou.

Palharini também destacou que após o sucesso de sua primeira edição, o Milk Summit evolui e passa a ser Milk Summit Mercosul, ampliando seu alcance e relevância. “A edição de 2026 vai consolidar o evento como o principal ambiente de conhecimento, integração e networking da cadeia do leite na América do Sul, reunindo lideranças do Brasil e países vizinhos.” Com programação nos dias 14 e 15 de outubro, o evento será realizado em Ijuí durante a Expofest. (Jornal da Manhã editado pelo Sindilat/RS)


CCGL recebe o Troféu Senar-O Sul 2026 na categoria "Liderança Gaúcha"

A premiação destaca o impacto da inovação no campo e a dedicação dos produtores rurais que impulsionam o setor.

Em noite especial de abertura da Expointer, o presidente da CCGL, Sr. Caio Vianna recebeu a homenagem promovida pelo Senar-RS, O Sul e pela Rede Pampa na categoria "Liderança Gaúcha".

A cerimônia da 21ª edição do prêmio ocorreu no dia 30 de agosto, às 20h, na Associação Leopoldina Juvenil, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). O evento reuniu grandes nomes do setor, autoridades e convidados sob a liderança do presidente da Rede Pampa de Comunicação, Alexandre Gadret, e do vice-presidente, Paulo Sérgio Pinto — reafirmando o compromisso do grupo com a informação de qualidade e o desenvolvimento socioeconômico do estado.

Caio Vianna pontua que a homenagem é “um reconhecimento muito importante do que representa o sistema cooperativo agropecuário no agro gaúcho, principalmente nas ações de pesquisa e difusão via RTC (Rede Técnica Cooperativa) e na plataforma SmartCoop, desenvolvida pelas cooperativas da Fecoagro/RS, além da nossa atuação na captação e industrialização de leite, bem como na atividade logística no Porto de Rio Grande através das empresas coligadas Termasa e Tergrasa”.

O Troféu Senar-O Sul é uma premiação promovida pela Rede Pampa de Comunicação e pelo Jornal O Sul, em parceria com o Senar-RS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), para valorizar líderes, empresas e instituições que fazem a diferença no agro. 

Com patrocínio do Senar, Icatu e Rio Grande, o evento contou com ampla cobertura multiplataforma. A transmissão ao vivo foi realizada pelo canal da TV Pampa no YouTube, com apresentação especial do comunicador Evandro Leboutte, além da veiculação de um caderno especial no Jornal O Sul. (CCGL)

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1935 de 03 de setembro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em Manoel Viana, a produção de leite apresenta recuperação gradual, favorecida pela maior disponibilidade de pastagens de aveia e azevém. Em São Gabriel, começa a se estabilizar a condição corporal das vacas alimentadas predominantemente com campo nativo, com leve aumento da produção de leite. 

Na de Caxias do Sul, a qualidade do leite, avaliada pelos indicadores de contagem de células somáticas (CCS) e contagem padrão em placas (CPP), segue dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação brasileira. Não foram registrados relatos de exclusão de propriedades por laticínios ou cooperativas em decorrência de problemas relacionados à qualidade do leite, nem rejeição de cargas por indústrias e laticínios devido à presença de resíduos de antibióticos. 

Na de Ijuí, a produção de leite apresentou leve aumento em relação ao volume coletado na semana anterior. A menor umidade do solo levou à diminuição do acúmulo de barro nas áreas de circulação. Entretanto, a incidência de doenças do úbere está elevada como reflexo do período prolongado de alta umidade e do contato dos úberes com o barro. Nos sistemas de manejo estabulado, a redução da umidade dos materiais utilizados nas camas também contribuiu para a melhoria do bem-estar animal. 

Na de Pelotas, em Arroio Grande e Santa Vitória do Palmar, as estradas rurais se encontram bastante prejudicadas, dificultando o deslocamento dos produtores, o acesso a insumos e, principalmente, a coleta e o escoamento do leite. Em algumas situações, foi necessário utilizar tratores para auxiliar o deslocamento dos caminhões de coleta. Houve inclusive perdas de produção em propriedades onde não foi possível realizar a coleta. 

Na de Santa Rosa, o estado sanitário dos rebanhos segue dentro da normalidade, e os produtores realizam o controle da mastite e o monitoramento das principais enfermidades nas terneiras recém-nascidas, especialmente pneumonias e diarréias. A qualidade do leite está adequada, e os índices de Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem Padrão em Placas (CPP) se encontram dentro dos limites estabelecidos pela legislação. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA DE 03 A 09/09/2026 
Na próxima semana, o frio voltará a atingir o território gaúcho, podendo favorecer a ocorrência de geadas em algumas localidades. Entre 03 (quinta-feira) e 04/09 (sexta-feira), o avanço de uma frente fria pelo oceano trará instabilidade principalmente para o Litoral Gaúcho, com probabilidade de chuva fraca a moderada em pontos isolados. Nas demais regiões, não há previsão de chuva significativa. Já entre 05 (sábado) e 08/09 (terça-feira), um sistema de alta pressão de origem polar deverá trazer estabilidade e provocar queda das temperaturas. Assim, ao longo desses dias, não há previsão de chuva significativa, mas há possibilidade de geada principalmente em alguns pontos das regiões da Campanha, Serra e Campos de Cima da Serra. Em 09/09 (quarta-feira), os efeitos da circulação atmosférica poderão favorecer o transporte de umidade, principalmente para a Metade Norte e o Litoral, onde há previsão de chuva; na Metade Sul, o tempo ainda deverá permanecer estável. De forma geral, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 mm e 20 mm ao longo da semana. (Fonte: Simagro – Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos)


 

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Porto Alegre, 03 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.007


Livro sobre ordenha mecânica propõe visão integrada para aumentar qualidade e produtividade no leite

A ordenha como ponto decisivo para transformar investimentos em produtividade e qualidade é o foco do livro Ordenhadeira Mecânica 360°, de autoria de Carlos Alberto Della Favera Machado, lançado no dia 3 de setembro, durante a Expointer 2026. A publicação tem apoio do Sindilat/RS e reúne mais de cinco décadas de experiência do autor na cadeia produtiva do leite.

A proposta da obra é ampliar a forma como a ordenha mecânica é compreendida dentro da propriedade leiteira. Para Machado, seu desempenho deve ser entendido como parte de um sistema que envolve equipamento, animal, operador, instalações, higiene, qualidade, normas, gestão e conhecimento. “A ordenha é a hora da verdade. É a função onde podem ocorrer problemas que comprometem todos os investimentos anteriores e, ao mesmo tempo, é o coroamento do trabalho realizado em uma propriedade leiteira”, destaca.

Para o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, a disseminação de informações técnicas está alinhada ao compromisso da entidade com a divulgacao de conhecimento para o fortalecimento da cadeia leiteira. “A experiência reunida por Machado ao longo de mais de cinco décadas traz uma contribuição importante para produtores, técnicos e profissionais do setor, ao mostrar que a ordenha precisa ser compreendida de forma integrada. O Sindilat/RS tem satisfação em apoiar essa iniciativa e contribuir para aproximar esse conhecimento de quem atua no dia a dia da atividade leiteira”, afirma.

Machado trabalha com ordenhadeiras mecânicas desde os anos 1970. Também foi fabricante de equipamentos por mais de duas décadas, participou de grupos técnicos da ABNT e atua como coordenador da Comissão das Indústrias de Equipamentos para Pecuária de Leite (CEPEL), do Simers. Entre os trabalhos desenvolvidos por Machado está a criação de um selo de qualidade e conformidade para ordenhadeiras mecânicas, em parceria com o LabELO, do Inmetro. 

Ordenhadeira como “colheitadeira” do leite
Um dos conceitos apresentados pelo autor compara a ordenhadeira a uma colheitadeira. Enquanto uma máquina agrícola desregulada pode provocar perdas em uma safra, os efeitos de uma ordenhadeira inadequadamente regulada podem se repetir diariamente e afetar diretamente o animal e a produção. “É uma colheitadeira que está conectada duas a três vezes por dia, o ano inteiro, a um ser vivo. Essa conexão pode gerar danos na fonte da qual ela colhe”, explica.

A preocupação está relacionada à saúde do úbere, à mastite e à qualidade do leite. Machado ressalta que parte dos problemas provocados durante a ordenha não é percebida imediatamente e pode se acumular ao longo do tempo, comprometendo o desempenho do rebanho e o retorno dos investimentos realizados pelo produtor.

Fonte: Sindilat/RS


Milk Summit Mercosul movimentará Ijuí entre os dias 14 e 15 de outubro

Após o sucesso de sua primeira edição, o Milk Summit evolui e passa a ser Milk Summit Mercosul, ampliando seu alcance e relevância. “A edição de 2026 vai consolidar o evento como o principal ambiente de conhecimento, integração e networking da cadeia do leite na América do Sul, reunindo lideranças do Brasil e de países vizinhos”, afirmou nesta quarta-feira o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul, (Sindilat), Darlan Palharini, em visita à Casa do Correio do Povo na Expointer.

Com programação nos dias 14 e 15 de outubro, o evento será realizado em ijuí, com mais de 16 horas de conteúdo técnico e estratégico, com palestras de alto impacto. Entre os nomes esperados estão representantes das principais indústrias de laticínios, além de especialistas como Paulo Martins e Glauco Carvalho (Embrapa), Marianne Tufani (StoneX), Valter Galan (MilkPoint), Marcos Veiga (Qualileite/USP) e participação internacional de Andrés Padilla (Rabobank).

“A expectativa é reunir mais de 700 participantes presenciais por dia, incluindo cerca de 400 produtores de leite, além de representantes de indústrias, cooperativas, técnicos, estudantes, pesquisadores e representantes do Mercosul, promovendo troca de experiências e construção de estratégias para o setor”, observou Palhari, que foi recebido pelo diretor-presidente do Correio do Povo, Marcelo Dantas.

Atividade leiteira
Palharini especialmente se mostrou preocupado com o resultado de estudo apresentado pela Emater-RS/Ascar, na Expointer 2026, em Esteio, na terça-feira. Isto porque, em 10 anos, o número de produtores de leite reduziu 65% no Rio Grande do Sul. Em 2015, eram aproximadamente 84,2 mil e, em 2025, cerca de 28,9 mil em 2025.

“Na prática, 55,3 mil famílias abandonaram a produção leiteira, mas não afetou a produção. A decisão envolve uma questão social e acompanha um movimento mundial”, comparou, acrescentando que a Argentina tinha 30 mil produtores de leite há 20 anos e hoje restam 9,5 mil.

Para estancar o abandono, Palharini defende a necessidade do setor avançar em nível de competitividade, por meio da criação de fundos setoriais, além de políticas governamentais. “O Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, mas não possui políticas de proteção para produtores e indústrias”, frisou.

Lembrou que, recentemente, uma indústria brasileira foi impedida de exportar whey protein (suplemento alimentar em pó feito a partir da proteína extraída do soro do leite) para a Austrália e outro de enviar queijo para a Rússia em razão da inexistência, no país, de tratados bilaterais e normas de defesa agropecuária que regulam a produção, a circulação e a exportação de leite e derivados.

"Esses acordos garantem que os produtos brasileiros atendam aos critérios de segurança alimentar, livre de doenças e contaminantes”, enfatizou.

Fonte: Correio do povo

Modelo de assistência técnica virtual para o agro gaúcho

Uma parceria entre Banrisul, CCGL e FecoAgro/RS levará orientação especializada, conhecimento e gestão a propriedades rurais gaúchas. O novo Centro de Consultoria AgroDigital atenderá até 250 produtores, por meio de um modelo de assistência técnica virtual. O lançamento ocorreu na Casa do Banrisul, durante a 49ª Expointer, em Esteio.

Ao longo de 18 meses, os participantes terão acompanhamento remoto de consultores, com diagnósticos, recomendações de manejo, capacitações e identificação de oportunidades de melhoria. O trabalho será realizado por meio da SmartCoop, plataforma criada no meio acadêmico e implantada junto às cooperativas da FecoAgro/RS. Atualmente, a plataforma reúne produtores das cooperativas e do Sistema Senar e é gerida pela CCGL.

Entre as ferramentas disponíveis, estão o acompanhamento das lavouras, o monitoramento por satélite, indicadores climáticos, informações da cadeia produtiva, cotações, gestão financeira e apoio à tomada de decisão.

“Em vez de o produtor aguardar uma visita, talvez por mês, ele vai ter quatro visitas por mês, só que virtuais”, explicou o vice-presidente da CCGL, Guilhermo Dawson Jr.
Entre as soluções apresentadas durante o lançamento, está a Ana, ferramenta de inteligência artificial integrada ao ecossistema da SmartCoop. Ela auxilia nas orientações relacionadas à atividade rural.

Para o Banrisul, o projeto-piloto permitirá ampliar o conhecimento sobre as necessidades dos produtores. “Temos convicção absoluta de que, daqui cinco anos, todo o crédito rural do Banrisul vai ser concedido por aqui. Provavelmente, o crédito do Brasil inteiro vai ser concedido por aqui ou por uma plataforma muito similar a esta”, projetou o presidente do Banrisul, Fernando Lemos. Os atendimentos devem começar entre janeiro e fevereiro de 2027.

Fonte: Correio do Povo


Jogo Rápido

Cade aprova compra de ativos da A.R.C. pela Italac, incluindo marcas Líder e Tânia
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição, pela Italac, de ativos da A.R.C. Logística e Alimentos. O negócio havia sido anunciado no início de agosto, e envolve as unidades industriais de Presidente Prudente (SP), Lobato (PR) e Guaraçaí (SP), além de postos de captação de leite localizados em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. O acordo inclui ainda a aquisição das marcas de lácteos Líder e Tânia, controladas pela A.R.C. O valor da transação não foi divulgado. A Italac informou que a aquisição tem como objetivo ampliar sua capacidade produtiva, expandir o portfólio de produtos e fortalecer sua presença no mercado nacional. Já a A.R.C. disse que a venda está alinhada a uma estratégia de reorganização de investimentos de seus acionistas. As marcas Shefa e Gold permanecerão sob controle da A.R.C. e não fazem parte da operação. O Cade avaliou impactos concorrenciais nos mercados de captação de leite in natura, leite UHT, bebidas lácteas, creme de leite, manteiga, queijos e leite em pó. De acordo com o órgão, a participação conjunta das empresas permanece abaixo dos níveis que indicariam risco concorrencial relevante, motivo pelo qual o negócio foi enquadrado no rito sumário e aprovado sem restrições. As informações são do Globo Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.


 

Porto Alegre, 02 de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.006


Sindilat realiza seminário sobre competitividade do leite

O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) realizou durante a Expointer 2026, o Seminário Competitividade do Leite Gaúcho.

O encontro ocorreu na Casa da Rede Pampa e reuniu os associados para discutir temas relacionados à produção, produtividade, mercado e competitividade da cadeia leiteira.

A programação contou com a participação do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, e de Wagner Beskow, Ph.D. e sócio-diretor da Transpondo. (Sindilat/RS)


Por que tantos produtores estão deixando a atividade do leite no RS

O leite está ficando pelo caminho em muitas propriedades gaúchas. Na última Expointer, a Emater divulgou que mais de 55,2 mil famílias deixaram de produzir a matéria-prima no Rio Grande do Sul nos últimos 10 anos. Agora, nesta terça-feira (1°), a instituição apresentou os motivos que ajudam a explicar a debandada. Entre eles, o preço baixo e a falta de previsibilidade, o custo dos insumos, o peso do trabalho e a dificuldade de sucessão familiar foram fatores que pesaram na decisão de cada um.

O levantamento, que ouviu, em julho deste ano, 1% de todos os produtores que abandonaram a atividade leiteira no período, revela que 30,8% tinham entre 21 e 30 anos de trajetória na produção de leite. A média era de 25 anos de dedicação.

— Dados que mostram que são famílias com tradição que estão abandonando a atividade — frisa Jaime Ries, zootecnista e assistente técnico estadual em Bovinocultura de Leite da Emater.

A maior parte da mão de obra dessas propriedades, 93,2%, era predominantemente familiar.

Os motivos
Quando perguntados sobre os fatores externos que contribuíram para a saída, os produtores apontaram principalmente a baixa remuneração do leite e a falta de estabilidade e previsibilidade nos preços, citadas por 79,3% dos entrevistados. Na sequência aparecem o custo de aquisição dos insumos, com 66,7%, e a dificuldade de contratar mão de obra, mencionada por 30,3%. No estudo, vale lembrar, eram aceitas múltiplas respotas.

O dinheiro, porém, não explica tudo. Entre os fatores internos, 66,4% citaram a penosidade da atividade. A falta de mão de obra apareceu para 61,3%, enquanto 37,8% apontaram o desinteresse dos filhos.

Outro dado chama atenção. A saída da atividade não parece estar diretamente relacionada à falta de estrutura produtiva. A maior parte das propriedades utilizava entre cinco e 10 hectares, com média de 12,5 hectares. 

Além disso, a produção média era de 18,7 litros de leite por vaca por dia, com aproximadamente 21,6 vacas por propriedade e uma produção média de 402 litros por dia.

E isso não significa necessariamente que o produtor tenha abandonado o campo. Quando perguntados sobre o destino da área, 59,4% passaram a produzir grãos e 35,2% migraram para a pecuária de corte.

Para Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), o importante agora é que esses números não aumentem:

— Precisamos pensar em um planejamento, já que se sabe que aquele produtor que abandona a atividade dificilmente retorna.

Ainda segundo o estudo, 79,8% dos entrevistados afirmaram que não pretendem retornar à produção de leite.

GDT 411º registra estabilidade mesmo com novo recorde de volume negociado

O 411º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou leve avanço de 0,9% no GDT Price Index, com preço médio negociado de USD 3.910/tonelada. O resultado mantém as cotações próximas da estabilidade, após a valorização mais intensa observada no leilão anterior, indicando um cenário de maior acomodação dos preços no mercado internacional.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos leites em pó, o movimento foi misto. O leite em pó desnatado (LPD) apresentou a principal valorização entre os produtos, com alta de 5,3%, atingindo USD 3.695/tonelada. O LPD vem demonstrando alta à quatro leilões consecutivos, resultado de uma maior procura por derivados proteicos, já que o produto pode servir como substituto para o Whey Protein Concentrate (WPC) em algumas formulações.  Já o leite em pó integral (LPI) permaneceu praticamente estável, com leve recuo de 0,1%, sendo negociado a USD 3.585/tonelada. O comportamento distinto entre os produtos mostra uma maior sustentação do LPD, enquanto o LPI mantém as cotações próximas aos patamares observados nas últimas negociações.

Gráfico 2. Preço médio LPI

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Entre os demais derivados, a muçarela apresentou estabilidade, com alta de 0,3%, atingindo USD 4.244/tonelada. A manteiga registrou queda de 0,8%, para USD 5.028/tonelada, enquanto a gordura anidra do leite recuou 1,3%, sendo negociada a USD 5.917/tonelada.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 01/09/2026 

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado segue em patamares elevados

O volume negociado totalizou 43.976 toneladas, aumento de 7,1% frente ao leilão anterior e de 6,1% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado representa um novo recorde de volume negociado em 2026, superando os patamares registrados em 2024 e 2025.

Mesmo com o avanço da oferta disponível consequente da safra da Nova Zelândia, o GDT Price Index permaneceu próximo da estabilidade, indicando que o mercado conseguiu absorver o maior volume comercializado sem gerar uma pressão significativa sobre as cotações.

Por outro lado, o número de participantes recuou 10,8%, totalizando 157 compradores, após atingir 176 no leilão anterior. O movimento indica uma redução no número de agentes ativos nesta edição, embora o volume elevado de produtos tenha sido escoado sem pressão dos preços.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os preços futuros de leite em pó integral (WMP) apresentam novos movimentos de valorização, sinalizando uma melhora nas expectativas para os próximos meses. O comportamento dos contratos indica maior sustentação das referências internacionais, mesmo diante dos elevados níveis de oferta na Nova Zelândia observados nos últimos leilões.

Esse movimento sugere uma percepção mais positiva dos agentes em relação à trajetória futura dos preços, embora o comportamento da demanda internacional permaneça determinante para a continuidade dessa valorização.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 411º reforça um cenário internacional de maior estabilidade, com destaque para a valorização do LPD e a manutenção do LPI em patamar praticamente inalterado. No entanto, a recuperação observada no mercado externo ainda encontra um cenário doméstico mais acomodado.

No Brasil, os preços dos derivados seguem estáveis, enquanto a disponibilidade de produtos importados continua limitando movimentos de valorização mais consistentes. Assim, mesmo com sinais mais positivos vindos dos contratos futuros, a transmissão para o mercado brasileiro tende a ser de maior estabilidade e gradual.

Nesse contexto, o câmbio e o ritmo das importações permanecem como pontos importantes de atenção, especialmente para os leites em pó. A combinação entre preços internacionais, competitividade dos produtos externos e disponibilidade no mercado doméstico continuará sendo determinante para a formação das cotações brasileiras nas próximas semanas.


Jogo Rápido

Sindilat/RS doa mil litros de leite em ação alusiva ao Concurso Leiteiro da Expointer
O Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (SINDILAT/RS) doou mil litros de leite UHT ao programa Criança Feliz, da Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (SMCDH) de Esteio. A ação foi realizada em parceria com a Gadolando e integrou a programação do Concurso Leiteiro das raças Holandesa e Jersey da Expointer 2026. A entrega simbólica ocorreu nesta terça-feira (1º/09), no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A iniciativa associou a realização do tradicional concurso a uma ação social destinada a famílias atendidas pelo programa no município. Na competição, a vaca Pitoca, da Granja Ferrabolli, de Anta Gorda, conquistou o tricampeonato entre os animais adultos da raça Holandesa. O animal produziu 85,3 quilos de leite em três ordenhas. Na categoria jovem, a vencedora foi uma vaca da Granja Bruchez, de Barão, no Vale do Caí, que alcançou a produção de 93,1 quilos, também em três ordenhas. A doação reforça a contribuição da cadeia leiteira para a alimentação e amplia o alcance social de uma das atividades tradicionais da Expointer. (Sindilat/RS com informações de Zero Hora e Gadolando)


 

Porto Alegre, 01º de setembro de 2026                                                 Ano 20 - N° 5.005


Aliança Láctea debate sanidade animal, competitividade e caminhos internacionais

O Brasil precisa avançar nas garantias de sanidade animal para permitir que os estados produtores ligados à Aliança Láctea Sul-Brasileira consigam chegar aos mercados internacionais, seguindo trajetórias já exitosas de outras proteínas animais, como ovos e carnes. “Precisamos avançar junto ao governo federal no sentido de agilizar liberação, mesmo que seja de forma regionalizada, para conseguir embarcar nossos produtos para fora, buscando nichos de mercado que estão se abrindo na Ásia, por exemplo, e que estão sedentos por comida e que agregam grandes poulações”, disse Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindilat/RS.

Na reunião da Aliança Láctea realizada na manhã desta terça-feira (01/09), durante a Expointer, o 1º vice-presidente da entidade, Alexandre Guerra, assinalou que avanço da cadeia depende da construção de soluções conjuntas e do fortalecimento de todos os seus elos. “São caminhos que a gente vai debatendo e temos visto que estamos avançando. Temos que trabalhar pensando no conjunto, desde os pequenos, médios e grandes, da indústria e do campo, porque sempre repetimos que precisamos estar todos fortes e unidos. Somos interdependentes e todos são importantes”, destacou.

Guerra também chamou atenção para o crescimento de segmentos como o de queijos e para a necessidade de ampliar o estímulo ao consumo. Além disso, ressaltou a importância de garantir condições adequadas para a distribuição da produção brasileira, citando os impactos de novas tarifas que encarecem o transporte de produtos da Região Sul para o centro do Brasil.

Neste cenário, Darlan assinalou a necessidade de construir mecanismos para ampliar a proteção e a sustentabilidade do setor diante de preocupações relacionadas às negociações comerciais, especialmente em relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia. “Existe uma preocupação com a criação de salvaguardas para produtos brasileiros, e o setor lácteo está inserido nesse debate, assim como outros segmentos, como vinhos e azeite de oliva”, afirmou.

Segundo ele, a busca por maior competitividade passa também pela construção de alternativas próprias para o setor. “Precisamos buscar mecanismos e instrumentos que contribuam para a proteção e a sustentabilidade da cadeia. A discussão sobre comercialização futura, por exemplo, é um dos temas que começam a ganhar espaço e que certamente estará presente nas nossas próximas reuniões”, destacou.Aliança Láctea completa 12 anosA reunião desta terça-feira celebrou os 12 anos da Aliança Láctea Sul-Brasileira (ALSB). A entidade foi fundada durante a Expointer, que serviu como palco para o encontro das lideranças do setor. A Aliança Láctea Sul-Brasileira é um fórum público-privado que reúne lideranças e entidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Foto: Gisele Ortolan / Fonte: Sindilat/RS


GDT - Global Dairy Trade 

Indicadores - 01º de setembro de 2026

Fonte: GDT (Adaptado pelo Sindilat/RS)

CIEPEL terá homenagem surpresa a personalidade da cadeia do leite durante a Expointer

O nome do primeiro homenageado é mantido em segredo pela organização e será revelado somente durante o evento.

A CIEPEL — Comissão das Indústrias de Equipamentos para a Pecuária de Leite do SIMERS (Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul) — realiza, no dia 3 de setembro, durante a Expointer 2026, o 6º Encontro Técnico CIEPEL, que nesta edição terá uma novidade: a criação do Troféu Embaixador da Conformidade CIEPEL.

A cerimônia acontece às 14h, na Casa do SIMERS na Expointer, e terá como um dos momentos de destaque a entrega do primeiro troféu, criado para reconhecer uma personalidade que tenha contribuído de forma relevante para a qualidade, a conformidade e o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite. Mas há um detalhe: o nome do primeiro homenageado é mantido em segredo pela organização e será revelado somente durante o evento.

A iniciativa pretende transformar a homenagem em uma tradição anual, valorizando profissionais cuja trajetória tenha ajudado a transformar conhecimento, responsabilidade técnica, qualidade e conformidade em ferramentas para a evolução da atividade leiteira.

Segundo a CIEPEL, a proposta parte de uma premissa de que a qualidade do leite não começa apenas no laboratório, mas também nas decisões tomadas na propriedade, nos equipamentos utilizados, nos procedimentos adotados e na responsabilidade de cada elo da cadeia.

Produção de leite no RS em debate

Além da homenagem, o 6º Encontro Técnico CIEPEL terá como tema “Os Avanços e Desafios Para a Produção de Leite no RS”. O palestrante convidado é Jaime Eduardo Ries, zootecnista formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mestre em Zootecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e com MBA em Gestão do Agronegócio pela Unisinos. Extensionista rural da Emater, Ries atua como coordenador estadual nas áreas de bovinocultura leiteira e de corte.

A programação reunirá representantes da indústria, profissionais técnicos, especialistas, produtores, entidades do setor e outros integrantes da cadeia produtiva, com o objetivo de promover a troca de experiências e aproximar indústria, assistência técnica, produtores e instituições ligadas à qualidade e ao desenvolvimento da atividade leiteira.

Livro sobre ordenhadeira mecânica será lançado

Após a entrega do Troféu Embaixador da Conformidade, também será realizado o lançamento do livro “Ordenhadeira Mecânica 360º”, de autoria de Carlos Alberto Machado, coordenador da CIEPEL. A publicação chega ao evento dentro da proposta da comissão de ampliar a discussão sobre conhecimento técnico, equipamentos, qualidade e conformidade na produção de leite. Com a criação do troféu, a CIEPEL também pretende colocar em evidência profissionais e iniciativas que contribuem para uma cadeia leiteira mais eficiente e tecnicamente preparada.

Por enquanto, permanece a pergunta: quem será o primeiro Embaixador da Conformidade CIEPEL?

A resposta será conhecida somente no palco da Casa do SIMERS, durante a Expointer.

6º Encontro Técnico CIEPEL + 1º Troféu Embaixador da Conformidade
Data: 3 de setembro de 2026
Horário: 14h
Local: Casa do SIMERS na Expointer

Fonte: Milkpoint


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Demanda firme e incertezas sobre a safra 2026/27 elevam preços
Cepea, 31/08/2026 – A firme demanda global, as condições climáticas irregulares no Hemisfério Norte e as incertezas quanto aos possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a safra 2026/27 seguem impulsionando os preços futuros e domésticos da soja. No Brasil, segundo o Cepea, o movimento de alta foi reforçado pela retração de uma parte dos vendedores, que, atentos a esses fatores, mostraram preferência por postergar novas negociações. No entanto, para comercializar no mercado spot, muitos desses agentes têm aceitado um prazo de pagamento mais alongado, mas a preços maiores. Pesquisadores do Cepea ressaltam que, mesmo diante da alta externa, os prêmios de exportação no Brasil seguem firmes, resultando em aumento no preço FOB nos portos nacionais, que alcançaram os maiores patamares em três anos. (CEPEA)


 

Porto Alegre, 31 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 5.004


Cepea: preço do leite tem alta de 4,65% em julho, embora 3º tri tenha perspectiva de queda

Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que o preço médio do leite cru captado por laticínios voltou a subir em julho. Na “média Brasil” líquida, o valor alcançou R$ 2,8761/litro, aumentos de 4,65% frente a junho e de 4,96% em relação a julho de 2025, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de julho/26).
A boa demanda por UHT, os estoques considerados confortáveis e o crescimento mais lento da captação em algumas regiões mantiveram a concorrência pelo leite. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) cresceu 2,38% de junho para julho na “Média Brasil”. Apesar da recuperação mensal, o Índice ainda acumula queda de 9,3% no ano. 

Do lado dos gastos, o Custo Operacional Efetivo (COE) permaneceu praticamente estável pelo segundo mês consecutivo, com ligeira queda de 0,31% na “média Brasil”. Embora milho e farelo de soja tenham se valorizado em julho, os estoques de ração produzidos anteriormente, a custos menores, limitaram o repasse aos concentrados. No entanto, a alta recente das matérias-primas pode elevar os custos da indústria e resultar em recuperação dos preços dos concentrados ao longo de agosto.

Quanto às vendas de derivados, agentes de indústrias continuaram enfrentando dificuldades para garantir margens. Pesquisas do Cepea apoiadas pela OCB indicam que as negociações de muçarela e leite em pó perderam ritmo em julho, enquanto o UHT se valorizou 7,35% frente a junho. Parte dessa lentidão foi associada também às importações.

No mercado internacional, as importações ampliaram a disponibilidade interna. Segundo dados da Secex, o volume adquirido em julho cresceu 9,01% frente a junho, totalizando 236,3 milhões de litros em equivalente-leite. Na comparação com julho de 2025, o avanço foi de 33,49%. As compras externas de leite em pó e queijos aumentaram, respectivamente, 7,54% e 12,7% de junho para julho, reforçando a pressão sobre as negociações domésticas.

Diante desse contexto, a expectativa é de que o encerramento do terceiro trimestre seja marcado pelo recuo das cotações do leite cru, influenciado pelo aumento da oferta, pelas importações e pelo comportamento dos preços dos derivados.

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de julho/2026)

 


Evento amplia debate sobre cadeia leiteira

Já tiveram início os preparativos para a próxima edição do Milk Summit, evento que integra a programação da Expofest e tem como objetivo fortalecer a integração e a troca de conhecimentos relacionados à cadeia leiteira. Depois do sucesso da primeira edição do evento, que aconteceu no ano passado, o Milk Summit está ampliando sua proposta e passa a se chamar Milk Summit Mercosul.

O evento será realizado entre os dias 14 e 15 de outubro, contará com mais de 16 horas de conteúdo e deverá reunir mais de 700 participantes por dia, entre produtores, indústrias, cooperativas, técnicos, estudantes, pesquisadores e representantes de países do Mercosul. O evento será promovido pelo Sindilat-RS em parceria com Impulsa Ijuí, Sebrae, Suport D’Leite, Emater, Prefeitura de Ijuí e Governo do Estado.

Em entrevista ao JM, o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS) e coordenador do evento, Darlan Palharini, destaca a aproximação cada vez maior com empresas de tecnologia como um dos diferenciais para esta edição do Milk Summit. Na sua avaliação, o evento acontece em um momento de mudanças no mercado mundial e pode auxiliar os produtores a compreenderem as novas demandas dos consumidores. “O setor passa por transformações em uma velocidade muito grande hoje em dia. E o Brasil precisa se desenvolver rapidamente dentro da atividade leiteira para fazer frente a esse mercado globalizado e de novos produtos dentro do setor lácteo”, afirma.

Outro tema que deve estar presente nas discussões durante o evento é a necessidade de alternativas para fortalecer a atividade leiteira diante da falta de políticas públicas específicas de apoio ao setor. Segundo o coordenador, os demais países integrantes do Mercosul possuem um grau maior de intervenção de seus respectivos governos em relação às políticas públicas, garantia de preços e subsídios.

“E a gente sabe da questão financeira do governo federal, sabe que dificilmente esse cenário vai mudar. Então, o setor realmente precisa buscar alternativas dentro da cadeia”, diz. “Eu acredito muito nas ações desenvolvidas dentro do próprio setor, de criar alternativas, buscar novas tecnologias ou desenvolver parcerias. Porque realmente, se a gente ficar na espera do governo federal, o máximo que a gente vamos conseguir é talvez essas linhas de programas como o Pronaf, que já acontecem”, complementa.

As inscrições para o Milk Summit Mercosul são gratuitas e já estão abertas. Segundo Palharini, ainda existem alguns poucos espaços disponíveis destinados à exposição de empresas e tecnologias.

“Esperamos que realmente consigamos fazer um grande evento. O Milk Summit Mercosul acontece para que juntos, indústria e produtores, possamos achar alternativas para desenvolver a cadeia produtiva do leite cada vez mais”, conclui o coordenador. (Jornal da Manhã)

 

Uruguai: país produz e exporta mais leite do que nunca em sua história

A pecuária leiteira uruguaia atravessa uma transformação que pode ser resumida em uma aparente contradição: há menos propriedades leiteiras, menos terra dedicada à atividade e menos vacas, mas se produz mais leite do que nunca. Os números dos últimos anos mostram que o setor conseguiu elevar fortemente sua produtividade enquanto avançava um processo de concentração e saída de produtores.

No primeiro semestre de 2026, o envio de leite para plantas industriais alcançou 1,025 bilhão de litros, 10,3% a mais do que um ano antes. Junho, com 196 milhões de litros, marcou, além disso, o maior registro histórico para esse mês, segundo dados do Instituto Nacional do Leite (INALE). O crescimento chega depois de um 2025 recorde: durante esse ano foram remetidos 2,212 bilhões de litros, 8,4% a mais do que em 2024.

Quase mil propriedades leiteiras a menos em oito anos

Por trás dos recordes aparece uma transformação estrutural da produção. Segundo os dados do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP-DIEA), o Uruguai tinha cerca de 3.900 propriedades leiteiras no exercício 2015/16. Em 2023/24, restavam 2.978 estabelecimentos. Em menos de uma década desapareceram, assim, mais de 900 unidades produtivas, uma redução próxima de um quarto do total.

O fenômeno também aparece quando se observa exclusivamente aqueles que enviam leite à indústria. Os remetentes passaram de 2.699 em 2017 para 2.135 em 2024, ou seja, mais de 500 produtores a menos em sete anos.

Menos terra e menos vacas

O ajuste não ocorreu somente na quantidade de estabelecimentos. A área destinada à pecuária leiteira passou de aproximadamente 827.000 para 623.000 hectares, enquanto o rebanho diminuiu de 767.000 para 688.000 cabeças.

O setor produz, portanto, mais leite utilizando uma quantidade menor de recursos produtivos. A explicação está principalmente no aumento da produtividade. A produção individual passou de 4.768 litros por vaca ao ano para 5.825 litros, uma melhora de 22%. Ao mesmo tempo, o remetente médio passou de entregar cerca de 2.000 litros diários para aproximadamente 2.600 litros.

Mais escala e produtividade

Os dois fenômenos — recorde produtivo e desaparecimento de estabelecimentos — fazem parte de um mesmo processo. Os estabelecimentos que permaneceram em atividade aumentaram sua escala e avançaram em genética, alimentação, manejo, tecnologia e gestão, permitindo produzir mais leite com menos animais e área.
Mas essa melhora ocorre ao mesmo tempo em que os estabelecimentos de menor escala encontram maiores dificuldades para permanecer no negócio. O processo é observado especialmente entre os menores: as propriedades leiteiras de até 50 hectares diminuíram de 966 para 711 em sete exercícios.

A pressão econômica ajuda a explicar parte dessa transformação. Em junho, o preço recebido pelo produtor ficou em 16,9 pesos uruguaios (US$ 0,42) por litro, 5% menos na comparação anual, enquanto o indicador de poder de compra se encontrava 21% abaixo de sua base de referência. Quando os custos avançam mais rapidamente do que as receitas, ganhar eficiência e escala se torna cada vez mais determinante para permanecer na atividade.

As exportações também batem recordes

A maior produção encontrou, além disso, uma importante saída no mercado internacional. Durante 2025, as exportações de lácteos uruguaios alcançaram aproximadamente US$ 965 milhões, um crescimento de 13%. A tendência continuou em 2026.  Somente em julho, as vendas externas chegaram a US$ 95 milhões, 31% a mais do que durante o mesmo mês do ano anterior.

Esse desempenho voltou a colocar os lácteos como o terceiro complexo exportador do Uruguai, atrás da carne bovina e da celulose. Cerca de três quartos da produção do país acabam sendo exportados sob diferentes produtos, entre eles leite em pó, queijos e manteiga.

O desafio de depender de poucos mercados

O forte perfil exportador também expõe uma das vulnerabilidades da cadeia. Argélia e Brasil concentraram mais de 60% das exportações de lácteos uruguaios durante 2025, enquanto em julho de 2026 representaram aproximadamente a metade. A isso se soma uma elevada participação do leite em pó integral, que representa cerca de dois terços da produção industrial.

O Uruguai construiu, assim, uma importante capacidade para colocar sua produção no exterior, mas continua enfrentando o desafio de diversificar produtos e destinos para diminuir a exposição a mudanças em poucos mercados compradores.

A indústria também se concentra op processo de concentração não termina na produção primária. Quatro companhias — Conaprole, Estancias del Lago, Lactalis e Alimentos Fray Bentos — recebem cerca de 91% do leite remetido à indústria. As cooperativas, por sua vez, concentram aproximadamente três quartos da captação. O resultado é uma cadeia capaz de processar e exportar grandes volumes, mas com uma estrutura produtiva cada vez mais concentrada.

O outro lado do recorde leiteiro, a eficiência alcançada pelo Uruguai é significativa: mais leite com menos estabelecimentos, menos hectares e menos animais. Mas o processo abre uma discussão que vai além dos indicadores produtivos. A atividade leiteira tem uma forte presença territorial e sustenta empregos, famílias rurais, serviços e comunidades em departamentos como Colonia, Florida e San José. Por isso, o desaparecimento de estabelecimentos tem consequências que vão além dos litros que deixam de ser produzidos.

O desafio daqui para frente será sustentar as melhorias de produtividade e competitividade necessárias para participar do mercado internacional, enquanto se buscam ferramentas para enfrentar problemas como a sucessão geracional, a escala dos produtores menores, a infraestrutura e o acesso a mercados.
O Uruguai chega, assim, a 2026 produzindo e exportando leite em níveis históricos. Mas, por trás do recorde, há uma transformação profunda: o leite cresce enquanto diminui o número de famílias e estabelecimentos que o produzem.
As informações são do El Observador, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Indicador sobe quase 6% na parcial de agosto
Cepea, 31/08/2026 – Mesmo com a colheita da segunda safra em fase final e estimativas de produção recorde, os preços do milho seguem avançando no mercado brasileiro. Segundo o Cepea, de modo geral, compradores e vendedores seguem retraídos, e as negociações ocorrem de forma pontual. Segundo pesquisadores do Cepea, produtores continuam limitando a oferta, à espera de oportunidades mais atrativas diante das recentes altas no mercado internacional. Do lado da demanda, compradores se deparam com os preços altos pedidos por vendedores e acabam aceitando esses valores em alguns casos, devido à necessidade de adquirir lotes no curto prazo. Outra parte dos consumidores, por sua vez, recorre aos estoques. Neste cenário, de acordo com o Centro de Pesquisas, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referente à região de Campinas (SP), acumula alta de 5,8% na parcial do mês (até o dia 27). Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


 

Porto Alegre, 28 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 5.003


Conseleite SC

RESOLUÇÃO Nº 8/2026
 
A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 28 de Agosto de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Julho de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Agosto de 2026. 
 

VALORES DE REFERÊNCIA1 DA MATÉRIA-PRIMA (LEITE)

 

Períodos de apuração
Mês de Julho/2026: De 29/06/2026 a 02/08/2026
Parcial Agosto/2026: De 03/08/2026 a 23/08/2026

O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão.
Fonte: Conseleite SC


Grupo Piracanjuba conta com o apoio da Tetra Pak para abrir uma das maiores fábricas de queijo no Brasil

A Tetra Pak, com seu olhar integrado, participou de todas as etapas do processo, desde a concepção da planta ao fornecimento das tecnologias que a equipam. A Tetra Pak, líder mundial em soluções para envase e processamento de alimentos, apoiou o Grupo Piracanjuba na concepção e implementação de uma das maiores fábricas de queijo do país.

A parceria acompanhou todas as etapas desse processo, desde a idealização da planta, até a implementação e utilização dos equipamentos para o processamento do leite. “Nós tínhamos o objetivo de ter uma planta capaz de processar mais de 1 milhão de litros de leite por dia para a produção de mussarela e estabelecer um novo patamar de eficiência, automação e inovação para a indústria brasileira. Para tirar esse plano do papel, contamos com a parceira da Tetra Pak desde as etapas iniciais do projeto”, afirma Luiz Claudio Lorenzo, Presidente do Grupo Piracanjuba.

Localizada em São Jorge d’Oeste (PR), a nova unidade amplia a presença do Grupo Piracanjuba no Paraná e fortalece sua atuação em categorias estratégicas para a região. Atualmente, a planta é utilizada na produção de manteigas e de queijos em peças ou fatiados.

A parceria com a Tetra Pak surgiu ainda na fase da engenharia, com o Enginerring Work Agreement (EWA), um pré-projeto desenvolvido por especialistas brasileiros e do exterior da Tetra Pak e por uma equipe multidisciplinar do Grupo Piracanjuba.

Foi nessa etapa em que os principais parâmetros da futura planta – como capacidade produtiva, fluxos de processos e tecnologias, equipamentos e estratégias mais adequadas – foram definidos.

Além da produção de mussarela, o desafio era também desenvolver uma planta que garantisse o alto desempenho operacional e estivesse preparada para futuras expansões, podendo, inclusive, receber a fabricação de outros produtos. 

Com esse olhar para o futuro, a unidade foi projetada para superar o objetivo inicial e está preparada para processar até 1,2 milhão de litros de leite por dia.

Após a conclusão do projeto, a Tetra Pak foi responsável pelo fornecimento de soluções que atuam na recepção e estocagem do leite, na estocagem de soro, em sistemas de CIP (Cleaning in Place), na pasteurização e padronização do produto, além de um sistema, o primeiro da Tetra Pak no Brasil, de membranas para padronizar a relação entre caseína e gordura do leite e que aumenta a eficiência do processo, a padronização da matéria-prima e a qualidade da mussarela.

Durante todo o processo, o Grupo Piracanjuba pode contar com a equipe de projetos da Tetra Pak. A unidade, de 54 mil m², foi projetada com foco em eficiência e sustentabilidade e conta com sistemas de reaproveitamento de água, produção e uso de biogás como fonte de energia renovável, reduzindo o impacto ambiental nas operações. “Para a Tetra Pak, promover a sustentabilidade na indústria de alimentos é essencial para a manutenção de um ciclo positivo, que gere valor para a empresa e a sociedade em seu entorno.

Por isso, nosso apoio ao Grupo Piracanjuba teve o olhar integrativo entre eficiência e performance ambiental, com equipamentos que contribuem para a redução do impacto em todos os processos”, explica Ana Paula Forti, Diretora de Processamento da Tetra Pak Brasil.

A união entre crescimento industrial, inovação e desenvolvimento regional também abre caminho para novas oportunidades em categorias de alto valor agregado. Segundo o Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a importação de whey protein concentrado (WPC) representa 54% do consumo nacional.

Enquanto isso, a busca por produtos ricos em proteína vem crescendo, junto ao desejo de manter uma alimentação mais saudável e prática. A união desses fatores abre espaço para o crescimento da produção nacional desse insumo a partir do soro do leite – um remanescente da produção de queijo.

A nova planta, com essa visão, foi preparada para, no futuro, aproveitar esse material na produção de concentrados proteicos (whey protein). Além disso, a unidade também foi projetada com a possibilidade de ampliar sua atuação com a produção de lactose em pó e requeijão.
Fonte: Revista Mais Leite

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural. Porto Alegre, n. 1934

BOVINOCULTURA DE LEITE 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, os produtores de leite da 
Campanha enfrentam dificuldades em decorrência dos elevados volumes de chuva, registrados no período.

Além dos impactos sobre o desenvolvimento das pastagens, o excesso de umidade e a formação de barro têm tornado as atividades de manejo mais penosas e favorecido os casos de mastite, resultando em descontos no valor recebido pelo leite, na redução da produção e no aumento dos custos com o tratamento das matrizes. Além disso, a restrição na oferta de pastagens, decorrente tanto das condições climáticas adversas quanto da necessidade de preservação das áreas para evitar danos causados pelo pisoteio, continua limitando a produção.

As reservas de feno e silagem continuam sendo utilizadas intensivamente. Porém, em algumas propriedades, são insuficientes para atender plenamente à demanda nutricional das matrizes e permitir a expressão do potencial produtivo. Como estratégia para reduzir custos e elevar a densidade energética das dietas, os produtores vêm utilizando milho na composição da alimentação. 

Na de Caxias do Sul, por causa das adversidades climáticas, a alimentação dos animais foi complementada com silagem de milho, pré-secado e feno, além das pastagens disponíveis.
 
A situação sanitária das vacas segue dentro do esperado. Os produtores realizam o controle de mastite, além do acompanhamento de doenças que afetam terneiras recém-nascidas, principalmente pneumonias e diarreias. O bem-estar dos animais foi favorecido pelas temperaturas mais baixas.

A qualidade do leite, avaliada pelos índices de contagem de células somáticas (CCS) e contagem padrão em placas (CPP), manteve-se dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação brasileira. 

Na de Erechim, ainda há casos de mastite em algumas propriedades e problemas de casco por causa da umidade acumulada ao longo dos últimos períodos.  
Na de Ijuí, nos sistemas de produção estabulados, houve maior dificuldade para 
diminuir a umidade dos materiais das camas dos animais, sendo necessária maior reposição de material seco. Nos sistemas a pasto, a formação de barro dificultou o deslocamento dos animais e ocasionou aumento de problemas nas patas dos animais. 

Na de Pelotas, a redução das temperaturas contribuiu para a diminuição da infestação por carrapatos e para a melhoria do bem-estar dos animais. Os produtores seguem atentos às terneiras, aos procedimentos de higiene durante a ordenha, ao manejo das pastagens e à manutenção do calendário de vacinação, especialmente contra a raiva. 

Nas de Santa Rosa e Soledade, a sanidade continua como ponto de atenção por causa da umidade em excesso, que favorece os problemas de casco e aumenta o risco de mastite. Dessa forma, os produtores têm reforçado os cuidados com higiene, manejo e conforto animal, buscando preservar a qualidade do leite e os índices produtivos.
(EMATER/RS editado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 35/2026 – SEAPI 
Na próxima semana, a chuva voltará a atingir o território gaúcho. Entre a sexta-feira (28/08) e o domingo (30/08), o avanço de uma frente fria provocará instabilidade em diferentes localidades. Entre os dias 27/08 e 28/08, a chuva ficará mais restrita à metade sul e ao litoral, enquanto, nos dias 29/08 e 30/08, ficará mais concentrada na metade norte e no litoral. As temperaturas estarão em ascensão ao longo desses dias. Na segunda-feira (31/08), ainda haverá previsão de chuva principalmente na metade norte. Na terça-feira (01/09) e na quarta-feira (02/09), um sistema de alta pressão trará estabilidade para praticamente todo o território gaúcho. Assim, as temperaturas estarão em declínio ao longo desses dias, e há previsão de chuva apenas em pontos bem isolados. De forma geral, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 mm e 150 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados que podem ultrapassar esse valor. (SEAPI)


 

Porto Alegre, 27 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 5.002


Para agosto, Conseleite projeta leite a R$ 2,4754

O valor de referência do leite para agosto de 2026, projetado pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS), ficou em R$ 2,4754 por litro. O valor representa uma leve redução de R$ 0,0252 por litro (-1,01%) em relação a julho, quando a referência havia sido fixada em R$ 2,5005. Já o valor consolidado de julho encerrou em R$ 2,5236 por litro, alta de R$ 0,0917 (3,77%) frente a junho, que havia ficado em R$ 2,4320.

A partir da atualização dos estudos da Câmara Técnica (Camatec), o Conseleite/RS passou a apresentar também os valores calculados com novos parâmetros. Nesse modelo, o valor de referência consolidado para julho ficou em R$ 2,4529 por litro, enquanto a projeção para agosto é de R$ 2,4128. Os dois conjuntos de referências serão divulgados até outubro.

As projeções foram divulgadas em reunião on-line na manhã desta quinta-feira (27/08) e elaboradas com base nos dados coletados nos primeiros 20 dias de agosto. Conforme o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes, o segundo semestre costuma apresentar aumento da oferta de leite, colocando no radar fatores que podem pressionar os preços. “Temos o aumento da oferta doméstica, a entrada do leite em pó importado, que são aspectos que precisam ser acompanhados, assim como o potencial de impacto sobre a produção do El Niño, o que também pode afetar a produção e a oferta de leite”, destaca.

Na avaliação do vice-coordenador do conselho, Darlan Palharini, existem fatores que já causam preocupação no Rio Grande do Sul, como o atraso de mais de 30 dias no plantio do milho em quase 50% das áreas cultiváveis, o que pode prejudicar a produção de silagem. “A referência projetada reforça o momento de cautela de produtores e indústria com relação aos seus custos de produção e novos investimentos”, argumenta o secretário-executivo do Sindilat/RS.

Representação

Na próxima semana, o Conseleite/RS participa, em Brasília (DF), da oficina “Diagnóstico, Desafios e Perspectivas da Cadeia Produtiva do Leite para a Agricultura Familiar”, nos dias 1º e 2 de setembro. Representando a entidade, o coordenador Kaliton Prestes participa da oficina de escuta do setor produtivo, que vai reunir contribuições sobre os principais problemas e desafios da agricultura familiar na cadeia do leite. A iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia, busca reunir subsídios para a elaboração da proposta do Plano Nacional da Cadeia do Leite.


Conseleite/MG projeta aumento de 1,2% no leite que será pago em setembro, 

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 26 de Agosto de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:

a) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Julho/2026 a ser pago em Agosto/2026.

b) a os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Agosto/2026 a ser pago em Setembro/2026.

VALORES DA MATÉRIA PRIMA POSTO PROPRIEDADE EM JUL/26 E PROJETADOS PARA AGO/26

Nota Técnica: O Valor Base de Referência corresponde à capacidade de pagamento da indústria pelo leite, considerando os seguintes parâmetros de volume e qualidade: produção de 160 litros/dia, Contagem de Células Somáticas (CCS) de 400 mil células/mL, Contagem Padrão em Placas (CPP) de 100 mil UFC/mL, teor de gordura de 3,30% e teor de proteína de 3,10%.

Atenção:

A Câmara Técnica do Conseleite MG está conduzindo a revisão dos parâmetros que compõem os valores de referência do Conseleite MG, com conclusão prevista para breve. Após a conclusão desse processo, o Valor Base de Referência deixará de ser publicado pelo Conseleite MG, permanecendo inalterada a divulgação das demais categorias da tabela de valores de referência.

Variações nos preços de venda dos derivados pela indústrias participantes do Conseleite MG

Períodos de apuração:

Mês de Julho/2026: De 01/07/2026 a 31/07/2026

Parcial de Agosto/2026: De 01/08/2026 a 20/08/2026

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

As informações são do Conseleite/MG.

Representantes do agronegócio do leite se reúnem em Juiz de Fora para debater os desafios do setor

A Embrapa Gado de Leite reuniu, nos dias 25 e 26 de agosto, em Juiz de Fora (MG), 212 participantes de 16 estados brasileiros para o Workshop "Desafios para o Leite Brasileiro nos Próximos Dez Anos". O evento integra o calendário comemorativo dos 50 anos da Unidade e reuniu produtores rurais, lideranças cooperativistas, indústrias laticinistas, setor de máquinas e equipamentos, produtores de sementes, empresas de assistência técnica e extensão rural (Ater), gestores governamentais e representantes da comunidade acadêmica e científica.

Ao todo, cerca de 50 instituições ligadas à cadeia produtiva do leite estiveram representadas, além de representantes de 13 Unidades Descentralizadas da Embrapa, espalhadas pelas cinco regiões do país. O encontro contou ainda com a presença do diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clênio Pillon, e da diretora de Inovação Social e Transferência de Tecnologia, Ana Margarida Euler, que participaram da abertura dos trabalhos.

Em sua fala na abertura do evento, Clênio Pillon destacou o caráter estratégico da discussão para o conjunto de públicos que hoje dialogam com a Embrapa: "Esta é uma agenda estratégica pra todos nós porque temos procurado dialogar fortemente com todos os nossos públicos, que vão além do agricultor, da assistência técnica e da extensão rural. Atendemos agroindústria, as empresas de rastreabilidade de certificação, os formuladores e executores de políticas públicas, o sistema de financiamento da produção agrícola e pecuária, as empresas que trabalham com seguro agrícola”. Segundo Pillon, os diversos setores que compõem o agronegócio estão ávidos pelas entregas feitas pela Embrapa.

Debates – O primeiro dia do evento foi dedicado ao tema "Visão de Futuro: onde estará a pecuária leiteira em 2035?", o consultor Airton Spies (Spiesagro) abriu os trabalhos com a palestra magna "O mundo do leite em 2035: tendências globais e impactos para o Brasil". Na sequência, produtores, indústria, pesquisa e cooperativismo debateram os principais desafios da próxima década, com a participação de Maurício Silveira Coelho (Fazenda Santa Luzia), Gustavo Silva Almeida e Bruno Castanheira (Laticínios Tirolez), Glauco Rodrigues Carvalho (Embrapa Gado de Leite) e Sebastião Vilanova (Cooperoeste-SC), sob mediação do chefe-adjunto de P&D da Embrapa Gado de Leite Bruno Campos de Carvalho.

À tarde, teve início a dinâmica de construção de cenários, com a apresentação da consulta pública realizada entre junho e julho — que mapeou 24 desafios do setor em cinco eixos temáticos — e o início dos trabalhos em grupo.

No segundo dia, Marcelo Pereira de Carvalho (MilkPoint Ventures) provocou os participantes com a pergunta "O que está mudando no leite enquanto estamos ocupados com o dia a dia?", antes da continuidade das atividades em grupo. À tarde, os participantes sintetizaram as discussões e priorizaram os temas mais urgentes, culminando no lançamento da proposta de criação da Rede de Pesquisa, Desenvolvimento e Transferência de Tecnologia em Leite, apresentada pelo chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite Rui da Silva Verneque.

Cinco desafios prioritários

O resultado das discussões dos grupos de trabalhos foram submetidos à análise PEST (política, econômica, social e tecnológica) e à Matriz GUT (gravidade, urgência e tendência), os dez temas mais debatidos no workshop foram reduzidos a cinco Desafios Prioritários Nacionais para a cadeia do leite na próxima década, que compõem a Carta de Juiz de Fora*:

1 – Elevados custos de produção e baixa rentabilidade da atividade leiteira;

2 – Escassez de mão-de-obra qualificada e dificuldade de retenção de trabalhadores;

3 – Degradação de pastagens, com baixa taxa de lotação e redução do valor nutritivo do pasto;

4 – Falta de planejamento forrageiro, insegurança alimentar do rebanho e sazonalidade da produção de forragens;

5 – Uso ineficiente dos recursos hídricos e risco crescente de escassez de água nos sistemas de produção.

(*Leia uma síntese da Carta de Juiz de Fora ao fim dessa reportagem.)

Além da Carta de Juiz de Fora, um dos principais desdobramentos do workshop foi o lançamento formal da Rede Leite, iniciativa interinstitucional que pretende conectar competências e estruturar projetos cooperativos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). A rede será conduzida por um Comitê Gestor paritário, com representantes das cinco regiões do país — Embrapa Clima Temperado (Sul), Embrapa Pecuária Sudeste (Sudeste), Embrapa Cerrados (Centro-Oeste), Embrapa Semiárido (Nordeste) e Embrapa Amazônia Oriental (Norte) —, além de coordenação central formada pela Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DEPD) e pela Embrapa Gado de Leite, responsável por organizar uma secretaria de apoio à iniciativa.

Entre as frentes iniciais de atuação estão a harmonização de bancos de dados da cadeia leiteira, o mapeamento de competências institucionais, o levantamento contínuo de demandas regionais e a promoção mensal de debates técnicos virtuais sobre temas estratégicos.

Carta de Juiz de Fora: os compromissos assumidos

Como síntese de dois dias de trabalho, os participantes aprovaram e assinaram a “Carta de Juiz de Fora”, manifesto de compromisso da Embrapa Gado de Leite e de lideranças setoriais com os desafios estratégicos da cadeia produtiva do leite entre 2026 e 2036. O documento foi lido na sessão de encerramento pelo chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, José Luiz Bellini Leite.

Entre os compromissos assumidos estão:

• Estruturar e operacionalizar a Rede Leite, com a instituição do primeiro Comitê Gestor regionalizado;

• Elaborar e difundir um Documento Síntese Setorial, consolidando os diagnósticos e vetores de solução identificados no workshop;

• Promover o compartilhamento de dados abertos, com repositórios integrados de informações científicas, indicadores econômicos e métricas de sustentabilidade;

• Fortalecer a comunicação e a integração entre produtores, indústria, governo e academia;

• Fomentar parcerias pré-competitivas entre o setor público e o privado para o desenvolvimento de tecnologias de base;

• Apresentar a proposta da Rede à Diretoria da Embrapa para aprimoramento, além de discutir quatro projetos comissionados pela Diretoria em articulação com a Plataforma do Leite, proposta pelo diretor Clênio Pillon.

Ao encerrar o evento, Bellini avaliou positivamente os resultados dos dois dias de trabalho: "O workshop foi um grande sucesso e é importante que eventos como esse ocorram periodicamente para que possamos manter a cadeia produtiva unida frente aos grandes desafios do setor."

Com a Carta de Juiz de Fora assinada, a Embrapa Gado de Leite e as instituições parceiras passam agora a estruturar a Rede Leite e a consolidar o Documento Síntese Setorial, que deve servir de referência para políticas públicas e investimentos privados voltados à pecuária leiteira nacional na próxima década.

As informações são da Embrapa.


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Retração vendedora e cenário externo sustentam preços

Cepea, 24/08/2026 – O milho segue em valorização no mercado brasileiro, mesmo com o avanço da colheita da segunda safra. Segundo o Cepea, as altas no mercado internacional e as preocupações com o clima nos próximos meses influenciam os avanços dos preços no Brasil. Neste contexto, de acordo com o Centro de Pesquisas, produtores reduziram o interesse em negociar tanto no spot quanto para entrega futura e exportação. Nos Estados Unidos, expectativas de queda na produtividade das lavouras, o que pode reduzir a oferta global do cereal, elevaram expressivamente as cotações internacionais. As perspectivas desfavoráveis para a produção na União Europeia e as incertezas sobre o conflito no Mar Negro também dão suporte aos preços futuros. Pesquisadores do Cepea ressaltam ainda que, refletindo as preocupações com a oferta nas próximas semanas e aguardando valorizações mais expressivas, vendedores limitam o volume de mercadoria para negociações, enquanto compradores indicam necessidade de aumentar os valores para compra, no intuito de recompor estoques. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


Porto Alegre, 26 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 5.001


Pegou, pagou, levou: lácteos ganham geladeira de autosserviço na Expointer

A experiência de consumo de produtos lácteos ganha um novo formato na Expointer 2026. Pela primeira vez, uma geladeira de autosserviço exclusivamente com lácteos estará disponível no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), permitindo que os visitantes encontrem opções práticas, nutritivas e diversificadas para consumo durante a feira.

A iniciativa é do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) e reúne produtos de empresas associadas.

A geladeira terá queijos variados e bebidas proteicas prontas para o consumo. A proposta é aproximar os produtos da indústria láctea gaúcha do consumidor e, ao mesmo tempo, criar uma experiência diferente dentro de um dos principais eventos do agronegócio brasileiro.

Segundo o secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini, a iniciativa busca apresentar os lácteos de uma maneira mais direta e conectada aos novos hábitos de consumo. “A ideia é levar para a Expointer uma experiência simples, prática e inovadora. O visitante poderá escolher o produto, fazer o pagamento e levar na hora, encontrando diferentes opções de lácteos em um único espaço. É também uma forma de mostrar a diversidade dos produtos das nossas empresas associadas e aproximar a indústria do consumidor”, destaca.

Além da praticidade, a ação evidencia a versatilidade dos lácteos como alternativa de alimentação ao longo da programação da Expointer. A presença de diferentes categorias de produtos também permite ao público conhecer opções que vão além do consumo tradicional, incluindo bebidas proteicas e variedades de queijos. “O projeto representa uma nova forma de apresentar a força e a diversidade da indústria láctea gaúcha, colocando os produtos diretamente à disposição do público e transformando a geladeira em um ponto de contato entre indústria, produtos e consumidores. Levaremos para outros lugares também”, diz o executivo. (Sindilat/RS)


Conseleite Paraná

RESOLUÇÃO Nº 08/2026

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 26 de agosto de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Julho de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Agosto de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia.

Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia.

Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Agosto de 2026 é de R$ 4,4039/litro.

Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/ . 

Produção de leite dos EUA aumentou 2,2%, em julho, na comparação interanual 

A produção de leite dos Estados Unidos da América (EUA) registra mais um mês de crescimento sólidos, em julho, com a produção nacional alcançando 20,1 bilhões de libras – um resultado 2,2% superior ao de julho de 2025 – sinalizado que o setor mantém uma firme trajetória de expansão, apesar das incertezas do mercado.

O relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) de julho reforça o padrão que tem definido 2026: estabilidade no crescimento do rebanho, ganhos de produtividade e a oferta de leite atendendo a demanda doméstica e a expansão das oportunidades de exportação.

Talvez o indicador mais significativo de julho seja o tamanho do rebanho. O número total de cabeças chegou a 9,71 milhões, o que representa 199 mil cabeças a mais em relação a julho de 2025. Isso representa mais de 2% de aumento, uma expansão significativa, quando muitos analistas previam consolidação com queda no número de animais.

Nos 24 estados de maior produção, o rebanho contabilizado foi de 9,27 milhões de cabeças, aumento de 185 mil em relação ao ano passado. Na comparação mensal, entre junho e julho o acréscimo, nesses estados, foi de 2 mil cabeças, sugerindo que os produtores estão mantendo níveis elevados de rebanho, em vez de expandir significativamente, no curto prazo.

Embora a expansão do rebanho tenha representado a maior parte do aumento da produção de julho, a produtividade animal também contribuiu – ainda que de forma mais modesta.

A produtividade animal dos EUA atingiu a média de 2.075 libras em julho, apenas 3 libras a mais em relação a julho de 2025. Nos 24 principais estados produtores, a média foi de 2.093 libras, 5 a mais na comparação interanual.

O ganho percentual pode parecer pequeno, as eles refletem o contínuo melhoramento genético, os programas de aprimoramento de nutrição e práticas de manejo que seguem ampliando os limites orgânicos da capacidade de produção sustentável das vacas leiteiras.

É importante ressaltar que a produtividade animal no mês de julho ocorreu mesmo durante um mês típico de estresse térmico que impacta o rebanho em muitas regiões. Superar os números do ano anterior indicam que os sistemas de resfriamento foram aprimorados, melhores estratégias de mitigação do calor foram adotadas e um manejo cuidadoso do rebanho que geram resultados positivos.


Jogo Rápido

Inscreva sua startup para o Milk Summit Mercosul 2026

Startups e negócios inovadores já podem se inscrever para participar da Arena Láctea de Inovação Sebrae, que será realizada durante a Expofest, em Ijuí (RS). O espaço integrará a programação do Milk Summit Mercosul 2026, marcado para os dias 14 e 15 de outubro. Serão selecionadas 20 empresas com soluções aplicáveis ao agronegócio, especialmente à cadeia produtiva do leite e derivados. A exposição ocorrerá de 13 a 15 de outubro e permitirá que os participantes apresentem suas tecnologias, produtos e modelos de negócio a produtores, indústrias, cooperativas, lideranças e outros representantes do setor. A participação será gratuita, com espaço de 4 m², identificação da startup, duas cadeiras e tomada individual. Os demais custos serão de responsabilidade do expositor. A seleção considerará o grau de maturidade da startup, o nível de inovação da solução, o modelo de negócio e a conexão com a cadeia do leite. Participantes do Programa Campo Inovador receberão pontuação extra. As inscrições podem ser realizadas clicando aqui: Mais informações podem ser obtidas com Cássio Fridriczewski pelo WhatsApp (55) 99646-1613.


Porto Alegre, 25 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 5.000


Emater destaca na Expointer 2026 a importância da diversidade de forrageiras

A diversidade de plantas forrageiras serão apresentadas aos produtores na 49ª Expointer para reforçar a importância do manejo adequado das pastagens para a produtividade e a conservação do solo.

No espaço dedicado ao tema, será possível conferir cultivares de inverno tradicionalmente utilizadas na alimentação animal e novas opções voltadas à recuperação de áreas de pastagem, além de uma coleção de plantas perenes para pastejo no período de verão.

Entre as espécies de inverno apresentadas estão trigo, cevada, triticale e diferentes cultivares de aveia. A proposta é demonstrar alternativas capazes de produzir grande quantidade de matéria seca e, ao mesmo tempo, contribuir para a melhoria das condições do solo.

De acordo com o extensionista rural Rodrigo Sasso, a escolha das espécies considera características que podem favorecer a estrutura e a capacidade de infiltração de água no solo.

“São plantas que fazem um grande aporte de matéria seca, mas que também têm uma boa estrutura de raízes”, explica Sasso.

Segundo ele, a presença de sistemas radiculares mais desenvolvidos pode contribuir para melhorar a infiltração de água, a agregação do solo e o acúmulo de matéria orgânica – fatores que aumentam a capacidade de recuperação dos sistemas produtivos diante de condições adversas.

Conservação de solo

Nas áreas destinadas à produção animal, o manejo das pastagens também está relacionado à conservação da estrutura do solo. O pisoteio contínuo dos animais pode favorecer a compactação, tornando importante a adoção de espécies e práticas de manejo que auxiliem na manutenção das condições físicas do terreno.

Além das forrageiras de inverno, é apresentada uma coleção com oito cultivares de Panicum, espécies perenes utilizadas para pastejo direto e com maior produção durante o verão. A diversidade permite que os produtores conheçam alternativas e avaliem quais podem se adequar melhor às características de suas propriedades.

Planejamento forrageiro

A ampliação da área também busca contribuir para o planejamento forrageiro ao longo do ano, considerando a oferta de alimento para os animais em diferentes períodos. Para Sasso, esse planejamento é especialmente relevante diante da extensão das áreas de pastagem existentes no Rio Grande do Sul.

“A importância desse tema para a atividade agropecuária gaúcha se deve às grandes áreas de pastagem que temos no Estado e ao quanto ainda podemos evoluir no manejo correto da carga animal e das espécies, para ter uma melhor produção e produtividade nos sistemas agropecuários”, destaca o extensionista rural.

A 49ª Expointer ocorre de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. (Correio do povo)


Piracanjuba dá voz a 42 famílias na nova edição da Campanha Desaparecidos

Nova etapa reforça a iniciativa fazendo da distribuição nacional da Piracanjuba um potente canal estratégico de conscientização e mobilização social

Goiânia, 24 de agosto de 2026 – Em alusão ao Dia Internacional da Pessoa Desaparecida, lembrado em 30 de agosto, o Grupo Piracanjuba anuncia uma nova etapa da campanha Desaparecidos, desenvolvida pela agência Ampfy em parceria com a Associação Mães da Sé, instituição que, desde 1996, acolhe e apoia famílias na busca por seus entes desaparecidos. A iniciativa passa a estampar mais de 40 novas imagens de pessoas desaparecidas nas embalagens de leite UHT da marca, projetadas e atualizadas por meio de inteligência artificial, fruto do trabalho do artista digital Hidreley Dião, especialista em projeção de idade. A tecnologia permite divulgar como essas pessoas estariam atualmente, ampliando as chances de reconhecimento e contribuindo para dar visibilidade a uma causa que mobiliza milhares de famílias brasileiras.

Mais do que atualizar fotografias, a campanha transforma um dos produtos mais presentes no cotidiano dos brasileiros em um canal de conscientização social. Ao chegar diariamente a milhões de lares, as embalagens levam o tema para dentro das casas, estimulam a conscientização da sociedade e ampliam o alcance das buscas por pessoas desaparecidas.

Lançada em outubro de 2024, a campanha completa dois anos com resultados concretos. Segundo a Associação Mães da Sé, 38 pessoas desaparecidas foram localizadas durante o período em que a iniciativa está no ar. Embora nenhuma delas estivesse entre as imagens estampadas nas embalagens, a ampla repercussão da ação aumentou significativamente o número de pistas recebidas e de famílias que passaram a procurar a entidade em busca de apoio.

"Entendemos que nossas embalagens cumprem um papel social importante. Elas chegam diariamente à mesa e à casa de milhões de brasileiros e, por isso, são um canal de informação para causas que precisam de mais visibilidade. A campanha Desaparecidos mostra como a força de uma marca pode contribuir para mobilizar a sociedade e levar esperança a famílias que convivem diariamente com a angústia da espera ou da ausência", afirma Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba.

Para Ivanise Esperidião da Silva, fundadora e presidente da Associação Mães da Sé, que há quase 30 anos procura pela filha, Fabiana Esperidião, uma das pessoas retratadas na campanha, a continuidade da parceria amplia a visibilidade da causa e fortalece as chances de novos reencontros. "Cada nova imagem mantém viva a busca por quem ainda não voltou para casa. É um exemplo inspirador de como a tecnologia pode ser colocada a serviço de uma causa urgente e de como uma grande empresa pode contribuir para ampliar as chances de localização dessas pessoas", afirma.

"A continuação e ampliação da campanha é consequência direta do resultado real de uma ideia poderosa. Reforça o compromisso da Piracanjuba com sua essência e confirma que a IA pode e deve ser usada cada vez mais para melhorar a vida das pessoas", ressalta Fred Siqueira, Cofundador da Ampfy.

Tecnologia a serviço da vida

Presente em mais de 90% dos lares brasileiros, a Piracanjuba transforma a capilaridade da distribuição de suas embalagens em uma ferramenta de conscientização e mobilização social, conectando milhões de consumidores a uma causa de interesse público.

O impacto da iniciativa também recebeu reconhecimento internacional. Em 2025, a campanha Desaparecidos conquistou um Leão de Bronze na categoria Creative Data, no Cannes Lions, o maior festival de criatividade do mundo, destacando o uso da tecnologia e da comunicação como instrumentos de transformação social.

As embalagens da campanha são produzidas pela Tetra Pak. Mais informações sobre a iniciativa e sobre cada uma das pessoas retratadas estão disponíveis em www.piracanjuba.com.br/desaparecidos. (Piracanjuba)

 

Leite fermentado pode estar associado a menor risco de morte, aponta estudo

A fermentação pode agregar benefícios que vão além do valor nutricional original dos alimentos.

Iogurte, queijo e outros alimentos fermentados há muito tempo fazem parte da alimentação humana. Agora, uma nova metanálise reforça uma hipótese que vem ganhando espaço na ciência: a fermentação pode agregar benefícios que vão além do valor nutricional original dos alimentos.

Publicado na Frontiers in Nutrition, o estudo analisou 50 pesquisas de coorte prospectivas, reunindo dados de mais de 3 milhões de adultos saudáveis. O resultado chamou atenção especialmente para os laticínios fermentados.

Segundo a análise, um maior consumo desses produtos esteve associado a um risco cerca de 6% menor de mortalidade por todas as causas. O consumo também apresentou associação com menor mortalidade cardiovascular e por câncer. Entre os produtos avaliados, iogurte e queijo também apareceram com resultados positivos, embora as associações variassem conforme o tipo de mortalidade analisado.

O que a fermentação pode ter a ver com isso?

A explicação pode estar justamente no que acontece com o alimento durante o processo de fermentação. Além de modificar sabor, textura e conservação, os microrganismos envolvidos no processo produzem compostos que podem interagir com o organismo. Os pesquisadores destacam possíveis efeitos relacionados à modulação da microbiota intestinal, redução da inflamação e melhora da saúde metabólica.

No caso dos laticínios, isso significa que o debate sobre saúde não envolve apenas nutrientes tradicionais, como proteína, cálcio e gordura. A fermentação pode acrescentar uma nova camada à equação.

O iogurte, por exemplo, foi associado à redução da mortalidade por todas as causas. Já o queijo apresentou uma redução mais modesta nesse indicador e também um possível efeito protetor em relação à mortalidade por câncer de pulmão. Os resultados, no entanto, não foram iguais para todos os alimentos fermentados. Missô e pão fermentado, por exemplo, não apresentaram associações fortes com redução da mortalidade.

Até o chocolate apareceu entre os alimentos associados a menor mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares — nesse caso, possivelmente pela presença dos polifenóis do cacau, relacionados à função vascular e à redução do estresse oxidativo.

Fermentar não é garantia de benefício

Os próprios resultados mostram que não basta um alimento ser fermentado para produzir automaticamente os mesmos efeitos sobre a saúde. Os pesquisadores observaram diferenças importantes entre os alimentos, o que reforça que fatores como composição nutricional, quantidade consumida, processo de produção e estilo de vida das populações estudadas também podem influenciar os resultados.

Além disso, por se tratar de uma metanálise de estudos observacionais, os dados mostram associações, e não uma relação direta de causa e efeito. Ou seja: não é possível afirmar que consumir mais iogurte, queijo ou leite fermentado, por si só, fará uma pessoa viver mais. Ainda assim, o estudo adiciona evidências a uma discussão cada vez mais relevante para a indústria de alimentos: quando o leite passa pela fermentação, ele pode se transformar em algo mais do que apenas leite.

E, em um momento em que consumidores buscam alimentos associados à saúde intestinal, bem-estar e funcionalidade, entender melhor o papel dos fermentados pode abrir novas possibilidades para uma das categorias mais tradicionais da indústria láctea.

As informações são do Dairy Daily Report, traduzidas pela Equipe MilkPoint


Jogo Rápido

Inscreva sua startup para o Milk Summit Mercosul 2026

Startups e negócios inovadores já podem se inscrever para participar da Arena Láctea de Inovação Sebrae, que será realizada durante a Expofest, em Ijuí (RS). O espaço integrará a programação do Milk Summit Mercosul 2026, marcado para os dias 14 e 15 de outubro. Serão selecionadas 20 empresas com soluções aplicáveis ao agronegócio, especialmente à cadeia produtiva do leite e derivados. A exposição ocorrerá de 13 a 15 de outubro e permitirá que os participantes apresentem suas tecnologias, produtos e modelos de negócio a produtores, indústrias, cooperativas, lideranças e outros representantes do setor. A participação será gratuita, com espaço de 4 m², identificação da startup, duas cadeiras e tomada individual. Os demais custos serão de responsabilidade do expositor. A seleção considerará o grau de maturidade da startup, o nível de inovação da solução, o modelo de negócio e a conexão com a cadeia do leite. Participantes do Programa Campo Inovador receberão pontuação extra. As inscrições podem ser realizadas clicando aqui: Mais informações podem ser obtidas com Cássio Fridriczewski pelo WhatsApp (55) 99646-1613.


Porto Alegre, 24 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.699


Arena Láctea de Inovação Sebrae

Na Expofest, durante o Milk Summit Mercosul 2026, que acontece nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí/RS, o Sebrae terá um espaço para conectar inovação, tecnologia e os desafios reais do do Agronegócio.

Convidamos startups e negócios inovadores, especialmente aqueles com soluções aplicáveis à cadeia produtiva do leite e derivados, a participarem da chamada de seleção para Exposição de Empresas Inovadoras na Arena Láctea de Inovação Sebrae, apresentando suas tecnologias, produtos e modelos de negócio a produtores, indústrias, cooperativas, lideranças e demais atores do setor.

Buscamos soluções que contribuam para uma cadeia mais eficiente, competitiva, sustentável e conectada, aproximando quem desenvolve inovação de quem pode aplicá-la no campo e na indústria.

Se sua solução pode transformar o agro e gerar impacto na cadeia do leite, este espaço é para você.

Onde?
📍 Ijuí/RS
📅 14 e 15 de outubro de 2026
🥛 Milk Summit Mercosul | Inovação que conecta o futuro da cadeia do leite
 
Período de Exposição?
- 13 e 14 de Outubro de 2026

Vagas?
20 Startups e Negócios Inovadores

O que está incluso no espaço:  
- Espaço modelo startup
- 4m²
- Identificação da Startup
- 2 cadeiras;
- Tomada individual

Valores
O espaço será disponibilizado de maneira gratuita.
OBS: Demais custos serão de responsabilidade do expositor.

Critérios de Classificação para Participar do Espaço Startups Sebrae:
A classificação se dará pela soma das pontuações de 1 a 5 nos critérios abaixo.
- Grau de maturidade da startup;
- Nível de Inovação da Solução;
- Modelo de Negócio
- Conexão da solução com a cadeia do leite
- Participante do Programa Campo Inovador terá pontuação extra.
*a avaliação dos Critérios de Classificação será realizado pela equipe organizadora, e fica a critério do mesmo a escolha final.

NÃO PERCA TEMPO, candidate sua empresa a estar presente na maior feira agro do estado!!


Tecnologia eleva produtividade da cadeia leiteira gaúcha

Se fizéssemos uma viagem no tempo e lá do passado vislumbrássemos a vaca do futuro, ela usaria uma coleira altamente tecnológica, com informações sobre sua saúde, nutrição e condição reprodutiva. O animal também teria acesso a pastagens e silagens inovadoras, capazes de proporcionar maior conversão alimentar e incremento na produção de leite.

A vaca do futuro produziria um novo tipo de leite chamado A2, especial para intolerantes à proteína A1 do leite, a partir de trabalhos intensivos de melhoramento genético. Uma tal Inteligência Artificial ajudaria a monitorar esses animais, fornecendo informações precisas sobre diferentes estágios da vida deles.

Os robôs tomariam conta das salas de ordenha e teriam papel crucial para suprir a baixa oferta de mão de obra nos tambos gaúchos. De volta para o futuro, todas essas tecnologias já são realidade, contribuindo para incrementar a produtividade a campo, aumentar a margem dos produtores e qualificar ainda mais o leite produzido por esses pagos.

Para o assistente técnico regional da Emater-RS/Ascar Jaime Ries, entre as tecnologias mais utilizadas para a produção leiteira estão a melhoria da alimentação, a genética do rebanho, a adequação das instalações, a inseminação artificial e a gestão da propriedade, visando o aumento da produtividade e da qualidade do leite.

“A inovação não chega de forma uniforme aos produtores. Tecnologias mais avançadas, como robótica, chegam primeiro aos produtores maiores. Na agricultura familiar, o foco ainda está em tecnologias consideradas básicas, mas de alto impacto, pois a instabilidade dos preços torna o produtor mais cauteloso para investir.”, afirma o especialista.

Dados do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no Rio Grande do Sul de 2025, elaborado pela Emater, apontam que a produção de leite destinado à industrialização no Estado vem se mantendo estável, apresentando um leve aumento de 0,2% em relação ao último relatório, de 2023, passando de 3,83 bilhões de litros para 3,84 bilhões por ano.

Por outro lado, o número de estabelecimentos produtores que comercializam o leite cru para a indústria ou processam em agroindústria legalizada caiu de 33.019 (2023) para 28.946 (2025), uma redução de 12,3%. Há dez anos, quando o primeiro relatório foi elaborado, eram 84.199 estabelecimentos no Estado. O rebanho leiteiro também vem apresentando redução, apesar de ser menos expressiva que o número de agricultores.

Nos últimos dois anos, a queda de 3,5% representa 27,234 vacas leiteiras a menos, totalizando 742.578 em 2025. A produtividade por vaca e o volume médio diário produzido nos estabelecimentos também vem aumentando. Em 2015, a produtividade média era de 11,8 litros/vaca/dia e o volume médio diário de 137,1 litros/estabelecimento.

Em 2025, passou para 17 litros e 363,8 litros, respectivamente. Isso significa que um menor número de produtores, com um rebanho menor, consegue produzir a mesma quantidade de leite. O segredo para esses resultados é o aumento de produtividade a partir do investimento em novas tecnologias.

Dados Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no RS de 2025

Produção de leite destinado: de 3,83 bilhões de litros (2023) para 3,84 bilhões por ano (2025), aumento de 0,2%.

Número de estabelecimentos produtores de leite: caiu de 33 mil (2023) para 28,9 mil (2025), queda de 12,3%. Há dez anos, eram 84,1 mil estabelecimentos no Estado.

Rebanho leiteiro: 742,5 mil vacas em 2025, queda de 3,5% em relação a 2023.

Produtividade por vaca/volume médio diário produzido: Em 2015, a produtividade média era de 11,8 litros/vaca/dia e o volume médio diário de 137,1 litros/estabelecimento. Em 2025, passou para 17 litros e 363,8 litros, respectivamente.

Cabanha usa tecnologia para aliar bem-estar das vacas com aumento de produtividade

Investir em novas tecnologias, mas sem perder a ternura. Esse é poderia ser o slogan da Cabanha Ventana, de Boa Vista do Incra, região do Alto Jacuí, que há quase 40 anos trabalha com produção leiteira, a partir do rebanho de vacas da raça Jersey. “Elas são meus bebês e também a base do sustento da minha família, então preciso aliar o uso de ferramentas de última geração pensando no bem-estar delas e também numa forma de aumentar a nossa rentabilidade, sem deixar para trás a nossa essência, baseada no carinho e respeito pelo nosso rebanho”, afirma a proprietária da cabanha Carmem Dias da Costa.

Os incrementos iniciaram nos últimos dez anos quando foi instalada a “praça de alimentação para as vacas”, com bicos aspersores que ficam jorrando água a cada quatro minutos, o que melhorou a questão do estresse térmico, especialmente no verão, e consequentemente os animais respondem com mais leite. “Também colocamos na ordenha ventiladores para o bem-estar delas”, acrescenta.

A produtora conta que também implementou a tecnologia das coleiras nas vacas que passam para o celular tudo o que acontece com a saúde, alimentação e status reprodutivo dos animais, permitindo monitorar o quanto elas caminham e a ruminação. “Sempre fizemos tudo que está ao nosso alcance para elas terem uma vida feliz e saudável. Minhas vacas não são confinadas, elas pastam livremente no campo. E ganham silagem e ração duas vezes ao dia no horário mais quente nesse galpão para se sentirem fresquinhas”, diz.

A questão energética da propriedade também foi incrementada com a instalação de placas solares para diminuir o gasto com a energia elétrica, além disso, conta com um gerador para quando falta luz manter o leite gelado, a ordenha e os bicos aspersores funcionando.

A Ventana também tem se destacado na produção de A2, um tipo de leite de vaca que contém exclusivamente a variante A2 da proteína beta-caseína, sem a presença da proteína A1. Ele é obtido de vacas selecionadas por meio de teste genético (genótipo A2A2) e costuma ser mais fácil de digerir para quem sente leve desconforto com o leite comum. A ideia surgiu em 2022, com a criação de uma agroindústria familiar focada em produtos elaborados com esse tipo de leite: manteiga, nata, doce de leite, vários tipos de queijos e bebida láctea leite, além de leite enfrascado integral, semidesnatado e desnatado.

“Inseminei as vacas com sêmen de touros A2 e hoje meu plantel tem 95% de vacas A2. Como faço genoma em todo o meu gado há mais de 10 anos, isso é uma ferramenta bem importante para saber como está a genética do plantel”, explica. Quando nasce a terneira é feita uma coleta da cartilagem da orelha, que vai para os Estados Unidos. Em 60 dias vem o resultado desse animal, com informações como quanto ela vai dar de leite, se é portadora de alguma doença e se é A2A2.

Carmem conta que decidiu trabalhar com leite A2 porque muitas pessoas que acham que têm alergia à lactose na verdade são alérgicas a proteína beta caseína A1. “Há alguns anos, não se sabia desse desconforto causado por esta proteína, só culpavam a lactose”, explica. (Jornal do Comércio)

 

Do "modo sobrevivência" à exportação: o leite brasileiro está preparado para competir?

O painel da Sala de Gestão do Interleite 2026 alerta que o resultado econômico não garante liquidez e mostra como o fluxo de caixa, mais do que o volume, dita quem mantém a porteira aberta.

O segundo dia do Interleite 2026 foi marcado por debates sobre a viabilidade econômica e o futuro da produção de leite no Brasil. Durante um painel na sala de gestão, o grande questionamento que norteou as discussões foi a competitividade do produtor brasileiro e as possibilidades de exportação do leite brasileiro. Esse cenário foi apresentado por Thiago Rodrigues, representante do Educampo e do Sebrae/MG, que evidenciou os desafios estruturais do país.

Com um perfil historicamente importador, que em 2025 chegou a trazer de fora um volume equivalente a 7,8% de sua produção formal, o Brasil esbarra em custos muito elevados. Competir com gigantes como a Argentina, um dos maiores exportadores de leite em pó do mundo e detentor de custos operacionais consideravelmente mais baixos, exige uma mudança radical na forma como as propriedades rurais são administradas.

A régua da competitividade muda de acordo com o tamanho e a eficiência da fazenda. Segundo o levantamento de Rodrigues, enquanto propriedades que produzem a partir de 5.000 litros por dia tentam buscar melhores margens, a grande maioria das fazendas brasileiras encontra-se estagnada, operando com um custo operacional total que varia entre um e três reais por litro.

Curiosamente, as propriedades menores das regiões Sul e Sudeste, com produção diária na faixa de 2.000 litros, demonstram uma resiliência notável. Elas sofrem menos pressão que as fazendas americanas de mesmo porte e chegam a apresentar margens superiores às de produtores argentinos e uruguaios. Esse fenômeno é impulsionado pelo mercado interno brasileiro, que premia significativamente o volume de sólidos e a qualidade do leite. No entanto, o palestrante fez uma provocação pertinente: caso os prêmios praticados na cadeia caíssem ou não existissem, quantas propriedades ainda conseguiriam se manter competitivas no mercado atual, visto que o valor bruto equivalente do leite despencaria em relação direta?

A resposta para a sobrevivência e o crescimento passa diretamente pela eficiência operacional e pelas escolhas assertivas nos sistemas de produção. O que explica o custo de uma fazenda é a sua eficiência na utilização de ativos, a extração de produtividade por recurso, a gestão de indicadores e uma forte disciplina. Entre 2020 e 2025, muitas fazendas que adotaram o modelo confinado viram sua produtividade saltar 22%, consolidando-se dentro de uma zona de resiliência financeira onde conseguem girar e reter o capital imobilizado.

Em contrapartida, outras propriedades semiconfinadas analisadas estagnaram e hoje flertam com o risco de insustentabilidade. O segredo dos produtores que se destacam está na redução de custos operacionais focando em mão de obra, depreciação, concentração e aumento de volume, além de adotar uma taxa de giro que atua como integradora da estratégia. A lucratividade precisa ser o verdadeiro alvo das decisões.

Como a relação entre a receita e os custos de alimentação tem exercido grande pressão sobre os menores, a adoção de ferramentas de análise do mercado futuro se tornou peça chave para antever flutuações. Afinal, a verdadeira licença para competir exige não apenas alcançar o topo da produtividade, mas sustentar essa relevância no longo prazo, já que o resultado econômico positivo não garante liquidez. Como bem ressaltou Thiago, “é necessário negociar e produzir bem”, lembrando que o fluxo de caixa é o juiz final que determina se uma fazenda fecha ou não as portas.

A transição da teoria para a prática ganhou vida com o estudo de caso da Fazenda Ouro Verde, localizada no município de Prata, em Minas Gerais. Vinícius de Oliveira Rezende, que atua na atividade desde 2006 e usou o leite para custear seus próprios estudos, compartilhou como a gestão orientada por dados transformou a realidade de sua propriedade. Assistida pelo Educampo, a fazenda passou por um ponto de virada quando deixou de arcar com os altos custos de terceirizar a tecnologia reprodutiva e, seguindo uma sugestão do Sebrae, implementou um programa próprio de fertilização in vitro.

Aliada à introdução da silagem para um controle muito mais rigoroso da dieta do rebanho, a estratégia elevou simultaneamente a qualidade genética e a nutrição dos animais, permitindo o aumento do número de vacas em lactação. O impacto da mudança guiada por dados foi expressivo na linha do tempo: a produção, que era de 600 litros diários em 2017, alcançou a marca de 1.719 litros por dia agora em 2025. Embora as inovações tenham gerado um aumento temporário nos gastos, o retorno veio de forma avassaladora com uma expressiva recuperação financeira, culminando em uma receita de 314 mil reais no ano de 2024.

O sucesso de produtores como Vinícius reflete o impacto direto da atuação do Educampo, iniciativa detalhada no painel por Breno Assis Mendonça, também do Sebrae/MG. Criado em 1997 com o objetivo de fomentar a gestão profissional dos negócios rurais, o programa se apoia na premissa de empoderar produtores e consultores por meio da geração de parcerias de alto valor. Hoje, a rede já conta com 65 consultores atuando ativamente no campo, prestando assistência a 842 produtores rurais com o respaldo institucional de 20 empresas parceiras.

Os investimentos contínuos do Sebrae em novas ferramentas de gestão e tecnologias aplicadas mostram que o caminho para uma pecuária de leite lucrativa, resiliente e competitiva não é trilhado no escuro, mas sim iluminado pela integração inteligente entre análise de mercado, conhecimento técnico e aplicação de dados na rotina do campo. (Milkpoint)


Jogo Rápido

Pesquisa sobre saída de produtores de leite no RS será apresentada na Expointer

A Emater/RS-Ascar apresenta, no dia 1º de setembro, os resultados de uma pesquisa que analisa a saída de produtores da cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul. O estudo traça o perfil dos produtores que deixaram a atividade e reúne informações sobre como produziam, os fatores que motivaram a decisão de abandonar a produção leiteira e as consequências desse movimento para o setor. A apresentação será realizada às 14h30, na Casa da Emater/RS-Ascar, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante a Expointer 2026. O levantamento contribui para dimensionar as transformações em curso na produção de leite gaúcha e ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pelos produtores no Estado. (Sindilat/RS com informações da Emater/RS)