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Porto Alegre, 19 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.556


Fórum MilkPoint Mercado abordará desafios e oportunidades do setor leiteiro em 2026

Os desafios no curto prazo e as oportunidades a longo prazo da cadeia do leite em 2026 serão foco do Fórum MilkPoint Mercado que, este ano, acontece no dia 9 de abril, em Piracicaba (SP) , no chamado “Vale do Silício do Agro”, ninho de startups e grandes inovações do setor. Para participarem, associados do Sindilat/RS têm garantido 10% de desconto na inscrição, que pode ser feita no link: https://register.jalanlive.com/forummilkpointmercado2026?ticket=PGMM. O primeiro lote está disponível até o dia 06 de fevereiro.

A programação do Fórum MilkPoint Mercado 2026 foi estruturada para oferecer uma visão completa e estratégica da cadeia láctea, combinando análises de mercado, qualidade do leite e performance financeira da indústria ao longo de um dia inteiro de debates e networking.

Confira a programação completa:
09:00 às 09:50 - Boas-vindas e credenciamento
09:50 às 10:00 - Abertura oficial

Bloco 1 - Cenários de Mercado
10:00 às 10:30 - Produção de leite: por que crescemos tanto no Brasil e no mundo? Qual a tendência daqui para frente? - Andres Padilla, Rabobank Brasil
10:30 às 10:45 - Espaço Patrocinador
10:45 às 11:15 - Mercado mundial: os preços vão reagir? Quando? - Vitor Vieira, Trader de Commodities no Grupo Interfood
11: 45 às 12:15 - MilkPoint Mercado Plus: para onde vai o mercado no restante de 2026? - Valter Galan, Sócio da MilkPoint Ventures
11:15 às 11:45 - Oportunidades para os lácteos no mercado de Food Service - Ricardo Cotta, Empreendedor e Consultor da Regra
12:15 às 12:45 - Perguntas e Debate - Andres Padilla, Rabobank Brasil/Vitor Silveira, Trader de Commodities no Grupo Interfood/Valter Galan, Sócio da MilkPoint Ventures
12:45 às 14:15 - Almoço, Expo e Networking

Bloco 2 - Performance da qualidade do leite
14:15 às 14:45 - Como estamos em relação a qualidade do leite? Quais ainda são nossos principais gargalos? - Augusto Lima, Clínica do Leite
14:45 às 15:15 - Sistemas de pagamento do leite: qual o atual status da indústria no Brasil? Estamos dando os sinais corretos ao produtor via precificação? - A definir
15:15 às 15:30 - Espaço Patrocinador
15:30 às 16:00 - Perguntas e Debate - Augusto Lima, Clínica do Leite
16:00 às 16:30 - Milk Break, Expo e Networking

Bloco 3 - Performance Financeira da Indústria
16:30 às 17:00 - Faria Lima e o leite: o que falta pra dar fit? - Guilherme Bellotti de Melo, Superintendente de Crédito Agronegócio, Itaú BBA
17:00 às 17:15 - Espaço Patrocinador
17:15 às 17:30 - Benchmark de custos de compra de leite e custos industriais – como estão as indústrias no mercado brasileiro? - A definir
17:30 às 18:10 - Mesa Redonda de CFO’s: desafios e oportunidades para a performance futura da indústria láctea - Aliny Nazar, Tirolez/Daniel Zanuto, Grupo Piracanjuba/Geovani Manzano, Danone/Izanir Brun, Lactalis
18:10 às 21:00 - Encerramento, Coquetel e Networking
(Assessoria de Imprensa Sindilat)


Nota Fiscal Eletrônica: Emater/RS-Ascar e Sefaz promovem live de atualização para produtores rurais

Desde o dia 5 de janeiro, todos os produtores rurais do Rio Grande do Sul devem emitir nota fiscal eletrônica em operações internas, em cumprimento à norma nacional do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Para orientar o setor sobre a transição, que marca o fim do talão de papel, na próxima terça-feira (20/01), às 10h, haverá uma live de atualização sobre o uso do aplicativo Nota Fiscal Fácil.

A live é uma promoção da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) e da Emater/RS-Ascar, com o apoio das secretarias estaduais de Desenvolvimento Rural (SDR) e da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). Para assistir, basta acessar o canal @EmaterRS no YouTube, ou através do link.

PRAZO ESTENDIDO PARA PEQUENOS PRODUTORES

Atendendo a pedidos do setor, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) prorrogou até 30 de abril o prazo para utilização dos talões impressos remanescentes. A flexibilização vale apenas para produtores com receita bruta inferior a R$ 360 mil. A partir de 1º de maio de 2026, fica totalmente vedada a emissão da Nota Fiscal de Produtor, modelo 4.

FERRAMENTAS DISPONÍVEIS

A Sefaz oferece duas alternativas gratuitas para emissão:

- Nota Fiscal Fácil (NFF): aplicativo para celular, que funciona inclusive no modo offline. O produtor pode emitir a nota mesmo sem internet e, ao reconectar, o sistema autoriza automaticamente.

- Nota Fiscal Avulsa Eletrônica (NFA-e): indicada para operações mais complexas, como exportações.

No próprio aplicativo NFF, os usuários podem relatar problemas, sugerir melhorias ou solicitar inclusão de novos produtos.

Para maiores informações, o manual de uso do aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF) está disponível neste link oficial. (Fonte: SEAPI)

Piracanjuba ProForce é o novo patrocinador oficial da CBV
 
Piracanjuba ProForce consolida sua atuação como uma das principais marcas de nutrição esportiva do país ao assumir, a partir de 2026, o patrocínio oficial da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A marca estará presente nos eventos das seleções brasileiras de quadra e praia no Brasil, no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia e na Copa Brasil. A iniciativa insere a marca em uma das modalidades mais vitoriosas e admiradas do esporte nacional, reconhecida mundialmente por sua excelência técnica e pela forte conexão com o público brasileiro. 
 
A parceria também prevê a presença da marca nos treinamentos realizados no Centro de Desenvolvimento de Voleibol Saquarema – Enel Brasil em Saquarema (RJ), referência internacional na formação de atletas. 
 
“O vôlei tem um papel único de aproximar pessoas, reunir famílias e criar conexões que vão muito além das quadras. Piracanjuba ProForce compartilha desse princípio ao estar presente no dia a dia de quem busca uma alimentação mais equilibrada, com aporte de proteínas e escolhas mais saudáveis. Ao apoiar o vôlei e outras modalidades, queremos incentivar um estilo de vida ativo, acessível e inspirador. Estar ao lado das seleções brasileiras de quadra e praia e das principais competições do país reforça nosso compromisso com o esporte como agente de transformação, inspiração e desenvolvimento”, afirma a diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba, Lisiane Campos. 
 
A estreia de Piracanjuba ProForce no calendário do vôlei em 2026 ocorre já em fevereiro, com a primeira etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, em Navegantes (SC), reunindo as principais duplas do país. Ao longo do ano, a Piracanjuba ProForce estará presente nas cidades que receberem o CBVP, ampliando o alcance da marca em diferentes regiões e públicos.  
 
O calendário das seleções também ganha protagonismo neste ano, com início dos treinamentos em maio e a realização da Liga das Nações, além de eventos preparatórios para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.   
 
“A chegada da Piracanjuba ProForce como patrocinador oficial da CBV mostra a força do voleibol brasileiro. Ficamos muito felizes com essa parceria com uma marca que é referência dentro do seu segmento. É uma das marcas mais queridas dos brasileiros, será positivo ter ela ao nosso lado nas quadras e praias do Brasil. Temos um espaço grande para ativações e visibilidade dos nossos parceiros. Esse é só o início de uma parceria que tem tudo para ser duradora”, afirma o diretor de Marketing e Novos Negócios da CBV, Henrique Netto.  
 
Reconhecido como o segundo esporte mais praticado do Brasil, o vôlei reúne atributos estratégicos para marcas que buscam relevância, engajamento e credibilidade. Com baixo índice de rejeição, público fiel e histórico consistente de conquistas, a modalidade estabelece uma conexão genuína com diferentes gerações, um território alinhado à proposta do Piracanjuba ProForce de acompanhar pessoas em suas rotinas de movimento, saúde e desempenho. 
 
Presença que vai além das quadras 
O investimento no vôlei se soma a uma atuação já consolidada de Piracanjuba ProForce em outras frentes esportivas. A marca renovou, até dezembro de 2026, o patrocínio à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), além do apoio direto às ginastas olímpicas e medalhistas Flávia Saraiva e Júlia Soares, como embaixadoras em campanhas e iniciativas de comunicação. 
 
A estratégia esportiva de Piracanjuba ProForce também inclui a renovação da parceria com o Osasco São Cristóvão Saúde, referência no voleibol feminino nacional; o apoio contínuo ao futebol feminino, por meio do patrocínio ao time da Ferroviária, e ao beach tennis, com a multicampeã Flaminia Daina. Soma-se a esses projetos a presença nas tradicionais corridas Desbrava Centauros, que neste ano contarão com o suporte da marca. 
 
Com um portfólio de bebidas proteicas e a linha em pó, pensadas para o dia a dia de quem busca incluir mais proteína na rotina de forma prática e equilibrada, Piracanjuba ProForce fortalece sua posição como uma marca que enxerga o esporte não apenas como competição, mas como um instrumento de bem-estar, convivência, saúde e inspiração coletiva. 
 
Sobre Piracanjuba ProForce 
Piracanjuba ProForce é uma linha de produtos com alto teor proteico, composta por bebidas UHT prontas para beber e suplementos em pó, desenvolvida para acompanhar diferentes rotinas, níveis de atividade e estilos de vida. Criada para quem está sempre em movimento, a marca oferece opções práticas e saborosas que combinam desempenho, equilíbrio e bem-estar, tanto no dia a dia quanto nos treinos de média e alta intensidade. 
 
As formulações reúnem proteínas de alta qualidade, aminoácidos essenciais (BCAA), cálcio, colágeno e outros nutrientes que auxiliam na recuperação muscular, na manutenção da massa magra, na saúde óssea e na sensação de saciedade ao longo do dia. 
 
As diferentes versões atendem a necessidades específicas. A opção com 15g de proteína é ideal para a rotina, adoçada com sucralose, fonte de fibras, zero lactose e disponível nos sabores coco, chocolate, morango e café. Já a versão com 23g de proteína traz 4g de colágeno, 5g de BCAA, é fonte de fibras e vitamina D, zero lactose, adoçada com stevia e pensada para quem busca maior aporte proteico e mais performance, nos sabores pasta de amendoim, frutas vermelhas, cacau, cookies and cream e banoffee. 
 
O whey em pó oferece 21g de proteína por porção, é zero lactose, livre de maltodextrina, adoçado com stevia, nos sabores Chocolate e Milk, e contém 4,7g de BCAA, permitindo preparo personalizado para diferentes momentos do dia, do pós-treino ao complemento alimentar. 

Com uma linha completa e funcional, Piracanjuba ProForce reforça seu compromisso em entregar nutrição inteligente, prática e adaptável, acompanhando quem busca mais energia, desempenho e qualidade de vida. (Fonte: Grupo Piracanjuba)


Jogo Rápido

Fundos sustentáveis 
Um terço (33%) das instituições financeiras pretende estruturar ou gerir fundos sustentáveis no próximo ano, enquanto 26% planejam investir em títulos temáticos. A pesquisa também aponta que 4 em cada 10 gestoras (38%) afirmam ter excluído ou deixado de investir em ativos em razão de mau desempenho em critérios ESG (ambientais, sociais e de governança). (Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 16 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.555


Fundesa-RS encerra 2025 com saldo de R$ 181 milhões

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (FUNDESA-RS) realizou, nesta quinta-feira (15), Assembleia Geral Ordinária para a prestação de contas do exercício de 2025. Os números consolidados do ano apontam uma disponibilidade de R$ 181.716.577,89. A receita total do exercício atingiu quase R$ 40 milhões entre arrecadação de contribuições e receitas financeiras. Já as saídas somaram R$ 15,4 milhões em 2025.

Um dos destaques dos aportes homologados na assembleia foi a renovação do convênio com a Universidade Estadual da Carolina do Norte (NCSU). Com um investimento de mais de R$ 1 milhão e duração de 24 meses, o projeto foca em vigilância baseada em risco e análise de redes complexas para identificar áreas de vulnerabilidade à disseminação de doenças. Segundo o professor da NCSU, Gustavo Machado, o objetivo nesta nova fase do projeto é criar uma nova ferramenta, com base no trabalho já realizado, para direcionar as ações de fiscalização. “O sistema possibilitará identificar diferentes fatores além da movimentação para definir se uma propriedade deverá ficar mais no foco da fiscalização”, explica Machado. Além disso, na nova versão será possível abastecer o sistema com dados de outras espécies, não somente de bovinos, o que dará um panorama geral do trabalho realizado nas propriedades visitadas. Uma versão preliminar deverá ser apresentada até a metade do ano e posteriormente inserida na Plataforma de Defesa Sanitária Animal do RS (PDSA-RS)

Outro assunto da assembleia foi a reforma do prédio que abrigará a Supervisão Regional e a Inspetoria de Defesa Agropecuária de Alegrete. A obra, que começou nesta semana, terá investimento de R$ 422 mil e tem prazo 180 dias para conclusão. Atualmente a supervisão e a inspetoria funcionam em prédio alugado e, com a obra, ficarão em imóvel próprio e em melhores condições para o trabalho dos servidores e o atendimento dos produtores. “É uma forma de melhorar o serviço ao produtor, aproximando a comunidade rural do Serviço Veterinário Oficial e contribuindo para ações de orientação”, afirma o presidente do Conselho Técnico Operacional da Pecuária de Corte, Pedro Píffero, que visitou recentemente o imóvel e elogiou o projeto que será executado. A engenheira responsável pela obra, Larissa Fontoura, destacou que o projeto já está em andamento e que serão refeitas toda a revisão e atualização das partes hidráulica e elétrica, revestimento e pisos de banheiro e cozinha, contrapiso e piso na área externa da casa e reparos no telhado, além de pintura geral.

O setor de Pecuária Leiteira foi o que demandou o maior volume de recursos para indenizações por abate sanitário em 2025, totalizando R$ 3,68 milhões pagos aos produtores no âmbito do controle da Brucelose e Tuberculose. Na cadeia da avicultura, o Conselho Deliberativo revisou e complementou indenizações decorrentes do episódio de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), totalizando um aporte de R$ 1,19 milhão, referente à destruição de ovos férteis.

Ao final da assembleia, os conselheiros debateram sobre os desafios para 2026. Entre os temas que deverão ser trabalhados ao longo do ano estão a rastreabilidade para o setor de bovinos de corte, tema em que o Rio Grande do Sul tem protagonizado avanços com o projeto piloto para o Programa Nacional de Identificação de Bovinos. Também está prevista para 2026 uma revisão do estatuto do Fundesa, levando em consideração novos desafios surgidos ao longo das duas décadas de existência do Fundo, e ao aumento da relevância do Fundesa em toda a rotina da defesa sanitária das cadeias de proteína animal. (Texto: Thais D'Avila/Fundesa)


Emater/RS: Informativo Conjuntural 1902 de 15 de janeiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

As condições do período favoreceram o conforto térmico das matrizes, permitindo maior tempo de pastejo, com reflexos positivos no bem-estar animal e na condução dos sistemas produtivos. A produção está estável na maior parte das regiões, e a qualidade do leite atende aos padrões exigidos. Os produtores permanecem atentos aos manejos sanitários e higiênicos, especialmente em função da umidade registrada em períodos anteriores.  

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições ambientais do período foram propícias ao conforto das matrizes em lactação, permitindo o pastejo sem restrições de horário. A disponibilidade de forragem tem sido ampliada, e as pastagens semeadas no final de novembro e início de dezembro atingem o ponto de entrada dos animais.  

Na de Erechim, a melhoria das pastagens de verão possibilitou a redução da oferta de alimentos conservados. Em função dos dias mais ensolarados, os produtores retomaram o acesso aos piquetes, favorecendo o aproveitamento das pastagens. Observou-se diminuição do excesso de umidade e da formação de barro no entorno das propriedades e nos estábulos, diminuindo os riscos de problemas sanitários, como mastite. 

Na de Frederico Westphalen, a possibilidade de maior tempo de pastejo no período noturno, aliada às chuvas ocorridas nos últimos dias, contribuiu para a melhoria do bem-estar animal.  

Na de Caxias do Sul e na de Ijuí, a produção está estável, e a qualidade dentro dos padrões exigidos pela legislação vigente. 

Na de Passo Fundo, o rebanho apresentou escore corporal acima de 3,5. A alimentação foi baseada em pastagens de verão, silagem e suplementação com concentrados, ajustada às necessidades de cada lote. 

Na de Santa Rosa, os criadores reforçaram os cuidados com a higiene de ordenha devido ao acúmulo de sujidades no úbere e nos tetos, visando manter a qualidade do leite dentro dos padrões de Contagem Bacteriana Total (CBT). Observou-se leve queda na produtividade em função do excesso de chuvas nos períodos anteriores. (Fonte: Emater/RS)

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 03/2026 – SEAPI 

Na sexta-feira (16/01), a atuação de uma frente fria próxima ao Uruguai poderá trazer instabilidade para a metade sul do Rio Grande do Sul. Assim, há previsão de chuva fraca a moderada, localmente forte em pontos isolados, nessa região. No sábado (17/01), o tempo seguirá instável devido à passagem da frente fria, com previsão de chuva em grande parte do estado, exceto na porção sudeste. No domingo (18/01), a frente fria começará a avançar e reduzir sua influência sobre o território gaúcho, fazendo com que a precipitação fique restrita às porções oeste e norte do estado. 

Na segunda-feira (19/01), a influência da frente fria seguirá diminuindo, mantendo a ocorrência de precipitação apenas em áreas isoladas das porções oeste e norte. Na terça-feira (20/01) e na quartafeira (21/01), a atuação de um sistema de alta pressão favorecerá o retorno do tempo estável em todo o Rio Grande do Sul, sem previsão de chuva significativa. Nesse período, as temperaturas apresentarão elevada amplitude térmica diária. De forma geral, os acumulados de precipitação previstos variam entre 5 e 30 milímetros na maior parte do estado. As regiões da Fronteira Oeste, Missões, Alto Uruguai, Norte, Campos de Cima da Serra, Central e Sul, podem ter valores um pouco maiores do que 30 milímetros em pontos isolados. (Boletim Agrometerologico/SEAPI)


Jogo Rápido

Perspectiva de El Niño para o inverno
Ainda tem muita pela frente, mas prognósticos climáticos apontam para uma chance de 60% da ocorrência do fenômeno El Niño em agosto. Doutor em desastres naturais, especialista em efeitos climáticos futuros e diretor da Kaz Tech, Marcos Kazaoka destaca que o mercado já dá o anterior percentual crescente de 48%. Ele ressalta, no entanto, que é uma tendência projetada para meses à frente, “que precisa ser monitorada e avaliada”. O fenômeno, quando presente, pode trazer efeitos opostos no Brasil. Na Amazônia, seca. No Rio Grande do Sul, costuma trazer excesso de chuva. (Zero Hora)


Porto Alegre, 15 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.554


Mercado do Leite: atualização de preços quinzenal 15/01

Com intuito de atualizar nossos leitores sobre o cenário do mercado do leite, o MilkPoint, em parceria com o MilkPoint Mercado, trará um panorama geral sobre os acontecimentos mais relevantes da quinzena no setor lácteo.

Confira abaixo a última atualização:
Leite Spot - Na primeira quinzena de janeiro, o preço médio nacional do leite spot foi de R$ 1,74 por litro, registrando uma estabilidade em relação à quinzena anterior, segundo dados do MilkPoint Mercado.

Preços Internacionais -O 395º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 06 de janeiro, apresentou ajustes positivos para todos os produtos, fazendo com que o preço médio (price index) dos produtos negociados aumentasse 6,3%, chegando a USD 3.533/tonelada  — revertendo a queda vista no último evento do ano.

Leite UHT -  na primeira semana de janeiro o mercado de leite UHT apresentou maior movimentação, impulsionado pelo início do ano, que trouxe aquecimento da demanda. Diante desse cenário, os preços reagiram e seguiram apresentando ajustes positivos, na média São Paulo o avanço foi de R$0,07/litro,fechando a média em R$3,19/litro.

Muçarela - o mercado de muçarela demonstra sinais de reação, com aumento na procura pelo produto, ainda que os compradores sigam cautelosos. A maioria das regiões registrou reajustes positivos, em São Paulo a média foi de R$24,4/kg.

Leite em Pó - No mercado de leites em pó o comportamento foi distinto, o LPI apresentou sinalização de início de maior procura, possibilitando aumentos tímidos nos preços praticados, sendo negociado a R$23,2. Já o mercado de LPD permaneceu estável, enquanto o LPF leve registrou recuo de R$0,01 na semana, fechando em R$28,4.

Milho – O milho na praça de Campinas apresenta leves recuos nos preços, segundo o Cepea, com média parcial de janeiro em R$ 69,1 por saca, queda de 0,8% em relação a dezembro, em um mercado marcado por negociações pontuais e compradores cautelosos neste início de ano, à espera de maior oferta com o avanço da colheita da safra de verão no Sul do país. Esse cenário de pressão também se reflete no mercado internacional, onde os preços do milho na Bolsa de Chicago recuam diante das expectativas de safra recorde e ampla disponibilidade do grão.

Soja – A soja na praça de Paranaguá apresenta queda nos preços, segundo o Cepea, com a média parcial de janeiro em R$ 134,8 por saca, recuo de aproximadamente 5% em relação à média de dezembro, em um mercado marcado por negociações cautelosas e ritmo lento de compras. A pressão está associada ao avanço inicial da colheita da safra 2025/26 no Brasil, que ocorre sob expectativa de boa produtividade, além do cenário externo mais pressionado, com ampla oferta global e recuos nas cotações internacionais, o que limita a reação dos preços nos portos brasileiros.

Oferta – A oferta de leite no primeiro trimestre deve permanecer elevada, ainda refletindo o cenário de forte produção observado em 2025. No entanto, o ritmo de crescimento tende a ser menor do que o registrado no ano passado, influenciado pelas questões de rentabilidade no campo, que podem reduzir os incentivos à produção.

Demanda – Em função da expressiva deflação dos preços dos lácteos no varejo no final do ano passado, os preços ao consumidor iniciam o ano mais atrativos, o que pode estimular e fortalecer a demanda no curto prazo. (Vivian Batista Padilla/MilkPoint)


Trump assina lei para devolver leite integral à merenda escolar

Leite integral está voltando Cantina escolar O presidente Donald Trump está em todo o país na quarta-feira depois de assinar um projeto de lei que revoga os limites da era Obama para substitutos do leite com alto teor de gordura.

Bebidas não lácteas, como leite de soja fortificado, poderão permanecer no cardápio nos próximos meses. Lei do Leite Integral para Bebês Saudáveisque liberou o Congresso no outono.

A medida permite que as escolas participantes do Programa Nacional de Merenda Escolar sirvam leite integral e com 2% de gordura, além de produtos desnatados e com baixo teor de gordura, conforme exigido desde 2012.

“Seja você um democrata ou um republicano, o leite integral é uma coisa ótima”, disse Trump em um evento de assinatura na Casa Branca com a presença de legisladores, produtores de leite e seus filhos.

A lei permite que as escolas sirvam leite não lácteo que atenda aos padrões nutricionais do leite e exige que as escolas ofereçam alternativas ao leite não lácteo se as crianças declararem suas restrições alimentares apenas mediante aviso dos pais.

Assinado depois de alguns dias liberar As Diretrizes Dietéticas para Americanos 2025-2030, que enfatizam Consumo de laticínios integrais Como parte de uma dieta saudável. Versões anteriores recomendavam que os consumidores com mais de 2 anos de idade consumissem produtos lácteos com baixo teor de gordura ou sem gordura.

No início desta semana, enviado do Departamento de Agricultura Postagens em mídias sociais Mostre a Trump um copo de leite e um “bigode de leite” que proclama: “Beba o leite integral”.

A mudança poderá entrar em vigor já neste outono, embora responsáveis ​​da nutrição escolar e da indústria de lacticínios tenham afirmado que poderá demorar mais tempo para algumas escolas avaliarem a procura de leite gordo e ajustarem a cadeia de abastecimento.

Há muito procurado pela indústria de laticínios, o retorno do leite integral e 2% às refeições escolares reverte as disposições da Lei para Crianças Saudáveis ​​e Livres de Fome, defendida pela ex-primeira-dama Michelle Obama. Promulgada há mais de uma dúzia de anos, a lei visava reduzir a obesidade e promover a saúde, reduzindo a ingestão de gordura saturada e calorias no leite com alto teor de gordura pelas crianças.

Especialistas em nutrição, legisladores e a indústria de laticínios argumentaram que o leite integral é um alimento delicioso e nutritivo que tem sido injustamente difamado, e alguns estudos demonstraram que as crianças que o bebem têm menos probabilidade de desenvolver obesidade do que aquelas que bebem alternativas com baixo teor de gordura. Os críticos também dizem que muitas crianças não gostam do sabor do leite desnatado e não o bebem, levando ao desperdício de nutrientes e alimentos.

As novas regras vão alterar a alimentação servida aos quase 30 milhões de alunos matriculados no Programa Nacional de Merenda Escolar.

O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., descreveu a nova lei como “uma revisão há muito esperada da política de nutrição escolar”. A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, disse que isso corrigiu a “campanha míope de Michelle Obama para abrir o leite integral”.

As escolas devem fornecer aos alunos uma variedade de opções de leite fluido, que agora podem incluir leite integral orgânico ou convencional com sabor e incomum, leite com 2%, 1% e sem lactose, bem como opções de laticínios que atendam aos padrões nutricionais.

As novas diretrizes dietéticas exigem “produtos lácteos integrais sem adição de açúcares”, o que proibiria o leite com sabor de chocolate e morango. Sob uma atualização recente Qualidade da alimentação escolar. As autoridades agrícolas devem traduzir essa recomendação em requisitos escolares específicos para eliminar o leite aromatizado.

A nova lei isenta a gordura do leite de ser considerada parte da exigência federal de que a gordura saturada média represente menos de 10% das calorias na merenda escolar.

Um importante nutricionista da Tufts University, Dr. Dariush Mozaffarian, diz que “não há benefício significativo” em escolher alimentos com baixo teor de gordura em vez de laticínios com alto teor de gordura. Os ácidos graxos saturados lácteos têm uma composição diferente de outras gorduras, como a gordura da carne bovina, e vários compostos benéficos que poderiam compensar as perdas teóricas, acrescentou.

“A gordura saturada dos produtos lácteos não foi associada a quaisquer resultados adversos para a saúde”, disse Mozaffarian numa entrevista.

O estudo encontrou mudanças nos programas federais de nutrição após a promulgação da legislação da era Obama O crescimento da obesidade é lento Entre as crianças dos EUA, incluindo adolescentes.

Mas alguns especialistas em nutrição apontam para novas pesquisas que sugerem que os bebés que bebem leite integral podem ter menos excesso de peso ou mais obesidade do que as crianças que bebem leite com baixo teor de gordura. Um 2020 Uma revisão de 28 estudos sugeriram que o risco era 40% menor para bebês alimentados com leite integral, embora os autores tenham notado que não podiam dizer se o consumo de leite era um fator.

O Departamento de Saúde e Ciência da Associated Press recebe apoio do Departamento de Educação Científica do Howard Hughes Medical Institute e da Fundação Robert Wood Johnson. A AP é a única responsável por todo o conteúdo. (Jornal Metropolitano/ABC News)

O leite diante do novo consumidor: o que muda em 2026

A cadeia láctea global entra em 2026 diante de uma combinação rara de forças estruturais: mudanças profundas no comportamento do consumidor, avanços científicos aplicados à nutrição e uma pressão crescente para que alimentos entreguem mais do que calorias. O leite e seus derivados, historicamente posicionados como alimentos básicos, passam agora por um processo de reposicionamento estratégico, deixando de ser commodities nutricionais para assumir o papel de plataformas de valor, saúde e diferenciação.

Essa transição não ocorre de forma isolada. Ela está ancorada em três grandes eixos que vêm redesenhando o mercado global de alimentos: premiumização, saúde como proposta central de valor e reconfiguração do consumo impulsionada por novas abordagens de redução de peso, como os medicamentos baseados em GLP-1.

Premiumização: valor percebido em um mundo de escolhas racionais
A premiumização no setor de alimentos deixou de ser sinônimo de indulgência e passou a representar valor funcional, propósito e conveniência. Nos lácteos, esse movimento é particularmente relevante porque a categoria já carrega atributos naturais de qualidade nutricional, o que facilita a construção de narrativas de maior valor agregado.

Produtos lácteos premium não se destacam apenas pelo preço, mas pela combinação de atributos tangíveis e intangíveis: formulações mais limpas (clean label), ingredientes funcionais, rastreabilidade, bem-estar animal, menor impacto ambiental e experiências sensoriais diferenciadas. Em mercados maduros e/ou aqueles em que buscam alimentação saudável, observa-se que consumidores aceitam pagar mais quando percebem benefícios claros à saúde ou quando o produto se encaixa em um estilo de vida específico, como alimentação ativa, envelhecimento saudável ou controle metabólico.

Esse fenômeno não está restrito a nichos. Estudos em economia do consumo mostram que atributos éticos e funcionais podem gerar prêmios de preço consistentes mesmo em categorias tradicionalmente sensíveis a valor, reforçando que o consumidor moderno avalia o alimento como um pacote de benefícios, e não apenas como um item de necessidade básica.

Saúde deixa de ser promessa e passa a ser exigência
O conceito de saúde evoluiu. Em vez de focar apenas na prevenção de doenças, o consumidor passa a buscar alimentos que ampliem a chamada healthspan, o período de vida com autonomia física, mental e metabólica. Nesse contexto, os lácteos ganham novo protagonismo por sua capacidade de atuar em múltiplas frentes: saúde óssea, muscular, intestinal, imunológica e cognitiva.

Ingredientes como proteínas de alto valor biológico, probióticos, peptídeos bioativos e compostos fermentados estão sendo reposicionados como ativos estratégicos. A fermentação, por exemplo, deixa de ser apenas um processo tecnológico e passa a ser vista como ferramenta de criação de valor funcional, com impactos positivos sobre digestibilidade e microbiota intestinal.

Relatórios recentes da indústria de ingredientes indicam que consumidores buscam soluções nutricionais “integradas”, capazes de oferecer mais de um benefício em um único produto, como proteína associada a fibras ou probióticos, reduzindo a necessidade de suplementação isolada.

GLP-1 e a redefinição do padrão alimentar
Um dos fatores mais disruptivos para o mercado de alimentos nos próximos anos é a popularização de terapias baseadas em agonistas de GLP-1, inicialmente desenvolvidas para diabetes tipo 2 e hoje amplamente utilizadas para controle de peso. Esses medicamentos alteram a fisiologia do apetite, reduzem o consumo calórico total e aumentam a demanda por alimentos densos em nutrientes, saciantes e de fácil digestão.

Esse novo perfil de consumo cria um ambiente particularmente favorável aos lácteos. Produtos como iogurtes, bebidas proteicas e queijos frescos se destacam por oferecer alta concentração proteica em porções menores, algo altamente valorizado por consumidores que comem menos, porém com maior intencionalidade nutricional.

Dados de mercado nos Estados Unidos mostram que domicílios com usuários de GLP-1 aumentaram significativamente o consumo de iogurtes em comparação à média nacional, sinalizando que o lácteo ocupa um espaço estratégico na nova lógica alimentar. Em resposta, a indústria passa a reformular produtos, reduzindo açúcar, simplificando listas de ingredientes e priorizando proteínas completas e fibras funcionais.

Proteína segue no centro, mas não sozinha
A proteína permanece como o principal vetor de inovação no setor lácteo, atravessando faixas etárias e estilos de vida. No entanto, o diferencial competitivo não está apenas na quantidade, mas na qualidade, biodisponibilidade e contexto de consumo.

Paralelamente, cresce o movimento de valorização das fibras alimentares, especialmente aquelas associadas à saúde intestinal e à saciedade. Essa convergência entre proteína e fibra cria uma nova geração de produtos híbridos, capazes de atender tanto objetivos de desempenho físico quanto de equilíbrio metabólico.

Especialistas em tendências alimentares apontam que o futuro da inovação estará menos na criação de categorias totalmente novas e mais na reengenharia de produtos existentes, com foco em funcionalidade clara, conveniência e respaldo científico.

Do produto ao sistema: implicações para a cadeia láctea
Essas transformações extrapolam a prateleira. Elas impactam decisões na origem da cadeia: manejo, genética, qualidade do leite, sustentabilidade, rastreabilidade e comunicação. Produzir leite capaz de sustentar narrativas de saúde, premiumização e inovação exige gestão mais sofisticada, investimento em tecnologia e alinhamento estratégico entre produtores, indústria e mercado.

No novo cenário o leite deixa de ser apenas matéria-prima e passa a ser insumo estratégico para marcas que competem por valor, e não apenas por volume. A competitividade da cadeia passa a depender da capacidade de traduzir demandas do consumidor em práticas produtivas eficientes, escaláveis e economicamente viáveis. (Maria Luíza Terra/MilkPoint)


Jogo Rápido

Frase do dia
“Estamos vivendo uma das piores crises do setor leiteiro. Nesse contexto, é natural que haja redução no número de registros e de N serviços.” Marcos Tang, presiden te da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando).(Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 14 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.553


REFORMA TRIBUTÁRIA - Sancionada última parte da regulamentação

O presidente Lula participou ontem da cerimônia de sanção do Projeto de Lei Complementar de número 108/2024 que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), órgão responsável por gerir e coordenar operacionalmente o novo imposto que será compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios. Na solenidade também foi lançada a Plataforma Digital da Reforma Tributária, marcando o início da fase de implementação da nova arquitetura tecnológica que dará sustentação à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) no contexto da reforma tributária aprovada pelo Congresso.

SIMPLIFICAÇÃO
A nova lei regulamenta a gestão e a fiscalização do IBS, que vai substituir o principal imposto estadual, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), e o principal imposto municipal, o Imposto Sobre Serviços (ISS). A estrutura do comitê gestor deverá garantir a simplificação para o contribuinte. A legislação estabelece igualmente que o imposto estadual sobre heranças deverá ser progressivo, ou seja, quem tem menos, paga menos, conforme ressaltou o governo. As alíquotas do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) serão definidas por cada estado, respeitando o teto de alíquota definido pelo Senado.

O ato que se realizou na sede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) em Brasília concluiu uma etapa considerada essencial para a regulamentação da reforma tributária, na qual os entes atuam em conjunto com o objetivo de simplificar o sistema tributário para o contribuinte.

A sanção da nova lei, destacou o governo em comunicado, “marca o ingresso do país em uma nova era de federalismo cooperativo com a gestão e fiscalização do IBS em colaboração e parceria inédita entre as administrações tributárias dos entes federados”. (Correio do Povo)


Dívidas abocanham mais da renda dos gaúchos

Os gaúchos fecharam 2025 com 29,5% da renda comprometida com dívidas, ou seja, quase um terço. Não chega a ser um superendividamento, mas preocupa. Um ponto é que o indicador vem subindo há 14 meses consecutivos no monitoramento da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), atingindo o maior patamar desde outubro de 2019.

Outro ponto é que a pesquisa considera dívidas ligadas à tomada de crédito, como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos. Ou seja, ainda há outra parte da renda que vai para contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia. Quanto sobra para os demais gastos e para imprevistos? Esse estrangulamento também aumenta o risco de inadimplência e limita a capacidade de consumo.

“Esse quadro reflete, sobretudo, o ambiente de política monetária contracionista, com juros elevados e crédito mais restritivo, que amplia o custo do endividamento. Mesmo em um contexto de mercado de trabalho aquecido, com salários reais em níveis historicamente elevados, e de inflação de alimentos mais benigna — com itens relevantes da cesta básica, como arroz e leite, em queda —, o peso crescente do crédito limita uma melhora mais consistente da situação financeira das famílias”, diz análise da Fecomércio-RS.

A pesquisa de dezembro apontou que 85% das famílias estavam endividadas. Com contas em atraso, eram 25,4%. Cartão de crédito voltou a ser a principal origem das dívidas, mencionado por 56,8% dos endividados. Na sequência, aparecem carnês (52%), financiamento de carro (8,8%), financiamento habitacional (5,9%), crédito pessoal (5,3%) e consignado (2,8%). (Zero Hora)

Leite, subsídios e preços: quem paga a conta no Brasil?

Na prática, não existe hoje no Brasil um programa recente, claro e mensurado de subsídio direto à produção de leite nas bases oficiais. O impacto da política pública ocorre por caminhos indiretos, por meio de decisões macroeconômicas, regras de mercado, crédito, importações e condução da economia, que acabam influenciando custo de produção, oferta, preços e margem na porteira.

Quando o tema surge, a pergunta do produtor é objetiva: onde isso entra no meu bolso? A resposta não vem em forma de cheque. Diferentemente de outros países, o produtor brasileiro não recebe pagamento direto para produzir leite. O efeito se manifesta de maneira difusa, porém constante, moldando o ambiente em que a atividade acontece e transferindo o ajuste quase integralmente para quem está dentro da fazenda.
Os preços do leite ajudam a entender essa dinâmica. Dados do Cepea indicam forte oscilação ao longo de 2025 e no início de 2026. Em janeiro de 2025, o preço médio Brasil do leite líquido ao produtor foi de R$ 2,6492 por litro, com avanço mensal e ganho real frente ao mesmo período do ano anterior. A partir do segundo semestre, no entanto, a pressão aumentou de forma significativa.

Em outubro de 2025, o preço médio real caiu para R$ 2,2996 por litro, recuo de 21,7% em relação a outubro de 2024. Em novembro, estados como São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Minas Gerais registraram valores próximos ou abaixo de R$ 2,20 por litro. No início de 2026, o Cepea voltou a apontar preços baixos em comparação histórica, com expectativa de recuperação apenas sazonal entre abril e agosto.

A relação com os subsídios é direta justamente pela ausência deles. Sem mecanismos de sustentação de renda ou proteção mais clara, o preço do leite reflete quase exclusivamente o balanço entre oferta, demanda e importações. Quando há excesso de leite ou entrada maior de produto estrangeiro, o ajuste é rápido e recai sobre o produtor.

Do lado dos custos, o cenário segue apertado. O custo operacional efetivo médio subiu 0,52% entre setembro e outubro de 2025, puxado principalmente por defensivos, segundo indicadores do Cepea. A alimentação permanece como o principal fator de pressão. O milho chegou a exigir 28,4 litros de leite para a compra de uma saca de 60 quilos, piora de 7,1% em relação a setembro de 2025.

Sem subsídio à alimentação, equalização de custos ou políticas de amortecimento, a margem desaparece rapidamente quando o preço do leite não reage. Na prática, o produtor precisa produzir mais litros apenas para cobrir o custo do cocho. Sistemas com menor escala, gestão menos ajustada ou dietas pouco eficientes ficam mais expostos à volatilidade.

A resposta da oferta também reflete esse ambiente. O Brasil produziu cerca de 37 bilhões de litros de leite em 2025, crescimento de 3,5% sobre 2024, segundo o Cepea, estabelecendo um novo recorde. Parte desse avanço veio da recuperação após os efeitos da seca e do calor registrados em 2024 e no início de 2025, que haviam reduzido a produção em algumas regiões.

Para 2026, a projeção é de crescimento mais moderado, entre 2% e 2,5%. Sem política de estímulo direto, o comportamento do produtor segue o padrão clássico: expande quando o preço permite e reduz custos quando o cenário aperta. O ICAP-L indicou recuo de 0,7% entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025 em estados relevantes, sinalizando maior cautela.

As importações completam o quadro. Em outubro de 2025, as compras externas de lácteos cresceram 8,4%, somando 214,73 milhões de litros em equivalente leite. Esse volume entrou justamente em um período de maior oferta doméstica. Sem tarifas ou mecanismos de compensação mais robustos, o produto importado pressiona o mercado interno e reduz o poder de negociação do produtor com a indústria.

O câmbio atua como pano de fundo permanente. Com o real valorizado, importar se torna mais barato. Quando ocorre desvalorização, o custo sobe, mas o repasse ao produtor nem sempre acompanha no mesmo ritmo.

O efeito real da política de subsídios hoje é indireto e silencioso. A ausência de instrumentos claros faz com que o ajuste de mercado recaia sobre o produtor, torne a eficiência uma obrigação, aumente a sensibilidade à decisão de investir ou sair da atividade e transforme gestão de custos e fluxo de caixa em fatores tão críticos quanto a produção em si.

No início de 2026, o alerta do Cepea foi de cautela. Com crescimento econômico moderado, oferta relativamente controlada e preços em patamar baixo, as margens tendem a ser menores do que em 2024 e no primeiro trimestre de 2025. O espaço para melhora depende da reação do consumo e da indústria. Nesse contexto, entender como a política pública afeta o leite, mesmo sem subsídios diretos, deixa de ser teoria e passa a ser estratégia de sobrevivência. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Agronews)


Jogo Rápido

BNDES - Mais R$ 15,3 bi para Plano Safra
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizou ontem mais R$ 15,3 bilhões para operações de crédito rural no âmbito dos programas do Plano Safra 2025-2026. Do montante, R$ 10,4 bilhões serão para linhas voltadas para agricultura empresarial e R$ 4,9 bilhões para agricultura familiar. Com a medida, o total de recursos ainda disponível nos diferentes programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF) a serem repassados pelo banco é de R$ 20,1 bilhões, com prazo de utilização até junho de 2026. (Correio do Povo)


Porto Alegre, 13 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.552


 

Preço do leite ao produtor tem queda de cerca de 30% e preocupa cadeia leiteira no Rio Grande do Sul

A queda no preço do leite pago ao produtor rural tem acendido um sinal de alerta no início de 2026 no Rio Grande do Sul. Segundo o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, a redução nos valores pagos ao produtor começou a se intensificar a partir de setembro de 2025 e está diretamente ligada ao forte aumento da produção, tanto no Estado quanto no país, aliado ao crescimento das importações de derivados lácteos de países vizinhos.

De acordo com o levantamento do setor, a produção de leite no Rio Grande do Sul cresceu 12% em 2025 em comparação com o ano anterior, enquanto a produção nacional teve aumento médio de 8%. Esse avanço, no entanto, não foi acompanhado pelo consumo, que cresce cerca de 1% ao ano. O cenário resultou em um descompasso entre oferta e demanda, pressionando os preços pagos aos produtores.

A situação se agrava com o aumento das importações de produtos lácteos, especialmente da Argentina e do Uruguai. Até 2022, esses produtos representavam cerca de 2% do consumo nacional, percentual que saltou para 9% em 2025. Boa parte dessas importações, conforme Darlan, envolve leite em pó e queijo mussarela, adquiridos principalmente por indústrias de chocolate e grandes redes de supermercados, o que amplia os estoques internos e reduz ainda mais o espaço para a produção nacional.

Entre as reivindicações do setor lácteo ao Governo Federal estão a adoção de uma política de benefício tributário para empresas de alimentos que usam o leite em pó nacional e uma sobretaxa de 50% para a entrada de produtos como leite em pó, manteiga, soro e mussarela provenientes da Argentina e do Uruguai.

Atualmente, os valores pagos ao produtor, conforme referência do Conseleite, variam entre R$ 1,85 e R$ 2,15 por litro, dependendo do volume entregue e da indústria compradora. Em agosto do ano passado, esses valores chegavam a patamares entre R$ 2,60 e R$ 3,10, o que representa uma queda próxima de 30% em poucos meses.

Segundo o Sindilat, esse preço já não cobre os custos de produção em muitos sistemas, colocando em risco a sustentabilidade de parte das propriedades. A expectativa do setor é de estabilidade nos preços ao longo de janeiro e início de fevereiro, período tradicionalmente marcado por menor consumo devido às férias escolares.

A projeção mais otimista aponta para uma possível recuperação a partir de março, com a retomada das atividades econômicas e do calendário escolar, que eleva a demanda por lácteos. Ainda assim, o Sindilat alerta que 2026 começa de forma delicada para o produtor, e que a recuperação dos preços será decisiva para evitar o abandono da atividade leiteira e garantir a permanência das famílias no campo. CLIQUE AQUI para ouvir a entrevista. (Rádio Caxias)


EUA: novas diretrizes alimentares reforçam o papel dos lácteos na saúde

A Casa Branca transmitiu uma mensagem direta ao consumidor americano: “Comam comida de verdade.” O lançamento das Dietary Guidelines for Americans 2025–2030 marca o que vem sendo descrito como o ajuste mais significativo da política federal de nutrição em décadas, com uma mudança clara na hierarquia dos alimentos recomendados e impactos diretos para a cadeia produtiva de proteínas e laticínios.

“Estamos finalmente colocando a comida de verdade de volta no centro da dieta americana. Comida de verdade que nutre o corpo, restaura a saúde, abastece a energia e constrói força”, afirmou a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins.

Segundo ela, a nova abordagem também valoriza a capacidade produtiva do campo americano: "Essa mudança também se inclina para a oferta de alimentos abundantes, acessíveis e saudáveis já disponíveis através dos incríveis agricultores e pecuaristas da América. Ao produzir leite, criar gado e cultivar frutas, vegetais e grãos saudáveis, eles detêm a chave para resolver nossa crise nacional de saúde”.

A nova pirâmide alimentar praticamente inverte o modelo difundido desde os anos 1990. No topo estão as proteínas, com recomendação de ingestão entre 1,2 e 1,6 gramas por quilo de peso corporal por dia, acima dos 0,8 gramas sugeridos anteriormente. Em seguida aparecem laticínios e gorduras saudáveis, depois vegetais e frutas. Grãos integrais passam a ser limitados a duas a quatro porções ao dia, enquanto açúcares adicionados e óleos altamente processados devem ser evitados.

De acordo com Sigrid Johannes, da diretora executiva de assuntos governamentais da National Cattlemen’s Beef Association, para indivíduos que sigam o limite superior de proteína, representa um aumento de 100% na ingestão diária recomendada de proteína em relação às diretrizes anteriores.
 
Lácteos ganham protagonismo
Um dos pontos de maior relevância para a cadeia leiteira é o reconhecimento explícito dos laticínios em todos os níveis de gordura. Pela primeira vez, a orientação nutricional federal dos EUA apoia o consumo de leite integral, queijos e manteiga sem a distinção negativa associada ao teor de gordura.

“Uma das mensagens principais que estão transmitindo aos consumidores é: coma laticínios e coma laticínios em todos os níveis de gordura — isso inclui leite integral, queijo e manteiga”, destacou Matt Herrick, da International Dairy Foods Association (IDFA), classificando o momento como “um momento decisivo significativo”.

Na mesma linha, Gregg Doud, presidente e CEO da National Milk Producers Federation, reforçou que o reconhecimento simultâneo da gordura e da proteína oferece uma leitura mais fiel do valor nutricional dos lácteos. “Nem todas as gorduras são criadas iguais e, como as diretrizes reconhecem isso, os benefícios dos laticínios são melhor refletidos nesta iteração das diretrizes”, afirmou.

O documento também mantém a recomendação de três porções diárias de laticínios, destacando que os produtos lácteos são fonte relevante de proteína, gorduras, vitaminas e minerais. Esse reposicionamento dialoga diretamente com o comportamento do consumidor. Segundo Herrick, o queijo cottage atingiu seu maior nível de consumo desde a década de 1980, impulsionado pela busca por alimentos ricos em proteína.

“Os consumidores estão olhando para os rótulos mais do que nunca e tentando encontrar alimentos mais limpos e menos processados. Os laticínios se encaixam nesse perfil”, disse Herrick. “A maioria dos produtos tem apenas um punhado de ingredientes e todos são ricos em proteína”.

Esse movimento também se reflete na indústria. Entre 2022 e 2025, cerca de US$ 8 bilhões foram investidos em novas plantas de processamento, com previsão de mais US$ 11 bilhões até 2028, acompanhando o crescimento da demanda por proteínas lácteas e gorduras consideradas saudáveis.

Proteína animal no centro do debate
As novas diretrizes também reforçam o papel da carne e das aves como fontes nutricionais estratégicas. Para Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, a mensagem ficou mais simples e objetiva. “Evidências científicas robustas demonstram que a carne é uma fonte rica em proteínas de alta qualidade, vitaminas essenciais e minerais altamente biodisponíveis que apoiam a saúde humana ao longo da vida”, afirmou.

As diretrizes também recomendam que alimentos densos em nutrientes, incluindo carnes, sejam introduzidos precocemente na alimentação infantil e mantenham papel central ao longo da infância.

Frutas, vegetais e alimentos minimamente processados
Apesar do destaque às proteínas e aos laticínios, frutas e vegetais continuam ocupando espaço central. O documento recomenda três porções diárias de vegetais e duas de frutas, priorizando o consumo “em sua forma original”.

As diretrizes também orientam a redução de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e excesso de sódio, ponto elogiado pela Associação Médica Americana. “As diretrizes afirmam que a alimentação é um remédio e oferecem orientações claras que pacientes e médicos podem usar para melhorar a saúde”, disse Bobby Mukkamala.

Críticas e controvérsias
Nem todos os especialistas concordam com o novo direcionamento. Marion Nestle, ex-professora da Universidade de Nova York, afirmou que o incentivo ao consumo de proteína não faz sentido, argumentando que os americanos já consomem quantidades suficientes. Segundo ela, "Com exceção da excelente recomendação de reduzir o consumo de alimentos altamente processados, que não eram particularmente comuns naquela época, essas diretrizes nos remetem às dietas da década de 1950, quando todos consumiam muita carne e laticínios e não se preocupavam muito com vegetais, e as doenças cardíacas eram desenfreadas".

A Associação Americana do Coração também demonstrou preocupação. Embora tenha apoiado a ênfase em frutas, vegetais e grãos integrais, alertou: "Estamos preocupados com o fato de que as recomendações sobre o tempero com sal e o consumo de carne vermelha possam, inadvertidamente, levar os consumidores a exceder os limites recomendados de sódio e gorduras saturadas, que são os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares."

Implicações para a cadeia produtiva
Além do aspecto nutricional, as diretrizes sinalizam impactos estruturais no sistema alimentar. Rollins antecipou mudanças nos padrões de estoque do varejo vinculado ao SNAP (Supplemental Nutrition Assistance Program, programa federal de auxílio alimentar dos EUA) , com o objetivo de ampliar o acesso a alimentos integrais e saudáveis. “Isso significa que opções mais saudáveis estarão ao alcance de todas as famílias americanas, independentemente das circunstâncias”, afirmou.

No segmento de grãos e oleaginosas, entidades como a American Soybean Association e a National Oilseed Processors Association defenderam o papel da soja e dos óleos vegetais, ressaltando que o farelo é componente essencial das dietas de bovinos, aves e suínos, apoiando a produção de carne, leite e ovos acessíveis.

No conjunto, as novas diretrizes alimentares dos Estados Unidos reposicionam a proteína e os laticínios no centro da alimentação, reforçando sua relevância nutricional e econômica. Para a cadeia leiteira, o documento representa não apenas um reconhecimento científico, mas também um sinal claro de alinhamento entre saúde pública, consumo e produção de alimentos considerados essenciais. (As informações são da USDA, BBC, Dairy Herd Managemen e Hoard's Dairyman)

 
Teste identifica leite livre de proteína ligada à má digestão

A startup brasileira Scienco Biotech desenvolveu e patenteou uma tecnologia capaz de identificar o tipo de leite que é livre de uma proteína associada à má digestão. Trata-se de um teste realizado logo após a ordenha do animal, semelhante ao de gravidez.

O teste rápido da Scienco pode ser feito pelo próprio pecuarista, com um pingo de uma amostra de leite, e o resultado sai na hora, segundo a veterinária Maria de Lourdes Magalhães, criadora do teste e CEO da startup. Ela observa que, no modo convencional, esse processo é feito por meio da análise do DNA dos animais, com testes laboratoriais “caros e demorados”.

As vacas podem produzir leite com a proteína A1, relacionada à má digestão, ou a proteína A2, que não está associada ao problema e é a mesma encontrada no leite materno. O leite A2 provém de vacas com o gene A2A2 e não promove a formação da beta-casomorfina-7 (BCM-7), associada a possíveis desconfortos digestivos e presente no leite A1, explica Diana Jank, diretora de marketing da Letti.

A Letti pertence ao grupo Agrindus, um dos maiores produtores de leite do Brasil, e fabrica produtos lácteos apenas com a proteína A2, utilizando outra tecnologia para identificação.

Gustavo Silva, diretor de inovação da Scienco Biotech, vê potencial para “revolucionar” a cadeia de leite no Brasil com os testes rápidos. “São simples e de baixo custo. Podemos acelerar a tomada de decisão dos pecuaristas”, afirma.

Atualmente, cerca de 1.900 fazendas no Brasil, Colômbia e Coreia do Sul, já utilizam o teste da Scienco. Agora, a empresa começou a vender o teste no mercado da Nova Zelândia, país onde o leite A2 foi identificado pela primeira vez na década de 1990, e onde esse leite começou a ser comercializado em 2003.

Segundo Maria de Lourdes Magalhães, a chegada à Nova Zelândia é um divisor de águas porque, além de pioneiro, o país exporta para a China, que tem alta demanda pelo leite A2, e onde é utilizado na fabricação de fórmulas infantis.

No Brasil, a maior parte dos pecuaristas não costuma identificar o tipo de leite e acaba misturando a produção do rebanho e comercializando tudo como leite A1, que pode causar o desconforto digestivo. “Com a identificação, o produtor pode separar o leite das vacas A2 e vendê-lo de forma diferenciada”, diz ela.

Os pecuaristas que fazem a segregação recorrem a testes de laboratório. No início de 2025, a Scienco recebeu um investimento de R$ 1,8 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para desenvolver um novo teste que identifica leites com maior rendimento para produzir queijos. Magalhães afirma que a tecnologia já está em operação em cerca de 20 fazendas.

“O teste identifica de forma instantânea as vacas que produzem um leite com melhor capacidade de coagulação na produção de queijo, que resulta em um rendimento até 30% maior, com menos perdas e maior padronização na fabricação de queijos”, explica a CEO da Scienco.

Para 2026, o objetivo é lançar uma terceira tecnologia que identifica resquícios de antibiótico no leite. A projeção da Scienco é alcançar cerca de R$ 2 milhões de faturamento com a consolidação das tecnologias. (Gloro Rural)


Jogo Rápido
Julgamentos tributários
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pautou para os meses de fevereiro e março julgamentos que têm grande impacto para a União e empresas. Só três ações tributárias somam um risco fiscal estimado em R$ 72,8 bilhões pela Receita Federal. A pauta dos dois meses também foi divulgada sem prever o julgamento da chamada “uberização” das relações trabalhistas, aguardado para este ano. O caso com maior impacto sobre as contas públicas é o que discute se o ISS, imposto municipal, integra a base de cálculo do PIS/Cofins. (Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 12 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.551


O que esperar do mercado em 2026 depois dos preços em 2025?

Esta análise encerra a série de retrospectivas de 2025, consolidando e contextualizando os principais pontos discutidos nas análises anteriores sobre oferta, demanda e conjuntura internacional do mercado lácteo.

Em síntese, após um ano de forte crescimento da produção, o mercado lácteo brasileiro encerrou 2025 marcado por um expressivo desequilíbrio entre oferta e demanda.

A expansão produtiva, estimulada pelos preços atrativos do primeiro semestre, superou o ritmo de crescimento da demanda, que avançou de forma mais contida, mesmo diante de um ambiente macroeconômico relativamente favorável no âmbito de consumo. Como resultado, houve acúmulo de estoques, pressão sobre os preços dos derivados e quedas significativas no preço ao produtor, sobretudo ao longo do segundo semestre.

No cenário internacional, a ampla oferta global e a demanda mais contida intensificaram a competição entre exportadores e reforçaram o movimento de queda dos preços, enquanto as importações seguiram em patamar elevado, ainda que com leve recuo.

É a partir desse contexto que se coloca a questão central para essa análise: O que esperar do mercado em 2026 depois do mergulho de preços no segundo semestre de 2025?

Perspectivas para a oferta em 2026
O final de 2025 foi marcado por uma queda na rentabilidade do produtor de leite, influenciada principalmente pelo recuo dos preços do leite pagos ao produtor, especialmente no último trimestre do ano, enquanto os preços dos grãos permaneceram relativamente estáveis.

RMCA - Receita menos custo da alimentação (R$/vaca/dia)
Considerando-se a produção de 20 litros/vaca/dia e consumo de 7,2 kg de matéria seca de concentrado/vaca/dia e 10,2 kg de matéria seca de volumoso/vaca/dia.

Essa compressão da rentabilidade em 2025 tende a resultar em um menor crescimento da produção em 2026, especialmente porque a base produtiva brasileira é majoritariamente composta por pequenos e médios produtores, que sentem esse impacto de forma mais intensa.

Segundo o levantamento Quem Produz o Leite Brasileiro 2025, dentro da amostra analisada, 93% dos produtores estavam enquadrados em estratos de até 1.000 litros por dia, respondendo por cerca de 44,9% da produção nacional.


Mesmo assim, 2026 deve seguir apresentando oferta em patamares elevados, impulsionada principalmente pelo crescimento dos sistemas de confinamento nos estratos de maior escala. Esse movimento tende a manter a produtividade em níveis altos, uma vez que esses produtores precisam sustentar volumes elevados de produção para diluir investimentos já realizados, mesmo em um cenário de compressão da rentabilidade.

Assim, nesse contexto em que cerca de metade da base produtiva brasileira está concentrada nos estratos mais sensíveis à redução das margens, 2026 tende a apresentar um ritmo de crescimento da captação inferior ao observado em 2025.
 
Perspectivas para a demanda em 2026
Ao contrário do cenário que marcou o início de 2025, 2026 começa com os preços dos derivados lácteos em patamares mais baixos, inclusive no varejo, segmento que tradicionalmente reage de forma mais lenta aos ajustes. Como referência, o ano se inicia com deflação aproximada de 9,9% no leite UHT e 9,5% na muçarela, segundo os preços da Fipe.

Essa conjuntura, marcada por preços em patamares mais baixos e por um ano eleitoral, no qual historicamente há estímulos à atividade e à renda, seja por meio da ampliação de programas de transferência de renda ou de outras medidas econômicas, tende a sustentar uma demanda ao menos em níveis semelhantes aos de 2025, ou até superiores.Esse movimento pode contribuir para um melhor equilíbrio entre oferta e demanda em 2026, especialmente em um cenário no qual a oferta não cresça em ritmo tão expressivo quanto o observado em 2025.
 
Perspectiva Internacional
No cenário internacional, a conjuntura de preços também aponta para um momento semelhante, marcado por redução da rentabilidade dos produtores. Como evidência dessa tendência, o compilado dos preços do leite pagos ao produtor, em dólar por litro, mostra que, no segundo semestre de 2025, os valores passaram a recuar. 

A ação dessa compressão da rentabilidade também aparece nas perspectivas de outros relatórios internacionais. A divulgação mais recente do Quarterly Dairy Q4, do Rabobank, referente ao último trimestre de 2025, indica um cenário global no qual a queda dos preços internacionais tende a se refletir nos preços pagos ao produtor nos principais mercados exportadores, reduzindo o ritmo de crescimento da produção também no mercado internacional.


Completando a perspectiva do cenário internacional, assim como no Brasil, o mercado global também registrou redução nos preços dos principais derivados lácteos. Conforme apresentado na retrospectiva sobre demanda, a análise do índice de preços médios de lácteos da FAO indica uma expectativa de entrada em 2026 com preços em patamares mais baixos, o que tende a favorecer uma retomada gradual do consumo ao longo do ano.

Uma primeira resposta a esse movimento já pode ser observada nos contratos futuros negociados na SGX, que, entre o final de 2025 e a divulgação após o primeiro leilão do GDT deste ano, passaram a sinalizar uma reversão da tendência de queda do LPI, com o mercado projetando um viés mais altista para 2026.

Conclusão e perspectivas de 2026
Após o expressivo ajuste de preços na reta final de 2025, o mercado lácteo tende a iniciar 2026 em busca de maior equilíbrio entre oferta e demanda. A forte redução da rentabilidade ao longo do segundo semestre sustenta a expectativa de um crescimento mais moderado da oferta em 2026.

Aliado a isso, a demanda deve se manter estável ou levemente estimulada pelos preços mais baixos dos derivados, favorecendo a construção de um cenário mais equilibrado ao longo do ano.

Essa perspectiva, contudo, não elimina as incertezas e os desafios estratégicos do setor. Ao mesmo tempo, surgem oportunidades relevantes ligadas à consolidação da indústria, à rentabilidade, ao financiamento da cadeia, ao potencial exportador do Brasil e ao crescimento do consumo em segmentos como proteínas lácteas e queijos.

Nesse ambiente, marcado por desafios de curto prazo e decisões estruturais de longo prazo, a discussão qualificada sobre mercado, eficiência e estratégia torna-se fundamental. É nesse contexto que chega o 20º Fórum MilkPoint Mercado. Afinal, a virada do ano não muda o mercado da noite para o dia, mas redefine o ponto de partida das decisões. (E 2026 começa oficialmente onde o mercado lácteo sempre começa: no Fórum MilkPoint)


Sindilat destaca parceria de Ernani Polo nas pautas do leite gaúcho

Homenageado com o troféu Destaques 2025 do Sindilat, o secretário Ernani Polo, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), se despediu nesta  segunda-feira (12) do cargo no Executivo gaúcho fazendo uma prestação de contas. Ele volta a assumir sua cadeira na Assembleia Legislativa.

Com o Salão Negrinho do Pastoreio lotado de autoridades, lideranças empresariais e representantes de diversos setores produtivos do Rio Grande do Sul, Guilherme Portela, presidente do Sindilat, destacou a parceria construída. “Sempre foi um grande parceiro do setor, mantendo a porta aberta no governo, ao longo dos três exercícios em que esteve, na busca pela melhoria da competitividade do leite gaúcho”, afirmou o dirigente que esteve acompanhado do secretário executivo do sindicato, Darlan Palharini. 

Em sua manifestação, Polo agradeceu ao governador Eduardo Leite e ressaltou que a secretaria avançou na condução de projetos estratégicos para o desenvolvimento do Estado. “Foi, de fato, um trabalho de desenvolvimento, tocando em frente todos os projetos. Investidor aqui não fica sem resposta”, destacou, ao defender a continuidade dos investimentos no fortalecimento dos municípios, ressaltando a importância de políticas que estimulem o consumo de produtos locais e valorizem as cadeias produtivas. “Colocamos a casa em ordem e agora dá para olhar para a frente”, afirmou. (Assessoria de Imprensa Sindilat/Crédito: Gisele Ortolan)

Clima colabora para o bom desenvolvimento da safra

As principais culturas de verão das lavouras gaúchas estão com as semeaduras concluídas ou em vias de finalização e o clima tem colaborado para a arrancada e o desenvolvimento dos cultivos. O boletim Informativo Conjuntural, elaborado pela Emater/RS-Ascar, da semana passada, apresenta uma descrição positiva para a evolução dos dois principais grãos de sequeiro do verão, soja e milho, assim como para o arroz irrigado. E a previsão é que as precipitações sigam atendendo às necessidades das plantações nas próximas semanas.

“O que temos observado é, já desde meados de dezembro e, agora, no início de janeiro, a ocorrência de chuvas mais frequentes e com volumes bastante significativos em muitas regiões, num comportamento menos típico do La Niña e mais típico da influência de condições neutras, mas de uma situação de chuvas bastante volumosas”, descreve Loana Cardoso, pesquisadora da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação e coordenadora do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Rio Grande do Sul (Copaaergs).

“A partir da metade de dezembro teve esse retorno das chuvas e uma probabilidade, um prognóstico, de que se deve ter uma continuidade nessa situação de chuvas frequentes, com intensidades variáveis, mas com uma frequência relativamente alta”, explica. “Temos um prognóstico, uma perspectiva, de uma safra seguindo muito boa”, projeta.

“Algumas áreas têm essa variabilidade muito característica do clima, da condição do Rio Grande do Sul de precipitações irregulares. Então, tem áreas onde vai ter mais volume e áreas onde vai ter menos volumes, mas de uma chuva mais regular em ocorrência, não de volume, que deve assim manter uma expectativa de safra boa para o Estado”, estima. Conforme ela, as lavouras de soja se mostram em bom desenvolvimento e uma expectativa positiva para a produção. (Correio do Povo)


Jogo Rápido
Leite
Para o setor lácteo gaúcho, que já soma crises devido à depreciação no preço do leite pago aos produtores, a aprovação do acordo UE-Mercosul é preocupante, já que foram preservados subsídios aos agricultores europeus que os brasileiros não têm (caso da Itália, que retirou impostos sobre fertilizantes após pressão do ramo), avalia o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, que defende uma política setorial. (Zero Hora)


Porto Alegre, 09 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.550


 

Governo gaúcho arrecadou  R$ 53,8 bilhões de ICMS em 2025

O Rio Grande do Sul voltou a registrar em 2025 uma arrecadação anual de ICMS superior a R$ 50 bilhões, após ter alcançado este feito de forma inédita no ano anterior. Apesar disso, o registro de crescimento real, quando leva-se em conta o resultado da inflação no período, foi pouco expressivo, de 1,69%. Ainda assim, o governo gaúcho obteve uma arrecadação recorde de ICMS em valores nominais, isto é, sem considerar a inflação, e registrou o segundo ano seguido de aumento real na receita do imposto. O recolhimento deste tributo representou um total de  R$ 53,82 bilhões em 2025, ante os R$ 50,75 bilhões de 2024. 

Na comparação com 2024, ano marcado pelas históricas cheias de maio e em que os esforços econômicos para a reconstrução do Estado resultaram em aumento na arrecadação, o crescimento nominal – quando se desconsidera a inflação registrada no período – foi de 6%. Já o aumento real de 1,69% se dá por conta da previsão inflacionária para 2025 afirmada no último Boletim Focus, de 4,31%. Apesar do crescimento real acima de 1 ponto percentual em relação ao ano anterior, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) destacou, em nota enviada à reportagem, que cerca de R$ 2 bilhões do total arrecadado de ICMS no ano passado são provenientes do Refaz Reconstrução, um programa estadual de renegociação de débitos tributários de empresas gaúchas. Se não fosse por esta iniciativa, o aumento arrecadatório nominal seria de apenas 2%, com uma queda real de 3% no resultado do recolhimento de 2025 em relação ao ano anterior. 

O impacto do Refaz Reconstrução fica evidente naquele que foi o mês de maior arrecadação de ICMS na história do Rio Grande do Sul: em abril de 2025, foram recolhidos R$ 5,54 bilhões do imposto, única vez que o registro mensal superou R$ 5 bilhões. Deste total, cerca de R$ 1,1 bilhão – ou 20% – tiveram origem no programa estadual.  Sobre as comparações entre as arrecadações de 2025 e do ano anterior, a Sefaz ponderou que 2024 foi um exercício atípico em termos de recolhimento tributário, justamente em razão da catástrofe que atingiu o Estado e demandou investimentos para a sua recuperação, que por consequência foram revertidos em um resultado arrecadatório maior que o estimado para o período. “Essa condição excepcional tende a distorcer as comparações entre os períodos”, disse a pasta sobre os resultados pós-enchentes. A excepcionalidade na arrecadação de 2024 pôde ser observada na diferença com o ano anterior. Em 2023, foram recolhidos  R$ 44,73 bilhões de ICMS, o que significa que o resultado do ano seguinte registrou um crescimento nominal de 13% e real de 9%.

Vale destacar, porém, que o resultado de 2023 foi impactado negativamente por conta de legislações federais que alteraram o cálculo de tributação de combustíveis – Lei Complementar (LC) nº 192/2022 –, em que muitos artigos foram posteriormente revogados e beneficiaram as arrecadações estaduais, e pelo Rio Grande do Sul ter deixado de arrecadar naquele ano a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e a Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) da energia elétrica, algo que voltou à base do cômputo do ICMS em 2024, após decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). (Jornal do Comércio)


Emater/RS: Informativo Conjuntural 1901 de 08 de janeiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

Os períodos de temperaturas elevadas e de elevada umidade exigiram ajustes no manejo dos rebanhos e maior atenção aos aspectos sanitários e de higiene na ordenha, visando à preservação da qualidade do leite e à prevenção de problemas sanitários. Em diversas regiões, houve necessidade de adoção de estratégias para a redução do estresse térmico, como adequação dos horários de pastejo, uso de ventilação e aspersão, além de suplementação alimentar nas horas mais quentes do dia. A oferta de forragem de boa qualidade contribuiu para a manutenção da produção e da saúde dos animais em parte das regiões. Porém, houve alguns registros de redução na produção em situações de estresse térmico mais intenso. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, em propriedades com sistema à base de pasto, os produtores optaram por ajustar os horários de pastejo, priorizando as primeiras horas da manhã e o final da tarde. Houve atraso da ordenha matinal e antecipação da ordenha da tarde, e nos períodos mais quentes as vacas receberam suplementação com silagem e ração em cochos cobertos. 

Na de Frederico Westphalen, a produção teve leve incremento. A sanidade do rebanho leiteiro segue satisfatória, apesar do aumento nos casos de infestação por moscas, especialmente mosca-dos-chifres, além de alguns relatos de presença de carrapatos. 

Na de Ijuí, o período de elevada umidade dificultou as atividades de higiene dos animais durante a ordenha e o deslocamento dos rebanhos nos sistemas de produção a pasto. Nos sistemas confinados, houve leve aumento da umidade do material orgânico utilizado como substrato para a absorção dos dejetos, mas sem comprometer sua qualidade ou demandar substituição. Foram relatados problemas pontuais de falta de energia, que afetaram o resfriamento do leite, mas já foram solucionados. 

Na de Pelotas, as altas temperaturas provocaram estresse térmico nos animais, levando à redução do consumo alimentar e da produção, o que exigiu maior atenção ao manejo de sombra, à disponibilidade de água e à alimentação dos rebanhos.

Na de Passo Fundo e na de Santa Maria, a oferta de forragem de boa qualidade tem favorecido a produção de leite e a manutenção da saúde dos animais. 

Na de Santa Rosa, foram intensificados os cuidados com a higienização dos tetos antes da ordenha, visando à manutenção da qualidade do leite e à prevenção de mastite. Em razão das condições de elevada umidade e de calor, ocorreram problemas pontuais de casco no rebanho, especialmente em áreas de várzea. 

Em Cândido Godói, as temperaturas altas reduziram o tempo de pastejo dos animais, e houve registros de queda de até 18% na produção diária, tornando necessária a suplementação alimentar para evitar maiores perdas. (Fonte: Emater/RS)

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 02/2026 – SEAPI 

Nos próximos dias, a formação de um ciclone extratropical ao sul do Rio Grande do Sul deverá provocar instabilidade e contribuir para a reposição da umidade do solo na Região Sul. Em 09/01 (sexta-feira), um sistema de baixa pressão manterá o tempo instável em todo o RS. Em razão da temperatura e da umidade elevadas, há possibilidade de temporais isolados, com queda de granizo e ventos fortes. A chuva ocorrerá principalmente na Metade Oeste e na faixa de fronteira com o Uruguai pela manhã, espalhando-se ao longo do dia para as regiões Central, Norte e Leste. As temperaturas máximas atingirão 34 °C na Região Metropolitana e Norte.

Em 10/01 (sábado), áreas de instabilidade se espalharão pelo Rio Grande do Sul, associadas à formação de um ciclone extratropical sobre o Uruguai. Haverá rajadas de vento de até 80 km/h no Litoral Sul e na faixa continental adjacente durante a madrugada, e chuva ao longo do dia na Região Sul. Há possibilidade de tempestades isoladas, com ventos fortes e queda de granizo, nas regiões Norte, Nordeste e Leste. A temperatura máxima deve chegar a 32 °C na Região Metropolitana. Em 11/01 (domingo), um sistema de baixa pressão atuará no RS, mantendo nebulosidade e condições favoráveis à chuva no Norte, Nordeste e Litoral Norte. As temperaturas máximas atingirão 23 °C no Sul e na Serra, e 28 °C na Região Metropolitana. 

A previsão indica uma próxima semana ensolarada, com pouca nebulosidade e aumento gradual das temperaturas, beneficiando os trabalhos rurais. Em 12/01 (segunda-feira), o dia amanhecerá com sol e poucas nuvens no Estado; ao longo do dia, a nebulosidade aumenta e áreas de instabilidade favorecem pancadas de chuva fracas e isoladas no Norte e no Nordeste do RS. A temperatura máxima deve atingir 30 °C no Oeste.

Em 13/01 (terça-feira), um sistema de alta pressão garantirá o predomínio do sol pela manhã; à tarde, o aquecimento e a umidade disponível favorecerão o desenvolvimento de nebulosidade. A temperatura máxima deve chegar a 33 °C na Região Central e no Noroeste. Em 14/01 (quarta-feira), o sistema de alta pressão seguirá atuando, mantendo sol e poucas nuvens pela manhã; à tarde, o céu deve ficar nublado, sem chuva no Estado. As temperaturas máximas devem atingir 35 °C no Oeste e na Metade Sul. (Boletim Agrometerologico/SEAPI)


Jogo Rápido
Produtores do Norte do RS investem em leite A2A2 no RS
Mudança genética no rebanho permite bebida mais leve e digestiva. CLIQUE AQUI para assistia a reportagem. (Jornal do Almoço/RBSTV)


Porto Alegre, 08 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.549


Balança comercial de lácteos: balança fecha 2025 com queda de 6,1% nas importações frente a 2024

O saldo da balança comercial de lácteos fechou em -155,4 milhões de litros em equivalente-leite, o que representa uma redução de 10% (-172,3 milhões de litros em novembro). As exportações seguiram aumentando e neste mês registraram alta de 3%, enquanto as importações continuam recuando 9% em relação a novembro.

Em dezembro, as exportações de lácteos totalizaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite, um aumento de 3% frente ao mês anterior, porém 7% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024. No acumulado anual de 2025, as exportações fecharam com queda de 23,4% em relação ao ano de 2024.

As importações continuaram a recuar em dezembro. Com queda de 9% na entrada de lácteos no Brasil, totalizando 160,5 milhões de litros em equivalente-leite. Na comparação com dezembro de 2024, a queda é de 17%. No acumulado anual de 2025, as importações registraram retração de 6,1% frente ao ano de 2024.

Em dezembro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os diferentes produtos:

  • O leite UHT registrou expressiva alta de 167,1 mil em litros no volume exportado, representando 16% do total das exportações de lácteos;
  • O soro de leite apresentou crescimento de 30% nas exportações, após o recuo observado no mês anterior;
  • O leite condensado também registrou desempenho positivo, com aumento de 16% no volume exportado.
  • Em contrapartida, o creme de leite manteve trajetória de queda, com recuo de 17% nas exportações no mês.
  • A manteiga também seguiu em movimento negativo, registrando redução de 7% no volume exportado.
  • No campo das importações, observam-se os seguintes movimentos:
  • O leite em pó integral (LPI), principal item importado, apresentou uma queda mais moderada, de 5% em relação ao mês anterior, após o forte recuo de 30% registrado no último mês.
  • Já o leite em pó desnatado (LPD), segundo principal produto importado, que havia apresentado alta no mês anterior, acompanhou a tendência de retração do LPI e registrou queda de 22% no volume importado frente a novembro.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de novembro e dezembro de 2025.

O que podemos esperar para os próximos meses?
A ampla oferta global de lácteos e o dólar mais baixo ao longo de 2025 sustentaram elevados volumes de importação, cenário que, somado ao forte crescimento da produção nacional, pressionou os preços da indústria e os valores pagos ao produtor, especialmente no segundo semestre.

Para 2026, embora a produção de leite deva seguir em patamares elevados, a queda na rentabilidade observada no final de 2025 tende a desacelerar o ritmo de crescimento da oferta. Ao mesmo tempo, a expectativa de preços mais firmes no mercado internacional pode reduzir a atratividade das importações.

Assim, após um ano marcado por desequilíbrios entre oferta e demanda, o mercado lácteo inicia 2026 em um contexto de preços mais baixos, consumo estável e expectativa de maior equilíbrio. Nesse cenário, a tendência é de redução gradual das importações, o que pode contribuir para uma menor pressão sobre os preços no mercado doméstico ao longo de 2026. (Vivian Batista Padilla e Leonardo Baião Leite de Lima/Milkpoint)


Produtores rurais poderão usar nota fiscal em papel remanescentes até 30 de abril

Desde o último dia 5 de janeiro, a emissão de nota eletrônica passou a ser obrigatória para todos os produtores rurais em operações internas no Rio Grande do Sul. No entanto, atendendo a pedido de produtores, a Secretaria da Fazenda prorrogou, até o próximo dia 30 de abril, o prazo para utilização do talão de produtor rural já impresso, modelo A4, para produtores rurais com receita bruta inferior a R$ 360 mil.

A medida visa garantir maior prazo para o atendimento às exigências que valem para todos os Estados, a partir de norma definida no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A Receita Estadual gaúcha, em diálogo com o setor, está publicando um decreto estadual que formaliza a prorrogação do uso da nota em papel a partir de 5 de janeiro.

Entenda a mudança
O modelo 4 da nota fiscal, em papel, conhecido como “talão do produtor”, deixou de ser aceito desde o último dia 5. A mudança começou pela faixa de produtores que têm maior faturamento e, aos poucos, foi expandida para pequenos produtores. A obrigatoriedade começou a valer em 2021 para os que tinham faturamento superior a R$ 4,8 milhões. Em janeiro de 2025, foram abrangidos também os que tiveram receita bruta de R$ 360 mil ou mais com a atividade rural, além de todas as operações interestaduais. Para o último grupo, foi flexibilizado o uso das notas em papel até 30 de abril.

A modernização da documentação fiscal no setor agropecuário é uma mudança nacional que torna o processo de emissão de notas mais ágil e seguro, reduzindo burocracias, minimizando falhas no preenchimento dos dados e evitando o risco de perda de documentos, além de antecipar a realidade após a Reforma Tributária, que deve extinguir completamente as notas em papel.

A Secretaria da Fazenda (Sefaz) oferece duas alternativas. O aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), disponível para download gratuito pelo celular, é o mais indicado. Como muitos trabalhadores estão no campo, sem acesso à internet, o app pode ser utilizado no modo off-line. Dessa forma, os usuários emitem a nota fiscal e, quando o aplicativo é conectado novamente a uma rede de internet, a nota é autorizada. No próprio aplicativo, os produtores podem apontar problemas, sugerir recursos ou solicitar a inclusão de novos produtos para comercialização.

Clique para conferir o manual de uso do NFF.

Outra opção para a emissão de nota eletrônica é a Nota Fiscal Avulsa (NFA-e), também gratuita. O sistema é indicado para operações mais complexas, como, por exemplo, as de exportação.

A partir de 1º de maio de 2026, fica vedada a emissão de Nota Fiscal de Produtor, modelo 4. (Por Ascom Sefaz/Receita Estadual)

O mundo paga mais — mas exige tudo: a nova fronteira do negócio lácteo

O início de 2026 trouxe um sinal que a indústria láctea global não pode ignorar. Os preços internacionais reagiram com força.

Os valores da leite em pó superaram USD 3.300 por tonelada, inclusive em produtos de menor rentabilidade histórica, reorganizando expectativas industriais, financeiras e políticas.

Mas a mensagem estrutural é menos confortável do que parece. Preços mais altos já não compram tolerância. Pelo contrário: vêm acompanhados de barreiras de entrada mais rígidas, redefinindo o comércio lácteo global em três dimensões inseparáveis — industrial, financeira e política.

Um mercado que melhora, mas não perdoa
Durante anos, preços baixos funcionaram como justificativa para ineficiências estruturais. Margens apertadas serviram de argumento para adiar investimentos, reformas regulatórias e adequações sanitárias.

Esse discurso perdeu validade. A recente recuperação do Global Dairy Trade não é apenas técnica. Reflete demanda ativa, oferta mais ajustada e compradores dispostos a garantir volumes em um cenário geopolítico incerto. Mais do que isso, confirma que o mercado global de lácteos não aceita mais ambiguidades.

Mastellone e a mensagem que incomoda
Poucos sintetizam esse momento com tanta clareza quanto Flavio Mastellone, referência histórica da indústria láctea argentina: “Preços mais altos não mudam o essencial. Não existe demanda internacional por lácteos sem certificações sanitárias completas. Cumprir não é opcional — é o passaporte para os mercados que geram valor.” Não é discurso. É a visão de quem compete em mercados reais, regulados e cada vez mais exigentes.

O fim dos mercados ‘tolerantes’
Por décadas, alguns destinos regionais — com o Brasil como exemplo clássico — funcionaram como válvula de escape para excedentes produtivos. Proximidade geográfica e exigências mais flexíveis sustentaram volumes mesmo sem competitividade estrutural plena.

Esse modelo está se esgotando. Com a oferta crescendo em várias regiões e os preços internacionais se fortalecendo independentemente da demanda regional, depender de um único mercado deixou de ser estratégia e passou a ser risco. O comércio global exige diversificação, previsibilidade e conformidade.

Mercosul: a discussão que não pode mais ser adiada
O debate sobre a Tarifa Externa Comum do Mercosul, hoje em 28% para lácteos, expõe uma tensão política central. Em um mundo de tarifas médias mais baixas, proteção excessiva entra em conflito direto com competitividade global.

Reduzir barreiras implica mais concorrência, mas também força uma reconversão industrial profunda. A questão deixou de ser ideológica: o setor está disposto a jogar segundo as regras globais?

Europa e Ásia: exigência convergente
Na União Europeia, sanidade, rastreabilidade e certificações não se discutem — são pressupostos. O debate se concentra em eficiência, margens e gestão do crescimento da oferta.

A Ásia segue como o principal motor da demanda global. Mas é uma demanda profissionalizada, que paga bem apenas quando qualidade, consistência e garantias sanitárias são inequívocas.
Em ambos os casos, a conclusão é a mesma: o acesso ao mercado tornou-se binário.

Indústria, finanças e política: uma equação única
Este novo cenário expõe uma realidade desconfortável. Produzir mais não basta. A alta de preços não compensa fragilidades estruturais. O comércio lácteo global exige investimento, disciplina financeira, alinhamento regulatório e decisões políticas coerentes.

Os preços elevados oferecem uma oportunidade — e um teste. Quem não aproveitar este momento para se adequar aos padrões internacionais corre o risco de ficar restrito a mercados de baixo valor justamente quando o mundo volta a demandar lácteos.

Conclusão: menos discurso, mais acesso
O mercado internacional envia um recado claro. Paga mais, mas exige mais. Não negocia sanidade, não flexibiliza rastreabilidade e não espera por quem atrasa.

No lácteo global de hoje, competitividade não se mede apenas em toneladas ou preços, mas em credibilidade. E credibilidade é mais difícil de reconstruir do que capacidade produtiva.

O mundo está disposto a comprar. A pergunta é quem está realmente preparado para vender. (Valéria Hamann/eDAIRYNEWS)


Jogo Rápido
Novo salário-mínimo e isenção do IR injetarão R$ 110 bi na economia
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou ontem que o reajuste do salário-mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil vão injetar R$ 110 bilhões na economia em 2026. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, ele afirmou ainda acreditar que seja possível aprovar o fim da escala de trabalho 6x1 em ano eleitoral. O ministro já havia afirmado que o fim da escala 6x1 é uma prioridade do governo Lula em 2026 e que avaliava ser possível reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, antes de iniciar uma diminuição gradativa até 36 horas. O presidente Lula também disse que o País está pronto para o fim da escala. Em relação ao IR, a nova tabela do imposto começou a valer em 1º de janeiro de 2026 e zera a cobrança do tributo para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5.000. A mudança decorre de lei sancionada pelo presidente em 26 de novembro. Além de zerar o imposto para quem ganha até R$ 5.000, a nova tabela reduz a carga tributária para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês. Acima desse valor, seguem válidas as alíquotas progressivas atuais, que vão de 7,5% a 27,5%. A mudança pode representar uma redução de até R$ 312,89 no imposto mensal. No calendário de mudanças do começo do ano, também está o novo valor do salário mínimo, de R$ 1.621, em vigor desde o início de janeiro (1º). O reajuste é de 6,79%. (Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 07 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.548


GDT 395: primeiro leilão indica possível recuperação para o mercado lácteo

O 395º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 06 de janeiro, apresentou ajustes positivos para todos os produtos, fazendo com que o preço médio (price index) dos produtos negociados aumentasse 6,3%, chegando a USD 3.533/tonelada  — revertendo a queda vista no último evento do ano.


O leite em pó integral (LPI) apresentou alta neste leilão, após oito eventos de queda, com reajuste de 7,2%, levando o preço médio a USD 3.407 por tonelada.

O leite em pó desnatado (LPD) também registrou aumento no preço, de 5,4%, com o preço médio ficando em USD 2.564 por tonelada.

A maior alta deste leilão foi observada na gordura anidra do leite com 7,4% de reajuste; este produto apresentou a maior baixa no último evento e desta vez reverteu o preço médio para USD 6.011 por tonelada. A manteiga também apresentou leve reação e, após 6 meses com pressão de baixa, apresentou alta de 3,8%, atingindo o preço de USD 5.206 por tonelada.

Já o cheddar continua com certa tendência de estabilização, e neste evento apresentou variação de apenas 0,6%, com o preço médio em USD 4.665 por tonelada; e a muçarela também apresentou certa estabilidade, com variação de 0,7%, com preço médio de USD 3.418 por tonelada.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Volume negociado diminui
O volume negociado neste leilão totalizou cerca de 29,3 mil toneladas, representando expressiva queda de 13,8% frente ao evento anterior, movimento visto também para o primeiro leilão do ano nos últimos dois anos. Frente ao mesmo mês do ano passado, o volume negociado também diminuiu 2,9%.

Impacto nos contratos futuros
Neste início de ano, os contratos futuros surpreenderam, com alta expressiva comparada ao final de 2025. A tendência de estabilidade para os primeiros meses do ano foi revertida por um movimento altista constante até o final do primeiro semestre, com tendência de recuos apenas para o segundo semestre do ano.

Como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
O evento apresentou demanda firme, com a participação de 177 compradores. Esse apetite comprador, no entanto, encontrou uma oferta mais restrita em relação aos últimos leilões, o que contribuiu para reverter o cenário recorrente de quedas observado nos últimos meses.

Em conjunto com esse resultado do GDT, os preços futuros dos contratos de leite em pó registraram alta expressiva, sinalizando um cenário potencialmente mais positivo para o mercado lácteo internacional, após um período prolongado de recuos. Esse movimento reflete a expectativa de um crescimento mais contido da oferta em 2026, em comparação ao avanço expressivo observado em 2025, quando a produção global de leite surpreendeu, além de uma perspectiva de demanda mais aquecida, favorecendo maior equilíbrio de mercado.

No mercado brasileiro, os preços dos derivados têm apresentado maior estabilidade, influenciados pelo período de final de ano, com expectativa de melhora pontual para alguns produtos.

No Mercosul, os preços também seguiram estáveis em dezembro, com relatos de expectativa de maiores ajustes após a virada para 2026. Vale lembrar que o Mercosul tende a ser influenciado pelos preços praticados no GDT, ainda que com diferenciais regionais. Nesse contexto, espera-se que a tendência de alta no mercado internacional se reflita gradualmente nos preços do Mercosul, o que pode abrir espaço para possíveis reajustes nos derivados no mercado interno, diante de uma menor pressão competitiva em relação ao preço dos produtos importados.

Associado a esse cenário, o dólar tem apresentado movimentações distintas. Como a taxa de câmbio exerce influência direta sobre os preços de importação de produtos lácteos, essas oscilações podem impactar o volume e a competitividade das importações no curto prazo. (Vivian Batista Padilla e Leonardo Baião Leite de Lima/Milkpoint)


Proteína muda o carrinho do consumidor e fortalece os lácteos

A proteína tornou-se o principal motor de crescimento do setor lácteo nos Estados Unidos, redefinindo escolhas de consumo e reposicionando categorias tradicionais dentro da dieta moderna.

Em um cenário marcado por novas conversas sobre saúde, praticidade e funcionalidade dos alimentos, os lácteos mantêm um papel central na alimentação dos americanos, ainda que com mudanças claras no mix de produtos consumidos.

Dados recentes do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA) mostram que, em 2024, o consumo per capita de lácteos alcançou 651 libras por pessoa, considerando o equivalente em leite com base em sólidos e gordura. O volume total pouco variou em relação a anos anteriores, mas a composição desse consumo revela uma transformação relevante nos hábitos alimentares.

Segundo as entidades, a preferência crescente por alimentos ricos em proteína e de consumo rápido vem impulsionando categorias que, até pouco tempo atrás, eram vistas como ultrapassadas. Iogurtes e queijo cottage, por exemplo, ganharam novo protagonismo ao se alinharem às rotinas aceleradas e às demandas nutricionais atuais.

O consumo de iogurte chegou a 14,5 libras por pessoa em 2024, um avanço de 6% em relação ao ano anterior e quase 60% acima do nível registrado duas décadas atrás. Para a IDFA, esse desempenho reflete a consolidação do produto como uma opção prática, versátil e associada à ingestão de proteína de alta qualidade.

O queijo cottage apresentou um crescimento ainda mais expressivo. O consumo per capita subiu mais de 14% em um ano, atingindo 2,4 libras por pessoa, o maior patamar desde 2009. A entidade observa que o produto se beneficiou da revalorização nutricional, impulsionada por dietas focadas em proteína e controle de carboidratos.

Outro destaque do ano foi a manteiga. Após um longo período de retração, marcado pela preferência por produtos com baixo teor de gordura, a manteiga voltou a ocupar espaço nas cozinhas americanas. A mudança na percepção sobre as gorduras alimentares, aliada à busca por ingredientes mais simples e menos processados, contribuiu para essa retomada.

Em 2024, o consumo de manteiga alcançou um recorde de 6,8 libras por pessoa, mais de 20% acima do registrado há dez anos. Analistas do setor apontam que muitos consumidores passaram a enxergar a manteiga como um produto mais “real” e funcional, especialmente para cozinhar e assar, em comparação com margarinas e spreads industrializados.

No segmento de queijos, o cenário foi de estabilidade. O consumo per capita permaneceu em 41,9 libras, o mesmo nível de 2023. Ainda assim, a IDFA ressalta que esse volume representa uma mudança estrutural significativa quando comparado à década de 1970, período em que o consumo anual não ultrapassava 20 libras por pessoa. O dado reforça o status do queijo como um alimento consolidado na dieta americana.

Já o leite fluido apresentou sinais de estabilização após décadas de queda. Em 2024, o consumo manteve-se em 127 libras por pessoa, repetindo o resultado do ano anterior. Embora distante do pico de 247 libras registrado em 1975, o desempenho indica que o leite segue presente no cotidiano das famílias, especialmente no café da manhã, no preparo de alimentos e em bebidas quentes.

De acordo com análises do setor, o leite deixou de ser o protagonista da geladeira, mas permanece como um item funcional e confiável, associado a hábitos domésticos tradicionais.

No campo da indulgência, o sorvete trouxe um leve alívio para a categoria. O consumo avançou para 12 libras por pessoa, mostrando que, mesmo em um contexto de maior atenção à saúde, os consumidores não abrem mão de produtos ligados ao prazer e ao conforto emocional. A introdução de versões com alto teor de proteína também contribuiu para esse desempenho, permitindo conciliar sobremesa e valor nutricional.

No conjunto, os dados reforçam que, apesar das transformações no comportamento do consumidor, os lácteos seguem relevantes. A proteína atua como fio condutor dessa nova fase, impulsionando categorias específicas, enquanto produtos tradicionais como manteiga, queijo e leite mantêm sua base de consumo.

Para o setor, o desafio e a oportunidade estão em equilibrar funcionalidade, sabor e conveniência, mostrando que os lácteos podem atender tanto às exigências nutricionais quanto aos momentos de indulgência do consumidor moderno. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Herd)

Dívidas do agronegócio saltam para R$123,6 bilhões em 2025

A saúde financeira do agronegócio brasileiro acendeu um sinal de alerta, segundo Nota Técnica divulgada ontem pela Farsul. A partir de dados do Banco Central, a entidade avaliou que a“carteira estressada” do crédito rural (que soma atrasos, inadimplência e dívidas renegociadas) saltou de R$ 72,2 bilhões, em julho de 2024, para R$ 123,6 bilhões em novembro de 2025. “O crescimento de 71% no período revela uma deterioração acelerada, concentrada principalmente nos últimos meses”, diz a Farsul. 

Atualmente, cerca de 15% de toda a carteira ativa de crédito rural no Brasil (estimada em R$ 812,7 bilhões) está “sob algum tipo de estresse financeiro”. Segundo a Farsul, atualmente o quadro atual no Brasil não é provocado por questões climáticas, já que o país registrou uma safra recorde em 2025, o que reforça que o problema é econômico, de acordo com a entidade. 

O texto aponta o nível elevado da taxa de juros como o “principal ofensor”, mas faz uma ressalva: a culpa não é da autoridade monetária. “A raiz está no desequilíbrio fiscal, que pressiona a inflação e obriga a manutenção de juros altos”, afirma o documento, e reitera o apoio às decisões do Copom no controle inflacionário. 

Para a Farsul, a análise da execução da Medida Provisória n° 1.314/2025 e da Resolução CMN n° 5.247/2025 revela distorções que preocupam os produtores. Dos R$ 28,2 bilhões renegociados até dezembro de 2025, apenas 19% (R$ 5,4 bilhões) utilizaram recursos públicos com juros subsidiados. 81% (R$ 22,8 bilhões) foram renegociados com recursos livres, sujeitos a taxas de mercado, esclarece a entidade.Renegociar dívidas a juros de mercado em um cenário de Selic elevada pode “transformar a solução em um problema maior”, segundo a entidade. Afinal, o saldo devedor tende a crescer, criando uma acumulação exponencial do passivo. (Correio do Povo)


Jogo Rápido
Brasil tem saldo de US$ 68,3 bi em 2025
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 68,3 bilhões em 2025, divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás de 2023 e 2024. Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos e com a queda no preço das commodities, principalmente do petróleo, as vendas para o Exterior somaram US$ 348,676 bilhões, alta de 3,5% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, beneficiadas pelo crescimento da economia doméstica, as importações aumentaram em ritmo maior. No ano passado, o Brasil comprou US$ 280,382 bilhões do Exterior, aumento de 6,7%. (Zero Hora)


Porto Alegre, 06 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.547


Secretaria da Fazenda RS prorroga prazo para uso do talão de produtor já impresso até abril de 2026

A Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul (SEFAZ-RS) prorrogou até 30 de abril de 2026 o prazo para utilização do talão de produtor rural já impresso, modelo A4, para a emissão de Nota Fiscal nas operações internas. A decisão representa uma importante conquista da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (FETAG-RS), resultado do diálogo permanente da entidade com o governo estadual em defesa dos agricultores familiares.

A prorrogação é válida exclusivamente para os produtores rurais que, nas operações internas, tenham obtido receita bruta inferior a R$ 360 mil em pelo menos um dos anos de 2023 ou 2024. A medida garante mais tempo para que os agricultores se adaptem às exigências da obrigatoriedade da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), evitando prejuízos e dificuldades operacionais durante o período de transição.

Para a FETAG-RS, a decisão reconhece as diferentes realidades do campo e a necessidade de uma transição mais justa e gradual, especialmente para a agricultura familiar, que enfrenta desafios relacionados à conectividade, acesso à tecnologia e capacitação.

A Federação destaca ainda que aguarda a publicação do novo decreto estadual, que regulamentará oficialmente essa prorrogação, trazendo os detalhes operacionais e a segurança normativa necessária para a correta aplicação da medida tanto pelos produtores quanto pelos órgãos fiscalizadores.

A FETAG-RS orienta que os agricultores e agricultoras familiares procurem o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de seus municípios, que está preparado para oferecer orientações, esclarecimentos e apoio técnico sobre a emissão da Nota Fiscal Eletrônica e demais procedimentos necessários. Os sindicatos desempenham papel fundamental na disseminação de informações e no acompanhamento dos produtores durante esse processo de adaptação. (Fetag)


GDT - 06/01/2026

(Fonte: GDT)

Leite Spot: confira valores da primeira quinzena de janeiro/26

Na primeira quinzena de janeiro, o preço médio nacional do leite spot foi de R$ 1,74 por litro, registrando uma estabilidade em relação à quinzena anterior, segundo dados do MilkPoint Mercado.

 
O mercado spot manteve um quadro de estabilidade na primeira quinzena de janeiro. De acordo com os relatos da pesquisa do MilkPoint Mercado, a maior parte dos agentes conseguiu preservar não apenas os preços, mas também os volumes negociados em relação à quinzena anterior. Em alguns estados, como Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, houve um sutil aumento na média dos valores negociados. (MilkPoint)


Jogo Rápido
Classe média menos endividada no RS
O endividamento das famílias gaúchas de classe média não é tão severo quanto o quadro nacional. Chamou atenção a análise da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontando que a fatia de consumidores com renda mensal acima de 10 salários mínimos (mais do que R$ 15.180) e com mais de 50% da renda comprometida com dívidas subiu a 12,8%. Este nível e sem condição de pagar configura o que se chama de superendividamento. Aqui no Rio Grande do Sul, porém, a pesquisa da Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio-RS) aponta 0% das famílias de classe média com comprometimento da renda acima de 50%. Para 85,4% delas, as dívidas somam de 11% a 50% do orçamento. 'Mesmo entre as famílias com renda menor, o comprometimento se concentra nesta faixa. A realidade local é bem diferente da nacional" analisa a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo. (Zero Hora)