Pular para o conteúdo

Porto Alegre, 09 de junho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.647


Milk Summit Mercosul 2026 será lançado no dia 14 de julho

Ampliando a discussão para o Mercosul, a segunda edição do Milk Summit será lançada no dia 14 de julho, no município de Ijuí (RS). A agenda terá início às 7h30min e contará com palestras, debates sobre competitividade do setor leiteiro frente à Argentina e ao Uruguai e Mercado Futuro do leite e derivados.

Celebrando o Dia Nacional do Produtor de Leite, comemorado em 12 de julho, o encontro vai reunir representantes da indústria, de cooperativas, do agronegócio, do comércio e da imprensa, prestigiando a cidade que sediará o Milk Summit Mercosul 2026, e que concentra o maior volume da produção de leite vendida para a indústria, com 741,9 milhões de litros anuais, movimentando mais de R$ 2 bilhões. “O produtor de leite é protagonista de um setor que movimenta a economia e gera empregos, e celebrar essa data em Ijuí é reconhecer a importância estratégica da atividade”, ressalta o coordenador do Milk Summit, Darlan Palharini.

O ponto alto será a apresentação da programação oficial do Milk Summit Mercosul 2026 e a abertura do período de inscrições para o evento que pretende superar os 800 participantes da primeira edição sediada no Parque de Exposições Wanderley Burmann. “Este ano estamos nos preparando para um evento maior do que o primeiro, quando o setor leiteiro já deu uma demonstração de força e tamanho ao juntar seus diferentes elos para discutir competitividade, consumo, sustentabilidade e inovação. Avançamos para uma proposta ainda mais abrangente que será apresentada oficialmente no dia 14 de julho”, assinala Palharini, secretário-executivo do Sindilat/RS.

O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), da Prefeitura de Ijuí, da Emater/RS-Ascar e do Impulsa Ijuí. A iniciativa conta com o apoio da Expofest Ijuí, Embrapa, FecoAgro/RS, Farsul, Fetag-RS, Fiergs, Sicredi, Sebrae e Conseleite RS.

Lançamento Milk Summit Mercosul 2026
Data: 14/07/2026
Horário: A partir das 7h30min
Local: Auditório do Sicredi. Rua São Cristóvão, número 30. Ijuí/RS
Inscrições: Até dia 07/07/2026, através do site: https://milksummit.hooks.com.br/inscricao/dia-do-produtor ou pelo telefone (55) 99696-1665.


Mesmo aprovado, antidumping sobre leite em pó importado é adiado

Governo chegou a citar risco de abastecimento e de segurança alimentar para justificar a postergação da medida; setor produtivo contesta

O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) publicou nesta segunda-feira (8/6) a resolução que determina a aplicação do direito antidumping definitivo, por até cinco anos, às importações de leite em pó do Brasil, integral ou desnatado, não fracionado, oriundas da Argentina e do Uruguai.

A aplicação imediata do antidumping, no entanto, foi suspensa para avaliação do “interesse público” e do eventual efeito inflacionário gerado pela possível oneração da compra do produto estrangeiro. O governo chegou a citar risco de abastecimento e de segurança alimentar para justificar a postergação da medida. O setor produtivo contesta o argumento. As importações, portanto, seguem isentas.

A decisão do Gecex foi tomada em reunião realizada em 28 de maio, como mostrou a reportagem. A aplicação do direito antidumping foi aprovada e suspensa, a pedido do Ministério do Planejamento e Orçamento, para apurar os potenciais impactos da medida em termos de abastecimento, custos industriais, inflação de alimentos e cadeias consumidoras.

A investigação sobre as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai recomendou a aplicação de direito antidumping aos exportadores desses países que variam entre US$ 167,31 por tonelada (4,4%) e US$ 4.183,17 por tonelada (111,8%), no caso dos argentinos, e entre US$ 378,27 por tonelada (10%) e US$ 4.196,72 por tonelada (109,2%), no caso dos uruguaios.

As tarifas mais altas são aplicadas a empresas que não responderam questionários na investigação nem apresentaram suas defesas. Ao todo, 17 exportadores argentinos participaram do processo. Para a maior parte delas, o direito antidumping foi de US$ 1.707,08 por tonelada. Três empresas tiveram indicação de valores menores: Mastellone Hermanos S.A. (US$ 167,31 por tonelada), Gloria Argentina S.A. (US$ 663,75 por tonelada) e Las 3 Niñas S.A. (US$ 903,50 por tonelada).

Apenas três exportadores uruguaios responderam ao processo: a Alimentos Fray Bentos S.A., cuja aplicação de direito antidumping indicada foi de US$ 378,27, a Compania Lactea Agropecuaria Lecheros De Young S.A. (de US$ 850,07 por tonelada) e a Cooperativa Nacional de Productores de Leche (Conaprole), que terá sobretaxa de US$ 613,32 por tonelada. Para as demais empresas, o valor será de US$ 4.196,72 por tonelada.

Suspensão da aplicação
Mesmo com o dumping apurado pela investigação, a decisão foi suspender a aplicação da cobrança extra na importação sob a justificativa de apurar os possíveis impactos da medida no mercado nacional, tanto para a cadeia produtiva e indústria quanto para os consumidores.

“Embora a investigação tenha identificado indícios que fundamentam a imposição de direitos antidumping, a Nota destaca que a legislação brasileira de defesa comercial admite, em circunstâncias excepcionais e por razões de interesse público, a suspensão, modulação ou não aplicação de medidas dessa natureza, especialmente quando existirem potenciais repercussões relevantes sobre inflação, abastecimento, consumidores e cadeias produtivas”, diz a nota técnica publicada nesta segunda-feira.

A avaliação econômica apresentada pelo governo sugere que “o mercado doméstico de leite e derivados atravessa momento de elevada sensibilidade inflacionária, marcado por pressões de custos, riscos climáticos e importância social do produto, especialmente para famílias de menor renda e para a segurança alimentar”. A nota técnica ressalta ainda que Argentina e Uruguai respondem pela quase totalidade das importações brasileiras de leite em pó e apontou possíveis “impactos relevantes sobre preços domésticos e abastecimento” caso as tarifas fossem aplicadas imediatamente.

Os elementos preliminares, diz a nota técnica, sugerem a “existência de circunstâncias excepcionais relacionadas a potenciais impactos inflacionários, riscos de abastecimento e repercussões relevantes sobre cadeias consumidoras e consumidores finais, justificando avaliação cautelar acerca da conveniência e oportunidade de suspensão imediata após a aplicação da medida”.

A nota cita que houve aumento relevante dos preços do leite longa vida ao consumidor recentemente, em ambiente marcado por elevação de custos, com o aumento dos combustíveis e demais insumos, a redução relativa da oferta e riscos climáticos associados ao ciclo pecuário e à alta probabilidade de ocorrência de eventos climáticos adversos nos próximos meses, como o El Niño.

Nos argumentos, o governo aponta ainda que o leite em pó possui “relevância específica” para o consumo das famílias de menor renda, especialmente no Norte e Nordeste. A nota técnica cita ainda que, embora o leite em pó não fracionado em embalagens superiores a 800 gramas não tenha sido alvo da investigação, o produto é usado como insumo industrial em cadeias como laticínios, panificação, chocolates, biscoitos, sorvetes e preparados alimentícios.

“Eventual elevação de custos decorrente da aplicação imediata dos direitos poderá produzir efeitos indiretos sobre preços ao consumidor em diversos segmentos alimentares”, diz a nota. “Tal circunstância recomenda cautela adicional quanto a medidas potencialmente capazes de pressionar preços ao consumidor final em contexto inflacionário já sensível, especialmente diante de seus possíveis reflexos sobre a segurança alimentar, abastecimento e acesso ao produto integrante da cesta básica de consumo das famílias”, completou a nota.

A resolução determina diz que caberá à Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) iniciar procedimento de avaliação de interesse público, com o objetivo de avaliar o impacto de eventual aplicação de direito antidumping sobre os agentes econômicos pertencentes à cadeia de produção, distribuição, venda e consumo em que se situa a indústria doméstica.

Setor contesta
Uma nota técnica elaborada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta a ausência de impacto inflacionário do antidumping sobre o leite em pó do Uruguai e da Argentina e pede a aplicação de tarifas sobre o produto estrangeiro.

A CNA explica que o antidumping incide exclusivamente sobre leite em pó industrial a granel, destinado ao uso industrial. O leite em pó fracionado para varejo (em embalagens de até 800 gramas) e o leite longa vida estão fora do escopo. "O produto consumido diretamente pelas famílias não é afetado", defende a CNA.

A entidade esclarece na nota que produtos que usam o leite em pó como insumo são, majoritariamente, ultraprocessados, como chocolates, sorvetes, biscoitos recheados, bebidas lácteas adoçadas, que não estão presentes na cesta básica nacional.

"O peso desses produtos no IPCA é de apenas 0,26%, e a parcela importada no consumo nacional aparente é de aproximadamente 6% — tornando o impacto inflacionário nulo ou absolutamente negligenciável", defende a CNA. "Os principais itens da alimentação básica permanecem fora do escopo da medida, não sendo, portanto, afetados", completa. (Globo Rural)

Queijo ralado se torna um dos mercados mais disputados da cadeia láctea

O mercado brasileiro de queijo ralado movimenta cerca de 25 mil toneladas por ano e se consolidou como um dos segmentos mais competitivos da indústria de lácteos.

O mercado brasileiro de queijo ralado movimenta cerca de 25 mil toneladas por ano e se consolidou como um dos segmentos mais competitivos da indústria de lácteos. No entanto, por trás dos volumes expressivos e da forte presença nas gôndolas, o setor convive com desafios relacionados à rentabilidade, à percepção de valor pelo consumidor e à crescente busca por diferenciação.

Segundo Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, o queijo ralado se tornou um dos mercados mais disputados dentro da cadeia láctea brasileira, reunindo desde grandes marcas nacionais até empresas regionais que competem por espaço no varejo. "É um mercado extremamente disputado. Os volumes são significativos, praticamente todo mundo consome queijo ralado. Existem os líderes nacionais, mas também muitas marcas regionais atuando nesse segmento", afirma.

Apesar da demanda, o setor enfrenta uma situação considerada contraditória do ponto de vista econômico. Diferentemente do que muitos consumidores imaginam, o queijo ralado passa por um processo industrial que agrega custos e reduz o rendimento da matéria-prima. Ainda assim, frequentemente é comercializado por valores inferiores aos do queijo vendido em pedaços.

Sartor explica que existe uma percepção equivocada em relação ao produto. "O consumidor costuma acreditar que o queijo ralado deveria custar menos do que uma fração de queijo. Mas a realidade é justamente o contrário", diz. Segundo o executivo, para produzir o queijo ralado tradicional, o laticínio utiliza um queijo já pronto, que passa por um processo de desidratação para aumentar sua vida útil e permitir a comercialização em temperatura ambiente.

"O queijo ralado nada mais é do que um queijo que foi ralado e desidratado. Quando retiramos a umidade, ocorre uma perda de aproximadamente 15% da massa original. Ou seja, você pega 100 gramas de queijo e transforma em cerca de 85 gramas antes de embalar o produto", explica. Na prática, isso significa que há menos produto disponível para venda após o processamento, além dos custos industriais envolvidos na transformação e embalagem. Mesmo assim, a intensa concorrência entre as empresas acabou pressionando os preços para baixo ao longo dos anos.

"Houve uma competitividade muito grande dentro desse mercado e isso acabou puxando o preço do queijo ralado para níveis inferiores ao que seria esperado pelo processo produtivo", afirma Sartor. A disputa por participação de mercado também levou as empresas a buscarem novas estratégias para agregar valor ao produto. Nos últimos anos, alguns laticínios passaram a investir em versões premium, refrigeradas e sem desidratação, tentando reproduzir a experiência de consumir um queijo recém-ralado.

A própria RAR apostou nesse conceito ao lançar um queijo ralado fresco, que preserva características sensoriais mais próximas do produto consumido diretamente de uma peça de queijo. "As características são as mesmas de quando você pega uma fração de queijo e rala na hora sobre o prato. O produto mantém mais sabor, mais frescor e entrega uma experiência diferenciada ao consumidor", afirma.

O desafio, porém, está na mudança de hábito do consumidor. Como o produto precisa permanecer refrigerado, ele deixa de ocupar o espaço tradicional dos queijos ralados convencionais nas áreas secas dos supermercados. "O consumidor está acostumado a procurar queijo ralado na prateleira. Quando ele passa para a área refrigerada, existe uma mudança de comportamento que leva tempo para ser assimilada", explica.

A busca por diferenciação reflete uma tendência mais ampla observada na indústria de alimentos. Em vez de competir apenas por volume, parte das empresas passou a investir em qualidade, origem dos ingredientes e experiências de consumo mais sofisticadas.

No caso da RAR, a estratégia está alinhada ao posicionamento da empresa no mercado de lácteos premium. A companhia atua em categorias de maior valor agregado e aposta na fidelização do consumidor por meio da qualidade dos produtos. "Nós procuramos nos posicionar não pelo volume, mas pela qualidade. Temos um consumidor fiel que reconhece as características dos nossos produtos e busca essa diferenciação", afirma Sartor.

Mesmo com margens menores do que as obtidas na venda de queijos fracionados, o queijo ralado continua sendo considerado um produto estratégico pelas indústrias. Isso porque ele amplia a presença das marcas nos pontos de venda e fortalece o relacionamento com o consumidor. "Muitas vezes a margem é menor do que a obtida com o queijo vendido em pedaços, mas o queijo ralado tem uma função importante de fidelização. Ele mantém a marca presente no dia a dia do consumidor e cria uma conexão com outros produtos da linha", explica.

O segmento também se beneficia da ampla distribuição nacional. Como praticamente todos os grandes laticínios atuam nessa categoria, o queijo ralado se tornou um produto fundamental para aproveitar estruturas logísticas, canais comerciais e espaços já conquistados no varejo.

Ao mesmo tempo, o crescimento do consumo de produtos premium abre espaço para novas oportunidades. A indústria observa uma parcela crescente de consumidores disposta a pagar mais por qualidade, origem e diferenciação, movimento que também alcança o mercado de queijos ralados.

Para Sartor, a tendência é que o setor continue dividido entre produtos de grande volume e opções voltadas a consumidores que valorizam atributos específicos. "O mercado continuará tendo espaço para produtos de massa, mas também para aqueles consumidores que buscam qualidade, sabor e uma experiência diferenciada. É nesse segmento que nós acreditamos e continuamos investindo", apontou. (As informações são da CNN, adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

Exportações de lácteos do Uruguai cresceram 29% em maio com Brasil como principal destino
Após um início fraco no primeiro quadrimestre, as exportações de produtos lácteos do Uruguai ganharam dinamismo e totalizaram US$ 85 milhões em maio, o que representou um crescimento interanual de 29%, informou a Uruguay XXI. O setor manteve ampla presença geográfica, com vendas para a África, Américas, Oriente Médio e Europa. Em particular, a África respondeu por 43% do total exportado de produtos lácteos e registrou um aumento interanual de 26%, consolidando-se como uma região-chave para o setor. No nível dos países, o Brasil manteve-se como o principal destino, com US$ 31 milhões e uma participação de 36%, após crescer 50% em relação a maio de 2025. A Argélia ficou em segundo lugar, com US$ 28 milhões e uma participação de 33%, além de um crescimento interanual de 12%. Juntos, esses dois destinos representaram quase 70% das vendas externas do setor no mês. Também se destacaram Nigéria, Arábia Saudita e Mauritânia, com embarques de US$ 3 milhões cada um e participações de 4%, 4% e 3%, respectivamente. No acumulado de janeiro a maio, as exportações de lácteos totalizam US$ 346 milhões e crescem 1% em comparação com o mesmo período do ano passado. A Argélia ocupa a primeira posição no ranking (32%), com compras de US$ 110 milhões (-2%), seguida de perto pelo Brasil (30%), com US$ 104 milhões (estável). Completa o pódio o México (4%), com compras de US$ 14 milhões (+43%). Depois de ter atingido um piso de US$ 3.550 por tonelada em abril para o valor médio de exportação, em maio houve uma recuperação, alcançando um preço médio de US$ 3.710 por tonelada. O valor médio da tonelada de leite em pó integral, principal produto de exportação, ficou em US$ 3.720 por tonelada em maio. O Brasil pagou um valor de US$ 3.830 por tonelada, bastante acima do valor pago pela Argélia (US$ 3.590 por tonelada), embora tenha sido semelhante ao pago pela Nigéria e pela Mauritânia (US$ 3.850 e US$ 3.870 por tonelada, respectivamente). Como quinto mercado em maio também apareceu a Venezuela, com a compra de cerca de 550 toneladas a um valor médio de US$ 3.800 por tonelada, segundo dados da Aduana. As informações são do Tardáguila Agromercados, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.


Porto Alegre, 08 de junho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.646


Diesel sobe o triplo da inflação de um ano

Apesar do esforço da Petrobras e do governo federal para não repassar a alta nos preços dos combustíveis, o consumidor sentiu nas bombas os três meses do ataque ao Irã por Estados Unidos e Israel. O impacto maior foi no diesel. No Rio Grande do Sul, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) identificou, desde o início do confronto, alta de 11,3% no diesel comum (de R$ 6,09 a R$ 6,78) e de 12,7% no S10 (de R$ 6,15 a R$ 6,93). É quase o triplo da inflação do último ano inteiro.

A Petrobras até elevou o preço na refinaria, mas o governo federal compensou com redução de imposto e, agora, com subvenção. Porém, a estatal não consegue produzir todo o diesel que o país consome, então parte é comprada de refinarias privadas e outra maior é importada. Os preços no Exterior dispararam mais do que o desconto dado para compra do combustível de fora.

Já a gasolina subiu bem menos, 2,4%, embora seja, em três meses, a metade da inflação de um ano. O litro para o gaúcho subiu de R$ 6,24 para R$ 6,39, ainda bem longe do pico histórico de preço atingido em 2021. O Brasil importa menos gasolina, que é um combustível mais sensível para a inflação. A Petrobras aumentou há duas semanas, mas foi praticamente tudo compensado pela subvenção do governo federal. Os preços subiram pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, combustíveis prontos e gás natural. O barril saltou de US$ 70 a quase US$ 130, ainda que não tenha batido o recorde de quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Agora, gira em torno dos US$ 100 sem perspectiva de reabertura do canal no Oriente Médio. (Zero Hora)


Nova Zelândia: próxima temporada deve ter preço do leite e custos mais elevados, aponta Rabobank

Após um forte encerramento da temporada leiteira 2025/26 — marcado por altas no índice de preços do Global Dairy Trade (GDT) em oito dos últimos dez leilões — o Rabobank projeta um robusto preço inicial do leite entre NZ$ 0,79 e NZ$ 0,83 (US$ 0,46 e US$ 0,49) por quilo de leite para a temporada 2026/27. No entanto, o banco alerta que os impactos inflacionários causados pelas tensões geopolíticas provavelmente irão pressionar as margens dos produtores na nova temporada, tornando essencial um controle disciplinado de custos e o planejamento de diferentes cenários.

Em seu novo relatório sobre a indústria leiteira, “Altos preços do leite, custos mais altos: a equação das margens em 2026/27”, o banco especializado em agronegócio afirma que a temporada 2025/26, prestes a ser concluída, entregou rentabilidade excepcional, sustentada pelo forte desempenho do GDT e pela valorização generalizada dos produtos lácteos. “Durante a segunda metade da temporada, o índice GDT voltou a ganhar força, e esse movimento coordenado sustentou sucessivas revisões para cima na previsão do preço do leite da Fonterra, elevando o ponto médio para NZ$ 0,79 (US$ 0,46) por quilo de leite em fevereiro de 2026 e posteriormente para NZ$ 0,80 (US$ 0,47) por quilo de leite em março”, afirmou Emma Higgins, analista sênior da RaboResearch e autora do relatório.

“A atual previsão de preço ao produtor de NZ$ 0,80 (US$ 0,47) por quilo de leite para a temporada 2025/26 continua sendo altamente lucrativa para os produtores. E, para os fornecedores da Fonterra, os fortes retornos de capital e dividendos saudáveis oferecem uma base extraordinariamente sólida para entrar na próxima temporada. Para 2026/27, nossa expectativa é de um forte preço inicial ao produtor entre NZ$ 0,79 e NZ$ 0,83 (US$ 0,46 e US$ 0,49) por quilo de leite. Dada a contínua competição pela oferta de leite, a Fonterra pode novamente adotar uma postura agressiva em sua previsão inicial. Isso poderia elevar ainda mais o ponto médio da faixa para sustentar um valor de abertura mais forte, semelhante ao da temporada passada e mais alinhado aos sinais do mercado spot.”

Forte pressão sobre as margens

Embora a temporada leiteira 2026/27 também deva ser lucrativa, Higgins afirmou que os produtores da Nova Zelândia iniciarão a nova temporada em 1º de junho enfrentando uma pressão significativa sobre as margens, impulsionada pela inflação persistente e disseminada nos custos de produção. “O fechamento contínuo do Estreito de Ormuz — agora entrando em seu quarto mês — está criando condições semelhantes às de choques de estágio fracionários do passado. Os impactos iniciais, especialmente os preços mais altos da energia, já estão sendo repassados para importantes insumos da atividade leiteira, incluindo diesel, fertilizantes e bens industriais. Efeitos secundários também estão surgindo, com os custos elevados de energia alimentando expectativas inflacionárias mais amplas”, afirmou. A partir daqui, o cenário se torna significativamente mais incerto, exigindo planejamento baseado em diferentes cenários. A principal variável é a duração da interrupção: quanto mais tempo o fechamento persistir, mais lenta e desigual tende a ser a normalização dos mercados de energia e insumos.”

O relatório afirma que, embora o cenário-base da RaboResearch atualmente não considere um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, o risco de uma interrupção mais longa — além do que os mercados estão precificando — não pode ser ignorado. “As pressões inflacionárias e a piora da confiança do consumidor já estão testando a resiliência da demanda nos mercados lácteos, e esperamos que isso continue nos próximos meses. No entanto, também é possível que, em um cenário de interrupção prolongada, a demanda global por importação de alimentos aumente fortemente em busca de segurança alimentar, à medida que países importadores de energia tentem garantir suprimentos diante da deterioração dos termos de troca. Isso provavelmente sustentaria os preços dos lácteos, com o leite em pó podendo retornar aos picos do ciclo anterior e elevando os preços pagos ao produtor na Nova Zelândia no curto prazo. O ambiente operacional volátil em que os produtores se encontram agora reforça a necessidade de um planejamento de cenários mais amplo do que o habitual, tanto para custos quanto para receitas, além de cautela ao tratar picos de preços de commodities causados por choques geopolíticos como algo estrutural e não temporário.”

Desaceleração no crescimento da oferta global

O relatório afirma que a oferta global de leite continua abundante, embora o ritmo de crescimento esteja desacelerando. “Aqui na Nova Zelândia, a temporada de produção de leite 2025/26 está a caminho de ser a maior da história, com produção mais de 4% superior nos 11 meses até abril de 2026. A produção agora está bem posicionada para superar o recorde anual anterior, estabelecido na temporada 2020/21. A elevada oferta de leite da Nova Zelândia provavelmente continuará nos primeiros meses da temporada 2026/27; no entanto, o nível recorde esperado para 2025/26 será difícil de superar. Com base nos fundamentos atuais, a produção de leite da Nova Zelândia em 2026/27 pode crescer modestamente em até 1%. Mas, como sempre, as condições climáticas — especialmente o risco de desenvolvimento de um El Niño — terão papel importante no resultado final. Esta temporada pode sinalizar o início de uma nova fase estrutural para a produção leiteira da Nova Zelândia, caracterizada por um nível-base mais elevado de produção. Desde 2014, a produção vinha oscilando dentro de uma faixa relativamente estreita; porém, o desempenho da temporada 2025/26 sugere que o setor pode estar rompendo esse padrão", afirmou Higgins.

Em outras regiões, Higgins afirmou que já surgem sinais de uma desaceleração gradual da explosão de oferta de leite que caracterizou 2025. “Embora os primeiros dados indiquem forte crescimento anual da produção de leite na União Europeia durante o primeiro trimestre de 2026, essa expansão já demonstra sinais de moderação. Nos Estados Unidos, o crescimento também está desacelerando, mas provavelmente permanecerá relativamente elevado ao longo de 2026 em comparação com outros grandes exportadores. Enquanto isso, a Austrália mostra sinais de recuperação, com expectativa de melhorias modestas ao longo do ano. Nosso cenário-base continua sendo de pressão sobre as margens entre muitos dos sete maiores exportadores de lácteos do mundo (Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, União Europeia, Uruguai, Brasil e Argentina), o que pode limitar o crescimento da produção no final de 2026 e ajudar a sustentar os preços dos lácteos em níveis elevados.”

As informações são do Rabobank, adaptadas pela equipe MilkPoint.

MILHO/CEPEA: Movimento de queda prevalece no começo deste mês

Cepea, 8/06/2026 – Com compradores afastados do mercado spot, os valores do milho seguem em queda neste começo de junho na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.

Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, demandantes nacionais, além de possuírem estoques para o consumo no curto prazo, seguem atentos à colheita de segunda safra e às recentes quedas dos preços internacionais, que reduzem a paridade de exportação e, consequentemente, pressionam as cotações domésticas.

Do lado vendedor, os que não necessitam “fazer caixa” ou liberar espaços nos armazéns ainda limitam as negociações, apontam pesquisadores do Cepea. Neste caso, agentes aguardam sustentações nos valores, fundamentados na menor produção em 2025/26 e nos possíveis impactos na produtividade com a seca, principalmente em Goiás e em partes de Mato Grosso do Sul, além das geadas no Paraná.

No mercado externo, os preços registraram forte baixa no começo de junho, pressionados pela melhora das condições climáticas nas regiões produtoras dos Estados Unidos, pelo aumento da oferta na América do Sul, pela colheita da segunda temporada no Brasil e pela safra em bom volume na Argentina. Além disso, a queda nos preços do trigo também influenciou a desvalorização do milho.

Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


Jogo Rápido

Festival celebra a cadeia produtiva em Carlos Barbosa
O FestiQueijo chega à 34ª edição celebrando um marco histórico: 50 anos de comemorações na comunidade, desde a primeira Festa do Leite, passando pela Fefatle, até a consolidação do evento no formato atual. Para marcar esse momento, o festival, que ocorre de 26 de junho a 26 de julho, em Carlos Barbosa, apresenta uma proposta mais imersiva. O conceito da edição conduz o visitante por uma jornada pela cadeia produtiva do queijo, desde a produção familiar até o momento de celebração. O conceito destaca o tempo de cada processo e a preservação de saberes que atravessam gerações.Neste ano, a gastronomia estará no centro da experiência do público também na área externa. A Piazza FestiQueijo, na Rua Coberta, e o Mercato FestiQueijo, no Parque da Estaçãozinha, áreas de circulação gratuita, serão uma proposta unificada de experiências ao lado do Centro Cultural Mãe de Deus, local em que ocorre o evento."As estruturas foram projetadas para refletir o conceito do resgate das essências, tema que marca esta edição do FestiQueijo. Além de garantir conforto ao público, os espaços buscam proporcionar uma experiência que conecte os visitantes à história e ao legado construídos ao longo dos 50 anos do evento", afirma o arquiteto e diretor de Estruturas do 34º FestiQueijo, Guilherme Grutzmann.Serão cinco espaços gastronômicos com pratos típicos, em propostas mais elaboradas e complementares ao que é servido no salão principal, mantendo o queijo como protagonista da experiência. Além disso, o ambiente contará com mesas longas e compartilhadas, incentivando a interação entre os visitantes e reforçando o espírito comunitário que marca a história do festival. O diretor do 34º FestiQueijo, Francisco Guazzelli, ressalta que a proposta é festejar como a comunidade sempre fez ao longo desses 50 anos: em volta da mesa. (Correio do Povo)


Porto Alegre, 05 de junho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.645


Lácteos registram aumento nas importações e nas exportações em maio

O mês de maio foi marcado por avanço no volume total das importações e das exportações de lácteos. As importações somaram 220,3 milhões de litros em equivalente-leite, enquanto as exportações atingiram 5,8 milhões de litros em equivalente-leite.  Apesar do aumento nas exportações, o saldo da balança comercial de lácteos permaneceu negativo. Em maio, o déficit foi de 214,6 milhões de litros em equivalente-leite, resultado mais deficitário do que o observado em abril, acompanhando o crescimento do volume importado no período.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As importações registraram aumento de 3,5% em relação ao mês anterior e de 28,2% na comparação com maio do ano passado. O resultado reforça que os volumes importados seguem em patamares relevantes, sustentados pela competitividade dos produtos externos frente aos nacionais. O câmbio também segue como um fator importante nessa dinâmica, já que o dólar em patamares mais baixos contribui para tornar os produtos importados mais atrativos no mercado brasileiro. 

Gráfico 2. Importações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Os principais movimentos observados nas importações foram:

Iogurtes: apresentaram avanço expressivo, com aumento de 100% no volume importado, vindo principalmente do Mercosul; 

Queijos: registraram alta de 2% no volume importado. O movimento foi puxado principalmente por países da Europa, como França, Itália e Holanda, em um cenário favorecido pelo câmbio e pelas discussões em torno do acordo Mercosul-União Europeia; 

Soro de leite: apresentou retração de 6% no volume importado em relação ao mês anterior; 

Leite em pó integral (LPI): produto de grande relevância na cesta de importações, registrou aumento de 1% frente a abril;

Leite em pó desnatado (LPD): apresentou avanço de 12% nas importações, representando 14% do total importado de lácteos no mês.

Já em relação às exportações, maio apresentou aumento de 46% frente ao mês anterior, passando de 3,9 milhões de litros em equivalente-leite em abril para 5,8 milhões de litros em equivalente-leite. Apesar da recuperação mensal, o volume exportado ainda ficou 20% abaixo do registrado em maio do ano passado, quando as exportações somaram 7,2 milhões de litros em equivalente-leite. Esse movimento mostra uma melhora pontual nos embarques, mas ainda dentro de um cenário de baixa competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. 

Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Nas exportações de maio, foram observados os seguintes movimentos entre os principais produtos: 

Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou aumento de 37% no volume embarcado e representou 35% das exportações de lácteos;

Manteiga: registrou avanço de 72% nos embarques, representando 12% da cesta de exportações;

Leite condensado: apresentou crescimento de 74% em relação ao mês anterior, respondendo por 17% das exportações brasileiras de lácteos.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de maio de 2026 e abril de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em maio de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em abril de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

Em maio, as importações voltaram a avançar e permaneceram em patamares elevados, reforçando a competitividade dos produtos externos no mercado brasileiro. O movimento segue associado ao câmbio mais favorável, aos preços internacionais e à atratividade de alguns produtos importados frente aos nacionais.

No curto prazo, caso o dólar permaneça em níveis mais baixos e os preços internacionais sigam competitivos, as importações tendem a continuar em volumes relevantes. Esse cenário pode manter a entrada de derivados no país e limitar movimentos mais intensos de valorização no mercado interno, especialmente em produtos com maior participação na pauta importadora, como os leites em pó e os queijos.

Apesar da recuperação mensal das exportações, os embarques brasileiros ainda permanecem abaixo dos volumes observados no ano anterior, indicando que o país segue com menor competitividade no mercado internacional. Dessa forma, os próximos meses exigem atenção à evolução do câmbio, dos preços internacionais, do ritmo de importações e da resposta da produção doméstica. (Milkpoint)


As cidades gaúchas que lideram o consumo em 2026

Porto Alegre lidera o potencial de consumo para 2026 no Rio Grande do Sul, com uma estimativa de R$84,4 bilhões. Não surpreende, já que é a Capital. O ranking é do IPC Maps (ouça a análise no podcast acima). No país, a cidade fica em 8º lugar.    

Apenas R$95,7 mil é o consumo previsto para a área rural de Porto Alegre. O restante é consumo urbano. 

A habitação lidera, com mais de R$20 bilhões. Além de outras despesas, o veículo também terá um grande gasto, de R$ 10,6 bilhões, um pouco acima de alimentação.

Os gastos dos porto-alegrenses:

Habitação: R$ 20,124 bilhões 
Outras Despesas: R$ 17,224 bilhões 
Veículo Próprio: R$ 10,635 bilhões 
Alimentação no Domicílio: R$ 7,025 bilhões 
Alimentação fora do Domicílio: R$ 4,016 bilhões 
Materiais de Construção: R$ 3,203 bilhões 
Medicamentos: R$ 2,958 bilhões 
Plano Saúde / Trat. Médico Dentário: R$ 2,816 bilhões 
Higiene e Cuidados Pessoais: R$ 2,345 bilhões 
Vestuário Confeccionado: R$ 2,071 bilhões 
Educação: R$ 2,018 bilhões 
Recreação e Cultura: R$ 1,843 bilhão 
Mobiliários e Artigos do Lar: R$ 1,402 bilhão 
Eletroeletrônicos: R$ 1,268 bilhão 
Bebidas: R$ 1,130 bilhão 
Viagens: R$ 1,096 bilhão 
Transportes Urbanos: R$ 1,026 bilhão 
Calçados: R$ 826 milhões 
Fumo: R$ 482 milhões 
Artigos de Limpeza: R$ 430 milhões 
Livros e Material Escolar: R$ 330 milhões 
Joias, Bijuterias e Armarinhos: R$ 132 milhões

As informações são da Zero Hora

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1922 de 03 de junho de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

A suplementação alimentar com silagem, feno, pré-secado e concentrados tem sido intensificada em diversas regiões para garantir a manutenção da condição corporal dos rebanhos e dos níveis de produção. Porém, essa estratégia aumenta os custos da atividade.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em São Gabriel, as geadas de forte intensidade, registradas ao longo do mês de maio, aumentaram os desafios para a atividade leiteira. Parte dos produtores, especialmente aqueles com menor nível tecnológico, optou por secar todas as vacas, prevendo o retorno da entrega de leite somente a partir da primavera. Os produtores que mantêm a produção durante o outono e o inverno enfrentam elevação dos custos com a alimentação, principalmente ração e silagem, para manter o estado corporal das matrizes e os níveis de produção satisfatórios.

Nas de Caxias do Sul, Erechim e Porto Alegre, foram utilizadas forragens conservadas e suplementação alimentar para compensar a menor disponibilidade de pastagens. Os rebanhos apresentam boa condição corporal, mas alguns produtores têm intensificado o fornecimento de silagem e de outros alimentos volumosos.

Na de Ijuí, as temperaturas baixas, a elevada umidade e as chuvas no início do período favoreceram o bem-estar animal, especialmente das raças de origem europeia, mas dificultam o manejo dos rebanhos. Em alguns municípios, os volumes acumulados alcançaram 40 mm, aumentando a formação de barro nas instalações e corredores. Foi observada melhora na qualidade do leite, com redução dos índices de CCS em relação aos meses anteriores.

Na de Pelotas, continua intenso o uso de silagem e de ração concentrada em Canguçu, Cerrito, Chuí, Morro Redondo, Pedras Altas, Pedro Osório e Rio Grande. Contudo, as limitações nutricionais, observadas em Morro Redondo, vêm impactando negativamente a qualidade do leite; em Capão do Leão e Jaguarão, foi registrada redução na produtividade. Em relação à sanidade, em Pelotas, há preocupação com a persistência de carrapatos nos rebanhos, sendo recomendada atenção aos sinais iniciais de tristeza parasitária bovina para evitar perdas de animais produtivos e jovens. 

Em Turuçu, as ações técnicas estão voltadas ao monitoramento da vacinação contra a raiva, ao uso de homeopatia para o controle de mamite e à implantação de programas de gestão das propriedades.

Na de Santa Maria, o vazio forrageiro outonal tem provocado redução da produção e do escore corporal dos animais, além de aumento dos custos com suplementação. De modo geral, as condições nutricionais dos rebanhos estão abaixo do ideal.

Na de Santa Rosa, houve leve melhora na atividade, favorecida pelas condições meteorológicas mais amenas, que diminuíram o estresse térmico. A produção tem sido mantida com o uso de silagem, feno, pré-secado e concentrados, aliada ao acesso gradual às pastagens cultivadas. Os rebanhos, de modo geral, apresentam escore corporal adequado. (Emater/RS)


Jogo Rápido

Frente fria deve trazer chuva ao Estado na próxima semana
Na próxima semana, a passagem de uma frente fria deverá trazer de volta as chuvas para o território do Rio Grande do Sul. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico nº 23/2026, elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).  Até Sábado (6/6): o tempo ainda deverá se manter estável em praticamente todo o Rio Grande do Sul. Por conseguinte, não há previsão de chuva significativa na maioria das regiões, e as temperaturas estarão em ascensão. Entre Domingo (7/6) e Terça-feira (9/6): o deslocamento de um sistema de baixa pressão, que posteriormente evoluirá para uma frente fria, irá trazer instabilidade para todo o estado. Dessa forma, há previsão de chuva em praticamente todas as regiões do Rio Grande do Sul. Quarta-feira (10/6): o sistema deverá se afastar gradualmente, diminuindo sua influência sobre o estado. Dessa forma, não há previsão de chuva significativa, e as temperaturas estarão em leve declínio. Os acumulados de precipitação deverão variar entre 0 mm e 50 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados da metade sul que podem passar desse valor. O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (Seapi)


Porto Alegre, 03 de junho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.644


EMBRAPA: Anuário do Leite 2026 - seleção de embriões baseada na genética.

Foi lançado em 01º/06/2026 o Anuário do Leite 2026 durante a MegaLeite em Belo Horizonte. O documento é uma das principais referências para o setor leiteiro e traz, neste ano, foco nos 50 anos de história da Embrapa Gado de Leite. A obra reúne análises mercadológicas, dados estatísticos e as mais recentes inovações tecnológicas voltadas para o aumento da eficiência, produtividade e sustentabilidade na pecuária leiteira.

A linha do tempo da Embrapa Gado de Leite é marcada por ações constantes e comprometidas com a evolução da pesquisa e da tecnologia no país. 

Não é por acaso que seu surgimento, em 1976, é por vezes apontado como marco inicial de uma nova história do setor leiteiro, cuja atuação integrada passou a reunir ações de experimentos compartilhados com institutos, universidades, empresas, associações de criadores, indústrias de laticínios e com os próprios produtores, numa corrente que está completando 50 anos. 

E nessas cinco décadas multiplicam-se indicadores técnicos e econômicos cada vez mais positivos e apurados. Por exemplo: a produção brasileira de leite aumentou 455% e a produtividade 400% no período. Se no início de tal comparação, o Brasil tinha 12 milhões de vacas ordenhadas produzindo 8 milhões de toneladas de leite/ano, hoje, com um rebanho próximo de 15 milhões de vacas, a produção bate próximo a 38 milhões de toneladas de leite. 

São números que provam acertos e o bom aproveitamento das pesquisas por parte de técnicos e produtores. Esta edição especial do Anuário Leite 2026 quer registrar tal feito e editar uma síntese dessa transformação, destacando alguns detalhes que geraram sistemas intensivos de produção e maior profissionalização nas fazendas produtoras.

Acesse na íntegra clicando aqui.

As informações são da Embrapa Gado de Leite


GDT 405º amplia volume negociado e pressiona preços dos leites em pó

O 405º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou preço médio dos produtos negociados de USD 4.021/tonelada, indicando um recuo de 0,6% no GDT Price Index. A pequena oscilação do índice indica manutenção dos preços em patamares próximos aos observados anteriormente. Ainda assim, as quedas registradas nos leites em pó e na muçarela trouxeram uma leitura mais cautelosa para o mercado internacional.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos produtos em pó, os preços voltaram a recuar após os sinais de recuperação observados nos últimos eventos. O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado na plataforma, registrou queda de 2,2%, sendo negociado a USD 3.706/tonelada. Já o leite em pó desnatado (LPD) caiu 3,0%, encerrando o evento a USD 3.457/tonelada. Os resultados indicam menor sustentação para os principais derivados comercializados globalmente. 

Gráfico 2. Preço médio LPI

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos demais derivados, os movimentos variaram entre altas e baixas. Entre os queijos, a muçarela apresentou uma das maiores quedas do evento, recuando 4,6% e sendo negociada a USD 3.942/tonelada. Já o cheddar registrou valorização de 1,8%, alcançando USD 4.621/tonelada. 

As gorduras apresentaram avanços, com a manteiga sendo negociada a USD 5.734/tonelada, apresentando valorização de 1,2% em relação à edição anterior. A gordura anidra do leite por sua vez, apresentou avanço de 5,3% no preço médio negociado, chegando à USD 6.668/tonelada.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 02/06/2026 

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado apresenta crescimento

O volume negociado totalizou 14.364 toneladas, avanço de 10,7% frente à edição anterior. Apesar da recuperação, o resultado permanece 11,9% abaixo do registrado na mesma edição de 2025. O evento contou com 147 participantes, número ligeiramente inferior aos 154 compradores observados no leilão anterior.

O aumento do volume negociado, aliado ao menor número de participantes, resulta em uma maior disponibilidade de produto no evento. Esse cenário contribuiu para pressionar os preços dos principais derivados, especialmente dos leites em pó, que apresentaram recuo nesta edição.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, após os movimentos de recuperação observados anteriormente, os contratos futuros de leite em pó integral voltaram a registrar recuo em todos os vencimentos acompanhados. A correção acompanha o resultado do GDT 405 e reflete uma expectativa menos otimista para a evolução dos preços internacionais.

Além da queda generalizada, os vencimentos mais longos apresentaram maior pressão, indicando que o mercado passou a trabalhar com um cenário de menor sustentação para os preços do leite em pó nos próximos meses.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

Para o mercado brasileiro, o GDT 405° sinaliza um cenário mais cauteloso após a recuperação observada nos preços internacionais dos leites em pó nas últimas edições. As quedas registradas nos principais produtos negociados indicam uma interrupção do movimento de valorização observado recentemente no mercado internacional. 

Caso os recuos observados nos preços internacionais sejam mantidos nas próximas edições, o movimento pode favorecer a competitividade dos produtos importados frente aos nacionais. O comportamento do câmbio continuará sendo determinante para a intensidade desse efeito, influenciando diretamente os custos de internalização dos derivados lácteos.

No mercado doméstico, os derivados seguem em um ambiente de negociações mais cautelosas, após os ajustes observados nas últimas semanas. Dessa forma, a evolução dos preços internos continuará relacionada ao comportamento do mercado internacional, à dinâmica cambial e ao ritmo da demanda no mercado brasileiro. (Milkpoint)

Já estão disponíveis materiais do diálogo setorial sobre rotulagem de aromatizantes e corantes

Evento reuniu 700 participantes e tratou do tema 3.5 da Agenda Regulatória 2026-2027

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da Gerência-Geral de Alimentos (GGALI), disponibilizou a gravação, a apresentação e a memória do diálogo setorial virtual sobre rotulagem de aromatizantes e corantes em alimentos embalados, realizado no dia 28 de maio. O evento contou com a participação de 700 representantes de diferentes setores da sociedade.

O encontro teve como objetivos contextualizar o tema 3.5 da Agenda Regulatória 2026-2027, apresentar as etapas da Análise de Impacto Regulatório (AIR) realizadas pela GGALI, divulgar o planejamento das próximas etapas e esclarecer dúvidas, além de coletar subsídios e percepções dos agentes interessados e afetados.

Durante a apresentação, a Anvisa explicou que, em razão da complexidade, o tema teve seu tratamento dividido em duas frentes: rotulagem de aromatizantes e corantes em alimentos embalados; e requisitos sanitários aplicáveis a corantes formulados. Também foram apresentados o cenário regulatório nacional, evidências sobre o uso de aromatizantes e corantes no Brasil, demandas recebidas pela Anvisa, referências regulatórias internacionais e a proposta preliminar de problema regulatório.

Como principal encaminhamento, foi informado que a GGALI realizará oficinas para aprofundar a discussão sobre o problema regulatório e as alternativas de intervenção. Estão previstas oficinas com representantes do setor produtivo, da sociedade civil, da academia e de órgãos de governo. As oficinas com o setor produtivo ocorrerão nos dias 29 de junho, pela manhã, e 1º de julho, à tarde. Já as oficinas com representantes da sociedade civil, academia e órgãos de governo serão realizadas nos dias 30 de junho, pela manhã, e 2 de julho, pela manhã

Para consulta e acompanhamento do tema, estão disponíveis os seguintes materiais:

· Gravação do evento

· Apresentação realizada 

· Memória do diálogo setorial

Acesse aqui. (Anvisa)


Jogo Rápido

Lactalis aposta na indulgência e lança bebida láctea Chandelle
A Lactalis apresentou durante a APAS Show uma novidade que amplia a presença da marca Chandelle nas gôndolas: uma bebida láctea inspirada nos atributos que consagraram a marca, como cremosidade, sabor e indulgência. O lançamento marca a entrada de Chandelle em uma categoria tradicionalmente associada a produtos mais fluidos, com a proposta de oferecer uma experiência diferenciada ao consumidor. A novidade chega após a expansão da marca para a mercearia com os sabores de doce de leite lançados recentemente. Segundo a empresa, a receptividade de clientes e parceiros durante a feira foi positiva, reforçando a expectativa de ampliar as ocasiões de consumo da marca e conquistar novos espaços no mercado de lácteos. (Milkpoint)


Porto Alegre, 02 de junho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.643


Cooperativa Santa Clara recebe certificação global de segurança de alimentos

A Cooperativa Santa Clara, do Rio Grande do Sul, conquistou a certificação FSSC 22000, referente ao sistema de segurança de alimentos, nas suas três plantas industriais de laticínios. No mundo, cerca de 25 mil empresas possuem essa certificação. No setor lácteos, o número é ainda mais restrito: aproximadamente 50 indústrias. 

A primeira unidade certificada foi a de Casca (RS), no mês de novembro. Com 22 mil metros quadrados de área construída, a planta é responsável pela industrialização de cerca de 16 milhões de litros de leite por mês, destinados a leite UHT, creme de leite e bebidas lácteas.
Na sequência, a certificação foi obtida pela unidade de Carlos Barbosa (RS). A auditoria ocorreu entre os dias 8 e 12 de dezembro. A planta concentra a produção de queijos nobres, queijos frescais, queijos processados, nata e bebida láctea fermentada.

Já a unidade de Getúlio Vargas (RS) é responsável pelos queijos coalhos, filados, processados, nata e molhos lácteos, com industrialização aproximada de 4 milhões de litros de leite por mês. A auditoria da FSSC 22000 foi concluída em maio deste ano, consolidando a certificação das três plantas industriais da Santa Clara.

Segundo a cooperativa, a conquista atesta a segurança em todo o processo produtivo dos alimentos, gera ainda mais confiança aos consumidores e amplia a competitividade da marca no mercado.

“A certificação FSSC 22000 reafirma o compromisso da Cooperativa Santa Clara com a excelência, garantindo alimentos produzidos com segurança, qualidade e padrão internacional em toda a cadeia produtiva. Além de reforçar o posicionamento da Santa Clara no mercado, destacando seus processos alinhados aos mais rigorosos padrões internacionais de segurança de alimentos”, afirma o diretor administrativo e financeiro, Alexandre Guerra. (As informações são do Globo Rural)


GDT - 02/06/2026

(Fonte: GDT)

LEITE/CEPEA: Leite ao produtor registra quarta alta consecutiva em abril

Pelo quarto mês consecutivo, o preço do leite pago ao produtor subiu em abril/26. De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta foi de 10,4% frente a março, levando a “Média Brasil” a R$ 2,6584/litro. O preço, contudo, ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de abril/26).
 
O movimento de avanço seguiu sendo explicado pela redução da produção, devido à sazonalidade, e pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) registrou queda de 3,4% de março para abril na Média Brasil, e, no acumulado do ano, a queda é de 14,6%. Além da sazonalidade, os menores investimentos dentro da porteira têm prejudicado a oferta do leite cru. Segundo a pesquisa do Cepea, em abril/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 1,1% na “Média Brasil” – acumulando aumento de 3,24% neste ano. A elevação esteve atrelada ao aumento das despesas com nutrição, sanidade e operações mecanizadas.
 
Com a continuidade da menor oferta de leite no campo e os estoques mais ajustados, os derivados lácteos seguiram em valorização no atacado paulista em abril. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em abril, o preço do leite UHT subiu 20,17%, o da muçarela, 12,65%, e o do leite em pó fracionado, 1,52%, frente a março. Na primeira quinzena de maio, porém, o movimento demonstrou perder força e as negociações passaram a refletir uma demanda mais enfraquecida e um mercado mais cauteloso e sujeito às oscilações pontuais nas cotações.
 
No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos recuaram em 10% em abril, chegando a 218,38 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL). Ainda assim, as compras externas estão 34,1% maiores em relação às do mesmo período do ano passado.
 
A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização no curto prazo, mas existem indicativos de perda de intensidade do movimento altista a partir de maio. Ainda que, sazonalmente, maio seja caracterizado pela subida dos preços do leite cru em virtude de restrição de oferta, a pressão vinda da ponta final da cadeia deve afetar esse comportamento típico das cotações. (Fonte: Cepea-Esalq/USP)


Jogo Rápido

Declaração de Conformidade pode ser emitida diretamente no Produtor Online
Documento que comprova o cumprimento de obrigações sanitárias dos criadores de animais, a Declaração de Conformidade agora pode ser emitida diretamente no Produtor Online. Anteriormente, o produtor que precisasse do documento tinha que se deslocar a uma inspetoria ou escritório de defesa agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A declaração é usada pelos produtores como um atestado de cumprimento de obrigações sanitárias. Eles levam para empresas que solicitam, principalmente na indústria de leite. Bancos também cobram essa declaração para a liberação de crédito rural”, explica o chefe da Divisão de Controle e Informações Sanitárias (DCIS/DDA/Seapi), Richard Alves. Para emitir a Declaração de Conformidade, o produtor só precisa acessar o Produtor Online com seu login e senha e escolher a funcionalidade. “O sistema emite na hora, se estiver sanitariamente tudo certo com o rebanho”, conta Richard. A emissão da Declaração de Conformidade pode ser barrada no Produtor Online, se a propriedade for foco de doença em processo de saneamento. “Nesses casos, a orientação é que o produtor vá para a inspetoria, que poderá fazer a emissão do documento, caso a vacinação ainda estiver no prazo”, complementa o chefe da DCIS. (Fonte: Seapi)


Porto Alegre, 1º de junho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.642


Sindilat destaca desafios e oportunidades no Dia Mundial do Leite

Para marcar o Dia Mundial do Leite, celebrado nesta segunda-feira (1º/6), o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) se uniu às mais de 600 pessoas, entre produtores, estudantes, técnicos e autoridades, na cidade de Três de Maio (RS). Em um dos principais polos da bacia leiteira do Noroeste gaúcho, o presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, destacou a importância do leite no desenvolvimento do estado.  “O leite é central na economia de centenas de municípios gaúchos. Precisamos construir um ambiente que permita ao setor ter competitividade para as indústrias, rentabilidade ao produtor, eficiência e perspectiva de futuro. O diálogo entre todos os elos da cadeia é fundamental para que o Rio Grande do Sul siga como referência nacional na produção leiteira”, destacou no painel “Visão do Sindilat/RS sobre o futuro do setor leiteiro do RS”.  

Entre as atividades realizadas no Parque de Exposições Germano Dockhorn, o painel Perspectiva do Setor Leiteiro – Leite do Futuro foi mediado pelo secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini. “Precisamos de políticas públicas fortes para proteger o mercado nacional, principalmente na questão da elevação da entrada dos importados, eliminar gargalos produtivos e fortalecer programas como o Programa Mais Leite Saudável, que contribuem para a qualidade, a assistência técnica e a competitividade do setor”, defendeu no painel que contou com a participação do engenheiro agrônomo e diretor da Transpondo – Desafios da Cadeia do Leite, Wagner Beskow, falando sobre gestão, tecnologia e eficiência produtiva. A programação incluiu ainda recepção temática com produtos lácteos, lançamento do concurso Produtor de Leite Destaque Amufron, apresentação da Expo Terneira 2026 e almoço de confraternização. (Assessoria de Imprensa Sindilat/Crédito: Jonatan Brivio)


Andres Padilla: demanda estagnada e pressão no consumo devem acelerar consolidação no leite

Em um cenário global marcado por transformações profundas na produção, no consumo e na dinâmica do comércio internacional de lácteos, eficiência, escala e capacidade de adaptação serão determinantes para a sobrevivência da atividade nos próximos anos. O alerta foi feito por Andres Padilla, do Rabobank, durante palestra no Milk Pro Summit, ao analisar os movimentos que vêm redesenhando o mapa global do leite.

Ao longo da apresentação, Padilla mostrou como as principais regiões produtoras do mundo vivem realidades distintas, mas convergem para um mesmo ponto: a necessidade crescente de eficiência operacional, gestão de risco e ganho de produtividade em um ambiente de margens mais apertadas e consumidores pressionados economicamente.

Um dos destaques da análise foi a China. Entre 2018 e 2023, o país promoveu uma transformação acelerada em sua cadeia leiteira, impulsionada principalmente pelo avanço das megafazendas. Segundo Padilla, a velocidade com que os chineses conseguem estruturar grandes projetos produtivos impressiona o mercado global. “Hoje, cerca de 50% das fazendas da China já ordenham mais de 5 mil vacas”, destacou. Apesar do crescimento expressivo nos últimos anos, a avaliação é de que o país esteja próximo de atingir seu limite de expansão produtiva. “Eles conseguiram fazer essa mudança muito rapidamente, mas será difícil continuarem crescendo no mesmo ritmo. Provavelmente já atingiram o teto”, avaliou.

Na Europa, o cenário caminha na direção oposta. Depois de um período de expansão impulsionado pelo fim das cotas de produção, a União Europeia deve enfrentar redução na oferta de leite nos próximos anos. O avanço das regulamentações ambientais, políticas de bem-estar animal, regras relacionadas ao uso da água, envelhecimento da população e aumento dos custos de produção vêm pressionando o modelo europeu.

A expectativa apresentada por Padilla é de uma queda de cerca de 5% na produção, mesmo com um rebanho aproximadamente 18% menor. Além disso, o excedente exportável europeu pode recuar até 40%, alterando significativamente a dinâmica do mercado internacional.

Diante desse contexto, os europeus buscam alternativas para preservar competitividade, incentivando a entrada de novos produtores, ampliando a produção de itens de maior valor agregado, diversificando mercados e fortalecendo as sinergias dentro da cadeia.

Já os Estados Unidos seguem em trajetória consistente de crescimento e consolidam presença cada vez maior no mercado internacional de lácteos. O avanço da produtividade por vaca e a integração entre as cadeias de carne e leite — especialmente com o modelo “beef on dairy” — aparecem como motores deste movimento.

Padilla destacou que a produtividade média das vacas norte-americanas saltou de aproximadamente 8 mil kg para 12 mil kg desde os anos 2000, um avanço de cerca de 40%. Paralelamente, a alta dos preços da carne bovina elevou significativamente a rentabilidade das fazendas leiteiras por meio da venda de animais oriundos do cruzamento entre gado leiteiro e de corte. “Boa parte da margem dos produtores norte-americanos está vindo do beef on dairy”, explicou.

Outro diferencial dos Estados Unidos está na gestão de risco. Segundo Padilla, os produtores americanos utilizam amplamente ferramentas de hedge e mercado futuro para proteção de preços. “O produtor nos EUA continua crescendo independentemente do cenário”, afirmou.

Enquanto isso, a América do Sul enfrenta um ambiente de maior volatilidade, marcado por oscilações frequentes na produção, influenciadas principalmente pelo clima, pelas questões macroeconômicas e pela instabilidade financeira.

No caso brasileiro, Padilla questionou uma percepção recorrente do setor: a ideia de que as margens no leite são necessariamente inferiores às observadas em outros países. “Em cinco dos últimos sete anos, o indicador RMCA (receita menos custo com alimentação) foi maior no Brasil do que nos Estados Unidos”, ressaltou.

Segundo ele, os resultados mostram que existe rentabilidade no sistema brasileiro, especialmente entre os produtores mais eficientes e de maior escala. A tendência, portanto, é de continuidade do processo de consolidação da atividade. “O ROIC aumenta significativamente entre os produtores maiores. Os grandes produtores devem continuar crescendo”, afirmou.

Entre os fatores que impulsionam essa consolidação estão os desafios relacionados à mão de obra, ao custo do capital e à necessidade de adaptação à volatilidade climática. Além das grandes potências tradicionais, Padilla também chamou atenção para o avanço de novos polos de produção leiteira, especialmente no Oriente Médio. Países da região vêm investindo pesadamente em megafazendas com foco em autonomia alimentar e redução da dependência de importações.

Ao abordar o consumo global, o executivo apontou que a demanda por lácteos atravessa um período de estagnação, pressionada principalmente pelo aumento do custo de vida. “A vida ficou mais cara para o consumidor comum”, afirmou.

Segundo ele, alimentos frescos passaram a ter tickets mais elevados quando comparados aos produtos industrializados, o que impacta diretamente o consumo em diversos mercados. Além disso, mudanças demográficas vêm alterando estruturalmente o perfil da demanda mundial.

O aumento do custo para formar famílias, a queda das taxas de fertilidade e o envelhecimento populacional em diversos países já geram reflexos importantes no setor lácteo. Padilla citou como exemplo o mercado de fórmula infantil, tradicionalmente relevante para a indústria de lácteos, mas que vem sofrendo impactos diretos dessas mudanças. Ao mesmo tempo, destacou o crescimento acelerado do mercado pet como um reflexo das novas dinâmicas sociais e de consumo.

Nos Estados Unidos, segundo ele, o consumidor global vive sob forte pressão inflacionária enquanto o valor dos ativos segue em alta, criando um ambiente de menor otimismo em relação ao futuro. “O consumidor está com dificuldade no dia a dia e menos otimista”, resumiu.

Ao final da palestra, Padilla reforçou que a produção global tende a acelerar sempre que houver rentabilidade positiva no campo, como ocorre historicamente com as commodities agrícolas. No entanto, alertou que a combinação entre demanda estagnada, mudanças de consumo e margens mais apertadas deve tornar o ambiente ainda mais competitivo. “A margem para erro será menor nos próximos anos”, afirmou.

Segundo ele, a rentabilidade tende a permanecer concentrada entre produtores e indústrias mais eficientes, enquanto diferentes distorções regionais continuarão influenciando a curva global de oferta — seja pelo avanço do “beef on dairy” nos Estados Unidos, pelos subsídios europeus, pelos prêmios pagos por volume no Brasil ou pelos investimentos públicos e privados em megafazendas na China, Argélia e Indonésia.

Na avaliação de Padilla, produtores sem crescimento consistente e sem margens positivas terão cada vez mais dificuldade de permanecer na atividade no longo prazo, ficando permanentemente expostos à volatilidade do mercado. (Milkpoint)

Produção de leite no Uruguai bate recorde e remessa aos laticínios cresce pelo 9º mês consecutivo

A produção de leite no Uruguai segue em forte crescimento. Em abril de 2026, os tambos uruguaios aumentaram em 9,7% o volume de leite remetido às indústrias em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (Inale).

O avanço confirma uma tendência consistente de recuperação do setor leiteiro uruguaio. Abril marcou o nono mês consecutivo de crescimento da remessa de leite às indústrias, em uma sequência positiva iniciada em agosto de 2025.

De acordo com o Inale, em abril de 2026 o ingresso de leite nas plantas industriais — considerando leite de produtores e leite próprio das indústrias — totalizou 164,7 milhões de litros, o maior volume já registrado para um mês de abril na história do país. O recorde anterior havia sido registrado em 2023, com 152,4 milhões de litros. No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, a produção uruguaia somou 634 milhões de litros, crescimento de 8,8% frente ao mesmo período de 2025. Já no acumulado dos últimos 12 meses móveis, entre maio de 2025 e abril de 2026, a remessa total atingiu 2,263 bilhões de litros, alta de 10,2% em relação ao período anterior.

Cresce também o envio de sólidos
Quando a medição é feita em sólidos lácteos — considerando gordura e proteína — o desempenho também foi positivo. Em abril de 2026, os tambos uruguaios enviaram 13,3 milhões de quilos de sólidos, aumento de 9,1% sobre abril de 2025.

No acumulado de janeiro a abril, o volume chegou a 50 milhões de quilos de sólidos, avanço de 10,1% na comparação anual. Já no último ano móvel, o total atingiu 176 milhões de quilos de sólidos, crescimento de 11,5% frente aos 12 meses anteriores.

Segundo a série histórica do Inale, o maior registro mensal da história ocorreu em outubro de 2025, quando a remessa alcançou 222 milhões de litros. O menor volume da série foi registrado em maio de 2003, com 68,7 milhões de litros.

Qualidade do leite
O teor de gordura do leite uruguaio também apresentou leve melhora. Em abril de 2026, o conteúdo de gordura atingiu 4,20%, acima dos 4,16% registrados no mesmo mês de 2025. Na média de todo o ano de 2025, o teor de gordura ficou em 3,96%, cerca de 1% superior ao observado em 2024.

Já o teor de proteína foi de 3,63% em abril de 2026, ligeiramente abaixo dos 3,70% registrados em abril do ano passado. Ainda assim, a média de 2025 fechou em 3,58%, também cerca de 1% acima do ano anterior.

Melhor ano da história
O relatório do Inale mostra ainda que 2025 foi o melhor ano da história recente da produção leiteira uruguaia. No ano passado, o país remeteu 2,212 bilhões de litros às indústrias, crescimento de 8,4% sobre 2024 e o maior volume anual já registrado neste século.

Antes disso, a produção havia somado:

2,040 bilhões de litros em 2024;
2,114 bilhões em 2023;
2,089 bilhões em 2022;
2,118 bilhões em 2021;
2,078 bilhões em 2020;
1,970 bilhão em 2019;
2,063 bilhões em 2018;
1,924 bilhão em 2017;
1,775 bilhão em 2016.

O menor volume anual da série foi registrado em 2002, com 1,109 bilhão de litros. (As informações são do El Observador, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

PIB cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026
No primeiro trimestre de 2026, o PIB cresceu 1,1% frente ao quarto trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. Pela ótica da produção, destaca-se o crescimento da Agropecuária (2,0%). Também houve alta na Indústria (1,0%) e nos Serviços (0,5%). Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 3,3 trilhões, sendo R$ 2,8 trilhões referentes ao Valor Adicionado (VA) No mesmo período, a taxa de investimento foi 16,5% do PIB, permanecendo abaixo da observada no mesmo período do ano anterior (17,6%). Já a taxa de poupança ficou em 15,5% no trimestre (ante 15,8% no mesmo período de 2025). Em relação ao 1º trimestre de 2025, o PIB avançou 1,8%, com crescimento na Agropecuária (0,7%), na Indústria (1,6%) e nos Serviços (2,1%). (Terra Viva)


Porto Alegre, 29 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.641


CNA lamenta suspensão dos efeitos do antidumping do leite

Decisão da Camex reconhece a prática desleal, mas suspende a aplicação das tarifas

Brasília (29/05/2026) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lamentou a decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) de não aplicar imediatamente medidas contra o comércio desleal na importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai.

O governo reconheceu a prática de dumping, mas decidiu suspender a aplicação das tarifas, mesmo com a recomendação técnica. Com isso, o setor produtivo permanece exposto às comprovadas práticas desleais de comércio, demonstradas pela CNA ao longo da investigação.

A suspensão foi decidida em função de preocupações do governo com eventuais reflexos negativos na economia.

Os produtores brasileiros de leite têm enfrentado concorrência com preços artificialmente baixos nos últimos anos, e as importações bateram novo recorde em 2026. A Argentina e Uruguai foram responsáveis por 90% dos 604 milhões de litros de leite equivalentes, a preços carregados de distorções de até 60%.

O mecanismo adotado para suspender as tarifas foi a abertura de avaliação de interesse público para que o governo estude os impactos na economia e nas relações diplomáticas com Mercosul.

A CNA, no entanto, destaca que a correção de práticas desleais não trará efeitos negativos na economia, uma vez que o peso do leite em pó ao consumidor final está excluído da investigação. Além disso, essa categoria representa peso diminuto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de apenas 0,2% na média dos últimos cinco anos.

“Os principais lácteos consumidos pelos brasileiros, com destaque para o leite longa vida, queijos, e outros produtos derivados não serão afetados”, explicou o assessor técnico da CNA Guilherme Souza Dias.

Com o resultado da reunião do Gecex/Camex, na quinta (28), a CNA continuará trabalhando para reverter o cenário e garantir a efetiva defesa comercial da produção nacional de leite diante das já comprovadas práticas desleais de comércio.

“A luta ainda não acabou, seguiremos dialogando com o governo para conquistar a legítima defesa comercial para nossos produtores leite”, comentou o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite, Jônadan Ma.

Relembre o caso e as ações da CNA

Agosto 2024 – CNA protocola petição no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando investigação de dumping na importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai

Dezembro 2024 – O governo acata o pedido da CNA com base nos indícios encontrados pela Confederação. Argentina e Uruguai estariam vendendo o leite em pó mais barato aqui no Brasil do que em seus próprios países, caracterizando o dumping.

Agosto 2025 – MDIC altera o entendimento vigente há mais de 25 anos, alegando que o leite fluido dos produtores não é similar ao leite em pó.

– A CNA reage, apresentando novas provas que comprovam que o leite fluido dos produtores tem sido substituído por leite em pó a preços de dumping, além de incluir um parecer internacional que atestou de forma clara que “do ponto de vista da defesa comercial e de políticas públicas” o novo entendimento do Decom “não faz sentido”.

Junto à FPA, FPPL e entidades, se reúne com o MDIC para contestar a decisão, pois o novo entendimento excluiria os produtores de leite do acesso à defesa comercial.

Outubro 2025 – O presidente da CNA, João Martins, grava um vídeo reforçando o pedido ao ministro Geraldo Alckmin. “Agora é hora de agir com responsabilidade e sensibilidade”, disse.

Dezembro 2025 – Em importante vitória para o setor, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, anuncia que o recurso da CNA foi aceito e a investigação foi retomada

Abril 2026 – O Departamento de Defesa Comercial (Decom) do MDIC publica Nota Técnica com Fatos Essenciais, que encontrou margens de dumping que chegaram a 60% para Argentina e 50% para o Uruguai.

Maio 2026 – Na 237ª reunião do Gecex foi reconhecido o dumping e aprovadas as tarifas, mas com receio de prejuízos em relações diplomáticas e impactos na economia, governo suspende os efeitos e abrirá uma avaliação de interesse público. (CNA)


"O mundo pede mais Brasil", diz Roberto Rodrigues ao alertar agro sobre uma era de incertezas

Durante palestra no Milk Pro Summit, Rodrigues traçou um panorama sobre as perspectivas do agronegócio brasileiro em meio ao que definiu como uma "era da incerteza", marcada pela perda de protagonismo das organizações multilaterais, pela desordem institucional global e pela crescente instabilidade política e econômica no mundo.

Em um mundo marcado por guerras, polarização, insegurança e rearranjos geopolíticos, o Brasil voltou ao centro das atenções globais — e, para o engenheiro agrônomo e ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o agronegócio brasileiro terá papel decisivo neste novo ciclo econômico e social.

Durante sua palestra no Milk Pro Summit, Rodrigues traçou um panorama sobre as perspectivas do agronegócio brasileiro em meio ao que definiu como uma “era da incerteza”, marcada pela perda de protagonismo das organizações multilaterais, pela desordem institucional global e pela crescente instabilidade política e econômica no mundo. “O mundo está olhando para o Brasil com bons olhos por causa dos alimentos, da energia e da disponibilidade de terras. Existe boa vontade em relação ao Brasil lá fora, mas ela muitas vezes não se materializa por questões jurídicas. É um cenário complexo, de insegurança e desordem”, afirmou.

Segundo ele, a geopolítica mundial atravessa um momento de transformação profunda, com novos arranjos globais sendo construídos ao mesmo tempo em que antigas estruturas perdem força. Neste ambiente, o agro brasileiro passou a ocupar posição estratégica. “Estamos vivendo um tsunami que entrou no território agrícola brasileiro”, disse.

Apesar das incertezas, Rodrigues destacou que o Brasil reúne características únicas para assumir protagonismo global, especialmente diante de quatro dos principais desafios contemporâneos: a segurança alimentar, transição energética, mudanças climáticas e desigualdade social. Chamados por ele de “os modernos cavaleiros do apocalipse”, esses fatores devem redefinir a economia mundial nas próximas décadas.

A segurança alimentar, segundo o ex-ministro, deixou de ser apenas uma questão de abastecimento e passou a representar estabilidade política e social. Ao mesmo tempo, a busca global pela descarbonização amplia a importância de países capazes de produzir energia renovável e alimentos de forma sustentável.

Nesse contexto, o Brasil surge como uma potência singular.

“Devemos aumentar a produção? Sim. Mas onde? Os avanços tecnológicos permitem ampliar a produtividade sem desmatamento”, ressaltou. Rodrigues destacou que as projeções para a produção mundial de alimentos até 2026/2027 colocam o Brasil como o país com as maiores perspectivas de crescimento, acima de 40%, impulsionado por quatro fatores centrais: tecnologia, empreendedorismo, disponibilidade de terras e políticas públicas.

Entre os diferenciais competitivos brasileiros, ele chamou atenção para modelos produtivos praticamente inexistentes em outros países, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), além da matriz energética nacional, composta por cerca de 50% de fontes renováveis. “O mundo fala: Brasil, aumenta a produção — e a gente finge que não é conosco”, provocou.

Para Rodrigues, o potencial brasileiro, no entanto, depende diretamente da capacidade de organização interna do setor. Segundo ele, o país precisa construir uma estratégia integrada para transformar sua força produtiva em liderança econômica efetiva.

“Nosso time campeão é o agro”, afirmou.

O ex-ministro defendeu uma agenda estruturada envolvendo infraestrutura e logística, política de renda, comércio internacional, diplomacia, acordos comerciais, combate ao neoprotecionismo, fortalecimento da imagem do agro brasileiro, segurança jurídica, conectividade no campo, digitalização, inteligência artificial, bioinsumos, sustentabilidade, irrigação e agricultura circular.

Também reforçou a importância da organização das cadeias produtivas, da agregação de valor e da inclusão social como pilares para ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional.

No caso do leite, Rodrigues fez uma provocação direta ao setor ao questionar por que o Brasil ainda não alcançou protagonismo global semelhante ao obtido em outras cadeias agroindustriais. “Hoje somos os maiores produtores de café, suco de laranja e tantos outros produtos. Mas e as frutas? E o leite? Por que não? Porque precisamos nos organizar”, afirmou.

Segundo ele, a construção desse avanço passa necessariamente pelo fortalecimento da relação entre produtores, indústria e cooperativas. “Tem que haver entendimento entre produtor e indústria, e a cooperativa tem papel fundamental nisso. Essa cadeia precisa se organizar cada vez mais”, destacou.

Ao abordar sustentabilidade e gestão de risco, Rodrigues também reforçou a importância do seguro rural como ferramenta essencial para garantir estabilidade ao produtor diante das crescentes incertezas climáticas e econômicas.

Na avaliação do ex-ministro, o Brasil ainda precisa desenvolver uma relação cultural mais forte com sua agricultura, algo que, segundo ele, já acontece em diversos países europeus. “Os europeus têm orgulho da agricultura deles. Isso faz parte da cultura. Precisamos seguir neste caminho”, concluiu.

Ao longo da palestra, Roberto Rodrigues reforçou que o momento atual representa, ao mesmo tempo, um período de turbulência e uma oportunidade histórica para o Brasil. Em um cenário global cada vez mais pressionado pela necessidade de produzir alimentos, energia e sustentabilidade, o país possui ativos estratégicos raros — mas precisará transformar potencial em organização para assumir o protagonismo que o mundo já espera dele. (Milkpoint)

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1921 de 27 de maio de 2026 - BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
O cenário é de atenção ao manejo alimentar e sanitário dos rebanhos para minimizar os impactos da menor oferta forrageira e para manter a produção leiteira dentro do esperado para a época do ano. As condições meteorológicas favorecem os trabalhos de higiene e manejo de ordenha, refletindo na qualidade do leite. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, houve necessidade de ampliação do fornecimento de feno e silagem, os quais não apresentam o mesmo potencial de resposta produtiva do que as pastagens de alta qualidade. Nas propriedades com potreiros de trevo já estabelecidos, foram observados melhores índices de produção em razão da elevada digestibilidade e do alto teor de proteína dessa forrageira.  

Na de Caxias do Sul, as condições corporais e sanitárias estão satisfatórias, refletindo na boa qualidade do leite produzido.  Além do pastejo, os rebanhos recebem suplementação com pré-secados e silagem.  

Na de Ijuí, a produção de leite está em elevação, impulsionada pelo aumento do número de animais em lactação.  

Na de Passo Fundo, as condições sanitárias estão adequadas, e a produção dentro da normalidade para o período. Os lotes de maior produtividade estão sendo alocados nas pastagens de inverno, conforme a disponibilidade. 

Na de Pelotas, a produção reduziu em diversos municípios devido às limitações de oferta de forragem. A suplementação alimentar com silagem foi intensificada. No município sede, os criadores reforçam as medidas preventivas contra a tristeza parasitária bovina, devido à incidência de carrapatos e à ocorrência de alguns casos da doença.  

Na de Santa Maria, houve queda na produção e redução do escore de condição corporal. 

Na de Santa Rosa, o tempo firme e as temperaturas máximas e mínimas propícias ao conforto térmico animal permitiram a realização da inseminação artificial das matrizes em cio. Em algumas pastagens de inverno, iniciou o pastoreio rotativo, mas o fornecimento de silagem ainda é necessário para suprir a demanda nutricional dos animais. Devido à maior oferta de forragens de estação fria com maior palatabilidade, como trigo e aveia, houve aumento na produtividade leiteira. Os produtores iniciaram a redução do teor de proteína bruta (PB) na ração, passando de 22% para 18%, para diminuir os custos de produção. Além disso, em razão do elevado teor de umidade das forrageiras, o esterco está mais fluido, levando os produtores a incrementarem o fornecimento de feno na dieta dos animais. 

Em Caibaté, a Secretaria da Agricultura, em parceria com a Emater/RS-Ascar, iniciou um programa de fomento à atividade leiteira, com realização de contatos e visitas técnicas. As propriedades aderentes ao programa recebem aplicação de vermífugos e de carrapaticidas, balanceamento da dieta do rebanho, orientações sobre higiene do leite, entre outras ações.  (Emater/RS)


Jogo Rápido

Próxima semana deve ser de temperaturas baixas em todo o RS
Na próxima semana, as temperaturas deverão se manter baixas e sem grandes variações em todo o território gaúcho. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico 22/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Entre a sexta-feira (29/05) e o domingo (31/05), o deslocamento de um novo sistema de baixa pressão poderá trazer instabilidade para algumas regiões pontuais do estado. Dessa forma, há previsão de chuva, principalmente na metade norte do Rio Grande do Sul. Na metade sul, deverá haver apenas aumento gradual da nebulosidade, com chuvas de baixa intensidade previstas apenas para pontos isolados.   Na segunda-feira (01/06), na terça-feira (02/06) e na quarta-feira (03/06), uma massa de ar frio e seco voltará a deixar o tempo estável em praticamente todo o Estado. Por conseguinte, as temperaturas deverão apresentar apenas uma leve queda, e não há previsão de chuva significativa. Os acumulados de precipitação deverão variar entre 0 mm e 20 mm ao longo da semana. Na metade sul, não há acumulados significativos previstos.  O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (SEAPI)


Porto Alegre, 28 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.640


Associada do Sindilat, RAR apresenta case de produção de biogás e reaproveitamento de resíduos 

A RAR Agro & Indústria apresentou case de sustentabilidade e produção de biogás durante atividade do programa ABC+ RS – Plano Estadual de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono do Governo gaúcho. A empresa, associada ao Sindilat/RS, usa sistemas de tratamento fechado, com reaproveitamento total dos resíduos sólidos e líquidos na produção de biogás, geração de energia térmica renovável e fertirrigação das lavouras. 

Segundo Ângelo Serrano, Médico Veterinário e Gerente da Fazenda RAR Alimentos, o projeto demonstra como a integração entre produção leiteira, manejo ambiental e geração de energia pode trazer ganhos econômicos e ambientais. “O reaproveitamento dos resíduos permite transformar passivos em soluções sustentáveis. Hoje conseguimos utilizar a produção de biogás em substituição de diesel, mitigando emissões”, afirmou. Ao todo, a unidade produz cerca de 330 mil metros cúbicos de biogás por ano, substituindo aproximadamente 190 mil litros de diesel anuais, com redução estimada de 270 toneladas de CO2 equivalente. Na propriedade em Vacaria (RS) são criados cerca de 4 mil animais, sendo 1,7 mil em lactação, com produção superior a 50 mil litros de leite por dia.

A atividade foi acompanhada pela gerente de comunicação do Sindilat/RS, Jéssica Aguirres, que destacou a importância de ampliar a divulgação de iniciativas sustentáveis desenvolvidas pelas indústrias lácteas gaúchas. “O setor lácteo do Rio Grande do Sul possui bons exemplos de inovação, eficiência e responsabilidade ambiental. Mostrar essas práticas é importante para aproximar a sociedade da realidade das indústrias e evidenciar o compromisso do segmento com a sustentabilidade”, ressaltou. (Sindilat/RS)


CONSELEITE MINAS GERAIS CONSELHO PARITÁRIO DE PRODUTORES E INDÚSTRIAS DE LEITE DE MINAS GERAIS  - RESOLUÇÃO MAIO/2026 

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 27 de Maio de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:  a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Março/2026 a ser pago em Abril/2026 b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Abril/2026 a ser pago em Maio/2026. c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Maio/2026 a ser pago em Junho/2026. 


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.  

Estratégia da Italac indica avanço das categorias funcionais e de maior valor agregado no mercado lácteo brasileiro

Italac amplia linha proteica e busca consumidor menos sensível a preço

A Italac ampliou sua estratégia de valor agregado ao reforçar categorias ligadas à proteína, digestibilidade e conveniência, movimento que evidencia uma mudança importante no posicionamento das grandes indústrias lácteas brasileiras diante de um consumidor menos focado apenas em preço.
Ao completar 30 anos, a companhia vem acelerando lançamentos voltados a públicos que buscam funcionalidade, praticidade e percepção de qualidade dentro do consumo diário. A estratégia inclui produtos zero açúcar, zero lactose, itens proteicos e o leite A2, categoria associada à alta digestibilidade.

Segundo Andréia Alvares, gerente de Marketing da Italac, a alimentação saudável deixou de ocupar um espaço restrito e passou a fazer parte do consumo cotidiano. Ao mesmo tempo, a executiva afirma que o consumidor continua valorizando sabor e indulgência, combinação que ajuda a explicar os movimentos recentes da empresa.

Entre os lançamentos apresentados estão o doce de leite zero açúcar, a manteiga zero lactose e novos itens da linha Pro+Play, com 15 gramas de proteína. A companhia também anunciou uma parceria com a The Hershey Company para ampliar sabores da linha protéica, incluindo versões como cacau com cranberry, cookies & cream e café. Um dos sabores aposta no caramelo salgado como forma de atender à demanda por indulgência.

Mais do que ampliar portfólio, o movimento mostra como a proteína vem ganhando espaço como plataforma estratégica dentro do setor lácteo. A lógica deixa de estar concentrada apenas no leite tradicional e avança para produtos capazes de agregar conveniência, diferenciação e maior fidelização do consumidor.

Outro eixo importante da estratégia é a digestibilidade. O leite A2 passou a integrar o portfólio da companhia como alternativa voltada a consumidores com sensibilidade à proteína do leite convencional. Segundo a executiva, trata-se de um produto formulado com uma caseína diferente da tradicional, permitindo digestão mais fácil.

A empresa também lançou um leite proteico em embalagem individual, reforçando a aposta no consumo prático ao longo do dia. O formato acompanha mudanças nos hábitos de compra e alimentação observados pela companhia.

No varejo, a Italac avalia que o avanço do digital e do omnichannel amplia possibilidades comerciais, mas não reduz a relevância do supermercado físico na jornada de consumo. Para a empresa, os canais funcionam de maneira complementar, especialmente em categorias que dependem de experiência de compra, descoberta e exposição de portfólio.

Com cerca de 180 produtos, incluindo itens destinados ao foodservice, e capacidade produtiva aproximada de 7,5 milhões de litros por dia, a Italac sinaliza um reposicionamento voltado a categorias de maior valor agregado. O foco, segundo a executiva, é ampliar a conexão com consumidores considerados mais fiéis e mais atentos à qualidade dos produtos.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por M&C


Jogo Rápido

Renegociação avança mais uma casa
Com apenas um voto contrário, o relatório do senador Renan Calheiros foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), abrindo caminho para o avanço da renegociação do passivo de agricultores. Depois de idas e vindas, com o governo apresentando uma proposta alternativa na tarde de terça-feira, a manifestação de contrariedade do setor produtivo derrubou o que a União considerava como acordo. O texto do relator voltou à mesa e, com o aval dado, busca a votação no plenário – o que deve ocorrer no dia 9 de junho. – É um grande dia, porque não é só a questão do endividamento, é um novo modelo de financiamento, abrimos um novo leque – comemorou Domingos Velho Lopes, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). A entidade havia produzido um texto analisando o substitutivo ao Projeto de Lei 5.122 apresentado pelo governo e elencando as razões para a contrariedade. Nos bastidores, a solução costurada pelo governo passava pela edição de uma Medida Provisória em substituição ao projeto. Neste modelo, as regras de renegociação seriam semelhantes à proposta que o Ministério da Fazenda apresentou e foi rejeitada pela CAE. – Lastimamos não ter havido um acordo com o governo, porque tinha possibilidade de tramitar mais rápido. Mas o projeto, como foi aprovado, encaminha bem a solução do problema da agricultura, especialmente no RS – completa Eugênio Zanetti, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado (Fetag-RS). Relator do PL 5.122, aprovado na Câmara dos Deputados em julho do ano passado, Afonso Hamm (PP-RS) acrescentou: – Cabe ao governo apoiar esse projeto. Não há condições de apresentar um plano sem resolver a questão do alongamento da dívida. Líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS) diz que a situação cria um impasse: – Tínhamos um acordo que não foi cumprido. Não temos mais garantia de cronograma de votação. (Zero Hora)


Porto Alegre, 27 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.639


Sindilat/RS integra as atividades de celebração do Dia Mundial do Leite

O Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) integra a programação especial do Dia Mundial do Leite, celebrado em 1º de junho, em Três de Maio (RS), no Parque de Exposições Germano Dockhorn. A atividade reunirá lideranças, técnicos, produtores e representantes da indústria para discutir os desafios e as perspectivas do setor lácteo gaúcho, com foco em competitividade, sanidade, sustentabilidade e desenvolvimento econômico da atividade no Estado.

Entre os mediadores, está o secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini, que vai participar do painel “Perspectiva do Setor Leiteiro: Leite do Futuro”. A atividade tem início às 9h20min e contará ainda com a participação do engenheiro agrônomo e diretor da Transpondo – Desafios da Cadeia do Leite, Wagner Beskow. Para Palharini, discutir o futuro da atividade passa por competitividade, eficiência e adaptação às novas exigências do mercado. “O setor leiteiro vive um momento de transformação, com desafios ligados à produtividade, qualidade, sanidade e sucessão no campo. Debater esses temas é fundamental para preparar a cadeia para os próximos anos”, destaca.

Segundo o dirigente, o Rio Grande do Sul reúne condições para ampliar ainda mais sua relevância no cenário nacional e internacional. “O leite gaúcho tem potencial para estar entre os grandes players do mercado, mas isso exige competitividade, produtividade, sanidade e integração entre produtores, indústria e poder público”, afirma.

Também participará do Dia Mundial do Leite o presidente do Sindilat/RS e diretor da Lactalis no Brasil, Guilherme Portella, que apresentará o bloco “Visão do Sindilat/RS sobre o futuro do setor leiteiro do RS”. Na ocasião, Portella receberá o título de Cidadão Honorário de Três de Maio, honraria concedida pela prefeitura do município. 

Interessados em participar precisam realizar  inscrição através do link https://forms.gle/ksugqrpPtzMGc8sy8. (Sindilat/RS)


CONSELHO PARITÁRIO PRODUTORES/INDÚSTRIAS DE LEITE DO ESTADO DO PARANÁ – CONSELEITE–PARANÁ

ESOLUÇÃO Nº 05/2026 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 27 de maio de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Abril de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Maio de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Maio de 2026 é de R$ 4,2999/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/. (Conseleite)

Projeto de renegociação de dívidas rurais sofre alterações

Fundo Social do Pré-Sal para o financiamento deve ser retirado do projeto, a ser votado no Senado nesta quarta-feira

Após muitos adiamentos para a avaliação no Senado, o projeto que trata da criação de uma linha especial de financiamento para produtores rurais deverá ser votado nesta quarta-feira. Porém, o texto sofrerá alterações negociadas entre os parlamentares e o governo federal.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) disse que deve ser retirado da matéria o uso do Fundo Social do Pré-Sal para o financiamento. Uma reunião no Ministério da Fazenda definiu o enquadramento de produtores beneficiados, o teto de valores e o uso do Fundo Garantidor.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), que participou do encontro, informou que a ideia é votar uma renegociação de dívidas com carência de dois anos e prazo de 10 anos para pagamento. Além disso, haverá escalonamento do juros entre pequenos, médios e grandes produtores. Contudo, as alíquotas ainda não foram acordadas.

“Por mais que seja uma medida que atinja a todo o Brasil, nós queremos que os produtores que foram atingidos pelas enchentes, pela seca, pela estiagem, que fundamentalmente envolvem produtores e produtoras do Rio Grande do Sul, para estes produtores terem um enquadramento diferenciado”, declarou.

Entraves
Apesar do apoio da bancada ruralista, a proposta tem enfrentado resistência dentro da equipe econômica do Executivo por causa do impacto fiscal. O volume de dívidas rurais envolvidas pode chegar a cerca de R$ 180 bilhões. Os recursos inicialmente previstos para a ajuda incluíam até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal, além de outras fontes públicas de financiamento.

Originalmente, o governo pretendia dar carência de um ano para o início do pagamento das dívidas e conceder prazo de até seis anos de pagamento das parcelas após a renegociação. No entanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia dito, na semana passada, que o governo concordou em ceder nesses dois pontos.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é presidente da CAE e relator da matéria, salientou que, no texto a ser votado na comissão, será incluída a ideia que o governo tinha para uma medida provisória sobre o assunto.

Pimenta informou que o texto do PL 5.122 deve ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta quarta-feira pela manhã e no Plenário do Senado, no turno da tarde. Como a matéria será alterada no Senado, ela precisa ser novamente analisada na Câmara dos Deputados. Segundo Pimenta, a expectativa é que o projeto seja aprovado pelos deputados nesta quinta-feira. (Correio do Povo)


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Futuros nos EUA se recuperam
Os preços futuros da soja nos Estados Unidos seguem em recuperação, impulsionados pelo avanço de acordos comerciais entre os governos norte-americano e da China, principal importadora global da oleaginosa. O país asiático comprometeu-se a adquirir dos Estados Unidos US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas, além de 25 milhões de toneladas de soja. Soma-se a isso o dólar abaixo de R$ 5,00, o que tende a favorecer as exportações norte-americanas. Apesar disso, pesquisadores do Cepea destacam que a expectativa é de manutenção da forte demanda chinesa por soja brasileira, favorecida pelo menor prêmio de exportação no Brasil. De acordo com o Cepea, na semana passada, a valorização doméstica da soja em grão esteve atrelada à firme demanda, sobretudo externa, pela oleaginosa brasileira. Segundo dados da Secex, a média diária de exportações neste mês (10 dias úteis) supera em 18,5% a registrada no mês anterior. Vale lembrar que o Brasil já havia registrado recorde de embarques da oleaginosa em abril. (Terra Viva via CEPEA)


Porto Alegre, 26 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.638


Conseleite RS projeta leite a R$ 2,4478 em maio

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) projeta valor de referência do leite em maio em R$ 2,4478, 3,38% abaixo do projetado no mês anterior (R$ 2,5333). A redução é a primeira após meses de elevação e acompanha um movimento nacional, sinalizou o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes. “É um momento que pede atenção do setor leiteiro, que vinha conseguindo repor parte de suas perdas nos últimos meses. Estamos preocupados, mas não surpresos”, ponderou Prestes, justificando que o indicativo confirma o que já vinha sendo visualizado no mercado nas últimas semanas. O fato agrava-se principalmente ao analisar o ingresso desmedido de leite em pó e queijos vindos da Argentina e do Uruguai, que “entram no Brasil em um momento extremamente delicado”, alertou Prestes.

Em alerta com as importações que vêm inundando o mercado brasileiro com o leite do Prata, o Conseleite vem demandando apoio do governo brasileiro. Em maio, o colegiado enviou ofício ao Mapa, MDA e Mdic alertando sobre a situação. Paralelo a isso, o segmento prepara dossiê comprobatório dos impasses comerciais que atingem a cadeia produtiva.  A ideia das entidades que compõem o colegiado é enviar um novo documento aos ministérios e à Presidência da República cobrando que a votação na Camex seja pela aplicação de medidas antidumping de forma a proteger o mercado brasileiro.

A preocupação adicional do setor lácteo para as próximas semanas é com o impacto do clima na produção leiteira do Rio Grande do Sul, tendo em vista a projeção de frio intenso e redução das pastagens, fatos que, geralmente, reduzem a captação por animal no campo. Durante a reunião realizada na manhã desta terça-feira (26/05), o Conseleite também divulgou o consolidado do leite em abril, que fechou em R$ 2,5664, 8,19% acima do valor de referência final de março (R$ 2,3721). Os dados divulgados pelo Conseleite são elaborados pela UPF com base em informações fornecidas pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês. (Sindilat/RS)


O consumo brasileiro entre forças opostas

O consumo no Brasil vive hoje uma dinâmica paradoxal. Ao mesmo tempo que Nunca tivemos um mercado de trabalho aparentemente tão forte, mas, ao mesmo tempo, o varejo e diversos segmentos de consumo seguem apresentando uma performance abaixo do esperado. O desemprego em mínimas históricas e o crescimento real da renda deveriam impulsionar o consumo, mas, na prática, o consumidor continua pressionado, seletivo e com baixa capacidade de expansão de gasto.

Esse cenário mostra que olhar apenas para os indicadores tradicionais já não é suficiente para entender o comportamento do mercado e as dinâmicas de consumo têm se tornado cada vez mais complexas.

O emprego cresce, mas a percepção do consumidor não acompanha
A taxa de desemprego no Brasil está na mínima histórica e alcançou o patamar de pleno emprego,  situação em que as pessoas que querem trabalhar encontram vagas disponíveis. Esse dado, isoladamente, sugeriria um ambiente extremamente positivo para o consumo. Porém, é importante observar com atenção a metodologia da pesquisa do IBGE e as mudanças estruturais no mercado de trabalho.

Pela metodologia atual, é considerada ocupada qualquer pessoa que tenha realizado pelo menos uma hora remunerada na semana anterior à pesquisa, método que não considera o subaproveitamento do trabalho. Há ainda um outro componente pouco discutido, que é o receio da perda de benefícios sociais, já que parte da população evita a formalização ou a declaração de atividades remuneradas por medo de deixar de acessar programas de assistência. mbora não seja possível medir quantitativamente o impacto dessa variável nos indicadores, ela também não pode ser desconsiderada.

Outro dado amplamente divulgado é o crescimento real da massa salarial. O indicador aponta que a renda total das famílias cresceu cerca de 9,3%, já descontada a inflação, na comparação entre o primeiro trimestre móvel de 2025 e o mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 374,8 bilhões.

Entretanto, o cálculo do ganho real da renda utiliza como referência a inflação medida pelo IPCA, o que pode gerar uma desconexão importante entre os indicadores econômicos e a percepção do consumidor. Isso porque a inflação percebida pelas famílias, especialmente das classes média e baixa, muitas vezes, é significativamente maior.

Itens essenciais como alimentos, transporte, moradia, energia, saúde e serviços básicos têm um peso emocional e financeiro superior no orçamento real das famílias. Como resultado, na prática, o consumidor não sente um aumento de renda proporcional ao divulgado nos indicadores macroeconômicos.

Leia a matéria completa no site do Mercado e Consumo clicando aqui. (Mercado e Consumo)

Arrecadação soma R$ 278,823 bi em abril; alta real é de 7,82% ante igual mês de 2025

A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 278,823 bilhões em abril, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (21). As estimativas do mercado financeiro iam de R$ 270,0 bilhões a R$ 280,4 bilhões.

O resultado de abril representa uma alta de 7,82% na comparação com o mesmo mês de 2025, descontada a inflação do período. Segundo a Receita, é o maior resultado para meses de abril desde 2000, o início da série histórica.

O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) totalizaram uma arrecadação de R$ 64,893 bilhões, representando crescimento real de 7,73%. Esse resultado pode ser explicado pelos aumentos reais de 4,84% na arrecadação com a estimativa mensal, de 7,22% na arrecadação do balanço trimestral, e de 6,34% na arrecadação do lucro presumido.

A receita previdenciária somou R$ 62,749 bilhões, crescimento real de 4,83% frente a abril de 2025.

Segundo a Receita, o resultado foi puxado pela alta real de 3,61% da massa salarial em abril de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, além da expansão de 9,18% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário em abril de 2026 em relação a abril de 2025.
Além disso, houve crescimento de 18,66% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a abril de 2025. Houve, também, a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, a partir de janeiro do ano passado.
O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 13,262 bilhões, representando crescimento real de 25,45%. Esse desempenho decorre dos aumentos nominais de 28,40% na arrecadação do item "Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)" e de 94,74% na arrecadação do item "Juros sobre Capital Próprio".

As receitas com o IOF, por sua vez, aumentaram 30,26% acima da inflação frente a abril de 2025, e atingiram R$ 8,046 bilhões. A arrecadação de abril de 2026 com esse imposto foi influenciada, principalmente, pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira e de crédito, especialmente em decorrência de alterações legislativas implementadas em junho de 2025.

Acumulado

A arrecadação de impostos e contribuições federais em 2026 até abril somou R$ 1,056 trilhão, informou a Receita Federal nesta quinta-feira. O montante representa alta de 5,41% na comparação com o mesmo período de 2025, descontada a inflação do período. Segundo o órgão, é a maior arrecadação no quadrimestre desde 2000. 

No relatório de divulgação, o Fisco atribui o desempenho da arrecadação em 2026 à receita previdenciária, de R$ 251,352 bilhões, com crescimento real de 5,23%. Esse resultado decorreu, segundo o órgão, do crescimento real de 3,35% da massa salarial e de 5,66% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário de abril de 2026 em relação a abril de 2025.

Além disso, houve crescimento de 18,50% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a abril de 2025. Houve, também, a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, a partir de janeiro de 2025.

O PIS/Pasep e a Cofins totalizaram uma arrecadação de R$ 205,578 bilhões, representando crescimento real de 5,54%. Esse resultado decorre, principalmente, do aumento de 2,14% no volume de vendas (PMC-IBGE) e de 2,63% no volume de serviços (PMS-IBGE) entre dezembro de 2025 e março de 2026, em relação ao período compreendido entre dezembro de 2024 e março de 2025, à recuperação da arrecadação relativa a setores inseridos no Perse e ao setor de combustíveis; e ao desempenho positivo do setor de eletricidade e gás, dos serviços financeiros e do Simples Nacional.

O IOF apresentou uma arrecadação de R$ 33,469 bilhões, um crescimento real de 40,77%. O desempenho vem de operações relativas a crédito, seguros e à saída de moeda estrangeira.
O governo aumentou a alíquota do IOF em junho de 2025 depois de uma série de impasses com o Congresso. A mudança tem turbinado a arrecadação dessa rubrica.

O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 50,687 bilhões, representando crescimento real de 21,68%. O resultado do período pode ser justificado, principalmente, pelos aumentos nominais de 37,64% na arrecadação do item "Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)", de 42,35% na arrecadação do item "Juros sobre Capital Próprio (JCP)" e de 11,79% na arrecadação do item "Fundos de Renda Fixa".

No fim do ano passado, o Congresso aprovou aumentos nas alíquotas de fintechs e bets e de JCP, junto com um projeto que reduz os benefícios fiscais em 10%.

O texto eleva a CSLL incidente sobre fintechs de maneira escalonada. A alíquota subiria de 9% para 12%, nível em que ficaria até o fim de 2027, antes de se acomodar em 15% a partir de 2028. Os bancos pagam 20% de CSLL, mas o imposto efetivo sobre financeiras não bancárias tende a ser maior, em parte por conta da rentabilidade mais alta. (Jornal do Comércio)


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Atenção se volta ao desenvolvimento da 2ª safra
Em meio à perspectiva de oferta elevada, a segunda safra vem apresentando desenvolvimento satisfatório na maior parte das regiões produtoras, com exceção de regiões pontuais em Goiás, no Paraná e em Mato Grosso do Sul, onde as condições climáticas (geadas e tempo seco) preocupam quanto à produtividade. Segundo o Cepea, uma parte dos vendedores tem apresentado cautela em negociar diante dos possíveis impactos da adversidade climática na safra e, assim, se mantêm firmes nos valores. Por outro lado, alguns desses agentes estão flexíveis, com o intuito de liberar armazéns e de fazer caixa. Compradores, por sua vez, comercializam apenas pontualmente, nos momentos de valores mais baixos, visto que têm estoques para as próximas semanas. (CEPEA via Terra Viva)