Porto Alegre, 07 de maio de 2026 Ano 20 - N° 4.625
CNA protocola manifestação final na investigação de dumping contra leite em pó importado do Mercosul
Conclusão da investigação está prevista para o final do mês
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, na segunda (4), a manifestação final sobre a investigação de dumping contra o leite em pó importado do Mercosul.
A nota faz parte do processo de investigação da prática de dumping e resume todos os argumentos apresentados pela CNA, as origens investigadas e partes interessadas, além de comentários do Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Decom/MDIC) sobre os resultados da investigação.
No documento, foram relatados avanços importantes, como a retomada do entendimento anterior sobre a similaridade entre leite em pó e leite in natura, o reconhecimento da prática de dumping por ambas as origens e a indicação de que as importações causaram os prejuízos à produção de leite brasileira.
Segundo os cálculos do Decom, após as respostas aos questionários realizadas por quatro exportadores argentinos e três uruguaios, foram encontradas margens de dumping que chegaram a superar 60%.
Apesar de ser um documento preliminar, a nota técnica com fatos essenciais traduz o que o setor produtivo vem argumentando desde 2022: as importações a preços de dumping têm prejudicado as propriedades rurais brasileiras.
A CNA destaca o trabalho conduzido pelo Departamento, principalmente após a entidade ter apresentado novas provas, mantendo o rigor técnico no processo legal estabelecido pelas normas nacionais e internacionais.
Ainda em abril, o DECOM também defendeu a investigação em reunião do Comitê de Práticas Antidumping da OMC, fórum no qual as origens investigadas pediram esclarecimentos sobre o processo conduzido pelo Brasil, sem apresentar novos argumentos além dos já respondidos durante o processo. Cabe destacar que não se trata de contestação internacional ou pedido formal de solução de controvérsias.
A investigação entra agora em fase final e o próximo passo é o envio do Parecer de Determinação Final ao Comitê de Defesa Comercial da Câmara de Comércio Exterior (CDC/Camex), que fará a avaliação técnica da investigação.
O tema será debatido na reunião do Grupo Gestor da Camex (Gecex), composto pelo Ministro do MDIC e Secretários Executivos dos dez ministérios que integram o colegiado.
Com a reunião prevista para o final de maio, a expectativa é que o Gecex reconheça os prejuízos trazidos pelas importações a preços de dumping e sejam aprovadas medidas antidumping para corrigir essa prática desleal de comércio.
A CNA segue firme na articulação junto ao poder Executivo em defesa da produção nacional de leite, sempre com o apoio dos representantes nas Frentes Parlamentares da Agropecuária e em Apoio ao Produtor de Leite. (CNA)
Danilo Zorzan, da Tetra Pak: "empresas que sobrevivem se reinventam em ciclos cada vez mais curtos"
Modernização de centro de inovação em Monte Mor reforça estratégia da companhia para acelerar novas categorias, cocriação e crescimento no setor de alimentos e bebidas
Durante uma press trip realizada nesta quarta-feira (6), em Monte Mor (SP), a Tetra Pak apresentou à imprensa a modernização do seu Centro de Inovação ao Cliente (CIC), espaço voltado ao desenvolvimento e cocriação de produtos para a indústria de alimentos e bebidas. O MilkPoint participou do encontro, que reuniu profissionais de diferentes veículos do país para acompanhar as estratégias da companhia para inovação, sustentabilidade e expansão de novas categorias.
A atualização do espaço recebeu investimento de R$ 10 milhões e faz parte de um movimento global da Tetra Pak para ampliar a flexibilidade, a personalização e o uso de tecnologias digitais em seus centros de inovação ao redor do mundo.
“O alimento bom merece ser protegido”, afirmou Tiago Cardoso, Presidente da Tetra Pak Brasil, ao abrir o evento. Segundo ele, o propósito da companhia vai muito além das embalagens, envolvendo tecnologias, processamento e soluções voltadas à segurança alimentar e à eficiência operacional da indústria.
A Tetra Pak está presente em mais de 160 países, conta com 24,6 mil funcionários globalmente e registrou vendas líquidas de 12,4 bilhões de euros. No Brasil desde 1957, possui fábricas em Monte Mor (SP) e Ponta Grossa (PR), além de sete regionais de vendas e mais de 1,5 mil funcionários.
Somente em 2025, segundo a empresa, foram comercializadas mais de 12,6 bilhões de embalagens no país. A companhia também destacou iniciativas ligadas à economia circular, incluindo 104 mil toneladas de embalagens pós-consumo recicladas e parceria com 20 recicladoras.
Cardoso reforçou que sustentabilidade é tratada como um eixo estratégico da companhia e destacou que o principal objetivo é gerar valor em toda a cadeia. “No fim do dia queremos fortalecer as parcerias com os nossos clientes e toda vez que eles crescem, nós comemoramos junto”, afirmou.
Estratégia para 2030
Durante a apresentação, a Tetra Pak detalhou pilares estratégicos que devem nortear sua atuação até 2030. Entre eles estão a garantia de alimentos seguros e de alta qualidade, liderança na transformação sustentável, integração das operações dos clientes e inovação voltada ao crescimento.
Segundo Cardoso, a companhia busca atuar de ponta a ponta dentro da cadeia de alimentos e bebidas — desde o desenvolvimento de produtos até produção, automação industrial e melhoria contínua das operações.
A empresa também reforçou sua presença crescente em novas categorias, incluindo bebidas proteicas, funcionais, produtos vegetais, chás, refrescos e pet food. “A nossa visão é tornar os alimentos seguros em qualquer lugar, fortalecendo sistemas alimentares sustentáveis e resilientes em parceria com clientes, governo e stakeholders”, disse.
“Revisar o futuro”
Danilo Zorzan, Diretor de Marketing da Tetra Pak Brasil, trouxe um olhar mais estratégico sobre o momento vivido pela indústria de alimentos e bebidas. “Estamos em um momento de revolucionar categorias. O mundo está cada vez mais complexo e mais difícil de acompanhar. O hoje é o melhor momento para revisar o futuro que a gente almeja”, afirmou.
Segundo ele, as empresas que conseguirão se perpetuar serão justamente aquelas capazes de se reinventar continuamente. “As empresas que vão sobreviver são as que se reinventam em ciclos cada vez mais curtos”, destacou.
Durante a apresentação, Zorzan trouxe uma reflexão baseada no conceito de “modernidade líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman. “A transformação exige que sejamos fluidos como a água, adquirindo o contorno conforme o meio em que estamos inseridos”, citou. A partir dessa lógica, o executivo apresentou o conceito de “ambidestria” dentro da estratégia da Tetra Pak: sustentar os negócios atuais enquanto se constrói o futuro.
Hoje, categorias consideradas tradicionais — como leite, creme de leite, leite condensado, leite aromatizado, sucos e néctares — ainda representam cerca de 75% do negócio da companhia. Porém, categorias adjacentes vêm ganhando força rapidamente. Entre elas estão refrescos, bebidas proteicas, bebidas funcionais, chás, leites fermentados e produtos prontos para consumo. “A categoria de adjacentes está alavancando o crescimento”, afirmou Zorzan. Segundo ele, essa classe adicionou mais de 1 bilhão de embalagens nos últimos seis anos, com crescimento de 88% no período.
O executivo afirmou ainda que, no futuro, as categorias adjacentes podem até ganhar mais relevância do que as tradicionais.
Inovação de ponta a ponta
Para apoiar esse movimento, a Tetra Pak estruturou uma estratégia baseada em cinco pilares: definição de categorias prioritárias e adjacentes, criação de uma área focada em novos negócios, aplicação de inteligência de mercado, desenvolvimento colaborativo de produtos e construção de uma rede de parceiros terceirizados.
Segundo Zorzan, a proposta da companhia é atuar “de ponta a ponta” junto aos clientes. “Trouxemos os clientes para dentro desse processo justamente para criarmos juntos”, explicou. É nesse contexto que o Centro de Inovação ao Cliente ganha protagonismo. Inaugurado originalmente em 2017 com investimento de R$ 40 milhões, o CIC de Monte Mor já participou de quase 300 lançamentos de produtos.
Com a modernização, o espaço passa a oferecer uma jornada mais digital e interativa, incluindo ferramentas inteligentes para apresentações, sessões colaborativas e desenvolvimento de soluções personalizadas. O ambiente reúne sala de ideias, sala de produtos, planta piloto e centro de treinamento técnico, permitindo desde a identificação de tendências até testes industriais e validação em escala. Segundo a companhia, o espaço atende empresas de diferentes portes — de grandes fabricantes a startups.
Zorzan destacou ainda que 2025 marcou a entrada da companhia em novas categorias e modelos de negócios, incluindo quatro novas marcas de bebidas de baixo teor alcoólico, três marcas de pet food e uma nova marca endossada pelo jogador Neymar. (Milkpoint)
Soja e milho recuam em Chicago após forte queda do petróleo
Oscilação do petróleo tem cada vez mais peso no mercado de grãos internacional, segundo analista
As oscilações do petróleo no mercado internacional direcionaram os preços dos grãos para baixo na bolsa de Chicago nesta quarta-feira (6/5). No caso da soja, os contratos para julho fecharam em queda de 1,38%, a US$ 11,9475 o bushel.
De acordo com Ronaldo Fernandes, diante de uma demanda cada vez maior por biocombustíveis nos EUA, o petróleo tem cada vez mais impacto para os valores dos grãos na bolsa americana. Hoje, o barril do fóssil caiu mais de 7%, e ainda influenciou o fechamento do milho. Os lotes com entrega para maio fecharam em baixa de 2,40%, a US$ 4,6850 o bushel.
“O consumo de soja e milho entre os americanos para a produção de biocombustíveis é o maior da história. Então faz sentido imaginar que as oscilações dos grãos estão muito mais relacionadas com o petróleo do que com outros fatores, como o clima”, disse.
Fernandes lembra que desde março o mercado sente os efeitos da mudança da política dos biocombustíveis americana. Naquele mês, os EUA consumiram 6,1 milhões de toneladas de soja, em comparação com as 5,2 milhões registradas um ano antes. Os americanos utilizam o óleo de soja para a produção de biodiesel, enquanto o milho é a principal matéria-prima do etanol no país.
No curto prazo, há dois fatores de atenção para o mercado, segundo o analista. O primeiro deles as questões de demanda, que podem voltar a impulsionar as cotações. Já pelo lado da oferta, com um ritmo de plantio acelerado nos EUA, e manutenção de clima favorável, as altas tanto para soja quanto para o milho são limitadas.
Trigo
O trigo também fechou a sessão com preços em queda. Os contratos do cereal para julho recuaram 1,67%, negociados a US$ 6,1725 o bushel.
Segundo Ronaldo Fernandes, o trigo respondeu a leve melhora nas condições de clima nas Grandes Planícies, maior região produtora do cereal nos EUA. (Globo Rural via Valor Econômico).
Jogo Rápido
1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina
Confira a transmissão completa do evento realizado durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, reunindo especialistas, produtores, indústria e autoridades para discutir os desafios e avanços no controle da brucelose e tuberculose bovina no Rio Grande do Sul. Assista na íntegra: https://www.youtube.com/live/EvrFyDiTxyM (Sindilat/RS)
