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Porto Alegre, 09 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.550


 

Governo gaúcho arrecadou  R$ 53,8 bilhões de ICMS em 2025

O Rio Grande do Sul voltou a registrar em 2025 uma arrecadação anual de ICMS superior a R$ 50 bilhões, após ter alcançado este feito de forma inédita no ano anterior. Apesar disso, o registro de crescimento real, quando leva-se em conta o resultado da inflação no período, foi pouco expressivo, de 1,69%. Ainda assim, o governo gaúcho obteve uma arrecadação recorde de ICMS em valores nominais, isto é, sem considerar a inflação, e registrou o segundo ano seguido de aumento real na receita do imposto. O recolhimento deste tributo representou um total de  R$ 53,82 bilhões em 2025, ante os R$ 50,75 bilhões de 2024. 

Na comparação com 2024, ano marcado pelas históricas cheias de maio e em que os esforços econômicos para a reconstrução do Estado resultaram em aumento na arrecadação, o crescimento nominal – quando se desconsidera a inflação registrada no período – foi de 6%. Já o aumento real de 1,69% se dá por conta da previsão inflacionária para 2025 afirmada no último Boletim Focus, de 4,31%. Apesar do crescimento real acima de 1 ponto percentual em relação ao ano anterior, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) destacou, em nota enviada à reportagem, que cerca de R$ 2 bilhões do total arrecadado de ICMS no ano passado são provenientes do Refaz Reconstrução, um programa estadual de renegociação de débitos tributários de empresas gaúchas. Se não fosse por esta iniciativa, o aumento arrecadatório nominal seria de apenas 2%, com uma queda real de 3% no resultado do recolhimento de 2025 em relação ao ano anterior. 

O impacto do Refaz Reconstrução fica evidente naquele que foi o mês de maior arrecadação de ICMS na história do Rio Grande do Sul: em abril de 2025, foram recolhidos R$ 5,54 bilhões do imposto, única vez que o registro mensal superou R$ 5 bilhões. Deste total, cerca de R$ 1,1 bilhão – ou 20% – tiveram origem no programa estadual.  Sobre as comparações entre as arrecadações de 2025 e do ano anterior, a Sefaz ponderou que 2024 foi um exercício atípico em termos de recolhimento tributário, justamente em razão da catástrofe que atingiu o Estado e demandou investimentos para a sua recuperação, que por consequência foram revertidos em um resultado arrecadatório maior que o estimado para o período. “Essa condição excepcional tende a distorcer as comparações entre os períodos”, disse a pasta sobre os resultados pós-enchentes. A excepcionalidade na arrecadação de 2024 pôde ser observada na diferença com o ano anterior. Em 2023, foram recolhidos  R$ 44,73 bilhões de ICMS, o que significa que o resultado do ano seguinte registrou um crescimento nominal de 13% e real de 9%.

Vale destacar, porém, que o resultado de 2023 foi impactado negativamente por conta de legislações federais que alteraram o cálculo de tributação de combustíveis – Lei Complementar (LC) nº 192/2022 –, em que muitos artigos foram posteriormente revogados e beneficiaram as arrecadações estaduais, e pelo Rio Grande do Sul ter deixado de arrecadar naquele ano a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e a Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) da energia elétrica, algo que voltou à base do cômputo do ICMS em 2024, após decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). (Jornal do Comércio)


Emater/RS: Informativo Conjuntural 1901 de 08 de janeiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

Os períodos de temperaturas elevadas e de elevada umidade exigiram ajustes no manejo dos rebanhos e maior atenção aos aspectos sanitários e de higiene na ordenha, visando à preservação da qualidade do leite e à prevenção de problemas sanitários. Em diversas regiões, houve necessidade de adoção de estratégias para a redução do estresse térmico, como adequação dos horários de pastejo, uso de ventilação e aspersão, além de suplementação alimentar nas horas mais quentes do dia. A oferta de forragem de boa qualidade contribuiu para a manutenção da produção e da saúde dos animais em parte das regiões. Porém, houve alguns registros de redução na produção em situações de estresse térmico mais intenso. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, em propriedades com sistema à base de pasto, os produtores optaram por ajustar os horários de pastejo, priorizando as primeiras horas da manhã e o final da tarde. Houve atraso da ordenha matinal e antecipação da ordenha da tarde, e nos períodos mais quentes as vacas receberam suplementação com silagem e ração em cochos cobertos. 

Na de Frederico Westphalen, a produção teve leve incremento. A sanidade do rebanho leiteiro segue satisfatória, apesar do aumento nos casos de infestação por moscas, especialmente mosca-dos-chifres, além de alguns relatos de presença de carrapatos. 

Na de Ijuí, o período de elevada umidade dificultou as atividades de higiene dos animais durante a ordenha e o deslocamento dos rebanhos nos sistemas de produção a pasto. Nos sistemas confinados, houve leve aumento da umidade do material orgânico utilizado como substrato para a absorção dos dejetos, mas sem comprometer sua qualidade ou demandar substituição. Foram relatados problemas pontuais de falta de energia, que afetaram o resfriamento do leite, mas já foram solucionados. 

Na de Pelotas, as altas temperaturas provocaram estresse térmico nos animais, levando à redução do consumo alimentar e da produção, o que exigiu maior atenção ao manejo de sombra, à disponibilidade de água e à alimentação dos rebanhos.

Na de Passo Fundo e na de Santa Maria, a oferta de forragem de boa qualidade tem favorecido a produção de leite e a manutenção da saúde dos animais. 

Na de Santa Rosa, foram intensificados os cuidados com a higienização dos tetos antes da ordenha, visando à manutenção da qualidade do leite e à prevenção de mastite. Em razão das condições de elevada umidade e de calor, ocorreram problemas pontuais de casco no rebanho, especialmente em áreas de várzea. 

Em Cândido Godói, as temperaturas altas reduziram o tempo de pastejo dos animais, e houve registros de queda de até 18% na produção diária, tornando necessária a suplementação alimentar para evitar maiores perdas. (Fonte: Emater/RS)

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 02/2026 – SEAPI 

Nos próximos dias, a formação de um ciclone extratropical ao sul do Rio Grande do Sul deverá provocar instabilidade e contribuir para a reposição da umidade do solo na Região Sul. Em 09/01 (sexta-feira), um sistema de baixa pressão manterá o tempo instável em todo o RS. Em razão da temperatura e da umidade elevadas, há possibilidade de temporais isolados, com queda de granizo e ventos fortes. A chuva ocorrerá principalmente na Metade Oeste e na faixa de fronteira com o Uruguai pela manhã, espalhando-se ao longo do dia para as regiões Central, Norte e Leste. As temperaturas máximas atingirão 34 °C na Região Metropolitana e Norte.

Em 10/01 (sábado), áreas de instabilidade se espalharão pelo Rio Grande do Sul, associadas à formação de um ciclone extratropical sobre o Uruguai. Haverá rajadas de vento de até 80 km/h no Litoral Sul e na faixa continental adjacente durante a madrugada, e chuva ao longo do dia na Região Sul. Há possibilidade de tempestades isoladas, com ventos fortes e queda de granizo, nas regiões Norte, Nordeste e Leste. A temperatura máxima deve chegar a 32 °C na Região Metropolitana. Em 11/01 (domingo), um sistema de baixa pressão atuará no RS, mantendo nebulosidade e condições favoráveis à chuva no Norte, Nordeste e Litoral Norte. As temperaturas máximas atingirão 23 °C no Sul e na Serra, e 28 °C na Região Metropolitana. 

A previsão indica uma próxima semana ensolarada, com pouca nebulosidade e aumento gradual das temperaturas, beneficiando os trabalhos rurais. Em 12/01 (segunda-feira), o dia amanhecerá com sol e poucas nuvens no Estado; ao longo do dia, a nebulosidade aumenta e áreas de instabilidade favorecem pancadas de chuva fracas e isoladas no Norte e no Nordeste do RS. A temperatura máxima deve atingir 30 °C no Oeste.

Em 13/01 (terça-feira), um sistema de alta pressão garantirá o predomínio do sol pela manhã; à tarde, o aquecimento e a umidade disponível favorecerão o desenvolvimento de nebulosidade. A temperatura máxima deve chegar a 33 °C na Região Central e no Noroeste. Em 14/01 (quarta-feira), o sistema de alta pressão seguirá atuando, mantendo sol e poucas nuvens pela manhã; à tarde, o céu deve ficar nublado, sem chuva no Estado. As temperaturas máximas devem atingir 35 °C no Oeste e na Metade Sul. (Boletim Agrometerologico/SEAPI)


Jogo Rápido
Produtores do Norte do RS investem em leite A2A2 no RS
Mudança genética no rebanho permite bebida mais leve e digestiva. CLIQUE AQUI para assistia a reportagem. (Jornal do Almoço/RBSTV)


Porto Alegre, 08 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.549


Balança comercial de lácteos: balança fecha 2025 com queda de 6,1% nas importações frente a 2024

O saldo da balança comercial de lácteos fechou em -155,4 milhões de litros em equivalente-leite, o que representa uma redução de 10% (-172,3 milhões de litros em novembro). As exportações seguiram aumentando e neste mês registraram alta de 3%, enquanto as importações continuam recuando 9% em relação a novembro.

Em dezembro, as exportações de lácteos totalizaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite, um aumento de 3% frente ao mês anterior, porém 7% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024. No acumulado anual de 2025, as exportações fecharam com queda de 23,4% em relação ao ano de 2024.

As importações continuaram a recuar em dezembro. Com queda de 9% na entrada de lácteos no Brasil, totalizando 160,5 milhões de litros em equivalente-leite. Na comparação com dezembro de 2024, a queda é de 17%. No acumulado anual de 2025, as importações registraram retração de 6,1% frente ao ano de 2024.

Em dezembro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os diferentes produtos:

  • O leite UHT registrou expressiva alta de 167,1 mil em litros no volume exportado, representando 16% do total das exportações de lácteos;
  • O soro de leite apresentou crescimento de 30% nas exportações, após o recuo observado no mês anterior;
  • O leite condensado também registrou desempenho positivo, com aumento de 16% no volume exportado.
  • Em contrapartida, o creme de leite manteve trajetória de queda, com recuo de 17% nas exportações no mês.
  • A manteiga também seguiu em movimento negativo, registrando redução de 7% no volume exportado.
  • No campo das importações, observam-se os seguintes movimentos:
  • O leite em pó integral (LPI), principal item importado, apresentou uma queda mais moderada, de 5% em relação ao mês anterior, após o forte recuo de 30% registrado no último mês.
  • Já o leite em pó desnatado (LPD), segundo principal produto importado, que havia apresentado alta no mês anterior, acompanhou a tendência de retração do LPI e registrou queda de 22% no volume importado frente a novembro.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de novembro e dezembro de 2025.

O que podemos esperar para os próximos meses?
A ampla oferta global de lácteos e o dólar mais baixo ao longo de 2025 sustentaram elevados volumes de importação, cenário que, somado ao forte crescimento da produção nacional, pressionou os preços da indústria e os valores pagos ao produtor, especialmente no segundo semestre.

Para 2026, embora a produção de leite deva seguir em patamares elevados, a queda na rentabilidade observada no final de 2025 tende a desacelerar o ritmo de crescimento da oferta. Ao mesmo tempo, a expectativa de preços mais firmes no mercado internacional pode reduzir a atratividade das importações.

Assim, após um ano marcado por desequilíbrios entre oferta e demanda, o mercado lácteo inicia 2026 em um contexto de preços mais baixos, consumo estável e expectativa de maior equilíbrio. Nesse cenário, a tendência é de redução gradual das importações, o que pode contribuir para uma menor pressão sobre os preços no mercado doméstico ao longo de 2026. (Vivian Batista Padilla e Leonardo Baião Leite de Lima/Milkpoint)


Produtores rurais poderão usar nota fiscal em papel remanescentes até 30 de abril

Desde o último dia 5 de janeiro, a emissão de nota eletrônica passou a ser obrigatória para todos os produtores rurais em operações internas no Rio Grande do Sul. No entanto, atendendo a pedido de produtores, a Secretaria da Fazenda prorrogou, até o próximo dia 30 de abril, o prazo para utilização do talão de produtor rural já impresso, modelo A4, para produtores rurais com receita bruta inferior a R$ 360 mil.

A medida visa garantir maior prazo para o atendimento às exigências que valem para todos os Estados, a partir de norma definida no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A Receita Estadual gaúcha, em diálogo com o setor, está publicando um decreto estadual que formaliza a prorrogação do uso da nota em papel a partir de 5 de janeiro.

Entenda a mudança
O modelo 4 da nota fiscal, em papel, conhecido como “talão do produtor”, deixou de ser aceito desde o último dia 5. A mudança começou pela faixa de produtores que têm maior faturamento e, aos poucos, foi expandida para pequenos produtores. A obrigatoriedade começou a valer em 2021 para os que tinham faturamento superior a R$ 4,8 milhões. Em janeiro de 2025, foram abrangidos também os que tiveram receita bruta de R$ 360 mil ou mais com a atividade rural, além de todas as operações interestaduais. Para o último grupo, foi flexibilizado o uso das notas em papel até 30 de abril.

A modernização da documentação fiscal no setor agropecuário é uma mudança nacional que torna o processo de emissão de notas mais ágil e seguro, reduzindo burocracias, minimizando falhas no preenchimento dos dados e evitando o risco de perda de documentos, além de antecipar a realidade após a Reforma Tributária, que deve extinguir completamente as notas em papel.

A Secretaria da Fazenda (Sefaz) oferece duas alternativas. O aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), disponível para download gratuito pelo celular, é o mais indicado. Como muitos trabalhadores estão no campo, sem acesso à internet, o app pode ser utilizado no modo off-line. Dessa forma, os usuários emitem a nota fiscal e, quando o aplicativo é conectado novamente a uma rede de internet, a nota é autorizada. No próprio aplicativo, os produtores podem apontar problemas, sugerir recursos ou solicitar a inclusão de novos produtos para comercialização.

Clique para conferir o manual de uso do NFF.

Outra opção para a emissão de nota eletrônica é a Nota Fiscal Avulsa (NFA-e), também gratuita. O sistema é indicado para operações mais complexas, como, por exemplo, as de exportação.

A partir de 1º de maio de 2026, fica vedada a emissão de Nota Fiscal de Produtor, modelo 4. (Por Ascom Sefaz/Receita Estadual)

O mundo paga mais — mas exige tudo: a nova fronteira do negócio lácteo

O início de 2026 trouxe um sinal que a indústria láctea global não pode ignorar. Os preços internacionais reagiram com força.

Os valores da leite em pó superaram USD 3.300 por tonelada, inclusive em produtos de menor rentabilidade histórica, reorganizando expectativas industriais, financeiras e políticas.

Mas a mensagem estrutural é menos confortável do que parece. Preços mais altos já não compram tolerância. Pelo contrário: vêm acompanhados de barreiras de entrada mais rígidas, redefinindo o comércio lácteo global em três dimensões inseparáveis — industrial, financeira e política.

Um mercado que melhora, mas não perdoa
Durante anos, preços baixos funcionaram como justificativa para ineficiências estruturais. Margens apertadas serviram de argumento para adiar investimentos, reformas regulatórias e adequações sanitárias.

Esse discurso perdeu validade. A recente recuperação do Global Dairy Trade não é apenas técnica. Reflete demanda ativa, oferta mais ajustada e compradores dispostos a garantir volumes em um cenário geopolítico incerto. Mais do que isso, confirma que o mercado global de lácteos não aceita mais ambiguidades.

Mastellone e a mensagem que incomoda
Poucos sintetizam esse momento com tanta clareza quanto Flavio Mastellone, referência histórica da indústria láctea argentina: “Preços mais altos não mudam o essencial. Não existe demanda internacional por lácteos sem certificações sanitárias completas. Cumprir não é opcional — é o passaporte para os mercados que geram valor.” Não é discurso. É a visão de quem compete em mercados reais, regulados e cada vez mais exigentes.

O fim dos mercados ‘tolerantes’
Por décadas, alguns destinos regionais — com o Brasil como exemplo clássico — funcionaram como válvula de escape para excedentes produtivos. Proximidade geográfica e exigências mais flexíveis sustentaram volumes mesmo sem competitividade estrutural plena.

Esse modelo está se esgotando. Com a oferta crescendo em várias regiões e os preços internacionais se fortalecendo independentemente da demanda regional, depender de um único mercado deixou de ser estratégia e passou a ser risco. O comércio global exige diversificação, previsibilidade e conformidade.

Mercosul: a discussão que não pode mais ser adiada
O debate sobre a Tarifa Externa Comum do Mercosul, hoje em 28% para lácteos, expõe uma tensão política central. Em um mundo de tarifas médias mais baixas, proteção excessiva entra em conflito direto com competitividade global.

Reduzir barreiras implica mais concorrência, mas também força uma reconversão industrial profunda. A questão deixou de ser ideológica: o setor está disposto a jogar segundo as regras globais?

Europa e Ásia: exigência convergente
Na União Europeia, sanidade, rastreabilidade e certificações não se discutem — são pressupostos. O debate se concentra em eficiência, margens e gestão do crescimento da oferta.

A Ásia segue como o principal motor da demanda global. Mas é uma demanda profissionalizada, que paga bem apenas quando qualidade, consistência e garantias sanitárias são inequívocas.
Em ambos os casos, a conclusão é a mesma: o acesso ao mercado tornou-se binário.

Indústria, finanças e política: uma equação única
Este novo cenário expõe uma realidade desconfortável. Produzir mais não basta. A alta de preços não compensa fragilidades estruturais. O comércio lácteo global exige investimento, disciplina financeira, alinhamento regulatório e decisões políticas coerentes.

Os preços elevados oferecem uma oportunidade — e um teste. Quem não aproveitar este momento para se adequar aos padrões internacionais corre o risco de ficar restrito a mercados de baixo valor justamente quando o mundo volta a demandar lácteos.

Conclusão: menos discurso, mais acesso
O mercado internacional envia um recado claro. Paga mais, mas exige mais. Não negocia sanidade, não flexibiliza rastreabilidade e não espera por quem atrasa.

No lácteo global de hoje, competitividade não se mede apenas em toneladas ou preços, mas em credibilidade. E credibilidade é mais difícil de reconstruir do que capacidade produtiva.

O mundo está disposto a comprar. A pergunta é quem está realmente preparado para vender. (Valéria Hamann/eDAIRYNEWS)


Jogo Rápido
Novo salário-mínimo e isenção do IR injetarão R$ 110 bi na economia
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou ontem que o reajuste do salário-mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil vão injetar R$ 110 bilhões na economia em 2026. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, ele afirmou ainda acreditar que seja possível aprovar o fim da escala de trabalho 6x1 em ano eleitoral. O ministro já havia afirmado que o fim da escala 6x1 é uma prioridade do governo Lula em 2026 e que avaliava ser possível reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, antes de iniciar uma diminuição gradativa até 36 horas. O presidente Lula também disse que o País está pronto para o fim da escala. Em relação ao IR, a nova tabela do imposto começou a valer em 1º de janeiro de 2026 e zera a cobrança do tributo para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5.000. A mudança decorre de lei sancionada pelo presidente em 26 de novembro. Além de zerar o imposto para quem ganha até R$ 5.000, a nova tabela reduz a carga tributária para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês. Acima desse valor, seguem válidas as alíquotas progressivas atuais, que vão de 7,5% a 27,5%. A mudança pode representar uma redução de até R$ 312,89 no imposto mensal. No calendário de mudanças do começo do ano, também está o novo valor do salário mínimo, de R$ 1.621, em vigor desde o início de janeiro (1º). O reajuste é de 6,79%. (Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 07 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.548


GDT 395: primeiro leilão indica possível recuperação para o mercado lácteo

O 395º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 06 de janeiro, apresentou ajustes positivos para todos os produtos, fazendo com que o preço médio (price index) dos produtos negociados aumentasse 6,3%, chegando a USD 3.533/tonelada  — revertendo a queda vista no último evento do ano.


O leite em pó integral (LPI) apresentou alta neste leilão, após oito eventos de queda, com reajuste de 7,2%, levando o preço médio a USD 3.407 por tonelada.

O leite em pó desnatado (LPD) também registrou aumento no preço, de 5,4%, com o preço médio ficando em USD 2.564 por tonelada.

A maior alta deste leilão foi observada na gordura anidra do leite com 7,4% de reajuste; este produto apresentou a maior baixa no último evento e desta vez reverteu o preço médio para USD 6.011 por tonelada. A manteiga também apresentou leve reação e, após 6 meses com pressão de baixa, apresentou alta de 3,8%, atingindo o preço de USD 5.206 por tonelada.

Já o cheddar continua com certa tendência de estabilização, e neste evento apresentou variação de apenas 0,6%, com o preço médio em USD 4.665 por tonelada; e a muçarela também apresentou certa estabilidade, com variação de 0,7%, com preço médio de USD 3.418 por tonelada.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Volume negociado diminui
O volume negociado neste leilão totalizou cerca de 29,3 mil toneladas, representando expressiva queda de 13,8% frente ao evento anterior, movimento visto também para o primeiro leilão do ano nos últimos dois anos. Frente ao mesmo mês do ano passado, o volume negociado também diminuiu 2,9%.

Impacto nos contratos futuros
Neste início de ano, os contratos futuros surpreenderam, com alta expressiva comparada ao final de 2025. A tendência de estabilidade para os primeiros meses do ano foi revertida por um movimento altista constante até o final do primeiro semestre, com tendência de recuos apenas para o segundo semestre do ano.

Como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
O evento apresentou demanda firme, com a participação de 177 compradores. Esse apetite comprador, no entanto, encontrou uma oferta mais restrita em relação aos últimos leilões, o que contribuiu para reverter o cenário recorrente de quedas observado nos últimos meses.

Em conjunto com esse resultado do GDT, os preços futuros dos contratos de leite em pó registraram alta expressiva, sinalizando um cenário potencialmente mais positivo para o mercado lácteo internacional, após um período prolongado de recuos. Esse movimento reflete a expectativa de um crescimento mais contido da oferta em 2026, em comparação ao avanço expressivo observado em 2025, quando a produção global de leite surpreendeu, além de uma perspectiva de demanda mais aquecida, favorecendo maior equilíbrio de mercado.

No mercado brasileiro, os preços dos derivados têm apresentado maior estabilidade, influenciados pelo período de final de ano, com expectativa de melhora pontual para alguns produtos.

No Mercosul, os preços também seguiram estáveis em dezembro, com relatos de expectativa de maiores ajustes após a virada para 2026. Vale lembrar que o Mercosul tende a ser influenciado pelos preços praticados no GDT, ainda que com diferenciais regionais. Nesse contexto, espera-se que a tendência de alta no mercado internacional se reflita gradualmente nos preços do Mercosul, o que pode abrir espaço para possíveis reajustes nos derivados no mercado interno, diante de uma menor pressão competitiva em relação ao preço dos produtos importados.

Associado a esse cenário, o dólar tem apresentado movimentações distintas. Como a taxa de câmbio exerce influência direta sobre os preços de importação de produtos lácteos, essas oscilações podem impactar o volume e a competitividade das importações no curto prazo. (Vivian Batista Padilla e Leonardo Baião Leite de Lima/Milkpoint)


Proteína muda o carrinho do consumidor e fortalece os lácteos

A proteína tornou-se o principal motor de crescimento do setor lácteo nos Estados Unidos, redefinindo escolhas de consumo e reposicionando categorias tradicionais dentro da dieta moderna.

Em um cenário marcado por novas conversas sobre saúde, praticidade e funcionalidade dos alimentos, os lácteos mantêm um papel central na alimentação dos americanos, ainda que com mudanças claras no mix de produtos consumidos.

Dados recentes do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA) mostram que, em 2024, o consumo per capita de lácteos alcançou 651 libras por pessoa, considerando o equivalente em leite com base em sólidos e gordura. O volume total pouco variou em relação a anos anteriores, mas a composição desse consumo revela uma transformação relevante nos hábitos alimentares.

Segundo as entidades, a preferência crescente por alimentos ricos em proteína e de consumo rápido vem impulsionando categorias que, até pouco tempo atrás, eram vistas como ultrapassadas. Iogurtes e queijo cottage, por exemplo, ganharam novo protagonismo ao se alinharem às rotinas aceleradas e às demandas nutricionais atuais.

O consumo de iogurte chegou a 14,5 libras por pessoa em 2024, um avanço de 6% em relação ao ano anterior e quase 60% acima do nível registrado duas décadas atrás. Para a IDFA, esse desempenho reflete a consolidação do produto como uma opção prática, versátil e associada à ingestão de proteína de alta qualidade.

O queijo cottage apresentou um crescimento ainda mais expressivo. O consumo per capita subiu mais de 14% em um ano, atingindo 2,4 libras por pessoa, o maior patamar desde 2009. A entidade observa que o produto se beneficiou da revalorização nutricional, impulsionada por dietas focadas em proteína e controle de carboidratos.

Outro destaque do ano foi a manteiga. Após um longo período de retração, marcado pela preferência por produtos com baixo teor de gordura, a manteiga voltou a ocupar espaço nas cozinhas americanas. A mudança na percepção sobre as gorduras alimentares, aliada à busca por ingredientes mais simples e menos processados, contribuiu para essa retomada.

Em 2024, o consumo de manteiga alcançou um recorde de 6,8 libras por pessoa, mais de 20% acima do registrado há dez anos. Analistas do setor apontam que muitos consumidores passaram a enxergar a manteiga como um produto mais “real” e funcional, especialmente para cozinhar e assar, em comparação com margarinas e spreads industrializados.

No segmento de queijos, o cenário foi de estabilidade. O consumo per capita permaneceu em 41,9 libras, o mesmo nível de 2023. Ainda assim, a IDFA ressalta que esse volume representa uma mudança estrutural significativa quando comparado à década de 1970, período em que o consumo anual não ultrapassava 20 libras por pessoa. O dado reforça o status do queijo como um alimento consolidado na dieta americana.

Já o leite fluido apresentou sinais de estabilização após décadas de queda. Em 2024, o consumo manteve-se em 127 libras por pessoa, repetindo o resultado do ano anterior. Embora distante do pico de 247 libras registrado em 1975, o desempenho indica que o leite segue presente no cotidiano das famílias, especialmente no café da manhã, no preparo de alimentos e em bebidas quentes.

De acordo com análises do setor, o leite deixou de ser o protagonista da geladeira, mas permanece como um item funcional e confiável, associado a hábitos domésticos tradicionais.

No campo da indulgência, o sorvete trouxe um leve alívio para a categoria. O consumo avançou para 12 libras por pessoa, mostrando que, mesmo em um contexto de maior atenção à saúde, os consumidores não abrem mão de produtos ligados ao prazer e ao conforto emocional. A introdução de versões com alto teor de proteína também contribuiu para esse desempenho, permitindo conciliar sobremesa e valor nutricional.

No conjunto, os dados reforçam que, apesar das transformações no comportamento do consumidor, os lácteos seguem relevantes. A proteína atua como fio condutor dessa nova fase, impulsionando categorias específicas, enquanto produtos tradicionais como manteiga, queijo e leite mantêm sua base de consumo.

Para o setor, o desafio e a oportunidade estão em equilibrar funcionalidade, sabor e conveniência, mostrando que os lácteos podem atender tanto às exigências nutricionais quanto aos momentos de indulgência do consumidor moderno. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Herd)

Dívidas do agronegócio saltam para R$123,6 bilhões em 2025

A saúde financeira do agronegócio brasileiro acendeu um sinal de alerta, segundo Nota Técnica divulgada ontem pela Farsul. A partir de dados do Banco Central, a entidade avaliou que a“carteira estressada” do crédito rural (que soma atrasos, inadimplência e dívidas renegociadas) saltou de R$ 72,2 bilhões, em julho de 2024, para R$ 123,6 bilhões em novembro de 2025. “O crescimento de 71% no período revela uma deterioração acelerada, concentrada principalmente nos últimos meses”, diz a Farsul. 

Atualmente, cerca de 15% de toda a carteira ativa de crédito rural no Brasil (estimada em R$ 812,7 bilhões) está “sob algum tipo de estresse financeiro”. Segundo a Farsul, atualmente o quadro atual no Brasil não é provocado por questões climáticas, já que o país registrou uma safra recorde em 2025, o que reforça que o problema é econômico, de acordo com a entidade. 

O texto aponta o nível elevado da taxa de juros como o “principal ofensor”, mas faz uma ressalva: a culpa não é da autoridade monetária. “A raiz está no desequilíbrio fiscal, que pressiona a inflação e obriga a manutenção de juros altos”, afirma o documento, e reitera o apoio às decisões do Copom no controle inflacionário. 

Para a Farsul, a análise da execução da Medida Provisória n° 1.314/2025 e da Resolução CMN n° 5.247/2025 revela distorções que preocupam os produtores. Dos R$ 28,2 bilhões renegociados até dezembro de 2025, apenas 19% (R$ 5,4 bilhões) utilizaram recursos públicos com juros subsidiados. 81% (R$ 22,8 bilhões) foram renegociados com recursos livres, sujeitos a taxas de mercado, esclarece a entidade.Renegociar dívidas a juros de mercado em um cenário de Selic elevada pode “transformar a solução em um problema maior”, segundo a entidade. Afinal, o saldo devedor tende a crescer, criando uma acumulação exponencial do passivo. (Correio do Povo)


Jogo Rápido
Brasil tem saldo de US$ 68,3 bi em 2025
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 68,3 bilhões em 2025, divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás de 2023 e 2024. Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos e com a queda no preço das commodities, principalmente do petróleo, as vendas para o Exterior somaram US$ 348,676 bilhões, alta de 3,5% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, beneficiadas pelo crescimento da economia doméstica, as importações aumentaram em ritmo maior. No ano passado, o Brasil comprou US$ 280,382 bilhões do Exterior, aumento de 6,7%. (Zero Hora)


Porto Alegre, 06 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.547


Secretaria da Fazenda RS prorroga prazo para uso do talão de produtor já impresso até abril de 2026

A Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul (SEFAZ-RS) prorrogou até 30 de abril de 2026 o prazo para utilização do talão de produtor rural já impresso, modelo A4, para a emissão de Nota Fiscal nas operações internas. A decisão representa uma importante conquista da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (FETAG-RS), resultado do diálogo permanente da entidade com o governo estadual em defesa dos agricultores familiares.

A prorrogação é válida exclusivamente para os produtores rurais que, nas operações internas, tenham obtido receita bruta inferior a R$ 360 mil em pelo menos um dos anos de 2023 ou 2024. A medida garante mais tempo para que os agricultores se adaptem às exigências da obrigatoriedade da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), evitando prejuízos e dificuldades operacionais durante o período de transição.

Para a FETAG-RS, a decisão reconhece as diferentes realidades do campo e a necessidade de uma transição mais justa e gradual, especialmente para a agricultura familiar, que enfrenta desafios relacionados à conectividade, acesso à tecnologia e capacitação.

A Federação destaca ainda que aguarda a publicação do novo decreto estadual, que regulamentará oficialmente essa prorrogação, trazendo os detalhes operacionais e a segurança normativa necessária para a correta aplicação da medida tanto pelos produtores quanto pelos órgãos fiscalizadores.

A FETAG-RS orienta que os agricultores e agricultoras familiares procurem o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de seus municípios, que está preparado para oferecer orientações, esclarecimentos e apoio técnico sobre a emissão da Nota Fiscal Eletrônica e demais procedimentos necessários. Os sindicatos desempenham papel fundamental na disseminação de informações e no acompanhamento dos produtores durante esse processo de adaptação. (Fetag)


GDT - 06/01/2026

(Fonte: GDT)

Leite Spot: confira valores da primeira quinzena de janeiro/26

Na primeira quinzena de janeiro, o preço médio nacional do leite spot foi de R$ 1,74 por litro, registrando uma estabilidade em relação à quinzena anterior, segundo dados do MilkPoint Mercado.

 
O mercado spot manteve um quadro de estabilidade na primeira quinzena de janeiro. De acordo com os relatos da pesquisa do MilkPoint Mercado, a maior parte dos agentes conseguiu preservar não apenas os preços, mas também os volumes negociados em relação à quinzena anterior. Em alguns estados, como Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, houve um sutil aumento na média dos valores negociados. (MilkPoint)


Jogo Rápido
Classe média menos endividada no RS
O endividamento das famílias gaúchas de classe média não é tão severo quanto o quadro nacional. Chamou atenção a análise da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontando que a fatia de consumidores com renda mensal acima de 10 salários mínimos (mais do que R$ 15.180) e com mais de 50% da renda comprometida com dívidas subiu a 12,8%. Este nível e sem condição de pagar configura o que se chama de superendividamento. Aqui no Rio Grande do Sul, porém, a pesquisa da Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio-RS) aponta 0% das famílias de classe média com comprometimento da renda acima de 50%. Para 85,4% delas, as dívidas somam de 11% a 50% do orçamento. 'Mesmo entre as famílias com renda menor, o comprometimento se concentra nesta faixa. A realidade local é bem diferente da nacional" analisa a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo. (Zero Hora)


Porto Alegre, 05 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.546


Nota eletrônica passa a ser obrigatória para todos os produtores rurais do Estado a partir desta segunda-feira (5)

Seguindo a norma definida no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), a emissão de nota eletrônica passa a ser obrigatória para todos os produtores rurais, em operações internas no Rio Grande do Sul, a partir desta segunda-feira (5/1). Assim, o documento passa a ser usado por mais de 800 mil produtores que atuam no território gaúcho. Em operações interestaduais, a obrigatoriedade já estava valendo.

O modelo 4 da Nota Fiscal, em papel, conhecido como “talão do produtor”, não está mais permitido a partir desta data. Desta forma, caso as notas eletrônicas não sejam emitidas, as transações ficam sem documentação fiscal, o que é considerado descumprimento da legislação tributária.

A modernização da documentação fiscal no setor agropecuário torna o processo de emissão de notas mais ágil e seguro, reduzindo burocracias, minimizando falhas no preenchimento dos dados e evitando o risco da perda de documentos. A renovação antecipa também a realidade após a Reforma Tributária, que deve extinguir completamente as notas em papel.

Como fazer
A emissão dos documentos eletrônicos pode ser feita por diferentes vias, e os produtores têm liberdade para escolher seu emissor preferido. Há, por exemplo, soluções oferecidas por associações e por cooperativas, e é possível desenvolver modelos próprios.

A Secretaria da Fazenda (Sefaz) oferece duas alternativas. O aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), disponível para download gratuito pelo celular, é o mais indicado. Considerada de uso simples e navegação intuitiva, a plataforma usa o login gov.br.

Para realizar uma operação, basta que os produtores preencham dados como o produto, as informações do(a) cliente e a forma de transporte. Depois que os dados são informados, a operação é autorizada e a nota fiscal é emitida, podendo ser compartilhada. Assim, toda a complexidade tributária fica a cargo da Receita Estadual.

Uma das funcionalidades do NFF foi desenhada especialmente para os produtores. Como muitos deles trabalham no campo, sem acesso à internet, o App pode ser utilizado no modo off-line. Dessa forma, os usuários emitem a nota fiscal e, quando o aplicativo é conectado novamente a uma rede de internet, a nota é autorizada. Nestes casos, o limite para solicitações é de 30 notas fiscais eletrônicas, R$ 300 mil ou 168 horas. Depois disso, é preciso estar conectado para que a ferramenta possa voltar a ser utilizada.

Conforme mais usuários vão ingressando na plataforma, melhorias vão sendo incorporadas. No próprio aplicativo, os produtores podem apontar problemas, sugerir recursos ou solicitar a inclusão de novos produtos para transação. Há também um ambiente de testes.

Outra opção para a emissão de nota eletrônica é o Nota Fiscal Avulsa (NFA-e), também gratuito. O sistema é indicado para operações mais complexas, como, por exemplo, as de exportação. A Receita Estadual trabalha para promover aperfeiçoamentos na ferramenta, buscando torná-la mais prática e intuitiva. Informações podem ser obtidas no Manual de Uso do NFF.

Mudança escalonada
A medida vem sendo implantada aos poucos, buscando garantir aos produtores tempo para se adaptarem à novidade – que também está sendo colocada em prática em outros Estados do país. A mudança começou pela faixa dos que têm maior faturamento e, aos poucos, foi sendo expandida para pequenos produtores.

A obrigatoriedade começou a valer em 2021 para aqueles que tinham faturamento superior a R$ 4,8 milhões. Em janeiro de 2025, foram abrangidos também aqueles que tiveram receita bruta de R$ 360 mil ou mais com a atividade rural, além de todas as operações interestaduais.

A Receita Estadual vem dialogando com o setor sobre a implementação da norma. Em diversos momentos, atendendo a pedidos de entidades rurais, a entrada em vigor foi adiada. Isso ocorreu, inclusive, após as enchentes de 2024, que causaram prejuízos para profissionais da área.

Servidores da Subsecretaria também trabalham para capacitar produtores sobre o uso do NFF. Em 2024, chegaram a ser feitos mais de 100 encontros, permitindo que representantes de entidades do setor rural levassem a informação para seus associados. (Fonte: Seapi-RS/Governo do Estado do Rio Grande do Sul)


PERSPECTIVAS 2026-LEITE/CEPEA: CENÁRIO DE 2026 EXIGE CAUTELA

Em 2026, o cenário é de cautela para o setor nacional de pecuária leiteira, apontam pesquisadores do Cepea. Com PIB perto de 2% e a oferta de leite cru crescendo de forma mais moderada (entre 2% e 2,5%), os preços pagos aos produtores podem apresentar menor volatilidade. Porém, é importante lembrar que os valores do leite no campo já iniciam 2026 em patamares bem abaixo dos registrados em anos anteriores e só devem retomar a alta sazonal entre abril e agosto. 

Pesquisadores do Cepea destacam que os possíveis custos menores de ração podem impedir quedas bruscas de margens de produtores leiteiros, mas estas serão menores que as observadas em 2024 e também no primeiro trimestre de 2025. Oportunidades podem existir, mas exigirão disciplina, gestão e eficiência. (Fonte: Cepea)

Produção de leite na UE deve recuar em 2026, aponta USDA

A produção de leite na União Europeia (UE) deve registrar uma leve queda em 2026, refletindo a redução do número de vacas leiteiras, o avanço de regulações ambientais mais rigorosas e os impactos de surtos de doenças animais. Segundo o relatório anual Dairy and Products Annual, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção total do bloco é estimada em 148,9 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma redução de 0,5% em relação a 2025.

Mesmo com custos mais baixos de ração e energia ao longo de 2025, pequenos produtores continuam deixando a atividade. A saída está associada à volatilidade dos preços pagos ao produtor, ao aumento das exigências ambientais, às dificuldades sanitárias e à falta de sucessores nas propriedades rurais. A tendência é de maior concentração da produção em fazendas maiores e mais profissionalizadas, embora os ganhos de produtividade não sejam suficientes para compensar a queda no número de animais.

Os preços do leite pagos aos produtores permaneceram elevados em 2025. Em agosto, a média da UE alcançou 53,2 euros (US$ 62,2) por 100 quilos, cerca de 12% acima do registrado no mesmo mês do ano anterior. Em julho, o preço médio foi de 52,8 euros (US$ 61,8) por 100 quilos, tornando o leite europeu até 41% mais caro que o dos Estados Unidos e 35% acima do praticado na Nova Zelândia, o que reduz a competitividade do bloco no mercado internacional.

Consumo de leite fluido continua em queda
O consumo doméstico de leite fluido na União Europeia deve seguir em trajetória descendente. Para 2026, a previsão é de 23 milhões de toneladas, uma queda de 0,9% em relação a 2025. Mudanças nos hábitos alimentares, maior presença de bebidas alternativas e preços ainda elevados explicam o recuo da demanda, especialmente no consumo doméstico. Com menor disponibilidade de leite, o uso industrial também deve apresentar leve retração em 2026, exigindo que as indústrias façam escolhas mais criteriosas sobre quais produtos priorizar. Nesse cenário, o queijo segue como o principal destino do leite europeu.

Queijo mantém protagonismo na indústria europeia
A produção de queijo na UE deve alcançar 10,8 milhões de toneladas em 2026, um crescimento modesto de 0,2% em relação a 2025. O produto permanece como a principal aposta da indústria láctea europeia, sustentado por consumo interno consistente e exportações ainda relevantes, embora pressionadas por preços elevados e tensões comerciais. Cerca de 13% da produção de queijo do bloco é destinada ao mercado externo. Em 2026, as exportações devem somar 1,37 milhão de toneladas, uma leve queda de 0,7%. Reino Unido, Estados Unidos e Japão continuam sendo os principais destinos. Ainda assim, a União Europeia mantém a posição de maior exportador mundial de queijo. O consumo doméstico também deve crescer, impulsionado pela recuperação econômica, pelo aumento da renda e pelo fortalecimento dos setores de turismo e alimentação fora do lar.

Produção de manteiga e leite em pó perde espaço
A produção de manteiga na UE deve recuar 1,4% em 2026, totalizando 2,06 milhões de toneladas, à medida que mais leite é direcionado à fabricação de queijo. As exportações do produto devem sofrer retração significativa, com queda estimada de 15%, em função da menor competitividade dos preços europeus no mercado global. Já a produção de leite em pó desnatado está prevista para cair 4,2% em 2026, alcançando 1,36 milhão de toneladas. A redução reflete a menor disponibilidade de leite, preços mais baixos e o enfraquecimento da demanda, especialmente da indústria de rações e do setor de chocolates, impactado pelos altos preços do cacau. Em setembro de 2025, o preço do leite em pó desnatado na UE estava em 232 euros (US$ 271) por 100 quilos, abaixo da média dos últimos cinco anos. O leite em pó integral também deve apresentar redução de produção em 2026, com queda de 1,7%, totalizando cerca de 590 mil toneladas. A menor competitividade frente a fornecedores da Oceania limita as exportações, enquanto o consumo interno tende a crescer levemente, favorecido por preços mais baixos.

Doenças e políticas ambientais pressionam o setor
Além dos desafios econômicos, o setor enfrenta impactos sanitários relevantes. Doenças como língua azul, doença hemorrágica epizoótica e episódios recentes de febre aftosa em partes da Europa Central afetaram a produtividade, a fertilidade dos rebanhos e o comércio internacional de lácteos. No campo regulatório, políticas ambientais e de bem-estar animal continuam gerando preocupação entre os produtores. Na Dinamarca, por exemplo, um novo acordo climático prevê um custo estimado de cerca de 130 euros (US$ 152) por vaca ao ano, o que pode acelerar mudanças estruturais no setor. Diante do risco de perda de autossuficiência, alguns países lançaram programas de apoio. A Croácia, por exemplo, anunciou um pacote de 592,5 milhões de euros (US$ 693 milhões) para o período de 2024 a 2030, voltado à expansão da produção de leite bovino e de pequenos ruminantes.

Acordos comerciais podem redesenhar fluxos de exportação
No comércio internacional, novos acordos podem abrir oportunidades para os laticínios europeus. Tratados em negociação ou em fase final com México e Mercosul preveem maior acesso para queijos e leite em pó da UE, o que pode ajudar a compensar perdas em mercados mais tradicionais, como os Estados Unidos, onde tarifas adicionais ameaçam reduzir a competitividade dos produtos europeus.

Apesar das incertezas, o relatório indica que o setor lácteo da União Europeia segue resiliente, porém cada vez mais dependente de decisões estratégicas relacionadas à alocação do leite, à adaptação regulatória e à diversificação de mercados. (Milkpoint - As informações são traduzidas do USDA)


Jogo Rápido
NO RADAR
O Brasil fechou 2025 com recorde na série histórica de registros concedidos a bioinsumos. Conforme balanço divulgado pelo Ministério da Agricultura, foram 162 no ano passado. Entram na relação dessa categoria produtos formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos (substâncias químicas produzidas por seres vivos). (Zero Hora)


Porto Alegre, 02 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.545


BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO Nº  01/2026 – SEAPI

A instabilidade atmosférica atuou sobre o Rio Grande do Sul nesta semana, proporcionando chuvas bem distribuídas na Metade Norte, onde foram registrados os maiores acumulados, com cerca de 200 mm nas regiões de Santa Rosa e Ijuí. 

Na bovinocultura de leite, o incremento na oferta de volumoso resultou em maior disponibilidade de alimento para os animais, refletindo positivamente na produção e possibilitando, em algumas propriedades, a redução da suplementação com fenos e concentrados. As chuvas recentes afetaram o manejo dos rebanhos, dificultando a limpeza dos úberes e o deslocamento dos animais até as pastagens.

As condições corporais e sanitárias estão apropriadas, e a produção estável ou superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Nos próximos dias, a previsão indica nebulosidade variável, com tendência de elevação das temperaturas e chuvas concentradas, mais frequentes no Norte do Rio Grande do Sul, o que pode favorecer reposição localizada da umidade do solo e aumentar a variabilidade das condições hídricas entre as regiões. 

Em 02/01 (sexta-feira), o sistema de baixa pressão manterá condições de chuva em todas as regiões, com menores acumulados no Sul; as temperaturas máximas devem alcançar 34 °C no Oeste.

No final de semana, a entrada de uma massa de ar frio sobre o território gaúcho deve provocar queda das temperaturas e maior estabilidade atmosférica, reduzindo a ocorrência de chuva e, em geral, diminuindo a demanda evaporativa no curto prazo. 

No entanto, a partir de segunda-feira (05/01), as temperaturas voltam a se elevar. Em 03/01 (sábado), a passagem de uma frente fria sobre o Rio Grande do Sul estabilizará a atmosfera, deixando o dia ensolarado e com poucas nuvens. As temperaturas ficarão mais baixas em todas as regiões, com mínimas de 13 °C no Sul e máximas em torno de 29 °C no Oeste. 

Em 04/01 (domingo), a massa de ar frio associada à frente fria manterá o tempo firme, com dia ensolarado; as temperaturas máximas devem atingir cerca de 33 °C na Metade Oeste. 

Em 05/01 (segunda-feira), o sol predominará, e as temperaturas entrarão em elevação em todo o Estado; as máximas devem chegar a 35 °C na Metade Sul e na Região Metropolitana. 

Em 06/01 (terça-feira), o sol aparecerá entre nuvens, com possibilidade de chuva na Serra no final do dia; a temperatura máxima pode atingir 38 °C na região dos Vales e na Metropolitana. 

Em 07/01 (quarta-feira), a nebulosidade será variável, e há previsão de chuva na região de fronteira com o Uruguai; a temperatura máxima deve alcançar 40 °C na Costa Doce e na Metade Sul. (Boletim Agrometeorológico)


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1900 de 1 de janeiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

O incremento na oferta de volumoso aos animais refletiu positivamente na produção e possibilitou, em algumas propriedades, a redução da suplementação com fenos e concentrados. As chuvas recentes afetaram o manejo dos rebanhos, dificultando a limpeza dos úberes e o deslocamento dos animais até as pastagens. As condições corporais e sanitárias estão apropriadas, e a produção estável ou superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, houve necessidade do uso de ventiladores e de vaporizadores para mitigar o calor e reduzir o estresse térmico nos sistemas de confinamento. 

Na de Erechim, as temperaturas mais elevadas têm intensificado o estresse térmico dos animais, exigindo maior atenção ao acesso à sombra e à disponibilidade de água de qualidade nos piquetes e nas instalações, tanto nos sistemas a pasto quanto nos confinados. As chuvas de volumes elevados causaram problemas nos rebanhos manejados em sistemas de pastoreio com ordenha em estábulos.

Na de Frederico Westphalen, houve necessidade de suplementação alimentar, mas os animais apresentaram condições corporais e sanitárias adequadas. 

Na de Ijuí, em função da elevada umidade do solo, o deslocamento dos animais até as áreas de pastejo intensificou a formação de barro, dificultando o acesso às pastagens e ampliando o contato do úbere com o lodo, o que resultou em maior incidência de doenças nas glândulas mamárias. Apesar desse cenário, a produção atingiu volume superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Na de Santa Maria, a produtividade segue em volumes satisfatórios, em razão da disponibilidade de pastagens. 

Na de Santa Rosa, as temperaturas amenas nas primeiras horas da manhã possibilitaram a ampliação do período diário de pastejo. No entanto, o elevado volume de chuvas, registrado nos últimos dias do período, impôs restrições ao manejo do rebanho e da ordenha. (Emater/RS editado pelo Sindilat/RS)

Imposto de Renda em 2026: veja o que muda, quem ganha e quem passa a pagar mais

Nova tabela de tributação entra em vigor a partir deste ano e amplia isenção para até R$ 5 mil mensais

O Imposto de Renda (IR) terá neste ano a maior reformulação dos últimos tempos. A principal mudança é a ampliação da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, medida que retira milhões de brasileiros da base de contribuintes.

Para compensar a perda de arrecadação, o governo também instituiu uma tributação mínima sobre altas rendas, incluindo pela primeira vez lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas.

As alterações passam a valer a partir do exercício de 2026, com impacto direto no salário mensal, na aposentadoria, no ajuste anual e no planejamento financeiro da população brasileira.

Isenção até R$ 5 mil e desconto até R$ 7.350
A principal novidade é a isenção total do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil. Quem recebe até esse valor deixa de ter qualquer desconto em folha ou cobrança no ajuste anual.

Para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o imposto não acaba, mas fica gradualmente menor, com descontos proporcionais que reduzem a carga tributária:

Até R$ 5,5 mil: desconto de 75%
Até R$ 6 mil: desconto de 50%
Até R$ 6,5 mil: desconto de 25%

Na prática, quanto mais próximo dos R$ 5 mil, menor será o imposto efetivamente pago. A regra cria uma transição suave até o limite de R$ 7.350, evitando saltos bruscos na tributação. (Zero Hora)


Jogo Rápido
FRASE DO DIA - JORNAL DO COMÉRCIO 
“O setor leiteiro vem há meses com problema de rentabilidade. Todas as medidas são bem-vindas, mas os governos precisam entender a urgência do momento.”  Darlan Palharini,  secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat).


Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 30 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.544


Newsletter do Sindilat/RS completa 20 anos em 2026 e reafirma seu papel estratégico no setor lácteo

Publicada nesta terça-feira, 30/12/2025, a última edição deste ano celebra duas décadas de informação qualificada, alcance e credibilidade

Enviada todos os dias, sem interrupções, a Newsletter do Sindilat/RS chega à sua última edição de 2025 celebrando uma trajetória sólida e consistente. Em 2026, o informativo completa 20 anos de circulação, consolidando-se como uma das principais fontes de informação do setor lácteo.

Atualmente, a Newsletter alcança mais de 4 mil pessoas diariamente, por e-mail e WhatsApp, reunindo um público altamente qualificado, formado por produtores, indústrias, lideranças, técnicos e formadores de opinião.

Ao longo dos anos, o conteúdo publicado se tornou referência ao abordar, de forma estratégica, temas essenciais para o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite, como qualidade, sanidade, produção, mercado, inovação, competitividade, políticas públicas, economia e legislação.

Ultrapassando o informativo, a Newsletter do Sindilat/RS também é um canal de conexão, atualização e apoio à tomada de decisão, acompanhando a evolução do setor e os desafios do presente e do futuro.

Ao encerrar 2025, o Sindilat/RS reforça seu compromisso com a informação de qualidade e projeta 2026 como um ano simbólico, de celebração e continuidade de um trabalho que, há duas décadas, conecta diariamente quem faz o setor lácteo acontecer. (Sindilat/RS)


CEPEA: maior oferta mantém pressão no campo

Com aumento da captação e estoques elevados, mercado segue pressionando os preços pagos ao produtor

O preço do leite ao produtor registrou nova queda na “Média Brasil”. Segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o valor médio do leite captado em novembro foi de R$ 2,1122 por litro, recuo de 8,31% em relação a outubro/25 e de 23,3% frente a novembro/24, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de novembro/25). Com esse movimento, os preços acumulam retração real de 21,2% na parcial do ano. As sucessivas reduções refletem o maior nível de oferta no mercado.

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de novembro/2025)

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Em 2025, a oferta de lácteos apresentou crescimento significativo. O Cepea projeta que o ano seja encerrado com aumento médio de 7% na captação industrial, alcançando 27,14 bilhões de litros, volume recorde. A produção de leite cru foi impulsionada pelos investimentos realizados em 2024 e por condições climáticas mais favoráveis ao longo de 2025, que estimularam a produção no Sudeste e no Centro-Oeste e atenuaram a queda sazonal no Sul neste período. De outubro para novembro, o ICAP-L (Índice de Captação de Leite) avançou 1,61% na Média Brasil, acumulando alta de 15,9% no ano. 

A oferta também segue sendo complementada pelas importações que, embora tenham recuado 14,8% em novembro, permanecem em níveis elevados. Na parcial do ano, ingressaram no país cerca de 2,05 bilhões de litros em equivalente leite (Eql), volume apenas 4,8% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, que foi marcado por recorde de importações. As exportações, por sua vez, apresentaram retração de 33% na comparação anual, somando 62,4 milhões de litros Eql no acumulado do ano.

Segundo agentes de mercado, houve aumento dos estoques de lácteos tanto na indústria quanto nos canais de distribuição. Em um ambiente de mercado bem abastecido, as negociações de derivados têm ocorrido com maior pressão, o que impacta as margens dos laticínios. Esse movimento se reflete nos preços do leite cru, afetando a receita do produtor. 

Análises do MilkPoint Mercado mostram que, em dezembro, o Índice de Custos com a Produção de Leite (ICP) voltou a subir, pressionado principalmente pelo aumento dos custos com alimentação energética, combustíveis e defensivos agrícolas. Com o avanço do desenvolvimento das culturas de verão, a demanda por defensivos se manteve aquecida em um momento estratégico do calendário agrícola, sustentando os preços e reforçando o movimento de elevação dos custos de produção. O cenário aponta para uma redução da rentabilidade no campo e para maior cautela nos investimentos, o que tende a contribuir para uma desaceleração gradual da produção.

As informações são do CEPEA e da equipe MilkPoint Mercado.

Retrospectiva 2025: conjuntura internacional

Oferta global de leite cresceu mais rápido que a demanda em 2025. Entenda como o avanço da produção, a competição entre exportadores e o movimento das importações impactaram o mercado e o que esse cenário indica para 2026.

Ao longo de 2025, o mercado global de lácteos foi marcado por um plano de fundo bastante claro: o crescimento da captação de leite foi expressivo em nível mundial.

Gráfico 1. Variação da produção leiteira em relação ao mesmo período em 2024

Fonte: DCANZ, USDA, OCLA, adaptado por MilkPoint Mercado

Diferentes polos produtores ampliaram a oferta ao longo do ano, como observado na variação da produção de alguns países em relação ao mesmo período em 2024 (Gráfico 1), resultando em maior disponibilidade de leite e derivados. Complementarmente, a demanda por lácteos foi variável: em alguns países vemos uma sustentação, em outros uma leve queda ou até um leve crescimento. O gráfico a seguir mostra a evolução do consumo em alguns países, considerando 2021 como ano-base (2021 = 100).

Gráfico 2. Consumo doméstico de leite fluído (mil Kg) (2021 = 100)

Fonte: USDA, adaptado MilkPoint Mercado

Mesmo quando a demanda apresentou oscilações positivas, como no caso do Brasil, seu avanço não foi suficiente para acompanhar o expressivo ritmo de crescimento da oferta. Esse descompasso alterou de forma relevante o equilíbrio do mercado internacional: o aumento da disponibilidade de leite e derivados ampliou a oferta nos principais fluxos de comércio, intensificou a competição entre exportadores e dificultou a absorção do volume adicional produzido. Nesse contexto, os preços passaram a cumprir o papel de principal mecanismo de ajuste, com recuos ao longo do ano na tentativa de estimular a demanda e realocar os excedentes.

Esse movimento estrutural pode ser observado de forma clara nos principais indicadores de preços do mercado internacional. 

O Global Dairy Trade (GDT), referência para a formação de preços no comércio global de lácteos, refletiu ao longo do ano a dificuldade de sustentação das cotações em um ambiente de oferta elevada. Os recuos observados nos preços dos derivados ao longo de 2025 indicam que o ajuste necessário para viabilizar o escoamento do volume adicional ocorreu, majoritariamente, via preços. Embora tenham ocorrido oscilações pontuais entre os leilões, o comportamento geral indicou um mercado pressionado, com valores dos principais derivados encontrando resistência para se manter em patamares mais elevados - como se pode observar no Gráfico 3 que ilustra os movimentos para o leite em pó integral (LPI), o principal produto comercializado, referente ao último leilão realizado.

Gráfico 3. Preço médio do leite em pó integral no leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)
Essa leitura é corroborada pelos indicadores da FAO, que mostram uma redução nos preços internacionais dos derivados lácteos ao longo de 2025. O comportamento desses índices reforça que, mesmo com a demanda global se mantendo ativa, ela não foi suficiente para absorver o volume adicional ofertado pelo mercado. 

Gráfico 4. Índice FAO - Preço médio de lácteos

Fonte: FAO, adaptado MilkPoint Mercado

Esses movimentos não ocorreram de forma isolada. Ao ajustar a análise para uma escala mais próxima do mercado brasileiro, os dados do levantamento realizado pelo MilkPoint Mercado junto a players do Mercosul mostram que a dinâmica foi semelhante ao longo de 2025. Em um contexto de oferta elevada e maior competição, os exportadores da região passaram a reduzir preços de forma recorrente na tentativa de manter o escoamento de seus volumes para o Brasil. Como exemplo, observa-se no gráfico a seguir o comparativo dos preços praticados nacionalmente para LPI em contraste com os preços deste produto importado.

Gráfico 5. Preços nominais leite em pó integral (R$/Kg) - Custo de aquisição importado vs. local

Fonte: MilkPoint Mercado, levantamento “Mercosul”

Os preços mais baixos no mercado externo contribuíram para a manutenção de patamares elevados de importação ao longo do ano, em níveis muito semelhantes ao observado em 2024 (Gráfico 6). No entanto, diferentemente de outros momentos históricos, o mercado brasileiro também se mostrou amplamente abastecido em 2025, em função de uma oferta doméstica elevada.

Gráfico 6. Importações (milhões de litros) para as categorias lácteas em equivalente leite

Nesse cenário, embora volumes relevantes tenham sido direcionados ao Brasil, mesmo a preços mais baixos, o ajuste via preços passou a apresentar ganhos cada vez menores para os exportadores. O escoamento para o mercado brasileiro não foi suficiente para absorver integralmente o excedente disponível. 

Dessa forma, é possível que parte dos exportadores tenham buscado diversificar os destinos dos produtos, buscando mercados alternativos para o escoamento da produção e reduzindo parte da concentração das vendas no mercado brasileiro. 

Em síntese, o cenário internacional de lácteos em 2025 foi marcado por um ambiente de oferta elevada em nível global, com crescimento da produção em diferentes regiões e uma demanda que avançou em ritmo mais contido. Esse desequilíbrio intensificou a competição entre exportadores e levou os preços a cumprirem o papel de principal mecanismo de ajuste ao longo do ano. A partir desse diagnóstico, a atenção se volta agora para 2026: entender se esse quadro de oferta ampla tende a se manter ou se haverá mudanças relevantes do lado da produção e da demanda será fundamental para avaliar os próximos movimentos do mercado lácteo global. (Milkpoint adaptado pelo Sindilat)


Jogo Rápido
UPF-RS é fixada em R$ 28,3264 para 2026 e atualiza contribuições ao Fundesa e Fundoleite
Entra em vigor em 1º de janeiro de 2026 o novo valor da Unidade Padrão Fiscal do Rio Grande do Sul (UPF-RS), fixado em R$ 28,3264, conforme a Instrução Normativa RE nº 111/25, publicada no Diário Oficial do Estado em 23 de dezembro de 2025. O índice da Receita Estadual substitui o valor de R$ 27,1300, utilizado em 2025, representando um aumento de aproximadamente 4,41%. A atualização da UPF impacta as contribuições ao Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). No caso do leite, a contribuição passa a ser de R$ 0,001756 por litro produzido em 2026, calculada com base em 0,000062 UPF por litro. Desse total, 50% (R$ 0,000878) são descontados na nota de compra do leite pago ao produtor e 50% (R$ 0,000878) recolhidos pela indústria. Os recursos do Fundesa são destinados à indenização de produtores pela perda de animais acometidos por zoonoses, como tuberculose e brucelose, além de financiarem ações de prevenção e controle de doenças infectocontagiosas previstas nos programas oficiais de sanidade animal. Já a contribuição ao Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Fundoleite) terá recolhimento de R$ 0,001756 por litro adquirido, de responsabilidade exclusiva da indústria. Desse montante, o Estado concede bonificação de 50% via crédito de ICMS. O fundo é voltado ao financiamento de ações, projetos e programas estruturantes para o desenvolvimento da cadeia leiteira, com foco na competitividade e em campanhas de estímulo ao consumo de lácteos. O secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini, lembra que o Fundesa segue sendo um instrumento de segurança sanitária para os produtores. Em relação ao Fundoleite, o dirigente reforça que o sindicato mantém diálogo permanente com o governo estadual para a efetiva liberação dos recursos. “Este aporte já é esperado há muito tempo e chegaria em boa hora para equilibrar o setor neste momento em que temos uma crise instaurada, fruto da entrada de importados que prejudicam a produção nacional”, afirma. (Jardine Comunicação)


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Porto Alegre, 29 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.543


Conseleite indica leite projetado a R$ 2,0180 em dezembro no RS

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite) divulgou projeção de R$ 2,0180 para o valor de referência do leite em dezembro no Rio Grande do Sul, queda de 0,28% em relação ao projetado de novembro (R$ 2,0237), dados que podem apontar uma desaceleração no movimento de baixa, indicando uma possível melhora e recuperação nos preços a partir do primeiro trimestre de 2026. Os números foram divulgados na manhã desta segunda-feira (29/12), última reunião do ano de 2025, que ocorreu em formato virtual.

O Conseleite também anunciou o valor consolidado em novembro de 2025 em R$ 2,0601, 6,38% abaixo do consolidado em outubro de 2025 (R$ 2,2006). O cálculo é elaborado mensalmente pela UPF com dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês, e leva em conta parâmetros atualizados pela Câmara Técnica do colegiado em 2023.

Conforme o coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, o Conseleite acompanha atentamente a evolução do mercado. “Mantemos sempre o diálogo entre os elos da cadeia, buscando fornecer informações que contribuam para o equilíbrio e a sustentabilidade da atividade leiteira no Rio Grande do Sul. Torcemos para um 2026 de crescimento para os produtores e toda a indústria do leite.”

Definição da Diretoria do Conseleite 2026

Durante a reunião, também foi definida a nova coordenação do Conseleite para 2026. Conforme o sistema de rotação adotado pela entidade, que alterna anualmente a coordenação entre representantes da indústria e dos produtores de leite, o cargo passa do setor industrial,responsável pela coordenação em 2025, para o setor produtivo em 2026. Assim, Kaliton Prestes, secretário executivo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS), assume como o novo coordenador do Conseleite.


CONSELEITE MINAS GERAIS - CONSELHO PARITÁRIO DE PRODUTORES E INDÚSTRIAS DE LEITE DE MINAS GERAIS - RESOLUÇÃO DEZEMBRO/2025

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 26 de Dezembro de 2025, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:

a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Outubro/2025 a ser pago em Novembro/2025
b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2025 a ser pago em Dezembro/2025
c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Dezembro/2025 a ser pago em Janeiro/2026.

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.

Como será a febre das proteínas em 2026?

Proteína continua no centro das inovações em alimentos e bebidas em 2026, confira como o setor está reinventando sua combinação com saúde e funcionalidade.

Especialistas da indústria alimentícia estão olhando para o futuro, e os prognósticos apontam para uma tendência que deve dominar o setor em 2026: a proteína continuará sendo o principal foco nos alimentos e bebidas.

Proteína, proteína, proteína - até mesmo no refrigerante
A tendência de alimentos ricos em proteína não é nova; alegações de alto teor proteico têm aparecido em produtos de quase todas as categorias, desde iogurtes e cereais até mesmo batatas fritas. Mas, em 2026, analistas preveem que essa tendência começará a diminuir, caminhando para uma dieta muito mais diversificada até 2030.

É isso que a Mintel prevê. A empresa de análise de mercado espera que o consumo excessivo de proteínas e fibras diminua e que as dietas passem a ser equilibradas com uma variedade de frutas, verduras, grãos, sementes, especiarias e, claro, proteínas.

Mas a tendência de "maximização" não está diminuindo agora, nem diminuirá nos próximos 12 meses. Pelo menos não é o que os especialistas em ingredientes, incluindo os da Arla Foods Ingredients, estão prevendo. O diretor sênior de nutrição de desempenho da empresa, Peter Schouw Anderson, admite seu viés por trabalhar na área de proteínas. Mas, ao mesmo tempo, ele não pode ignorar que são as gigantes da alimentação mundial que estão lançando "produtos proteicos exclusivos" neste momento.

Esse fato é inegável. A maior empresa do mundo, a Nestlé, desenvolveu uma linha de refeições congeladas prontas com alto teor de proteína e criou um microgel de soro de leite patenteado para aumentar o teor proteico em bebidas lácteas. A Danone também está investindo pesado na onda de alto teor proteico, desenvolvendo shots com 10g de proteína para auxiliar na saúde muscular.

Então, como será a febre das proteínas em 2026? A Arla Foods Ingredients prevê que muitos mais refrigerantes proteicos, feitos com a fração beta-lactoglobulina do soro do leite, chegarão ao mercado. Anderson revelou até que algumas "grandes marcas" já estão trabalhando nisso. "Será um grande sucesso no próximo ano."

Adicionando um reforço funcional à proteína
A Arla Foods Ingredients está longe de ser a única fornecedora a prever que a proteína dominará, ou continuará a dominar, o mercado em 2026. Outras empresas, porém, preveem que a proteína será a tendência dominante – com uma reviravolta.

Não é segredo que os alimentos e bebidas funcionais estão em alta. Globalmente, o mercado de alimentos e bebidas funcionais vale atualmente € 317 bilhões e a expectativa é que mais que dobre até 2032. E se a febre das proteínas pudesse se unir à demanda por funcionalidade adicional? Essa é uma tendência que a FrieslandCampina Ingredients está chamando de “proteína-plus”.

Na prática, isso significa formular um produto com alto teor de proteína e, em seguida, adicionar um ingrediente funcional que ofereça um benefício adicional à saúde. A fibra é um bom exemplo, explica Sophie Zillinger Molenaar, líder global de execução de marketing. Por que um consumidor não optaria por um iogurte rico em proteínas, por exemplo, com adição de fibras alimentares para melhorar a saúde intestinal?

“As aplicações estão em plena expansão”, diz Molenaar, a ponto de a proteína quase não ser mais um diferencial – é simplesmente algo esperado pelos consumidores. Até mesmo a rede de cafeterias Starbucks está vendendo Protein Lattes e Cold Foam Drinks que oferecem até 36g de proteína por bebida tamanho grande. Produtos lácteos congelados, de sorvetes a iogurtes, são outra categoria que vem recebendo o tratamento de alto teor proteico.

Pode não demorar muito para que eles também sejam reformulados e se tornem produtos "proteína-plus": ricos em proteínas, mas com um reforço funcional extra.

Oportunidades de expansão na tendência de proteínas
Com a Starbucks apostando na tendência de alto teor proteico, fica claro que a moda chegou ao grande público. Só nos EUA, estima-se que 40% dos iogurtes ostentem o rótulo "alto teor proteico". Mas, globalmente, essa é uma visão muito ocidentalizada. A proteína é inegavelmente uma grande tendência em alimentos e bebidas, mas não no mundo todo.

Andrew Taylor, vice-presidente executivo de alimentos e bebidas da Novonesis, empresa global de biossoluções, optou por não citar uma única tendência para 2026, mas algumas. Rótulos limpos são uma delas, assim como proteínas. No entanto, ele ressalta que a tendência de proteínas varia de acordo com a região. Sim, é forte nos EUA e na Europa, onde "continua crescendo", mas só agora está começando a se infiltrar na Ásia.

“Em muitos outros países, isso está apenas começando”, explica ele. “Acreditamos que será uma tendência que veio para ficar.”

Outras tendências de saúde e estilo de vida, como o controle de peso, só irão aumentar a demanda por proteínas, já que os consumidores buscam maneiras de se sentirem saciados por mais tempo e manterem a massa muscular – principalmente ao tomar medicamentos GLP-1.

Qual a conclusão desses especialistas em ingredientes? A tendência de alimentos ricos em proteína não vai perder força tão cedo. E, em escala global, o mercado está longe de estar saturado – ainda há muito espaço para crescimento.

As informação são traduzidas do FoodNavigator Europe.


Jogo Rápido
Compra de leite em pó: Setor esperava maior volume adquirido
Sofrendo com a baixa remuneração pelo litro de leite, os produtores pedem apoio do governo. Uma das maneiras de ajudar o setor é a destinação de mais de 100 milhões de reais para compra de leite em pó. Veja na reportagem de Álvaro Couto. Assista clicando aqui. (AgroMais via Youtube)


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Porto Alegre, 26 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.542


EMBRAPA/CILEITE: Nota de Conjuntura - Mercado de Leite e Derivados - Dezembro de 2025

O último leilão GDT realizado no dia 02 deste mês consolidou uma posição de queda contínua do preço do Leite em Pó Integral no mercado internacional, tendência iniciada em maio do corrente ano, quando atingiu o pico de US$ 4.374. O preço da tonelada retrocedeu ao patamar de US$ 3.364, valor equivalente a outubro de 2.024. A manteiga também apresentou este comportamento de preços no penúltimo leilão GDT do ano, quando a tonelada atingiu a cotação de US$ 5.169, numa queda contínua de preços, que vem desde junho, quando foi cotada a US$ 7.890, retornando à cotação de dezembro de 2023. O queijo muçarela foi comercializado a US$ 3.182, a menor cotação desde de dezembro de 2.023. Os preços em queda refletem aumento na produção nos Estados Unidos, Europa, Oceania e em países da América do Sul.

No Brasil, as importações seguem em volume elevado, mas em níveis um pouco inferiores que em 2.024. Nos onze meses deste ano a balança comercial registrou um déficit de 1,9 bilhão de litros equivalentes, ou queda de -4,2% em relação a igual período do ano anterior. Todavia, fechará o ano acima de 2 bilhões de litros equivalentes, perfazendo 8% ou mais do total de leite industrializado no ano. Por outro lado, está em curso forte expansão da produção interna. O IBGE registrou crescimento de 10,2% do leite processado pelos laticínios, no acumulado de janeiro a setembro, frente a igual período de 2.024. O fechamento do quarto trimestre deverá registrar expansão da oferta em patamares similares, rompendo a barreira dos dois dígitos.

Com oferta elevada, resultante tanto das importações quanto da expansão da produção, os preços ao consumidor retraíram em novembro, mesmo com o nível de emprego elevado, registrando recorde histórico, a maior massa de salários dos últimos anos. Para uma inflação em novembro de 0,2%, medida pelo IPCA, o grupo Leite e derivados materializou o excesso de oferta, com forte retração de preços (-2,3%). Os destaques foram a redução dos preços no varejo para o Leite longa vida, (-5,0%), Leite condensado (-1,9%), Manteiga (-1,3%), Leite em pó (-0,7%) e Queijos (-0,6%). 

O efeito na cadeia produtiva se fez sentir, com o varejo comprimindo os preços praticados em todos os elos da cadeia. O Leite UHT já é comercializado no atacado em valores próximos a R$ 3,00 e o queijo Muçarela em torno de R$ 25,00. O Leite Spot, um indicativo importante para sinalizar se o mercado está comprador ou vendedor, já é comercializado em valores próximos a R$ 1,80, o que equivale a cerca de US$ 0,32, valor menor que os preços ao produtor praticados na Argentina. Como este valor traduz média de preços, já há produtores no Brasil que produzem pouco volume e com baixo nível tecnológico recebendo cerca de R$ 1,40 o litro.

Os custos de produção têm contribuído para não comprimir ainda mais a estreita margem do produtor. Em novembro, cresceram 0,3%, com variação restrita dos preços de alimentação concentrada (1,0%), além de queda dos custos de produção de volumosos (-0,7%). No acumulado dos onze meses do ano, a inflação de custos está em 2,8%, sendo que Concentrados tiveram aumento de preços de 1,0% e Volumosos apresentaram deflação de -2,5%. Portanto, fica evidente que a margem estreita é originária pela receita e não pelos custos.

Um olhar para o futuro no curto prazo não permite antever um equilíbrio de preços por meio de expansão da demanda. Embora o resultado do PIB para o terceiro trimestre tenha sido favorável, com crescimento de 1,8%, numa comparação com o terceiro trimestre de 2024, o fato é que, especificamente no terceiro trimestre, o crescimento foi de apenas de 0,1%. O consumo interno de bens e serviços começa a dar sinal de desaquecimento. Quando isso ocorre, bens de consumo, que variam com a massa salarial como leite e derivados, tendem a ser afetados. Ademais, a taxa de juros deverá continuar a ser uma das maiores do mundo, inibindo o crescimento do PIB. Em termos de comércio exterior, o que se antevê é que os preços de derivados lácteos se mantenham em patamares baixistas durante o período que corresponde ao verão brasileiro, contribuindo para pressionar por importações, que deprimem o preço interno ao produtor.

Pelo lado da oferta, é possível que a produção continue em alto volume no primeiro trimestre de 2026, estimulada pela produção baseada em pastagem e pelo bem comportado preço de grãos, como soja e milho, tanto no mercado internacional, quanto no mercado interno, já que o Brasil começará a colher a primeira safra de milho e soja. Mas as expectativas para o início do ano de 2026 são mais desafiadores e isso tende a causar desaceleração na produção brasileira. Preços médios ao produtor pouco acima de R$2/litro, afeta a rentabilidade de muitas fazendas causando novas evasões da atividade. Portanto, a maior probabilidade é que as margens do produtor e mesmo da indústria se mantenham estreitas. Todavia, o cenário pode mudar, a depender de decisões de governos estaduais e federal, com a adoção de medidas que reduzam o volume de importações de leite. 


Emater/RS-Ascar realiza levantamento do cenário da atividade leiteira na região de Santa Rosa

Como forma de diagnosticar e contribuir com a construção de políticas públicas que levem em conta a realidade das famílias rurais, a Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), desencadeou o 6º Levantamento Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite do RS. Na região de Santa Rosa, o processo contou com o engajamento dos 45 escritórios municipais e com o apoio de diversas entidades parceiras, a exemplo de cooperativas e indústrias de beneficiamento de leite.

Os questionários foram aplicados em agosto de 2025 com o levantamento de mais de 100 itens relacionados à cadeia do leite, abarcando temas como produção, tecnologias utilizadas, comercialização e industrialização do leite. "Assim, é possível vislumbrar um diagnóstico sobre o que está acontecendo com o leite na região, uma das maiores bacias leiteiras do RS, e ao mesmo tempo ter subsídio para a definição de estratégias e construção de políticas públicas", destaca o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Jorge João Lunardi.

Lunardi também destaca a importância da atividade para a economia da região, sendo a segunda principal fonte de renda agrícola local, com mais de R$ 1,7 bilhões movimentados anualmente. Nos 45 municípios que compõe os Coredes Fronteira Noroeste e Missões existem 4.299 estabelecimentos, que vendem aproximadamente 1,67 milhões de litros de leite por dia e mais de 10 indústrias e agroindústrias da região.

Entre 2015, primeiro ano do levantamento, e 2025, observou-se a redução de 71% no número de produtores de leite na região, ao mesmo tempo o volume de produção se manteve e a produtividade por vaca cresceu 37%, evidenciando uma concentração da produção em menos propriedades, cada vez mais tecnificadas.

Perfil das Propriedades

Os mais de 635 milhões de litros de leite produzidos ao ano provém de 131.877 vacas. A produtividade média é de 5.152 litros/vaca/ano, sendo 64% do rebanho formado por holandesas, 18% Jersey e o restante cruzadas.

A atividade está presente principalmente em propriedades da agricultura familiar, perfil presente em 93% das unidades, que possuem em média 20 hectares de área.

Na faixa de produção de até 300 litros/dia, a região possui 2.590 estabelecimentos (60%); até 500 litros/dia há 3.484 estabelecimentos (81%). Já na faixa de 501 a 1 mil litros/dia estão 14% do total de propriedades e, acima de 1.001 l/dia, há 288 estabelecimentos, correspondendo a 7% do total.

Manejo e tecnologias adotadas

O manejo do rebanho aponta para a tendência de produção de leite à base de pasto, em sistema de pastoreio rotativo, com suplementação (85%). Também é adotado o sistema de semiconfinamento (10%) e confinamento em free stall e compost barn (5%).

Avança a adoção de tecnologias como a irrigação, presente em 11% das propriedades. Para a ampliação deste número, a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) oferece o Programa Estadual de Irrigação, executado pela Emater/RS-Ascar.

As ordenhas são canalizadas em 49% das propriedades; balde ao pé é adotado ainda em 23%; 27% possuem transferidor; 89% têm local adequado para ordenha; 68% possuem sala com fosso; 32% possuem piso calcado na sala de espera e 17 propriedades adotaram ordenha robotizada.

Em relação aos equipamentos dos quais dispõem, o resfriamento do leite é feito em 99% das propriedades com tanque de expansão direta, isotérmico; 92% usam água quente para higienização de equipamentos, e a maioria vêm obtendo boa qualidade do leite decorrentes das medidas de higiene e limpeza adotadas.

Lunardi destaca que o levantamento de 2025 aponta ainda que os índices de produção têm melhorado, especialmente em questões como genética, alimentação e nutrição, qualidade do leite, bem-estar animal, sanidade do rebanho, construções e equipamentos adequadas.

O levantamento apontou também que 30 municípios possuem programas municipais de fomento ao leite. Também se destaca o arranjo institucional que tem sido feito, capitaneado pela Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste (Amufron), de modo a qualificar estratégias para o desenvolvimento sustentável da bacia leiteira local.

Em relação à disponibilidade de apoio técnico, a região tem centenas de profissionais que trabalham com inseminação artificial e outros que atuam em Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters).

Somente em 2025, a Emater/RS-Ascar atendeu mais de 1.900 famílias produtoras de leite na região de Santa Rosa, com ações voltadas à assistência técnica, agroindustrialização, tecnologias e fomento.

Desafios Estruturais

Apesar dos avanços, o setor enfrenta dificuldades estruturais. Entre os produtores entrevistados, 45% reclamam do preço pago pelo leite, 55% apontam a falta de mão de obra, e 40% citam a ausência de sucessores para continuidade da atividade. Além disso, 17% mencionam dificuldades em atingir a escala mínima exigida pelas indústrias.

A faixa de produção até 500 litros/dia ainda concentra 81% dos estabelecimentos, mas há crescimento na produção acima de 1.000 litros/dia, sinalizando um movimento de concentração produtiva. A maioria dos produtores ativos tem mais de 50 anos, apontando para a necessidade de políticas que fomentem a continuidade da atividade nos próximos anos.

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional de Santa Rosa

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1899 de 25 de dezembro de 2025

BOVINOCULTURA DE LEITE

Houve ampliação do período de pastejo e redução da pressão térmica sobre os rebanhos. De modo geral, a produção está dentro do esperado para o período, sustentada pela oferta de pastagens, de silagem e de suplementação alimentar. A condição sanitária dos rebanhos se encontra, em geral, estável, mas há registros pontuais de ectoparasitas. A qualidade do leite segue dentro dos padrões estabelecidos, e houve intensificação dos cuidados de manejo e de higiene.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a maior regularidade das precipitações contribuiu para o aumento da disponibilidade de forragem, e foi possível reduzir a suplementação com fenos e concentrados. Os períodos de calor menos intenso favoreceram as matrizes.

Na de Caxias do Sul, a produtividade está satisfatória, sustentada pela disponibilidade de pastagens e de silagem de milho, principal fonte de volumoso. A condição sanitária do rebanho está estável, mas há registros de ectoparasitas em algumas propriedades. O estado corporal segue dentro do esperado, uma vez que não foram observadas restrições alimentares entre as diferentes categorias. A qualidade do leite produzido se mantém nos padrões estabelecidos.

Na de Ijuí, o escore corporal dos animais é considerado satisfatório e superior ao observado no mesmo período do ano anterior, reflexo da oferta de alimentos de qualidade. A produção, apesar de leve declínio no volume, está acima da curva sazonal, e a qualidade dentro dos padrões exigidos, com melhora gradual.

Na de Passo Fundo, o estado corporal está adequado, e o desempenho produtivo estável em função da qualidade da forragem e da suplementação alimentar. O aumento na ocorrência de ectoparasitas tem exigido maior atenção dos criadores, mas está sob controle. 

Na de Pelotas, foram registradas dificuldades relacionadas à alimentação dos animais em função do encerramento das pastagens de inverno, do atraso no desenvolvimento das forrageiras de verão e dos períodos de déficit hídrico, o que elevou os custos de produção, especialmente com suplementação via silagem e ração concentrada. Do ponto de vista sanitário e de manejo, foi observado aumento na infestação de carrapatos em algumas propriedades.

Na de Porto Alegre, a utilização de suplementos alimentares foi necessária devido à oferta limitada de pastagens.

Na de Santa Rosa, as temperaturas mais amenas, especialmente no amanhecer, possibilitaram a ampliação do período de pastejo. Em função da amplitude térmica observada nas últimas semanas, houve deslocamento dos rebanhos para áreas com mais disponibilidade de sombra e água. Após a ocorrência de chuvas no início do período, foram intensificados os procedimentos de higiene de ordenha em razão do acúmulo de sujidades no úbere e nos tetos das matrizes. Os parâmetros de qualidade do leite foram mantidos. (EMATER/RS)

 

Jogo Rápido
PREVISÃO METEOROLÓGICA DE 23 A 29/12/2025
Os próximos dias serão marcados pela presença de elevada umidade na atmosfera, favorecendo a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas, especialmente nas regiões Central e Norte do Estado. Em 26/12 (sexta-feira), a entrada de um sistema de alta pressão deixará a atmosfera mais estável no Sul, com redução da nebulosidade ao longo do dia, e no Norte ainda haverá variação de nuvens; as temperaturas máximas devem alcançar 28 °C em Santana do Livramento. Em 27/12 (sábado), o tempo permanecerá estável pela manhã, com sol entre nuvens em todo o Estado; à tarde, a nebulosidade aumentará e haverá possibilidade de chuvas em todas as regiões, com condições para tempestades acompanhadas de descargas elétricas e ventos intensos na Metade Oeste; as temperaturas permanecerão elevadas, variando de cerca de 29 °C na Serra a 33 °C no Oeste. Em 28/12 (domingo), haverá sol entre nuvens pela manhã e, durante a tarde, áreas de instabilidade favorecerão a ocorrência de chuvas na Metade Sul; as temperaturas máximas devem chegar a 34 °C no Norte do Estado. Em 29/12 (segunda-feira), a nebulosidade será variável ao longo do dia, com possibilidade de chuva na Metade Norte no final da tarde; as temperaturas máximas devem alcançar cerca de 30 °C em municípios como São Gabriel e Iraí. (Boletim Agrometerologico)


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Porto Alegre, 23 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.541


Setor lácteo recebe apoio, mas cobra pacote de impacto imediato

Acompanhando o anúncio do pacote de apoio pela Conab nesta terça-feira (23/12), o setor lácteo comemorou a ajuda de R$ 104 milhões para sete estados, mas alertou para a necessidade de um consórcio de ações com impacto imediato e mais expressivo, capaz de reverter a crise da atividade. No pacotão demandado pelas indústrias, cooperativas e produtores está uma série de medidas, como a adoção de uma política de benefício tributário para empresas de alimentos que usam o leite em pó nacional, adoção de sobretaxa de 50% para a entrada de leite em pó, manteiga, soro e muçarela vindos da Argentina e do Uruguai e suspensão emergencial das compras de produtos do Mercosul por seis meses. O pedido ainda inclui uma sobretaxa extra e provisória do produto vindo desses dois países até que a investigação de antidumping em curso no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) seja concluída.

Durante reunião na manhã desta terça, o presidente da Conab, Edegar Pretto, detalhou como a companhia fará a compra de leite em pó por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O aporte de R$ 104 milhões dará prioridade aos pequenos produtores e o produto adquirido será destinado a famílias em vulnerabilidade. No entanto, alertou o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, o rateio do volume entre os estados causa disparidade, uma vez que nem todos estão sujeitos as mesmas condições de enfrentamento, como o Sul do Brasil. A estimativa é que o Rio Grande do Sul fique com 44% do aporte, o suficiente para escoar menos de 2 mil toneladas. “O volume está muito aquém do que o setor necessita neste momento”, alegou Palharini. 

Palharini avaliou que, por mais que seja um excelente anúncio, o volume é insuficiente para a adoção de medidas de impacto imediato. “O setor vem há meses com problema de rentabilidade. Todas as medidas são bem-vindas, mas os governos precisam entender a urgência do momento”, salientou. O executivo reforçou que a crise de oferta excessiva que vive hoje o mercado brasileiro decorre do excedente de importações, movimento feito por indústrias alimentícias que usam o leite em pó na composição de seus produtos, como fábricas de chocolates, pães e biscoitos.  “Esse leite importado está sendo utilizado na produção de biscoitos, chocolates e alimentos processados, um produto que, anteriormente, era adquirido de empresas e produtores brasileiros”, ponderou.

Presente na reunião, o secretário de Agricultura, Edivilson Brum destacou os anúncios já feitos em socorro ao setor. “É fundamental que a gente tenha noção da importância da bacia leiteira do Rio Grande do Sul, motivo pelo qual esta é uma notícia muito boa”, disse Brum, lembrando que o governo do Estado também fará uma compra, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural e da Secretaria de Desenvolvimento Social. “Isso ajuda e muito a bacia leiteira, mas o ideal seria se pudéssemos abrir mercado internacional para exportação do leite. Essa sim seria uma notícia incrível e tenho convicção de que todos nós comungamos do mesmo sentimento de que esse caminho é fundamental para o fortalecimento da economia gaúcha.” (Assessoria de comunicação do Sindilat/RS)


Embrapa lança protocolos para reduzir emissões na pecuária leiteira

Novas diretrizes ajudam produtores de leite a reduzir emissões sem comprometer a eficiência produtiva.

A produção de leite no Brasil acaba de ganhar um conjunto de ferramentas estratégicas para enfrentar um dos maiores desafios do agro contemporâneo, a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). A Embrapa desenvolveu três protocolos técnicos que atuam diretamente nos principais pontos de geração de emissões da atividade leiteira, ao mesmo tempo em que estimulam o sequestro de carbono no solo.

Os protocolos reúnem boas práticas para a mitigação da emissão de metano pelos bovinos, para a redução da emissão de amônia e óxido nitroso no solo e para o manejo do solo com foco no acúmulo de carbono. As diretrizes integram uma publicação lançada pela Embrapa Pecuária Sudeste e são resultado de anos de pesquisa científica aplicada.

As recomendações abrangem desde o manejo dos animais até a gestão do solo e do uso de fertilizantes, com foco em eficiência produtiva, sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica para o produtor rural.

Segundo estimativas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com base em dados de 2022, o setor agropecuário responde por 30,5% das emissões brasileiras de GEE. Desse total, 19% correspondem ao metano, um gás com elevado potencial de aquecimento global. Do volume emitido, 97% têm origem nos bovinos, sendo 86% provenientes do rebanho de corte e 11% da pecuária leiteira.

Diante desse cenário, a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste, destaca que a atividade leiteira já enfrenta desafios produtivos e econômicos relevantes. Segundo ela, a agenda climática passa a integrar a tomada de decisão nas propriedades, especialmente em um contexto de consumidores e mercados cada vez mais atentos à origem dos alimentos e ao impacto ambiental da produção.

Mitigação do metano começa no manejo do rebanho

O primeiro protocolo reúne boas práticas voltadas à redução da emissão de metano pelos bovinos. Esse gás é liberado principalmente durante a digestão dos ruminantes, por meio da eructação, e está diretamente relacionado à eficiência produtiva dos animais.

Entre as estratégias recomendadas estão a melhoria dos índices zootécnicos, o ajuste nutricional das dietas, o uso de aditivos, o aprimoramento do manejo das pastagens, a oferta de água de qualidade, os cuidados com a sanidade e a promoção do bem-estar animal. Animais mais saudáveis e produtivos tendem a diluir melhor a emissão de metano por litro de leite produzido.

Estudos conduzidos pela Embrapa mostram diferenças significativas entre raças. Vacas holandesas puras mantidas em pastagens de alta qualidade emitem, em média, 18,4 gramas de metano por litro de leite, enquanto vacas girolandas chegam a 25,3 gramas por litro. A maior produtividade explica essa diferença.

Simulações realizadas com uma calculadora em desenvolvimento pela Embrapa indicaram que a adoção de índices reprodutivos inadequados pode elevar as emissões em até 22% por quilo de leite corrigido para gordura e proteína, reforçando a importância da gestão técnica do rebanho.

Solo bem manejado reduz perdas e emissões

O segundo protocolo foca na redução das emissões de amônia e óxido nitroso no solo, gases associados principalmente ao uso de fertilizantes nitrogenados e dejetos animais. O óxido nitroso apresenta potencial de aquecimento global quase 300 vezes superior ao do dióxido de carbono e pode permanecer na atmosfera por mais de um século.

Entre as práticas recomendadas está o uso de leguminosas consorciadas com gramíneas, capazes de fixar nitrogênio biologicamente e reduzir a necessidade de fertilizantes químicos. A Embrapa estima que, para cada quilo de fertilizante evitado, deixam de ser emitidos 5,42 quilos de CO² apenas no processo de fabricação.

Outras medidas incluem a distribuição mais uniforme dos dejetos animais, a adoção de sistemas de lotação rotativa, o uso de fertilizantes de eficiência aumentada e a aplicação de técnicas que reduzem a volatilização da ureia, como a incorporação ao solo e a aplicação antes de chuvas ou irrigação.

Sequestro de carbono fortalece a sustentabilidade

O terceiro protocolo aborda o manejo do solo para o acúmulo de carbono, elemento central nas estratégias de mitigação das mudanças climáticas. Práticas conservacionistas, como plantio direto, adubação verde, recuperação de pastagens, sistemas integrados e uso de bioinsumos, contribuem para o aumento do estoque de carbono no solo por longos períodos.

Pastagens tropicais bem manejadas apresentam elevado potencial de sequestro, com acúmulo de carbono em profundidades superiores a um metro. Em sistemas integrados com árvores, esse efeito é ampliado. De acordo com a Embrapa, o crescimento de 52 eucaliptos pode compensar, em um ano, a emissão de uma vaca produzindo 26 quilos de leite por dia.

Para o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt, o principal entrave à adoção dessas práticas ainda é o investimento inicial. No entanto, ele ressalta que o aumento da eficiência produtiva e da rentabilidade ao longo do tempo tende a viabilizar novos aportes tecnológicos.

Políticas públicas, como o Plano ABC+, além de arranjos locais envolvendo cooperativas e indústrias de laticínios, são apontadas como fundamentais para acelerar a transição rumo a uma pecuária leiteira mais sustentável.

As diretrizes estão reunidas no livro Protocolos de boas práticas para a mitigação de gases de efeito estufa em sistemas de produção de bovinos, lançado em novembro de 2025. A obra apresenta protocolos especialmente voltados a produtores de leite interessados em descarbonizar suas propriedades em condições tropicais. (As informações são do Globo Rural)

Demanda global pressiona oferta de whey protein

Mesmo com excedente global de lácteos, a demanda aquecida por whey protein começa a gerar escassez, especialmente nos Estados Unidos, com reflexos diretos sobre o mercado europeu.

A proteína é hoje um dos ingredientes alimentares mais populares do mundo. O forte crescimento observado neste ano está ligado, em parte, à expansão dos alimentos funcionais e, para o próximo ano, a proteína é apontada como a principal tendência do setor de alimentos.

O whey protein acompanha esse movimento. O ingrediente é amplamente utilizado em alimentos funcionais — como barras, snacks e bebidas — além de suplementos, impulsionado pelo interesse crescente dos consumidores em ganho de massa muscular e melhoria da saúde.

De acordo com a consultoria Grand View Research, o mercado de whey protein deve crescer a uma taxa média anual de 7,7% entre 2025 e 2033.

Apesar do cenário global de excedente de lácteos, alguns mercados já começam a registrar escassez de whey. Essa situação está associada não apenas ao aumento da demanda, mas também a outra tendência relevante: o uso de medicamentos da classe GLP-1.

 
Por que falta whey no mercado?
Segundo Floor van der Horst, diretora global de marketing de nutrição esportiva e ativa da FrieslandCampina Ingredients, a forte demanda por whey protein, juntamente com a caseína, é uma das principais razões para a escassez do ingrediente.

Com o crescimento da procura, a segurança de abastecimento tornou-se uma preocupação central para a indústria, especialmente diante da atual limitação da oferta de whey. Recentemente, a FrieslandCampina Ingredients adquiriu a Wisconsin Whey Protein, produtora norte-americana de whey, com o objetivo de ampliar sua capacidade e atender às tendências de nutrição esportiva e ativa.

A avaliação é compartilhada pela empresa de ingredientes Prinova. Segundo Sebastian Rivas, gerente de vendas da companhia, a demanda por whey protein tem crescido de forma consistente nos últimos anos, impulsionada pela fortificação proteica em diversas categorias de alimentos. O uso do ingrediente já ultrapassa o segmento esportivo e alcança aplicações como cafeterias, onde bebidas como lattes com alto teor de proteína passaram a ser oferecidas por grandes redes.

Ao mesmo tempo, a produção não avançou no mesmo ritmo. O resultado é um cenário de demanda elevada, disponibilidade limitada e preços em alta.

GLP-1s pressionam ainda mais a oferta

A pressão sobre a oferta de whey tornou-se mais evidente neste momento principalmente por causa do mercado norte-americano. De acordo com Jasper Endlich, analista de mercado de lácteos da empresa Vesper, o whey protein isolado e concentrado dos Estados Unidos está praticamente indisponível, com fornecedores já comprometidos com vendas até 2026. Os preços do whey protein isolado atingiram níveis recordes.

Parte dessa escassez está relacionada ao uso crescente de medicamentos da classe GLP-1. Nos Estados Unidos, o whey costuma ser recomendado em conjunto com esses medicamentos. Considerando que cerca de 12% dos consumidores norte-americanos utilizam GLP-1s, a demanda por whey protein aumentou de forma significativa. Embora os fabricantes estejam tentando ampliar a produção, o ritmo não tem sido suficiente para acompanhar a procura.

Diante desse cenário, compradores que buscam whey protein passaram a direcionar suas compras para a Europa. Importadores chineses estão migrando do mercado norte-americano para o europeu, e os próprios compradores europeus também têm priorizado fornecedores locais. Embora esse movimento favoreça a Europa, ainda há incertezas sobre a capacidade do mercado europeu de atender à demanda global. Assim como nos Estados Unidos, os preços do whey protein isolado na Europa também seguem sob pressão de alta. (As informações são do FoodNavigator Europe)


Jogo Rápido
CEPEA: O Boletim do Leite de dezembro já está disponível!
Pesquisas do Cepea mostram que o preço do leite ao produtor em outubro fechou a R$ 2,2996/litro na Média Brasil, recuos de 5,9% frente a setembro e de 21,7% em um ano, em termos reais (deflacionamento pelo IPCA de outubro/25). Esta é a sétima baixa mensal consecutiva nas cotações do leite no campo e, apesar da consistente desvalorização real de 14,1% no acumulado de 2025, o excesso de oferta ainda sustenta a expectativa de agentes de mercado de que o movimento de queda deve persistir até o final do ano. Assim como já esperado por agentes de mercado, os preços dos derivados lácteos caíram em novembro, conforme aponta levantamento realizado pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). O aumento na captação de matéria-prima e o enfraquecimento da demanda foram os fatores que causaram pressão sobre as cotações dos derivados lácteos. Trata-se do terceiro mês consecutivo de desvalorização. As importações de lácteos diminuíram quase 15% de outubro para novembro, totalizando 182,98 milhões de litros em equivalente leite (Eql). As exportações, por sua vez, cresceram 8,57% no mesmo período, somando 4,94 milhões de litros Eql. Na comparação com novembro de 2024, as importações caíram 12,69%, ao passo que as exportações avançaram 1,25%. O mês de novembro voltou a registrar alta no Custo Operacional Efetivo (COE), com elevação de 0,22% na média Brasil. Apesar de uma nova retração no preço da ração, os demais grupos de insumos apresentaram aumento, influenciando o avanço no COE. Entre as praças acompanhadas pelo Cepea, observou-se comportamento heterogêneo: houve elevação dos custos na BA (+0,08%), GO (+0,67%), MG (+0,26%), PR (+0,07%) e RS (+0,92%). Por outro lado, SC (-0,07%) e SP (-0,67%) registraram quedas. (CEPEA)