Porto Alegre, 09 de junho de 2026 Ano 20 - N° 4.647
Milk Summit Mercosul 2026 será lançado no dia 14 de julho
Ampliando a discussão para o Mercosul, a segunda edição do Milk Summit será lançada no dia 14 de julho, no município de Ijuí (RS). A agenda terá início às 7h30min e contará com palestras, debates sobre competitividade do setor leiteiro frente à Argentina e ao Uruguai e Mercado Futuro do leite e derivados.
Celebrando o Dia Nacional do Produtor de Leite, comemorado em 12 de julho, o encontro vai reunir representantes da indústria, de cooperativas, do agronegócio, do comércio e da imprensa, prestigiando a cidade que sediará o Milk Summit Mercosul 2026, e que concentra o maior volume da produção de leite vendida para a indústria, com 741,9 milhões de litros anuais, movimentando mais de R$ 2 bilhões. “O produtor de leite é protagonista de um setor que movimenta a economia e gera empregos, e celebrar essa data em Ijuí é reconhecer a importância estratégica da atividade”, ressalta o coordenador do Milk Summit, Darlan Palharini.
O ponto alto será a apresentação da programação oficial do Milk Summit Mercosul 2026 e a abertura do período de inscrições para o evento que pretende superar os 800 participantes da primeira edição sediada no Parque de Exposições Wanderley Burmann. “Este ano estamos nos preparando para um evento maior do que o primeiro, quando o setor leiteiro já deu uma demonstração de força e tamanho ao juntar seus diferentes elos para discutir competitividade, consumo, sustentabilidade e inovação. Avançamos para uma proposta ainda mais abrangente que será apresentada oficialmente no dia 14 de julho”, assinala Palharini, secretário-executivo do Sindilat/RS.
O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), da Prefeitura de Ijuí, da Emater/RS-Ascar e do Impulsa Ijuí. A iniciativa conta com o apoio da Expofest Ijuí, Embrapa, FecoAgro/RS, Farsul, Fetag-RS, Fiergs, Sicredi, Sebrae e Conseleite RS.
Lançamento Milk Summit Mercosul 2026
Data: 14/07/2026
Horário: A partir das 7h30min
Local: Auditório do Sicredi. Rua São Cristóvão, número 30. Ijuí/RS
Inscrições: Até dia 07/07/2026, através do site: https://milksummit.hooks.com.br/inscricao/dia-do-produtor ou pelo telefone (55) 99696-1665.
Mesmo aprovado, antidumping sobre leite em pó importado é adiado
Governo chegou a citar risco de abastecimento e de segurança alimentar para justificar a postergação da medida; setor produtivo contesta
O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) publicou nesta segunda-feira (8/6) a resolução que determina a aplicação do direito antidumping definitivo, por até cinco anos, às importações de leite em pó do Brasil, integral ou desnatado, não fracionado, oriundas da Argentina e do Uruguai.
A aplicação imediata do antidumping, no entanto, foi suspensa para avaliação do “interesse público” e do eventual efeito inflacionário gerado pela possível oneração da compra do produto estrangeiro. O governo chegou a citar risco de abastecimento e de segurança alimentar para justificar a postergação da medida. O setor produtivo contesta o argumento. As importações, portanto, seguem isentas.
A decisão do Gecex foi tomada em reunião realizada em 28 de maio, como mostrou a reportagem. A aplicação do direito antidumping foi aprovada e suspensa, a pedido do Ministério do Planejamento e Orçamento, para apurar os potenciais impactos da medida em termos de abastecimento, custos industriais, inflação de alimentos e cadeias consumidoras.
A investigação sobre as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai recomendou a aplicação de direito antidumping aos exportadores desses países que variam entre US$ 167,31 por tonelada (4,4%) e US$ 4.183,17 por tonelada (111,8%), no caso dos argentinos, e entre US$ 378,27 por tonelada (10%) e US$ 4.196,72 por tonelada (109,2%), no caso dos uruguaios.
As tarifas mais altas são aplicadas a empresas que não responderam questionários na investigação nem apresentaram suas defesas. Ao todo, 17 exportadores argentinos participaram do processo. Para a maior parte delas, o direito antidumping foi de US$ 1.707,08 por tonelada. Três empresas tiveram indicação de valores menores: Mastellone Hermanos S.A. (US$ 167,31 por tonelada), Gloria Argentina S.A. (US$ 663,75 por tonelada) e Las 3 Niñas S.A. (US$ 903,50 por tonelada).
Apenas três exportadores uruguaios responderam ao processo: a Alimentos Fray Bentos S.A., cuja aplicação de direito antidumping indicada foi de US$ 378,27, a Compania Lactea Agropecuaria Lecheros De Young S.A. (de US$ 850,07 por tonelada) e a Cooperativa Nacional de Productores de Leche (Conaprole), que terá sobretaxa de US$ 613,32 por tonelada. Para as demais empresas, o valor será de US$ 4.196,72 por tonelada.
Suspensão da aplicação
Mesmo com o dumping apurado pela investigação, a decisão foi suspender a aplicação da cobrança extra na importação sob a justificativa de apurar os possíveis impactos da medida no mercado nacional, tanto para a cadeia produtiva e indústria quanto para os consumidores.
“Embora a investigação tenha identificado indícios que fundamentam a imposição de direitos antidumping, a Nota destaca que a legislação brasileira de defesa comercial admite, em circunstâncias excepcionais e por razões de interesse público, a suspensão, modulação ou não aplicação de medidas dessa natureza, especialmente quando existirem potenciais repercussões relevantes sobre inflação, abastecimento, consumidores e cadeias produtivas”, diz a nota técnica publicada nesta segunda-feira.
A avaliação econômica apresentada pelo governo sugere que “o mercado doméstico de leite e derivados atravessa momento de elevada sensibilidade inflacionária, marcado por pressões de custos, riscos climáticos e importância social do produto, especialmente para famílias de menor renda e para a segurança alimentar”. A nota técnica ressalta ainda que Argentina e Uruguai respondem pela quase totalidade das importações brasileiras de leite em pó e apontou possíveis “impactos relevantes sobre preços domésticos e abastecimento” caso as tarifas fossem aplicadas imediatamente.
Os elementos preliminares, diz a nota técnica, sugerem a “existência de circunstâncias excepcionais relacionadas a potenciais impactos inflacionários, riscos de abastecimento e repercussões relevantes sobre cadeias consumidoras e consumidores finais, justificando avaliação cautelar acerca da conveniência e oportunidade de suspensão imediata após a aplicação da medida”.
A nota cita que houve aumento relevante dos preços do leite longa vida ao consumidor recentemente, em ambiente marcado por elevação de custos, com o aumento dos combustíveis e demais insumos, a redução relativa da oferta e riscos climáticos associados ao ciclo pecuário e à alta probabilidade de ocorrência de eventos climáticos adversos nos próximos meses, como o El Niño.
Nos argumentos, o governo aponta ainda que o leite em pó possui “relevância específica” para o consumo das famílias de menor renda, especialmente no Norte e Nordeste. A nota técnica cita ainda que, embora o leite em pó não fracionado em embalagens superiores a 800 gramas não tenha sido alvo da investigação, o produto é usado como insumo industrial em cadeias como laticínios, panificação, chocolates, biscoitos, sorvetes e preparados alimentícios.
“Eventual elevação de custos decorrente da aplicação imediata dos direitos poderá produzir efeitos indiretos sobre preços ao consumidor em diversos segmentos alimentares”, diz a nota. “Tal circunstância recomenda cautela adicional quanto a medidas potencialmente capazes de pressionar preços ao consumidor final em contexto inflacionário já sensível, especialmente diante de seus possíveis reflexos sobre a segurança alimentar, abastecimento e acesso ao produto integrante da cesta básica de consumo das famílias”, completou a nota.
A resolução determina diz que caberá à Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) iniciar procedimento de avaliação de interesse público, com o objetivo de avaliar o impacto de eventual aplicação de direito antidumping sobre os agentes econômicos pertencentes à cadeia de produção, distribuição, venda e consumo em que se situa a indústria doméstica.
Setor contesta
Uma nota técnica elaborada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta a ausência de impacto inflacionário do antidumping sobre o leite em pó do Uruguai e da Argentina e pede a aplicação de tarifas sobre o produto estrangeiro.
A CNA explica que o antidumping incide exclusivamente sobre leite em pó industrial a granel, destinado ao uso industrial. O leite em pó fracionado para varejo (em embalagens de até 800 gramas) e o leite longa vida estão fora do escopo. "O produto consumido diretamente pelas famílias não é afetado", defende a CNA.
A entidade esclarece na nota que produtos que usam o leite em pó como insumo são, majoritariamente, ultraprocessados, como chocolates, sorvetes, biscoitos recheados, bebidas lácteas adoçadas, que não estão presentes na cesta básica nacional.
"O peso desses produtos no IPCA é de apenas 0,26%, e a parcela importada no consumo nacional aparente é de aproximadamente 6% — tornando o impacto inflacionário nulo ou absolutamente negligenciável", defende a CNA. "Os principais itens da alimentação básica permanecem fora do escopo da medida, não sendo, portanto, afetados", completa. (Globo Rural)
Queijo ralado se torna um dos mercados mais disputados da cadeia láctea
O mercado brasileiro de queijo ralado movimenta cerca de 25 mil toneladas por ano e se consolidou como um dos segmentos mais competitivos da indústria de lácteos.
O mercado brasileiro de queijo ralado movimenta cerca de 25 mil toneladas por ano e se consolidou como um dos segmentos mais competitivos da indústria de lácteos. No entanto, por trás dos volumes expressivos e da forte presença nas gôndolas, o setor convive com desafios relacionados à rentabilidade, à percepção de valor pelo consumidor e à crescente busca por diferenciação.
Segundo Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, o queijo ralado se tornou um dos mercados mais disputados dentro da cadeia láctea brasileira, reunindo desde grandes marcas nacionais até empresas regionais que competem por espaço no varejo. "É um mercado extremamente disputado. Os volumes são significativos, praticamente todo mundo consome queijo ralado. Existem os líderes nacionais, mas também muitas marcas regionais atuando nesse segmento", afirma.
Apesar da demanda, o setor enfrenta uma situação considerada contraditória do ponto de vista econômico. Diferentemente do que muitos consumidores imaginam, o queijo ralado passa por um processo industrial que agrega custos e reduz o rendimento da matéria-prima. Ainda assim, frequentemente é comercializado por valores inferiores aos do queijo vendido em pedaços.
Sartor explica que existe uma percepção equivocada em relação ao produto. "O consumidor costuma acreditar que o queijo ralado deveria custar menos do que uma fração de queijo. Mas a realidade é justamente o contrário", diz. Segundo o executivo, para produzir o queijo ralado tradicional, o laticínio utiliza um queijo já pronto, que passa por um processo de desidratação para aumentar sua vida útil e permitir a comercialização em temperatura ambiente.
"O queijo ralado nada mais é do que um queijo que foi ralado e desidratado. Quando retiramos a umidade, ocorre uma perda de aproximadamente 15% da massa original. Ou seja, você pega 100 gramas de queijo e transforma em cerca de 85 gramas antes de embalar o produto", explica. Na prática, isso significa que há menos produto disponível para venda após o processamento, além dos custos industriais envolvidos na transformação e embalagem. Mesmo assim, a intensa concorrência entre as empresas acabou pressionando os preços para baixo ao longo dos anos.
"Houve uma competitividade muito grande dentro desse mercado e isso acabou puxando o preço do queijo ralado para níveis inferiores ao que seria esperado pelo processo produtivo", afirma Sartor. A disputa por participação de mercado também levou as empresas a buscarem novas estratégias para agregar valor ao produto. Nos últimos anos, alguns laticínios passaram a investir em versões premium, refrigeradas e sem desidratação, tentando reproduzir a experiência de consumir um queijo recém-ralado.
A própria RAR apostou nesse conceito ao lançar um queijo ralado fresco, que preserva características sensoriais mais próximas do produto consumido diretamente de uma peça de queijo. "As características são as mesmas de quando você pega uma fração de queijo e rala na hora sobre o prato. O produto mantém mais sabor, mais frescor e entrega uma experiência diferenciada ao consumidor", afirma.
O desafio, porém, está na mudança de hábito do consumidor. Como o produto precisa permanecer refrigerado, ele deixa de ocupar o espaço tradicional dos queijos ralados convencionais nas áreas secas dos supermercados. "O consumidor está acostumado a procurar queijo ralado na prateleira. Quando ele passa para a área refrigerada, existe uma mudança de comportamento que leva tempo para ser assimilada", explica.
A busca por diferenciação reflete uma tendência mais ampla observada na indústria de alimentos. Em vez de competir apenas por volume, parte das empresas passou a investir em qualidade, origem dos ingredientes e experiências de consumo mais sofisticadas.
No caso da RAR, a estratégia está alinhada ao posicionamento da empresa no mercado de lácteos premium. A companhia atua em categorias de maior valor agregado e aposta na fidelização do consumidor por meio da qualidade dos produtos. "Nós procuramos nos posicionar não pelo volume, mas pela qualidade. Temos um consumidor fiel que reconhece as características dos nossos produtos e busca essa diferenciação", afirma Sartor.
Mesmo com margens menores do que as obtidas na venda de queijos fracionados, o queijo ralado continua sendo considerado um produto estratégico pelas indústrias. Isso porque ele amplia a presença das marcas nos pontos de venda e fortalece o relacionamento com o consumidor. "Muitas vezes a margem é menor do que a obtida com o queijo vendido em pedaços, mas o queijo ralado tem uma função importante de fidelização. Ele mantém a marca presente no dia a dia do consumidor e cria uma conexão com outros produtos da linha", explica.
O segmento também se beneficia da ampla distribuição nacional. Como praticamente todos os grandes laticínios atuam nessa categoria, o queijo ralado se tornou um produto fundamental para aproveitar estruturas logísticas, canais comerciais e espaços já conquistados no varejo.
Ao mesmo tempo, o crescimento do consumo de produtos premium abre espaço para novas oportunidades. A indústria observa uma parcela crescente de consumidores disposta a pagar mais por qualidade, origem e diferenciação, movimento que também alcança o mercado de queijos ralados.
Para Sartor, a tendência é que o setor continue dividido entre produtos de grande volume e opções voltadas a consumidores que valorizam atributos específicos. "O mercado continuará tendo espaço para produtos de massa, mas também para aqueles consumidores que buscam qualidade, sabor e uma experiência diferenciada. É nesse segmento que nós acreditamos e continuamos investindo", apontou. (As informações são da CNN, adaptadas pela equipe MilkPoint)
Jogo Rápido
Exportações de lácteos do Uruguai cresceram 29% em maio com Brasil como principal destino
Após um início fraco no primeiro quadrimestre, as exportações de produtos lácteos do Uruguai ganharam dinamismo e totalizaram US$ 85 milhões em maio, o que representou um crescimento interanual de 29%, informou a Uruguay XXI. O setor manteve ampla presença geográfica, com vendas para a África, Américas, Oriente Médio e Europa. Em particular, a África respondeu por 43% do total exportado de produtos lácteos e registrou um aumento interanual de 26%, consolidando-se como uma região-chave para o setor. No nível dos países, o Brasil manteve-se como o principal destino, com US$ 31 milhões e uma participação de 36%, após crescer 50% em relação a maio de 2025. A Argélia ficou em segundo lugar, com US$ 28 milhões e uma participação de 33%, além de um crescimento interanual de 12%. Juntos, esses dois destinos representaram quase 70% das vendas externas do setor no mês. Também se destacaram Nigéria, Arábia Saudita e Mauritânia, com embarques de US$ 3 milhões cada um e participações de 4%, 4% e 3%, respectivamente. No acumulado de janeiro a maio, as exportações de lácteos totalizam US$ 346 milhões e crescem 1% em comparação com o mesmo período do ano passado. A Argélia ocupa a primeira posição no ranking (32%), com compras de US$ 110 milhões (-2%), seguida de perto pelo Brasil (30%), com US$ 104 milhões (estável). Completa o pódio o México (4%), com compras de US$ 14 milhões (+43%). Depois de ter atingido um piso de US$ 3.550 por tonelada em abril para o valor médio de exportação, em maio houve uma recuperação, alcançando um preço médio de US$ 3.710 por tonelada. O valor médio da tonelada de leite em pó integral, principal produto de exportação, ficou em US$ 3.720 por tonelada em maio. O Brasil pagou um valor de US$ 3.830 por tonelada, bastante acima do valor pago pela Argélia (US$ 3.590 por tonelada), embora tenha sido semelhante ao pago pela Nigéria e pela Mauritânia (US$ 3.850 e US$ 3.870 por tonelada, respectivamente). Como quinto mercado em maio também apareceu a Venezuela, com a compra de cerca de 550 toneladas a um valor médio de US$ 3.800 por tonelada, segundo dados da Aduana. As informações são do Tardáguila Agromercados, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.