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Porto Alegre, 02 de junho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.643


Cooperativa Santa Clara recebe certificação global de segurança de alimentos

A Cooperativa Santa Clara, do Rio Grande do Sul, conquistou a certificação FSSC 22000, referente ao sistema de segurança de alimentos, nas suas três plantas industriais de laticínios. No mundo, cerca de 25 mil empresas possuem essa certificação. No setor lácteos, o número é ainda mais restrito: aproximadamente 50 indústrias. 

A primeira unidade certificada foi a de Casca (RS), no mês de novembro. Com 22 mil metros quadrados de área construída, a planta é responsável pela industrialização de cerca de 16 milhões de litros de leite por mês, destinados a leite UHT, creme de leite e bebidas lácteas.
Na sequência, a certificação foi obtida pela unidade de Carlos Barbosa (RS). A auditoria ocorreu entre os dias 8 e 12 de dezembro. A planta concentra a produção de queijos nobres, queijos frescais, queijos processados, nata e bebida láctea fermentada.

Já a unidade de Getúlio Vargas (RS) é responsável pelos queijos coalhos, filados, processados, nata e molhos lácteos, com industrialização aproximada de 4 milhões de litros de leite por mês. A auditoria da FSSC 22000 foi concluída em maio deste ano, consolidando a certificação das três plantas industriais da Santa Clara.

Segundo a cooperativa, a conquista atesta a segurança em todo o processo produtivo dos alimentos, gera ainda mais confiança aos consumidores e amplia a competitividade da marca no mercado.

“A certificação FSSC 22000 reafirma o compromisso da Cooperativa Santa Clara com a excelência, garantindo alimentos produzidos com segurança, qualidade e padrão internacional em toda a cadeia produtiva. Além de reforçar o posicionamento da Santa Clara no mercado, destacando seus processos alinhados aos mais rigorosos padrões internacionais de segurança de alimentos”, afirma o diretor administrativo e financeiro, Alexandre Guerra. (As informações são do Globo Rural)


GDT - 02/06/2026

(Fonte: GDT)

LEITE/CEPEA: Leite ao produtor registra quarta alta consecutiva em abril

Pelo quarto mês consecutivo, o preço do leite pago ao produtor subiu em abril/26. De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta foi de 10,4% frente a março, levando a “Média Brasil” a R$ 2,6584/litro. O preço, contudo, ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de abril/26).
 
O movimento de avanço seguiu sendo explicado pela redução da produção, devido à sazonalidade, e pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) registrou queda de 3,4% de março para abril na Média Brasil, e, no acumulado do ano, a queda é de 14,6%. Além da sazonalidade, os menores investimentos dentro da porteira têm prejudicado a oferta do leite cru. Segundo a pesquisa do Cepea, em abril/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 1,1% na “Média Brasil” – acumulando aumento de 3,24% neste ano. A elevação esteve atrelada ao aumento das despesas com nutrição, sanidade e operações mecanizadas.
 
Com a continuidade da menor oferta de leite no campo e os estoques mais ajustados, os derivados lácteos seguiram em valorização no atacado paulista em abril. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em abril, o preço do leite UHT subiu 20,17%, o da muçarela, 12,65%, e o do leite em pó fracionado, 1,52%, frente a março. Na primeira quinzena de maio, porém, o movimento demonstrou perder força e as negociações passaram a refletir uma demanda mais enfraquecida e um mercado mais cauteloso e sujeito às oscilações pontuais nas cotações.
 
No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos recuaram em 10% em abril, chegando a 218,38 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL). Ainda assim, as compras externas estão 34,1% maiores em relação às do mesmo período do ano passado.
 
A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização no curto prazo, mas existem indicativos de perda de intensidade do movimento altista a partir de maio. Ainda que, sazonalmente, maio seja caracterizado pela subida dos preços do leite cru em virtude de restrição de oferta, a pressão vinda da ponta final da cadeia deve afetar esse comportamento típico das cotações. (Fonte: Cepea-Esalq/USP)


Jogo Rápido

Declaração de Conformidade pode ser emitida diretamente no Produtor Online
Documento que comprova o cumprimento de obrigações sanitárias dos criadores de animais, a Declaração de Conformidade agora pode ser emitida diretamente no Produtor Online. Anteriormente, o produtor que precisasse do documento tinha que se deslocar a uma inspetoria ou escritório de defesa agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A declaração é usada pelos produtores como um atestado de cumprimento de obrigações sanitárias. Eles levam para empresas que solicitam, principalmente na indústria de leite. Bancos também cobram essa declaração para a liberação de crédito rural”, explica o chefe da Divisão de Controle e Informações Sanitárias (DCIS/DDA/Seapi), Richard Alves. Para emitir a Declaração de Conformidade, o produtor só precisa acessar o Produtor Online com seu login e senha e escolher a funcionalidade. “O sistema emite na hora, se estiver sanitariamente tudo certo com o rebanho”, conta Richard. A emissão da Declaração de Conformidade pode ser barrada no Produtor Online, se a propriedade for foco de doença em processo de saneamento. “Nesses casos, a orientação é que o produtor vá para a inspetoria, que poderá fazer a emissão do documento, caso a vacinação ainda estiver no prazo”, complementa o chefe da DCIS. (Fonte: Seapi)


Porto Alegre, 1º de junho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.642


Sindilat destaca desafios e oportunidades no Dia Mundial do Leite

Para marcar o Dia Mundial do Leite, celebrado nesta segunda-feira (1º/6), o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) se uniu às mais de 600 pessoas, entre produtores, estudantes, técnicos e autoridades, na cidade de Três de Maio (RS). Em um dos principais polos da bacia leiteira do Noroeste gaúcho, o presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, destacou a importância do leite no desenvolvimento do estado.  “O leite é central na economia de centenas de municípios gaúchos. Precisamos construir um ambiente que permita ao setor ter competitividade para as indústrias, rentabilidade ao produtor, eficiência e perspectiva de futuro. O diálogo entre todos os elos da cadeia é fundamental para que o Rio Grande do Sul siga como referência nacional na produção leiteira”, destacou no painel “Visão do Sindilat/RS sobre o futuro do setor leiteiro do RS”.  

Entre as atividades realizadas no Parque de Exposições Germano Dockhorn, o painel Perspectiva do Setor Leiteiro – Leite do Futuro foi mediado pelo secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini. “Precisamos de políticas públicas fortes para proteger o mercado nacional, principalmente na questão da elevação da entrada dos importados, eliminar gargalos produtivos e fortalecer programas como o Programa Mais Leite Saudável, que contribuem para a qualidade, a assistência técnica e a competitividade do setor”, defendeu no painel que contou com a participação do engenheiro agrônomo e diretor da Transpondo – Desafios da Cadeia do Leite, Wagner Beskow, falando sobre gestão, tecnologia e eficiência produtiva. A programação incluiu ainda recepção temática com produtos lácteos, lançamento do concurso Produtor de Leite Destaque Amufron, apresentação da Expo Terneira 2026 e almoço de confraternização. (Assessoria de Imprensa Sindilat/Crédito: Jonatan Brivio)


Andres Padilla: demanda estagnada e pressão no consumo devem acelerar consolidação no leite

Em um cenário global marcado por transformações profundas na produção, no consumo e na dinâmica do comércio internacional de lácteos, eficiência, escala e capacidade de adaptação serão determinantes para a sobrevivência da atividade nos próximos anos. O alerta foi feito por Andres Padilla, do Rabobank, durante palestra no Milk Pro Summit, ao analisar os movimentos que vêm redesenhando o mapa global do leite.

Ao longo da apresentação, Padilla mostrou como as principais regiões produtoras do mundo vivem realidades distintas, mas convergem para um mesmo ponto: a necessidade crescente de eficiência operacional, gestão de risco e ganho de produtividade em um ambiente de margens mais apertadas e consumidores pressionados economicamente.

Um dos destaques da análise foi a China. Entre 2018 e 2023, o país promoveu uma transformação acelerada em sua cadeia leiteira, impulsionada principalmente pelo avanço das megafazendas. Segundo Padilla, a velocidade com que os chineses conseguem estruturar grandes projetos produtivos impressiona o mercado global. “Hoje, cerca de 50% das fazendas da China já ordenham mais de 5 mil vacas”, destacou. Apesar do crescimento expressivo nos últimos anos, a avaliação é de que o país esteja próximo de atingir seu limite de expansão produtiva. “Eles conseguiram fazer essa mudança muito rapidamente, mas será difícil continuarem crescendo no mesmo ritmo. Provavelmente já atingiram o teto”, avaliou.

Na Europa, o cenário caminha na direção oposta. Depois de um período de expansão impulsionado pelo fim das cotas de produção, a União Europeia deve enfrentar redução na oferta de leite nos próximos anos. O avanço das regulamentações ambientais, políticas de bem-estar animal, regras relacionadas ao uso da água, envelhecimento da população e aumento dos custos de produção vêm pressionando o modelo europeu.

A expectativa apresentada por Padilla é de uma queda de cerca de 5% na produção, mesmo com um rebanho aproximadamente 18% menor. Além disso, o excedente exportável europeu pode recuar até 40%, alterando significativamente a dinâmica do mercado internacional.

Diante desse contexto, os europeus buscam alternativas para preservar competitividade, incentivando a entrada de novos produtores, ampliando a produção de itens de maior valor agregado, diversificando mercados e fortalecendo as sinergias dentro da cadeia.

Já os Estados Unidos seguem em trajetória consistente de crescimento e consolidam presença cada vez maior no mercado internacional de lácteos. O avanço da produtividade por vaca e a integração entre as cadeias de carne e leite — especialmente com o modelo “beef on dairy” — aparecem como motores deste movimento.

Padilla destacou que a produtividade média das vacas norte-americanas saltou de aproximadamente 8 mil kg para 12 mil kg desde os anos 2000, um avanço de cerca de 40%. Paralelamente, a alta dos preços da carne bovina elevou significativamente a rentabilidade das fazendas leiteiras por meio da venda de animais oriundos do cruzamento entre gado leiteiro e de corte. “Boa parte da margem dos produtores norte-americanos está vindo do beef on dairy”, explicou.

Outro diferencial dos Estados Unidos está na gestão de risco. Segundo Padilla, os produtores americanos utilizam amplamente ferramentas de hedge e mercado futuro para proteção de preços. “O produtor nos EUA continua crescendo independentemente do cenário”, afirmou.

Enquanto isso, a América do Sul enfrenta um ambiente de maior volatilidade, marcado por oscilações frequentes na produção, influenciadas principalmente pelo clima, pelas questões macroeconômicas e pela instabilidade financeira.

No caso brasileiro, Padilla questionou uma percepção recorrente do setor: a ideia de que as margens no leite são necessariamente inferiores às observadas em outros países. “Em cinco dos últimos sete anos, o indicador RMCA (receita menos custo com alimentação) foi maior no Brasil do que nos Estados Unidos”, ressaltou.

Segundo ele, os resultados mostram que existe rentabilidade no sistema brasileiro, especialmente entre os produtores mais eficientes e de maior escala. A tendência, portanto, é de continuidade do processo de consolidação da atividade. “O ROIC aumenta significativamente entre os produtores maiores. Os grandes produtores devem continuar crescendo”, afirmou.

Entre os fatores que impulsionam essa consolidação estão os desafios relacionados à mão de obra, ao custo do capital e à necessidade de adaptação à volatilidade climática. Além das grandes potências tradicionais, Padilla também chamou atenção para o avanço de novos polos de produção leiteira, especialmente no Oriente Médio. Países da região vêm investindo pesadamente em megafazendas com foco em autonomia alimentar e redução da dependência de importações.

Ao abordar o consumo global, o executivo apontou que a demanda por lácteos atravessa um período de estagnação, pressionada principalmente pelo aumento do custo de vida. “A vida ficou mais cara para o consumidor comum”, afirmou.

Segundo ele, alimentos frescos passaram a ter tickets mais elevados quando comparados aos produtos industrializados, o que impacta diretamente o consumo em diversos mercados. Além disso, mudanças demográficas vêm alterando estruturalmente o perfil da demanda mundial.

O aumento do custo para formar famílias, a queda das taxas de fertilidade e o envelhecimento populacional em diversos países já geram reflexos importantes no setor lácteo. Padilla citou como exemplo o mercado de fórmula infantil, tradicionalmente relevante para a indústria de lácteos, mas que vem sofrendo impactos diretos dessas mudanças. Ao mesmo tempo, destacou o crescimento acelerado do mercado pet como um reflexo das novas dinâmicas sociais e de consumo.

Nos Estados Unidos, segundo ele, o consumidor global vive sob forte pressão inflacionária enquanto o valor dos ativos segue em alta, criando um ambiente de menor otimismo em relação ao futuro. “O consumidor está com dificuldade no dia a dia e menos otimista”, resumiu.

Ao final da palestra, Padilla reforçou que a produção global tende a acelerar sempre que houver rentabilidade positiva no campo, como ocorre historicamente com as commodities agrícolas. No entanto, alertou que a combinação entre demanda estagnada, mudanças de consumo e margens mais apertadas deve tornar o ambiente ainda mais competitivo. “A margem para erro será menor nos próximos anos”, afirmou.

Segundo ele, a rentabilidade tende a permanecer concentrada entre produtores e indústrias mais eficientes, enquanto diferentes distorções regionais continuarão influenciando a curva global de oferta — seja pelo avanço do “beef on dairy” nos Estados Unidos, pelos subsídios europeus, pelos prêmios pagos por volume no Brasil ou pelos investimentos públicos e privados em megafazendas na China, Argélia e Indonésia.

Na avaliação de Padilla, produtores sem crescimento consistente e sem margens positivas terão cada vez mais dificuldade de permanecer na atividade no longo prazo, ficando permanentemente expostos à volatilidade do mercado. (Milkpoint)

Produção de leite no Uruguai bate recorde e remessa aos laticínios cresce pelo 9º mês consecutivo

A produção de leite no Uruguai segue em forte crescimento. Em abril de 2026, os tambos uruguaios aumentaram em 9,7% o volume de leite remetido às indústrias em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (Inale).

O avanço confirma uma tendência consistente de recuperação do setor leiteiro uruguaio. Abril marcou o nono mês consecutivo de crescimento da remessa de leite às indústrias, em uma sequência positiva iniciada em agosto de 2025.

De acordo com o Inale, em abril de 2026 o ingresso de leite nas plantas industriais — considerando leite de produtores e leite próprio das indústrias — totalizou 164,7 milhões de litros, o maior volume já registrado para um mês de abril na história do país. O recorde anterior havia sido registrado em 2023, com 152,4 milhões de litros. No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, a produção uruguaia somou 634 milhões de litros, crescimento de 8,8% frente ao mesmo período de 2025. Já no acumulado dos últimos 12 meses móveis, entre maio de 2025 e abril de 2026, a remessa total atingiu 2,263 bilhões de litros, alta de 10,2% em relação ao período anterior.

Cresce também o envio de sólidos
Quando a medição é feita em sólidos lácteos — considerando gordura e proteína — o desempenho também foi positivo. Em abril de 2026, os tambos uruguaios enviaram 13,3 milhões de quilos de sólidos, aumento de 9,1% sobre abril de 2025.

No acumulado de janeiro a abril, o volume chegou a 50 milhões de quilos de sólidos, avanço de 10,1% na comparação anual. Já no último ano móvel, o total atingiu 176 milhões de quilos de sólidos, crescimento de 11,5% frente aos 12 meses anteriores.

Segundo a série histórica do Inale, o maior registro mensal da história ocorreu em outubro de 2025, quando a remessa alcançou 222 milhões de litros. O menor volume da série foi registrado em maio de 2003, com 68,7 milhões de litros.

Qualidade do leite
O teor de gordura do leite uruguaio também apresentou leve melhora. Em abril de 2026, o conteúdo de gordura atingiu 4,20%, acima dos 4,16% registrados no mesmo mês de 2025. Na média de todo o ano de 2025, o teor de gordura ficou em 3,96%, cerca de 1% superior ao observado em 2024.

Já o teor de proteína foi de 3,63% em abril de 2026, ligeiramente abaixo dos 3,70% registrados em abril do ano passado. Ainda assim, a média de 2025 fechou em 3,58%, também cerca de 1% acima do ano anterior.

Melhor ano da história
O relatório do Inale mostra ainda que 2025 foi o melhor ano da história recente da produção leiteira uruguaia. No ano passado, o país remeteu 2,212 bilhões de litros às indústrias, crescimento de 8,4% sobre 2024 e o maior volume anual já registrado neste século.

Antes disso, a produção havia somado:

2,040 bilhões de litros em 2024;
2,114 bilhões em 2023;
2,089 bilhões em 2022;
2,118 bilhões em 2021;
2,078 bilhões em 2020;
1,970 bilhão em 2019;
2,063 bilhões em 2018;
1,924 bilhão em 2017;
1,775 bilhão em 2016.

O menor volume anual da série foi registrado em 2002, com 1,109 bilhão de litros. (As informações são do El Observador, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

PIB cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026
No primeiro trimestre de 2026, o PIB cresceu 1,1% frente ao quarto trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. Pela ótica da produção, destaca-se o crescimento da Agropecuária (2,0%). Também houve alta na Indústria (1,0%) e nos Serviços (0,5%). Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 3,3 trilhões, sendo R$ 2,8 trilhões referentes ao Valor Adicionado (VA) No mesmo período, a taxa de investimento foi 16,5% do PIB, permanecendo abaixo da observada no mesmo período do ano anterior (17,6%). Já a taxa de poupança ficou em 15,5% no trimestre (ante 15,8% no mesmo período de 2025). Em relação ao 1º trimestre de 2025, o PIB avançou 1,8%, com crescimento na Agropecuária (0,7%), na Indústria (1,6%) e nos Serviços (2,1%). (Terra Viva)


Porto Alegre, 29 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.641


CNA lamenta suspensão dos efeitos do antidumping do leite

Decisão da Camex reconhece a prática desleal, mas suspende a aplicação das tarifas

Brasília (29/05/2026) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lamentou a decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) de não aplicar imediatamente medidas contra o comércio desleal na importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai.

O governo reconheceu a prática de dumping, mas decidiu suspender a aplicação das tarifas, mesmo com a recomendação técnica. Com isso, o setor produtivo permanece exposto às comprovadas práticas desleais de comércio, demonstradas pela CNA ao longo da investigação.

A suspensão foi decidida em função de preocupações do governo com eventuais reflexos negativos na economia.

Os produtores brasileiros de leite têm enfrentado concorrência com preços artificialmente baixos nos últimos anos, e as importações bateram novo recorde em 2026. A Argentina e Uruguai foram responsáveis por 90% dos 604 milhões de litros de leite equivalentes, a preços carregados de distorções de até 60%.

O mecanismo adotado para suspender as tarifas foi a abertura de avaliação de interesse público para que o governo estude os impactos na economia e nas relações diplomáticas com Mercosul.

A CNA, no entanto, destaca que a correção de práticas desleais não trará efeitos negativos na economia, uma vez que o peso do leite em pó ao consumidor final está excluído da investigação. Além disso, essa categoria representa peso diminuto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de apenas 0,2% na média dos últimos cinco anos.

“Os principais lácteos consumidos pelos brasileiros, com destaque para o leite longa vida, queijos, e outros produtos derivados não serão afetados”, explicou o assessor técnico da CNA Guilherme Souza Dias.

Com o resultado da reunião do Gecex/Camex, na quinta (28), a CNA continuará trabalhando para reverter o cenário e garantir a efetiva defesa comercial da produção nacional de leite diante das já comprovadas práticas desleais de comércio.

“A luta ainda não acabou, seguiremos dialogando com o governo para conquistar a legítima defesa comercial para nossos produtores leite”, comentou o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite, Jônadan Ma.

Relembre o caso e as ações da CNA

Agosto 2024 – CNA protocola petição no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando investigação de dumping na importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai

Dezembro 2024 – O governo acata o pedido da CNA com base nos indícios encontrados pela Confederação. Argentina e Uruguai estariam vendendo o leite em pó mais barato aqui no Brasil do que em seus próprios países, caracterizando o dumping.

Agosto 2025 – MDIC altera o entendimento vigente há mais de 25 anos, alegando que o leite fluido dos produtores não é similar ao leite em pó.

– A CNA reage, apresentando novas provas que comprovam que o leite fluido dos produtores tem sido substituído por leite em pó a preços de dumping, além de incluir um parecer internacional que atestou de forma clara que “do ponto de vista da defesa comercial e de políticas públicas” o novo entendimento do Decom “não faz sentido”.

Junto à FPA, FPPL e entidades, se reúne com o MDIC para contestar a decisão, pois o novo entendimento excluiria os produtores de leite do acesso à defesa comercial.

Outubro 2025 – O presidente da CNA, João Martins, grava um vídeo reforçando o pedido ao ministro Geraldo Alckmin. “Agora é hora de agir com responsabilidade e sensibilidade”, disse.

Dezembro 2025 – Em importante vitória para o setor, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, anuncia que o recurso da CNA foi aceito e a investigação foi retomada

Abril 2026 – O Departamento de Defesa Comercial (Decom) do MDIC publica Nota Técnica com Fatos Essenciais, que encontrou margens de dumping que chegaram a 60% para Argentina e 50% para o Uruguai.

Maio 2026 – Na 237ª reunião do Gecex foi reconhecido o dumping e aprovadas as tarifas, mas com receio de prejuízos em relações diplomáticas e impactos na economia, governo suspende os efeitos e abrirá uma avaliação de interesse público. (CNA)


"O mundo pede mais Brasil", diz Roberto Rodrigues ao alertar agro sobre uma era de incertezas

Durante palestra no Milk Pro Summit, Rodrigues traçou um panorama sobre as perspectivas do agronegócio brasileiro em meio ao que definiu como uma "era da incerteza", marcada pela perda de protagonismo das organizações multilaterais, pela desordem institucional global e pela crescente instabilidade política e econômica no mundo.

Em um mundo marcado por guerras, polarização, insegurança e rearranjos geopolíticos, o Brasil voltou ao centro das atenções globais — e, para o engenheiro agrônomo e ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o agronegócio brasileiro terá papel decisivo neste novo ciclo econômico e social.

Durante sua palestra no Milk Pro Summit, Rodrigues traçou um panorama sobre as perspectivas do agronegócio brasileiro em meio ao que definiu como uma “era da incerteza”, marcada pela perda de protagonismo das organizações multilaterais, pela desordem institucional global e pela crescente instabilidade política e econômica no mundo. “O mundo está olhando para o Brasil com bons olhos por causa dos alimentos, da energia e da disponibilidade de terras. Existe boa vontade em relação ao Brasil lá fora, mas ela muitas vezes não se materializa por questões jurídicas. É um cenário complexo, de insegurança e desordem”, afirmou.

Segundo ele, a geopolítica mundial atravessa um momento de transformação profunda, com novos arranjos globais sendo construídos ao mesmo tempo em que antigas estruturas perdem força. Neste ambiente, o agro brasileiro passou a ocupar posição estratégica. “Estamos vivendo um tsunami que entrou no território agrícola brasileiro”, disse.

Apesar das incertezas, Rodrigues destacou que o Brasil reúne características únicas para assumir protagonismo global, especialmente diante de quatro dos principais desafios contemporâneos: a segurança alimentar, transição energética, mudanças climáticas e desigualdade social. Chamados por ele de “os modernos cavaleiros do apocalipse”, esses fatores devem redefinir a economia mundial nas próximas décadas.

A segurança alimentar, segundo o ex-ministro, deixou de ser apenas uma questão de abastecimento e passou a representar estabilidade política e social. Ao mesmo tempo, a busca global pela descarbonização amplia a importância de países capazes de produzir energia renovável e alimentos de forma sustentável.

Nesse contexto, o Brasil surge como uma potência singular.

“Devemos aumentar a produção? Sim. Mas onde? Os avanços tecnológicos permitem ampliar a produtividade sem desmatamento”, ressaltou. Rodrigues destacou que as projeções para a produção mundial de alimentos até 2026/2027 colocam o Brasil como o país com as maiores perspectivas de crescimento, acima de 40%, impulsionado por quatro fatores centrais: tecnologia, empreendedorismo, disponibilidade de terras e políticas públicas.

Entre os diferenciais competitivos brasileiros, ele chamou atenção para modelos produtivos praticamente inexistentes em outros países, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), além da matriz energética nacional, composta por cerca de 50% de fontes renováveis. “O mundo fala: Brasil, aumenta a produção — e a gente finge que não é conosco”, provocou.

Para Rodrigues, o potencial brasileiro, no entanto, depende diretamente da capacidade de organização interna do setor. Segundo ele, o país precisa construir uma estratégia integrada para transformar sua força produtiva em liderança econômica efetiva.

“Nosso time campeão é o agro”, afirmou.

O ex-ministro defendeu uma agenda estruturada envolvendo infraestrutura e logística, política de renda, comércio internacional, diplomacia, acordos comerciais, combate ao neoprotecionismo, fortalecimento da imagem do agro brasileiro, segurança jurídica, conectividade no campo, digitalização, inteligência artificial, bioinsumos, sustentabilidade, irrigação e agricultura circular.

Também reforçou a importância da organização das cadeias produtivas, da agregação de valor e da inclusão social como pilares para ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional.

No caso do leite, Rodrigues fez uma provocação direta ao setor ao questionar por que o Brasil ainda não alcançou protagonismo global semelhante ao obtido em outras cadeias agroindustriais. “Hoje somos os maiores produtores de café, suco de laranja e tantos outros produtos. Mas e as frutas? E o leite? Por que não? Porque precisamos nos organizar”, afirmou.

Segundo ele, a construção desse avanço passa necessariamente pelo fortalecimento da relação entre produtores, indústria e cooperativas. “Tem que haver entendimento entre produtor e indústria, e a cooperativa tem papel fundamental nisso. Essa cadeia precisa se organizar cada vez mais”, destacou.

Ao abordar sustentabilidade e gestão de risco, Rodrigues também reforçou a importância do seguro rural como ferramenta essencial para garantir estabilidade ao produtor diante das crescentes incertezas climáticas e econômicas.

Na avaliação do ex-ministro, o Brasil ainda precisa desenvolver uma relação cultural mais forte com sua agricultura, algo que, segundo ele, já acontece em diversos países europeus. “Os europeus têm orgulho da agricultura deles. Isso faz parte da cultura. Precisamos seguir neste caminho”, concluiu.

Ao longo da palestra, Roberto Rodrigues reforçou que o momento atual representa, ao mesmo tempo, um período de turbulência e uma oportunidade histórica para o Brasil. Em um cenário global cada vez mais pressionado pela necessidade de produzir alimentos, energia e sustentabilidade, o país possui ativos estratégicos raros — mas precisará transformar potencial em organização para assumir o protagonismo que o mundo já espera dele. (Milkpoint)

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1921 de 27 de maio de 2026 - BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
O cenário é de atenção ao manejo alimentar e sanitário dos rebanhos para minimizar os impactos da menor oferta forrageira e para manter a produção leiteira dentro do esperado para a época do ano. As condições meteorológicas favorecem os trabalhos de higiene e manejo de ordenha, refletindo na qualidade do leite. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, houve necessidade de ampliação do fornecimento de feno e silagem, os quais não apresentam o mesmo potencial de resposta produtiva do que as pastagens de alta qualidade. Nas propriedades com potreiros de trevo já estabelecidos, foram observados melhores índices de produção em razão da elevada digestibilidade e do alto teor de proteína dessa forrageira.  

Na de Caxias do Sul, as condições corporais e sanitárias estão satisfatórias, refletindo na boa qualidade do leite produzido.  Além do pastejo, os rebanhos recebem suplementação com pré-secados e silagem.  

Na de Ijuí, a produção de leite está em elevação, impulsionada pelo aumento do número de animais em lactação.  

Na de Passo Fundo, as condições sanitárias estão adequadas, e a produção dentro da normalidade para o período. Os lotes de maior produtividade estão sendo alocados nas pastagens de inverno, conforme a disponibilidade. 

Na de Pelotas, a produção reduziu em diversos municípios devido às limitações de oferta de forragem. A suplementação alimentar com silagem foi intensificada. No município sede, os criadores reforçam as medidas preventivas contra a tristeza parasitária bovina, devido à incidência de carrapatos e à ocorrência de alguns casos da doença.  

Na de Santa Maria, houve queda na produção e redução do escore de condição corporal. 

Na de Santa Rosa, o tempo firme e as temperaturas máximas e mínimas propícias ao conforto térmico animal permitiram a realização da inseminação artificial das matrizes em cio. Em algumas pastagens de inverno, iniciou o pastoreio rotativo, mas o fornecimento de silagem ainda é necessário para suprir a demanda nutricional dos animais. Devido à maior oferta de forragens de estação fria com maior palatabilidade, como trigo e aveia, houve aumento na produtividade leiteira. Os produtores iniciaram a redução do teor de proteína bruta (PB) na ração, passando de 22% para 18%, para diminuir os custos de produção. Além disso, em razão do elevado teor de umidade das forrageiras, o esterco está mais fluido, levando os produtores a incrementarem o fornecimento de feno na dieta dos animais. 

Em Caibaté, a Secretaria da Agricultura, em parceria com a Emater/RS-Ascar, iniciou um programa de fomento à atividade leiteira, com realização de contatos e visitas técnicas. As propriedades aderentes ao programa recebem aplicação de vermífugos e de carrapaticidas, balanceamento da dieta do rebanho, orientações sobre higiene do leite, entre outras ações.  (Emater/RS)


Jogo Rápido

Próxima semana deve ser de temperaturas baixas em todo o RS
Na próxima semana, as temperaturas deverão se manter baixas e sem grandes variações em todo o território gaúcho. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico 22/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Entre a sexta-feira (29/05) e o domingo (31/05), o deslocamento de um novo sistema de baixa pressão poderá trazer instabilidade para algumas regiões pontuais do estado. Dessa forma, há previsão de chuva, principalmente na metade norte do Rio Grande do Sul. Na metade sul, deverá haver apenas aumento gradual da nebulosidade, com chuvas de baixa intensidade previstas apenas para pontos isolados.   Na segunda-feira (01/06), na terça-feira (02/06) e na quarta-feira (03/06), uma massa de ar frio e seco voltará a deixar o tempo estável em praticamente todo o Estado. Por conseguinte, as temperaturas deverão apresentar apenas uma leve queda, e não há previsão de chuva significativa. Os acumulados de precipitação deverão variar entre 0 mm e 20 mm ao longo da semana. Na metade sul, não há acumulados significativos previstos.  O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (SEAPI)


Porto Alegre, 28 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.640


Associada do Sindilat, RAR apresenta case de produção de biogás e reaproveitamento de resíduos 

A RAR Agro & Indústria apresentou case de sustentabilidade e produção de biogás durante atividade do programa ABC+ RS – Plano Estadual de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono do Governo gaúcho. A empresa, associada ao Sindilat/RS, usa sistemas de tratamento fechado, com reaproveitamento total dos resíduos sólidos e líquidos na produção de biogás, geração de energia térmica renovável e fertirrigação das lavouras. 

Segundo Ângelo Serrano, Médico Veterinário e Gerente da Fazenda RAR Alimentos, o projeto demonstra como a integração entre produção leiteira, manejo ambiental e geração de energia pode trazer ganhos econômicos e ambientais. “O reaproveitamento dos resíduos permite transformar passivos em soluções sustentáveis. Hoje conseguimos utilizar a produção de biogás em substituição de diesel, mitigando emissões”, afirmou. Ao todo, a unidade produz cerca de 330 mil metros cúbicos de biogás por ano, substituindo aproximadamente 190 mil litros de diesel anuais, com redução estimada de 270 toneladas de CO2 equivalente. Na propriedade em Vacaria (RS) são criados cerca de 4 mil animais, sendo 1,7 mil em lactação, com produção superior a 50 mil litros de leite por dia.

A atividade foi acompanhada pela gerente de comunicação do Sindilat/RS, Jéssica Aguirres, que destacou a importância de ampliar a divulgação de iniciativas sustentáveis desenvolvidas pelas indústrias lácteas gaúchas. “O setor lácteo do Rio Grande do Sul possui bons exemplos de inovação, eficiência e responsabilidade ambiental. Mostrar essas práticas é importante para aproximar a sociedade da realidade das indústrias e evidenciar o compromisso do segmento com a sustentabilidade”, ressaltou. (Sindilat/RS)


CONSELEITE MINAS GERAIS CONSELHO PARITÁRIO DE PRODUTORES E INDÚSTRIAS DE LEITE DE MINAS GERAIS  - RESOLUÇÃO MAIO/2026 

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 27 de Maio de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:  a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Março/2026 a ser pago em Abril/2026 b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Abril/2026 a ser pago em Maio/2026. c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Maio/2026 a ser pago em Junho/2026. 


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.  

Estratégia da Italac indica avanço das categorias funcionais e de maior valor agregado no mercado lácteo brasileiro

Italac amplia linha proteica e busca consumidor menos sensível a preço

A Italac ampliou sua estratégia de valor agregado ao reforçar categorias ligadas à proteína, digestibilidade e conveniência, movimento que evidencia uma mudança importante no posicionamento das grandes indústrias lácteas brasileiras diante de um consumidor menos focado apenas em preço.
Ao completar 30 anos, a companhia vem acelerando lançamentos voltados a públicos que buscam funcionalidade, praticidade e percepção de qualidade dentro do consumo diário. A estratégia inclui produtos zero açúcar, zero lactose, itens proteicos e o leite A2, categoria associada à alta digestibilidade.

Segundo Andréia Alvares, gerente de Marketing da Italac, a alimentação saudável deixou de ocupar um espaço restrito e passou a fazer parte do consumo cotidiano. Ao mesmo tempo, a executiva afirma que o consumidor continua valorizando sabor e indulgência, combinação que ajuda a explicar os movimentos recentes da empresa.

Entre os lançamentos apresentados estão o doce de leite zero açúcar, a manteiga zero lactose e novos itens da linha Pro+Play, com 15 gramas de proteína. A companhia também anunciou uma parceria com a The Hershey Company para ampliar sabores da linha protéica, incluindo versões como cacau com cranberry, cookies & cream e café. Um dos sabores aposta no caramelo salgado como forma de atender à demanda por indulgência.

Mais do que ampliar portfólio, o movimento mostra como a proteína vem ganhando espaço como plataforma estratégica dentro do setor lácteo. A lógica deixa de estar concentrada apenas no leite tradicional e avança para produtos capazes de agregar conveniência, diferenciação e maior fidelização do consumidor.

Outro eixo importante da estratégia é a digestibilidade. O leite A2 passou a integrar o portfólio da companhia como alternativa voltada a consumidores com sensibilidade à proteína do leite convencional. Segundo a executiva, trata-se de um produto formulado com uma caseína diferente da tradicional, permitindo digestão mais fácil.

A empresa também lançou um leite proteico em embalagem individual, reforçando a aposta no consumo prático ao longo do dia. O formato acompanha mudanças nos hábitos de compra e alimentação observados pela companhia.

No varejo, a Italac avalia que o avanço do digital e do omnichannel amplia possibilidades comerciais, mas não reduz a relevância do supermercado físico na jornada de consumo. Para a empresa, os canais funcionam de maneira complementar, especialmente em categorias que dependem de experiência de compra, descoberta e exposição de portfólio.

Com cerca de 180 produtos, incluindo itens destinados ao foodservice, e capacidade produtiva aproximada de 7,5 milhões de litros por dia, a Italac sinaliza um reposicionamento voltado a categorias de maior valor agregado. O foco, segundo a executiva, é ampliar a conexão com consumidores considerados mais fiéis e mais atentos à qualidade dos produtos.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por M&C


Jogo Rápido

Renegociação avança mais uma casa
Com apenas um voto contrário, o relatório do senador Renan Calheiros foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), abrindo caminho para o avanço da renegociação do passivo de agricultores. Depois de idas e vindas, com o governo apresentando uma proposta alternativa na tarde de terça-feira, a manifestação de contrariedade do setor produtivo derrubou o que a União considerava como acordo. O texto do relator voltou à mesa e, com o aval dado, busca a votação no plenário – o que deve ocorrer no dia 9 de junho. – É um grande dia, porque não é só a questão do endividamento, é um novo modelo de financiamento, abrimos um novo leque – comemorou Domingos Velho Lopes, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). A entidade havia produzido um texto analisando o substitutivo ao Projeto de Lei 5.122 apresentado pelo governo e elencando as razões para a contrariedade. Nos bastidores, a solução costurada pelo governo passava pela edição de uma Medida Provisória em substituição ao projeto. Neste modelo, as regras de renegociação seriam semelhantes à proposta que o Ministério da Fazenda apresentou e foi rejeitada pela CAE. – Lastimamos não ter havido um acordo com o governo, porque tinha possibilidade de tramitar mais rápido. Mas o projeto, como foi aprovado, encaminha bem a solução do problema da agricultura, especialmente no RS – completa Eugênio Zanetti, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado (Fetag-RS). Relator do PL 5.122, aprovado na Câmara dos Deputados em julho do ano passado, Afonso Hamm (PP-RS) acrescentou: – Cabe ao governo apoiar esse projeto. Não há condições de apresentar um plano sem resolver a questão do alongamento da dívida. Líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS) diz que a situação cria um impasse: – Tínhamos um acordo que não foi cumprido. Não temos mais garantia de cronograma de votação. (Zero Hora)


Porto Alegre, 27 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.639


Sindilat/RS integra as atividades de celebração do Dia Mundial do Leite

O Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) integra a programação especial do Dia Mundial do Leite, celebrado em 1º de junho, em Três de Maio (RS), no Parque de Exposições Germano Dockhorn. A atividade reunirá lideranças, técnicos, produtores e representantes da indústria para discutir os desafios e as perspectivas do setor lácteo gaúcho, com foco em competitividade, sanidade, sustentabilidade e desenvolvimento econômico da atividade no Estado.

Entre os mediadores, está o secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini, que vai participar do painel “Perspectiva do Setor Leiteiro: Leite do Futuro”. A atividade tem início às 9h20min e contará ainda com a participação do engenheiro agrônomo e diretor da Transpondo – Desafios da Cadeia do Leite, Wagner Beskow. Para Palharini, discutir o futuro da atividade passa por competitividade, eficiência e adaptação às novas exigências do mercado. “O setor leiteiro vive um momento de transformação, com desafios ligados à produtividade, qualidade, sanidade e sucessão no campo. Debater esses temas é fundamental para preparar a cadeia para os próximos anos”, destaca.

Segundo o dirigente, o Rio Grande do Sul reúne condições para ampliar ainda mais sua relevância no cenário nacional e internacional. “O leite gaúcho tem potencial para estar entre os grandes players do mercado, mas isso exige competitividade, produtividade, sanidade e integração entre produtores, indústria e poder público”, afirma.

Também participará do Dia Mundial do Leite o presidente do Sindilat/RS e diretor da Lactalis no Brasil, Guilherme Portella, que apresentará o bloco “Visão do Sindilat/RS sobre o futuro do setor leiteiro do RS”. Na ocasião, Portella receberá o título de Cidadão Honorário de Três de Maio, honraria concedida pela prefeitura do município. 

Interessados em participar precisam realizar  inscrição através do link https://forms.gle/ksugqrpPtzMGc8sy8. (Sindilat/RS)


CONSELHO PARITÁRIO PRODUTORES/INDÚSTRIAS DE LEITE DO ESTADO DO PARANÁ – CONSELEITE–PARANÁ

ESOLUÇÃO Nº 05/2026 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 27 de maio de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Abril de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Maio de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Maio de 2026 é de R$ 4,2999/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/. (Conseleite)

Projeto de renegociação de dívidas rurais sofre alterações

Fundo Social do Pré-Sal para o financiamento deve ser retirado do projeto, a ser votado no Senado nesta quarta-feira

Após muitos adiamentos para a avaliação no Senado, o projeto que trata da criação de uma linha especial de financiamento para produtores rurais deverá ser votado nesta quarta-feira. Porém, o texto sofrerá alterações negociadas entre os parlamentares e o governo federal.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) disse que deve ser retirado da matéria o uso do Fundo Social do Pré-Sal para o financiamento. Uma reunião no Ministério da Fazenda definiu o enquadramento de produtores beneficiados, o teto de valores e o uso do Fundo Garantidor.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), que participou do encontro, informou que a ideia é votar uma renegociação de dívidas com carência de dois anos e prazo de 10 anos para pagamento. Além disso, haverá escalonamento do juros entre pequenos, médios e grandes produtores. Contudo, as alíquotas ainda não foram acordadas.

“Por mais que seja uma medida que atinja a todo o Brasil, nós queremos que os produtores que foram atingidos pelas enchentes, pela seca, pela estiagem, que fundamentalmente envolvem produtores e produtoras do Rio Grande do Sul, para estes produtores terem um enquadramento diferenciado”, declarou.

Entraves
Apesar do apoio da bancada ruralista, a proposta tem enfrentado resistência dentro da equipe econômica do Executivo por causa do impacto fiscal. O volume de dívidas rurais envolvidas pode chegar a cerca de R$ 180 bilhões. Os recursos inicialmente previstos para a ajuda incluíam até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal, além de outras fontes públicas de financiamento.

Originalmente, o governo pretendia dar carência de um ano para o início do pagamento das dívidas e conceder prazo de até seis anos de pagamento das parcelas após a renegociação. No entanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia dito, na semana passada, que o governo concordou em ceder nesses dois pontos.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é presidente da CAE e relator da matéria, salientou que, no texto a ser votado na comissão, será incluída a ideia que o governo tinha para uma medida provisória sobre o assunto.

Pimenta informou que o texto do PL 5.122 deve ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta quarta-feira pela manhã e no Plenário do Senado, no turno da tarde. Como a matéria será alterada no Senado, ela precisa ser novamente analisada na Câmara dos Deputados. Segundo Pimenta, a expectativa é que o projeto seja aprovado pelos deputados nesta quinta-feira. (Correio do Povo)


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Futuros nos EUA se recuperam
Os preços futuros da soja nos Estados Unidos seguem em recuperação, impulsionados pelo avanço de acordos comerciais entre os governos norte-americano e da China, principal importadora global da oleaginosa. O país asiático comprometeu-se a adquirir dos Estados Unidos US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas, além de 25 milhões de toneladas de soja. Soma-se a isso o dólar abaixo de R$ 5,00, o que tende a favorecer as exportações norte-americanas. Apesar disso, pesquisadores do Cepea destacam que a expectativa é de manutenção da forte demanda chinesa por soja brasileira, favorecida pelo menor prêmio de exportação no Brasil. De acordo com o Cepea, na semana passada, a valorização doméstica da soja em grão esteve atrelada à firme demanda, sobretudo externa, pela oleaginosa brasileira. Segundo dados da Secex, a média diária de exportações neste mês (10 dias úteis) supera em 18,5% a registrada no mês anterior. Vale lembrar que o Brasil já havia registrado recorde de embarques da oleaginosa em abril. (Terra Viva via CEPEA)


Porto Alegre, 26 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.638


Conseleite RS projeta leite a R$ 2,4478 em maio

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) projeta valor de referência do leite em maio em R$ 2,4478, 3,38% abaixo do projetado no mês anterior (R$ 2,5333). A redução é a primeira após meses de elevação e acompanha um movimento nacional, sinalizou o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes. “É um momento que pede atenção do setor leiteiro, que vinha conseguindo repor parte de suas perdas nos últimos meses. Estamos preocupados, mas não surpresos”, ponderou Prestes, justificando que o indicativo confirma o que já vinha sendo visualizado no mercado nas últimas semanas. O fato agrava-se principalmente ao analisar o ingresso desmedido de leite em pó e queijos vindos da Argentina e do Uruguai, que “entram no Brasil em um momento extremamente delicado”, alertou Prestes.

Em alerta com as importações que vêm inundando o mercado brasileiro com o leite do Prata, o Conseleite vem demandando apoio do governo brasileiro. Em maio, o colegiado enviou ofício ao Mapa, MDA e Mdic alertando sobre a situação. Paralelo a isso, o segmento prepara dossiê comprobatório dos impasses comerciais que atingem a cadeia produtiva.  A ideia das entidades que compõem o colegiado é enviar um novo documento aos ministérios e à Presidência da República cobrando que a votação na Camex seja pela aplicação de medidas antidumping de forma a proteger o mercado brasileiro.

A preocupação adicional do setor lácteo para as próximas semanas é com o impacto do clima na produção leiteira do Rio Grande do Sul, tendo em vista a projeção de frio intenso e redução das pastagens, fatos que, geralmente, reduzem a captação por animal no campo. Durante a reunião realizada na manhã desta terça-feira (26/05), o Conseleite também divulgou o consolidado do leite em abril, que fechou em R$ 2,5664, 8,19% acima do valor de referência final de março (R$ 2,3721). Os dados divulgados pelo Conseleite são elaborados pela UPF com base em informações fornecidas pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês. (Sindilat/RS)


O consumo brasileiro entre forças opostas

O consumo no Brasil vive hoje uma dinâmica paradoxal. Ao mesmo tempo que Nunca tivemos um mercado de trabalho aparentemente tão forte, mas, ao mesmo tempo, o varejo e diversos segmentos de consumo seguem apresentando uma performance abaixo do esperado. O desemprego em mínimas históricas e o crescimento real da renda deveriam impulsionar o consumo, mas, na prática, o consumidor continua pressionado, seletivo e com baixa capacidade de expansão de gasto.

Esse cenário mostra que olhar apenas para os indicadores tradicionais já não é suficiente para entender o comportamento do mercado e as dinâmicas de consumo têm se tornado cada vez mais complexas.

O emprego cresce, mas a percepção do consumidor não acompanha
A taxa de desemprego no Brasil está na mínima histórica e alcançou o patamar de pleno emprego,  situação em que as pessoas que querem trabalhar encontram vagas disponíveis. Esse dado, isoladamente, sugeriria um ambiente extremamente positivo para o consumo. Porém, é importante observar com atenção a metodologia da pesquisa do IBGE e as mudanças estruturais no mercado de trabalho.

Pela metodologia atual, é considerada ocupada qualquer pessoa que tenha realizado pelo menos uma hora remunerada na semana anterior à pesquisa, método que não considera o subaproveitamento do trabalho. Há ainda um outro componente pouco discutido, que é o receio da perda de benefícios sociais, já que parte da população evita a formalização ou a declaração de atividades remuneradas por medo de deixar de acessar programas de assistência. mbora não seja possível medir quantitativamente o impacto dessa variável nos indicadores, ela também não pode ser desconsiderada.

Outro dado amplamente divulgado é o crescimento real da massa salarial. O indicador aponta que a renda total das famílias cresceu cerca de 9,3%, já descontada a inflação, na comparação entre o primeiro trimestre móvel de 2025 e o mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 374,8 bilhões.

Entretanto, o cálculo do ganho real da renda utiliza como referência a inflação medida pelo IPCA, o que pode gerar uma desconexão importante entre os indicadores econômicos e a percepção do consumidor. Isso porque a inflação percebida pelas famílias, especialmente das classes média e baixa, muitas vezes, é significativamente maior.

Itens essenciais como alimentos, transporte, moradia, energia, saúde e serviços básicos têm um peso emocional e financeiro superior no orçamento real das famílias. Como resultado, na prática, o consumidor não sente um aumento de renda proporcional ao divulgado nos indicadores macroeconômicos.

Leia a matéria completa no site do Mercado e Consumo clicando aqui. (Mercado e Consumo)

Arrecadação soma R$ 278,823 bi em abril; alta real é de 7,82% ante igual mês de 2025

A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 278,823 bilhões em abril, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (21). As estimativas do mercado financeiro iam de R$ 270,0 bilhões a R$ 280,4 bilhões.

O resultado de abril representa uma alta de 7,82% na comparação com o mesmo mês de 2025, descontada a inflação do período. Segundo a Receita, é o maior resultado para meses de abril desde 2000, o início da série histórica.

O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) totalizaram uma arrecadação de R$ 64,893 bilhões, representando crescimento real de 7,73%. Esse resultado pode ser explicado pelos aumentos reais de 4,84% na arrecadação com a estimativa mensal, de 7,22% na arrecadação do balanço trimestral, e de 6,34% na arrecadação do lucro presumido.

A receita previdenciária somou R$ 62,749 bilhões, crescimento real de 4,83% frente a abril de 2025.

Segundo a Receita, o resultado foi puxado pela alta real de 3,61% da massa salarial em abril de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, além da expansão de 9,18% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário em abril de 2026 em relação a abril de 2025.
Além disso, houve crescimento de 18,66% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a abril de 2025. Houve, também, a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, a partir de janeiro do ano passado.
O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 13,262 bilhões, representando crescimento real de 25,45%. Esse desempenho decorre dos aumentos nominais de 28,40% na arrecadação do item "Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)" e de 94,74% na arrecadação do item "Juros sobre Capital Próprio".

As receitas com o IOF, por sua vez, aumentaram 30,26% acima da inflação frente a abril de 2025, e atingiram R$ 8,046 bilhões. A arrecadação de abril de 2026 com esse imposto foi influenciada, principalmente, pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira e de crédito, especialmente em decorrência de alterações legislativas implementadas em junho de 2025.

Acumulado

A arrecadação de impostos e contribuições federais em 2026 até abril somou R$ 1,056 trilhão, informou a Receita Federal nesta quinta-feira. O montante representa alta de 5,41% na comparação com o mesmo período de 2025, descontada a inflação do período. Segundo o órgão, é a maior arrecadação no quadrimestre desde 2000. 

No relatório de divulgação, o Fisco atribui o desempenho da arrecadação em 2026 à receita previdenciária, de R$ 251,352 bilhões, com crescimento real de 5,23%. Esse resultado decorreu, segundo o órgão, do crescimento real de 3,35% da massa salarial e de 5,66% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário de abril de 2026 em relação a abril de 2025.

Além disso, houve crescimento de 18,50% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a abril de 2025. Houve, também, a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, a partir de janeiro de 2025.

O PIS/Pasep e a Cofins totalizaram uma arrecadação de R$ 205,578 bilhões, representando crescimento real de 5,54%. Esse resultado decorre, principalmente, do aumento de 2,14% no volume de vendas (PMC-IBGE) e de 2,63% no volume de serviços (PMS-IBGE) entre dezembro de 2025 e março de 2026, em relação ao período compreendido entre dezembro de 2024 e março de 2025, à recuperação da arrecadação relativa a setores inseridos no Perse e ao setor de combustíveis; e ao desempenho positivo do setor de eletricidade e gás, dos serviços financeiros e do Simples Nacional.

O IOF apresentou uma arrecadação de R$ 33,469 bilhões, um crescimento real de 40,77%. O desempenho vem de operações relativas a crédito, seguros e à saída de moeda estrangeira.
O governo aumentou a alíquota do IOF em junho de 2025 depois de uma série de impasses com o Congresso. A mudança tem turbinado a arrecadação dessa rubrica.

O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 50,687 bilhões, representando crescimento real de 21,68%. O resultado do período pode ser justificado, principalmente, pelos aumentos nominais de 37,64% na arrecadação do item "Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)", de 42,35% na arrecadação do item "Juros sobre Capital Próprio (JCP)" e de 11,79% na arrecadação do item "Fundos de Renda Fixa".

No fim do ano passado, o Congresso aprovou aumentos nas alíquotas de fintechs e bets e de JCP, junto com um projeto que reduz os benefícios fiscais em 10%.

O texto eleva a CSLL incidente sobre fintechs de maneira escalonada. A alíquota subiria de 9% para 12%, nível em que ficaria até o fim de 2027, antes de se acomodar em 15% a partir de 2028. Os bancos pagam 20% de CSLL, mas o imposto efetivo sobre financeiras não bancárias tende a ser maior, em parte por conta da rentabilidade mais alta. (Jornal do Comércio)


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Atenção se volta ao desenvolvimento da 2ª safra
Em meio à perspectiva de oferta elevada, a segunda safra vem apresentando desenvolvimento satisfatório na maior parte das regiões produtoras, com exceção de regiões pontuais em Goiás, no Paraná e em Mato Grosso do Sul, onde as condições climáticas (geadas e tempo seco) preocupam quanto à produtividade. Segundo o Cepea, uma parte dos vendedores tem apresentado cautela em negociar diante dos possíveis impactos da adversidade climática na safra e, assim, se mantêm firmes nos valores. Por outro lado, alguns desses agentes estão flexíveis, com o intuito de liberar armazéns e de fazer caixa. Compradores, por sua vez, comercializam apenas pontualmente, nos momentos de valores mais baixos, visto que têm estoques para as próximas semanas. (CEPEA via Terra Viva)


Porto Alegre, 25 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.637


CONSELEITE SANTA CATARINA

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 22 de Maio de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Abril de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Maio de 2026.

O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão. (Conseleite SC)


Setor leiteiro vive ano desafiador com importações recordes, pressão nos preços e busca por competitividade

Em entrevista ao programa Rumo ao Campo deste sábado (23/05), o secretário-executivo do Sindilat RS, Darlan Palharini, analisou o cenário atual da cadeia leiteira brasileira e destacou os principais desafios enfrentados por produtores, indústrias e consumidores em 2026. Entre os temas abordados estão a oscilação dos preços, o aumento da produção nacional, o crescimento das importações, os custos de produção, os impactos do cenário internacional e as perspectivas para o mercado nos próximos meses. Conforme Darlan, o setor iniciou 2026 em uma realidade diferente daquela registrada no encerramento de 2025, período considerado bastante delicado para a atividade leiteira. O ano passado foi marcado por forte pressão nos preços pagos ao produtor, consequência direta do aumento significativo da produção de leite no Rio Grande do Sul e no Brasil como um todo.

Embora a recuperação da produção seja vista como um indicador positivo para a atividade, ela veio acompanhada de um fator que vem preocupando o setor: o crescimento expressivo das importações de lácteos, especialmente do leite em pó proveniente da Argentina e do Uruguai. Segundo o representante do Sindilat, o produto importado chega ao Brasil com preços inferiores aos praticados pela produção nacional, ampliando a oferta interna e pressionando todo o mercado brasileiro.  “Hoje o grande desafio é competir com um produto importado que entra no país com preços menores do que os nossos custos de produção”, destacou.

Apesar das dificuldades, o mercado apresentou sinais de reação no início deste ano. Houve um período de estabilidade seguido por recuperação nos preços pagos ao produtor. No entanto, os indicadores de maio já apontam que o valor ao consumidor atingiu um teto, o que deve resultar em pequenas reduções nos preços de referência pagos ao campo. A expectativa é de que o Conseleite indique ajustes moderados nos próximos levantamentos, mas sem grandes quedas, justamente porque as margens dos produtores seguem apertadas. 

Consumo fragilizado e renda comprometida
Outro aspecto levantado durante a entrevista é a situação econômica do consumidor brasileiro. Darlan observa que o poder de compra das famílias está fortemente comprometido por financiamentos, dívidas e outras despesas, reduzindo a capacidade de consumo. Esse cenário afeta diretamente os produtos lácteos, especialmente o leite UHT, conhecido popularmente como leite de caixinha, item essencial na alimentação de milhões de brasileiros. O dirigente também citou uma mudança recente nos hábitos de consumo, com parte da renda das famílias sendo direcionada a apostas e jogos, fator que acaba retirando recursos do orçamento doméstico e impactando setores básicos da alimentação.

Importações batem recorde e preocupam indústria e produtores 
Um dos pontos mais preocupantes do cenário atual é o volume importado pelo Brasil em 2026. Dados acompanhados pelo setor mostram que, no acumulado entre janeiro e abril, o país registrou o maior volume de importação de lácteos dos últimos 15 anos, superando todos os registros desde 2011. De acordo com Darlan, aproximadamente 9% da produção nacional equivalente entrou no Brasil na forma de produto importado — volume superior a 2,2 bilhões de litros. Para ilustrar a dimensão do impacto, ele compara o montante à produção anual uruguaia praticamente
inteira entrando no mercado brasileiro. 

Esse excesso de oferta reduz a competitividade da indústria nacional, principalmente no segmento do leite em pó, onde várias empresas operam com baixa utilização da capacidade industrial ou até interrompem temporariamente a produção devido à limitação do mercado.

Por que as empresas compram leite importado?
Durante a entrevista, Darlan explicou que a principal razão para a preferência de algumas indústrias pelo leite em pó importado é econômica. Empresas do setor alimentício, especialmente grandes fabricantes de chocolates, acabam adquirindo produtos vindos do Mercosul porque ele chega ao país em condições mais vantajosas financeiramente. Segundo ele, a diferença não está na qualidade. “O produto brasileiro tem qualidade equivalente. O fator decisivo é o preço”, explicou. O acordo comercial do Mercosul facilita essa dinâmica, uma vez que não há barreiras tributárias significativas entre os países-membros, tornando praticamente inviável limitar importações através de medidas de restrição. Além disso, Argentina e Uruguai possuem forte dependência do mercado brasileiro como destino para sua produção excedente.

Custo logístico e tamanho das propriedades impactam competitividade
Outro desafio apontado envolve a estrutura da produção brasileira. Enquanto propriedades argentinas e uruguaias frequentemente trabalham com volumes médios entre 3 mil e 5 mil litros diários por fazenda, muitas propriedades brasileiras ainda operam abaixo de 500 litros por dia. Essa diferença afeta diretamente a competitividade. Segundo Darlan, o custo médio de transporte do leite da propriedade rural até a indústria gira em torno de 20 centavos por litro — valor significativo dentro da composição do custo total. Quanto menor o volume produzido por propriedade, menor a diluição desses custos. Por isso, o setor vem apostando em aumento de produtividade, profissionalização da gestão e investimentos em automação. A mecanização, inclusive, tornou-se uma necessidade diante da crescente escassez de mão de obra no meio rural. 

Clima, fertilizantes e cenário internacional ampliam as incertezas
O setor leiteiro também acompanha com atenção fatores externos que podem influenciar nos próximos meses. Entre eles, estão os desdobramentos do conflito envolvendo Irã e Estados Unidos, que já provocam impactos no mercado de fertilizantes, especialmente da ureia, insumo fundamental para a produção agropecuária. Milho, soja e custos nutricionais também seguem pressionados. Além disso, existe preocupação quanto ao comportamento climático nos próximos meses, especialmente diante das projeções para a Região Sul. Como a atividade leiteira depende fortemente das condições climáticas para produção de alimentos, pastagens e manutenção dos sistemas produtivos, qualquer mudança brusca no clima pode afetar diretamente os resultados do setor.

Indústria aposta em inovação e produtos de maior valor agregado
Diante de um mercado cada vez mais competitivo, a indústria láctea vem buscando novas estratégias para agregar valor aos produtos. Uma tendência crescente, segundo Darlan, é a expansão dos leites enriquecidos com maior teor de proteína, produto já bastante presente em outras regiões do país e que deve ganhar espaço também no Rio Grande do Sul. O movimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que busca alimentos com maior valor nutricional e foco em proteínas. Nesse contexto, ganha importância a remuneração por qualidade da matéria-prima. Algumas empresas já estão adotando sistemas de pagamento que valorizam produtores capazes de fornecer leite com maior concentração de proteína e sólidos, característica importante para o desenvolvimento de novos produtos e para aumentar a rentabilidade da cadeia.

Um ano curto, intenso e de decisões importantes
Para o secretário-executivo do Sindilat RS, 2026 será um ano particularmente acelerado e desafiador. Além das questões econômicas e produtivas, o calendário nacional, marcado por grandes eventos e pela movimentação política do período eleitoral, tende a tornar o ambiente ainda mais dinâmico. Diante desse cenário, Darlan reforça que a gestão eficiente das propriedades rurais, o controle rigoroso dos custos, o aumento da produtividade e a inovação industrial serão decisivos para manter a sustentabilidade da cadeia leiteira.

Acompanhe o podcast clicando aqui. (Rádio Planetário)

 

Brucelose: Declaração de Conformidade pode ser obtida no Produtor Online

Produtores gaúchos já podem solicitar a Declaração de Conformidade de vacinação contra a brucelose bovina através do Produtor Online.

Produtores gaúchos já podem solicitar a Declaração de Conformidade de vacinação contra a brucelose bovina através do Produtor Online. A comunicação da imunização das fêmeas bovinas e bubalinas com idade entre 3 e 8 meses é obrigatória e precisa ser informada ao Serviço Veterinário Oficial para garantir a conformidade para a entrega do leite nas indústrias e a movimentação de animais.

“Antes, a solicitação do documento de regularidade precisava ser feita pessoalmente nas Inspetorias de Defesa Agropecuária.

Agora, o produtor pode fazer de casa, utilizando o Produtor Online, que é o mesmo portal onde realiza outros serviços, como a Declaração Anual de Rebanho”, esclarece Ana Cláudia Groff, coordenadora do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose na Secretaria da Agricultura (RS). Acesse aqui. 

A brucelose é uma doença causada por uma bactéria (Brucella abortus) que atinge bovinos e búfalos e pode ser transmitida para seres humanos. A introdução de animais infectados no rebanho é a forma mais comum de entrada da doença na propriedade.

Dentro do rebanho, a principal forma de transmissão da doença ocorre a partir da vaca prenhe, durante o parto ou aborto, quando a bactéria é liberada. Animais que tiverem contato com pastos, bebedouros que receberam fluidos da vaca doente, ou pela lambedura de terneiros recém-nascidos podem se contaminar.

Principais sintomas

O sinal mais comum em fêmeas é o aborto no terço final da gestação e a retenção de placenta. Em gestações seguintes, o animal pode apresentar nascimento de bezerros fracos ou mortos. Em machos, a doença causa inflamação nos testículos (orquite) e epididimite. A infertilidade em ambos os sexos e a artrite também são manifestações da enfermidade. A melhor forma de manter o rebanho saudável é conhecer a origem dos animais adquiridos, fazer testes periódicos e realizar a vacinação de fêmeas bovinas e bubalinas, conforme orientação do Ministério da Agricultura.

A brucelose é uma zoonose e o ser humano corre risco de infecção ao manipular restos de placenta, fluidos fetais ou carcaças, por isso o tema requer atenção especial de produtores e trabalhadores rurais. A infecção pelo consumo do leite ocorre somente quando o produto não passou por inspeção e tratamento térmico. (FUNDESA))


Jogo Rápido

ÚLTIMA CHANCE: Milk Pro Summit 2026 - Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.   As inscrições podem ser feitas pela plataforma oficial do evento, clicando aqui. (Sindilat/RS) 


Porto Alegre, 22 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.636


El Niño tem 82% de chance de surgir até julho e probabilidade de persistir chega a 96% no fim do ano

Dados consolidados pela NOAA apontam 82% de chance de transição climática entre maio e julho, com possibilidade de consolidação do evento até o início de 2027, embora intensidade máxima ainda permaneça incerta.

O cenário climático global está prestes a passar por uma transição significativa nos próximos meses, com o provável desenvolvimento do fenômeno El Niño. De acordo com o relatório mais recente divulgado em conjunto pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), pelo Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos e por suas instituições associadas, há uma probabilidade de 82% de que o fenômeno emerja no trimestre entre maio e julho de 2026. As projeções avançam para o fim do ano e indicam uma probabilidade ainda maior, de 96%, de que as condições de El Niño persistam durante o verão brasileiro, abrangendo o período de dezembro de 2026 a fevereiro de 2027.
Nas últimas semanas, o Oceano Pacífico equatorial vinha registrando uma fase de neutralidade, o que significa que o clima estava funcionando dentro da normalidade, sem a influência do El Niño ou de seu fenômeno oposto, a La Niña. Os termômetros na superfície da água do mar na região central do oceano marcaram temperaturas muito próximas da média histórica. No entanto, as medições mais recentes já mostram um aquecimento gradual dessas águas, sinalizando que essa fase de estabilidade está chegando ao fim.

Pelo sexto mês seguido, a temperatura das águas profundas do Pacífico registrou uma elevação constante e espalhada por uma grande área. Além disso, os cientistas identificaram mudanças no comportamento dos ventos e na formação de nuvens de chuva na região da Indonésia e no centro do oceano. Juntos, esses fatores mostram que o oceano e a atmosfera começaram a se conectar para dar início ao fenômeno.

Os principais modelos de previsão concordam que o El Niño deve começar a se desenhar já no próximo mês. Apesar disso, os meteorologistas alertam que, embora a certeza sobre o surgimento do fenômeno tenha aumentado, ainda não é possível saber o quão forte ele será. Os dados estatísticos atuais mostram que nenhuma das categorias de intensidade, seja um El Niño fraco, moderado ou forte, tem mais do que 37% de chance de acontecer, o que deixa o cenário sobre a força do evento totalmente aberto.

Historicamente, os episódios mais intensos de El Niño dependem de uma combinação muito forte entre o calor do oceano e a reação dos ventos durante os meses de meados do ano, algo que os cientistas ainda precisam acompanhar de perto em 2026. Os especialistas lembram que a intensidade do fenômeno não determina diretamente a gravidade dos impactos em cada região. Um El Niño forte não significa necessariamente desastres automáticos, apenas aumenta as chances de que ocorram variações severas de chuva e temperatura pelo mundo.

As informações são da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), adaptadas pela equipe MilkPoint.


Conselhos do Fundesa propõem renovação do seguro pecuário contra a febre aftosa

Conselhos Técnicos Operacionais da Pecuária de Corte e de Leite do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS propuseram, após longo debate, a renovação do Seguro Pecuário do Rebanho Bovino do Rio Grande do Sul. A reunião foi realizada na sede da Farsul com a presença da maioria dos representantes dos conselhos.

Com vencimento no próximo dia 28, a apólice proposta pelo colegiado prevê a renovação da atual seguradora, a Swiss RE. A decisão foi homologada pelo Conselho Deliberativo do Fundo. O valor do prêmio a ser pago pelo Fundesa-RS à seguradora é de R$ 2,114 milhões, mais de R$ 300 mil reais inferior ao recurso pago na apólice vigente, contratada em maio de 2025. “A seguradora, tomando conhecimento sobre a atuação do Serviço Veterinário Oficial do Estado e também de trabalhos como os realizados pela Universidade da Carolina do Norte e pela Universidade Federal de Santa Maria, definiu pela redução do valor do prêmio”, explica o presidente do Fundesa-RS, Rogério Kerber.

Com a renovação, o rebanho gaúcho tem garantia de indenização até R$13,5 milhões pelo Fundesa a título de franquia, alcançando mais R$ 50 milhões segurados pela Swiss RE. Considerando rebanho gaúcho de corte e leite estimado em 11,5 milhões de cabeças, o custo do seguro por animal será de R$ 0,18. (Fundesa)

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1920 de 21 de maio de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
A atividade leiteira apresentou comportamento relativamente estável no período, exceto por algumas variações regionais associadas às condições alimentares, sanitárias e climáticas. De maneira geral, as condições corporais e sanitárias estão adequadas, e a qualidade do leite produzido dentro dos parâmetros exigidos pela legislação vigente. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção de leite reage de forma lenta em função da ampliação gradual das áreas de aveia em condições de utilização, considerando os reduzidos níveis de matéria seca no primeiro pastejo.  

Na de Caxias do Sul, a suplementação ofertada contribuiu com a manutenção do escore corporal dos animais e do volume de produção. Casos pontuais de mastite foram relatados, sem impacto na sanidade geral dos rebanhos. 

Na de Erechim, os rebanhos apresentaram condição sanitária dentro da normalidade, e as vacinações reprodutivas foram realizadas conforme calendário. Porém, a menor incidência solar e os dias mais curtos têm favorecido o aumento da umidade em estábulos e áreas adjacentes, elevando o risco de mastite, lesões em membros e problemas de casco. 

Na de Ijuí, a produção de leite teve leve aumento em relação à semana anterior. Os animais apresentaram escore corporal adequado. De maneira geral, a incidência de ectoparasitas está baixa, não causando prejuízos sanitários.  

Na de Passo Fundo, o estado sanitário dos lotes está ideal, e houve redução significativa na infestação de ectoparasitas. Estão sendo realizadas feiras para a aquisição de animais destinados às áreas de pastagens de inverno. 

Na de Porto Alegre, os rebanhos apresentaram boas condições nutricionais, favorecidas pela manutenção da suplementação alimentar e pelo aumento gradual do acesso às pastagens cultivadas. Por outro lado, os altos custos dos insumos seguem sendo apontados como fator limitante para a atividade. 

Na de Pelotas, em relação à alimentação, os rebanhos avançam gradualmente para as áreas implantadas mais precocemente e recebem suplementação com silagem e ração em diversas propriedades. Em alguns municípios, houve necessidade de alternativas alimentares complementares diante da menor oferta forrageira. 
Em Pedras Altas, há expectativa de aumento na produção leiteira nos próximos dias em função do início do período de parto de parte das matrizes. Referente ao aspecto sanitário, observou-se diminuição da incidência de carrapatos em função do frio, mantendo-se a orientação para prevenção de tristeza parasitária bovina. São realizados vacinação, manejo sanitário e acompanhamento técnico das propriedades. 

Na de Santa Maria, as condições nutricionais dos rebanhos estão dentro do esperado para o período. Ainda assim, em algumas localidades, registrou-se redução no escore corporal e queda na produção, associadas à menor oferta e qualidade das forragens. (Emater/RS, editado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Previsão do tempo
Na próxima semana, a Metade Sul do Estado deverá se manter estável, e a Metade Norte poderá registrar chuva durante um curto período. Em 22/05 (sexta-feira), a massa de ar frio que vinha atuando nos últimos dias deverá continuar influenciando o tempo em grande parte do Estado, exceto em uma pequena porção do Noroeste, onde há previsão de chuva fraca a moderada e isolada em 22/05. Dessa forma, na maioria das regiões, as temperaturas deverão permanecer baixas, e não há previsão de chuva significativa ao longo desses dois dias. Em 23 (sábado), 24 (domingo), 25 (segunda-feira) e 26/05 (terça-feira), os efeitos da circulação deverão ajudar a transportar umidade para alguns pontos da Metade Norte e do Litoral Gaúcho. Com isso, nessas regiões, deverá haver aumento da nebulosidade, e poderá ocorrer chuva fraca a moderada, principalmente em 25 e 26/05. Nas demais regiões, não há previsão de chuva significativa. As temperaturas deverão apresentar leve elevação ao longo desses dias. Em 27/05 (quarta-feira), o tempo voltará a ficar estável em praticamente todo o Estado, e não há previsão de chuva significativa. Os acumulados de precipitação deverão variar entre 0 e 50 mm ao longo da semana, e alguns pontos isolados da Metade Norte podem ultrapassar esse valor. Na Metade Sul, não há acumulados significativos previstos. (Boletim Seapi)


Porto Alegre, 21 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.635


A EXPOFEST IJUÍ 2026 deu mais um importante passo em sua construção

Na primeira reunião geral de trabalho, a presidência e os diretores foram apresentados oficialmente a todo o grupo de trabalho, marcando o início das atividades em conjunto.

Durante o encontro, também foram apresentadas as melhorias já realizadas no Parque de Exposições, a atual situação da comercialização dos espaços e uma visão geral das ações desenvolvidas pelas áreas de Cultura, Agro e Comunicação.

O Milk Summit Mercosul também esteve presente, representado pelo secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, que apresentou os principais focos de trabalho do projeto para a próxima edição.

A reunião teve também a presença do prefeito municipal Andrei Cossetin, reforçando o apoio institucional e a importância da EXPOFEST para o desenvolvimento de Ijuí e da região. (Expofest via instagram)


Associados do Sindilat/RS ampliam portfólio com lançamentos em diferentes categorias

Empresas associadas ao Sindilat/RS anunciaram novos produtos voltados aos segmentos de conveniência, gastronomia e suplementação proteica.

A Scala lançou o Fondue de Queijos Scala para a temporada de inverno. O produto combina queijos gruyère, prato, muçarela e parmesão maturado por seis meses e pode ser preparado em até cinco minutos no fogão, micro-ondas ou réchaud. Segundo a empresa, o lançamento busca atender o consumo doméstico e ocasiões de compartilhamento.

Durante a APAS Show 2026, a RAR Agro & Indústria apresentou o Queijo Ralado Rar Gastronomia, produzido com um blend de parmesão e Gran Formaggio Rar. A empresa afirma que o lançamento amplia sua atuação em produtos gourmet e de conveniência.

A Piracanjuba e a Milky Moo também anunciaram novos produtos voltados ao segmento proteico. A parceria inclui milkshakes com 28 gramas de proteína por embalagem e o lançamento do Whey Protein ProForce Milky Moo, com versões zero lactose.

Os lançamentos refletem o avanço das indústrias lácteas em categorias de maior valor agregado e produtos voltados à praticidade no consumo diário. (As informações são do portal Grandes Nomes da Propaganda, da Assessoria de imprensa da RAR e portal GKPB, editadas pelo Sindilat/RS)

Estudo mapeia pegada de carbono do soro de leite no Brasil

Um estudo desenvolvido em cooperação técnica entre a Embrapa Gado de Leite (MG), a Sooro Renner Nutrição e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) redefiniu critérios de medição do impacto ambiental do soro do leite e derivados no setor. O soro em pó destaca-se hoje como um insumo estratégico, amplamente utilizado na formulação de produtos que vão da nutrição esportiva à indústria de panificação, agregando valor econômico a um componente  historicamente tratado como resíduo.
Coordenado pelo professor Fábio Puglieri, da UTFPR, o projeto se baseou na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), uma ferramenta que mensura os impactos ambientais potenciais de produtos e serviços, de forma integrada e inédita no Brasil, expandindo a análise para além da "porteira da fazenda". Segundo a analista da Embrapa Gado de Leite Vanessa Romário de Paula, o estudo abrange toda a complexidade da cadeia: desde a produção do leite in natura, passando pelo transporte e processamento industrial, até a obtenção do soro de leite em pó, popularmente conhecido como whey protein. “A cadeia láctea brasileira acaba de dar um passo decisivo rumo à transparência ambiental e à eficiência produtiva”, comemora a analista.

A principal ruptura desse projeto em relação a estudos anteriores é a sua abordagem sistêmica e completa. Em vez de analisar os elos de forma isolada, a metodologia conectou múltiplas etapas produtivas em uma única avaliação. “Ao incluir os fluxos de transporte e as sucessivas transformações industriais, o projeto oferece um diagnóstico fiel do desempenho ambiental do setor. Assim é possível identificar onde estão os maiores gargalos de emissão de gases de efeito estufa”, afirma o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Thierry Ribeiro Tomich.

A pesquisa foi dividida em duas etapas. Na primeira, focada na produção primária, houve a caracterização e tipificação dos sistemas de produção de leite da base de fornecedores da Sooro, considerando critérios de representatividade geográfica e tecnológica. Na segunda etapa, o foco voltou-se para a indústria e transporte, onde foram levantados dados primários sobre os processos de industrialização da Sooro e de seus laticínios parceiros.

Um dos pilares da iniciativa é a democratização do conhecimento, com os resultados do projeto compartilhados com a sociedade. Os Inventários de Ciclo de Vida (ICV) do soro foram disponibilizados na plataforma SICV Brasil, gerida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), para acesso livre e gratuito. “Essa iniciativa permite que outros pesquisadores, indústrias e órgãos governamentais utilizem dados reais da produção brasileira para outros projetos de ACV, facilitando tomadas de decisão”, diz Thiago Oliveira Rodrigues, pesquisador do IBICT.

Compromissos globais

O projeto está alinhado a compromissos internacionais, como a Agenda Global para o Desenvolvimento Sustentável (ODS 17) da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Compromisso Global de Metano, do qual o Brasil é signatário, visando reduzir as emissões em 30% até 2030.

A parceria entre a Embrapa, a Sooro e a UTFPR prevê ainda a entrega de um plano de ação detalhado com recomendações de práticas para mitigação de Gases de Efeito Estufa (GEE). Essas estratégias serão fundamentais para que o setor lácteo não apenas cumpra exigências de mercados internacionais, mas também responda a um consumidor cada vez mais atento à procedência e ao impacto dos alimentos que coloca na mesa.

O desafio ambiental do soro de leite

Historicamente, o soro de leite representou um dos maiores desafios ambientais para a indústria de laticínios. Devido à sua altíssima carga orgânica (elevada Demanda Bioquímica de Oxigênio - DBO), o descarte inadequado do soro líquido em cursos d'água pode causar a rápida depleção de oxigênio, levando à morte de peixes e ao desequilíbrio total dos ecossistemas aquáticos.

Além disso, o soro é rico em lactose e proteínas que, se não processadas, transformam-se em um passivo ambiental oneroso. “A transformação desse "subproduto" em soro em pó (whey, em inglês) não é apenas uma estratégia de lucro, mas uma necessidade de sustentabilidade operacional”, afirma Tomich. Ao converter o soro em um ingrediente nobre, a indústria mitiga riscos de contaminação e reduz o desperdício de nutrientes valiosos que já consumiram recursos (água, energia e terra) para serem produzidos.

O que é a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV)?

A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma técnica metodológica utilizada para mensurar o impacto ambiental potencial de um produto, processo ou serviço ao longo de toda a sua existência. É frequentemente chamada de análise "do berço ao túmulo", pois examina desde a extração das matérias-primas naturais até o descarte final, passando por todas as etapas intermediárias, como transportes, processos industriais e o uso do produto.

Para realizar uma ACV, os pesquisadores quantificam todas as entradas (energia, água e matérias-primas) e saídas (emissões de gases, efluentes líquidos e resíduos sólidos) de cada fase da cadeia produtiva. No caso do projeto que uniu a Embrapa e a Sooro, a análise contemplou:

- Produção primária: o impacto da criação do gado e a produção do leite;

- Transporte: o gasto de combustível e as emissões no deslocamento do leite e do soro;

- Processamento industrial: o consumo de energia e os insumos nas fábricas para transformar o soro líquido em pó.

A ACV é realizada em quatro fases, baseadas nas normas ISO 14040/14044. A primeira é a definição de objetivo e escopo, que determina o que será analisado (por exemplo, 1 kg de soro em pó) e quais fronteiras serão estabelecidas. Em seguida, é feita a Análise de Inventário (ICV), ou seja, a coleta de dados técnicos sobre cada recurso utilizado e cada resíduo gerado. A terceira fase é a avaliação de impacto, que traduz os dados do inventário em categorias de impacto ambiental, como pegada de carbono (aquecimento global), consumo de água ou acidificação do solo. A fase final é a interpretação dos dados, quando os resultados são analisados para identificar oportunidades de melhoria e redução de danos.

Diferentemente de uma análise comum, que poderia se concentrar apenas em melhorias pontuais como troca de embalagens ou uso de energia renovável e biocombustíveis, a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) evita o "deslocamento de carga ambiental", isto é, quando uma solução em uma etapa gera problemas em outra.

Na produção de soro de leite em pó, por exemplo, cerca de 85% das emissões totais ocorrem no campo. Assim, diminuir o impacto ambiental nessa etapa inicial proporciona uma redução muito maior no impacto final do produto do que qualquer alteração na embalagem ou na matriz energética da indústria, uma vez que essas atuam sobre uma parcela minoritária das emissões.

Embrapa Gado de Leite é pioneira em ACV do leite demonstra sustentabilidade

Desde 2023, a Embrapa Gado de Leite adota a metodologia de ACV para identificar o desempenho ambiental de todas as fases produtivas, analisando desde a produção dos alimentos da dieta dos animais até o leite resfriado pronto para sair da fazenda. Essa abordagem revelou que a eficiência produtiva caminha lado a lado com a preservação ambiental: sistemas que produzem mais leite por hectare ou por vaca tendem a apresentar uma pegada de carbono significativamente menor.

Os estudos liderados pela Embrapa mostram que, com manejo adequado e tecnologia, o Brasil possui um dos leites mais sustentáveis do mundo. O projeto consolidou a Empresa como referência em métricas de sustentabilidade, servindo de base para parcerias atuais que agora expandem essa análise para toda a cadeia industrial, como no caso do processamento do soro de leite.

As informações são da Embrapa


Jogo Rápido

RS conta com 29,86% de rebanho declarado; prazo se encerra em 30 de junho
O Rio Grande do Sul declarou 29,86% de seu rebanho, por meio da Declaração Anual de Rebanho e atualização cadastral junto à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). Tendo iniciado em abril, o período para declaração e atualização se encerrará em 30 de junho. A Declaração de Rebanho é uma obrigação sanitária de todos os produtores rurais gaúchos detentores de animais. Até o momento, foram entregues 103 mil declarações de rebanho, o que representa quase 30% das 358 mil declarações esperadas para este ano. Das declarações entregues, 9,95% foram por meio do canal do Produtor Online. A Supervisão Regional com melhor índice de entrega é a de Palmeira das Missões, computando 37,37% de declarações. Já a Supervisão Regional Alegrete é a que possui mais entregas por meio do Produtor Online, com 33,07% de declarações feitas neste canal. Em todo o estado, o município de Vanini é o único com 100% de declarações entregues. A declaração pode ser feita diretamente pela internet, em módulo específico dentro do Produtor Online. Um tutorial ensinando a realizar o preenchimento pode ser consultado no site da Seapi. Para mais informações: www.agricultura.rs.gov.br/declaracao (SEAPI)


Porto Alegre, 20 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.634


Empresas associadas ao Sindilat participam da APAS Show 2026

As empresas associadas ao Sindilat/RS: CCGL, Italac, Lactalis, Piracanjuba, RAR e Scala, estão na APAS Show 2026 com estandes próprios. Na maior feira supermercadista do Brasil, realizada em São Paulo (SP), as indústrias apresentam produtos, fortalecem marcas e ampliam conexões comerciais com o varejo nacional e internacional. Além das expositoras, outras empresas associadas ao Sindilat também estiveram presentes realizando visitas, reuniões e prospecção de negócios.

Para o presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, a participação das associadas entre os dias 18 e 21 de maio evidencia a competitividade da indústria láctea e a capacidade do setor em atender às exigências do varejo nacional. “A APAS é um ambiente estratégico para geração de negócios, posicionamento de marcas e ampliação de mercado. A presença das indústrias permite fortalecer relacionamento com grandes redes, apresentar lançamentos e demonstrar a qualidade, a escala produtiva e a eficiência das empresas de laticínios no atendimento às demandas do consumo”, destaca. (SINDILAT/RS)


GDT 404º apresenta estabilidade e sugere mercado internacional mais equilibrado

O 404º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou variação de 0,6% no GDT Price Index, com preço médio dos produtos negociados de USD 4.198/tonelada. Apesar do avanço do índice, o resultado ainda indica um cenário de estabilidade para o mercado internacional de lácteos, após as oscilações mais intensas observadas nas últimas negociações. Além disso, o menor volume comercializado sugere um ambiente de menor intensidade nas negociações globais. 

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos produtos em pó, o comportamento permaneceu relativamente estável. O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado no evento, registrou alta de 1,2%, fechando em USD 3.772/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) avançou 0,2%, para USD 3.552/tonelada. As variações mais contidas sugerem redução na intensidade dos movimentos de correção observados anteriormente. 

Gráfico 2. Preço médio LPI

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

O desempenho dos outros derivados foi distribuído entre altas e baixas, sem movimentos expressivos em grande parte dos produtos. Entre as gorduras, a manteiga apresentou valorização de 2,5%, atingindo USD 5.674/tonelada, enquanto a gordura anidra do leite recuou 1,6%, sendo negociada a USD 6.344/tonelada. O comportamento indica ajustes pontuais após a volatilidade registrada nas últimas edições. 

Já entre os queijos, a muçarela registrou uma das maiores valorizações do evento, com alta de 2,9%, alcançando USD 4.127/tonelada. Em direção oposta, o cheddar recuou 1,3%, sendo negociado a USD 4.560/tonelada. A lactose apresentou leve avanço de 0,5%, encerrando o leilão em USD 1.529/tonelada. 

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 19/05/2026 

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado segue recuando

Em relação ao volume negociado, o leilão totalizou 12.972 toneladas comercializadas, com participação de 154 compradores no evento. O resultado representa retração de 5,6% frente ao leilão anterior, embora o número de participantes tenha aumentado em relação ao evento anterior, que contou com 147 compradores. O movimento ocorre em um contexto de desaceleração sazonal da produção em importantes regiões exportadoras, como a Nova Zelândia, contribuindo para um menor volume disponibilizado ao mercado.  

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) seguem indicando um ambiente mais equilibrado para os próximos meses. Os contratos entre junho e setembro permaneceram relativamente próximos entre si, sugerindo uma curva mais estável entre os vencimentos. Além disso, as negociações mais recentes apresentaram recuperação em relação aos níveis observados no início de maio, especialmente nos contratos de julho e agosto.

Esse comportamento indica uma revisão mais moderada das expectativas do mercado, reduzindo sinais de pressões adicionais sobre os preços internacionais no curto prazo. A menor diferença entre os vencimentos também sugere que os agentes não esperam mudanças abruptas nas cotações nos próximos meses, reforçando a percepção de maior estabilidade observada.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 404º traz uma leitura de maior estabilidade para o mercado. O comportamento mais moderado dos principais produtos negociados, especialmente dos leites em pó, reduz sinais de mudanças mais bruscas nas referências internacionais e sugere menor intensidade nos movimentos do mercado global no curto prazo. 

Para o Brasil, a manutenção dos preços internacionais em patamares relativamente estáveis tende a limitar mudanças mais relevantes na competitividade dos produtos importados. Além disso, o câmbio continua exercendo papel importante nessa dinâmica, influenciando diretamente o custo de internalização dos derivados lácteos.

No mercado doméstico, o ambiente recente segue marcado por negociações mais cautelosas entre indústria e varejo, com os derivados passando por ajustes após as altas observadas anteriormente. Dessa forma, a evolução dos preços internos continuará relacionada ao comportamento do mercado internacional, à dinâmica cambial e às condições do mercado brasileiro nas próximas semanas. (MILKPOINT)

Captação de leite bate recorde no 1º trimestre, mas avanço desacelera, aponta prévia do IBGE

Segundo os dados preliminares da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE, a captação formal de leite no Brasil totalizou 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026. O volume representa crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. 

Gráfico 1: variação anual da captação de leite (%)

Com esse resultado, o primeiro trimestre de 2026 registrou o maior volume captado para o período em toda a série histórica iniciada em 1997, superando o recorde anterior observado em 2021, quando a captação havia alcançado 6,57 bilhões de litros. Apesar do avanço, o ritmo de crescimento mostra desaceleração frente ao observado no primeiro trimestre de 2025, quando a alta anual havia sido de 4,5%.

Fonte: Pesquisa Trimestral do Leite - IBGE

Esse crescimento ainda reflete, em parte, o forte movimento de expansão da produção observado em 2025. Naquele período, a rentabilidade mais favorável ao produtor estimulou investimentos na atividade e sustentou maior oferta de leite. Parte desse efeito residual ainda contribuiu para os volumes captados no início de 2026. 

No entanto, quando a análise é feita na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o cenário muda. A captação do primeiro trimestre de 2026 recuou 7,9% frente ao quarto trimestre de 2025. Parte desse movimento é esperada devido à sazonalidade da produção em algumas regiões brasileiras, que tradicionalmente apresentam menor volume no início do ano. Ainda assim, a intensidade da queda chama atenção, por estar entre as maiores retrações percentuais da série histórica para essa comparação. 

Gráfico 3: Variação trimestral da captação (%)

Fonte: Pesquisa trimestral do Leite

Esse movimento também está relacionado à piora da rentabilidade ao produtor ao longo dos últimos meses. O forte crescimento da oferta em 2025 pressionou os preços pagos no campo e reduziu as margens da atividade, levando parte dos produtores a diminuir investimentos em produção.

Gráfico 4: Rentabilidade ao produtor menos custo de alimentação 

Fonte: MilkPoint Mercado

Além da redução dos investimentos, as relações de troca também passaram a indicar um cenário menos atrativo para a produção de leite. Um exemplo é a relação entre litros de leite necessários para a compra de uma arroba de boi gordo. Quando essa relação aumenta, a atividade leiteira se torna relativamente menos vantajosa, podendo estimular o descarte de animais menos eficientes como estratégia para reduzir custos e ajustar a produção. 

Gráfico 5: Relação de troca entre litros de leite por arroba bovina

Fonte: CEPEA, adaptado por MilkPoint Mercado.

Desempenho mensal

Na análise mensal, janeiro foi o mês de maior captação do trimestre, como tradicionalmente ocorre, com 2,43 bilhões de litros captados. Em fevereiro, houve uma queda expressiva frente a janeiro, de 13,5%, o maior recuo entre esses dois meses em toda a série histórica.

Mesmo com essa queda mensal, fevereiro ainda apresentou crescimento de 3,0% em relação ao mesmo mês de 2025. Em março, a captação voltou a avançar frente a fevereiro, com alta mensal de 6,7%, mas o crescimento anual foi mais moderado, de 2,3% frente a março de 2025.

Tabela 1. Captação total mensal de leite no Brasil (Prévia)

Fonte: IBGE - elaborado pelo MilkPoint Mercado

Conclusão

De modo geral, os dados mostram que a produção formal de leite segue crescendo no Brasil, mas em ritmo menos intenso do que o observado ao longo de 2025. A rentabilidade ao produtor e o comportamento da demanda devem continuar sendo os principais fatores para definir a velocidade desse crescimento nos próximos meses.

Além disso, o cenário climático merece atenção. As projeções mais recentes indicam elevada probabilidade de formação de El Niño ao longo de 2026, fenômeno que pode alterar o regime de chuvas em diferentes regiões do país. Para a cadeia leiteira, os principais pontos de atenção estão nos possíveis impactos sobre a produção de leite no Sul, em caso de excesso de chuvas, e sobre o clima no Centro-Norte, podendo ocasionar pressão sobre a oferta e os preços dos grãos.

Assim, embora o primeiro trimestre tenha confirmado um novo recorde de captação para o período, os dados também reforçam um sinal importante: a expansão da oferta tende a depender cada vez mais da recomposição das margens no campo e da capacidade do mercado consumidor de absorver maiores volumes de leite e derivados ao longo de 2026. (MILKPOINT)


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Expectativa de maior demanda global aquece mercado
A valorização do dólar e as projeções de ampliação da participação brasileira no abastecimento mundial de soja impulsionaram as negociações e sustentaram os preços da oleaginosa no mercado interno na semana passada, de acordo com o Cepea. Ao mesmo tempo, as expectativas de forte demanda global por farelo e óleo de soja mantêm firmes as cotações internacionais da soja, mesmo diante da pressão sobre os embarques dos Estados Unidos. Relatório divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no último dia 12 aponta que a produção mundial de soja deve atingir um novo recorde na safra 2026/27, passando de 427,6 milhões para 441,5 milhões de toneladas. O Brasil deve manter-se como o principal produtor global, com participação estimada de 42,1% da produção mundial, elevando sua colheita de 180 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 186 milhões de toneladas em 2026/27. No mercado doméstico, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) também projeta crescimento da produção brasileira, a 180,13 milhões de toneladas na atual temporada (2025/26), volume 0,5% superior ao projetado em abril e 5% acima da safra anterior.  (Cepea)