Porto Alegre, 30 de junho de 2026 Ano 20 - N° 4.660
Mais Forragem RS: tecnologia aumenta produção de leite e reduz custos
Os resultados apresentados pelo Programa Mais Forragem RS mostram que, com o uso de tecnologias, é possível aumentar em 25% a produtividade do leite e reduzir em 33% os custos de produção.
Os produtores de leite gaúchos estão investindo na oferta de forragens de qualidade, aproveitando especialmente as pastagens de inverno. Os resultados apresentados pelo Programa Mais Forragem RS mostram que, com o uso de tecnologias, é possível aumentar em 25% a produtividade do leite e reduzir em 33% os custos de produção.
De acordo com o Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no RS, o número de propriedades com a produção de leite reduziu em mais de 60% no Rio Grande do Sul na última década. Os custos de produção e a falta de mão de obra estão entre os principais motivos para o abandono da atividade.
Apesar da queda no número de propriedades, a eficiência do setor produtivo tem assegurado o contínuo crescimento no volume de produção de leite. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de leite no Brasil, com quase 4 bilhões de litros por ano. A região Noroeste responde por 70% da produção gaúcha de leite e representa 7,7% da produção nacional (Anuário Leite 2025). O número de vacas em cada propriedade praticamente dobrou e a média de produtividade chega a 17 litros/vaca/dia enquanto a média nacional não alcança 7 litros/vaca/dia. “O diferencial na Região Sul é a oferta de forragens de alto valor nutricional, especialmente durante o inverno” esclarece o pesquisador da Embrapa Trigo, Renato Fontaneli.
Segundo ele, o uso de cereais de inverno no forrageamento dos animais, através de pasto, silagem, pré-secado ou grãos também ajuda a reduzir custos na produção leiteira: “O uso de grãos e outros suplementos podem aumentar os custos de produção em até quatro vezes em comparação com a alimentação baseada em forragens”. Fontaneli lembra que para cada 1 kg de matéria seca de trigo é possível produzir 1,8 kg de leite. “Com o apropriado manejo em pastagens de inverno é possível atingir 20 litros de leite por vaca por dia”, conclui o pesquisador.
Fomento ao uso de forrageiras de qualidade
Historicamente, o produtor gaúcho utiliza aveia preta e azevém para alimentar o rebanho, mas a frequência nas intempéries climáticas, como geadas no cedo, falta ou chuva em excesso no período de outono/inverno afetam a oferta de pasto para abastecer o gado, aumentando os custos de produção com a suplementação dos animais.
Para amenizar o vazio forrageiro, diversas instituições de pesquisa investiram no melhoramento de espécies forrageiras mais adaptadas às condições ambientais para a produção de leite no Rio Grande do Sul. O desafio de levar as novas tecnologias até o produtor rural uniu pesquisa, extensão rural e poder público que passaram a atuar em conjunto no Programa Mais Forragem RS, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com apoio da Emater/RS-Ascar e Embrapa.
Em 2025, através do programa, foram realizadas 40 visitas técnicas, 35 dias de campo e capacitação direta de 200 extensionistas. O Programa distribuiu mais de 3 mil toneladas de sementes de forrageiras (capim sudão, sorgo, milheto, aveias, azevém, trigo, triticale e cevada) para, aproximadamente, 200 municípios gaúchos.
“Nas propriedades leiteiras, o programa trabalhou com dois objetivos: aumentar a produtividade e reduzir custos”, conta o coordenador do Programa de Sementes e Mudas Forrageiras, Jonas Wesz, da SDR. No balanço final, foi contabilizado acréscimo de 25% na produtividade do leite e 33% de redução nos custos de produção. “Muitos produtores atingiram essas margens, mostrando que com planejamento forrageiro e sementes de qualidade é possível manter o produtor na atividade leiteira”, comemora Jonas.
O engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo Cristiano Tomasi, que acompanha o programa na SDR, lembra que 60% do custo de produção do leite é a alimentação. “A estratégia de orientação ao produtor foi definir a dieta animal baseada em pastagem, em quantidade e qualidade, deixando o alimento conservado como complemento. Assim conseguimos reduzir o custo médio de produção de R$ 2,00 por litro de leite, para R$ 1,20. Quando você soma essa renda no plantel, certamente faz diferença nas contas da família”, conclui Tomasi.
O impacto do programa no Rio Grande do Sul no último ano foi estimado em R$ 2,1 bilhões considerando a renda extra gerada nas 14.400 propriedades a partir do valor bruto do leite injetado na economia local em 200 municípios. Para 2026, o Programa de Sementes e Mudas Forrageiras destinou R$ 26 milhões para atender 24 mil agricultores familiares por meio de 216 entidades (sindicatos, cooperativas e associações).
As informações são da Embrapa.
Rede Elite a Pasto destaca manejo baseado no comportamento de pastejo
Produtores de leite da Rede Elite a Pasto, de Júlio de Castilhos, participaram, na última quinta-feira (25/06), de uma reunião técnica sobre o manejo de pastagens com base no Pastoreio Rotatínuo, metodologia que orienta a movimentação dos animais conforme a altura e o desenvolvimento do pasto. O encontro foi realizado na propriedade de Givanildo de Oliveira, na localidade de Ramada.
Na propriedade, o produtor adotou o manejo em área contínua, sem subdivisões em piquetes, realizando o controle da altura das pastagens conforme orientações da Emater/RS-Ascar. O sistema demonstra que é possível manter a eficiência do pastejo utilizando a estrutura do pasto como principal referência para a tomada de decisão.
Diferentemente do pastoreio rotativo convencional, em que os animais são transferidos entre piquetes em intervalos previamente definidos, o Pastoreio Rotatínuo utiliza como critério o comportamento de pastejo. Nessa estratégia de manejo, o pasto é oferecido aos animais em uma estrutura (altura) considerada ótima, onde a taxa de ingestão de forragem é máxima, ou seja, os animais consomem mais pasto por minuto. Isso pode ser feito com ou sem piquetes, desde que as plantas sejam mantidas nessa estrutura.
Segundo o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Leandro Ebert, a capacitação teve como foco qualificar os produtores para monitorar e interpretar a estrutura do pasto e o comportamento de pastejo dos animais, além de apresentar estratégias para evitar tanto o subpastejo quanto o superpastejo.
"Com o Pastoreio Rotatínuo, ainda que o manejo seja feito com piquetes diários, acabamos manejando sempre com poucos e grandes piquetes, já que o rebrote do pasto é muito rápido com o pastejo de baixa intensidade. A partir do momento em que assumimos as divisões em piquetes como ferramentas para controle da estrutura do pasto, e não como o centro do manejo, abrimos a possibilidade de controlar essas alturas também com piquetes para vários dias ou até sem piquetes, em área contínua, como demonstramos a campo, na propriedade. Isso representa uma oportunidade de simplificar a mão de obra e reduzir custos, sem abrir mão da eficiência e da produtividade, como pudemos observar na propriedade do Givanildo", destacou Ebert. (Emater/RS)
Crescimento da demanda por proteína altera dinâmica do mercado de laticínios nos EUA
Com estoques de proteína do soro de leite em queda de 50% e preços em níveis recordes, o setor enfrenta gargalos estruturais associados à mudança de hábitos e à popularização de novos medicamentos.
A cadeia de laticínios nos Estados Unidos registra um descompasso estrutural em função do aumento na procura por concentrado de proteína do soro do leite (whey protein). Historicamente comercializado como um subproduto da fabricação de queijos, o ingrediente teve uma redução de aproximadamente 50% em seus estoques desde 2023, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgados em junho. Esse cenário elevou o preço do isolado proteico para o patamar de US$ 14 por libra, fazendo com que parte dos fornecedores já esteja com a capacidade de entrega comprometida até o segundo semestre de 2026.
O incremento na demanda, associado ao comportamento de consumo denominado "protein-maxxing", decorre de transformações nos hábitos alimentares e da expansão do uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, também conhecidos como canetas emagrecedoras. Devido à perda de peso acelerada provocada por esses fármacos, as orientações médicas recomendam um aumento de 30% a 50% na ingestão diária de proteínas para mitigar a redução da massa muscular. Como consequência, a indústria de alimentos ampliou a aplicação do whey protein em produtos tradicionais do varejo, incluindo barras de cereais, bebidas prontas e refeições processadas.
A perspectiva para o setor indica a manutenção desse patamar de consumo após a recente inclusão de medicamentos GLP-1 na cobertura do Medicare, o sistema de saúde direcionado à população idosa nos EUA. A medida deve elevar o número de pacientes com acesso ao tratamento, consolidando a demanda por alimentos enriquecidos. Em relatório oficial, o USDA informou que a disponibilidade do insumo permanece restrita, com compradores relatando dificuldades para assegurar novos volumes de fornecimento no mercado físico.
A resposta da indústria de laticínios ao cenário atual é limitada pela complexidade da sua infraestrutura. A oferta de soro está diretamente vinculada ao volume de produção de queijo, que não acompanhou a expansão do mercado de suplementos nutricionais. Adicionalmente, a construção e a adaptação de usinas de processamento de proteínas exigem aportes financeiros elevados e prazos extensos de implementação. Uma vez que as plantas industriais do país foram projetadas para um crescimento linear, as decisões de investimento dependem de análises de viabilidade de longo prazo.
Para mitigar o déficit produtivo, cooperativas e corporações como a Dairy Farmers of America e a Saputo Inc. anunciaram planos para ampliar suas capacidades de processamento. Analistas do setor avaliam, no entanto, que o equilíbrio entre a oferta interna e a demanda deve ser alcançado apenas por volta de 2028. No curto prazo, a importação de proteína proveniente de mercados como a Europa e a Nova Zelândia funciona como alternativa para suprir as indústrias locais, embora a viabilidade da operação dependa do impacto dos custos de frete e das tarifas de importação no preço final do produto.
As informações são do Space Money, adaptadas pela equipe MilkPoint.
Jogo Rápido
Queijos Scala promove ação no Mês da Pizza com chefs e votação do público
A Queijos Scala lançou uma campanha para celebrar o Mês da Pizza em parceria com o chef e influenciador gastronômico Francesco Tarallo, conhecido como Chef Tito. A iniciativa reúne profissionais da gastronomia e consumidores em uma ação que terá como resultado a criação de uma pizza especial disponível por tempo limitado na Pizzaria Speranza, localizada na cidade de São Paulo. A campanha começa com um desafio proposto por Chef Tito a chefs convidados, que receberão um kit de produtos Scala para desenvolver receitas autorais de pizza utilizando os queijos da marca. O processo será apresentado em uma série de vídeos publicados nas redes sociais, mostrando desde a apresentação do desafio até a criação e avaliação das receitas. Após a divulgação dos conteúdos, o público poderá votar em sua pizza favorita nas redes sociais da Scala. A receita vencedora será incluída, por tempo limitado, no cardápio da Pizzaria Speranza, em uma ação que busca aproximar a campanha digital da experiência presencial. Segundo a empresa, a iniciativa também tem como objetivo destacar a aplicação dos queijos Scala em preparações voltadas ao food service, ao mesmo tempo em que amplia o relacionamento da marca com consumidores finais por meio de conteúdos digitais e da participação de influenciadores. A ação acompanha um movimento crescente entre empresas do setor de lácteos, que têm utilizado datas sazonais e parcerias com chefs, influenciadores e estabelecimentos de alimentação para destacar aplicações dos produtos, ampliar a visibilidade das marcas e fortalecer a presença no segmento de food service. As informações são do portal Segs, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.