Porto Alegre, 31 de julho de 2026 Ano 20 - N° 4.683
Produção mundial de leite deve chegar a 1,223 bilhão de toneladas em 2035
Segundo o relatório Agricultural Outlook 2026–2035 da OECD-FAO, a produção mundial de leite deverá crescer 2,0% ao ano na próxima década, alcançando 1,223 bilhão de toneladas em 2035. Esse avanço será impulsionado principalmente por ganhos de produtividade obtidos via melhorias genéticas, nutrição eficiente e avanço no manejo, e não tanto pela expansão dos rebanhos, exceção feita a regiões como a África Subsaariana, Índia e Paquistão.
A Índia, que já lidera o setor global com uma estrutura baseada em pequenas propriedades e cooperativas, responderá por mais da metade de todo o crescimento mundial projetado até 2035. Contudo, tanto a Índia quanto o Paquistão utilizarão esse incremento quase integralmente para suprir o forte consumo interno de produtos frescos gerado pela urbanização e pela elevação da renda, sem provocar grandes impactos no comércio internacional.
O comportamento dos grandes exportadores mundiais apresentará dinâmicas bastante distintas no mesmo período. A União Europeia enfrentará uma produção praticamente estagnada em virtude da redução de seu rebanho e do avanço de sistemas orgânicos, que possuem menor produtividade e custos mais elevados. Em contrapartida, os Estados Unidos liderarão o crescimento do setor impulsionados por altos índices de produtividade por animal, direcionando seus excedentes para a produção e exportação de leite em pó desnatado. Já a Nova Zelândia, altamente dependente da eficiência do manejo de suas pastagens, terá um crescimento moderado de 1% ao ano devido à limitação territorial, mas manterá seu foco estratégico no volume produzido por hectare e no atendimento do mercado externo.
No consumo, a maior parte do leite mundial continuará sendo destinada aos produtos frescos, especialmente nas nações de renda média e baixa. Nos países de renda alta, a demanda por frescos deve cair, dando espaço a derivados com alto teor de proteína, como iogurtes e queijo cottage, além da preferência por gordura láctea em detrimento de outros sólidos. Essa mudança de padrão sustenta uma valorização internacional superior para a manteiga em relação ao leite em pó desnatado. Paralelamente, o mercado global de produtos industrializados continuará dependente dos leites em pó para uso na indústria de confecção, panificação e fórmulas infantis, além do soro em pó, que ganha espaço em nutrição especializada e na reconstituição de lácteos em países com produção limitada.
O comércio internacional permanecerá altamente concentrado, respondendo por menos de 7% de todo o leite produzido globalmente devido à alta deteriorabilidade e ao custo de transporte do produto líquido. União Europeia, Estados Unidos e Nova Zelândia continuarão dominando as exportações globais, sendo responsáveis por cerca de 70% das vendas de queijo, manteiga e leites em pó. Do lado dos compradores, a China seguirá como a maior importadora mundial de lácteos, embora com um ritmo de compras de leite em pó integral desacelerado pelo aumento de sua produção interna. A África, por sua vez, deve ampliar significativamente suas importações de leite em pó para suprir uma demanda que crescerá muito mais rápido do que a capacidade de seus rebanhos locais.
Por fim, o setor permanecerá exposto a incertezas relevantes que podem alterar as projeções até 2035. A volatilidade dos preços continua sendo um risco estrutural, intensificada por políticas comerciais protecionistas e metas ambientais cada vez mais severas, especialmente em países com grandes emissões como Irlanda e Nova Zelândia. Além disso, eventos climáticos extremos, a expansão de alternativas vegetais como bebidas de amêndoa e aveia, surtos de doenças animais e gargalos de mão de obra representam desafios constantes. No entanto, a adoção de tecnologias emergentes, como ordenha automatizada e monitoramento em tempo real, pode elevar os índices de produtividade global para patamares ainda maiores do que os previstos. (As informações são do relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035, capítulo 6, “Dairy and dairy products”, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)
O setor leiteiro brasileiro vive uma transformação impulsionada por um grupo de propriedades que redefinem os padrões de escala e eficiência no campo. Os dados do Levantamento Top 100 2026, realizado pela MilkPoint em parceria com a ABRALEITE, revelam que as cem maiores fazendas do país comercializaram 1,29 bilhão de litros de leite em 2025, registrando uma elevação superior a 8% em relação ao levantamento anterior.
Com uma média diária impressionante de 35.392 litros por propriedade, esse resultado consolidou um salto produtivo de 444% na média das fazendas participantes desde a primeira edição da pesquisa, em 2001. A disparidade em relação ao restante do país fica evidente quando comparada ao avanço da produção formal nacional, que cresceu 107,4% no mesmo período. Hoje, apenas estas 100 propriedades — representando cerca de 0,04% do total de pecuaristas de leite inspecionado no Brasil — já respondem por 4,71% de todo o volume formalmente captado, acentuando um processo contínuo de concentração estrutural na cadeia produtiva.
Essa concentração se reflete fortemente na geografia do leite brasileiro, onde as regiões Sudeste e Sul mantêm protagonismo absoluto. O Sudeste ampliou sua liderança ao alcançar 51 propriedades no ranking, impulsionado por Minas Gerais, que figura no topo com 39 fazendas, seguido por São Paulo, com 12. A região Sul aparece em seguida com 30 fazendas, impulsionada pelo Paraná, que abriga 23 delas e destaca o vigor da região dos Campos Gerais.
O município de Carambeí reassumiu a liderança nacional abrigando 8 fazendas do grupo, com volume somado superior a 116 milhões de litros em 2025 — o equivalente a quase 9% do total do Top 100 —, acompanhado de perto por Castro, com 7 propriedades (105,1 milhões de litros), e Arapoti, com 4 (39,3 milhões de litros). O modelo cooperativista atuante nos Campos Gerais provou ser um diferencial decisivo no acesso a insumos e tecnologias. Completando o mapa da alta produção, o Centro-Oeste soma 12 propriedades (com destaque para Goiás, que detém 11) e o Nordeste conta com 7 fazendas no levantamento.
Por trás desses números expressivos, está a opção clara da elite produtiva por sistemas altamente intensificados e previsíveis. O regime de confinamento é adotado por 85% das fazendas, enquanto sistemas baseados predominantemente em pastagens representam apenas 8% do grupo. Entre os modelos de alojamento, o free stall lidera em 46% das propriedades, oferecendo controle sobre nutrição, saneamento e bem-estar animal.
Essa busca por eficiência refletiu-se também na produtividade individual do rebanho, que atingiu uma média diária de 36,31 litros por vaca, um avanço de 5% sobre o ciclo anterior. Regionalmente, as fazendas do Sul alcançaram a maior média nacional de produtividade diária por animal, com 40,47 litros, seguidas pelo Sudeste com 36,55 litros, Centro-Oeste com aproximadamente 34 litros e o Nordeste com média próxima a 25 litros por animal.
Aliada à intensificação produtiva, a gestão socioambiental emergiu como um pilar essencial para sustentar a competitividade dos grandes projetos. O manejo das propriedades do Top 100 tem integrado práticas agrícolas sustentáveis que otimizam insumos e protegem o solo, como a rotação constante de culturas, o uso de adubação orgânica via dejetos e o avanço no emprego de bioinsumos em substituição aos defensivos químicos tradicionais. A eficiência no uso da água também evoluiu com a adoção de sistemas de captação de água da chuva em mais da metade das propriedades. Além disso, a diversificação da matriz energética por meio de fontes alternativas e a implementação de sistemas integrados de produção têm demonstrado que a alta performance econômica depende diretamente da responsabilidade ecológica.
Apesar dos avanços produtivos e tecnológicos, o balanço financeiro do ano trouxe desafios relevantes e impactou a percepção de rentabilidade da atividade. Após enfrentar um período severo de custos de produção elevados entre 2019 e 2022, o setor vivenciou certa acomodação nos custos a partir de 2023, mas a volatilidade do mercado voltou a pressionar as margens em 2025. Impulsionada pela queda nos preços do leite recebidos pelos produtores a partir de abril, segundo dados do CEPEA, a sensação de piora nos resultados econômicos foi relatada por 48% das fazendas do levantamento. Enquanto 22% dos pecuaristas registraram estabilidade e 28% conseguiram obter melhora na rentabilidade em relação ao ano anterior, os dados deixam claro que o aumento de volume não garantiu blindagem total contra as variações do mercado lácteo.
Ainda assim, o cenário de pressão econômica não diminuiu a disposição das maiores fazendas do país para continuar investindo no crescimento de suas operações. Nada menos que 91 das 100 propriedades mantêm planos de expansão da produção para os próximos três anos, com estratégias que variam de incrementos graduais de até 20% (opção de 44% do grupo) a saltos mais arrojados acima de 50% projetados por 19 produtores. O pequeno grupo de 9% das fazendas que optou por não expandir justifica a decisão por limitações de área, escassez de água ou pelo foco na consolidação da infraestrutura atual.
Com uma escala cada vez mais expressiva, forte tecnificação e metas claras de investimento, o Top 100 2026 reafirma que o futuro do leite no Brasil está definitivamente ancorado na eficiência operacional, na profissionalização da gestão e na capacidade de adaptação contínua. (MilkPoint)
Fiergs cria programa com orientações para ajudar endividados
Para auxiliar na reversão do cenário de alto endividamento dos trabalhadores, o que impacta diretamente na qualidade de vida e na saúde emocional, o Sistema Fiergs criou o Programa Consciência Financeira, com o objetivo de promover a educação financeira e prevenir o superendividamento. A partir de um aplicativo e cursos online, a iniciativa desenvolvida por especialistas do Serviço Social da Indústria (Sesi-RS), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS) oferece conteúdos, orientações e ferramentas práticas gratuitas para apoiar a população.
De acordo com o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, o programa nasceu não só para apoiar quem está em situação complexa de endividamento, mas também para conscientizar a população e fornecer conteúdo para as indústrias ajudarem os trabalhadores. “Sabemos que as dívidas geram dificuldades na vida pessoal, no contexto familiar e, consequentemente, no ambiente de trabalho. Por isso, queremos levar informações e esclarecimentos sobre o tema e apoiar as pequenas e médias indústrias para que também tenham condições de passar orientações adequadas para seus funcionários.” (Jornal do Comércio)
Jogo Rápido
PREVISÃO METEOROLÓGICA E TENDÊNCIAS (DE 30 DE JULHO A 5 DE AGOSTO)
Entre o sábado (01/08) e o domingo (02/08), o avanço de um novo sistema de baixa pressão poderá trazer novamente instabilidade para o território gaúcho. Assim, há previsão de chuva e de rajadas de vento localizadas. Na segunda-feira (03/08), o sistema de baixa pressão deverá continuar influenciando as condições do tempo no Rio Grande do Sul. Dessa forma, há previsão de chuva e de rajadas de vento localizadas. Na terça-feira (04/08), o sistema começará a se afastar, reduzindo sua influência sobre o estado. Há previsão de chuva apenas em pontos isolados. Na quarta-feira (05/08), o transporte de umidade e a atuação de um novo sistema de baixa pressão deverão trazer novamente instabilidade para o território gaúcho. Dessa forma, há previsão de chuva em grande parte das regiões do estado ao longo do dia. As temperaturas não sofrerão variações significativas ao longo da semana. De forma geral, a figura mostra que os acumulados de precipitação deverão variar entre 2 mm e 100 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados que podem superar esse valor. (SEAPI)