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03/02/2020

Porto Alegre, 03 de março de 2020                                              Ano 14 - N° 3.175

Coronavírus interrompe a cadeia de fornecimento de laticínios da China e não pode ser ignorado

Mesmo uma interrupção de 30 dias na cadeia de fornecimento de laticínios da China pode ter efeito duradouro de meses. Com a região prejudicada pelas quarentenas de coronavírus e sem um objetivo claro à vista, as organizações de laticínios procuram compensar as perdas. 

Desde a primeira aparição em dezembro, os casos confirmados de coronavírus (COVID-19) atingiram quase 80.000 em todo o mundo, com mais de 2.500 mortes. Deixou o centro da China fechado, com quarentenas sancionadas pelo Estado e restrições de viagens para evitar a propagação do vírus. 
A Organização Mundial da Saúde ainda não declarou que o COVID-19 é uma pandemia, mas disse nesta semana que o mundo deveria estar fazendo mais para se preparar para uma. Nos últimos dias, houve surtos significativos na Coreia do Sul, Itália e Irã.
As circunstâncias estão impactando todas as áreas da economia na China, com a interrupção do transporte e a escassez de mão-de-obra afetando a fabricação e o comércio. Sandy Chen, analista sênior de laticínios da RaboResearch, Rabobank, analisou os possíveis efeitos no mercado global de produtos lácteos, aconselhando que eles não devam ser ignorados. "Embora o impacto da epidemia na demanda por laticínios deva ser de curto prazo, a incerteza sobre sua duração real e o persistente impacto psicológico podem trazer danos significativos ao consumo, o que afeta o processamento, produção e importação", afirmou.
Estabilizar o fornecimento de alimentos pode pressionar os preços: Como o surto ocorreu próximo ao ano novo chinês, Chen disse que o fechamento de lojas e o tráfego de pedestres nas mercearias tiveram um efeito material nas vendas que, de outra forma, teriam sido fortes durante o feriado. 
Em relação aos laticínios, os produtos lácteos líquidos premium, tradicionalmente comprados para presentear, foram severamente afetados. O Rabobank estima que o impacto de COVID-19 em 30 dias poderia reduzir o consumo de leite fluido da China em 2% a 4% ao ano, assumindo que parte da perda no varejo seja composta por vendas on-line. 
Como o consumo de queijo chinês vem principalmente do serviço de food service, o Rabobank está estimando que um impacto de 30 dias poderia reduzir a importação de queijo em pelo menos 5% durante todo o ano.
Chen disse que as remessas de leite cru e o reabastecimento dos processadores foram atrasados devido a controles mais rigorosos do tráfego rodoviário e à escassez de mão-de-obra pós-Ano Novo Chinês. Para os produtores, são as pequenas e médias fazendas que foram as que mais sofreram, levando a descartes de leite. 
O governo chinês está enfatizando a importância de um suprimento estável de alimentos, em termos de produção, distribuição e logística, o que poderia colocar mais pressão do que o normal nos preços do leite.
Mais leite em pó no mercado global? Chen informou que a China importou quase 670.000 toneladas de leite em pó integral em 2019 (+30%) e um recorde de 340.000 toneladas de leite em pó desnatado (+23%). Inicialmente, o Rabobank esperava que as importações da China no primeiro semestre de 2020 caíssem 3% e crescessem 1% durante o ano inteiro. 
Mas o COVID-19 pode mudar isso significativamente e o Rabobank projeta que, para o ano inteiro de 2020, haverá um declínio de 1% na demanda total de laticínios, levando a uma redução de 11% nas importações. Se a demanda total de laticínios cair até 5%, as importações cairão 25% em 2020. "Dado o grande impacto no serviço de alimentação, os efeitos indiretos podem levar os exportadores que atendem a esse segmento a transferir parte da produção de queijo, manteiga e creme para leite em pó integral e desnatado ao longo do tempo, resultando em mais leite em pó no mercado global", Chen disse.
Nate Donnay, diretor de insights sobre o mercado de laticínios do INTL FCStone, sugeriu recentemente que poderia haver uma queda de 3% a 10% nos preços dos laticínios chineses nos próximos 12 meses, em comparação com o que seria sem o COVID-19.
Ele disse que o melhor cenário é ver os preços caírem cerca de 4% este ano e, em seguida, cair cerca de 8% no início do próximo ano. Surpreendentemente, o volume de produtos lácteos comprados na região Norte da Ásia ainda não caiu significativamente. 
“De uma perspectiva global, a produção ainda parece muito boa, com a UE forte e a produção americana melhorando à medida que o rebanho cresce. As produções australiana e argentina mais recentes também foram um pouco melhores do que o esperado”, disse Donnay. "Os problemas de produção da Nova Zelândia por si só não serão suficientes para impulsionar os preços mais altos, mas podem compensar alguns dos problemas de baixa em torno da demanda chinesa e do COVID-19". (As informações são Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint)
 
 
 
Marco da inovação a caminho
Desenhado com o propósito de incentivar a pesquisa e a inovação e melhorar o ambiente de negócios no Rio Grande do Sul, o projeto de lei que cria o Marco Legal Estadual de Inovação, Ciência e Tecnologia será protocolado neste mês na Assembleia. A proposta deve tramitar em regime de urgência e é inspirada no marco nacional, regulamentado em 2018. 
- O projeto segue o marco federal, pois os Estados devem seguir seus princípios. Também incorporamos sugestões da comunidade de inovação, ciência e tecnologia do RS e do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia - relatou à coluna o secretário de Inovação, Luís Lamb. Semana passada, Lamb e o secretário adjunto Fernando Mattos apresentaram a ideia (foto) ao presidente da Assembleia, Ernani Polo (PP), e ao superintendente de Comunicação e Cultura, André Machado. Polo, que assumiu a Assembleia há um mês pregando a competitividade, saudou a iniciativa: 
- Acredito que o marco é grande avanço e ajudará a criar um ambiente mais propício à expansão desse setor importante e estratégico para o presente e o futuro do Estado. 
Junto ao marco da inovação, o governo deve protocolar outro projeto para criar um fundo que garantirá recursos permanentes ao setor. A estruturação pode ser viabilizada com um percentual da venda das estatais de energia. (Zero Hora) 
 
 
Global Dairy Trade – GDT
 
 

Univates consegue patente de produto feito com espécie nativa do Estado 
A partir de uma pesquisa de mestrado realizada no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, a Universidade do Vale do Taquari (Univates) obteve, recentemente, mais uma patente. Trata-se de um produto lácteo enriquecido com farinha de frutos verdes de mamãozinho-do-mato, espécie nativa do Rio Grande do Sul com alto teor de fibra alimentar, aminoácidos essenciais e proteínas. O produto é resultado da dissertação de Lilian Ferreira, orientada pela professora Elisete Maria de Freitas. 

De acordo com Lilian, o mamãozinho-do-mato também é conhecido como jaracatiá e é considerado uma Planta Alimentícia Não Convencional (Panc). “A ideia inicial era outra, mas sempre tivemos certeza de que seria com o mamãozinho-do-mato. Durante a pesquisa, vimos que havia uma oportunidade maior de inovar com um produto voltado para o público consumidor de probióticos e derivados”, relata. As características nutritivas do fruto apontam para alto teor de fibra alimentar, semelhante ao que pode ser obtido com o coco, além de aminoácidos essenciais e proteínas. 

O uso da farinha de mamãozinho-do-mato no leite fermentado amplia a vida de prateleira do produto e também aumenta a concentração de micro-organismos probióticos. A professora Claucia Volken de Souza explica que esses micro-organismos, quando em equilíbrio, beneficiam a saúde ao melhorarem a absorção de nutrientes e fortalecem o sistema imunológico. “Com isso, o leite fermentado com a farinha do mamãozinho-do-mato pode ser considerado um alimento simbiótico, devido ao seu efeito sobre os micro-organismos envolvidos”, finaliza. 

A orientadora acrescenta que, além dos benefícios, ao utilizar-se o mamãozinho-do-mato é feito o resgate de uma Panc, ainda pouco utilizada, para que seja introduzida na alimentação, já que, muitas vezes, elas estão próximas às casas das pessoas e essas nem sabem que se trata de uma planta que pode ser consumida. “No caso do jaracatiá, o uso popular era restrito ao caule, que, ao ser ralado, era utilizado em doces, muitas vezes em substituição do coco. Além disso, por se tratar de uma espécie nativa, o seu consumo promove maior conhecimento e valorização da biodiversidade”, afirma Elisete. (Correio do Povo)

 
 
Webinar - Possíveis impactos da reforma tributária na cadeia do leite. 
Uma das ações consideradas prioritárias para o atual governo é a Reforma Tributária, cujas medidas visam a simplificação da atual tributação. Para isso, tramitam duas propostas, uma na Câmara de Deputados (PEC 45) e outra no Senado (PEC 110) que podem ter grandes impactos no setor leiteiro, caso sejam aceitas sem alterações. Para melhor entender essas questões, o MilkPoint, com apoio da Fermentech, organizou um webinar gratuito com Marcelo Martins, Diretor da Viva Lácteos e Dr. Eduardo Lourenço, advogado tributarista. Assista na íntegra. Clicando aqui. (MilkPoint)

 

 

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