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01/08/2019

Porto Alegre, 1º de agosto de 2019                                              Ano 13 - N° 3.035

  LEITE/CEPEA: preço ao produtor recua frente às fracas negociações e margens espremidas da indústria

O preço pago ao produtor em julho, referente ao leite entregue em junho, recuou 7,9% (ou 12 centavos/litro) frente ao mês anterior – essa foi a primeira queda mensal deste ano. Segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a “Média Brasil” líquida (considera os preços do leite recebido por produtores sem frete e impostos dos estados de BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS) fechou a R$ 1,4064/litro em julho, 7,8% menor em relação à do mesmo período de 2018. Ainda assim, no acumulado de 2019, a variação se mantém positiva, em 11,5%, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de junho/19).

A pressão vem das fracas negociações de derivados lácteos nos últimos meses e também das margens espremidas das indústrias. As reduções mais expressivas nos valores médios foram verificadas nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás, onde as quedas de junho para julho foram de, respectivamente, 13%, 12% e 11,9%.

O ICAP-L (Índice de captação de leite) aumentou 3,4% na “Média Brasil”, influenciado pela produção nos estados do Sul, região que está em período de safra. Ainda assim, o potencial produtivo no Sul tem sido limitado, tendo em vista que as forrageiras de inverno não apresentaram um bom desenvolvimento, em decorrência do clima desfavorável. No primeiro semestre de 2019, o Custo Operacional Efetivo (COE) acumulou alta de 0,61% na “Média Brasil”.

Seguindo o movimento sazonal, para setembro, os preços tendem a diminuir, após o pico de entressafra no Sudeste e Centro-Oeste. Este ano, o comportamento do mercado lácteo verificado até o momento está bastante semelhante ao de 2017, com preços elevados no primeiro semestre, devido à oferta reduzida de matéria-prima, e queda brusca no segundo semestre, após a recuperação do volume de produção. Em 2019, no entanto, a produção não deve se elevar tanto como em 2017, por consequência da grande insegurança de produtores em realizar investimentos de longo prazo frente às incertezas no curto prazo.

Além disso, empresas ainda enfrentam dificuldades em elevar o teto de preços dos derivados. No atacado de São Paulo, o preço do leite UHT caiu 4,8% em julho frente a junho, fechando em R$ 2,35/litro (média mensal com valores coletados até o dia 26). Já para a muçarela, o preço manteve-se estável, fechando com média de R$ 17,62/kg. No mercado de leite spot, a segunda quinzena de julho fechou com variações positivas nos estados amostrados, indicando que a oferta de matéria-prima no mercado ainda está insuficiente para abastecer o volume das empresas. (As informações do Cepea-Esalq/USP)

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de junho/19). Fonte: Cepea-Esalq/USP.

                  

RS: Mapa irá auditar serviço veterinário em setembro

De 2 a 6 de setembro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) irá auditar o serviço de defesa agropecuária do Rio Grande do Sul para verificar o andamento das melhorias implantadas desde outubro de 2017, quando foi feita a última avaliação. A inspeção vai começar um dia após o encerramento da 42ª Expointer, que ocorrerá no estado de 24 de agosto a 1º de setembro, considerada uma das maiores feiras agropecuárias do mundo.

A auditoria estava prevista inicialmente para 2020, mas será antecipada em função da solicitação do governo do Rio Grande do Sul de retirar a vacinação contra a aftosa antes de junho de 2021, conforme prevê o cronograma previsto no Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA).

Quatro veterinários dos estados de Minas Gerais, do Mato Grosso e do Tocantins percorrerão seis municípios gaúchos e a capital. Irão avaliar 42 itens que vão desde recursos humanos, a situação dos postos fixos de fiscalização agropecuária, revendas de vacinas até Unidades Veterinárias Locais (UVL) e Escritórios de Atendimento à Comunidade.

A cada três anos, todos os estados têm o Serviço Veterinário Oficial (SVO) auditado, como determina o programa QualiSV. O objetivo é verificar se as unidades da Federação estão cumprindo as diretrizes básicas da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), entre elas disponibilidade de recursos humanos e capacidade de certificação.

Os resultados esperados nas auditorias são: permitir uma visão mais clara, atualizada e global dos serviços veterinários, transparência, regularidade e agilidade do sistema de avaliação destes serviços e orientação para aperfeiçoamento dos pontos fracos.

Auditorias
As próximas auditorias serão realizadas em Pernambuco, de 16 a 20 de setembro; no Maranhão, de 30 de setembro a 4 de outubro; em Rondônia, de 7 a 11 de outubro; no Rio de Janeiro, de 21 a 25 de outubro; em Minas Gerais, de 18 a 22 de novembro;  e no Espírito Santo, de 25 a 29 de novembro. (As informações são do Mapa)

Copom corta Selic pela primeira vez em 16 meses, de 6,5% para 6%

O Banco Central do Brasil se juntou ao movimento global de alívio monetário com a redução de 0,50 ponto percentual na Selic – taxa básica de juros da economia -, anunciada após reunião desta quarta-feira (31). A decisão dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) foi tomada por unanimidade.

O mercado estava dividido entre a aposta de um corte de 0,25 ponto percentual ou de 0,50. Estacionada nos 6,5% há mais de um ano, a Selic passa agora aos 6% ao ano — uma nova mínima histórica no Brasil.  

No comunicado, o Copom destaca o avanço do processo de reformas e sinaliza um corte de mesma magnitude na próxima reunião. “O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”.
O Copom, que se reúne a cada 45 dias para discutir a Selic, não mexia na taxa desde março de 2018. A reunião desta semana foi a terceira sob o comando de Roberto Campos Neto, presidente do BC desde fevereiro.

O caminho para a redução dos juros foi pavimentado por uma mistura de fatores: fraqueza persistente nos dados de atividade econômica, inflação controlada e reforma da Previdência aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados.

Juros mais baixos tendem a estimular a atividade econômica por meio de crédito mais barato e estímulo ao consumo.

A decisão da instituição foi acertada, segundo Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “De fato, as expectativas eram de uma inflação sob controle, sem se desviar da meta mesmo no cenário de corte de taxa, como se viu no relatório de inflação de junho”.

Para o economista, o comitê abre espaço para um novo corte de 0,5 p.p. na próxima reunião e talvez um possível 5% sendo alcançados esse ano. “A reforma da previdência ajuda nessa possibilidade, mas o central segue sendo um IPCA muito sob controle e um nível de atividade em recuperação muito frágil ainda”, diz.

A queda dos juros por si só não deve incentivar a economia, segundo André Perfeito, economista chefe da Necton, “mas trará efeitos benignos para a inflação de ativos, notadamente bolsa se valores e títulos públicos”, diz.

Na leitura de Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, com a decisão, o BC mostra que vê uma melhora importante no balanço de risco de inflação e mostra confiança na sua estratégia. “É como se ele dissesse que não precisa ir devagar, pois confia na sua estratégia”.

O impacto do corte na economia, no entanto, deve ser marginal, segundo a economista. “Impacta de alguma forma o mercado de crédito, a confiança do empresário, mas nossa fraqueza é muito mais estrutural do que por demanda”. (As informações são do portal Exame)

 
Sig/China 
A SIG construirá uma segunda unidade de produção em Suzhou, na China, para atender à crescente demanda por embalagens cartonadas assépticas na Ásia-Pacífico. A planta de 120.000 m2 no Parque Industrial de Suzhou (SIP), próxima às instalações de produção e centro tecnológico da empresa, custará 180 milhões de euros, e estará operando no início de 2021. Rolf Stangl, presidente da SIG, disse que o mercado de alimentos e bebidas na Ásia tem crescido continuamente, e deve continuar. “Nossa planta continuará trazendo novos e inovadores conceitos de produtos e embalagens para o mercado, de forma rápida e eficiente. A nova fábrica perto do Centro de Tecnologia é fundamental para a SIG Ásia. Vamos ampliar nossos negócios na região, mas, também nos adaptar ao estilo de vida dos consumidores asiáticos”, disse ele. (Dairy Reporter – Tradução livre: Terra Viva)

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