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07/01/2019

Porto Alegre, 07 de janeiro de 2019                                              Ano 13 - N° 2.892

    Argentina: importações de produtos brasileiros caem para US$ 2,7 bilhões

A crise que afetou duramente a Argentina em 2018 não poderia passar sem deixar rastros no Brasil, já que o país vizinho é um dos nossos maiores parceiros comerciais - e o principal na América do Sul. Entre 2017 e 2018, segundo o extinto Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), houve queda de 15,14% nas exportações brasileiras para os hermanos. Foram cerca de US$ 2,7 bilhões a menos em vendas.

As exportações, que vinham em um crescente nos últimos três anos, retrocederam de US$ 17,62 bilhões, em 2017, para US$ 14,9 bilhões em 2018. Com a economia do Brasil mais aquecida e o peso desvalorizado, as importações brasileiras tiveram alta de 17%, alcançando US$ 11,05 bilhões (US$ 1,65 bilhão extra em relação a 2017), o que levou o superávit com o país vizinho a cair de US$ 8,18 bilhões para US$ 3,9 bilhões.

No setor automotivo e de máquinas agrícolas, a desaceleração nos embarques brasileiros para a Argentina ocorreu de forma expressiva e deve continuar. Ao longo de 2018, a queda nas exportações de veículos para o país vizinho alcançou diferentes segmentos. Houve retração nas vendas de veículos de passageiros (-19,8%), de cargas (-40,5%) e de tratores (-29,9%) - este com parte da produção no Rio Grande do Sul. Os dados do governo federal mostram, ainda, queda em setores de consumo pessoal, como de calçados, com retração de 5,2%.

O baque nos negócios por aqui só não foi sentido com mais força porque o Brasil, ao contrário da Argentina, vive um momento de suave retomada e de retorno às compras. E vale lembrar que, ao contrário da China, por exemplo, a Argentina compra do Brasil principalmente produtos manufaturados, com maior valor agregado. Presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier ressalta que boa parte da redução nos negócios se deve, também, à decisão das próprias empresas brasileiras de não correr riscos maiores de inadimplência.

"Com mais esta crise argentina, volta o medo de muitos empresários de vender e levar calote. Por isso a elevada queda nas vendas, que se soma, também, à maior dificuldade de compra por parte dos importadores de lá", pondera Bier.

Para o economista da Farsul, Antônio da Luz, o comércio bilateral é afetado especialmente pela desvalorização cambial do peso. Luz avalia que, com a expressiva queda na cotação do peso ante o dólar, a moeda argentina vale muito pouco atualmente. Hoje, são necessários cerca de 40 pesos para comprar U$S 1.

"Para eles, os produtos brasileiros, em geral, estão custando mais caro do que antes da crise. Importar de qualquer país, e não apenas de nós, se tornou mais caro para o argentino", explica o economista.

Luz explica, ainda, que, com os atuais juros elevados da Argentina, o empresário que quiser importar e usar parte dos recursos do sistema financeiro e crédito para importação terá de arcar com uma taxa próxima de 60% ao ano, o que limita muito as grandes aquisições. Por outro lado, diz o economista, essa desvalorização torna o produto argentino mais barato, apesar de a inflação no país estar em alta.

"Isso dá, em parte, mais competitividade no produto argentino, tal como vinho, trigo, leite, arroz, produtos que são da natureza exportadora deles. Então, exportar, para eles, está um pouco mais fácil", explica Luz.
Segundo o secretário executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados, Darlan Palharini, a elevação no valor do leite em pó nas cotações internacionais - de quase 8% no início deste ano - é um risco para o setor brasileiro. "Na venda do leite líquido propriamente dito, não há maiores problemas, porque a Argentina consome quase tudo o que produz. O perigo está no leite em pó", avalia Palharini. (As informações são do Jornal do Comércio)
 
 

Perspectivas do USDA sobre o mercado lácteo da Oceania – Relatório 01 de 03/01/2019

A atividade comercial na Austrália está muito fraca nesse período do ano em decorrência de diversos feriados, constituindo um período de férias. Chuvas recentes em algumas partes da Austrália aumentaram a esperança de que se possa produzir leite com menor esforço. 

A produção de feno no Norte da Austrália é vista com maior otimismo. Mesmo com a melhora na produção de feno, ainda persistem preocupações em relação à disponibilidade no Norte, com possível necessidade de se importar do Sul. A umidade elevada prejudicou alguns fardos de feno. Na Austrália Ocidental existem relatos de que o feno está com bom crescimento, e que já está sendo cortado para enfardamento. Em janeiro, na Austrália, a redução do volume de leite depois do pico está dentro da normalidade. Parece, no entanto, que a produção sazonal total ficará menor do que a da temporada passada, mesmo com melhoria do tempo e maior disponibilidade de volumosos.

A produção de leite na Nova Zelândia, em novembro de 2018, foi de 3 milhões de toneladas, registrando aumento de 1% em relação à produção de novembro de 2017. Os sólidos totais do leite subiram 2,3% na mesma comparação, ficando em 248,2 milhões de quilos. Outubro é o mês de maior produção de sólidos na temporada, mas, os cinco principais meses terminam em fevereiro. Faltam, portanto, dois meses a serem contabilizados. (Usda – Tradução Livre: Terra Viva)

 

Balança comercial: cai o ritmo das importações!

Na sexta-feira passada (04/01/19), foram divulgados os dados da balança comercial láctea em dezembro de 2018. Segundo dados da SECEX, no mercado lácteo, as importações somaram o equivalente de 88,1 milhões de litros, menor valor mensal desde junho de 2018. Comparados aos 148,9 milhões de litros internalizados em novembro, ocorreu uma redução de 40,8% no volume importado. Todavia, o número é ainda 15% mais elevado do que as importações verificadas em dez/2017.

O volume exportado em dez/18 foi de 12,9 milhões de litros em equivalente leite, 12% maior que nov/18 e 1,4% maior que dez/17. Confira a evolução do saldo da balança comercial de lácteos no gráfico 1.

Gráfico 1. Saldo da balança comercial de lácteos no Brasil. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Secex.
 

A quantidade de leite em pó integral (LPI) importada desacelerou no último mês do ano, caindo pela metade. As 4,2 mil toneladas representaram uma redução 4,3 mil toneladas em relação ao mês de novembro. Para o leite em pó desnatado (LPD), as 2,5 mil toneladas representam uma diminuição de 39% em relação as 4,2 mil toneladas importadas em nov/18. Ao compararmos com dez/17, a quantidade importada em dez/18 foi praticamente a mesma.

Analisando a origem do leite em pó importado pelo Brasil, verifica-se que das 6,8 mil toneladas importadas de leites em pó, 6,4 mil toneladas foram do Mercosul – 80% do volume importado veio da Argentina e 20% do Uruguai, como mostra o gráfico 2.

Gráfico 1. Distribuição do leite em pó importado pelo Brasil, considerando apenas a quantidade importada da Argentina e do Uruguai. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Secex.
 

Também para a manteiga (419 toneladas) e o soro de leite em pó (645 toneladas), ocorreu uma diminuição na importação de dez/18 em relação a novembro, de 38% e 54% respectivamente.

Um dos fatores para essa redução de importação foi a alta do dólar. De acordo com dados do Banco Central do Brasil, o valor médio negociado do dólar em dez/18 foi de 3,89 R$/dólar, contra 3,79 R$/dólar em nov/18, com a diferença cambial contribuindo como um fator limitante às importações no período. Confira o detalhamento da balança comercial por produto na tabela 1.

Tabela 1. Balança comercial láctea em novembro de 2018. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Secex.
 
(Milkpoint)


Novo comando nos EUA e na EU
Os pesquisadores Alexandre Costa Varella, da Embrapa Pecuária Sul, de Bagé, e Vinícius Pereira Guimarães, da Embrapa Caprinos e Ovinos, de Sobral (CE), serão os novos coordenadores dos Laboratórios Virtuais da Embrapa no Exterior (Labex) nos Estados Unidos e na Europa, respectivamente. Nas funções, que assumirão durante o ano, eles deverão prospectar e captar sinais de mudanças na ciência e tecnologia agropecuária mundial para antecipar riscos e oportunidades. (Correio do Povo)

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