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Porto Alegre, 14 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.630


​Fenasul Expoleite 2026 é aberta em Esteio e destaca importância da cadeia produtiva do leite na economia gaúcha

O governador em exercício Gabriel Souza abriu oficialmente, nesta quarta-feira (13/5), a 19ª Fenasul e a 46ª Expoleite, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A expectativa para o evento é de ampliação do público visitante, fortalecimento dos negócios e valorização da produção agropecuária gaúcha. O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, também participou da cerimônia de abertura.

A edição de 2026 reúne cerca de 1,5 mil animais inscritos — crescimento de 4,76% em relação ao ano passado — e conta com concursos leiteiros, julgamentos de animais, provas e rodeios, feira da agricultura familiar, multifeira, seminários técnicos, atrações culturais e programação gastronômica.

Durante a cerimônia, Gabriel e Madalena destacaram a importância estratégica do setor leiteiro para o Rio Grande do Sul e a diversidade que a feira oferece. Gabriel ressaltou que a cadeia produtiva do leite possui papel fundamental na economia gaúcha, especialmente pelo forte vínculo com a agricultura familiar, já que mais de 90% dos produtores de leite do Estado pertencem a esse segmento.

O governador em exercício também afirmou que o fortalecimento da atividade depende da criação de condições estruturais e competitivas para quem produz no campo. “A atividade leiteira precisa ser valorizada não só pelo produto de alta qualidade que produz, mas também pela característica árdua, suada e diária do trabalho dos produtores. Essa é uma atividade que gera muito emprego e renda no campo. Temos no Rio Grande do Sul a terceira maior bacia leiteira do Brasil, que produz milhões de litros de leite que geram produtos variados de alta qualidade que chegam ao consumidor.”

“Aproveitamos esse momento de abertura da feira também para discutir assuntos inerentes ao setor, como o grave endividamento dos produtores causado pelos eventos meteorológicos e que deve ser votado no Senado. Também temos a questão do ingresso de leite estrangeiro no Estado a partir de acordos do Mercosul em um sistema que gera competição desleal e prejudica o produtor gaúcho, que defendemos de todas as formas possíveis”, disse Gabriel.

Melhorias na infraestrutura e na organização da feira
Neste ano, o governo do Estado está investindo cerca de R$ 1 milhão na realização da feira, com melhorias na infraestrutura, na organização e na qualificação dos espaços destinados a expositores, criadores e visitantes.

Madalena ressaltou que essa é a maior feira de 2026 no primeiro semestre do Rio Grande do Sul. “Este é um marco importante para o setor agropecuário e para todos os envolvidos na organização do evento. Além disso, damos início a um novo modelo de feiras e exposições no Parque Assis Brasil, com a realização inédita da Fenovinos em Esteio. É um passo estratégico para ampliar oportunidades, fortalecer as cadeias produtivas e consolidar ainda mais o parque como referência nacional na realização de grandes eventos do setor”, afirmou o titular da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

As demais autoridades presentes também ressaltaram a relevância da feira para o desenvolvimento da agropecuária gaúcha, especialmente das cadeias leiteira e da pecuária de corte, além do papel estratégico do evento na valorização genética, tecnológica e econômica do setor.

Crescimento da Fenasul Expoleite
Considerada a segunda maior feira agropecuária realizada anualmente no Parque Assis Brasil (atrás apenas da Expointer), a Fenasul Expoleite vem registrando crescimento nos últimos anos e consolidando-se como espaço de exposição de animais, difusão de conhecimento técnico, qualificação genética e geração de negócios.

A feira ocorre de 13 a 17 de maio, com entrada gratuita para pedestres e veículos. O acesso de pedestres ocorre pelos portões 3 e 7, enquanto os estacionamentos para visitantes estão disponíveis nos portões 5 e 10.

A Fenasul Expoleite é realizada pela Seapi e pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), com copromoção da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e da prefeitura de Esteio. (SEAPI)


Governo anuncia subvenção para reduzir preço da gasolina e nova subvenção para o diesel

Anúncio ocorre enquanto Petrobras, que fixa os preços, sofre forte pressão. Setor calcula defasagem de 39% no diesel e de 73% na gasolina em relação aos preços internacionais.

O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (13), mais uma medida provisória (MP) com ações para conter a alta dos combustíveis, mais especificamente a gasolina e o diesel, produzidos no Brasil ou importados.

A MP prevê um benefício tributário na Cide e do PIS/Cofins, tributos federais que incidem sobre os combustíveis. A nova subvenção terá início pela gasolina, que ainda não foi alvo de nenhuma medida para conter o aumento de preço, mas, de acordo com o governo, pode se estender ao diesel. 

O desconto no imposto não poderá ultrapassar o teto dos tributos federais. Atualmente, esses valores são:

R$ 0,89 por litro na gasolina, o que inclui PIS/Cofins e Cide; e
R$ 0,35 de PIS/Cofins por litro de óleo diesel, que já teve sua tributação suspensa em março por uma outra MP. 

A medida anunciada nesta quarta pode valer para o diesel quando a MP de março, com duração prevista para abril e maio, deixar de ser aplicada.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a medida tem neutralidade fiscal, ou seja, não pressiona os cofres públicos. Ele calcula que o custo da medida ficará entre R$2,7 bilhões a R$3 bilhões por mês, somando os valores da gasolina e diesel.

Segundo Moretti, um ato do Ministério da Fazenda, que será publicado nos próximos dias, trará os valores da subvenção. Para a gasolina, o ministro estima que o valor deve ficar entre R$0,40 a R$0,45. O do diesel deve ser de R$0,35.

"Como a receita da União por meio de dividendos, royalties e participação tem crescido com o aumento da cotação do petróleo no mercado internacional, a medida será neutra do ponto de vista fiscal", justificou o governo. 

Com as mudanças, o governo pretende diminuir o impacto do aumento do preço do petróleo a cinco meses das eleições de outubro, que disparou após o início do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã, no custo dos combustíveis.

Medidas provisórias têm força de lei assim que são publicadas no "Diário Oficial da União", com validade por 60 dias, podendo ser prorrogadas por igual período. Para continuar valendo, precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional.

O valor será pago aos produtores e importadores por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A medida funcionará como um cashback para amortizar eventuais aumentos de preços pela retirada do tributo.  (Jornal do Comércio)

Setor leiteiro lança ferramenta para enfrentar volatilidade de preços

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sediou, na quarta-feira (13), o lançamento de uma nova ferramenta de proteção de preços voltada ao setor lácteo brasileiro. Desenvolvida pela StoneX Leite Brasil, com apoio da CNA e parceria do Cepea, a iniciativa busca introduzir no país mecanismos de gestão de risco já consolidados em mercados mais maduros. A proposta chega em um momento em que a cadeia leiteira ainda enfrenta um problema estrutural: a baixa previsibilidade de preços e margens em um ambiente de alta volatilidade.

Na abertura do evento, o vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, destacou a evolução do agronegócio brasileiro nas últimas décadas e o papel da eficiência produtiva nesse avanço. Segundo ele, a cadeia do reúne aproximadamente 1,2 milhão de produtores e registrou crescimento de 50% nos últimos 20 anos, mesmo com redução de 25% no rebanho. Para Pereira, a adoção de ferramentas que aumentem a previsibilidade é um passo necessário para a continuidade desse desenvolvimento, especialmente em um cenário de sucessão no campo e maior digitalização das propriedades.

O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA e um dos maiores produtores de leite do Brasil, Jonadan Ma, classificou o lançamento como um marco para o setor. Segundo ele, a falta de previsibilidade sempre foi um dos principais gargalos da atividade. “O Brasil é um dos poucos países em que o produtor trabalha o mês inteiro sem saber exatamente quanto vai receber pelo leite”, afirmou.

Ele também chamou atenção para os impactos diretos dessa dinâmica no fluxo de caixa, apontando que a instabilidade de receitas compromete a sustentabilidade financeira da produção. Nesse contexto, a ferramenta surge como uma tentativa de estruturar melhor a gestão e reduzir a exposição às oscilações de mercado. Apesar do tom otimista, o próprio dirigente reconheceu que se trata de um ponto de partida: “Entramos em campo. Ainda precisamos ajustar o jogo, mas pode ser um divisor de águas”.

O CEO da StoneX no Brasil, Glauco Monte, destacou a trajetória da empresa no agronegócio e a experiência internacional na atuação com gestão de risco. Segundo ele, a companhia já atua há cerca de duas décadas no agro brasileiro e acompanha de perto a dinâmica dos mercados em que está inserida, com presença em diferentes regiões do país. Na mesma linha, o diretor da StoneX, Caio Toledo, afirmou que a entrada no setor lácteo responde a uma lacuna identificada pela empresa. De acordo com ele, a ausência de instrumentos estruturados de gestão de risco no leite colocava o Brasil como uma peça ainda não integrada ao modelo já aplicado em outros mercados.

Um mercado que ainda opera no curto prazo

A pesquisadora do Cepea, Nathalia Grigol, trouxe uma leitura mais estrutural sobre os desafios da cadeia. Segundo ela, o setor leiteiro brasileiro ainda opera excessivamente focado no curto prazo, o que limita os ganhos de competitividade no longo prazo.

De acordo com a pesquisadora, essa dinâmica incentiva comportamentos oportunistas e reduz a capacidade de planejamento dos agentes, especialmente em uma atividade de ciclo produtivo longo como a leiteira. “O produtor fica exposto à volatilidade e, com isso, sua margem também se torna volátil. Isso gera instabilidade nos investimentos e acaba comprometendo o desenvolvimento do setor”, explicou. Na avaliação dela, a ausência de instrumentos de gestão de risco contribui para gargalos importantes, como a menor competitividade internacional e a dificuldade de avançar rumo à autossuficiência.

A introdução de ferramentas de hedge, nesse sentido, pode ajudar a deslocar o foco do curto para o longo prazo, criando condições mais estáveis para investimentos, produção e formação de preços, com reflexos que chegam até o consumidor final. É importante destacar que hedge é uma estratégia para reduzir o risco de variação de preço, fazendo uma operação no mercado financeiro que anda no sentido oposto da sua exposição principal. Em outras palavras: você cria uma “proteção” para que oscilações de preço afetem menos o seu resultado.

Como funciona a ferramenta

Responsável pela operação, Marianne Tufani, Manager da StoneX Leite Brasil, explicou que a solução não envolve negociação em bolsa, funcionando em um modelo de balcão. Na prática, há um comprador e um vendedor, com a StoneX atuando como intermediadora financeira da operação. “O objetivo não é ganhar dinheiro com a ferramenta, mas proteger margem”, ressaltou.

O mecanismo permite que produtores, indústrias e cooperativas fixem preços futuros para seus produtos, reduzindo a exposição às oscilações do mercado. Caso o preço caia, o agente recebe a diferença na conta da corretora; se subir, ele paga essa diferença. Independentemente do movimento, o preço efetivo da operação permanece travado. A operação é exclusivamente financeira, sem entrega física obrigatória. 

A ferramenta contempla quatro produtos:

Leite UHT (40 mil litros)
Leite ao produtor (40 mil litros)
Queijo muçarela (4 mil quilos)
Leite em pó integral (5 toneladas)

Segundo Tufani, os volumes foram definidos com base na experiência internacional da empresa, buscando atender desde pequenos até grandes agentes da cadeia. Apesar do tamanho padrão dos contratos, há possibilidade de fracionamento, o que, em tese, amplia o acesso. A entrada na operação exige abertura de conta na corretora, e as ordens podem ser feitas por canais diretos, como e-mail, telefone ou WhatsApp.

Um dos pontos mais enfatizados por Tufani foi a necessidade de entendimento correto da ferramenta. Segundo ela, o hedge só cumpre seu papel quando utilizado como instrumento de proteção, e não como tentativa de antecipação de ganhos. “O produtor precisa saber qual margem faz sentido para ele. A partir disso, ele trava o preço. Se usar a ferramenta para tentar ganhar com o mercado, já é outra lógica”, explicou.

Ela também destacou que o uso adequado pode facilitar o acesso a crédito, uma vez que a previsibilidade de receitas reduz o risco percebido pelas instituições financeiras.

Liquidez e construção de mercado

Um dos desafios apontados é a construção de liquidez. Como se trata de um mercado novo no Brasil, a própria StoneX terá o papel de articular compradores e vendedores. As contrapartes não são divulgadas, seguindo padrão comum em operações financeiras desse tipo. Segundo Tufani, a experiência internacional mostra que esse processo é gradual. “Há anos, estávamos nesse mesmo estágio na Europa. Hoje, a grande maioria do mercado já utiliza hedge”, afirmou.

Custo e percepção na cadeia

Questionada sobre o receio de que a ferramenta represente mais um intermediário e, consequentemente, mais custo, Tufani afirmou que a proposta não é onerar a cadeia, mas reduzir perdas já existentes. “Hoje, muitos agentes perdem dinheiro com a volatilidade. A ideia é justamente evitar isso”, disse, reconhecendo, no entanto, a existência de custos de corretagem.

O evento foi encerrado com uma operação simbólica de venda realizada por Jonadan Ma, marcando o início das atividades da ferramenta no país.

Mais do que uma solução imediata, o lançamento representa uma tentativa de mudança estrutural na forma como o setor leiteiro brasileiro lida com preços, risco e planejamento, um movimento que ainda dependerá de adesão, entendimento e adaptação dos diferentes elos da cadeia. (Milkpoint)


Jogo Rápido

Président convida público a cozinhar em campanha inspirada nos musicais franceses
A Président, marca francesa de queijos e manteigas pertencente à Lactalis, apresenta sua nova plataforma de comunicação “Bora Cozinhar com Président”, que transforma a cozinha em um palco inspirado nos grandes musicais franceses. A campanha une entretenimento, gastronomia e storytelling para convidar o público a redescobrir o prazer de cozinhar em casa. Embalada pelo clássico ritmo do Can Can, a produção dá vida aos produtos da marca, como queijos fatiados, parmesão e manteigas Président, em uma narrativa visual lúdica e bem-humorada. Segundo Raul Sanches, diretor de marketing da Président, o movimento busca ampliar as ocasiões de consumo de queijo no Brasil e incentivar novas experiências gastronômicas dentro de casa. “Apesar de sua magnitude, o mercado brasileiro de queijos possui um enorme potencial de expansão. Nosso consumo per capita atual é de 5,6 kg anuais, muito abaixo de vizinhos como Argentina e Chile. A proposta da Président chega justamente para quebrar essa barreira e ampliar o repertório, fazendo um convite para que o brasileiro leve o queijo para o centro da culinária”, afirma o executivo. A inspiração criativa da campanha nasceu da linguagem clássica dos musicais, trazendo personalidade para ingredientes e utensílios de cozinha em uma atmosfera cinematográfica. “A nossa inspiração veio da magia narrativa dos grandes musicais, onde é possível dar vida e personalidade aos objetos de cena, criando um universo lúdico e memorável. Queremos ativar essa memória afetiva e levar a marca ao topo da lembrança dos consumidores sempre que o palco for a cozinha”, explica Gustavo Victorino. Além do filme principal, a estratégia inclui a websérie “Cozinha de Chef em 15 minutos”, estrelada pelo chef francês Claude Troisgros. Produzida especialmente para o ambiente digital, a série apresenta receitas práticas e acessíveis finalizadas em até 15 minutos, reforçando a proposta de transformar refeições cotidianas em experiências gastronômicas. A campanha também aposta em uma presença multiplataforma, com conteúdos adaptados para Instagram, TikTok e YouTube Shorts, além de veiculação nas principais emissoras do país. Com a nova fase, a Président reforça sua estratégia de aproximar a marca da rotina dos consumidores por meio de experiências, entretenimento e da valorização do ato de cozinhar. As informações são do Adnews, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Porto Alegre, 13 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.629


​Conseleite cobra política de apoio e diálogo com setor lácteo

Frente ao avanço constante das importações de lácteos pelo Brasil, o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) enviou, nesta terça-feira (12/05), ofício ao governo federal cobrando medidas emergenciais e estreitamento do diálogo com o setor produtivo. O ofício foi endereçado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, o momento é de preocupação com o aumento das cargas vindas de países do Mercosul, em especial Argentina e Uruguai. O setor busca medidas efetivas que permitam redução de custo de produção no Brasil, apoio à sanidade dos rebanhos e melhoramento da competitividade no campo e na indústria. “Queremos uma política clara que nos traga igualdade de condições para competir com os produtores no Uruguai e Argentina”, pontuou.

Em um primeiro momento, cita Prestes, a ideia é intensificar o diálogo entre o governo e as entidades do setor. "O Estado brasileiro assiste de braços cruzados à redução no número de produtores de leite e ao fechamento de propriedades, como apontam os dados oficiais do IBGE e da ASCAR/Emater-RS. Até agora, nenhuma das políticas anunciadas foi efetiva para contornar esse problema”, lamentou. E disse mais: “Enquanto não atacarmos a raiz dessa questão, que é a entrada de leite importado, estudando salvaguardas, continuaremos em crise".

O documento argumenta que o Brasil está entre os maiores produtores de leite do mundo, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros. Conforme dados do IBGE e da Embrapa, a atividade leiteira está presente em mais de um milhão de propriedades rurais brasileiras, especialmente na agricultura familiar. Nos últimos anos, entretanto, os produtores, cooperativas e indústrias brasileiras passaram a enfrentar forte pressão econômica em um cenário agravado pelo crescimento das importações de leite em pó, queijo e outros derivados lácteos dos países pertencentes ao Mercosul.

“Os preços praticados para vendas dessas cargas ao Brasil vêm colocando produtos importados no mercado brasileiro abaixo do custo médio de produção nacional, gerando forte desequilíbrio concorrencial”, frisa Prestes. Além disso, argumentam as entidades representadas pelo colegiado, o setor produtivo nacional é penalizado pela existência de diferenças sanitárias, tributárias, ambientais e regulatórias. “O que temos hoje são condições desiguais de competitividade que favorecem nossos vizinhos a posicionarem sua produção no mercado brasileiro. Precisamos de equidade para competir com esses países”.

Somente entre janeiro e abril de 2026, ingressaram no Brasil aproximadamente 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo. O volume representa o equivalente a cerca de 709 milhões de litros de leite e corresponde a onze dias da produção nacional e, no caso de estados como o Rio Grande do Sul, a 60 dias de produção. (Conseleite/RS)


Conseleite Minas Gerais

RESOLUÇÃO DE FECHAMENTO DO MÊS DE ABRIL/2026 

A diretoria do Conseleite Minas Gerais no dia 08 de Maio de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados 
lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: 

a) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Abril/2026 a ser pago em Maio/2026. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. 

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA 
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br. (Conseleite MG)

Estratégia empresarial | Lactalis e Danone expõem dois caminhos para crescer no lácteo

Lactalis e Danone ajudam a explicar uma transformação silenciosa dentro da indústria global de alimentos: faturamentos semelhantes já não significam modelos de negócio parecidos.
A comparação entre os dois grupos franceses revela estruturas operacionais, composição de portfólio e estratégias de rentabilidade cada vez mais distintas dentro do setor lácteo.

A Lactalis registrou faturamento de 30,8 bilhões de euros, enquanto a Danone alcançou 27,4 bilhões de euros. Apesar da proximidade dos números, os indicadores financeiros mostram uma diferença importante na lógica de geração de resultado.

O modelo da Lactalis continua profundamente ligado ao leite, aos queijos, às commodities lácteas e à operação industrial em larga escala. Cerca de 45% da receita do grupo vem de produtos lácteos frescos, enquanto aproximadamente 30% está concentrado em queijos. As margens estimadas aparecem entre 1% e 3%.

A estrutura apresentada reforça um modelo baseado em integração industrial, aquisições e domínio de volumes globais. A presença em mais de 100 países e o peso operacional da companhia evidenciam uma estratégia sustentada por escala, capilaridade e eficiência industrial.

Na Danone, o desenho é diferente. O grupo distribui sua receita entre categorias com perfis de margem mais elevados e menor dependência das commodities lácteas tradicionais.

A divisão de nutrição especializada representa cerca de 33% do faturamento e concentra margens estimadas entre 20% e 25%. O segmento de águas responde por aproximadamente 18% da receita, com margens entre 15% e 20%. Já a divisão Essential Dairy & Plant-Based reúne cerca de 49% do faturamento, com margens estimadas entre 5% e 8%.

Na prática, o mix de produtos altera completamente a leitura da rentabilidade. Enquanto a Lactalis depende mais do volume industrial e da dinâmica do leite como commodity, a Danone amplia exposição a categorias associadas à nutrição especializada, saúde, marcas premium e maior capacidade global de precificação.

O contraste também aparece na margem operacional corrente. O material aponta 13% para a Danone, enquanto as estimativas para a Lactalis permanecem significativamente inferiores.

Mais do que uma comparação financeira entre empresas, os números mostram duas formas distintas de posicionamento dentro da cadeia global de alimentos.

De um lado, a lógica industrial focada em escala, integração e volumes. Do outro, uma estratégia orientada à captura de valor, diferenciação e categorias de maior rentabilidade.

A discussão, portanto, deixa de ser apenas sobre quem fatura mais ou quem entrega maior margem no presente. O ponto central passa a ser qual modelo terá maior capacidade de sustentar competitividade, crescimento e resiliência nos próximos anos.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de LinkedIn


Jogo Rápido

Fenasul Expoleite 2026 começa nesta quarta-feira (13/5), com entrada gratuita
Concursos de ordenha, julgamento de animais, provas e rodeios, feira da agricultura familiar e multifeira, seminários técnicos, atrações culturais e gastronomia. A Fenasul Expoleite 2026 inicia nesta quarta-feira (13/5), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, com programação para todos os gostos e entrada gratuita. Pedestres poderão ingressar pelos portões 3 e 7, e haverá vagas de estacionamento para visitantes nos portões 5 e 10. Os portões ficarão abertos das 8h às 00h. A Fenasul Expoleite 2026 terá a participação de 1.453 animais, entre bovinos leiteiros, bubalinos, equinos, coelhos, chinchilas, pássaros, caprinos e ovinos. O concurso de ordenha das raças Holandesa e Jersey ocorrerá nos dias 13 e 14, encerrando com o tradicional banho de leite às 17h da quinta-feira (14/5). Pela primeira vez na história, a Feira Nacional dos Ovinos (Fenovinos) será realizada junto com a Fenasul Expoleite, com a presença de 483 animais. Haverá julgamento de animais, Campeonato Cabanheiro do Futuro e leilão multi raças. (Seapi)


Porto Alegre, 12 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.628


O parmesão virou aliado fitness? O que diz Tim Spector

Especialista em microbiota afirma que o parmesão concentra creatina graças ao longo processo de maturação do queijo.

A creatina no parmesão virou um dos temas mais curiosos da semana entre especialistas em alimentação, esportistas e amantes de queijo. E não foi por acaso.
O responsável pela discussão foi Tim Spector, que trouxe um olhar diferente para um produto tradicional que já ocupa espaço fixo nas cozinhas do mundo inteiro.

Em um vídeo recente, o professor do King’s College London afirmou que o parmesão é “uma das fontes mais ricas de creatina no mundo dos laticínios”. A declaração rapidamente ganhou repercussão porque a creatina costuma ser associada quase exclusivamente à carne vermelha, aves, peixes e suplementos esportivos.

Segundo Spector, o segredo está no próprio processo de fabricação do queijo. Durante a produção do parmesão, grande parte da água é removida. O resultado é uma concentração muito maior dos nutrientes naturalmente presentes no leite, incluindo proteínas, minerais e pequenas quantidades de creatina.

E o parmesão tem uma característica extra: a longa maturação. Quanto mais duro e envelhecido o queijo, maior tende a ser a concentração desses compostos. Isso ajuda a explicar por que o produto ganhou atenção entre consumidores interessados em desempenho físico, envelhecimento saudável e alimentação natural.

O especialista, porém, faz questão de colocar o tema em perspectiva. Uma dose comum de suplementação de creatina gira em torno de cinco gramas por dia. Para atingir esse volume apenas com parmesão, seria necessário consumir uma quantidade muito elevada do queijo, algo pouco compatível com uma dieta equilibrada.

Ainda assim, Spector defende que “tudo soma”. Em vez de buscar milagres nutricionais em um único alimento, o professor sugere valorizar produtos tradicionais, fermentados e menos ultraprocessados. Nesse contexto, o parmesão aparece mais como um complemento interessante do que como substituto da carne, do peixe ou da suplementação.

O debate também reacende uma tendência importante para a indústria de alimentos: consumidores cada vez mais atentos à densidade nutricional dos produtos e ao valor agregado de alimentos naturais e maturados. Queijos artesanais e ingredientes fermentados voltam a ganhar espaço não apenas pelo sabor, mas também pela percepção de funcionalidade.

No fim, o parmesão talvez não vire suplemento de academia. Mas conseguiu algo raro: colocar um queijo centenário no centro das conversas sobre nutrição moderna.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de AS.com


Três de Maio promove programação especial no Dia Mundial do Leite em 1º de junho
 
Evento será realizado no Parque de Exposições Germano Dockhorn com painéis técnicos, lançamento de projetos e almoço festivo.
 
O município de Três de Maio/RS, promove no dia 1º de junho de 2026 a programação especial do Dia Mundial do Leite, no Parque de Exposições Germano Dockhorn.
 
O evento será realizado ao longo de todo o dia e contará com recepção a partir das 8h, com café da manhã e produtos lácteos gratuitos para os participantes inscritos previamente.
 
A abertura oficial está marcada para as 9h. Na sequência, às 9h10, será realizado o lançamento do concurso Produtor de Leite Destaque Amufron.
 
A partir das 9h20, terão início os painéis técnicos. O primeiro abordará a perspectiva do setor leiteiro com o tema “Leite do Futuro”, com mediação de Darlan Palharini, secretário executivo do Sindilat, e participação do pesquisador Samuel Oliveira, da Embrapa Gado de Leite.
 
Às 10h25, o segundo painel tratará da sucessão familiar no campo com o tema “Produtor do Futuro”, mediado por Fernando Zimmermann, presidente da APIL, e com participação de Célio Alberto Colle, assessor especial da Emater/RS-Ascar.
 
O terceiro painel, às 11h30, terá como tema “Leite Fronteira Noroeste – Alimentando o Brasil”, com mediação de Izabel Cristina Dalemolle e participação da médica veterinária Fabiane Niedermeyer, gestora de projetos do agronegócio do Sebrae.
 
Às 12h35, será realizado o lançamento da programação da Expo Terneira 2026. O encerramento acontece às 13h com almoço festivo gratuito, também mediante inscrição antecipada.
 
A organização informa que a inscrição prévia é obrigatória para garantir acesso gratuito ao café da manhã e ao almoço. O prazo para inscrições vai de 27 de abril a 20 de maio de 2026.
 
As bebidas consumidas durante o evento serão cobradas separadamente.
 
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (55) 99943-1338. (Jornal Noroeste)
 
 
 

Produção Mundial de Leite

As tendências na oferta global de leite influenciam os preços. As entregas nas seis principais regiões exportadoras são monitoradas para fornecer uma visão geral dos níveis de produção atuais e das tendências na oferta global de leite.
 
As regiões produtoras de leite incluídas são:
 
• União Europeia-27
• Reino Unido
• Argentina
• Austrália
• Nova Zelândia
• EUA
 
Juntos, eles representam mais de 65% da produção mundial de leite de vaca e cerca de 80% das exportações mundiais de laticínios.
Resumo
A distribuição global de leite atingiu uma média de 849 milhões de litros por dia em fevereiro , um aumento de 35,2 milhões de litros por dia (+4,3%) nas regiões selecionadas , em comparação com o mesmo período do ano passado.
 
A distribuição de leite na União Europeia atingiu uma média de 399,7 milhões de litros por dia em fevereiro, um aumento significativo de 20,6 milhões de litros por dia (+5,4%) em comparação com o mesmo mês do ano passado, e o melhor fevereiro de sempre. O aumento da produção foi impulsionado por margens anteriormente elevadas, custos de alimentação mais baixos e maior produtividade, embora os preços pagos aos produtores tenham diminuído.
 
Analisando mais detalhadamente os números da UE, vemos o maior aumento anual em volume na Alemanha, com 164 milhões de litros (+7%) em fevereiro, seguida pela França, com 141 milhões de litros (+8%), e pela Itália, com 89 milhões de litros (+9%).
 
No Reino Unido , as entregas diárias atingiram uma média de 43,5 milhões de litros em fevereiro, um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior . O fluxo de leite continuou a atingir novos recordes. O aumento do uso de ração concentrada impulsionou a produção por vaca. As entregas de leite em abril mostram uma estabilização.
 
A produção de leite nos EUA aumentou em 8,4 milhões de litros por dia (+3%) em relação ao ano anterior , atingindo uma média de 287,3 milhões de litros por dia em fevereiro. As margens de lucro das fazendas leiteiras diminuíram em relação aos seus níveis elevados, mas permanecem positivas, sustentadas pela receita da produção de leite e carne bovina.
 
A Austrália registrou um aumento anual de 0,1 milhão de litros por dia (0,6%) em comparação com o ano anterior , atingindo uma média de 20,6 milhões de litros por dia. Apesar do aumento dos custos de produção e do crescente risco de seca, os preços do leite permaneceram estáveis.
 
As entregas na Nova Zelândia aumentaram em 3,9 milhões de litros por dia (+6%) em relação ao ano anterior , atingindo uma média de 68,6 milhões de litros por dia em fevereiro. A confiança dos produtores foi impulsionada pelos altos preços do leite e pelas condições climáticas favoráveis, que aumentaram o fluxo de leite.
 
As entregas na Argentina continuaram a crescer, aumentando em 2,8 milhões de litros por dia (+10,6%) em fevereiro em comparação com o ano anterior. O investimento no setor lácteo, as condições climáticas favoráveis e a sólida situação econômica dos produtores impulsionaram esse aumento de produtividade. No entanto, a queda nos preços do leite reduziu a rentabilidade, levando a uma projeção de crescimento menor para 2026. (Ocla)

Jogo Rápido

Novo comercial da Piracanjuba reforça presença da marca no CA-FÉ-DA-MA-NHÃ dos brasileiros
Criada pela AlmapBBDO, campanha aposta em humor e linguagem do dia a dia para destacar o portfólio da marca. Goiânia, 12 de maio de 2026 – A Piracanjuba lança um novo filme de sua campanha nacional, desta vez com foco em um dos momentos mais tradicionais do dia: o café da manhã. Leve e bem-humorado, o comercial evidencia a diversidade de produtos da marca presentes na rotina dos brasileiros. O roteiro parte de um insight simples: situações cotidianas podem ganhar um novo significado quando associadas à marca. Na campanha, a expressão “ca-fé-da-ma-nhã” surge de forma espontânea e reforça, de maneira criativa, a presença da Piracanjuba nesse momento de consumo. A ideia se conecta a um dos elementos mais reconhecidos da marca: a forma como o nome “Pi-ra-can-ju-ba” é naturalmente repetido pelo público, com a divisão silábica. Mais do que um recurso criativo, a abordagem resgata um ativo importante da identidade da marca e reforça sua presença na mesa dos brasileiros. Hoje presente em nove de cada dez lares, a Piracanjuba consolidou uma relação de proximidade construída ao longo do tempo. “O novo filme reforça a presença da Piracanjuba no café da manhã dos brasileiros, um momento em que a marca já faz parte da rotina de muitas famílias. A campanha resgata um ativo proprietário muito forte e traduz isso de forma leve e bem-humorada, conectando a marca ao dia a dia das pessoas”, afirma Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba. A iniciativa integra o planejamento de marketing da companhia para 2026, estruturado em três pilares: rejuvenescimento da marca, regionalização e reposicionamento. A proposta combina memória afetiva, linguagem popular e uma abordagem contemporânea da comunicação. A veiculação contempla TV aberta, plataformas digitais, redes sociais e mídia out of home, com ações de alcance nacional e regional. Conheça o novo filme da campanha (Para o dia começar bem: ca-fé da ma-nhã) clicando aqui. (Piracanjuba)


Porto Alegre, 11 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.627


Lácteos registram queda nas importações e nas exportações em abril

O mês de abril foi marcado por retração no volume total das importações e das exportações, que somaram 212,9 milhões de litros em equivalente-leite e 3,9 milhões de litros em equivalente-leite, respectivamente.
 
O mês de abril foi marcado por retração no volume total das importações e das exportações, que somaram 212,9 milhões de litros em equivalente-leite e 3,9 milhões de litros em equivalente-leite, respectivamente. 
Apesar do recuo frente a março, os volumes importados permanecem em patamares relevantes, refletindo a competitividade dos produtos importados frente aos nacionais. A recente queda do dólar também contribui para favorecer a entrada de lácteos no país, ao tornar os preços dos produtos externos mais atrativos.
 
Em relação ao saldo total, o mês registrou déficit de 209 milhões de litros em equivalente-leite na balança comercial de lácteos. Embora o saldo seja negativo, o resultado foi menos deficitário do que o observado em março, acompanhando a redução no volume total importado no período.
 
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
 
As importações registraram queda de 10% em relação ao mês anterior, porém na comparação anual, houve aumento de 34,3%. Ou seja, as importações seguem em linha crescente quando observado num longo período. 
 
Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
 
Os principais movimentos observados nas importações foram:
 
Queijos: apresentaram avanço expressivo, com alta de 49% no volume importado frente a março;
 
Entre os queijos, a muçarela se destacou como o principal produto negociado. O mês de abril registrou um aumento de 98% da importação total de muçarela em relação ao mês de março.
 
Leite em pó integral (LPI): produto de maior relevância na cesta de importação, apresentou queda de 16% no volume frente ao mês anterior;
 
Leite em pó desnatado (LPD): registrou retração de 38% em relação a março.
 
Já em relação às exportações, houve queda tanto na comparação mensal quanto anual, abril registrou queda de 19% em relação a março, e -13,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. O movimento reforça a baixa competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
 
Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.
 
Nas exportações de março, foram observados movimentos distintos entre os principais produtos:
 
Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou queda de 7% no volume embarcado frente a março, representando 35% da cesta de exportações;
 
Cremes de leite: registraram avanço de 36% no período;
 
Manteiga: apresentou forte retração, com queda de 51% nos embarques em relação ao mês anterior;
 
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de março de 2026 e abril de 2026.
 
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em abril de 2026
 
 
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em março de 2026
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 
 
O que podemos esperar para os próximos meses?
 
Em abril, tanto as importações quanto as exportações apresentaram queda em relação ao mês anterior. No caso das importações, apesar da retração mensal, os volumes ainda permanecem em níveis elevados, sustentados pela competitividade dos produtos externos frente às observadas vistas no mercado nacional causada pela sazonalidade e pelo câmbio mais favorável, com a recente queda do dólar contribuindo para tornar os lácteos importados mais atrativos no mercado brasileiro.
 
No curto prazo, caso o câmbio permaneça em níveis mais baixos e os preços internacionais sigam competitivos frente aos produtos nacionais, as importações tendem a se manter em patamares relevantes. Esse cenário pode favorecer a entrada de derivados no país.
 
Diante desse contexto, os próximos meses exigem atenção à evolução dos preços internacionais, ao comportamento do câmbio e à resposta da produção doméstica. Há também necessidade de atenção às políticas internas, com as ações antidumping para o leite em pó vindo do Mercosul no foco das negociações. A combinação desses fatores será decisiva para definir o ritmo das importações, o espaço dos produtos brasileiros no mercado externo e os possíveis efeitos sobre a formação de preços no mercado interno. (Milkpoint)
 

Recuperação no preço do leite anima setor

O mercado lácteo brasileiro vive um momento de recuperação nos preços após o forte impacto do período de pressão causado pelo aumento da oferta de leite em 2025. A avaliação é do Secretário-Executivo do Sindilat e vice-coordenador do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite), Darlan Palharini, em entrevista ao JM.
 

Segundo ele, o segundo semestre de 2025 foi marcado por preços baixos em razão do crescimento da produção no Rio Grande do Sul, no Brasil e também em países da América Latina. A expectativa do setor era de recuperação gradual a partir de março deste ano, mas a reação do mercado ocorreu de forma mais intensa do que o previsto.

De acordo com Palharini, os atuais valores começam a permitir resultado positivo ao produtor, embora o principal desafio seja manter os preços em patamares sustentáveis e controlar os custos de produção. “A grande preocupação da atividade leiteira continua sendo a gestão de custos”, afirmou.

Entre os fatores que pressionam o setor estão os reflexos de conflitos internacionais sobre insumos como ureia e diesel, que tiveram reajustes recentes. Conforme o dirigente, o aumento desses custos pode comprometer os ganhos obtidos com a recuperação dos preços do leite.

Palharini destacou ainda que produtores e indústrias precisam buscar eficiência para enfrentar a concorrência internacional. Segundo ele, mesmo com discussões envolvendo importações e processos de antidumping, não houve mudanças significativas nas políticas federal e estadual para o setor leiteiro.

O dirigente ressaltou que o Brasil segue convivendo com forte entrada de produtos lácteos importados, especialmente queijos. Apenas nos meses de março e abril, o país registrou recordes de importação. “A atividade precisa trabalhar por si mesma, com eficiência e gestão de custos, para competir com o mercado internacional”, observou.

Outro ponto apontado como desafio é a elevada taxa de juros no país. Com a Selic em 14,5% ao ano, linhas de crédito para investimento podem superar 20% ao ano, o que, segundo Palharini, dificulta a modernização das propriedades e compromete a competitividade frente a países que subsidiam a produção leiteira.

Ao comentar o acordo entre Mercosul e União Europeia, Palharini avaliou que o cenário também traz desafios ao leite brasileiro. Isso porque os produtores europeus recebem subsídios e contam com mecanismos de proteção comercial, dificultando a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu. Em contrapartida, há risco de aumento da concorrência de produtos europeus no Brasil. (Jornal da Manhã)

Investimento em terminal renovado da CCGL em Rio Grande chegará a R$ 700 milhões

São cinco frentes de trabalho ativas da cooperativa CCGL para concluir até outubro deste ano a reformulação do Termasa, um dos terminais operados pela cooperativa no Porto de Rio Grande, que sofreu sérios danos durante a cheia de 2024. De acordo com o presidente da CCGL, Caio Vianna, ao todo, o projeto deverá chegar a R$ 700 milhões em investimentos, dos quais, R$ 600 milhões em desembolsos ao longo deste ano.

"É o nosso único investimento significativo neste ano, e é estratégico para garantirmos mais competitividade ao produtor rural gaúcho, com a desvalorização dos grãos", explica Vianna.

A cooperativa, que centraliza operações de diversas outras entidades cooperativas, de acordo com o dirigente, responde por 70% de toda a soja exportada pelo Rio Grande do Sul, e por 52% de todas as exportações do agro gaúcho. Operação que atualmente está limitada ao terminal Tergrasa.

Com o projeto de renovação do Termasa, a capacidade estática chegará a mil toneladas de grãos, mas os aportes vão além da infraestrutura de armazenagem. O píer passa por transformação, e também há aumento da capacidade operacional de carga e descarga de caminhões e trens, novas balanças e uma nova subestação de energia.

"Neste ano, teremos uma safra, depois de anos acumulados de quebras, considerado normal. Não é uma supersafra, mas a projeção pode ser considerada razoável. Nossa estimativa é receber até 20 milhões de toneladas", aponta Caio Vianna.

Representará uma alta de 43% em relação às 14 milhões de toneladas recebidas em 2025. O problema, explica o presidente da CCGL, está na baixa remuneração aos produtores.

"Há um achatamento que tem reduzido muito a possibilidade de investimento dos produtores. E na CCGL, temos muita preocupação com as pessoas em toda a nossa cadeia de produção", comenta.
Uma alternativa de renda extra, e principalmente de uma segunda safra com bom rendimento, tem sido a canola, considerada por Caio Vianna a "soja do inverno". A partir dos campos experimentais da CCGL, há o desenvolvimento de cultivares, a assessoria e a distribuição às cooperativas associadas.

A estimativa é de que a área cultivada com canola chegue a 500 mil hectares neste ano no Estado, mais do que o dobro do ano passado. Com rendimento bem superior ao da soja no fornecimento de óleo à indústria, especialmente com o aquecimento do mercado de biocombustíveis, a tendência é de que o grão veio para ficar.

FICHA TÉCNICA
Investimento: R$ 600 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Cooperativa CCGL
Cidade: Rio Grande
Área: Infraestrutura
Investimento em 2025: R$ 100 milhões

As informações são do Jornal do Comércio


Jogo Rápido

Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.  As inscrições podem ser feitas clicando aqui. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 08 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.626


Prêmio Top RS Leite de Verdade consagra pecuária leiteira 

Cerimônia reconhece 11 produtores gaúchos que se destacaram em produtividade, eficiência e inovação na Fenasoja

A Fenasoja, que celebra os 60 anos da maior feira multissetorial do país, foi palco de uma das mais aguardadas premiações do setor agropecuário: o Prêmio Top RS Leite de Verdade, promovido pela CCGL. A cerimônia, realizada no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, destacou o empenho técnico e os resultados operacionais das propriedades leiteiras que são referência no Rio Grande do Sul.

Ao todo, 11 produtores foram premiados, entre 26 finalistas, em categorias que abrangem desde produtividade da terra até eficiência econômica e desempenho reprodutivo. O reconhecimento evidencia o vigor do sistema cooperativo gaúcho e a capacidade de inovação da pecuária leiteira.

O presidente da CCGL, Caio Vianna, ressaltou que o prêmio é, acima de tudo, uma homenagem ao esforço humano por trás dos números. “A homenagem desta noite é para o produtor de leite, para os técnicos da CCGL e das cooperativas, que fazem as coisas acontecerem sempre da melhor forma. Entregar esse prêmio é reforçar que a pecuária leiteira é rentável e pode remunerar adequadamente o produtor. O produtor de leite é um trabalhador exemplar, que produz um alimento essencial para a humanidade”, afirmou.

O secretário da Agricultura do Estado, Márcio Madalena, destacou o papel transformador das cooperativas e a relevância da plataforma Smartcoop no suporte ao produtor. “Essa premiação, com certeza, vai ser a grande balizadora da qualidade da produção leiteira no Rio Grande do Sul. O governo assumiu o compromisso de difundir a plataforma como grande aliada da atividade no estado”, disse.

Para o presidente da Fenasoja, Marcos Servat, a premiação consolida a união da feira com o setor produtivo. “Em 2022 iniciamos um projeto novo que foi abraçado pela CCGL e estamos muito felizes por fazer parte desse movimento. O trabalho desenvolvido pelo sistema cooperativo é fundamental para a nossa cadeia produtiva”, destacou. Já Natália Marins Bastos, coordenadora de projetos da CCGL, sublinhou o fator pessoal envolvido no sucesso das propriedades: “A abdicação e a dedicação integral dos produtores de leite são determinantes para o alcance de resultados de elite”.

O Prêmio Top RS Leite de Verdade consolida-se como referência na pecuária leiteira gaúcha, valorizando não apenas índices técnicos, mas também a dedicação pessoal dos produtores. Ao reconhecer diferentes sistemas produtivos — confinados e não confinados — a iniciativa reforça a diversidade da cadeia leiteira e a importância da gestão eficiente.

Mais do que uma celebração, a premiação é um instrumento de estímulo à competitividade e à inovação, alinhando cooperativas, produtores e governo em torno de um objetivo comum: fortalecer a pecuária leiteira como atividade rentável, sustentável e essencial para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

Os resultados mostram que o setor vive um momento de profissionalização crescente, em que tecnologia, gestão e cooperação se tornam pilares da produtividade. O reconhecimento público reforça que o futuro da pecuária leiteira depende da integração entre conhecimento técnico, políticas públicas e dedicação humana — uma tríade cada vez mais estratégica para o agronegócio brasileiro.

Vencedores do Prêmio Top RS Leite de Verdade

Produtividade da Terra – Região Norte

Confinado: Camila Frantz (Cooperoque) – Técnico Regis Luiz Sturm Lenz
Não Confinado: José Librelotto (Cotribá) – Técnica Debora Schroeder
Produtividade da Terra – Região Sul

Confinado: Devalci Cogo (Cotribá) – Técnico Leonardo Manzoni
Não Confinado: Acemar Quatrin (Cotrijuc) – Técnica Andreia Beck
Eficiência Produtiva de Sólidos no Leite

Confinado: Adriana Machado (Cotrisal) – Técnica Amanda Stefania Tormes Godoy
Não Confinado: Edson Tiemann (Cotrijal) – Técnico Eduardo Feltrin
Desempenho Reprodutivo

Confinado: André Gobbi (Cotripal) – Técnica Patricia Simon
Não Confinado: Luciano Mattei (Cotrisal) – Técnica Paula Eli de Cesaro Pena
Eficiência Econômica

Confinado: Levino Guilherme Huppenthal (Cotribá) – Técnica Debora Schroeder
Não Confinado: Valdir Jacoby (Cotrisoja) – Técnico Guilherme Afonso Müller Rodrigues
Prêmio Master

Confinado: Luiz Carlos Reisdorfer (Cotrisal) – Técnica Paula Eli de Cesaro Pena (Por Gisele flores)

As informações são do Jornal O Sul


Rio Grande do Sul: fórum aborda brucelose e tuberculose bovina durante a Fenasoja

Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública.

A brucelose e a tuberculose bovina, doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos, foram tema de um fórum realizado durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, Rio Grande do Sul. Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública. O fórum foi promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária e Animal (Fundesa).

Ações do Serviço Veterinário Oficial

O fiscal estadual agropecuário Felipe Lopes Campos, coordenador de Educação Sanitária na Seapi, apresentou dados sobre o programa sanitário de Brucelose e Tuberculose bovina, apontando que, embora a testagem tenha aumentado significativamente ao longo dos últimos 15 anos, os números de animais positivos vêm caindo. Em 2025, foram realizados mais de 392 mil testes para tuberculose bovina e mais de 251 mil para brucelose, com índices de animais positivos em 0,36% e 0,08% dos casos, respectivamente. “Os dados mostram um trabalho coordenado do Serviço Veterinário Oficial com os produtores”, avaliou.

Levantamento realizado sobre ações de educação sanitária da Secretaria em 2025 mostrou que a tuberculose bovina e a brucelose estiveram entre os principais assuntos abordados. “O programa sanitário da brucelose e tuberculose está entre os cinco principais programas que abordamos no ano passado. Se elencarmos por enfermidade, a brucelose é a segunda com mais ações educativas, com a tuberculose em quarto lugar”, informou Campos.

Para Felipe, a defesa agropecuária deve ser vista como um escudo que protege o campo e garante a segurança do consumidor final. O objetivo da fiscalização não é a punição, mas atuar como um garantidor de qualidade para os produtos de origem animal. “Fiscalização é um pilar, não uma cobrança. É um processo de co-participação para a preservação da saúde da sociedade”, pontuou.

Visão da indústria

O gerente de suprimento de leite da CCGL, Jair de Mello, ressaltou que a sanidade é um dos quatro pilares fundamentais da indústria, ao lado da padronização de processos, a qualidade do leite e a rastreabilidade. “É preciso garantir transparência em todos os processos, com digitalização, acompanhamento, gestão. Isso vai permitir a qualificação e a competitividade do leite nacional no mercado externo, uma fronteira que temos ainda a conquistar”, pontuou.

Com relação à brucelose e à tuberculose bovina, a CCGL mantém um programa de certificação desde 2015 entre seus cooperados, abrangendo hoje mais de mil propriedades e 90 mil animais. “Somos o primeiro laticínio do Brasil a entrar no programa de certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose da Organização Mundial de Saúde Animal”, destacou. 

Relato de um recomeço

A produtora rural Ana Cláudia Kamm dos Santos, de Três de Maio, compartilhou a jornada de sua propriedade, a Granja Progresso, que em 2017 enfrentou um surto de tuberculose. O impacto foi severo, com o abate imediato de 121 animais e a imposição de um vazio sanitário de um ano.

"Ficamos sem chão", relatou Ana Cláudia, que detalhou como a família superou a crise por meio do apoio técnico e das indenizações do Fundesa e do Ministério da Agricultura. A produtora explicou que aproveitou a oportunidade de recomeço para planejar a retomada da produção com a aquisição de rebanho de propriedades certificadas.

Hoje, a Granja Progresso está certificada como livre de brucelose e tuberculose desde 2021, com um rebanho 100% da raça Jersey. Ana Cláudia pontuou que um dos novos desafios que se apresentam é a sucessão, sendo ela mesma filha de produtores rurais. "Tenho três filhos. A nossa ideia é aumentar a produção, agroindustrializar e, quem sabe, que todos eles permaneçam na atividade conosco", contou.

O papel estratégico do Fundesa

O presidente do Fundesa, Rogério Kerber, detalhou a importância do fundo privado e destacou que a atuação do Fundesa vai além do pagamento das indenizações aos produtores. “O Fundesa foi inicialmente pensado para o pagamento de indenizações. Mas, ainda antes de sua fundação, a orientação veio no sentido de agir preventivamente, evitando que ocorressem esses eventos sanitários que resultariam nas indenizações. É uma medida para proteger o produtor, a indústria e a sociedade em geral”, explicou.

Neste sentido, o fundo investiu mais de R$ 52 milhões em infraestrutura para a defesa sanitária animal do estado, com a informatização das inspetorias de defesa agropecuária, criação do SDA, reforma e revitalização de inspetorias, convênios com universidades para desenvolvimento de sistemas de informação específicos, compra de materiais de emergência para contenção de focos e apoio ao setor diagnóstico, entre outras ações. Kerber enfatizou que o produtor é o elo mais importante da defesa sanitária. "O alerta primeiro tem que vir da propriedade. Sem esse alerta, não tem reação", ressaltou.

As informações são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, adaptadas pela equipe MilkPoint.

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1918 de 07 de maio de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
O vazio forrageiro tem intensificado o uso de suplementação, especialmente com silagem, para manter a produção na maioria das regiões. Porém, essa estratégia eleva o custo de produção. As chuvas contribuíram para o crescimento de pastagens de inverno e possibilitaram o início de pastejo pelas vacas. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, após um período de baixa significativa em abril, a produção de leite na Campanha já apresenta leve recuperação, relacionada à ampliação da oferta de pastagens de aveia, que agregam volume e qualidade para a dieta das matrizes. Assim, está sendo possível reduzir, em alguma proporção, a quantidade de silagem ofertada, considerando que as reservas do volumoso foram consumidas em abril e ainda serão muito necessárias nos próximos meses. A chuva em 01/05 (sexta-feira) não causou formação de barro. Os parâmetros de qualidade do leite estão satisfatórios em razão das condições ambientais favoráveis para a obtenção de baixa contagem bacteriana (CBT), e a concentração de sólidos vem se mantendo em patamares adequados. 

Na de Caxias do Sul, a produção de leite está estável devido à suplementação de volumoso com silagem de milho. As condições corporais dos animais estão boas, e o bem estar das vacas foi favorecido pelas temperaturas mais baixas. O estado sanitário está adequado, mas há alguns casos de mastite e presença de ectoparasitas, sendo controlados. Nos sistemas confinados e semiconfinados, as vacas de leite receberam feno, pré-secado e silagem de milho. As propriedades que produzem leite à base de pasto, utilizaram silagem de milho para a suplementação de volumosos. A qualidade do leite produzido, medida pela contagem de células (CCS) e contagem padrão em placas (CPP), ficou dentro dos limites exigidos pelo MAPA.  

Na de Erechim, as condições gerais dos rebanhos seguem satisfatórias. Os produtores têm reduzido o acesso dos animais e aumentado a oferta de conservados (silagem de milho) e concentrado (milho, farelo de soja, rações, etc). Em sistema confinado, há maior conforto térmico, mas no free stall há maior ocorrência de problemas de casco e lesões musculares em relação ao compost barn. O aumento da umidade proporcionou maiores desafios nesses sistemas de produção, trazendo riscos de mastite, lesões em membros e no casco. 

Na de Frederico Westphalen, as condições das pastagens variam: em alguns casos é preocupante, e em outros há boa oferta, beneficiada pelo bom regime de chuva, favorecendo a alimentação. As condições climáticas mais amenas contribuíram para o bem-estar animal. 

Na de Ijuí, a produção está estável. A alta umidade causou aumento de barro e dificultou a higiene dos animais na sala de ordenha. 

Na de Passo Fundo, os produtores intensificaram a oferta de silagem para preservar as condições dos animais em razão da redução na oferta de pasto. O rebanho apresenta boa condição corporal e volumes de produção de leite. Diminuiu a incidência de moscas e carrapatos. Inicia o pastoreio das espécies de inverno, com destaque para a aveia e azevém. 

Na de Pelotas, há tendência de leve queda ou estabilidade na produção de leite devido ao vazio forrageiro e às condições sazonais. Em relação à sanidade animal, há incidência de carrapatos, moscas e riscos de tristeza parasitária bovina. 

Na de Porto Alegre, os rebanhos apresentam, no geral, boas condições e estado nutricional, sustentado pelo uso de suplementação alimentar nesta fase de vazio forrageiro de outono. No entanto, do ponto de vista sanitário, persiste elevada a infestação por carrapatos, o que demanda atenção contínua dos produtores.  

Na de Santa Maria, as condições nutricionais estão dentro do esperado. Entretanto, em função do final do ciclo das pastagens anuais de verão (milheto, sorgo, sudão), ocorre queda na produção e diminuição do escore corporal, o que pode aumentar os custos nos casos em que é feita a suplementação alimentar. Os produtores seguem monitorando e controlando moscas e carrapatos. 

Na de Santa Rosa, aumentou o fornecimento de silagem de milho, feno, pré-secado e concentrados para manter os níveis de produção e evitar quedas na produtividade. Referente ao aspecto sanitário, continua o controle de carrapatos e a prevenção de tristeza parasitária bovina. 

Em relação à qualidade do leite, a maioria das propriedades apresenta valores de Contagem Bacteriana Total (CBT) dentro dos índices esperados. Porém, há maior dificuldade em manter a Contagem de Células Somáticas (CCS) dentro dos limites recomendados, exigindo atenção redobrada ao manejo, à sanidade e às rotinas de ordenha. De modo geral, as condições climáticas foram favoráveis ao bem-estar animal, mas o período de transição de pastagem aumenta o custo de produção.  (As informações são da Emater/RS editadas pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Queda na temperatura e possibilidade de geadas previstas para os próximos dias no RS
A próxima semana deverá apresentar queda nas temperaturas e possibilidade de geadas no Rio Grande do Sul. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico nº 19/2026, elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).  Sábado (9/5) e domingo (10/5): uma massa de ar polar irá provocar queda nas temperaturas por todo o território gaúcho. Há possibilidade de ocorrência de geada, principalmente na metade sul e região serrana, e não há previsão de chuva significativa durante esses dias. Segunda-feira (11/5) a quarta-feira (13/5): o tempo ainda permanecerá estável, com temperaturas mais baixas ao longo do estado. Não há previsão de chuva significativa durante esses dias.  Os acumulados de precipitação deverão variar entre 2 mm e 50 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados da metade sul que podem ultrapassar esse valor.  O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (Seapi)


Porto Alegre, 07 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.625


CNA protocola manifestação final na investigação de dumping contra leite em pó importado do Mercosul

Conclusão da investigação está prevista para o final do mês

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, na segunda (4), a manifestação final sobre a investigação de dumping contra o leite em pó importado do Mercosul.

A nota faz parte do processo de investigação da prática de dumping e resume todos os argumentos apresentados pela CNA, as origens investigadas e partes interessadas, além de comentários do Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Decom/MDIC) sobre os resultados da investigação.

No documento, foram relatados avanços importantes, como a retomada do entendimento anterior sobre a similaridade entre leite em pó e leite in natura, o reconhecimento da prática de dumping por ambas as origens e a indicação de que as importações causaram os prejuízos à produção de leite brasileira.

Segundo os cálculos do Decom, após as respostas aos questionários realizadas por quatro exportadores argentinos e três uruguaios, foram encontradas margens de dumping que chegaram a superar 60%.

Apesar de ser um documento preliminar, a nota técnica com fatos essenciais traduz o que o setor produtivo vem argumentando desde 2022: as importações a preços de dumping têm prejudicado as propriedades rurais brasileiras.

A CNA destaca o trabalho conduzido pelo Departamento, principalmente após a entidade ter apresentado novas provas, mantendo o rigor técnico no processo legal estabelecido pelas normas nacionais e internacionais.

Ainda em abril, o DECOM também defendeu a investigação em reunião do Comitê de Práticas Antidumping da OMC, fórum no qual as origens investigadas pediram esclarecimentos sobre o processo conduzido pelo Brasil, sem apresentar novos argumentos além dos já respondidos durante o processo. Cabe destacar que não se trata de contestação internacional ou pedido formal de solução de controvérsias.

A investigação entra agora em fase final e o próximo passo é o envio do Parecer de Determinação Final ao Comitê de Defesa Comercial da Câmara de Comércio Exterior (CDC/Camex), que fará a avaliação técnica da investigação.

O tema será debatido na reunião do Grupo Gestor da Camex (Gecex), composto pelo Ministro do MDIC e Secretários Executivos dos dez ministérios que integram o colegiado.

Com a reunião prevista para o final de maio, a expectativa é que o Gecex reconheça os prejuízos trazidos pelas importações a preços de dumping e sejam aprovadas medidas antidumping para corrigir essa prática desleal de comércio.

A CNA segue firme na articulação junto ao poder Executivo em defesa da produção nacional de leite, sempre com o apoio dos representantes nas Frentes Parlamentares da Agropecuária e em Apoio ao Produtor de Leite.  (CNA)


Danilo Zorzan, da Tetra Pak: "empresas que sobrevivem se reinventam em ciclos cada vez mais curtos"

Modernização de centro de inovação em Monte Mor reforça estratégia da companhia para acelerar novas categorias, cocriação e crescimento no setor de alimentos e bebidas

Durante uma press trip realizada nesta quarta-feira (6), em Monte Mor (SP), a Tetra Pak apresentou à imprensa a modernização do seu Centro de Inovação ao Cliente (CIC), espaço voltado ao desenvolvimento e cocriação de produtos para a indústria de alimentos e bebidas. O MilkPoint participou do encontro, que reuniu profissionais de diferentes veículos do país para acompanhar as estratégias da companhia para inovação, sustentabilidade e expansão de novas categorias.

A atualização do espaço recebeu investimento de R$ 10 milhões e faz parte de um movimento global da Tetra Pak para ampliar a flexibilidade, a personalização e o uso de tecnologias digitais em seus centros de inovação ao redor do mundo.

“O alimento bom merece ser protegido”, afirmou Tiago Cardoso, Presidente da Tetra Pak Brasil, ao abrir o evento. Segundo ele, o propósito da companhia vai muito além das embalagens, envolvendo tecnologias, processamento e soluções voltadas à segurança alimentar e à eficiência operacional da indústria. 

A Tetra Pak está presente em mais de 160 países, conta com 24,6 mil funcionários globalmente e registrou vendas líquidas de 12,4 bilhões de euros. No Brasil desde 1957, possui fábricas em Monte Mor (SP) e Ponta Grossa (PR), além de sete regionais de vendas e mais de 1,5 mil funcionários.

Somente em 2025, segundo a empresa, foram comercializadas mais de 12,6 bilhões de embalagens no país. A companhia também destacou iniciativas ligadas à economia circular, incluindo 104 mil toneladas de embalagens pós-consumo recicladas e parceria com 20 recicladoras.

Cardoso reforçou que sustentabilidade é tratada como um eixo estratégico da companhia e destacou que o principal objetivo é gerar valor em toda a cadeia. “No fim do dia queremos fortalecer as parcerias com os nossos clientes e toda vez que eles crescem, nós comemoramos junto”, afirmou.

Estratégia para 2030

Durante a apresentação, a Tetra Pak detalhou pilares estratégicos que devem nortear sua atuação até 2030. Entre eles estão a garantia de alimentos seguros e de alta qualidade, liderança na transformação sustentável, integração das operações dos clientes e inovação voltada ao crescimento.

Segundo Cardoso, a companhia busca atuar de ponta a ponta dentro da cadeia de alimentos e bebidas — desde o desenvolvimento de produtos até produção, automação industrial e melhoria contínua das operações.

A empresa também reforçou sua presença crescente em novas categorias, incluindo bebidas proteicas, funcionais, produtos vegetais, chás, refrescos e pet food. “A nossa visão é tornar os alimentos seguros em qualquer lugar, fortalecendo sistemas alimentares sustentáveis e resilientes em parceria com clientes, governo e stakeholders”, disse.

“Revisar o futuro”

Danilo Zorzan, Diretor de Marketing da Tetra Pak Brasil, trouxe um olhar mais estratégico sobre o momento vivido pela indústria de alimentos e bebidas. “Estamos em um momento de revolucionar categorias. O mundo está cada vez mais complexo e mais difícil de acompanhar. O hoje é o melhor momento para revisar o futuro que a gente almeja”, afirmou.

Segundo ele, as empresas que conseguirão se perpetuar serão justamente aquelas capazes de se reinventar continuamente. “As empresas que vão sobreviver são as que se reinventam em ciclos cada vez mais curtos”, destacou. 

Durante a apresentação, Zorzan trouxe uma reflexão baseada no conceito de “modernidade líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman. “A transformação exige que sejamos fluidos como a água, adquirindo o contorno conforme o meio em que estamos inseridos”, citou. A partir dessa lógica, o executivo apresentou o conceito de “ambidestria” dentro da estratégia da Tetra Pak: sustentar os negócios atuais enquanto se constrói o futuro.

Hoje, categorias consideradas tradicionais — como leite, creme de leite, leite condensado, leite aromatizado, sucos e néctares — ainda representam cerca de 75% do negócio da companhia. Porém, categorias adjacentes vêm ganhando força rapidamente. Entre elas estão refrescos, bebidas proteicas, bebidas funcionais, chás, leites fermentados e produtos prontos para consumo. “A categoria de adjacentes está alavancando o crescimento”, afirmou Zorzan. Segundo ele, essa classe adicionou mais de 1 bilhão de embalagens nos últimos seis anos, com crescimento de 88% no período.

O executivo afirmou ainda que, no futuro, as categorias adjacentes podem até ganhar mais relevância do que as tradicionais.

Inovação de ponta a ponta

Para apoiar esse movimento, a Tetra Pak estruturou uma estratégia baseada em cinco pilares: definição de categorias prioritárias e adjacentes, criação de uma área focada em novos negócios, aplicação de inteligência de mercado, desenvolvimento colaborativo de produtos e construção de uma rede de parceiros terceirizados.

Segundo Zorzan, a proposta da companhia é atuar “de ponta a ponta” junto aos clientes. “Trouxemos os clientes para dentro desse processo justamente para criarmos juntos”, explicou. É nesse contexto que o Centro de Inovação ao Cliente ganha protagonismo. Inaugurado originalmente em 2017 com investimento de R$ 40 milhões, o CIC de Monte Mor já participou de quase 300 lançamentos de produtos.

Com a modernização, o espaço passa a oferecer uma jornada mais digital e interativa, incluindo ferramentas inteligentes para apresentações, sessões colaborativas e desenvolvimento de soluções personalizadas. O ambiente reúne sala de ideias, sala de produtos, planta piloto e centro de treinamento técnico, permitindo desde a identificação de tendências até testes industriais e validação em escala. Segundo a companhia, o espaço atende empresas de diferentes portes — de grandes fabricantes a startups.

Zorzan destacou ainda que 2025 marcou a entrada da companhia em novas categorias e modelos de negócios, incluindo quatro novas marcas de bebidas de baixo teor alcoólico, três marcas de pet food e uma nova marca endossada pelo jogador Neymar. (Milkpoint)

Soja e milho recuam em Chicago após forte queda do petróleo

Oscilação do petróleo tem cada vez mais peso no mercado de grãos internacional, segundo analista

As oscilações do petróleo no mercado internacional direcionaram os preços dos grãos para baixo na bolsa de Chicago nesta quarta-feira (6/5). No caso da soja, os contratos para julho fecharam em queda de 1,38%, a US$ 11,9475 o bushel.

De acordo com Ronaldo Fernandes, diante de uma demanda cada vez maior por biocombustíveis nos EUA, o petróleo tem cada vez mais impacto para os valores dos grãos na bolsa americana. Hoje, o barril do fóssil caiu mais de 7%, e ainda influenciou o fechamento do milho. Os lotes com entrega para maio fecharam em baixa de 2,40%, a US$ 4,6850 o bushel.

“O consumo de soja e milho entre os americanos para a produção de biocombustíveis é o maior da história. Então faz sentido imaginar que as oscilações dos grãos estão muito mais relacionadas com o petróleo do que com outros fatores, como o clima”, disse.

Fernandes lembra que desde março o mercado sente os efeitos da mudança da política dos biocombustíveis americana. Naquele mês, os EUA consumiram 6,1 milhões de toneladas de soja, em comparação com as 5,2 milhões registradas um ano antes. Os americanos utilizam o óleo de soja para a produção de biodiesel, enquanto o milho é a principal matéria-prima do etanol no país.

No curto prazo, há dois fatores de atenção para o mercado, segundo o analista. O primeiro deles as questões de demanda, que podem voltar a impulsionar as cotações. Já pelo lado da oferta, com um ritmo de plantio acelerado nos EUA, e manutenção de clima favorável, as altas tanto para soja quanto para o milho são limitadas.

Trigo
O trigo também fechou a sessão com preços em queda. Os contratos do cereal para julho recuaram 1,67%, negociados a US$ 6,1725 o bushel.

Segundo Ronaldo Fernandes, o trigo respondeu a leve melhora nas condições de clima nas Grandes Planícies, maior região produtora do cereal nos EUA. (Globo Rural via Valor Econômico).


Jogo Rápido

1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina
Confira a transmissão completa do evento realizado durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, reunindo especialistas, produtores, indústria e autoridades para discutir os desafios e avanços no controle da brucelose e tuberculose bovina no Rio Grande do Sul.  Assista na íntegra: https://www.youtube.com/live/EvrFyDiTxyM (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 06 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.624


Secretaria da Agricultura divulga sua programação na Fenasul Expoleite 2026

A programação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) na 19ª Fenasul e 46ª Expoleite já está definida. As atividades da cadeia pecuária e leiteira ocorrem nos dias 14 e 15 de maio, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, com seminários técnicos, debates estratégicos e reuniões setoriais.

A agenda reúne especialistas, gestores públicos e representantes do setor para discutir temas como sanidade animal, acesso a mercados e sustentabilidade da produção. No dia 14, será realizado o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira, com foco nas diretrizes do Ministério da Agricultura, no panorama do serviço veterinário oficial e nas visões de produtores e da indústria.

No dia 15, o destaque será o evento “Tecnologias para Mitigação de Gases de Efeito Estufa na Cadeia Leiteira”, com palestras sobre leite de baixo carbono, geração de biogás a partir de resíduos e uso de dejetos na produção agropecuária, além da apresentação de um case prático no setor.

Também no dia 15, ocorrerá a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, voltada ao alinhamento de pautas estratégicas e ao fortalecimento da atividade no Estado.

Para o secretário da Seapi, Márcio Madalena, a programação reforça a integração entre tradição e inovação no campo. “Teremos uma série de seminários e atividades técnicas voltadas à qualificação de produtores e profissionais, além de aproximar o público urbano do meio rural”, destaca.

Considerada uma das principais vitrines do agronegócio e da produção leiteira no Rio Grande do Sul, a Fenasul Expoleite 2026 contará com atrações diversificadas e entrada gratuita de 13 a 17 de maio.

A Fenasul Expoleite é realizada pela Seapi e pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), com copromoção da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e da Prefeitura de Esteio.

Programação dos eventos da cadeia leiteira

14 de maio | 13h30

Auditório da Casa da Sanidade Animal – Parque de Exposições Assis Brasil

Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira

● 13h30 – Abertura e saudações, com Rogério Kerber, Marcos Tang e Márcio Madalena
● 14h – Representante do Mapa: Daniela Lacerda, coordenadora-geral de Programas Sanitários
● 14h30 – Panorama RS: Serviço Veterinário Oficial, com Rodrigo Teixeira Pereira (SFA/Mapa)
● 15h – Visão do produtor: Farsul/Fetag
● 15h30 – Visão da indústria: Sindilat/Apil/FecoAgro
● 16h – Acesso a mercados: Bernardo Todeschini e Leonardo Isolan, da Secretaria de Relações Internacionais (Mapa)

15 de maio | a partir das 8h30

Fenasul Expoleite – Auditório da Casa da Fundesa

Tecnologias para Mitigação de Gases de Efeito Estufa na Cadeia Leiteira
● 08h30 – 09h30 – Café de recepção e credenciamento dos participantes
● 09h30 – 10h – Abertura do evento e contextualização da importância das tecnologias de mitigação de gases de efeito estufa na cadeia leiteira
● 10h – 10h30 – Leite de baixo carbono, com Patrícia Fontoura (Lactalis)
● 10h30 – 11h – Valorização de resíduos agropecuários: potencial de geração de biogás no Vale do Taquari, com Camila N. Giovanella Stacke e Munique Marder (Univates)
● 11h – 11h30 – Uso de dejetos da produção animal em lavouras e pastagens, com Dr. Rodrigo da Silveira Nicoloso (Embrapa Clima Temperado)
● 11h30 – 12h – Case de sucesso – Fazenda Trevisan: mitigação de gases de efeito estufa na produção de leite, com Jean Trevisan (produtor rural)

15 de maio | 9h

Casa da Fundesa – Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio

Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados


GDT 403º registra alta no índice, mas volume menor reforça cautela no mercado global

O 403º leilão da Global Dairy Trade (GDT) apresentou alta de 1,5% no price index, interrompendo a sequência recente de recuos observada nos eventos anteriores.

O 403º leilão da Global Dairy Trade (GDT) apresentou alta de 1,5% no price index, interrompendo a sequência recente de recuos observada nos eventos anteriores. Apesar do avanço no índice, o preço médio dos produtos negociados foi de USD 4.127/tonelada. O resultado indica um mercado ainda oscilante, mas com sinais de sustentação em algumas categorias importantes, especialmente nos leites em pó.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos leites em pó, o leilão apresentou altas relevantes. O leite em pó desnatado (LPD) avançou 3,0%, atingindo USD 3.547/tonelada, enquanto o leite em pó integral (LPI), principal produto negociado no evento, registrou valorização de 2,2%, sendo cotado a USD 3.741/tonelada. Esse movimento indica maior sustentação para o segmento, após os ajustes observados nas últimas edições.

Gráfico 2. Preço médio LPI

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Entre os derivados, o comportamento foi misto. O leitelho em pó registrou a maior valorização do evento, com alta de 9,0%, sendo negociado a USD 3.467/tonelada. O movimento reforça a continuidade da valorização do produto, sustentado por uma menor disponibilidade do produto em meio à sazonalidade. A gordura anidra do leite também apresentou avanço, de 1,1%, atingindo USD 6.461/tonelada, enquanto a manteiga seguiu recuando, com retração de 2,6%, com preço médio de USD 5.525/tonelada.

Entre os queijos, a muçarela voltou a apresentar alta, desta vez de 4,7%, sendo negociada a USD 4.010/tonelada, mostrando recuperação após o recuo registrado no leilão anterior. O cheddar, por outro lado, apresentou queda de 3,6%, com preço médio de USD 4.611/tonelada. Já a lactose voltou a avançar, com valorização de 3,7%, atingindo USD 1.522/tonelada.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 05/05/2026

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado volta a recuar

Em relação ao volume negociado, o leilão registrou nova retração frente à edição anterior, totalizando 13.743 toneladas comercializadas, queda de 8,3% em relação ao 402º evento. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume foi 17,8% inferior, reforçando um cenário de menor disponibilidade de produtos no mercado internacional.  

Já em relação a demanda, o número de participantes voltou a crescer no leilão, atingindo 167 compradores. Esse movimento indica uma retomada gradual do interesse dos agentes, contribuindo para uma recuperação dos preços mesmo.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) seguiram com movimentações ainda especulativas, mas apresentaram leve recuperação em relação ao período do último leilão. O avanço observado nos contratos reflete, em parte, a melhora nos preços dos pós no GDT, especialmente do leite em pó integral e do leite em pó desnatado.

Ainda assim, o mercado futuro permanece sensível ao cenário internacional. A menor disponibilidade de produto na Oceania tende a dar suporte às cotações, enquanto as incertezas globais e a postura mais cautelosa dos compradores ainda limitam movimentos mais consistentes de alta. Dessa forma, o mercado segue buscando maior clareza sobre a evolução da oferta e da demanda nos próximos meses.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 403º traz uma leitura mista para o mercado brasileiro. A valorização dos leites em pó volta a indicar maior sustentação para os preços internacionais, especialmente em um cenário de menor volume negociado e oferta mais ajustada. Esse movimento pode reduzir parte da pressão de baixa observada nos últimos leilões e consequentemente a pressão vista nos preços internos, segundo as pesquisas MilkPoint Mercado.

Para o Brasil, a valorização do leite em pó integral e do leite em pó desnatado pode reduzir parcialmente a competitividade dos produtos importados, especialmente caso esse movimento se mantenha nos próximos leilões. Ainda assim, o câmbio segue como fator determinante: com o dólar em patamares mais baixos, os importados continuam encontrando espaço no mercado brasileiro, o que pode limitar avanços mais fortes nos preços internos.

No mercado nacional, os derivados seguem em fase de correção após as altas recentes, com sinais de maior cautela nas compras por parte do varejo e da indústria. No curto prazo, esse movimento tem pressionado as cotações, mesmo diante de uma oferta limitada pela entressafra. Dessa forma, a valorização dos preços domésticos está relacionada à evolução do mercado internacional, do câmbio, das importações e da demanda no mercado interno. (Milkpoint)

Com 28,4 milhões de trabalhadores, agro registra recorde de empregos em 2025

A população ocupada (PO) no agronegócio brasileiro alcançou o número recorde de 28,4 milhões de pessoas em 2025, o que representa crescimento de 2,2% em relação a 2024 (601,8 mil pessoas a mais). As informações constam no boletim “Mercado de Trabalho no Agronegócio Brasileiro”, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Com isso, a participação do setor na geração total de empregos no país passou de 26,1%, em 2024, para 26,3% em 2025. Por segmento, com exceção do setor primário (que registrou queda), todos os elos da cadeia apresentaram expansão, com destaque para os agrosserviços (6,1%), seguidos por insumos (3,4%) e agroindústria (1,4%).

A publicação apontou crescimento de 4,6% no número de trabalhadores com carteira assinada e de 3,2% entre os que trabalham por conta própria. Por nível de escolaridade, houve aumento da participação de trabalhadores com ensino superior (8,3%) e ensino médio (4,2%). Ainda de acordo com o boletim CNA/Cepea, a participação da mão de obra feminina cresceu 2,6%, enquanto a masculina avançou 1,9%.

O rendimento médio da população ocupada no agronegócio também registrou alta de 3,9% em 2025, na comparação com 2024, ficando 0,5 ponto percentual acima da média total de empregos, que foi de 3,4%.

Massa salarial 

A partir desta edição, o boletim passou a incluir um novo indicador: a massa salarial do agronegócio, que corresponde ao montante total de rendimentos do trabalho auferidos pelos ocupados em determinado setor ou na economia. O objetivo é avaliar não apenas a geração de empregos, mas também o poder de compra e o potencial de consumo associados à renda do trabalho.

Nesse contexto, a massa salarial total do agronegócio cresceu 7,2% em 2025 em relação a 2024, com destaque para a categoria “trabalhadores por conta própria”, que apresentou alta de 7,2%, e para “empregados e outros”, com crescimento de 6,7%.

As informações são da Assessoria de Comunicação do Sistema CNA/Senar.


Jogo Rápido

Prêmio Top RS Leite de Verdade: CCGL premiará produtores destaques na pecuária leiteira
A iniciativa da CCGL reconhece propriedades leiteiras e produtores do Rio Grande do Sul com base em critérios técnicos e produtivos, celebrando os resultados alcançados no setor. A produtividade e a gestão ganham destaque na programação da Fenasoja nesta quarta-feira, dia 06 de maio, com a cerimônia de entrega do Prêmio Top RS Leite de Verdade. A iniciativa da CCGL reconhece propriedades leiteiras e produtores do Rio Grande do Sul com base em critérios técnicos e produtivos, celebrando os resultados alcançados no setor. O evento ocorre às 19h00, no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, em Santa Rosa. Os vencedores foram definidos a partir de dados registrados na plataforma Smartcoop, ferramenta utilizada para o ranqueamento dos produtores que melhor representam as cinco categorias da premiação. Participam do concurso fornecedores de leite associados às cooperativas do sistema CCGL que aplicam os pilares do programa de gestão da cooperativa central. Entre os indicadores avaliados para a concessão do prêmio estão a produtividade da terra, a eficiência produtiva de sólidos, o desempenho reprodutivo, a eficiência econômica e uma distinção especial para a melhor média desses índices integrados, o prêmio da excelência na atividade. Para o Presidente da CCGL,  Caio Vianna, a premiação é importante porque reconhece não o animal mais produtivo, e sim o trabalho de integração dos produtores e técnicos na busca da máxima eficiência econômica. O Prêmio Top RS Leite de Verdade tem como objetivo valorizar práticas de manejo e gestão que elevam o potencial produtivo e a lucratividade, com foco também na qualidade e no bem-estar animal e humano. Integrada ao cronograma oficial da Fenasoja 2026, a solenidade reunirá produtores, técnicos e lideranças do agronegócio em um momento dedicado à troca de experiências e ao reconhecimento da evolução da cadeia leiteira gaúcha. As informações são da Assessoria de Imprensa da CCGL.


Porto Alegre, 05 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.623


Governo do Estado valida solução biológica inédita contra carrapato com aplicação por drone nas pastagens

Pesquisadores testam produto em Hulha Negra, com tecnologia que pode transformar o controle do parasita no campo

O governo do Estado, por meio de pesquisadores da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), avança na validação a campo de um produto biológico inédito para o controle do carrapato bovino, com aplicação direta nas pastagens por meio de drones. A fase mais recente dos testes ocorreu nesta semana em Hulha Negra, na Campanha gaúcha, marcando um novo passo rumo a uma alternativa mais sustentável ao modelo tradicional baseado em químicos. O Rio Grande do Sul concentra um dos principais focos de infestação de carrapato bovino nas Américas.

Desenvolvido pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), o projeto propõe uma mudança de paradigma: em vez de tratar o animal com produtos químicos, a estratégia atua no ambiente onde o carrapato passa a maior parte do seu ciclo de vida.

A iniciativa parte de uma lacuna tecnológica. Atualmente, não há produtos disponíveis, em escala pecuária, voltados ao controle de parasitas no ambiente. “A maior parte dos carrapatos está na pastagem, aguardando o hospedeiro. Mesmo assim, o controle segue concentrado no animal”, enfatiza o pesquisador e diretor do IPVDF, José Reck.

Reck explica que o estudo utiliza micro-organismos presentes no solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de atingir o carrapato sem causar danos aos bovinos, aos seres humanos ou ao ambiente. Esses agentes biológicos são concentrados em uma formulação e aplicados diretamente no campo, com apoio de drones, o que amplia a escala e a eficiência da operação.

“Projetos assim são fundamentais para avançarmos em soluções práticas diante de um problema recorrente no dia a dia dos produtores. A atuação técnica e a expertise da Secretaria da Agricultura permitem não apenas o desenvolvimento, mas também a validação de alternativas inéditas, mais sustentáveis e alinhadas às demandas atuais da pecuária”, destaca o secretário da Agricultura, Márcio Madalena.

Conhecimento e inovação

Iniciado no começo de 2025, o projeto está em fase de validação em escala real, com monitoramento contínuo das áreas experimentais. Atualmente, dois tratamentos estão em teste, com avaliação sistemática de custo-benefício. “A previsão é manter os experimentos até julho, quando a chegada do inverno reduz naturalmente a população de carrapatos, permitindo um balanço mais preciso dos resultados”, prevê Reck.

A proposta combina conhecimentos já consolidados na agricultura — onde o uso de micro-organismos no controle de pragas é amplamente difundido — com o manejo sanitário animal. “Trata-se de uma abordagem que considera todo o sistema produtivo, e não apenas o animal”, destaca a professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), diretora da Agência de Inovação e uma das pesquisadoras integrantes do projeto, Patrícia Golo.

Segundo ela, o diferencial está na atuação integrada sobre todas as fases do parasito. “Avaliamos a infestação nos bovinos, as fases no ambiente e a persistência do fungo no solo, em um experimento conduzido em escala próxima à realidade do produtor”, afirma.

A pesquisa representa um avanço em uma linha de trabalho iniciada em 2012 no IPVDF, voltada ao controle biológico de carrapatos. Até recentemente, os esforços estavam concentrados no desenvolvimento de soluções para aplicação direta nos animais. A mudança para o controle no ambiente marca um novo estágio da investigação.

Problema estrutural no RS

A combinação entre o uso predominante de raças europeias — mais suscetíveis — e condições climáticas favoráveis ao parasita ao longo do ano intensifica a infestação de carrapato bovino no Estado.

Como consequência, o Estado lidera o uso de carrapaticidas químicos, o que acelera o desenvolvimento de resistência. Esse cenário cria um ciclo difícil de romper: quanto maior o uso de químicos, menor sua eficácia ao longo do tempo, aponta Reck.

O médico veterinário da Seapi, Gabriel Fiori, reforça que esse tipo de experimento com insumos biológicos para o controle de carrapatos é uma estratégia fundamental diante da crescente resistência aos acaricidas químicos tradicionais, do aumento das exigências por sustentabilidade e da necessidade de reduzir resíduos em produtos de origem animal.

“O desenvolvimento e a validação dessas alternativas representam avanços importantes dentro do conceito de sustentabilidade econômica e ambiental da pecuária moderna”, observa Fiori.

Caminho para a sustentabilidade

O governo do Estado, por meio da a Seapi, tem investido em alternativas ao controle convencional, incluindo o uso racional de medicamentos e práticas de manejo, como a rotação de pastagens. O novo projeto amplia esse esforço ao propor uma solução de base biológica, com potencial de reduzir impactos ambientais, riscos à saúde e custos no longo prazo.

“Se os resultados se confirmarem, a tecnologia poderá representar uma mudança significativa no controle de carrapatos no campo, alinhando produtividade e sustentabilidade na pecuária gaúcha”, avalia o pesquisador José Reck. (Seapi)


GDT - Global Dairy Trade

Fonte: GDT editado pelo Sindilat/RS

Argentina reforça controle sanitário na produção de leite mirando exportações para União Europeia

O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA) da Argentina estabeleceu um novo marco regulatório para os estabelecimentos de produção primária de leite com o objetivo de fortalecer a competitividade do setor lácteo em mercados internacionais altamente exigentes, como a União Europeia e o Reino Unido.

Através da Resolução 200/2026, publicada no Diário Oficial, fixam-se condições sanitárias, estruturais e de controle que deverão ser cumpridas pelas fazendas leiteiras que abastecem indústrias lácteas destinadas à exportação. Esta normativa busca garantir padrões internacionais em matéria de inocuidade alimentar, rastreabilidade e bem-estar animal.

Um novo esquema de habilitação para fazendas exportadoras

A medida introduz um sistema de habilitação obrigatória para os estabelecimentos de produção primária que integram a cadeia exportadora láctea. Para operar sob este esquema, as fazendas deverão solicitar a aprovação perante o SENASA e demonstrar o cumprimento de requisitos técnicos e sanitários específicos.

As inspeções estarão a cargo de veterinários oficiais, que avaliarão as condições de produção, infraestrutura, manejo sanitário e cumprimento de protocolos de qualidade. Além disso, a normativa incorpora a figura de um médico veterinário privado como corresponsável sanitário do estabelecimento, reforçando o sistema de controle e acompanhamento permanente das condições produtivas.

Requisitos sanitários e produtivos para a exportação de leite

O novo esquema regulatório estabelece um conjunto de exigências alinhadas com os padrões internacionais dos principais mercados compradores de produtos lácteos. Entre os principais aspectos, incluem-se:

Controle sanitário integral do rebanho leiteiro.

Protocolos de higiene na ordenha e armazenamento do leite.

Registros de rastreabilidade desde o estabelecimento primário até a indústria processadora.

Aplicação de boas práticas de produção leiteira.

Cumprimento de normas de bem-estar animal reconhecidas internacionalmente.

Estes requisitos buscam assegurar que o leite produzido na Argentina cumpra com os padrões exigidos por mercados como a União Europeia, que mantém uma das regulações mais estritas do mundo em matéria de segurança alimentar.

Exportações lácteas e exigências do mercado internacional

O setor lácteo argentino faz parte de um complexo agroindustrial com forte orientação exportadora, especialmente em produtos como leite em pó, queijos e derivados industrializados. A demanda internacional impulsionou a necessidade de fortalecer os sistemas de controle na origem para garantir o acesso a mercados premium.

Nos últimos anos, organismos internacionais como a FAO destacaram a importância da rastreabilidade e da biossegurança como fatores determinantes para o comércio global de alimentos de origem animal. Neste contexto, a adequação normativa impulsionada pelo SENASA alinha-se com tendências globais que priorizam a transparência na cadeia de produção e a certificação sanitária como requisito indispensável para o comércio internacional.

Rastreabilidade e bem-estar animal como eixos centrais

Um dos pilares da nova regulação é a rastreabilidade completa do produto lácteo, desde o estabelecimento primário até sua industrialização e exportação. Este sistema permite identificar a origem de cada lote de produção e melhorar a capacidade de resposta perante eventuais alertas sanitários.

Da mesma forma, o bem-estar animal adquire um papel central dentro da normativa, em linha com padrões internacionais adotados pela União Europeia e outros mercados de alto valor. Isso inclui condições de alimentação, manejo, saúde e ambiente dos animais em produção.

Impacto na competitividade do setor lácteo argentino

A implementação destes padrões representa um desafio de adaptação para os produtores, mas também uma oportunidade estratégica para melhorar a competitividade do setor lácteo argentino no comércio internacional.

O cumprimento de requisitos sanitários mais rigorosos pode facilitar o acesso a mercados de maior valor, reduzir barreiras técnicas ao comércio e melhorar a percepção de qualidade dos produtos argentinos. Além disso, a formalização de processos e a incorporação de controles mais rígidos contribuem para fortalecer a eficiência produtiva e a sustentabilidade do sistema lácteo.

Em um cenário global onde a segurança alimentar e a qualidade são fatores determinantes, estas medidas contribuem para consolidar a inserção do setor lácteo argentino no comércio internacional de alto valor agregado.

As informações são da E-Aduana, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint. 


Jogo Rápido

Grupo Piracanjuba avança no digital e amplia presença em buscas e inteligência artificial
O Grupo Piracanjuba avançou em sua estratégia digital ao implementar um modelo de conteúdo orientado por dados, com foco em SEO (Search Engine Optimization, otimização para mecanismos de busca) e GEO (Generative Engine Optimization, otimização para respostas em inteligência artificial). Desenvolvida em parceria com a BASE Digital, consultoria de tecnologia especializada em transformação digital, a iniciativa teve como objetivo ampliar a presença da marca em buscadores e plataformas de inteligência artificial (IA), acompanhando a mudança na jornada de consumo. Os resultados indicam ganho relevante de visibilidade. O blog institucional superou 11 milhões de impressões, com crescimento de quase 50% em menos de um ano, além de registrar 673 mil cliques orgânicos. O desempenho consolida o canal como um ponto de contato relevante para consumidores em busca de informações sobre categorias como leite, queijos e produtos zero lactose. Nas plataformas de inteligência artificial, o avanço foi ainda mais expressivo. As menções à marca cresceram 244% em 2025, com centenas de páginas do site sendo utilizadas como fonte em respostas automatizadas. “Hoje, não basta um site institucional aparecer em buscadores como o Google. As marcas precisam ser fontes de referência para respostas generativas de Inteligência Artificial sobre a empresa”, afirma Guilherme Corsetti, co-CEO da BASE Digital. Dentro da estratégia, um dos destaques foi o reposicionamento digital da linha ProForce, voltada a bebidas e suplementos proteicos. Após o rebranding, o site passou a operar com foco em performance e experiência do usuário, incorporando ferramentas como uma calculadora de proteínas. A iniciativa gerou mais de 1 milhão de impressões e 16 mil cliques orgânicos, além de posicionar a marca entre os primeiros resultados do Google para mais de 270 palavras-chave estratégicas. O impacto nas plataformas de IA também foi significativo para a linha, com crescimento de 900% nas menções ao longo do ano, reforçando o papel do conteúdo estruturado como ativo estratégico para visibilidade e construção de marca. Segundo Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba, o movimento está alinhado à estratégia de fortalecimento da relação com consumidores nos canais digitais. “O objetivo é transformar os sites institucionais em uma fonte de informação confiável, conectando o conteúdo produzido pelos nossos especialistas às dúvidas frequentes dos consumidores. A estratégia digital ajudou a ampliar a visibilidade das marcas no digital em um momento em que as plataformas de inteligência artificial ganham cada vez mais protagonismo na jornada do consumidor”, afirma. As informações são do Super Varejo, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Porto Alegre, 04 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.622


Lactalis dá largada na ampliação produtiva da planta de Teutônia

Com o objetivo de elevar a produção de lácteos no Rio Grande do Sul, das atuais 304 mil toneladas para 453 mil toneladas até 2028, a Lactalis Brasil deu a largada rumo à meta, com ampliação das linhas produtivas de manteiga e whey fit, ambas na planta do município de Teutônia. As duas iniciativas fazem parte do pacote de investimentos de R$ 400 milhões que serão realizados em cinco unidades industriais no Estado, anunciados pela multinacional francesa em agosto de 2025. “Os aportes serão fracionados: começamos com a manteiga que ainda está em rampa de crescimento, mas chegará a 1.500 toneladas ao mês, e de whey fit, que saltará para 3 mil toneladas ao mês. Investimentos já finalizados ainda em 2025”, afirma o diretor de comunicação, assuntos corporativos e regulatórios da Lactalis Brasil, Guilherme Portella.

Além de Teutônia, estão em fase de operacionalização os aportes para incremento produtivo de requeijão, na planta de Santa Rosa, de whey protein e mussarela, em Três de Maio, e também de queijo prato, em Ijuí. “Todos com previsão de crescimento em produção, mas ainda não foram realizados, pois teremos prazo maior para concretização”, diz Portella. A intenção é obter ganho substancial no processamento de queijos e, até o final de 2028, produzir 100 mil toneladas por ano, 70% mais do que as atuais 58 mil toneladas.

O executivo afirma que a efetivação de todos os projetos depende da compra de novas máquinas, contratação de mão de obra, definição de layout das fábricas e incremento gradual na captação de leite pela empresa no Estado, cujo aumento foi de 8%, em 2025. “É uma iniciativa de fomento agropecuário para melhoramento genético e, consequentemente, uma melhor qualidade e produtividade no campo. Foi um ano em que o setor todo e a produção cresceram no Brasil e no Rio Grande do Sul. E a Lactalis acompanhou”, avaliou.

Portella preferiu não projetar o percentual de captação para 2026, mas apostou na continuação de uma curva ascendente no Estado. “A intenção é de aumento, pois seguimos em processo de expansão geral da produção. Temos uma ideia de, até 2030, captar no Brasil cerca de 4 bilhões de litros de leite. Vamos fechar o ano com 2,9 bilhões de litros de leite.” Para chegar nesse patamar, o executivo diz que a base será a aplicação de novas tecnologias e incremento na contratação de mão de obra.

Dentro dos R$ 400 milhões em investimentos, também estão previstas as expansões de dois centros de distribuição localizados nos municípios de Ijuí e Teutônia, e conforme Portella, ambos ainda não foram iniciados.

Ficha Técnica
Investimento: R$ 400 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Lactalis Brasil
Cidade: Teutônia
Área: Indústria

As informações são do Jornal do Comércio


LEITE/CEPEA: Com oferta limitada, preço do leite sobe 10,5% em março

Cepea, 30/04/2026 – O preço do leite pago ao produtor subiu em março/26 pelo terceiro mês consecutivo, cumprindo a expectativa dos agentes de mercado de que a redução na oferta puxaria para cima as cotações em intensidade superior que a observada nos meses anteriores. De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta foi de 10,5% frente a fevereiro, levando a “Média Brasil” a R$ 2,3924/litro. O preço, contudo, ainda está 18,7% abaixo do registrado em março/25, em termos reais. No primeiro trimestre de 2026, a elevação acumulada é de 17,6% e a média, de R$ 2,2038/l, sendo 23,6% menor que a registrada no mesmo período do ano passado (os valores foram deflacionados pelo IPCA de março/26).

O movimento de alta seguiu sendo explicado pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru, já que a oferta seguiu restrita. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,9% de fevereiro para março na Média Brasil, acumulando queda de 11,1% neste primeiro trimestre. O recuo na produção ocorre devido à sazonalidade (que afeta negativamente a oferta de pastagem e eleva o custo com a nutrição animal) e à maior cautela de investimentos na atividade diante de margens mais estreitas ao longo de 2025. Segundo a pesquisa do Cepea, em março/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 0,46% na “Média Brasil” – acumulando avanço de 2,11% no primeiro trimestre. 

Com a menor disponibilidade de leite, a produção de lácteos também ficou mais limitada, e os preços de derivados seguiram aumentando em março. Levantamento realizado pelo Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostra que o leite UHT se valorizou 18,3% e a muçarela, 6,1%, de fevereiro para março, em termos reais. Os preços seguiram tendência altista até a primeira quinzena de abril, mas, a partir de então, as negociações já ficaram mais travadas e os valores passaram a se enfraquecer. 

Ao mesmo tempo, as importações cresceram 33% em março, somando, no primeiro trimestre de 2026, uma aquisição de 604 milhões de litros em equivalente leite (EqL) – apenas 0,9% menor do que no mesmo período do ano passado.

A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização em abril, mas esse movimento deve perder intensidade a partir de maio. Isso porque o consumo mostra resistência aos preços mais altos na gôndola, afetando as cotações dos derivados. Ao mesmo tempo, importações seguem sustentadas e existe expectativa de reação da produção – o que eleva a cautela da indústria em realizar novos repasses ao campo entre maio e junho.

As informações são do Cepea

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1917 de 30 de abril de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 

Os rebanhos apresentam escore de condição corporal adequado, e houve aumento no uso de suplementação, especialmente com silagem, para sustentar os níveis de produção. Referente ao aspecto sanitário, as condições estão sob controle na maior parte das propriedades. As condições meteorológicas mais amenas têm favorecido o conforto térmico dos animais. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção segue em queda em função da limitação na oferta de forragem verde de boa qualidade. Neste período, ainda é insignificante a disponibilidade de pastagens de aveia em condições adequadas de uso. Os produtores com reservas de silagem e feno, de modo geral, enfrentam menores perdas, assim como aqueles que ainda dispõem de forrageiras perenes de verão. 

Na de Caxias do Sul, a condição corporal e a sanidade dos animais estão ideias, e não houve restrição alimentar. O bem-estar das vacas foi favorecido pelas temperaturas mais amenas ao longo da semana. 

Na de Erechim, as condições gerais dos rebanhos estão satisfatórias, e há boa disponibilidade de água e sanidade.  

Na de Ijuí, a produção seguiu estável em relação ao período anterior e o tempo mais úmido provocou aumento de barro nos locais de descanso e de ordenha dos animais, dificultando a higiene das operações. 

Nas de Passo Fundo e Santa Maria, o cenário é de estabilidade produtiva. Os rebanhos apresentam bom escore corporal, embora a transição para as pastagens de inverno tenha exigido maior aporte de silagem na dieta.   

Na de Santa Rosa, as condições meteorológicas mais amenas melhoraram o conforto térmico dos animais, favorecendo a produção de leite, a manutenção dos teores de sólidos, a maior expressão de cio e eficiência na sua detecção, com reflexos positivos nas taxas de prenhez. Os produtores intensificaram a suplementação com silagem. Seguem as ações de controle de carrapatos e prevenção de tristeza parasitária bovina. A contagem bacteriana total está, em geral, dentro dos padrões, mas há maior dificuldade em manter a contagem de células somáticas nos níveis recomendados.

As informações são da Emater/RS editadas pelo Sindilat/RS


Jogo Rápido

Boletim Agrometeorológico da Seapi
O Boletim Integrado Agrometeorológico 18/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) aponta que na segunda-feira (4/5), a atuação da massa de ar seco e frio deverá manter o tempo estável em grande parte do território gaúcho. Na terça-feira (5/5) e na quarta-feira (6/5), o padrão de circulação atmosférica deverá ajudar a transportar umidade para algumas localidades do estado. Dessa forma, há previsão de chuva em diferentes áreas, e as temperaturas deverão voltar a apresentar leve elevação. No dia 5/5, a chuva deverá ser fraca e ocorrer apenas em pontos isolados da metade norte. Já no dia 6/5, poderá variar de fraca a moderada e ocorrer principalmente na metade sul. Nas demais regiões, não há previsão de chuva significativa. De forma geral, os acumulados de precipitação deverão variar entre 5 mm e 100 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados a leste que podem ultrapassar esse valor. O Boletim Agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (As informações são da SEAPI)


Porto Alegre, 30 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.621


Assinado o decreto de promulgação do acordo entre Mercosul e União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto de promulgação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), que entra em vigor provisoriamente nesta sexta-feira, 1 de maio de 2026. O pacto entre os blocos avançou após mais de 25 anos de negociações.

Durante a cerimônia, Lula defendeu relações multilaterais entre as nações: “Se o Brasil aprender a se respeitar, vamos negociar igualdade de condições com qualquer país”, disse. Segundo ele, o país adotará a mesma postura em futuros acordos, como fez nas tratativas com a União Europeia.

Em relação ao cenário global recente, marcado pelo aumento de tarifas promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que Brasil e União Europeia deram uma resposta ao mundo de que “não existe nada melhor” do que acreditar na democracia, no multilateralismo e nas relações cordiais entre as nações. “Não existe saída individual para nenhum país nesse mundo de comércio”, reforçou.

Outros acordos comerciais

O presidente também encaminhou duas mensagens ao Congresso Nacional referentes aos acordos de Mercosul com Singapura e Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA. Lula afirmou que o Brasil trabalha para concluir o tratado comercial com o Canadá.

Como mostrou o Valor em março, o acordo entre Mercosul e Canadá ainda tem temas sensíveis a serem alinhados, como o acesso a carne, lácteos, frango e ovos, além de divergências sobre regras de indicação geográfica. Ainda assim, essas questões não devem impedir a conclusão do tratado, prevista para este ano.

Incorporação da Colômbia ao Mercosul

Lula declarou ainda que o Brasil articula a incorporação da Colômbia ao Mercosul — atualmente formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão — e sinalizou que outros países também podem vir a integrar o bloco.

O presidente também mencionou o que classificou como “problema” relacionado ao excesso de produção e à importação de leite do Uruguai e da Argentina. Ele defendeu a necessidade de equilíbrio “para que todos se sintam confortáveis”.

A importação de leite e derivados pelo Brasil tem gerado pressão sobre o mercado nacional em 2026. Isso fez com que, em março, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) protocolasse proposta na Câmara dos Deputados para investigar os impactos dessas compras externas sobre a renda de produtores nacionais. Grande parte desses produtos estão vindo da Argentina e Uruguai.

Acordo Mercosul-UE

O acordo comercial reúne países que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões, além de estabelecer uma zona de livre comércio entre o Mercosul (composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e os 27 países da União Europeia. Atualmente, a UE é o segundo principal parceiro comercial do Brasil.

O tratado deve eliminar de forma progressiva tarifas em cerca de 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% pela União Europeia. A redução ocorrerá de forma gradual, com prazos que variam entre quatro e quinze anos. O texto também prevê uma série de regras para salvaguardas comerciais, especialmente em setores considerados sensíveis.

A nova etapa do acordo ocorre após o Brasil notificar oficialmente a Comissão Europeia, em 18 de março, sobre a conclusão dos procedimentos internos de ratificação. A União Europeia, por sua vez, notificou o Brasil em 24 de março. Com isso, foram cumpridos os requisitos para a entrada em vigor provisória do acordo a partir de 1º de maio.

Apesar de já ter sido aprovado nos parlamentos do Mercosul e da União Europeia, o acordo ainda passa por avaliação jurídica no bloco europeu. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu submeter o texto a uma revisão pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o que pode atrasar a entrada em vigor plena do tratado. A emissão de um parecer desse tipo costuma levar em média entre 18 e 24 meses.

No dia 23 de abril, Lula classificou como “coisa de gente ciumenta” a decisão dos eurodeputados de acionar o TJUE para questionar o pacto comercial. Segundo ele, a ação não seria um entrave para os avanços das negociações entre Mercosul e UE. Ele ainda reiterou que o Brasil não pretende “destruir” os produtos europeus, mas construir uma política de complementaridade entre os blocos.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Banco Central reduz taxa Selic para 14,5% ao ano

Resultado já era projetado por analistas de mercado, que apontavam a segunda diminuição seguida de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (29), reduzir a taxa básica de juro em 0,25 ponto percentual. Assim, a Selic fica em 14,5% ao ano. 

A leve redução já era projetada por analistas de mercado, que apontavam a segunda diminuição seguida de juros. Em março, o Copom reduziu o juro também em 0,25 ponto percentual, após uma sequência de reuniões que optaram pela manutenção da taxa Selic em 15% ao ano.

Segundo comunicado do Copom, a diminuição contida é reflexo do ambiente externo que "permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio". 

O cenário global, conforme o Comitê, "exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities".

Ao comunicar a queda da taxa básica de juro, o colegiado disse que a "decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante". Também afirmou que a decisão não gera prejuízo na estabilidade de preços.

O que é taxa Selic?
A Selic é utilizada para balizar o mercado de crédito geral. Ela serve de parâmetro para todas as outras taxas de juros das mais diversas operações, sejam elas de aplicações e investimentos ou de financiamento imobiliário, por exemplo.

Junto à inflação oficial medida pelo IPCA, a taxa Selic serve para aquecer e garantir a estabilidade da atividade econômica brasileira. Em patamares baixos, possibilita maior tomada de crédito e financiamentos.

Em patamares elevados, ajuda a conter o avanço da variação de preços, já que limita o consumo e, consequentemente, freia a inflação. (Zero Hora)

Sistema FIERGS alerta para riscos do fim da escala 6x1 sobre emprego e economia

Retração no emprego, aumento da informalidade e queda no Produto Interno Bruto (PIB) estão entre os possíveis impactos da redução jornada de trabalho e extinção da escala 6x1, conforme alertou o Sistema FIERGS durante reunião-almoço na sede da entidade, em Porto Alegre, nesta segunda-feira (27). A matéria está em tramitação no Congresso Nacional por meio de propostas de emenda à Constituição (PECs). Recentemente, o governo federal também encaminhou um projeto de lei (PL) sobre o tema. O deputado federal Lucas Redecker foi convidado para esclarecer pontos da tramitação e conhecer os pontos de vista da indústria gaúcha.

O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, afirmou que a pauta exige responsabilidade e equilíbrio. “Trata-se de uma mudança estrutural. Assim, não pode avançar sem um debate amplo e responsável com a sociedade, especialmente em um ano eleitoral. Os impactos são relevantes”, destacou. Segundo estimativas, a redução de jornada para 40 horas semanais pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com trabalhadores formais. Na indústria, esse aumento pode chegar a R$ 88 bilhões. “Há, ainda, projeções de queda no PIB. A FIERGS acompanha de perto a realidade do chão de fábrica das micro e pequenas empresas. No cotidiano, junto aos trabalhadores, o sentimento não é de reivindicações por mudanças repentinas, mas de preocupação com a preservação de empregos e geração de renda”, acrescentou. 

O deputado Lucas Redecker explicou a tramitação das PECs no Congresso, enfatizando que a comissão especial da Câmara dos Deputados será o espaço para discutir ajustes e possíveis compensações ao setor produtivo. Ele também reforçou que a população em geral precisa estar informada de todos os riscos que a medida pode trazer. “Os prejuízos ao gerador de empregos irão impactar o consumidor e o empregado. Isso pode aumentar a informalidade no país. Por isso, não se trata de ser favorável ou contrário, mas de buscar meios de compensação. Como vamos trabalhar na redução dos impactos?”, questionou.  

Entre as possíveis medidas compensatórias, que devem ser construídas juntamente com o setor produtivo, estão uma transição adequada para a nova jornada e a desoneração da folha de pagamento para os segmentos. Durante o encontro, também foi citada a PEC do Jovem Aprendiz, formulada com contribuições técnicas do Sistema FIERGS, que permite que jovens menores de 18 anos atuem em atividades enquadradas pela legislação como insalubres ou perigosas, sob condições de emancipação ou formação técnica. “É uma forma de tentar diminuir os danos. Aumenta a mão de obra de jovens formados pelo Senai, por exemplo, e que, muitas vezes, ficam num limbo de dois anos”, disse o coordenador do Conselho das Relações do Trabalho (Contrab) do Sistema FIERGS, Guilherme Scozziero. Ele também enfatizou que é preciso separar escala e jornada de trabalho. “As escalas devem ser tratadas nas negociações. A jornada máxima é que será estipulada pela Constituição”, ponderou.

Coordenador do Conselho de Articulação Política (Coap) do Sistema FIERGS, Diogo Paz Bier destacou a mobilização da federação junto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e afirmou que o Brasil pode estar perdendo competitividade. “Por um lado, temos o acordo entre Mercosul e União Europeia, que amplia nossas oportunidades de mercado. Mas, por outro, estamos perdendo a oportunidade de sermos competitivos com essa pauta da redução de jornada, ao aumentar o custo de quem produz no país”, refletiu. (Fiergs)


Jogo Rápido

Fenasoja terá fóruns sobre suinocultura, brucelose e tuberculose
A Fenasoja, que ocorre de 1º a 10 de maio em Santa Rosa, terá um dia dedicado à sanidade animal, com a realização de dois fóruns na quarta-feira (6/5): o 2º Fórum Estadual de Sanidade Suína, às 10h, e o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina, às 14h. Os encontros são organizados pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). O 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina vai discutir a importância da prevenção e do controle dessas enfermidades. A programação contará com palestras com experiência nas suas áreas, com a visão da Indústria de Laticínios, do produtor rural, do Fundo de Apoio – Fundesa, e do Serviço Veterinário Oficial Estadual. “Santa Rosa está inserida numa das principais regiões produtoras de leite do estado. Sediar o Fórum na Fenasoja tem como finalidade mobilizar e sensibilizar a cadeia de produção em relação ao tema”, explica a fiscal estadual agropecuária Ana Cláudia Groff, do Programa de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal da Seapi. Os dois fóruns ocorrerão no Palco Semear, na Exporural. (SEAPI adaptado pelo Sindilat/RS)