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Porto Alegre, 28 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.619


Conseleite sinaliza recuperação e valor projetado para o leite é de R$ 2,5333 em abril

O valor de referência projetado para o leite no Rio Grande do Sul em abril é de R$ 2,5333. A previsão, divulgada nesta terça-feira (28/04) pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS), representa alta de 10,47% em relação ao projetado para o mês de março, que foi de R$ 2,2932. O encontro reuniu representantes da cadeia produtiva na sede da Federação da Agricultura do RS (Farsul), integrando produtores, indústrias e lideranças das entidades do setor.

O Conseleite/RS também divulgou o valor consolidado do litro em março de 2026 em R$ 2,3721, 11,67% acima do dado final de fevereiro (R$ 2,1243). Os indicadores divulgados pelo Conseleite são elaborados pela UPF com base em dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês.

Os dados indicam recuperação real do mercado do leite no Rio Grande do Sul depois de um período longo de queda e de dificuldades de remuneração no campo e na indústria. A sinalização de alta veio nos primeiros meses do ano de forma mais tímida e se consolida com os dados apresentados nesta terça-feira. Otimista, o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes (Fetag), pontuou a força e a legitimidade do Conseleite para apaziguar as relações no segmento. “Quando o mercado está em baixa, se bate na metodologia e nos cálculos. Este momento é ideal para reforçar a importância desse colegiado e sua legitimidade. Temos a prova real dessa metodologia que são os demais Conseleites do Brasil. Estamos realmente captando a tendência do mercado”, garantiu Prestes. Posição compartilhada pelo vice-coordenador do Conseleite, Darlan Palharini (Sindilat). “Estamos em um bom momento. Precisamos trabalhar agora para manter esses preços por mais tempo, e isso passa por garantir o escoamento do leite brasileiro para diferentes mercados. Apesar de o poder de compra do brasileiro ser baixo e do alto endividamento das famílias, o ano eleitoral deve ajudar a injeção de recursos na economia com a antecipação dos 13º salários dos aposentados e liberação de recursos do FGTS”, salientou. Contudo, Palharini alertou que a produção no campo deve se recuperar nos próximos meses no mercado doméstico. Sugeriu ainda que as entidades participantes do Conseleite fiquem atentas para coibir o aumento das importações de leite da Argentina, tendo em vista a alta produção daquele país.

Durante a reunião, o Conseleite também deliberou pelo envio de ofício aos Ministérios da Agricultura e Pecuária, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar como forma de alerta ao governo federal sobre a crise decorrente do excesso de importações de leite pelo Brasil. Prestes frisou que é essencial manter o tema na pauta dos ministros para garantir o enfrentamento constante da situação.


O futuro da produção de leite: relatório McKinsey revela quais devem ser as prioridades do setor

A pesquisa anual da empresa de consultoria McKinsey & Company, realizada com executivos de laticínios na América do Norte e Europa, mostra uma indústria que enfrenta intensa pressão de custos e margens, mesmo com o crescimento da demanda. Entenda a agenda de liderança para o próximo ano.

Nos primeiros meses de 2026, os laticínios nos Estados Unidos e na Europa encontram-se operando em um ambiente desafiador: definido por inflação de custos persistente, restrições de mão de obra, volatilidade de insumos e incerteza crescente em relação ao comércio e regulamentação, particularmente na Europa. Ao mesmo tempo, os riscos do lado da oferta estão aumentando à medida que os produtores lidam com questões de saúde animal (como a gripe aviária altamente patogênica, a larva-varejeira do Novo Mundo e a língua azul), além de interrupções relacionadas ao clima e restrições estruturais no crescimento da oferta de leite em diversos mercados europeus.

Ainda assim, a demanda principal permanece resiliente. Os consumidores continuam a priorizar os laticínios como uma fonte primária de nutrição, sustentando o crescimento em categorias-chave mesmo em um cenário macroeconômico mais cauteloso. Para os executivos, essas correntes cruzadas se traduzem em um imperativo claro: proteger as margens e a execução no curto prazo, enquanto investem seletivamente em temas de crescimento duradouros — mais notavelmente, a inovação liderada por proteínas.

Sobre a pesquisa

Foram entrevistados, conjuntamente, 204 executivos do setor de laticínios (116 nos EUA e 88 na Europa) e conduziram entrevistas com 41 executivos. Os participantes vieram de diversos tipos de empresas — incluindo processadores, varejistas e empresas de embalagens. A maioria das empresas participantes tem sede nos EUA e na Europa (Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Espanha e Reino Unido).

Quais são as principais prioridades dos executivos de laticínios?

Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, a gestão de custos e o crescimento de volume estão entre as principais prioridades estratégicas. As prioridades dos executivos americanos são amplamente semelhantes às do ano passado. O talento está no topo da agenda dos líderes dos EUA, mas é menos prioritário na Europa. A sustentabilidade, por outro lado, continua sendo uma prioridade máxima na Europa, mas não nos Estados Unidos.

Disciplina de custos e margens

Em todas as regiões, a inflação de custos e a volatilidade dos preços das commodities continuam a comprimir as margens. Aproximadamente 65% dos entrevistados nos EUA classificam a gestão de custos entre suas três principais prioridades — em linha com 2024 (69%) e acima de 2023 (48%) — refletindo aumentos sustentados nos custos de matérias-primas e logística. Os líderes europeus relatam pressão semelhante.

Essas pressões são evidentes nos resultados das margens. Nos EUA, quase 70% das empresas de laticínios pesquisadas relataram margens estagnadas ou decrescentes em 2025. A Europa mostra uma dinâmica comparável, com 57% relatando o mesmo cenário. "Os altos custos de matérias-primas e logística espremeram nossas margens, forçando-nos a buscar eficiências em outras áreas do negócio.", apontou um executivo de laticínios da América do Norte.

Crescimento de receita e volume

Em ambos os mercados, o crescimento de receita e volume continua sendo prioridade estratégica. Cerca de 55% dos processadores americanos e 65% dos europeus classificam o crescimento de volume como prioridade máxima. Os líderes europeus são mais contidos: cerca de 40% esperam que seus volumes permaneçam estáveis ou diminuam, possivelmente refletindo preocupações com restrições de oferta. O otimismo quanto à receita é compartilhado: 87% dos entrevistados americanos e 84% dos europeus antecipam aumentos de receita nos próximos três anos, impulsionados pela demanda por proteína.

Talentos e mão de obra

Este é um ponto de grande divergência. Nos EUA, 61% citam o talento como prioridade máxima, enfrentando desafios na retenção de mão de obra fabril e operacional. Na Europa, apenas 18% citam o talento como prioridade estratégica no nível do processador, embora a escassez de mão de obra seja uma preocupação nas fazendas.

Iniciativas de sustentabilidade

Na Europa, 53% dos executivos classificam a sustentabilidade entre suas três principais prioridades, contra apenas 16% nos EUA. O foco mudou de narrativas amplas de ESG para uma execução pragmática: conformidade regulatória, redução de emissões e eficiência operacional (como redução de metano e otimização de água e energia).

"As pessoas podem dizer que querem alimentos sustentáveis, mas, no momento, os consumidores não estão preparados para pagar por isso." — Executivo de laticínios europeu.

As preocupações dos líderes são consistentes com suas prioridades?

Nos EUA, as preocupações (lucratividade e economia doméstica) estão alinhadas com as prioridades. Já na Europa, há uma desconexão: os líderes citam a segurança de suprimento (45%) e a escassez de mão de obra (37%) como maiores preocupações, à frente da lucratividade. Isso reflete um ambiente onde restrições estruturais e regulamentações ambientais mais rigorosas moldam o que é viável.

O envelhecimento da população agrícola agrava essas pressões. 64% dos executivos expressam preocupação com a sucessão nas fazendas, notando que o número de agricultores diminui mais rápido do que o volume de leite, sinalizando uma fragilidade estrutural.

O papel da inteligência artificial e da tecnologia

Embora os líderes reconheçam o potencial de produtividade da inteligência artificial, a adoção é seletiva. Cerca de 70% das organizações estão em fases piloto. Barreiras incluem preocupações com segurança, falta de expertise e ROI (retorno sobre investimento) incerto.

No entanto, a McKinsey nota um fosso de desempenho: líderes digitais em mercados de consumo e agrícolas geraram retornos totais aos acionistas significativamente maiores entre 2019 e 2024 do que seus pares, sugerindo que o investimento digital será um diferencial competitivo crucial.

Conclusões

O sucesso para os líderes de laticínios em 2026 exige foco e determinação, fundamentando-se em um manual estratégico que prioriza a proteção das margens por meio de uma gestão de custos rigorosa e disciplina operacional. De acordo com a consultoria, as empresas devem buscar a expansão lucrativa de volume ancorada na inovação de proteínas, ao mesmo tempo em que estabilizam seus pipelines de talentos, especialmente em funções operacionais qualificadas para capturar a próxima onda de crescimento.

Esse caminho envolve ainda a priorização de uma sustentabilidade pragmática, capaz de entregar impacto mensurável e valor ao negócio, além de investimentos deliberados em inteligência artificial com casos de uso claros e responsabilidade econômica. Em última análise, os líderes que combinarem essa execução disciplinada com aportes sustentados nas capacidades essenciais estarão melhor posicionados para enfrentar a volatilidade e prosperar no setor.

As informações são da McKinsey & Company, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2% em 2025

Avanço foi sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro avançou 12,2% em 2025 sobre o ano anterior, sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional, que também impulsionou os agrosserviços. Os números, divulgados ontem, foram calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Segundo o Cepea/CNA, o PIB do agronegócio alcançou R$ 3,20 trilhões no ano passado, sendo aproximadamente R$ 2,06 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão no ramo pecuário, a preços do quarto trimestre.

Com esse resultado, a participação do agronegócio na economia brasileira foi de 25,13% em 2025, acima dos 22,9% registrados no ano anterior.

A CNA destacou que, apesar da expressiva expansão registrada no acumulado do ano, o resultado foi impulsionado, principalmente, pela elevação dos preços reais ao longo do período.

“Com a incorporação dos dados referentes ao último trimestre do ano, o desempenho do PIB do agronegócio foi relativamente mais contido do que aquele projetado pelas análises parciais. Mesmo assim, o resultado mostrou um crescimento importante, sustentado tanto pelo aumento da produção quanto pela manutenção de preços reais em patamares superiores aos observados em 2024”, afirmou a entidade em comunicado.

Entre os segmentos do agro, o PIB dos insumos cresceu 5,37%, impulsionado pelos insumos agrícolas, especialmente fertilizantes, defensivos e máquinas. Já os insumos de base pecuária recuaram, influenciados pela queda no valor da produção da indústria de rações.

No segmento primário, o crescimento foi expressivo (17,06%), segundo os cálculos, sustentado tanto pelo aumento da produção agrícola, com destaque para milho e café, quanto pela combinação de preços mais elevados e maior produção na pecuária.

Na agroindústria, o desempenho foi heterogêneo: as atividades de base agrícola recuaram 3,33%, pressionadas pela queda dos preços industriais, enquanto as de base pecuária avançaram 36,54%, influenciadas pela valorização dos preços e pela expansão da produção.

Os agrosserviços também tiveram avanço significativo no ano passado (13,76%), “refletindo principalmente o dinamismo da pecuária”, de acordo com os cálculos do Cepea/CNA. (Valor Econômico)


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Agentes voltam as atenções ao clima
A colheita da safra verão do milho está na reta final e a semeadura da segunda safra está praticamente finalizada. Assim, agentes do setor consultados pelo Cepea voltam as atenções ao clima quente e seco e aos possíveis impactos desse cenário sobre o desenvolvimento destas lavouras. Segundo pesquisadores do Cepea, até o momento, a produção da segunda safra 2025/26 segue estimada para ser levemente inferior à temporada 2024/25, mas ainda será elevada. Entretanto, a irregularidade das chuvas nos últimos dias e a previsão de volume ainda pequeno, além das altas temperaturas em parte de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná, deixam produtores em alerta. No spot, as negociações envolvendo o milho ainda seguem limitadas, devido à demanda enfraquecida – consumidores priorizam o uso dos estoques e adquirem novos lotes apenas de forma pontual, apontam pesquisadores do Cepea. Compradores também estão de olho nos bons volumes dos estoques de passagem da temporada 2024/25 e na maior colheita da safra verão 2025/26 e, com isso, mantêm expectativas de preços menores nas próximas semanas. Muitos vendedores, contudo, voltaram a limitar o volume no spot, à espera de reação nos valores, fundamentados nas atuais especulações climáticas. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


Porto Alegre, 27 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.618


RAR Agro & Indústria lança app para leitura de rótulos e inova em acessibilidade e inclusão

A solução tecnológica foi desenvolvida para facilitar o acesso à informação por pessoas com dificuldades de leitura, promovendo mais autonomia para idosos, pessoas com dislexia, não alfabetizadas ou com deficiência visual.

A RAR Agro & Indústria integrou, em parte de seus produtos, uma nova solução tecnológica em formato de aplicativo visando a inclusão e responsabilidade social de pessoas com dificuldades de leitura. A iniciativa promove mais autonomia para idosos, pessoas com dislexia, não alfabetizadas ou com deficiência visual.

“Acreditamos que a inovação deve caminhar junto com a inclusão. Ao integrar nossos produtos ao aplicativo, reforçamos o compromisso de tornar a experiência de consumo mais acessível e democrática, garantindo que mais pessoas possam acessar informações de forma autônoma e segura”, destaca Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria.

Por meio da câmera do celular, o aplicativo é capaz de descrever informações presentes em rótulos, além de identificar lugares, pessoas e objetos. A navegação é organizada em uma interface segmentada, permitindo que o usuário selecione exatamente o tipo de informação que deseja consultar.

Neste primeiro momento, três produtos da marca passam a contar com a funcionalidade: Gran Formaggio Rar fracionado 200g, Gran Formaggio Rar fracionado 300g e Gran Formaggio Rar lascas 150g, ampliando o acesso à informação e tornando a experiência de consumo mais inclusiva para diferentes perfis de público.

As informações são da RAR Agro & Indústria, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Conseleite/MG divulga projeção do valor de referência do leite a ser pago em maio/26

O Conseleite/MG divulga a projeção do valor de referência do leite entregue em abril a ser pago em maio. Confira!

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 24 de Abril de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:

a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Fevereiro/2026 a ser pago em Março/2026.

b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Março/2026 a ser pago em Abril/2026.

c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Abril/2026 a ser pago em Maio/2026.


Períodos de apuração:

Mês de fevereiro/2026: de 01/02/2026 a 28/02/2026
Mês de março/2026: de 01/03/2026 a 31/03/2026
Parcial de abril/2026: de 01/04/2026 a 20/04/2026

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

As informações são do Conseleite/MG.

 

 

Renda para consumo do brasileiro é a menor em mais de uma década, diz consultoria

Sobra após gastos essenciais, pagamento de dívida e imposto fica menor em 2026, indica Tendências

Tem sobrado menos dinheiro no fim do mês para as famílias brasileiras gastarem com consumo que não seja de itens básicos e o pagamento de impostos e dívidas. Isso pode ajudar a explicar o desconforto do eleitorado com o cenário econômico e a piora na avaliação do governo federal, apesar do emprego e da renda com o trabalho pujantes no país. O tema, inclusive, entrou no radar das campanhas presidenciais.

A renda disponível das famílias após gastos com itens essenciais, impostos e serviços da dívida está no nível mais baixo desde 2011, quando começa a série da Tendências Consultoria. 

Em fevereiro, a “sobra” da massa de renda ampliada das famílias depois de arcar com essas despesas era de 21%, segundo a consultoria. No início de 2024, era de 23,6%. É uma deterioração bastante expressiva em pouco tempo, observa Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de macroeconomia e análise setorial. O pico do indicador foi atingido em março de 2011 (27,2%) e, depois, em junho de 2020 (27%).

O indicador parte da massa de renda ampliada das famílias, que considera o salário, mas também outras fontes, como previdência, benefícios sociais, aluguéis e dividendos. Do total é retirada a inflação de itens essenciais em habitação (aluguel e taxas; combustíveis e energia, como gás de botijão e conta de luz), transportes (transporte público; combustível veicular), saúde e cuidados pessoais (produtos farmacêuticos e óticos; serviços de saúde), comunicação, educação e alimentação no domicílio. São considerados as variações e os pesos do IPCA. 

Também é abatido o pagamento de juro e principal das dívidas, considerando a média das linhas de crédito do Banco Central. Mas a Tendências faz adaptações, por exemplo, ao enquadrar também como crédito o parcelamento de compras no cartão. Por fim, são usados dados da Receita para descontar Imposto de Renda e contribuições previdenciárias. “É um indicador do que sobra para outros tipos de consumo”, diz Ribeiro. (Valor Econômico)


Jogo Rápido

CEPEA: O Boletim do Leite de abril
A pesquisa do Cepea, da Esalq/USP, mostra que a “Média Brasil” do leite ao produtor subiu 5,43% em fevereiro/26 e fechou a R$2,1464/litro, registrando a segunda alta mensal consecutiva. O preço, contudo, ainda está 25,45% abaixo do registrado em fevereiro/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de fevereiro/26). Os preços dos derivados lácteos seguiram em alta em março, conforme indicam pesquisas do Cepea, realizadas com o apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). Esse movimento esteve atrelado à valorização do leite cru, que, por sua vez, foi impulsionada pela redução da oferta no campo – reflexo da sazonalidade e da moderação dos investimentos na atividade –, o que intensificou a competição da indústria pela matéria-prima. Tanto as importações quanto as exportações brasileiras de lácteos aumentaram em março, e as aquisições avançaram de forma mais expressiva. Segundo dados da Secex analisados pelo Cepea, as importações subiram 33,3% frente a fevereiro, chegando a 242,65 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL). Os embarques, por sua vez, registraram alta mais modesta, de 11,2%, somando 5,6 milhões de litros EqL. Apesar da estabilidade no preço da ração, a elevação das despesas relacionadas às operações agrícolas impulsionou um aumento de 0,46% no Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira na “Média Brasil” em março. Com o resultado, o primeiro trimestre encerrou-se com uma alta acumulada de 2,11% no COE. Acesse o boletim na íntegra clicando aqui. (CEPEA editado pelo Sindilat)


Porto Alegre, 24 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.617


Nota fiscal em papel não poderá mais ser utilizada por produtores rurais do Rio Grande do Sul a partir de maio

Esta é a etapa final do processo que ocorre desde 2021, quando teve início a substituição da nota em papel pela nota eletrônica

O governo do Estado, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), informa que os produtores rurais do Rio Grande do Sul devem ficar atentos às novas alterações na documentação fiscal. A partir de 1º de maio, a nota fiscal em papel, conhecida como “talão do produtor”, não poderá mais ser utilizada. Será preciso emitir a nota eletrônica.

A documentação eletrônica já era obrigatória desde janeiro para os mais de 800 mil produtores rurais que atuam no território gaúcho. No entanto, a Sefaz, por meio da Receita Estadual, havia autorizado que talões já impressos pudessem seguir sendo utilizados até o mês de abril. A partir de maio, caso as notas eletrônicas não sejam emitidas, as transações ficam sem documentação fiscal, o que é considerado descumprimento da legislação tributária.

Produtores rurais poderão usar notas fiscais em papel remanescentes até 30 de abril

“Esta é a etapa final de um processo que vem acontecendo desde 2021, que é a substituição gradual da nota em papel pela nota eletrônica. Desde lá, temos dialogado com os produtores para garantir tempo para adaptação e para oferecer recursos que os ajudem a seguir em conformidade”, explica o subsecretário adjunto da Receita Estadual Luís Fernando Crivelaro.

A obrigatoriedade da nota eletrônica segue norma definida pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e está sendo colocada em prática em outros estados brasileiros. A modernização traz mais agilidade e segurança na emissão de notas, reduzindo burocracias, minimizando falhas no preenchimento dos dados e evitando o risco da perda de documentos. A mudança também antecipa a realidade após a Reforma Tributária, quando notas em papel devem ser completamente retiradas de circulação.

Como emitir nota eletrônica

A alternativa recomendada pela Sefaz para a emissão de nota eletrônica é o aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), disponível gratuitamente para download em celulares. Em quatro meses, o número de produtores rurais cadastrados no app cresceu 64,6% - são 214,8 mil hoje, sendo que, em dezembro de 2025, eram 130,4 mil. No último mês, 276 mil notas fiscais foram emitidas pela ferramenta.

Receita Estadual alerta cerca de 3,4 mil empresas gaúchas que podem ser excluídas do Simples Nacional

O NFF é considerado de uso simples e intuitivo, de forma que toda a complexidade tributária fica a cargo da Receita Estadual. Ele conta com uma funcionalidade de uso off-line para atender profissionais que trabalham no campo, muitas vezes sem internet.

Para ajudar os produtores a usar a ferramenta com propriedade, a Sefaz produziu um manual e três tutoriais em vídeo, com instruções sobre diferentes recursos. Acesse os tutoriais clicando aqui.

Mudança escalonada
A obrigatoriedade da nota eletrônica foi implantada aos poucos, buscando garantir aos produtores rurais tempo para se adaptar à novidade. A mudança começou em 2021 pela faixa dos que têm maior faturamento e, então, foi expandida para pequenos produtores.

A Receita Estadual tem dialogado com o setor sobre a implementação da norma. Em diversos momentos, atendendo a pedidos de entidades rurais, a entrada em vigor foi adiada. Isso ocorreu, inclusive, após as enchentes de 2024, que causaram prejuízos para profissionais da área.

Receita Estadual inicia envio de comunicados prévios para estimular regularização de débitos de ICMS antes do ajuizamento

Apesar de o NFF ser a principal ferramenta para emissão de notas eletrônicas, sendo recomendada pela Sefaz, há outras. Uma delas é a Nota Fiscal Avulsa (NFA-e), também gratuita e indicada para operações mais complexas, como, por exemplo, as de exportação.

Há ainda soluções oferecidas por associações e por cooperativas, e é permitido o desenvolvimento de modelos próprios. (Seapi)


Conseleite Santa Catarina

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 24 de Abril de 2026 
atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Março de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Abril de 2026. 

O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão. (Conseleite SC)

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1916 de 23 de abril de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 

As condições meteorológicas favoreceram o bem-estar dos animais. Porém, a disponibilidade e a qualidade das pastagens ainda são limitantes em parte das propriedades, exigindo o uso de suplementação com silagem e concentrados. Observou-se aumento na incidência de ectoparasitas, como carrapatos e moscas, em algumas regiões, o que demanda maior atenção ao manejo sanitário. As atividades seguem dentro da rotina produtiva, com ajustes nutricionais e manejo das áreas de pastagem, além de ações voltadas à sanidade e à gestão de dejetos. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, o bem-estar dos animais foi favorecido pelas temperaturas mais amenas. Foi utilizada silagem de milho para a suplementação de volumosos, e aguarda-se a altura mínima para o pastoreio das vacas. Houve necessidade de tratamento de alguns casos de mastite.  

Na de Ijuí, a produção está estável em relação ao período anterior. No município sede, aumentou a procura por materiais para a confecção de esterqueiras e correta destinação dos dejetos animais. A infestação por carrapatos diminuiu, e a sanidade do rebanho está adequada.  

Na de Pelotas, em algumas propriedades, os produtores têm intensificado o uso das pastagens em parte das áreas, apesar das limitações na oferta e na qualidade da forragem. Houve aumento na incidência de carrapatos e moscas, demandando maior atenção ao manejo sanitário. 

Nas de Santa Maria e Santa Rosa, os indicadores produtivos estão dentro da normalidade esperada para o período. Em algumas propriedades, houve necessidade de suplementação alimentar.  (Emater editado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Previsão indica chuva para o fim de semana em várias regiões do Estado
Para o final de semana, a previsão é de instabilidade em várias regiões do Rio Grande do Sul. O tempo deve oscilar entre condições instáveis e estáveis em grande parte do território gaúcho. Os acumulados de chuva podem variar entre fracos e moderados, sendo pontualmente fortes.  No domingo (26/4), o tempo ainda deve ficar instável em algumas regiões e a estabilidade tem previsão de volta a partir de segunda-feira (27/4) em praticamente todo território do RS. As informações constam no Boletim Integrado Agrometeorológico 17/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Segunda (27/4), terça (28/4) e quarta-feira (29/4): o tempo deve voltar a ficar estável em praticamente todo o território gaúcho. Não há previsão de chuva significativa e as temperaturas devem entrar em declínio. Assim, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 e 100 milímetros (mm) ao longo da semana, com alguns pontos isolados que podem ultrapassar esse valor. Na metade Sul, os acumulados podem ser menores, não ultrapassando os 20 mm. O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.


Porto Alegre, 23 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.616


Como esta empresa gaúcha quer faturar R$ 1 bilhão com maçãs, queijos e vinhos de luxo

Grupo reorganiza estrutura de gestão enquanto expande portfólio que vai do campo à mesa — e aposta em qualidade para crescer sem entrar na guerra de volume

No alto da Serra Gaúcha, fica um negócio que não se contentou em fazer apenas uma coisa bem feita.

Começou com maçãs — quando o Brasil ainda importava quase tudo que consumia — e, ao longo de cinco décadas, virou um portfólio que inclui queijos tipo grana, vinhos, embutidos e até azeite.

Hoje, a RAR, fundada por Raul Anselmo Randon - o mesmo fundador da bilionária Randoncorp - fatura cerca de 550 milhões de reais. E quer mais: a meta é chegar a R$1 bilhão até 2034.

Para isso, a empresa decidiu fazer um movimento típico de companhias que entram em um novo ciclo: reorganizar a casa.

“Alcançamos avanços importantes nos últimos anos e, para sustentar esse ritmo e seguir em direção à nossa visão de R$ 1 bilhão, entendemos que este é o momento de fortalecer a governança e ampliar a capacidade de gestão do negócio”, diz Sérgio Martins Barbosa, presidente da RAR

A mudança inclui a promoção de executivos formados dentro da própria empresa, como Jiovani Foiatto, que assume a diretoria da unidade de gastronomia, e Raquel Manfredi Pandolfo, que passa a liderar a que passa a liderar a diretoria executiva.

Mais do que uma troca de cargos, é uma tentativa de preparar a operação para uma escala maior, sem perder o controle sobre a qualidade.

Qual é a história da RAR

A história da RAR começa na década de 1970, quando o Brasil dependia de importações para abastecer o mercado de maçãs. “Naquela época, praticamente 97% do consumo vinha de fora", diz Barbosa.

Foi nesse contexto que Raul Randon decidiu plantar os primeiros 70 hectares em Vacaria, cidade a cerca de 120 quilômetros de Caxias do Sul.

O início não foi simples. Antes mesmo da primeira colheita, vieram uma chuva de granizo e uma seca intensa. Ainda assim, o resultado foi suficiente para convencer o fundador a seguir adiante.

O plantio cresceu — hoje são cerca de 1.500 hectares — e a maçã se tornou o principal negócio da companhia, responsável por quase metade da receita.

Mas o que diferencia a RAR não é a origem na fruticultura. É o que veio depois.

“Inquieto”, como descreve o atual presidente, Raul Randon decidiu diversificar. A entrada nos queijos nasceu quase por acaso, a partir de um haras que incluía uma pequena produção de leite. A virada veio com a ambição de fazer algo diferente do padrão nacional.

“A ideia não era fazer mais um queijo. Era fazer um queijo premium, um tipo grana”, diz Barbosa.

Para isso, a empresa buscou tecnologia na Itália e trouxe especialistas ao Brasil. O desafio, porém, era outro: a qualidade do leite. Como o produto seria feito com leite cru, era necessário um padrão que praticamente não existia no país.

A solução foi radical. A RAR importou vacas dos Estados Unidos e estruturou sua própria produção. “Hoje, são cerca de 50 mil litros de leite por dia, e 100% disso vai para o nosso queijo”, afirma o executivo.

Crescer sem entrar na guerra de volume

A diversificação continuou. Vieram os vinhos, inicialmente produzidos para uma comemoração familiar e que depois se transformaram em linha comercial. Hoje, a empresa tem dezenas de rótulos, incluindo vinhos, espumantes e importados.

Depois, entraram os embutidos e o azeite. Nem todos os movimentos deram certo — como a tentativa de produção própria de oliva em escala maior —, mas a lógica se manteve: construir um portfólio coerente, ancorado em qualidade.

Essa estratégia passa, necessariamente, por uma escolha clara: não competir por volume. “A gente escala a empresa dentro do nosso segmento, que é o premium. A gente não vai para o lado do ‘bastantão’, porque aí a disputa é muito grande e exige muito investimento”, diz Barbosa.

Na prática, isso significa crescer de forma mais lenta — e mais controlada. Em vez de buscar grandes contratos ou massificar a produção, a RAR aposta na expansão gradual da distribuição.

“Tem pontos no Brasil onde a gente ainda não chegou. Então a gente vai abrindo mercado com estrutura. Não adianta chegar hoje e não conseguir abastecer amanhã”, afirma.

Essa expansão inclui desde grandes centros até destinos turísticos. “Você vai para o litoral, para o Norte, para lugares como Fernando de Noronha, e encontra nossos produtos. Isso é fruto de distribuição bem feita”, diz.

Exportação, resiliência e o Brasil como desafio

A lógica de diversificação também aparece na atuação internacional. A RAR exporta maçãs para mais de 20 países e mantém uma estratégia de presença contínua — mesmo quando as margens não são ideais. “O mercado brasileiro sobe e desce. A exportação é uma forma de equilibrar. Mesmo quando não está tão bom, a gente continua, nem que seja com volumes menores”, afirma Barbosa.

Hoje, a empresa projeta exportar cerca de 10 mil toneladas de maçã, com presença em mercados como Europa e Ásia. Ao mesmo tempo, o ambiente doméstico impõe desafios. Juros altos, inadimplência e custos crescentes afetam o consumo, inclusive no segmento premium.

“A gente sentiu, claro. Seria mentira dizer que não. Mas, com canais bem estruturados e produtos diferenciados, a gente consegue atravessar esses momentos”, diz.

O executivo também aponta dificuldades estruturais do país, especialmente na cadeia do leite. “No Brasil, o produtor é um herói. Em outros países, como na Itália, há incentivo direto. Aqui, a gente precisa se virar”, afirma.

O próximo salto

Para chegar ao R$1 bilhão, a RAR aposta em um planejamento de longo prazo, algo natural em um negócio agrícola, onde ciclos podem levar anos.

“No queijo, por exemplo, estamos falando de até 24 meses entre produção e venda. Na maçã, leva anos para o pomar atingir o potencial. Então tudo é planejado com muita antecedência”, diz Barbosa.

No caso da RAR, esse equilíbrio começa no campo, e termina, cada vez mais, em produtos que querem ocupar um espaço específico na mesa do brasileiro: menos volume, mais valor. (Exame)


GDT 402º registra nova queda e indica continuidade do ajuste nos preços globais

O resultado do GDT 402º reforça um mercado mais cauteloso após a sequência recente de altas, indicando um movimento mais claro de ajuste nos preços internacionais dos lácteos.

O 402º leilão da Global Dairy Trade (GDT) apresentou recuo de 2,7% no price index, com o preço médio dos produtos negociados atingindo USD 4.143/tonelada. O resultado reforça um mercado mais cauteloso após a sequência recente de altas, indicando um movimento mais claro de ajuste nos preços internacionais dos lácteos.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Entre os derivados, o leilão concentrou quedas nas cotações. A gordura anidra do leite registrou o recuo mais expressivo do evento, com queda de 9,6%, sendo negociada a USD 6.357/tonelada, indicando um ajuste após patamares mais elevados. A manteiga também apresentou retração relevante, de 7,9%, com preço médio de USD 5.702/tonelada.

Nos leites em pó, o comportamento foi misto. O leite em pó integral (LPI) registrou estabilidade, com leve recuo de 0,6%, cotado a USD 3.666/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) avançou 3,2%, atingindo USD 3.448/tonelada, refletindo dinâmicas distintas de oferta e demanda entre os produtos.

Gráfico 2. Preço médio LPI

Entre os queijos, a muçarela apresentou queda de 3,1%, sendo negociada a USD 3.850/tonelada, enquanto o cheddar registrou leve alta de 1,1%, com preço médio de USD 4.798/tonelada. Já a lactose se destacou positivamente, com valorização de 7,2%, atingindo USD 1.573/tonelada, sendo o derivado com maior avanço no leilão.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 21/04/2026

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Em relação ao volume negociado, o leilão registrou retração frente à edição anterior, com queda de 9,1%, totalizando 14.993 toneladas comercializadas. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume também foi inferior, com recuo de 10,3%, refletindo uma menor disponibilidade de produtos no mercado internacional e  um cenário de negociações mais moderadas. Do lado da demanda, o número de participantes foi de 160 no último leilão para 147, mostrando uma certa desaceleração da demanda. 

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) voltaram a se valorizar no final de abril. Os contratos com vencimento entre maio e julho apresentaram recuperação nos preços após os recuos observados nas últimas sessões.

Esse movimento reflete, por um lado, a continuidade de um cenário de oferta internacional mais ajustada, o que dá suporte às cotações. Por outro, a pressão no curto prazo vinha sendo influenciada por um ambiente global de maior incerteza, associado às tensões geopolíticas. Com sinais recentes de trégua entre os países envolvidos, observa-se uma redução dessa pressão, contribuindo para a retomada dos preços futuros.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

A sequência recente de recuos no GDT indica um momento de maior cautela no mercado internacional, após o ciclo de altas observado anteriormente. Esse movimento reduz a sustentação dos preços globais, especialmente para o leite em pó, e tende a aumentar a competitividade do produto importado no Mercosul, com reflexos nas negociações no Brasil.

No cenário global, a combinação entre ajuste sazonal da oferta em importantes regiões exportadoras e uma postura mais cautelosa dos compradores, em meio às incertezas geopolíticas, tem contribuído para um ambiente de preços mais pressionados. Ainda assim, os sinais observados nos contratos futuros indicam que esse movimento pode ser transitório, com possibilidade de recomposição no curto prazo.

No Brasil, os derivados começam a refletir esse contexto, com sinais de correção após semanas consecutivas de alta. Apesar disso, o mercado doméstico ainda encontra suporte na menor disponibilidade de leite típica da entressafra, o que tende a suavizar quedas mais intensas.

Por fim, o câmbio adiciona um fator relevante a essa dinâmica. Com o dólar em patamares mais baixos, a competitividade dos produtos importados aumenta, podendo reforçar o fluxo de importações e limitar avanços nos preços internos. Dessa forma, o mercado brasileiro deve seguir em um ambiente mais equilibrado no curto prazo, com movimentos condicionados à evolução do cenário internacional, da oferta doméstica e das condições de importação. (Milkpoint)

Emissão de certidões e certificados de Alimentos registrados e notificados já pode ser feita pelo Solicita

Documentos podem ser obtidos diretamente via autosserviço

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dá mais um passo estratégico em sua transformação digital. A partir de agora, a emissão de certidões e certificados para alimentos registrados e notificados pode ser realizada via autosserviço, diretamente pelo sistema Solicita.

A nova funcionalidade utiliza a base de dados da Agência para gerar documentos eletrônicos de forma automática. Com isso, o próprio usuário gera o documento instantaneamente, eliminando a necessidade de análise ou intervenção dos técnicos da Anvisa.

A nova certidão substitui a Certidão de Venda Livre para Exportação de Alimentos (CVLEA) emitida pela Anvisa quando o objetivo do documento for apenas comprovar a vigência do registro sanitário.

Para a emissão da CVLEA para atender requisitos sanitários específicos do país de destino, o fluxo permanece o mesmo: a solicitação deve ser feita via Portal Gov.BR, direcionada ao órgão do SNVS responsável pelo licenciamento do estabelecimento fabricante.

A emissão é  feita de maneira totalmente automática, por meio de uma nova opção do sistema Solicita. 

Entenda o passo a passo clicando aqui. 

As informações são da Anvisa


Jogo Rápido

PAÍSES BAIXOS: pagarão € 1.606 por vaca leiteira para reduzir o rebanho.15/04/2026
A Comissão Europeia aprovou um plano de 615,7 milhões de euros que incentiva os agricultores holandeses a reduzirem voluntariamente a sua população de vacas leiteiras ao longo de três anos, com compensação direta e condições rigorosas de manutenção das pastagens. Compensação pela redução estrutural: Os agricultores participantes deverão manter entre 10% e 20% menos vacas leiteiras do que a média de 2025. Em contrapartida, receberão uma compensação de € 1.606 por vaca por ano pela perda de rendimento e a renúncia aos seus direitos de exploração de fosfato — que expirarão permanentemente. Além disso, os bancos holandeses oferecerão aos participantes taxas de juro reduzidas nos seus investimentos sustentáveis. O programa estará aberto de 1º de junho a 29 de julho , com as inscrições sendo processadas por ordem de chegada. Os animais devem ser removidos em até quatro semanas após a aprovação. Embora as obrigações permaneçam em vigor por três anos, após esse período os produtores poderão aumentar seus rebanhos novamente, desde que arrendem ou comprem novos direitos de exploração de fosfato. Restrições e objetivos ambientais: Como condição adicional, a área de pastagens não pode diminuir durante os três anos de vigência do programa . Além disso, a posse de animais adicionais — vacas jovens, ovelhas, cabras ou cavalos — é proibida. O Ministério holandês planeja reduzir a população de animais em, no máximo, 64.000 vacas, o equivalente a 4% do rebanho leiteiro nacional , com um orçamento total de € 627 milhões.( Agrodigital via Ocla)


Porto Alegre, 22 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.615


Escala 6x1: representantes do agro criticam mudanças no campo

Associações afirmam que o PL pode aumentar custos e prejudicar a competitividade do setor

O Projeto de Lei 1838/2026, que propõe a redução da jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas e a ampliação para dois dias de descanso semanal remunerado, voltou a ser debatido nesta semana por diferentes setores. Na terça-feira (14/4), o presidente Lula assinou uma mensagem presidencial formalizando o envio do PL ao Congresso Nacional, com urgência constitucional.

Diante disso, diferentes entidades do agronegócio se posicionaram sobre as mudanças no sistema de trabalho. Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), caso a proposta seja promulgada, os impactos sobre o setor podem superar a média nacional. Áreas como agropecuária, construção e comércio podem ter um custo adicional que varia entre 7,8% e 8,6%, de acordo com estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgado no mês passado.

O Sistema Faep, composto pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e pelos sindicatos rurais, encaminhou, nesta sexta-feira (17/4), um ofício aos deputados federais e senadores solicitando a não aprovação da proposta.

Segundo a entidade, a mudança compromete a eficiência produtiva, eleva os custos e afeta a competitividade do setor. Além disso, a redução da jornada no meio rural geraria um impacto de R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária do Paraná, considerando uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, conforme levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

A entidade afirma ainda que, com a aprovação do PL, será necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional” e defende que a decisão seja baseada em critérios técnicos, com análise dos impactos econômicos e sociais, e não em motivações eleitoreiras.

Outras entidades ligadas ao agronegócio também se manifestaram sobre o fim da escala 6x1. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) afirmou reconhecer a legitimidade do debate, especialmente no que diz respeito à modernização e à qualidade do trabalho e da vida dos trabalhadores. Ainda assim, assim como o Sistema Faep, defende que qualquer mudança seja baseada em análises técnicas, respeite um período de transição e considere as diferenças entre os setores, de modo a minimizar impactos negativos sobre emprego, renda e custo de vida.

“Alterações que pressionem custos e desorganizem cadeias produtivas de bens essenciais tendem a afetar diretamente o acesso aos alimentos e a segurança alimentar, penalizando de forma mais intensa as famílias de menor renda”, afirmou a ABIA, em nota.

A Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também se reuniu na tarde desta quinta-feira (16/4) para discutir o tema e a segurança trabalhista no campo.

O presidente da comissão, Humberto Miranda, destacou a importância do diálogo com a sociedade sobre propostas que alteram o modelo atual de jornada e escala de trabalho. Já o representante de Relações do Trabalho da CNA, Rodrigo Hugueney, defendeu que eventuais mudanças considerem a realidade dos diferentes setores produtivos.

De acordo com Paula Montagner, subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, o custo médio da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais na economia geral é de 4,7% sobre a massa de rendimentos do país. No entanto, alguns setores devem ser impactados de forma distinta.

Os dados fazem parte de um estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, apresentado no mês passado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, durante audiência pública que debateu a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221 de 2019. (Globo Rural)


GDT - Global Dairy Trade

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS

Leite A2 avança no Brasil e atrai gigantes do setor

A produção de leite A2 ganha espaço no país, devido à maior facilidade de digestão em comparação com o leite mais comum. Grandes laticínios, como Piracanjuba, Xandô e Italac, reforçaram suas linhas de produto nesse nicho de mercado, que atualmente representa menos de 1% da produção nacional.

Débora Ribeiro Gomide, pesquisadora de bovinocultura de leite no Campo Experimental de Três Pontas (CETP) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), explica que o leite A2 é produzido por vacas com a genética A2A2, que produzem leite com a proteína betacaseína A2. As caseínas representam a maior parte da proteína no leite. Durante a digestão, a betacaseína A1 libera um peptídeo chamado beta-casomorfina-7 (BCM-7), que, em pessoas sensíveis, causa desconforto gastrointestinal. A caseína A2 não leva à formação de BCM-7. As vacas A1A1 produzem o leite A1 e as vacas A1A2 produzem os dois tipos.

A identificação é feita por teste genético. Para garantir que a produção é exclusivamente de leite A2, as fazendas passam por um processo de certificação e rastreabilidade do produto. “É um nicho pequeno do mercado, representa menos de 1%, mas o grande chamariz é que as pessoas querem um controle melhor de qualidade, saber a procedência do produto, e o leite A2 oferece isso por causa da certificação”, avalia Gomide. A pesquisadora acrescenta que vacas de todas as raças podem produzir o leite A2. Mas, geralmente, os genes A2 são mais frequentes em raças zebuínas, como nelore e gir.

A Fazenda Colorado, de Araras (SP), dona da marca Xandô, é a que possui maior número de produtos com leite A2 no país atualmente. São sete linhas de produtos, sendo quatro leites - integral, desnatado, semidesnatado e semidesnatado zero lactose - e três queijos (minas frescal, minas padrão e coalho).

Eduardo Jakus, diretor geral da Xandô, diz que, hoje, 65% das vendas da marca já são de produtos com leite A2. “Essas linhas vêm ganhando uma importância muito grande, estão com crescimento muito acelerado. A gente cresce a duplo dígito, puxado pela linha de A2, que cresce bem acima do mercado”, afirma Jakus. Ele observou que o volume total do mercado de leite cresceu 2% em 2025, mas categoria de leite fresco cresceu 11%. A Xandô é líder na categoria de leite fresco refrigerado em São Paulo, com 40,4% do volume e 44,5% da receita, segundo a Scanntech.

Jakus diz que o leite A2 é captado e processado separado do restante. A produção é feita 100% na Fazenda Colorado, com ordenha, resfriamento, pasteurização e embalagem feitos sem contato manual. A fazenda conta com mais de 2,1 mil vacas holandesas em lactação, que chegam a produzir 96 toneladas de leite por dia.

O Grupo Piracanjuba informou que suas vendas de produtos com leite A2 também crescem dois dígitos por ano. A diferença de preço em relação aos outros tipos de leite varia de 25% a 35%. “A diferença já foi maior, mas conforme o volume de produção aumenta, os custos fixos diluem e a gente repassa para o varejo. O leite A2 segue a mesma trajetória do leite zero lactose”, afirma Gustavo Afonso de Almeida, diretor comercial do Grupo Piracanjuba.

Atualmente, a Piracanjuba produz leite A2 em pó integral, leite integral, semidesnatado e semidesnatado zero lactose. A produção vem de fazendas certificadas, e o processamento é feito em tanques específicos nas unidades industriais de Goiânia e Araraquara (SP). “O custo é mais alto, tem que certificar a fazenda, fazer a seleção do gado, fazer o processamento separado”, observa Almeida. O executivo disse que o desenvolvimento de novas linhas vai depender da evolução do consumo do leite A2 no país.

O Laticínio Muai, que pertence à Fazenda Bom Retiro, em Pouso Alto (MG), produz atualmente leite integral em versões de 1 litro e 500 mililitros, queijo minas frescal e ricota fresca com leite A2. Rodrigo Nilo, diretor executivo do Laticínio Muai, diz que vai ampliar o portfólio neste ano com a introdução de leite desnatado, semidesnatado e zero lactose. “É um mercado incipiente, mas cresce de maneira sólida. A gente acredita que vai ganhar cada vez mais escala”, diz Nilo.

A Muai produz atualmente 15 mil litros por dia de leite A2 e prevê um aumento de 25% neste ano. “A nossa capacidade diária de produção é de até 55 mil litros de leite A2 por dia, mas produzimos menos porque é feito sob demanda”, afirma Nilo. A empresa vende para redes de varejo que atendem principalmente a Região Sudeste. A Fazenda Bom Retiro conta com 1,3 mil vacas, das quais 1,2 mil são A2A2. “A fazenda faz a separação das vacas, ordenha primeiro as vacas que produzem o leite A2 e depois o leite A1”, diz o diretor.

As informações são do Valor Econômico


Jogo Rápido

Já estão disponíveis materiais do diálogo setorial sobre rotulagem de alimentos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da Gerência-Geral de Alimentos (GGALI) realizou, na última quarta-feira (16/4), um diálogo setorial virtual para discutir propostas regulatórias relacionadas à rotulagem de alimentos. O evento contou com a participação de aproximadamente 1.115 representantes de diferentes setores da sociedade. O encontro teve como objetivos apresentar os fundamentos técnicos das propostas sobre DQI, uso de tecnologias para transmissão de informações na rotulagem e rotulagem de alimentos irradiados, além de esclarecer dúvidas e coletar percepções dos interessados para subsidiar a elaboração de futura consulta pública. Durante a apresentação, a Anvisa destacou que as três iniciativas integram a Agenda Regulatória 2026-2027 e possuem objetivos convergentes, voltados ao aprimoramento da transparência, da qualidade e da acessibilidade das informações ao consumidor, bem como à promoção de maior alinhamento com as diretrizes do Codex Alimentarius. Também foi apresentada a estratégia regulatória da GGALI, que prevê a condução coordenada dos temas, com proposta de consulta pública única e busca de implementação integrada, de modo a reduzir custos de adequação e evitar sucessivas alterações nos rótulos de alimentos. Adicionalmente, foi esclarecido que o planejamento regulatório da GGALI é dinâmico e que, embora a intenção institucional seja avançar de forma conjunta sempre que possível, eventuais alterações de estratégia poderão ser adotadas caso se mostrem necessárias, hipótese em que os atores envolvidos serão informados. Para consulta e acompanhamento do tema, estão disponíveis os materiais clicando aqui. (Anvisa)


Porto Alegre, 20 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.614


Inadimplência sobe e chega a 4,1 milhões de pessoas no Estado

Percentual de pessoas com dívidas em atraso chegou a 46,47% em março e soma R$ 31,9 bilhões, com destaque para bancos e cartões de crédito, que concentram mais de um quarto do total. Custo de vida elevado e juros altos dificultam equilíbrio financeiro

A inadimplência no Rio Grande do Sul segue renovando patamares históricos. Quase metade da população adulta gaúcha tinha dívidas em atraso em março, atingindo o índice recorde de 46,47%, ou 4,1 milhões de pessoas com o nome negativado.

São mais de 587 mil inadimplentes somente em Porto Alegre, que devem R$ 4,9 bilhões. Juntas, as dívidas no Estado somam R$ 31,9 bilhões, com destaque para bancos e cartões de crédito, que concentram mais de um quarto do valor total.

O dado calculado pela Serasa indica que o endividamento vem crescendo mesmo após períodos de recuperação econômica. Apesar da inflação em patamares baixos e do desemprego em queda, o custo de vida elevado e os juros altos seguem pesando no bolso.

Para a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, esse conjunto acaba dificultando o equilíbrio financeiro no dia a dia.

- Na prática, mostra como o crédito, quando não bem planejado, pode acabar comprometendo uma parte importante da renda das famílias - comenta Aline.

No país, as taxas de comprometimento financeiro também são históricas. Mais de 82,8 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em março deste ano, com um total de 338 milhões de dívidas. Em fevereiro, eram 81,7 milhões de pessoas.

Endividado é qualquer pessoa com contas a pagar, como parcelas de cartão de crédito, financiamentos ou empréstimos.

Inadimplente é quem tem dívidas em atraso, ou seja, que não conseguiu pagar o valor devido no prazo.

A especialista da Serasa reforça a importância de os consumidores avaliarem as suas contas e buscarem, sempre que possível, uma renegociação do que está em atraso. Em muitos casos, os consumidores conseguem acessar suas dívidas de forma digital e encontrar ali mesmo condições com descontos e opções de pagamentos acessíveis:

- O mais importante é não adiar o movimento de quitação dos débitos. O quanto antes a pessoa entender a situação e buscar alternativas para a sua realidade financeira, maiores são as chances de se reorganizar e manter contas em dia. 

Outro recorte da pesquisa mostra que seis em cada 10 brasileiros já cederam o seu CPF para conhecidos fazerem compras. Apesar de comum, a prática pode ser perigosa: 34% dos que emprestaram seu nome acabaram endividados após o não pagamento das contas assumidas.

O levantamento também mostra que 29% das pessoas que já emprestaram o nome se arrependeram da decisão e não fariam novamente. Além disso, a prática acontece principalmente com pessoas consideradas de confiança.

Em 60% dos casos, o empréstimo foi feito para familiares: 31% para amigos; 14% para colegas de trabalho; 11% para parceiros; e 3% para outras pessoas. _

"O crédito, quando não bem planejado, pode acabar comprometendo uma parte importante da renda das famílias. (Zero Hora)


Pesquisa mostra que modernizar linhas de processamento de laticínios pode reduzir emissões

Um novo estudo da Tetra Pak aponta que a modernização de equipamentos existentes de processamento de laticínios pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 40% a 49%, dependendo do tipo de linha. A pesquisa também mostra que a melhoria de linhas de equipamentos em uso pode levar a reduções significativas nos custos operacionais. Os resultados ressaltam que a redução não exige necessariamente uma reformulação completa das linhas e que pode ser feita com soluções já disponíveis no mercado.

A nova Avaliação de Impacto do Processamento de Laticínios, revisada de forma independente pela Carbon Trust, utiliza uma metodologia alinhada com as principais referências internacionais de emissões que devem ser evitadas. Essa análise quantifica os possíveis ganhos com a atualização de linhas existentes de processamento de lácteos líquidos. O estudo compara as linhas com melhores práticas de 2019 com potenciais economias de emissões que se baseiam em um modelo de implementação global de linhas modernizadas em 2025.  

“Para muitos produtores de laticínios, melhorar a eficiência enquanto gerenciam custos é um desafio diário. Nosso estudo mostra que melhorias práticas nas linhas em uso podem reduzir o consumo de energia, água e as perdas de produto, ajudando os clientes a melhorarem seu desempenho e reduzir o custo total de propriedade sem grandes interrupções”, explica Rodrigo Godoi, Vice-Presidente de Gestão de Portfólio de Processamento da Tetra Pak.  

O setor global de laticínios desempenha um papel crítico nos sistemas alimentares mundiais por meio dos alimentos e bebidas que fornece e dos meios de subsistência que sustenta em todo o mundo. Ao mesmo tempo, é um grande consumidor de água e energia e foi responsável por 2,7% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) em 2021.  

Apesar disso, esse contexto abre uma oportunidade significativa: ao otimizar linhas de processamento existentes com soluções já disponíveis no mercado, os produtores podem aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar o desempenho ambiental sem precisar esperar por novas tecnologias ou realizar substituições completas de linhas. Essas melhorias comprovadas oferecem um caminho prático e imediato para operações de laticínios mais resilientes e eficientes no uso de recursos. 

O estudo da Tetra Pak mostra que a modernização de equipamentos existentes gera ganhos substanciais de eficiência, com reduções médias de 47% nas emissões de gases de efeito estufa, 45% no uso de água e 57% nas perdas de produto. Se essas modernizações fossem implementadas em toda a produção global de laticínios, isso poderia resultar em uma economia global de carbono de até 12,7 MtCO²e, o equivalente a retirar três milhões de carros das ruas. A implementação de soluções de economia e recuperação de água – por exemplo, sistemas de filtrações por membranas avançados e limpeza no local (clean in place, na sigla em inglês) – poderia reduzir o uso de água nas linhas de produção de laticínios em até 455 milhões de m³ por ano globalmente. 

“As melhorias, com o auxílio de estruturas regulatórias favoráveis e acesso a incentivos financeiros direcionados, podem ser ampliadas ainda mais, ajudando os produtores a superarem barreiras de investimento inicial e acelerando o progresso em todo o setor de laticínios”, completa Rodrigo Godoi.  

Os resultados da avaliação destacam a contribuição que melhorias em linhas de processamento existentes podem trazer para sistemas alimentares mais estáveis e resilientes. Essas reduções podem ser apoiadas pela Tetra Pak por meio de um conjunto de atualizações já disponíveis no mercado para linhas existentes, como: 

Bombas de calor elétricas, substituindo ou reduzindo o uso de energia de origem fósseis em caldeiras e chillers, com o objetivo de diminuir o consumo de combustível e reduzir emissões relacionadas ao calor. 

Eficiência integrada de processos, possibilitada pela tecnologia OneStep para leite UHT e iogurte, que combina múltiplas etapas do processo em um único conceito mais eficiente, gerando economia de eletricidade e vapor. 

Soluções de filtração por membranas e recuperação, que incluem filtração por membranas, recuperação em sistemas de CIP e estações de filtração de água que recuperam perdas de produto e água de fluxos de processo e limpeza. 

“Nossos sistemas alimentares oferecem oportunidades de descarbonização significativas. Avaliar emissões que podem ser evitadas é uma maneira importante de entender as economias de carbono que essas soluções podem proporcionar”, comenta Veronika Thieme, Diretora Associada para a Europa na Carbon Trust. “Ao quantificar as emissões evitadas por novas soluções que podem ajudar a descarbonização da indústria agrícola, criamos a base de evidências necessária para escalá-las”.  (As informações são da Tetra Pak)

 

Argentina SanCor pede falência: dívidas são estimadas em US$ 120 milhões e 8 meses de salários

A cooperativa de lácteos argentina SanCor, que enfrenta um processo de recuperação judicial desde fevereiro do ano passado e que carrega uma dívida em torno de US$ 120 milhões, pediu na quarta-feira, 17 de abril, sua própria falência à Justiça de Santa Fé, Argentina.

A Associação dos Trabalhadores da Indústria Leiteira (Atilra) adiantou a decisão da empresa, confirmada pelo Juizado de Primeira Instância do Distrito 5 em matéria Cível e Comercial da Quarta Vara de Rafaela, sob responsabilidade do juiz Marcelo Gelcich, que conduz o caso. “A recuperanda SanCor solicitou sua própria falência no processo em que tramita a recuperação judicial (falência indireta), por ela iniciado em fevereiro de 2025. O pedido se baseia em uma decisão do Conselho de Administração da Cooperativa, que convocou uma assembleia para ratificá-lo no próximo 30 de abril”, indicou o tribunal em seu site que acompanha o caso. Segundo informaram no juizado, “agora caberá ao Tribunal decidir se aceita — e em que termos — ou rejeita o pedido de falência própria”.

A SanCor carrega uma dívida de US$ 120 milhões. Isso foi determinado pelo juizado a partir da análise de 1.519 pedidos de verificação, sobre um total de 2.702 credores no âmbito do processo. Esse valor é composto por US$ 90 milhões e 40 bilhões de pesos (US$ 29,5 milhões), tendo como principais credores a Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA) e fundos financeiros internacionais.

Além disso, foi constatada uma dívida próxima de 6,35 bilhões de pesos (US$ 4,68 milhões) posterior ao início da recuperação judicial. “Após os relatórios apresentados pela administração judicial, pelo Comitê Provisório de Controle e pela coadministradora designada pelo Juizado, todos coincidentes em comprovar o estado de cessação de pagamentos, incapacidade e insolvência patrimonial geral e definitiva da recuperanda, a SanCor CUL acaba de solicitar sua própria falência”, afirmou um comunicado assinado pelo secretário-geral da Atilra, Etín Ponce.

Embora ainda não haja um comunicado oficial por parte da empresa, nas últimas horas veio à tona a convocação para uma assembleia extraordinária na quinta-feira, 30 de abril, em Sunchales, onde fica a sede central da cooperativa. No item três da pauta da assembleia será tratada a “confirmação da decisão do Conselho de Administração de apresentar o pedido de falência da SanCor”.

Na visão do sindicato, esse pedido “não acrescenta nem tira nada, sendo a essa altura um gesto irrelevante que coloca fim a uma postura teimosa que negava a realidade” e acrescentaram: “Isso demonstra que a SanCor CUL vinha se sustentando com o patrimônio dos trabalhadores, aos quais deve 8 meses de salários mais o décimo terceiro”.

“Tanto para os trabalhadores quanto para nossa entidade que os representa, a decretação da falência não constitui um fim, mas sim o início de uma nova etapa em que a marca SanCor, despojada da estrutura que a levou à beira da extinção, deve voltar a florescer impulsionada pela qualidade dos produtos que as trabalhadoras e os trabalhadores da Atilra produzem”, conclui o texto.

Fontes da indústria consideraram a situação como “uma crônica de uma morte anunciada. É a própria empresa que acaba pedindo. Não havia saída”. Um industrial do setor avaliou que “foi tempo demais operando, mas com um modelo totalmente inviável”, ao considerar que “poderia ter sido evitada a sangria que ocorreu nesses últimos meses”. A partir desse passo, “é provável que apareçam interessados por algumas plantas”, afirmou.

No fim do ano passado, o juiz Gelcich, responsável pelo processo da empresa láctea, havia decidido pela intervenção na cooperativa diante dos constantes descumprimentos por parte da empresa, tanto no pagamento de salários quanto na falta de informações detalhadas solicitadas pela Justiça.

Nesse sentido, Gelcich destacou três problemas graves apontados pela administração judicial e pelo Comitê de Controle. Entre eles, a “resistência em fornecer informações”, já que “a empresa não apresentou documentação clara sobre como estão operando suas plantas nem sobre seus contratos com outras empresas, quanto produz, como comercializa, quanto recebe e o que faz com o que recebe”.

O segundo ponto dizia respeito à “crise trabalhista e previdenciária” enfrentada pela SanCor. O Comitê Provisório de Controle informou que a cooperativa deve salários desde junho de 2025 e o décimo terceiro integral deste ano. “Além disso, foi denunciado o uso de contracheques com dados supostamente falsos para evitar contribuições à seguridade social”, acrescenta o documento.

SanCor e sua queda

A SanCor foi fundada em 1938 como uma cooperativa de produtores de leite e chegou a ser líder incontestável do setor. Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), em 1994 processava 4,6 milhões de litros por dia, liderando a indústria nacional.

No entanto, ao longo dos anos foi perdendo participação: 15 anos depois, em 2009, processava 3 milhões de litros e caiu para a segunda posição, enquanto em 2022 desceu para o 12º lugar do ranking, com pouco mais de 533 mil litros diários.

Atualmente, e segundo fontes do setor, a cooperativa processa cerca de 700 mil litros por dia, entre produção própria e de terceiros, em seis plantas localizadas em Santa Fé e Córdoba, muito abaixo dos volumes históricos que a posicionaram como referência de mercado.

As seis plantas estão operando, mas com volume variável em cada uma. O leite próprio é destinado aos produtos de maior rentabilidade no mercado, enquanto, paralelamente, mantêm vários acordos com diferentes empresas para fabricar produtos específicos, alguns por encomenda, outros com participação nos resultados e outros com remuneração por custo.

A situação se agravou entre 2023 e 2024 com conflitos sindicais prolongados com a Atilra, que provocaram bloqueios nas plantas e atrasos salariais, cenário que acabou levando a SanCor à recuperação judicial, apresentada em fevereiro de 2025.

Outro fator que levou a tradicional empresa láctea ao colapso foi o conflito comercial com a Venezuela, originado a partir dos acordos bilaterais firmados desde 2006 entre os governos de Hugo Chávez e Néstor Kirchner.

A SanCor participou do Fundo Fiduciário Bilateral entre Argentina e Venezuela, um mecanismo financeiro destinado à troca de combustível venezuelano por produtos argentinos. Além disso, realizou vendas adicionais desse produto para empresas controladas pelo Estado venezuelano.

O problema surgiu quando a Venezuela entrou em default em 2017 e deixou de cumprir os pagamentos. Segundo fontes próximas à cooperativa, a dívida chegou a ultrapassar os US$ 30 milhões. Com o passar do tempo, parte desse valor foi quitada, mas ainda restam cerca de US$ 18 milhões, com chances praticamente nulas de recuperação.

A empresa realizou diversas tentativas junto a diferentes governos argentinos para recuperar esses recursos e conseguir uma intervenção oficial que destravasse a cobrança, mas nenhuma dessas iniciativas teve sucesso. (As informações são do Clarín, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.  As inscrições podem ser feitas clicando aqui. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 17 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.613


Fenasul Expoleite é lançada com foco nos desafios e avanços da cadeia leiteira

Com o tradicional brinde de leite e com o desafio de promover avanços para o setor, foi lançada na manhã desta quinta-feira (16/04) a Fenasul Expoleite 2026. No evento “Leite com Café”, realizado no Pavilhão do Gado Leiteiro, no Parque de Exposições Assis Brasil, o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Guilherme Portella, destacou que o encontro permite ao setor revisitar suas escolhas e debater gargalos que ainda limitam o crescimento. “São questões que vão desde a manutenção e o fortalecimento do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) até desafios ligados à melhoria e ao aumento da produção, através do melhoramento genético e da produtividade. Vemos com ótimos olhos esse espaço que a feira proporciona, impulsionando o debate e a construção de novos caminhos para o segmento”, afirma.

Para o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, a feira, ao concentrar em Esteio (RS) grande parte da produção leiteira gaúcha, também é uma oportunidade de atualização e compreensão do cenário da cadeia produtiva, especialmente diante das perspectivas de avanços na sanidade dos rebanhos em nível nacional, na erradicação de brucelose e tuberculose. “Será tema de uma mesa redonda durante a Expoleite, sendo que o Rio Grande do Sul já faz este controle de maneira bem avançada”, destaca.

Com expectativa de público superior a 200 mil pessoas, a Fenasul Expoleite tem entrada gratuita e será realizada de 13 a 17 de maio. Considerada a segunda maior feira do Parque de Exposições Assis Brasil, atrás apenas da Expointer, a programação inclui julgamentos, rodeios, shows culturais e exposições. (Sindilat/RS)


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1915 de 16 de abril de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Em parte das regiões, houve redução de produção nos sistemas mais dependentes de pastagens em função da transição entre ciclos forrageiros e da queda na qualidade do pasto. As condições meteorológicas, especialmente temperaturas elevadas associadas à irregularidade das chuvas, têm intensificado o estresse térmico e impactado o desempenho dos animais. Por essa razão, tem sido intensificado o uso de alimentos conservados e ajustes na dieta. 

Em Itacurubi, a produção se encontra em declínio em função do encerramento do ciclo das pastagens anuais de verão. Nessas áreas, muitas propriedades têm utilizado como base forrageira os potreiros de campo nativo, atualmente em recuperação em função das chuvas, assim como silagem de milho para complementar a alimentação no cocho. 

Na de Caxias do Sul, a sanidade dos animais está estável, mas há necessidade de controle dos ectoparasitas.  

Na de Frederico Westphalen, a produção está com volume abaixo do esperado devido às altas temperaturas e à irregularidade de chuvas. 

Na de Ijuí, a produção está estável em relação ao período anterior. 

Na de Passo Fundo, a produtividade variou de normal e regular como reflexo da diminuição na oferta de pasto. 

Na de Pelotas, intensificou-se o uso de silagem como estratégia alimentar. As chuvas do período e a queda de temperatura têm favorecido o bem-estar animal. A produção está relativamente estável, embora haja redução em algumas regiões em função do vazio forrageiro.

Em Rio Grande, foi realizada, no último fim de semana, a Mostra da Terneira Jersey e Holandesa – edição 2026, com participação de 30 animais. O evento contou ainda com palestras técnicas e programação artística. 

Na de Santa Maria, os indicadores produtivos estão dentro da normalidade esperada para o período. No entanto, a transição entre ciclos das pastagens tem resultado em redução da oferta de forragem e consequentemente da produção animal, demandando a adoção de suplementação estratégica para suprir a lacuna alimentar. 

Na de Santa Rosa, as chuvas ao longo do período resultaram na formação de barro nas áreas próximas às instalações, exigindo maior cuidado no manejo e na higiene. Além disso, as temperaturas elevadas em alguns períodos do dia geraram desconforto térmico nos animais, que passaram a buscar sombra com maior frequência, limitando o tempo de pastejo, o que impactou seu desempenho. Foram realizados ajustes nas dietas, como aumento da oferta de silagem e melhoria na qualidade das rações. Esse cenário tem sido favorecido pela excelente qualidade nutricional da silagem de milho desta safra, que está superior à dos anos anteriores, o que tem permitido reduzir a dependência de concentrados na alimentação dos animais. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)

Previsão é de tempo estável para o fim de semana no Rio Grande do Sul

Para o final de semana, a previsão é de estabilidade em grande parte do Rio Grande do Sul. Há possibilidade de rajadas de vento no litoral Sul. Na próxima semana, a atuação de uma frente fria deve favorecer o tempo instável com chuvas fracas a moderadas.  A estabilidade no tempo deve retornar ao território gaúcho a partir de quarta-feira (22/4) com a atuação de uma massa de ar polar, provocando queda nas temperaturas.

As informações constam no Boletim Integrado Agrometeorológico 16/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
 

Sexta-feira (17/4): o sistema de baixa pressão que vinha se deslocando pelo continente nos dias anteriores deve avançar para o oceano e evoluir para uma frente fria que, associada a um ciclone extratropical, pode provocar aumento da nebulosidade e ocorrência de chuva em algumas regiões, com possibilidade de rajadas de vento em pontos do litoral Sul.

Sábado (18/4) e domingo (19/4): o afastamento do sistema frontal deve favorecer o retorno da estabilidade em grande parte do RS, sem previsão de chuva significativa. Ainda assim, permanece a possibilidade de rajadas de vento no litoral Sul no sábado (18/4). Nesse período, as temperaturas devem entrar em declínio, com mínimas previstas próximas aos 10 °C.

Segunda-feira (20/4) e terça-feira (21/4): o deslocamento de uma frente fria deve deixar o tempo instável. Há previsão de chuva fraca a moderada, pontualmente forte, em praticamente todas as regiões.

Quarta-feira (22/4): a atuação de uma massa de ar polar pós-frontal deve restabelecer a estabilidade e provocar queda acentuada das temperaturas. Não há previsão de chuva significativa e as temperaturas permanecerão em declínio.

O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.


Jogo Rápido

COOPERATIVISMO: Ocergs reconduz Darci Hartmann
A Ocergs realizou, nesta quinta-feira, a Assembleia Geral Ordinária que reelegeu Darci Hartmann como presidente e elegeu Márcio Port como vice para a gestão 2026/2030. No evento, foram renovados os conselhos de Administração e Fiscal da organização, e também tomaram posse os conselheiros do Sescoop/RS. (Correio do Povo)


Porto Alegre, 16 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.612


Alta do combustível e colheita da safra puxam aumento no valor do frete

Repasse da alta do petróleo ainda é parcial, mas volatilidade mantém defasagem em valores cobrados por caminhoneiros

O frete rodoviário aumentou cerca de 5% em março, de acordo com o Índice Frete.com de Preços, o IFP, depois de um período de queda no início do ano.

De acordo com Charles Monteux, executivo da Frete.com, os números são reflexo de uma combinação de fatores: aumento do preço do diesel, reajuste na tabela NTT de frete e safra agrícola.

Apesar de dizer que ainda é cedo para afirmar o grau de influência da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã no preço do frete, Roberto Jr, gerente de Inteligência de Negócios da Frete.com, analisa que o aumento do petróleo já impacta o óleo diesel, “mas o repasse ainda está sendo parcial e depende do time de reajuste nas bombas, da safra e do equilíbrio entre oferta e demanda”.

O preço do diesel apresentou variação significativa nas últimas semanas, com 13,9% de aumento em março segundo o IBGE. Alan Medeiros, assessor institucional da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA),diz que as medidas recentes do governo, como zerar o PIS/Cofins, atenuarem a situação, mas a volatilidade no preço do combustível mantém defasado o valor cobrado por caminhoneiros.

O relatório aponta concentração regional de caminhões. O Sudeste lidera com um volume de 38,68% de fretes, seguido pela região Centro-Oeste, com 26,90%, em crescimento de 61,7% em relação ao último trimestre de 2025, devido ao período de colheita da safra.

O levantamento aponta que o agronegócio brasileiro lidera o aumento do frete no país, com alta de 5,8% na comparação anual entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. A indústria vem em seguida, com alta de 4,7%, à frente da construção civil (4,3%).

O estudo alerta para o estrangulamento logístico ocasionado pela deficiência da malha rodoviária brasileira. Lauro Valdivia, assessor técnico da NTC&Logística, afirma que mesmo existindo outras maneiras de transportar as cargas e produtos, esses gargalos logísticos afetam o desempenho de todo os setor de transporte. “De qualquer jeito, mesmo que você use uma ferrovia, use uma hidrovia ou até um avião, você depende do caminhão para fazer ou a primeira ou a última milha”, afirma.

Outro problema enfrentado pelo setor de transporte rodoviário é a falta de mão de obra, já que, segundo Valdivia, existem hoje mais cargas do que motoristas disponíveis no mercado. Esse fator impacta diretamente no preço do frete, provocando aumentos pela falta de oferta.

Diante desse cenário, a expetativa é que “o preço do frete não baixe tão cedo”, de acordo com o coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, Vladimir Maciel. Segundo o economista, vivemos hoje um momento de incertezas no Oriente Médio, o que interfere diretamente no preço do petróleo e, consequentemente, no preço do diesel, utilizado pelos motoristas. Espera-se que mesmo com os problemas logísticos e a falta de mão de obra que acentuam o custo Brasil, o setor continue aquecido nos próximos meses, principalmente graças às boas safras da agricultura. (Valor Econômico)


EMBRAPA/CILEITE: Boletim de Preços Mercado de Leite e Derivados - Março de 2026 

Os preços de leite e derivados seguiram em recuperação ao longo de março de 2026. O mercado de leite spot registrou nova alta nas duas quinzenas do mês, refletindo menor oferta de leite cru e continuidade do movimento de repasse no mercado atacadista. Os preços de leite UHT, queijo muçarela e leite em pó avançaram em relação ao mês anterior, em um ambiente de mercado mais firme e remarcações de preços no atacado. Isso acabou sustentando repasses no campo, em um momento de entressafra do leite brasileiro. No entanto, o volume importações segue elevado e o ambiente internacional é de incertezas neste ambiente de conflito EUA-Irã, o que demanda atenção e cautela nos próximos meses.

As sinalizações dos Conseleites apontaram variações positivas em todos os estados analisados. O movimento indica continuidade da recuperação de preços ao produtor, com projeções de alta mais expressivas do que as observadas no mês anterior. Paraná apresentou a valorização mais forte, seguido por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais.

Em março de 2026, o mercado pecuário manteve a trajetória de valorização nos preços. A alta na arroba do boi foi sustentada pela oferta restrita de animais para abate e pela demanda firme, com exportações em bom ritmo. No mercado de reposição, os preços do bezerro seguiram em alta, refletindo a menor disponibilidade de animais. O milho também apresentou valorização em março, em um contexto de preocupações com a segunda safra. Já o farelo de soja recuou ao longo do mês, em um ambiente de maior oferta e valorização do real frente ao dólar. No cenário macroeconômico, a taxa de câmbio permaneceu bem abaixo da observado no mesmo período do ano passado, enquanto as expectativas para o PIB de 2026 seguiram em leve melhora ao longo do mês.

Informativo mensal produzido pelo Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite.
Autores: Glauco R. Carvalho, Luiz A. Aguiar de Oliveira e Samuel José de M. Oliveira.
Colaboração: Henrique Sales Terror e Caio Prado Villar de Azevedo (graduandos da UFJF).
Nota: as variações mostradas acima nos gráficos são do preço de fechamento do mês contra o período citado.

Startup de SC é eleita Global Winner no South Summit Brazil 2026

Há algo de profundamente simbólico quando uma startup nascida no interior de Santa Catarina atravessa o mundo e volta com o maior reconhecimento possível.

Não apenas pelo troféu em si, mas pelo que ele representa. Maturidade de ecossistema, consistência de propósito e, principalmente, clareza sobre o que realmente importa.

Pra minha felicidade, e orgulho ainda maior, essa história vem da Serra Catarinense, de Lages, minha terra natal.

A Scienco Biotech fez exatamente isso ao conquistar o título de Global Winner no South Summit Brazil 2026, um dos maiores encontros de inovação do planeta, com mais de 2.378 startups participantes. Um feito que, nas palavras da própria CEO, carrega tanto surpresa quanto convicção.

“Foi uma surpresa enorme, mas também uma felicidade e um reconhecimento muito significativo. Ser escolhida como Global Winner nos deixou extremamente lisonjeados e reforçou que estamos no caminho certo”, afirma Maria de Lourdes Borba Magalhães.

Mas o que parece um salto internacional começa, na verdade, com raízes muito bem fincadas.

A história da empresa remonta a 2016, dentro do Centro de Ciências Agroveterinárias da UDESC, num momento em que o ecossistema de inovação catarinense ainda estruturava suas primeiras engrenagens. Não havia glamour. Havia edital, tentativa e, principalmente, construção.

“O primeiro edital que conhecemos foi o Sinapse da Inovação, que foi fundamental nesse processo. Foi através dele, com a iniciativa da FAPESC, que a empresa de fato surgiu”, relembra Maria.

Sem laboratório próprio, a Scienco nasceu na intersecção entre universidade, parque tecnológico e vontade de fazer acontecer. A parceria com o Orion Parque Tecnológico foi decisiva para transformar ideia em experimento e experimento em produto.

Ao longo dos anos, novos fomentos permitiram algo essencial. Autonomia. A criação do próprio laboratório dentro do parque tecnológico não foi apenas um avanço estrutural, foi um marco de independência científica.

E há um detalhe que diz muito sobre o DNA da empresa.

“Hoje, a empresa é composta por cinco colaboradoras, todas mulheres, além dos sócios. Isso reforça o protagonismo feminino dentro da ciência e do empreendedorismo.”

Programas como o Mulheres Mais Tech, da FAPESC, e reconhecimentos como o prêmio da FINEP ajudaram a viabilizar não só a estrutura, mas uma cultura onde ciência, diversidade e execução caminham juntas.

Em 2021, a criação da spin-off DairyTech, ao lado do professor Gustavo Felippe da Silva, marca uma inflexão clara. Sair da pesquisa e entrar definitivamente no jogo de mercado.

O resultado veio rápido.

Em 2022, nasce o MilkTest A2, uma tecnologia que resolve um problema complexo com uma simplicidade quase desconcertante.

Enquanto a identificação do leite A2 tradicionalmente depende de genotipagem, cara, demorada e inacessível para muitos produtores, o teste desenvolvido pela Scienco entrega o resultado em minutos, a partir de poucas gotas.

“Muitas vezes, a inovação está na simplicidade. Resolver uma dor real de mercado, de forma prática e acessível, pode gerar um impacto enorme tanto na saúde quanto na economia.”

Essa frase não é só reflexão. É estratégia.

A tecnologia não demorou a cruzar fronteiras. Hoje, a Scienco exporta para países como Nova Zelândia, Portugal, Coreia do Sul e Colômbia. Mercados exigentes, maduros e altamente competitivos.

Na Nova Zelândia, há um símbolo ainda mais forte. A parceria com a The A2 Milk Company, referência global no segmento.

Estar dentro da cadeia de um player que praticamente criou a categoria A2 não é apenas validação técnica. É chancela de mercado.

Apesar da expansão internacional, o olhar da empresa continua voltado para casa.

“Nosso grande sonho é tornar Santa Catarina o primeiro estado 100% A2 do Brasil, utilizando uma tecnologia desenvolvida dentro do próprio ecossistema de inovação catarinense.”

É aqui que a história ganha profundidade. Porque não se trata apenas de vender um produto, mas de transformar uma cadeia produtiva inteira. Do produtor à indústria. Da saúde ao consumo.

Ganhar o South Summit não é o ponto final. É um espelho.

Um reflexo de um ecossistema que funciona, de instituições como a UDESC que formam e conectam, e de uma região que começa a se consolidar como polo de geração de tecnologia aplicada.

E, talvez mais importante, um lembrete incômodo para muita gente no mercado.

Inovação não é, necessariamente, sobre complexidade.

Às vezes, é sobre enxergar o óbvio que ninguém resolveu ainda e ter coragem de fazer simples, bem feito e escalável.

A Scienco Biotech entendeu isso.

E o mundo, agora, também. (Economia SC)


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Farelo e grão seguem firmes no exterior; óleo opera em queda
A demanda internacional aquecida sustentou os preços externos do farelo e da soja em grão ao longo da última semana. Já o óleo apresentou desvalorização no mercado internacional, influenciado pela queda na cotação do petróleo. No Brasil, de acordo com o Cepea, os valores de todo o complexo soja registraram pequenas quedas na semana passada, pressionados pela maior oferta e pela desvalorização do dólar frente ao Real, contexto que reduz a competitividade das exportações nacionais. Por ora, dados da Secex indicam que o Brasil exportou 14,51 milhões de toneladas de soja em grão em março, mais que o dobro (+105,29%) do volume de fevereiro, mas leve queda de 0,96% frente a março/25. Para o farelo, as exportações seguem intensas. Segundo a Secex, foram embarcadas 1,92 milhão de toneladas em março, um recorde para o mês. Quanto ao óleo, os embarques somaram 176,91 mil toneladas em março, queda de 13,02% em relação ao mês anterior – pesquisadores do Cepea apontam que esse cenário é reflexo da menor demanda de países como Índia e Uruguai, além da ausência da China.(CEPEA VIA TERRA VIVA)


Porto Alegre, 15 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.611


INOVAÇÃO: Cadeia leiteira busca mais e ciência e competitividade

A busca por mais eficiência, qualidade e competitividade tem impulsionado a inovação na cadeia leiteira de Ijuí e região, movimento que reflete uma tendência mais ampla, que acontece em todo o Rio Grande do Sul. Para o JM, o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) e vice-coordenador do Conseleite RS, Darlan Palharini, explica que houveram diversos 
avanços tecnológicos importantes nos últimos anos no setor, que vive um processo contínuo de transformação.

Na avaliação de Palharini, o nível de inovação da cadeia leiteira gaúcha é muito positivo, mas ainda existem diversas desigualdades no que diz respeito ao acesso e aplicação prática de novas tecnologias. 

Segundo o secretário, a grande maioria das propriedades médias e grandes do Estado já incorporaram tecnologias e equipamentos mais modernos. No entanto, por outro lado, um número significativo de pequenas propriedades ainda enfrenta dificuldades para implementar estes recursos, principalmente por causa das limitações financeiras.

A garantia de acesso às novas tecnologias para os pequenos produtores é um dos principais pontos de atenção para o futuro. Nesse contexto, Palharini destaca que, embora ainda existam desafios a serem superados, o avanço, nos últimos anos, tem ocorrido de forma gradual e constante. “Ainda estão faltando algumas outras questões para que possamos nos comparar a países de primeiro mundo em questão de inovação, mas é um caminho que, apesar de ser lento, é contínuo”, afirma.

Entre as áreas que mais demandam investimentos atualmente, Palharini destaca o melhoramento genético do rebanho como um dos principais caminhos para aumentar a produtividade da cadeia leiteira do Rio Grande do Sul. “E essa produtividade é realmente fundamental para que a gente possa ser mais competitivo”, diz. Segundo ele, a qualidade do leite, com maior teor de sólidos e gordura, impacta diretamente o retorno financeiro obtido pelo produtor e a eficiência industrial. 

Outra demanda interessante diz respeito à sucessão no meio rural. O secretário destaca que diversos produtores têm investido em novos equipamentos e tecnologias para reduzir o desgaste físico associado à atividade. Para ele, essa maior facilidade no trabalho é um importante fator que motiva filhos de produtores a permanecerem no meio, garantindo a continuidade dos negócios.

Por fim, apesar dos benefícios que a implementação de novas tecnologias traz ao campo, o secretário explica que ainda existem diversos desafios que são enfrentados pelos produtores que desejam inovar. O principal deles, segundo Palharini, diz respeito à questão financeira, mais especificamente ao alto custo do crédito. 

“Nós temos um custo financeiro, hoje, em torno de 18% a 20% ao ano para investimentos maiores, já que a nossa taxa Selic está em 14,75%. Isso acaba gerando muita dificuldade para que os produtores realizem grandes investimentos, já que eles precisarão ter uma taxa de retorno muito boa para conseguir pagar os fi nanciamentos”, explica. Este poder financeiro reduzido dos produtores também impacta a indústria do ramo, que acaba diminuindo seus investimentos na pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos. (Jornal da Manhã)


FAO alerta para risco de inflação de alimentos

Os navios que transportam insumos agrícolas terão que começar a atravessar o Estreito de Ormuz o mais rápido possível para evitar o risco de uma disparada na inflação global dos alimentos ainda neste ano, o que poderia desencadear uma série de efeitos semelhantes aos da crise da pandemia de covid-19. O alerta foi feito por representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“O tempo está se esgotando, e os calendários de safras colocam os países mais pobres em maior risco de escassez e alto custo de fertilizantes e insumos energéticos”, afirmou o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, em um podcast produzido pela entidade.

Entre 20% e 45% das exportações de insumos usados na agricultura no mundo passam pelo Estreito de Ormuz, segundo a FAO.

“A última coisa que queremos é uma menor produtividade agrícola e preços mais altos das commodities e inflação de alimentos no próximo ano”, acrescentou Torero, observando que a continuidade do bloqueio forçaria os países a implementar políticas para reduzir os preços dos alimentos. Isso acarretaria aumento das taxas de juros e, consequentemente, um potencial crescimento econômico mais lento em todo o mundo.

O último Índice de Preços de Alimentos da FAO, referente a março, mostrou-se relativamente estável graças à ampla oferta da maioria das commodities alimentares, especialmente cereais.

Porém a FAO alertou que a pressão sobre o índice está aumentando em abril e se intensificará em maio, à medida que os agricultores tomarem decisões sobre se devem ou não mudar as opções de plantio para se adaptarem à disponibilidade de fertilizantes. Ou se devem alocar mais terras e recursos para biocombustíveis para se beneficiarem dos preços mais altos do petróleo, mas restringindo a oferta global de alimentos.

“Estamos em uma crise de insumos; não queremos que se torne uma catástrofe”, disse David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, que participou do podcast.

Segundo a FAO, os riscos para a produção de alimentos são consideravelmente maiores do que em 2022, e as condições estão presentes para uma “tempestade perfeita” caso a situação atual seja também afetada por um El Niño forte, que rivalize ou supere a crise da pandemia. (Valor Econômico)

 

FIERGS critica proposta do governo e cobra responsabilidade no debate sobre jornada de trabalho

O governo federal formalizou, em regime de urgência constitucional, o envio ao Congresso Nacional do Projeto de Lei n° 1.838/2026, que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, assegura dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial — medida que, na prática, extingue a escala 6x1.

A FIERGS manifesta profunda preocupação com a forma e o momento em que a proposta foi apresentada. Trata-se de uma mudança estrutural nas relações de trabalho, com impactos amplos e duradouros sobre a economia, que está sendo encaminhada de forma açodada, sem o devido debate com a sociedade e o setor produtivo — especialmente em um contexto de ano eleitoral.

Não é de hoje que alertamos para os efeitos negativos de uma medida dessa magnitude. Estimativas indicam que a redução da jornada para 40 horas pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com trabalhadores formais no país, o que representa um aumento de até 7%. Na indústria, o impacto seria ainda mais severo, com crescimento de aproximadamente 11% nas despesas — o equivalente a R$ 88 bilhões. Estudos do IBRE/FGV apontam, ainda, risco de queda de até 11,3% no PIB.

Cabe destacar que o Brasil já opera, na prática, com uma média de aproximadamente 39 horas semanais de trabalho, resultado de negociações coletivas, especificidades setoriais e estratégias empresariais. O atual limite legal de 44 horas oferece a flexibilidade necessária para acomodar as diferentes realidades econômicas do país — algo que a proposta do governo ignora completamente.

Além disso, a legislação vigente já permite a redução e reorganização da jornada por meio de negociação coletiva, respeitando as particularidades de cada setor, região e atividade econômica. Ao impor uma regra uniforme, o governo desconsidera essa diversidade e compromete a capacidade de adaptação das empresas.

A FIERGS alerta que medidas dessa natureza tendem a pressionar o custo de produção, impactar preços de bens e serviços, gerar efeitos inflacionários e, sobretudo, prejudicar a geração e manutenção de empregos formais.

Diante disso, é inaceitável que um tema tão sensível e complexo seja tratado com tamanha pressa. O país precisa de um debate sério, técnico e responsável, baseado em evidências e com ampla participação da sociedade — e não de decisões precipitadas que colocam em risco a competitividade da economia brasileira. (FIERGS)


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Indicador segue estável, na casa dos R$ 69/sc
Os preços do milho permaneceram na casa dos R$ 69,00 por saca de 60 kg em quase todo este mês, mesmo registrando pequenas quedas no mercado interno nos últimos dias. Segundo pesquisadores do Cepea, os recuos foram influenciados pelo baixo interesse de compradores, que se mantiveram cautelosos nas negociações. Parte desses agentes relata ter estoques, além de aguardar baixas mais expressivas nos próximos dias. Já vendedores, atentos à demanda enfraquecida, apresentaram maior interesse nas negociações, chegando, em alguns momentos, a reduzir os valores ofertados. De acordo com o Cepea, isso é reflexo da queda cambial, que reduz a paridade de exportação, do avanço da colheita de safra verão e do retorno das chuvas em partes das regiões produtoras de segunda safra, que devem beneficiar o desenvolvimento das lavouras. (CEPEA VIA TERRA VIVA)


Porto Alegre, 14 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.610


Embutidos e produção de laticínios são referência na Serra Gaúcha

A tradição do queijo e do salame da Serra Gaúcha tem um dos seus símbolos na Cooperativa Santa Clara, que completa 115 anos em 2026, em Carlos Barbosa. De acordo com o diretor administrativo e financeiro da cooperativa, Alexandre Guerra, mesmo com a produção hoje espalhada entre as principais bacias leiteiras e de suínos do Rio Grande do Sul, especialmente no Alto Uruguai e Alto Jacuí, a Serra ainda é a referência para os produtos considerados mais nobres na linha de laticínios e embutidos da cooperativa, uma questão de tradição e proteção aos produtores.

Segundo Guerra, saem da fábrica de Carlos Barbosa os chamados queijos de massa dura, requeijões, fondues e cremes. Na fábrica de embutidos e cozidos, como salames, a cooperativa investe para dobrar a capacidade de produção neste ano. 

A aposta nos chamados produtos nobres é uma das fórmulas da cooperativa para enfrentar um cenário já desafiador e que pode se tornar ainda mais nebuloso com o acordo entre Mercosul e União Europeia. 

“Chegamos a 360 milhões de litros produzidos em 2025 e temos um mercado interno no Brasil ainda muito grande. O problema é que este mercado brasileiro não oferece as melhores condições a quem produz aqui. Neste último ano, conseguimos aumentar em 14% a produção leiteira e em 50 novos produtores associados à cooperativa, no entanto, nos últimos 10 anos, a cadeia produtiva achatou de 80 mil para 30 mil famílias no Rio Grande do Sul. 

Precisamos de apoio e proteção governamental a esse produtor, porque ele investe e já garante um padrão de qualidade da União Europeia, mas em condições de competitividade, desiguais em relação ao Mercosul”, aponta Guerra. Segundo ele, até a metade do último ano a produção leiteira rentabiliza para o produtor. Desde então, porém, o cenário ficou mais desafiador, especialmente pelos preços baixos com que entram no mercado brasileiro os produtos lácteos dos países vizinhos. 

Ao mesmo tempo em que a cadeia produtiva do leite reduziu a menos da metade no Estado, a entrada de produtos do Mercosul saltou de 4% para até 10% de todo o disponível no País. (Jornal do Comércio)


Mais vacas, menos fazendas: o novo retrato do leite na Argentina

Os dados mais recentes do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), com base em registros do Senasa, mostram um movimento que vem se repetindo ao longo dos últimos anos: o número de fazendas leiteiras continua em queda, enquanto o total de vacas segue em crescimento.

Os dados mais recentes do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), com base em registros do Senasa, mostram um movimento que vem se repetindo ao longo dos últimos anos: o número de fazendas leiteiras no país continua em queda, enquanto o total de vacas segue em crescimento.

Em março de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve uma redução de 2,57% nas unidades produtivas. No mesmo intervalo, o número de vacas aumentou 1,14%, o equivalente a mais de 17 mil cabeças em um ano. O dado revela um descompasso entre a quantidade de fazendas e o tamanho do rebanho, indicando que a atividade está sendo sustentada por estruturas produtivas maiores.

Tabela 01 - Número de animais total

Tabela 02 - Número de animais

Esse movimento também aparece quando se observa a média de animais por fazenda. Atualmente, cada unidade conta com cerca de 170 vacas, número superior ao registrado no ano anterior. Ainda que o relatório não proponha interpretações, os dados mostram que, mesmo com menos unidades em operação, o volume de animais por propriedade segue aumentando.

Tabela 03 - Número médio de animais por fazenda

Ao longo dos últimos meses, a trajetória do número de vacas em ordenha vinha acompanhando a redução das fazendas. No entanto, em março deste ano, houve um incremento expressivo, com mais de 50 mil vacas em relação ao mês anterior. Trata-se de um ponto fora do padrão recente, cuja continuidade ainda dependerá da evolução dos próximos dados.

A distribuição das vacas entre as fazendas reforça essa dinâmica de forma ainda mais clara. As propriedades com mais de 500 vacas representam apenas 6,6% do total, mas concentram 28,3% de todo o rebanho e respondem por mais de um terço da produção de leite do país. No outro extremo, as fazendas com menos de 100 vacas somam 33,2% das unidades, mas têm apenas 8,6% das vacas e participam com menos de 10% da produção total.

A concentração também se observa no aspecto geográfico. A chamada Região Central — formada por Santa Fé, Córdoba, Buenos Aires e Entre Ríos — reúne a grande maioria das fazendas e praticamente todo o rebanho em produção no país, consolidando-se como o principal polo leiteiro argentino.

Os dados do OCLA, portanto, desenham um cenário consistente: menos fazendas, mais vacas e um aumento no número médio de animais por unidade produtiva. Trata-se de uma mudança estrutural que se evidencia ao longo do tempo e que redefine o perfil da produção de leite na Argentina.

As informações são do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint e pelo Sindilat/RS. 

Justiça Federal suspende multas da ANTT relacionadas ao preço mínimo de frete

A Justiça Federal de São Paulo suspendeu, a pedido de uma transportadora e uma fabricante de produtos de higiene e limpeza, autos de infração e a cobrança de multas relacionadas ao preço mínimo de frete. Trata-se, segundo especialistas, da primeira decisão no país a apreciar as alterações trazidas pela Medida Provisória (MP) nº 1.343, editada em março.

A MP instituiu um novo sistema de multas e sanções e ampliou a fiscalização do piso do frete rodoviário. A norma prevê multas elevadas, de até R$ 10 milhões por operação, e a possibilidade de suspensão ou cancelamento do registro de transportadora.

A decisão (tutela de urgência) foi proferida pelo juiz Carlos Alberto Loverra, da 1ª Vara Federal de São Bernardo do Campo (SP). Para ele, o risco de dano é evidente, uma vez que as empresas acumulam 247 autuações desde outubro de 2025, que somam cerca de R$ 129 mil. (Valor)


Jogo Rápido

Produção de leite concentrada: número de produtores está caindo, mas a captação aumentando
Confira a entrevista do Pesquisador da Embrapa, Paulo Martins para o canal DBO clicando aqui. (DBO via youtube)