Porto Alegre, 30 de janeiro de 2026 Ano 20 - N° 4.565
EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1904 de 29 de janeiro de 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
Do ponto de vista sanitário e produtivo, o quadro está estável. Houve estresse térmico aos animais, em mais de uma região, devido às temperaturas elevadas, o que reforçou a necessidade de adoção de medidas de manejo, como disponibilidade adequada de sombra, uso de ventiladores e o fornecimento contínuo de água de boa qualidade e em quantidade suficiente. A utilização de alimentos conservados, como silagem, feno e pré-secado, segue sendo adotada nas dietas, visando suprir a demanda energética dos animais.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção do período ficou estável. Os produtores aceleraram a passagem dos animais pelos potreiros para evitar que as forrageiras ultrapassem o ponto ideal, especialmente nas pastagens de sorgo, capim-sudão e milheto.
Na de Caxias do Sul, a temperatura elevada causou estresse nas vacas, especialmente em locais com pouca disponibilidade de sombra. No entanto, a produtividade foi mantida. Nos sistemas confinados, utilizaram-se ventiladores e aspersores para mitigar os efeitos negativos do calor excessivo. O tempo seco favoreceu a limpeza dos úberes e a qualidade do leite em função da ausência de barro.
Na de Erechim, os rebanhos voltaram a acessar os piquetes, beneficiados pelos dias mais ensolarados e pela redução do excesso de umidade do solo, o que possibilitou melhor aproveitamento das pastagens. Houve redução do excesso de umidade nos arredores das propriedades e nos estábulos, evitando a formação de barro, o que diminui os riscos de mastite, problemas de casco e lesões decorrentes de atolamentos e escorregões.
Na de Ijuí, a produção está estável. Os criadores menos capitalizados reduziram a quantidade de complemento alimentar na tentativa de baixar os custos de produção.
Nas de Passo Fundo e Pelotas, houve redução de produtividade, em alguns locais, devido à menor disponibilidade de forragem aos animais.
Na de Santa Maria, a oferta de pastagens, aliada às estratégias de manejo nutricional e sanitário empregadas nas propriedades, garantiram a manutenção da produção em níveis satisfatórios. (Emater/RS)
BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO Nº 05/2026 – SEAPI
Na última semana, a atuação de um sistema de alta pressão favoreceu a persistência do tempo estável em todo o estado do Rio Grande do Sul. Dessa forma, entre os dias 22/01 (quinta-feira) e 28/01 (quarta-feira), as condições meteorológicas permaneceram predominantemente estáveis, com apenas registros pontuais de chuvas isoladas ao final dos dias 27/01 e 28/01.
As pastagens apresentaram elevado vegetativo e condições fitossanitárias satisfatórias, refletindo um desempenho geral ainda positivo e disponibilidade de forragem acumulada. No campo nativo, houve melhoria na oferta e na qualidade. Contudo, a ausência de chuvas já começa a impactar a qualidade do pasto, exigindo maior atenção ao manejo das lotações para a manutenção desse nível de desempenho.
Na bovinocultura de leite e na de corte, as temperaturas elevadas registradas no período ocasionaram estresse térmico nos rebanhos em diferentes regiões, reforçando a necessidade de adoção de práticas de manejo voltadas à mitigação dos seus efeitos e à manutenção do bem-estar animal.
Na próxima semana, a atuação predominante de um sistema de alta pressão favorecerá a manutenção do tempo estável na maior parte do período em todo o estado do Rio Grande do Sul. Nos dias 30/01 (sexta-feira) e 31/01 (sábado), as condições de tempo estável deverão predominar em grande parte do estado. Ainda assim, no litoral gaúcho e em regiões adjacentes, os efeitos da circulação marítima poderão ocasionar pancadas isoladas de chuva ao final do dia. No dia 01/02 (domingo), o tempo deverá permanecer estável em praticamente todo o Rio Grande do Sul, sem previsão de chuva significativa na maior parte das regiões. Entre os dias 29/01 e 31/01, as temperaturas estarão em declínio. A partir do dia 01/02, os valores voltarão a entrar em elevação, acompanhando o padrão atmosférico dominante.
Nos dias 02/02 (segunda-feira), 03/02 (terça-feira) e 04/02 (quarta-feira), a manutenção do padrão atmosférico dominante favorecerá a continuidade do tempo estável em praticamente todo o território gaúcho, sem previsão de chuva significativa na maior parte das regiões. As temperaturas estarão em elevação. De forma geral, os acumulados devem variar entre 0 e 50 milímetros ao longo da semana. Na região da Fronteira Oeste, se encontram os menores valores previstos e, portanto, os volumes de chuva previstos não deverão ultrapassar os 10 milímetros. Já os maiores volumes previstos se encontram nas regiões de Campos de Cima da Serra e Serra, onde, em alguns pontos isolados, os acumulados devem chegar próximos aos 50 milímetros. (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação adaptado Sindilat)
LEITE/CEPEA: Preços acumulam queda de 25,8% em 2025
Cepea, 28/01/2026 – O preço do leite ao produtor captado em dezembro/25 caiu pelo nono mês consecutivo, fechando a R$ 1,9966/litro na Média Brasil – quedas de 5,78% frente a novembro/25 e de 25,79% sobre dezembro/24, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de dezembro/25). Com o resultado, a desvalorização real acumulada em 2025 foi de 25,8%. A média anual, de R$ 2,5617/litro, ficou 6,8% abaixo da de 2024.
Os seguidos recuos no campo são explicados pelos altos estoques de derivados. Em 2025, a oferta de lácteos aumentou consideravelmente, impulsionada por investimentos realizados em 2024 e pelo clima favorável ao longo do ano. De novembro a dezembro, o ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 0,41% na Média Brasil, mas, no acumulado do ano, subiu 15,4%.
Apesar de terem recuado em dezembro pelo segundo mês consecutivo, as importações ajudaram a manter elevados os estoques de lácteos no último bimestre de 2025. No ano, foram adquiridos 2,21 bilhões de litros em equivalente leite, apenas 5,9% a menos que em 2024, ano de importações recordes. Além disso, os embarques recuaram 31,6% em 2025, para 67,58 milhões de litros em equivalente leite.
Nesse contexto, as negociações de lácteos entre indústrias e canais de distribuição continuaram pressionadas em dezembro. Levantamento realizado pelo Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostra que, em dezembro, as médias da muçarela, do leite UHT e do leite em pó caíram 1,38%, 6,67% e 0,79%, respectivamente, em termos reais.
A queda no preço do leite no campo vem estreitando as margens do produtor, mesmo com a relativa estabilidade dos custos em 2025. Pesquisa do Cepea aponta que, no acumulado do ano, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,57% na Média Brasil. A valorização do milho também tem limitado o poder de compra do produtor: em dezembro, foram necessários 34,87 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg do grão, 9,04% a mais que no mês anterior (31,97 l/sc) e 21,7% acima da média dos últimos 12 meses (28,66 l/sc).
Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de dezembro/2025)
Fonte: Cepea adaptado pelo Sindilat
Jogo Rápido
Argentina exporta 27% da produção de leite e bate recorde
O setor de lácteos da Argentina registrou em 2025 o seu melhor desempenho externo dos últimos 12 anos, impulsionado por um processo de modernização da cadeia produtiva e condições favoráveis de mercado. Dados divulgados pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca do Ministério da Economia mostram que o país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando uma receita total de US$ 1,69 bilhão. O resultado representa um crescimento anual de 11% em volume e de 20% em valor na comparação com o ano anterior, refletindo a valorização dos itens comercializados. Quando convertido para litros equivalentes, o volume embarcado somou 3,129 bilhões de litros, um salto de 18% ante 2024, o que significa que o mercado internacional absorveu 27% de toda a produção nacional de leite no período. A oferta doméstica também mostrou bons números: a produção total atingiu 11,618 bilhões de litros entre janeiro e dezembro de 2025, marcando o maior volume produtivo da década para o setor e o segundo maior da série histórica argentina. (Agro Estadão)
