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Porto Alegre, 14 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.553


REFORMA TRIBUTÁRIA - Sancionada última parte da regulamentação

O presidente Lula participou ontem da cerimônia de sanção do Projeto de Lei Complementar de número 108/2024 que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), órgão responsável por gerir e coordenar operacionalmente o novo imposto que será compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios. Na solenidade também foi lançada a Plataforma Digital da Reforma Tributária, marcando o início da fase de implementação da nova arquitetura tecnológica que dará sustentação à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) no contexto da reforma tributária aprovada pelo Congresso.

SIMPLIFICAÇÃO
A nova lei regulamenta a gestão e a fiscalização do IBS, que vai substituir o principal imposto estadual, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), e o principal imposto municipal, o Imposto Sobre Serviços (ISS). A estrutura do comitê gestor deverá garantir a simplificação para o contribuinte. A legislação estabelece igualmente que o imposto estadual sobre heranças deverá ser progressivo, ou seja, quem tem menos, paga menos, conforme ressaltou o governo. As alíquotas do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) serão definidas por cada estado, respeitando o teto de alíquota definido pelo Senado.

O ato que se realizou na sede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) em Brasília concluiu uma etapa considerada essencial para a regulamentação da reforma tributária, na qual os entes atuam em conjunto com o objetivo de simplificar o sistema tributário para o contribuinte.

A sanção da nova lei, destacou o governo em comunicado, “marca o ingresso do país em uma nova era de federalismo cooperativo com a gestão e fiscalização do IBS em colaboração e parceria inédita entre as administrações tributárias dos entes federados”. (Correio do Povo)


Dívidas abocanham mais da renda dos gaúchos

Os gaúchos fecharam 2025 com 29,5% da renda comprometida com dívidas, ou seja, quase um terço. Não chega a ser um superendividamento, mas preocupa. Um ponto é que o indicador vem subindo há 14 meses consecutivos no monitoramento da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), atingindo o maior patamar desde outubro de 2019.

Outro ponto é que a pesquisa considera dívidas ligadas à tomada de crédito, como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos. Ou seja, ainda há outra parte da renda que vai para contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia. Quanto sobra para os demais gastos e para imprevistos? Esse estrangulamento também aumenta o risco de inadimplência e limita a capacidade de consumo.

“Esse quadro reflete, sobretudo, o ambiente de política monetária contracionista, com juros elevados e crédito mais restritivo, que amplia o custo do endividamento. Mesmo em um contexto de mercado de trabalho aquecido, com salários reais em níveis historicamente elevados, e de inflação de alimentos mais benigna — com itens relevantes da cesta básica, como arroz e leite, em queda —, o peso crescente do crédito limita uma melhora mais consistente da situação financeira das famílias”, diz análise da Fecomércio-RS.

A pesquisa de dezembro apontou que 85% das famílias estavam endividadas. Com contas em atraso, eram 25,4%. Cartão de crédito voltou a ser a principal origem das dívidas, mencionado por 56,8% dos endividados. Na sequência, aparecem carnês (52%), financiamento de carro (8,8%), financiamento habitacional (5,9%), crédito pessoal (5,3%) e consignado (2,8%). (Zero Hora)

Leite, subsídios e preços: quem paga a conta no Brasil?

Na prática, não existe hoje no Brasil um programa recente, claro e mensurado de subsídio direto à produção de leite nas bases oficiais. O impacto da política pública ocorre por caminhos indiretos, por meio de decisões macroeconômicas, regras de mercado, crédito, importações e condução da economia, que acabam influenciando custo de produção, oferta, preços e margem na porteira.

Quando o tema surge, a pergunta do produtor é objetiva: onde isso entra no meu bolso? A resposta não vem em forma de cheque. Diferentemente de outros países, o produtor brasileiro não recebe pagamento direto para produzir leite. O efeito se manifesta de maneira difusa, porém constante, moldando o ambiente em que a atividade acontece e transferindo o ajuste quase integralmente para quem está dentro da fazenda.
Os preços do leite ajudam a entender essa dinâmica. Dados do Cepea indicam forte oscilação ao longo de 2025 e no início de 2026. Em janeiro de 2025, o preço médio Brasil do leite líquido ao produtor foi de R$ 2,6492 por litro, com avanço mensal e ganho real frente ao mesmo período do ano anterior. A partir do segundo semestre, no entanto, a pressão aumentou de forma significativa.

Em outubro de 2025, o preço médio real caiu para R$ 2,2996 por litro, recuo de 21,7% em relação a outubro de 2024. Em novembro, estados como São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Minas Gerais registraram valores próximos ou abaixo de R$ 2,20 por litro. No início de 2026, o Cepea voltou a apontar preços baixos em comparação histórica, com expectativa de recuperação apenas sazonal entre abril e agosto.

A relação com os subsídios é direta justamente pela ausência deles. Sem mecanismos de sustentação de renda ou proteção mais clara, o preço do leite reflete quase exclusivamente o balanço entre oferta, demanda e importações. Quando há excesso de leite ou entrada maior de produto estrangeiro, o ajuste é rápido e recai sobre o produtor.

Do lado dos custos, o cenário segue apertado. O custo operacional efetivo médio subiu 0,52% entre setembro e outubro de 2025, puxado principalmente por defensivos, segundo indicadores do Cepea. A alimentação permanece como o principal fator de pressão. O milho chegou a exigir 28,4 litros de leite para a compra de uma saca de 60 quilos, piora de 7,1% em relação a setembro de 2025.

Sem subsídio à alimentação, equalização de custos ou políticas de amortecimento, a margem desaparece rapidamente quando o preço do leite não reage. Na prática, o produtor precisa produzir mais litros apenas para cobrir o custo do cocho. Sistemas com menor escala, gestão menos ajustada ou dietas pouco eficientes ficam mais expostos à volatilidade.

A resposta da oferta também reflete esse ambiente. O Brasil produziu cerca de 37 bilhões de litros de leite em 2025, crescimento de 3,5% sobre 2024, segundo o Cepea, estabelecendo um novo recorde. Parte desse avanço veio da recuperação após os efeitos da seca e do calor registrados em 2024 e no início de 2025, que haviam reduzido a produção em algumas regiões.

Para 2026, a projeção é de crescimento mais moderado, entre 2% e 2,5%. Sem política de estímulo direto, o comportamento do produtor segue o padrão clássico: expande quando o preço permite e reduz custos quando o cenário aperta. O ICAP-L indicou recuo de 0,7% entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025 em estados relevantes, sinalizando maior cautela.

As importações completam o quadro. Em outubro de 2025, as compras externas de lácteos cresceram 8,4%, somando 214,73 milhões de litros em equivalente leite. Esse volume entrou justamente em um período de maior oferta doméstica. Sem tarifas ou mecanismos de compensação mais robustos, o produto importado pressiona o mercado interno e reduz o poder de negociação do produtor com a indústria.

O câmbio atua como pano de fundo permanente. Com o real valorizado, importar se torna mais barato. Quando ocorre desvalorização, o custo sobe, mas o repasse ao produtor nem sempre acompanha no mesmo ritmo.

O efeito real da política de subsídios hoje é indireto e silencioso. A ausência de instrumentos claros faz com que o ajuste de mercado recaia sobre o produtor, torne a eficiência uma obrigação, aumente a sensibilidade à decisão de investir ou sair da atividade e transforme gestão de custos e fluxo de caixa em fatores tão críticos quanto a produção em si.

No início de 2026, o alerta do Cepea foi de cautela. Com crescimento econômico moderado, oferta relativamente controlada e preços em patamar baixo, as margens tendem a ser menores do que em 2024 e no primeiro trimestre de 2025. O espaço para melhora depende da reação do consumo e da indústria. Nesse contexto, entender como a política pública afeta o leite, mesmo sem subsídios diretos, deixa de ser teoria e passa a ser estratégia de sobrevivência. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Agronews)


Jogo Rápido

BNDES - Mais R$ 15,3 bi para Plano Safra
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizou ontem mais R$ 15,3 bilhões para operações de crédito rural no âmbito dos programas do Plano Safra 2025-2026. Do montante, R$ 10,4 bilhões serão para linhas voltadas para agricultura empresarial e R$ 4,9 bilhões para agricultura familiar. Com a medida, o total de recursos ainda disponível nos diferentes programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF) a serem repassados pelo banco é de R$ 20,1 bilhões, com prazo de utilização até junho de 2026. (Correio do Povo)


Porto Alegre, 13 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.552


 

Preço do leite ao produtor tem queda de cerca de 30% e preocupa cadeia leiteira no Rio Grande do Sul

A queda no preço do leite pago ao produtor rural tem acendido um sinal de alerta no início de 2026 no Rio Grande do Sul. Segundo o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, a redução nos valores pagos ao produtor começou a se intensificar a partir de setembro de 2025 e está diretamente ligada ao forte aumento da produção, tanto no Estado quanto no país, aliado ao crescimento das importações de derivados lácteos de países vizinhos.

De acordo com o levantamento do setor, a produção de leite no Rio Grande do Sul cresceu 12% em 2025 em comparação com o ano anterior, enquanto a produção nacional teve aumento médio de 8%. Esse avanço, no entanto, não foi acompanhado pelo consumo, que cresce cerca de 1% ao ano. O cenário resultou em um descompasso entre oferta e demanda, pressionando os preços pagos aos produtores.

A situação se agrava com o aumento das importações de produtos lácteos, especialmente da Argentina e do Uruguai. Até 2022, esses produtos representavam cerca de 2% do consumo nacional, percentual que saltou para 9% em 2025. Boa parte dessas importações, conforme Darlan, envolve leite em pó e queijo mussarela, adquiridos principalmente por indústrias de chocolate e grandes redes de supermercados, o que amplia os estoques internos e reduz ainda mais o espaço para a produção nacional.

Entre as reivindicações do setor lácteo ao Governo Federal estão a adoção de uma política de benefício tributário para empresas de alimentos que usam o leite em pó nacional e uma sobretaxa de 50% para a entrada de produtos como leite em pó, manteiga, soro e mussarela provenientes da Argentina e do Uruguai.

Atualmente, os valores pagos ao produtor, conforme referência do Conseleite, variam entre R$ 1,85 e R$ 2,15 por litro, dependendo do volume entregue e da indústria compradora. Em agosto do ano passado, esses valores chegavam a patamares entre R$ 2,60 e R$ 3,10, o que representa uma queda próxima de 30% em poucos meses.

Segundo o Sindilat, esse preço já não cobre os custos de produção em muitos sistemas, colocando em risco a sustentabilidade de parte das propriedades. A expectativa do setor é de estabilidade nos preços ao longo de janeiro e início de fevereiro, período tradicionalmente marcado por menor consumo devido às férias escolares.

A projeção mais otimista aponta para uma possível recuperação a partir de março, com a retomada das atividades econômicas e do calendário escolar, que eleva a demanda por lácteos. Ainda assim, o Sindilat alerta que 2026 começa de forma delicada para o produtor, e que a recuperação dos preços será decisiva para evitar o abandono da atividade leiteira e garantir a permanência das famílias no campo. CLIQUE AQUI para ouvir a entrevista. (Rádio Caxias)


EUA: novas diretrizes alimentares reforçam o papel dos lácteos na saúde

A Casa Branca transmitiu uma mensagem direta ao consumidor americano: “Comam comida de verdade.” O lançamento das Dietary Guidelines for Americans 2025–2030 marca o que vem sendo descrito como o ajuste mais significativo da política federal de nutrição em décadas, com uma mudança clara na hierarquia dos alimentos recomendados e impactos diretos para a cadeia produtiva de proteínas e laticínios.

“Estamos finalmente colocando a comida de verdade de volta no centro da dieta americana. Comida de verdade que nutre o corpo, restaura a saúde, abastece a energia e constrói força”, afirmou a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins.

Segundo ela, a nova abordagem também valoriza a capacidade produtiva do campo americano: "Essa mudança também se inclina para a oferta de alimentos abundantes, acessíveis e saudáveis já disponíveis através dos incríveis agricultores e pecuaristas da América. Ao produzir leite, criar gado e cultivar frutas, vegetais e grãos saudáveis, eles detêm a chave para resolver nossa crise nacional de saúde”.

A nova pirâmide alimentar praticamente inverte o modelo difundido desde os anos 1990. No topo estão as proteínas, com recomendação de ingestão entre 1,2 e 1,6 gramas por quilo de peso corporal por dia, acima dos 0,8 gramas sugeridos anteriormente. Em seguida aparecem laticínios e gorduras saudáveis, depois vegetais e frutas. Grãos integrais passam a ser limitados a duas a quatro porções ao dia, enquanto açúcares adicionados e óleos altamente processados devem ser evitados.

De acordo com Sigrid Johannes, da diretora executiva de assuntos governamentais da National Cattlemen’s Beef Association, para indivíduos que sigam o limite superior de proteína, representa um aumento de 100% na ingestão diária recomendada de proteína em relação às diretrizes anteriores.
 
Lácteos ganham protagonismo
Um dos pontos de maior relevância para a cadeia leiteira é o reconhecimento explícito dos laticínios em todos os níveis de gordura. Pela primeira vez, a orientação nutricional federal dos EUA apoia o consumo de leite integral, queijos e manteiga sem a distinção negativa associada ao teor de gordura.

“Uma das mensagens principais que estão transmitindo aos consumidores é: coma laticínios e coma laticínios em todos os níveis de gordura — isso inclui leite integral, queijo e manteiga”, destacou Matt Herrick, da International Dairy Foods Association (IDFA), classificando o momento como “um momento decisivo significativo”.

Na mesma linha, Gregg Doud, presidente e CEO da National Milk Producers Federation, reforçou que o reconhecimento simultâneo da gordura e da proteína oferece uma leitura mais fiel do valor nutricional dos lácteos. “Nem todas as gorduras são criadas iguais e, como as diretrizes reconhecem isso, os benefícios dos laticínios são melhor refletidos nesta iteração das diretrizes”, afirmou.

O documento também mantém a recomendação de três porções diárias de laticínios, destacando que os produtos lácteos são fonte relevante de proteína, gorduras, vitaminas e minerais. Esse reposicionamento dialoga diretamente com o comportamento do consumidor. Segundo Herrick, o queijo cottage atingiu seu maior nível de consumo desde a década de 1980, impulsionado pela busca por alimentos ricos em proteína.

“Os consumidores estão olhando para os rótulos mais do que nunca e tentando encontrar alimentos mais limpos e menos processados. Os laticínios se encaixam nesse perfil”, disse Herrick. “A maioria dos produtos tem apenas um punhado de ingredientes e todos são ricos em proteína”.

Esse movimento também se reflete na indústria. Entre 2022 e 2025, cerca de US$ 8 bilhões foram investidos em novas plantas de processamento, com previsão de mais US$ 11 bilhões até 2028, acompanhando o crescimento da demanda por proteínas lácteas e gorduras consideradas saudáveis.

Proteína animal no centro do debate
As novas diretrizes também reforçam o papel da carne e das aves como fontes nutricionais estratégicas. Para Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, a mensagem ficou mais simples e objetiva. “Evidências científicas robustas demonstram que a carne é uma fonte rica em proteínas de alta qualidade, vitaminas essenciais e minerais altamente biodisponíveis que apoiam a saúde humana ao longo da vida”, afirmou.

As diretrizes também recomendam que alimentos densos em nutrientes, incluindo carnes, sejam introduzidos precocemente na alimentação infantil e mantenham papel central ao longo da infância.

Frutas, vegetais e alimentos minimamente processados
Apesar do destaque às proteínas e aos laticínios, frutas e vegetais continuam ocupando espaço central. O documento recomenda três porções diárias de vegetais e duas de frutas, priorizando o consumo “em sua forma original”.

As diretrizes também orientam a redução de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e excesso de sódio, ponto elogiado pela Associação Médica Americana. “As diretrizes afirmam que a alimentação é um remédio e oferecem orientações claras que pacientes e médicos podem usar para melhorar a saúde”, disse Bobby Mukkamala.

Críticas e controvérsias
Nem todos os especialistas concordam com o novo direcionamento. Marion Nestle, ex-professora da Universidade de Nova York, afirmou que o incentivo ao consumo de proteína não faz sentido, argumentando que os americanos já consomem quantidades suficientes. Segundo ela, "Com exceção da excelente recomendação de reduzir o consumo de alimentos altamente processados, que não eram particularmente comuns naquela época, essas diretrizes nos remetem às dietas da década de 1950, quando todos consumiam muita carne e laticínios e não se preocupavam muito com vegetais, e as doenças cardíacas eram desenfreadas".

A Associação Americana do Coração também demonstrou preocupação. Embora tenha apoiado a ênfase em frutas, vegetais e grãos integrais, alertou: "Estamos preocupados com o fato de que as recomendações sobre o tempero com sal e o consumo de carne vermelha possam, inadvertidamente, levar os consumidores a exceder os limites recomendados de sódio e gorduras saturadas, que são os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares."

Implicações para a cadeia produtiva
Além do aspecto nutricional, as diretrizes sinalizam impactos estruturais no sistema alimentar. Rollins antecipou mudanças nos padrões de estoque do varejo vinculado ao SNAP (Supplemental Nutrition Assistance Program, programa federal de auxílio alimentar dos EUA) , com o objetivo de ampliar o acesso a alimentos integrais e saudáveis. “Isso significa que opções mais saudáveis estarão ao alcance de todas as famílias americanas, independentemente das circunstâncias”, afirmou.

No segmento de grãos e oleaginosas, entidades como a American Soybean Association e a National Oilseed Processors Association defenderam o papel da soja e dos óleos vegetais, ressaltando que o farelo é componente essencial das dietas de bovinos, aves e suínos, apoiando a produção de carne, leite e ovos acessíveis.

No conjunto, as novas diretrizes alimentares dos Estados Unidos reposicionam a proteína e os laticínios no centro da alimentação, reforçando sua relevância nutricional e econômica. Para a cadeia leiteira, o documento representa não apenas um reconhecimento científico, mas também um sinal claro de alinhamento entre saúde pública, consumo e produção de alimentos considerados essenciais. (As informações são da USDA, BBC, Dairy Herd Managemen e Hoard's Dairyman)

 
Teste identifica leite livre de proteína ligada à má digestão

A startup brasileira Scienco Biotech desenvolveu e patenteou uma tecnologia capaz de identificar o tipo de leite que é livre de uma proteína associada à má digestão. Trata-se de um teste realizado logo após a ordenha do animal, semelhante ao de gravidez.

O teste rápido da Scienco pode ser feito pelo próprio pecuarista, com um pingo de uma amostra de leite, e o resultado sai na hora, segundo a veterinária Maria de Lourdes Magalhães, criadora do teste e CEO da startup. Ela observa que, no modo convencional, esse processo é feito por meio da análise do DNA dos animais, com testes laboratoriais “caros e demorados”.

As vacas podem produzir leite com a proteína A1, relacionada à má digestão, ou a proteína A2, que não está associada ao problema e é a mesma encontrada no leite materno. O leite A2 provém de vacas com o gene A2A2 e não promove a formação da beta-casomorfina-7 (BCM-7), associada a possíveis desconfortos digestivos e presente no leite A1, explica Diana Jank, diretora de marketing da Letti.

A Letti pertence ao grupo Agrindus, um dos maiores produtores de leite do Brasil, e fabrica produtos lácteos apenas com a proteína A2, utilizando outra tecnologia para identificação.

Gustavo Silva, diretor de inovação da Scienco Biotech, vê potencial para “revolucionar” a cadeia de leite no Brasil com os testes rápidos. “São simples e de baixo custo. Podemos acelerar a tomada de decisão dos pecuaristas”, afirma.

Atualmente, cerca de 1.900 fazendas no Brasil, Colômbia e Coreia do Sul, já utilizam o teste da Scienco. Agora, a empresa começou a vender o teste no mercado da Nova Zelândia, país onde o leite A2 foi identificado pela primeira vez na década de 1990, e onde esse leite começou a ser comercializado em 2003.

Segundo Maria de Lourdes Magalhães, a chegada à Nova Zelândia é um divisor de águas porque, além de pioneiro, o país exporta para a China, que tem alta demanda pelo leite A2, e onde é utilizado na fabricação de fórmulas infantis.

No Brasil, a maior parte dos pecuaristas não costuma identificar o tipo de leite e acaba misturando a produção do rebanho e comercializando tudo como leite A1, que pode causar o desconforto digestivo. “Com a identificação, o produtor pode separar o leite das vacas A2 e vendê-lo de forma diferenciada”, diz ela.

Os pecuaristas que fazem a segregação recorrem a testes de laboratório. No início de 2025, a Scienco recebeu um investimento de R$ 1,8 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para desenvolver um novo teste que identifica leites com maior rendimento para produzir queijos. Magalhães afirma que a tecnologia já está em operação em cerca de 20 fazendas.

“O teste identifica de forma instantânea as vacas que produzem um leite com melhor capacidade de coagulação na produção de queijo, que resulta em um rendimento até 30% maior, com menos perdas e maior padronização na fabricação de queijos”, explica a CEO da Scienco.

Para 2026, o objetivo é lançar uma terceira tecnologia que identifica resquícios de antibiótico no leite. A projeção da Scienco é alcançar cerca de R$ 2 milhões de faturamento com a consolidação das tecnologias. (Gloro Rural)


Jogo Rápido
Julgamentos tributários
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pautou para os meses de fevereiro e março julgamentos que têm grande impacto para a União e empresas. Só três ações tributárias somam um risco fiscal estimado em R$ 72,8 bilhões pela Receita Federal. A pauta dos dois meses também foi divulgada sem prever o julgamento da chamada “uberização” das relações trabalhistas, aguardado para este ano. O caso com maior impacto sobre as contas públicas é o que discute se o ISS, imposto municipal, integra a base de cálculo do PIS/Cofins. (Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 12 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.551


O que esperar do mercado em 2026 depois dos preços em 2025?

Esta análise encerra a série de retrospectivas de 2025, consolidando e contextualizando os principais pontos discutidos nas análises anteriores sobre oferta, demanda e conjuntura internacional do mercado lácteo.

Em síntese, após um ano de forte crescimento da produção, o mercado lácteo brasileiro encerrou 2025 marcado por um expressivo desequilíbrio entre oferta e demanda.

A expansão produtiva, estimulada pelos preços atrativos do primeiro semestre, superou o ritmo de crescimento da demanda, que avançou de forma mais contida, mesmo diante de um ambiente macroeconômico relativamente favorável no âmbito de consumo. Como resultado, houve acúmulo de estoques, pressão sobre os preços dos derivados e quedas significativas no preço ao produtor, sobretudo ao longo do segundo semestre.

No cenário internacional, a ampla oferta global e a demanda mais contida intensificaram a competição entre exportadores e reforçaram o movimento de queda dos preços, enquanto as importações seguiram em patamar elevado, ainda que com leve recuo.

É a partir desse contexto que se coloca a questão central para essa análise: O que esperar do mercado em 2026 depois do mergulho de preços no segundo semestre de 2025?

Perspectivas para a oferta em 2026
O final de 2025 foi marcado por uma queda na rentabilidade do produtor de leite, influenciada principalmente pelo recuo dos preços do leite pagos ao produtor, especialmente no último trimestre do ano, enquanto os preços dos grãos permaneceram relativamente estáveis.

RMCA - Receita menos custo da alimentação (R$/vaca/dia)
Considerando-se a produção de 20 litros/vaca/dia e consumo de 7,2 kg de matéria seca de concentrado/vaca/dia e 10,2 kg de matéria seca de volumoso/vaca/dia.

Essa compressão da rentabilidade em 2025 tende a resultar em um menor crescimento da produção em 2026, especialmente porque a base produtiva brasileira é majoritariamente composta por pequenos e médios produtores, que sentem esse impacto de forma mais intensa.

Segundo o levantamento Quem Produz o Leite Brasileiro 2025, dentro da amostra analisada, 93% dos produtores estavam enquadrados em estratos de até 1.000 litros por dia, respondendo por cerca de 44,9% da produção nacional.


Mesmo assim, 2026 deve seguir apresentando oferta em patamares elevados, impulsionada principalmente pelo crescimento dos sistemas de confinamento nos estratos de maior escala. Esse movimento tende a manter a produtividade em níveis altos, uma vez que esses produtores precisam sustentar volumes elevados de produção para diluir investimentos já realizados, mesmo em um cenário de compressão da rentabilidade.

Assim, nesse contexto em que cerca de metade da base produtiva brasileira está concentrada nos estratos mais sensíveis à redução das margens, 2026 tende a apresentar um ritmo de crescimento da captação inferior ao observado em 2025.
 
Perspectivas para a demanda em 2026
Ao contrário do cenário que marcou o início de 2025, 2026 começa com os preços dos derivados lácteos em patamares mais baixos, inclusive no varejo, segmento que tradicionalmente reage de forma mais lenta aos ajustes. Como referência, o ano se inicia com deflação aproximada de 9,9% no leite UHT e 9,5% na muçarela, segundo os preços da Fipe.

Essa conjuntura, marcada por preços em patamares mais baixos e por um ano eleitoral, no qual historicamente há estímulos à atividade e à renda, seja por meio da ampliação de programas de transferência de renda ou de outras medidas econômicas, tende a sustentar uma demanda ao menos em níveis semelhantes aos de 2025, ou até superiores.Esse movimento pode contribuir para um melhor equilíbrio entre oferta e demanda em 2026, especialmente em um cenário no qual a oferta não cresça em ritmo tão expressivo quanto o observado em 2025.
 
Perspectiva Internacional
No cenário internacional, a conjuntura de preços também aponta para um momento semelhante, marcado por redução da rentabilidade dos produtores. Como evidência dessa tendência, o compilado dos preços do leite pagos ao produtor, em dólar por litro, mostra que, no segundo semestre de 2025, os valores passaram a recuar. 

A ação dessa compressão da rentabilidade também aparece nas perspectivas de outros relatórios internacionais. A divulgação mais recente do Quarterly Dairy Q4, do Rabobank, referente ao último trimestre de 2025, indica um cenário global no qual a queda dos preços internacionais tende a se refletir nos preços pagos ao produtor nos principais mercados exportadores, reduzindo o ritmo de crescimento da produção também no mercado internacional.


Completando a perspectiva do cenário internacional, assim como no Brasil, o mercado global também registrou redução nos preços dos principais derivados lácteos. Conforme apresentado na retrospectiva sobre demanda, a análise do índice de preços médios de lácteos da FAO indica uma expectativa de entrada em 2026 com preços em patamares mais baixos, o que tende a favorecer uma retomada gradual do consumo ao longo do ano.

Uma primeira resposta a esse movimento já pode ser observada nos contratos futuros negociados na SGX, que, entre o final de 2025 e a divulgação após o primeiro leilão do GDT deste ano, passaram a sinalizar uma reversão da tendência de queda do LPI, com o mercado projetando um viés mais altista para 2026.

Conclusão e perspectivas de 2026
Após o expressivo ajuste de preços na reta final de 2025, o mercado lácteo tende a iniciar 2026 em busca de maior equilíbrio entre oferta e demanda. A forte redução da rentabilidade ao longo do segundo semestre sustenta a expectativa de um crescimento mais moderado da oferta em 2026.

Aliado a isso, a demanda deve se manter estável ou levemente estimulada pelos preços mais baixos dos derivados, favorecendo a construção de um cenário mais equilibrado ao longo do ano.

Essa perspectiva, contudo, não elimina as incertezas e os desafios estratégicos do setor. Ao mesmo tempo, surgem oportunidades relevantes ligadas à consolidação da indústria, à rentabilidade, ao financiamento da cadeia, ao potencial exportador do Brasil e ao crescimento do consumo em segmentos como proteínas lácteas e queijos.

Nesse ambiente, marcado por desafios de curto prazo e decisões estruturais de longo prazo, a discussão qualificada sobre mercado, eficiência e estratégia torna-se fundamental. É nesse contexto que chega o 20º Fórum MilkPoint Mercado. Afinal, a virada do ano não muda o mercado da noite para o dia, mas redefine o ponto de partida das decisões. (E 2026 começa oficialmente onde o mercado lácteo sempre começa: no Fórum MilkPoint)


Sindilat destaca parceria de Ernani Polo nas pautas do leite gaúcho

Homenageado com o troféu Destaques 2025 do Sindilat, o secretário Ernani Polo, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), se despediu nesta  segunda-feira (12) do cargo no Executivo gaúcho fazendo uma prestação de contas. Ele volta a assumir sua cadeira na Assembleia Legislativa.

Com o Salão Negrinho do Pastoreio lotado de autoridades, lideranças empresariais e representantes de diversos setores produtivos do Rio Grande do Sul, Guilherme Portela, presidente do Sindilat, destacou a parceria construída. “Sempre foi um grande parceiro do setor, mantendo a porta aberta no governo, ao longo dos três exercícios em que esteve, na busca pela melhoria da competitividade do leite gaúcho”, afirmou o dirigente que esteve acompanhado do secretário executivo do sindicato, Darlan Palharini. 

Em sua manifestação, Polo agradeceu ao governador Eduardo Leite e ressaltou que a secretaria avançou na condução de projetos estratégicos para o desenvolvimento do Estado. “Foi, de fato, um trabalho de desenvolvimento, tocando em frente todos os projetos. Investidor aqui não fica sem resposta”, destacou, ao defender a continuidade dos investimentos no fortalecimento dos municípios, ressaltando a importância de políticas que estimulem o consumo de produtos locais e valorizem as cadeias produtivas. “Colocamos a casa em ordem e agora dá para olhar para a frente”, afirmou. (Assessoria de Imprensa Sindilat/Crédito: Gisele Ortolan)

Clima colabora para o bom desenvolvimento da safra

As principais culturas de verão das lavouras gaúchas estão com as semeaduras concluídas ou em vias de finalização e o clima tem colaborado para a arrancada e o desenvolvimento dos cultivos. O boletim Informativo Conjuntural, elaborado pela Emater/RS-Ascar, da semana passada, apresenta uma descrição positiva para a evolução dos dois principais grãos de sequeiro do verão, soja e milho, assim como para o arroz irrigado. E a previsão é que as precipitações sigam atendendo às necessidades das plantações nas próximas semanas.

“O que temos observado é, já desde meados de dezembro e, agora, no início de janeiro, a ocorrência de chuvas mais frequentes e com volumes bastante significativos em muitas regiões, num comportamento menos típico do La Niña e mais típico da influência de condições neutras, mas de uma situação de chuvas bastante volumosas”, descreve Loana Cardoso, pesquisadora da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação e coordenadora do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Rio Grande do Sul (Copaaergs).

“A partir da metade de dezembro teve esse retorno das chuvas e uma probabilidade, um prognóstico, de que se deve ter uma continuidade nessa situação de chuvas frequentes, com intensidades variáveis, mas com uma frequência relativamente alta”, explica. “Temos um prognóstico, uma perspectiva, de uma safra seguindo muito boa”, projeta.

“Algumas áreas têm essa variabilidade muito característica do clima, da condição do Rio Grande do Sul de precipitações irregulares. Então, tem áreas onde vai ter mais volume e áreas onde vai ter menos volumes, mas de uma chuva mais regular em ocorrência, não de volume, que deve assim manter uma expectativa de safra boa para o Estado”, estima. Conforme ela, as lavouras de soja se mostram em bom desenvolvimento e uma expectativa positiva para a produção. (Correio do Povo)


Jogo Rápido
Leite
Para o setor lácteo gaúcho, que já soma crises devido à depreciação no preço do leite pago aos produtores, a aprovação do acordo UE-Mercosul é preocupante, já que foram preservados subsídios aos agricultores europeus que os brasileiros não têm (caso da Itália, que retirou impostos sobre fertilizantes após pressão do ramo), avalia o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, que defende uma política setorial. (Zero Hora)


Porto Alegre, 09 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.550


 

Governo gaúcho arrecadou  R$ 53,8 bilhões de ICMS em 2025

O Rio Grande do Sul voltou a registrar em 2025 uma arrecadação anual de ICMS superior a R$ 50 bilhões, após ter alcançado este feito de forma inédita no ano anterior. Apesar disso, o registro de crescimento real, quando leva-se em conta o resultado da inflação no período, foi pouco expressivo, de 1,69%. Ainda assim, o governo gaúcho obteve uma arrecadação recorde de ICMS em valores nominais, isto é, sem considerar a inflação, e registrou o segundo ano seguido de aumento real na receita do imposto. O recolhimento deste tributo representou um total de  R$ 53,82 bilhões em 2025, ante os R$ 50,75 bilhões de 2024. 

Na comparação com 2024, ano marcado pelas históricas cheias de maio e em que os esforços econômicos para a reconstrução do Estado resultaram em aumento na arrecadação, o crescimento nominal – quando se desconsidera a inflação registrada no período – foi de 6%. Já o aumento real de 1,69% se dá por conta da previsão inflacionária para 2025 afirmada no último Boletim Focus, de 4,31%. Apesar do crescimento real acima de 1 ponto percentual em relação ao ano anterior, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) destacou, em nota enviada à reportagem, que cerca de R$ 2 bilhões do total arrecadado de ICMS no ano passado são provenientes do Refaz Reconstrução, um programa estadual de renegociação de débitos tributários de empresas gaúchas. Se não fosse por esta iniciativa, o aumento arrecadatório nominal seria de apenas 2%, com uma queda real de 3% no resultado do recolhimento de 2025 em relação ao ano anterior. 

O impacto do Refaz Reconstrução fica evidente naquele que foi o mês de maior arrecadação de ICMS na história do Rio Grande do Sul: em abril de 2025, foram recolhidos R$ 5,54 bilhões do imposto, única vez que o registro mensal superou R$ 5 bilhões. Deste total, cerca de R$ 1,1 bilhão – ou 20% – tiveram origem no programa estadual.  Sobre as comparações entre as arrecadações de 2025 e do ano anterior, a Sefaz ponderou que 2024 foi um exercício atípico em termos de recolhimento tributário, justamente em razão da catástrofe que atingiu o Estado e demandou investimentos para a sua recuperação, que por consequência foram revertidos em um resultado arrecadatório maior que o estimado para o período. “Essa condição excepcional tende a distorcer as comparações entre os períodos”, disse a pasta sobre os resultados pós-enchentes. A excepcionalidade na arrecadação de 2024 pôde ser observada na diferença com o ano anterior. Em 2023, foram recolhidos  R$ 44,73 bilhões de ICMS, o que significa que o resultado do ano seguinte registrou um crescimento nominal de 13% e real de 9%.

Vale destacar, porém, que o resultado de 2023 foi impactado negativamente por conta de legislações federais que alteraram o cálculo de tributação de combustíveis – Lei Complementar (LC) nº 192/2022 –, em que muitos artigos foram posteriormente revogados e beneficiaram as arrecadações estaduais, e pelo Rio Grande do Sul ter deixado de arrecadar naquele ano a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e a Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) da energia elétrica, algo que voltou à base do cômputo do ICMS em 2024, após decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). (Jornal do Comércio)


Emater/RS: Informativo Conjuntural 1901 de 08 de janeiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

Os períodos de temperaturas elevadas e de elevada umidade exigiram ajustes no manejo dos rebanhos e maior atenção aos aspectos sanitários e de higiene na ordenha, visando à preservação da qualidade do leite e à prevenção de problemas sanitários. Em diversas regiões, houve necessidade de adoção de estratégias para a redução do estresse térmico, como adequação dos horários de pastejo, uso de ventilação e aspersão, além de suplementação alimentar nas horas mais quentes do dia. A oferta de forragem de boa qualidade contribuiu para a manutenção da produção e da saúde dos animais em parte das regiões. Porém, houve alguns registros de redução na produção em situações de estresse térmico mais intenso. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, em propriedades com sistema à base de pasto, os produtores optaram por ajustar os horários de pastejo, priorizando as primeiras horas da manhã e o final da tarde. Houve atraso da ordenha matinal e antecipação da ordenha da tarde, e nos períodos mais quentes as vacas receberam suplementação com silagem e ração em cochos cobertos. 

Na de Frederico Westphalen, a produção teve leve incremento. A sanidade do rebanho leiteiro segue satisfatória, apesar do aumento nos casos de infestação por moscas, especialmente mosca-dos-chifres, além de alguns relatos de presença de carrapatos. 

Na de Ijuí, o período de elevada umidade dificultou as atividades de higiene dos animais durante a ordenha e o deslocamento dos rebanhos nos sistemas de produção a pasto. Nos sistemas confinados, houve leve aumento da umidade do material orgânico utilizado como substrato para a absorção dos dejetos, mas sem comprometer sua qualidade ou demandar substituição. Foram relatados problemas pontuais de falta de energia, que afetaram o resfriamento do leite, mas já foram solucionados. 

Na de Pelotas, as altas temperaturas provocaram estresse térmico nos animais, levando à redução do consumo alimentar e da produção, o que exigiu maior atenção ao manejo de sombra, à disponibilidade de água e à alimentação dos rebanhos.

Na de Passo Fundo e na de Santa Maria, a oferta de forragem de boa qualidade tem favorecido a produção de leite e a manutenção da saúde dos animais. 

Na de Santa Rosa, foram intensificados os cuidados com a higienização dos tetos antes da ordenha, visando à manutenção da qualidade do leite e à prevenção de mastite. Em razão das condições de elevada umidade e de calor, ocorreram problemas pontuais de casco no rebanho, especialmente em áreas de várzea. 

Em Cândido Godói, as temperaturas altas reduziram o tempo de pastejo dos animais, e houve registros de queda de até 18% na produção diária, tornando necessária a suplementação alimentar para evitar maiores perdas. (Fonte: Emater/RS)

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 02/2026 – SEAPI 

Nos próximos dias, a formação de um ciclone extratropical ao sul do Rio Grande do Sul deverá provocar instabilidade e contribuir para a reposição da umidade do solo na Região Sul. Em 09/01 (sexta-feira), um sistema de baixa pressão manterá o tempo instável em todo o RS. Em razão da temperatura e da umidade elevadas, há possibilidade de temporais isolados, com queda de granizo e ventos fortes. A chuva ocorrerá principalmente na Metade Oeste e na faixa de fronteira com o Uruguai pela manhã, espalhando-se ao longo do dia para as regiões Central, Norte e Leste. As temperaturas máximas atingirão 34 °C na Região Metropolitana e Norte.

Em 10/01 (sábado), áreas de instabilidade se espalharão pelo Rio Grande do Sul, associadas à formação de um ciclone extratropical sobre o Uruguai. Haverá rajadas de vento de até 80 km/h no Litoral Sul e na faixa continental adjacente durante a madrugada, e chuva ao longo do dia na Região Sul. Há possibilidade de tempestades isoladas, com ventos fortes e queda de granizo, nas regiões Norte, Nordeste e Leste. A temperatura máxima deve chegar a 32 °C na Região Metropolitana. Em 11/01 (domingo), um sistema de baixa pressão atuará no RS, mantendo nebulosidade e condições favoráveis à chuva no Norte, Nordeste e Litoral Norte. As temperaturas máximas atingirão 23 °C no Sul e na Serra, e 28 °C na Região Metropolitana. 

A previsão indica uma próxima semana ensolarada, com pouca nebulosidade e aumento gradual das temperaturas, beneficiando os trabalhos rurais. Em 12/01 (segunda-feira), o dia amanhecerá com sol e poucas nuvens no Estado; ao longo do dia, a nebulosidade aumenta e áreas de instabilidade favorecem pancadas de chuva fracas e isoladas no Norte e no Nordeste do RS. A temperatura máxima deve atingir 30 °C no Oeste.

Em 13/01 (terça-feira), um sistema de alta pressão garantirá o predomínio do sol pela manhã; à tarde, o aquecimento e a umidade disponível favorecerão o desenvolvimento de nebulosidade. A temperatura máxima deve chegar a 33 °C na Região Central e no Noroeste. Em 14/01 (quarta-feira), o sistema de alta pressão seguirá atuando, mantendo sol e poucas nuvens pela manhã; à tarde, o céu deve ficar nublado, sem chuva no Estado. As temperaturas máximas devem atingir 35 °C no Oeste e na Metade Sul. (Boletim Agrometerologico/SEAPI)


Jogo Rápido
Produtores do Norte do RS investem em leite A2A2 no RS
Mudança genética no rebanho permite bebida mais leve e digestiva. CLIQUE AQUI para assistia a reportagem. (Jornal do Almoço/RBSTV)


Porto Alegre, 08 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.549


Balança comercial de lácteos: balança fecha 2025 com queda de 6,1% nas importações frente a 2024

O saldo da balança comercial de lácteos fechou em -155,4 milhões de litros em equivalente-leite, o que representa uma redução de 10% (-172,3 milhões de litros em novembro). As exportações seguiram aumentando e neste mês registraram alta de 3%, enquanto as importações continuam recuando 9% em relação a novembro.

Em dezembro, as exportações de lácteos totalizaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite, um aumento de 3% frente ao mês anterior, porém 7% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024. No acumulado anual de 2025, as exportações fecharam com queda de 23,4% em relação ao ano de 2024.

As importações continuaram a recuar em dezembro. Com queda de 9% na entrada de lácteos no Brasil, totalizando 160,5 milhões de litros em equivalente-leite. Na comparação com dezembro de 2024, a queda é de 17%. No acumulado anual de 2025, as importações registraram retração de 6,1% frente ao ano de 2024.

Em dezembro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os diferentes produtos:

  • O leite UHT registrou expressiva alta de 167,1 mil em litros no volume exportado, representando 16% do total das exportações de lácteos;
  • O soro de leite apresentou crescimento de 30% nas exportações, após o recuo observado no mês anterior;
  • O leite condensado também registrou desempenho positivo, com aumento de 16% no volume exportado.
  • Em contrapartida, o creme de leite manteve trajetória de queda, com recuo de 17% nas exportações no mês.
  • A manteiga também seguiu em movimento negativo, registrando redução de 7% no volume exportado.
  • No campo das importações, observam-se os seguintes movimentos:
  • O leite em pó integral (LPI), principal item importado, apresentou uma queda mais moderada, de 5% em relação ao mês anterior, após o forte recuo de 30% registrado no último mês.
  • Já o leite em pó desnatado (LPD), segundo principal produto importado, que havia apresentado alta no mês anterior, acompanhou a tendência de retração do LPI e registrou queda de 22% no volume importado frente a novembro.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de novembro e dezembro de 2025.

O que podemos esperar para os próximos meses?
A ampla oferta global de lácteos e o dólar mais baixo ao longo de 2025 sustentaram elevados volumes de importação, cenário que, somado ao forte crescimento da produção nacional, pressionou os preços da indústria e os valores pagos ao produtor, especialmente no segundo semestre.

Para 2026, embora a produção de leite deva seguir em patamares elevados, a queda na rentabilidade observada no final de 2025 tende a desacelerar o ritmo de crescimento da oferta. Ao mesmo tempo, a expectativa de preços mais firmes no mercado internacional pode reduzir a atratividade das importações.

Assim, após um ano marcado por desequilíbrios entre oferta e demanda, o mercado lácteo inicia 2026 em um contexto de preços mais baixos, consumo estável e expectativa de maior equilíbrio. Nesse cenário, a tendência é de redução gradual das importações, o que pode contribuir para uma menor pressão sobre os preços no mercado doméstico ao longo de 2026. (Vivian Batista Padilla e Leonardo Baião Leite de Lima/Milkpoint)


Produtores rurais poderão usar nota fiscal em papel remanescentes até 30 de abril

Desde o último dia 5 de janeiro, a emissão de nota eletrônica passou a ser obrigatória para todos os produtores rurais em operações internas no Rio Grande do Sul. No entanto, atendendo a pedido de produtores, a Secretaria da Fazenda prorrogou, até o próximo dia 30 de abril, o prazo para utilização do talão de produtor rural já impresso, modelo A4, para produtores rurais com receita bruta inferior a R$ 360 mil.

A medida visa garantir maior prazo para o atendimento às exigências que valem para todos os Estados, a partir de norma definida no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A Receita Estadual gaúcha, em diálogo com o setor, está publicando um decreto estadual que formaliza a prorrogação do uso da nota em papel a partir de 5 de janeiro.

Entenda a mudança
O modelo 4 da nota fiscal, em papel, conhecido como “talão do produtor”, deixou de ser aceito desde o último dia 5. A mudança começou pela faixa de produtores que têm maior faturamento e, aos poucos, foi expandida para pequenos produtores. A obrigatoriedade começou a valer em 2021 para os que tinham faturamento superior a R$ 4,8 milhões. Em janeiro de 2025, foram abrangidos também os que tiveram receita bruta de R$ 360 mil ou mais com a atividade rural, além de todas as operações interestaduais. Para o último grupo, foi flexibilizado o uso das notas em papel até 30 de abril.

A modernização da documentação fiscal no setor agropecuário é uma mudança nacional que torna o processo de emissão de notas mais ágil e seguro, reduzindo burocracias, minimizando falhas no preenchimento dos dados e evitando o risco de perda de documentos, além de antecipar a realidade após a Reforma Tributária, que deve extinguir completamente as notas em papel.

A Secretaria da Fazenda (Sefaz) oferece duas alternativas. O aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), disponível para download gratuito pelo celular, é o mais indicado. Como muitos trabalhadores estão no campo, sem acesso à internet, o app pode ser utilizado no modo off-line. Dessa forma, os usuários emitem a nota fiscal e, quando o aplicativo é conectado novamente a uma rede de internet, a nota é autorizada. No próprio aplicativo, os produtores podem apontar problemas, sugerir recursos ou solicitar a inclusão de novos produtos para comercialização.

Clique para conferir o manual de uso do NFF.

Outra opção para a emissão de nota eletrônica é a Nota Fiscal Avulsa (NFA-e), também gratuita. O sistema é indicado para operações mais complexas, como, por exemplo, as de exportação.

A partir de 1º de maio de 2026, fica vedada a emissão de Nota Fiscal de Produtor, modelo 4. (Por Ascom Sefaz/Receita Estadual)

O mundo paga mais — mas exige tudo: a nova fronteira do negócio lácteo

O início de 2026 trouxe um sinal que a indústria láctea global não pode ignorar. Os preços internacionais reagiram com força.

Os valores da leite em pó superaram USD 3.300 por tonelada, inclusive em produtos de menor rentabilidade histórica, reorganizando expectativas industriais, financeiras e políticas.

Mas a mensagem estrutural é menos confortável do que parece. Preços mais altos já não compram tolerância. Pelo contrário: vêm acompanhados de barreiras de entrada mais rígidas, redefinindo o comércio lácteo global em três dimensões inseparáveis — industrial, financeira e política.

Um mercado que melhora, mas não perdoa
Durante anos, preços baixos funcionaram como justificativa para ineficiências estruturais. Margens apertadas serviram de argumento para adiar investimentos, reformas regulatórias e adequações sanitárias.

Esse discurso perdeu validade. A recente recuperação do Global Dairy Trade não é apenas técnica. Reflete demanda ativa, oferta mais ajustada e compradores dispostos a garantir volumes em um cenário geopolítico incerto. Mais do que isso, confirma que o mercado global de lácteos não aceita mais ambiguidades.

Mastellone e a mensagem que incomoda
Poucos sintetizam esse momento com tanta clareza quanto Flavio Mastellone, referência histórica da indústria láctea argentina: “Preços mais altos não mudam o essencial. Não existe demanda internacional por lácteos sem certificações sanitárias completas. Cumprir não é opcional — é o passaporte para os mercados que geram valor.” Não é discurso. É a visão de quem compete em mercados reais, regulados e cada vez mais exigentes.

O fim dos mercados ‘tolerantes’
Por décadas, alguns destinos regionais — com o Brasil como exemplo clássico — funcionaram como válvula de escape para excedentes produtivos. Proximidade geográfica e exigências mais flexíveis sustentaram volumes mesmo sem competitividade estrutural plena.

Esse modelo está se esgotando. Com a oferta crescendo em várias regiões e os preços internacionais se fortalecendo independentemente da demanda regional, depender de um único mercado deixou de ser estratégia e passou a ser risco. O comércio global exige diversificação, previsibilidade e conformidade.

Mercosul: a discussão que não pode mais ser adiada
O debate sobre a Tarifa Externa Comum do Mercosul, hoje em 28% para lácteos, expõe uma tensão política central. Em um mundo de tarifas médias mais baixas, proteção excessiva entra em conflito direto com competitividade global.

Reduzir barreiras implica mais concorrência, mas também força uma reconversão industrial profunda. A questão deixou de ser ideológica: o setor está disposto a jogar segundo as regras globais?

Europa e Ásia: exigência convergente
Na União Europeia, sanidade, rastreabilidade e certificações não se discutem — são pressupostos. O debate se concentra em eficiência, margens e gestão do crescimento da oferta.

A Ásia segue como o principal motor da demanda global. Mas é uma demanda profissionalizada, que paga bem apenas quando qualidade, consistência e garantias sanitárias são inequívocas.
Em ambos os casos, a conclusão é a mesma: o acesso ao mercado tornou-se binário.

Indústria, finanças e política: uma equação única
Este novo cenário expõe uma realidade desconfortável. Produzir mais não basta. A alta de preços não compensa fragilidades estruturais. O comércio lácteo global exige investimento, disciplina financeira, alinhamento regulatório e decisões políticas coerentes.

Os preços elevados oferecem uma oportunidade — e um teste. Quem não aproveitar este momento para se adequar aos padrões internacionais corre o risco de ficar restrito a mercados de baixo valor justamente quando o mundo volta a demandar lácteos.

Conclusão: menos discurso, mais acesso
O mercado internacional envia um recado claro. Paga mais, mas exige mais. Não negocia sanidade, não flexibiliza rastreabilidade e não espera por quem atrasa.

No lácteo global de hoje, competitividade não se mede apenas em toneladas ou preços, mas em credibilidade. E credibilidade é mais difícil de reconstruir do que capacidade produtiva.

O mundo está disposto a comprar. A pergunta é quem está realmente preparado para vender. (Valéria Hamann/eDAIRYNEWS)


Jogo Rápido
Novo salário-mínimo e isenção do IR injetarão R$ 110 bi na economia
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou ontem que o reajuste do salário-mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil vão injetar R$ 110 bilhões na economia em 2026. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, ele afirmou ainda acreditar que seja possível aprovar o fim da escala de trabalho 6x1 em ano eleitoral. O ministro já havia afirmado que o fim da escala 6x1 é uma prioridade do governo Lula em 2026 e que avaliava ser possível reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, antes de iniciar uma diminuição gradativa até 36 horas. O presidente Lula também disse que o País está pronto para o fim da escala. Em relação ao IR, a nova tabela do imposto começou a valer em 1º de janeiro de 2026 e zera a cobrança do tributo para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5.000. A mudança decorre de lei sancionada pelo presidente em 26 de novembro. Além de zerar o imposto para quem ganha até R$ 5.000, a nova tabela reduz a carga tributária para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês. Acima desse valor, seguem válidas as alíquotas progressivas atuais, que vão de 7,5% a 27,5%. A mudança pode representar uma redução de até R$ 312,89 no imposto mensal. No calendário de mudanças do começo do ano, também está o novo valor do salário mínimo, de R$ 1.621, em vigor desde o início de janeiro (1º). O reajuste é de 6,79%. (Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 07 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.548


GDT 395: primeiro leilão indica possível recuperação para o mercado lácteo

O 395º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 06 de janeiro, apresentou ajustes positivos para todos os produtos, fazendo com que o preço médio (price index) dos produtos negociados aumentasse 6,3%, chegando a USD 3.533/tonelada  — revertendo a queda vista no último evento do ano.


O leite em pó integral (LPI) apresentou alta neste leilão, após oito eventos de queda, com reajuste de 7,2%, levando o preço médio a USD 3.407 por tonelada.

O leite em pó desnatado (LPD) também registrou aumento no preço, de 5,4%, com o preço médio ficando em USD 2.564 por tonelada.

A maior alta deste leilão foi observada na gordura anidra do leite com 7,4% de reajuste; este produto apresentou a maior baixa no último evento e desta vez reverteu o preço médio para USD 6.011 por tonelada. A manteiga também apresentou leve reação e, após 6 meses com pressão de baixa, apresentou alta de 3,8%, atingindo o preço de USD 5.206 por tonelada.

Já o cheddar continua com certa tendência de estabilização, e neste evento apresentou variação de apenas 0,6%, com o preço médio em USD 4.665 por tonelada; e a muçarela também apresentou certa estabilidade, com variação de 0,7%, com preço médio de USD 3.418 por tonelada.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Volume negociado diminui
O volume negociado neste leilão totalizou cerca de 29,3 mil toneladas, representando expressiva queda de 13,8% frente ao evento anterior, movimento visto também para o primeiro leilão do ano nos últimos dois anos. Frente ao mesmo mês do ano passado, o volume negociado também diminuiu 2,9%.

Impacto nos contratos futuros
Neste início de ano, os contratos futuros surpreenderam, com alta expressiva comparada ao final de 2025. A tendência de estabilidade para os primeiros meses do ano foi revertida por um movimento altista constante até o final do primeiro semestre, com tendência de recuos apenas para o segundo semestre do ano.

Como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
O evento apresentou demanda firme, com a participação de 177 compradores. Esse apetite comprador, no entanto, encontrou uma oferta mais restrita em relação aos últimos leilões, o que contribuiu para reverter o cenário recorrente de quedas observado nos últimos meses.

Em conjunto com esse resultado do GDT, os preços futuros dos contratos de leite em pó registraram alta expressiva, sinalizando um cenário potencialmente mais positivo para o mercado lácteo internacional, após um período prolongado de recuos. Esse movimento reflete a expectativa de um crescimento mais contido da oferta em 2026, em comparação ao avanço expressivo observado em 2025, quando a produção global de leite surpreendeu, além de uma perspectiva de demanda mais aquecida, favorecendo maior equilíbrio de mercado.

No mercado brasileiro, os preços dos derivados têm apresentado maior estabilidade, influenciados pelo período de final de ano, com expectativa de melhora pontual para alguns produtos.

No Mercosul, os preços também seguiram estáveis em dezembro, com relatos de expectativa de maiores ajustes após a virada para 2026. Vale lembrar que o Mercosul tende a ser influenciado pelos preços praticados no GDT, ainda que com diferenciais regionais. Nesse contexto, espera-se que a tendência de alta no mercado internacional se reflita gradualmente nos preços do Mercosul, o que pode abrir espaço para possíveis reajustes nos derivados no mercado interno, diante de uma menor pressão competitiva em relação ao preço dos produtos importados.

Associado a esse cenário, o dólar tem apresentado movimentações distintas. Como a taxa de câmbio exerce influência direta sobre os preços de importação de produtos lácteos, essas oscilações podem impactar o volume e a competitividade das importações no curto prazo. (Vivian Batista Padilla e Leonardo Baião Leite de Lima/Milkpoint)


Proteína muda o carrinho do consumidor e fortalece os lácteos

A proteína tornou-se o principal motor de crescimento do setor lácteo nos Estados Unidos, redefinindo escolhas de consumo e reposicionando categorias tradicionais dentro da dieta moderna.

Em um cenário marcado por novas conversas sobre saúde, praticidade e funcionalidade dos alimentos, os lácteos mantêm um papel central na alimentação dos americanos, ainda que com mudanças claras no mix de produtos consumidos.

Dados recentes do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA) mostram que, em 2024, o consumo per capita de lácteos alcançou 651 libras por pessoa, considerando o equivalente em leite com base em sólidos e gordura. O volume total pouco variou em relação a anos anteriores, mas a composição desse consumo revela uma transformação relevante nos hábitos alimentares.

Segundo as entidades, a preferência crescente por alimentos ricos em proteína e de consumo rápido vem impulsionando categorias que, até pouco tempo atrás, eram vistas como ultrapassadas. Iogurtes e queijo cottage, por exemplo, ganharam novo protagonismo ao se alinharem às rotinas aceleradas e às demandas nutricionais atuais.

O consumo de iogurte chegou a 14,5 libras por pessoa em 2024, um avanço de 6% em relação ao ano anterior e quase 60% acima do nível registrado duas décadas atrás. Para a IDFA, esse desempenho reflete a consolidação do produto como uma opção prática, versátil e associada à ingestão de proteína de alta qualidade.

O queijo cottage apresentou um crescimento ainda mais expressivo. O consumo per capita subiu mais de 14% em um ano, atingindo 2,4 libras por pessoa, o maior patamar desde 2009. A entidade observa que o produto se beneficiou da revalorização nutricional, impulsionada por dietas focadas em proteína e controle de carboidratos.

Outro destaque do ano foi a manteiga. Após um longo período de retração, marcado pela preferência por produtos com baixo teor de gordura, a manteiga voltou a ocupar espaço nas cozinhas americanas. A mudança na percepção sobre as gorduras alimentares, aliada à busca por ingredientes mais simples e menos processados, contribuiu para essa retomada.

Em 2024, o consumo de manteiga alcançou um recorde de 6,8 libras por pessoa, mais de 20% acima do registrado há dez anos. Analistas do setor apontam que muitos consumidores passaram a enxergar a manteiga como um produto mais “real” e funcional, especialmente para cozinhar e assar, em comparação com margarinas e spreads industrializados.

No segmento de queijos, o cenário foi de estabilidade. O consumo per capita permaneceu em 41,9 libras, o mesmo nível de 2023. Ainda assim, a IDFA ressalta que esse volume representa uma mudança estrutural significativa quando comparado à década de 1970, período em que o consumo anual não ultrapassava 20 libras por pessoa. O dado reforça o status do queijo como um alimento consolidado na dieta americana.

Já o leite fluido apresentou sinais de estabilização após décadas de queda. Em 2024, o consumo manteve-se em 127 libras por pessoa, repetindo o resultado do ano anterior. Embora distante do pico de 247 libras registrado em 1975, o desempenho indica que o leite segue presente no cotidiano das famílias, especialmente no café da manhã, no preparo de alimentos e em bebidas quentes.

De acordo com análises do setor, o leite deixou de ser o protagonista da geladeira, mas permanece como um item funcional e confiável, associado a hábitos domésticos tradicionais.

No campo da indulgência, o sorvete trouxe um leve alívio para a categoria. O consumo avançou para 12 libras por pessoa, mostrando que, mesmo em um contexto de maior atenção à saúde, os consumidores não abrem mão de produtos ligados ao prazer e ao conforto emocional. A introdução de versões com alto teor de proteína também contribuiu para esse desempenho, permitindo conciliar sobremesa e valor nutricional.

No conjunto, os dados reforçam que, apesar das transformações no comportamento do consumidor, os lácteos seguem relevantes. A proteína atua como fio condutor dessa nova fase, impulsionando categorias específicas, enquanto produtos tradicionais como manteiga, queijo e leite mantêm sua base de consumo.

Para o setor, o desafio e a oportunidade estão em equilibrar funcionalidade, sabor e conveniência, mostrando que os lácteos podem atender tanto às exigências nutricionais quanto aos momentos de indulgência do consumidor moderno. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Herd)

Dívidas do agronegócio saltam para R$123,6 bilhões em 2025

A saúde financeira do agronegócio brasileiro acendeu um sinal de alerta, segundo Nota Técnica divulgada ontem pela Farsul. A partir de dados do Banco Central, a entidade avaliou que a“carteira estressada” do crédito rural (que soma atrasos, inadimplência e dívidas renegociadas) saltou de R$ 72,2 bilhões, em julho de 2024, para R$ 123,6 bilhões em novembro de 2025. “O crescimento de 71% no período revela uma deterioração acelerada, concentrada principalmente nos últimos meses”, diz a Farsul. 

Atualmente, cerca de 15% de toda a carteira ativa de crédito rural no Brasil (estimada em R$ 812,7 bilhões) está “sob algum tipo de estresse financeiro”. Segundo a Farsul, atualmente o quadro atual no Brasil não é provocado por questões climáticas, já que o país registrou uma safra recorde em 2025, o que reforça que o problema é econômico, de acordo com a entidade. 

O texto aponta o nível elevado da taxa de juros como o “principal ofensor”, mas faz uma ressalva: a culpa não é da autoridade monetária. “A raiz está no desequilíbrio fiscal, que pressiona a inflação e obriga a manutenção de juros altos”, afirma o documento, e reitera o apoio às decisões do Copom no controle inflacionário. 

Para a Farsul, a análise da execução da Medida Provisória n° 1.314/2025 e da Resolução CMN n° 5.247/2025 revela distorções que preocupam os produtores. Dos R$ 28,2 bilhões renegociados até dezembro de 2025, apenas 19% (R$ 5,4 bilhões) utilizaram recursos públicos com juros subsidiados. 81% (R$ 22,8 bilhões) foram renegociados com recursos livres, sujeitos a taxas de mercado, esclarece a entidade.Renegociar dívidas a juros de mercado em um cenário de Selic elevada pode “transformar a solução em um problema maior”, segundo a entidade. Afinal, o saldo devedor tende a crescer, criando uma acumulação exponencial do passivo. (Correio do Povo)


Jogo Rápido
Brasil tem saldo de US$ 68,3 bi em 2025
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 68,3 bilhões em 2025, divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás de 2023 e 2024. Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos e com a queda no preço das commodities, principalmente do petróleo, as vendas para o Exterior somaram US$ 348,676 bilhões, alta de 3,5% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, beneficiadas pelo crescimento da economia doméstica, as importações aumentaram em ritmo maior. No ano passado, o Brasil comprou US$ 280,382 bilhões do Exterior, aumento de 6,7%. (Zero Hora)


Porto Alegre, 06 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.547


Secretaria da Fazenda RS prorroga prazo para uso do talão de produtor já impresso até abril de 2026

A Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul (SEFAZ-RS) prorrogou até 30 de abril de 2026 o prazo para utilização do talão de produtor rural já impresso, modelo A4, para a emissão de Nota Fiscal nas operações internas. A decisão representa uma importante conquista da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (FETAG-RS), resultado do diálogo permanente da entidade com o governo estadual em defesa dos agricultores familiares.

A prorrogação é válida exclusivamente para os produtores rurais que, nas operações internas, tenham obtido receita bruta inferior a R$ 360 mil em pelo menos um dos anos de 2023 ou 2024. A medida garante mais tempo para que os agricultores se adaptem às exigências da obrigatoriedade da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), evitando prejuízos e dificuldades operacionais durante o período de transição.

Para a FETAG-RS, a decisão reconhece as diferentes realidades do campo e a necessidade de uma transição mais justa e gradual, especialmente para a agricultura familiar, que enfrenta desafios relacionados à conectividade, acesso à tecnologia e capacitação.

A Federação destaca ainda que aguarda a publicação do novo decreto estadual, que regulamentará oficialmente essa prorrogação, trazendo os detalhes operacionais e a segurança normativa necessária para a correta aplicação da medida tanto pelos produtores quanto pelos órgãos fiscalizadores.

A FETAG-RS orienta que os agricultores e agricultoras familiares procurem o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de seus municípios, que está preparado para oferecer orientações, esclarecimentos e apoio técnico sobre a emissão da Nota Fiscal Eletrônica e demais procedimentos necessários. Os sindicatos desempenham papel fundamental na disseminação de informações e no acompanhamento dos produtores durante esse processo de adaptação. (Fetag)


GDT - 06/01/2026

(Fonte: GDT)

Leite Spot: confira valores da primeira quinzena de janeiro/26

Na primeira quinzena de janeiro, o preço médio nacional do leite spot foi de R$ 1,74 por litro, registrando uma estabilidade em relação à quinzena anterior, segundo dados do MilkPoint Mercado.

 
O mercado spot manteve um quadro de estabilidade na primeira quinzena de janeiro. De acordo com os relatos da pesquisa do MilkPoint Mercado, a maior parte dos agentes conseguiu preservar não apenas os preços, mas também os volumes negociados em relação à quinzena anterior. Em alguns estados, como Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, houve um sutil aumento na média dos valores negociados. (MilkPoint)


Jogo Rápido
Classe média menos endividada no RS
O endividamento das famílias gaúchas de classe média não é tão severo quanto o quadro nacional. Chamou atenção a análise da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontando que a fatia de consumidores com renda mensal acima de 10 salários mínimos (mais do que R$ 15.180) e com mais de 50% da renda comprometida com dívidas subiu a 12,8%. Este nível e sem condição de pagar configura o que se chama de superendividamento. Aqui no Rio Grande do Sul, porém, a pesquisa da Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio-RS) aponta 0% das famílias de classe média com comprometimento da renda acima de 50%. Para 85,4% delas, as dívidas somam de 11% a 50% do orçamento. 'Mesmo entre as famílias com renda menor, o comprometimento se concentra nesta faixa. A realidade local é bem diferente da nacional" analisa a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo. (Zero Hora)


Porto Alegre, 05 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.546


Nota eletrônica passa a ser obrigatória para todos os produtores rurais do Estado a partir desta segunda-feira (5)

Seguindo a norma definida no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), a emissão de nota eletrônica passa a ser obrigatória para todos os produtores rurais, em operações internas no Rio Grande do Sul, a partir desta segunda-feira (5/1). Assim, o documento passa a ser usado por mais de 800 mil produtores que atuam no território gaúcho. Em operações interestaduais, a obrigatoriedade já estava valendo.

O modelo 4 da Nota Fiscal, em papel, conhecido como “talão do produtor”, não está mais permitido a partir desta data. Desta forma, caso as notas eletrônicas não sejam emitidas, as transações ficam sem documentação fiscal, o que é considerado descumprimento da legislação tributária.

A modernização da documentação fiscal no setor agropecuário torna o processo de emissão de notas mais ágil e seguro, reduzindo burocracias, minimizando falhas no preenchimento dos dados e evitando o risco da perda de documentos. A renovação antecipa também a realidade após a Reforma Tributária, que deve extinguir completamente as notas em papel.

Como fazer
A emissão dos documentos eletrônicos pode ser feita por diferentes vias, e os produtores têm liberdade para escolher seu emissor preferido. Há, por exemplo, soluções oferecidas por associações e por cooperativas, e é possível desenvolver modelos próprios.

A Secretaria da Fazenda (Sefaz) oferece duas alternativas. O aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), disponível para download gratuito pelo celular, é o mais indicado. Considerada de uso simples e navegação intuitiva, a plataforma usa o login gov.br.

Para realizar uma operação, basta que os produtores preencham dados como o produto, as informações do(a) cliente e a forma de transporte. Depois que os dados são informados, a operação é autorizada e a nota fiscal é emitida, podendo ser compartilhada. Assim, toda a complexidade tributária fica a cargo da Receita Estadual.

Uma das funcionalidades do NFF foi desenhada especialmente para os produtores. Como muitos deles trabalham no campo, sem acesso à internet, o App pode ser utilizado no modo off-line. Dessa forma, os usuários emitem a nota fiscal e, quando o aplicativo é conectado novamente a uma rede de internet, a nota é autorizada. Nestes casos, o limite para solicitações é de 30 notas fiscais eletrônicas, R$ 300 mil ou 168 horas. Depois disso, é preciso estar conectado para que a ferramenta possa voltar a ser utilizada.

Conforme mais usuários vão ingressando na plataforma, melhorias vão sendo incorporadas. No próprio aplicativo, os produtores podem apontar problemas, sugerir recursos ou solicitar a inclusão de novos produtos para transação. Há também um ambiente de testes.

Outra opção para a emissão de nota eletrônica é o Nota Fiscal Avulsa (NFA-e), também gratuito. O sistema é indicado para operações mais complexas, como, por exemplo, as de exportação. A Receita Estadual trabalha para promover aperfeiçoamentos na ferramenta, buscando torná-la mais prática e intuitiva. Informações podem ser obtidas no Manual de Uso do NFF.

Mudança escalonada
A medida vem sendo implantada aos poucos, buscando garantir aos produtores tempo para se adaptarem à novidade – que também está sendo colocada em prática em outros Estados do país. A mudança começou pela faixa dos que têm maior faturamento e, aos poucos, foi sendo expandida para pequenos produtores.

A obrigatoriedade começou a valer em 2021 para aqueles que tinham faturamento superior a R$ 4,8 milhões. Em janeiro de 2025, foram abrangidos também aqueles que tiveram receita bruta de R$ 360 mil ou mais com a atividade rural, além de todas as operações interestaduais.

A Receita Estadual vem dialogando com o setor sobre a implementação da norma. Em diversos momentos, atendendo a pedidos de entidades rurais, a entrada em vigor foi adiada. Isso ocorreu, inclusive, após as enchentes de 2024, que causaram prejuízos para profissionais da área.

Servidores da Subsecretaria também trabalham para capacitar produtores sobre o uso do NFF. Em 2024, chegaram a ser feitos mais de 100 encontros, permitindo que representantes de entidades do setor rural levassem a informação para seus associados. (Fonte: Seapi-RS/Governo do Estado do Rio Grande do Sul)


PERSPECTIVAS 2026-LEITE/CEPEA: CENÁRIO DE 2026 EXIGE CAUTELA

Em 2026, o cenário é de cautela para o setor nacional de pecuária leiteira, apontam pesquisadores do Cepea. Com PIB perto de 2% e a oferta de leite cru crescendo de forma mais moderada (entre 2% e 2,5%), os preços pagos aos produtores podem apresentar menor volatilidade. Porém, é importante lembrar que os valores do leite no campo já iniciam 2026 em patamares bem abaixo dos registrados em anos anteriores e só devem retomar a alta sazonal entre abril e agosto. 

Pesquisadores do Cepea destacam que os possíveis custos menores de ração podem impedir quedas bruscas de margens de produtores leiteiros, mas estas serão menores que as observadas em 2024 e também no primeiro trimestre de 2025. Oportunidades podem existir, mas exigirão disciplina, gestão e eficiência. (Fonte: Cepea)

Produção de leite na UE deve recuar em 2026, aponta USDA

A produção de leite na União Europeia (UE) deve registrar uma leve queda em 2026, refletindo a redução do número de vacas leiteiras, o avanço de regulações ambientais mais rigorosas e os impactos de surtos de doenças animais. Segundo o relatório anual Dairy and Products Annual, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção total do bloco é estimada em 148,9 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma redução de 0,5% em relação a 2025.

Mesmo com custos mais baixos de ração e energia ao longo de 2025, pequenos produtores continuam deixando a atividade. A saída está associada à volatilidade dos preços pagos ao produtor, ao aumento das exigências ambientais, às dificuldades sanitárias e à falta de sucessores nas propriedades rurais. A tendência é de maior concentração da produção em fazendas maiores e mais profissionalizadas, embora os ganhos de produtividade não sejam suficientes para compensar a queda no número de animais.

Os preços do leite pagos aos produtores permaneceram elevados em 2025. Em agosto, a média da UE alcançou 53,2 euros (US$ 62,2) por 100 quilos, cerca de 12% acima do registrado no mesmo mês do ano anterior. Em julho, o preço médio foi de 52,8 euros (US$ 61,8) por 100 quilos, tornando o leite europeu até 41% mais caro que o dos Estados Unidos e 35% acima do praticado na Nova Zelândia, o que reduz a competitividade do bloco no mercado internacional.

Consumo de leite fluido continua em queda
O consumo doméstico de leite fluido na União Europeia deve seguir em trajetória descendente. Para 2026, a previsão é de 23 milhões de toneladas, uma queda de 0,9% em relação a 2025. Mudanças nos hábitos alimentares, maior presença de bebidas alternativas e preços ainda elevados explicam o recuo da demanda, especialmente no consumo doméstico. Com menor disponibilidade de leite, o uso industrial também deve apresentar leve retração em 2026, exigindo que as indústrias façam escolhas mais criteriosas sobre quais produtos priorizar. Nesse cenário, o queijo segue como o principal destino do leite europeu.

Queijo mantém protagonismo na indústria europeia
A produção de queijo na UE deve alcançar 10,8 milhões de toneladas em 2026, um crescimento modesto de 0,2% em relação a 2025. O produto permanece como a principal aposta da indústria láctea europeia, sustentado por consumo interno consistente e exportações ainda relevantes, embora pressionadas por preços elevados e tensões comerciais. Cerca de 13% da produção de queijo do bloco é destinada ao mercado externo. Em 2026, as exportações devem somar 1,37 milhão de toneladas, uma leve queda de 0,7%. Reino Unido, Estados Unidos e Japão continuam sendo os principais destinos. Ainda assim, a União Europeia mantém a posição de maior exportador mundial de queijo. O consumo doméstico também deve crescer, impulsionado pela recuperação econômica, pelo aumento da renda e pelo fortalecimento dos setores de turismo e alimentação fora do lar.

Produção de manteiga e leite em pó perde espaço
A produção de manteiga na UE deve recuar 1,4% em 2026, totalizando 2,06 milhões de toneladas, à medida que mais leite é direcionado à fabricação de queijo. As exportações do produto devem sofrer retração significativa, com queda estimada de 15%, em função da menor competitividade dos preços europeus no mercado global. Já a produção de leite em pó desnatado está prevista para cair 4,2% em 2026, alcançando 1,36 milhão de toneladas. A redução reflete a menor disponibilidade de leite, preços mais baixos e o enfraquecimento da demanda, especialmente da indústria de rações e do setor de chocolates, impactado pelos altos preços do cacau. Em setembro de 2025, o preço do leite em pó desnatado na UE estava em 232 euros (US$ 271) por 100 quilos, abaixo da média dos últimos cinco anos. O leite em pó integral também deve apresentar redução de produção em 2026, com queda de 1,7%, totalizando cerca de 590 mil toneladas. A menor competitividade frente a fornecedores da Oceania limita as exportações, enquanto o consumo interno tende a crescer levemente, favorecido por preços mais baixos.

Doenças e políticas ambientais pressionam o setor
Além dos desafios econômicos, o setor enfrenta impactos sanitários relevantes. Doenças como língua azul, doença hemorrágica epizoótica e episódios recentes de febre aftosa em partes da Europa Central afetaram a produtividade, a fertilidade dos rebanhos e o comércio internacional de lácteos. No campo regulatório, políticas ambientais e de bem-estar animal continuam gerando preocupação entre os produtores. Na Dinamarca, por exemplo, um novo acordo climático prevê um custo estimado de cerca de 130 euros (US$ 152) por vaca ao ano, o que pode acelerar mudanças estruturais no setor. Diante do risco de perda de autossuficiência, alguns países lançaram programas de apoio. A Croácia, por exemplo, anunciou um pacote de 592,5 milhões de euros (US$ 693 milhões) para o período de 2024 a 2030, voltado à expansão da produção de leite bovino e de pequenos ruminantes.

Acordos comerciais podem redesenhar fluxos de exportação
No comércio internacional, novos acordos podem abrir oportunidades para os laticínios europeus. Tratados em negociação ou em fase final com México e Mercosul preveem maior acesso para queijos e leite em pó da UE, o que pode ajudar a compensar perdas em mercados mais tradicionais, como os Estados Unidos, onde tarifas adicionais ameaçam reduzir a competitividade dos produtos europeus.

Apesar das incertezas, o relatório indica que o setor lácteo da União Europeia segue resiliente, porém cada vez mais dependente de decisões estratégicas relacionadas à alocação do leite, à adaptação regulatória e à diversificação de mercados. (Milkpoint - As informações são traduzidas do USDA)


Jogo Rápido
NO RADAR
O Brasil fechou 2025 com recorde na série histórica de registros concedidos a bioinsumos. Conforme balanço divulgado pelo Ministério da Agricultura, foram 162 no ano passado. Entram na relação dessa categoria produtos formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos (substâncias químicas produzidas por seres vivos). (Zero Hora)


Porto Alegre, 02 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.545


BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO Nº  01/2026 – SEAPI

A instabilidade atmosférica atuou sobre o Rio Grande do Sul nesta semana, proporcionando chuvas bem distribuídas na Metade Norte, onde foram registrados os maiores acumulados, com cerca de 200 mm nas regiões de Santa Rosa e Ijuí. 

Na bovinocultura de leite, o incremento na oferta de volumoso resultou em maior disponibilidade de alimento para os animais, refletindo positivamente na produção e possibilitando, em algumas propriedades, a redução da suplementação com fenos e concentrados. As chuvas recentes afetaram o manejo dos rebanhos, dificultando a limpeza dos úberes e o deslocamento dos animais até as pastagens.

As condições corporais e sanitárias estão apropriadas, e a produção estável ou superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Nos próximos dias, a previsão indica nebulosidade variável, com tendência de elevação das temperaturas e chuvas concentradas, mais frequentes no Norte do Rio Grande do Sul, o que pode favorecer reposição localizada da umidade do solo e aumentar a variabilidade das condições hídricas entre as regiões. 

Em 02/01 (sexta-feira), o sistema de baixa pressão manterá condições de chuva em todas as regiões, com menores acumulados no Sul; as temperaturas máximas devem alcançar 34 °C no Oeste.

No final de semana, a entrada de uma massa de ar frio sobre o território gaúcho deve provocar queda das temperaturas e maior estabilidade atmosférica, reduzindo a ocorrência de chuva e, em geral, diminuindo a demanda evaporativa no curto prazo. 

No entanto, a partir de segunda-feira (05/01), as temperaturas voltam a se elevar. Em 03/01 (sábado), a passagem de uma frente fria sobre o Rio Grande do Sul estabilizará a atmosfera, deixando o dia ensolarado e com poucas nuvens. As temperaturas ficarão mais baixas em todas as regiões, com mínimas de 13 °C no Sul e máximas em torno de 29 °C no Oeste. 

Em 04/01 (domingo), a massa de ar frio associada à frente fria manterá o tempo firme, com dia ensolarado; as temperaturas máximas devem atingir cerca de 33 °C na Metade Oeste. 

Em 05/01 (segunda-feira), o sol predominará, e as temperaturas entrarão em elevação em todo o Estado; as máximas devem chegar a 35 °C na Metade Sul e na Região Metropolitana. 

Em 06/01 (terça-feira), o sol aparecerá entre nuvens, com possibilidade de chuva na Serra no final do dia; a temperatura máxima pode atingir 38 °C na região dos Vales e na Metropolitana. 

Em 07/01 (quarta-feira), a nebulosidade será variável, e há previsão de chuva na região de fronteira com o Uruguai; a temperatura máxima deve alcançar 40 °C na Costa Doce e na Metade Sul. (Boletim Agrometeorológico)


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1900 de 1 de janeiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

O incremento na oferta de volumoso aos animais refletiu positivamente na produção e possibilitou, em algumas propriedades, a redução da suplementação com fenos e concentrados. As chuvas recentes afetaram o manejo dos rebanhos, dificultando a limpeza dos úberes e o deslocamento dos animais até as pastagens. As condições corporais e sanitárias estão apropriadas, e a produção estável ou superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, houve necessidade do uso de ventiladores e de vaporizadores para mitigar o calor e reduzir o estresse térmico nos sistemas de confinamento. 

Na de Erechim, as temperaturas mais elevadas têm intensificado o estresse térmico dos animais, exigindo maior atenção ao acesso à sombra e à disponibilidade de água de qualidade nos piquetes e nas instalações, tanto nos sistemas a pasto quanto nos confinados. As chuvas de volumes elevados causaram problemas nos rebanhos manejados em sistemas de pastoreio com ordenha em estábulos.

Na de Frederico Westphalen, houve necessidade de suplementação alimentar, mas os animais apresentaram condições corporais e sanitárias adequadas. 

Na de Ijuí, em função da elevada umidade do solo, o deslocamento dos animais até as áreas de pastejo intensificou a formação de barro, dificultando o acesso às pastagens e ampliando o contato do úbere com o lodo, o que resultou em maior incidência de doenças nas glândulas mamárias. Apesar desse cenário, a produção atingiu volume superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Na de Santa Maria, a produtividade segue em volumes satisfatórios, em razão da disponibilidade de pastagens. 

Na de Santa Rosa, as temperaturas amenas nas primeiras horas da manhã possibilitaram a ampliação do período diário de pastejo. No entanto, o elevado volume de chuvas, registrado nos últimos dias do período, impôs restrições ao manejo do rebanho e da ordenha. (Emater/RS editado pelo Sindilat/RS)

Imposto de Renda em 2026: veja o que muda, quem ganha e quem passa a pagar mais

Nova tabela de tributação entra em vigor a partir deste ano e amplia isenção para até R$ 5 mil mensais

O Imposto de Renda (IR) terá neste ano a maior reformulação dos últimos tempos. A principal mudança é a ampliação da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, medida que retira milhões de brasileiros da base de contribuintes.

Para compensar a perda de arrecadação, o governo também instituiu uma tributação mínima sobre altas rendas, incluindo pela primeira vez lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas.

As alterações passam a valer a partir do exercício de 2026, com impacto direto no salário mensal, na aposentadoria, no ajuste anual e no planejamento financeiro da população brasileira.

Isenção até R$ 5 mil e desconto até R$ 7.350
A principal novidade é a isenção total do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil. Quem recebe até esse valor deixa de ter qualquer desconto em folha ou cobrança no ajuste anual.

Para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o imposto não acaba, mas fica gradualmente menor, com descontos proporcionais que reduzem a carga tributária:

Até R$ 5,5 mil: desconto de 75%
Até R$ 6 mil: desconto de 50%
Até R$ 6,5 mil: desconto de 25%

Na prática, quanto mais próximo dos R$ 5 mil, menor será o imposto efetivamente pago. A regra cria uma transição suave até o limite de R$ 7.350, evitando saltos bruscos na tributação. (Zero Hora)


Jogo Rápido
FRASE DO DIA - JORNAL DO COMÉRCIO 
“O setor leiteiro vem há meses com problema de rentabilidade. Todas as medidas são bem-vindas, mas os governos precisam entender a urgência do momento.”  Darlan Palharini,  secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat).


Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 30 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.544


Newsletter do Sindilat/RS completa 20 anos em 2026 e reafirma seu papel estratégico no setor lácteo

Publicada nesta terça-feira, 30/12/2025, a última edição deste ano celebra duas décadas de informação qualificada, alcance e credibilidade

Enviada todos os dias, sem interrupções, a Newsletter do Sindilat/RS chega à sua última edição de 2025 celebrando uma trajetória sólida e consistente. Em 2026, o informativo completa 20 anos de circulação, consolidando-se como uma das principais fontes de informação do setor lácteo.

Atualmente, a Newsletter alcança mais de 4 mil pessoas diariamente, por e-mail e WhatsApp, reunindo um público altamente qualificado, formado por produtores, indústrias, lideranças, técnicos e formadores de opinião.

Ao longo dos anos, o conteúdo publicado se tornou referência ao abordar, de forma estratégica, temas essenciais para o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite, como qualidade, sanidade, produção, mercado, inovação, competitividade, políticas públicas, economia e legislação.

Ultrapassando o informativo, a Newsletter do Sindilat/RS também é um canal de conexão, atualização e apoio à tomada de decisão, acompanhando a evolução do setor e os desafios do presente e do futuro.

Ao encerrar 2025, o Sindilat/RS reforça seu compromisso com a informação de qualidade e projeta 2026 como um ano simbólico, de celebração e continuidade de um trabalho que, há duas décadas, conecta diariamente quem faz o setor lácteo acontecer. (Sindilat/RS)


CEPEA: maior oferta mantém pressão no campo

Com aumento da captação e estoques elevados, mercado segue pressionando os preços pagos ao produtor

O preço do leite ao produtor registrou nova queda na “Média Brasil”. Segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o valor médio do leite captado em novembro foi de R$ 2,1122 por litro, recuo de 8,31% em relação a outubro/25 e de 23,3% frente a novembro/24, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de novembro/25). Com esse movimento, os preços acumulam retração real de 21,2% na parcial do ano. As sucessivas reduções refletem o maior nível de oferta no mercado.

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de novembro/2025)

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Em 2025, a oferta de lácteos apresentou crescimento significativo. O Cepea projeta que o ano seja encerrado com aumento médio de 7% na captação industrial, alcançando 27,14 bilhões de litros, volume recorde. A produção de leite cru foi impulsionada pelos investimentos realizados em 2024 e por condições climáticas mais favoráveis ao longo de 2025, que estimularam a produção no Sudeste e no Centro-Oeste e atenuaram a queda sazonal no Sul neste período. De outubro para novembro, o ICAP-L (Índice de Captação de Leite) avançou 1,61% na Média Brasil, acumulando alta de 15,9% no ano. 

A oferta também segue sendo complementada pelas importações que, embora tenham recuado 14,8% em novembro, permanecem em níveis elevados. Na parcial do ano, ingressaram no país cerca de 2,05 bilhões de litros em equivalente leite (Eql), volume apenas 4,8% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, que foi marcado por recorde de importações. As exportações, por sua vez, apresentaram retração de 33% na comparação anual, somando 62,4 milhões de litros Eql no acumulado do ano.

Segundo agentes de mercado, houve aumento dos estoques de lácteos tanto na indústria quanto nos canais de distribuição. Em um ambiente de mercado bem abastecido, as negociações de derivados têm ocorrido com maior pressão, o que impacta as margens dos laticínios. Esse movimento se reflete nos preços do leite cru, afetando a receita do produtor. 

Análises do MilkPoint Mercado mostram que, em dezembro, o Índice de Custos com a Produção de Leite (ICP) voltou a subir, pressionado principalmente pelo aumento dos custos com alimentação energética, combustíveis e defensivos agrícolas. Com o avanço do desenvolvimento das culturas de verão, a demanda por defensivos se manteve aquecida em um momento estratégico do calendário agrícola, sustentando os preços e reforçando o movimento de elevação dos custos de produção. O cenário aponta para uma redução da rentabilidade no campo e para maior cautela nos investimentos, o que tende a contribuir para uma desaceleração gradual da produção.

As informações são do CEPEA e da equipe MilkPoint Mercado.

Retrospectiva 2025: conjuntura internacional

Oferta global de leite cresceu mais rápido que a demanda em 2025. Entenda como o avanço da produção, a competição entre exportadores e o movimento das importações impactaram o mercado e o que esse cenário indica para 2026.

Ao longo de 2025, o mercado global de lácteos foi marcado por um plano de fundo bastante claro: o crescimento da captação de leite foi expressivo em nível mundial.

Gráfico 1. Variação da produção leiteira em relação ao mesmo período em 2024

Fonte: DCANZ, USDA, OCLA, adaptado por MilkPoint Mercado

Diferentes polos produtores ampliaram a oferta ao longo do ano, como observado na variação da produção de alguns países em relação ao mesmo período em 2024 (Gráfico 1), resultando em maior disponibilidade de leite e derivados. Complementarmente, a demanda por lácteos foi variável: em alguns países vemos uma sustentação, em outros uma leve queda ou até um leve crescimento. O gráfico a seguir mostra a evolução do consumo em alguns países, considerando 2021 como ano-base (2021 = 100).

Gráfico 2. Consumo doméstico de leite fluído (mil Kg) (2021 = 100)

Fonte: USDA, adaptado MilkPoint Mercado

Mesmo quando a demanda apresentou oscilações positivas, como no caso do Brasil, seu avanço não foi suficiente para acompanhar o expressivo ritmo de crescimento da oferta. Esse descompasso alterou de forma relevante o equilíbrio do mercado internacional: o aumento da disponibilidade de leite e derivados ampliou a oferta nos principais fluxos de comércio, intensificou a competição entre exportadores e dificultou a absorção do volume adicional produzido. Nesse contexto, os preços passaram a cumprir o papel de principal mecanismo de ajuste, com recuos ao longo do ano na tentativa de estimular a demanda e realocar os excedentes.

Esse movimento estrutural pode ser observado de forma clara nos principais indicadores de preços do mercado internacional. 

O Global Dairy Trade (GDT), referência para a formação de preços no comércio global de lácteos, refletiu ao longo do ano a dificuldade de sustentação das cotações em um ambiente de oferta elevada. Os recuos observados nos preços dos derivados ao longo de 2025 indicam que o ajuste necessário para viabilizar o escoamento do volume adicional ocorreu, majoritariamente, via preços. Embora tenham ocorrido oscilações pontuais entre os leilões, o comportamento geral indicou um mercado pressionado, com valores dos principais derivados encontrando resistência para se manter em patamares mais elevados - como se pode observar no Gráfico 3 que ilustra os movimentos para o leite em pó integral (LPI), o principal produto comercializado, referente ao último leilão realizado.

Gráfico 3. Preço médio do leite em pó integral no leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)
Essa leitura é corroborada pelos indicadores da FAO, que mostram uma redução nos preços internacionais dos derivados lácteos ao longo de 2025. O comportamento desses índices reforça que, mesmo com a demanda global se mantendo ativa, ela não foi suficiente para absorver o volume adicional ofertado pelo mercado. 

Gráfico 4. Índice FAO - Preço médio de lácteos

Fonte: FAO, adaptado MilkPoint Mercado

Esses movimentos não ocorreram de forma isolada. Ao ajustar a análise para uma escala mais próxima do mercado brasileiro, os dados do levantamento realizado pelo MilkPoint Mercado junto a players do Mercosul mostram que a dinâmica foi semelhante ao longo de 2025. Em um contexto de oferta elevada e maior competição, os exportadores da região passaram a reduzir preços de forma recorrente na tentativa de manter o escoamento de seus volumes para o Brasil. Como exemplo, observa-se no gráfico a seguir o comparativo dos preços praticados nacionalmente para LPI em contraste com os preços deste produto importado.

Gráfico 5. Preços nominais leite em pó integral (R$/Kg) - Custo de aquisição importado vs. local

Fonte: MilkPoint Mercado, levantamento “Mercosul”

Os preços mais baixos no mercado externo contribuíram para a manutenção de patamares elevados de importação ao longo do ano, em níveis muito semelhantes ao observado em 2024 (Gráfico 6). No entanto, diferentemente de outros momentos históricos, o mercado brasileiro também se mostrou amplamente abastecido em 2025, em função de uma oferta doméstica elevada.

Gráfico 6. Importações (milhões de litros) para as categorias lácteas em equivalente leite

Nesse cenário, embora volumes relevantes tenham sido direcionados ao Brasil, mesmo a preços mais baixos, o ajuste via preços passou a apresentar ganhos cada vez menores para os exportadores. O escoamento para o mercado brasileiro não foi suficiente para absorver integralmente o excedente disponível. 

Dessa forma, é possível que parte dos exportadores tenham buscado diversificar os destinos dos produtos, buscando mercados alternativos para o escoamento da produção e reduzindo parte da concentração das vendas no mercado brasileiro. 

Em síntese, o cenário internacional de lácteos em 2025 foi marcado por um ambiente de oferta elevada em nível global, com crescimento da produção em diferentes regiões e uma demanda que avançou em ritmo mais contido. Esse desequilíbrio intensificou a competição entre exportadores e levou os preços a cumprirem o papel de principal mecanismo de ajuste ao longo do ano. A partir desse diagnóstico, a atenção se volta agora para 2026: entender se esse quadro de oferta ampla tende a se manter ou se haverá mudanças relevantes do lado da produção e da demanda será fundamental para avaliar os próximos movimentos do mercado lácteo global. (Milkpoint adaptado pelo Sindilat)


Jogo Rápido
UPF-RS é fixada em R$ 28,3264 para 2026 e atualiza contribuições ao Fundesa e Fundoleite
Entra em vigor em 1º de janeiro de 2026 o novo valor da Unidade Padrão Fiscal do Rio Grande do Sul (UPF-RS), fixado em R$ 28,3264, conforme a Instrução Normativa RE nº 111/25, publicada no Diário Oficial do Estado em 23 de dezembro de 2025. O índice da Receita Estadual substitui o valor de R$ 27,1300, utilizado em 2025, representando um aumento de aproximadamente 4,41%. A atualização da UPF impacta as contribuições ao Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). No caso do leite, a contribuição passa a ser de R$ 0,001756 por litro produzido em 2026, calculada com base em 0,000062 UPF por litro. Desse total, 50% (R$ 0,000878) são descontados na nota de compra do leite pago ao produtor e 50% (R$ 0,000878) recolhidos pela indústria. Os recursos do Fundesa são destinados à indenização de produtores pela perda de animais acometidos por zoonoses, como tuberculose e brucelose, além de financiarem ações de prevenção e controle de doenças infectocontagiosas previstas nos programas oficiais de sanidade animal. Já a contribuição ao Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Fundoleite) terá recolhimento de R$ 0,001756 por litro adquirido, de responsabilidade exclusiva da indústria. Desse montante, o Estado concede bonificação de 50% via crédito de ICMS. O fundo é voltado ao financiamento de ações, projetos e programas estruturantes para o desenvolvimento da cadeia leiteira, com foco na competitividade e em campanhas de estímulo ao consumo de lácteos. O secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini, lembra que o Fundesa segue sendo um instrumento de segurança sanitária para os produtores. Em relação ao Fundoleite, o dirigente reforça que o sindicato mantém diálogo permanente com o governo estadual para a efetiva liberação dos recursos. “Este aporte já é esperado há muito tempo e chegaria em boa hora para equilibrar o setor neste momento em que temos uma crise instaurada, fruto da entrada de importados que prejudicam a produção nacional”, afirma. (Jardine Comunicação)