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Porto Alegre, 06 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.687


IFCN | Leite: alta de cinco meses termina e mercado global se reequilibra

O preço do leite no mercado mundial interrompeu, em junho de 2026, uma sequência de cinco meses consecutivos de alta.

O indicador global da International Farm Comparison Network (IFCN) recuou 0,2% na comparação com maio, um ajuste pequeno, mas que marca uma pausa num movimento que vinha sustentando o setor lácteo internacional desde o início do ano.

A oscilação, ainda que mínima, expõe a volatilidade que caracteriza esse mercado. Segundo a IFCN, o mesmo indicador havia caído cerca de 17% — o equivalente a US$ 9 — ao longo de sete meses, e depois recuperou integralmente esse valor em apenas quatro meses. É nesse contexto de recuperação acelerada que a leve queda de junho aparece: mais como uma pausa do que como uma mudança de rota.

Do lado da oferta, a explicação para o freio nos preços está na produção. A IFCN aponta que o volume mundial de leite segue crescendo acima da média histórica, o que começa a conter novas altas. Os Estados Unidos lideram esse movimento, com produção em expansão sustentada que amplia a disponibilidade global. Já a Nova Zelândia atravessa o período do ano de menor produção, com oferta reduzida antes do início da nova temporada.

Na Europa, o cenário é desigual entre os países. Na Alemanha, a estabilidade do rebanho leiteiro mantém os níveis de produção sob controle.

Na França, a combinação de baixa disponibilidade de forragens com as altas temperaturas registradas no fim de junho preocupa tanto pelo impacto direto na produção quanto pelo bem-estar animal. Para a IFCN, as condições climáticas devem seguir como um dos principais fatores de incerteza para a oferta europeia nos próximos meses.
O comportamento também variou entre os produtos lácteos. Enquanto a maioria das commodities registrou quedas moderadas em junho, o soro de leite em pó subiu 5,7% no mês, e a leite em pó desnatada manteve leves aumentos.

A IFCN relaciona esse desempenho ao interesse internacional sustentado por proteínas lácteas e por produtos com maior vida útil, sobretudo entre os principais países importadores. Do outro lado, queijo, leite integral em pó e manteiga tiveram quedas moderadas ou sinais de estabilização.

Os custos de produção seguem como ponto de atenção. A moderação recente das tensões geopolíticas ajudou a estabilizar parcialmente os preços do petróleo e dos fertilizantes, mas a IFCN alerta que esses custos continuam expostos a alta volatilidade. A evolução da energia, dos fertilizantes e da alimentação animal deve seguir sendo decisiva para a rentabilidade das propriedades leiteiras.

O retrato que emerge é o de um mercado mais equilibrado, mas ainda vulnerável a mudanças bruscas na produção, na demanda e nos custos. O crescimento da oferta nos Estados Unidos contrasta com as limitações sazonais da Nova Zelândia e com as condições climáticas na Europa. A partir daqui, será a demanda por leite em pó, proteínas lácteas, queijo e manteiga que deve definir a direção do mercado no segundo semestre de 2026. (Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por EDairyNews Es)


Receita das cooperativas agropecuárias cresce 11% e alcança R$ 487 bilhões

A receita das cooperativas agropecuárias brasileiras se aproximou de meio trilhão de reais em 2025, uma alta de 11,2% em relação ao ano anterior. O ingresso de R$ 487,3 bilhões no caixa no ano passado foi impulsionado pelo aumento dos preços dos insumos usados pelos agricultores, como fertilizantes e defensivos agrícolas, e pelo salto na cotação de alguns produtos no período, como o café e as proteínas animais. 

O cenário de custos elevados, no entanto, se refletiu nas sobras, como é chamado o lucro das cooperativas. O valor recuou de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, o equivalente a 6% do faturamento total no ano passado. Os dados são do Anuário do Cooperativismo 2025 da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), divulgado nesta sexta-feira (31/7).

As cooperativas agropecuárias são responsáveis por 53% da originação de grãos e fibras no país, com destaque para algumas culturas de inverno, leite e proteínas animais. O ramo também emprega 277,2 mil pessoas diretamente e tem 1,1 milhão de cooperados.

“Temos um modelo consistente, que trabalha forte a perenidade e a sustentabilidade”, afirma Tânia Zanella, presidente-executiva da OCB. Os ativos totais das cooperativas agropecuárias, que consideram imóveis e investimentos, por exemplo, chegaram a R$ 340 bilhões em 2025, alta de 10,6% em relação a 2024.

Segundo o anuário, em 2025 havia 1.254 cooperativas agropecuárias no país, 7,7% mais que no ano anterior. O número total passa por uma estabilização, diz a presidente da OCB, que destaca a importância da solidez das instituições. “Algumas têm mais de 100 anos, e inúmeras já passaram dos 50 anos”, observa. “O que importa é o crescimento do cooperado”.

Um dos desafios apontados por ela é a necessidade de profissionalização da gestão de negócios das cooperativas agropecuárias, com a segregação dos conselhos administrativos e executivos.

As cooperativas respondem por 25% da capacidade de armazenagem do Brasil e por 10,3% das exportações do agronegócio brasileiro, segundo o anuário. São 140 cooperativas exportadoras, com faturamento próximo a US$17 bilhões em 2025. Os principais produtos da pauta de exportação são café não torrado, carne de aves, soja triturada, carne suína e óleo de soja. Os principais destinos são China, Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Reino Unido, Japão, Suíça, Bélgica e Canadá.

A escalada das receitas das cooperativas agropecuárias começou na pandemia, com o salto nos preços das commodities e dos insumos. De 2020 até 2025, a movimentação financeira mais que dobrou nessas organizações, passando de R$239,4 bilhões para R$487,3 bilhões. Já as sobras triplicaram. Saíram de R$9,7 bilhões há seis anos para quase R$30 bilhões.

Com custos ainda altos e preços de commodities agrícolas andando de lado, a previsão da OCB é que não haja reduções significativas nos números do segmento neste ano, mas não é possível cravar crescimento de dois dígitos novamente, afirma João José Prieto Flávio, gerente técnico e econômico da entidade.

Ele ressalta a importância do modelo de negócios do cooperativismo em situações de adversidades no campo. Nos últimos anos, afirma, as cooperativas agropecuárias atuaram como um “colchão de amortecimento” para os produtores rurais diante de maior aperto financeiro, de perdas por conta do clima e de endividamento. Segundo ele, a cooperativa não pode deixar o cooperado “refém” em momento de dificuldade.

“Para ser sustentável e amparar o produtor, a cooperativa tem que ter resiliência como CNPJ e olhar perenidade do produtor rural. O resultado auxilia o produtor que está com as margens apertadas em duas pontas: nesse retorno aos cooperados que ocorre com a distribuição das sobras e com os investimentos que a cooperativa faz em suas estruturas e na agregação de valor aos produtos”, afirma.

Na avaliação da gerente-geral da OCB, Clara Maffia, o ramo agropecuário mostrou resiliência e um crescimento acima da média de outras atividades em meio a adversidades climáticas e econômicas.

“Estamos em um momento desafiador do setor agropecuário, falamos de endividamento e de questões climáticas, mas o cooperativismo vem para mostrar resiliência e manutenção do produtor no longo prazo”, opina.

A meta traçada pelo sistema cooperativista brasileiro é chegar a R$1 trilhão de receita até 2028. Ao considerar os oito ramos (agropecuário, consumo, crédito, infraestrutura, saúde, trabalho, transporte e seguros), as cooperativas tiveram receita de R$848,3 bilhões em 2025. O ramo agropecuário representou 57,4% desse bolo.

O Brasil já tem 29 milhões de cooperados em 4,4 mil cooperativas. A geração direta de empregos passou de 613,3 mil em 2025. Os ativos totais somam R$1,6 trilhão, de acordo com a OCB. (Globo Rural)

Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

Decisão do Banco Central já era esperada pelo mercado diante da desaceleração da inflação, que acumula alta de 4,64% em 12 meses

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.


Jogo Rápido

Inscrições gratuitas abertas para o Milk Summit Mercosul 2026
As inscrições para o Milk Summit Mercosul 2026 já estão abertas. A participação no evento é gratuita, mas é obrigatória a inscrição prévia para garantir o acesso à programação. Nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí (RS), durante a ExpoFest Ijuí, o evento reunirá especialistas nacionais e internacionais, produtores, indústrias, cooperativas, pesquisadores, empresas e lideranças para debater os principais desafios e oportunidades da cadeia leiteira. Com uma programação voltada à inovação, competitividade, sustentabilidade, mercado, gestão e políticas públicas, o Milk Summit Mercosul consolida-se como um dos principais encontros do setor no Brasil e no Mercosul. A participação é gratuita, mas as vagas devem ser garantidas por meio de inscrição antecipada. Inscreva-se clicando aqui: https://milksummitbrazil.com/inscricao/. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 05 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.686


Seminário do Leite reúne especialistas para debater tendências, inovação e o futuro da cadeia leiteira no Agroleite 2026

O segundo dia do Agroleite 2026 foi marcado por uma programação intensa na Arena Conexão - Plenária Principal do Parque Tecnológico Agroleite, com o Seminário Internacional do Leite reunindo especialistas nacionais e internacionais para discutir os desafios, oportunidades e as perspectivas para a pecuária leiteira.

Durante toda a manhã, a Arena Conexão reuniu aproximadamente 600 pessoas para uma programação que trouxe reflexões sobre o futuro da produção, as tendências do mercado mundial e a relação entre sustentabilidade e agronegócio com nomes consolidados como José Luiz Bellini, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite; Lucas Souto, Líder Global de Categoria de Ruminantes da Cargill e Richard Rasmussen, biólogo, apresentador e ambientalista.

A programação do Agroleite 2026 segue até sexta-feira (7), reunindo 404 expositores, fóruns técnicos, palestras, painéis, julgamentos de animais, dinâmica de máquinas, Trilha do Leite, Rota do Leite, torneio leiteiro, apresentações culturais e rodadas de negócios.

Potencial da cadeia leiteira

Abrindo o seminário, José Luiz Bellini apresentou a palestra ‘Estrutura, dinâmica e futuro da pecuária leiteira brasileira’. O pesquisador destacou que a cadeia leiteira nacional tem potencial para ampliar sua participação no mercado global, desde que continue investindo em inovação, tecnologia e parcerias.

Segundo Bellini, o Agroleite é o ambiente ideal para esse debate por reunir conhecimento, pesquisa e produtores comprometidos com a evolução do setor. “Aqui é um local onde se sonha e se constrói. A pecuária leiteira brasileira tem grande potencial para ser um importante player mundial, e esse é o espaço para discutirmos essa visão de futuro”, afirmou.

O chefe-geral da Embrapa também ressaltou a aproximação da instituição com a Castrolanda e o Parque Tecnológico Agroleite para ampliar o desenvolvimento de pesquisas, tecnologias e estratégias voltadas ao aumento da produção e da produtividade nas propriedades leiteiras.

Tendências do Mercado do Leite

Na sequência, Lucas Souto conduziu a palestra ‘O que está mudando no mercado do leite no mundo e o que isso muda na sua fazenda amanhã?’. O especialista, que mora no Canadá, apresentou tendências observadas em diferentes países e mostrou como elas podem contribuir para elevar a competividade das propriedades brasileiras.

De acordo com Souto, o trabalho desenvolvido pela empresa busca analisar as fazendas de forma integrada, identificando oportunidades para aumentar a produtividade de acordo com a realidade de cada produtor. “Falamos um pouco da realidade de outros países, das tendências de mercado, associando isso ao cenário brasileiro para gerar insights que possam ser implementados aqui”, explicou.

Ao comparar o cenário internacional com o Paraná, o especialista destacou o alto nível tecnológico da produção leiteira regional. “O nível do Brasil, especialmente do Paraná, é muito bom. Temos propriedades altamente tecnificadas e produtivas que não ficam atrás das grandes referências mundiais”, disse.

Aproximação com o agro

Encerrando o seminário, o biólogo e comunicador Richard Rasmussen, convidado pela patrocinadora diamante Biofarm, apresentou a palestra ‘A Trajetória de um Biólogo no Agro Brasileiro’. Em sua fala, Rasmussen compartilhou a transformação de sua visão sobre o agronegócio após conhecer de perto a realidade dos produtores rurais.

Segundo Rasmussen, o Brasil reúne tecnologia, produção de alimentos e conservação ambiental de forma única no mundo. “O produtor brasileiro é um dos mais tecnológicos do mundo e ainda conserva áreas de vegetação. Isso precisa ser reconhecido”, comenta.
O biólogo contou que sua aproximação com o agro começou há cerca de sete anos, quando passou a produzir conteúdos para entender como funcionavam a pecuária e, posteriormente, a agricultura. “Eu estava disposto a aprender. Hoje quero colaborar para que mais pessoas tenham essa mesma oportunidade de compreender o agro brasileiro”.

Ao comentar sobre a região de Castro, Rasmussen ressaltou a importância da cadeia leiteira para o país. “Castro é a Capital Nacional do Leite. Basta olhar este evento para entender a força do setor. O agro é responsável por alimentar o mundo e isso merece reconhecimento”, comentou. (Agroleite)


GDT 409º registra estabilidade e indica maior equilíbrio no mercado internacional

O resultado indica um cenário de acomodação nas cotações internacionais dos lácteos.

O 409º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou estabilidade de 0,1% no GDT Price Index, com preço médio de USD 3.778/tonelada. O resultado indica um cenário de acomodação nas cotações internacionais dos lácteos, após os ajustes observados nos leilões anteriores, sugerindo um ambiente mais equilibrado entre oferta e demanda.
Gráfico 1. Preço médio leilão GDT. Fonte: Global Dairy Trade (GDT). 

Nos leites em pó, o movimento foi positivo, com destaque para o leite em pó desnatado (LPD), que liderou os aumentos do segmento ao avançar 1,2%, sendo negociado a USD 3.261/tonelada. Já o leite em pó integral (LPI) registrou estabilidade, com leve alta de 0,2%, atingindo USD 3.483/tonelada. O avanço recorrente do LPD pode seguir refletindo uma demanda mais aquecida por ingredientes proteicos, contribuindo para maior sustentação do produto.

Gráfico 2. Preço médio LPI. Fonte: Global Dairy Trade (GDT). 

Entre queijos e manteiga, o movimento foi diverso. A muçarela avançou 1,0%, sendo negociada a USD 3.992/tonelada. O cheddar, em lado com a muçarela, apresentou recuperação após as quedas observadas nos últimos leilões, com alta de 3,8%, atingindo USD 3.723/tonelada. A manteiga foi negociada a USD 5.225/tonelada, com queda de 2,3%, enquanto a gordura anidra do leite apresentou relativa estabilidade, com leve recuo de 0,8%, para USD 6.367/tonelada.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 04/08/2026. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado avança em meio à maior oferta sazonal

O volume negociado totalizou 40.504 toneladas, aumento de 50,6% em relação ao leilão anterior. O movimento está associado ao avanço sazonal da produção na Oceania, que amplia a disponibilidade de leite e derivados no mercado internacional. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume também apresentou alta, de 9,4%.

O resultado chama atenção pelo patamar elevado de produto negociado, superando níveis observados em 2024 e se aproximando dos volumes registrados em 2025. Mesmo diante desse aumento expressivo da oferta, os preços dos produtos registraram aumento nas cotações, indicando que o mercado segue aquecido e absorvendo os volumes disponíveis.

Além disso, o leilão registrou novamente o maior número de participantes recentes, totalizando 170 compradores. Esse movimento sugere uma demanda mais aquecida, que contribuiu para compensar o aumento do volume ofertado e sustentar as cotações em um patamar de maior equilíbrio.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, o mercado futuro de leite em pó integral (WMP) registrou estabilidade, mas com viés de alta nas negociações mais recentes. Os contratos seguem indicando um cenário de maior equilíbrio para os próximos meses, refletindo a estabilidade observada no GDT e a capacidade do mercado de absorver o aumento sazonal da oferta.

A continuidade da safra na Oceania e o ritmo da demanda internacional permanecem como fatores determinantes para definir se os preços futuros conseguirão sustentar esse viés positivo ou voltarão a apresentar ajustes.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures). Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 409º indica um mercado internacional mais estável, especialmente nos leites em pó. A leve alta do LPI e o novo avanço do LPD reforçam uma leitura de maior equilíbrio nas referências externas de preços, após a sequência de ajustes observada nos leilões anteriores.

No Brasil, esse cenário pode contribuir para uma percepção menos pressionada no mercado de leite em pó integral, que vinha acompanhando parcialmente os movimentos do mercado internacional. Ainda assim, a dinâmica das importações dos leites em pó segue como ponto central de atenção, já que os volumes importados continuam relevantes e influenciam diretamente as negociações internas.

Mesmo com a estabilidade dos preços internacionais, a competitividade do produto importado permanece condicionada ao comportamento do câmbio. Caso o real se valorize, os produtos externos podem seguir ganhando espaço no mercado brasileiro, limitando uma sustentação mais consistente das cotações domésticas. Dessa forma, o mercado brasileiro deve acompanhar a evolução dos próximos leilões, o comportamento dos contratos futuros e o ritmo das importações, que seguem relevantes para a formação de preços no mercado interno. (Milkpoint)

Conhecer o shopper é o novo diferencial para a indústria de lácteos, destacam especialistas em podcast

Em conversa promovida pela Rock Encantech, representantes da indústria, do varejo e da MilkPoint Ventures discutiram como a hipersegmentação, a inteligência de dados e a mudança no comportamento do consumidor estão redefinindo estratégias no setor.
O comportamento do consumidor está mudando em ritmo acelerado e, com ele, também precisam evoluir as estratégias da indústria de alimentos. Esse foi o tema central do podcast promovido pela Rock Encantech, que reuniu Eduardo Donoso, da equipe de Marketing da empresa, Rafael Matos, diretor Comercial de Indústria da Rock Encantech, Vinícius Nardy, sócio e COO da MilkPoint Ventures, e Valter Galan, diretor técnico da MilkPoint Ventures.

Ao longo da conversa, os participantes defenderam que o acesso aos dados deixou de ser um diferencial competitivo. O verdadeiro valor, segundo eles, está na capacidade de interpretar essas informações para compreender quem é o shopper, quais são seus hábitos de consumo e como transformar esse conhecimento em decisões mais assertivas para indústria e varejo.

Um dos pontos centrais do debate foi a crescente necessidade de especialização dos portfólios. Com mercados mais competitivos e margens pressionadas, a diferenciação passa pela criação de produtos voltados para públicos específicos.

Os produtos enfrentam cada vez mais concorrência e margens mais apertadas. A saída é encontrar novos caminhos, desenvolvendo nichos e categorias de maior valor agregado. Mais do que uma oportunidade, essa adaptação passa a ser uma necessidade para a indústria.

Os participantes destacaram que esse movimento acompanha uma mudança global no consumo. O leite fluido perde espaço relativo enquanto cresce a demanda por produtos com maior valor percebido, como queijos especiais, iogurtes, bebidas proteicas e ingredientes lácteos voltados à nutrição. Nesse contexto, compreender o consumidor torna-se decisivo para orientar desde o desenvolvimento de novos produtos até os investimentos em marketing e distribuição.

Outro conceito discutido foi o da hipersegmentação. Em vez de campanhas amplas e genéricas, a tendência é que as empresas passem a construir estratégias muito mais direcionadas, considerando diferentes perfis de consumidores, ocasiões de consumo e preferências específicas.

Os especialistas ressaltaram que essa lógica também influencia a inovação. Antes de lançar um produto, torna-se cada vez mais importante identificar para quem ele foi pensado, em quais momentos será consumido e quais necessidades efetivamente atende.

A ampliação dos portfólios também apareceu como uma tendência consolidada. Segundo os participantes, diversas empresas têm investido em novas categorias e até em collabs com outras marcas para ampliar sua presença junto ao consumidor. No entanto, essas iniciativas só fazem sentido quando são baseadas em um conhecimento aprofundado do shopper.

Outro aspecto abordado foi o papel crescente da inteligência artificial nesse processo. A tecnologia pode acelerar a interpretação de grandes volumes de dados, permitindo análises mais personalizadas para cada empresa e apoiando decisões sobre comunicação, desenvolvimento de produtos e alocação de investimentos.

Ao longo da conversa, os especialistas reforçaram que o consumidor atual está mais conectado, exposto a inúmeros estímulos e com expectativas cada vez mais específicas. Nesse cenário, entender sua jornada e antecipar seus movimentos deixa de ser apenas uma vantagem competitiva e passa a ser um requisito para expandir mercados e construir marcas relevantes.

O episódio completo está disponível no canal da Rock Encantech no YouTube. Confira clicando aqui. (Milkpoint)


Jogo Rápido

Piracanjuba investe em bebida proteica e ativação no Rock in Rio
A marca de lácteos Piracanjuba decidiu patrocinar festivais de música para conquistar um público mais jovem e ampliar a faixa etária dos consumidores -- que hoje está concentrada entre 30 e 45 anos. A estratégia começou no ano passado com The Town, em São Paulo, e o próximo evento será o Rock in Rio, que vai acontecer na capital fluminense no mês que vem. A diretora de marketing do Grupo Piracanjuba, Lisiane Campos, não revela o valor do investimento, mas diz que a iniciativa contempla a exclusividade na oferta de bebidas proteicas durante o festival, além de anúncios na TV e em aeroportos, metrô e rodoviárias (OOH, na sigla em inglês), e conteúdo em redes sociais. Parte dos recursos também foi direcionada à realização de uma corrida proprietária no Rio de Janeiro, no último domingo, 2 de agosto. Na ocasião, foram apresentados os lançamentos da linha ProForce, como creatina monohidratada, gel de carboidrato, pré-treino, barra de proteína, whey protein concentrado e as embalagens temáticas do Rock in Rio. Segundo a executiva, a ideia é mostrar que a marca está ampliando seu posicionamento para além da nutrição esportiva e passando a ocupar também os territórios de música, entretenimento e estilo de vida. "Os produtos não estão direcionados apenas à alta performance, é para quem precisa de proteína no dia a dia, e é aí que entra o festival", afirma. O trabalho de construção de marca é feito pelas agências Samba (que pertence à Holding Clube), CS Produções e Eventos e AlmapBBDO. Além disso, a empresa contratou, neste ano, um instituto de pesquisa para avaliar o retorno da iniciativa no Rock in Rio e sugerir melhorias para as próximas edições. Segundo Campos, o objetivo da estratégia é chegar à liderança de mercado das bebidas proteicas. Para isso, a empresa não só investiu em marketing, mas também na aquisição de novos maquinários para ampliar a capacidade de produção. "Como toda a fabricação é própria, conseguimos manter um controle mais rigoroso sobre o padrão de qualidade. Em vez de terceirizarmos a produção, a estratégia foi expandir a capacidade interna", explica, referindo-se à nova fábrica em São Jorge d'Oeste, no Paraná. A Piracanjuba, assim como outras companhias, aposta no crescimento do mercado de proteínas. De acordo com levantamento da consultoria Bain & Company, o mercado brasileiro de concentrados e isolados proteicos (whey protein) cresceu de US$ 165 milhões em 2021 para US$ 360 milhões em 2025. Para os próximos cinco anos, a expectativa é de crescimento de cerca de 7% ao ano em volume, sustentado pela preocupação com saúde e longevidade e pelo avanço do uso de GLP-1 (classe de medicamentos para perda de peso e diabetes) no Brasil. A consultoria estima que 11% da população brasileira já usou ou usa essas medicações no país. (Valor Economico via Globo Rural)


Porto Alegre, 04 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.685


Preço do leite avança em junho e encerra semestre com valorização de 33%

O preço médio do leite cru captado por laticínios voltou a subir em junho, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. A "Média Brasil" líquida atingiu R$ 2,7464/litro, alta de 3,02% em relação a maio. Na comparação com junho de 2025, porém, houve queda real de 0,86%, considerando os valores deflacionados pelo IPCA de junho de 2026. 

Com esse resultado, o preço do leite acumula valorização de 33,1% no primeiro semestre, com média de R$ 2,4659/litro. Ainda assim, esse patamar permanece 14% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Segundo o Cepea, a alta foi sustentada pela firmeza do mercado de derivados e pelo crescimento da captação abaixo do esperado em algumas regiões. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) avançou 2,76% entre maio e junho na Média Brasil, mas ainda acumula queda de 11,4% no ano.

Já o Custo Operacional Efetivo (COE) permaneceu praticamente estável em junho, com leve alta de 0,24%, reflexo da redução nos preços das matérias-primas para ração, parcialmente compensada pelo aumento da demanda. No acumulado do primeiro semestre, o indicador registra alta de 2,04%.

Para os próximos meses, o Cepea avalia que os estoques reduzidos e o ritmo mais lento da captação mantêm elevada a concorrência pela matéria-prima, adiando um movimento de acomodação dos preços. A expectativa é de estabilidade, com viés de alta, até que o aumento gradual da oferta, previsto para o terceiro trimestre, contribua para equilibrar o mercado.

As informações são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.


Global Dairy Trade - GDT

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS

 

Mais leite, menos lucro: o paradoxo atual da pecuária uruguaia

Enquanto a produção de leite cresce 11,6% no Uruguai, a queda nos preços reduz o poder de compra do produtor, entenda.

A cadeia leiteira uruguaia continua registrando crescimento expressivo na produção em 2026, mas o aumento da oferta ocorre em um cenário de redução dos preços pagos ao produtor e de maior pressão dos custos de produção.
Dados divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (INALE) mostram que a remessa de leite às indústrias alcançou 196 milhões de litros em junho, volume 11,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, já foram entregues 1,025 bilhão de litros, alta de 10,3%, enquanto o acumulado dos últimos doze meses soma 2,307 bilhões de litros, crescimento de 10,1%.

Além do maior volume de leite, houve também avanço na produção de sólidos (gordura e proteína), que cresceu 12,9% em junho frente ao mesmo período do ano anterior, reforçando o bom desempenho produtivo do setor.

Preço ao produtor recua

Apesar da expansão da produção, o preço recebido pelos produtores apresentou queda. Em junho, o valor médio pago pelo leite foi de 16,9 pesos uruguaios por litro, equivalente a US$ 0,42 por litro. Na comparação com junho de 2025, isso representa redução de 5,2% em pesos por litro; 3,8% em dólares por litro e 6,3% no preço por quilo de sólidos.

Na comparação mensal, entre maio e junho, os preços em pesos e dólares também recuaram cerca de 2%, movimento associado principalmente à redução do teor de sólidos do leite entregue às indústrias, enquanto o valor pago por quilo de sólidos permaneceu praticamente estável.

Custos crescem mais rápido que a receita

A combinação entre preços menores e custos maiores reduziu o chamado poder de compra da atividade leiteira, indicador calculado pelo INALE que compara a evolução dos preços recebidos pelos produtores com os custos de produção.

Segundo o instituto, o índice ficou 10,8% abaixo do registrado em junho de 2025. O resultado decorre de uma queda de 5% no índice de preços do leite e de um aumento de 6,5% no índice de custos. Na comparação com maio, o poder de compra permaneceu praticamente estável (-0,2%), uma vez que tanto preços quanto custos apresentaram pequenas reduções próximas de 1%.

Rentabilidade segue pressionada

O indicador de poder de compra ficou em 79 pontos, permanecendo 21% abaixo da base de referência utilizada pelo INALE. O instituto ressalta que o índice utiliza uma cesta fixa de insumos baseada na pesquisa de 2019, atualizando mensalmente apenas os preços dos componentes, sem considerar eventuais ajustes feitos pelos produtores em suas estratégias produtivas.

Oferta cresce em ritmo acelerado

Os números mostram que a pecuária leiteira uruguaia vive um momento de forte expansão produtiva. Nos primeiros seis meses de 2026, a produção acumulada supera em mais de 10% o mesmo período do ano anterior, indicando recuperação consistente da oferta nacional.

Por outro lado, o aumento da disponibilidade de leite ocorre justamente em um contexto de preços mais baixos e custos elevados, o que reduz a margem econômica das propriedades. Esse cenário evidencia um desafio comum às cadeias exportadoras de leite: produzir mais nem sempre significa maior rentabilidade quando o mercado internacional apresenta preços menos favoráveis e os custos continuam elevados. Essa conclusão decorre da combinação dos indicadores apresentados pelo INALE sobre produção, preços e poder de compra.

As informações são do INALE, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

DAIRY TALKS 2026 — INSCRIÇÕES ABERTAS!
No dia 25 de agosto, a Universidade Federal de Juiz de Fora receberá o workshop internacional: Milk Protein Ingredients: From Physicochemical Fundamentals to Innovative Applications. O evento será conduzido pelo Prof. Thom Huppertz, referência internacional em ciência e tecnologia de proteínas lácteas. Ao longo do dia, serão discutidos temas como:  Produção e fracionamento de ingredientes protéicos do leite e do soro; Bebidas com alto teor de proteínas; Barras proteicas; Produtos lácteos fermentados; Estrutura, textura, estabilidade e inovação. A programação também contará com Brazilian Research Spotlights, com apresentações curtas de pesquisadores do nosso grupo, além de sessões de pôsteres e momentos de interação entre estudantes, pesquisadores e profissionais da indústria. Inscrições e mais informações: https://www.inovaleite.com/dairy-talks. (Inova Leite)


Porto Alegre, 03 de agosto de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.684


Temporal deixa rastro de perdas no Estado

Julho ficou para trás no calendário, mas os efeitos do temporal que atingiu o Rio Grande do Sul no último mês seguem sendo dimensionados no campo. Enquanto equipes técnicas de cooperativas e da Emater ainda percorrem as propriedades para avaliar os estragos, já há registros de perdas irreversíveis em lavouras de inverno, danos às pastagens e dificuldades logísticas que comprometem até a coleta de leite. Cenário que preocupa ainda mais porque a previsão indica que a chuva deve persistir ao longo de agosto.

Uma das regiões mais castigadas foi a de Não-Me-Toque, no norte do Estado. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, Maiquel Junges tem inúmeros parciais do estrago. Na canola, 600 hectares tiveram perda total e outros 300 hectares registraram danos de aproximadamente 30%. No trigo, há 500 hectares com perdas médias de 30%, além de áreas onde a quebra chegou a 100%. Também foram contabilizados 500 hectares de aveia branca totalmente perdidos.

Segundo o diretor técnico da Emater/RS-Ascar, Mateus Rocha, ainda é cedo para consolidar os prejuízos no Estado. Até o momento, 83 municípios já registraram ocorrências no Sistema de Monitoramento de Perdas Agropecuárias (SisPerdas), mas os levantamentos quantitativos continuam sendo realizados pelas equipes de campo. O SisPerdas, aliás, teve prazo prorrogado para 3 de agosto.

No setor de leite, informações do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat) apontam que 94 municípios já comunicaram dificuldades nas rotas de recolhimento devido às condições das estradas. E solicitaram ao Ministério da Agricultura a ampliação do prazo de coleta, que atualmente é de até 24 horas. (Zero Hora)


Anvisa realiza diálogo setorial sobre regulamentação da Lei nº 15.404/2026

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da Gerência-Geral de Alimentos (GGALI), convida todos os interessados a participarem do diálogo setorial virtual sobre a regulamentação da Lei 15.404/2026, que será realizado no dia 11 de agosto de 2026, das 9h às 12h, por meio da plataforma Microsoft Teams.

A Lei nº 15.404/2026 estabeleceu novo marco legal para produtos derivados de cacau e chocolates nacionais e importados comercializados no território nacional. Entre outros pontos, a norma definiu categorias de produtos, fixou requisitos mínimos de composição, tornou obrigatória a informação do percentual de cacau nos rótulos e estabeleceu regras sobre denominação de venda e rotulagem.

O encontro tem como objetivo apresentar o estágio atual dos trabalhos conduzidos pela GGALI, aprofundar questões técnicas identificadas e discutir a estratégia e os próximos passos para a regulamentação da Lei. A iniciativa também busca coletar subsídios dos participantes sobre alternativas regulatórias, evidências disponíveis e possíveis impactos das medidas em avaliação.

Durante o diálogo, serão discutidos temas como:

  • limites para cascas, películas e outros subprodutos da amêndoa de cacau;
  • critérios para cálculo, declaração e comprovação dos sólidos totais de cacau;
  • uso de outras gorduras vegetais adicionadas ao chocolate, incluindo alcance, base de cálculo e critérios de comprovação do limite de 5%;
  • relação entre as categorias de chocolate definidas pela Lei e seus critérios de enquadramento;
  • sólidos totais de leite ou de seus derivados;
  • denominação de venda, rotulagem e prevenção de informações que possam induzir o consumidor a erro; e
  • compatibilização da nova Lei com a regulamentação sanitária vigente, especialmente a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 723/2022.
Para subsidiar as discussões, a GGALI disponibiliza o Documento de base sobre a regulamentação da Lei nº 15.404/2026: Novos requisitos para produtos derivados de cacau, que apresenta o contexto regulatório, as análises preliminares realizadas, as demandas recebidas e os principais pontos que requerem avaliação. Recomenda-se a leitura prévia do material para melhor aproveitamento do encontro.A participação é aberta a todos os interessados, sem necessidade de inscrição prévia.
O acesso à reunião deve ser realizado por meio do link CLICANDO AQUI. (Anvisa)

 

 

Emater/RS: Informativo Conjuntural 1930 de 30 de julho de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em função das condições meteorológicas adversas, que reduziram a participação das pastagens nas dietas, foi necessário aumentar o uso de silagem de milho. Em São Gabriel, a produção está menor devido à dependência de pastagens nativas e das pequenas áreas de pastagens anuais.  

Nas de Caxias do Sul, o estado corporal dos animais está adequado em virtude do fornecimento de silagem, de pré-secado e de feno. A sanidade do rebanho ficou satisfatória, com apenas alguns casos de mastite. As temperaturas amenas beneficiaram o bem-estar animal. Em Serafina Corrêa e Nova Bassano, houve dificuldades pontuais na coleta devido ao barro nas estradas. 

Na de Erechim, o excesso de chuvas comprometeu os sistemas a campo. O barro favoreceu lesões de casco e pododermatite e aumentou o risco de mastite ambiental, exigindo maior rigor na higiene da ordenha. Nos sistemas confinados, a umidade das camas se elevou no sistema Compost Barn. 

Na de Frederico Westphalen, os altos volumes de chuva nos últimos dias do período prejudicaram a alimentação e o bem-estar dos animais.  

Na de Ijuí, a produção e a produtividade apresentaram leve alta, favorecidas pela boa oferta de alimentos e pela qualidade das forragens. A qualidade do leite permaneceu elevada em diversas propriedades, e houve aumento dos sólidos e redução da contagem de células somáticas. 

Na de Lajeado, em algumas propriedades, o leite foi descartado devido à falta de energia elétrica ou à impossibilidade de acesso dos caminhões de coleta. 

Na de Passo Fundo, a atividade transcorreu dentro da normalidade, com boas condições sanitárias e escore corporal. A elevada umidade do solo dificultou o aproveitamento das pastagens, exigindo manejo diferenciado e priorização das vacas em lactação nas melhores áreas. A alimentação foi baseada em silagem, ração, sal mineral, suplementação no cocho e pastejo. 

Na de Pelotas, as chuvas, os dias nublados e o excesso de umidade dificultaram o manejo e o pastejo em Arroio Grande, Canguçu, Morro Redondo, Rio Grande e São Lourenço do Sul, aumentando a necessidade de suplementação. Em Rio Grande e Turuçu, houve reforço nas práticas de higiene da ordenha, vacinação contra raiva, controle de mastite e melhoria do bem-estar animal. 

Na de Porto Alegre, as chuvas intensas dificultaram o manejo dos rebanhos em razão do barro. Os animais apresentaram boa condição corporal com suplementação de silagem de milho e ração, mantendo a produção estável. Ainda há registros de mastite.  

Na de Santa Rosa, houve aumento do barro nas áreas de circulação, maior risco de mastite ambiental e intensificação do uso de silagem e concentrados. O manejo se tornou mais oneroso, mas não houve interrupção da coleta de leite. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Associados do Sindilat/RS têm 10% de desconto no Interleite Brasil 2026
Os associados do Sindilat/RS contam com 10% de desconto na inscrição para participar do Interleite Brasil 2026. Com o tema “Capacitando e fortalecendo a produção de leite no Brasil”, o evento será realizado nos dias 18, 19 e 20 de agosto, no Gaudium Hall, em Uberlândia (MG), reunindo produtores, técnicos, gestores, pesquisadores e lideranças do setor para discutir os desafios e as oportunidades da atividade leiteira. A edição de 2026 traz como tema “O futuro do leite passa por quem decide evoluir” e a programação contará com duas salas simultâneas de palestras, permitindo que os participantes escolham entre conteúdos voltados à tecnologia aplicada ou à gestão. Entre os temas abordados estão manejo e nutrição de bezerras, saúde animal, qualidade do leite, automação e robótica na ordenha, formulação de dietas, produção de volumosos, gestão econômica, gestão de pessoas, bioseguridade e estratégias para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos. Além das palestras, o Interleite Brasil promoverá debates, apresentação de estudos de caso, espaço para exposição de empresas e oportunidades de networking entre os diferentes elos do setor. A programação completa está disponível em https://www.interleite.com.br/. Link de desconto para associados do Sindilat/RS, CLIQUE AQUI. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 31 de julho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.683


Produção mundial de leite deve chegar a 1,223 bilhão de toneladas em 2035

Segundo o relatório Agricultural Outlook 2026–2035 da OECD-FAO, a produção mundial de leite deverá crescer 2,0% ao ano na próxima década, alcançando 1,223 bilhão de toneladas em 2035. Esse avanço será impulsionado principalmente por ganhos de produtividade obtidos via melhorias genéticas, nutrição eficiente e avanço no manejo, e não tanto pela expansão dos rebanhos, exceção feita a regiões como a África Subsaariana, Índia e Paquistão.

A Índia, que já lidera o setor global com uma estrutura baseada em pequenas propriedades e cooperativas, responderá por mais da metade de todo o crescimento mundial projetado até 2035. Contudo, tanto a Índia quanto o Paquistão utilizarão esse incremento quase integralmente para suprir o forte consumo interno de produtos frescos gerado pela urbanização e pela elevação da renda, sem provocar grandes impactos no comércio internacional.

O comportamento dos grandes exportadores mundiais apresentará dinâmicas bastante distintas no mesmo período. A União Europeia enfrentará uma produção praticamente estagnada em virtude da redução de seu rebanho e do avanço de sistemas orgânicos, que possuem menor produtividade e custos mais elevados. Em contrapartida, os Estados Unidos liderarão o crescimento do setor impulsionados por altos índices de produtividade por animal, direcionando seus excedentes para a produção e exportação de leite em pó desnatado. Já a Nova Zelândia, altamente dependente da eficiência do manejo de suas pastagens, terá um crescimento moderado de 1% ao ano devido à limitação territorial, mas manterá seu foco estratégico no volume produzido por hectare e no atendimento do mercado externo.

No consumo, a maior parte do leite mundial continuará sendo destinada aos produtos frescos, especialmente nas nações de renda média e baixa. Nos países de renda alta, a demanda por frescos deve cair, dando espaço a derivados com alto teor de proteína, como iogurtes e queijo cottage, além da preferência por gordura láctea em detrimento de outros sólidos. Essa mudança de padrão sustenta uma valorização internacional superior para a manteiga em relação ao leite em pó desnatado. Paralelamente, o mercado global de produtos industrializados continuará dependente dos leites em pó para uso na indústria de confecção, panificação e fórmulas infantis, além do soro em pó, que ganha espaço em nutrição especializada e na reconstituição de lácteos em países com produção limitada.

O comércio internacional permanecerá altamente concentrado, respondendo por menos de 7% de todo o leite produzido globalmente devido à alta deteriorabilidade e ao custo de transporte do produto líquido. União Europeia, Estados Unidos e Nova Zelândia continuarão dominando as exportações globais, sendo responsáveis por cerca de 70% das vendas de queijo, manteiga e leites em pó. Do lado dos compradores, a China seguirá como a maior importadora mundial de lácteos, embora com um ritmo de compras de leite em pó integral desacelerado pelo aumento de sua produção interna. A África, por sua vez, deve ampliar significativamente suas importações de leite em pó para suprir uma demanda que crescerá muito mais rápido do que a capacidade de seus rebanhos locais.

Por fim, o setor permanecerá exposto a incertezas relevantes que podem alterar as projeções até 2035. A volatilidade dos preços continua sendo um risco estrutural, intensificada por políticas comerciais protecionistas e metas ambientais cada vez mais severas, especialmente em países com grandes emissões como Irlanda e Nova Zelândia. Além disso, eventos climáticos extremos, a expansão de alternativas vegetais como bebidas de amêndoa e aveia, surtos de doenças animais e gargalos de mão de obra representam desafios constantes. No entanto, a adoção de tecnologias emergentes, como ordenha automatizada e monitoramento em tempo real, pode elevar os índices de produtividade global para patamares ainda maiores do que os previstos. (As informações são do relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035, capítulo 6, “Dairy and dairy products”, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Para onde vai o leite no Brasil? As lições das cem maiores fazendas do setor

O setor leiteiro brasileiro vive uma transformação impulsionada por um grupo de propriedades que redefinem os padrões de escala e eficiência no campo. Os dados do Levantamento Top 100 2026, realizado pela MilkPoint em parceria com a ABRALEITE, revelam que as cem maiores fazendas do país comercializaram 1,29 bilhão de litros de leite em 2025, registrando uma elevação superior a 8% em relação ao levantamento anterior.

Com uma média diária impressionante de 35.392 litros por propriedade, esse resultado consolidou um salto produtivo de 444% na média das fazendas participantes desde a primeira edição da pesquisa, em 2001. A disparidade em relação ao restante do país fica evidente quando comparada ao avanço da produção formal nacional, que cresceu 107,4% no mesmo período. Hoje, apenas estas 100 propriedades — representando cerca de 0,04% do total de pecuaristas de leite inspecionado no Brasil — já respondem por 4,71% de todo o volume formalmente captado, acentuando um processo contínuo de concentração estrutural na cadeia produtiva.

Essa concentração se reflete fortemente na geografia do leite brasileiro, onde as regiões Sudeste e Sul mantêm protagonismo absoluto. O Sudeste ampliou sua liderança ao alcançar 51 propriedades no ranking, impulsionado por Minas Gerais, que figura no topo com 39 fazendas, seguido por São Paulo, com 12. A região Sul aparece em seguida com 30 fazendas, impulsionada pelo Paraná, que abriga 23 delas e destaca o vigor da região dos Campos Gerais.

O município de Carambeí reassumiu a liderança nacional abrigando 8 fazendas do grupo, com volume somado superior a 116 milhões de litros em 2025 — o equivalente a quase 9% do total do Top 100 —, acompanhado de perto por Castro, com 7 propriedades (105,1 milhões de litros), e Arapoti, com 4 (39,3 milhões de litros). O modelo cooperativista atuante nos Campos Gerais provou ser um diferencial decisivo no acesso a insumos e tecnologias. Completando o mapa da alta produção, o Centro-Oeste soma 12 propriedades (com destaque para Goiás, que detém 11) e o Nordeste conta com 7 fazendas no levantamento.

Por trás desses números expressivos, está a opção clara da elite produtiva por sistemas altamente intensificados e previsíveis. O regime de confinamento é adotado por 85% das fazendas, enquanto sistemas baseados predominantemente em pastagens representam apenas 8% do grupo. Entre os modelos de alojamento, o free stall lidera em 46% das propriedades, oferecendo controle sobre nutrição, saneamento e bem-estar animal.

Essa busca por eficiência refletiu-se também na produtividade individual do rebanho, que atingiu uma média diária de 36,31 litros por vaca, um avanço de 5% sobre o ciclo anterior. Regionalmente, as fazendas do Sul alcançaram a maior média nacional de produtividade diária por animal, com 40,47 litros, seguidas pelo Sudeste com 36,55 litros, Centro-Oeste com aproximadamente 34 litros e o Nordeste com média próxima a 25 litros por animal.

Aliada à intensificação produtiva, a gestão socioambiental emergiu como um pilar essencial para sustentar a competitividade dos grandes projetos. O manejo das propriedades do Top 100 tem integrado práticas agrícolas sustentáveis que otimizam insumos e protegem o solo, como a rotação constante de culturas, o uso de adubação orgânica via dejetos e o avanço no emprego de bioinsumos em substituição aos defensivos químicos tradicionais. A eficiência no uso da água também evoluiu com a adoção de sistemas de captação de água da chuva em mais da metade das propriedades. Além disso, a diversificação da matriz energética por meio de fontes alternativas e a implementação de sistemas integrados de produção têm demonstrado que a alta performance econômica depende diretamente da responsabilidade ecológica.

Apesar dos avanços produtivos e tecnológicos, o balanço financeiro do ano trouxe desafios relevantes e impactou a percepção de rentabilidade da atividade. Após enfrentar um período severo de custos de produção elevados entre 2019 e 2022, o setor vivenciou certa acomodação nos custos a partir de 2023, mas a volatilidade do mercado voltou a pressionar as margens em 2025. Impulsionada pela queda nos preços do leite recebidos pelos produtores a partir de abril, segundo dados do CEPEA, a sensação de piora nos resultados econômicos foi relatada por 48% das fazendas do levantamento. Enquanto 22% dos pecuaristas registraram estabilidade e 28% conseguiram obter melhora na rentabilidade em relação ao ano anterior, os dados deixam claro que o aumento de volume não garantiu blindagem total contra as variações do mercado lácteo.

Ainda assim, o cenário de pressão econômica não diminuiu a disposição das maiores fazendas do país para continuar investindo no crescimento de suas operações. Nada menos que 91 das 100 propriedades mantêm planos de expansão da produção para os próximos três anos, com estratégias que variam de incrementos graduais de até 20% (opção de 44% do grupo) a saltos mais arrojados acima de 50% projetados por 19 produtores. O pequeno grupo de 9% das fazendas que optou por não expandir justifica a decisão por limitações de área, escassez de água ou pelo foco na consolidação da infraestrutura atual.

Com uma escala cada vez mais expressiva, forte tecnificação e metas claras de investimento, o Top 100 2026 reafirma que o futuro do leite no Brasil está definitivamente ancorado na eficiência operacional, na profissionalização da gestão e na capacidade de adaptação contínua. (MilkPoint)

Fiergs cria programa com orientações para ajudar endividados 

Para auxiliar na reversão do cenário de alto endividamento dos trabalhadores, o que impacta diretamente na qualidade de vida e na saúde emocional, o Sistema Fiergs criou o Programa Consciência Financeira, com o objetivo de promover a educação financeira e prevenir o superendividamento. A partir de um aplicativo e cursos online, a iniciativa desenvolvida por especialistas do Serviço Social da Indústria (Sesi-RS), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS) oferece conteúdos, orientações e ferramentas práticas gratuitas para apoiar a população. 

De acordo com o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, o programa nasceu não só para apoiar quem está em situação complexa de endividamento, mas também para conscientizar a população e fornecer conteúdo para as indústrias ajudarem os trabalhadores. “Sabemos que as dívidas geram dificuldades na vida pessoal, no contexto familiar e, consequentemente, no ambiente de trabalho. Por isso, queremos levar informações e esclarecimentos sobre o tema e apoiar as pequenas e médias indústrias para que também tenham condições de passar orientações adequadas para seus funcionários.” (Jornal do Comércio)


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA E TENDÊNCIAS (DE 30 DE JULHO A 5 DE AGOSTO)
Entre o sábado (01/08) e o domingo (02/08), o avanço de um novo sistema de baixa pressão poderá trazer novamente instabilidade para o território gaúcho. Assim, há previsão de chuva e de rajadas de vento localizadas. Na segunda-feira (03/08), o sistema de baixa pressão deverá continuar influenciando as condições do tempo no Rio Grande do Sul. Dessa forma, há previsão de chuva e de rajadas de vento localizadas. Na terça-feira (04/08), o sistema começará a se afastar, reduzindo sua influência sobre o estado. Há previsão de chuva apenas em pontos isolados. Na quarta-feira (05/08), o transporte de umidade e a atuação de um novo sistema de baixa pressão deverão trazer novamente instabilidade para o território gaúcho. Dessa forma, há previsão de chuva em grande parte das regiões do estado ao longo do dia. As temperaturas não sofrerão variações significativas ao longo da semana. De forma geral, a figura mostra que os acumulados de precipitação deverão variar entre 2 mm e 100 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados que podem superar esse valor. (SEAPI)


Porto Alegre, 30 de julho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.682


Conseleite/PR - RESOLUÇÃO Nº 07/2026 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 29 de julho de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Junho de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Julho de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.  

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Julho de 2026 é de R$ 4,3553/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/. (Conseleite/PR)


Agricultura de baixo carbono no RS

Em meio à passagem de mais uma onda de chuva forte, vento e temporais pelo Rio Grande do Sul, o papel da agricultura de baixo carbono na equação climática se reforça. Dados do país inteiro do Plano ABC+ estarão em debate de hoje até quinta-feira em Brasília, na 4ª edição da reunião nacional. E mostrarão a parte que os gaúchos vêm desempenhando na busca pela mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. O RS é um dos 12 Estados que têm metas estabelecidas e proposta de ação vigente.

– Todas as tecnologias que o agro utiliza são parte da solução. A única atividade que consegue garantir a segurança alimentar e aumentar carbono no solo é o agro. Não há outro setor com essa capacidade que a agricultura tem – resume Jackson Brilhante, coordenador do Plano ABC+ no RS.

Dados do ABC+ mostram que o Brasil chegou a 69,79% da meta, com 50,72 milhões de hectares com tecnologias de adaptação à chamada agricultura de baixo carbono. O RS chegou a 2,1 milhões de hectares, o que representa 44,4%. Há algumas práticas da agricultura de baixo carbono em que o Estado superou a meta e outras em que tem um percentual acima da média nacional. É o caso do Sistema de Plantio Direto, com 115% atingido, e do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças, com 140%, por exemplo.
Há necessidade de avanços maiores, em relação ao objetivo proposto, nos bioinsumos e nas florestas plantadas, que têm registrado áreas estáveis. Na irrigação, por exemplo, 53% do objetivo proposto foi alcançado, acima dos 30,86% do Brasil.

Destaques nas tecnologias do Plano ABC+

  • Alegrete: recuperação de pastagens degradadas e sistema de plantio direto de grãos.
  • São Gabriel: sistema de plantio direto de grãos e integração lavoura-pecuária-floresta.
  • Dom Pedrito: sistema de plantio direto de grãos e integração lavoura-pecuária-floresta.
  • Uruguaiana: recuperação de pastagens degradadas e integração lavoura-pecuária-floresta.
  • Santana do Livramento: recuperação de pastagens degradadas.
  • Santa Vitória do Palmar: integração lavoura-pecuária-floresta.
  • São Lourenço do Sul: integração lavoura-pecuária-floresta.
  • Tupanciretã: sistema de plantio direto de grãos.
  • Palmeira das Missões: sistema de plantio direto de grãos.

(Zero Hora)

Situação econômica do País é ruim ou péssima para 49% 

Pesquisa BTG/Nexus divulgada, ontem, mostra que 49% avaliam que a economia do País está ruim ou péssima, enquanto 18% consideram que ela está ótima ou boa. Os resultados apresentam variação positiva para o governo, porém, dentro na margem de erro de 2 p.p. em relação ao último levantamento, de 13 de julho, quando os que consideravam a economia ruim ou péssima eram 53% e ótima e boa, 15%. 

Sobre expectativas para os próximos seis meses, 34% dos entrevistados dizem que a economia do País vai melhorar “muito” ou “um pouco”, enquanto 32% afirmam que a situação deve piorar “um pouco” ou “muito”. Outros 27% avaliam que a economia deve ficar igual, e 7% não souberam ou não responderam. Sobre a situação financeira pessoal dos entrevistados para os próximos seis meses, 42% dizem que deve “melhorar muito ou um pouco”, enquanto 15% afirmam que deve “piorar um pouco ou muito”. Já 35% afirmam que a situação financeira pessoal deve continuar igual. 

Ao comparar o cenário econômico atual com o governo anterior, 40% dizem que a economia está melhor no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que na gestão Jair Bolsonaro (PL), enquanto 42% avaliam que está pior. O levantamento também mostra que a segurança pública segue como o principal problema do País para 30% dos eleitores. 

Em seguida, aparecem saúde pública (26%), corrupção (22%), classe política (17%) e educação (16%). A Nexus ouviu 2.004 entrevistados, com 16 anos ou mais, por telefone, de 24 a 26 de julho. A margem de erro é de 2 p.p., para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01489/2026. (Jornal do Comércio)

 


Jogo Rápido

Inscrições gratuitas abertas para o Milk Summit Mercosul 2026
As inscrições para o Milk Summit Mercosul 2026 já estão abertas. A participação no evento é gratuita, mas é obrigatória a inscrição prévia para garantir o acesso à programação. Nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí (RS), durante a ExpoFest Ijuí, o evento reunirá especialistas nacionais e internacionais, produtores, indústrias, cooperativas, pesquisadores, empresas e lideranças para debater os principais desafios e oportunidades da cadeia leiteira. Com uma programação voltada à inovação, competitividade, sustentabilidade, mercado, gestão e políticas públicas, o Milk Summit Mercosul consolida-se como um dos principais encontros do setor no Brasil e no Mercosul. A participação é gratuita, mas as vagas devem ser garantidas por meio de inscrição antecipada. Inscreva-se clicando aqui: https://milksummitbrazil.com/inscricao/. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 29 de julho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.681


Para julho, Conseleite projeta leite a R$ 2,5005

O valor de referência do leite para julho de 2026 divulgado pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) ficou projetado em R$ 2,5005 por litro. O índice representa uma alta de 2,98% em relação ao valor projetado para junho, de R$ 2,4281, correspondendo a um acréscimo de R$ 0,0724 por litro. Também divulgou nesta terça-feira (28/07), o valor consolidado de junho, que encerrou o mês em R$ 2,4320, levemente acima do valor consolidado de maio (R$ 2,4302), com diferença positiva de R$ 0,0017, 0,07%. 

Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, os valores têm se mantido estáveis e próximos da média histórica, acompanhando a tendência observada nos principais estados produtores. "Temos uma estabilidade nos preços e uma sustentação dos valores pagos ao produtor neste primeiro semestre do ano”, assinala. Durante a reunião online, representantes dos produtores e da indústria manifestaram preocupação com os impactos do alto volume de chuva. Se persistir, pode afetar o desenvolvimento das pastagens de inverno e comprometer as de verão, incidindo na formação de silagem e oferta de alimentos nas propriedades rurais.

Os indicadores do Conseleite são elaborados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base em informações fornecidas pelas indústrias participantes. A projeção mensal considera a movimentação dos 20 primeiros dias do mês, enquanto o valor consolidado é calculado após o encerramento do período. Durante a reunião, a Câmara Técnica e Econômica (Camatec) também apresentou a atualização dos parâmetros utilizados no cálculo do preço de referência do leite. Eles passarão a ser adotados nas planilhas de cálculo a partir da próxima rodada de aferição. (Conseleite/RS)


O que pode mudar o cenário da falta de mão de obra

Para o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini, a sucessão rural está diretamente ligada à transformação da atividade. Segundo ele, a produção leiteira possui uma característica que dificulta a permanência dos jovens no campo. “Atividade leiteira tradicional, ela tem bastante aplicação de esforço físico”, diz. Assim, uma possível solução seria a implementação de tecnologias,visando não apenas a automação da produção, mas servindo como um atrativo para os jovens.“Eu acredito muito nessa questão da dificuldade da sucessão ou até para que possa manter o jovem na atividade, porque essa geração não quer acordar às 5h da manhã para ordenhar os animais. Então, o robô tem essa característica. É claro que os investimentos são altos, então você precisa ter um nível de produtividade significativo ou mesmo outros sistemas de ordenha que são mais automatizados.” 

A mudança no modelo de produção também é apontada por Palharini como uma alternativa para incentivar a permanência das novas gerações no campo. “O que tem ocorrido que acaba segurando o jovem é mudar o modelo de produção de leite, de ser a pasto. Grande parte das propriedades hoje, com volume maior, elas têm trabalhado com gado confinado,então isso também diminui a mão de obra, mas de outro lado tem um aumento de custo de produção, claro que você acaba tendo uma produtividade maior por animal. Então, é desafiador, não é uma questão de uma solução fácil e isso não é uma situação só no Rio Grande do Sul, no Brasil todo, diria que até no mundo todo tem essa dificuldade, por justamente a atividade leiteira ter essa questão de compromisso diário, e que de certa forma ameniza com a aquisição ou a implantação do sistema robotizado na ordenha”, observa o dirigente. 

Dentro do setor, empresas e cooperativas têm desenvolvido programas voltados especificamente para os sucessores rurais,como explica o secretário-executivo. “Muitas cooperativas têm esse trabalho na questão da formação de novos líderes.O jovem acaba atraído a ficar na atividade leiteira se efetivamente ele conseguir ter um gerenciamento”, esclarece. 

O secretário explica que, desde o ano passado, a produção tem aumentado, mesmo com a saída de produtores. “Diferente de 2025, mesmo que a gente pegue de janeiro a abril de 2025, e compare com janeiro, abril de 2024, a produção de 2025 é superior. Então, ela vem num crescente, que também, em 2024 e até o início do segundo semestre de 2025, tinha uma situação de preço bastante favorável. Então, estava o cenário perfeito, aumento de produção, e preço remuneratório bom para o produtor. Esse cenário acabou mudando, a partir de agosto e setembro de 2025. Ele foi até janeiro de 2026, em questão de preço, mas, mesmo assim, a produção não diminuiu, como em anos anteriores, quando baixava o preço, a gente tinha sempre uma queda de produção bastante significativa. 

Então, isso mostra a questão da profissionalização do setor,importante nesse sentido. Mas o mercado está, dessa maneira, muito afetado com o aumento de importação que tem da Argentina e do Uruguai. Isso acaba influenciando no preço dos derivados, principalmente do leite em pó. As indústrias de chocolate, grandes indústrias de bolachas, acabam comprando leite em pó importado e não nacional”, salienta ele. A perspectiva para os próximos meses do ano é o equilíbrio dos preços,em que as margens de resultado para produtores e indústrias é ajustada, com foco na eficiência produtiva dos rebanhos, como prevê Palharini. “Então é esse aspecto de torcer para que efetivamente nós não tenhamos um impacto forte de El Niño que o pessoal tem comentado, que isso acaba botando mais uma dificuldade dentro do processo, mas a sinalização que agente tem, a média a longo prazo da atividade é positiva.” n A sucessão no setor leiteiro gaúcho não depende apenas da vontade dos filhos de produtores. Ela está ligada à rentabilidade da atividade, ao acesso à tecnologia, à qualidade de vida no campo e à capacidade de profissionalização. (Correio do Povo)

RS teve a menor expansão em 20 anos, revela estudo 

O Rio Grande do Sul registrou o menor crescimento econômico entre todos os estados brasileiros entre 2002 e 2023. O dado integra os “Estudos em Crescimento Econômico e Produtividade”, série produzida pelo Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (Ifep-RS), que busca identificar os fatores que explicam a trajetória da economia gaúcha nas últimas duas décadas e apontar caminhos para a retomada do crescimento da renda e da produtividade no Estado. A primeira nota da série apresenta um diagnóstico comparativo do desempenho do Rio Grande do Sul em relação aos estados brasileiros, com destaque para os vizinhos da Região Sul, e em relação ao Brasil como um todo. 

O levantamento mostra que, no período analisado, o PIB gaúcho cresceu 34%, resultado inferior à média nacional (58%), ao Paraná (55%) e a Santa Catarina (65%). Segundo o estudo, o baixo desempenho não se limita ao crescimento agregado da economia. Quando a análise considera o PIB per capita, indicador que mede a renda média por habitante, o Rio Grande do Sul também aparece entre os piores resultados do país, com crescimento de apenas 24% no período, à frente apenas de Santa Catarina, que registrou alta de 19%. O Paraná apresentou o melhor desempenho do Sul, com crescimento de 31%. 

O crescimento econômico e da renda por habitante refletem dinâmicas distintas. Enquanto Santa Catarina ampliou significativamente o tamanho de sua economia impulsionada pelo crescimento populacional, o Paraná conseguiu converter melhor o crescimento econômico em ganhos de renda por habitante por meio de avanços de produtividade. Já o Rio Grande do Sul não se destacou em nenhum desses dois canais. Outro aspecto analisado pelo Ifep-RS foi a composição do crescimento econômico. No Paraná, cerca de 73% da expansão do PIB per capita decorreu de ganhos de produtividade do trabalho. Em Santa Catarina, o crescimento foi dividido entre produtividade e expansão da população ocupada. No Rio Grande do Sul, embora a produtividade tenha respondido pela maior parte do crescimento da renda, o estado apresentou dependência relativamente maior da expansão do emprego, um mecanismo que tende a perder força diante do envelhecimento populacional. 

O estudo aponta ainda que a vantagem relativa de produtividade que o Rio Grande do Sul possuía em relação à média nacional no início dos anos 2000 praticamente desapareceu ao longo das últimas duas décadas. Entre 2002 e 2023, a produtividade do trabalho gaúcha cresceu, em média, 0,65% ao ano, abaixo da média brasileira. (Jornal do Comércio)


Jogo Rápido

Petróleo fecha em queda com pausa de ataques Estados Unidos-Irã 
O petróleo fechou em queda de 4% ontem com o WTI voltando a operar abaixo de US$ 80 por barril, em meio a sinais de avanços diplomáticos no Oriente Médio. O Irã conversou hoje com Arábia Saudita e Omã sobre a situação no Estreito de Ormuz. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro fechou em queda de 4,06% (US$ 3,35), a US$ 79,26 o barril. O petróleo Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 4,41% (US$ 3,79), a US$ 82,08 o barril. A pausa nos ataques entre os Estados Unidos e o Irã se manteve nesta terça, elevando as esperanças de negociações no conflito do Oriente Médio, que desorganizou o setor de energia. O governo do Irã informou que o país perdeu cerca de 230 milhões de metros cúbicos de capacidade de produção de gás em consequência dos ataques sofridos durante a guerra. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que este é “um bom momento” para o Irã fechar um acordo nuclear com Washington. Em entrevista à Fox News, Trump disse que Teerã “essencialmente concordou” em não desenvolver armas nucleares, mas ressaltou que o compromisso ainda precisa ser formalizado. (Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 28 de julho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.680


China retoma sede por lácteos em junho: importações cresceram 11%

As importações chinesas de produtos lácteos encerraram junho de 2026 com um aumento de 11,4% em volume em comparação com o mesmo mês do ano anterior e de 20,1%, quando medidas em litros equivalentes de leite. 

Os produtos que mais contribuíram para esse crescimento foram o leite em pó integral, o soro de leite, as fórmulas infantis e os queijos macios. Em termos monetários, o valor total importado no mês aumentou 20,6% na comparação anual, segundo dados elaborados pelo Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA) com base em informações da Aduana da China e da CLAL.it. No acumulado do primeiro semestre de 2026, o crescimento foi muito mais moderado: o volume importado avançou apenas 0,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, embora o valor em dólares tenha aumentado 4,1%, impulsionado principalmente pelos preços — o valor médio passou de US$ 4.555 para US$ 4.722 por tonelada, um aumento de 3,7%.

O valor por litro equivalente de leite das importações chinesas no acumulado do ano foi de US$ 1,06, praticamente o mesmo registrado no mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a junho de 2026, os principais produtos apresentaram desempenhos distintos. O soro de leite foi a categoria com maior volume importado, totalizando 332 mil toneladas, embora tenha registrado uma queda de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O leite em pó integral, segundo produto mais importado em volume, alcançou 281 mil toneladas, um aumento de 11%. Já o leite em pó desnatado recuou 20%, para 112 mil toneladas, enquanto o leite fluido desnatado caiu 13%, totalizando 141 mil toneladas.

No segmento de queijos, o queijo macio foi o produto de maior dinamismo, com crescimento de 31%, alcançando 30,7 mil toneladas, seguido pelo queijo processado (+27%) e pelo queijo ralado ou em pó (+23%). As importações de manteiga aumentaram 12%, para 66 mil toneladas. O creme de leite registrou alta de 8%, atingindo 152 mil toneladas, enquanto as fórmulas infantis cresceram apenas 1%, chegando a 106 mil toneladas. A lactose destinada ao uso farmacêutico apresentou a maior queda do semestre, com retração de 21%.

No caso do leite em pó integral, o segundo principal produto importado pela China, a Nova Zelândia respondeu por 94,8% das compras chinesas no primeiro semestre de 2026, participação ligeiramente superior aos 92,2% registrados no mesmo período do ano anterior. (As informações são do Tardáguila Agromercados, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Da cidade ao campo

Nem sempre a sucessão está no campo. Eliziane Moreira de Oliveira, de 27 anos, trabalha com os sogros e o marido em Palmeira das Missões. Há cerca de 6 anos, ela se mudou da área urbana para a propriedade rural, onde hoje atua na produção de cerca de 800 litros diários. “Para continuar está bem difícil, mas não queremos parar. Vamos lutando. Todo mundo está numa fase difícil”, avalia. O rebanho é criado no sistema pasto e é composto por cerca de 30 fêmeas, sendo 27 em lactação. Desde 2023, a família tem investido na inseminação, buscando melhoramento genético e aumento da produção. Em momentos de gastos elevados, costumam vender animais para pagar as contas, mas há também a organização financeira. “A gente tenta sempre manter as contas em dia para não ir para o vermelho. As vacas vendidas (funcionam como) uma reserva para emergência da propriedade”, explica. Eliziane conta que gosta da atividade no campo e pretende seguir na produção, mas conhece muitos produtores que não conseguiram dar continuidade ao trabalho. “Nosso plano é continuar e fechar (com) as vacas. O objetivo é seguir com a inseminação e melhorar a genética.” 

‘Desistir não é uma opção’, afirma produtora 
Em meio aos desafios que pressionam a pecuária leiteira gaúcha, ainda há quem aposte na continuidade e invista no futuro da propriedade. Este é o caso da produtora de Cândido Godói, no Noroeste do Estado, principal região leiteira do país, de acordo com estudo lançado pela Embrapa Gado de Leite, Aline Janaína Schreder assumiu a propriedade dos pais, ao lado do marido, há cerca de cinco anos. Atualmente, o casal trabalha sozinho na produção de leite e administra um rebanho com aproximadamente 30 vacas no sistema de pasto. 

A propriedade comercializa leite in natura para a Agroindústria Konzen, localizada em Salvador das Missões. Segundo Aline, o período recente tem sido marcado por investimentos em qualidade. “Desde que tomamos a frente aqui, a gente está em uma onda alta de investimentos. Então, se tem alguém que sentiu muito tudo isso (alta nos custos de produção) foi agente.” Aprodutora afirma que as despesas têm crescido em ritmo superior às receitas. Para quem vê de fora, fica difícil entender o motivo da persistência. “Porque é aquela questão que a gente vai fazendo o giro disso. A gente não só trabalha com isso”, explica. Os investimentos no rebanho são prioridade para Aline, que busca ampliar a produção de cerca de 22 mil litros mensais, apostando em novilhas. “Na verdade, acaba sobrecarregando mais a nossa mão de obra, porque, como estamos aumentando o número de animais, querer reduzir alguma coisa não é viável.” 

Os desafios de se manter na atividade ultrapassam os números e atingem a vida dos trabalhadores de forma emocional. “(Sobre a) questão do preço, hoje em dia, a gente tem recurso do banco. Essas coisas mexem muito mais com o psicológico da gente. Tu tem que estar articulando. Tem que estar pensando, não pode se desesperar. É uma pressão, assim, alta. Várias vezes, a gente chegou na conversa: ‘será que isso realmente não dá? O que nós vamos fazer? Vamos vender tudo? Mas hoje vender tudo não paga nem todos os investimentos.’E daí a outra questão: vai para onde? Fazer o quê?”, questiona a produtora de 27 anos. Mesmo diante das adversidades, muitas inerentes ao ofício, que envolve dedicação constante aos rebanhos e a dependência do clima, Aline diz que não conhece quem tenha desistido da profissão. Ela mesma descarta a possibilidade. “O nosso lema aqui é não desistir. Apesar de estar sempre nesses desafios, a gente fala muito que desistir não é uma opção.” (Correio do Povo)

Grupo Piracanjuba e Nestlé relançam Linha Moça Doceria
 
O Grupo Piracanjuba e a Nestlé anunciam o retorno da tradicional Linha Moça Doceria ao mercado brasileiro. A retomada simboliza um novo movimento da parceria entre as marcas e reforça a aposta em categorias ligadas à indulgência, unindo tradição, sabor e forte conexão com os consumidores. Os produtos voltam às prateleiras no segundo semestre de 2026, em três versões clássicas: brigadeiro, beijinho e chocolate cremoso.
 
O lançamento acompanha o momento de expansão do portfólio do Grupo Piracanjuba, que vem ampliando sua atuação em diferentes categorias, com investimentos em licenciamentos, collabs e produtos voltados a variados perfis de consumo.
 
O movimento também reforça a parceria construída entre o Grupo Piracanjuba e a Nestlé desde 2019, quando a operação das marcas Ninho e Molico na categoria UHT passou a ser conduzida pela Piracanjuba. Agora, as companhias ampliam essa parceria com a retomada da Linha Moça Doceria para o varejo nacional.
 
“Estamos sempre atentos a movimentos que tenham conexão genuína com o público. A Linha Moça Doceria tem um reconhecimento muito forte entre os brasileiros e retorna ao mercado em um momento importante de ampliação do nosso portfólio em categorias ligadas à indulgência. É um lançamento que traz de volta uma marca muito presente na memória e na rotina dos brasileiros”, destaca Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba.
 
A fabricação e a distribuição ficarão sob responsabilidade do Grupo Piracanjuba, na unidade de Araraquara (SP), com presença prevista em supermercados, hipermercados e redes especializadas de todo o país. Desde 2022, os produtos estavam disponíveis apenas para o segmento food service.
 
“Moça ® é uma marca icônica do nosso portfólio, com uma relação única com os
brasileiros e presença em diferentes momentos de consumo. O retorno da Linha Moça Doceria ao varejo, em parceria com o Grupo Piracanjuba, reforça nossa versatilidade aliada a qualidade e tradição que atravessam gerações”, afirma Carolina Guimarães BEO de Culinários Nestlé.
 
O relançamento da Linha Moça Doceria marca mais um capítulo da parceria entre o Grupo Piracanjuba e a Nestlé® e marca o retorno ao varejo brasileiro de um produto que permanece na memória afetiva de diferentes gerações. (Piracanjuba)


Jogo Rápido

Lactalis estreia na Agroleite e investe em relacionamento com produtor paranaense
A Lactalis Brasil estreia com novidades na Agroleite 2026, maior exposição de pecuária leiteira da América Latina. Realizada em Castro (PR) de 3 a 6 de agosto, a mostra reúne empresas e produtores em um grande encontro de inovação e network. A Casa Lactalis estará localizada no lote 4, Quinta Avenida do Parque Tecnológico Agroleite. Mais do que um momento de presença institucional do grupo, a Agroleite é essencial na aproximação com os produtores rurais e as cooperativas paranaenses, para o fortalecimento do setor como um todo. Realizada em uma das regiões mais fortes na produção da pecuária leiteira, Castro é sede de importantes players do setor cooperativista e industrial. “Estar aqui é mostrar aos nossos produtores a importância da produção do Paraná para a Lactalis, uma empresa que é referência em eficiência e ruma para a liderança na produção sustentável. Nossa meta é zerar nossas emissões de metano até 2050”, frisou o diretor de Comunicação, ESG, Assuntos Regulatórios e Corporativos da Lactalis Brasil, Guilherme Portella. Apresentando o Clube do Produtor Lactalis, o grupo francês traz aos produtores brasileiros tecnologia internacional em nutrição e insumos para ordenha, incluindo rótulos que reduzem emissões que agravam o efeito estufa. A programação durante a mostra ainda inclui apresentação de produtos de uma das linhas mais aclamadas da Lactalis no Paraná: a Batavo. Entrelaçada com a memória afetiva dos paranaenses, a marca da holandesa apresentará os novos e os já aclamados rótulos aos visitantes. Os queijos e manteigas Presidént também devem ser alvo de apresentação e degustação. “O Paraná é muito relevante para a Lactalis Brasil. Aqui temos um consumidor altamente exigente e que serve de termômetro para diferentes praças pelo poder aquisitivo, nível cultural, conhecimento e valor que dá aos lácteos em sua dieta”, ponderou o diretor de marketing da Lactalis Brasil, Raphael Cumplido. (Lactalis)


Porto Alegre, 27 de julho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.679


Conseleite/MG

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 24 de Julho de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Maio/2026 a ser pago em Junho/2026 b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Junho/2026 a ser pago em Julho/2026 c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Julho/2026 a ser pago em Agosto/2026. 

Nota Técnica: O Valor Base de Referência corresponde à capacidade de pagamento da indústria pelo leite, considerando os seguintes parâmetros de volume e qualidade: produção de 160 litros/dia, Contagem de Células Somáticas (CCS) de 400 mil células/mL, Contagem Padrão em Placas (CPP) de 100 mil UFC/mL, teor de gordura de 3,30% e teor de proteína de 3,10%. 

Atenção: A Câmara Técnica do Conseleite MG está conduzindo a revisão dos parâmetros que compõem os valores de referência do Conseleite MG, com conclusão prevista para setembro de 2026. Após a conclusão desse processo, o Valor Base de Referência deixará de ser publicado pelo Conseleite MG, permanecendo inalterada a divulgação das demais categorias da tabela de valores de referência. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. 

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA 
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br. (Conseleite/MG)


Entre persistir e resistir: o dilema das famílias 

A principal dificuldade apontada pelos estabelecimentos agropecuários produtores de leite no Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva da Emater/RS-Ascar se refere ao descontentamento em relação à remuneração, abrangendo 14.334 unidades (49,52%). Em seguida, aparece a dificuldade de mão de obra mencionada por 14.280 estabelecimentos (49,33%). Já o elevado custo de produção é a resposta de 13.236 (45,73%). Outro elemento em destaque é a falta de descendentes ou o desinteresse na continuidade da atividade, somando 11.795 estabelecimentos (40,75%). Além de influenciar diretamente a disponibilidade de mão de obra, esse dado sinaliza desafios no que se refere à sucessão familiar.

Fernando Thomas Piper, de 23 anos, trabalhou na propriedade dos pais, na ordenha de aproximadamente 40 vacas, até cerca de um ano atrás, quando deixou a produção, segundo ele, devido a diferentes fatores. “Desde que eu me conheço por gente, eu trabalhei com os meus pais nesse ramo. Teve um pequeno momento que eu acabei saindo, mas foi porque a gente teve um surto de leptospirose dentro da propriedade.Acabamos perdendo muitos animais. A gente não pôde vender leite por um bom tempo, por causa dos antibióticos que usamos. Na época, sobraram 13 vacas, produzindo em torno de 30 litros juntas. Então a coisa apertou e eu acabei indo trabalhar em uma fábrica de ração.”

Entretanto, a doença foi apenas parte do problema. Piper afirma que os custos crescentes e a ausência de sucessores acabaram tornando inviável a continuidade da atividade. “Eu deixei a produção de leite muito em virtude do alto custo, porque meu pai e minha mãe já não são mais pessoas jovens. Acho que esse foi um dos principais motivos, que eu ficaria totalmente sozinho. E hoje, se tu quer seguir com a produção de leite, o mercado está levando quase todo mundo ao confinamento.” A propriedade está localizada no interior de Campinas das Missões e o leite comercializado na região constituía a principal fonte de renda da família.“Os principais problemas que a gente enfrentou nos últimos anos foram, com certeza, o baixo preço do leite e o alto preço dos insumos que agente precisava, tanto de semente, silagem, dá para incluir até mesmo o combustível e o preço de maquinários e implementos”, explica Piper, que é médico-veterinário, pós-graduado em clínica de bovinos de leite. Ao deixar a produção, atuou na assistência técnica de uma cooperativa. Há cerca de um mês, o rebanho da família foi vendido. “A gente fica sempre com a consciência pesada na hora de vender os animais, porque esse foi um negócio que sustentou a nossa família. Mas a gente fez uma escolha e, no fim das contas, eu acho que foi bom para todos (ele e os pais)”, conta. 

SEGUNDA GERAÇÃO
O sucessor da família Miecznikovski, Samuel, de 24 anos, observa os mesmos problemas relacionados aos custos e ao valor pago pelo litro do leite, mas “vai tocando” o trabalho que começou há 25 anos com o pai, Luiz, no município de Centenário. “Fazemos o melhor possível para atravessar os desafios. Mantemos alimento armazenado para os momentos de necessidade”,conta. O gosto pela lida começou cedo, acompanhando os pais na atividade. “Desde pequeno, estava sempre junto, vendo eles trabalharem e tive vontade de continuar. Peguei gosto e agora estou tomando a frente, às vezes trabalho sozinho.” A produção das vacas criadas no sistema de pasto é comercializada para empresas de laticínios na região de Santa Maria. Miecznikovski não tem conhecidos que deixaram de produzir e pretende seguir na atividade, pois avalia um retorno maior em comparação com a lavoura da família, que está inscrita no programa Terra Forte da Emater/RS-Ascar. “Em comparação com a lavoura, tem sido mais rentável. No futuro, pensamos em alternativas para diminuir os custos e expandir. O programa vai ajudar em grande parte para recuperação de solo, das áreas de pastagem, tanto quanto na área de silagem, que nós usamos para as vacas. O que, querendo ou não, diminui um pouco o custo e melhora, aumenta a nossa produção”, explica. (Correio do Povo)

CMN disciplina linha de crédito de R$ 10 bilhões com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para disseminação tecnológica na produção agrícola

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em sessão extraordinária realizada em 23 de julho de 2026, Resolução nº 5.331, que disciplina linha de crédito de R$ 10 bilhões com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), voltada ao financiamento de projetos de disseminação tecnológica baseados em equipamentos inovadores nacionais para a produção agrícola.

A linha foi criada pela Medida Provisória nº 1.374, de 30 de junho de 2026, e será operacionalizada por meio de crédito descentralizado concedido por agências de fomento, bancos de desenvolvimento ou instituições de crédito oficiais credenciados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Poderão acessar a linha produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, e suas cooperativas de produção agropecuária. O limite por beneficiário é de R$ 30 milhões, com prazo de reembolso de até cinco anos, sem carência, em parcelas anuais.

Os encargos financeiros ao mutuário são compostos pela Taxa Referencial (TR) acrescida da remuneração da Finep (3% a.a.) e da instituição financeira credenciada (até 4% a.a.), resultando em encargos de até 7,12% a.a. O risco de crédito é integralmente da instituição financeira credenciada.

A linha visa promover a incorporação tecnológica, a modernização produtiva e o aumento da produtividade e da sustentabilidade agrícola, com foco em tecnologias como agricultura de precisão, automação, conectividade e digitalização, uso eficiente de insumos e rastreabilidade da produção.

A inovação da linha está na inclusão de produtores rurais pessoas físicas, segmento historicamente com acesso restrito a linhas voltadas à inovação. Os projetos financiáveis serão definidos por listagem elaborada pela Finep e publicada em seu sítio eletrônico.

A resolução entra em vigor na data de sua publicação.

O CMN
O CMN é um órgão colegiado presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e composto pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. (Fonte: Ministério do Planejamento e Orçamento)


Jogo Rápido

Associados do Sindilat/RS têm 10% de desconto no Interleite Brasil 2026
Os associados do Sindilat/RS contam com 10% de desconto na inscrição para participar do Interleite Brasil 2026. Com o tema “Capacitando e fortalecendo a produção de leite no Brasil”, o evento será realizado nos dias 18, 19 e 20 de agosto, no Gaudium Hall, em Uberlândia (MG), reunindo produtores, técnicos, gestores, pesquisadores e lideranças do setor para discutir os desafios e as oportunidades da atividade leiteira. A edição de 2026 traz como tema “O futuro do leite passa por quem decide evoluir” e a programação contará com duas salas simultâneas de palestras, permitindo que os participantes escolham entre conteúdos voltados à tecnologia aplicada ou à gestão. Entre os temas abordados estão manejo e nutrição de bezerras, saúde animal, qualidade do leite, automação e robótica na ordenha, formulação de dietas, produção de volumosos, gestão econômica, gestão de pessoas, bioseguridade e estratégias para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos. Além das palestras, o Interleite Brasil promoverá debates, apresentação de estudos de caso, espaço para exposição de empresas e oportunidades de networking entre os diferentes elos do setor. A programação completa está disponível em https://www.interleite.com.br/. Link de desconto para associados do Sindilat/RS, CLIQUE AQUI. (Sindilat/RS)    


Porto Alegre, 24 de julho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.678


EMATER/RS: Informativo Conjuntural. Porto Alegre, n. 1929 

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
A produção de leite está estável na maior parte das regiões, sustentada pela suplementação com silagem, feno e concentrados e pela melhoria gradual das pastagens cultivadas. Os rebanhos apresentam bom escore corporal e condições satisfatórias de bem estar na maioria das propriedades. Contudo, em algumas regiões, o excesso de umidade dificultou o manejo, reduziu o consumo de forragem em sistemas a pasto e favoreceu a ocorrência de mastite e de problemas de casco. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, devido à menor disponibilidade de pastagens, os rebanhos dependem de feno e silagem para suprir a necessidade de volumoso. 

Nas de Caxias do Sul, a disponibilidade de pastagens reduziu a necessidade de suplementação com silagem de milho nos sistemas à base de pasto, o que garantiu a produtividade e o escore corporal. O tempo firme facilitou o manejo das pastagens e melhorou as condições de higiene, favorecendo a qualidade do leite. A sanidade está estável. É realizado o controle de mastites, e há baixa ocorrência de ectoparasitas. 

Na de Ijuí, nos sistemas estabulados, a elevada umidade das camas tem provocado problemas sanitários. Nos sistemas a pasto, a redução da umidade do solo facilitou o manejo e aumentou o consumo de forragem e a produção de leite. Há casos de tristeza parasitária em alguns rebanhos. 

Na de Pelotas, em Morro Redondo e São Lourenço do Sul, o excesso de umidade e as chuvas intensas dificultaram o manejo devido ao acúmulo de barro e ao pisoteio, limitando o acesso aos piquetes e o consumo de forragem e, consequentemente, ocasionando queda na produção. 

Em Pelotas, intensificaram-se os cuidados com a higiene na ordenha e com o bem estar das terneiras para prevenir doenças e perda de peso. Em Canguçu, Cerrito, Jaguarão e Pedras Altas, tem sido fornecida suplementação com silagem e concentrados em razão da baixa oferta de pasto nativo. 

Na de Porto Alegre, a suplementação com silagem de milho e ração tem beneficiado o estado corporal, apesar do atraso no desenvolvimento das pastagens de azevém. A produção de leite está estável. Em relação ao aspecto sanitário, persistem os casos de mastite em decorrência do excesso de chuvas e da formação de barro nos piquetes, que dificultam o manejo. 

Na de Santa Maria, as fortes chuvas provocaram acúmulo de barro em corredores, áreas de descanso e de espera, dificultando a higiene dos animais e da ordenha e favorecendo problemas de casco, locomoção e controle de agentes patogênicos. Em alguns municípios, como Tupanciretã, as chuvas prejudicaram o recolhimento do leite. 

Na de Santa Rosa, ainda há necessidade de complementar a dieta com silagem de milho e feno para ajuste da fibra. A melhora da qualidade das pastagens permitiu reduzir a quantidade de proteína nas rações, diminuindo os custos de produção. Os rebanhos apresentam bom estado corporal e condições sanitárias satisfatórias. O tempo seco e os ventos reduziram o barro nas instalações e beneficiaram o manejo, especialmente no sistema Compost Barn, no qual houve melhor secagem das camas. 

Na de Soledade, o escore corporal está adequado em todas as fases produtivas. Foi fornecida silagem de milho para complementar a dieta nas propriedades com menor oferta de pastagens. Os animais foram mantidos em galpões de alimentação para evitar a degradação das pastagens e amenizar os problemas sanitários, como mastite. Apesar das condições favoráveis à ocorrência da doença, a situação sanitária está dentro da normalidade. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)


Conseleite Santa Catarina

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 24 de Julho de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Junho de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Julho de 2026.  

O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão. 

As informações são do Conseleite SC

CMN regulamenta renegociação de dívidas rurais; equalização ainda depende de norma adicional

O Conselho Monetário Nacional aprovou uma resolução que contém as regras para acesso dos produtores rurais às linhas de crédito especial para refinanciamento de dívidas, entenda.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que contém as regras para acesso dos produtores rurais às linhas de crédito especial para refinanciamento de dívidas, previstas na Medida Provisória 1.376/2026, publicada na semana passada. Com a resolução 5.330/2026 do CMN, a renegociação poderá ser acessada nas instituições financeiras a partir desta sexta-feira, 24 de julho, mas limitada às linhas não equalizadas.

O governo ainda precisa publicar uma portaria com as regras para pagamento da equalização aos agentes financeiros nas renegociações, assim como ocorre no Plano Safra, para destravar o refinanciamento das operações nessa modalidade. A resolução autoriza as instituições financeiras a contratarem linha de crédito rural para composição de dívidas rurais para a liquidação ou a amortização de débitos dos produtores. O texto reforça o caráter autorizativo da medida e diz que a contratação deverá ser feita por “conveniência e decisão” do agente financeiro.

Os beneficiários da linha serão produtores rurais do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), demais produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária que tenham registrado, entre 2019 e 2025, perdas em duas ou mais safras que resultaram em redução de, no mínimo, 30% da renda bruta agropecuária esperada para a respectiva safra ou atividade financiada pelas operações que foram renegociadas ou serão liquidadas.

Os limites de crédito serão de até R$ 400 mil para agricultores familiares enquadrados no Pronaf, até R$ 2 milhões para miniprodutores, pequenos e médios produtores rurais enquadrados no Pronamp e até R$ 4 milhões para os demais produtores rurais. As taxas de juros serão de 6%, 9% e 12% ao ano, respectivamente. No caso das cooperativas, o teto é de R$ 50 milhões. O prazo de reembolso será de até 8 anos com pagamento de juros na carência e com o vencimento da primeira parcela de amortização do principal dois anos após a data de contratação.

Os produtores poderão renegociar operações de custeio, comercialização e industrialização que já tenham sido renegociadas ou prorrogadas até 31 de maio de 2026 e que estejam em situação de adimplência na data de contratação da linha de crédito. Também serão contemplados financiamentos de custeio, comercialização e industrialização contratados até 31 de dezembro de 2025, inadimplentes entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026. As operações de investimentos, vencidas ou que ainda vão vencer, entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2026, também serão renegociadas. A contratação deverá ser feita até 12 de novembro de 2026.

Produtores que tiveram perdas mais severas, em três ou mais safras e que resultaram na redução de, no mínimo, 40% da renda bruta agropecuária esperada, terão limites de crédito de R$ 500 mil no caso de agricultores familiares enquadrados no Pronaf, de até R$ 2,5 milhões, para miniprodutores, pequenos e médios produtores rurais enquadrados no Pronamp e de até R$ 8 milhões para os demais produtores rurais. As taxas de juros, nesses casos, serão de 5%, 8% e 11% ao ano, com até 10 anos para reembolso, com pagamento de juros na carência e com o vencimento da primeira parcela de amortização do principal dois anos após a data de contratação.

A resolução prevê ainda a autorização para que as instituições financeiras criem, “por sua conveniência e decisão”, linha de crédito com recursos direcionados não controlados ou livres não controlados, como das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), da Poupança Rural ou outros recursos livres. A linha será destinada a renegociar o valor excedente das operações de crédito enquadráveis nos critérios de composição de dívidas, ou seja, que ultrapassarem os limites definidos nas linhas controladas.

Nessa linha, as taxas de juros serão de livre negociação entre as partes, podendo ser prefixadas ou pós-fixadas. O prazo de reembolso deverá ser de até 8 anos, com pagamento de juros na carência e com o vencimento da primeira parcela de amortização do principal dois anos após a data de contratação. E a contratação deverá ser feita até 12 de novembro.

CPR

A resolução diz ainda que as Cédulas de Produto Rural (CPR) com liquidação financeira emitidas por produtor rural para a liquidação ou a amortização de título anterior inadimplente, com prazo alongado, poderão cumprir a exigibilidade da Poupança Rural e da LCA no Plano Safra 2026/27.

A resolução veda a contratação das linhas de crédito rural para liquidação ou amortização das operações de crédito rural que tenham sido contratadas com recursos do Fundo Social e financiamentos feitos com recursos controlados pelas regras da Medida Provisória n° 1.314, de 5 de setembro de 2025. Segundo a resolução, a contratação do financiamento para renegociação de dívidas não constituirá “impedimento para a contratação de novas operações de crédito rural nem motivo para o registro do produtor rural ou da cooperativa de produção em cadastros restritivos”.

O texto aponta ainda que as novas operações “não abrangerão valores liquidados ou amortizado” até 14 de julho, antes da publicação da MP 1.376/2026, inclusive mediante indenização pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou cobertura por apólices de seguro rural”. A resolução do CMN também autoriza as instituições financeiras a prorrogarem por até 30 dias as parcelas de principal e juros de operações de crédito rural em situação de adimplência no dia 14 de julho de 2026, com vencimento até o dia 14 de agosto de 2026. A resolução exige apresentação de laudo técnico para comprovar as perdas de safras dos produtores e autoriza a instituição financeira a solicitar um segundo laudo caso haja indícios de irregularidade no primeiro.

Equalizados

O governo federal ainda precisará publicar uma portaria com as regras para pagamento da equalização aos agentes financeiros nas renegociações. A equipe econômica deverá estabelecer um Custo Administrativo e Tributário (CAT) único, o chamado spread bancário para operacionalização da linha, e distribuir os limites equalizáveis entre as instituições financeiras de acordo com a demanda apresentada e o volume de carteira classificado nas regras da medida provisória. Ainda não há previsão da publicação dessas regras.

Ao todo, a MP 1.376/2026 deverá alcançar mais de R$ 100 bilhões. O restante é de passivos em financiamentos com recursos controlados, como aqueles dos depósitos à vista e também têm juros definidos, e com taxas livres. Essas operações já podem ser acessadas com a publicação da resolução do CMN.

As informações são do Globo Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 30/2026 – SEAPI 
Na próxima semana, o tempo deverá permanecer instável em grande parte do território gaúcho. No sábado (25/07) a nebulosidade irá reduzir e, consequentemente, não há previsão de chuva significativa ao longo do estado. A partir do domingo (26/07), o transporte de umidade poderá começar a favorecer a ocorrência de precipitação ao longo do território gaúcho e as temperaturas começarão a apresentar leve ascensão. Entre segunda-feira (27/07) e quarta-feira (29/07), a manutenção do transporte de umidade e a passagem de um novo sistema de baixa pressão poderão trazer instabilidade e aumento das temperaturas para grande parte do estado. Ao longo desses 4 dias, há previsão de chuva, que podem vir acompanhadas de rajadas de vento, em grande parte das regiões. De forma geral, os acumulados de precipitação deverão variar entre 5 mm e 100 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados que podem superar esse valor. (SEAPI)