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Porto Alegre, 12 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.628


O parmesão virou aliado fitness? O que diz Tim Spector

Especialista em microbiota afirma que o parmesão concentra creatina graças ao longo processo de maturação do queijo.

A creatina no parmesão virou um dos temas mais curiosos da semana entre especialistas em alimentação, esportistas e amantes de queijo. E não foi por acaso.
O responsável pela discussão foi Tim Spector, que trouxe um olhar diferente para um produto tradicional que já ocupa espaço fixo nas cozinhas do mundo inteiro.

Em um vídeo recente, o professor do King’s College London afirmou que o parmesão é “uma das fontes mais ricas de creatina no mundo dos laticínios”. A declaração rapidamente ganhou repercussão porque a creatina costuma ser associada quase exclusivamente à carne vermelha, aves, peixes e suplementos esportivos.

Segundo Spector, o segredo está no próprio processo de fabricação do queijo. Durante a produção do parmesão, grande parte da água é removida. O resultado é uma concentração muito maior dos nutrientes naturalmente presentes no leite, incluindo proteínas, minerais e pequenas quantidades de creatina.

E o parmesão tem uma característica extra: a longa maturação. Quanto mais duro e envelhecido o queijo, maior tende a ser a concentração desses compostos. Isso ajuda a explicar por que o produto ganhou atenção entre consumidores interessados em desempenho físico, envelhecimento saudável e alimentação natural.

O especialista, porém, faz questão de colocar o tema em perspectiva. Uma dose comum de suplementação de creatina gira em torno de cinco gramas por dia. Para atingir esse volume apenas com parmesão, seria necessário consumir uma quantidade muito elevada do queijo, algo pouco compatível com uma dieta equilibrada.

Ainda assim, Spector defende que “tudo soma”. Em vez de buscar milagres nutricionais em um único alimento, o professor sugere valorizar produtos tradicionais, fermentados e menos ultraprocessados. Nesse contexto, o parmesão aparece mais como um complemento interessante do que como substituto da carne, do peixe ou da suplementação.

O debate também reacende uma tendência importante para a indústria de alimentos: consumidores cada vez mais atentos à densidade nutricional dos produtos e ao valor agregado de alimentos naturais e maturados. Queijos artesanais e ingredientes fermentados voltam a ganhar espaço não apenas pelo sabor, mas também pela percepção de funcionalidade.

No fim, o parmesão talvez não vire suplemento de academia. Mas conseguiu algo raro: colocar um queijo centenário no centro das conversas sobre nutrição moderna.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de AS.com


Três de Maio promove programação especial no Dia Mundial do Leite em 1º de junho
 
Evento será realizado no Parque de Exposições Germano Dockhorn com painéis técnicos, lançamento de projetos e almoço festivo.
 
O município de Três de Maio/RS, promove no dia 1º de junho de 2026 a programação especial do Dia Mundial do Leite, no Parque de Exposições Germano Dockhorn.
 
O evento será realizado ao longo de todo o dia e contará com recepção a partir das 8h, com café da manhã e produtos lácteos gratuitos para os participantes inscritos previamente.
 
A abertura oficial está marcada para as 9h. Na sequência, às 9h10, será realizado o lançamento do concurso Produtor de Leite Destaque Amufron.
 
A partir das 9h20, terão início os painéis técnicos. O primeiro abordará a perspectiva do setor leiteiro com o tema “Leite do Futuro”, com mediação de Darlan Palharini, secretário executivo do Sindilat, e participação do pesquisador Samuel Oliveira, da Embrapa Gado de Leite.
 
Às 10h25, o segundo painel tratará da sucessão familiar no campo com o tema “Produtor do Futuro”, mediado por Fernando Zimmermann, presidente da APIL, e com participação de Célio Alberto Colle, assessor especial da Emater/RS-Ascar.
 
O terceiro painel, às 11h30, terá como tema “Leite Fronteira Noroeste – Alimentando o Brasil”, com mediação de Izabel Cristina Dalemolle e participação da médica veterinária Fabiane Niedermeyer, gestora de projetos do agronegócio do Sebrae.
 
Às 12h35, será realizado o lançamento da programação da Expo Terneira 2026. O encerramento acontece às 13h com almoço festivo gratuito, também mediante inscrição antecipada.
 
A organização informa que a inscrição prévia é obrigatória para garantir acesso gratuito ao café da manhã e ao almoço. O prazo para inscrições vai de 27 de abril a 20 de maio de 2026.
 
As bebidas consumidas durante o evento serão cobradas separadamente.
 
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (55) 99943-1338. (Jornal Noroeste)
 
 
 

Produção Mundial de Leite

As tendências na oferta global de leite influenciam os preços. As entregas nas seis principais regiões exportadoras são monitoradas para fornecer uma visão geral dos níveis de produção atuais e das tendências na oferta global de leite.
 
As regiões produtoras de leite incluídas são:
 
• União Europeia-27
• Reino Unido
• Argentina
• Austrália
• Nova Zelândia
• EUA
 
Juntos, eles representam mais de 65% da produção mundial de leite de vaca e cerca de 80% das exportações mundiais de laticínios.
Resumo
A distribuição global de leite atingiu uma média de 849 milhões de litros por dia em fevereiro , um aumento de 35,2 milhões de litros por dia (+4,3%) nas regiões selecionadas , em comparação com o mesmo período do ano passado.
 
A distribuição de leite na União Europeia atingiu uma média de 399,7 milhões de litros por dia em fevereiro, um aumento significativo de 20,6 milhões de litros por dia (+5,4%) em comparação com o mesmo mês do ano passado, e o melhor fevereiro de sempre. O aumento da produção foi impulsionado por margens anteriormente elevadas, custos de alimentação mais baixos e maior produtividade, embora os preços pagos aos produtores tenham diminuído.
 
Analisando mais detalhadamente os números da UE, vemos o maior aumento anual em volume na Alemanha, com 164 milhões de litros (+7%) em fevereiro, seguida pela França, com 141 milhões de litros (+8%), e pela Itália, com 89 milhões de litros (+9%).
 
No Reino Unido , as entregas diárias atingiram uma média de 43,5 milhões de litros em fevereiro, um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior . O fluxo de leite continuou a atingir novos recordes. O aumento do uso de ração concentrada impulsionou a produção por vaca. As entregas de leite em abril mostram uma estabilização.
 
A produção de leite nos EUA aumentou em 8,4 milhões de litros por dia (+3%) em relação ao ano anterior , atingindo uma média de 287,3 milhões de litros por dia em fevereiro. As margens de lucro das fazendas leiteiras diminuíram em relação aos seus níveis elevados, mas permanecem positivas, sustentadas pela receita da produção de leite e carne bovina.
 
A Austrália registrou um aumento anual de 0,1 milhão de litros por dia (0,6%) em comparação com o ano anterior , atingindo uma média de 20,6 milhões de litros por dia. Apesar do aumento dos custos de produção e do crescente risco de seca, os preços do leite permaneceram estáveis.
 
As entregas na Nova Zelândia aumentaram em 3,9 milhões de litros por dia (+6%) em relação ao ano anterior , atingindo uma média de 68,6 milhões de litros por dia em fevereiro. A confiança dos produtores foi impulsionada pelos altos preços do leite e pelas condições climáticas favoráveis, que aumentaram o fluxo de leite.
 
As entregas na Argentina continuaram a crescer, aumentando em 2,8 milhões de litros por dia (+10,6%) em fevereiro em comparação com o ano anterior. O investimento no setor lácteo, as condições climáticas favoráveis e a sólida situação econômica dos produtores impulsionaram esse aumento de produtividade. No entanto, a queda nos preços do leite reduziu a rentabilidade, levando a uma projeção de crescimento menor para 2026. (Ocla)

Jogo Rápido

Novo comercial da Piracanjuba reforça presença da marca no CA-FÉ-DA-MA-NHÃ dos brasileiros
Criada pela AlmapBBDO, campanha aposta em humor e linguagem do dia a dia para destacar o portfólio da marca. Goiânia, 12 de maio de 2026 – A Piracanjuba lança um novo filme de sua campanha nacional, desta vez com foco em um dos momentos mais tradicionais do dia: o café da manhã. Leve e bem-humorado, o comercial evidencia a diversidade de produtos da marca presentes na rotina dos brasileiros. O roteiro parte de um insight simples: situações cotidianas podem ganhar um novo significado quando associadas à marca. Na campanha, a expressão “ca-fé-da-ma-nhã” surge de forma espontânea e reforça, de maneira criativa, a presença da Piracanjuba nesse momento de consumo. A ideia se conecta a um dos elementos mais reconhecidos da marca: a forma como o nome “Pi-ra-can-ju-ba” é naturalmente repetido pelo público, com a divisão silábica. Mais do que um recurso criativo, a abordagem resgata um ativo importante da identidade da marca e reforça sua presença na mesa dos brasileiros. Hoje presente em nove de cada dez lares, a Piracanjuba consolidou uma relação de proximidade construída ao longo do tempo. “O novo filme reforça a presença da Piracanjuba no café da manhã dos brasileiros, um momento em que a marca já faz parte da rotina de muitas famílias. A campanha resgata um ativo proprietário muito forte e traduz isso de forma leve e bem-humorada, conectando a marca ao dia a dia das pessoas”, afirma Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba. A iniciativa integra o planejamento de marketing da companhia para 2026, estruturado em três pilares: rejuvenescimento da marca, regionalização e reposicionamento. A proposta combina memória afetiva, linguagem popular e uma abordagem contemporânea da comunicação. A veiculação contempla TV aberta, plataformas digitais, redes sociais e mídia out of home, com ações de alcance nacional e regional. Conheça o novo filme da campanha (Para o dia começar bem: ca-fé da ma-nhã) clicando aqui. (Piracanjuba)


Porto Alegre, 11 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.627


Lácteos registram queda nas importações e nas exportações em abril

O mês de abril foi marcado por retração no volume total das importações e das exportações, que somaram 212,9 milhões de litros em equivalente-leite e 3,9 milhões de litros em equivalente-leite, respectivamente.
 
O mês de abril foi marcado por retração no volume total das importações e das exportações, que somaram 212,9 milhões de litros em equivalente-leite e 3,9 milhões de litros em equivalente-leite, respectivamente. 
Apesar do recuo frente a março, os volumes importados permanecem em patamares relevantes, refletindo a competitividade dos produtos importados frente aos nacionais. A recente queda do dólar também contribui para favorecer a entrada de lácteos no país, ao tornar os preços dos produtos externos mais atrativos.
 
Em relação ao saldo total, o mês registrou déficit de 209 milhões de litros em equivalente-leite na balança comercial de lácteos. Embora o saldo seja negativo, o resultado foi menos deficitário do que o observado em março, acompanhando a redução no volume total importado no período.
 
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
 
As importações registraram queda de 10% em relação ao mês anterior, porém na comparação anual, houve aumento de 34,3%. Ou seja, as importações seguem em linha crescente quando observado num longo período. 
 
Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
 
Os principais movimentos observados nas importações foram:
 
Queijos: apresentaram avanço expressivo, com alta de 49% no volume importado frente a março;
 
Entre os queijos, a muçarela se destacou como o principal produto negociado. O mês de abril registrou um aumento de 98% da importação total de muçarela em relação ao mês de março.
 
Leite em pó integral (LPI): produto de maior relevância na cesta de importação, apresentou queda de 16% no volume frente ao mês anterior;
 
Leite em pó desnatado (LPD): registrou retração de 38% em relação a março.
 
Já em relação às exportações, houve queda tanto na comparação mensal quanto anual, abril registrou queda de 19% em relação a março, e -13,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. O movimento reforça a baixa competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
 
Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.
 
Nas exportações de março, foram observados movimentos distintos entre os principais produtos:
 
Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou queda de 7% no volume embarcado frente a março, representando 35% da cesta de exportações;
 
Cremes de leite: registraram avanço de 36% no período;
 
Manteiga: apresentou forte retração, com queda de 51% nos embarques em relação ao mês anterior;
 
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de março de 2026 e abril de 2026.
 
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em abril de 2026
 
 
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em março de 2026
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 
 
O que podemos esperar para os próximos meses?
 
Em abril, tanto as importações quanto as exportações apresentaram queda em relação ao mês anterior. No caso das importações, apesar da retração mensal, os volumes ainda permanecem em níveis elevados, sustentados pela competitividade dos produtos externos frente às observadas vistas no mercado nacional causada pela sazonalidade e pelo câmbio mais favorável, com a recente queda do dólar contribuindo para tornar os lácteos importados mais atrativos no mercado brasileiro.
 
No curto prazo, caso o câmbio permaneça em níveis mais baixos e os preços internacionais sigam competitivos frente aos produtos nacionais, as importações tendem a se manter em patamares relevantes. Esse cenário pode favorecer a entrada de derivados no país.
 
Diante desse contexto, os próximos meses exigem atenção à evolução dos preços internacionais, ao comportamento do câmbio e à resposta da produção doméstica. Há também necessidade de atenção às políticas internas, com as ações antidumping para o leite em pó vindo do Mercosul no foco das negociações. A combinação desses fatores será decisiva para definir o ritmo das importações, o espaço dos produtos brasileiros no mercado externo e os possíveis efeitos sobre a formação de preços no mercado interno. (Milkpoint)
 

Recuperação no preço do leite anima setor

O mercado lácteo brasileiro vive um momento de recuperação nos preços após o forte impacto do período de pressão causado pelo aumento da oferta de leite em 2025. A avaliação é do Secretário-Executivo do Sindilat e vice-coordenador do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite), Darlan Palharini, em entrevista ao JM.
 

Segundo ele, o segundo semestre de 2025 foi marcado por preços baixos em razão do crescimento da produção no Rio Grande do Sul, no Brasil e também em países da América Latina. A expectativa do setor era de recuperação gradual a partir de março deste ano, mas a reação do mercado ocorreu de forma mais intensa do que o previsto.

De acordo com Palharini, os atuais valores começam a permitir resultado positivo ao produtor, embora o principal desafio seja manter os preços em patamares sustentáveis e controlar os custos de produção. “A grande preocupação da atividade leiteira continua sendo a gestão de custos”, afirmou.

Entre os fatores que pressionam o setor estão os reflexos de conflitos internacionais sobre insumos como ureia e diesel, que tiveram reajustes recentes. Conforme o dirigente, o aumento desses custos pode comprometer os ganhos obtidos com a recuperação dos preços do leite.

Palharini destacou ainda que produtores e indústrias precisam buscar eficiência para enfrentar a concorrência internacional. Segundo ele, mesmo com discussões envolvendo importações e processos de antidumping, não houve mudanças significativas nas políticas federal e estadual para o setor leiteiro.

O dirigente ressaltou que o Brasil segue convivendo com forte entrada de produtos lácteos importados, especialmente queijos. Apenas nos meses de março e abril, o país registrou recordes de importação. “A atividade precisa trabalhar por si mesma, com eficiência e gestão de custos, para competir com o mercado internacional”, observou.

Outro ponto apontado como desafio é a elevada taxa de juros no país. Com a Selic em 14,5% ao ano, linhas de crédito para investimento podem superar 20% ao ano, o que, segundo Palharini, dificulta a modernização das propriedades e compromete a competitividade frente a países que subsidiam a produção leiteira.

Ao comentar o acordo entre Mercosul e União Europeia, Palharini avaliou que o cenário também traz desafios ao leite brasileiro. Isso porque os produtores europeus recebem subsídios e contam com mecanismos de proteção comercial, dificultando a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu. Em contrapartida, há risco de aumento da concorrência de produtos europeus no Brasil. (Jornal da Manhã)

Investimento em terminal renovado da CCGL em Rio Grande chegará a R$ 700 milhões

São cinco frentes de trabalho ativas da cooperativa CCGL para concluir até outubro deste ano a reformulação do Termasa, um dos terminais operados pela cooperativa no Porto de Rio Grande, que sofreu sérios danos durante a cheia de 2024. De acordo com o presidente da CCGL, Caio Vianna, ao todo, o projeto deverá chegar a R$ 700 milhões em investimentos, dos quais, R$ 600 milhões em desembolsos ao longo deste ano.

"É o nosso único investimento significativo neste ano, e é estratégico para garantirmos mais competitividade ao produtor rural gaúcho, com a desvalorização dos grãos", explica Vianna.

A cooperativa, que centraliza operações de diversas outras entidades cooperativas, de acordo com o dirigente, responde por 70% de toda a soja exportada pelo Rio Grande do Sul, e por 52% de todas as exportações do agro gaúcho. Operação que atualmente está limitada ao terminal Tergrasa.

Com o projeto de renovação do Termasa, a capacidade estática chegará a mil toneladas de grãos, mas os aportes vão além da infraestrutura de armazenagem. O píer passa por transformação, e também há aumento da capacidade operacional de carga e descarga de caminhões e trens, novas balanças e uma nova subestação de energia.

"Neste ano, teremos uma safra, depois de anos acumulados de quebras, considerado normal. Não é uma supersafra, mas a projeção pode ser considerada razoável. Nossa estimativa é receber até 20 milhões de toneladas", aponta Caio Vianna.

Representará uma alta de 43% em relação às 14 milhões de toneladas recebidas em 2025. O problema, explica o presidente da CCGL, está na baixa remuneração aos produtores.

"Há um achatamento que tem reduzido muito a possibilidade de investimento dos produtores. E na CCGL, temos muita preocupação com as pessoas em toda a nossa cadeia de produção", comenta.
Uma alternativa de renda extra, e principalmente de uma segunda safra com bom rendimento, tem sido a canola, considerada por Caio Vianna a "soja do inverno". A partir dos campos experimentais da CCGL, há o desenvolvimento de cultivares, a assessoria e a distribuição às cooperativas associadas.

A estimativa é de que a área cultivada com canola chegue a 500 mil hectares neste ano no Estado, mais do que o dobro do ano passado. Com rendimento bem superior ao da soja no fornecimento de óleo à indústria, especialmente com o aquecimento do mercado de biocombustíveis, a tendência é de que o grão veio para ficar.

FICHA TÉCNICA
Investimento: R$ 600 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Cooperativa CCGL
Cidade: Rio Grande
Área: Infraestrutura
Investimento em 2025: R$ 100 milhões

As informações são do Jornal do Comércio


Jogo Rápido

Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.  As inscrições podem ser feitas clicando aqui. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 08 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.626


Prêmio Top RS Leite de Verdade consagra pecuária leiteira 

Cerimônia reconhece 11 produtores gaúchos que se destacaram em produtividade, eficiência e inovação na Fenasoja

A Fenasoja, que celebra os 60 anos da maior feira multissetorial do país, foi palco de uma das mais aguardadas premiações do setor agropecuário: o Prêmio Top RS Leite de Verdade, promovido pela CCGL. A cerimônia, realizada no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, destacou o empenho técnico e os resultados operacionais das propriedades leiteiras que são referência no Rio Grande do Sul.

Ao todo, 11 produtores foram premiados, entre 26 finalistas, em categorias que abrangem desde produtividade da terra até eficiência econômica e desempenho reprodutivo. O reconhecimento evidencia o vigor do sistema cooperativo gaúcho e a capacidade de inovação da pecuária leiteira.

O presidente da CCGL, Caio Vianna, ressaltou que o prêmio é, acima de tudo, uma homenagem ao esforço humano por trás dos números. “A homenagem desta noite é para o produtor de leite, para os técnicos da CCGL e das cooperativas, que fazem as coisas acontecerem sempre da melhor forma. Entregar esse prêmio é reforçar que a pecuária leiteira é rentável e pode remunerar adequadamente o produtor. O produtor de leite é um trabalhador exemplar, que produz um alimento essencial para a humanidade”, afirmou.

O secretário da Agricultura do Estado, Márcio Madalena, destacou o papel transformador das cooperativas e a relevância da plataforma Smartcoop no suporte ao produtor. “Essa premiação, com certeza, vai ser a grande balizadora da qualidade da produção leiteira no Rio Grande do Sul. O governo assumiu o compromisso de difundir a plataforma como grande aliada da atividade no estado”, disse.

Para o presidente da Fenasoja, Marcos Servat, a premiação consolida a união da feira com o setor produtivo. “Em 2022 iniciamos um projeto novo que foi abraçado pela CCGL e estamos muito felizes por fazer parte desse movimento. O trabalho desenvolvido pelo sistema cooperativo é fundamental para a nossa cadeia produtiva”, destacou. Já Natália Marins Bastos, coordenadora de projetos da CCGL, sublinhou o fator pessoal envolvido no sucesso das propriedades: “A abdicação e a dedicação integral dos produtores de leite são determinantes para o alcance de resultados de elite”.

O Prêmio Top RS Leite de Verdade consolida-se como referência na pecuária leiteira gaúcha, valorizando não apenas índices técnicos, mas também a dedicação pessoal dos produtores. Ao reconhecer diferentes sistemas produtivos — confinados e não confinados — a iniciativa reforça a diversidade da cadeia leiteira e a importância da gestão eficiente.

Mais do que uma celebração, a premiação é um instrumento de estímulo à competitividade e à inovação, alinhando cooperativas, produtores e governo em torno de um objetivo comum: fortalecer a pecuária leiteira como atividade rentável, sustentável e essencial para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

Os resultados mostram que o setor vive um momento de profissionalização crescente, em que tecnologia, gestão e cooperação se tornam pilares da produtividade. O reconhecimento público reforça que o futuro da pecuária leiteira depende da integração entre conhecimento técnico, políticas públicas e dedicação humana — uma tríade cada vez mais estratégica para o agronegócio brasileiro.

Vencedores do Prêmio Top RS Leite de Verdade

Produtividade da Terra – Região Norte

Confinado: Camila Frantz (Cooperoque) – Técnico Regis Luiz Sturm Lenz
Não Confinado: José Librelotto (Cotribá) – Técnica Debora Schroeder
Produtividade da Terra – Região Sul

Confinado: Devalci Cogo (Cotribá) – Técnico Leonardo Manzoni
Não Confinado: Acemar Quatrin (Cotrijuc) – Técnica Andreia Beck
Eficiência Produtiva de Sólidos no Leite

Confinado: Adriana Machado (Cotrisal) – Técnica Amanda Stefania Tormes Godoy
Não Confinado: Edson Tiemann (Cotrijal) – Técnico Eduardo Feltrin
Desempenho Reprodutivo

Confinado: André Gobbi (Cotripal) – Técnica Patricia Simon
Não Confinado: Luciano Mattei (Cotrisal) – Técnica Paula Eli de Cesaro Pena
Eficiência Econômica

Confinado: Levino Guilherme Huppenthal (Cotribá) – Técnica Debora Schroeder
Não Confinado: Valdir Jacoby (Cotrisoja) – Técnico Guilherme Afonso Müller Rodrigues
Prêmio Master

Confinado: Luiz Carlos Reisdorfer (Cotrisal) – Técnica Paula Eli de Cesaro Pena (Por Gisele flores)

As informações são do Jornal O Sul


Rio Grande do Sul: fórum aborda brucelose e tuberculose bovina durante a Fenasoja

Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública.

A brucelose e a tuberculose bovina, doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos, foram tema de um fórum realizado durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, Rio Grande do Sul. Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública. O fórum foi promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária e Animal (Fundesa).

Ações do Serviço Veterinário Oficial

O fiscal estadual agropecuário Felipe Lopes Campos, coordenador de Educação Sanitária na Seapi, apresentou dados sobre o programa sanitário de Brucelose e Tuberculose bovina, apontando que, embora a testagem tenha aumentado significativamente ao longo dos últimos 15 anos, os números de animais positivos vêm caindo. Em 2025, foram realizados mais de 392 mil testes para tuberculose bovina e mais de 251 mil para brucelose, com índices de animais positivos em 0,36% e 0,08% dos casos, respectivamente. “Os dados mostram um trabalho coordenado do Serviço Veterinário Oficial com os produtores”, avaliou.

Levantamento realizado sobre ações de educação sanitária da Secretaria em 2025 mostrou que a tuberculose bovina e a brucelose estiveram entre os principais assuntos abordados. “O programa sanitário da brucelose e tuberculose está entre os cinco principais programas que abordamos no ano passado. Se elencarmos por enfermidade, a brucelose é a segunda com mais ações educativas, com a tuberculose em quarto lugar”, informou Campos.

Para Felipe, a defesa agropecuária deve ser vista como um escudo que protege o campo e garante a segurança do consumidor final. O objetivo da fiscalização não é a punição, mas atuar como um garantidor de qualidade para os produtos de origem animal. “Fiscalização é um pilar, não uma cobrança. É um processo de co-participação para a preservação da saúde da sociedade”, pontuou.

Visão da indústria

O gerente de suprimento de leite da CCGL, Jair de Mello, ressaltou que a sanidade é um dos quatro pilares fundamentais da indústria, ao lado da padronização de processos, a qualidade do leite e a rastreabilidade. “É preciso garantir transparência em todos os processos, com digitalização, acompanhamento, gestão. Isso vai permitir a qualificação e a competitividade do leite nacional no mercado externo, uma fronteira que temos ainda a conquistar”, pontuou.

Com relação à brucelose e à tuberculose bovina, a CCGL mantém um programa de certificação desde 2015 entre seus cooperados, abrangendo hoje mais de mil propriedades e 90 mil animais. “Somos o primeiro laticínio do Brasil a entrar no programa de certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose da Organização Mundial de Saúde Animal”, destacou. 

Relato de um recomeço

A produtora rural Ana Cláudia Kamm dos Santos, de Três de Maio, compartilhou a jornada de sua propriedade, a Granja Progresso, que em 2017 enfrentou um surto de tuberculose. O impacto foi severo, com o abate imediato de 121 animais e a imposição de um vazio sanitário de um ano.

"Ficamos sem chão", relatou Ana Cláudia, que detalhou como a família superou a crise por meio do apoio técnico e das indenizações do Fundesa e do Ministério da Agricultura. A produtora explicou que aproveitou a oportunidade de recomeço para planejar a retomada da produção com a aquisição de rebanho de propriedades certificadas.

Hoje, a Granja Progresso está certificada como livre de brucelose e tuberculose desde 2021, com um rebanho 100% da raça Jersey. Ana Cláudia pontuou que um dos novos desafios que se apresentam é a sucessão, sendo ela mesma filha de produtores rurais. "Tenho três filhos. A nossa ideia é aumentar a produção, agroindustrializar e, quem sabe, que todos eles permaneçam na atividade conosco", contou.

O papel estratégico do Fundesa

O presidente do Fundesa, Rogério Kerber, detalhou a importância do fundo privado e destacou que a atuação do Fundesa vai além do pagamento das indenizações aos produtores. “O Fundesa foi inicialmente pensado para o pagamento de indenizações. Mas, ainda antes de sua fundação, a orientação veio no sentido de agir preventivamente, evitando que ocorressem esses eventos sanitários que resultariam nas indenizações. É uma medida para proteger o produtor, a indústria e a sociedade em geral”, explicou.

Neste sentido, o fundo investiu mais de R$ 52 milhões em infraestrutura para a defesa sanitária animal do estado, com a informatização das inspetorias de defesa agropecuária, criação do SDA, reforma e revitalização de inspetorias, convênios com universidades para desenvolvimento de sistemas de informação específicos, compra de materiais de emergência para contenção de focos e apoio ao setor diagnóstico, entre outras ações. Kerber enfatizou que o produtor é o elo mais importante da defesa sanitária. "O alerta primeiro tem que vir da propriedade. Sem esse alerta, não tem reação", ressaltou.

As informações são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, adaptadas pela equipe MilkPoint.

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1918 de 07 de maio de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
O vazio forrageiro tem intensificado o uso de suplementação, especialmente com silagem, para manter a produção na maioria das regiões. Porém, essa estratégia eleva o custo de produção. As chuvas contribuíram para o crescimento de pastagens de inverno e possibilitaram o início de pastejo pelas vacas. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, após um período de baixa significativa em abril, a produção de leite na Campanha já apresenta leve recuperação, relacionada à ampliação da oferta de pastagens de aveia, que agregam volume e qualidade para a dieta das matrizes. Assim, está sendo possível reduzir, em alguma proporção, a quantidade de silagem ofertada, considerando que as reservas do volumoso foram consumidas em abril e ainda serão muito necessárias nos próximos meses. A chuva em 01/05 (sexta-feira) não causou formação de barro. Os parâmetros de qualidade do leite estão satisfatórios em razão das condições ambientais favoráveis para a obtenção de baixa contagem bacteriana (CBT), e a concentração de sólidos vem se mantendo em patamares adequados. 

Na de Caxias do Sul, a produção de leite está estável devido à suplementação de volumoso com silagem de milho. As condições corporais dos animais estão boas, e o bem estar das vacas foi favorecido pelas temperaturas mais baixas. O estado sanitário está adequado, mas há alguns casos de mastite e presença de ectoparasitas, sendo controlados. Nos sistemas confinados e semiconfinados, as vacas de leite receberam feno, pré-secado e silagem de milho. As propriedades que produzem leite à base de pasto, utilizaram silagem de milho para a suplementação de volumosos. A qualidade do leite produzido, medida pela contagem de células (CCS) e contagem padrão em placas (CPP), ficou dentro dos limites exigidos pelo MAPA.  

Na de Erechim, as condições gerais dos rebanhos seguem satisfatórias. Os produtores têm reduzido o acesso dos animais e aumentado a oferta de conservados (silagem de milho) e concentrado (milho, farelo de soja, rações, etc). Em sistema confinado, há maior conforto térmico, mas no free stall há maior ocorrência de problemas de casco e lesões musculares em relação ao compost barn. O aumento da umidade proporcionou maiores desafios nesses sistemas de produção, trazendo riscos de mastite, lesões em membros e no casco. 

Na de Frederico Westphalen, as condições das pastagens variam: em alguns casos é preocupante, e em outros há boa oferta, beneficiada pelo bom regime de chuva, favorecendo a alimentação. As condições climáticas mais amenas contribuíram para o bem-estar animal. 

Na de Ijuí, a produção está estável. A alta umidade causou aumento de barro e dificultou a higiene dos animais na sala de ordenha. 

Na de Passo Fundo, os produtores intensificaram a oferta de silagem para preservar as condições dos animais em razão da redução na oferta de pasto. O rebanho apresenta boa condição corporal e volumes de produção de leite. Diminuiu a incidência de moscas e carrapatos. Inicia o pastoreio das espécies de inverno, com destaque para a aveia e azevém. 

Na de Pelotas, há tendência de leve queda ou estabilidade na produção de leite devido ao vazio forrageiro e às condições sazonais. Em relação à sanidade animal, há incidência de carrapatos, moscas e riscos de tristeza parasitária bovina. 

Na de Porto Alegre, os rebanhos apresentam, no geral, boas condições e estado nutricional, sustentado pelo uso de suplementação alimentar nesta fase de vazio forrageiro de outono. No entanto, do ponto de vista sanitário, persiste elevada a infestação por carrapatos, o que demanda atenção contínua dos produtores.  

Na de Santa Maria, as condições nutricionais estão dentro do esperado. Entretanto, em função do final do ciclo das pastagens anuais de verão (milheto, sorgo, sudão), ocorre queda na produção e diminuição do escore corporal, o que pode aumentar os custos nos casos em que é feita a suplementação alimentar. Os produtores seguem monitorando e controlando moscas e carrapatos. 

Na de Santa Rosa, aumentou o fornecimento de silagem de milho, feno, pré-secado e concentrados para manter os níveis de produção e evitar quedas na produtividade. Referente ao aspecto sanitário, continua o controle de carrapatos e a prevenção de tristeza parasitária bovina. 

Em relação à qualidade do leite, a maioria das propriedades apresenta valores de Contagem Bacteriana Total (CBT) dentro dos índices esperados. Porém, há maior dificuldade em manter a Contagem de Células Somáticas (CCS) dentro dos limites recomendados, exigindo atenção redobrada ao manejo, à sanidade e às rotinas de ordenha. De modo geral, as condições climáticas foram favoráveis ao bem-estar animal, mas o período de transição de pastagem aumenta o custo de produção.  (As informações são da Emater/RS editadas pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Queda na temperatura e possibilidade de geadas previstas para os próximos dias no RS
A próxima semana deverá apresentar queda nas temperaturas e possibilidade de geadas no Rio Grande do Sul. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico nº 19/2026, elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).  Sábado (9/5) e domingo (10/5): uma massa de ar polar irá provocar queda nas temperaturas por todo o território gaúcho. Há possibilidade de ocorrência de geada, principalmente na metade sul e região serrana, e não há previsão de chuva significativa durante esses dias. Segunda-feira (11/5) a quarta-feira (13/5): o tempo ainda permanecerá estável, com temperaturas mais baixas ao longo do estado. Não há previsão de chuva significativa durante esses dias.  Os acumulados de precipitação deverão variar entre 2 mm e 50 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados da metade sul que podem ultrapassar esse valor.  O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (Seapi)


Porto Alegre, 07 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.625


CNA protocola manifestação final na investigação de dumping contra leite em pó importado do Mercosul

Conclusão da investigação está prevista para o final do mês

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, na segunda (4), a manifestação final sobre a investigação de dumping contra o leite em pó importado do Mercosul.

A nota faz parte do processo de investigação da prática de dumping e resume todos os argumentos apresentados pela CNA, as origens investigadas e partes interessadas, além de comentários do Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Decom/MDIC) sobre os resultados da investigação.

No documento, foram relatados avanços importantes, como a retomada do entendimento anterior sobre a similaridade entre leite em pó e leite in natura, o reconhecimento da prática de dumping por ambas as origens e a indicação de que as importações causaram os prejuízos à produção de leite brasileira.

Segundo os cálculos do Decom, após as respostas aos questionários realizadas por quatro exportadores argentinos e três uruguaios, foram encontradas margens de dumping que chegaram a superar 60%.

Apesar de ser um documento preliminar, a nota técnica com fatos essenciais traduz o que o setor produtivo vem argumentando desde 2022: as importações a preços de dumping têm prejudicado as propriedades rurais brasileiras.

A CNA destaca o trabalho conduzido pelo Departamento, principalmente após a entidade ter apresentado novas provas, mantendo o rigor técnico no processo legal estabelecido pelas normas nacionais e internacionais.

Ainda em abril, o DECOM também defendeu a investigação em reunião do Comitê de Práticas Antidumping da OMC, fórum no qual as origens investigadas pediram esclarecimentos sobre o processo conduzido pelo Brasil, sem apresentar novos argumentos além dos já respondidos durante o processo. Cabe destacar que não se trata de contestação internacional ou pedido formal de solução de controvérsias.

A investigação entra agora em fase final e o próximo passo é o envio do Parecer de Determinação Final ao Comitê de Defesa Comercial da Câmara de Comércio Exterior (CDC/Camex), que fará a avaliação técnica da investigação.

O tema será debatido na reunião do Grupo Gestor da Camex (Gecex), composto pelo Ministro do MDIC e Secretários Executivos dos dez ministérios que integram o colegiado.

Com a reunião prevista para o final de maio, a expectativa é que o Gecex reconheça os prejuízos trazidos pelas importações a preços de dumping e sejam aprovadas medidas antidumping para corrigir essa prática desleal de comércio.

A CNA segue firme na articulação junto ao poder Executivo em defesa da produção nacional de leite, sempre com o apoio dos representantes nas Frentes Parlamentares da Agropecuária e em Apoio ao Produtor de Leite.  (CNA)


Danilo Zorzan, da Tetra Pak: "empresas que sobrevivem se reinventam em ciclos cada vez mais curtos"

Modernização de centro de inovação em Monte Mor reforça estratégia da companhia para acelerar novas categorias, cocriação e crescimento no setor de alimentos e bebidas

Durante uma press trip realizada nesta quarta-feira (6), em Monte Mor (SP), a Tetra Pak apresentou à imprensa a modernização do seu Centro de Inovação ao Cliente (CIC), espaço voltado ao desenvolvimento e cocriação de produtos para a indústria de alimentos e bebidas. O MilkPoint participou do encontro, que reuniu profissionais de diferentes veículos do país para acompanhar as estratégias da companhia para inovação, sustentabilidade e expansão de novas categorias.

A atualização do espaço recebeu investimento de R$ 10 milhões e faz parte de um movimento global da Tetra Pak para ampliar a flexibilidade, a personalização e o uso de tecnologias digitais em seus centros de inovação ao redor do mundo.

“O alimento bom merece ser protegido”, afirmou Tiago Cardoso, Presidente da Tetra Pak Brasil, ao abrir o evento. Segundo ele, o propósito da companhia vai muito além das embalagens, envolvendo tecnologias, processamento e soluções voltadas à segurança alimentar e à eficiência operacional da indústria. 

A Tetra Pak está presente em mais de 160 países, conta com 24,6 mil funcionários globalmente e registrou vendas líquidas de 12,4 bilhões de euros. No Brasil desde 1957, possui fábricas em Monte Mor (SP) e Ponta Grossa (PR), além de sete regionais de vendas e mais de 1,5 mil funcionários.

Somente em 2025, segundo a empresa, foram comercializadas mais de 12,6 bilhões de embalagens no país. A companhia também destacou iniciativas ligadas à economia circular, incluindo 104 mil toneladas de embalagens pós-consumo recicladas e parceria com 20 recicladoras.

Cardoso reforçou que sustentabilidade é tratada como um eixo estratégico da companhia e destacou que o principal objetivo é gerar valor em toda a cadeia. “No fim do dia queremos fortalecer as parcerias com os nossos clientes e toda vez que eles crescem, nós comemoramos junto”, afirmou.

Estratégia para 2030

Durante a apresentação, a Tetra Pak detalhou pilares estratégicos que devem nortear sua atuação até 2030. Entre eles estão a garantia de alimentos seguros e de alta qualidade, liderança na transformação sustentável, integração das operações dos clientes e inovação voltada ao crescimento.

Segundo Cardoso, a companhia busca atuar de ponta a ponta dentro da cadeia de alimentos e bebidas — desde o desenvolvimento de produtos até produção, automação industrial e melhoria contínua das operações.

A empresa também reforçou sua presença crescente em novas categorias, incluindo bebidas proteicas, funcionais, produtos vegetais, chás, refrescos e pet food. “A nossa visão é tornar os alimentos seguros em qualquer lugar, fortalecendo sistemas alimentares sustentáveis e resilientes em parceria com clientes, governo e stakeholders”, disse.

“Revisar o futuro”

Danilo Zorzan, Diretor de Marketing da Tetra Pak Brasil, trouxe um olhar mais estratégico sobre o momento vivido pela indústria de alimentos e bebidas. “Estamos em um momento de revolucionar categorias. O mundo está cada vez mais complexo e mais difícil de acompanhar. O hoje é o melhor momento para revisar o futuro que a gente almeja”, afirmou.

Segundo ele, as empresas que conseguirão se perpetuar serão justamente aquelas capazes de se reinventar continuamente. “As empresas que vão sobreviver são as que se reinventam em ciclos cada vez mais curtos”, destacou. 

Durante a apresentação, Zorzan trouxe uma reflexão baseada no conceito de “modernidade líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman. “A transformação exige que sejamos fluidos como a água, adquirindo o contorno conforme o meio em que estamos inseridos”, citou. A partir dessa lógica, o executivo apresentou o conceito de “ambidestria” dentro da estratégia da Tetra Pak: sustentar os negócios atuais enquanto se constrói o futuro.

Hoje, categorias consideradas tradicionais — como leite, creme de leite, leite condensado, leite aromatizado, sucos e néctares — ainda representam cerca de 75% do negócio da companhia. Porém, categorias adjacentes vêm ganhando força rapidamente. Entre elas estão refrescos, bebidas proteicas, bebidas funcionais, chás, leites fermentados e produtos prontos para consumo. “A categoria de adjacentes está alavancando o crescimento”, afirmou Zorzan. Segundo ele, essa classe adicionou mais de 1 bilhão de embalagens nos últimos seis anos, com crescimento de 88% no período.

O executivo afirmou ainda que, no futuro, as categorias adjacentes podem até ganhar mais relevância do que as tradicionais.

Inovação de ponta a ponta

Para apoiar esse movimento, a Tetra Pak estruturou uma estratégia baseada em cinco pilares: definição de categorias prioritárias e adjacentes, criação de uma área focada em novos negócios, aplicação de inteligência de mercado, desenvolvimento colaborativo de produtos e construção de uma rede de parceiros terceirizados.

Segundo Zorzan, a proposta da companhia é atuar “de ponta a ponta” junto aos clientes. “Trouxemos os clientes para dentro desse processo justamente para criarmos juntos”, explicou. É nesse contexto que o Centro de Inovação ao Cliente ganha protagonismo. Inaugurado originalmente em 2017 com investimento de R$ 40 milhões, o CIC de Monte Mor já participou de quase 300 lançamentos de produtos.

Com a modernização, o espaço passa a oferecer uma jornada mais digital e interativa, incluindo ferramentas inteligentes para apresentações, sessões colaborativas e desenvolvimento de soluções personalizadas. O ambiente reúne sala de ideias, sala de produtos, planta piloto e centro de treinamento técnico, permitindo desde a identificação de tendências até testes industriais e validação em escala. Segundo a companhia, o espaço atende empresas de diferentes portes — de grandes fabricantes a startups.

Zorzan destacou ainda que 2025 marcou a entrada da companhia em novas categorias e modelos de negócios, incluindo quatro novas marcas de bebidas de baixo teor alcoólico, três marcas de pet food e uma nova marca endossada pelo jogador Neymar. (Milkpoint)

Soja e milho recuam em Chicago após forte queda do petróleo

Oscilação do petróleo tem cada vez mais peso no mercado de grãos internacional, segundo analista

As oscilações do petróleo no mercado internacional direcionaram os preços dos grãos para baixo na bolsa de Chicago nesta quarta-feira (6/5). No caso da soja, os contratos para julho fecharam em queda de 1,38%, a US$ 11,9475 o bushel.

De acordo com Ronaldo Fernandes, diante de uma demanda cada vez maior por biocombustíveis nos EUA, o petróleo tem cada vez mais impacto para os valores dos grãos na bolsa americana. Hoje, o barril do fóssil caiu mais de 7%, e ainda influenciou o fechamento do milho. Os lotes com entrega para maio fecharam em baixa de 2,40%, a US$ 4,6850 o bushel.

“O consumo de soja e milho entre os americanos para a produção de biocombustíveis é o maior da história. Então faz sentido imaginar que as oscilações dos grãos estão muito mais relacionadas com o petróleo do que com outros fatores, como o clima”, disse.

Fernandes lembra que desde março o mercado sente os efeitos da mudança da política dos biocombustíveis americana. Naquele mês, os EUA consumiram 6,1 milhões de toneladas de soja, em comparação com as 5,2 milhões registradas um ano antes. Os americanos utilizam o óleo de soja para a produção de biodiesel, enquanto o milho é a principal matéria-prima do etanol no país.

No curto prazo, há dois fatores de atenção para o mercado, segundo o analista. O primeiro deles as questões de demanda, que podem voltar a impulsionar as cotações. Já pelo lado da oferta, com um ritmo de plantio acelerado nos EUA, e manutenção de clima favorável, as altas tanto para soja quanto para o milho são limitadas.

Trigo
O trigo também fechou a sessão com preços em queda. Os contratos do cereal para julho recuaram 1,67%, negociados a US$ 6,1725 o bushel.

Segundo Ronaldo Fernandes, o trigo respondeu a leve melhora nas condições de clima nas Grandes Planícies, maior região produtora do cereal nos EUA. (Globo Rural via Valor Econômico).


Jogo Rápido

1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina
Confira a transmissão completa do evento realizado durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, reunindo especialistas, produtores, indústria e autoridades para discutir os desafios e avanços no controle da brucelose e tuberculose bovina no Rio Grande do Sul.  Assista na íntegra: https://www.youtube.com/live/EvrFyDiTxyM (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 06 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.624


Secretaria da Agricultura divulga sua programação na Fenasul Expoleite 2026

A programação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) na 19ª Fenasul e 46ª Expoleite já está definida. As atividades da cadeia pecuária e leiteira ocorrem nos dias 14 e 15 de maio, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, com seminários técnicos, debates estratégicos e reuniões setoriais.

A agenda reúne especialistas, gestores públicos e representantes do setor para discutir temas como sanidade animal, acesso a mercados e sustentabilidade da produção. No dia 14, será realizado o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira, com foco nas diretrizes do Ministério da Agricultura, no panorama do serviço veterinário oficial e nas visões de produtores e da indústria.

No dia 15, o destaque será o evento “Tecnologias para Mitigação de Gases de Efeito Estufa na Cadeia Leiteira”, com palestras sobre leite de baixo carbono, geração de biogás a partir de resíduos e uso de dejetos na produção agropecuária, além da apresentação de um case prático no setor.

Também no dia 15, ocorrerá a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, voltada ao alinhamento de pautas estratégicas e ao fortalecimento da atividade no Estado.

Para o secretário da Seapi, Márcio Madalena, a programação reforça a integração entre tradição e inovação no campo. “Teremos uma série de seminários e atividades técnicas voltadas à qualificação de produtores e profissionais, além de aproximar o público urbano do meio rural”, destaca.

Considerada uma das principais vitrines do agronegócio e da produção leiteira no Rio Grande do Sul, a Fenasul Expoleite 2026 contará com atrações diversificadas e entrada gratuita de 13 a 17 de maio.

A Fenasul Expoleite é realizada pela Seapi e pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), com copromoção da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e da Prefeitura de Esteio.

Programação dos eventos da cadeia leiteira

14 de maio | 13h30

Auditório da Casa da Sanidade Animal – Parque de Exposições Assis Brasil

Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira

● 13h30 – Abertura e saudações, com Rogério Kerber, Marcos Tang e Márcio Madalena
● 14h – Representante do Mapa: Daniela Lacerda, coordenadora-geral de Programas Sanitários
● 14h30 – Panorama RS: Serviço Veterinário Oficial, com Rodrigo Teixeira Pereira (SFA/Mapa)
● 15h – Visão do produtor: Farsul/Fetag
● 15h30 – Visão da indústria: Sindilat/Apil/FecoAgro
● 16h – Acesso a mercados: Bernardo Todeschini e Leonardo Isolan, da Secretaria de Relações Internacionais (Mapa)

15 de maio | a partir das 8h30

Fenasul Expoleite – Auditório da Casa da Fundesa

Tecnologias para Mitigação de Gases de Efeito Estufa na Cadeia Leiteira
● 08h30 – 09h30 – Café de recepção e credenciamento dos participantes
● 09h30 – 10h – Abertura do evento e contextualização da importância das tecnologias de mitigação de gases de efeito estufa na cadeia leiteira
● 10h – 10h30 – Leite de baixo carbono, com Patrícia Fontoura (Lactalis)
● 10h30 – 11h – Valorização de resíduos agropecuários: potencial de geração de biogás no Vale do Taquari, com Camila N. Giovanella Stacke e Munique Marder (Univates)
● 11h – 11h30 – Uso de dejetos da produção animal em lavouras e pastagens, com Dr. Rodrigo da Silveira Nicoloso (Embrapa Clima Temperado)
● 11h30 – 12h – Case de sucesso – Fazenda Trevisan: mitigação de gases de efeito estufa na produção de leite, com Jean Trevisan (produtor rural)

15 de maio | 9h

Casa da Fundesa – Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio

Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados


GDT 403º registra alta no índice, mas volume menor reforça cautela no mercado global

O 403º leilão da Global Dairy Trade (GDT) apresentou alta de 1,5% no price index, interrompendo a sequência recente de recuos observada nos eventos anteriores.

O 403º leilão da Global Dairy Trade (GDT) apresentou alta de 1,5% no price index, interrompendo a sequência recente de recuos observada nos eventos anteriores. Apesar do avanço no índice, o preço médio dos produtos negociados foi de USD 4.127/tonelada. O resultado indica um mercado ainda oscilante, mas com sinais de sustentação em algumas categorias importantes, especialmente nos leites em pó.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos leites em pó, o leilão apresentou altas relevantes. O leite em pó desnatado (LPD) avançou 3,0%, atingindo USD 3.547/tonelada, enquanto o leite em pó integral (LPI), principal produto negociado no evento, registrou valorização de 2,2%, sendo cotado a USD 3.741/tonelada. Esse movimento indica maior sustentação para o segmento, após os ajustes observados nas últimas edições.

Gráfico 2. Preço médio LPI

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Entre os derivados, o comportamento foi misto. O leitelho em pó registrou a maior valorização do evento, com alta de 9,0%, sendo negociado a USD 3.467/tonelada. O movimento reforça a continuidade da valorização do produto, sustentado por uma menor disponibilidade do produto em meio à sazonalidade. A gordura anidra do leite também apresentou avanço, de 1,1%, atingindo USD 6.461/tonelada, enquanto a manteiga seguiu recuando, com retração de 2,6%, com preço médio de USD 5.525/tonelada.

Entre os queijos, a muçarela voltou a apresentar alta, desta vez de 4,7%, sendo negociada a USD 4.010/tonelada, mostrando recuperação após o recuo registrado no leilão anterior. O cheddar, por outro lado, apresentou queda de 3,6%, com preço médio de USD 4.611/tonelada. Já a lactose voltou a avançar, com valorização de 3,7%, atingindo USD 1.522/tonelada.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 05/05/2026

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado volta a recuar

Em relação ao volume negociado, o leilão registrou nova retração frente à edição anterior, totalizando 13.743 toneladas comercializadas, queda de 8,3% em relação ao 402º evento. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume foi 17,8% inferior, reforçando um cenário de menor disponibilidade de produtos no mercado internacional.  

Já em relação a demanda, o número de participantes voltou a crescer no leilão, atingindo 167 compradores. Esse movimento indica uma retomada gradual do interesse dos agentes, contribuindo para uma recuperação dos preços mesmo.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) seguiram com movimentações ainda especulativas, mas apresentaram leve recuperação em relação ao período do último leilão. O avanço observado nos contratos reflete, em parte, a melhora nos preços dos pós no GDT, especialmente do leite em pó integral e do leite em pó desnatado.

Ainda assim, o mercado futuro permanece sensível ao cenário internacional. A menor disponibilidade de produto na Oceania tende a dar suporte às cotações, enquanto as incertezas globais e a postura mais cautelosa dos compradores ainda limitam movimentos mais consistentes de alta. Dessa forma, o mercado segue buscando maior clareza sobre a evolução da oferta e da demanda nos próximos meses.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 403º traz uma leitura mista para o mercado brasileiro. A valorização dos leites em pó volta a indicar maior sustentação para os preços internacionais, especialmente em um cenário de menor volume negociado e oferta mais ajustada. Esse movimento pode reduzir parte da pressão de baixa observada nos últimos leilões e consequentemente a pressão vista nos preços internos, segundo as pesquisas MilkPoint Mercado.

Para o Brasil, a valorização do leite em pó integral e do leite em pó desnatado pode reduzir parcialmente a competitividade dos produtos importados, especialmente caso esse movimento se mantenha nos próximos leilões. Ainda assim, o câmbio segue como fator determinante: com o dólar em patamares mais baixos, os importados continuam encontrando espaço no mercado brasileiro, o que pode limitar avanços mais fortes nos preços internos.

No mercado nacional, os derivados seguem em fase de correção após as altas recentes, com sinais de maior cautela nas compras por parte do varejo e da indústria. No curto prazo, esse movimento tem pressionado as cotações, mesmo diante de uma oferta limitada pela entressafra. Dessa forma, a valorização dos preços domésticos está relacionada à evolução do mercado internacional, do câmbio, das importações e da demanda no mercado interno. (Milkpoint)

Com 28,4 milhões de trabalhadores, agro registra recorde de empregos em 2025

A população ocupada (PO) no agronegócio brasileiro alcançou o número recorde de 28,4 milhões de pessoas em 2025, o que representa crescimento de 2,2% em relação a 2024 (601,8 mil pessoas a mais). As informações constam no boletim “Mercado de Trabalho no Agronegócio Brasileiro”, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Com isso, a participação do setor na geração total de empregos no país passou de 26,1%, em 2024, para 26,3% em 2025. Por segmento, com exceção do setor primário (que registrou queda), todos os elos da cadeia apresentaram expansão, com destaque para os agrosserviços (6,1%), seguidos por insumos (3,4%) e agroindústria (1,4%).

A publicação apontou crescimento de 4,6% no número de trabalhadores com carteira assinada e de 3,2% entre os que trabalham por conta própria. Por nível de escolaridade, houve aumento da participação de trabalhadores com ensino superior (8,3%) e ensino médio (4,2%). Ainda de acordo com o boletim CNA/Cepea, a participação da mão de obra feminina cresceu 2,6%, enquanto a masculina avançou 1,9%.

O rendimento médio da população ocupada no agronegócio também registrou alta de 3,9% em 2025, na comparação com 2024, ficando 0,5 ponto percentual acima da média total de empregos, que foi de 3,4%.

Massa salarial 

A partir desta edição, o boletim passou a incluir um novo indicador: a massa salarial do agronegócio, que corresponde ao montante total de rendimentos do trabalho auferidos pelos ocupados em determinado setor ou na economia. O objetivo é avaliar não apenas a geração de empregos, mas também o poder de compra e o potencial de consumo associados à renda do trabalho.

Nesse contexto, a massa salarial total do agronegócio cresceu 7,2% em 2025 em relação a 2024, com destaque para a categoria “trabalhadores por conta própria”, que apresentou alta de 7,2%, e para “empregados e outros”, com crescimento de 6,7%.

As informações são da Assessoria de Comunicação do Sistema CNA/Senar.


Jogo Rápido

Prêmio Top RS Leite de Verdade: CCGL premiará produtores destaques na pecuária leiteira
A iniciativa da CCGL reconhece propriedades leiteiras e produtores do Rio Grande do Sul com base em critérios técnicos e produtivos, celebrando os resultados alcançados no setor. A produtividade e a gestão ganham destaque na programação da Fenasoja nesta quarta-feira, dia 06 de maio, com a cerimônia de entrega do Prêmio Top RS Leite de Verdade. A iniciativa da CCGL reconhece propriedades leiteiras e produtores do Rio Grande do Sul com base em critérios técnicos e produtivos, celebrando os resultados alcançados no setor. O evento ocorre às 19h00, no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, em Santa Rosa. Os vencedores foram definidos a partir de dados registrados na plataforma Smartcoop, ferramenta utilizada para o ranqueamento dos produtores que melhor representam as cinco categorias da premiação. Participam do concurso fornecedores de leite associados às cooperativas do sistema CCGL que aplicam os pilares do programa de gestão da cooperativa central. Entre os indicadores avaliados para a concessão do prêmio estão a produtividade da terra, a eficiência produtiva de sólidos, o desempenho reprodutivo, a eficiência econômica e uma distinção especial para a melhor média desses índices integrados, o prêmio da excelência na atividade. Para o Presidente da CCGL,  Caio Vianna, a premiação é importante porque reconhece não o animal mais produtivo, e sim o trabalho de integração dos produtores e técnicos na busca da máxima eficiência econômica. O Prêmio Top RS Leite de Verdade tem como objetivo valorizar práticas de manejo e gestão que elevam o potencial produtivo e a lucratividade, com foco também na qualidade e no bem-estar animal e humano. Integrada ao cronograma oficial da Fenasoja 2026, a solenidade reunirá produtores, técnicos e lideranças do agronegócio em um momento dedicado à troca de experiências e ao reconhecimento da evolução da cadeia leiteira gaúcha. As informações são da Assessoria de Imprensa da CCGL.


Porto Alegre, 05 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.623


Governo do Estado valida solução biológica inédita contra carrapato com aplicação por drone nas pastagens

Pesquisadores testam produto em Hulha Negra, com tecnologia que pode transformar o controle do parasita no campo

O governo do Estado, por meio de pesquisadores da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), avança na validação a campo de um produto biológico inédito para o controle do carrapato bovino, com aplicação direta nas pastagens por meio de drones. A fase mais recente dos testes ocorreu nesta semana em Hulha Negra, na Campanha gaúcha, marcando um novo passo rumo a uma alternativa mais sustentável ao modelo tradicional baseado em químicos. O Rio Grande do Sul concentra um dos principais focos de infestação de carrapato bovino nas Américas.

Desenvolvido pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), o projeto propõe uma mudança de paradigma: em vez de tratar o animal com produtos químicos, a estratégia atua no ambiente onde o carrapato passa a maior parte do seu ciclo de vida.

A iniciativa parte de uma lacuna tecnológica. Atualmente, não há produtos disponíveis, em escala pecuária, voltados ao controle de parasitas no ambiente. “A maior parte dos carrapatos está na pastagem, aguardando o hospedeiro. Mesmo assim, o controle segue concentrado no animal”, enfatiza o pesquisador e diretor do IPVDF, José Reck.

Reck explica que o estudo utiliza micro-organismos presentes no solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de atingir o carrapato sem causar danos aos bovinos, aos seres humanos ou ao ambiente. Esses agentes biológicos são concentrados em uma formulação e aplicados diretamente no campo, com apoio de drones, o que amplia a escala e a eficiência da operação.

“Projetos assim são fundamentais para avançarmos em soluções práticas diante de um problema recorrente no dia a dia dos produtores. A atuação técnica e a expertise da Secretaria da Agricultura permitem não apenas o desenvolvimento, mas também a validação de alternativas inéditas, mais sustentáveis e alinhadas às demandas atuais da pecuária”, destaca o secretário da Agricultura, Márcio Madalena.

Conhecimento e inovação

Iniciado no começo de 2025, o projeto está em fase de validação em escala real, com monitoramento contínuo das áreas experimentais. Atualmente, dois tratamentos estão em teste, com avaliação sistemática de custo-benefício. “A previsão é manter os experimentos até julho, quando a chegada do inverno reduz naturalmente a população de carrapatos, permitindo um balanço mais preciso dos resultados”, prevê Reck.

A proposta combina conhecimentos já consolidados na agricultura — onde o uso de micro-organismos no controle de pragas é amplamente difundido — com o manejo sanitário animal. “Trata-se de uma abordagem que considera todo o sistema produtivo, e não apenas o animal”, destaca a professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), diretora da Agência de Inovação e uma das pesquisadoras integrantes do projeto, Patrícia Golo.

Segundo ela, o diferencial está na atuação integrada sobre todas as fases do parasito. “Avaliamos a infestação nos bovinos, as fases no ambiente e a persistência do fungo no solo, em um experimento conduzido em escala próxima à realidade do produtor”, afirma.

A pesquisa representa um avanço em uma linha de trabalho iniciada em 2012 no IPVDF, voltada ao controle biológico de carrapatos. Até recentemente, os esforços estavam concentrados no desenvolvimento de soluções para aplicação direta nos animais. A mudança para o controle no ambiente marca um novo estágio da investigação.

Problema estrutural no RS

A combinação entre o uso predominante de raças europeias — mais suscetíveis — e condições climáticas favoráveis ao parasita ao longo do ano intensifica a infestação de carrapato bovino no Estado.

Como consequência, o Estado lidera o uso de carrapaticidas químicos, o que acelera o desenvolvimento de resistência. Esse cenário cria um ciclo difícil de romper: quanto maior o uso de químicos, menor sua eficácia ao longo do tempo, aponta Reck.

O médico veterinário da Seapi, Gabriel Fiori, reforça que esse tipo de experimento com insumos biológicos para o controle de carrapatos é uma estratégia fundamental diante da crescente resistência aos acaricidas químicos tradicionais, do aumento das exigências por sustentabilidade e da necessidade de reduzir resíduos em produtos de origem animal.

“O desenvolvimento e a validação dessas alternativas representam avanços importantes dentro do conceito de sustentabilidade econômica e ambiental da pecuária moderna”, observa Fiori.

Caminho para a sustentabilidade

O governo do Estado, por meio da a Seapi, tem investido em alternativas ao controle convencional, incluindo o uso racional de medicamentos e práticas de manejo, como a rotação de pastagens. O novo projeto amplia esse esforço ao propor uma solução de base biológica, com potencial de reduzir impactos ambientais, riscos à saúde e custos no longo prazo.

“Se os resultados se confirmarem, a tecnologia poderá representar uma mudança significativa no controle de carrapatos no campo, alinhando produtividade e sustentabilidade na pecuária gaúcha”, avalia o pesquisador José Reck. (Seapi)


GDT - Global Dairy Trade

Fonte: GDT editado pelo Sindilat/RS

Argentina reforça controle sanitário na produção de leite mirando exportações para União Europeia

O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA) da Argentina estabeleceu um novo marco regulatório para os estabelecimentos de produção primária de leite com o objetivo de fortalecer a competitividade do setor lácteo em mercados internacionais altamente exigentes, como a União Europeia e o Reino Unido.

Através da Resolução 200/2026, publicada no Diário Oficial, fixam-se condições sanitárias, estruturais e de controle que deverão ser cumpridas pelas fazendas leiteiras que abastecem indústrias lácteas destinadas à exportação. Esta normativa busca garantir padrões internacionais em matéria de inocuidade alimentar, rastreabilidade e bem-estar animal.

Um novo esquema de habilitação para fazendas exportadoras

A medida introduz um sistema de habilitação obrigatória para os estabelecimentos de produção primária que integram a cadeia exportadora láctea. Para operar sob este esquema, as fazendas deverão solicitar a aprovação perante o SENASA e demonstrar o cumprimento de requisitos técnicos e sanitários específicos.

As inspeções estarão a cargo de veterinários oficiais, que avaliarão as condições de produção, infraestrutura, manejo sanitário e cumprimento de protocolos de qualidade. Além disso, a normativa incorpora a figura de um médico veterinário privado como corresponsável sanitário do estabelecimento, reforçando o sistema de controle e acompanhamento permanente das condições produtivas.

Requisitos sanitários e produtivos para a exportação de leite

O novo esquema regulatório estabelece um conjunto de exigências alinhadas com os padrões internacionais dos principais mercados compradores de produtos lácteos. Entre os principais aspectos, incluem-se:

Controle sanitário integral do rebanho leiteiro.

Protocolos de higiene na ordenha e armazenamento do leite.

Registros de rastreabilidade desde o estabelecimento primário até a indústria processadora.

Aplicação de boas práticas de produção leiteira.

Cumprimento de normas de bem-estar animal reconhecidas internacionalmente.

Estes requisitos buscam assegurar que o leite produzido na Argentina cumpra com os padrões exigidos por mercados como a União Europeia, que mantém uma das regulações mais estritas do mundo em matéria de segurança alimentar.

Exportações lácteas e exigências do mercado internacional

O setor lácteo argentino faz parte de um complexo agroindustrial com forte orientação exportadora, especialmente em produtos como leite em pó, queijos e derivados industrializados. A demanda internacional impulsionou a necessidade de fortalecer os sistemas de controle na origem para garantir o acesso a mercados premium.

Nos últimos anos, organismos internacionais como a FAO destacaram a importância da rastreabilidade e da biossegurança como fatores determinantes para o comércio global de alimentos de origem animal. Neste contexto, a adequação normativa impulsionada pelo SENASA alinha-se com tendências globais que priorizam a transparência na cadeia de produção e a certificação sanitária como requisito indispensável para o comércio internacional.

Rastreabilidade e bem-estar animal como eixos centrais

Um dos pilares da nova regulação é a rastreabilidade completa do produto lácteo, desde o estabelecimento primário até sua industrialização e exportação. Este sistema permite identificar a origem de cada lote de produção e melhorar a capacidade de resposta perante eventuais alertas sanitários.

Da mesma forma, o bem-estar animal adquire um papel central dentro da normativa, em linha com padrões internacionais adotados pela União Europeia e outros mercados de alto valor. Isso inclui condições de alimentação, manejo, saúde e ambiente dos animais em produção.

Impacto na competitividade do setor lácteo argentino

A implementação destes padrões representa um desafio de adaptação para os produtores, mas também uma oportunidade estratégica para melhorar a competitividade do setor lácteo argentino no comércio internacional.

O cumprimento de requisitos sanitários mais rigorosos pode facilitar o acesso a mercados de maior valor, reduzir barreiras técnicas ao comércio e melhorar a percepção de qualidade dos produtos argentinos. Além disso, a formalização de processos e a incorporação de controles mais rígidos contribuem para fortalecer a eficiência produtiva e a sustentabilidade do sistema lácteo.

Em um cenário global onde a segurança alimentar e a qualidade são fatores determinantes, estas medidas contribuem para consolidar a inserção do setor lácteo argentino no comércio internacional de alto valor agregado.

As informações são da E-Aduana, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint. 


Jogo Rápido

Grupo Piracanjuba avança no digital e amplia presença em buscas e inteligência artificial
O Grupo Piracanjuba avançou em sua estratégia digital ao implementar um modelo de conteúdo orientado por dados, com foco em SEO (Search Engine Optimization, otimização para mecanismos de busca) e GEO (Generative Engine Optimization, otimização para respostas em inteligência artificial). Desenvolvida em parceria com a BASE Digital, consultoria de tecnologia especializada em transformação digital, a iniciativa teve como objetivo ampliar a presença da marca em buscadores e plataformas de inteligência artificial (IA), acompanhando a mudança na jornada de consumo. Os resultados indicam ganho relevante de visibilidade. O blog institucional superou 11 milhões de impressões, com crescimento de quase 50% em menos de um ano, além de registrar 673 mil cliques orgânicos. O desempenho consolida o canal como um ponto de contato relevante para consumidores em busca de informações sobre categorias como leite, queijos e produtos zero lactose. Nas plataformas de inteligência artificial, o avanço foi ainda mais expressivo. As menções à marca cresceram 244% em 2025, com centenas de páginas do site sendo utilizadas como fonte em respostas automatizadas. “Hoje, não basta um site institucional aparecer em buscadores como o Google. As marcas precisam ser fontes de referência para respostas generativas de Inteligência Artificial sobre a empresa”, afirma Guilherme Corsetti, co-CEO da BASE Digital. Dentro da estratégia, um dos destaques foi o reposicionamento digital da linha ProForce, voltada a bebidas e suplementos proteicos. Após o rebranding, o site passou a operar com foco em performance e experiência do usuário, incorporando ferramentas como uma calculadora de proteínas. A iniciativa gerou mais de 1 milhão de impressões e 16 mil cliques orgânicos, além de posicionar a marca entre os primeiros resultados do Google para mais de 270 palavras-chave estratégicas. O impacto nas plataformas de IA também foi significativo para a linha, com crescimento de 900% nas menções ao longo do ano, reforçando o papel do conteúdo estruturado como ativo estratégico para visibilidade e construção de marca. Segundo Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba, o movimento está alinhado à estratégia de fortalecimento da relação com consumidores nos canais digitais. “O objetivo é transformar os sites institucionais em uma fonte de informação confiável, conectando o conteúdo produzido pelos nossos especialistas às dúvidas frequentes dos consumidores. A estratégia digital ajudou a ampliar a visibilidade das marcas no digital em um momento em que as plataformas de inteligência artificial ganham cada vez mais protagonismo na jornada do consumidor”, afirma. As informações são do Super Varejo, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Porto Alegre, 04 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.622


Lactalis dá largada na ampliação produtiva da planta de Teutônia

Com o objetivo de elevar a produção de lácteos no Rio Grande do Sul, das atuais 304 mil toneladas para 453 mil toneladas até 2028, a Lactalis Brasil deu a largada rumo à meta, com ampliação das linhas produtivas de manteiga e whey fit, ambas na planta do município de Teutônia. As duas iniciativas fazem parte do pacote de investimentos de R$ 400 milhões que serão realizados em cinco unidades industriais no Estado, anunciados pela multinacional francesa em agosto de 2025. “Os aportes serão fracionados: começamos com a manteiga que ainda está em rampa de crescimento, mas chegará a 1.500 toneladas ao mês, e de whey fit, que saltará para 3 mil toneladas ao mês. Investimentos já finalizados ainda em 2025”, afirma o diretor de comunicação, assuntos corporativos e regulatórios da Lactalis Brasil, Guilherme Portella.

Além de Teutônia, estão em fase de operacionalização os aportes para incremento produtivo de requeijão, na planta de Santa Rosa, de whey protein e mussarela, em Três de Maio, e também de queijo prato, em Ijuí. “Todos com previsão de crescimento em produção, mas ainda não foram realizados, pois teremos prazo maior para concretização”, diz Portella. A intenção é obter ganho substancial no processamento de queijos e, até o final de 2028, produzir 100 mil toneladas por ano, 70% mais do que as atuais 58 mil toneladas.

O executivo afirma que a efetivação de todos os projetos depende da compra de novas máquinas, contratação de mão de obra, definição de layout das fábricas e incremento gradual na captação de leite pela empresa no Estado, cujo aumento foi de 8%, em 2025. “É uma iniciativa de fomento agropecuário para melhoramento genético e, consequentemente, uma melhor qualidade e produtividade no campo. Foi um ano em que o setor todo e a produção cresceram no Brasil e no Rio Grande do Sul. E a Lactalis acompanhou”, avaliou.

Portella preferiu não projetar o percentual de captação para 2026, mas apostou na continuação de uma curva ascendente no Estado. “A intenção é de aumento, pois seguimos em processo de expansão geral da produção. Temos uma ideia de, até 2030, captar no Brasil cerca de 4 bilhões de litros de leite. Vamos fechar o ano com 2,9 bilhões de litros de leite.” Para chegar nesse patamar, o executivo diz que a base será a aplicação de novas tecnologias e incremento na contratação de mão de obra.

Dentro dos R$ 400 milhões em investimentos, também estão previstas as expansões de dois centros de distribuição localizados nos municípios de Ijuí e Teutônia, e conforme Portella, ambos ainda não foram iniciados.

Ficha Técnica
Investimento: R$ 400 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Lactalis Brasil
Cidade: Teutônia
Área: Indústria

As informações são do Jornal do Comércio


LEITE/CEPEA: Com oferta limitada, preço do leite sobe 10,5% em março

Cepea, 30/04/2026 – O preço do leite pago ao produtor subiu em março/26 pelo terceiro mês consecutivo, cumprindo a expectativa dos agentes de mercado de que a redução na oferta puxaria para cima as cotações em intensidade superior que a observada nos meses anteriores. De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta foi de 10,5% frente a fevereiro, levando a “Média Brasil” a R$ 2,3924/litro. O preço, contudo, ainda está 18,7% abaixo do registrado em março/25, em termos reais. No primeiro trimestre de 2026, a elevação acumulada é de 17,6% e a média, de R$ 2,2038/l, sendo 23,6% menor que a registrada no mesmo período do ano passado (os valores foram deflacionados pelo IPCA de março/26).

O movimento de alta seguiu sendo explicado pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru, já que a oferta seguiu restrita. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,9% de fevereiro para março na Média Brasil, acumulando queda de 11,1% neste primeiro trimestre. O recuo na produção ocorre devido à sazonalidade (que afeta negativamente a oferta de pastagem e eleva o custo com a nutrição animal) e à maior cautela de investimentos na atividade diante de margens mais estreitas ao longo de 2025. Segundo a pesquisa do Cepea, em março/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 0,46% na “Média Brasil” – acumulando avanço de 2,11% no primeiro trimestre. 

Com a menor disponibilidade de leite, a produção de lácteos também ficou mais limitada, e os preços de derivados seguiram aumentando em março. Levantamento realizado pelo Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostra que o leite UHT se valorizou 18,3% e a muçarela, 6,1%, de fevereiro para março, em termos reais. Os preços seguiram tendência altista até a primeira quinzena de abril, mas, a partir de então, as negociações já ficaram mais travadas e os valores passaram a se enfraquecer. 

Ao mesmo tempo, as importações cresceram 33% em março, somando, no primeiro trimestre de 2026, uma aquisição de 604 milhões de litros em equivalente leite (EqL) – apenas 0,9% menor do que no mesmo período do ano passado.

A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização em abril, mas esse movimento deve perder intensidade a partir de maio. Isso porque o consumo mostra resistência aos preços mais altos na gôndola, afetando as cotações dos derivados. Ao mesmo tempo, importações seguem sustentadas e existe expectativa de reação da produção – o que eleva a cautela da indústria em realizar novos repasses ao campo entre maio e junho.

As informações são do Cepea

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1917 de 30 de abril de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 

Os rebanhos apresentam escore de condição corporal adequado, e houve aumento no uso de suplementação, especialmente com silagem, para sustentar os níveis de produção. Referente ao aspecto sanitário, as condições estão sob controle na maior parte das propriedades. As condições meteorológicas mais amenas têm favorecido o conforto térmico dos animais. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção segue em queda em função da limitação na oferta de forragem verde de boa qualidade. Neste período, ainda é insignificante a disponibilidade de pastagens de aveia em condições adequadas de uso. Os produtores com reservas de silagem e feno, de modo geral, enfrentam menores perdas, assim como aqueles que ainda dispõem de forrageiras perenes de verão. 

Na de Caxias do Sul, a condição corporal e a sanidade dos animais estão ideias, e não houve restrição alimentar. O bem-estar das vacas foi favorecido pelas temperaturas mais amenas ao longo da semana. 

Na de Erechim, as condições gerais dos rebanhos estão satisfatórias, e há boa disponibilidade de água e sanidade.  

Na de Ijuí, a produção seguiu estável em relação ao período anterior e o tempo mais úmido provocou aumento de barro nos locais de descanso e de ordenha dos animais, dificultando a higiene das operações. 

Nas de Passo Fundo e Santa Maria, o cenário é de estabilidade produtiva. Os rebanhos apresentam bom escore corporal, embora a transição para as pastagens de inverno tenha exigido maior aporte de silagem na dieta.   

Na de Santa Rosa, as condições meteorológicas mais amenas melhoraram o conforto térmico dos animais, favorecendo a produção de leite, a manutenção dos teores de sólidos, a maior expressão de cio e eficiência na sua detecção, com reflexos positivos nas taxas de prenhez. Os produtores intensificaram a suplementação com silagem. Seguem as ações de controle de carrapatos e prevenção de tristeza parasitária bovina. A contagem bacteriana total está, em geral, dentro dos padrões, mas há maior dificuldade em manter a contagem de células somáticas nos níveis recomendados.

As informações são da Emater/RS editadas pelo Sindilat/RS


Jogo Rápido

Boletim Agrometeorológico da Seapi
O Boletim Integrado Agrometeorológico 18/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) aponta que na segunda-feira (4/5), a atuação da massa de ar seco e frio deverá manter o tempo estável em grande parte do território gaúcho. Na terça-feira (5/5) e na quarta-feira (6/5), o padrão de circulação atmosférica deverá ajudar a transportar umidade para algumas localidades do estado. Dessa forma, há previsão de chuva em diferentes áreas, e as temperaturas deverão voltar a apresentar leve elevação. No dia 5/5, a chuva deverá ser fraca e ocorrer apenas em pontos isolados da metade norte. Já no dia 6/5, poderá variar de fraca a moderada e ocorrer principalmente na metade sul. Nas demais regiões, não há previsão de chuva significativa. De forma geral, os acumulados de precipitação deverão variar entre 5 mm e 100 mm ao longo da semana, com alguns pontos isolados a leste que podem ultrapassar esse valor. O Boletim Agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (As informações são da SEAPI)


Porto Alegre, 30 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.621


Assinado o decreto de promulgação do acordo entre Mercosul e União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto de promulgação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), que entra em vigor provisoriamente nesta sexta-feira, 1 de maio de 2026. O pacto entre os blocos avançou após mais de 25 anos de negociações.

Durante a cerimônia, Lula defendeu relações multilaterais entre as nações: “Se o Brasil aprender a se respeitar, vamos negociar igualdade de condições com qualquer país”, disse. Segundo ele, o país adotará a mesma postura em futuros acordos, como fez nas tratativas com a União Europeia.

Em relação ao cenário global recente, marcado pelo aumento de tarifas promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que Brasil e União Europeia deram uma resposta ao mundo de que “não existe nada melhor” do que acreditar na democracia, no multilateralismo e nas relações cordiais entre as nações. “Não existe saída individual para nenhum país nesse mundo de comércio”, reforçou.

Outros acordos comerciais

O presidente também encaminhou duas mensagens ao Congresso Nacional referentes aos acordos de Mercosul com Singapura e Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA. Lula afirmou que o Brasil trabalha para concluir o tratado comercial com o Canadá.

Como mostrou o Valor em março, o acordo entre Mercosul e Canadá ainda tem temas sensíveis a serem alinhados, como o acesso a carne, lácteos, frango e ovos, além de divergências sobre regras de indicação geográfica. Ainda assim, essas questões não devem impedir a conclusão do tratado, prevista para este ano.

Incorporação da Colômbia ao Mercosul

Lula declarou ainda que o Brasil articula a incorporação da Colômbia ao Mercosul — atualmente formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão — e sinalizou que outros países também podem vir a integrar o bloco.

O presidente também mencionou o que classificou como “problema” relacionado ao excesso de produção e à importação de leite do Uruguai e da Argentina. Ele defendeu a necessidade de equilíbrio “para que todos se sintam confortáveis”.

A importação de leite e derivados pelo Brasil tem gerado pressão sobre o mercado nacional em 2026. Isso fez com que, em março, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) protocolasse proposta na Câmara dos Deputados para investigar os impactos dessas compras externas sobre a renda de produtores nacionais. Grande parte desses produtos estão vindo da Argentina e Uruguai.

Acordo Mercosul-UE

O acordo comercial reúne países que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões, além de estabelecer uma zona de livre comércio entre o Mercosul (composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e os 27 países da União Europeia. Atualmente, a UE é o segundo principal parceiro comercial do Brasil.

O tratado deve eliminar de forma progressiva tarifas em cerca de 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% pela União Europeia. A redução ocorrerá de forma gradual, com prazos que variam entre quatro e quinze anos. O texto também prevê uma série de regras para salvaguardas comerciais, especialmente em setores considerados sensíveis.

A nova etapa do acordo ocorre após o Brasil notificar oficialmente a Comissão Europeia, em 18 de março, sobre a conclusão dos procedimentos internos de ratificação. A União Europeia, por sua vez, notificou o Brasil em 24 de março. Com isso, foram cumpridos os requisitos para a entrada em vigor provisória do acordo a partir de 1º de maio.

Apesar de já ter sido aprovado nos parlamentos do Mercosul e da União Europeia, o acordo ainda passa por avaliação jurídica no bloco europeu. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu submeter o texto a uma revisão pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o que pode atrasar a entrada em vigor plena do tratado. A emissão de um parecer desse tipo costuma levar em média entre 18 e 24 meses.

No dia 23 de abril, Lula classificou como “coisa de gente ciumenta” a decisão dos eurodeputados de acionar o TJUE para questionar o pacto comercial. Segundo ele, a ação não seria um entrave para os avanços das negociações entre Mercosul e UE. Ele ainda reiterou que o Brasil não pretende “destruir” os produtos europeus, mas construir uma política de complementaridade entre os blocos.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Banco Central reduz taxa Selic para 14,5% ao ano

Resultado já era projetado por analistas de mercado, que apontavam a segunda diminuição seguida de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (29), reduzir a taxa básica de juro em 0,25 ponto percentual. Assim, a Selic fica em 14,5% ao ano. 

A leve redução já era projetada por analistas de mercado, que apontavam a segunda diminuição seguida de juros. Em março, o Copom reduziu o juro também em 0,25 ponto percentual, após uma sequência de reuniões que optaram pela manutenção da taxa Selic em 15% ao ano.

Segundo comunicado do Copom, a diminuição contida é reflexo do ambiente externo que "permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio". 

O cenário global, conforme o Comitê, "exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities".

Ao comunicar a queda da taxa básica de juro, o colegiado disse que a "decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante". Também afirmou que a decisão não gera prejuízo na estabilidade de preços.

O que é taxa Selic?
A Selic é utilizada para balizar o mercado de crédito geral. Ela serve de parâmetro para todas as outras taxas de juros das mais diversas operações, sejam elas de aplicações e investimentos ou de financiamento imobiliário, por exemplo.

Junto à inflação oficial medida pelo IPCA, a taxa Selic serve para aquecer e garantir a estabilidade da atividade econômica brasileira. Em patamares baixos, possibilita maior tomada de crédito e financiamentos.

Em patamares elevados, ajuda a conter o avanço da variação de preços, já que limita o consumo e, consequentemente, freia a inflação. (Zero Hora)

Sistema FIERGS alerta para riscos do fim da escala 6x1 sobre emprego e economia

Retração no emprego, aumento da informalidade e queda no Produto Interno Bruto (PIB) estão entre os possíveis impactos da redução jornada de trabalho e extinção da escala 6x1, conforme alertou o Sistema FIERGS durante reunião-almoço na sede da entidade, em Porto Alegre, nesta segunda-feira (27). A matéria está em tramitação no Congresso Nacional por meio de propostas de emenda à Constituição (PECs). Recentemente, o governo federal também encaminhou um projeto de lei (PL) sobre o tema. O deputado federal Lucas Redecker foi convidado para esclarecer pontos da tramitação e conhecer os pontos de vista da indústria gaúcha.

O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, afirmou que a pauta exige responsabilidade e equilíbrio. “Trata-se de uma mudança estrutural. Assim, não pode avançar sem um debate amplo e responsável com a sociedade, especialmente em um ano eleitoral. Os impactos são relevantes”, destacou. Segundo estimativas, a redução de jornada para 40 horas semanais pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com trabalhadores formais. Na indústria, esse aumento pode chegar a R$ 88 bilhões. “Há, ainda, projeções de queda no PIB. A FIERGS acompanha de perto a realidade do chão de fábrica das micro e pequenas empresas. No cotidiano, junto aos trabalhadores, o sentimento não é de reivindicações por mudanças repentinas, mas de preocupação com a preservação de empregos e geração de renda”, acrescentou. 

O deputado Lucas Redecker explicou a tramitação das PECs no Congresso, enfatizando que a comissão especial da Câmara dos Deputados será o espaço para discutir ajustes e possíveis compensações ao setor produtivo. Ele também reforçou que a população em geral precisa estar informada de todos os riscos que a medida pode trazer. “Os prejuízos ao gerador de empregos irão impactar o consumidor e o empregado. Isso pode aumentar a informalidade no país. Por isso, não se trata de ser favorável ou contrário, mas de buscar meios de compensação. Como vamos trabalhar na redução dos impactos?”, questionou.  

Entre as possíveis medidas compensatórias, que devem ser construídas juntamente com o setor produtivo, estão uma transição adequada para a nova jornada e a desoneração da folha de pagamento para os segmentos. Durante o encontro, também foi citada a PEC do Jovem Aprendiz, formulada com contribuições técnicas do Sistema FIERGS, que permite que jovens menores de 18 anos atuem em atividades enquadradas pela legislação como insalubres ou perigosas, sob condições de emancipação ou formação técnica. “É uma forma de tentar diminuir os danos. Aumenta a mão de obra de jovens formados pelo Senai, por exemplo, e que, muitas vezes, ficam num limbo de dois anos”, disse o coordenador do Conselho das Relações do Trabalho (Contrab) do Sistema FIERGS, Guilherme Scozziero. Ele também enfatizou que é preciso separar escala e jornada de trabalho. “As escalas devem ser tratadas nas negociações. A jornada máxima é que será estipulada pela Constituição”, ponderou.

Coordenador do Conselho de Articulação Política (Coap) do Sistema FIERGS, Diogo Paz Bier destacou a mobilização da federação junto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e afirmou que o Brasil pode estar perdendo competitividade. “Por um lado, temos o acordo entre Mercosul e União Europeia, que amplia nossas oportunidades de mercado. Mas, por outro, estamos perdendo a oportunidade de sermos competitivos com essa pauta da redução de jornada, ao aumentar o custo de quem produz no país”, refletiu. (Fiergs)


Jogo Rápido

Fenasoja terá fóruns sobre suinocultura, brucelose e tuberculose
A Fenasoja, que ocorre de 1º a 10 de maio em Santa Rosa, terá um dia dedicado à sanidade animal, com a realização de dois fóruns na quarta-feira (6/5): o 2º Fórum Estadual de Sanidade Suína, às 10h, e o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina, às 14h. Os encontros são organizados pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). O 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina vai discutir a importância da prevenção e do controle dessas enfermidades. A programação contará com palestras com experiência nas suas áreas, com a visão da Indústria de Laticínios, do produtor rural, do Fundo de Apoio – Fundesa, e do Serviço Veterinário Oficial Estadual. “Santa Rosa está inserida numa das principais regiões produtoras de leite do estado. Sediar o Fórum na Fenasoja tem como finalidade mobilizar e sensibilizar a cadeia de produção em relação ao tema”, explica a fiscal estadual agropecuária Ana Cláudia Groff, do Programa de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal da Seapi. Os dois fóruns ocorrerão no Palco Semear, na Exporural. (SEAPI adaptado pelo Sindilat/RS)


Porto Alegre, 29 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.620


Governo libera R$ 450 mi para o Pronaf Mais Leite

O governo federal anunciou  a liberação de R$450 milhões em crédito rural subsidiado para o programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Leite (Pronaf Mais Leite). 

O anúncio tem o objetivo de ampliar a produtividade da pecuária leiteira entre agricultores familiares em todo o país. A iniciativa busca financiar melhorias genéticas do rebanho, incluindo a transferência de embriões, além da aquisição de infraestrutura como ordenhadeiras e tanques de resfriamento. 

A expectativa é viabilizar até 300 mil embriões e elevar a produção de leite por animal, que pode passar de uma média atual de 3 a 8 litros por dia para até 15 a 30 litros diários. De acordo com o governo, cerca de 40 mil produtores familiares devem ser beneficiados. 

Os recursos poderão ser utilizados na compra de matrizes com alto valor genético, sêmen, óvulos e embriões, além de serviços de inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV). Também estão previstos investimentos em manejo, alimentação e infraestrutura produtiva. ara acessar o crédito, os produtores precisam ter o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo e apresentar um projeto técnico que comprove a viabilidade do investimento. 

O financiamento será operacionalizado por instituições como o Banco do Brasil, Sicredi, Cresol, Sicoob e Banrisul. O programa também contará com apoio da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para orientação técnica aos produtores. Além disso, foram disponibilizadas linhas de crédito com juros de 3% ao ano para cooperativas da agricultura familiar e de 8,5% ao ano para outras cooperativas do setor leiteiro, por meio do programa Renovagro. 

O pacote inclui ainda R$15 milhões para a construção de uma fábrica de leite em pó em São Paulo e R$28 milhões destinados à assistência técnica e extensão rural. O secretário-executivo do Sindilat e vice-coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, avalia que o aporte é positivo, embora considere o volume de recursos ainda limitado diante do tamanho da cadeia leiteira brasileira. “Acaba atendendo justamente um dos pontos de perda de competitividade do leite brasileiro, principalmente na inseminação e na assistência técnica, que é fundamental”, afirma em entrevista ao JM.

Palharini destaca que a falta de assistência técnica é um dos principais fatores que levam ao abandono da atividade leiteira. Ele também ressalta que, no Rio Grande do Sul, a produtividade média já supera 18 litros por animal ao dia, mas ainda é considerada insuficiente para competir com produtos importados, especialmente da Argentina. A expectativa do setor é que os novos recursos anunciados sejam ampliados e transformados em política permanente, garantindo maior estabilidade e competitividade para a produção leiteira nacional nos próximos anos. (Jornal da Manhã editado pelo Sindilat)


Conseleite Paraná

RESOLUÇÃO Nº 04/2026 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 29 de abril de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Março de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Abril de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. 

Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Abril de 2026 é de R$ 4,4471/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no 
seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/.

Fonte: Conseleite Paraná 


Produtores de leite argentinos recebem os preços mais baixos do mundo, apontam especialistas

Na Argentina, nos últimos meses, observa-se uma perda sustentada de valor do litro de leite em moeda constante, segundo destacam os especialistas. Os aumentos de preço recebidos pelo produtor de leite estão muito distantes da taxa de inflação geral. Isso é consequência do aumento da produção interna verificado em 2025 e da alta produção mundial registrada há vários anos. 

Assim, o preço do leite recebido pelos produtores argentinos é o mais baixo, tanto em comparação com os países vizinhos quanto com os principais produtores e exportadores mundiais. Por exemplo, em dezembro de 2025, o preço na fazenda ficou em US$ 0,32 por litro, frente aos US$ 0,42 do Uruguai, US$ 0,36 do Brasil, US$ 0,58 da União Europeia, US$ 0,41 dos Estados Unidos, US$ 0,39 da Nova Zelândia e US$ 0,43 da China, segundo cálculos do consultor Mauro Gorgerino.

Outra forma de evidenciar a deterioração do preço recebido pelos produtores é observar sua evolução em termos reais. Em janeiro de 2026, o valor de 478 pesos argentinos (US$ 0,45) por litro ficou 19% abaixo dos 588 pesos argentinos  (US$ 0,55) constantes de janeiro de 2025 e dos 596 pesos argentinos  (US$ 0,56) de janeiro de 2024. Esse comportamento é resultado do baixo reajuste registrado durante 2025, período em que o preço do leite aumentou apenas 7,7%, frente a um Índice de Preços ao Consumidor de 32,4%.

Em contraste, outros custos relevantes do sistema produtivo leiteiro registraram aumentos significativamente superiores durante 2025: a implantação de pastagem com alfafa aumentou 29,8%; a ração concentrada, 39%; o milho, 35,3%; e a soja, 65,5%. Como consequência, a relação leite/milho foi muito desfavorável para o produtor.

Em janeiro de 2026, com um litro de leite era possível comprar 1,72 kg de milho, frente a uma média histórica de 2 kg. A relação de compra do leite em relação à soja também se deteriorou; em janeiro de 2026, um litro de leite permitia comprar 900 gramas de soja, frente a uma média histórica entre 1,1 e 1,2 kg. Situações semelhantes são observadas em outros insumos: o poder de compra da ração concentrada caiu 22,8% na comparação anual. O único fator favorável durante o último ano foi o aumento do valor da vaca de descarte, cujo preço cresceu 41,4% em relação ao ano anterior.

Problemas

Como resultado do cenário anterior, após três trimestres de 2025 com rentabilidade positiva — que tiveram média de 4% — no último trimestre ela despencou e se tornou negativa em uma fazenda leiteira média, segundo dados de Gorgerino. Esse valor contrasta com a média histórica da série (1,8%) e com seu máximo registrado (8,4%).

A crise enfrentada pelos produtores também está sendo sentida pela indústria. De fato, a variação anual de janeiro de 2026 em relação a janeiro de 2025 mostrou um aumento de 16,9% no preço dos produtos lácteos, frente a uma inflação de alimentos e bebidas de 29,3%. Por essa razão, a capacidade da indústria de melhorar o preço pago ao produtor é bastante limitada.

Em dezembro de 2025, os produtores receberam 476 pesos argentinos (US$0,45) por litro de leite, enquanto a indústria conseguia pagar 492 pesos argentinos  (US$0,46) por litro. Ambos os valores ficaram abaixo do custo de produção da fazenda leiteira, estimado em 563 pesos argentinos (US$0,53) por litro.

Como mencionado no início, além da superprodução interna, há abundância de leite no mundo. “Os principais produtores em nível mundial são a América do Sul — Brasil, Argentina e Uruguai —, a União Europeia, a Oceania e os Estados Unidos”, afirmou Gorgerino, durante uma reunião organizada pela Select Debernardi. A China também é um grande player, mas sua produção é direcionada principalmente ao mercado interno.

Durante o período entre janeiro e dezembro de 2025, a produção mundial de leite registrou um aumento médio de 2,25%, mantendo a tendência de alta dos últimos anos. Nesse período, a Argentina foi o país com maior crescimento, com aumento de 9,7% no volume entregue às indústrias de laticínios e à exportação. Também aumentaram sua produção o Brasil (7%), o Uruguai (5,7%), a União Europeia (1,5%) e outros países.

Enquanto isso, na Argentina, em 2025, houve uma redução de 2,5% na quantidade de fazendas leiteiras, passando de 9100 para 8887 entre janeiro e dezembro. Gorgerino lembrou que em 2002 existiam 15 mil fazendas leiteiras.

A produção média por fazenda leiteira durante o ano passado foi de 3506 litros diários, com uma média de 165 vacas por propriedade. Isso posiciona a Argentina como o quinto país do mundo em quantidade de vacas leiteiras por estabelecimento.

O número total de vacas leiteiras na Argentina não variou significativamente nos últimos anos e somou 1.497.480 cabeças em 2025, o que implica aumento do tamanho médio de cada unidade produtiva. As vacas das fazendas leiteiras que fecharam não foram para o abate, mas sim compradas por propriedades maiores.

Em relação à estratificação produtiva, as fazendas leiteiras que produzem menos de 1000 litros diários representam 26,8% do total, mas respondem por apenas 4,2% da produção, com média de 549 litros diários. Em contrapartida, aquelas que produzem mais de 6000 litros diários representam 13,2% das propriedades, mas geram 47,4% da produção total.

Olhando para o futuro, os produtores de leite deverão continuar lutando por uma melhora no preço do leite, mas simultaneamente precisarão trabalhar “da porteira para dentro”, analisando os parâmetros de eficiência do sistema de produção, com indicadores que monitorem as variáveis de maior impacto no resultado final, como a produtividade medida em litros de leite por hectare e por vaca total. Nesse sentido, Gorgerino ressaltou que “uma empresa pode continuar deficitária mesmo com preços elevados se apresentar ineficiências internas como, por exemplo, altas taxas de mortalidade de bezerros”.

Ele aconselhou que “os produtores controlem permanentemente os custos operacionais, permaneçam abertos à incorporação de novas tecnologias, reforcem o monitoramento da gestão interna e acompanhem continuamente um orçamento econômico e financeiro adequado à empresa para enfrentar o cenário adverso”. (As informações são do La Nación, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Oferta sustenta liquidez; preço se estabiliza
A elevada oferta de soja em grão no Brasil tem sustentado a liquidez no mercado spot. Por outro lado, esse cenário de maior disponibilidade tem evitado que os preços da oleaginosa subam de modo expressivo. Segundo pesquisadores do Cepea, mesmo com a demanda firme, a perspectiva de safra recorde mantém o equilíbrio do mercado. Assim, os preços estão relativamente estáveis. No campo, a colheita brasileira alcançou 88,1% da área, com ritmos distintos entre as regiões, de acordo com a Conab. No Hemisfério Norte, as condições climáticas seguem no radar, aponta o Centro de Pesquisas. Apesar da preocupação com a baixa umidade do solo, previsões de chuvas podem amenizar o cenário. Nos Estados Unidos, a semeadura atingiu 12% da área esperada até 19 de abril, superando tanto o ritmo do ano passado quanto a média dos últimos cinco anos, segundo o USDA. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


Porto Alegre, 28 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.619


Conseleite sinaliza recuperação e valor projetado para o leite é de R$ 2,5333 em abril

O valor de referência projetado para o leite no Rio Grande do Sul em abril é de R$ 2,5333. A previsão, divulgada nesta terça-feira (28/04) pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS), representa alta de 10,47% em relação ao projetado para o mês de março, que foi de R$ 2,2932. O encontro reuniu representantes da cadeia produtiva na sede da Federação da Agricultura do RS (Farsul), integrando produtores, indústrias e lideranças das entidades do setor.

O Conseleite/RS também divulgou o valor consolidado do litro em março de 2026 em R$ 2,3721, 11,67% acima do dado final de fevereiro (R$ 2,1243). Os indicadores divulgados pelo Conseleite são elaborados pela UPF com base em dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês.

Os dados indicam recuperação real do mercado do leite no Rio Grande do Sul depois de um período longo de queda e de dificuldades de remuneração no campo e na indústria. A sinalização de alta veio nos primeiros meses do ano de forma mais tímida e se consolida com os dados apresentados nesta terça-feira. Otimista, o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes (Fetag), pontuou a força e a legitimidade do Conseleite para apaziguar as relações no segmento. “Quando o mercado está em baixa, se bate na metodologia e nos cálculos. Este momento é ideal para reforçar a importância desse colegiado e sua legitimidade. Temos a prova real dessa metodologia que são os demais Conseleites do Brasil. Estamos realmente captando a tendência do mercado”, garantiu Prestes. Posição compartilhada pelo vice-coordenador do Conseleite, Darlan Palharini (Sindilat). “Estamos em um bom momento. Precisamos trabalhar agora para manter esses preços por mais tempo, e isso passa por garantir o escoamento do leite brasileiro para diferentes mercados. Apesar de o poder de compra do brasileiro ser baixo e do alto endividamento das famílias, o ano eleitoral deve ajudar a injeção de recursos na economia com a antecipação dos 13º salários dos aposentados e liberação de recursos do FGTS”, salientou. Contudo, Palharini alertou que a produção no campo deve se recuperar nos próximos meses no mercado doméstico. Sugeriu ainda que as entidades participantes do Conseleite fiquem atentas para coibir o aumento das importações de leite da Argentina, tendo em vista a alta produção daquele país.

Durante a reunião, o Conseleite também deliberou pelo envio de ofício aos Ministérios da Agricultura e Pecuária, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar como forma de alerta ao governo federal sobre a crise decorrente do excesso de importações de leite pelo Brasil. Prestes frisou que é essencial manter o tema na pauta dos ministros para garantir o enfrentamento constante da situação.


O futuro da produção de leite: relatório McKinsey revela quais devem ser as prioridades do setor

A pesquisa anual da empresa de consultoria McKinsey & Company, realizada com executivos de laticínios na América do Norte e Europa, mostra uma indústria que enfrenta intensa pressão de custos e margens, mesmo com o crescimento da demanda. Entenda a agenda de liderança para o próximo ano.

Nos primeiros meses de 2026, os laticínios nos Estados Unidos e na Europa encontram-se operando em um ambiente desafiador: definido por inflação de custos persistente, restrições de mão de obra, volatilidade de insumos e incerteza crescente em relação ao comércio e regulamentação, particularmente na Europa. Ao mesmo tempo, os riscos do lado da oferta estão aumentando à medida que os produtores lidam com questões de saúde animal (como a gripe aviária altamente patogênica, a larva-varejeira do Novo Mundo e a língua azul), além de interrupções relacionadas ao clima e restrições estruturais no crescimento da oferta de leite em diversos mercados europeus.

Ainda assim, a demanda principal permanece resiliente. Os consumidores continuam a priorizar os laticínios como uma fonte primária de nutrição, sustentando o crescimento em categorias-chave mesmo em um cenário macroeconômico mais cauteloso. Para os executivos, essas correntes cruzadas se traduzem em um imperativo claro: proteger as margens e a execução no curto prazo, enquanto investem seletivamente em temas de crescimento duradouros — mais notavelmente, a inovação liderada por proteínas.

Sobre a pesquisa

Foram entrevistados, conjuntamente, 204 executivos do setor de laticínios (116 nos EUA e 88 na Europa) e conduziram entrevistas com 41 executivos. Os participantes vieram de diversos tipos de empresas — incluindo processadores, varejistas e empresas de embalagens. A maioria das empresas participantes tem sede nos EUA e na Europa (Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Espanha e Reino Unido).

Quais são as principais prioridades dos executivos de laticínios?

Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, a gestão de custos e o crescimento de volume estão entre as principais prioridades estratégicas. As prioridades dos executivos americanos são amplamente semelhantes às do ano passado. O talento está no topo da agenda dos líderes dos EUA, mas é menos prioritário na Europa. A sustentabilidade, por outro lado, continua sendo uma prioridade máxima na Europa, mas não nos Estados Unidos.

Disciplina de custos e margens

Em todas as regiões, a inflação de custos e a volatilidade dos preços das commodities continuam a comprimir as margens. Aproximadamente 65% dos entrevistados nos EUA classificam a gestão de custos entre suas três principais prioridades — em linha com 2024 (69%) e acima de 2023 (48%) — refletindo aumentos sustentados nos custos de matérias-primas e logística. Os líderes europeus relatam pressão semelhante.

Essas pressões são evidentes nos resultados das margens. Nos EUA, quase 70% das empresas de laticínios pesquisadas relataram margens estagnadas ou decrescentes em 2025. A Europa mostra uma dinâmica comparável, com 57% relatando o mesmo cenário. "Os altos custos de matérias-primas e logística espremeram nossas margens, forçando-nos a buscar eficiências em outras áreas do negócio.", apontou um executivo de laticínios da América do Norte.

Crescimento de receita e volume

Em ambos os mercados, o crescimento de receita e volume continua sendo prioridade estratégica. Cerca de 55% dos processadores americanos e 65% dos europeus classificam o crescimento de volume como prioridade máxima. Os líderes europeus são mais contidos: cerca de 40% esperam que seus volumes permaneçam estáveis ou diminuam, possivelmente refletindo preocupações com restrições de oferta. O otimismo quanto à receita é compartilhado: 87% dos entrevistados americanos e 84% dos europeus antecipam aumentos de receita nos próximos três anos, impulsionados pela demanda por proteína.

Talentos e mão de obra

Este é um ponto de grande divergência. Nos EUA, 61% citam o talento como prioridade máxima, enfrentando desafios na retenção de mão de obra fabril e operacional. Na Europa, apenas 18% citam o talento como prioridade estratégica no nível do processador, embora a escassez de mão de obra seja uma preocupação nas fazendas.

Iniciativas de sustentabilidade

Na Europa, 53% dos executivos classificam a sustentabilidade entre suas três principais prioridades, contra apenas 16% nos EUA. O foco mudou de narrativas amplas de ESG para uma execução pragmática: conformidade regulatória, redução de emissões e eficiência operacional (como redução de metano e otimização de água e energia).

"As pessoas podem dizer que querem alimentos sustentáveis, mas, no momento, os consumidores não estão preparados para pagar por isso." — Executivo de laticínios europeu.

As preocupações dos líderes são consistentes com suas prioridades?

Nos EUA, as preocupações (lucratividade e economia doméstica) estão alinhadas com as prioridades. Já na Europa, há uma desconexão: os líderes citam a segurança de suprimento (45%) e a escassez de mão de obra (37%) como maiores preocupações, à frente da lucratividade. Isso reflete um ambiente onde restrições estruturais e regulamentações ambientais mais rigorosas moldam o que é viável.

O envelhecimento da população agrícola agrava essas pressões. 64% dos executivos expressam preocupação com a sucessão nas fazendas, notando que o número de agricultores diminui mais rápido do que o volume de leite, sinalizando uma fragilidade estrutural.

O papel da inteligência artificial e da tecnologia

Embora os líderes reconheçam o potencial de produtividade da inteligência artificial, a adoção é seletiva. Cerca de 70% das organizações estão em fases piloto. Barreiras incluem preocupações com segurança, falta de expertise e ROI (retorno sobre investimento) incerto.

No entanto, a McKinsey nota um fosso de desempenho: líderes digitais em mercados de consumo e agrícolas geraram retornos totais aos acionistas significativamente maiores entre 2019 e 2024 do que seus pares, sugerindo que o investimento digital será um diferencial competitivo crucial.

Conclusões

O sucesso para os líderes de laticínios em 2026 exige foco e determinação, fundamentando-se em um manual estratégico que prioriza a proteção das margens por meio de uma gestão de custos rigorosa e disciplina operacional. De acordo com a consultoria, as empresas devem buscar a expansão lucrativa de volume ancorada na inovação de proteínas, ao mesmo tempo em que estabilizam seus pipelines de talentos, especialmente em funções operacionais qualificadas para capturar a próxima onda de crescimento.

Esse caminho envolve ainda a priorização de uma sustentabilidade pragmática, capaz de entregar impacto mensurável e valor ao negócio, além de investimentos deliberados em inteligência artificial com casos de uso claros e responsabilidade econômica. Em última análise, os líderes que combinarem essa execução disciplinada com aportes sustentados nas capacidades essenciais estarão melhor posicionados para enfrentar a volatilidade e prosperar no setor.

As informações são da McKinsey & Company, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2% em 2025

Avanço foi sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro avançou 12,2% em 2025 sobre o ano anterior, sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional, que também impulsionou os agrosserviços. Os números, divulgados ontem, foram calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Segundo o Cepea/CNA, o PIB do agronegócio alcançou R$ 3,20 trilhões no ano passado, sendo aproximadamente R$ 2,06 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão no ramo pecuário, a preços do quarto trimestre.

Com esse resultado, a participação do agronegócio na economia brasileira foi de 25,13% em 2025, acima dos 22,9% registrados no ano anterior.

A CNA destacou que, apesar da expressiva expansão registrada no acumulado do ano, o resultado foi impulsionado, principalmente, pela elevação dos preços reais ao longo do período.

“Com a incorporação dos dados referentes ao último trimestre do ano, o desempenho do PIB do agronegócio foi relativamente mais contido do que aquele projetado pelas análises parciais. Mesmo assim, o resultado mostrou um crescimento importante, sustentado tanto pelo aumento da produção quanto pela manutenção de preços reais em patamares superiores aos observados em 2024”, afirmou a entidade em comunicado.

Entre os segmentos do agro, o PIB dos insumos cresceu 5,37%, impulsionado pelos insumos agrícolas, especialmente fertilizantes, defensivos e máquinas. Já os insumos de base pecuária recuaram, influenciados pela queda no valor da produção da indústria de rações.

No segmento primário, o crescimento foi expressivo (17,06%), segundo os cálculos, sustentado tanto pelo aumento da produção agrícola, com destaque para milho e café, quanto pela combinação de preços mais elevados e maior produção na pecuária.

Na agroindústria, o desempenho foi heterogêneo: as atividades de base agrícola recuaram 3,33%, pressionadas pela queda dos preços industriais, enquanto as de base pecuária avançaram 36,54%, influenciadas pela valorização dos preços e pela expansão da produção.

Os agrosserviços também tiveram avanço significativo no ano passado (13,76%), “refletindo principalmente o dinamismo da pecuária”, de acordo com os cálculos do Cepea/CNA. (Valor Econômico)


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Agentes voltam as atenções ao clima
A colheita da safra verão do milho está na reta final e a semeadura da segunda safra está praticamente finalizada. Assim, agentes do setor consultados pelo Cepea voltam as atenções ao clima quente e seco e aos possíveis impactos desse cenário sobre o desenvolvimento destas lavouras. Segundo pesquisadores do Cepea, até o momento, a produção da segunda safra 2025/26 segue estimada para ser levemente inferior à temporada 2024/25, mas ainda será elevada. Entretanto, a irregularidade das chuvas nos últimos dias e a previsão de volume ainda pequeno, além das altas temperaturas em parte de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná, deixam produtores em alerta. No spot, as negociações envolvendo o milho ainda seguem limitadas, devido à demanda enfraquecida – consumidores priorizam o uso dos estoques e adquirem novos lotes apenas de forma pontual, apontam pesquisadores do Cepea. Compradores também estão de olho nos bons volumes dos estoques de passagem da temporada 2024/25 e na maior colheita da safra verão 2025/26 e, com isso, mantêm expectativas de preços menores nas próximas semanas. Muitos vendedores, contudo, voltaram a limitar o volume no spot, à espera de reação nos valores, fundamentados nas atuais especulações climáticas. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)