Porto Alegre, 07 de janeiro de 2025 Ano 20 - N° 4.548
GDT 395: primeiro leilão indica possível recuperação para o mercado lácteo
O 395º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 06 de janeiro, apresentou ajustes positivos para todos os produtos, fazendo com que o preço médio (price index) dos produtos negociados aumentasse 6,3%, chegando a USD 3.533/tonelada — revertendo a queda vista no último evento do ano.
O leite em pó integral (LPI) apresentou alta neste leilão, após oito eventos de queda, com reajuste de 7,2%, levando o preço médio a USD 3.407 por tonelada.
O leite em pó desnatado (LPD) também registrou aumento no preço, de 5,4%, com o preço médio ficando em USD 2.564 por tonelada.
A maior alta deste leilão foi observada na gordura anidra do leite com 7,4% de reajuste; este produto apresentou a maior baixa no último evento e desta vez reverteu o preço médio para USD 6.011 por tonelada. A manteiga também apresentou leve reação e, após 6 meses com pressão de baixa, apresentou alta de 3,8%, atingindo o preço de USD 5.206 por tonelada.
Já o cheddar continua com certa tendência de estabilização, e neste evento apresentou variação de apenas 0,6%, com o preço médio em USD 4.665 por tonelada; e a muçarela também apresentou certa estabilidade, com variação de 0,7%, com preço médio de USD 3.418 por tonelada.
A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.
Volume negociado diminui
O volume negociado neste leilão totalizou cerca de 29,3 mil toneladas, representando expressiva queda de 13,8% frente ao evento anterior, movimento visto também para o primeiro leilão do ano nos últimos dois anos. Frente ao mesmo mês do ano passado, o volume negociado também diminuiu 2,9%.
Impacto nos contratos futuros
Neste início de ano, os contratos futuros surpreenderam, com alta expressiva comparada ao final de 2025. A tendência de estabilidade para os primeiros meses do ano foi revertida por um movimento altista constante até o final do primeiro semestre, com tendência de recuos apenas para o segundo semestre do ano.
Como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
O evento apresentou demanda firme, com a participação de 177 compradores. Esse apetite comprador, no entanto, encontrou uma oferta mais restrita em relação aos últimos leilões, o que contribuiu para reverter o cenário recorrente de quedas observado nos últimos meses.
Em conjunto com esse resultado do GDT, os preços futuros dos contratos de leite em pó registraram alta expressiva, sinalizando um cenário potencialmente mais positivo para o mercado lácteo internacional, após um período prolongado de recuos. Esse movimento reflete a expectativa de um crescimento mais contido da oferta em 2026, em comparação ao avanço expressivo observado em 2025, quando a produção global de leite surpreendeu, além de uma perspectiva de demanda mais aquecida, favorecendo maior equilíbrio de mercado.
No mercado brasileiro, os preços dos derivados têm apresentado maior estabilidade, influenciados pelo período de final de ano, com expectativa de melhora pontual para alguns produtos.
No Mercosul, os preços também seguiram estáveis em dezembro, com relatos de expectativa de maiores ajustes após a virada para 2026. Vale lembrar que o Mercosul tende a ser influenciado pelos preços praticados no GDT, ainda que com diferenciais regionais. Nesse contexto, espera-se que a tendência de alta no mercado internacional se reflita gradualmente nos preços do Mercosul, o que pode abrir espaço para possíveis reajustes nos derivados no mercado interno, diante de uma menor pressão competitiva em relação ao preço dos produtos importados.
Associado a esse cenário, o dólar tem apresentado movimentações distintas. Como a taxa de câmbio exerce influência direta sobre os preços de importação de produtos lácteos, essas oscilações podem impactar o volume e a competitividade das importações no curto prazo. (Vivian Batista Padilla e Leonardo Baião Leite de Lima/Milkpoint)
Proteína muda o carrinho do consumidor e fortalece os lácteos
A proteína tornou-se o principal motor de crescimento do setor lácteo nos Estados Unidos, redefinindo escolhas de consumo e reposicionando categorias tradicionais dentro da dieta moderna.
Em um cenário marcado por novas conversas sobre saúde, praticidade e funcionalidade dos alimentos, os lácteos mantêm um papel central na alimentação dos americanos, ainda que com mudanças claras no mix de produtos consumidos.
Dados recentes do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA) mostram que, em 2024, o consumo per capita de lácteos alcançou 651 libras por pessoa, considerando o equivalente em leite com base em sólidos e gordura. O volume total pouco variou em relação a anos anteriores, mas a composição desse consumo revela uma transformação relevante nos hábitos alimentares.
Segundo as entidades, a preferência crescente por alimentos ricos em proteína e de consumo rápido vem impulsionando categorias que, até pouco tempo atrás, eram vistas como ultrapassadas. Iogurtes e queijo cottage, por exemplo, ganharam novo protagonismo ao se alinharem às rotinas aceleradas e às demandas nutricionais atuais.
O consumo de iogurte chegou a 14,5 libras por pessoa em 2024, um avanço de 6% em relação ao ano anterior e quase 60% acima do nível registrado duas décadas atrás. Para a IDFA, esse desempenho reflete a consolidação do produto como uma opção prática, versátil e associada à ingestão de proteína de alta qualidade.
O queijo cottage apresentou um crescimento ainda mais expressivo. O consumo per capita subiu mais de 14% em um ano, atingindo 2,4 libras por pessoa, o maior patamar desde 2009. A entidade observa que o produto se beneficiou da revalorização nutricional, impulsionada por dietas focadas em proteína e controle de carboidratos.
Outro destaque do ano foi a manteiga. Após um longo período de retração, marcado pela preferência por produtos com baixo teor de gordura, a manteiga voltou a ocupar espaço nas cozinhas americanas. A mudança na percepção sobre as gorduras alimentares, aliada à busca por ingredientes mais simples e menos processados, contribuiu para essa retomada.
Em 2024, o consumo de manteiga alcançou um recorde de 6,8 libras por pessoa, mais de 20% acima do registrado há dez anos. Analistas do setor apontam que muitos consumidores passaram a enxergar a manteiga como um produto mais “real” e funcional, especialmente para cozinhar e assar, em comparação com margarinas e spreads industrializados.
No segmento de queijos, o cenário foi de estabilidade. O consumo per capita permaneceu em 41,9 libras, o mesmo nível de 2023. Ainda assim, a IDFA ressalta que esse volume representa uma mudança estrutural significativa quando comparado à década de 1970, período em que o consumo anual não ultrapassava 20 libras por pessoa. O dado reforça o status do queijo como um alimento consolidado na dieta americana.
Já o leite fluido apresentou sinais de estabilização após décadas de queda. Em 2024, o consumo manteve-se em 127 libras por pessoa, repetindo o resultado do ano anterior. Embora distante do pico de 247 libras registrado em 1975, o desempenho indica que o leite segue presente no cotidiano das famílias, especialmente no café da manhã, no preparo de alimentos e em bebidas quentes.
De acordo com análises do setor, o leite deixou de ser o protagonista da geladeira, mas permanece como um item funcional e confiável, associado a hábitos domésticos tradicionais.
No campo da indulgência, o sorvete trouxe um leve alívio para a categoria. O consumo avançou para 12 libras por pessoa, mostrando que, mesmo em um contexto de maior atenção à saúde, os consumidores não abrem mão de produtos ligados ao prazer e ao conforto emocional. A introdução de versões com alto teor de proteína também contribuiu para esse desempenho, permitindo conciliar sobremesa e valor nutricional.
No conjunto, os dados reforçam que, apesar das transformações no comportamento do consumidor, os lácteos seguem relevantes. A proteína atua como fio condutor dessa nova fase, impulsionando categorias específicas, enquanto produtos tradicionais como manteiga, queijo e leite mantêm sua base de consumo.
Para o setor, o desafio e a oportunidade estão em equilibrar funcionalidade, sabor e conveniência, mostrando que os lácteos podem atender tanto às exigências nutricionais quanto aos momentos de indulgência do consumidor moderno. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Herd)
Dívidas do agronegócio saltam para R$123,6 bilhões em 2025
A saúde financeira do agronegócio brasileiro acendeu um sinal de alerta, segundo Nota Técnica divulgada ontem pela Farsul. A partir de dados do Banco Central, a entidade avaliou que a“carteira estressada” do crédito rural (que soma atrasos, inadimplência e dívidas renegociadas) saltou de R$ 72,2 bilhões, em julho de 2024, para R$ 123,6 bilhões em novembro de 2025. “O crescimento de 71% no período revela uma deterioração acelerada, concentrada principalmente nos últimos meses”, diz a Farsul.
Atualmente, cerca de 15% de toda a carteira ativa de crédito rural no Brasil (estimada em R$ 812,7 bilhões) está “sob algum tipo de estresse financeiro”. Segundo a Farsul, atualmente o quadro atual no Brasil não é provocado por questões climáticas, já que o país registrou uma safra recorde em 2025, o que reforça que o problema é econômico, de acordo com a entidade.
O texto aponta o nível elevado da taxa de juros como o “principal ofensor”, mas faz uma ressalva: a culpa não é da autoridade monetária. “A raiz está no desequilíbrio fiscal, que pressiona a inflação e obriga a manutenção de juros altos”, afirma o documento, e reitera o apoio às decisões do Copom no controle inflacionário.
Para a Farsul, a análise da execução da Medida Provisória n° 1.314/2025 e da Resolução CMN n° 5.247/2025 revela distorções que preocupam os produtores. Dos R$ 28,2 bilhões renegociados até dezembro de 2025, apenas 19% (R$ 5,4 bilhões) utilizaram recursos públicos com juros subsidiados. 81% (R$ 22,8 bilhões) foram renegociados com recursos livres, sujeitos a taxas de mercado, esclarece a entidade.Renegociar dívidas a juros de mercado em um cenário de Selic elevada pode “transformar a solução em um problema maior”, segundo a entidade. Afinal, o saldo devedor tende a crescer, criando uma acumulação exponencial do passivo. (Correio do Povo)
Jogo Rápido
Brasil tem saldo de US$ 68,3 bi em 2025
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 68,3 bilhões em 2025, divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás de 2023 e 2024. Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos e com a queda no preço das commodities, principalmente do petróleo, as vendas para o Exterior somaram US$ 348,676 bilhões, alta de 3,5% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, beneficiadas pelo crescimento da economia doméstica, as importações aumentaram em ritmo maior. No ano passado, o Brasil comprou US$ 280,382 bilhões do Exterior, aumento de 6,7%. (Zero Hora)