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Porto Alegre, 07 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.548


GDT 395: primeiro leilão indica possível recuperação para o mercado lácteo

O 395º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 06 de janeiro, apresentou ajustes positivos para todos os produtos, fazendo com que o preço médio (price index) dos produtos negociados aumentasse 6,3%, chegando a USD 3.533/tonelada  — revertendo a queda vista no último evento do ano.


O leite em pó integral (LPI) apresentou alta neste leilão, após oito eventos de queda, com reajuste de 7,2%, levando o preço médio a USD 3.407 por tonelada.

O leite em pó desnatado (LPD) também registrou aumento no preço, de 5,4%, com o preço médio ficando em USD 2.564 por tonelada.

A maior alta deste leilão foi observada na gordura anidra do leite com 7,4% de reajuste; este produto apresentou a maior baixa no último evento e desta vez reverteu o preço médio para USD 6.011 por tonelada. A manteiga também apresentou leve reação e, após 6 meses com pressão de baixa, apresentou alta de 3,8%, atingindo o preço de USD 5.206 por tonelada.

Já o cheddar continua com certa tendência de estabilização, e neste evento apresentou variação de apenas 0,6%, com o preço médio em USD 4.665 por tonelada; e a muçarela também apresentou certa estabilidade, com variação de 0,7%, com preço médio de USD 3.418 por tonelada.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Volume negociado diminui
O volume negociado neste leilão totalizou cerca de 29,3 mil toneladas, representando expressiva queda de 13,8% frente ao evento anterior, movimento visto também para o primeiro leilão do ano nos últimos dois anos. Frente ao mesmo mês do ano passado, o volume negociado também diminuiu 2,9%.

Impacto nos contratos futuros
Neste início de ano, os contratos futuros surpreenderam, com alta expressiva comparada ao final de 2025. A tendência de estabilidade para os primeiros meses do ano foi revertida por um movimento altista constante até o final do primeiro semestre, com tendência de recuos apenas para o segundo semestre do ano.

Como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
O evento apresentou demanda firme, com a participação de 177 compradores. Esse apetite comprador, no entanto, encontrou uma oferta mais restrita em relação aos últimos leilões, o que contribuiu para reverter o cenário recorrente de quedas observado nos últimos meses.

Em conjunto com esse resultado do GDT, os preços futuros dos contratos de leite em pó registraram alta expressiva, sinalizando um cenário potencialmente mais positivo para o mercado lácteo internacional, após um período prolongado de recuos. Esse movimento reflete a expectativa de um crescimento mais contido da oferta em 2026, em comparação ao avanço expressivo observado em 2025, quando a produção global de leite surpreendeu, além de uma perspectiva de demanda mais aquecida, favorecendo maior equilíbrio de mercado.

No mercado brasileiro, os preços dos derivados têm apresentado maior estabilidade, influenciados pelo período de final de ano, com expectativa de melhora pontual para alguns produtos.

No Mercosul, os preços também seguiram estáveis em dezembro, com relatos de expectativa de maiores ajustes após a virada para 2026. Vale lembrar que o Mercosul tende a ser influenciado pelos preços praticados no GDT, ainda que com diferenciais regionais. Nesse contexto, espera-se que a tendência de alta no mercado internacional se reflita gradualmente nos preços do Mercosul, o que pode abrir espaço para possíveis reajustes nos derivados no mercado interno, diante de uma menor pressão competitiva em relação ao preço dos produtos importados.

Associado a esse cenário, o dólar tem apresentado movimentações distintas. Como a taxa de câmbio exerce influência direta sobre os preços de importação de produtos lácteos, essas oscilações podem impactar o volume e a competitividade das importações no curto prazo. (Vivian Batista Padilla e Leonardo Baião Leite de Lima/Milkpoint)


Proteína muda o carrinho do consumidor e fortalece os lácteos

A proteína tornou-se o principal motor de crescimento do setor lácteo nos Estados Unidos, redefinindo escolhas de consumo e reposicionando categorias tradicionais dentro da dieta moderna.

Em um cenário marcado por novas conversas sobre saúde, praticidade e funcionalidade dos alimentos, os lácteos mantêm um papel central na alimentação dos americanos, ainda que com mudanças claras no mix de produtos consumidos.

Dados recentes do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA) mostram que, em 2024, o consumo per capita de lácteos alcançou 651 libras por pessoa, considerando o equivalente em leite com base em sólidos e gordura. O volume total pouco variou em relação a anos anteriores, mas a composição desse consumo revela uma transformação relevante nos hábitos alimentares.

Segundo as entidades, a preferência crescente por alimentos ricos em proteína e de consumo rápido vem impulsionando categorias que, até pouco tempo atrás, eram vistas como ultrapassadas. Iogurtes e queijo cottage, por exemplo, ganharam novo protagonismo ao se alinharem às rotinas aceleradas e às demandas nutricionais atuais.

O consumo de iogurte chegou a 14,5 libras por pessoa em 2024, um avanço de 6% em relação ao ano anterior e quase 60% acima do nível registrado duas décadas atrás. Para a IDFA, esse desempenho reflete a consolidação do produto como uma opção prática, versátil e associada à ingestão de proteína de alta qualidade.

O queijo cottage apresentou um crescimento ainda mais expressivo. O consumo per capita subiu mais de 14% em um ano, atingindo 2,4 libras por pessoa, o maior patamar desde 2009. A entidade observa que o produto se beneficiou da revalorização nutricional, impulsionada por dietas focadas em proteína e controle de carboidratos.

Outro destaque do ano foi a manteiga. Após um longo período de retração, marcado pela preferência por produtos com baixo teor de gordura, a manteiga voltou a ocupar espaço nas cozinhas americanas. A mudança na percepção sobre as gorduras alimentares, aliada à busca por ingredientes mais simples e menos processados, contribuiu para essa retomada.

Em 2024, o consumo de manteiga alcançou um recorde de 6,8 libras por pessoa, mais de 20% acima do registrado há dez anos. Analistas do setor apontam que muitos consumidores passaram a enxergar a manteiga como um produto mais “real” e funcional, especialmente para cozinhar e assar, em comparação com margarinas e spreads industrializados.

No segmento de queijos, o cenário foi de estabilidade. O consumo per capita permaneceu em 41,9 libras, o mesmo nível de 2023. Ainda assim, a IDFA ressalta que esse volume representa uma mudança estrutural significativa quando comparado à década de 1970, período em que o consumo anual não ultrapassava 20 libras por pessoa. O dado reforça o status do queijo como um alimento consolidado na dieta americana.

Já o leite fluido apresentou sinais de estabilização após décadas de queda. Em 2024, o consumo manteve-se em 127 libras por pessoa, repetindo o resultado do ano anterior. Embora distante do pico de 247 libras registrado em 1975, o desempenho indica que o leite segue presente no cotidiano das famílias, especialmente no café da manhã, no preparo de alimentos e em bebidas quentes.

De acordo com análises do setor, o leite deixou de ser o protagonista da geladeira, mas permanece como um item funcional e confiável, associado a hábitos domésticos tradicionais.

No campo da indulgência, o sorvete trouxe um leve alívio para a categoria. O consumo avançou para 12 libras por pessoa, mostrando que, mesmo em um contexto de maior atenção à saúde, os consumidores não abrem mão de produtos ligados ao prazer e ao conforto emocional. A introdução de versões com alto teor de proteína também contribuiu para esse desempenho, permitindo conciliar sobremesa e valor nutricional.

No conjunto, os dados reforçam que, apesar das transformações no comportamento do consumidor, os lácteos seguem relevantes. A proteína atua como fio condutor dessa nova fase, impulsionando categorias específicas, enquanto produtos tradicionais como manteiga, queijo e leite mantêm sua base de consumo.

Para o setor, o desafio e a oportunidade estão em equilibrar funcionalidade, sabor e conveniência, mostrando que os lácteos podem atender tanto às exigências nutricionais quanto aos momentos de indulgência do consumidor moderno. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Herd)

Dívidas do agronegócio saltam para R$123,6 bilhões em 2025

A saúde financeira do agronegócio brasileiro acendeu um sinal de alerta, segundo Nota Técnica divulgada ontem pela Farsul. A partir de dados do Banco Central, a entidade avaliou que a“carteira estressada” do crédito rural (que soma atrasos, inadimplência e dívidas renegociadas) saltou de R$ 72,2 bilhões, em julho de 2024, para R$ 123,6 bilhões em novembro de 2025. “O crescimento de 71% no período revela uma deterioração acelerada, concentrada principalmente nos últimos meses”, diz a Farsul. 

Atualmente, cerca de 15% de toda a carteira ativa de crédito rural no Brasil (estimada em R$ 812,7 bilhões) está “sob algum tipo de estresse financeiro”. Segundo a Farsul, atualmente o quadro atual no Brasil não é provocado por questões climáticas, já que o país registrou uma safra recorde em 2025, o que reforça que o problema é econômico, de acordo com a entidade. 

O texto aponta o nível elevado da taxa de juros como o “principal ofensor”, mas faz uma ressalva: a culpa não é da autoridade monetária. “A raiz está no desequilíbrio fiscal, que pressiona a inflação e obriga a manutenção de juros altos”, afirma o documento, e reitera o apoio às decisões do Copom no controle inflacionário. 

Para a Farsul, a análise da execução da Medida Provisória n° 1.314/2025 e da Resolução CMN n° 5.247/2025 revela distorções que preocupam os produtores. Dos R$ 28,2 bilhões renegociados até dezembro de 2025, apenas 19% (R$ 5,4 bilhões) utilizaram recursos públicos com juros subsidiados. 81% (R$ 22,8 bilhões) foram renegociados com recursos livres, sujeitos a taxas de mercado, esclarece a entidade.Renegociar dívidas a juros de mercado em um cenário de Selic elevada pode “transformar a solução em um problema maior”, segundo a entidade. Afinal, o saldo devedor tende a crescer, criando uma acumulação exponencial do passivo. (Correio do Povo)


Jogo Rápido
Brasil tem saldo de US$ 68,3 bi em 2025
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 68,3 bilhões em 2025, divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás de 2023 e 2024. Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos e com a queda no preço das commodities, principalmente do petróleo, as vendas para o Exterior somaram US$ 348,676 bilhões, alta de 3,5% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, beneficiadas pelo crescimento da economia doméstica, as importações aumentaram em ritmo maior. No ano passado, o Brasil comprou US$ 280,382 bilhões do Exterior, aumento de 6,7%. (Zero Hora)


Porto Alegre, 05 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.546


Nota eletrônica passa a ser obrigatória para todos os produtores rurais do Estado a partir desta segunda-feira (5)

Seguindo a norma definida no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), a emissão de nota eletrônica passa a ser obrigatória para todos os produtores rurais, em operações internas no Rio Grande do Sul, a partir desta segunda-feira (5/1). Assim, o documento passa a ser usado por mais de 800 mil produtores que atuam no território gaúcho. Em operações interestaduais, a obrigatoriedade já estava valendo.

O modelo 4 da Nota Fiscal, em papel, conhecido como “talão do produtor”, não está mais permitido a partir desta data. Desta forma, caso as notas eletrônicas não sejam emitidas, as transações ficam sem documentação fiscal, o que é considerado descumprimento da legislação tributária.

A modernização da documentação fiscal no setor agropecuário torna o processo de emissão de notas mais ágil e seguro, reduzindo burocracias, minimizando falhas no preenchimento dos dados e evitando o risco da perda de documentos. A renovação antecipa também a realidade após a Reforma Tributária, que deve extinguir completamente as notas em papel.

Como fazer
A emissão dos documentos eletrônicos pode ser feita por diferentes vias, e os produtores têm liberdade para escolher seu emissor preferido. Há, por exemplo, soluções oferecidas por associações e por cooperativas, e é possível desenvolver modelos próprios.

A Secretaria da Fazenda (Sefaz) oferece duas alternativas. O aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), disponível para download gratuito pelo celular, é o mais indicado. Considerada de uso simples e navegação intuitiva, a plataforma usa o login gov.br.

Para realizar uma operação, basta que os produtores preencham dados como o produto, as informações do(a) cliente e a forma de transporte. Depois que os dados são informados, a operação é autorizada e a nota fiscal é emitida, podendo ser compartilhada. Assim, toda a complexidade tributária fica a cargo da Receita Estadual.

Uma das funcionalidades do NFF foi desenhada especialmente para os produtores. Como muitos deles trabalham no campo, sem acesso à internet, o App pode ser utilizado no modo off-line. Dessa forma, os usuários emitem a nota fiscal e, quando o aplicativo é conectado novamente a uma rede de internet, a nota é autorizada. Nestes casos, o limite para solicitações é de 30 notas fiscais eletrônicas, R$ 300 mil ou 168 horas. Depois disso, é preciso estar conectado para que a ferramenta possa voltar a ser utilizada.

Conforme mais usuários vão ingressando na plataforma, melhorias vão sendo incorporadas. No próprio aplicativo, os produtores podem apontar problemas, sugerir recursos ou solicitar a inclusão de novos produtos para transação. Há também um ambiente de testes.

Outra opção para a emissão de nota eletrônica é o Nota Fiscal Avulsa (NFA-e), também gratuito. O sistema é indicado para operações mais complexas, como, por exemplo, as de exportação. A Receita Estadual trabalha para promover aperfeiçoamentos na ferramenta, buscando torná-la mais prática e intuitiva. Informações podem ser obtidas no Manual de Uso do NFF.

Mudança escalonada
A medida vem sendo implantada aos poucos, buscando garantir aos produtores tempo para se adaptarem à novidade – que também está sendo colocada em prática em outros Estados do país. A mudança começou pela faixa dos que têm maior faturamento e, aos poucos, foi sendo expandida para pequenos produtores.

A obrigatoriedade começou a valer em 2021 para aqueles que tinham faturamento superior a R$ 4,8 milhões. Em janeiro de 2025, foram abrangidos também aqueles que tiveram receita bruta de R$ 360 mil ou mais com a atividade rural, além de todas as operações interestaduais.

A Receita Estadual vem dialogando com o setor sobre a implementação da norma. Em diversos momentos, atendendo a pedidos de entidades rurais, a entrada em vigor foi adiada. Isso ocorreu, inclusive, após as enchentes de 2024, que causaram prejuízos para profissionais da área.

Servidores da Subsecretaria também trabalham para capacitar produtores sobre o uso do NFF. Em 2024, chegaram a ser feitos mais de 100 encontros, permitindo que representantes de entidades do setor rural levassem a informação para seus associados. (Fonte: Seapi-RS/Governo do Estado do Rio Grande do Sul)


PERSPECTIVAS 2026-LEITE/CEPEA: CENÁRIO DE 2026 EXIGE CAUTELA

Em 2026, o cenário é de cautela para o setor nacional de pecuária leiteira, apontam pesquisadores do Cepea. Com PIB perto de 2% e a oferta de leite cru crescendo de forma mais moderada (entre 2% e 2,5%), os preços pagos aos produtores podem apresentar menor volatilidade. Porém, é importante lembrar que os valores do leite no campo já iniciam 2026 em patamares bem abaixo dos registrados em anos anteriores e só devem retomar a alta sazonal entre abril e agosto. 

Pesquisadores do Cepea destacam que os possíveis custos menores de ração podem impedir quedas bruscas de margens de produtores leiteiros, mas estas serão menores que as observadas em 2024 e também no primeiro trimestre de 2025. Oportunidades podem existir, mas exigirão disciplina, gestão e eficiência. (Fonte: Cepea)

Produção de leite na UE deve recuar em 2026, aponta USDA

A produção de leite na União Europeia (UE) deve registrar uma leve queda em 2026, refletindo a redução do número de vacas leiteiras, o avanço de regulações ambientais mais rigorosas e os impactos de surtos de doenças animais. Segundo o relatório anual Dairy and Products Annual, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção total do bloco é estimada em 148,9 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma redução de 0,5% em relação a 2025.

Mesmo com custos mais baixos de ração e energia ao longo de 2025, pequenos produtores continuam deixando a atividade. A saída está associada à volatilidade dos preços pagos ao produtor, ao aumento das exigências ambientais, às dificuldades sanitárias e à falta de sucessores nas propriedades rurais. A tendência é de maior concentração da produção em fazendas maiores e mais profissionalizadas, embora os ganhos de produtividade não sejam suficientes para compensar a queda no número de animais.

Os preços do leite pagos aos produtores permaneceram elevados em 2025. Em agosto, a média da UE alcançou 53,2 euros (US$ 62,2) por 100 quilos, cerca de 12% acima do registrado no mesmo mês do ano anterior. Em julho, o preço médio foi de 52,8 euros (US$ 61,8) por 100 quilos, tornando o leite europeu até 41% mais caro que o dos Estados Unidos e 35% acima do praticado na Nova Zelândia, o que reduz a competitividade do bloco no mercado internacional.

Consumo de leite fluido continua em queda
O consumo doméstico de leite fluido na União Europeia deve seguir em trajetória descendente. Para 2026, a previsão é de 23 milhões de toneladas, uma queda de 0,9% em relação a 2025. Mudanças nos hábitos alimentares, maior presença de bebidas alternativas e preços ainda elevados explicam o recuo da demanda, especialmente no consumo doméstico. Com menor disponibilidade de leite, o uso industrial também deve apresentar leve retração em 2026, exigindo que as indústrias façam escolhas mais criteriosas sobre quais produtos priorizar. Nesse cenário, o queijo segue como o principal destino do leite europeu.

Queijo mantém protagonismo na indústria europeia
A produção de queijo na UE deve alcançar 10,8 milhões de toneladas em 2026, um crescimento modesto de 0,2% em relação a 2025. O produto permanece como a principal aposta da indústria láctea europeia, sustentado por consumo interno consistente e exportações ainda relevantes, embora pressionadas por preços elevados e tensões comerciais. Cerca de 13% da produção de queijo do bloco é destinada ao mercado externo. Em 2026, as exportações devem somar 1,37 milhão de toneladas, uma leve queda de 0,7%. Reino Unido, Estados Unidos e Japão continuam sendo os principais destinos. Ainda assim, a União Europeia mantém a posição de maior exportador mundial de queijo. O consumo doméstico também deve crescer, impulsionado pela recuperação econômica, pelo aumento da renda e pelo fortalecimento dos setores de turismo e alimentação fora do lar.

Produção de manteiga e leite em pó perde espaço
A produção de manteiga na UE deve recuar 1,4% em 2026, totalizando 2,06 milhões de toneladas, à medida que mais leite é direcionado à fabricação de queijo. As exportações do produto devem sofrer retração significativa, com queda estimada de 15%, em função da menor competitividade dos preços europeus no mercado global. Já a produção de leite em pó desnatado está prevista para cair 4,2% em 2026, alcançando 1,36 milhão de toneladas. A redução reflete a menor disponibilidade de leite, preços mais baixos e o enfraquecimento da demanda, especialmente da indústria de rações e do setor de chocolates, impactado pelos altos preços do cacau. Em setembro de 2025, o preço do leite em pó desnatado na UE estava em 232 euros (US$ 271) por 100 quilos, abaixo da média dos últimos cinco anos. O leite em pó integral também deve apresentar redução de produção em 2026, com queda de 1,7%, totalizando cerca de 590 mil toneladas. A menor competitividade frente a fornecedores da Oceania limita as exportações, enquanto o consumo interno tende a crescer levemente, favorecido por preços mais baixos.

Doenças e políticas ambientais pressionam o setor
Além dos desafios econômicos, o setor enfrenta impactos sanitários relevantes. Doenças como língua azul, doença hemorrágica epizoótica e episódios recentes de febre aftosa em partes da Europa Central afetaram a produtividade, a fertilidade dos rebanhos e o comércio internacional de lácteos. No campo regulatório, políticas ambientais e de bem-estar animal continuam gerando preocupação entre os produtores. Na Dinamarca, por exemplo, um novo acordo climático prevê um custo estimado de cerca de 130 euros (US$ 152) por vaca ao ano, o que pode acelerar mudanças estruturais no setor. Diante do risco de perda de autossuficiência, alguns países lançaram programas de apoio. A Croácia, por exemplo, anunciou um pacote de 592,5 milhões de euros (US$ 693 milhões) para o período de 2024 a 2030, voltado à expansão da produção de leite bovino e de pequenos ruminantes.

Acordos comerciais podem redesenhar fluxos de exportação
No comércio internacional, novos acordos podem abrir oportunidades para os laticínios europeus. Tratados em negociação ou em fase final com México e Mercosul preveem maior acesso para queijos e leite em pó da UE, o que pode ajudar a compensar perdas em mercados mais tradicionais, como os Estados Unidos, onde tarifas adicionais ameaçam reduzir a competitividade dos produtos europeus.

Apesar das incertezas, o relatório indica que o setor lácteo da União Europeia segue resiliente, porém cada vez mais dependente de decisões estratégicas relacionadas à alocação do leite, à adaptação regulatória e à diversificação de mercados. (Milkpoint - As informações são traduzidas do USDA)


Jogo Rápido
NO RADAR
O Brasil fechou 2025 com recorde na série histórica de registros concedidos a bioinsumos. Conforme balanço divulgado pelo Ministério da Agricultura, foram 162 no ano passado. Entram na relação dessa categoria produtos formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos (substâncias químicas produzidas por seres vivos). (Zero Hora)


Porto Alegre, 02 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.545


BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO Nº  01/2026 – SEAPI

A instabilidade atmosférica atuou sobre o Rio Grande do Sul nesta semana, proporcionando chuvas bem distribuídas na Metade Norte, onde foram registrados os maiores acumulados, com cerca de 200 mm nas regiões de Santa Rosa e Ijuí. 

Na bovinocultura de leite, o incremento na oferta de volumoso resultou em maior disponibilidade de alimento para os animais, refletindo positivamente na produção e possibilitando, em algumas propriedades, a redução da suplementação com fenos e concentrados. As chuvas recentes afetaram o manejo dos rebanhos, dificultando a limpeza dos úberes e o deslocamento dos animais até as pastagens.

As condições corporais e sanitárias estão apropriadas, e a produção estável ou superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Nos próximos dias, a previsão indica nebulosidade variável, com tendência de elevação das temperaturas e chuvas concentradas, mais frequentes no Norte do Rio Grande do Sul, o que pode favorecer reposição localizada da umidade do solo e aumentar a variabilidade das condições hídricas entre as regiões. 

Em 02/01 (sexta-feira), o sistema de baixa pressão manterá condições de chuva em todas as regiões, com menores acumulados no Sul; as temperaturas máximas devem alcançar 34 °C no Oeste.

No final de semana, a entrada de uma massa de ar frio sobre o território gaúcho deve provocar queda das temperaturas e maior estabilidade atmosférica, reduzindo a ocorrência de chuva e, em geral, diminuindo a demanda evaporativa no curto prazo. 

No entanto, a partir de segunda-feira (05/01), as temperaturas voltam a se elevar. Em 03/01 (sábado), a passagem de uma frente fria sobre o Rio Grande do Sul estabilizará a atmosfera, deixando o dia ensolarado e com poucas nuvens. As temperaturas ficarão mais baixas em todas as regiões, com mínimas de 13 °C no Sul e máximas em torno de 29 °C no Oeste. 

Em 04/01 (domingo), a massa de ar frio associada à frente fria manterá o tempo firme, com dia ensolarado; as temperaturas máximas devem atingir cerca de 33 °C na Metade Oeste. 

Em 05/01 (segunda-feira), o sol predominará, e as temperaturas entrarão em elevação em todo o Estado; as máximas devem chegar a 35 °C na Metade Sul e na Região Metropolitana. 

Em 06/01 (terça-feira), o sol aparecerá entre nuvens, com possibilidade de chuva na Serra no final do dia; a temperatura máxima pode atingir 38 °C na região dos Vales e na Metropolitana. 

Em 07/01 (quarta-feira), a nebulosidade será variável, e há previsão de chuva na região de fronteira com o Uruguai; a temperatura máxima deve alcançar 40 °C na Costa Doce e na Metade Sul. (Boletim Agrometeorológico)


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1900 de 1 de janeiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

O incremento na oferta de volumoso aos animais refletiu positivamente na produção e possibilitou, em algumas propriedades, a redução da suplementação com fenos e concentrados. As chuvas recentes afetaram o manejo dos rebanhos, dificultando a limpeza dos úberes e o deslocamento dos animais até as pastagens. As condições corporais e sanitárias estão apropriadas, e a produção estável ou superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, houve necessidade do uso de ventiladores e de vaporizadores para mitigar o calor e reduzir o estresse térmico nos sistemas de confinamento. 

Na de Erechim, as temperaturas mais elevadas têm intensificado o estresse térmico dos animais, exigindo maior atenção ao acesso à sombra e à disponibilidade de água de qualidade nos piquetes e nas instalações, tanto nos sistemas a pasto quanto nos confinados. As chuvas de volumes elevados causaram problemas nos rebanhos manejados em sistemas de pastoreio com ordenha em estábulos.

Na de Frederico Westphalen, houve necessidade de suplementação alimentar, mas os animais apresentaram condições corporais e sanitárias adequadas. 

Na de Ijuí, em função da elevada umidade do solo, o deslocamento dos animais até as áreas de pastejo intensificou a formação de barro, dificultando o acesso às pastagens e ampliando o contato do úbere com o lodo, o que resultou em maior incidência de doenças nas glândulas mamárias. Apesar desse cenário, a produção atingiu volume superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Na de Santa Maria, a produtividade segue em volumes satisfatórios, em razão da disponibilidade de pastagens. 

Na de Santa Rosa, as temperaturas amenas nas primeiras horas da manhã possibilitaram a ampliação do período diário de pastejo. No entanto, o elevado volume de chuvas, registrado nos últimos dias do período, impôs restrições ao manejo do rebanho e da ordenha. (Emater/RS editado pelo Sindilat/RS)

Imposto de Renda em 2026: veja o que muda, quem ganha e quem passa a pagar mais

Nova tabela de tributação entra em vigor a partir deste ano e amplia isenção para até R$ 5 mil mensais

O Imposto de Renda (IR) terá neste ano a maior reformulação dos últimos tempos. A principal mudança é a ampliação da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, medida que retira milhões de brasileiros da base de contribuintes.

Para compensar a perda de arrecadação, o governo também instituiu uma tributação mínima sobre altas rendas, incluindo pela primeira vez lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas.

As alterações passam a valer a partir do exercício de 2026, com impacto direto no salário mensal, na aposentadoria, no ajuste anual e no planejamento financeiro da população brasileira.

Isenção até R$ 5 mil e desconto até R$ 7.350
A principal novidade é a isenção total do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil. Quem recebe até esse valor deixa de ter qualquer desconto em folha ou cobrança no ajuste anual.

Para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o imposto não acaba, mas fica gradualmente menor, com descontos proporcionais que reduzem a carga tributária:

Até R$ 5,5 mil: desconto de 75%
Até R$ 6 mil: desconto de 50%
Até R$ 6,5 mil: desconto de 25%

Na prática, quanto mais próximo dos R$ 5 mil, menor será o imposto efetivamente pago. A regra cria uma transição suave até o limite de R$ 7.350, evitando saltos bruscos na tributação. (Zero Hora)


Jogo Rápido
FRASE DO DIA - JORNAL DO COMÉRCIO 
“O setor leiteiro vem há meses com problema de rentabilidade. Todas as medidas são bem-vindas, mas os governos precisam entender a urgência do momento.”  Darlan Palharini,  secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat).


Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 30 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.544


Newsletter do Sindilat/RS completa 20 anos em 2026 e reafirma seu papel estratégico no setor lácteo

Publicada nesta terça-feira, 30/12/2025, a última edição deste ano celebra duas décadas de informação qualificada, alcance e credibilidade

Enviada todos os dias, sem interrupções, a Newsletter do Sindilat/RS chega à sua última edição de 2025 celebrando uma trajetória sólida e consistente. Em 2026, o informativo completa 20 anos de circulação, consolidando-se como uma das principais fontes de informação do setor lácteo.

Atualmente, a Newsletter alcança mais de 4 mil pessoas diariamente, por e-mail e WhatsApp, reunindo um público altamente qualificado, formado por produtores, indústrias, lideranças, técnicos e formadores de opinião.

Ao longo dos anos, o conteúdo publicado se tornou referência ao abordar, de forma estratégica, temas essenciais para o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite, como qualidade, sanidade, produção, mercado, inovação, competitividade, políticas públicas, economia e legislação.

Ultrapassando o informativo, a Newsletter do Sindilat/RS também é um canal de conexão, atualização e apoio à tomada de decisão, acompanhando a evolução do setor e os desafios do presente e do futuro.

Ao encerrar 2025, o Sindilat/RS reforça seu compromisso com a informação de qualidade e projeta 2026 como um ano simbólico, de celebração e continuidade de um trabalho que, há duas décadas, conecta diariamente quem faz o setor lácteo acontecer. (Sindilat/RS)


CEPEA: maior oferta mantém pressão no campo

Com aumento da captação e estoques elevados, mercado segue pressionando os preços pagos ao produtor

O preço do leite ao produtor registrou nova queda na “Média Brasil”. Segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o valor médio do leite captado em novembro foi de R$ 2,1122 por litro, recuo de 8,31% em relação a outubro/25 e de 23,3% frente a novembro/24, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de novembro/25). Com esse movimento, os preços acumulam retração real de 21,2% na parcial do ano. As sucessivas reduções refletem o maior nível de oferta no mercado.

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de novembro/2025)

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Em 2025, a oferta de lácteos apresentou crescimento significativo. O Cepea projeta que o ano seja encerrado com aumento médio de 7% na captação industrial, alcançando 27,14 bilhões de litros, volume recorde. A produção de leite cru foi impulsionada pelos investimentos realizados em 2024 e por condições climáticas mais favoráveis ao longo de 2025, que estimularam a produção no Sudeste e no Centro-Oeste e atenuaram a queda sazonal no Sul neste período. De outubro para novembro, o ICAP-L (Índice de Captação de Leite) avançou 1,61% na Média Brasil, acumulando alta de 15,9% no ano. 

A oferta também segue sendo complementada pelas importações que, embora tenham recuado 14,8% em novembro, permanecem em níveis elevados. Na parcial do ano, ingressaram no país cerca de 2,05 bilhões de litros em equivalente leite (Eql), volume apenas 4,8% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, que foi marcado por recorde de importações. As exportações, por sua vez, apresentaram retração de 33% na comparação anual, somando 62,4 milhões de litros Eql no acumulado do ano.

Segundo agentes de mercado, houve aumento dos estoques de lácteos tanto na indústria quanto nos canais de distribuição. Em um ambiente de mercado bem abastecido, as negociações de derivados têm ocorrido com maior pressão, o que impacta as margens dos laticínios. Esse movimento se reflete nos preços do leite cru, afetando a receita do produtor. 

Análises do MilkPoint Mercado mostram que, em dezembro, o Índice de Custos com a Produção de Leite (ICP) voltou a subir, pressionado principalmente pelo aumento dos custos com alimentação energética, combustíveis e defensivos agrícolas. Com o avanço do desenvolvimento das culturas de verão, a demanda por defensivos se manteve aquecida em um momento estratégico do calendário agrícola, sustentando os preços e reforçando o movimento de elevação dos custos de produção. O cenário aponta para uma redução da rentabilidade no campo e para maior cautela nos investimentos, o que tende a contribuir para uma desaceleração gradual da produção.

As informações são do CEPEA e da equipe MilkPoint Mercado.

Retrospectiva 2025: conjuntura internacional

Oferta global de leite cresceu mais rápido que a demanda em 2025. Entenda como o avanço da produção, a competição entre exportadores e o movimento das importações impactaram o mercado e o que esse cenário indica para 2026.

Ao longo de 2025, o mercado global de lácteos foi marcado por um plano de fundo bastante claro: o crescimento da captação de leite foi expressivo em nível mundial.

Gráfico 1. Variação da produção leiteira em relação ao mesmo período em 2024

Fonte: DCANZ, USDA, OCLA, adaptado por MilkPoint Mercado

Diferentes polos produtores ampliaram a oferta ao longo do ano, como observado na variação da produção de alguns países em relação ao mesmo período em 2024 (Gráfico 1), resultando em maior disponibilidade de leite e derivados. Complementarmente, a demanda por lácteos foi variável: em alguns países vemos uma sustentação, em outros uma leve queda ou até um leve crescimento. O gráfico a seguir mostra a evolução do consumo em alguns países, considerando 2021 como ano-base (2021 = 100).

Gráfico 2. Consumo doméstico de leite fluído (mil Kg) (2021 = 100)

Fonte: USDA, adaptado MilkPoint Mercado

Mesmo quando a demanda apresentou oscilações positivas, como no caso do Brasil, seu avanço não foi suficiente para acompanhar o expressivo ritmo de crescimento da oferta. Esse descompasso alterou de forma relevante o equilíbrio do mercado internacional: o aumento da disponibilidade de leite e derivados ampliou a oferta nos principais fluxos de comércio, intensificou a competição entre exportadores e dificultou a absorção do volume adicional produzido. Nesse contexto, os preços passaram a cumprir o papel de principal mecanismo de ajuste, com recuos ao longo do ano na tentativa de estimular a demanda e realocar os excedentes.

Esse movimento estrutural pode ser observado de forma clara nos principais indicadores de preços do mercado internacional. 

O Global Dairy Trade (GDT), referência para a formação de preços no comércio global de lácteos, refletiu ao longo do ano a dificuldade de sustentação das cotações em um ambiente de oferta elevada. Os recuos observados nos preços dos derivados ao longo de 2025 indicam que o ajuste necessário para viabilizar o escoamento do volume adicional ocorreu, majoritariamente, via preços. Embora tenham ocorrido oscilações pontuais entre os leilões, o comportamento geral indicou um mercado pressionado, com valores dos principais derivados encontrando resistência para se manter em patamares mais elevados - como se pode observar no Gráfico 3 que ilustra os movimentos para o leite em pó integral (LPI), o principal produto comercializado, referente ao último leilão realizado.

Gráfico 3. Preço médio do leite em pó integral no leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)
Essa leitura é corroborada pelos indicadores da FAO, que mostram uma redução nos preços internacionais dos derivados lácteos ao longo de 2025. O comportamento desses índices reforça que, mesmo com a demanda global se mantendo ativa, ela não foi suficiente para absorver o volume adicional ofertado pelo mercado. 

Gráfico 4. Índice FAO - Preço médio de lácteos

Fonte: FAO, adaptado MilkPoint Mercado

Esses movimentos não ocorreram de forma isolada. Ao ajustar a análise para uma escala mais próxima do mercado brasileiro, os dados do levantamento realizado pelo MilkPoint Mercado junto a players do Mercosul mostram que a dinâmica foi semelhante ao longo de 2025. Em um contexto de oferta elevada e maior competição, os exportadores da região passaram a reduzir preços de forma recorrente na tentativa de manter o escoamento de seus volumes para o Brasil. Como exemplo, observa-se no gráfico a seguir o comparativo dos preços praticados nacionalmente para LPI em contraste com os preços deste produto importado.

Gráfico 5. Preços nominais leite em pó integral (R$/Kg) - Custo de aquisição importado vs. local

Fonte: MilkPoint Mercado, levantamento “Mercosul”

Os preços mais baixos no mercado externo contribuíram para a manutenção de patamares elevados de importação ao longo do ano, em níveis muito semelhantes ao observado em 2024 (Gráfico 6). No entanto, diferentemente de outros momentos históricos, o mercado brasileiro também se mostrou amplamente abastecido em 2025, em função de uma oferta doméstica elevada.

Gráfico 6. Importações (milhões de litros) para as categorias lácteas em equivalente leite

Nesse cenário, embora volumes relevantes tenham sido direcionados ao Brasil, mesmo a preços mais baixos, o ajuste via preços passou a apresentar ganhos cada vez menores para os exportadores. O escoamento para o mercado brasileiro não foi suficiente para absorver integralmente o excedente disponível. 

Dessa forma, é possível que parte dos exportadores tenham buscado diversificar os destinos dos produtos, buscando mercados alternativos para o escoamento da produção e reduzindo parte da concentração das vendas no mercado brasileiro. 

Em síntese, o cenário internacional de lácteos em 2025 foi marcado por um ambiente de oferta elevada em nível global, com crescimento da produção em diferentes regiões e uma demanda que avançou em ritmo mais contido. Esse desequilíbrio intensificou a competição entre exportadores e levou os preços a cumprirem o papel de principal mecanismo de ajuste ao longo do ano. A partir desse diagnóstico, a atenção se volta agora para 2026: entender se esse quadro de oferta ampla tende a se manter ou se haverá mudanças relevantes do lado da produção e da demanda será fundamental para avaliar os próximos movimentos do mercado lácteo global. (Milkpoint adaptado pelo Sindilat)


Jogo Rápido
UPF-RS é fixada em R$ 28,3264 para 2026 e atualiza contribuições ao Fundesa e Fundoleite
Entra em vigor em 1º de janeiro de 2026 o novo valor da Unidade Padrão Fiscal do Rio Grande do Sul (UPF-RS), fixado em R$ 28,3264, conforme a Instrução Normativa RE nº 111/25, publicada no Diário Oficial do Estado em 23 de dezembro de 2025. O índice da Receita Estadual substitui o valor de R$ 27,1300, utilizado em 2025, representando um aumento de aproximadamente 4,41%. A atualização da UPF impacta as contribuições ao Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). No caso do leite, a contribuição passa a ser de R$ 0,001756 por litro produzido em 2026, calculada com base em 0,000062 UPF por litro. Desse total, 50% (R$ 0,000878) são descontados na nota de compra do leite pago ao produtor e 50% (R$ 0,000878) recolhidos pela indústria. Os recursos do Fundesa são destinados à indenização de produtores pela perda de animais acometidos por zoonoses, como tuberculose e brucelose, além de financiarem ações de prevenção e controle de doenças infectocontagiosas previstas nos programas oficiais de sanidade animal. Já a contribuição ao Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Fundoleite) terá recolhimento de R$ 0,001756 por litro adquirido, de responsabilidade exclusiva da indústria. Desse montante, o Estado concede bonificação de 50% via crédito de ICMS. O fundo é voltado ao financiamento de ações, projetos e programas estruturantes para o desenvolvimento da cadeia leiteira, com foco na competitividade e em campanhas de estímulo ao consumo de lácteos. O secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini, lembra que o Fundesa segue sendo um instrumento de segurança sanitária para os produtores. Em relação ao Fundoleite, o dirigente reforça que o sindicato mantém diálogo permanente com o governo estadual para a efetiva liberação dos recursos. “Este aporte já é esperado há muito tempo e chegaria em boa hora para equilibrar o setor neste momento em que temos uma crise instaurada, fruto da entrada de importados que prejudicam a produção nacional”, afirma. (Jardine Comunicação)


Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 29 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.543


Conseleite indica leite projetado a R$ 2,0180 em dezembro no RS

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite) divulgou projeção de R$ 2,0180 para o valor de referência do leite em dezembro no Rio Grande do Sul, queda de 0,28% em relação ao projetado de novembro (R$ 2,0237), dados que podem apontar uma desaceleração no movimento de baixa, indicando uma possível melhora e recuperação nos preços a partir do primeiro trimestre de 2026. Os números foram divulgados na manhã desta segunda-feira (29/12), última reunião do ano de 2025, que ocorreu em formato virtual.

O Conseleite também anunciou o valor consolidado em novembro de 2025 em R$ 2,0601, 6,38% abaixo do consolidado em outubro de 2025 (R$ 2,2006). O cálculo é elaborado mensalmente pela UPF com dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês, e leva em conta parâmetros atualizados pela Câmara Técnica do colegiado em 2023.

Conforme o coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, o Conseleite acompanha atentamente a evolução do mercado. “Mantemos sempre o diálogo entre os elos da cadeia, buscando fornecer informações que contribuam para o equilíbrio e a sustentabilidade da atividade leiteira no Rio Grande do Sul. Torcemos para um 2026 de crescimento para os produtores e toda a indústria do leite.”

Definição da Diretoria do Conseleite 2026

Durante a reunião, também foi definida a nova coordenação do Conseleite para 2026. Conforme o sistema de rotação adotado pela entidade, que alterna anualmente a coordenação entre representantes da indústria e dos produtores de leite, o cargo passa do setor industrial,responsável pela coordenação em 2025, para o setor produtivo em 2026. Assim, Kaliton Prestes, secretário executivo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS), assume como o novo coordenador do Conseleite.


CONSELEITE MINAS GERAIS - CONSELHO PARITÁRIO DE PRODUTORES E INDÚSTRIAS DE LEITE DE MINAS GERAIS - RESOLUÇÃO DEZEMBRO/2025

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 26 de Dezembro de 2025, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:

a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Outubro/2025 a ser pago em Novembro/2025
b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2025 a ser pago em Dezembro/2025
c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Dezembro/2025 a ser pago em Janeiro/2026.

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.

Como será a febre das proteínas em 2026?

Proteína continua no centro das inovações em alimentos e bebidas em 2026, confira como o setor está reinventando sua combinação com saúde e funcionalidade.

Especialistas da indústria alimentícia estão olhando para o futuro, e os prognósticos apontam para uma tendência que deve dominar o setor em 2026: a proteína continuará sendo o principal foco nos alimentos e bebidas.

Proteína, proteína, proteína - até mesmo no refrigerante
A tendência de alimentos ricos em proteína não é nova; alegações de alto teor proteico têm aparecido em produtos de quase todas as categorias, desde iogurtes e cereais até mesmo batatas fritas. Mas, em 2026, analistas preveem que essa tendência começará a diminuir, caminhando para uma dieta muito mais diversificada até 2030.

É isso que a Mintel prevê. A empresa de análise de mercado espera que o consumo excessivo de proteínas e fibras diminua e que as dietas passem a ser equilibradas com uma variedade de frutas, verduras, grãos, sementes, especiarias e, claro, proteínas.

Mas a tendência de "maximização" não está diminuindo agora, nem diminuirá nos próximos 12 meses. Pelo menos não é o que os especialistas em ingredientes, incluindo os da Arla Foods Ingredients, estão prevendo. O diretor sênior de nutrição de desempenho da empresa, Peter Schouw Anderson, admite seu viés por trabalhar na área de proteínas. Mas, ao mesmo tempo, ele não pode ignorar que são as gigantes da alimentação mundial que estão lançando "produtos proteicos exclusivos" neste momento.

Esse fato é inegável. A maior empresa do mundo, a Nestlé, desenvolveu uma linha de refeições congeladas prontas com alto teor de proteína e criou um microgel de soro de leite patenteado para aumentar o teor proteico em bebidas lácteas. A Danone também está investindo pesado na onda de alto teor proteico, desenvolvendo shots com 10g de proteína para auxiliar na saúde muscular.

Então, como será a febre das proteínas em 2026? A Arla Foods Ingredients prevê que muitos mais refrigerantes proteicos, feitos com a fração beta-lactoglobulina do soro do leite, chegarão ao mercado. Anderson revelou até que algumas "grandes marcas" já estão trabalhando nisso. "Será um grande sucesso no próximo ano."

Adicionando um reforço funcional à proteína
A Arla Foods Ingredients está longe de ser a única fornecedora a prever que a proteína dominará, ou continuará a dominar, o mercado em 2026. Outras empresas, porém, preveem que a proteína será a tendência dominante – com uma reviravolta.

Não é segredo que os alimentos e bebidas funcionais estão em alta. Globalmente, o mercado de alimentos e bebidas funcionais vale atualmente € 317 bilhões e a expectativa é que mais que dobre até 2032. E se a febre das proteínas pudesse se unir à demanda por funcionalidade adicional? Essa é uma tendência que a FrieslandCampina Ingredients está chamando de “proteína-plus”.

Na prática, isso significa formular um produto com alto teor de proteína e, em seguida, adicionar um ingrediente funcional que ofereça um benefício adicional à saúde. A fibra é um bom exemplo, explica Sophie Zillinger Molenaar, líder global de execução de marketing. Por que um consumidor não optaria por um iogurte rico em proteínas, por exemplo, com adição de fibras alimentares para melhorar a saúde intestinal?

“As aplicações estão em plena expansão”, diz Molenaar, a ponto de a proteína quase não ser mais um diferencial – é simplesmente algo esperado pelos consumidores. Até mesmo a rede de cafeterias Starbucks está vendendo Protein Lattes e Cold Foam Drinks que oferecem até 36g de proteína por bebida tamanho grande. Produtos lácteos congelados, de sorvetes a iogurtes, são outra categoria que vem recebendo o tratamento de alto teor proteico.

Pode não demorar muito para que eles também sejam reformulados e se tornem produtos "proteína-plus": ricos em proteínas, mas com um reforço funcional extra.

Oportunidades de expansão na tendência de proteínas
Com a Starbucks apostando na tendência de alto teor proteico, fica claro que a moda chegou ao grande público. Só nos EUA, estima-se que 40% dos iogurtes ostentem o rótulo "alto teor proteico". Mas, globalmente, essa é uma visão muito ocidentalizada. A proteína é inegavelmente uma grande tendência em alimentos e bebidas, mas não no mundo todo.

Andrew Taylor, vice-presidente executivo de alimentos e bebidas da Novonesis, empresa global de biossoluções, optou por não citar uma única tendência para 2026, mas algumas. Rótulos limpos são uma delas, assim como proteínas. No entanto, ele ressalta que a tendência de proteínas varia de acordo com a região. Sim, é forte nos EUA e na Europa, onde "continua crescendo", mas só agora está começando a se infiltrar na Ásia.

“Em muitos outros países, isso está apenas começando”, explica ele. “Acreditamos que será uma tendência que veio para ficar.”

Outras tendências de saúde e estilo de vida, como o controle de peso, só irão aumentar a demanda por proteínas, já que os consumidores buscam maneiras de se sentirem saciados por mais tempo e manterem a massa muscular – principalmente ao tomar medicamentos GLP-1.

Qual a conclusão desses especialistas em ingredientes? A tendência de alimentos ricos em proteína não vai perder força tão cedo. E, em escala global, o mercado está longe de estar saturado – ainda há muito espaço para crescimento.

As informação são traduzidas do FoodNavigator Europe.


Jogo Rápido
Compra de leite em pó: Setor esperava maior volume adquirido
Sofrendo com a baixa remuneração pelo litro de leite, os produtores pedem apoio do governo. Uma das maneiras de ajudar o setor é a destinação de mais de 100 milhões de reais para compra de leite em pó. Veja na reportagem de Álvaro Couto. Assista clicando aqui. (AgroMais via Youtube)


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Porto Alegre, 26 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.542


EMBRAPA/CILEITE: Nota de Conjuntura - Mercado de Leite e Derivados - Dezembro de 2025

O último leilão GDT realizado no dia 02 deste mês consolidou uma posição de queda contínua do preço do Leite em Pó Integral no mercado internacional, tendência iniciada em maio do corrente ano, quando atingiu o pico de US$ 4.374. O preço da tonelada retrocedeu ao patamar de US$ 3.364, valor equivalente a outubro de 2.024. A manteiga também apresentou este comportamento de preços no penúltimo leilão GDT do ano, quando a tonelada atingiu a cotação de US$ 5.169, numa queda contínua de preços, que vem desde junho, quando foi cotada a US$ 7.890, retornando à cotação de dezembro de 2023. O queijo muçarela foi comercializado a US$ 3.182, a menor cotação desde de dezembro de 2.023. Os preços em queda refletem aumento na produção nos Estados Unidos, Europa, Oceania e em países da América do Sul.

No Brasil, as importações seguem em volume elevado, mas em níveis um pouco inferiores que em 2.024. Nos onze meses deste ano a balança comercial registrou um déficit de 1,9 bilhão de litros equivalentes, ou queda de -4,2% em relação a igual período do ano anterior. Todavia, fechará o ano acima de 2 bilhões de litros equivalentes, perfazendo 8% ou mais do total de leite industrializado no ano. Por outro lado, está em curso forte expansão da produção interna. O IBGE registrou crescimento de 10,2% do leite processado pelos laticínios, no acumulado de janeiro a setembro, frente a igual período de 2.024. O fechamento do quarto trimestre deverá registrar expansão da oferta em patamares similares, rompendo a barreira dos dois dígitos.

Com oferta elevada, resultante tanto das importações quanto da expansão da produção, os preços ao consumidor retraíram em novembro, mesmo com o nível de emprego elevado, registrando recorde histórico, a maior massa de salários dos últimos anos. Para uma inflação em novembro de 0,2%, medida pelo IPCA, o grupo Leite e derivados materializou o excesso de oferta, com forte retração de preços (-2,3%). Os destaques foram a redução dos preços no varejo para o Leite longa vida, (-5,0%), Leite condensado (-1,9%), Manteiga (-1,3%), Leite em pó (-0,7%) e Queijos (-0,6%). 

O efeito na cadeia produtiva se fez sentir, com o varejo comprimindo os preços praticados em todos os elos da cadeia. O Leite UHT já é comercializado no atacado em valores próximos a R$ 3,00 e o queijo Muçarela em torno de R$ 25,00. O Leite Spot, um indicativo importante para sinalizar se o mercado está comprador ou vendedor, já é comercializado em valores próximos a R$ 1,80, o que equivale a cerca de US$ 0,32, valor menor que os preços ao produtor praticados na Argentina. Como este valor traduz média de preços, já há produtores no Brasil que produzem pouco volume e com baixo nível tecnológico recebendo cerca de R$ 1,40 o litro.

Os custos de produção têm contribuído para não comprimir ainda mais a estreita margem do produtor. Em novembro, cresceram 0,3%, com variação restrita dos preços de alimentação concentrada (1,0%), além de queda dos custos de produção de volumosos (-0,7%). No acumulado dos onze meses do ano, a inflação de custos está em 2,8%, sendo que Concentrados tiveram aumento de preços de 1,0% e Volumosos apresentaram deflação de -2,5%. Portanto, fica evidente que a margem estreita é originária pela receita e não pelos custos.

Um olhar para o futuro no curto prazo não permite antever um equilíbrio de preços por meio de expansão da demanda. Embora o resultado do PIB para o terceiro trimestre tenha sido favorável, com crescimento de 1,8%, numa comparação com o terceiro trimestre de 2024, o fato é que, especificamente no terceiro trimestre, o crescimento foi de apenas de 0,1%. O consumo interno de bens e serviços começa a dar sinal de desaquecimento. Quando isso ocorre, bens de consumo, que variam com a massa salarial como leite e derivados, tendem a ser afetados. Ademais, a taxa de juros deverá continuar a ser uma das maiores do mundo, inibindo o crescimento do PIB. Em termos de comércio exterior, o que se antevê é que os preços de derivados lácteos se mantenham em patamares baixistas durante o período que corresponde ao verão brasileiro, contribuindo para pressionar por importações, que deprimem o preço interno ao produtor.

Pelo lado da oferta, é possível que a produção continue em alto volume no primeiro trimestre de 2026, estimulada pela produção baseada em pastagem e pelo bem comportado preço de grãos, como soja e milho, tanto no mercado internacional, quanto no mercado interno, já que o Brasil começará a colher a primeira safra de milho e soja. Mas as expectativas para o início do ano de 2026 são mais desafiadores e isso tende a causar desaceleração na produção brasileira. Preços médios ao produtor pouco acima de R$2/litro, afeta a rentabilidade de muitas fazendas causando novas evasões da atividade. Portanto, a maior probabilidade é que as margens do produtor e mesmo da indústria se mantenham estreitas. Todavia, o cenário pode mudar, a depender de decisões de governos estaduais e federal, com a adoção de medidas que reduzam o volume de importações de leite. 


Emater/RS-Ascar realiza levantamento do cenário da atividade leiteira na região de Santa Rosa

Como forma de diagnosticar e contribuir com a construção de políticas públicas que levem em conta a realidade das famílias rurais, a Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), desencadeou o 6º Levantamento Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite do RS. Na região de Santa Rosa, o processo contou com o engajamento dos 45 escritórios municipais e com o apoio de diversas entidades parceiras, a exemplo de cooperativas e indústrias de beneficiamento de leite.

Os questionários foram aplicados em agosto de 2025 com o levantamento de mais de 100 itens relacionados à cadeia do leite, abarcando temas como produção, tecnologias utilizadas, comercialização e industrialização do leite. "Assim, é possível vislumbrar um diagnóstico sobre o que está acontecendo com o leite na região, uma das maiores bacias leiteiras do RS, e ao mesmo tempo ter subsídio para a definição de estratégias e construção de políticas públicas", destaca o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Jorge João Lunardi.

Lunardi também destaca a importância da atividade para a economia da região, sendo a segunda principal fonte de renda agrícola local, com mais de R$ 1,7 bilhões movimentados anualmente. Nos 45 municípios que compõe os Coredes Fronteira Noroeste e Missões existem 4.299 estabelecimentos, que vendem aproximadamente 1,67 milhões de litros de leite por dia e mais de 10 indústrias e agroindústrias da região.

Entre 2015, primeiro ano do levantamento, e 2025, observou-se a redução de 71% no número de produtores de leite na região, ao mesmo tempo o volume de produção se manteve e a produtividade por vaca cresceu 37%, evidenciando uma concentração da produção em menos propriedades, cada vez mais tecnificadas.

Perfil das Propriedades

Os mais de 635 milhões de litros de leite produzidos ao ano provém de 131.877 vacas. A produtividade média é de 5.152 litros/vaca/ano, sendo 64% do rebanho formado por holandesas, 18% Jersey e o restante cruzadas.

A atividade está presente principalmente em propriedades da agricultura familiar, perfil presente em 93% das unidades, que possuem em média 20 hectares de área.

Na faixa de produção de até 300 litros/dia, a região possui 2.590 estabelecimentos (60%); até 500 litros/dia há 3.484 estabelecimentos (81%). Já na faixa de 501 a 1 mil litros/dia estão 14% do total de propriedades e, acima de 1.001 l/dia, há 288 estabelecimentos, correspondendo a 7% do total.

Manejo e tecnologias adotadas

O manejo do rebanho aponta para a tendência de produção de leite à base de pasto, em sistema de pastoreio rotativo, com suplementação (85%). Também é adotado o sistema de semiconfinamento (10%) e confinamento em free stall e compost barn (5%).

Avança a adoção de tecnologias como a irrigação, presente em 11% das propriedades. Para a ampliação deste número, a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) oferece o Programa Estadual de Irrigação, executado pela Emater/RS-Ascar.

As ordenhas são canalizadas em 49% das propriedades; balde ao pé é adotado ainda em 23%; 27% possuem transferidor; 89% têm local adequado para ordenha; 68% possuem sala com fosso; 32% possuem piso calcado na sala de espera e 17 propriedades adotaram ordenha robotizada.

Em relação aos equipamentos dos quais dispõem, o resfriamento do leite é feito em 99% das propriedades com tanque de expansão direta, isotérmico; 92% usam água quente para higienização de equipamentos, e a maioria vêm obtendo boa qualidade do leite decorrentes das medidas de higiene e limpeza adotadas.

Lunardi destaca que o levantamento de 2025 aponta ainda que os índices de produção têm melhorado, especialmente em questões como genética, alimentação e nutrição, qualidade do leite, bem-estar animal, sanidade do rebanho, construções e equipamentos adequadas.

O levantamento apontou também que 30 municípios possuem programas municipais de fomento ao leite. Também se destaca o arranjo institucional que tem sido feito, capitaneado pela Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste (Amufron), de modo a qualificar estratégias para o desenvolvimento sustentável da bacia leiteira local.

Em relação à disponibilidade de apoio técnico, a região tem centenas de profissionais que trabalham com inseminação artificial e outros que atuam em Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters).

Somente em 2025, a Emater/RS-Ascar atendeu mais de 1.900 famílias produtoras de leite na região de Santa Rosa, com ações voltadas à assistência técnica, agroindustrialização, tecnologias e fomento.

Desafios Estruturais

Apesar dos avanços, o setor enfrenta dificuldades estruturais. Entre os produtores entrevistados, 45% reclamam do preço pago pelo leite, 55% apontam a falta de mão de obra, e 40% citam a ausência de sucessores para continuidade da atividade. Além disso, 17% mencionam dificuldades em atingir a escala mínima exigida pelas indústrias.

A faixa de produção até 500 litros/dia ainda concentra 81% dos estabelecimentos, mas há crescimento na produção acima de 1.000 litros/dia, sinalizando um movimento de concentração produtiva. A maioria dos produtores ativos tem mais de 50 anos, apontando para a necessidade de políticas que fomentem a continuidade da atividade nos próximos anos.

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional de Santa Rosa

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1899 de 25 de dezembro de 2025

BOVINOCULTURA DE LEITE

Houve ampliação do período de pastejo e redução da pressão térmica sobre os rebanhos. De modo geral, a produção está dentro do esperado para o período, sustentada pela oferta de pastagens, de silagem e de suplementação alimentar. A condição sanitária dos rebanhos se encontra, em geral, estável, mas há registros pontuais de ectoparasitas. A qualidade do leite segue dentro dos padrões estabelecidos, e houve intensificação dos cuidados de manejo e de higiene.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a maior regularidade das precipitações contribuiu para o aumento da disponibilidade de forragem, e foi possível reduzir a suplementação com fenos e concentrados. Os períodos de calor menos intenso favoreceram as matrizes.

Na de Caxias do Sul, a produtividade está satisfatória, sustentada pela disponibilidade de pastagens e de silagem de milho, principal fonte de volumoso. A condição sanitária do rebanho está estável, mas há registros de ectoparasitas em algumas propriedades. O estado corporal segue dentro do esperado, uma vez que não foram observadas restrições alimentares entre as diferentes categorias. A qualidade do leite produzido se mantém nos padrões estabelecidos.

Na de Ijuí, o escore corporal dos animais é considerado satisfatório e superior ao observado no mesmo período do ano anterior, reflexo da oferta de alimentos de qualidade. A produção, apesar de leve declínio no volume, está acima da curva sazonal, e a qualidade dentro dos padrões exigidos, com melhora gradual.

Na de Passo Fundo, o estado corporal está adequado, e o desempenho produtivo estável em função da qualidade da forragem e da suplementação alimentar. O aumento na ocorrência de ectoparasitas tem exigido maior atenção dos criadores, mas está sob controle. 

Na de Pelotas, foram registradas dificuldades relacionadas à alimentação dos animais em função do encerramento das pastagens de inverno, do atraso no desenvolvimento das forrageiras de verão e dos períodos de déficit hídrico, o que elevou os custos de produção, especialmente com suplementação via silagem e ração concentrada. Do ponto de vista sanitário e de manejo, foi observado aumento na infestação de carrapatos em algumas propriedades.

Na de Porto Alegre, a utilização de suplementos alimentares foi necessária devido à oferta limitada de pastagens.

Na de Santa Rosa, as temperaturas mais amenas, especialmente no amanhecer, possibilitaram a ampliação do período de pastejo. Em função da amplitude térmica observada nas últimas semanas, houve deslocamento dos rebanhos para áreas com mais disponibilidade de sombra e água. Após a ocorrência de chuvas no início do período, foram intensificados os procedimentos de higiene de ordenha em razão do acúmulo de sujidades no úbere e nos tetos das matrizes. Os parâmetros de qualidade do leite foram mantidos. (EMATER/RS)

 

Jogo Rápido
PREVISÃO METEOROLÓGICA DE 23 A 29/12/2025
Os próximos dias serão marcados pela presença de elevada umidade na atmosfera, favorecendo a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas, especialmente nas regiões Central e Norte do Estado. Em 26/12 (sexta-feira), a entrada de um sistema de alta pressão deixará a atmosfera mais estável no Sul, com redução da nebulosidade ao longo do dia, e no Norte ainda haverá variação de nuvens; as temperaturas máximas devem alcançar 28 °C em Santana do Livramento. Em 27/12 (sábado), o tempo permanecerá estável pela manhã, com sol entre nuvens em todo o Estado; à tarde, a nebulosidade aumentará e haverá possibilidade de chuvas em todas as regiões, com condições para tempestades acompanhadas de descargas elétricas e ventos intensos na Metade Oeste; as temperaturas permanecerão elevadas, variando de cerca de 29 °C na Serra a 33 °C no Oeste. Em 28/12 (domingo), haverá sol entre nuvens pela manhã e, durante a tarde, áreas de instabilidade favorecerão a ocorrência de chuvas na Metade Sul; as temperaturas máximas devem chegar a 34 °C no Norte do Estado. Em 29/12 (segunda-feira), a nebulosidade será variável ao longo do dia, com possibilidade de chuva na Metade Norte no final da tarde; as temperaturas máximas devem alcançar cerca de 30 °C em municípios como São Gabriel e Iraí. (Boletim Agrometerologico)


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Porto Alegre, 23 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.541


Setor lácteo recebe apoio, mas cobra pacote de impacto imediato

Acompanhando o anúncio do pacote de apoio pela Conab nesta terça-feira (23/12), o setor lácteo comemorou a ajuda de R$ 104 milhões para sete estados, mas alertou para a necessidade de um consórcio de ações com impacto imediato e mais expressivo, capaz de reverter a crise da atividade. No pacotão demandado pelas indústrias, cooperativas e produtores está uma série de medidas, como a adoção de uma política de benefício tributário para empresas de alimentos que usam o leite em pó nacional, adoção de sobretaxa de 50% para a entrada de leite em pó, manteiga, soro e muçarela vindos da Argentina e do Uruguai e suspensão emergencial das compras de produtos do Mercosul por seis meses. O pedido ainda inclui uma sobretaxa extra e provisória do produto vindo desses dois países até que a investigação de antidumping em curso no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) seja concluída.

Durante reunião na manhã desta terça, o presidente da Conab, Edegar Pretto, detalhou como a companhia fará a compra de leite em pó por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O aporte de R$ 104 milhões dará prioridade aos pequenos produtores e o produto adquirido será destinado a famílias em vulnerabilidade. No entanto, alertou o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, o rateio do volume entre os estados causa disparidade, uma vez que nem todos estão sujeitos as mesmas condições de enfrentamento, como o Sul do Brasil. A estimativa é que o Rio Grande do Sul fique com 44% do aporte, o suficiente para escoar menos de 2 mil toneladas. “O volume está muito aquém do que o setor necessita neste momento”, alegou Palharini. 

Palharini avaliou que, por mais que seja um excelente anúncio, o volume é insuficiente para a adoção de medidas de impacto imediato. “O setor vem há meses com problema de rentabilidade. Todas as medidas são bem-vindas, mas os governos precisam entender a urgência do momento”, salientou. O executivo reforçou que a crise de oferta excessiva que vive hoje o mercado brasileiro decorre do excedente de importações, movimento feito por indústrias alimentícias que usam o leite em pó na composição de seus produtos, como fábricas de chocolates, pães e biscoitos.  “Esse leite importado está sendo utilizado na produção de biscoitos, chocolates e alimentos processados, um produto que, anteriormente, era adquirido de empresas e produtores brasileiros”, ponderou.

Presente na reunião, o secretário de Agricultura, Edivilson Brum destacou os anúncios já feitos em socorro ao setor. “É fundamental que a gente tenha noção da importância da bacia leiteira do Rio Grande do Sul, motivo pelo qual esta é uma notícia muito boa”, disse Brum, lembrando que o governo do Estado também fará uma compra, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural e da Secretaria de Desenvolvimento Social. “Isso ajuda e muito a bacia leiteira, mas o ideal seria se pudéssemos abrir mercado internacional para exportação do leite. Essa sim seria uma notícia incrível e tenho convicção de que todos nós comungamos do mesmo sentimento de que esse caminho é fundamental para o fortalecimento da economia gaúcha.” (Assessoria de comunicação do Sindilat/RS)


Embrapa lança protocolos para reduzir emissões na pecuária leiteira

Novas diretrizes ajudam produtores de leite a reduzir emissões sem comprometer a eficiência produtiva.

A produção de leite no Brasil acaba de ganhar um conjunto de ferramentas estratégicas para enfrentar um dos maiores desafios do agro contemporâneo, a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). A Embrapa desenvolveu três protocolos técnicos que atuam diretamente nos principais pontos de geração de emissões da atividade leiteira, ao mesmo tempo em que estimulam o sequestro de carbono no solo.

Os protocolos reúnem boas práticas para a mitigação da emissão de metano pelos bovinos, para a redução da emissão de amônia e óxido nitroso no solo e para o manejo do solo com foco no acúmulo de carbono. As diretrizes integram uma publicação lançada pela Embrapa Pecuária Sudeste e são resultado de anos de pesquisa científica aplicada.

As recomendações abrangem desde o manejo dos animais até a gestão do solo e do uso de fertilizantes, com foco em eficiência produtiva, sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica para o produtor rural.

Segundo estimativas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com base em dados de 2022, o setor agropecuário responde por 30,5% das emissões brasileiras de GEE. Desse total, 19% correspondem ao metano, um gás com elevado potencial de aquecimento global. Do volume emitido, 97% têm origem nos bovinos, sendo 86% provenientes do rebanho de corte e 11% da pecuária leiteira.

Diante desse cenário, a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste, destaca que a atividade leiteira já enfrenta desafios produtivos e econômicos relevantes. Segundo ela, a agenda climática passa a integrar a tomada de decisão nas propriedades, especialmente em um contexto de consumidores e mercados cada vez mais atentos à origem dos alimentos e ao impacto ambiental da produção.

Mitigação do metano começa no manejo do rebanho

O primeiro protocolo reúne boas práticas voltadas à redução da emissão de metano pelos bovinos. Esse gás é liberado principalmente durante a digestão dos ruminantes, por meio da eructação, e está diretamente relacionado à eficiência produtiva dos animais.

Entre as estratégias recomendadas estão a melhoria dos índices zootécnicos, o ajuste nutricional das dietas, o uso de aditivos, o aprimoramento do manejo das pastagens, a oferta de água de qualidade, os cuidados com a sanidade e a promoção do bem-estar animal. Animais mais saudáveis e produtivos tendem a diluir melhor a emissão de metano por litro de leite produzido.

Estudos conduzidos pela Embrapa mostram diferenças significativas entre raças. Vacas holandesas puras mantidas em pastagens de alta qualidade emitem, em média, 18,4 gramas de metano por litro de leite, enquanto vacas girolandas chegam a 25,3 gramas por litro. A maior produtividade explica essa diferença.

Simulações realizadas com uma calculadora em desenvolvimento pela Embrapa indicaram que a adoção de índices reprodutivos inadequados pode elevar as emissões em até 22% por quilo de leite corrigido para gordura e proteína, reforçando a importância da gestão técnica do rebanho.

Solo bem manejado reduz perdas e emissões

O segundo protocolo foca na redução das emissões de amônia e óxido nitroso no solo, gases associados principalmente ao uso de fertilizantes nitrogenados e dejetos animais. O óxido nitroso apresenta potencial de aquecimento global quase 300 vezes superior ao do dióxido de carbono e pode permanecer na atmosfera por mais de um século.

Entre as práticas recomendadas está o uso de leguminosas consorciadas com gramíneas, capazes de fixar nitrogênio biologicamente e reduzir a necessidade de fertilizantes químicos. A Embrapa estima que, para cada quilo de fertilizante evitado, deixam de ser emitidos 5,42 quilos de CO² apenas no processo de fabricação.

Outras medidas incluem a distribuição mais uniforme dos dejetos animais, a adoção de sistemas de lotação rotativa, o uso de fertilizantes de eficiência aumentada e a aplicação de técnicas que reduzem a volatilização da ureia, como a incorporação ao solo e a aplicação antes de chuvas ou irrigação.

Sequestro de carbono fortalece a sustentabilidade

O terceiro protocolo aborda o manejo do solo para o acúmulo de carbono, elemento central nas estratégias de mitigação das mudanças climáticas. Práticas conservacionistas, como plantio direto, adubação verde, recuperação de pastagens, sistemas integrados e uso de bioinsumos, contribuem para o aumento do estoque de carbono no solo por longos períodos.

Pastagens tropicais bem manejadas apresentam elevado potencial de sequestro, com acúmulo de carbono em profundidades superiores a um metro. Em sistemas integrados com árvores, esse efeito é ampliado. De acordo com a Embrapa, o crescimento de 52 eucaliptos pode compensar, em um ano, a emissão de uma vaca produzindo 26 quilos de leite por dia.

Para o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt, o principal entrave à adoção dessas práticas ainda é o investimento inicial. No entanto, ele ressalta que o aumento da eficiência produtiva e da rentabilidade ao longo do tempo tende a viabilizar novos aportes tecnológicos.

Políticas públicas, como o Plano ABC+, além de arranjos locais envolvendo cooperativas e indústrias de laticínios, são apontadas como fundamentais para acelerar a transição rumo a uma pecuária leiteira mais sustentável.

As diretrizes estão reunidas no livro Protocolos de boas práticas para a mitigação de gases de efeito estufa em sistemas de produção de bovinos, lançado em novembro de 2025. A obra apresenta protocolos especialmente voltados a produtores de leite interessados em descarbonizar suas propriedades em condições tropicais. (As informações são do Globo Rural)

Demanda global pressiona oferta de whey protein

Mesmo com excedente global de lácteos, a demanda aquecida por whey protein começa a gerar escassez, especialmente nos Estados Unidos, com reflexos diretos sobre o mercado europeu.

A proteína é hoje um dos ingredientes alimentares mais populares do mundo. O forte crescimento observado neste ano está ligado, em parte, à expansão dos alimentos funcionais e, para o próximo ano, a proteína é apontada como a principal tendência do setor de alimentos.

O whey protein acompanha esse movimento. O ingrediente é amplamente utilizado em alimentos funcionais — como barras, snacks e bebidas — além de suplementos, impulsionado pelo interesse crescente dos consumidores em ganho de massa muscular e melhoria da saúde.

De acordo com a consultoria Grand View Research, o mercado de whey protein deve crescer a uma taxa média anual de 7,7% entre 2025 e 2033.

Apesar do cenário global de excedente de lácteos, alguns mercados já começam a registrar escassez de whey. Essa situação está associada não apenas ao aumento da demanda, mas também a outra tendência relevante: o uso de medicamentos da classe GLP-1.

 
Por que falta whey no mercado?
Segundo Floor van der Horst, diretora global de marketing de nutrição esportiva e ativa da FrieslandCampina Ingredients, a forte demanda por whey protein, juntamente com a caseína, é uma das principais razões para a escassez do ingrediente.

Com o crescimento da procura, a segurança de abastecimento tornou-se uma preocupação central para a indústria, especialmente diante da atual limitação da oferta de whey. Recentemente, a FrieslandCampina Ingredients adquiriu a Wisconsin Whey Protein, produtora norte-americana de whey, com o objetivo de ampliar sua capacidade e atender às tendências de nutrição esportiva e ativa.

A avaliação é compartilhada pela empresa de ingredientes Prinova. Segundo Sebastian Rivas, gerente de vendas da companhia, a demanda por whey protein tem crescido de forma consistente nos últimos anos, impulsionada pela fortificação proteica em diversas categorias de alimentos. O uso do ingrediente já ultrapassa o segmento esportivo e alcança aplicações como cafeterias, onde bebidas como lattes com alto teor de proteína passaram a ser oferecidas por grandes redes.

Ao mesmo tempo, a produção não avançou no mesmo ritmo. O resultado é um cenário de demanda elevada, disponibilidade limitada e preços em alta.

GLP-1s pressionam ainda mais a oferta

A pressão sobre a oferta de whey tornou-se mais evidente neste momento principalmente por causa do mercado norte-americano. De acordo com Jasper Endlich, analista de mercado de lácteos da empresa Vesper, o whey protein isolado e concentrado dos Estados Unidos está praticamente indisponível, com fornecedores já comprometidos com vendas até 2026. Os preços do whey protein isolado atingiram níveis recordes.

Parte dessa escassez está relacionada ao uso crescente de medicamentos da classe GLP-1. Nos Estados Unidos, o whey costuma ser recomendado em conjunto com esses medicamentos. Considerando que cerca de 12% dos consumidores norte-americanos utilizam GLP-1s, a demanda por whey protein aumentou de forma significativa. Embora os fabricantes estejam tentando ampliar a produção, o ritmo não tem sido suficiente para acompanhar a procura.

Diante desse cenário, compradores que buscam whey protein passaram a direcionar suas compras para a Europa. Importadores chineses estão migrando do mercado norte-americano para o europeu, e os próprios compradores europeus também têm priorizado fornecedores locais. Embora esse movimento favoreça a Europa, ainda há incertezas sobre a capacidade do mercado europeu de atender à demanda global. Assim como nos Estados Unidos, os preços do whey protein isolado na Europa também seguem sob pressão de alta. (As informações são do FoodNavigator Europe)


Jogo Rápido
CEPEA: O Boletim do Leite de dezembro já está disponível!
Pesquisas do Cepea mostram que o preço do leite ao produtor em outubro fechou a R$ 2,2996/litro na Média Brasil, recuos de 5,9% frente a setembro e de 21,7% em um ano, em termos reais (deflacionamento pelo IPCA de outubro/25). Esta é a sétima baixa mensal consecutiva nas cotações do leite no campo e, apesar da consistente desvalorização real de 14,1% no acumulado de 2025, o excesso de oferta ainda sustenta a expectativa de agentes de mercado de que o movimento de queda deve persistir até o final do ano. Assim como já esperado por agentes de mercado, os preços dos derivados lácteos caíram em novembro, conforme aponta levantamento realizado pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). O aumento na captação de matéria-prima e o enfraquecimento da demanda foram os fatores que causaram pressão sobre as cotações dos derivados lácteos. Trata-se do terceiro mês consecutivo de desvalorização. As importações de lácteos diminuíram quase 15% de outubro para novembro, totalizando 182,98 milhões de litros em equivalente leite (Eql). As exportações, por sua vez, cresceram 8,57% no mesmo período, somando 4,94 milhões de litros Eql. Na comparação com novembro de 2024, as importações caíram 12,69%, ao passo que as exportações avançaram 1,25%. O mês de novembro voltou a registrar alta no Custo Operacional Efetivo (COE), com elevação de 0,22% na média Brasil. Apesar de uma nova retração no preço da ração, os demais grupos de insumos apresentaram aumento, influenciando o avanço no COE. Entre as praças acompanhadas pelo Cepea, observou-se comportamento heterogêneo: houve elevação dos custos na BA (+0,08%), GO (+0,67%), MG (+0,26%), PR (+0,07%) e RS (+0,92%). Por outro lado, SC (-0,07%) e SP (-0,67%) registraram quedas. (CEPEA)


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Porto Alegre, 22 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.540


Apoio ao leite

Depois de medidas anunciadas para o trigo e o arroz, chegou a vez do leite. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) marcou reunião na próxima terça-feira, em Porto Alegre, com representantes do setor para apresentar a ação aos produtores. No caso do leite, a crise se instalou no campo em razão da queda nos preços pagos pelo litro da matéria-prima, influenciada pelo aumento da oferta no mercado interno, com a entrada de lácteos do Mercosul.

A expectativa da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) é de que o anúncio seja da compra pública de leite em pó para distribuição para programas sociais.

Ideia é compra do produto em pó

— Para enxugar, ao menos um pouco, esse excesso de oferta — contextualiza Eugênio Zanetti, vice-presidente da Fetag-RS.

Na semana passada, quando o dirigente e outros representantes do setor estavam em Brasília em busca de apoio, a estatal havia sinalizado que estudava a possibilidade da compra de leite em pó com R$100 milhões em dezembro e outros R$100 milhões em janeiro. No entanto, era preciso aguardar a definição orçamentária. Além disso, o setor também defende a adoção de medidas antidumping pelo governo federal (Zero Hora)


Conseleite/SC projeta valor de referência para o leite pago em janeiro/26

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 28 de Novembro de 2025 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Novembro de 2025 e a projeção dos valores de referência para o mês de Dezembro de 2025.

Períodos de apuração

Parcial Novembro/2025: De 03/11/2025 a 30/11/2025
Parcial Dezembro/2025: De 01/12/2025 a 14/12/2025
O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão.

Produção de leite argentina cresce, mas concentração se intensifica

Enquanto a produção total de leite segue em crescimento na Argentina, o número de estabelecimentos produtores diminui. Essa equação evidencia que o maior volume produzido, que em 2025 registrou um salto de quase 11%, está concentrado em um número cada vez menor de propriedades. Esse movimento se traduz no fechamento de cerca de 50 fazendas leiteiras por mês. Apesar da produção ter avançado 10,7% entre janeiro e outubro em relação ao mesmo período do ano passado, aproximadamente 1.120 fazendas leiteiras encerraram as atividades no país desde que Javier Milei assumiu a presidência. O cenário acende um sinal de alerta para o setor agropecuário, diante do avanço da concentração produtiva.

Ao final de 2023, a Argentina contava com 10.063 propriedades leiteiras. Em outubro deste ano, restavam 8.941 estabelecimentos, o que representa uma redução de 12,5%. Das 1.122 fazendas que fecharam, mais de 450 interromperam as atividades apenas no último ano.Embora o processo de concentração tenha se intensificado recentemente, ele não teve início com o atual governo e tampouco é um fenômeno exclusivo da Argentina. Em 19 dos 25 países que respondem por 80% da produção mundial de leite, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), houve redução no número de estabelecimentos.

De acordo com análise da Agência DIB, com base em dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina, o país possui hoje 30% menos fazendas leiteiras do que há uma década. As atuais 8.941 propriedades estão muito distantes das cerca de 15 mil existentes no período posterior à crise social e econômica de 2001.

Atualmente, 91% das fazendas leiteiras e 95,7% das vacas em produção concentram-se nas quatro principais bacias do país: Santa Fé, Córdoba, Buenos Aires e Entre Ríos. Na província de Buenos Aires, que reúne 20% das propriedades, existem 1.805 estabelecimentos — 61 a menos do que no final de 2024.

Dados oficiais mostram que mais de 40% das fazendas leiteiras argentinas possuem entre 100 e 250 vacas, enquanto 17% pertencem ao grupo das menores, com menos de 50 animais. Esse segmento vem encolhendo de forma consistente nos últimos anos.

Até outubro deste ano, a bacia leiteira Mar e Serras, que abrange distritos como Tandil, Azul, Balcarce e Necochea, registra a maior produção média por propriedade do país, com 7.497 litros de leite por dia. A média nacional é de 3.690 litros. Outras regiões da província de Buenos Aires também superam esse patamar, como a Bacia Oeste — que inclui Trenque Lauquen, Pehuajó, Bolívar e municípios vizinhos — com média diária de 5.294 litros; o Abasto Sul, que engloba Lobos, Cañuelas e áreas próximas, com 4.510 litros; e o Abasto Norte, na região de Suipacha e Chivilcoy, com produção média de 4.426 litros por propriedade.

As informações são traduzidas do La Opinión.


Jogo Rápido
Acordo UE
Entre os produtos que poderão ser mais prejudicados com o acordo de livre comércio, estão os laticínios. O setor não exporta à UE e teme a competitividade com a importação de produtos europeus. Darlan Palharini, secretário executivo do Sindilat, não encarou o adiamento com surpresa, reconhecendo a força do movimento de produtores contrários ao documento. “O produto lácteo na comunidade europeia é altamente subsidiado. Então, nós teríamos mais uma concorrência desleal entrando para o mercado brasileiro”, explica. O importado que mais ameaça o segmento brasileiro é o leite em pó, que mantém defasagem próxima a 500 dólares por tonelada. (Correio do Povo)


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Porto Alegre, 19 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.539


Previsão é de temperaturas elevadas e de nebulosidade no fim de semana

No início da semana pode haver chuvas isoladas em todas as regiões do Estado

A previsão do tempo para o fim de semana é de dias marcados por temperaturas elevadas, maior umidade do ar e aumento da nebulosidade. A formação de áreas de instabilidade deve resultar em chuvas em todas as regiões no início da próxima semana, contribuindo para a manutenção da umidade do solo. 

As informações constam no Boletim Integrado Agrometeorológico 51/2025, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). 

Sexta-feira (19/12): o avanço de uma massa de ar quente e úmida, oriunda do Centro do país, deve favorecer a elevação das temperaturas no Estado. As máximas podem atingir 36°C no Oeste e cerca de 30°C no litoral Norte.

Sábado (20/12): a intensificação de uma área de baixa pressão sobre a Argentina pode contribuir para a elevação ainda mais acentuada das temperaturas no RS. A nebulosidade deve aumentar durante o dia, com possibilidade de chuvas isoladas acompanhadas de descargas elétricas e eventual queda de granizo, especialmente no Oeste, onde também pode durante a noite. As temperaturas máximas devem alcançar 3° C na Serra e 39°C no Oeste.

Domingo (21/12): áreas de instabilidade devem atuar inicialmente no Oeste e Sul do Estado, onde há possibilidade de chuva a qualquer momento. Durante a tarde, essas instabilidades podem se espalhar para o Norte e o Leste. As temperaturas máximas podem ficar em torno de 27°C no Centro e 30°C no Leste.

Segunda (22/12): o deslocamento de uma frente fria pelo território gaúcho deve provocar chuva em todas as regiões. Os maiores acumulados são esperados na metade Norte e as temperaturas máximas devem alcançar cerca de 29°C na metade Sul e 27°C na metade Norte.

Terça (23/12): a atmosfera deve permanecer instável em função da combinação entre calor e umidade disponíveis, favorecendo a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas fracas ao longo do dia. As temperaturas máximas podem atingir 32°C na fronteira Oeste e 25°C no litoral Norte.

Quarta-feira (24/12): o sol deve aparecer entre nuvens, havendo condições para chuvas isoladas ao longo do dia no Estado. As temperaturas máximas devem chegar a 28°C no Norte e 35°C no Sudoeste.

O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1898 de 18 de dezembro de 2025

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Em função das altas temperaturas dos últimos dias, características do período, os produtores têm deixado os ventiladores ligados por mais tempo nos ambientes de produção, com apoio de aspersores instalados nos corredores próximos aos cochos para favorecer a redução do estresse térmico. 

Em algumas localidades, observou-se leve aumento na produção, enquanto em outras persistiram dificuldades relacionadas à transição entre pastagens de inverno e de verão, o que tem exigido maior utilização de concentrados e de silagem para vacas em lactação. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o rebanho ainda sente os efeitos da transição entre as pastagens de inverno e de verão. Porém, as condições de conforto térmico dos animais e do nível de água dos bebedouros melhoraram.  

Na de Caxias do Sul, a produtividade está estável em função da oferta de alimento de qualidade, com destaque para a silagem de milho. Devido às temperaturas elevadas, em algumas propriedades foram acionados ventiladores ou aspersores para reduzir o estresse térmico.  

Na de Erechim, observou-se bom desempenho geral dos rebanhos em virtude da disponibilidade de água e da oferta de matéria verde adequadas, o que reduziu a necessidade de utilização de alimentos conservados, como silagens, fenos e pré-secados, nas dietas.

As temperaturas mais elevadas têm intensificado o estresse térmico dos animais, e os criadores redobraram os cuidados. A confirmação de casos recentes de raiva na região resultou no reforço da vigilância sanitária e da vacinação nas propriedades localizadas próximas aos focos da doença. 

Na de Frederico Westphalen, a produção apresentou leve incremento, favorecida pela melhoria das pastagens e pela ampliação do tempo de pastejo noturno. Em alguns estabelecimentos, tem sido necessário o fornecimento suplementar de concentrados energéticos e proteicos, pelo menos até as pastagens anuais e perenes de verão estarem em condições adequadas para o pleno pastejo.  

Na de Passo Fundo, a produção está dentro do esperado em função da disponibilidade abundante de alimentos. Quanto à sanidade, observou-se aumento na população de mosca dos-chifres e carrapatos em determinadas áreas, exigindo maior atenção ao controle sanitário dos rebanhos. Na de Porto Alegre, a disponibilidade de forragem para os animais ainda não foi retomada, e os criadores seguem ofertando suplementos alimentares. (EMATER/RS)

GDT 394: crescimento da oferta de leite internacional segue pressionando preços

O leilão GDT registrou queda de 4,4% no índice médio, com recuos expressivos nos preços do leite em pó e movimentos mistos entre os derivados. Veja como o aumento da oferta, o comportamento dos contratos futuros e o câmbio ajudam a explicar os reflexos desse resultado para o mercado brasileiro.

O 394º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 16 de dezembro, apresentou movimentos mistos entre os produtos, porém o preço médio (price index) dos produtos negociados recuou 4,4%, chegando a USD 3.341/tonelada  — atingindo o menor preço desde dezembro de 2023.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

O leite em pó integral (LPI) apresentou o maior recuo deste leilão, com queda de 5,7%, levando o preço médio a USD 3.161 por tonelada. Com esse movimento, o produto atingiu o menor patamar desde julho de 2024, e quedas dessa magnitude não eram observadas desde setembro.

O leite em pó desnatado (LPD) também registrou retração, de 2,1%, com o preço médio ficando em USD 2.431 por tonelada.

Gráfico 2. Preço médio LPI

A segunda maior queda do leilão foi observada na gordura anidra do leite, que acumulou o quarto recuo consecutivo, atingindo o preço médio de USD 5.602 por tonelada. A manteiga também apresentou desvalorização, com queda de 2,5%, sendo negociada em torno de USD 5.012 por tonelada.

Na contramão, a lactose registrou a maior alta do leilão, com valorização de 14,4%, alcançando USD 1.430 por tonelada e retornando a níveis não observados desde maio. Em seguida, a muçarela apresentou avanço de 6,7%, com preço médio de USD 3.395 por tonelada.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 16/12/2025.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.

Volume negociado continua aumentando em comparação com o ano anterior, e praticamente estável em relação ao mês passado

O volume negociado neste leilão totalizou cerca de 33,97 mil toneladas, representando nova queda (-0,9%) frente ao evento anterior. Frente ao mesmo mês do ano passado, o volume negociado apresentou uma alta de 5,8%.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.

Impacto nos contratos futuros
A tendência de baixa para os primeiros meses de 2026 permanece, com novos recuos em relação às cotações dos últimos dias. Para março, porém, o cenário de alta segue confirmado nos contratos.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2025.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
O evento apresentou demanda estável em relação ao leilão anterior, porém os preços continuaram em queda, movimento explicado principalmente pelo forte aumento da oferta. Apesar da demanda não ter recuado, ela ainda se mostra insuficiente para absorver o volume adicional disponível, mantendo pressão sobre as cotações.

Nesse contexto, o leilão da segunda quinzena de dezembro evidenciou uma postura mais cautelosa dos compradores, diante de um mercado amplamente ofertado. Essa cautela tem se refletido na estabilidade dos contratos futuros para o primeiro trimestre de 2026, indicando expectativas ainda conservadoras.

Para o mercado brasileiro, a queda nos preços internacionais pode se traduzir em valores mais baixos praticados por importantes parceiros comerciais, como Argentina e Uruguai. No entanto, a elevada oferta de lácteos no mercado interno tem aumentado a competitividade dos produtos nacionais frente aos importados, limitando impactos mais relevantes.

Ainda assim, o dólar segue como um ponto de atenção, já que a taxa de câmbio exerce influência direta sobre os preços de importação dos produtos lácteos. Nos últimos dias a alta na moeda americana tende a aumentar a competitividade dos produtos nacionais. (Milkpoint)


Jogo Rápido
Destaques do setor lácteo foram homenageados pelo Sindilat-RS
O secretário da Agricultura, Edivilson Brum, foi um dos homenageados do Prêmio Destaques 2025, que homenageou personalidades que atuaram em favor da cadeia do leite em 2025. Abordou também o momento atual do setor. Ouça clicando aqui (Agert)


Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 18 de dezembro de 2025                                                 Ano 19 - N° 4.538


Sindilat destaca união e entrega premiações de 2025

Em uma demonstração da força do setor laticinista gaúcho, o Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) reuniu autoridades e lideranças em uma noite de confraternização e entrega de prêmios nesta quarta-feira (17/12), em Porto Alegre. Ao lado de diversos secretários de Estado, parlamentares e representantes dos produtores e das indústrias, o presidente do Sindilat, Guilherme Portella, reforçou o potencial transformador do leite e as conquistas já obtidas ao longo dos anos. “Temos neste momento uma forte pressão das importações que precisamos combater juntos, mas estamos trilhando um caminho. Se olharmos o setor ao longo dos últimos três anos, veremos que estamos em um caminho muito bom”, ponderou. Tônica que ganhou eco na fala do secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo. “Temos que construir juntos os melhores caminhos. Sabemos que muitos municípios passam por uma grande movimentação econômica quando há o pagamento do leite e isso mostra sua força”.  

A comemoração também foi uma noite de reconhecimento ao jornalismo e à contribuição de lideranças que se dedicam às pautas do setor. Com a presença de representantes da imprensa de diferentes estados do Brasil, foram entregues as premiações do 11º Prêmio Sindilat de Jornalismo. A iniciativa que valoriza a cobertura qualificada da cadeia produtiva do leite teve como vencedor, na categoria Audiovisual, Bruno Pinheiro Faustino, do programa Negócio Rural, com a reportagem “Leite é tudo igual?”. Já na categoria Texto, a vencedora foi a jornalista Raíssa Goi Borba, da Revista Valor Cooperado/Cotrijal, com a matéria “Propriedade ganha reforço de robô na ordenha”. “Há mais de uma década, temos o privilégio de acompanhar de perto o trabalho da imprensa na cobertura do setor do leite. É um segmento repleto de desafios, mas que se reinventa constantemente. Esse olhar atento da imprensa acaba se traduzindo em um verdadeiro raio-x do setor, funcionando como um grande diagnóstico de cada momento vivido pela cadeia produtiva”, destacou Guilherme Portella.

A noite foi dedicada ainda à entrega do Prêmio Destaques 2025, que reconhece personalidades e instituições que contribuem para o desenvolvimento do setor lácteo no Rio Grande do Sul. Foram homenageados o vice-governador Gabriel Souza, e os secretários estaduais Edivilson Brum (Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação) e Ernani Polo (Desenvolvimento Econômico); os presidentes Carlos Joel da Silva (Fetag-RS) e Marcos Tang (Gadolando); além do próximo presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, e da gerente administrativa do Sindilat, Julia Bastiani, pelos seus 15 anos de atuação junto ao sindicato.

Também recebeu a distinção a Cooperativa Languiru Ltda, que completa 70 anos de atuação em 2025, reconhecida por sua trajetória e contribuição ao cooperativismo e à cadeia láctea gaúcha.  “Este é o reconhecimento mais importante concedido pelo Sindilat a todos os que contribuem através da sua atuação para o desenvolvimento de todo o setor lácteo no Rio Grande do Sul”, assinalou Portella.

O jantar teve o patrocínio da Tetra Pak.

Vencedores Prêmio Sindilat/RS de Jornalismo:

CATEGORIA AUDIOVISUAL

1º Lugar:
Jornalista: Bruno Pinheiro Faustino
Veículo: Negócio Rural
Trabalho: Leite é tudo igual?

2º Lugar:
Jornalista: Eliza Maliszewski
Veículo: Canal Rural
Trabalho: Terceira ordenha: sistema aumenta produtividade nas fazendas leiteiras

3º Lugar:
Jornalista: Simone Feltes
Veículo: TVE/RS
Trabalho: Desafios da cadeia do leite no RS

CATEGORIA TEXTO

1º Lugar:
Jornalista: Raíssa Goi Borba
Veículo: Revista Valor Cooperado/Cotrijal
Trabalho:  Propriedade ganha reforço de robô na ordenha

2º Lugar:
Jornalista: Andressa Silva Simão Pardini
Veículo: Notícias Agrícolas
Trabalho: Desistir não é opção: a história da pecuarista que superou desafios pessoais e crises no setor para se manter na pecuária leiteira no Rio Grande do Sul

3º Lugar:
Jornalista: Bruna Oliveira Scheifler
Veículo: Revista Valor Cooperado/Cotrijal  
Trabalho: Legado para o futuro: cooperativismo e sucessão rural são chaves para o desenvolvimento sustentável


Conseleite/PR divulga projeção do valor do leite a ser pago em janeiro/26

A diretoria do Conseleite-Paraná divulga a projeção dos valores de referência para o leite entregue em dezembro de 2025 a ser pago em janeiro de 2026. Confira.

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 17 de dezembro de 2025 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Novembro de 2025 e a projeção dos valores de referência para o mês de Dezembro de 2025, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão” se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia.

Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia.

Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia.

Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de dezembro de 2025 é de R$ 4,1250/litro. 

As informações são do Conseleite Paraná.

Pesquisa que vira resultado: segundo dia do Show Técnico Cooperativo 2025 destaca decisões mais assertivas no campo

O segundo dia do Show Técnico Cooperativo 2025 reforçou o papel da pesquisa como ferramenta direta de tomada de decisão na agricultura. Realizado no Campo Experimental da CCGL, em Cruz Alta, o evento mobilizou produtores rurais, técnicos, pesquisadores e lideranças cooperativistas em uma programação voltada à aplicação prática do conhecimento, com impacto direto na rotina das propriedades.

Promovido pela Rede Técnica Cooperativa (RTC), com a participação de 28 cooperativas do Rio Grande do Sul, o Show Técnico apresenta resultados de pesquisas desenvolvidas para responder às principais demandas do campo. Ao longo do percurso técnico, os visitantes acompanham oito estações de pesquisa que abordam temas como manejo de solo, fitossanidade, entomologia, gestão, produção de grãos e leite, além de espaços pensados para acolher as famílias, como o espaço kids.

Para o vice-presidente da CCGL, Guillermo Dawson Jr., o Show Técnico é o momento em que todo o trabalho desenvolvido pela RTC se materializa de forma clara e acessível. “É uma proposta que reúne cooperativas e traduz, em conhecimento, os resultados que chegam ao produtor. Aqui conseguimos enxergar disciplina, organização e uma entrega muito bem estruturada, pensada para quem está no campo”, destaca.

Segundo Dawson, o evento percorre temas fundamentais para a tomada de decisão nas propriedades, passando por manejo de solo, gestão, fitopatologia, entomologia, produção de grãos e leite. “É uma entrega consistente e robusta, construída de forma coletiva pela CCGL e pelas cooperativas do Rio Grande do Sul, para que esse conhecimento chegue cada vez mais longe”, afirma. Ele ressalta ainda que a RTC e a plataforma SmartCoop ampliam o conceito de intercooperação para além das fronteiras gaúchas.

Para o diretor de Relações Institucionais da CCGL, Fábio Branco, “o cooperativismo é muito importante para o Rio Grande do Sul, especialmente na geração de emprego e na movimentação de renda, contribuindo para melhorar a renda do produtor”. Segundo ele, o Show Técnico “permite trazer o que há de melhor, seja em tecnologia, seja na técnica, na produção e, principalmente, na prática, a partir do trabalho desenvolvido na RTC e coordenado pela CCGL”.

A relevância do evento também é destacada pelas lideranças cooperativistas. Para Leocezar Nicolini, presidente da Cotriel e integrante do Conselho Técnico de Grãos da RTC/CCGL, o Show Técnico evidencia o papel estratégico da assistência técnica. “O que a CCGL e a Rede Técnica promovem é levar tecnologia e informação desde a implantação das culturas até a busca por mais eficiência e resultado. O diferencial está justamente na pesquisa que sai do campo experimental e chega à prática do produtor”, afirma.
               
Quem percorreu as estações técnicas confirma essa percepção. O produtor Adelar Gasparin, associado da Coopatrigo, de Garruchos (RS), destaca a aplicabilidade dos conteúdos apresentados. “Já visualizamos manejo de ervas daninhas, irrigação, época de plantio. É um show mesmo. Para nós, produtores, é uma grande riqueza de conhecimento, e vale a pena vir, mesmo deixando tarefas na propriedade”, relata.

Já o produtor Neuri Preto, da Coopibi, ressalta o caráter técnico e isento do evento. “Aqui a gente vê a realidade como ela é, baseada em pesquisa. As informações são apresentadas de forma simples, fácil de levar para o dia a dia da propriedade”, comenta.

Para o gerente de Suprimento de Leite da CCGL, Jair da Silva Mello, o Show Técnico cumpre um papel essencial ao integrar diferentes cadeias produtivas. “É fundamental trazer informação e tecnologia tanto para produtores de leite quanto de grãos, garantindo renda, sustentabilidade e continuidade das atividades no campo”, reforça. 

Com grande participação do público e forte integração entre pesquisa, cooperativas e produtores, o Show Técnico Cooperativo 2025 segue, em seu segundo dia, consolidando-se como um dos principais espaços de difusão de conhecimento aplicado à realidade do campo, fortalecendo o cooperativismo e preparando o produtor para os desafios presentes e futuros da agricultura. (ASCOM CCGL)


Jogo Rápido
SOJA/CEPEA: Negócios se aquecem no spot
Cepea, 15/12/2025 – As negociações envolvendo soja no mercado spot se aqueceram na última semana, aponta levantamento do Cepea. Segundo o Centro de Pesquisas, o impulso veio do aumento da demanda para completar cargas nos portos brasileiros e das novas estimativas da Conab indicando redução no estoque de passagem frente ao projetado no relatório anterior. Esse cenário reforçou o movimento de valorização dos prêmios de exportação no Brasil e elevou os preços internos, conforme explicam pesquisadores do Cepea. Os embarques brasileiros da safra 2024/25 (que se encerra ao final deste mês) foram revisados pela Conab para um novo recorde de 106,97 milhões de toneladas, alta de 0,3% em relação ao relatório anterior. Segundo dados da Secex, 98,88% desse volume já havia sido embarcado até 5 de dezembro. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)