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Porto Alegre, 27 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.599


Cadeia do leite acompanha debate sobre propostas de redução da jornada de trabalho

As discussões sobre possíveis mudanças na legislação trabalhista, incluindo a redução da jornada semanal, têm mobilizado diferentes setores da economia, entre eles a cadeia produtiva do leite.

Em março, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados (CSLEI) encaminhou um documento ao Ministério da Agricultura e Pecuária com considerações sobre propostas que envolvem alterações na escala de trabalho atualmente praticada. A entidade integra o Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), vinculado ao ministério.

No documento, a CSLEI apresenta estimativas sobre possíveis impactos da redução da jornada de 44 para 36 horas semanais. Entre os pontos destacados, estão a necessidade de ampliação da força de trabalho e os efeitos nos custos operacionais, caso as mudanças sejam implementadas.

A pecuária leiteira, segundo a entidade, possui características específicas de funcionamento, com atividades contínuas ao longo de todo o ano. A produção exige rotinas diárias, incluindo ordenhas realizadas em diferentes turnos, o que demanda organização constante da mão de obra. O setor também ressalta a importância de análises técnicas para avaliar os impactos das propostas em atividades com operações ininterruptas e produtos perecíveis, como o leite.

Entidades representativas do agro, como o Sistema FAEP, também têm acompanhado o tema e defendem a ampliação do debate com participação de diferentes segmentos produtivos. Estudos elaborados pela instituição indicam possíveis efeitos sobre custos e estrutura de trabalho no setor agropecuário.

De acordo com levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, eventuais mudanças na jornada poderiam gerar impactos econômicos na agropecuária paranaense, considerando a atual base de empregos e a massa salarial do setor. O tema segue em discussão em âmbito nacional e envolve diferentes perspectivas, incluindo aspectos trabalhistas, econômicos e produtivos. A expectativa das entidades é que o debate avance com base em estudos técnicos e diálogo entre os diversos agentes envolvidos.

As informações são do Sistema FAEP, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1912 de 26 de março de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção de leite continua com leve queda na maioria das propriedades devido à redução na oferta e na qualidade das forrageiras anuais de verão. A forte elevação das temperaturas no início e posteriormente no final do período causaram estresse nas matrizes. 

É um momento significativo de organização por parte dos produtores para a realização da ensilagem das lavouras de milho nos municípios da Campanha e para a aquisição de sementes e fertilizantes para a implantação das pastagens de aveia e azevém. 

Na de Caxias do Sul, o gado leiteiro apresentou boa condição corporal e sanidade, sem problemas significativos. Foram relatados alguns casos de mastite, que foi controlada com antibióticos e de ectoparasitas eliminados. Nas propriedades em sistemas à base de pasto, foram utilizadas principalmente pastagens perenes, já que as anuais finalizaram o ciclo. Nos sistemas confinados, foi fornecida especialmente silagem de milho como volumoso, além de outras forragens conservadas e concentrados protéicos para o balanceamento da dieta. Nesta semana, o tempo continuou quente, causando estresse térmico nas vacas leiteiras.  

Na de Erechim, a recuperação das pastagens perenes e anuais de verão possibilitou aumento na oferta de matéria verde e maior frequência de pastoreio, reduzindo parcialmente o uso de alimentos conservados para complementar a dieta. No geral, a sanidade dos rebanhos está estável e os manejos reprodutivos e sanitários seguem em dia. 

Na de Frederico Westphalen, continua o manejo sanitário para controle de ectoparasita, como carrapato, que apresenta incidência significativa nas propriedades.  Na de Ijuí, a produção de leite está em queda na região, especialmente nas propriedades em sistema de produção a pasto, devido ao vazio outonal e a redução do número de animais em lactação. Nas propriedades em sistema de confinamento, a pequena redução de temperatura e do estresse térmico beneficiou o aumento do consumo de alimentos pelos animais. A qualidade do leite coletado segue adequada, com redução dos índices de Contagem Padrão em Placas (CPP) e Contagem de Células Somáticas (CCS). 

Na de Passo Fundo, o manejo dos rebanhos e da atividade leiteira reflete em estabilidade na produção de leite, apesar da redução inicial da qualidade das pastagens anuais, situação que exige ajuste nas dietas, visando adequar a nutrição nesse período de transição. As condições sanitárias dos rebanhos estão normais, e continua o controle de endo e ectoparasitas. Foi registrada a ocorrência de Leite Instável Não Ácido (LINA). 

Na de Pelotas, as chuvas recentes contribuíram para a recuperação das pastagens e para o desenvolvimento das lavouras, especialmente de milho para silagem, embora em algumas áreas ainda haja dificuldade devido à estiagem prolongada ou problemas pontuais de disponibilidade de água. Ainda assim, os rebanhos, em geral, mantêm condição corporal satisfatória. Em relação ao aspecto sanitário, há atenção para o aumento da incidência de carrapato e necessidade de prevenção de doenças, como a tristeza parasitária bovina, além da importância da vacinação. 

Em Porto Alegre, o estado geral dos rebanhos está adequado. Porém, tem sido necessário aumentar a suplementação alimentar devido ao intervalo entre o estabelecimento das pastagens cultivadas para manter a produção e a condição corporal dos animais. Quanto ao aspecto sanitário, observa-se a presença de carrapatos nos rebanhos.  

Na de Santa Maria, no município sede, bovinos de leite apresentam boa condição nutricional em função das pastagens perenes de verão. Os produtores com rebanhos maiores têm alimento estocado, e os demais mantêm o manejo nutricional ajustado, por trabalharem com pastos perenes e sobre semeadura com pastagens de inverno e em pastoreio racional. Os animais apresentam adequadas condições sanitárias. 

Na de Santa Rosa observa-se investimentos pontuais nas propriedades, em melhorias em instalações, aumento do fornecimento de concentrado, motomecanização e manutenção de sistemas de pastoreio rotativo, principalmente com Tifton, utilizada também como cama das vacas no período noturno, evidenciando estratégias de manejo para a redução de custos e melhoria do bem-estar animal. (Emater/RS editado pelo Sindilat/RS)

O que esperar do clima para a agropecuária gaúcha nos próximos meses

A previsão do APEC Climate Center (APCC), centro de pesquisa sediado na Coreia do Sul, aponta para um enfraquecimento gradual do La Niña nos próximos meses, com 84,6% de probabilidade de transição de condições de neutralidade para condições de El Niño durante o trimestre abril-maio-junho.

É o que aponta o Boletim Trimestral do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

As previsões apresentadas pelo boletim são baseadas no modelo estatístico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O prognóstico indica chuvas irregulares para o mês de abril, ficando próxima a ligeiramente abaixo da média no mês na maior parte do Rio Grande do Sul, pontualmente com chuvas acima da média em áreas restritas. Nos meses de maio e junho, há uma maior tendência de que as chuvas fiquem próximas a ligeiramente acima da média na maior parte do estado.

As temperaturas do ar devem sofrer grande variabilidade ao longo do trimestre, havendo períodos quentes e outros com incursão de massas de ar frio, eventualmente fortes. A tendência indica anomalias de normal a ligeiramente acima da média nas temperaturas do ar.

O boletim do Copaaergs é elaborado a cada três meses por especialistas em Agrometeorologia de dez entidades estaduais e federais ligadas à agricultura ou ao clima. O documento também lista uma série de orientações técnicas para as culturas do período. Confira: Forrageiras e conforto animal

O vazio forrageiro outonal coincide com o final de ciclo produtivo das pastagens de verão e com o momento da implantação das pastagens de inverno ou melhoramento do campo nativo com a técnica de sobressemeadura, para o qual indica-se:

Realizar a semeadura de forrageiras de inverno de ciclo longo, anuais ou perenes, o mais cedo possível, desde que haja condições de umidade adequada, evitando-se o manejo de solos encharcados;

Evitar a aplicação de ureia nas forrageiras em dias com previsão de alta precipitação pluviométrica;

Reduzir a carga animal em pastagens naturais, mantendo uma disponibilidade forrageira de no mínimo 8%;

Diferir potreiros com pastagens cultivadas de inverno e campo nativo, melhorado com sobressemeadura de espécies hibernais para permitir o reestabelecimento dessas espécies e acumular forragem para o período hibernal, respeitando uma altura mínima para o pastoreio de 15 a 18 cm;

Priorizar os melhores campos, preferencialmente diferidos ou cultivados, para as categorias animais em crescimento, como terneiros e terneiras desmamadas, novilhas de primeira-cria e fêmeas gestantes;

Utilizar sistemas sustentáveis como a Integração Lavoura-Pecuária para novilhos em terminação, visando melhorar a produtividade do rebanho;

Embora o período seja caracterizado por temperaturas mais amenas que as registradas no verão, com a possibilidade de registros de ondas de calor, os produtores rurais devem ficar atentos ao manejo dos animais nas estações de transição, como o outono, para adotar medidas que incluem fornecimento de sombra, ventilação e dieta adequadas, e monitorar, com frequência, o rebanho para evitar prejuízos econômicos devido ao estresse térmico. (Correio do Povo)


Jogo Rápido

Declaração de Rebanho 2026 começa na próxima quarta (1º/4); saiba como fazer
Começa na próxima quarta-feira (1º/4) o período para a Declaração Anual de Rebanho referente ao ano de 2026. O prazo se encerrará em 30 de junho. A Declaração de Rebanho é uma obrigação sanitária de todos os produtores rurais gaúchos detentores de animais.  “O conjunto de informações obtidas por meio da declaração subsidia políticas públicas mais aderentes à realidade do campo, especialmente as relacionadas à vigilância e defesa sanitária animal, permitindo que o Estado atue com maior efetividade no apoio aos produtores e na proteção do patrimônio sanitário”, destaca o diretor adjunto do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Paulo André Santos Coelho de Souza. Este ano, são esperadas cerca de 358 mil declarações. “Temos boas expectativas na adesão pela entrega online, que traz facilidade e agilidade ao produtor. A Declaração Anual de Rebanho é uma ferramenta essencial, a qualidade desses dados impacta diretamente na capacidade de planejamento e resposta do serviço veterinário oficial, especialmente em cenários que exigem agilidade e precisão”, comenta o chefe da Divisão de Controle e Informações Sanitárias, Richard Daniel Soares Alves. A declaração pode ser feita diretamente pela internet, em módulo específico dentro do Produtor Online. Um tutorial ensinando a realizar o preenchimento pode ser consultado aqui. Caso prefira, o produtor também pode fazer o preenchimento nos formulários em PDF ou presencialmente nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, com auxílio dos servidores da Seapi e assinando digitalmente com sua senha do Produtor Online.  Em 2025, a declaração teve adesão de 89,17%, um aumento de quatro pontos percentuais em relação ao índice registrado no ano anterior. Para mais informações: www.agricultura.rs.gov.br/declaracao. (As informações são da Seapi editadas pelo Sindilat)


Porto Alegre, 27 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.599


Cadeia do leite acompanha debate sobre propostas de redução da jornada de trabalho

As discussões sobre possíveis mudanças na legislação trabalhista, incluindo a redução da jornada semanal, têm mobilizado diferentes setores da economia, entre eles a cadeia produtiva do leite.

Em março, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados (CSLEI) encaminhou um documento ao Ministério da Agricultura e Pecuária com considerações sobre propostas que envolvem alterações na escala de trabalho atualmente praticada. A entidade integra o Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), vinculado ao ministério.

No documento, a CSLEI apresenta estimativas sobre possíveis impactos da redução da jornada de 44 para 36 horas semanais. Entre os pontos destacados, estão a necessidade de ampliação da força de trabalho e os efeitos nos custos operacionais, caso as mudanças sejam implementadas.

A pecuária leiteira, segundo a entidade, possui características específicas de funcionamento, com atividades contínuas ao longo de todo o ano. A produção exige rotinas diárias, incluindo ordenhas realizadas em diferentes turnos, o que demanda organização constante da mão de obra. O setor também ressalta a importância de análises técnicas para avaliar os impactos das propostas em atividades com operações ininterruptas e produtos perecíveis, como o leite.

Entidades representativas do agro, como o Sistema FAEP, também têm acompanhado o tema e defendem a ampliação do debate com participação de diferentes segmentos produtivos. Estudos elaborados pela instituição indicam possíveis efeitos sobre custos e estrutura de trabalho no setor agropecuário.

De acordo com levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, eventuais mudanças na jornada poderiam gerar impactos econômicos na agropecuária paranaense, considerando a atual base de empregos e a massa salarial do setor. O tema segue em discussão em âmbito nacional e envolve diferentes perspectivas, incluindo aspectos trabalhistas, econômicos e produtivos. A expectativa das entidades é que o debate avance com base em estudos técnicos e diálogo entre os diversos agentes envolvidos.

As informações são do Sistema FAEP, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1912 de 26 de março de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção de leite continua com leve queda na maioria das propriedades devido à redução na oferta e na qualidade das forrageiras anuais de verão. A forte elevação das temperaturas no início e posteriormente no final do período causaram estresse nas matrizes. 

É um momento significativo de organização por parte dos produtores para a realização da ensilagem das lavouras de milho nos municípios da Campanha e para a aquisição de sementes e fertilizantes para a implantação das pastagens de aveia e azevém. 

Na de Caxias do Sul, o gado leiteiro apresentou boa condição corporal e sanidade, sem problemas significativos. Foram relatados alguns casos de mastite, que foi controlada com antibióticos e de ectoparasitas eliminados. Nas propriedades em sistemas à base de pasto, foram utilizadas principalmente pastagens perenes, já que as anuais finalizaram o ciclo. Nos sistemas confinados, foi fornecida especialmente silagem de milho como volumoso, além de outras forragens conservadas e concentrados protéicos para o balanceamento da dieta. Nesta semana, o tempo continuou quente, causando estresse térmico nas vacas leiteiras.  

Na de Erechim, a recuperação das pastagens perenes e anuais de verão possibilitou aumento na oferta de matéria verde e maior frequência de pastoreio, reduzindo parcialmente o uso de alimentos conservados para complementar a dieta. No geral, a sanidade dos rebanhos está estável e os manejos reprodutivos e sanitários seguem em dia. 

Na de Frederico Westphalen, continua o manejo sanitário para controle de ectoparasita, como carrapato, que apresenta incidência significativa nas propriedades.  Na de Ijuí, a produção de leite está em queda na região, especialmente nas propriedades em sistema de produção a pasto, devido ao vazio outonal e a redução do número de animais em lactação. Nas propriedades em sistema de confinamento, a pequena redução de temperatura e do estresse térmico beneficiou o aumento do consumo de alimentos pelos animais. A qualidade do leite coletado segue adequada, com redução dos índices de Contagem Padrão em Placas (CPP) e Contagem de Células Somáticas (CCS). 

Na de Passo Fundo, o manejo dos rebanhos e da atividade leiteira reflete em estabilidade na produção de leite, apesar da redução inicial da qualidade das pastagens anuais, situação que exige ajuste nas dietas, visando adequar a nutrição nesse período de transição. As condições sanitárias dos rebanhos estão normais, e continua o controle de endo e ectoparasitas. Foi registrada a ocorrência de Leite Instável Não Ácido (LINA). 

Na de Pelotas, as chuvas recentes contribuíram para a recuperação das pastagens e para o desenvolvimento das lavouras, especialmente de milho para silagem, embora em algumas áreas ainda haja dificuldade devido à estiagem prolongada ou problemas pontuais de disponibilidade de água. Ainda assim, os rebanhos, em geral, mantêm condição corporal satisfatória. Em relação ao aspecto sanitário, há atenção para o aumento da incidência de carrapato e necessidade de prevenção de doenças, como a tristeza parasitária bovina, além da importância da vacinação. 

Em Porto Alegre, o estado geral dos rebanhos está adequado. Porém, tem sido necessário aumentar a suplementação alimentar devido ao intervalo entre o estabelecimento das pastagens cultivadas para manter a produção e a condição corporal dos animais. Quanto ao aspecto sanitário, observa-se a presença de carrapatos nos rebanhos.  

Na de Santa Maria, no município sede, bovinos de leite apresentam boa condição nutricional em função das pastagens perenes de verão. Os produtores com rebanhos maiores têm alimento estocado, e os demais mantêm o manejo nutricional ajustado, por trabalharem com pastos perenes e sobre semeadura com pastagens de inverno e em pastoreio racional. Os animais apresentam adequadas condições sanitárias. 

Na de Santa Rosa observa-se investimentos pontuais nas propriedades, em melhorias em instalações, aumento do fornecimento de concentrado, motomecanização e manutenção de sistemas de pastoreio rotativo, principalmente com Tifton, utilizada também como cama das vacas no período noturno, evidenciando estratégias de manejo para a redução de custos e melhoria do bem-estar animal. (Emater/RS editado pelo Sindilat/RS)

O que esperar do clima para a agropecuária gaúcha nos próximos meses

A previsão do APEC Climate Center (APCC), centro de pesquisa sediado na Coreia do Sul, aponta para um enfraquecimento gradual do La Niña nos próximos meses, com 84,6% de probabilidade de transição de condições de neutralidade para condições de El Niño durante o trimestre abril-maio-junho.

É o que aponta o Boletim Trimestral do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

As previsões apresentadas pelo boletim são baseadas no modelo estatístico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O prognóstico indica chuvas irregulares para o mês de abril, ficando próxima a ligeiramente abaixo da média no mês na maior parte do Rio Grande do Sul, pontualmente com chuvas acima da média em áreas restritas. Nos meses de maio e junho, há uma maior tendência de que as chuvas fiquem próximas a ligeiramente acima da média na maior parte do estado.

As temperaturas do ar devem sofrer grande variabilidade ao longo do trimestre, havendo períodos quentes e outros com incursão de massas de ar frio, eventualmente fortes. A tendência indica anomalias de normal a ligeiramente acima da média nas temperaturas do ar.

O boletim do Copaaergs é elaborado a cada três meses por especialistas em Agrometeorologia de dez entidades estaduais e federais ligadas à agricultura ou ao clima. O documento também lista uma série de orientações técnicas para as culturas do período. Confira: Forrageiras e conforto animal

O vazio forrageiro outonal coincide com o final de ciclo produtivo das pastagens de verão e com o momento da implantação das pastagens de inverno ou melhoramento do campo nativo com a técnica de sobressemeadura, para o qual indica-se:

Realizar a semeadura de forrageiras de inverno de ciclo longo, anuais ou perenes, o mais cedo possível, desde que haja condições de umidade adequada, evitando-se o manejo de solos encharcados;

Evitar a aplicação de ureia nas forrageiras em dias com previsão de alta precipitação pluviométrica;

Reduzir a carga animal em pastagens naturais, mantendo uma disponibilidade forrageira de no mínimo 8%;

Diferir potreiros com pastagens cultivadas de inverno e campo nativo, melhorado com sobressemeadura de espécies hibernais para permitir o reestabelecimento dessas espécies e acumular forragem para o período hibernal, respeitando uma altura mínima para o pastoreio de 15 a 18 cm;

Priorizar os melhores campos, preferencialmente diferidos ou cultivados, para as categorias animais em crescimento, como terneiros e terneiras desmamadas, novilhas de primeira-cria e fêmeas gestantes;

Utilizar sistemas sustentáveis como a Integração Lavoura-Pecuária para novilhos em terminação, visando melhorar a produtividade do rebanho;

Embora o período seja caracterizado por temperaturas mais amenas que as registradas no verão, com a possibilidade de registros de ondas de calor, os produtores rurais devem ficar atentos ao manejo dos animais nas estações de transição, como o outono, para adotar medidas que incluem fornecimento de sombra, ventilação e dieta adequadas, e monitorar, com frequência, o rebanho para evitar prejuízos econômicos devido ao estresse térmico. (Correio do Povo)


Jogo Rápido

Declaração de Rebanho 2026 começa na próxima quarta (1º/4); saiba como fazer
Começa na próxima quarta-feira (1º/4) o período para a Declaração Anual de Rebanho referente ao ano de 2026. O prazo se encerrará em 30 de junho. A Declaração de Rebanho é uma obrigação sanitária de todos os produtores rurais gaúchos detentores de animais.  “O conjunto de informações obtidas por meio da declaração subsidia políticas públicas mais aderentes à realidade do campo, especialmente as relacionadas à vigilância e defesa sanitária animal, permitindo que o Estado atue com maior efetividade no apoio aos produtores e na proteção do patrimônio sanitário”, destaca o diretor adjunto do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Paulo André Santos Coelho de Souza. Este ano, são esperadas cerca de 358 mil declarações. “Temos boas expectativas na adesão pela entrega online, que traz facilidade e agilidade ao produtor. A Declaração Anual de Rebanho é uma ferramenta essencial, a qualidade desses dados impacta diretamente na capacidade de planejamento e resposta do serviço veterinário oficial, especialmente em cenários que exigem agilidade e precisão”, comenta o chefe da Divisão de Controle e Informações Sanitárias, Richard Daniel Soares Alves. A declaração pode ser feita diretamente pela internet, em módulo específico dentro do Produtor Online. Um tutorial ensinando a realizar o preenchimento pode ser consultado aqui. Caso prefira, o produtor também pode fazer o preenchimento nos formulários em PDF ou presencialmente nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, com auxílio dos servidores da Seapi e assinando digitalmente com sua senha do Produtor Online.  Em 2025, a declaração teve adesão de 89,17%, um aumento de quatro pontos percentuais em relação ao índice registrado no ano anterior. Para mais informações: www.agricultura.rs.gov.br/declaracao. (As informações são da Seapi editadas pelo Sindilat)


Porto Alegre, 26 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.598


Conseleite/RS indica leite projetado a R$ 2,2932 em março de 2026 no RS

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS) divulgou projeção de R$ 2,2932 para o valor de referência do leite em março de 2026 no Rio Grande do Sul, aumento de 9,38% em relação ao projetado de fevereiro (R$ 2,0966). Os números foram divulgados na manhã desta quinta-feira (26/03), em reunião que ocorreu em formato virtual.

O Conseleite/RS também anunciou o valor consolidado em fevereiro de 2026 em R$ 2,1243, 4,22% acima do consolidado em janeiro de 2026 (R$ 2,0382). O cálculo é elaborado mensalmente pela UPF com dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês, e leva em conta parâmetros atualizados pela Câmara Técnica do colegiado em 2023.

O coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes, apontou a melhoria do mercado e comemorou os dados divulgados. “A partir do indicador divulgado pelo Conseleite, o mercado aponta uma recuperação dos preços do setor lácteo. A projeção para março de 2026 representa um avanço importante em relação aos meses anteriores e sinaliza um movimento positivo para toda a cadeia produtiva. Esse resultado reflete não apenas uma melhora nas condições de mercado, mas também o trabalho técnico e transparente realizado pelo Conseleite, que busca traduzir, com base em dados concretos, a realidade do setor.”

Segundo o vice-coordenador, Darlan Palharini, o comportamento do mercado nos próximos meses será determinante para a consolidação dessa tendência. “É fundamental acompanharmos de perto a evolução do consumo e das exportações, além da própria oferta de leite. O equilíbrio entre esses fatores é o que vai sustentar preços mais firmes ao longo do tempo”, explicou. (Sindilat/RS)


89% dos brasileiros querem sustentabilidade na alimentação, afirma estudo

A Sodexo, multinacional francesa nos setores de alimentação corporativa e facilities, apresenta os resultados de sua primeira pesquisa internacional de sustentabilidade Food Barometer, realizada em parceria com o instituto global de pesquisas Harris Interactive. Este levantamento inédito, que ocorreu no segundo semestre de 2023 com mais de 5 mil pessoas em quatro países (Brasil, França, Reino Unido e Estados Unidos), aponta expectativas, aspirações em relação à alimentação sustentável e os comportamentos reais das pessoas.

“Com a pesquisa Food Barometer, nosso propósito é colocar todo o ecossistema em movimento para acelerar mudanças comportamentais de consumo de alimentos rumo à sustentabilidade e, assim, impactar positivamente nosso planeta, nossas pessoas, nossos clientes, consumidores e parceiros de negócios”, destaca Andrea Krewer, CEO da Sodexo On-site no Brasil.

Para a profissional, o estudo inédito ajuda a entender melhor as aspirações, expectativas e os desafios concretos para uma atuação no futuro. “Dados são essenciais para que possamos atuar de forma consistente e coerente quando se trata de sustentabilidade e a ideia é usar esses dados para acelerar mudanças reais”, pontua.

De acordo com a pesquisa, no mundo, em média 79% das pessoas consideram totalmente urgente a adoção de uma alimentação sustentável, com destaque especial para o Brasil, onde 89% das pessoas consideram o tema urgente (82% na França, 73% na Inglaterra e 72% nos EUA). Na média global, 75% das pessoas têm uma visão positiva sobre a alimentação sustentável e no recorte Brasil é positiva para 90% das pessoas.

Brasileiros já adotam alimentação mais sustentável

Os brasileiros declararam já terem adotado alguns comportamentos para uma refeição mais sustentável, entre eles: 76% reduziram o desperdício de alimentos em casa, 60% compram alimentos de produtores/vendedores locais, 49% disseram ter diminuído o consumo de alimentos processados, 46% evitam o uso de embalagens plásticas e 48% consomem produtos sustentáveis sempre que possível.

Mesmo assim, a pesquisa aponta uma lacuna entre desejo e prática, sobretudo em função de hábitos alimentares profundamente enraizados e que fazem parte do dia a dia por questões culturais. No Brasil, por exemplo, 74% entrevistados revelam um consumo regular de proteína animal (acima da média global, 71%), sendo que 34% dos brasileiros relatam que não tem o desejo ou intenção de reduzir este consumo.

No mundo, 56% das pessoas entrevistadas acreditam que a sua alimentação já é sustentável. Produtos lácteos (78%) e a carne (71%) continuam a ser os produtos mais consumidos regularmente, muito à frente dos cereais (60%) e das proteínas vegetais (45%).

Na pesquisa, os brasileiros se destacam, ainda, por demandarem produtos mais sustentáveis também fora de suas casas, com expectativas acima da média global em quatro locais: 70% esperam que os restaurantes disponibilizem alimentação sustentável, 70% também querem alternativas mais sustentáveis em escolas e universidades e 67% dentro do ambiente de trabalho. Esses são ambientes onde a Sodexo atua, promovendo a conexão profunda entre as pessoas e a comida sustentável, sem abrir mão do sabor.

A pesquisa

Realizada entre junho e julho 2023, a pesquisa internacional de sustentabilidade “Food Barometer” buscou entender as motivações das pessoas diante do tema alimentação sustentável e contou com a participação de 5.246 entrevistados no França, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil, (1.525 brasileiros). A iniciativa, realizada online, contou com amostras representativas de sexo, idade, categoria profissional e região.

As informações são do BHB Food, adaptadas pela equipe MilkPoint.

Fecoagro/RS define novo presidente para 2026-2029

A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (Fecoagro/RS) elegeu, por aclamação, em assembleia realizada em Cruz Alta, Adriano José Borghetti como presidente para o triênio 2026–2029. O dirigente assume o cargo em substituição a Paulo Pires, que esteve à frente da entidade por quatro mandatos consecutivos e passa a ocupar a vice-presidência. A nova composição mantém continuidade administrativa na entidade, que representa cooperativas agropecuárias no Estado. Inclusive Borghetti atuou como vice-presidente no período 2023–2026.

O novo presidente, que é associado da Cotrisoja, de Tapera, e produtor de grãos no Alto Jacuí, destaca o papel estratégico da federação na articulação institucional e defesa do agro. “Assumimos essa responsabilidade com o propósito de representar, de forma ainda mais próxima, às necessidades das cooperativas e dos produtores. O cooperativismo agropecuário gaúcho tem força, tem história e a Fecoagro/RS é um ponto de convergência do nosso segmento”, diz. “É preciso registrar o reconhecimento e respeito ao trabalho realizado pelas lideranças que nos antecederam e reforçar com o compromisso de dar continuidade a esse legado. Vamos avançar com base na experiência construída, ouvindo as cooperativas e fortalecendo ainda mais a nossa representatividade, trabalhando de forma integrada, valorizando cada cooperativa e cada associado.” (Correio do Povo)


Jogo Rápido

Trilha do Agro
A edição 2026 do South Summit começou com uma novidade: a Trilha do Agro. A iniciativa concentrou uma programação de debates voltados ao segmento no espaço Corner Stage. Foi a primeira vez que se teve essa concentração de conteúdos voltados ao setor produtivo, que é carregado de inovação. Acho que a lógica é essa, dada a importância do agro no Estado, no Brasil, em termos de espaço (no South Summit). Porque inovação, tecnologia, startup, financiadores, tudo tem nesse setor, é um ambiente ávido por tecnologia — afirma o curador da Trilha do Agro, o produtor Danilo Lopes de Almeida, que classifica a experiência como um “sucesso” e com “espaço para crescer”. Neste primeiro ano o foco foi em cinco grandes temáticas: insumos e biotecnologia, bioenergia, robotização e evolução das máquinas agrícolas, transformação digital da gestão rural e financiamento e crédito. (Zero Hora)


Porto Alegre, 25 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.597


Guilherme Portella recebe título de Cidadão Honorário da Prefeitura de Três de Maio

A Prefeitura de Três de Maio, no Noroeste do Rio Grande do Sul, realizou uma homenagem ao diretor da Lactalis do Brasil, Guilherme Portella, com a concessão do título de Cidadão Honorário do município.

A honraria está prevista no Decreto Legislativo nº 03, de 27 de fevereiro de 2026, aprovado pela Câmara Municipal de Vereadores. A iniciativa é de autoria do vereador Carlos Norberto Filipin, com subscrição dos vereadores Diogo André Wolf, Ernani Claudio Weimer e Vanessa Sallapata.

A distinção reconhece as contribuições relevantes da empresa Lactalis para o desenvolvimento econômico e social de Três de Maio, especialmente no setor lácteo, que tem papel estratégico na região.

Para o vereador Carlos Norberto Filipin, a iniciativa é sobre aproximação e reconhecimento. “Sendo cidadão de Três de Maio, entendemos que a aproximação que já temos, será maior ainda. Foi um projeto votado e aprovado de forma unânime, com muita harmonia. Para nossa cidade é uma honra ter uma empresa que desenvolve um trabalho tão importante para o município.”

O momento contou com a presença de lideranças locais e regionais, entre elas o prefeito Marcos Corso, o presidente da Câmara de Vereadores, Delmar Mébius, o presidente da Associação Comercial e Industrial (ACI), Neri Jesse, além dos vereadores Ernanu Wimer, Getúlio Eduardo Filipin e do próprio autor da proposta, Carlos Norberto Filipin. Também estão entre os convidados José Bombardelli, Noemia Sartor, além do Secretário-Executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini.

A concessão do título de Cidadão Honorário é uma das mais altas distinções do município e busca reconhecer personalidades que, mesmo não sendo naturais da cidade, contribuem de forma significativa para o seu desenvolvimento.

Portella reforçou a importância de valorizar o produtor e os colaboradores. “Fico honrado com essa homenagem. Somos muito felizes com o relacionamento que temos com o município de Três de Maio. Queremos sempre honrar e estreitar as boas relações, criando o sentimento de pertencimento e valorização.”

A Lactalis, uma das maiores empresas do setor de laticínios no mundo, mantém atuação relevante no Rio Grande do Sul, com impacto direto na geração de empregos, renda e fortalecimento da cadeia produtiva do leite.

O ato solene oficial de entrega está previsto para acontecer no dia 1º de junho, Dia Mundial do Leite, no município de Três de Maio. (Sindilat/RS)


CONSELEITE–PARANÁ 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 25 de março de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Fevereiro de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Março de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Março de 2026 é de R$ 3,8313/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/

Brasil já tem mais de 2 mil startups no agro

Relatório vê amadurecimento de empresas, que intensificam adoção de tecnologia avançada

O número de startups voltadas ao agronegócio ultrapassou a marca de 2 mil no ano passado, um crescimento modesto em comparação com anos anteriores, mas com perfil de tecnologia mais avançado, segundo o Radar Agtech 2025, produzido por Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens.

O estudo mapeou 2.075 agtechs ativas, 103 a mais do que em 2024. Desde o início do levantamento, em 2019, o ritmo de crescimento diminuiu, o que demonstra mais maturidade, tecnologia elevada e segurança na manutenção dos negócios, segundo Aurélio Favarin, analista de inovação aberta da Embrapa e editor técnico do Radar.

“No passado, havia um grande volume de negócios com baixo nível de tecnologia e complexidade, como marketplaces. Hoje, soluções ligadas à automação, sensoriamento e maquinário agrícola representam um nível tecnológico mais robusto”, afirmou.

Segundo Favarin, após o “boom” das startups entre 2021 e 2022 impulsionado pela entrada de investidores e no interesse no agro como setor estratégico, houve uma “mortalidade” de agtechs, o que também contribuiu para o amadurecimento das startups atuais. “Nós vimos a consolidação de negócios mais sólidos”.

A maior parte das agtechs continua sendo do segmento “dentro da porteira”, ou seja, que fornece soluções para o produtor rural adotar em campo. Em 2025, essas agtechs eram 852 startups, um avanço de 41,1% em um ano. Desde 2019, quando o levantamento começou a ser realizado, a quantidade de agtechs “dentro da porteira” mais que dobrou, saltando de 423 para 852, um avanço de 101,4%.

Segundo o analista da Embrapa, serviços voltados diretamente à realidade do produtor ditam o ritmo dos negócios. “Startups mais conectadas à realidade do produtor tendem a atingir maior maturidade, porque precisam entregar valor real. Senão, não tem adesão do produtor”, afirmou.

Na sequência, foram identificadas 841 agtechs com atuação “depois da porteira” no ano passado, um aumento de 40,5% em relação ao ano anterior, e enquanto as agtechs com foco “antes da porteira” totalizaram 382, uma alta anual de 18,4%.

Se comparado com o mapeamento realizado em 2019, as agtechs voltadas para atividades “antes da porteira” foram as que mais cresceram nesse período, com um salto de 134,4%. As agtechs que têm foco em operações “depois da porteira” tiveram incremento de 93,8% no mesmo período de tempo.

Temáticas em destaque
Para Favarin, sustentabilidade, previsão climática, sensoriamento e tecnologias para máquinas e drones são alguns dos “temas quentes” do momento. Do total de agtechs mapeadas no ano passado, despontam as que estão na categoria “Alimentos inovadores e novas tendências alimentares”, com 312 agtechs (15% do total), o que indica uma tendência para o desenvolvimento de novos produtos, destacou Favarin.

As startups enquadradas na categoria “Sistema de Gestão de Propriedade Rural” ficaram em segundo lugar no ranking de perfil de atuação, reunindo 165 agtechs (8%), seguidas pelas agtechs na categoria “Plataforma integradora de sistemas, soluções e dados”, com 156 startups (7,5%).

As Regiões Sudeste e Sul continuam a concentrar a maior parte das agtechs no Brasil, como ocorre desde o início do mapeamento. No Sudeste, foram identificadas 1.146 startups voltadas para o agronegócio (55,2% do total), enquanto no Sul havia 491 (23,7%). Juntos, somam quase 79% do total.

Segundo o pesquisador, a concentração no eixo Sul-Sudeste se dá por “fatores estruturais”, como a maior densidade de universidades, instituições científicas e investidores nessas regiões, além de ser onde há um mercado consumidor mais consolidado.

O Radar AgTech ainda identificou que, de 367 agentes de investimento no Brasil — incluindo fundos de venture capital e outros veículos de capital de risco —, 17,7% têm o agro como um setor prioritário. Do total, 10% de seus investimentos são destinados ao agronegócio. “É um volume relevante e vemos uma enorme tendência de crescimento”, avaliou Favarin. (Globo Rural)


Jogo Rápido

Salário mínimo de 2026 está em R$ 1.621; veja valor após descontos
O salário mínimo nacional em 2026 está em R$ 1.621 e vale para trabalhadores sob regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em todo o Brasil. O valor é R$ 103 (6,8%) a mais do que o piso nacional que esteve vigente em 2025, quando  era de R$ 1.518 no total. O valor de R$ 1.621 é bruto — antes de qualquer desconto. Neste valor, ainda incide o desconto mínimo de 7,5% previdência social (INSS), o que resulta no salário mínimo líquido de R$ 1.499,42. Trabalhadores que recebem o salário mínimo não têm desconto de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), assim como do Imposto de Renda, do qual são isentos. Outros descontos são variáveis, como vale-transporte, vale-alimentação ou refeição, empréstimos consignados e pensão alimentícia dependem do contrato de cada trabalhador.


Porto Alegre, 24 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.596


Acordo entre Mercosul e União Européia começa a valer provisoriamente em maio

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul começará a ser aplicado em caráter provisório a partir de 1º de maio, informou a Comissão Europeia nesta segunda-feira, 23. A medida permite que parte dos benefícios comerciais passe a valer enquanto os trâmites formais seguem em andamento.

Brasil, Argentina e Uruguai já finalizaram seus processos internos de aprovação do tratado. O Paraguai, embora já tenha ratificado o tratado, ainda deve formalizar a notificação.

Segundo o comissário de comércio da União Europeia, Maroš Šefcovic, o acordo representa um passo relevante para reforçar a credibilidade do bloco europeu como parceiro comercial. Ele destacou que a prioridade agora é transformar o pacto em resultados concretos para exportadores, com ganhos em comércio, crescimento e emprego. A aplicação provisória, segundo ele, permitirá que esses efeitos comecem a ser sentidos antes da conclusão total dos processos legais.

Para o Brasil, maior economia do bloco sul-americano, o acordo amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e traz benefícios a diversos setores, como agronegócio, indústria e serviços. A aplicação provisória prevê a eliminação de tarifas para determinados produtos já no início da vigência, além de estabelecer regras mais previsíveis para comércio e investimentos. 

Segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o acordo deve impulsionar as exportações do agro brasileiro entre 5,1% e 19,7% ao longo dos anos, com efeitos distintos para carne bovina, de aves e suína. Além disso, no setor sucroalcooleiro, espera-se um efeito de agregação de valor. 

Processo

No Brasil, o acordo foi promulgado pelo Congresso Nacional neste mês, após aprovação no Senado em 4 de março. Na mesma data, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que regulamenta mecanismos de salvaguardas bilaterais.

A medida brasileira ocorre em paralelo às exigências do lado europeu. Durante o processo, o Parlamento Europeu solicitou a verificação da legalidade do acordo antes da implementação, o que levou à adoção de salvaguardas adicionais pela Comissão Europeia. Entre elas estão o reforço nos controles de importação, a criação de um fundo de crise e o compromisso de redução de tarifas sobre fertilizantes.

As informações são do Estadão, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Após crise, cooperativa renegocia metade da dívida bilionária e recontrata funcionários demitidos

Faturamento superou R$ 542 milhões em 2025 e credores estão recebendo em pagamentos trimestrais

Indicadores apontam que a Languiru, após uma forte crise financeira, tem alcançado bons resultados da sua reestruturação. Unidades foram vendidas, quadro de funcionários reduzido e dívidas renegociadas, detalhou o superintendente Administrativo e Financeiro da Languiru, Gustavo Marques, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.    
Qual a situação de agora?

Estamos em liquidação extrajudicial desde 2023, fazendo uma reorganização operacional e financeira. Apresentamos os números de 2025 na última sexta-feira em assembleia. Não superamos todas as adversidades porque o rombo é significativo. Precisamos de tempo para enfrentamento adequado, mas os números sugerem que estamos efetivos no que propusemos.

A dívida, que era bilionária, está como? 

Lá em 2023, estava em R$ 1,17 bilhão. Nem todo o valor está sujeito à liquidação. Parte tem garantias reais. Do que está no processo, R$ 900 milhões, já renegociamos 52%, ou seja, os credores fizeram adesão ao nosso plano e estão recebendo em rodadas trimestrais de pagamento, o que a cooperativa enfrenta com seu próprio negócio. 

Além de uma pequena parte de varejo, o que mantém? 

Temos o nosso negócio de aves, com congelados e resfriados, além de prestar serviço à JBS. Em leite, temos o UHT e derivados lácteos, além da parceria com a Lactalis. Em ração comercial, trabalhamos junto com o segmento de grãos, que tem participação importante. Fomos a principal empresa que secou grãos para o produtor e ainda estamos colhendo milho. E nossa última unidade de varejo é o agrocenter, onde funciona também a sede, que é nosso ponto de fidelidade junto ao associado.

Como foi 2025?

Esses negócios nos levaram ao faturamento de R$ 542,9 milhões. O valor já conversa com esse porte atual da cooperativa em uma retomada de produção importante. Nosso olhar agora será para produção primária. Queremos aumentar aves de corte não só para enfrentar a dívida, mas para o crescimento da cooperativa.  

Estão recontratando funcionários demitidos? 

Quando cheguei, com o presidente Paulo Birk, em 2022, tínhamos 3,4 mil funcionários. Reduzimos a 700 e agora voltamos a 1,2 mil. Além disso, temos 1,6 mil associados ativos vendendo sua produção à cooperativa. Um número grande de famílias que dependem da Languiru. Estamos com uma capilaridade grande. (GZH)

Governo endurece regras do frete e agro alerta para distorções e alta de custos

Diante da alta do diesel e da iminência de uma greve de caminhoneiros, o governo federal anunciou, nesta quarta-feira, 18, medidas adicionais para garantir o cumprimento dos pisos mínimos previstos na tabela de frete do transporte rodoviário de cargas.

Diante da alta do diesel e da possibilidade de uma greve de caminhoneiros, o governo federal anunciou, nesta última quarta-feira, 18 de março, medidas adicionais para garantir o cumprimento dos pisos mínimos previstos na tabela de frete do transporte rodoviário de cargas, conforme a Lei 13.703/2018. A ação atende à reivindicação dos caminhoneiros de que grandes empresas do mercado “desrespeitam” propositalmente o mínimo do frete.

O anúncio foi feito pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, que afirmou que foram identificados 15 mil infratores diferentes por descumprimento do valor mínimo e que o número de infrações chega a 40 mil até janeiro deste ano.

A proposta agora é fechar o cerco juridicamente sobre as empresas que descumprirem o valor mínimo proposto e até cassar o registro, impedindo-as de contratar o serviço. “Quem insistir em desrespeitar a tabela passará a ser efetivamente responsabilizado, como transportador, contratante, acionista ou controlador da empresa, com medidas que interromperão a irregularidade, desestimularão a reincidência e corrigirão distorções de mercado”, afirmou o ministro em postagem no X.

Reação do setor agropecuário

A medida do governo federal provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Em nota enviada na manhã da quinta-feira, 19 de março, a bancada afirmou que o modelo adotado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não reflete a realidade do país ao desconsiderar diferenças regionais, frete de retorno, diversidade de cargas e o perfil da frota. Informa ainda que, em outubro de 2025, enviou um ofício aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil propondo um diálogo técnico a fim de revisar a metodologia da tabela de frete.

“O cenário provoca aumento artificial dos custos logísticos, perda de eficiência nas cadeias produtivas e impacto direto na competitividade do agro, especialmente em setores de grande volume e margem mais apertada”, diz a nota da FPA. 

A frente defende que a solução para a volatilidade da cadeia logística passa por uma política de transição energética mais previsível. Propõe ainda a revisão da mistura do biodiesel, com avanço para o B17, contribuindo assim para o “equilíbrio no custo energético e logístico brasileiro”.

As informações são do Estadão, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

Outono chegou e deve trazer clima quente e seco para boa parte do País: confira a previsão para os próximos meses
Com início na última sexta-feira, 20 de março, o outono chega ao país com previsão de redução nos volumes de chuva em grande parte do território e altas históricas nas temperaturas de algumas regiões. Apesar das condições que indicavam a predominância do fenômeno La Niña entre novembro de 2025 e janeiro deste ano, e um cenário de neutralidade em fevereiro, oscilações recentes na temperatura do mar passaram a indicar a transição para condições de El Niño entre abril e junho. Com essa mudança, as temperaturas tendem a subir e os volumes de chuva a diminuir em boa parte do país, com alerta para calor e seca acima da média histórica. Ao Sul do país, a tendência também é de tempo mais seco, com precipitação abaixo da média climatológica, sobretudo no Paraná e em Santa Catarina. As temperaturas devem permanecer elevadas, com maior aquecimento nesses estados e no Rio Grande do Sul, embora haja influência ocasional de massas de ar frio em áreas mais altas. Na Região Sul, a previsão de chuvas abaixo da média, aliada a temperaturas elevadas, também pode reduzir a umidade do solo, principalmente no Paraná e em Santa Catarina. Esse quadro pode afetar o desenvolvimento das lavouras de segunda safra, dificultar o estabelecimento inicial das culturas de inverno e atrasar as operações de semeadura em algumas localidades. As informações são do INMET, resumidas e adaptadas pela equipe MilkPoint e pelo Sindilat/RS.


Porto Alegre, 23 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.595


CEPEA: Boletim do Leite de março - 20/03/2026

Preço do leite reage no início de 2026

O preço do leite pago ao produtor reagiu em janeiro/26 depois de ter registrado nove meses consecutivos de queda. Cálculos do Cepea, da Esalq/USP, mostram que o preço do leite ao produtor captado em janeiro/26 fechou a R$ 2,0216/litro na “Média Brasil”, ligeira alta de 0,9% frente a dezembro/25, porém, forte queda de 26,9% sobre a de janeiro/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de janeiro/26).

Derivados se valorizam em fevereiro, mas preço ainda está abaixo do de 2025

A pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) indicou que, depois de sucessivos meses de quedas, as cotações do leite UHT e do queijo muçarela reagiram em fevereiro no atacado paulista: as altas sobre o mês anterior foram de respectivos 4,51% e 0,58%.
 
Apesar de alta na exportação, avanço nas importações amplia déficit da balança comercial

As exportações de lácteos aumentaram em fevereiro. Mesmo assim, o déficit da balança comercial brasileira não se reduziu porque houve aumento nas compras externas. Segundo dados da Secex analisados pelo Cepea, os embarques de lácteos subiram 17.32% entre janeiro e fevereiro, somando 5,04 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL). As importações, por sua vez, totalizaram 182,03 milhões de litros EqL em fevereiro, elevação de 1,96% frente ao primeiro mês do ano. Já o déficit da balança comercial brasileira de lácteos fechou fevereiro a 177 milhões de litros EqL, 1,6% maior que no mês anterior. Em valores, foram US$ 72,18 milhões, acréscimo de 0,7%.
 
Com alta em ração, adubos e corretivos, custos avançam por mais um mês

Os gastos que produtores de leite têm para executar suas atividades registraram novo aumento em fevereiro, capitaneado pelo avanço nos preços da ração e de adubos e corretivos dentre os estados avaliados pelo Cepea. Acesse o boletim na integra clicando aqui. (CEPEA)


Lançamento de novo curso online sobre qualidade do leite

A Embrapa Gado de Leite lança nesta segunda-feira (23/03) o curso online “Qualidade do leite em foco: da teoria à prática”. Com um investimento de R$59,90 (cinquenta e nove reais e noventa centavos), o participante aprenderá sobre princípios e boas práticas para a obtenção de leite cru refrigerado de alta qualidade. O curso oferece uma carga horária de 20 horas ministradas por profissionais da Embrapa que são destaque na área de qualidade do leite no país. A experiência de aprendizado é potencializada por uma plataforma completa, que integra videoaulas, avaliações e fóruns de discussão exclusivos para os alunos.
 
O treinamento é voltado para técnicos de assistência técnica e extensão rural, produtores de leite, estudantes e profissionais de ciências agrárias. Ao final, o participante será capaz de compreender os princípios e procedimentos que auxiliam na obtenção de leite de qualidade e seguro, do manejo de ordenha à refrigeração. Isso inclui:

 
Contexto: importância econômica, social e legal do setor.Influências: fatores genéticos, nutricionais e microbiológicos que afetam o leite.
Operação: reconhecimento dos procedimentos adequados de manejo da ordenha (manual e mecânica), resfriamento e destinação correta.
Higiene e Cuidado: limpeza rigorosa de equipamentos e manutenção preventiva das máquinas.

Clique aqui para saber mais sobre o curso e garantir a sua vaga. Inscrições a partir de 23/03. (Embrapa Gado de Leite)

 

 

CTOPL debate exportação de lácteos

O Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira do Fundesa debateu essa semana em reunião híbrida na Casa de Sanidade Animal, as necessidades para a certificação de propriedades para a exportação de lácteos.

Com grande número de empresas do setor e representantes do Serviço Veterinário Oficial, o encontro demonstrou que há uma demanda importante para a exportação de produtos lácteos do Rio Grande do Sul, o que seria uma via para o escoamento da produção gaúcha, que vem sofrendo com baixos preços ao produtor.

O Auditor Fiscal Federal Agropecuário Rodrigo Teixeira Pereira apresentou uma série de informações relacionadas às exigências dos países importadores em termos de certificações sanitárias para a compra do leite brasileiro. Também mostrou o que países exportadores como Argentina e Uruguai controlam em suas exportações. Os representantes de indústrias tiraram dúvidas e apresentaram questionamentos sobre a interface dos dados de saneamento das propriedades fornecedoras do produto.

Como encaminhamento, ficou definido que será proposta uma reunião do CTOPL com os coordenadores da Plataforma de Defesa Sanitária Animal. O objetivo é propor uma solução digital para a necessidade que os laticínios têm de obter informações sobre a situação sanitária das propriedades que entregam leite, dado necessário para atender exigências internacionais.

Para o representante do Sindilat no CTOPL, Jair Mello, “todos têm responsabilidades iguais: Estado, União, produtores e laticínios". Somos uma cadeia. Exportar é bom para o Estado, indústria e produtores, pois gera divisas e regula o mercado. (FUNDESA)


Jogo Rápido

Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.   As inscrições podem ser feitas pela plataforma oficial do evento, clicando aqui. (Sindilat/RS)


Porto Alegre, 20 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.594


A CCGL consolidou o repasse de R$ 195 milhões em valor adicionado de ICMS para os municípios de origem do leite em 2025.

O diferencial é o modelo tributário inédito no setor de laticínios do Estado: o imposto gerado pela industrialização em Cruz Alta retorna proporcionalmente para as cidades de origem do leite, financiando infraestrutura e serviços públicos locais.

Segue o release completo com os detalhes e a fala do presidente Caio Vianna sobre este ciclo virtuoso de desenvolvimento regional. Estarei à disposição para dados complementares ou entrevistas.


Soluções da Tetra Pak permitem uma produção de lácteos mais eficiente e com menos custos

São Paulo, 19 de março de 2026 – Parceira para todas as etapas de produção, a Tetra Pak, líder mundial em soluções de processamento e envase de alimentos e bebidas, investe em tecnologias e soluções que ajudam os produtores de laticínios a reduzirem o custo total de propriedade (TCO). Em um setor tão tradicional quanto o de lácteos, a modernização de processos não é apenas possível, mas essencial para garantir competitividade e sustentabilidade – e, nessa transformação, as soluções oferecidas pela Tetra Pak são fundamentais.  

“Os consumidores estão cada vez mais atentos aos produtos que consomem e ao seu impacto ambiental. Com isso, se torna crescente a cobrança por qualidade, inovação, segurança e sustentabilidade na produção. Atenta a essas demandas, a Tetra Pak atua como uma parceira estratégica: oferecemos um portfólio completo de soluções de processamento e envase de produtos lácteos e podemos fornecer desde uma única válvula até uma nova fábrica de laticínios completa, por exemplo”, afirma Ana Paula Forti, Diretora de Processamento da Tetra Pak Brasil.

Presentes no consumo diário de milhões de pessoas, o leite e seus derivados são um componente importante da alimentação da população mundial. Diante dessa relevância, o setor de laticínios enfrenta o desafio de ampliar a eficiência produtiva sem elevar custos ou impactos ambientais. O Tetra Pak® Industrial Protein Mixer e a Unidade Tetra Pak® UHT Direto são duas soluções desenvolvidas pela Tetra Pak que se destacam na resolução a essas demandas.

O Tetra Pak® Industrial Protein Mixer, lançado em 2024, possui um amplo espectro de aplicações industriais e foi desenvolvido para solucionar a formação e o transbordamento de espuma durante a mistura. Com esse equipamento, é possível misturar pós de soro de leite de maneira eficiente e com alto teor de adaptabilidade em produções que vão de pequenos lotes experimentais a grandes saídas de até 50.000 litros por hora.

Graças ao seu design sofisticado e automação, o Tetra Pak® Industrial Protein Mixer reduz a perda de produto em comparação a métodos tradicionais, já que limita a entrada do ar e a formação de espuma durante a mistura. Além disso, esse equipamento também aumenta a qualidade do produto e possui uma vida útil mais longa, pois, sem derramamento de espuma, reduz necessidade de limpeza e de manutenção.

Por sua vez, a Unidade Tetra Pak® UHT Direto foi projetada para otimizar a produção e atender às necessidades de um mercado em constante mudança, preservando a qualidade e o valor dos alimentos sem interferir no sabor.

A Unidade Tetra Pak® UHT Direto também é altamente flexível, o que permite o trabalho com um amplo portifólio de produtos. Além disso, o condensador da unidade, o Tetra Therm® Aseptic VTIS, opera com água em temperatura mais alta do que no seu antecessor. Com isso, quando a água de resfriamento realiza a sua função e é liberada do condensador, ela também tem uma temperatura mais alta do que antes, com uma diferença pode chegar a 10°C; isso aumenta o reaproveitamento energético, pois quanto maior a temperatura, mais valiosa a água será para a recuperação de calor.

Outra vantagem da Unidade Tetra Pak® UHT Direto é a possibilidade utilizar a hibernação asséptica. Com esse modo, a vazão de água e consumo de vapor são reduzidos e a pressão de homogeneização e o resfriamento final são desligados. O resultado é a redução de até 60% o consumo de vapor, água e eletricidade.

Para saber mais sobre o Tetra Pak® Industrial Protein Mixer, acesse: https://www.tetrapak.com/pt-br/solutions/integrated-solutions-equipment/processing-equipment/mixing/tetra-pak-industrial-protein-mixer 

Para saber mais sobre a Unidade Tetra Pak® UHT Direto, acesse: https://www.tetrapak.com/pt-br/solutions/integrated-solutions-equipment/processing-equipment/uht-treatment/tetra-pak-direct-uht-unit

Para saber mais sobre soluções da Tetra Pak para a produção de laticínios, acesse: https://www.tetrapak.com/pt-br/solutions/categories/dairy

Sobre a Tetra Pak  
Estamos aqui para tornar os alimentos seguros e disponíveis. É por isso que fornecemos sistemas avançados de produção de alimentos. Em colaboração com nossos clientes e fornecedores, impulsionados por mais de 24 mil colaboradores dedicados em todo o mundo, todos os dias protegemos os alimentos de forma sustentável para centenas de milhões de pessoas em mais de 160 países. Estamos aqui para cumprir um propósito, nos comprometendo a tornar os alimentos seguros e disponíveis em todos os lugares. E prometemos proteger o que é bom: os alimentos, as pessoas e o planeta. 
(Informações para a imprensa   Néctar Comunicação Corporativa – tetrapak@nectarc.com.br)

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1911 de 19 de março de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições ambientais do período foram favoráveis ao bem-estar das matrizes, com exceção do dia 15/03 (domingo), quando as temperaturas passaram de 30 °C. O final do ciclo das espécies forrageiras anuais também tem causado problemas na composição da dieta dos animais, afetando, de forma mais significativa, os produtores que não possuem estoques de feno e silagem para compensação.

Na de Caxias do Sul, nos sistemas a pasto, as forrageiras se desenvolveram bem, permitindo a produção de leite com menor custo. Nos sistemas confinados ou semiconfinados, foi utilizada silagem como base forrageira e concentrados proteicos parabalanceamento da dieta. O calor em alguns dias do período provocou estresse térmico nos animais, principalmente em sistemas a pasto sem sombra e em sistemas confinados sem ventilação ou aspersores. Muitos produtores colocaram as vacas para pastejo pela manhã e final da tarde, tratando com silagem nos cochos cobertos nos momentos mais quentes do dia.  

Na de Erechim, o desempenho geral da atividade está dentro da normalidade, e há boa disponibilidade de água para os rebanhos. Em razão da melhora nas pastagens com aumento da umidade, muitos produtores voltaram a utilizar mais intensamente os piquetes de pastoreio, reduzindo parcialmente o uso de alimentos conservados para fornecimento de volumoso e complementação energética das dietas. Ainda assim, continua a necessidade de suplementação da dieta com silagem, feno e pré-secado. As temperaturas elevadas, associadas à umidade do ar, aumentaram o risco de estresse térmico.  

Na de Frederico Westphalen, o escore corporal do rebanho está apropriado, embora o pouco desenvolvimento das pastagens contribui para o menor consumo de alimento e menor ganho de peso. 

Na de Ijuí, a produção apresentou leve estabilização em termos de quantidade recolhida em relação à semana anterior. O tempo quente e seco causou estresse nos animais em sistemas estabulados, o que exigiu aumento da aeração e aspersão de água para diminuir o calor. Por outro lado, o tempo seco tem favorecido a sanidade animal e a qualidade do leite produzido. 

Na de Passo Fundo, a produção ficou estável no período. A sanidade dos rebanhos está adequada, e os produtores realizam o manejo, visando ao controle de endo e ectoparasitas. As diferentes categorias animais — de terneiras às vacas em lactação — seguem recebendo nutrição balanceada com pastagens, silagem e suplementação conforme cada categoria.  

Na de Pelotas, observa-se redução ou estagnação na produção em propriedades com menor disponibilidade de alimento para os animais devido aos efeitos da estiagem. Em vários casos, os produtores estão utilizando silagem e ração para complementar a alimentação do rebanho e garantir a manutenção da atividade. No manejo do rebanho, destacam-se o controle de parasitas e cuidados com o bem-estar animal. 
 
Na de Santa Maria, a condição nutricional dos rebanhos, de modo geral, continua adequada pois há boa oferta de forragem. Na de Santa Rosa, a continuidade de temperaturas elevadas aumentou o estresse térmico das vacas, reduzindo o consumo alimentar e refletindo na produção de leite. Os produtores têm utilizado ventiladores associados à aspersão de água para promover o resfriamento corporal e aumentar o conforto e o bem-estar dos animais. Estão sendo utilizadas grandes quantidades de alimentos conservados, como silagem e feno, para suprir a demanda dos animais.  

Na de Soledade, o sistema de produção à base de pasto nas propriedades familiares produtoras de leite ainda possui relativa rentabilidade. A temperatura mais amena durante o período reduziu os efeitos do estresse calórico aos rebanhos. (Emater editado pelo Sindilat)


Jogo Rápido

Chuva e tempo seco devem se intercalar pelos próximos dias no RS
Na próxima semana, o tempo deverá apresentar variabilidade no Rio Grande do Sul, com a atuação de sistemas que favorecerão períodos de instabilidade, intercalados com momentos de estabilidade. É o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorológico 12/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Sexta-feira (20/3): o tempo deverá permanecer predominantemente estável em parte do estado. Há probabilidade de chuva fraca apenas em pontos isolados.  Sábado (21/3) e domingo (22/3): o avanço de uma frente fria deverá trazer instabilidade, com previsão de chuva fraca a moderada, localmente forte, em grande parte do território gaúcho. Segunda (23/3) e terça-feira (24/3): a passagem de um novo sistema de baixa pressão poderá contribuir para a manutenção do tempo instável, com previsão de chuva em praticamente todas as regiões do estado.  Quarta-feira (25/3): o sistema começará a se afastar, mantendo a instabilidade mais restrita à metade Norte. Dessa forma, há previsão de chuva fraca a moderada nessa região, enquanto nas demais áreas o tempo deverá permanecer estável, sem previsão de chuva significativa. Neste dia, as temperaturas deverão apresentar leve declínio, principalmente na metade Sul.  De forma geral, os acumulados de precipitação deverão variar entre 2 e 50 milímetros ao longo da semana. Em alguns pontos isolados da Fronteira Oeste e Litoral Sul, o valor poderá ser um pouco superior e ficar entre 50 e 100 milímetros.  O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.


Porto Alegre, 19 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.593


Brasileiros 50+ sustentam consumo premium e redefinem prioridades no varejo

A transição demográfica em curso no Brasil e no mundo já se traduz em impacto direto no consumo de bens massivos. Dados do estudo Consumer Insights 2025 – O Shopper no Controle: Como suas decisões reorientam o varejo e a indústria, da Worldpanel by Numerator, mostram que os lares com consumidores acima de 50 anos ampliam sua participação e consolidam protagonismo nas decisões de compra, reforçando sua relevância estratégica para a indústria e o varejo.

Hoje, mais de um quarto da população brasileira tem 50 anos ou mais — participação que passou de 17%, em 2010, para 26%, em 2022. O movimento reflete a mudança na estrutura demográfica do país e ocorre em paralelo à redução do tamanho médio dos lares, fatores que reconfiguram padrões de consumo. Esse contingente concentra renda, protagoniza decisões de compra e impõe novos parâmetros de valor às categorias.

Mesmo em um ambiente de pressão sobre a renda, a população 50+ mantém padrões de consumo mais qualificados e maior direcionamento para categorias associadas a bem-estar e prevenção. Esse grupo gasta, em média, 6% acima do total dos shoppers em bebidas e pet food e 10% a mais em medicamentos sem prescrição (OTC).

Além disso, quando analisamos o ciclo de vida dos lares, a relação entre pressão econômica e configuração familiar ajuda a explicar por que consumidores 50+ têm sustentado um padrão de compra mais qualificado. À medida que os filhos deixam a casa, muitos lares avançam para estágios menos pressionados — seja como casais maduros, lares independentes ou arranjos seniores. Esses perfis passam a operar com maior estabilidade financeira e menor volatilidade, reforçando consumo premium e ampliando investimentos em bem-estar e prevenção.

Em contraste, famílias com crianças ou adolescentes seguem mais pressionadas, com maior fragmentação do gasto e escolhas mais sensíveis a preço, o que ressalta a relevância estratégica dos lares seniores e independentes como âncoras de valor no varejo.

A saúde ocupa papel central

Entre os consumidores 50+, 57,3% declaram monitorar a saúde sempre ou com frequência, percentual superior ao observado na média da população (46,3%). As principais preocupações estão relacionadas a colesterol, diabetes e hipertensão, o que influencia decisões de compra recorrentes.

O comportamento preventivo também aparece no consumo de suplementos: 33,1% afirmam consumir vitamínicos sempre ou frequentemente, acima da média nacional (28,3%). A busca está menos associada a tratamento e mais à manutenção de qualidade de vida ao longo do tempo.

No padrão alimentar, observa-se maior atenção ao controle de ingestão. Enquanto 10,9% declaram buscar ativamente produtos sem açúcar, 12,9% preferem adoçantes — proporção superior à média da população (8,5%). O movimento indica ajustes graduais na dieta, alinhados à gestão de saúde.

No varejo, o grupo concentra maior participação no canal moderno — supermercados de rede e hipermercados — favorecendo ambientes com maior amplitude de sortimento, incluindo linhas premium. Também registra 10% mais ocasiões de consumo associadas à saudabilidade em comparação com a média, e o atributo “saudável” já representa 15,4% dos motivos de consumo desse público.

Há ainda um padrão distinto de escolha de marcas. Consumidores 50+ acessam um portfólio mais restrito e apresentam maior concentração de gasto, indicando comportamento menos orientado à experimentação e mais à continuidade.

O resultado é um segmento com maior previsibilidade de consumo e menor volatilidade nas decisões. Para indústria e varejo, trata-se de uma base relevante para estratégias de rentabilidade, fidelização e desenvolvimento de portfólio com foco em valor agregado.

 As informações são da Worldpanel by Numerator, resumidas pela Equipe MilkPoint.


Como a água da chuva completa o ciclo produtivo de fazendas que são destaque na sustentabilidade

Com a proximidade do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o MilkPoint destaca produtores de leite que fazem a diferença na preservação deste recurso essencial para a cadeia e o planeta. Nesta edição, duas propriedades mostram como é possível combinar eficiência produtiva, sustentabilidade e redução de custos por meio do reaproveitamento da água.

Com a proximidade do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o MilkPoint destaca produtores de leite que fazem a diferença na preservação deste recurso essencial para a cadeia e o planeta. Nesta edição, duas propriedades mostram como é possível combinar eficiência produtiva, sustentabilidade e redução de custos por meio do reaproveitamento da água.

Na Fazenda Santa Carla, o produtor Alessandro Chiogna transformou a água da chuva em um recurso estratégico: a água captada dos telhados é armazenada em um reservatório de 4 milhões de litros e reaproveitada em diferentes etapas da produção, do resfriamento dos animais à fertirrigação das lavouras.

Água da chuva: da captação ao ciclo completo

Segundo Alessandro Chiogna, o sistema de aproveitamento da água na Fazenda Santa Carla é simples, mas extremamente eficiente: "Nós aproveitamos a água da chuva há vários anos na fazenda. Toda a água que cai no telhado do barracão é canalizada para um tanque de água de 4 milhões de litros. E a gente reutiliza essa água para aspersão do gado", explica o produtor.

O processo gera benefícios duplos: redução do consumo de água potável e resfriamento dos animais, melhorando o conforto térmico do rebanho. Além disso, a água retorna ao sistema produtivo:

"Ela volta a re-circular no sistema. A gente capta a água da chuva, resfria as vacas com ela, e a água que cai no chão do curral também é reaproveitada para a limpeza dos barracões e dos sistemas de flushing. No final, o excedente ainda é usado na fertirrigação", completa Chiogna.

Para o produtor, essa estratégia é de baixo custo, mas gera impacto ambiental e econômico significativo. "Dessa forma, conseguimos aproveitar o benefício do meio ambiente, reduzir custos e melhorar a produtividade. Tudo isso torna a propriedade mais sustentável", destaca.

Reaproveitamento simples e eficiente na Fazenda Moleque

Da mesma maneira, a Fazenda Moleque, de Erasmo Carlos Rabelo, também investe em soluções práticas para otimizar o uso da água. Segundo a Gerente da Fazenda, Meire Soares da Costa, a reutilização impacta diretamente no custo e na gestão da propriedade:

"Sim, temos redução nos custos. Reutilizamos a água da chuva para a limpeza das pistas do barracão. O melhoramento da gestão é nítido, é um processo simples que faz toda a diferença", afirma Meire.

Além disso, a propriedade observa benefícios adicionais: menor uso de máquinas, diminuição do consumo de energia e aproveitamento dos dejetos do rebanho na fertilização do solo.

"Utilizamos a água para limpeza das pistas e, com isso, temos um manejo mais eficiente. Ainda aproveitamos os dejetos para fertilização da terra", explica Meire.

Um ponto importante destacado por ela é o dimensionamento do armazenamento: "O conselho é investir em piscinões que comportem toda a água, para garantir que nada seja desperdiçado", completa a gerente.

Sustentabilidade e eficiência: lições para outros produtores

Tanto a Fazenda Santa Carla quanto a Fazenda Moleque mostram que, mesmo soluções simples e de baixo custo, quando planejadas, podem gerar ciclos produtivos virtuosos e reduzir significativamente o impacto ambiental. Para Alessandro e Meire, a chave está no planejamento, no aproveitamento de recursos naturais e na integração do sistema de água com a rotina de manejo.

"É uma atitude simples, mas que pode impactar muito qualquer propriedade", resume Chiogna, reforçando a importância da água como recurso estratégico na pecuária de leite. (Milkpoint)

Pecuarista que investe em genética mantém aposta em tecnologia, diz Asbia

A entrada de doses de sêmen bovino no mercado brasileiro cresceu em 2025 em relação ao ano anterior, segundo a Asbia, isso é reflexo de uma mudança estrutural na pecuária nacional.

A entrada de doses de sêmen bovino no mercado brasileiro cresceu 15,5% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) em parceria com o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), da USP.

Para a Asbia, o avanço reflete uma mudança estrutural na pecuária nacional. “É um registro claro de que o pecuarista que começa a investir em genética mantém seus investimentos, pois percebe os ganhos reais em produtividade”, afirmou Lilian Matimoto, executiva da entidade.

De acordo com o levantamento, o volume considera o total produzido no país somado às doses importadas. Em 2025, foram produzidas 23.097.678 doses de sêmen, alta de 12,46% em relação a 2024. Já as importações somaram 7.275.207 doses, crescimento de 26,71% na mesma base de comparação.

Tecnologia sustenta crescimento

Ao analisar os dados históricos da venda de sêmen, do uso de inseminação artificial (IA) e adoção da inseminação artificial em tempo fixo (IATF), a Asbia avalia que, apesar das variações do ciclo pecuário, o crescimento do mercado está diretamente ligado à adoção de tecnologias de melhoramento genético.

“Estamos falando de uso de tecnologias, que trazem uma maior rentabilidade ao produtor em um menor tempo de produção, um caminho sem volta. O efeito do ciclo pecuário existe sim e talvez seja algo que teremos que repensar como trabalhar a favor (com planejamento), mas a cada mudança de ciclo, os patamares anteriores são sempre superados”, destacou Lilian.

Investimentos acompanham valorização do bezerro

Matimoto explica que entre os anos de 2018 a 2021, observou-se uma relação clara entre a valorização do bezerro, a diminuição do abate de fêmeas e o crescimento dos investimentos em genética. 

Segundo ela, nesse período, as vendas de doses de sêmen para o cliente final subiram de menos de 14 milhões de doses (2018) para mais de 25 milhões (2021). No mesmo intervalo, o bezerro quase dobrou de valor, e o abate de fêmeas caiu cerca de 20%.

“Entretanto, mesmo com a retomada do ciclo a partir de 2021, podemos verificar que os investimentos em genética se mantiveram muito aquecidos, com vendas totais sempre acima das 22 milhões de doses, mesmo em cenários de maior abate de fêmeas e desvalorização do bezerro”, apontou a executiva.

Exportações ampliam presença da genética brasileira 

Ainda em 2025, de acordo com o levantamento da Asbia/Cepea, a saída de sêmen, que considera vendas ao cliente final, exportações e contratos de inseminação por prestação de serviço, cresceu 8,87%, somando 27.979.347 de doses comercializadas. 

Lilian acredita que apesar dos desafios comerciais, a genética brasileira é reconhecida mundialmente e apresenta crescimento contínuo. 

“Hoje nossas exportações se concentram mais nos países da América do Sul e Central, até mesmo pela característica de clima, mas outros mercados têm se interessado pelo nosso trabalho e apontado chances cada vez maiores de aumento das exportações. Isso indica que, depois de um ano de recordes, temos tudo para seguir avançando e levando a genética brasileira para o mundo”, afirmou.

Genética leiteira bate recorde de produção 

Um outro destaque do levantamento feito pela Asbia foi a produção de sêmen com aptidão leiteira, que aumentou 20,90% em relação a 2024, alcançando o recorde histórico de 3.819.753 doses. 

Marcos Barbosa, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, acredita que tal crescimento aponta para uma mudança estrutural na pecuária de leite brasileira, impulsionada pela busca por maior eficiência e consolidação do setor. 

Segundo ele, mesmo com a baixa remuneração e a redução do preço do leite, o aumento observado no número de inseminações reflete a adoção de tecnologias reprodutivas e genômicas pelas propriedades, de modo que elas possam se tornar cada vez mais competitivas.

“A genética tem papel fundamental na eficiência alimentar dos rebanhos leiteiros, pois permite identificar e selecionar animais capazes de produzir o mesmo volume de leite e sólidos consumindo menos alimento, sem comprometer a saúde ou a fertilidade. Trata-se de uma característica complexa, mas que permite avanços consistentes por meio de programas de melhoramento”, apontou.

As informações são do Canal Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

Quase 25% das empresas não conseguem gerar caixa suficiente para pagar os juros de suas dívidas
O anúncio quase simultâneo das recuperações extrajudiciais do Grupo Pão de Açúcar e da Raízen na semana passada acendeu um alerta sobre a saúde financeira do setor corporativo brasileiro. O juro alto fez o custo da dívida das empresas aumentar e encareceu boa parte dos planos de investimentos. Entre as companhias abertas brasileiras, por exemplo, 24% já não conseguem gerar caixa suficiente para pagar os juros de suas dívidas, segundo um levantamento da consultoria especializada em reestruturação de dívida RK Partners. O estudo da consultoria leva em conta a situação das 282 empresas com ações listadas na Bolsa de Valores. Os estragos dos juros elevados no balanço das companhias também se refletem em outros indicadores: 23% das empresas têm alavancagem entre três vezes e seis vezes a relação dívida líquida/ebitda anual e 24% tem alavancagem acima de seis vezes. Esse tipo de comparação é importante porque o ebitda é olhado de perto pelos analistas. Ele revela o resultado operacional de uma empresa ao medir o lucro da companhia antes de juros, impostos, depreciação e amortização. “Vemos que algumas empresas ficaram com uma alavancagem elevada diante de uma taxa Selic muito alta. Até 2022, tínhamos em média 25 empresas de grande porte pedindo recuperação judicial e extrajudicial por trimestre. Agora, estamos com um patamar de 50 empresas”, diz Ricardo Knoepfelmacher, sócio da RK Partners. “Essa é uma tendência enquanto a Selic tiver alta. As empresas estão com o balanço muito machucado. Vão ter de fazer um esforço para reestruturar o capital.” (Estadão)


Porto Alegre, 18 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.592


Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE

No 4º trimestre de 2025, a aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária (Federal, Estadual ou Municipal) foi de 7,36 bilhões de litros, acréscimo de 8,6% em relação ao 4° trimestre de 2024, e aumento de 3,9% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. Trata-se da maior aquisição de leite nesses estabelecimentos de toda a série histórica, superando o recorde do trimestre anterior. No Gráfico I.11 é possível perceber um comportamento cíclico no setor leiteiro, em que os 4os trimestres, regularmente, apresentam pico de produção em relação aos trimestres anteriores impulsionado pelo período de safra em algumas das principais bacias leiteiras do País. O mês de maior captação dentro do período foi outubro, no qual foram contabilizados 2,48 bilhões de litros de leite.

No comparativo do 4º trimestre de 2025 com o mesmo período em 2024, o acréscimo de 580,72 milhões de litros de leite captados, em nível nacional, é proveniente de aumento de produção registrado em 19 das 26 UFs participantes da Pesquisa Trimestral do Leite. Em nível de Unidades da Federação, os acréscimos mais relevantes ocorreram no Rio Grande do Sul (+161,48 milhões de litros), São Paulo (+92,43 milhões de litros) e Paraná (+70,73 milhões de litros). Em compensação, as reduções mais significativas ocorreram em Mato Grosso (-4,39 milhões de litros), Tocantins (-3,17 milhões de litros) e Mato Grosso do Sul (-2,23 milhões de litros). Minas Gerais continuou liderando o ranking de aquisição de leite, com 23,5% da captação nacional, seguido por Paraná (15,6%) e Rio Grande do Sul (13,5%) (Gráfico I.12).  

O preço médio do litro de leite cru pago ao produtor, no 4º trimestre de 2025, foi de R$ 2,21, valor 19,9% inferior ao praticado no trimestre equivalente do ano anterior. Em comparação ao preço médio auferido no 3º trimestre de 2025, também houve queda, sendo na ordem de 14,0%. (Gráfico I.13). 

Todos os estados com mais de três informantes apresentaram variação negativa no preço em relação ao 4º trimestre de 2024, sendo a maior variação verificada em Rondônia (-31,3%) com preço a R$ 1,91. O maior valor médio pago pelos laticínios sob inspeção ao leite cru (resfriado ou não) em UFs com mais de três informantes foi de R$ 2,44, em Roraima, e a menor média foi de R$ 1,81, no Tocantins, neste 4º trimestre de 2025. Segundo o IPCA, o item Leite e derivados teve queda na ordem de -3,63% no acumulado de janeiro a dezembro de 2025, no sentido oposto ao Índice geral da inflação de +4,26% no mesmo período. Dos oito subitens desta lista, as variações negativas no período foram verificadas no Leite longa vida (-12,87%) e na Manteiga (-4,48%), ao passo que os maiores aumentos se deram no Leite em pó (+5,33%) e Requeijão (+4,66). 

A maior parte da captação de leite pelos laticínios brasileiros foi realizada por estabelecimentos de grande porte, que receberam mais de 150 mil litros de leite/dia (6,9% do total de estabelecimentos) e foram responsáveis por 70,8% do volume de leite cru captado no 4º trimestre de 2025 (Tabela I.13). 

No 4º trimestre de 2025, participaram da Pesquisa Trimestral do Leite 2 002 estabelecimentos, 646 (32,3%) registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF), 882 (44,1%) nos Serviços de Inspeção Estadual (SIE) e 474 (23,7 %) nos Serviços de Inspeção Municipal (SIM), respondendo, respectivamente, por 87,8%, 10,4% e 1,8% do total de leite captado.  O Estado do Amapá foi a única Unidade da Federação a não participar da Pesquisa, por não apresentar estabelecimento elegível ao universo investigado. (As informações da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE - Publicado em 18/03/2025 às 09:00 adaptado pelo SINDILAT/RS)


GDT 400: estabilidade indica acomodação após ciclo de altas

O 400º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) apresentou estabilidade nos preços internacionais dos lácteos, com o price index variando 0,1%, e a média dos produtos comercializados foi USD 4.330/tonelada, após a sequência recente de altas mais expressivas observadas nos eventos anteriores.

O 400º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) indicou estabilidade nos preços internacionais dos lácteos, com o índice geral registrando leve variação de 0,1% e média de USD 4.330 por tonelada para os produtos comercializados, após uma sequência recente de altas mais expressivas observadas nos eventos anteriores.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT. 

O comportamento entre os derivados foi misto, com destaque para a gordura anidra do leite, que registrou a maior alta do leilão, com avanço de 6,4%, cotada a USD 7.602/tonelada. O movimento reforça a continuidade da valorização do segmento, sustentado por uma menor disponibilidade, decorrente da desaceleração sazonal da produção na Oceania.

O leite em pó desnatado (LPD) também apresentou desempenho relevante, com alta de 5,2%, atingindo USD 3.409/tonelada e mantendo trajetória de valorização nas últimas sessões. Por outro lado, o leite em pó integral (LPI) — principal produto negociado — registrou queda de 4,0% - revertendo as altas consecutivas dos últimos leilões, sendo negociado a USD 3.709/tonelada.

Gráfico 2. Preço médio LPI. 

Entre os queijos, a muçarela apresentou leve alta de 0,5%, chegando a USD 4.208/tonelada, enquanto o cheddar se manteve estável (+0,1%), cotado a USD 4.925/tonelada. A lactose, por sua vez, registrou leve recuo de 0,3%, sendo negociada a USD 1.450/tonelada. A tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 171/03/2026. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado volta a crescer

O volume total negociado no leilão somou 19.500 toneladas, representando alta de 3,4% frente ao evento anterior. Na comparação com o leilão equivalente em 2025, o volume ficou estável, com leve recuo de 0,2%.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Impacto nos contratos futuros

Com um mercado especulativo, os preços futuros vinham apresentando altas. Agora, reforçando essa visão de maior estabilidade no GDT, os preços futuros para os próximos meses passaram a apresentar variações desde o início de março, indicando um cenário de maior acomodação após um período de fortes e rápidas recuperações de preços. 

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures).  Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.


Impacto nos contratos futuros

Com um mercado especulativo, os preços futuros vinham apresentando altas. Agora, reforçando essa visão de maior estabilidade no GDT, os preços futuros para os próximos meses passaram a apresentar variações desde o início de março, indicando um cenário de maior acomodação após um período de fortes e rápidas recuperações de preços. 

Além disso, a recente valorização do dólar — influenciada pelo aumento das tensões internacionais — adiciona um novo elemento ao cenário doméstico. Com os preços internacionais em alta e o câmbio também mais elevado nesta última semana, a competitividade dos produtos importados diminui, o que pode trazer certo alívio aos preços nacionais e favorecer o processo de recomposição do mercado interno.

O GDT 400 marca um momento de transição no mercado lácteo internacional: após uma sequência de altas, os preços entram em fase de acomodação, mas seguem sustentados por fundamentos positivos. Para o Brasil, esse cenário — aliado ao comportamento recente do câmbio — pode contribuir para um ambiente mais favorável à sustentação dos preços ao longo de 2026, com possível menor volume de leite importado. (Milkpoint)

Produção Argentina

Produção de leite na Argentina iniciou em 2026 com crescimento de +10% versus mesmo período de 2025. 

Redução sazonal no 1 trimestre será seguido de crescimento a partir abril 2026. 

No Brasil as importações estão em alta. O ano que poderia ser de recuperação gradual e sólida de preços se mistura em cenário de incertezas geradas pela forte alta do leite spot (USD 0,60/L). 

O consumidor brasileiro será exposto a preço de lácteos fora da realidade do mercado internacional. Qual será o impacto? Será que os brasileiros irão conseguir absorver as altas sem queda de consumo? Histórico dos últimos anos revelam que esse cenário não é positivo para os atores da cadeia produtiva (produtores; cooperativas; indústrias; consumidores). (Dairylando)


Jogo Rápido

No Pampa Debates desta quinta-feira (12), Darlan Palharini comenta os reflexos da supersafra de produção leiteira em 2025, a queda no preço pago ao produtor e os desafios enfrentados pelo setor diante dos custos de produção e da concorrência com países como Argentina e Uruguai. Confira clicando aqui. (Pampa Debates)