Porto Alegre, 27 de março de 2026 Ano 20 - N° 4.599
Cadeia do leite acompanha debate sobre propostas de redução da jornada de trabalho
As discussões sobre possíveis mudanças na legislação trabalhista, incluindo a redução da jornada semanal, têm mobilizado diferentes setores da economia, entre eles a cadeia produtiva do leite.
Em março, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados (CSLEI) encaminhou um documento ao Ministério da Agricultura e Pecuária com considerações sobre propostas que envolvem alterações na escala de trabalho atualmente praticada. A entidade integra o Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), vinculado ao ministério.
No documento, a CSLEI apresenta estimativas sobre possíveis impactos da redução da jornada de 44 para 36 horas semanais. Entre os pontos destacados, estão a necessidade de ampliação da força de trabalho e os efeitos nos custos operacionais, caso as mudanças sejam implementadas.
A pecuária leiteira, segundo a entidade, possui características específicas de funcionamento, com atividades contínuas ao longo de todo o ano. A produção exige rotinas diárias, incluindo ordenhas realizadas em diferentes turnos, o que demanda organização constante da mão de obra. O setor também ressalta a importância de análises técnicas para avaliar os impactos das propostas em atividades com operações ininterruptas e produtos perecíveis, como o leite.
Entidades representativas do agro, como o Sistema FAEP, também têm acompanhado o tema e defendem a ampliação do debate com participação de diferentes segmentos produtivos. Estudos elaborados pela instituição indicam possíveis efeitos sobre custos e estrutura de trabalho no setor agropecuário.
De acordo com levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, eventuais mudanças na jornada poderiam gerar impactos econômicos na agropecuária paranaense, considerando a atual base de empregos e a massa salarial do setor. O tema segue em discussão em âmbito nacional e envolve diferentes perspectivas, incluindo aspectos trabalhistas, econômicos e produtivos. A expectativa das entidades é que o debate avance com base em estudos técnicos e diálogo entre os diversos agentes envolvidos.
As informações são do Sistema FAEP, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1912 de 26 de março de 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção de leite continua com leve queda na maioria das propriedades devido à redução na oferta e na qualidade das forrageiras anuais de verão. A forte elevação das temperaturas no início e posteriormente no final do período causaram estresse nas matrizes.
É um momento significativo de organização por parte dos produtores para a realização da ensilagem das lavouras de milho nos municípios da Campanha e para a aquisição de sementes e fertilizantes para a implantação das pastagens de aveia e azevém.
Na de Caxias do Sul, o gado leiteiro apresentou boa condição corporal e sanidade, sem problemas significativos. Foram relatados alguns casos de mastite, que foi controlada com antibióticos e de ectoparasitas eliminados. Nas propriedades em sistemas à base de pasto, foram utilizadas principalmente pastagens perenes, já que as anuais finalizaram o ciclo. Nos sistemas confinados, foi fornecida especialmente silagem de milho como volumoso, além de outras forragens conservadas e concentrados protéicos para o balanceamento da dieta. Nesta semana, o tempo continuou quente, causando estresse térmico nas vacas leiteiras.
Na de Erechim, a recuperação das pastagens perenes e anuais de verão possibilitou aumento na oferta de matéria verde e maior frequência de pastoreio, reduzindo parcialmente o uso de alimentos conservados para complementar a dieta. No geral, a sanidade dos rebanhos está estável e os manejos reprodutivos e sanitários seguem em dia.
Na de Frederico Westphalen, continua o manejo sanitário para controle de ectoparasita, como carrapato, que apresenta incidência significativa nas propriedades. Na de Ijuí, a produção de leite está em queda na região, especialmente nas propriedades em sistema de produção a pasto, devido ao vazio outonal e a redução do número de animais em lactação. Nas propriedades em sistema de confinamento, a pequena redução de temperatura e do estresse térmico beneficiou o aumento do consumo de alimentos pelos animais. A qualidade do leite coletado segue adequada, com redução dos índices de Contagem Padrão em Placas (CPP) e Contagem de Células Somáticas (CCS).
Na de Passo Fundo, o manejo dos rebanhos e da atividade leiteira reflete em estabilidade na produção de leite, apesar da redução inicial da qualidade das pastagens anuais, situação que exige ajuste nas dietas, visando adequar a nutrição nesse período de transição. As condições sanitárias dos rebanhos estão normais, e continua o controle de endo e ectoparasitas. Foi registrada a ocorrência de Leite Instável Não Ácido (LINA).
Na de Pelotas, as chuvas recentes contribuíram para a recuperação das pastagens e para o desenvolvimento das lavouras, especialmente de milho para silagem, embora em algumas áreas ainda haja dificuldade devido à estiagem prolongada ou problemas pontuais de disponibilidade de água. Ainda assim, os rebanhos, em geral, mantêm condição corporal satisfatória. Em relação ao aspecto sanitário, há atenção para o aumento da incidência de carrapato e necessidade de prevenção de doenças, como a tristeza parasitária bovina, além da importância da vacinação.
Em Porto Alegre, o estado geral dos rebanhos está adequado. Porém, tem sido necessário aumentar a suplementação alimentar devido ao intervalo entre o estabelecimento das pastagens cultivadas para manter a produção e a condição corporal dos animais. Quanto ao aspecto sanitário, observa-se a presença de carrapatos nos rebanhos.
Na de Santa Maria, no município sede, bovinos de leite apresentam boa condição nutricional em função das pastagens perenes de verão. Os produtores com rebanhos maiores têm alimento estocado, e os demais mantêm o manejo nutricional ajustado, por trabalharem com pastos perenes e sobre semeadura com pastagens de inverno e em pastoreio racional. Os animais apresentam adequadas condições sanitárias.
Na de Santa Rosa observa-se investimentos pontuais nas propriedades, em melhorias em instalações, aumento do fornecimento de concentrado, motomecanização e manutenção de sistemas de pastoreio rotativo, principalmente com Tifton, utilizada também como cama das vacas no período noturno, evidenciando estratégias de manejo para a redução de custos e melhoria do bem-estar animal. (Emater/RS editado pelo Sindilat/RS)
O que esperar do clima para a agropecuária gaúcha nos próximos meses
A previsão do APEC Climate Center (APCC), centro de pesquisa sediado na Coreia do Sul, aponta para um enfraquecimento gradual do La Niña nos próximos meses, com 84,6% de probabilidade de transição de condições de neutralidade para condições de El Niño durante o trimestre abril-maio-junho.
É o que aponta o Boletim Trimestral do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
As previsões apresentadas pelo boletim são baseadas no modelo estatístico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O prognóstico indica chuvas irregulares para o mês de abril, ficando próxima a ligeiramente abaixo da média no mês na maior parte do Rio Grande do Sul, pontualmente com chuvas acima da média em áreas restritas. Nos meses de maio e junho, há uma maior tendência de que as chuvas fiquem próximas a ligeiramente acima da média na maior parte do estado.
As temperaturas do ar devem sofrer grande variabilidade ao longo do trimestre, havendo períodos quentes e outros com incursão de massas de ar frio, eventualmente fortes. A tendência indica anomalias de normal a ligeiramente acima da média nas temperaturas do ar.
O boletim do Copaaergs é elaborado a cada três meses por especialistas em Agrometeorologia de dez entidades estaduais e federais ligadas à agricultura ou ao clima. O documento também lista uma série de orientações técnicas para as culturas do período. Confira: Forrageiras e conforto animal
O vazio forrageiro outonal coincide com o final de ciclo produtivo das pastagens de verão e com o momento da implantação das pastagens de inverno ou melhoramento do campo nativo com a técnica de sobressemeadura, para o qual indica-se:
Realizar a semeadura de forrageiras de inverno de ciclo longo, anuais ou perenes, o mais cedo possível, desde que haja condições de umidade adequada, evitando-se o manejo de solos encharcados;
Evitar a aplicação de ureia nas forrageiras em dias com previsão de alta precipitação pluviométrica;
Reduzir a carga animal em pastagens naturais, mantendo uma disponibilidade forrageira de no mínimo 8%;
Diferir potreiros com pastagens cultivadas de inverno e campo nativo, melhorado com sobressemeadura de espécies hibernais para permitir o reestabelecimento dessas espécies e acumular forragem para o período hibernal, respeitando uma altura mínima para o pastoreio de 15 a 18 cm;
Priorizar os melhores campos, preferencialmente diferidos ou cultivados, para as categorias animais em crescimento, como terneiros e terneiras desmamadas, novilhas de primeira-cria e fêmeas gestantes;
Utilizar sistemas sustentáveis como a Integração Lavoura-Pecuária para novilhos em terminação, visando melhorar a produtividade do rebanho;
Embora o período seja caracterizado por temperaturas mais amenas que as registradas no verão, com a possibilidade de registros de ondas de calor, os produtores rurais devem ficar atentos ao manejo dos animais nas estações de transição, como o outono, para adotar medidas que incluem fornecimento de sombra, ventilação e dieta adequadas, e monitorar, com frequência, o rebanho para evitar prejuízos econômicos devido ao estresse térmico. (Correio do Povo)
Jogo Rápido
Declaração de Rebanho 2026 começa na próxima quarta (1º/4); saiba como fazer
Começa na próxima quarta-feira (1º/4) o período para a Declaração Anual de Rebanho referente ao ano de 2026. O prazo se encerrará em 30 de junho. A Declaração de Rebanho é uma obrigação sanitária de todos os produtores rurais gaúchos detentores de animais. “O conjunto de informações obtidas por meio da declaração subsidia políticas públicas mais aderentes à realidade do campo, especialmente as relacionadas à vigilância e defesa sanitária animal, permitindo que o Estado atue com maior efetividade no apoio aos produtores e na proteção do patrimônio sanitário”, destaca o diretor adjunto do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Paulo André Santos Coelho de Souza. Este ano, são esperadas cerca de 358 mil declarações. “Temos boas expectativas na adesão pela entrega online, que traz facilidade e agilidade ao produtor. A Declaração Anual de Rebanho é uma ferramenta essencial, a qualidade desses dados impacta diretamente na capacidade de planejamento e resposta do serviço veterinário oficial, especialmente em cenários que exigem agilidade e precisão”, comenta o chefe da Divisão de Controle e Informações Sanitárias, Richard Daniel Soares Alves. A declaração pode ser feita diretamente pela internet, em módulo específico dentro do Produtor Online. Um tutorial ensinando a realizar o preenchimento pode ser consultado aqui. Caso prefira, o produtor também pode fazer o preenchimento nos formulários em PDF ou presencialmente nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, com auxílio dos servidores da Seapi e assinando digitalmente com sua senha do Produtor Online. Em 2025, a declaração teve adesão de 89,17%, um aumento de quatro pontos percentuais em relação ao índice registrado no ano anterior. Para mais informações: www.agricultura.rs.gov.br/declaracao. (As informações são da Seapi editadas pelo Sindilat)
