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Porto Alegre, 13 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.589


Inteligência artificial deve impulsionar nova fase da cadeia leiteira no Rio Grande do Sul

Especialistas apontam a inteligência artificial como aliada para uma nova fase da cadeia leiteira no RS. Investimentos em tecnologia e pesquisa buscam ampliar a produtividade, melhorar a qualidade do leite e fortalecer a renda dos produtores, com monitoramento desde a fazenda até o consumidor.

O futuro da cadeia leiteira deve ter a inteligência artificial como aliada. É o que apontam os especialistas do setor que participaram do painel Conecta GZH, nesta última quarta-feira (11) na Expodireto, em Não-Me-Toque.

Com o tema "Do campo ao consumidor: como a tecnologia pode elevar a qualidade do leite gaúcho", o debate contou com a presença do professor da Universidade de Passo Fundo (UPF), Carlos Bondan, do presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, e do gerente de prestação de serviços da UPF, Clóvis Tadeu Alves. 

Conforme Bondan, a metade norte do Estado é responsável pela maior produtividade de leite do RS, com 70% do volume total. Nesse contexto, a UPF investiu aproximadamente R$ 2,8 milhões para a aquisição de equipamentos que permitem análises mais completas e ágeis do leite e da reprodução animal.

"A atividade leiteira é uma das que tem o maior potencial de geração de recursos financeiros e de distribuí-los dentro de uma cidade e região. Diante disto, a UPF criou o laboratório do leite e queremos dar um novo passo com outros equipamentos", explicou.

A partir desses investimentos, a universidade pretende estruturar um centro de inteligência artificial para monitorar a qualidade do leite em todas as etapas produtivas — desde a fazenda até o consumo final.

"Nosso objetivo é tornar o RS o Estado que mais produz leite no Brasil" projeta o professor.

Produtores investem em tecnologia

Um acompanhamento feito pela UPF mostra que, desde 1997, o setor leiteiro tem apresentado redução no número de produtores. Porém, segundo o gerente de prestação de serviços da universidade, quem fica na área investe em mais animais, focando no aumento da produtividade.

"Nas últimas décadas, tivemos exclusão de produtores, mas inclusão de animais. Ou seja, para se manter nessa cadeia, tem que ter volume de produtividade. Quem fica na atividade tem alto volume e consegue controlar o custo" pontuou Clóvis Tadeu Alves. 

Neste cenário, o apoio ao produtor prestado pela Emater é essencial. De acordo com o presidente da entidade, o trabalho desenvolvido acompanha de perto as pesquisas e extensões das universidades.

Entre as apostas a longo prazo estão os equipamentos modernos para análise de leite e o sistema de análise espermática, ideal para pesquisas sobre reprodução animal. Essas tecnologias têm potencial de aumentar a produtividade e, consequentemente, a renda.

"Sempre que surge uma tecnologia, o produtor vai ter que fazer o investimento", resume o gerente de prestação de serviços da UPF.

As informações são do GZH, via Milkpoint, editadas pelo Sindilat.


Exportações de lácteos da Argentina caem 23% em janeiro, após forte desempenho ao fim de 2025

As exportações de produtos lácteos da Argentina registraram queda em janeiro na comparação com dezembro de 2025. Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), os embarques somaram 38.992 toneladas no primeiro mês de 2026 — uma retração de 22,9% em relação ao mês anterior.

Em valor, as vendas externas alcançaram US$ 147,3 milhões, redução de 22,2%. Na prática, foram exportadas cerca de 11,6 mil toneladas a menos, o equivalente a US$ 42 milhões. Na comparação anual, porém, o cenário é diferente. Em relação a janeiro de 2025, as exportações cresceram 31,8% em volume e 26,6% em receita. O OCLA ressalta, no entanto, que esse avanço expressivo ocorre porque o volume exportado no início do ano passado foi excepcionalmente baixo.

Com isso, a participação das exportações na produção total de leite da Argentina ficou em 29,1% em janeiro de 2026 — um nível considerado dentro da faixa histórica normal.

Preços também recuam

O preço médio das exportações foi de US$ 3.778 por tonelada em janeiro, queda de 4% em relação ao mesmo mês de 2025. No caso do leite em pó — principal produto exportado pelo país, responsável por 42,4% dos embarques totais — o preço médio foi de US$ 3.492 por tonelada, 11,7% abaixo do registrado no ano anterior.

Fator sazonal explica parte da queda

De acordo com o OCLA, a redução nas exportações tem forte relação com a sazonalidade da produção de leite na Argentina. O país registra seu pico produtivo na primavera. Nesse período, que vai da saída do inverno até o final do ano, é comum que as exportações aumentem para escoar os excedentes de produção. Quando a produção diminui, esse movimento tende a desacelerar — o que ajuda a explicar o desempenho de janeiro.

Outro fator relevante é o forte desempenho de dezembro. O último mês de 2025 registrou um volume elevado de exportações, o que amplia a diferença na comparação mensal. Mesmo assim, quando se analisa o acumulado anual, o desempenho externo permanece positivo: tanto o volume quanto o valor exportado cresceram mais de 25% em relação ao ano anterior.

Mercado interno segue pressionado

No mercado doméstico, os dados mostram comportamentos distintos dependendo da base de comparação. Em relação a janeiro de 2025, as vendas de produtos lácteos recuaram 5,6%. Já na comparação com dezembro, houve crescimento de 2,6%.

Esse resultado, porém, muda quando se observa o consumo em litros equivalentes — medida que considera o volume de leite utilizado na fabricação dos produtos. Nesse caso, foi registrada uma queda de 8% frente a dezembro.

Leite em pó lidera as quedas

Entre as principais categorias, o maior recuo nas vendas em relação a janeiro do ano passado ocorreu no leite em pó, com queda de 23,4%.

Na sequência aparecem:

Outros produtos lácteos (como doce de leite, manteiga e iogurtes): -9,1%

Leites fluidos: -5%

O consumo de queijos, por outro lado, apresentou crescimento de 1,9% na comparação anual. Esse segmento tem grande relevância para a cadeia, já que cerca de 50% da produção nacional de leite é destinada à fabricação de queijos.

Mudança no comportamento de consumo

O OCLA aponta duas possíveis explicações para a retração nas vendas.

A primeira está relacionada à base de dados utilizada. As informações de vendas são coletadas pela Direção Nacional de Laticínios a partir de indústrias que representam cerca de 60% do mercado, o que significa que parte relevante do consumo — incluindo marcas menores e o mercado informal — não é capturada pela pesquisa. Segundo o observatório, há indícios de que o segmento não monitorado possa ter registrado aumento nas vendas em janeiro.

Nesse contexto, uma das hipóteses é que consumidores estejam migrando das marcas líderes — incluídas no levantamento — para produtos mais baratos ou de marcas menores.

Além disso, o desempenho do consumo também reflete oscilações no poder de compra da população. “Há variações nesses períodos de acordo com a recuperação do poder aquisitivo das pessoas. Se compararmos janeiro deste ano com o de 2025, as vendas parecem menores porque naquele momento o desempenho havia sido relativamente bom, considerando que vínhamos de um 2024 mais difícil”, aponta o relatório (Com informações do Clarín, resumidas pela Equipe MilkPoint)

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1910 de 12 de março de 2026 

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
A atividade está estável na maior parte das regiões, e houve recuperação gradual da produção em áreas beneficiadas pelas chuvas do período. Ainda assim, as temperaturas elevadas seguem provocando estresse térmico nos rebanhos, reduzindo o tempo de pastejo e exigindo ajustes de manejo, como maior oferta de sombra, de água e de suplementação alimentar. Em diversas propriedades, estão sendo ofertados alimentos conservados, como silagem, feno e pré-secado, para complementar a dieta e garantir o atendimento das exigências nutricionais. O escore corporal e a qualidade do leite, avaliada pelos parâmetros legais, estão dentro de níveis adequados. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, em Manoel Viana e Alegrete, a produção vem reagindo gradualmente devido à melhoria da oferta de pastagens após as chuvas das últimas semanas. As temperaturas elevadas no período causaram estresse no rebanho, levando produtores a ajustar os horários de pastejo para reduzir impactos no consumo de forragem. A silagem produzida em janeiro e início de fevereiro já está sendo utilizada por alguns produtores, contribuindo para a qualidade da dieta das matrizes. 

Na de Caxias do Sul, os produtores suplementam os volumosos com silagem. As tardes ainda quentes exigiram medidas para diminuir o estresse térmico. Os bovinos a pasto têm buscado sombra e aguadas, e para os animais confinados foram utilizados ventiladores e vaporizadores para amenizar o calor. A qualidade do leite, avaliada pela contagem de células somáticas (CCS) e pela contagem padrão em placas (CPP), está dentro dos limites estabelecidos pelo Ministério da Agricultura – MAPA. 

Na de Erechim, os produtores que utilizam sistemas de pastoreio recolocaram os animais nos piquetes para melhor aproveitamento das pastagens, após a recuperação das áreas. A utilização de alimentos conservados, como silagens, fenos e pré-secados, continua como parte das dietas para complementar a oferta de nutrientes e atender à demanda energética dos rebanhos. 

Na de Ijuí, a produção apresentou leve queda. Porém, a curva de sazonalidade está menos acentuada do que no mesmo período de 2025. O escore corporal dos animais está bom, e a qualidade do leite coletado segue dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação. 

Na de Pelotas, em algumas propriedades, tem sido utilizada silagem e ração para suprir a menor disponibilidade de forragem. De modo geral, a produção está em bons níveis. Em relação ao aspecto sanitário, observa-se aumento da incidência de carrapatos em algumas propriedades, sendo recomendados tratamentos preventivos para evitar infestações mais severas. Também foram registrados casos de raiva em alguns municípios. 

Na de Santa Maria, as condições climáticas mais amenas têm proporcionado maior conforto aos animais, reduzindo o estresse térmico e favorecendo o consumo de forragem. 

Na de Santa Rosa, as altas temperaturas têm provocado estresse térmico nos rebanhos leiteiros, diminuindo o tempo de pastejo e levando os animais a buscar áreas sombreadas durante as horas mais quentes do dia. Embora os rebanhos estejam com escore corporal adequado, observa-se desenvolvimento mais lento e necessidade de intensificar o uso de alimentos conservados, como silagem, feno e pré-secado. 

Em Cândido Godói, as chuvas leves não interferiram no manejo das propriedades, mas as temperaturas elevadas têm demandado, nos sistemas semiconfinados, a intensificação do fornecimento de alimento no cocho para suprir as necessidades nutricionais do rebanho. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA
Na maior parte da próxima semana, o tempo deverá permanecer estável em todo o território gaúcho. No dia 13/03 (sexta-feira), o sistema deverá se afastar gradualmente, reduzindo sua influência sobre o Estado. Assim, há previsão de chuva fraca e passageira em pontos isolados da Serra e dos Campos de Cima da Serra. No dia 14/03 (sábado), o tempo voltará a ficar predominantemente estável, sem previsão de chuva significativa em todo o território gaúcho. Nos dias 15/03 (domingo), 16/03 (segunda-feira), 17/03 (terça-feira) e 18/03 (quarta-feira), as condições de estabilidade deverão continuar predominando na maior parte do Estado. Entretanto, nos dias 17 e 18/03, na Fronteira Oeste, poderá ocorrer chuva fraca a moderada, associado ao transporte de umidade. A partir do dia 16/03 (segunda-feira), as temperaturas deverão voltar a se elevar gradualmente. De forma geral, os acumulados de precipitação deverão chegar a 30 mm ao longo da semana. Em alguns pontos isolados da Fronteira Oeste e Campos de Cima da Serra, esse valor poderá ser ultrapassado. Nas regiões Central, Campanha e na porção mais a Sudeste, os valores previstos não ultrapassarão os 10 mm acumulados. (Fonte: Simagro – Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos)


Exportações de lácteos da Argentina caem 23% em janeiro, após forte desempenho ao fim de 2025 | EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1910 de 12 de março de 2026 | PREVISÃO METEOROLÓGICA

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Porto Alegre, 12 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.588


No Mercosul, crescimento do mercado de leite depende do aumento de consumo

O crescimento do mercado de leite no Mercosul está ligado à ampliação do consumo. A avaliação foi apresentada pelo consultor da Federação Pan-Americana de Laticínios (FEPALE) e pesquisador do INTA da Argentina, Alejandro Galetto, durante o 21º Fórum do Leite. Segundo o especialista, o bloco não registra avanço significativo no mercado desde 2014, refletindo problemas estruturais de competitividade, enquanto países como o México têm registrado crescimento significativo. “Não é um dos países isoladamente, é um problema do Mercosul. Reconhecer e identificar a causa é o primeiro passo para mudar o cenário”, afirmou nesta quarta-feira, 11/03, em Não me Toque (RS). 

Além de investir no aumento da demanda por leite, Alejandro Galetto recomendou mudanças estruturais que permitam atrair e manter recursos no setor. “É necessária uma mudança. A competitividade é pensada como a melhora de uma empresa individualmente, mas ela também está na capacidade do setor de atrair e manter recursos para crescer”, assinalou, ao relatar problemas comuns do bloco como custos de produção, sucessão nas propriedades e evasão para outras atividades. 

Conforme o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, o fórum reforçou a importância da gestão, alinhada aos diversos fatores que influenciam na produção leiteira, que vão desde o clima até o valor do leite ao produtor. “Na propriedade existem muitos elementos que influenciam o resultado, como o gerenciamento, a compra de insumos, a regularidade das chuvas para garantir alimentação de qualidade ao rebanho, entre outros aspectos”, assinalou, evidenciando a presença cada vez mais extensiva de tecnologias no campo que permitem monitorar indicadores e atingir o melhor aproveitamento dos recursos e resíduos dentro das propriedades para ampliar a rentabilidade da atividade leiteira.

A programação do fórum também incluiu palestras sobre manejo sustentável de dejetos orgânicos de bovinos de leite, com o pesquisador da Embrapa Marcelo Henrique Otenio, e sobre gestão econômica das propriedades, com o médico-veterinário Matheus Balduino Moreira, da Rehagro Consultoria. “O fórum se destacou muito nessa questão do gerenciamento da propriedade, dos indicadores e do aproveitamento de cada resíduo da própria propriedade rural para que consiga rentabilizar a propriedade leiteira”, destaca Darlan. (Assessoria de imprensa do Sindilat/RS)


Expodireto Cotrijal, bovinocultura de leite apresenta inovações, diz Emater/RS

A parcela de bovinos de leite da Emater/RS-Ascar na Expodireto Cotrijal 2026 apresenta temas voltados à qualificação da produção, ao bem-estar animal e às inovações no sistema produtivo. Entre os destaques, está um robô que faz a organização da silagem para alimentação do rebanho e a produção de leite A2-A2, que possui um mercado segmentado.

No espaço, os visitantes poderão conhecer equipamentos voltados ao manejo e ao bem-estar nos ambientes de ordenha, como o carrinho de distribuição de ração e o robô de limpeza, tecnologias que contribuem para a organização do trabalho e para melhores condições no dia a dia da atividade.

Segundo o extensionista rural Vilmar Leitzke, a proposta é contemplar tanto o bem-estar das pessoas que atuam na atividade quanto o dos animais, além de apresentar alternativas para qualificar a alimentação e o sistema produtivo. A equipe da Emater/RS-Ascar está disponível para dialogar com produtores e visitantes sobre oportunidades e perspectivas para a bovinocultura de leite, atividade de relevância econômica e social para o Rio Grande do Sul.

Os extensionistas rurais que recebem o público, também apresentam informações sobre a produção de leite A2-A2 e o que essa modalidade representa para os produtores. "O leite A2-A2 é uma possibilidade adicional de produção, além do sistema convencional baseado no leite A1".

Entre os principais assuntos abordados está o emprego da alfafa na alimentação dos rebanhos. "A alfafa ocupa o papel de rainha das forrageiras e é uma fonte importante de alimento que pode ser utilizada na alimentação animal. Estamos apresentando esse tema e aprofundando a discussão com os visitantes", destaca Leitzke.

Outro tema é a fase de criação de terneiras, com orientações sobre cuidados e adequação de ambientes de proteção. A proposta é apresentar soluções tecnológicas que permitam criar as terneiras de forma adequada, com foco no bem-estar animal e na formação de futuras vacas dentro dos padrões de qualidade. "A fase de criação da terneira é fundamental para que o ambiente não se torne um fator limitante ao desempenho do animal no futuro", ressalta o extensionista.

A Expodireto Cotrijal ocorre até sexta-feira (13), em Não-Me-Toque. Na Casa da Família Rural da Emater/RS-Ascar, há 14 espaços temáticos, demonstrando inovações em diversas áreas da agropecuária e das políticas públicas para o setor. (Emater/RS-Ascar)

Governo zera PIS e Cofins do diesel para segurar preço por causa da guerra no Irã

Presidente Lula anunciou também pagamento a produtores e importadores de diesel e a criação de um imposto de exportação sobre o produto com alíquota de 12%. Petróleo chega a US$ 100

O governo federal anunciou nesta quinta-feira a decisão de zerar o PIS e o Cofins do preço do diesel para conter a alta do combustível provocada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Além disso, uma medida provisória (MP) vai prever o pagamento de subvenção a produtores e importadores de diesel. O anúncio das medidas foi feito no Palácio do Planalto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— Estamos fazendo uma engenharia econômica para evitar que os efeitos da guerra chegam ao povo brasileiro — disse o presidente.

Além dele, participam do anúncio os ministros Rui Costa (Casa Civil), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Fernando Haddad (Fazenda) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).

Segundo Haddad, os decretos não interferem na política de preços da Petrobras.

— As medidas tomadas aqui não afetam em absolutamente nada e são independentes da política de preços da Petrobras que seguem seu ritmo de previsibilidade e sustentação da companhia em bases absolutamente solidas — disse o ministro.

De acordo com o ministro, o governo também vai editar uma MP que vai prever o pagamento de subvenção a produtores e importadores de diesel, no valor de R$ 0,32 por litro. Esse valor será abatido do preço final, ou seja, o consumidor terá um desconto.

Alívio de R$ 0,64
Somado o desconto à redução dos tributos, a estimativa do governo é de gerar um alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas, para conter a pressão de custos ao longo da cadeia e criar condições para que esse efeito chegue à população. Será editado decreto para regulamentar a subvenção.

A MP prevê ainda Imposto de Exportação como medida regulatória para aumentar o refino interno e garantir o abastecimento à população. Pelo texto da medida, a exportação de petróleo bruto passará a pagar imposto de 12%, enquanto a exportação de diesel terá alíquota de 50% enquanto durar o programa de subsídio ao combustível.

A taxação sobre o petróleo deve gerar arrecadação relevante para o governo. Segundo estimativas da equipe econômica, o imposto pode render cerca de R$ 15,6 bilhões em quatro meses. A medida, no entanto, pode ser revogada antes desse prazo caso o cenário internacional se normalize.

Outro decreto, a ser editado nesta quinta-feira, determina que os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível ao consumidor, informando a redução dos tributos federais e do preço em função da subvenção. (O Globo)


Jogo Rápido

Expodireto
O Banrisul e a Cooperativa Central Gaúcha Ltda (CCGL) assinaram um protocolo de intenções para a criação de um Centro de Consultoria Agrodigital, ação voltada à integração de tecnologia, assistência técnica e gestão no agronegócio. A iniciativa prevê inicialmente a seleção de 250 produtores que serão acompanhados ao longo de 18 meses. (Jornal do comércio)


Porto Alegre, 11 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.586


Reguladores aprovam megacordo de compra entre Fonterra e Lactalis

A venda da divisão de consumo da Fonterra para a Lactalis foi aprovada pelas autoridades regulatórias e, agora, o acordo deve ser concluído ainda no primeiro trimestre deste ano. Essa movimentação consolida o objetivo da cooperativa da Nova Zelândia em focar nos seus serviços B2B.

O contrato de NZ$4,22 bilhões (US$2,5 bilhões) vende para a Lactalis maior parte dos negócios de consumo da Fonterra, além de parte de suas operações de foodservice e ingredientes na Austrália, Oceania, Oriente Médio, África e sudeste asiático.

A transação inclui um retorno de ações de NZ$2,00 e proporcionará aos acionistas agricultores um retorno total de capital de NZ$3,2 bilhões, equivalente a cerca de NZ$393.000 por fazenda.

Enquanto isso, a Fonterra espera distribuir os lucros gerados durante o último ano fiscal como dividendo especial, informou a cooperativa em fevereiro.

“Estamos finalizando nossas contas intermediárias e podemos indicar que esperamos que o dividendo especial do Mainland esteja na faixa de 14-18 centavos por ação, refletindo o desempenho operacional do negócio Mainland durante o primeiro semestre deste ano, impulsionado pela gestão contínua de custos e preços favoráveis de commodities de entrada”, disse o CEO Miles Hurrell.

“Isso permanece sujeito à data de liquidação da transação e à finalização de nossas demonstrações financeiras e processo de auditoria.”

O que vem a seguir para Fonterra e Lactalis?

Já se passaram quase dois anos desde que a Fonterra anunciou uma mudança estratégica significativa, buscando transferir seu foco de produtos lácteos como commodities para ingredientes de maior valor agregado e foodservice.

Esse movimento foi precedido por anos de consolidação no setor, culminando com a decisão de vender seu portfólio de negócios de consumo, foodservice e outras atividades auxiliares — conhecidos coletivamente como Mainland Group — para a Lactalis, a maior empresa global do setor lácteo em termos de faturamento.

O processo de venda foi acompanhado de perto pela indústria ao longo de 2025, e inicialmente a Fonterra avaliou tanto uma venda privada quanto um IPO.

A liderança da cooperativa visitou mercados selecionados na Austrália e Oceania para sondar investidores, apoiada por um forte desempenho fiscal do Mainland Group, antes de optar pela venda privada como a forma mais simples de se desfazer de todos os negócios colocados à venda de uma só vez.

A Lactalis acabou sendo a vencedora da disputa, depois que a multinacional francesa também havia adquirido, no início daquele verão, o negócio de iogurtes da General Mills nos Estados Unidos.

O acordo reforça significativamente a posição já dominante da Lactalis no mercado global de laticínios, dando à empresa uma presença mais forte em mercados onde antes tinha apenas participação marginal. Ao mesmo tempo, a empresa manterá sua relação de fornecimento com a Fonterra por meio de vários contratos de longo prazo, tornando-se um dos maiores clientes da cooperativa neozelandesa e ajudando a garantir estabilidade de fornecimento.

Enquanto isso, a Fonterra poderá concentrar seus esforços em manter o crescimento nas áreas de ingredientes e foodservice, incluindo investimentos para ampliar a capacidade produtiva e maior foco em produtos lácteos de alto valor agregado.

Essa estratégia já trouxe resultados fortes no último ano fiscal, quando o CEO Miles Hurrell anunciou um programa de investimentos de quatro anos voltado a ampliar a capacidade industrial.

Na ocasião, queijos e proteínas foram os principais destaques de desempenho. Com a demanda contínua sustentando o crescimento, a cooperativa agora está posicionada para direcionar ainda mais investimentos para esses motores de expansão, à medida que se transforma em uma empresa mais enxuta e focada em ingredientes.

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.


Chuvas intensas no final do verão e início antecipado do El Niño acendem alerta climático

Chuvas intensas, ondas de calor e mudanças no padrão climático podem marcar o ano de 2026 no Brasil. Alertas recentes e projeções meteorológicas indicam que a combinação entre a atuação da ZCAS e a possível chegada antecipada do El Niño pode trazer uma sequência de eventos extremos nos próximos meses.

Na última segunda-feira, 9 de março, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um alerta de perigo para chuvas intensas em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país, além de pontos da Amazônia e do oeste da Bahia. O aviso surge em um momento de atenção para o clima no país. 
Nas últimas semanas, tempestades e episódios de alagamento atingiram estados como Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo, reforçando a sensação de um fim de verão particularmente instável em 2026.

Especialistas atribuem parte das chuvas intensas registradas nas últimas semanas à atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Esse sistema meteorológico forma um corredor de nuvens que se estende da Amazônia até o Atlântico Sul, atravessando a faixa central do Brasil.

Quando esse corredor de umidade se encontra com temperaturas elevadas na superfície do oceano e na atmosfera, o ambiente torna-se favorável à formação de nuvens carregadas e episódios prolongados de precipitação. Esse tipo de configuração costuma provocar volumes expressivos de chuva em curto período, aumentando o risco de alagamentos e transtornos urbanos.

El Niño pode antecipar mudanças no padrão climático

Se as últimas semanas já chamam atenção pelo volume de chuva, o cenário climático para os próximos meses também merece monitoramento. Projeções indicam que os efeitos do El Niño podem começar a ser sentidos mais cedo do que o habitual em 2026, possivelmente já a partir de maio.

Segundo o meteorologista Vinicius Lucyrio, da Climatempo, as projeções atuais apontam para um evento climático com intensidade significativa.

“Possivelmente, o El Niño este ano terá um início acelerado, e a expectativa é de que seja, no mínimo, um evento climático com intensidade de moderada a forte”, afirma o meteorologista.

Uma das principais preocupações associadas ao fenômeno é o aumento da frequência de temporais severos. Com o ar e as águas do oceano mais quentes, cresce a disponibilidade de energia na atmosfera: um fator que pode intensificar eventos climáticos extremos.

Ondas de calor e tempestades no horizonte

As projeções indicam que o Brasil pode voltar a enfrentar um padrão semelhante ao observado em 2023, marcado por extremos climáticos mais frequentes.

De acordo com Lucyrio, a tendência é de que, a partir do final do inverno e ao longo da primavera de 2026, ocorram episódios prolongados de calor intenso e períodos de tempo seco em grande parte do interior do país. Ao mesmo tempo, outras regiões podem experimentar o efeito oposto.

No Sul, por exemplo, o inverno já pode apresentar aumento da instabilidade, com maior presença de nuvens e tempestades. Eventos de chuva abrangente, com potencial para enchentes, e sistemas convectivos intensos tendem a se tornar mais frequentes na primavera. Parte dessa instabilidade também pode alcançar estados como Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Um ano de extremos climáticos?

O conjunto dessas projeções sugere que 2026 pode ser marcado por uma alternância mais intensa entre eventos climáticos extremos, com episódios de chuva forte, ondas de calor prolongadas e períodos de seca em diferentes regiões do país.

Embora previsões climáticas sempre carreguem incertezas, o cenário atual reforça a necessidade de acompanhamento constante das condições meteorológicas. Em um contexto de oceanos cada vez mais quentes, a tendência é que fenômenos naturais como ZCAS e El Niño tenham impactos cada vez mais perceptíveis no cotidiano das cidades e das atividades econômicas.

As informações meteorológicas são do Instituto Nacional de Meteorologia e Climatempo, adaptadas pela equipe MilkPoint.

 

Sooro Renner recebe R$ 197,6 milhões do BNDES para ampliar produção de lactose e whey no Paraná

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 197,6 milhões para a Sooro Renner Nutrição S/A ampliar a produção de lactose e whey protein na sua unidade em Francisco Beltrão (PR). Os recursos serão usados na implantação de uma estação de tratamento de efluentes com produção de biogás para geração de energia térmica na empresa.

A medida reduz o consumo de biomassa e as emissões de gases de efeito estufa da unidade. Essa será a primeira indústria brasileira a produzir ingredientes lácteos com altíssimo padrão de qualidade e pureza exigidas para o segmento no mercado. Os itens são usados em fórmulas infantis e alimentos especiais, de acordo com o BNDES. A tecnologia empregada no projeto utiliza água de reúso, extraída da própria matéria-prima, o soro de leite, e gera uma economia de um milhão de litros de água por dia.

“Ao apoiar esse projeto o BNDES fomenta a modernização da produção de derivados de alto valor agregado, que é o caso da whey protein, a proteína do soro do leite, reduzindo a dependência de importações”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Os recursos são oriundos do Finem, BNDES Mais Inovação e Fundo Clima. O projeto também deverá gerar impactos positivos no mercado de trabalho e na economia regional. A iniciativa prevê a criação de cerca de 250 empregos diretos ao longo da execução, além de aproximadamente 1.250 vagas indiretas associadas às obras e à cadeia produtiva. (Globo Rural via Valor Econômico)


Jogo Rápido

Piracanjuba ProForce anuncia patrocínio estratégico à FURIA
A Piracanjuba ProForce oficializou uma parceria estratégica com a FURIA, um dos maiores clubes de esportes e entretenimento do mundo, assumindo o posto de patrocinadora oficial da organização. A iniciativa marca a entrada definitiva da marca de bebidas proteicas no universo dos esportes eletrônicos e das competições de alto rendimento, visando estreitar o diálogo com as novas gerações e comunidades conectadas ao cenário digital. Segundo Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba, a escolha é um passo estratégico para acompanhar as mudanças nos hábitos de consumo e nos estilos de vida dos jovens. Do lado da FURIA, o diretor comercial Pedro Lopes destacou que a chegada da ProForce reforça o momento de expansão da organização, que busca parceiros capazes de construir conexões reais com seu ecossistema, unindo os conceitos de performance e identidade. Reconhecida internacionalmente, a FURIA atua em diversas frentes, incluindo modalidades como Counter-Strike, VALORANT e League of Legends, além de competições físicas como o Futebol 7 e a Porsche Cup. Para a Piracanjuba, a associação consolida seu posicionamento em contextos que unem esporte e cultura, reforçando a premissa de que o movimento e o equilíbrio são fundamentais para a evolução constante, tanto dentro quanto fora dos jogos. (ASCOM Piracanjuba editado pelo Sindilat)


Porto Alegre, 10 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.586


Sindilat/RS marca presença em debates sobre produção, inovação e sustentabilidade na Expodireto

Nesta quinta-feira, 10/03, o Sindilat/RS esteve presente na Expodireto Cotrijal, representado pelo secretário-executivo Darlan Palharini, que participou de uma série de agendas voltadas ao setor produtivo. 

Pela manhã, Palharini participou do 36º Fórum Nacional da Soja, promovido conjuntamente pela FecoAgro/RS, Cotrijal e CCGL, com apoio do Sistema Ocergs/Sescoop-RS. O encontro debateu o cenário e a conjuntura do setor, reunindo lideranças e especialistas do agronegócio. O secretário-executivo também acompanhou o lançamento do programa Campo Inovador – Leite e Derivados. A iniciativa, desenvolvida pelo Sebrae RS e conduzida pela Regional Noroeste, é voltada à principal bacia leiteira do Estado e busca conectar desafios da cadeia produtiva a soluções desenvolvidas por jovens, universidades, escolas técnicas, produtores e startups. 

À tarde, o dirigente participou do 10º Fórum Estadual de Conservação do Solo e da Água. O encontro, realizado pela CCGL, Cotrijal, Rede Técnica Cooperativa (RTC) e Embrapa, reuniu especialistas, produtores e representantes do agronegócio para discutir práticas sustentáveis e a conservação dos recursos naturais no Rio Grande do Sul. Na sequência, esteve presente na reunião com o setor produtivo e no lançamento da Fase 3 do Programa Irriga + RS. Durante a tarde, também atendeu a demandas de agendas com a imprensa. A programação da Expodireto Cotrijal segue até a próxima sexta-feira, 13/03/2026. (As informações são do Sindilat/RS)


Petróleo puxa alta de etanol e açúcar, mas incertezas dominam a indústria

Entre agentes de mercado, expectativa é de que conflito no Oriente Médio leve Petrobras a reajustar gasolina, o que evitaria a queda de preços na nova safra

Ontem, depois que o preço do barril do petróleo rompeu a barreira de US$ 100, ganhou corpo entre agentes da indústria sucroenergética a leitura de que a Petrobras poderia reajustar o preço da gasolina, o que deu sustentação ao etanol no mercado interno e ao açúcar no front internacional. Porém, as perspectivas para esses mercados ainda são turvas dadas as declarações erráticas do presidente americano Donald Trump sobre o conflito no Oriente Médio, deflagrado após Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã, há pouco mais de uma semana.

Por ora, analistas dizem que o choque decorrente do conflito pode impedir que os preços de etanol e açúcar caiam nos próximos meses. Esse movimento das cotações iria no sentido oposto das expectativas iniciais.

No mercado interno, os preços do etanol, que caíram em fevereiro sob a expectativa de antecipação da moagem de cana-de-açúcar, passaram a subir neste mês. O indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado vendido pelas usinas de São Paulo (sem impostos) subiu 3,13% na semana de 2 a 6 de março, em relação à anterior, para R$ 2,9352 o litro.

O açúcar também reagiu ontem. Os contratos do demerara que vencem maio subiram 3,48% na bolsa de Nova York, a 14,59 centavos de dólar a libra-peso.

Para analistas, ainda é cedo para estimar o efeito no médio e longo prazos do conflito no Oriente Médio sobre os mercados de açúcar e etanol, uma vez que ainda não se sabe quando, e se, a Petrobras reajustará a gasolina. Se a estatal fizer alguma alteração, no mínimo isso deve impedir uma queda mais significativa do etanol nos próximos meses, como se esperava.

“Com o preço do petróleo a US$ 100, se a Petrobras fizer o repasse integral, isso praticamente anularia toda a queda que prevíamos [para o preço do etanol na safra]”, disse Cristian Quiles, analista da consultoria FG/A. Em suas projeções, se a Petrobras repassasse o US$ 100 por barril ao mercado interno, o preço da gasolina A, às distribuidoras, subiria cerca de R$ 1 o litro, e o efeito no preço médio do etanol hidratado da safra 2026/27 seria de uma alta de R$ 0,50 o litro.

Para Quiles, a tendência é que o preço do etanol se ajuste de forma a manter uma correlação de 64% a 65% em relação à gasolina ao longo da próxima safra, devido à alta oferta esperada. A FG/A estima que as usinas de cana vão produzir 4 bilhões de litros a mais do que na safra 2025/26, e as de milho, 1,7 bilhão de litros a mais.

Segundo Rafael Borges, analista da StoneX, o preço do etanol começou a cair em fevereiro — na contramão do que ocorre nessa época, quando a oferta recua —, diante da expectativa de que as usinas antecipassem a moagem para aproveitar os preços do biocombustível, mais favoráveis que o açúcar. “Com o conflito, os preços voltaram a subir”, disse.

Em fevereiro, os preços do etanol vendido pelas usinas de Ribeirão Preto saíram de R$ 3,75 o litro para R$ 3,45, segundo a StoneX. Já nos últimos dias, os preços voltaram a R$ 3,60 o litro, refletindo a expectativa de impacto da guerra — embora as incertezas tenham reduzido o volume de negócios.

Tendência
Para Borges, porém, a tendência para o etanol ainda é de queda na primeira metade da safra. “Mesmo que tenha reajuste [da Petrobras], a safra vai ter oferta recorde. Só de etanol de milho serão 2 bilhões de litros a mais”, afirmou. Em sua análise atual, o preço do etanol terá que cair para assegurar competitividade suficiente em relação à gasolina nas bombas e demanda para todo o etanol que for produzido.

Já as cotações do açúcar só reagiram ontem, após mais de uma semana de conflito. Para o analista da StoneX, o preço do açúcar deve se guiar pelo tamanho da safra de cana de 2026/27 no Centro-Sul e pelo mix — que, a princípio, deve ser menos açucareiro. “Se o etanol remunerar mais, o mix tende a ser menos açucareiro”, disse.

Mas os analistas ponderam que se trata ainda de um cenário muito volátil. Ontem, no fim da tarde, Trump declarou que a guerra estaria “praticamente concluída”, o que provocou uma reviravolta nos mercados. Os futuros do petróleo, que bateram os US$ 120 o barril no meio do pregão, caíram abaixo dos US$ 100 o barril no fim do dia.

“Não é uma volatilidade qualquer”, afirmou Tarcilo Rodrigues, sócio da Bioagência. Para ele, ainda que o cenário mude, “dificilmente” os preços do petróleo voltarão para onde estavam devido ao “prêmio de risco” — há um mês, o Brent estava em US$ 70 o barril. (Globo Rural)

 

Após escassez de diesel, postos enfrentam corte no fornecimento de gasolina

Origem do problema está na disparada de preços após o ataque ao Irã e a intensificação do conflito no Oriente Médio

O problema de escassez de diesel, principalmente nas lavouras, começa a chegar à gasolina. A coluna amanheceu nesta terça-feira (10) recebendo relatos de que distribuidoras estão suspendendo entrega do combustível aos postos. Em breve começará a falta na bomba ao consumidor se a situação não se resolver. Questionado, o sindicato que representa as revendas, o Sulpetro, diz que atualizará a situação ainda pela manhã com as distribuidoras, mas o presidente, João Carlos Dal'Aqua, afirma que ainda são casos pontuais e para postos que não têm convênio.

- Acho que a Petrobras vai se movimentar de alguma maneira. Ou vai importar ou vai flexibilizar preço (aumentar) para que os demais importem. Não há desabastecimento geral. As distribuidoras têm seus estoques para atender seus contratados, mas não este aumento de demanda - diz. 

Esse desajuste de mercado tem origem no preço. A coluna vem avisando dos sinais desde a metade da semana passada. Distribuidoras não querem importar diesel e gasolina porque os valores estão muito acima do que os cobrados pelas refinarias da Petrobras, que sinalizou no final da semana passada que não aumentaria agora com esta volatilidade. O setor diz que a estatal está limitando a venda em cotas. Há ainda a desconfiança de que distribuidoras estão retendo carga para vender com preço maior. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) diz que pedirá esclarecimentos — mas não diz quando —, pois a produção está suficiente. A Petrobras não comenta as cotas, mas diz estar entregando o que está programado. 

O preço do petróleo e do diesel disparou no mercado internacional após o fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã, por onde passa 20% da produção mundial. A situação crítica piorou com os ataques a refinarias e outras bases de produção, levando à redução da fabricação em países como Emirados Árabes Unidos e Kuwait. 

Na madrugada de segunda-feira (9), a cotação do petróleo saltou 30%. Só acalmou quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou antes do fechamento do mercado que a guerra está "praticamente concluída". Ainda que essa afirmação vá contra as anteriores do próprio Trump, fez o preço cair ao patamar do final da semana passada, mas não afasta a tensão e a volatilidade dos próximos dias. (Zero Hora)


Jogo Rápido

A FIERGS manifesta preocupação com as recentes informações sobre dificuldades na distribuição de combustíveis no Rio Grande do Sul
O abastecimento regular de diesel e de outros combustíveis é essencial para o funcionamento da indústria, da logística e das cadeias produtivas, especialmente em um momento estratégico para o agronegócio gaúcho. A situação exige atenção e monitoramento para possíveis impactos na economia do Estado. Seguiremos acompanhando a evolução do cenário e reforçamos a importância da atuação coordenada entre empresas do setor energético e autoridades públicas para assegurar a normalidade no abastecimento. Confira a nota completa no site da Fiergs, clicando aqui.


Nesta quinta-feira, 10/03, o Sindilat/RS esteve presente na Expodireto Cotrijal, representado pelo secretário-executivo Darlan Palharini, que participou de uma série de agendas voltadas ao setor produtivo. 

Pela manhã, Palharini participou do 36º Fórum Nacional da Soja, promovido conjuntamente pela FecoAgro/RS, Cotrijal e CCGL, com apoio do Sistema Ocergs/Sescoop-RS. O encontro debateu o cenário e a conjuntura do setor, reunindo lideranças e especialistas do agronegócio. O secretário-executivo também acompanhou o lançamento do programa Campo Inovador – Leite e Derivados. A iniciativa, desenvolvida pelo Sebrae RS e conduzida pela Regional Noroeste, é voltada à principal bacia leiteira do Estado e busca conectar desafios da cadeia produtiva a soluções desenvolvidas por jovens, universidades, escolas técnicas, produtores e startups. 

À tarde, o dirigente participou do 10º Fórum Estadual de Conservação do Solo e da Água. O encontro, realizado pela CCGL, Cotrijal, Rede Técnica Cooperativa (RTC) e Embrapa, reuniu especialistas, produtores e representantes do agronegócio para discutir práticas sustentáveis e a conservação dos recursos naturais no Rio Grande do Sul. Na sequência, esteve presente na reunião com o setor produtivo e no lançamento da Fase 3 do Programa Irriga + RS. Durante a tarde, também atendeu a demandas de agendas com a imprensa. A programação da Expodireto Cotrijal segue até a próxima sexta-feira, 13/03/2026. (As informações são do Sindilat/RS)

Porto Alegre, 09 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.585


Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto

Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP).

Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite.

No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.  

As inscrições com desconto podem ser feitas pelo link disponível no site do Sindilat, clicando aqui.


CONSELEITE MINAS GERAIS 

RESOLUÇÃO FEVEREIRO/2026 
 
 A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 25 de Fevereiro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: 
 
a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2025 a ser pago em Dezembro/2025 
b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Janeiro/2026 a ser pago em Fevereiro/2026 
c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Fevereiro/2026 a ser pago em Março/2026. 


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. 

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA 
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.

Lactalis aposta no colágeno para unir lácteos funcionais e longevidade

A nova bebida láctea pronta para beber com colágeno da Lactalis reforça uma tendência clara: a inovação em lácteos funcionais está cada vez mais conectada à saúde óssea e à mobilidade. Tradicionalmente associado à beleza e ao bem-estar, o colágeno ganha espaço em alimentos e bebidas com propostas mais amplas de cuidado com a saúde.

A nova bebida láctea pronta para beber com colágeno da Lactalis reforça uma tendência clara: a inovação em lácteos funcionais está cada vez mais conectada à saúde óssea e à mobilidade. Tradicionalmente associado à beleza e ao bem-estar, o colágeno ganha espaço em alimentos e bebidas com propostas mais amplas de cuidado com a saúde.
De cremes para café a barras proteicas e shots de bem-estar, o ingrediente vem sendo incorporado a diferentes categorias para agregar valor nutricional. Dados da Mintel mostram que, nos Estados Unidos, mais da metade dos lançamentos com colágeno destacam benefícios para pele, cabelo e unhas, enquanto mais de um quarto enfatizam seu teor proteico. Ao mesmo tempo, o ingrediente é fortemente associado à saúde óssea e articular, ampliando seu uso em produtos de nutrição esportiva e recuperação.

Nesse contexto, a Lactalis lançou na Espanha o Puleva Vita Calcio Colágeno, bebida láctea enriquecida com colágeno nativo tipo II e respaldo científico. Desenvolvido em parceria com a Bioiberica, o produto é o primeiro no mercado espanhol a trazer esse ingrediente em uma formulação pronta para beber, com dose diária de 40 mg — quantidade clinicamente associada a benefícios para as articulações.

Para Mónica Gómez Navarro, gerente de marketing da empresa, o diferencial está também no formato. Embora as cápsulas ainda sejam tradicionais, o consumidor tem migrado para opções mais práticas e agradáveis, como gomas, barras e shakes prontos. A busca por conveniência, somada ao maior interesse por saúde preventiva e ao envelhecimento populacional, impulsiona essa transformação.

Segundo ela, os avanços em tecnologia de alimentos e ciência da nutrição criam o cenário ideal para soluções funcionais inovadoras. A escolha da Espanha como mercado de lançamento também foi estratégica. A Europa lidera o consumo de lácteos, com média de 201 kg por pessoa ao ano, acima da América do Norte (181 kg). Além disso, a Espanha é o segundo maior produtor de leite fluido da União Europeia, respondendo por 15% da produção destinada ao consumo no bloco.

A marca já contava com o Puleva Calcio, posicionado para a saúde óssea. A inclusão do colágeno nativo tipo II surge, portanto, como uma extensão natural da linha, ampliando o foco para mobilidade e suporte às articulações.

Como o colágeno atua na saúde óssea e articular

O colágeno nativo tipo II e o colágeno hidrolisado são amplamente utilizados em formulações funcionais, mas atuam de formas distintas. Na forma nativa, a proteína mantém sua estrutura helicoidal tripla; já no colágeno hidrolisado, essa estrutura é fragmentada em aminoácidos e peptídeos.

Quando ingerido, o colágeno nativo tipo II age especificamente nas articulações, com mecanismo mediado pelo sistema imunológico ao nível da cartilagem, ajudando a modular a resposta do organismo ao colágeno endógeno. Sua especificidade permite eficácia com apenas 40 mg diários, enquanto o colágeno hidrolisado pode demandar doses de até 10 g por dia e apresenta atuação mais ampla, incluindo pele e ossos. Essa diferença torna o tipo II nativo mais versátil do ponto de vista de formulação.

Desafios na fortificação de lácteos

Apesar do potencial, incorporar colágeno a matrizes lácteas envolve desafios técnicos relevantes. Processos como o UHT expõem os ingredientes a temperaturas elevadas, o que pode comprometer estabilidade e funcionalidade. Fatores como pH, oxigênio, luz e interações com outros componentes do alimento também influenciam a manutenção da atividade biológica.

Além disso, podem ocorrer interações durante processamento e armazenamento que alterem a matriz do produto ou a estabilidade do composto bioativo. Por isso, métodos analíticos específicos são empregados para garantir a presença e a integridade do colágeno nativo tipo II no produto final.

O que esperar do mercado

De acordo com a Mordor Intelligence, o mercado global de colágeno deve crescer a uma taxa média anual de 7,25% até 2031. Um dos principais motores é justamente sua incorporação a categorias tradicionais de alimentos e bebidas como ingrediente de uso diário.

A busca por longevidade e mobilidade não se restringe a um único perfil. Mulheres na menopausa, adultos de meia-idade e atletas compartilham o interesse por soluções preventivas que sustentem a saúde no longo prazo. Em comum, está a valorização da conveniência e a percepção de que os diferentes aspectos da saúde são interligados.

Ao unir praticidade e proposta de suporte holístico à mobilidade, o Puleva Vita Calcio Colágeno se posiciona nesse cruzamento entre ciência, conveniência e bem-estar.

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

Novo comando
Até então diretor técnico, Claudinei Baldissera assumiu ontem a presidência da Emater. Ele substitui Luciano Schwerz, que estava no comando desde setembro de 2024. Baldissera afirmou à coluna que não acumulará as duas posições e que o novo nome para a área técnica será anunciado em breve. (Zero Hora)


Porto Alegre, 06 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.584


Balança comercial de lácteos mantém déficit em fevereiro

As importações somaram 176,4 milhões de litros em equivalente-leite, com leve aumento de 1,7% frente a janeiro. Apesar da alta mensal, o volume permanece 16% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, reforçando a tendência de desaceleração das compras externas que já havia sido observada na balança de janeiro.

A balança comercial brasileira de lácteos registrou déficit de 171,3 milhões de litros em equivalente-leite em fevereiro de 2026, resultado 1,1% mais negativo que o observado em janeiro. Na comparação com o mesmo mês de 2025, porém, o déficit apresenta recuo de 16%, indicando uma redução na dependência de lácteos importados ao longo do último ano.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As importações somaram 176,4 milhões de litros em equivalente-leite, com leve aumento de 1,7% frente a janeiro. Apesar da alta mensal, o volume permanece 16% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, reforçando a tendência de desaceleração das compras externas que já havia sido observada na balança de janeiro.

Gráfico 2. Importações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Do lado das vendas externas, as exportações totalizaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite, registrando crescimento expressivo de 27,4% em relação ao mês anterior. Ainda assim, o volume embarcado permanece 15% inferior ao observado em fevereiro de 2025, mostrando que, apesar da recuperação mensal, as exportações brasileiras ainda operam em patamar inferior ao do ano passado.

Em fevereiro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os principais produtos:

Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, voltou a registrar alta nos embarques, com aumento de 23% frente a janeiro, retomando a trajetória de crescimento após o recuo observado no mês anterior.

Manteigas: mais do que dobrando o volume exportado, a categoria apresentou alta de 125%, alcançando 574 mil quilos embarcados no mês.

Creme de leite: após a forte recuperação vista em janeiro, os embarques voltaram a recuar, registrando queda de 13% em relação ao último mês.

Leites em pó: o leite em pó integral apresentou aumento relevante nas exportações, ainda que os volumes embarcados permaneçam relativamente baixos na pauta exportadora.

No campo das importações, os principais movimentos observados foram:

Leite em pó integral (LPI): principal produto da pauta importadora brasileira, continuou a apresentar crescimento nos volumes. Em fevereiro, a alta foi de 12%, podendo indicar desaceleração frente ao avanço de 23% registrado em janeiro.

Leite em pó desnatado (LPD): segundo item mais relevante nas importações, apresentou leve recuo de 2% nos volumes, mantendo a tendência de estabilidade observada nos últimos meses.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de janeiro de 2026 e fevereiro de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em fevereiro de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

Para os próximos meses, a expectativa é de recuo no volume total de lácteos importados ao longo de 2026. A recuperação dos preços internacionais, aliada a uma produção brasileira ainda elevada, mesmo que com crescimento mais moderado, pode reduzir parte da atratividade das compras externas.

Outro fator importante é o câmbio. Nas últimas semanas, o dólar vinha operando em patamares mais baixos, o que sustentava a competitividade dos produtos importados no mercado brasileiro. No entanto, o aumento das tensões geopolíticas recentes pode trazer maior volatilidade cambial, influenciando diretamente as negociações internacionais de lácteos.

Nesse cenário, embora os preços dos lácteos no Mercosul já apresentem tendência de alta, o dólar mais baixo vinha funcionando como um fator de equilíbrio para as importações. Ainda assim, alguns produtos nacionais seguem com preços superiores aos equivalentes importados, o que mantém as compras externas ainda como uma alternativa competitiva para o mercado nacional. (Milkpoint)


Oferta elevada pressiona preços no mercado global de lácteos, aponta relatório do Rabobank

O mercado global de lácteos segue bem abastecido e com níveis elevados de produção, cenário que continua influenciando os preços internacionais da categoria. A avaliação faz parte de uma análise recente do relatório Global Dairy Quarterly, publicado pelo Rabobank, que acompanha as principais tendências do setor leiteiro no mundo.

Segundo o banco, a produção de leite continua crescendo nas principais regiões exportadoras — com exceção da Austrália. Esse avanço foi favorecido principalmente pelos custos relativamente baixos de alimentação animal, o que incentivou os produtores a ampliar o volume de produção e manter a oferta global em níveis elevados.

O aumento da disponibilidade de leite teve impacto direto sobre os preços internacionais dos lácteos. Os mercados de gordura foram os mais afetados, com quedas superiores a 40% entre setembro e fevereiro. O leite em pó integral seguiu movimento semelhante, acumulando recuo de cerca de 30% no mesmo período.

Já os produtos ricos em proteína apresentaram maior resiliência. Mercados como os de leite em pó desnatado, queijos e soro de leite registraram retrações mais moderadas, em torno de 15%. No caso do soro, os preços chegaram até a continuar em alta, sustentados pela forte demanda por produtos proteicos de maior valor agregado.

Mais recentemente, no entanto, o mercado começou a mostrar sinais iniciais de recuperação. Resultados positivos consecutivos nos leilões da Global Dairy Trade, além de desempenhos mais firmes nos eventos GDT Pulse, contribuíram para melhorar o sentimento entre os participantes do setor.

Apesar disso, os dados atuais de oferta ainda não indicam que essa recuperação seja estruturalmente sustentável. A produção de leite na União Europeia, nos Estados Unidos, na América do Sul e na Nova Zelândia permanece bem acima dos níveis registrados no ano passado. Embora o ritmo de crescimento esteja gradualmente voltando ao normal, o mercado global ainda apresenta grande disponibilidade de produtos lácteos.

Mesmo assim, após um período prolongado de queda nos preços, o movimento recente de recuperação é visto como um sinal positivo para o setor, ao mostrar que as cotações podem voltar a subir.

Nos próximos meses, a tendência é de um ajuste gradual do mercado. À medida que as margens nas fazendas enfrentam maior pressão e as comparações favoráveis com o ano anterior começam a desaparecer após o primeiro trimestre, a expectativa é de que o equilíbrio entre oferta e demanda se torne mais apertado.

A previsão do Rabobank é que a produção dos sete principais exportadores globais termine 2026 com crescimento de apenas 0,2% em relação ao ano anterior, após uma expansão de 2,6% registrada em 2025.

Esse cenário é explicado, em grande parte, pela desaceleração do crescimento da oferta em regiões como América do Sul, Austrália e China. Na Europa, a produção de leite deve recuar cerca de 0,9%, com impactos mais visíveis ao longo do ano, especialmente nos mercados de manteiga e leite em pó desnatado.

Nos Estados Unidos, por outro lado, as margens dos produtores seguem sustentadas pelos preços elevados da carne bovina, o que tende a manter o crescimento da produção de leite ao longo do ano. Nesse caso, a expansão deverá ser direcionada principalmente para a fabricação de queijos — especialmente muçarela e cheddar — além do soro de leite.

Do lado da demanda, as condições econômicas em regiões importadoras importantes, especialmente na Ásia, continuam favoráveis para a manutenção das compras de lácteos no mercado internacional. No entanto, o relatório destaca que a instabilidade geopolítica segue como um fator de risco relevante.

Tensões envolvendo países como Irã e Ucrânia, entre outras regiões, podem provocar interrupções temporárias no equilíbrio do comércio global. Como o Oriente Médio é um mercado relevante para importações de produtos como leite em pó, pós lácteos enriquecidos com gordura e leite evaporado, o setor acompanha de perto a evolução do cenário geopolítico e seus possíveis impactos sobre o fluxo internacional de lácteos.

As informações são do Rabobank, adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Informativo Conjuntural 1909 de 05 de março de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Observa-se que em função da menor disponibilidade de forragem, os produtores têm ampliado o uso de silagem, feno, pré-secado e ração no cocho para atender à demanda nutricional do rebanho. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, alguns produtores com açudes menores, que receberam precipitações pouco significativas nas últimas semanas, enfrentam dificuldades para atender à demanda de dessedentação animal. As temperaturas mais amenas proporcionaram maior conforto térmico, ampliando os períodos de acesso dos animais aos potreiros de pastagem. Em algumas propriedades com médio nível tecnológico, a produção apresentou leve reação.

Na de Caxias do Sul, os animais sofreram com o estresse térmico, mas não houve prejuízo na produção, que manteve volume e padrão de qualidade.  

Na de Frederico Westphalen, a produção apresentou leve queda, principalmente em função das altas temperaturas e da falta de chuvas. A sanidade do rebanho está adequada.

Na de Passo Fundo, ocorreu leve queda de produção.  

Na de Porto Alegre, houve conforto térmico para os rebanhos, e a condição corporal dos animais está adequada.  

Na de Santa Rosa, houve redução da quantidade e da qualidade do volumoso disponível. Nas propriedades sem irrigação ou com oferta limitada de sombra, estimaram-se perdas de até 15% na produtividade, associadas à menor disponibilidade de forragem e ao estresse térmico. 

As temperaturas elevadas da última semana intensificaram o desconforto dos animais, reduzindo o tempo de pastejo e o consumo de alimento, especialmente em raças europeias, mais sensíveis ao calor. Ainda assim, a qualidade do leite produzido está estável. (Emater editado pelo Sindilat)


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA
Na próxima semana, a aproximação de uma frente fria e a atuação de um sistema de baixa pressão voltarão a deixar o tempo instável em grande parte do Rio Grande do Sul. Nos dias 06/03 (sexta-feira) e 07/03 (sábado), o tempo permanecerá instável devido à atuação de um sistema de baixa pressão. Nesse período, há previsão de chuva em todas as regiões do Estado, e as temperaturas devem entrar em declínio. No dia 08/03 (domingo), o sistema começará a se afastar, e há previsão de chuva fraca isolada apenas na porção Nordeste. Nos dias 09/03 (segunda-feira) e 10/03 (terça-feira), o tempo voltará a ficar instável em parte do Estado, devido à atuação de outro sistema de baixa pressão nas proximidades da região. Assim, há previsão de chuva fraca a moderada na Metade Oeste no dia 09/03 e nas metades Leste e Norte no dia 10/03. No dia 11/03 (quarta-feira), o tempo voltará a ficar mais estável em parte do Estado, e há previsão de chuva apenas em pontos isolados. A partir do dia 09/03 (segunda-feira), as temperaturas deverão voltar a se elevar gradualmente. Os acumulados de precipitação deverão variar entre 5 e 100 mm ao longo da semana, e os maiores volumes estão previstos para a porção Central e Norte do Estado. Já na Metade Sul, os acumulados tendem a ser menores, com exceção do Litoral Sul, onde os volumes podem ser mais elevados. (Fonte: Simagro – Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos)


Porto Alegre, 05 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.583


CADE aprova aquisição da Básel Lácteos pelo Grupo Piracanjuba

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a aquisição da Básel Lácteos pelo Grupo Piracanjuba, concluindo o movimento anunciado em janeiro. Com o aval do órgão, a companhia finalizou, em 1º de março, a incorporação da indústria mineira especializada em queijos finos, localizada em Antônio Carlos, na Serra da Mantiqueira.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a aquisição da Básel Lácteos pelo Grupo Piracanjuba, concluindo o movimento anunciado em janeiro. Com o aval do órgão, a companhia finalizou, em 1º de março, a incorporação da indústria mineira especializada em queijos finos, localizada em Antônio Carlos, na Serra da Mantiqueira. 
Com a conclusão da transação, a empresa passa a contar com dez plantas industriais no Brasil e avança em sua estratégia de expansão no segmento de queijos especiais. Reconhecida pela produção de variedades como Emmental, Gruyère, Maasdam e Gouda, a Básel agrega ao portfólio itens de maior valor agregado, fortalecendo a presença da companhia em categorias premium. 

Situada em uma região de forte tradição leiteira, a fábrica está instalada em um município com pouco mais de 11 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Antônio Carlos é referência na produção de queijos nobres, impulsionada pela qualidade do leite local, favorecida pelo clima ameno, altitude e pastagens adequadas à atividade agropecuária. 

A diretriz inicial é manter a atual linha produtiva, preservando os atributos que consolidaram a reputação da empresa ao longo de décadas. A ampliação do mix e da capacidade instalada ocorrerá gradualmente. 

Hoje concentrada no estado do Rio de Janeiro, a distribuição deverá avançar para todo o território nacional, sob a marca Piracanjuba, ampliando o acesso dos consumidores aos queijos produzidos na Serra da Mantiqueira. 

O Grupo informa que a integração será conduzida com transparência e diálogo. A intenção é preservar os cerca de 100 empregos diretos, majoritariamente ligados às atividades fabris. Os produtores de leite que abastecem a planta também serão contatados individualmente. 

“Concluímos essa etapa com a convicção de que estamos incorporando tradição, qualidade e conhecimento técnico à nossa trajetória. Essa integração será conduzida com respeito às pessoas, à cultura local e às relações construídas ao longo do tempo. Esse cuidado está diretamente ligado ao nosso propósito de alimentar a vida, começando pelas relações humanas que sustentam o negócio”, afirma o presidente do Grupo Piracanjuba, Luiz Claudio Lorenzo. 

Nos próximos anos, estão previstos investimentos na modernização da unidade e no fortalecimento da estrutura produtiva. 

As informações são da Assessoria de Imprensa da Piracanjuba.


Campanha nos EUA quer ampliar consumo de lácteos e mostrar novos benefícios dos produtos

A ideia é mostrar novas possibilidades de consumo. "Se alguém pensa no leite apenas como algo para crianças, como ampliamos essa visão? Se o iogurte é visto apenas como alimento de café da manhã, como mostramos que ele também pode ser um lanche, uma opção de recuperação após exercício ou parte de uma refeição?".

Uma nova campanha nacional lançada nos Estados Unidos quer ampliar a presença dos lácteos no dia a dia dos consumidores. A iniciativa, chamada “Dairy Does More” (“Lácteos fazem mais”, em tradução livre), foi criada pelo Dairy Management Inc. (DMI), organização responsável por promover o consumo de leite e derivados no país.
A entidade faz parte do sistema conhecido como checkoff, um modelo no qual produtores de leite contribuem com recursos para financiar pesquisas, marketing e ações de comunicação voltadas a fortalecer a demanda por lácteos.

A campanha é uma evolução do movimento Undeniably Dairy (“Sem dúvida, lácteos”, em tradução livre) e busca atualizar a forma como os produtos lácteos são apresentados ao público.

Segundo Aris Georgiadis, vice-presidente sênior de comunicações de marketing da DMI, o objetivo é reposicionar os lácteos no imaginário do consumidor.

“Queremos reacender a relevância dos lácteos e abrir espaço para novo crescimento, ajudando as pessoas a enxergar esses produtos sob uma perspectiva diferente”, afirma. “A maioria dos consumidores já gosta de lácteos pelo sabor. Agora queremos mostrar todos os outros benefícios que eles oferecem e por que merecem um espaço ainda maior no cotidiano.”

De acordo com a DMI, a campanha também busca combater o que Georgiadis chama de “visão de túnel” do consumidor — a tendência de associar determinados alimentos a momentos muito específicos.

“Muitas pessoas colocam os alimentos em categorias fixas”, explica. “Leite é para crianças. Iogurte é para o café da manhã. Queijo é para o jantar. Nosso trabalho é quebrar essa lógica e ampliar a forma como os consumidores enxergam os lácteos.”

A ideia é mostrar novas possibilidades de consumo. “Se alguém pensa no leite apenas como algo para crianças, como ampliamos essa visão? Se o iogurte é visto apenas como alimento de café da manhã, como mostramos que ele também pode ser um lanche, uma opção de recuperação após exercício ou parte de uma refeição?”, questiona.

A campanha foi lançada nacionalmente com o slogan “So Many Reasons for Dairy” (“Tantos motivos para consumir lácteos”, em tradução livre). A iniciativa inclui três vídeos digitais de 30 segundos, ativações em redes sociais e programas em mercados locais.

Segundo a DMI, a comunicação aposta em um tom leve e criativo para destacar a versatilidade dos lácteos e seus benefícios nutricionais.

“Mostramos, por exemplo, a jovens atletas que os lácteos vão além da proteína; aos pais, que os benefícios vão muito além do cálcio; e aos adolescentes apaixonados por comida, falamos de nutrição de forma autêntica”, explica Georgiadis. “Quando combinamos um benefício conhecido com outro que surpreende, conseguimos quebrar essa visão limitada e incentivar novos hábitos.”

Um dos objetivos centrais é incentivar o consumo de lácteos em mais momentos ao longo do dia. Embora esses produtos continuem populares, muitos americanos ainda não atingem a recomendação de três porções diárias.

“Essa campanha busca gerar valor para produtores e importadores ao fortalecer o papel dos lácteos na vida das pessoas”, afirma Marilyn Hershey, produtora de leite da Pensilvânia e presidente da DMI. “Quando os consumidores entendem tudo o que os lácteos oferecem para a saúde, desempenho e prazer no dia a dia, a tendência é que escolham esses produtos com mais frequência.”

Georgiadis acrescenta que o objetivo final é posicionar os lácteos como alimentos nutritivos, prazerosos e presentes no cotidiano.

“Queremos ser uma parte inevitável e deliciosa da vida das pessoas”, diz. “Nosso papel é ser uma voz confiável e positiva, que torne a nutrição dos lácteos acessível e agradável.”

As informações são do portal Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

 

 

Senado aprova projeto que amplia a licença-paternidade para 20 dias

Além de ampliar o atual período de 5 dias, o projeto também cria o salário-paternidade; texto vai à sanção do presidente Lula

O Senado aprovou nesta quarta-feira (4) o projeto que altera a atual diretriz da licença-paternidade e amplia o período de 5 para 20 dias. O texto, que foi votado de maneira simbólica - sem o registro nominal de votos - agora segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Aprovado em novembro do ano passado pela Câmara dos Deputados, o projeto também institui o benefício salário-paternidade, pago pela Previdência Social. O custo do aumento do tempo de ausência será de cerca de R$ 5,4 bilhões até 2030.

Durante a aprovação no plenário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e diversos outros parlamentares presentes utilizaram adesivos em apoio ao projeto, com os dizeres “Lei do Pai Presente” e “Feminicídio Zero”.

Relatado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), o projeto define que o aumento da licença será gradual, aplicado nos seguintes moldes:

10 dias nos dois primeiros anos de vigência da lei;
15 dias no terceiro ano da lei;
20 dias a partir do quarto ano da lei.
"Ampliar a licença é uma medida que impacta diretamente a vida das mulheres e fortalece toda a família. Esse avanço é construir uma sociedade mais justa para as mulheres, porque a igualdade começa dentro de casa", afirmou a senadora.

O custo, que hoje é bancado pela empresa, passará a ser pago pela Previdência Social com a ampliação da licença. A mudança visa evitar resistências por parte do setor privado e igualar esse direito às condições da licença-maternidade, que já é paga pelo governo federal.

A mudança na licença-paternidade também se aplica aos pais adotivos de crianças ou adolescentes. O projeto ainda permite que os pais parcelem a licença, podendo tirar 50% do período após o nascimento do bebê ou a adoção, e o restante em até 180 dias.

Para casos excepcionais, como a morte da mãe da criança, o pai terá direito ao período relativo à licença-maternidade, de 120 dias. A remuneração para pais será integral durante o período de afastamento.

Pressão do Judiciário
Em dezembro de 2023, o STF (Supremo Tribunal Federal) definiu o período de 18 meses para que o Congresso Nacional se movimentasse acerca do assunto, considerando que o período de afastamento de 5 dias era insuficiente. O prazo expirou cerca de 4 meses atrás. (CNN)


Jogo Rápido

JORNADA DE 40 HORAS: Sul é mais afetado por redução
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou levantamento que aponta o Sul como mais afetado em caso de redução de jornada de trabalho para 40 horas semanais. A entidade calculou dois cenários: compensando a medida com horas extras ou com novas contratações. A Região Sul lidera os impactos em ambos os casos. No primeiro cenário com alta de 8,1% dos custos e no segundo, com alta de 5,4%. O Sudeste teria o maior aumento de custos, com estimados R$ 143,8 bilhões de impacto. (Correio do Povo)