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Porto Alegre, 16 de outubro de 2026                                                     Ano 20 - N° 5.036


Produtor precisa expandir potencial produtivo das propriedades

Apesar da concentração da atividade em tambos de maior produção, a grande maioria das propriedades leiteiras no Rio Grande do Sul opera longe do teto produtivo. A afirmação sinaliza para um expressivo potencial produtivo a ser explorado e foi feita pelo consultor e diretor da Transpondo, Wagner Beskow, durante palestra no Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS).

Segundo ele, o potencial na Metade Norte do RS, por exemplo, é de 33 mil litros/hectare/ano em sistemas convencionais e 50 mil litros/ hectare/ano em áreas irrigadas, mais que o dobro do obtido em média na região.
 
O contexto sinaliza possibilidade de avanço produtivo mesmo entre as propriedades gaúchas que se mantiveram na atividade depois de uma década marcada pelo abandono de 55,2 mil produtores da atividade, segundo a Emater. “Hoje, temos menos produtores, mas mais volume. É um cenário que mudou e ainda deve resultar em um futuro de grandes e mega produtores. Precisamos entender o que significa essa mudança”, frisou.

Na nova realidade da produção gaúcha, indica ele, a atividade deve se manter com viabilidade apenas em propriedades com produção acima de 500 litros/dia, volume que facilita a captação logística pelos laticínios.

“As mudanças estão ocorrendo de forma mais rápida”, alerta. Recomendou aos produtores que operem com propriedade com estruturas simples e enxutas em que as decisões sejam tomadas pensando no todo e em conjunto. “Os animais e as rotinas das pessoas têm que fluir naturalmente”.

Posição compartilhada pelo assistente técnico estadual da Emater/RS, Jaime Ries. Segundo ele, a permanência na atividade leiteira depende de fatores que vão além da produtividade e da estrutura das propriedades. Levantamento da Emater identificou que 66,4% das famílias citaram a penosidade da atividade, 61,3% a falta de mão de obra familiar e 37,8% o desinteresse dos filhos como fatores relacionados.

“Os resultados indicam que a saída da produção comercial de leite deve ser compreendida como um processo multifatorial de transformação das estratégias familiares, no qual se combinam condições econômicas da cadeia, organização do trabalho, disponibilidade de mão de obra familiar, dinâmica geracional, características produtivas e possibilidades alternativas de geração de renda”, assinala.
 
Mas a competitividade do leite brasileiro não depende apenas do volume produzido, mas principalmente da capacidade de controlar custos, melhorar a gestão e aproveitar o potencial produtivo das propriedades. Um desafio é elevar qualidade e rentabilidade por meio do valor de sólidos totais, característica que resulta em bonificações ao produtor. Enquanto o Rio Grande do Sul registra teor de gordura mais proteínas entre 6% e 7,5%, a média da Nova Zelândia chega a 9,17%.

Isso se reflete no custo de produção por quilo, estimado em US$ 5,82 no estado, ante US$ 3,33 a Nova Zelândia. Wagner Beskow entende que o Rio Grande do Sul tem potencial para avançar, com aproveitamento de vantagens como melhor eficiência por hectare nas forragens frente a outros players mundiais.

Frente à concorrência com Argentina e Uruguai, o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Glauco Carvalho vê a disponibilidade de forragens e o forte envolvimento das famílias na atividade como diferenciais do leite gaúcho, características que ajudam a enfrentar um dos principais gargalos do setor: a escassez e o encarecimento da mão de obra.

“Temos observado um movimento de consolidação e crescimento das propriedades, inclusive para melhorar a logística e a qualidade do leite evitando paradas em várias pequenas propriedades”. Por outro lado, a estrutura fundiária, predominante média e pequena, pode limitar a expansão prevista.

Confirmada a edição 2027

Ao final dos dois dias de atividade do Milk Summit Mercosul, que reuniu entre os dias 14 e 15 de outubro mais de 750 pessoas em torno do futuro do setor, consolidando um espaço de diálogo sobre os desafios e perspectivas de crescimento, foi confirmada a realização do evento no próximo ano.

“Seguiremos rumo à terceira edição, comemorando os resultados positivos deste espaço de diálogo e construção”, confirmou Darlan Palharini, coordenador do evento e secretário-executivo do Sindilat. A programação deste ano reuniu 27 palestrantes e painelistas, quatro mesas de debates e 11 startups na Arena Láctea de Inovação.

O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.

O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Racon Consórcios, Laticínios Frizzo e Apoio: Integra, Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil.

Fonte: Jardine Comunicações / Foto por Carolina Jardine


 

Milk Summit: Manejo genético melhora ganhos no leite e fixa produtores no campo

O melhoramento genético do rebanho leiteiro como estratégia para ampliar a produtividade, aumentar a renda e estimular a permanência das famílias no campo foi tema da primeira apresentação técnica da manhã desta quinta-feira (15/10), no Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS).

Os secretários municipais da Agricultura das cidades gaúchas de Panambi, Hugo Hartemink, e de Novo Xingu, Sérgio Celso Tasso, apresentaram experiências dos dois municípios aos mais de 750 participantes do evento.

“São iniciativas que podem ser replicadas pelas administrações municipais como estratégia para fortalecer quem está na atividade leiteira, garantindo ampliação da renda e desenvolvimento para as comunidades beneficiadas”, assinalou Darlan Palharini, coordenador do Milk Summit Mercosul 2026 e secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS).

Em Panambi, o programa de melhoramento genético começou em 2022 e busca elevar a qualidade do rebanho e ampliar a renda dos 70 produtores que integram a inciativa. Até o momento, 211 fêmeas foram inseminadas. O trabalho começa com o mapeamento genético dos animais, a partir da coleta de amostras encaminhadas para análise nos Estados Unidos.

Os resultados permitem identificar características genéticas e selecionar o sêmen mais adequado para cada animal. “Com o melhoramento genético, é possível produzir um volume maior de leite por animal, aumentando a produção”, destacou Hugo Hartemink. Segundo o secretário, outra vantagem é a otimização do trabalho, reduzindo a mão de obra.

A tecnologia também é vista como um caminho para aproximar os jovens da produção rural. “Hoje, os jovens buscam trabalhar com tecnologia e não querem depender exclusivamente de atividades que exigem esforço físico intenso. O programa de melhoramento genético oferece justamente essa possibilidade de incorporar inovação à produção rural”, afirmou. O município pretende ampliar o trabalho para o gado de corte, com o objetivo de melhorar o potencial produtivo dos animais.

Já em Novo Xingu, o programa municipal de melhoramento genético funciona desde 2002 e integra uma política ampla de apoio à atividade rural. O município oferece inseminação artificial gratuita, realizada por quatro técnicos da prefeitura, além de custear o transporte, o armazenamento do sêmen e os materiais utilizados no procedimento.

A proposta é ampliar o acesso às tecnologias de reprodução e seleção genética, especialmente para pequenos produtores. “Se nós investimos em melhoramento genético, precisamos também dar suporte ao nosso produtor e à nossa produtora”, ressaltou Sérgio Celso Tasso ao acrescentar que o incentivo à genética precisa estar acompanhado de assistência técnica.

O Milk Summit Mercosul 2026 está sendo realizado no Parque de Exposições Wanderley Burmann. É uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.

O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Racon Consórcios, Laticínios Frizzo e Apoio: Integra, Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil.

Na foto: à direita do mediador, o secretário municipal da Agricultura de Panambi, Hugo Hartemink; à esquerda, o secretário municipal da Agricultura de Novo Xingu, Sérgio Celso Tasso.

Fonte: Jardine Comunicação / Foto: Carolina Jardine 
 

Milk Summit Mercosul 2026 disponibiliza pesquisa de satisfação para participantes

Avaliação é necessária para emissão do certificado de participação e acesso aos materiais apresentados durante o evento

Após reunir mais de 750 inscritos e registrar recorde de público em sua segunda edição, realizada nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí (RS), o Milk Summit Mercosul 2026 convida os participantes a avaliarem sua experiência por meio de uma pesquisa de satisfação. O formulário está disponível on-line e busca reunir opiniões e sugestões que contribuam para o planejamento e o aprimoramento das próximas edições.

A pesquisa contempla diferentes aspectos do evento, como a programação de palestras e debates, a estrutura disponibilizada, a organização e as atividades desenvolvidas ao longo dos dois dias. A proposta é identificar os pontos positivos e as oportunidades de melhoria, considerando a percepção de quem participou do encontro.

O preenchimento da pesquisa é obrigatório para que os participantes tenham acesso ao certificado de participação e aos materiais apresentados pelos palestrantes durante o Milk Summit Mercosul 2026. O formulário pode ser respondido em poucos minutos, por meio do link disponibilizado nos canais oficiais do evento.

A comissão organizadora destaca que a participação do público é fundamental para orientar as decisões relacionadas às próximas edições. As contribuições recebidas servirão de subsídio para aperfeiçoar a experiência dos participantes e fortalecer o Milk Summit Mercosul como espaço de troca de conhecimento, inovação e discussão sobre os desafios e as oportunidades do setor lácteo.

Realizado pelo segundo ano consecutivo com todas as inscrições preenchidas, o Milk Summit Mercosul consolida sua relevância ao reunir produtores, representantes da indústria, pesquisadores, especialistas e lideranças para debater temas estratégicos para o desenvolvimento e a competitividade do setor.

A pesquisa de satisfação pode ser acessada clicando aqui!


Jogo Rápido

Perdeu o Milk Summit Mercosul? Confira os principais momentos no YouTube!
Quem não conseguiu acompanhar presencialmente a segunda edição do Milk Summit Mercosul, realizada nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí (RS), pode conferir os conteúdos do evento pelo YouTube. O encontro reuniu especialistas, lideranças, produtores e representantes da indústria para debater os desafios, as tendências e as oportunidades do setor lácteo, com palestras, painéis técnicos e mesas de debates. As apresentações dos dois dias estão disponíveis no YouTube, permitindo que o público acompanhe as discussões e tenha acesso aos conhecimentos compartilhados durante o evento. Acesse o canal do Milk Summit Mercosul no YouTube e confira os conteúdos da edição de 2026!